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DIVERSITY AND COMMUNITY STRUCTURE OF RIPARIAN FOREST IN OURO BRANCO, MINAS GERAIS STATE, BRAZIL

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Academic year: 2021

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DIVERSIDADE E ESTRUTURA DE UM REMANESCENTE DE FLORESTA RIPÁRIA MONTANA EM OURO BRANCO, MINAS GERAIS, BRASIL Everton da Silva Ramos1, Sânzia Romanova Duarte Ferreira da Silva Nunes2, Josiane

Marques Rodrigues1, Andreza Viana Neri3*

RESUMO: Realizou-se o levantamento da comunidade arbórea de um remanescente de Floresta

Ripária Montana, situada em Ouro Branco (20º27’30”-20º37’30”S e 43º45’00”-43º30’00”W), Minas Gerais. Os objetivos foram analisar a estrutura fitossociológica do fragmento e compará-lo floristicamente a outros fragmentos associados a cursos d’água no Estado de Minas Gerais. A composição florística foi determinada a partir de uma amostragem fitossociológica, utilizando o método de parcelas. Foram alocadas 28 parcelas de 10 × 20 m, onde todos os indivíduos vivos com circunferência a altura do peito (CAP) ≥ 15 cm foram amostrados. Foram encontrados 1.258 indivíduos, distribuídos em 190 espécies pertencentes a 95 gêneros e 53 famílias. As famílias com maior riqueza foram Myrtaceae (30), Lauraceae (20), Fabaceae (20), Rubiaceae (14), Euphorbiaceae (10), Annonaceae (8) e Saliacaceae (8). O índice de diversidade de Shannon (H’) foi de 5,06 e a equabilidade de Pielou (J’) 0,88. A composição florística quando comparada com outras 16 florestas ripárias de Minas Gerais apresentou baixa similaridade, sendo a maior semelhança verificada entre o fragmento estudado e a APE Barreiro (0,30). A heterogeneidade florística e os baixos índices de similaridade refletem as diferenças fitogeográficas e a heterogeneidade florísticas dessas florestas.

Palavras-chave: Mata ciliar, biodiversidade, fitossociologia.

DIVERSITY AND COMMUNITY STRUCTURE OF RIPARIAN FOREST IN OURO BRANCO, MINAS GERAIS STATE, BRAZIL

ABSTRACT: We studied a fragment of riparian forest in Ouro Branco (20º27’30”-20º37’30”S and 43º45’00”-43º30’00”W), Minas Gerais State. The aim was to study the phytosociology of the plant community and compare the flora with different riparian forests in Minas Gerais. Twenty-eight plots of 10 m x 20 m were allocated and the individuals with circumference ≥ 15 cm at 130cm height from the soil were included. 1258 individuals were sampled, belonging to 190 species and 53 families. The ones with highest species richness were Myrtaceae (30), Lauraceae (20), Fabaceae (20), Rubiaceae (14), Euphorbiaceae (10), Annonaceae (8) and Saliacaceae (8). The Shannon diversity index (H') was 5.06 and the equability was 0.88. The floristic composition between the 16 riparian forests studies in Minas Gerais presented low similarity to each other. The most similar area was APE Barreiro and the area considered in studied (0.30). The floristic heterogeneity and the low similarities reflect phytogeographic differences and diversity floristic in the riparian forests.

Keywords: Riparian Forest, biodiversity, phytosociology.

____________________________________________________________________________________________________ 1

Centro Universitário do Leste de Minas Gerais. Av. Tancredo Neves, 3.500, Bairro Universitário, Coronel Fabriciano (MG). CEP: 35160-056.

2

Universalis Consultoria, Projetos e Serviços Ltda. Av. Almir de Souza Ameno, 75, sala 212, Cp. 199, Timóteo (MG).CEP: 35180-412.

3

Universidade Federal de Viçosa – UFV, Departamento de Biologia Vegetal, Laboratório de Ecologia e Evolução de Plantas. Av. PH Rolfs, s/n, Viçosa (MG). CEP: 36570-000.*E-mail: [email protected]. Autor para correspondência.

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Gl. Sci. Technol., Rio Verde, v. 05, n. 02, p. 133 – 149, mai/ago. 2012. INTRODUÇÃO

As florestas relacionadas com cursos fluviais no Brasil recebem várias denominações de acordo com as condições ambientais em que ocorrem (SANCHEZ et al., 1999). A delimitação conceitual das formações vegetais que acompanham os cursos d'água foi claramente discutida por Catharino (1989), que sugere o uso do termo vegetação ripária para as matas que margeiam os rios.

Essas formações são condicionadas por uma série de fatores físicos locais (BATTILANI et al., 2005) e bióticos (BERTANI et al.,2001). Como esses fatores ambientais são bastantes variáveis entre as formações ciliares, há grande heterogeneidade na estrutura e composição florística dessas florestas (RODRIGUES & NAVE, 2001). As principais pressões sofridas por esses ecossistemas são atividades agropecuárias, extrativismo florestal (CORBACHO et al., 2003, BATTILANI et al., 2005) e agricultura, por serem sítios de fertilidade relativamente superior (BERG & OLIVEIRA FILHO, 2000). A devastação dessas florestas tem contribuído notavelmente para o assoreamento, o aumento da turbidez, o desequilíbrio do regime das cheias, a perda da perenidade dos cursos d'água e a erosão das margens de vários rios, além de comprometer a diversidade da fauna silvestre (OLIVEIRA-FILHO et al., 2004).

Essas áreas possuem elevada relevância relacionada principalmente à biodiversidade e à manutenção do equilíbrio do ecossistema aquático (SOUZA, 1999), uma vez que funcionam como refúgio para a fauna terrestre e aquática, corredores de fluxo gênico vegetal e animal, além de serem essenciais para a proteção do solo e dos recursos hídricos (BARRELLA et al., 2000), mantendo assim a integridade de ecossistemas locais (LIMA, 1989).

As comparações florísticas entre florestas ripárias têm mostrado áreas muitos diversas e com valores de similaridades baixos, mesmo entre áreas muito próximas

(RODRIGUES & NAVE, 2001). Essas análises de similaridade florística entre diferentes áreas são de grande importância para definição de padrões fitogeográficos (SILVA et al., 2007), porém há fatores limitantes para essas análises. Meyer et al. (2004) citam entre elas as diferenças entre metodologias empregadas e Silva et al. (2007) quando compararam 35 áreas de florestas aluviais e paludosas, concluem como fator limitante em sua pesquisa a escassez de trabalhos.

