N9 34
JULHO 1986
NOTAS SOBRE A RELEVÂNCIA DA ELABORAÇÃO DE UM NOVO TEXTO CONSTITUCIONAL PAPA A EFETIVIDADE DA DEMOCRACIA NO BRASIL!
José Martins da Silva
* Trabalho realizado para a disciplina de Estudo dos Proble
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ta, do contraste entre o rótulo do frasco e seu conteúdo".
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LIMA, A.
A. (Tristão de Athayde).Entrevista
à
Revista Vozes,Petrópolis, n9 4, maio/81,p.49.
fundamentalmente, os limites
de ação de qualquer organização 50
cial, definidos por lei, serão não respeitados por força do político dos grupos que lhes
ou peso dão vida, antes que pela obediência for mal aos estatutos legais."
SANTOS, W. G. dos. Cidadania e
•
I. I NTRO DUÇAO
o
presente trabalho procura situar-se dentro do objetivo geralda disciplina, ou seja: o de "promover uma amnla discussão crí
tica sobre ternas atuais que estão monopolizando a atenção na
cional." Mais precisamente, diz resneito a um de seus objeti
vos específicos, isto
é,
o de "conhecer e criticar diferentesabordagens teóricas que procuram explicar a questão
selecio-nada." 1
o
tema abordado é o da Constituição, entendida como a leisu-prema do Brasil, sobre a qual, por princípio, nenhum outro po der deveria nreva1ecer, a não ser o de poder constituinte, que so poderia ser exercido pelo povo, ou por seus representantes.
Objetivamente, a questão que se coloca é a de quanto sera
efe-ti vamente relevante a eVlboração de Ur.l novo texto consti
tucio-nal para a solução dos graves problemas de desigualdade na di~
tribuição da riqueza nacional, num País de: a) elevado PNB
(109 do mundo); b) elevada ccncentraçã'1 de renda (maior do mtl!!
do); e c) elevado grau de fGr~a1ismn ou de discrepancia
en-tre a lei e a realidade (no modelo concentrado prisrnatico
-difratado, de Fred. W. Riggs. o Brasil estaria situado, no en-tendimento de Kleber Nascimento, nr0ximo ao ponto médio prisma
tico, um pouco
ã
direita, no sentido do ~o10 difratado).1 - BALASSIANn, M. (Coord.) Programa da Disciplina! Estudos de
A atualidade do tema parece indiscutível, pestes tempos de tra~
sição para urna "Nova República", como sugere, por exemplo, pe~
quisa recente coordenada por Afonso Arinos de M. Franco, sobre
as aspirações nacionais, na percepção de prefeitos de cídades
com mais de 50.000 hab., dirigentes sindicais, professores
uni-versitários e empresRrios: depois da inflação, é a mudança do
texto constitucional (ao lado da dívi0~ externa) a segunda qt1es
tão mais importante dentre as que est50 a reclamar solução por
parte dos poderes estabelecidos.
Entre as principais razoes de tal prioridade, estariam a
inade-quaç~o do texto virente ao Br~si] rln ~nje e o fato de o me~mo
ser casuístico e encontr<>-r-<;e cyr:e~~iYamente f'emendac.o" e "r;mti
1 d " 2 a o .
°
conhecimento teórico disponível parece ser mais quesuficien-te e apropriado ã análise e entendimento do assunto.
Esuera-se que esta ref1ex~o sobre a Constituição (e o Exerc~cio
da Democracia) tenha importQnc i~ para a cnmnreensão dos 1 i ~:j. tf'S
e das possibilidades da Administy~ç~O Pública Brasileira.
Segue-se um Referencial Teórico (tentativa de identificar-se um
mélrco conceitual para o trabüho), UiT, ontro i tem denominado A
Questão do Novo Texto Constitucional (tentativa de apTeender-se o que pensa a população sol-"e o assunt'::J), ;:; finalmente, algumas conclusões, que destacam aspectos impoTtantes dos tópicos ante-riores.
11. REFERENCIAL TEORICO
Qual a natureza do tema Constituição ou Constituinte? Quio lidas são as genera1izaç5es que, eventualmente, podem ser tas sabre tais questões?
..
va-fei2 FRANCO, A. A. de H. Por Uma nova Constituição As aspira
-ç5e~ Naciona~_~Re!~tt;12:.? de Pe:;_q~li':~~, Rio de Janeiro, em
.3,
Inicialmente, considera-se pertinente fazer alguma menção à mo
dalidade de sistema econômico em que se ambienta essa questão da Constituinte/Constituição.
No caso do Brasil, pode-se dizer que seu sistema econômico nao parece ser do tipo capitalista, simplemente, (nem mesmo
neoca-pitalista), pelo menos porque, a partir dos anos 60, com a e
mergência do processo de institucionalização crescente das cor porações ou empresas multinacionais (doravante EM), ocorre urna mudança qualitativa na forma de producão capitalista, alteran
do-se, por conseqUência, as correspondentes estruturas de
po-der, pre-existentes, a divisão nacional e internacional do
trabalho, bem como as condições econômicas básicas (clássicas e neoclássicas) para alocação perfeita de recursos no mercado, via sistema de preços.
Alp;o como se a "economia c~pi tal is ta" rE: tornasse às origens e
assumisse formas mais exnlÍci tas de uma "economia política".
Diz-se, então, que o novo sistema econom1CO, resultante da mu dança mencionada, é do tipo "capitalist:t mononolista" (por oPQ sicã'J a "capitalista competitivo").
