Services on Demand Article Article in xml format Article references How to cite this article Curriculum ScienTI Automatic translation Send this article by email Indicators Cited by SciELO Access statistics Related links Share More More Permalink
Acta Cirurgica Brasileira
Online version ISSN 16782674
Acta Cir. Bras. vol.16 n.3 São Paulo July/Aug./Sept. 2001
http://dx.doi.org/10.1590/S0102865020010003000077 ARTIGO ORIGINAL
REGENERAÇÃO DE NERVO PERIFÉRICO APÓS
ANASTOMOSE TÉRMINO–LATERAL, COM
MANUTENÇÃO DO EPINEURO, EM RATOS
1
Marcelo Rosseto2
Djalma José Fagundes3
Murched Omar Taha4
Heitor Soares de Souza5
Ricardo Dutra Aydos6
Ricardo Bezerra Guimarães7
Neil Ferreira Novo8
Yara Juliano9 Rosseto M, Fagundes DJ, Taha MO, Souza HS, Aydos RD, Guimarães RB, Novo NF, Juliano Y. Regeneração de nervo periférico após anastomose términolateral, com manutenção do epineuro, em ratos. Acta Cir Bras [serial online] 2001 JulSet;16(3). Disponível em: URL: http://www.scielo.br/acb. RESUMO: A reinervação dos nervos periféricos pode ser realizada através de anastomoses término terminais ou términolaterais, e este fenômeno tem sido amplamente estud ado. As anastomoses nervosas término laterais tem sido utilizadas com pouca freqüência em relação as anastomoses términoterminais e contestada por alguns autores quanto a possibilidade de reinervação, quando a integridade do epineuro é mantida. Devido a estas divergências, estudouse o efeito do epineuro na reinervação em anastomoses términolaterais, em ratos. Foram utilizados 20 ratos Wistar, adultos, distribuídos em dois grupos (A e B). No grupo A, 10 animais foram submetidos à secção do nervo fibular no membro pélvico direito e fixação desde à musculatura; no membro pélvico esquerdo foi realizada a secção do nervo fibular e anastomasado términolateral com o nervo tibial. No grupo B, os procedimentos foram idênticos aos realizados no grupo A, sendo somente invertido os membros pélvicos. No nonagésimo dia do ato operatório, foi realizada uma biópsia em cada nervo fibular para análise histológica à microscópia óptica, onde a reinervação foi objeto de estudo. A reinervação ocorreu mostrando que a integridade do epineuro não impediu a regeneração axonal. DESCRITORES: Neurorrafia. Ratos. Suturas. Epineuro. Regeneração.
INTRODUÇÃO
Ao longo da história a recuperação das lesões dos nervos pélvicos sempre foi limitada, quer por deficiência de técnica operatória, quer por necessidade de melhor entendimento dos fatores biológicos envolvidos naregeneração neural.1,2.
3
nervo.
BALLANCE (1895)1, realizou técnica de anastomose neural termino lateral (ATL), suturando o nervo facial ao nervo espinhal acessório, visando restabelecer a motricidade da hemiface paralisada. Pesar de ocorrer a reinervação os movimentos da face ficaram associados aos dos ombros do paciente.
Trabalhos em animais de experimentação foram realizados com sucesso por BARRAGO e CIARELLA2,em 1901, verificaram a reinervação através de ATL em cães; relataram resultados semelhantes aos de BALLANCE.
BABCOCK (1927)4 contra indicou a técnica ATL, relegandoa ao esquecimento, devido a má qualidade de reinervação quando comparada a anastomose término terminal (ATT)
VITERBO (1992)5, retoma a ATL, em animal de experimentação, verificando pela primeira vez, que ocorre reinervação através da ATL, mesmo mantendo a integridade do epineuro. Esta observação abalou o conceito estabelecido de que a integridade do epineuro eu a reimpede a regeneração neural.