Segundo Silva Junior et al. (1998), há uma necessidade de mais estudos comparativos para melhor definição dos ambientes ripários, o que auxiliaria as ações de manejo e restaurações das florestas ciliares.

Os objetivos do presente estudo foram avaliar a estrutura fitossociológica de um fragmento de floresta ripária e compará-lo floristicamente a outros fragmentos associados a cursos d’água no Estado de Minas Gerais, visando gerar conhecimento sobre a distribuição florística das plantas que ocorrem nessas áreas.

MATERIAL E MÉTODOS

Área de estudo

O presente estudo foi realizado em uma Floresta Ripária Montana do Rio Garcia, localizada na Serra Ouro Branco (20o 27’30”-20o37’30”S e 43o45’00”-43o30’00”W), pertencente ao município de Ouro Branco, Minas Gerais. O clima desta região é classificado como tropical de altitude (Cwb – Köppen), marcado por uma importante sazonalidade térmica e pluviométrica. As temperaturas oscilam entre 13° e 22º C (média anual de 17º C) e o índice médio pluviométrico anual é de aproximadamente 1.200 mm (IGA, 2009). A variação altitudinal da área de estudo é de 1.250 - 1.568 m. Os solos da região em sua maioria são classificados como arenosos, oriundos de rochas quartzíticas e em menor porção, localizados a nordeste, como argilosos provenientes da formação mineral do tipo

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itabirito. Com base nos mapas de vegetação de Veloso et al. (1991) e IBGE (1993), a Serra de Ouro Branco localiza-se no estremo Sul da Cadeia do Espinhaço, na transição entre o Domínio da Mata Atlântica à leste e o Domínio do Cerrado à oeste. A Serra de Ouro Branco se caracteriza pela presença das fitofisionomias do Complexo Rupestre sobre quartzito: Campo Rupestre, áreas de vegetação sobre afloramentos e Capões de Mata.

Estrutura e diversidade

Para a amostragem dos dados foram utilizadas 28 parcelas de 10 m x 20 m, (MULLER-DOMBOIS & ELLENBERG, 1974) com espaçamento entre as mesmas de 5 m, ao longo da margem ciliar, totalizando 0,56 ha de vegetação amostrada. Em cada parcela amostrou-se todos os indivíduos vivos que apresentaram circunferência à altura do peito (CAP) (1,30 m do solo) ≥ a 15 cm. O comprimento da parcela seguiu paralelo à margem do rio.

O material botânico coletado foi herborizado seguindo as técnicas usuais (MORI et al., 1985) e incorporado ao acervo do Herbário HUNL do Centro Universitário de Leste de Minas Gerais. As identificações foram realizadas por morfologia comparada através de materiais depositados em herbário, bem como através de consultas à literatura especializada e especialistas.

As espécies foram classificadas de acordo com o sistema do Angiosperm Phylogeny Group II (APG II, 2003). Todos os nomes de espécies e suas sinonímias, com os respectivos autores, foram confirmados e atualizados através de consulta ao site do Missouri Botanical Garden (MOBOT).

Para a análise dos dados referentes à estrutura da vegetação foram utilizados os parâmetros usuais de fitossociologia: densidade absoluta e relativa, frequência absoluta e relativa, dominância absoluta e relativa, valor de cobertura e valor de importância (MUELLER-DOMBOIS & ELLENBERG, 1974; COTTAM & CURTIS, 1956). O índice de diversidade de Shannon-Weaver (H’) e de equabilidade de Pielou (J) (PIELOU, 1975) assim como a análise de estrutura foram calculados através do programa Mata Nativa (CIENTEC, 2006). Similaridade florística

Para a análise de similaridade florística foram utilizados dados de 16 estudos de florestas ripárias realizados em Minas Gerais, incluindo o presente trabalho (Tabela 1). Na seleção dos estudos procurou-se incluir apenas aqueles que apreprocurou-sentaram o padrão de inclusão de circunferência à altura do peito (CAP) ≥ a 15 cm ou diâmetro a altura do peito (DAP) ≥ a 5 (pela proximidade dos valores foi aceito DAP ≥ a 5 que é igual a CAP ≥ 15,67 cm) e que a metodologia utilizada fosse a de parcelas.

Para a uniformização da classificação adotou-se o sistema de classificação do IBGE (VELOSO et al.,1991; IBGE, 1993).

A lista florística foi organizada em uma matriz binária de presença e ausência. A partir da matriz binária calculou-se o índice de similaridade de SØrensen (MUELLER-DOMBOIS & ELLENBERG, 1974) e a interpretação foi feita pelo método de média não ponderada (UPGMA) que foi expresso na forma de dendrograma, obtido através do programa MSVP versão 3.1(KOVACH, 2004).

Tabela 1 – Relação das 16 florestas ripárias, localizadas em Minas Gerais utilizadas na análise de similaridade florística. FDS = Floresta Estacional Decídua Submontana, FSM = Floresta Estacional Semidecídua Montana, FSA = Floresta Estacional

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Gl. Sci. Technol., Rio Verde, v. 05, n. 02, p. 133 – 149, mai/ago. 2012. Semidecídua Altimontana, FDA = Floresta Ombrófila Densa Altimontana e FDM = Floresta Ombrófila Densa Montana

Área de estudo

Localidade Fitofisionomia Latitude Longitude Altitude Clima Área Espécies

Referência

Rio Garcia Ouro Branco-MG Transição entre Mata Atlântica e Cerrado 20º27’ 43º45’ 1250 a 1568m Cwb 0,56 ha 190 Presente estudo APE do Barreiro Belo Horizonte-MG Transição entre Campos rupestres e savana (Cerrado)

23º03’ 44º01’ * Cwa 0,50 ha 97 Meyeret al. (2004) Rio Grande Alpinopólis-MG FDS 20º41’ 46º22’ 680 a 700m Cwb 0,50 ha 50 Fagundes et al. (2007) Rio Grande Passos-MG FDS 20º40’ 46º27’ 680 a 750m Cwb 0,50 ha 39 Fagundes et al. (2007) Matão Camanducaia-MG