Diz-se, ainda, que 0S pers0nagens princinais desse sistema se
riam, de um ladn, as nações "centrais" (sedes das EH) que, de
forma nreponderante, influenciam e controlam o sistema e, do
outro lado, os países "neriféric0s", que, acima de tudo,
de-semnenham o papel de "mercados" nara as E~.f.
Inicialmente a "economia mononolista", articuland'J alianças pe!. manentes com segmentos do capital nacional, absorve a dimensão
comercial d0 sistema; denois, avança sobre a financeira; e, fi
nalmente, quando lhe convém, atinge a dimensão industrial, em
particular seu segmento mais relevante que é 0 da produção de
bens de capital, seja diretamente, seja pelo controle da respec tiva tecnologia (nesta mesma seqUência, como se sabe,
desenvol-ve-se o nrncesso de instalaçãn pragressiva dos interesses econo
No geral, a literatura consultada faz crer que o Brasil
é
_um caso típico de ator "periférico" do atual sistema econômico capi talista monopolista internaciona1 (doravante C~fI).
Nessas circunstâncias, o Estado, ao invés de constituir-se em representante político do Brasil, frente ao sistema internacio nal, passaria a assumir funções de agente promotor do CMI, jun
to ao País. Esse parece ser o entendimento da maioria dos au
tores, como Carlos Afonso e Herbert de Souza, James O'Connor , etc.
Não há, todavia, consenso sobre o assunto: Sularnis Dain, por exemplo, parece não aceitar a idéia de o Estado ser reflexo de
uma classe dominante nem tampouco subordinado a~interesses e
conômicos internacionais.
As considerações expostas, quando aplicadas a situação brasi
-leira, parecem evidenciar a lógica subjacente ao modelo de de
senvol vimento adotado -pelo País, o qual tem conduz ido a um "e
levado custo soc ial, des iqualdades crescentes na distribuiçã-o da renda nacional (a mais concentrada do rnundo*), desigualda -des regionais ( ... ), marginalização de boa parte da população em relação a resultados tangíveis do desenvolvimento econômico
(lO~ PNB do mun~o*), abandono das políticas de bem estar so
claÍ (apesar do discurso em sentido contrário·), expansão da
segurança interna e repressão p0lítica e social, ao lado do au menta vertiginoso da dívida externa (e interna*), e a sensível
perda das margens de negociação política do Estado C0m o Siste
ma Capitalista ~undial.,,3
Dito isso, e antes de apresentar certas cnnsiderações teóricas mais específicas sobre direito constitucional, também caberia
indicar algumas características da sociedade brasileira, de
um duplo ponto-de-vista: legal versus real e liberal versus re lacional.
*Corresponde a acréscimo do autor.
3 - AFONSO, Carlos A. e Souza, Herbert de. O Estado e o
Desen-volvimento Capitalista no Brasil: A Crise Fiscal,
RJ,
Paz.5 .
Interpretando-se ~aulo P.. Motta, pode-se dizer que a sociedade
brasileira é do tipo transicional, caracterizando-se "pela co existência de valores modernos e tradicionais. Sofreu o
impac-to da modernização, adquirindo novos valores, mas mant~m
gran-de p r e a t d o 515 . t ema d e va ores tra lCl0nalS. I d . . . ,, 4
Em razao disso, no Brasil, "as formas estruturais de organização tendem para o polo moderno, enquanto os processos de com -portamento tendem para o lado tradicional", 5 o que ajudaria a
entender as discrepâncias entre o Que est~ nrescrito em normas
e regulamentos e o que de f~to aconteceu, ou seja, as discre
-pâncias entre o que deveria ser (leRal) e o que é, na prática
(real) .
o
quadro apresentado na página seguinte indica, ainda segundoP. R. Motta, algumas variáveis que caracterizam a situação mo derna e a tradicional.
Idéias semelhantes podem ser encontradas no modelo de "socieda
de prismática", j á mencionado, proposto por F. W. Riggs, o
qual "representa certamente uma interessante tentativa de a
perfeiçoamento da estrutura conceptual de que dispúnhamos
pa-ra compreender a dinâmica da administpa-ração nas economias em de senvolvimento e semidesenvolvidas.,,6
Por esse modelo, uma sociedade prismática caracteriza-se por
apresentar um grau acentuado de formalismo (diferença entre o que está prescrito em lei e o c0mportamento social efetive)
de superposição (influênCia marcante de critérios próprios de
uma dada instituição-familiar, por exemplo e~ outra
institui-ção-administração pública, por exemnlo) e de heterogeneidade (dualismo quanto a valores, nráticas e pontos-de-vista tradi-cionais ou agrários, de um dedo, e modernos ou industriais, de outro lado).
4 - MOTTA, P. R. Variáveis que Condicionam o Comportamento na Administração Publica Brasileira, trabalho apresentado no Semlnario ae Comportamento na Administração Pública, Brasí
lia SEPLAN/SEMIlR·, 1975, P. 2.
-5 - Idem, Ibidem, p. 3.
6 - RIGGS, F. W. A Ecologia da Administração Pública, Rio de
. 6.