LUNDBORG (1994)6, ROSS (1995)7 e NOAH (1997)8 realizaram ATL, com preservação de epineuro, confirmando os achados de VITERBO9, e mostrando que a reinervação se dá por brotamento dos axônios do nervo tibial para o fibular através da anastomose.
AL QATTAN e AL THUNYAN (1998)10 só observaram a reinervação em ATL, quando retiraram uma janela de epineuro para que ocorresse o amplo contato dos axônios.
Devido a essa controvérsia, o nosso objetivo foi estudar a regeneração do nervo periférico após ATL, com manutenção do epineuro, em ratos.
MÉTODOS
Foram utilizados 20 ratos machos, Wistar, pesando entre 220 a 280 gramas, sorteados ao acaso em 2 grupos de 10 animais (A e B).
Este foram anestesiados com tiopental sódico, na dose de 50 mg/Kg/peso, via intraperitonial.
Nos animais do grupo A, realizouse secção do nervo fibular à 1 cm de sua origem gerando dois cotos (um distal e um proximal). O coto distal foi suturado à musculatura abdutora da coxa para evitar reinervação ao acaso.
No membro contralateral, foi realizado procedimento idêntico, mas o coto distal do nervo fibular foi
anastomosado termino lateralmente ao nervo tibial, mantendose a integridade do epineuro. A anastomose foi realizada caudalmente, à 1 cm do coto proximal do nervo fibular.
Após noventa dias de observação, removeuse um fragmento de 0,5 cm do coto distal do nervo fibular à 1 cm da fixação deste à anastomose com o nervo tibial; no membro contra lateral removeuse à 1 cm da fixação deste à musculatura abdutora da coxa.
Os fragmentos fora fixados em glutaraldeído a 1% e corados com tetróxido de ósmio a 1 %, corante específico para bainha de mielina.
RESULTADOS
Observouse, à microscopia óptica com aumento de 40 vezes, dois padrões nos fragmentos de nervo, em relação ao normal (Figura 2).
Padrão não regenerado, onde visibilizouse ausência de mielina, encontrando apenas tecido fibroso, padrão este dos fragmentos do nervo fibular fixados à musculatura (Figura 4).
DISCUSSÃO
Devido às controvérsias sobre a regeneração de nervos periféricos através de ATL, com preservação do epineuro, pareceunos pertinente o estudo desta, em modelo idêntico aos de VITERBO5 e ROSS7, visando termos parâmetros de comparação.
Os resultados histológicos mostraram reinervação no coto distal do nervo fibular submetido a ATL com o nervo tibial, preservando o epineuro. Estes resultados são semelhantes aos de VITERBO9 (1992), LUNDBORG6 (1994) e NOAH8 (1997) (Tabela 1).
A análise estatística pelo teste de Mc NEMAR, para comparar as discordâncias na regeneração entre os dois com e sem anastomose, mostrou diferença significante; indicando que houve regeneração, por brotamento do nervo tibial para o nervo fibular através da ATL. Ocorreu degeneração no coto distal do nervo fibular fixado à
musculatura, no membro contralateral; achados que estão de acordo com VITERBO9 e WALLER3 (Tabelas 2 e 3).
CONCLUSÃO
A regeneração de nervo periférico através de ATL, com preservação do epineuro, abre um novo universo para novas pesquisas e aplicações na recuperação axonial.