FDA 22º42’ 45º55’ 1900m Cwb 0,75ha 58 França e

Stehamann (2004) Rio das

Mortes

São João del-Rei-MG

Savana 21º05’ 44º14’ 889m Cwb 0,54 ha 29 Campos et al. (2007) Fazenda Marileuza Uberlândia- MG Savana 18º52’ 48º14’ 860m Aw 0,62 ha 33 Nogueira e Schiavini (2003) Estação Ecologica do Panga Uberlândia -MG Savana 19º09’ 48º23’ 800m Aw 0,50 ha 79 Lopes e Schiavini (2007) Bairro Rural do Pião Santa Rita de Caldas FSM 22º05’ 46º21’ 1158 a 1204m Cfb 1 ha 110 Loures et al. (2007) Rio Gualaxo do Norte

Mariana FDA 20º16’ 43º26’ * Cwa 1 ha 109 Gonçalves

(2009) Chapada dos Perdizes Carrancas FSA 21º36’ 44º37’ 1440 a 1513m

Cwa 1,2 ha 132 Oliveira Filho et al. (2004) Mata da Cachoeira do Rio Grande Bocaina de Minas FDM 44º32’ 44º32’ 1210 a 1360m Cb 1,04 ha 158 Carvalho et al. (2005) Fazenda Lagoa Coqueiral FSM 21º09’ 45º28’ 810 a 840m Cwb 1 ha 161 Rocha et al. (2005) Rio Capivari Lavras FSM 21º18’ 44º20’ 920 a 940m Cwb 1,12 ha 165 Souza et al. (2003) Fazenda Barreiro e Morro Grande Luminárias FSM 21º29’ 44º55’ 880 a 1001m Cwb 1,28 ha 201 Rodrigues et al. (2003) Mata da Ilha Ingaí FSM 21º24’ 44º55’ 870 a 890m Cwb 1 ha 140 Botrelet al. (2002) *Altitude não informada pelos autores.

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RESULTADOS E DISCUSSÃO

Estrutura fitossociológica e Diversidade

Do total de 1.258 indivíduos

coletados, foram identificadas 190 espécies, 95 gêneros e 53 famílias. Aproximadamente 100 morfoespécies não puderam ser

identificadas.

Dentre as famílias que se destacaram em maior número de espécies estão Myrtaceae (30), Lauraceae e Fabaceae (20), Rubiaceae (14), Euphorbiaceae (10), Annonaceae e Salicaceae (8), que representaram juntas 57,89 % das espécies encontradas, enquanto as outras 45 famílias perfizeram os 42,11% das espécies restantes. Estas famílias também figuram entre as dez mais ricas em florestas ripárias sob influência das formações de campos rupestres e Cerrado (MEYER et al., 2004), Floresta Estacional Semidecídua Montana e Aluvial (BOTREL et al., 2002; RODRIGUES et al., 2003; SOUZA et al., 2003; ROCHA et al., 2005) e Floresta Ombrófila Densa Montana (CARVALHO et al., 2005). Estes trabalhos foram desenvolvidos em formações abaixo de 1.000 m de altitude (com exceção de CARVALHO et al., 2005) e a diferença altitudinal entre eles e o fragmento estudado (1.250 a 1.568 m) parece ter influenciado na estrutura da vegetação, destacando algumas famílias como Lauraceae e Rubiaceae.

Segundo Oliveira Filho e Fontes (2000) com o aumento de altitude, a riqueza florística da família Fabaceae tende a reduzir, já Gentry (1995) salienta que ocorre aumento de importância de famílias como Lauraceae e Rubiaceae. No presente estudo, não notou-se a redução muito acentuada da riqueza de Fabaceae, mas houve riqueza bem expressiva de Lauraceae e Rubiaceae. Com destaque para Lauraceae, família que se destaca em floresta de altitudes elevadas.

O perfil florístico encontrado para o remanescente ripário de Ouro Branco confirma a observação de Leitão Filho (1987) de que entre as dez famílias de maior riqueza nas matas ciliares do Centro-Sul do Brasil,

estão Myrtaceae, Lauraceae, Fabaceae, Euphorbiaceae e Rubiaceae. As famílias que tiveram maior contribuição em número de indivíduos foram Euphorbiaceae 128 (10,17%), Myrtaceae 115 (9,13%), Salicaceae 83 (6,59%) e Lauraceae 70 (5,56%).

Os gêneros com maiores números de espécies representantes foram Ocoteae Casearia (8), Machaerium e Myrcia (6), Psychotria (5), Aspidosperma, Guatteriae Nectandra(4). Esses gêneros apresentam-se amplamente distribuídos em florestas ripárias. Myrcia, NectandraeOcotea, figuram entre os mais ricos também em outros trabalhos (VILELA et al., 2000; BOTREL et al., 2002; RODRIGUES et al., 2003; SOUZA et al., 2003; MEYER et al., 2004; OLIVEIRA-FILHO et al., 2004; CARVALHO et al., 2005; ROCHA et al., 2005).

O número de espécies encontradas neste estudo (190) foi superior, quando comparado com aqueles encontrados por outros autores em áreas amostrais de tamanhos aproximados (0,50 ha a 0,75 ha), como Meyer et al. (2004) na APE do Barreiro (97); França e Stehmann (2004) em Camanducaia (58); Fagundes et al. (2007) em Alpinópolis (50); Fagundes et al. (2007) em Passos (39); Campos et al. (2007) em São João Del Rei (29); as áreas referidas a seguir têm tamanhos muito superiores a Ouro Branco (1,0 ha a 1,12 ha), sendo elas: Botrel et al. (2002) em Ingaí (140); Carvalho et al. (2005) em Bocaina de Minas (158); Rocha et al. (2005) em Coqueiral (161) e Souza et al. (2003) em Lavras (165) (Tab. 1). Os levantamentos florísticos que obtiveram número de espécies superiores à Mata Ripária de Ouro Branco (190) foram: Rodrigues et al. (2003) em Luminárias (201 espécies) e Oliveira Filho et al. (2004) em Carrancas (218). Entretanto, a área amostral nesses trabalhos foi maior (Tabela 1). Contudo, no presente estudo muitas espécies não foram identificadas ou foram identificadas apenas até gênero ou família. Nesse caso, se considerar as morfoespécies, Ouro Branco

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Gl. Sci. Technol., Rio Verde, v. 05, n. 02, p. 133 – 149, mai/ago. 2012. apresentou maior riqueza que as áreas

supracitadas.

Destacou-se com o maior número de indivíduos Dactylostemonsp.1(86), pertencente a família Euphorbiaceae, seguido de MyrciaelongataO. Berg (38) pertencente à Myrtaceae, Casearia gossypiosperma Briq.(37) pertencente à Salicaceae, Pteridophyta sp.1 (35), pertencente a divisão Pteridophyta e Cecropia hololeuca Miq.(31) pertencente a Urticaceae. Juntas, estas espécies somaram 18,04% dos indivíduos amostrados.