VARIÁVEIS A NíVEL SOCIAL
TRADICIONAL
RITUALISMO PERSONALISMO
. AHBIENCIA
LEALDADE A GRITOS PRIMÁRIOS
MONONORMATIVISMO SEGUNDO
VALO~ES TRADICIONAIS
INTEGlJACÃO ESTPUTURAL FUNCIONPL DIFUSA
MODERNA
FINALISMO
PROFISSIONALISMO
LEALDADE INSTITUCIONAL
HONONO~HATIVISMO SEGUN
DO VALORES MODERNOS INTEGRArÃO ESTRUTURAL FTmCIONÀL ESPECIFICA
Kleber Nascimento consegue fazer uma elogiável aplicação do
mo-delo de Riggs i administração de pessoal no Brasil (e na Fran
-ça), revelando, entre outras descobertas, que, em 1960, algo em torno de 10% dos funcionários da administração
apenas federal direta chegaram a ela pelo merecimento pessoal, não obstante o
sistema do mérito ter sido introduzido nela Constituição de 1934
e mantido pelas que lhe sucederam . (n de ~7 e a de 46), propondo - .
que tal porcentagem "bem poderia ser tomada como indicador para o grau de formalismo do sistema de pessoal brasileiro".
E acrescenta: "Tal discrepância entre lei e realidade pode ser, pelo menos em parte, exnlicada pela engenhosidade que parece e mergir sempre que a estrutura legal não encontre receptividade
no contexto social. O servidor público brasileiro teM que proc~
rar (e ?eralmente o encontra) um meio de conciliar disposições legais vetustas, obsoletas, tradicionais, com prementes necessi
dades modernas.n7
De passagem, vale registrar aqui os vínculos que essas conside-rações, eventualmente, podem ter com a questão dn famoso "jeiti nho" brasileiro ...
7 - NASCIMENTO, Kleber. A Administração de Pessoal no Brasil e
na França : Uma Tentat1 v'a de Empre~io do :Modelo" Pr1sma tico
• 7 •
Por outro lado, importam, também, para este Referencial
Teóri-co as persuasivas Teóri-colocações de Roberto da Matta sobre o
as-sunto. Diz ele: ,,~ minha tese, então, que foram poucos os que
viram a possibilidade de juntar família com a classe social, a religiosidade popular com a economia capitalista, as lealdades aos amigos com a lealdade ideológica. Descobrir essas conexões
é
ter que estudar a sociedade brasileira de modo aberto, sendo canaz de captá-la em seu movimento. E o seu movimento é sem pre no sentido da relação e da conexão. naí eu estar me refe -rindo ao Brasil nos ensaios deste livro como uma sociedade re
lacional. Isto é, um sistema onde a conjunção tem razoes que
os sistemas que ela relaciona podem perfeitamente igncrar.,,8
E mais adiante: "Numa sociedade de credo igualitário, cuja uni
dade social básica
é
o indivíduo (ou o cidadão), a escolha quefosse capaz de estabelecer a hierarquia, o privilégio e o
pri-mado da relação seria te0ricamente irnnossível ... 9
Curioso país esse Brasil, feito de um credo liberal tão alar -deado na base de suas instituições jurídicas, mas onerando de modo a privilegiar as relações pessoais de modo tão flagrante
( ... ). Será que n liberalismo brasileiro tem uma bela teoria
da igu;-:ídade, mas na prática tudo é di ferente?"lO
A pr0pósito dessas questões, recorre ao conceito de "cidadania
regulada" (ne caso, pelo Estado, de élcnrdo com um sistema de
estratificaç~o ocupacional e não de acordo com um código uni
-versalista de valnres políticos), Ur()p0sta nor Wanderley Guilhe.!.
me dos Santos, ~-su~erir que a explicação para as variações
nos direitos entre os cidad~os:
" •• • jaz, obv-tamen:te, em tOILno de. c.orr..6-tdelLaç.õe.6 e..6:tILu;(:uILa-t.6, ao
lado de um exame do.6 pILOC.e..6.60.6 h-t.6:tôIL-tc.O.6 e. C.ul:tUILa-t.6 que. de.
8 - DA ~ATTA, R. A Casa e a Rua. Espaso, Cidadania, Mulher e
~forte no Brasil, Sao Paulo, Brasil1ense, 1985, pp. 20-21.
9 - DA ~~TTA, R. Op. Cit., n. 60.
~am 6o~ma
ã
~oeiedade b~a~ilei~a.Ve
6ato, p~oee~~o~ hi~tõ~ieo~ e euLtu~ai~ ~evelam ( ... ) u.m e~tado eoionial que nao opeJ[.a va a paJ[.tiJ[. de anente~ pJ[.ivado~, ma~ de in~tituiçõe~ e lei~
que ele me~mo eJ[.iaJ[.a ( ... ) tJ[.ata-~e de um modo de oJ[.ganização
bUJ[.oeJ[.átiea, onde o todo pJ[.edomina ~empJ[.e ~ob~e a~ pa~te~ e a hieJ[.dJ[.Quia ê óundamental paJ[.a a de6inição do ~igni~ieado do
papei da~ in~tituiçõe~ e do~ indiv2duo~.
H~o expliea eeJ[.tame.nte o ehamado 'individu1.i~mo' (ou 'peJ[.~ona
li~mo'; ou, ainda'eaudJihi~mo') bJ[.a~iieiJr.o e latino-ameJ[.ieano eomo uma mod~idade de J[.e~ção ã~ iei~ do Ehtado eoloniai, em o po~ lçã.o ao i.ndividuaU~ mo nOJ[.te- am eJr.ieano (e an!llo -li axilo) que
ê eJr.iadoJ[. de leill. Em outJ[.a~ plJ.tavJ[.all, enquanto o pJr.oeell~o hill
.tõJ[.i~o bJr.allileiJ[.o (e da AmêJ[.ieaLatinal 60i no llentido de teJ[.