REFERÊNCIAS
1. Ballance CA, Ballance HA, Stewart P. Remarks on the operative treatment of chronic facial palsy of peripheral origin. Br Med J 1903;2:100913. [ Links ]
2. Barrago & Ciarella, 1901 (Apud) Viterbo F. Neurorrafia terminolateral, estudo experimental no rato [Tese Doutorado]. Universidade Estadual Paulista UNESPFaculdade de Medicina de Botucatu; 1992. [ Links ]
3. Waller AV. Nouvelle méthod pour létude de système nerveus applicable à l’investigation de la distribuition anatomique des cordons nerveus. C R Acad Sci 1851;33:60611. [ Links ]
4. Babcock WW.A standard technique for operations on peripheral nerves with special reference to the closure of large gaps. Surg Gynecol Obstet 1927;45:36478. [ Links ]
5. Viterbo F, Trindade JC, Hoshino K, Mazzoni AN. Lateroterminal neurorraphy without removal of the epineural sheat: a experimental study in rats. São Paulo Med J 1992;110:26775. [ Links ]
6. Lundborg G, Zhao Q, Kange M, Danielsen N, Kerns JM. Can sensory and motor collateral sprouting be induced from intact peripheral nerves by endtoside anastomosis? J Hand Surg 1994;19B:27782. [ Links ]
7. Ross A, Matsuda H, Zuker RM. Endtoside nerve coaptation for muscle reinervation. Plast Reconstr Aesthetic Surg 1995;2:1045. [ Links ]
8. Noah EM, Williams A, Jorgenson C, Skoulis TG, Terzis JK. Endtoside neurorraphy: a histologic and morphometric study of axonal sprouting into an andtoside nerve graft. J Reconstr Microsurg 1997;13:99 105. [ Links ]
9. Viterbo F. Two endtoside neurorraphies and nerve graft with removal of epineural sheath: experimental study in rats. Br J Plast Surg 1992;47:7580. [ Links ]
10. Al Qattan MM, Al Thunian A. Variables affecting axonal regeneration following endtoside neurorraphy.Br J Plast Surg 1998;51:23841. [ Links ]
Rosseto M, Fagundes DJ, Taha MO, Souza HS, Aydos RD, Guimarães RB, Novo NF, Juliano Y. Regeneration of periferic nerves after endtoside anastomoses, mainteining epineuron, in rats. Acta Cir Bras [serial online] 2001 JulSept;16(3). Available from: URL: http://www.scielo.br/acb.
effects of epineuro in the nervous regeneration in the endtoside anastomosis technique. In this study, 20 wistar adults rats were used, distributed in two groups (A and B). In the A Group, 10 rats were submited to the section of fibular nerve in the right pelvic limb and fixation of this nerve to the muscle; in the left pelvic limb, section of the fibular nerve was done with lateral anastomosis with the fibular nerve. In Group B, the
procedures were indentical to the A group, with the only difference that the limbs were exchanged. In the 90 th post operative day a biopsy was performed in each fibular nerve in order to histological analisys in optical microscope, where the reinervation was object of study. The reinervation was found happened, showing that the preservation of epineuro didn’t avoid the axonal regeneration.
KEY WORDS: Anastomosis. Nerve. Rats. Regeneration.
Conflito de interesses: nenhum Fontes de financiamento: nenhuma Endereço para correspondência:
Marcelo Rosseto
Universidade Federal do Mato Grosso do Sul
Departamento de Clínica Cirúrgica/Disciplina de Cirurgia Plástica R. Abrão Júlio Rahe, 1289
Campo Grande MS
Data do recebimento: 18/03/2001 Data da revisão: 24/04/2001 Data da aprovação: 21/05/2001 1 Trabalho realizado na Disciplina de Técnica Operatória e Cirurgia Experimental da UNIFESPEPM.
2 Mestre, Professor Assistente do Departamento de Clínica Cirúrgica (DCC) da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS).
3 Professor Doutor da Disciplina de Técnica Operatória e Cirurgia Experimental da Universidade Federal de São PauloEscola Paulista de Medicina (UNIFESPEPM).
4 Professor Doutor da Disciplina de Técnica Operatória e Cirurgia Experimental da UNIFESPEPM. 5 Preceptor do Serviço de Residência Médica em Cirurgia Geral da Santa Casa de Campo Grande. 6 Professor Doutor do DCCUFMS.
7 Médico da UFMS.
8 Professor LivreDocente da Disciplina de Bioestatística da UNIFESPEPM. 9 Professor Adjunto da Disciplina de Bioestatística da UNIFESPEPM.
Al. Rio Claro, 179/141 01332010 São Paulo SP Brazil
Tel./Fax: +55 11 32878814