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Source of Chagas disease in Arcádia, state of Rio de Janeiro, Brazil.

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885 885 885 885 885 Mem Inst Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro, Vol. 98(7): 885-887, October 2003

Foco de Doença de Chagas em Arcádia, Estado do

Rio de Janeiro, Brasil

Elias Seixas Lorosa

+

, Márcio Valério Monteiro Pinto Valente, Vanda Cunha,

Herman Lent, José Jurberg

Laboratório Nacional e Internacional de Referência em Taxonomia de Triatomíneos, Departamento de Entomologia, Instituto Oswaldo Cruz-Fiocruz, Av. Brasil 4365, 21045-900 Rio de Janeiro, RJ, Brasil

Source of Chagas Disease in Arcádia, State of Rio de Janeiro, Brazil - Following the report of triatomine nymphs in a house in Arcadia, Miguel Pereira, state of Rio de Janeiro, Brazil, the infested dwelling was checked. Several eggs and 46 specimens of Triatoma vitticeps (Stal, 1859) were collected. Among them, adults and nymphal instars accounted for 43.5% and 56.5%, respectively. Analysis of blood meals showed the ecletism of this species; 24 (52.2%) were single feeds, 18 insects (39.1%) fed on two hosts and 4 (8.7%) on three hosts. Trypanosoma cruzi

infection rate of examined specimens was 13%. Finally one of the residents of the house was positive for anti-T. cruzi

antibodies using indirect immunofluorescence.

Key words:Triatoma vitticeps - Hemiptera - Reduviidae - precipitin test - Chagas disease - Rio de Janeiro - Brazil

Seguindo relatório de encontro de ninfas de triatomíneos em uma casa em Arcádia, Miguel Pereira, estado do Rio de Janeiro, Brasil, resolvemos investigar o domicílio infestado. Neste local coletamos vários ovos e 46 espécimes de Triatoma vitticeps (Stal, 1859). Dentre eles, adultos e estádios ninfais apresentaram, respectiva-mente, 43,5% e 56,5% de representatividade. Através da análise do conteúdo estomacal pela técnica de precipiti-na constatamos o ecletismo alimentar desta espécie 24 (52,2%) apresentaram repastos sangüíneos provenientes de uma só fonte, 18 (39,1%) de duas fontes e quatro (8,75%) de três fontes. A infecção natural por Trypanosoma cruzi

foi detectada em seis espécimes representando 13% da amostra total. Foi constatado, através do teste de imuno-florescência indireta para anticorpos anti-T. cruzi, que um dos moradores da casa apresentou reação positiva.

Em junho de 2002, o Laboratório Nacional e Internaci-onal de Referência em Taxonomia de Triatomíneos rece-beu para identificação alguns exemplares de triatomíneos coletados em um domicílio localizado em Arcádia, fazenda Terra Fria, distante 30 km da cidade de Miguel Pereira, a 900 m de altitude sobre o nível do mar.

Os insetos foram identificados como T. vitticeps, uma espécie de hábitos silvestres, esporadicamente encontra-da dentro do domicílio; quando adultos são atraídos pela luz em casas próximas às matas (Lent 1942, Gonçalves et al. 1998).

No estado do Espírito Santo, esta espécie foi encon-trada domiciliada (Santos 1969) com a suspeita de que

Com auxílio do CNPq, Faperj e Convênio 08/2003 Fiocruz/ Funasa

+Autor de contato. Fax: +55-21-2573.4468. E-mail

lorosa@ioc.fiocruz.br

Recebido em 16 de abril de 2003 Aceito em 10 de setembro de 2003

possa transmitir a doença de Chagas, em particular no município de Alfredo Chaves (Lent 1942, Pinto 1969). Dois trabalhos assinalaram a alta dispersão do T. vitticeps no estado do Espírito Santo e chamaram atenção para a alta taxa de infecção natural por T. cruzi em todo o estado, oscilando entre 25% a 64% de positividade (Silveira et al. 1983, Sessa & Carias l986). Por outro lado, a prevalência da infecção humana por T. cruzi tem se apresentado sem-pre baixa em inquéritos realizados nessa região, seja na população geral, entre escolares ou em bancos de sangue (Barros et al. 1975, 1980). Esporadicamente, relatam-se casos agudos no estado do Espírito Santo com provável contaminação através de vetor ou por transmissão con-gênita (Pinto et al. l986). No inquérito sorológico levado a cabo entre 1978 e 1980 encontrou-se uma prevalência de 0,32% entre a população geral de áreas rurais deste esta-do (Camargo et al. l984).