--'- que abJ[.iJ[. um e.6paço .6oeia.t e po.tltieo paJ[.a a..6 ma.ni6e.6taçõell in
dividuai~ e loeaill, já que tudo elltá Jr.igidamente pJ[.evi~to e
dominado peio eentJ[.aii~mo polltieo, legai e J[.eiigio.6o, o PJ[.o
-ee~~ a h~tõJ[.ieo noJr.te-ameJ[.ieano ê no .6 entido de engendJ[.aJ[. lei~
que pO~llam inventaJr., e~tabeiee~J[. ou até me~mo ~atvaJ[.
totalida-dell rnaiOJ[.C?.ll C?. rnai~ inelU.6ival> qu.e o~ ~~tema.6 ioeai~. ,,11
Afirma, ainda, que "o cidadão
é
a entidade que está sujeitaà
lei, ao passo que a família, as teias de amizade e as redesde relações, qu~/são altamente formalizadas política, ideológ!
ca e socialmente, são entidades rigorosamente fora da lei( ... ).
Creio que é a existência de tais redes como instrumentos expre~
sivos e, repito, altamente valorizados como modos de se chegar ao poder (e de, em geral, mudar de posição social) que explica com· maior profundidade a ausência de 'grupos de interesse' coe rentes e sistematicamente ordenados no Brasil.,,12
Por último, faz referência a um inquérito que realizou "junto
a estudantes pós-graduados (em que) a rcsnosta ~ questão: como
v~~ classificaria a nessoa que obedece às leis no Brasil? ,era
invariavelmente negativa. Todos, sem exceção, mencionaram que
quem assim procedia era uma nessoa inferior e que não tinha
recursos, sendo que um informante deu uma resposta padrão e
11 - DA MATTA, Op. cit., p. 64
12 - Id. Ihidem, P. 68-69.
..
.9.
grosseira para a pergunta. 0ueM obedece a todas as leis, disse,
ê um I babaca I ~ ()uer di zer: a obediência às leis configura na socieda
. ( -
-de brasileira uma situação -de nleno anonimato e gran-de inferio-ridade" . 13
COMO indicado anteriormente, não se poderia deixar de aprese~
tar, no âmbito deste Referencial Teórico, certas considerações
mais específicas sobre Direito Constitucional e Constituicão:se ...
-"
-gundo A. A. de Melo Franco, Direito Constitucional "ê o estudo
metódico da Constituição do Estado, da sua estrutura instituci~
nal po1ítico-juridica ( ... ), (ai incluídas) todas as leis que
dizem respeito i organização do Estado, ao funcionamento dos
seus poderes, aos direitos e qarantias individuais ( ... ), obvia
mente, todas as leis comn1ementares da Constituição ( ... ), as
normas que não se revestem da forma de leis e, até mesmo, usos e costumes relacionados com a vida.,,14
Já "o regime constitucional considerado juridicamente, ê aqu~
le, e somente aquele, no qual o noder dos governantes é
juridi-camente legítimo, quanto i sua origem e limitado, quanto a sua
autoridade ( ... ). Assim considerado o regime constitucional, a
Constituição deve ser, antes de tudo, r instrumento jurídico
que estabelece os nrocessos de le?itimação do poder e que
limi-ta a autoridade dos seus eventuais detentores."lS
Todavia, no início da sua obra, () autor esclarece: "não se
po-de dizer que seja um livro otimista - o otimismo do cultor do
Direito Público seria, hoje (1976), no Brasil, demonstração de
ingenuidade, malicia ou patetice - mas também não é pessimista. Talvez o caráter que nele prevaleca seja o de clara e fundada a
- - d ,,16
preensao, mas nao esesnerança.
13 - DA MATTA, R. Op. Cit., n. 69.
14 - FRANCO, A. A. de M. Direito Constituci0na1. Tenria daCons
tituição - As Constituicocs do Brasil, Rio de JaneIro, Fo
rense; 1981, Pp. 4-5.
1S - Id. Ibidem, p. 80.
Ac encerrar este Referencial Te~ricc, supoe-se que os autores e as inf0rmações selecionqdas representam a maioria dos seus e quivalentes na matéria; ao mesmo tempo reconhece-se que parece
existir, dos diversos ângulos em que se pnde olh~r a questão,
relativa convergência de pensamento quanto às dificuldades de
ajustamento recíproco entre os preceitos lep~is e o comporta
-mento real de indivíduos e prupos, no Brasil.
111. A ~UESTÃO Dn N0VO TEXTO CONSTITFCIONAL
Atualmente, o que pensa a população brasileira sobre a relevân cia de um novo texto constitucional, nara a prática da democrâ cia, entendida como regime pnlítico baseado na soberania da Na çao e numa distribuição adequada do poder e, logo, da riqueza?
Já
se fez referência a uma das descobertas de pesquisacoorde-nada por A. A. de ~. Franco: na percepção dos nrefeitos, diri
gentes sindicais, professores universi tários e emnrcsáriô,;.. co~
sultados, a segunda asniração nacional é a de uma nova Con\sti-tuição.
Entre as principais justificativas dessa nrioridade, estariam
a "mutilação" e o casuísmo do texto vigente, bem como sua ina
de~uaç~o ao Brasil de hoje.