Na compilação de dados feitos por Rodrigues e Nave (2001), para 43 levantamentos florísticos realizados em florestas ciliares do Brasil extra amazônico, em condições de altitude, clima e coordenadas geográficas variáveis, foram observadas espécies com ampla distribuição, que também foram encontradas na floresta ripária de Ouro Branco, sendo elas: Tapirira guianensis Aubl., Copaifera longsdorfii Desf., Alchornea triplinervia (Spreng.) Müll. Arg.,Croton floribundus Spreng., Croton urucurana Baill., Machaerium nictitans (Vell.) Benth., Casearia decandra Jacq., Casearia gossypiosperma, Casearia sylvestris Sw., Endlicheria paniculata (Spreng.) J.F. Macbr., Nectandra megapotamica (Spreng.) Mez, Nectandra oppositifolia Nees & Mart., Cabralea canjerana (Vell.) Mart., Inga marginata Willd., Sorocea bonplandii (Baill.) W.C. Burger, Lanj. & Wess.Boer, Rapanea umbellata (Mart.) Mez, Guapira opposita (Vell.) Reitz, Roupala brasiliensis Klotzsch, Allophilus edulis (A. St.-Hil., Cambess. & A. Juss.) Radlk.,Cupania vernalis Cambess., Matayba elaeagnoides Radlk. e Vitex montevidensis Cham.

Algumas espécies com distribuição em ambientes de altitudes elevadas descritos por Oliveira Filho e Fontes (2000), aparecem na área do presente estudo como, Cecropia glaziovi Snethl., Clethra scabra Pers., Daphnopsis fasciculata (Meisn.) Nevling, Ficus mexiae Standl., Gordonia fruticosa (Schrad.) H. Keng, Miconia brunnea Mart. ex DC., Miconia cinnamomifolia (DC.) Naudine Vismia brasiliensis Choisy, bem como elementos arbóreos que se encontram entre as espécies descritas por Leitão-Filho (1992) como de ampla distribuição no Cerrado como: Alibertia concolor (Cham.) K. Schum. Amaioua guianensisAubl., Aspidosperma subincanum Mart. ex A. DC., Casearia sylvestris, Copaifera langsdorffii, Guettarda viburnoides Cham. & Schltdl., Lamanonia ternata Vell., Matayba elaeagnoides, Prunus sellowii Koehne e Psychotria sessilis Vell. Estes resultados demonstram a influência da formação adjacente na floresta ripária em estudo, fato já observado por Ivanauskas et al. (1997) e Oliveira Filho et al. (2004) em Itatinga (SP) e Carrancas (MG), respectivamente, e da influência do fator atitudinal na composição florística dos ambientes.

As dez espécies que apresentaram maiores valores de importância (VI), foram Dactylostemon sp.1 (4,2%), Casearia gossypiosperma(2,5%), Myrcia elongata (2,46%), Protiumsp.1 (2,35%), Cecropia hololeuca (2,37%), Casearia sylvestris (2,21%), Pteridophyta sp.1 (2,07%), Touliciasp.1 (1,79%), Guapira opposita (1,75%) e Cabraleacanjerana (1,56%) (Figura 1). Juntas correspondem a 23,26% do VI total da área. Estas espécies, com exceção de Toulicias p.1, apresentaram alta densidade.

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A espécie Dactylostemon sp1. apresentou um elevado número de indivíduos, ampla distribuição entre as parcelas e seus valores de densidade e dominância foram os maiores encontrados, obtendo assim o maior valor de importância (Tab. 2). Esse gênero em outras regiões de Minas Gerais como Ingaí (BOTREL et al., 2002), Luminárias (RODRIGUES et al., 2003), Rio Capivari (SOUZA et al., 2003) e Coqueiral (ROCHA et al., 2005), aparece representado pelas espécies D. concolor, de ampla distribuição e D. klotzschii.

As espécies Cabralea canjerana, Casearia gossypiosperma, Casearia sylvestris e Guapira opposita bastante frequentes no presente estudo, são descritas

como de ampla distribuição em florestas ciliares (RODRIGUES & NAVE, 2001).

A espécie Toulicia sp.1 embora tenha apresentado baixo número de indivíduos (13) figurou entre as dez espécies com maior VI em decorrência do seu valor alto de área basal.

Neste trabalho, houve muitas espécies sem identificação, algumas com identificação parcial como: Dactylostemon, Protium, Pteridophyta e Toulicia, que são de grande importância, destacando dentre as com maiores valores de importância (VI). Isto mostra a dificuldade de identificação destas espécies e o pouco conhecimento ainda sobre estes ambientes.

Figura 1 - Dez espécies com os maiores valores de importância (VI), encontrados em um fragmento de Floresta Ripária Montana em Ouro Branco, Minas Gerais.

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Gl. Sci. Technol., Rio Verde, v. 05, n. 02, p. 133 – 149, mai/ago. 2012. Tabela 2 - Parâmetros fitossociológicos das espécies amostradas em um fragmento de Floresta Ripária Montana em Ouro Branco, Minas Gerais. N = número de indivíduos, DR = densidade relativa, FR = frequência relativa, DoR = dominância relativa, VC(%) = valor de cobertura e IV(%) = valor de importância

Nome Científico N DR (%) FR (%) DoR (%) VC (%) VI (%) Actinostemon sp.1 86 6,83 1,88 3,81 5,32 4,17