T. vitticeps é bem conhecida através de vários pontos de vista, tanto morfológicos como biológicos. As ninfas, os ovos e os folículos testiculares das ninfas macho de 5º estádio foram estudados por Jurberg e Campos (1995). Os adultos foram descritos por Lent e Wygodzinsky (1979) e a genitália do macho está representada em suas estrutu-ras através de um estudo comparativo entre seis espécies de Triatoma (Lent & Jurberg 1978). Trabalhos biológicos foram feitos sobre o tempo médio de alimentação de 26 min., sobre o número de defecações durante ou logo após o repasto entre dois e dez dias (Dias 1956), e sobre o período médio de duração do ciclo biológico que varia de 262 dias para os machos e 280 dias para as fêmeas em laboratório (Carcavallo et al. 1998, Canale et al. 1999). Pou-cos são os trabalhos sobre a sua biologia no habitat natu-ral, embora no laboratório já existam alguns relatos (Silva 1985, Gonçalves et al. 1988, 2000) que detectaram um índi-ce de 65,54% na infecção por T. cruzi para T. vitticeps.

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886 Foco de Doença de Chagas • Elias Seixas Lorosa et al.

MATERIAIS E MÉTODOS

A equipe do laboratório capturou no quarto e sala de uma casa de pau-a-pique recoberta com telha de amianto 40 exemplares de T. vitticeps em vários estádios e 32 ovos. A repartição por estádio dos insetos era: 20 exemplares adultos, cinco ninfas de 5º estádio, seis ninfas de 4º está-dio, duas ninfas de 3º estáestá-dio, duas ninfas de 2º estáestá-dio, cinco ninfas de 1º estádio, além de seis ninfas de 2º, 3º, 4º e 5º estádio capturadas pela proprietária do imóvel. A análise do conteúdo do tubo digestivo dos triatomíneos foi realizada com a técnica de precipitina (Lorosa et al. 1998b). A bateria de antissoros e os respectivos títulos utilizados foram: anti-humano 1:15.000, ave l:10.000, cão l:15.000, gato l:12.000, roedor l:17.000, gambá 1:14.000 e boi l: 15.000. A pesquisa da infecção natural por T. cruzi

foi feita através de exame a fresco diretamente do conteú-do conteú-do tubo digestivo, que foi coletaconteú-do em lâmina, por meio de uma leve pressão no abdome e levado à mi-croscopia óptica. Coletamos sangue dos moradores da referida vivenda e os soros foram examinados pelos méto-dos de imunofluorescência indireta (IFI) e Elisa (EIE).

RESULTADOS

A análise do tubo digestivo dos triatomíneos realiza-da pela técnica de precipitina reforçou o seu ecletismo alimentar. Entre 46 triatomíneos (Tabela I), todos eram reativos e um total de 70 repastos sangüíneos foi identifi-cado; 24 triatomíneos reativos (52,2%) apresentavam repastos sangüíneos oriundos de uma só fonte, 18 de duas fontes (39,1%) e quatro de três fontes (8,7%). A identificação dos repastos mostrava que os humanos eram os hospedeiros predominantes (31,4%), seguidos dos ro-edores (24,3%), aves (20%), cães (15,7 %) e marsupiais (8,6%).

A taxa de infecção natural por T. cruzi foi de 13% (Tabela II). Um dos moradores da casa foi positivo para anticorpos anti-T. cruzi (teste de IFI com um título de 1/ 80).

mentar: roedor, cão, cavalo, gambá e humano na ilha de São Luís, Maranhão (Lorosa et al. 1998a).

