Circular de Janeiro 2002
-CONSTIPAÇÃO / CORIZA AGUDA
Definição
A constipação, a que os brasileiros chamam resfriado comum, é uma inflamação provocada por vários tipos de vírus, que atinge a rinofaringe (provocando defluxo nasal) e eventualmente a traqueia e os brônquios, sendo então apelidada de catarro.
Epidemiologia
No Outono e no Inverno, costumam estar implicados os mixovírus influenza e os paramixovírus parainfluenza e vírus sincicial respiratório (este é uma das causas mais importantes de doença respiratória baixa,
bronquiolite e pneumonia em lactentes e crianças). Na Primavera, no Verão e também no Outono, as constipações são mais frequentes devidas aos picornavírus: rinovírus, vírus echo e coxackie.
Quadro clínico
O início é súbito, depois de um curto periodo de incubação (1 a 3 dias), começando por um desconforto nasal ou na garganta, seguido de espirros, rinorreia e mal estar; é caracteristicamente afebril ou apresenta febre (38º-39º) em lactentes e crianças. A faringite está habitualmente presente no início; a laringite, traqueíte e sensação de
queimadura retro-esternal (mais frequente em fumadores), variam com o estado imunológico e de stress do indivíduo. A rinorreia inicialmente líquida e transparente, pode tornar-se mais espessa e purulenta; tosse intensa seca ou com pouca
expectoração dura habitualmente até à 2º semana. É frequente a exacerbação de bronquite em pessoas com doença crónica do aparelho respiratório. O aparecimento de expectoração purulenta, sugere uma sobre-infecção bacteriana, podendo surgir otite ou sinusite, que pode obrigar ao recurso de antibioterapia.
Observação microscópica de secreções brônquias (muco) do lado esquerdo e algumas bactérias arredondadas; do lado direito vêem-se cílios que parecem anémonas do mar.
Mecanismos de defesa respiratórios
O principal constituinte é o muco produzido pelas primeira linha da defesa celular que por fenómenos de diapedese, sai dos capilares sanguíneos (ou das próprias paredes alveolares) para o
células caliciformes epiteliais e glândulas sub-mucosas das vias aéreas, desde os bronquíolos até ao nariz; aprisiona pequenas partículas do ar inspirado, sendo removidas pelo movimento vibrátil ciliar sincrónico, perturbado em caso de bronquite (além dos próprios cílios, tendo cada célula cerca de 200!), parecendo uma seara ondulando com a aragem, à razão de 10 a 20 batimentos por segundo. As partículas inaladas são transportadas a uma velocidade de 1cm/m no sentido pulmão -> orofaringe, afim de serem expulsas pelas secreções, sendo a tosse uma forma de reacão à "agressão tóxica", expulsando uma grande quantidade de vírus (daí o contágio) e também através da expectoração ou do muco nasal ("ranho").
O espirro é uma forma idêntica de reacão orgânica. A presença de pêlos nas fossas nasais, constitui já a primeira barreira defensiva, ficando grande parte de partículas (poeiras, quiçá micróbios) retidas durante a inspiração. Pelo facto, devemos respirar através do nariz, além de que no Inverno (nos países frios) o aquecimento do ar durante este trajecto (160cm2 de área de aquecimento dos cornetos), não indo directamente da boca à faringe, é uma medida para evitar os conhecidos problemas de garganta (amigdalites, faringites, laringites...), devidos ao traumatismo térmico local, situação muito bem explicada pela medicina chinesa e que designa por "ataque de frio".
Como constituintes do muco temos um enzima, a lisozima, um dos mais potentes antibióticos que possuímos (também componente das lágrimas e da saliva), cuja função é a de destruir a parede celular das bactérias; também secretado pelos lisossoma celulares, possuímos uma proteína, a lactoferrina (ou lisoferrina) captadora de ferro, que o rouba às bactérias cortando assim uma parte preciosa do seu alimento/sobrevivência; as defensinas respiratórias, existentes nos grânulos dos neutrófilos, autênticas moléculas peptídicas antibióticas e as imunoglobulinas em especial as IgA, existentes principalmente nas secreções orgânicas.