Casearia gossypiosperma Briq. 37 2,94 1,76 2,71 2,82 2,47

Myrcia elongata O. Berg 38 3,02 1,51 2,90 2,96 2,47

Cecropia hololeuca Miq. 31 2,46 1,51 3,04 2,75 2,33

Protium sp.1 28 2,22 1,64 3,39 2,81 2,42

Casearia sylvestris Sw. 30 2,38 1,76 2,15 2,27 2,10

Pteridophyta sp.1 35 2,78 1,51 1,94 2,36 2,08

Toulicia sp.1 13 1,03 1,00 3,34 2,19 1,79

Guapiraopposita (Vell.) Reitz 27 2,14 1,63 1,51 1,83 1,76

Cabralea canjerana (Vell.) Mart. 23 1,83 1,63 1,26 1,54 1,57

Prunus sellowii Koehne 22 1,75 1,38 1,45 1,60 1,53

Myrcia tomentosa (Aubl.) DC. 21 1,67 1,13 1,66 1,66 1,48

Gordonia fruticosa (Schrad.) H. Keng 15 1,19 1,00 2,07 1,63 1,42

Tachigali rugosa (Mart. ex Benth.) Zarucchi & Pipoly 7 0,56 0,50 2,79 1,67 1,28

Roupala brasiliensis Klotzsch 16 1,27 1,51 0,79 1,03 1,19

Lamanoniaternata Vell. 12 0,95 0,75 1,80 1,38 1,17

Clethrascabra Pers. 17 1,35 0,75 1,27 1,31 1,12

Matayba elaeagnoides Radlk. 13 1,03 1,13 1,01 1,02 1,06

Guatteria macropus Mart. 16 1,27 1,00 0,79 1,03 1,02

Ocotea odorífera Rohwer 12 0,95 1,00 0,92 0,94 0,96

Maytenus alaternoides Reissek 11 0,87 1,13 0,50 0,69 0,83

Cupania vernalis Cambess. 9 0,71 0,75 0,99 0,85 0,82

Piptocarpha macropoda (DC.) Baker 8 0,64 0,63 1,08 0,86 0,78

Sorocea bonplandii (Baill.) W.C. Burger, Lanj. &

Wess. Boer

10 0,79 1,00 0,43 0,61 0,74

Psychotria tenella Müll. Arg. 14 1,11 0,50 0,59 0,85 0,74

Alchornea triplinervia (Spreng.) Müll. Arg. 10 0,79 1,00 0,32 0,56 0,70

Psychotria nuda (Cham. & Schltdl.) Wawra 8 0,64 0,63 0,84 0,74 0,70

Compomanesia velutina (Cambess.) O. Berg 9 0,71 0,63 0,68 0,70 0,67

Dalbergia nigra (Vell.) Allemao ex Benth. 12 0,95 0,50 0,53 0,74 0,66

Guapira sp.2 9 0,71 0,88 0,36 0,54 0,65

Cecropia glaziovi Snethl. 7 0,56 0,63 0,74 0,65 0,64

Croton floribundus Spreng. 5 0,40 0,63 0,81 0,60 0,61

Myrcia fallax (Rich.) DC. 8 0,64 0,88 0,30 0,47 0,60

Ocotea elegans Mez 8 0,64 0,50 0,62 0,63 0,59

Guapira sp.1 7 0,56 0,63 0,55 0,55 0,58

Pera glabrata (Schott) Poepp. ex Baill. 10 0,80 0,88 0,47 0,64 0,72

Roupala montana Aubl. 7 0,56 0,88 0,21 0,38 0,55

Connarus suberosus Planch. 6 0,48 0,75 0,36 0,42 0,53

Schinus terebinthifolius Raddi 8 0,64 0,50 0,46 0,55 0,53

Daphnopsis sp.1 5 0,40 0,63 0,52 0,46 0,51

Casearia decandra Jacq. 7 0,56 0,75 0,20 0,38 0,50

Machaerium brasiliensis Vogel 7 0,56 0,50 0,34 0,45 0,47

Illex sp.1 5 0,40 0,38 0,54 0,47 0,44

Ocotea conferta Coe Teixeira 2 0,16 0,25 0,84 0,50 0,42

Aspidosperma ilustre (Vell.)Kuhlm. & Pirajá 4 0,32 0,25 0,65 0,49 0,41

Ocotea sp.1 6 0,48 0,50 0,25 0,36 0,41

Amaioua guianensis Hemsl. 6 0,48 0,50 0,21 0,34 0,40

Fabaceae sp.1 5 0,40 0,63 0,14 0,27 0,39

(9)