Para Ruy r-farini, "O País precisa de uma Consti tuiçã '): se h~
um ponto pacífico de acordo, na atual conjuntura brasileira,
este ê, sem dúvidas, um deles. As razões dessa unanimidade preE.
dem-se, sem dúvida, ao fato de o Brasil ter vivido 21 anos des provido de uma, depois que a de 1946 foi rasgada pelos milita-res .. ,17
Mais adiante, esclarece que "0 problema brasileiro tem pouco
a ver com esta ou aquela forma de estruturar as instituições,
17 - HAFINI, R. M. Possibilidades e Limites da ;~ssembléia Cons
.11 .
residindo ~ais exatamente em nao termos relações sociais
capa-zes de sustentar um sistema nlenamente democrático e represen-tativo, do qual o regime político é anenas um elemento - e não
o ma is importante. , , 1 8 · .
Na oninião de Paymundo Faoro, a população brasileira sabe dis
tinguir entre "um mero conserto das instituições vip.:entes e a
formação de uma estrutura autenticaMente democrática. Ninguém
irá nara as ruas, cono foi n~ campanha par~ as diretas,
modificar este ou aquele tônico da lei fundamental ( ... ) semelhança do que teria ocorrido em 1945-46, quando) "o
para
(à
povo ignorou o debate institucional, ao tempo em que se interessou
pela sucessão presidencial. A mudança estava, na verdade, na e~
colha do presidente, não na Constituição, que seria obra da o
ligarquia do Estado Novo. Percebia-se então, como se percebe hoje, que a Constituição seria um estatuto pera os deputados e senadores, num jogo elitista de sorteio de cadeiras de coman
-do ( ... )
°
que ocorreu em 1945-46 está, novamente, agora em a~damento. Caiu o Estado Novo, mas caiu e reconstituiu-se o novo
. 1 . . 1 d . 1 . ,,19
sIstema pe ama0 VIgI ante os mI Itares.
Por sua vez, a Federação Nacional dos Engenheiros admite que: "por si só, a Constituição não tem meios de montar a
organiza-ção do Estado e da Sociedade. A menos que exuresse de fato a
manifestação da vontade popular, através de representação au -têntica. A simnles existência formal da Constituição nao
asse-~ura a vigência do regime constitucional. Como todas as leis,
ela está condicirmada a fatnres que a antecedem. "LO
Por isso, conclama seus associados, na condição de cidadãos
de engenheiros, de sindicatn e federação classista a particip~
rem da revisão do texto constitucional, uor se tratar de "imp~
rativo social da maior relevância, objeto preferencial da aten
- d . ,,21
çao a categorIa.
18 - Id. Ibid, p. 20.
19 - FAORO, R. Constituinte: a verdade e
°
sofisma, emConsti-tuinte e Democracia no Brasil Hoje, Sao Paulo, Brasilien-se, 1985, up. 14-15.
20 - FEDERACÃO NACIONAL DOS ENGPmEPWS, Cartilha da Constituin
te, Belo Horizonte, setembro/1985, P. 9.
Em 1984, Tancredo Neves afirm~va: "estou convencido de que to
dos os nossos problemas result~m da crise institucional ( ... )
(nos últimos 20 anos) a renda 'per capita' duplicou-se C ••• )Em
1960 estávamos abaixo dos 50 países mais desenvolvidos do
mun-do, tendo em vista o PNB; hoje, nos encontramos entre as dez
maiores economias nacionais ( •.. )(não ohstante) o desenvolvi
-mento capitalista acelerado ~ressupoe dois movimentos aparente
mente contradit6rios: por um ladn reclama a expansão do
consu-mo e, pelo outro, exige a acumulação rápida de lucros, necess~
rins aos reinvestimento. Assim sendo sua base fundamental é in
justa: aumenta-se a renda dos consumidores dis~oníveis à custa
dos produtores diretos. Em suma: transferese parte dos salá
-rios dos trabalhadores para a classe média e outra para o sal
do das empresas C ••• ) ~Jilh;:;es de homens do campo, tangidos por
essa r~~ida transformação (modernização da agricultura e expa~
são das fronteiras agrícolas), ampliaram o cerco de miséria em
torno das grandes metrópoles ou se converteram no não menos tr~
r;:ico exército de 'b;)i~s frias'. As favelas deixaram de ser uma
realidade das capitais, e se multiplicaram nas cidades peque -nas e médias do interior."
E adiante, ã guisa de solução "ternos que dar ordenamento insti
tucional ao País ( ... ), e temos como passo seguinte a eleição
direta do Presidente daRe~ública. Depois disso, teremos de co~
vocar, através do sufrá~io universal, numa assembléia nacional
constituinte
C ... )
A experiência nos mostra que é fácil afas-tar o País de sua legalidade democrática, e quanto é difícil restaurála. Isto nos deve animar a redigir urna Carta Consti
-tucinnal suficientemente dinãmica nara durar e garantir a so
b reVI venCIa . - . d o regIme ernocra tlC n . ' . d - . ,22
Observando que a classe trabalhadora ans poucos está se "atre-vendo" a quebrar o tabu de que deveria omitir-se da vida
polí-tica nacional, Abdias dns Santos, vice-presidente do PT/RJ,de~
taca a forma ou () prncesso de convocaóiC' da Crmst i tuinte, adve.!.
22 - NEVES, T. Discurso proferido ao receber o títu1e de Persa nalidade do Ano, da Associação Bras i1eira de Propaganda ,
Rio de Janeiro, JB, 31.03.84, 19 caderno, TI. 3.
,
.13.
tindo: "Ir preciso estar atento para que nós nao sirvamos apenas como pano de fundo e decoração para que os artistas possam se a presentar.,,23
Nas páginas 14 e 15, apresenta-se, a título de ilustração, os textos dos projetos de emendai Constituição, de autoria do Go-verno e do PT.