Mecanismos de defesa alveolar
O principal elemento constituinte é o macrófago, uma das primeiras células (na 1º hora ou pouco depois do início da inflamação) da
espaço intercelular, englobando as partículas estranhas através da fagocitose, autêntico acto de comer os "invasores". Além destes, existem outros componentes da primeira linha da
defesa celular, que são os neutrófilos (e em pequena quantidade os eosin-filos), chamados ao local de combate por um fen-meno de quimiotaxia mediado por linfocinas produzidas pelos macr-fagos, pedindo ajuda a outros defensores numa perfeita linguagem cibernética de sobrevivência orgânica, cujo modelo de funcionamento tem o nome de retro-informação/acção ou feed-back.
Quando os micróbios conseguiram penetrar a primeira barreira defensiva e entrar na circulação sanguínea, temos a segunda linha defensiva orgânica constituída pela imunidade humoral, definida pela presença de anticorpos; estes são imunoglobulinas principalmente da classe Ig M (fase aguda) e Ig G, produzidas por linfocitos, quais grupos especiais de combate, altamente especializados contra o inimigo invasor (em especial os vírus, que funcionam como antigénios).
Radicais livres de oxigénio/
mecanismos redox
Os radicais livres de oxigénio, são átomos desemparelhados na sua órbita exterior, o que os torna muito instáveis e altamente reactivos; logo que se formam, procuram completar a sua órbita exterior captando um electrão de um outro composto, originando um novo radical livre e assim sucessivamente, até que este processo seja interrompido por anti-oxidantes. Às lesões que podem provocar, chama-se stress oxidativo e exprimem um desequilíbrio entre a
produção e remoção de radicais livres de oxigénio.
Durante o metabolismo celular, como acontece por exemplo durante a activação das células fagocitárias (macrófagos e neutrófilos),
produzem-se radicais como o anião superóxido (O2-), que atrai novas células fagocitárias e o produzido a partir deles próprios, como o radical hidroxilo e o oxigénio singleto; existem outros radicais peroxi e alcoxi, resultantes da acção das formas anteriores sobre os ácidos gordos não saturados.
No processo normal (saudável) de envelhecimento, na aterosclerose, na osteoartrose, na doença de Alzheimer, nos
processos inflamatórios e noutras situações, formam-se radicais livres em excesso, com acção nefasta dirigida especialmente ao endotélio vascular.
Também durante o exercício físico se formam radicais livres, mas desde que seja praticado dum modo controlado, desperta mecanismos adaptativos que permitem enfrentar um meio mais oxidativo, ou seja: o treino melhora as defesas anti-oxidantes - aqui verifica-se que níveis continuados de sub-lesão, se traduzem por fenómenos de adaptação!
Um déficit em ácido asc-rbico e outras vitaminas e substâncias anti-oxidantes, podem levar a uma vasodilatação deficiente e aumentar a pressão arterial, devido à destruição por radicais livres, de certos factores relaxantes endotélio-dependentes.
frenar) substâncias antiproteases e reguladoras dos mecanismos de feed-back defensivo.
A superóxido-dismutase (SOD), a glutatião-peroxidase e a catalase, são anti-oxidantes que neutralizam os radicais livres de oxigénio; existem estudos que mostram um consumo aumentado de alguns destes enzimas, durante os processos
Como exemplo de radicais livres, temos o peróxido de hidrogénio (H2O2), mais conhecido por água oxigenada, o ião superóxido (O2) e o radical hidroxilo (OH-), que têm uma função microbicida, mas podem lesar os tecidos através da peroxidação lipídica das membranas celulares, ou através da inactivação oxidativa dos
inibidores das proteases, como a a-1 antitripsina (neutraliza a elastase e a colagenase do neutrófilo).
Lesão pulmonar e equilíbrio proteases / antiproteases
Os fagocitos produzem proteases e radicais livres de oxigénio, que apesar de serem componentes normais da reacção defensiva orgânica, quando em excesso, ou se se prolonga demasiadamente o "combate defensivo", podem acabar por lesar os próprios tecidos; como parte integrante desta homeostasia, possuímos (qual equilíbrio yin e yang, simpático/parassimpático, acelerar ou
Tratamentos...