Sapium glandulatum (Vell.) Pax 6 0,48 0,38 0,46 0,47 0,44

Nectandra oppositifolia Nees & Mart. 8 0,64 0,63 0,82 0,72 0,69

Myrtaceae sp.19 4 0,32 0,50 0,25 0,28 0,35

Rapanea umbellata (Mart.) Mez 7 0,56 0,75 0,24 0,39 0,52

Daphnopsis racemosa Griseb. 4 0,32 0,38 0,33 0,32 0,34

Miconia pussiliflora (DC.) Naudin 5 0,40 0,50 0,12 0,26 0,34

Aspidosperma subincanum Mart. ex A. DC. 4 0,32 0,25 0,44 0,38 0,34

Ocotea dispersa (Nees) Mez 4 0,32 0,50 0,16 0,24 0,33

Rapanea guianensis Aubl. 4 0,32 0,50 0,18 0,25 0,33

Psychotria sessilis (Vell.) Müll. Arg. 5 0,40 0,38 0,19 0,29 0,32

Guatteria vilosissima Saint-Hilaire 4 0,32 0,50 0,14 0,23 0,32

Erythroxyllum ambiguum Peyr. 5 0,40 0,50 0,07 0,23 0,32

Endlicheria paniculata (Spreng.) J.F. Macbr. 5 0,40 0,38 0,18 0,29 0,32

Pouteria sp.1 5 0,40 0,38 0,19 0,29 0,32

Maytenus robusta Reissek 5 0,40 0,51 0,31 0,36 0,41

Euplassa sp.2 3 0,24 0,25 0,43 0,33 0,31

Erythrina falcata Benth. 3 0,24 0,25 0,44 0,34 0,31

Tapirira guianenses Aubl. 4 0,32 0,50 0,09 0,21 0,30

Casearia sp.2 2 0,16 0,25 0,48 0,32 0,30

Guatteria sp.1 4 0,32 0,38 0,16 0,24 0,29

Vismia brasiliensis Choisy 8 0,64 0,63 0,34 0,48 0,53

Lacistema sp.1 4 0,32 0,38 0,11 0,21 0,27

Psychotria sp.1 3 0,24 0,38 0,42 0,34 0,34

Ocotea laxa (Nees) Mez 4 0,32 0,38 0,07 0,19 0,26

Guettarda virbunoides Cham. & Schltdl. 3 0,24 0,38 0,13 0,18 0,25

Maprounea guianensis Aubl. 4 0,32 0,38 0,07 0,19 0,25

Nectandra sp.2 2 0,16 0,25 0,35 0,25 0,25

Cassia ferrugínea (SCHRADER) Schraderex DC. 5 0,40 0,51 0,23 0,31 0,37

Ocotea glaziovii Mez 3 0,24 0,38 0,09 0,17 0,24

Euphorbiaceae sp.1 2 0,16 0,13 0,43 0,29 0,24

Maytenus evonymoides Reissek 4 0,32 0,13 0,27 0,30 0,24

Myrtaceae sp.4 2 0,16 0,25 0,32 0,24 0,24

Guatteria sellowiana Schltdl. 4 0,32 0,25 0,12 0,22 0,23

Euplassa sp.1 3 0,24 0,38 0,09 0,16 0,23

Casearia sp.1 3 0,24 0,25 0,19 0,22 0,23

Mollinedia sp.1 3 0,24 0,38 0,08 0,16 0,23

Coutarea hexandra (Jacq.) K. Schum. 4 0,32 0,25 0,13 0,23 0,23

Symplocos sp.1 3 0,24 0,25 0,18 0,21 0,22

Miconia brunnea Mart. ex DC. 2 0,16 0,25 0,21 0,19 0,21

Myrtaceae sp.1 3 0,24 0,25 0,13 0,18 0,21

Sloanea monosperma Vell. 3 0,24 0,13 0,28 0,26 0,21

Myrtaceae sp.7 3 0,24 0,25 0,11 0,17 0,20

Inga marginata Kunth 3 0,24 0,25 0,12 0,18 0,20

Rubiaceae sp.1 2 0,16 0,25 0,19 0,17 0,20

Senna multijuga (Rich.) H.S. Irwin & Barneby 3 0,24 0,13 0,22 0,23 0,19

Myrtaceae sp.8 2 0,16 0,25 0,12 0,14 0,18

Miconia cinamomifolia (DC.)Naudin 3 0,24 0,25 0,05 0,14 0,18

Sebastiania brasiliensis Spreng. 3 0,24 0,25 0,05 0,14 0,18

Schefflera morototoni (Aubl.) Maguire, Steyerm. &

Frodin

2 0,16 0,25 0,12 0,14 0,18

Allophilus edulis (A. St.-Hil., Cambess. & A. Juss.)

Radlk.

2 0,16 0,25 0,14 0,15 0,18

Moraceae sp.1 2 0,16 0,25 0,11 0,13 0,17

Casearia brasiliensis Eichler 2 0,16 0,25 0,11 0,13 0,17

Vochysia tuconorium Mart. 2 0,16 0,25 0,09 0,12 0,17

Kielmeyera albopunctata Saddi 2 0,16 0,25 0,09 0,12 0,17

Myrcia sp.1 2 0,16 0,25 0,06 0,11 0,16

(10)

Gl. Sci. Technol., Rio Verde, v. 05, n. 02, p. 133 – 149, mai/ago. 2012.