Triatoma sordida (Stal, 1859),com infecção natural de 6,62%; suas fontes alimentares foram ave, roedor e cão, no norte de Minas Gerais, Curvelo, Montes Claro e Januaria (Lorosa et al. 1998b).

Panstrongylus megistus Burneister, 1835, 70,6% apre-sentavam-se infectados por T. cruzi e alimentando-se em ave, roedor e cão, no alto do Rio Paraná, Santa Catarina (Guilherme et al. 2001).

Triatoma costalimai Verano & Galvão, 1959, com índi-ce de 13,47% e as seguintes fontes alimentares: roedor, gambá, lagarto, cavalo, ave e tatu; Rhodnius neglectus

Lent, 1954 com a infecção de 8,1% alimentando-se em ro-edor, ave, gambá, cão e humano no norte do estado de Goiás (Lorosa et al. 1999d).

Triatoma rubrovaria Blanchard, 1843,espécie silves-tre que atualmente evidencia progressiva adaptação à habitação humana e às dependências peridomicilaires, infectado por T. cruzi e alimentando-se em mamíferos e répteis encontrados nos estados do Paraná e Rio Grande do Sul (Almeida et al. 2000).

Triatoma brasiliensis Neiva, 1911 e Triatoma pseu-domaculata Corrêa e Espínola, 1964, ambos de hábitos domésticos e peridomésticos, encontrados infectados com

T. cruzi e alimentando-se em ave, cabra, cão, gato, roedor e humano (Alencar et al. 1977).

Dias et al. (1989) detectaram para o T. vitticeps um índice de 70,2% de infecção natural para fêmeas e 51,8% para os machos; suas fontes alimentares foram humano, ave, roedor, marsupial, gato e cão no estado do Espírito Santo. Com esta mesma espécie, Gonçalves et al. (2000) encontraram um índice de infecção natural de 65,54% com a participação na dieta alimentar de tatu, porco, humano, ave, cão, cavalo, gambá, roedor e boi. O estudo foi realiza-do em duas áreas da localidade de Triunfo, 2º distrito realiza-do município de Santa Maria Madalena, Rio de Janeiro.

O T. vitticeps, considerado até então como espécie silvestre, vem demonstrando capacidade de colonização no domicílio (Silveira et al. 1983, Diotaioti & Dias 1987), tornando-se de interesse na epidemiologia da doença de Chagas.

Os resultados caracterizaram a domiciliação de T. vitticeps, com infecção para T. cruzi com um dos

morado-TABELA II

Índice de infecção natural por Trypanosoma cruzi em

Triatoma vitticeps (Stal, 1859) segundo a fonte alimentar, capturados no ambiente domiciliar em Arcádia, Miguel Pereira,

RJ, Brasil

Fontes No. de Positivo para alimentares exemplares T. cruzi %

Humano 2 4,4

Roedor 2 4,4

Gambá 1 2,2

Cão/gambá 1 2,2

Total 6/46 13

TABELA I

Reações simples, duplas e triplas das fontes alimentares de

Triatoma vitticeps (Stal, 1859) capturados em ambiente domiciliar em Arcádia, Miguel Pereira, RJ, Brasil

Fonte de sangue No. de repastos sangüíneos %

Humano 22 31,4

Roedor 17 24,3

Ave 14 20

Cão 11 15,7

Gambá 6 8,6

Total 70 100

DISCUSSÃO E CONCLUSÃO

A freqüência que as espécies ditas secundárias vêm apresentando no intradomicílio, em várias regiões do Bra-sil, tem sido em grande escala.

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ali-887 887887 887887 Mem Inst Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro, Vol. 98(7), October 2003

res infectado, indicando a necessidade de realização de estudos sobre o comportamento dessa espécie e a sua relação com a transmissão do agente da doença de Cha-gas. É importante ressaltar seu ecletismo alimentar em si-tuação intradomiciliar.

AGRADECIMENTOS

Ao Dr. François Noireau e ao Dr. Rodolfo U Carcavallo pelas sugestões e leitura crítica do texto e pela revisão do resumo em inglês.

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TABELA II

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