De acordo com Fernando Henrique Cardoso, "O que pode garantir a validade de uma Constituição é o povo organizado. Fora disso,não há constituição que se cumpra. Se os partidos e a :própria socie-dade não obrigarem seu cumprimento, se ela ficar, simplesmente, tutelada pelas Forças Armadas, não será cumprida. Então, o que faz uma Constituição ser cumprida
é
o respeito que a população possa ter aos seus próprios direitos, somando sua força para o brigar aqueles arbitrários, sempre existentes, a respeitarem a Constituinte."24No entender. de J. A • Guilhon Albuquerque·~ um dos aspectos mais relevantes é o de que "Ij preciso concentrar nossa atenção na que~
tão da representação e, resol vendo-a, garantir, para além da Cons tituinte, um corpo político mais _,identificado com o comum do p~
vo. Só assim poderemos· prevenir-nos contra a paixão retrógrada do mandonismo de uns e contra o farisaísmo sectário do oportuni~
mo de outros.,,25
23 - SANTOS, A. vido pelo 07.08.85, p. 4.
, !
dos. Palestra prpferida no Segundo Debate promo-comttê dos Engenheiros Pós-Constituinte, em Rio de Janeiro, Boletim do CREA-RJ, Set/85,
24 -,CARDOSO, F. H. Uma Nova Definição de Direitos, São Paulo, Confluência - Jornal da Secretaria Municipal da Família e Bem-Estar Social - FABES, Ago/Set/l~85, p. 5.
TEXTOS DOS PROJETOS DE EMENDA À CONSTITUIÇÃO (Projetos do Governo e do PT)
Como contribuição para uma melhor compreensao do debate que ocorre no momento na sociedade acerca da Constituinte
gamos a seguir os textos dos projetos do Governo de emenda Constituição e do Deputado Federal Dja1ma Bonn (PT-SP).
proj eto do GoVerno:'
divu1
-aArt. 19 - O~ memb~o~ da câm~a do~ Veputado~
e
do SenadoFede-~a.l, ~em
plLeju1.zo de
~ua~ atlÚbulçõu con~tUuciona,u,lLeun.i.IL-~ e-ão unicamente palLa in~talação da A~~ embl:'..i.a
Naciond Co~t.i.tuinte,
livlLe e
~obeILana,em
1C!de 6ev!
lLeilLo de 1987,
na ~ede do ConglLu~o Nacional.Art. 29 -
A
A~~emblêia Naciond Co~titulnte nao ~e aplicam a.6limitaçõe~ do alLtigo 47, paÁ4gILa6o lQ, da Con.6tituição
F edelLdt.
Art. 39 -
O
plLuidente
do SuplLime TlLibunalFedelLal
in.6tala~4 aA~~emblêia Nacional Co~tituinte
e
dilÚgiIL4,com
~uplLema autolLidade, a
eleição
do ~eu p~e~idente.-Art. 49 -
O
p~ojetode
Con.6tituiçãodeveIL4
~elL PlLomulgado no c~~o da plLime.i.lr.a ~u~ão legi~lativa da 48Q Legi.6lat~a;
depo,u
de
aplLovadaem
do~ tUILno~,com
di~c~.6ãoe vo
tação, pela maiolLia ab~oluta do~
memblLO.6
da A~~emblêiãNacional Con~titu.inte.
Projeto do PT:
As Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, nos termos do art. 49 da Constituição Federal, promulgam a se-guinte Emenda ao texto Constitucional:
Art. 19 - São convoc.ad~, p~a 1.Q
de malLço de 1986,eleiçõe.6
emtodo
o·
PtÜ.6, p4ILa aCQrripq4.i.ção de
uma A~~·emblêia Nacional Co~t.i.tuin.t'e, un.l.camelLal,
encalLlLegada de
elabolLalLe votalL a nova Co~t.i.tulção do BlLa~il
Art. 29 - P41L(l ~ e:teiçõu
de
qui:~uida uta Lei podelLão a.e.i~tait-~ e c.omo eleUolLu todo~ o~ cidadão~ blUl6ileiJr.o~ com,
no mlnimo,
18
ano~ completo~.Art. 39 -
O
númelLode lLeplLe.6entantu
na A~~emblêia Nacional Con.6tituinte ~elLã calc.ulado p~opolLciona.e.mente ao núme~o
de
eleitolLu
pOIL E.6tado, mantendo-~e como pataml1lL mZnimo,
.15.
§
1
9 - Pa.ILa. 6i.xa.1r. O númeJtode
ILepILu en.ta.n.tude
cada Palr.~i.do no conjun~o do P~, haveJtá, além do~ coe6i.~
ci.en~u e!ú~olr.ai.~ u~adu.a.i.~, um
co e 6i.ci. en.t e elei.
~olr.al naci.onal.
-§ 29 -
No
cálculo do númeJLode JLepJLu
en~an~e~de
cada PaIt~i.do ~eJLão computado~, ~ambêm, o~ vo~o~
de legen
da obüdo~
em
~odoo
Pa«,e
~ eJLão co~i.deJtado~e
le~o~ o~ candi.da~o4 cuja vo~ação ma~ ~e apILoil
me do
coe6i.ci.en~e e!ú~oJLal do~ Ir.e~pec~i.vo~ u~a~do~ •
Art. 49 - O~ Pa~do~ Poll~i.co~ que ob~i.veJLem
o
lr.eg~~JLo ~ê a da~a du convençõe~ paUi.dáJti..u palUt a ucolha
de
candi.cúi~o~ ~~aJLão habi.!i.~ado~ a pa.JL~i.ci.paIL du elúçõe~ pa.JLa. a
A~~emblêi.a Naci.onal Con~~i.~ui.n~e.