Carpotroche sp.1 2 0,16 0,25 0,06 0,11 0,16

Nectandra sp.1 2 0,16 0,25 0,08 0,12 0,16

Persia sp.1 2 0,16 0,25 0,05 0,11 0,15

Machaerium nictitans (Vell.)Benth. 2 0,16 0,25 0,05 0,10 0,15

Myrtaceae sp.18 2 0,16 0,13 0,18 0,17 0,15

Aspidosperma sp.1 2 0,16 0,25 0,05 0,10 0,15

Lauraceae sp.5 2 0,16 0,25 0,04 0,10 0,15

Galipea jasminiflora (A. St.-Hil.) Engl. 1 0,08 0,13 0,21 0,14 0,14

Casearia sp.3 1 0,08 0,13 0,21 0,14 0,14

Coussarea verticullata Müll. Arg. 3 0,24 0,26 0,15 0,20 0,21

Annonaceae sp.1 1 0,08 0,13 0,20 0,14 0,14

Machaerium sp.3 3 0,24 0,13 0,05 0,15 0,14

Laplacea fruticosa (Schrad.) Kobuski 1 0,08 0,13 0,19 0,13 0,13

Mollinedia micranta Perkins 4 0,32 0,26 0,16 0,25 0,25

Simaroubaceae sp.1 1 0,08 0,13 0,18 0,13 0,13

Apuleia leiocarpa (Vogel) J.F. Macbr. 1 0,08 0,13 0,15 0,12 0,12

Lauraceae sp.3 2 0,16 0,13 0,09 0,12 0,12

Eriotheca candolleana (K. Schum.) A. Robyns 1 0,08 0,13 0,16 0,12 0,12

Eugenia dodonnefolia Cambess. 2 0,16 0,13 0,08 0,12 0,12

Lauraceae sp.4 1 0,08 0,13 0,13 0,10 0,11

Hyptidendrom asperrimum (Epling) Harle 2 0,16 0,13 0,05 0,10 0,11

Chrysophyllum sp.1 2 0,16 0,13 0,04 0,10 0,11

Myrtaceae sp.5 1 0,08 0,13 0,14 0,11 0,11

Myrtaceae sp.13 2 0,16 0,13 0,04 0,10 0,11

Kielmeyera grandiflora (Wawra) Saddi 1 0,08 0,13 0,12 0,10 0,11

Xilopia aromática (Lam.) Mart. 2 0,16 0,13 0,06 0,11 0,11

Lauraceae sp.2 2 0,16 0,13 0,05 0,10 0,11

Lithraea malleiodes Engl. 1 0,08 0,13 0,14 0,11 0,11

Bauhinia sp.1 2 0,16 0,13 0,06 0,11 0,11

Myrtaceae sp.10 1 0,08 0,13 0,10 0,09 0,10

Tibouchina granulosa (Desr.) Cogn 1 0,08 0,13 0,10 0,09 0,10

Machaerium villosum Vogel 1 0,08 0,13 0,08 0,08 0,10

Psychotria capitata Ruiz & Pav. 1 0,08 0,13 0,09 0,08 0,10

Alibertia sp.1 1 0,08 0,13 0,08 0,08 0,10

Lafoensia pacari A. St.-Hil. 1 0,08 0,13 0,08 0,08 0,09

Eupatorium sp.1 1 0,08 0,13 0,06 0,07 0,09

Luehea grandiflora Mart. 1 0,08 0,13 0,07 0,08 0,09

Ficus mexia Standl. 1 0,08 0,13 0,06 0,07 0,09

Dalbergia foliosa (Benth.) A.M.V. de Carvalho 1 0,08 0,13 0,08 0,08 0,09

Croton urucurana Baill. 1 0,08 0,13 0,07 0,07 0,09

Ficus pertusa L. f. 1 0,08 0,13 0,06 0,07 0,09

Daphnopsis fasciculata (Meisn.) Nevling 1 0,08 0,13 0,07 0,07 0,09

Myrtaceae sp.11 1 0,08 0,13 0,07 0,08 0,09

Myrtaceae sp.6 1 0,08 0,13 0,08 0,08 0,09

Lauraceae sp.1 1 0,08 0,13 0,06 0,07 0,09

Inga sp.1 1 0,08 0,13 0,05 0,06 0,09

Vernonia difusa Less. 1 0,08 0,13 0,05 0,06 0,08

Myrtaceae sp.3 1 0,08 0,13 0,03 0,06 0,08

Myrcia sp.2 1 0,08 0,13 0,03 0,06 0,08

Myrtaceae sp.2 1 0,08 0,13 0,02 0,05 0,08

Styrax camporum Pohl 1 0,08 0,13 0,02 0,05 0,08

Hyeronima alchornoides Allemão 1 0,08 0,13 0,03 0,06 0,08

Myrtaceae sp.9 1 0,08 0,13 0,03 0,05 0,08

Machaerium sp.1 1 0,08 0,13 0,04 0,06 0,08

Myrtaceae sp.17 1 0,08 0,13 0,02 0,05 0,08

Myrtaceae sp.14 1 0,08 0,13 0,04 0,06 0,08

Dalbergia nitida (Mart. exBenth.) Ducke ex Hoehne 1 0,08 0,13 0,03 0,05 0,08

(11)

Phyllostemonodaphene geminiflora Kosterm. 1 0,08 0,13 0,02 0,05 0,08

Nectandra megapotamica (Spreng.) Mez 1 0,08 0,13 0,02 0,05 0,08

Myrtaceae sp.12 1 0,08 0,13 0,03 0,06 0,08

Plinia sp.1 1 0,08 0,13 0,04 0,06 0,08

Fabaceae sp.2 1 0,08 0,13 0,03 0,06 0,08

Meliosma itatiaiae Urb. 1 0,08 0,13 0,04 0,06 0,08

Malpighiaceae sp.1 1 0,08 0,13 0,02 0,05 0,08

Aniba firmula (Nees& C. Mart.)Mez 1 0,08 0,13 0,02 0,05 0,07

Alibertia concolor (Cham.) K. Schum. 1 0,08 0,13 0,01 0,05 0,07

Vitex montevidensis Cham. 1 0,08 0,13 0,01 0,05 0,07

Chloranthaceae sp.1 1 0,08 0,13 0,01 0,05 0,07

Diatenopteryx sorbifolia Radlk. 1 0,08 0,13 0,01 0,05 0,07

Myrtaceae sp.15 1 0,08 0,13 0,01 0,05 0,07 Cestrum sp.1 1 0,08 0,13 0,01 0,05 0,07 Myrtaceae sp.16 1 0,08 0,13 0,01 0,05 0,07 Myrtaceae sp.20 1 0,08 0,13 0,01 0,05 0,07 Machaerium sp.2 1 0,08 0,13 0,02 0,05 0,07 Myrtaceae sp.21 1 0,08 0,13 0,02 0,05 0,07

Casearia commersoniana Cambess. 1 0,08 0,13 0,01 0,05 0,07

Copaifera longsdorfii Desf. 1 0,08 0,13 0,02 0,05 0,07

Annona hypoglauca Mart. 1 0,08 0,13 0,02 0,05 0,07

Ocotea divaricata (Nees) Mez 1 0,08 0,13 0,01 0,05 0,07

Arecaceae sp.1 1 0,08 0,13 0,01 0,05 0,07

Randia sp.1 1 0,08 0,13 0,01 0,05 0,07

Myrcia rostrata DC. 1 0,08 0,13 0,02 0,05 0,07

Os valores encontrados para a diversidade de Shannon (H’) e o índice de equabilidade de Pielou (J’) foram 5,06 e 0,88, respectivamente. Comparados aos outros trabalhos realizados em Minas Gerais em florestas ripárias estes índices podem ser considerados altos.

Nogueira e Schiavini (2003) em uma mata de galeria em Uberlândia e Souza et al. (2003) às margens do rio Capivari encontraram valores de diversidade inferiores ao de Ouro Branco, H’= 2,27, e H’= 4,25 respectivamente. Os valores obtidos no presente estudo provavelmente estão associados ao alto número de morfoespécies encontradas na área. Ainda assim, não se pode descartar a alta diversidade de espécies em Ouro Branco. Segundo Rodrigues e Nave (2001), a heterogeneidade ambiental das áreas ripárias é certamente a principal

geradora dessa riqueza florística, pois determina uma condição ecotonal para a faixa ciliar, que é ocupada por um mosaico de tipos vegetacionais ou até mesmo de unidades fitogeográficas. Outro fator que pode ter influenciado a alta diversidade é o fato da área está localizada em uma região de transição entre Mata Atlântica e Cerrado.

Embora se conheça a importância destas formações, foram desenvolvidos até o momento poucos estudos que nos permitam conhecer e monitorar estas áreas de tamanha relevância. Dentre os trabalhos desenvolvidos no estado de Minas Gerais que envolvem a composição florística e a estrutura de áreas ripárias podem ser citados: na região de Ingaí, MG (BOTREL et al., 2002); na região de Luminárias, MG (RODRIGUES et al., 2003) e em Itutinga, MG (BERG & OLIVEIRA FILHO, 2000).

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Gl. Sci. Technol., Rio Verde, v. 05, n. 02, p. 133 – 149, mai/ago. 2012. Similaridade florística

O dendrograma apresenta a formação de 5 grupos. O 1º grupo: Alpinópolis e Passos; 2º grupo: Santa Rita de Caldas, Mariana, Carrancas, Bocaina de Minas, Coqueiral, Lavras, Luminárias, Ingaí, Ouro Branco e Belo Horizonte; e 3º grupo: São João Del Rei; 4º grupo: Uberlândia 1 e Uberlândia 2 e 5º grupo: Camanducaia (Figura 2).

A ligação entre o 1° grupo foi cerca de 59% de similaridade. O alto valor de ligação se deve a proximidade geográfica entre elas, localização na mesma bacia hidrográfica e altitudes semelhantes. Oliveira Filho e Machado (1993), quando compararam florestas do Sul de Minas e São Paulo, também verificaram o agrupamento de áreas geograficamente mais próximas e de altitudes médias semelhantes, enquanto Rodrigues e

Nave (2001) e Silva et al. (2007), observaram a formação de grupos pertencentes à mesma bacia hidrográfica.