Compreende-se que a utilização convencional de antitússicos seja nefasta, pois bloqueiam os mecanismos homeostáticos do organismo, por levarem a uma estase/não expulsão dos agentes tóxicos mórbidos (capazes de gerar doença). Devemos sim, utilizar medicamentos que promovam a homeostase, i.é., ajudem os mecanismos defensivos do organismo, em vez de os bloquear com béquicos! Em estudos realizados, verificou-se que o melhor mucolítico era a água (o
melhor solvente...), pelo que se aconselha um reforço hidrico e pelas razões já referidas no artigo anterior sobre a gripe, podemos bebê-la sob a forma de sumos, pois contêm vitaminas que colaboram na homeostase orgânica. De igual modo, devemos usar com parcimónia os antibióticos, reservá-los para quando se antevê uma deficiência grave nos mecanismos homeostáticos do organismo, em que temos que recorrer a eles.
Como argumentação face a esta crítica, a medicina convencional, costuma responder que não preconiza a utilização ab initio de antibióticos em situações infecciosas não graves (nesta classificação é que está o busílis...), em especial se forem virais (pois que nestas, os antibióticos até são ineficazes!)É isto a nível ambulatório, pois que a nível hospitalar era hábito
instituir-se terapêutica antibiótica preventiva (!), facto contestado anos
depois, graças a trabalhos epidemiológicos americanos, em que se constatou ser mais eficaz o tratamento das situações
infecciosas estabelecidas, pois que o abuso da utilização de
antibióticos apenas fez surgir resistências bacterianas cada vez mais difíceis de resolver. O problema parece residir num "amolecimento" do ensino respeitante aos conhecimentos semiológicos, fisiopatológicos
e sobretudo terapêuticos, talvez favorecidos por um desenvolvimento tecnológico espectacular e por um marketing
farmacêutico "agressivo", promovendo atitudes terapêuticas justificadas pelos resultados alcançados no século
passado, em doenças infecciosas...
Responderia porém que nós os médicos, temos o dever de pugnar por uma medicina holística, respeitando e mantendo sempre presentes as normas morais (éticas) que a regem e consignadas no juramento hipocrático. Não podemos pactuar com forças que se oponham velada ou abertamente a estes valores, como no recente caso da Philip Morris (que provocou imediatacontestação mundial), com o seu estudo para a República Checa, em que preconizavam o consumo de tabaco, por ser economicamente vantajoso para o Estado!!!
Terapêutica
Estabelecer um estado de "anti-oxidação" no organismo afectado. Evitar a inibição das antiproteases pelos radicais livres, produzidos durante o processo inflamatório; com este efeito podemos utilizar: coenzima Q, selénio, cobre, magnésio, zinco, vitaminas anti-oxidantes CEA eÈ de relembrar que os antibióticos não estão indicados nas viroses, pois são ineficazes, reservando-se a sua utilização apenas nas sobre-infecções bacterianas não debeladas por uma abordagem bioterápica adequada.
O tratamento é idêntico ao das outras viroses do aparelho respiratório: repouso, ambiente quente e medidas para evitar a disseminação directa da infecção a outras pessoas (os japoneses chegam a utilizar máscaras faciais nos transportes públicos, nos surto de gripe), como lavar as mãos, já que é um dos meios de contágio, em especial para os rinovírus.
algumas do complexo B,
b
-caroteno, flavonóides, arginina... como exemplo de um bioterápico bastante completo e eficaz existe oVitakur.
Com as atitudes apropriadas, tenta impedir-se o desenvolvimento de sobre-infecções ou agravamentos não controláveis pelos processos biológicos naturais; com esta finalidade temos homeopáticos como o R1 (acção anti-infecciosa) e o R6 (acção
anti-gripal/constipação). Facilitar os mecanismos de eliminação dos resíduos biológicos referidos, produzidos durante o processo reactivo homeostático ou patológico; para auxiliar esta função, dispomos do R8 xarope, o
R9 e o R45 gotas, a escolher em
função da patogenesia, ou seja, do quadro clínico.
Como para a gripe, o tratamento de eleição é a homeopatia; dispomos de um complexo com resultados excepcionais, o R6, coadjuvado pela fitoterapia, sendo a echinacea o maior expoente na área de imuno-estimulação. Penso que suplanta os anti-virais de síntese e os imuno-moduladores. Estão implícitas as atitudes consensuais de repouso, anti-oxidantes, muitos líquidos, em especial sumos naturais, além do velho conselho, "abafa-te, avinha-te e abifa-te", claro que dentro dos limites do bom senso...