Art. 59 -
A
pILopaganda elei.~oJLal, no ILãdi.oe
na telev~ão, 6a~eá
em
hOILãJLi.o glr.a~ui.~o, di.~~JLi.buldo i.gualmen~e en~ILe ~odo~ o~ PaJL~i.do~.
Parágrafo Onico - ~ pJLoi.bi.do qualqueJL pJLopaganda elú~olr.al pa.ga
em
JLádi.o, ~elevi.~ão, jOILna~e
JLevi.~~a~.Art. 69 -
A
A~~emblêi.a Naci.onal Con~~i.~ui.n~e ~eILá i.~~alada pelopJLui.den.te do TJti..bunal SupeILi.olL Elei.~oILal, na Capi.~al da
Repúbli.ca, no di.a 2.7
de
abJLi.lde
1986.§ 19 -
A
A~~emblêi.a Na.ci.onal Con~ü~ui.n~eelegeJLã,
en~JLe~e~ membJLo~, aMua. Vi.JLúolLa.
§ 29 - A A~~emblêi.a. Na.ci.onal Con~~i.~ui.nte deli.beJta.~ã ~o
bJLe o
pJLazode
~~u 6unci.onamen.toe
da.ta. da. pJLomUlga.ção da nova Con~ti.tui.ção.
Art. 79 - Rea.li.z~-~e-ão4
em
15de
novembJLode
1985,elei.çõu
em
~odo~ o~ Muni.c~pi.o~, paJLa. compo~i.ção
de
Comi.~~õu Co~ufti.v~ Muni.ci.pai.~, encaJLILegada.~
de
6oILmulaJL,em
noven~a.di.a.~ ~uge~tõe~ pa.JLa a elaboJr..a.ção da. nova Co~ti.~ui.ção.
§ 19 - E~~~ pILopo~i.çõu ~eJLão envi.ad~ di.ILuamente
ã.
Me~a Vi.JLUOJLa da A~~emblêi.a Naci.onal
Con~~ui.nte.-§ 29 -
A
JLegula.men~ação da.~elei.çõu de
que tJLa~a. uteaILügo ~eJtã 6úta. pOIL Lei. Complementa.JL.
Art. 89 -
O
TJti..bunal SupeILi.oIL EleitoJr..a.lexpedi.JL4
~ i.n~~ILuçõucom
plementaILe~
ã.
~eaUzação da~ elúçõu pILevi.~~~ ne6ÚLeZ
paJLa. a. A~~embléi.a Naci.ona.l Co~~i.~ui.n~e.
Art. 99 - Revoga.m-~e o~ a.JLti.go~ 81 a 89
e
155 a. 159 da Co~ti.tui.ção
fedeJLal, bem como
a.Lei. de
SegUILança. Nacional (1110r,Lei.
de GILeve
(4330), Lei.de
lmpJLe~a (5250)e VeCll&o
Lei.nQ 1632.
Art. 109 - Revoga.m-~e a~ dL6po~içõu
em
contJLãJti..o, en~JLandoem
vi.gOJLu~e Ato a paIL~iJr.. da. ~ua pubti.cação.
Referindo-se
à
proposta de um plebiscito nacional para deci dir-se sobre a·exclusividade ou não da Assembléia Nacional Constituinte, apresentada pelo Deputado Flávio Bierrenbach, o leitor do Jornal do Brasil, Emanuel Miranda Pereira es-clarece que a Constituinte Congressual -interessaria mais aos próprios parlamentos, porque, obviamente, estariam 1egis1a~do em causa própria.
E exclama: "ch~a •.. , Não dá mais para aguentar ~ Após 21 anos de ditadur~ do Executivo, não aceitaremos a ditadura do Legislativo ( ••. ) O povo não aguenta mais a demagogia, o embuste. Somente uma Constituinte livremente eleita e con vocada exclusivámente para este fim poderâ trazer-nos leis mais justas que eliminem os efeitos negativos do interesse pessoal desses homens (, •• ) .,,26
26 PEREIRA, E. M. Constituinte, carta publicada pe 10 Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 22.11.85, 19 ca
de rno, p. 10.
•
·17 .
Em palestra na EBAP (13.08.85), sua Exa. O Ministro da Justi
ça, Dr. Fernando Soares Lyra enfatizou que o expressivo apoio
da população à campanha das "diretas" não refletia anenas de
sejo de votar na eleição para presidente da Renúb1ica, mas
correspondia a um projeto mais amplo de mudança da sociedade, ou seja, da erradicação de um regime fundado no autoritarismo e no arbítrio para a instalação de um outro baseado na demo -cracia .
Daí, a importa.ncia de uma Consti tuicão que estabeleça as
no-vas regras do jogo institucional.
Nesse sentido, a criação da Comiss~o de Estudos Constitucio
-nais não visaria influenciar mas organizar os debates em tor
no do assunto.
Embora reconheça que um~ nova Constituição nao é suficiente ,
que "o processo democrático não se esgota nos termos formais
de uma divisão dos poderes, embora isto seja indisnensáve1 e
fundamental ( ... ) Denois da etapa da democracia política, a
tua1mente em pleno funcion~mento, devemos nos preocunar com
a constrLção de uma efetiva democracia econômica e socia1,que
contemn1e n1enamente o direito e o exercício demncrático ( ... )
A waior import3ncia de uma Constituinte ( ... ) está no
proces-so nolítico-proces-social que def1a~ra, no sentido de recunerar a
consciência da cidadania, através de um amplo nrocesso e
ducativo que leva cada cidadão ao reencontro consi~o mesmo e
com a s.:)ciedade. ,,27
Sunõe-se que os "cortes-e-co1agens" realizados neste item dão
uma idéia aproximada do que o nrvo (os que particinam do
processo político) nensa snbre o tema Constituinte e
Democra-cia.