O 2° grupo obteve uma variação de similaridade entre 22% a 67%, analisando as espécies, não há nenhuma que seja compartilhada por todas as áreas desse grupo, é possível que Ouro Branco tenha mais espécies que compartilhem entre as outras áreas, mas não é possível estar certo deste fato, devido à asmorfoespécies. Considerando aquelas que apareceram em pelo menos 70% das localidades, foram encontradas 27 espécies que na grande maioria é classificada por Rodrigues e Nave (2001), como sendo de ampla distribuição em vegetação ripária e poucas classificadas como características de Florestas Montana ou Altomontana ou Cerrado. Neste contexto, foi feita uma divisão em subgrupos, em que cada subgrupo apresenta características próprias.

UPGMA Sorensen's Coefficient Cam. U.B.2 U.B.1 S.J.R. B.H. O.B. Ingaí Lum. Lav. Coq. B.M. Carr. Mar. S.R.C. Alp. Pass. 0,04 0,2 0,36 0,52 0,68 0,84 1

Figura 2 – Análise de agrupamentode 16 áreas de florestas ripárias em Minas Gerais, Brasil.Pass.- Passos, Alp-Alpinopólis, S.R.C-Santa Rita de Caldas, Mar.-Mariana, Carr.-Carrancas, B.M.-Bocaina de Minas, Coq.-Coqueiral, Lav.-Lavras, Lum.-Luminárias, Ingaí- Ingaí, O.B.-Ouro Branco, B.H.-Belo Horizonte, S.J.R.-São João Del Rei, U.B.1-Uberlândia (Estação Ecologica do Panga),U.B.2-Uberlândia (Fazenda Marileuza) e Cam.-Camanducaia.

(13)

Dividindo em subgrupo, a área de Santa Rita de Caldas, apresenta a menor ligação dentro deste grupo, 22%, provavelmente por ser uma área paludosa, o que restringe a ocorrência de muitas espécies que não toleram a hipoxia do solo (MARQUES et al. 1996; MARQUES et al. 2003). Outro fator determinante é a influência da altitude, devido à maioria das áreas situarem abaixo de 1.000 m de altitude, apresentando algumas espécies indicadoras, Calyptranthes clusiifolia (Miq.) O. Berg, Casearia obliqua Spreng., Cecropia glaziovii, Clethra scabra, Drimys brasiliensis Miers, Eugenia blastantha (O. Berg) D. Legrand, Myrcia laroutteana Cambess., Nectandra lanceolata Nees, Nectandra nitidula Nees & Mart., Protium widgrenii Engl. e Solanum bullatum Vell., segundo Oliveira e Fontes (2000).

O subgrupo formado por Carrancas e Bocaina de Minas tem ligação de 42%, essa alta similaridade pode ser explicada pelo fato de compartilharem a mesma bacia hidrográfica (RODRIGUES & NAVE, 2001; SILVA et al., 2007) e estarem geograficamente próximas, fatores esses que segundo Oliveira Filho e Machado (1993) são importantes para o agrupamento. Essas áreas compartilham 21% de espécies de altitude, mostrando um possível fator de diferenciação entre as demais áreas analisadas que em sua maioria estão em altitudes inferiores.

Coqueiral em relação a todo o grupo se encontra em meio às áreas, mas não estabelece relações marcantes com as outras. Um dos motivos poderia ser o fato deste estudo ter sido feito em área paludosa. Conforme Rocha et al. (2005), esta área mostrou alta riqueza florística, diferenciando-se do padrão descrito na literatura para áreas semelhantes que sugere associar-se ao fato de parte dele ter sido realizado em área de encosta.

Os trabalhos realizados em Ingaí, Lavras e Luminárias, mantêm relações florísticas de 58%, estes compartilham características ambientais como: formação florestal, altitude, clima e temperaturas muito semelhantes. Possivelmente, o fato de

estarem na mesma bacia hidrográfica também contribua para essa semelhança, Silva et al. (2007) no levantamento de várias áreas ripárias teve a formação de grupos que compartilhavam a mesma bacia hidrográfica.

Na junção de Ouro Branco, Belo Horizonte e Mariana tem uma ligação de 23%. As áreas de Ouro Branco e Belo Horizonte compartilharam 30 espécies, muitas delas de ampla distribuição em Cerrado (LEITÃO-FILHO, 1992) e em florestas ciliares extra-amazônica (RODRIGUES & NAVE, 2001). A localização de ambas na Cadeia do Espinhaço e a influência da vegetação do Cerrado contribuíram para que tenha ocorrido uma forte ligação entre elas. A ligação com Mariana se deu pela proximidade geográfica com as outras duas.

São João Del Rei, obteve uma baixa similaridade com outros trabalhos, devido ao tamanho amostral e como descrito pelos autores ser uma área bastante degradada. Esta área obteve maior similaridade com as áreas de Uberlândia 1 e 2, isso devido provavelmente a alguns fatores como: altitudes semelhantes e serem classificadas como a mesma formação florestal.

Uberlândia 1 e 2 mesmo estando localizadas na mesma cidade, com distância próxima e altitudes pouco variáveis, apresentaram baixa similaridade (29%) entre elas. Nogueira e Schiavini (2003) também observaram a ligação entre Uberlândia 1 e 2 e sugeriram que o possível fator condicionante da baixa similaridade entre elas pode ter sido a presença de solo alagado em Uberlândia 1, condições restritivas para a ocupação de espécies florestais da região, mesmo as que são citadas como generalistas para matas de galeria.

Camanducaia foi a área que esteve ligada às outras com o menor valor de similaridade (5%). Dentre todas, Camanducaia foi a que foi amostrada em maior altitude (1.900 m) e esse foi provavelmente o principal fator da diferenciação florística aliado ao tipo de formação florestal (Floresta Ombrófila Densa Altimontana).

(14)

Gl. Sci. Technol., Rio Verde, v. 05, n. 02, p. 133 – 149, mai/ago. 2012. Os resultados do presente estudo

corroboram com a proposição de que a heterogeneidade florística entre as matas ripárias e que os baixos índices de similaridade refletem as diferenças fitogeográficas, de solos, climas, altitudinais e o estado de conservação ou degradação de cada fragmento estudado.

Estudos comparativos, para melhor compreender as relações das espécies, o ambiente e seus limites fitogeográficos ajudarão nos estudos de dinâmica dessas florestas tão diversas e importantes para manutenção da vida, possibilitando protegê-las e conservá-protegê-las de forma eficaz.

REFERÊNCIAS

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Referências

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