A seguir, pretende-se fazer um~ tentativa de extrair algumas
conclusões gerais disso que se supne que o povo pensa, à luz
do Peferencial Teórico.
27 - LYRA, F. S. Constituinte, Um Ponto de Partida, Artigo nu
b1icado no Jornal 00 Brasil , Pio de Janeiro, 16.09.85~
IV. CflNCLUSOES
a) Nos limites dos métodos tr~dicionais de mudança social, pa
rece que haverá di ficuldades obj eti vas insuneráveis em qual: quer nrojeto de democratização do Pa!s. Estas dificuldades estão tanto do lado de fora (nrincinalmente, resultantesda
inserção periférica da economia nacional no OfT) Quanto do
lado de dentro (ryrincinalmente, resultantes da nersistên -cia de uma estrutura de relações so-ciais historicamente hierarquizante) ;
b) As variáveis mencionadas (de ordem econômica e
historico-estrutural) não narecem .ocupar naneI relevante no
discur-so da maioria das nesdiscur-soas, ao se referirem a questão de
Constituinte e da Democracia, na acençao indicada neste tra balho;
c) No âmbi to de uma sociedade anroximadamente "nrismática"
hierarquizada (em sentido globalizante, nor ~ermeiar
to-das as esferas de relacionamento social), de economia "for
te" e de eqüidade na distribuição da renda "fraca", não
parece ser realista considerar-se a formulação de um novo texto constitucional como segunda nrioridade, dentre as as
nir~ções nacionais;
d) Como chegnu a admitir T)ublicamente o saudoso Presidente Tan credCl Neves e anarece eX";llici tamente em alpuns dns depoi-rnentns selecionados, é razoável admitir-se que, no Brasil, a "questão institucional", não será adequadamente equacio-nada se, antes, não se "passar" pel<l "questão militar". Tra
ta-se, Dorém, de um asnectn que 0 Peferencial Teórico nao
abnrda diretamente;
e) Não só no cam~o da estratificaçãn, mas também no da organ!
zação (e~ esnecial, a nGblica), rarece que se requer a des
coberta e institucionalização de formas ?enuinamente brasi
leiras de participação da sociedade organizada nas
deci-sões governamentais, a n!vel federal, estadual e municipal,
,
.19.
administradores públicos e estabilidade ao ~rocesso democrâ
tico que se resolva adotar;
f) Com base no ex~ostQ, seria razoável su~or que a condiçãope!
sistente de sociedade relativamente transiciona1,
prismáti-ca e re1acional, repercutisse sobre os legisladores brasi
1eiros, motivando-os a elaborar, por contraste, textos cons-titucionais relativamente modernos, difratados e liberais, na certeza de que a realidade acabaria mesmo Dor prevalecer
sobre a prescrição, transformando-a em "letra morta", pro
tegendo-se, assim, o País, das mudanças reclamadas rela
po-pulação (esnecialmente, a mais explorada e carente) e
preservand0-se o status quo.
Se nao, como se justificar resultados econômico-sociais que,
de modo tão dramático, estão a de~or contra a eqUidade e a ju~
tiça social (ver Anexo)?
Seriam tais resultados conseqUência exclusiva do regime mili-tar nós-64?
g) Enfim, F. H. Cardoso parece estar com a razão: "O que PQ
de garantir a validade de uma Constituinte
ê
o povo 0r~anizado. Fora disso, não há Constituinte que se cumpra. Se os partidos e a nrôpria sociedade não obrigarem seu cumprimen-to, se ela ficar, simn1esmente, tutelada pelas Forças Arma-das, nãa será cumprida. Então, o que faz uma Constituição
ser cumprida é o resneito que a população ~ossa ter aos
seus próprios direitos, somando suas forças para obrigar a que1es arbitrários, semDre existentes, a respeitarem a Cons tituição." (transcrição já utilizada).
REFEPENCIAS BIBLIOGP~FICAS
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· BALASSIANO, M. (Coord.) - Proqrama da Disciplina: Estudos
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· LYRll, F. S. Constituinte, Um Ponto de Partida, Pio de Janei
.21 .
· MARINI, R. M. Possibilidades e Limites da Assembléia
Consti-tuinte, em SADER, E. COrg.). Constituinte e Democracia
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· MOTTA, P. R. Variáveis que Condicionam o Comportamento na
Administração Pública Brasileira; trabalho apresentado no Seminário de Comportamento na Administração Pública, Brasília, SEPLAN/SEMOR, 1975.
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Personalidade do Ano, da Associação Brasileira de Propa-ganda, Pio de Janeiro, Jornal do Brasil, 31.03.84.
· PEREIRA, E. M. Constituinte - Carta, Rio de Janeiro, Jornal
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• RIGGS, F. W. A Ecologia da Administração pfiblica, Rio de Ja
neir0, Ed. FGV, 1964.
· SANTOS, A. dos. Palestra proferida em 07.08.85 no Segundo
Debate promovido pelo Comit~ dos Engenheiros P6~-Consti
tuinte, Rio de Janeiro, Boletim do CREA, Set. - 1985.
• SANTOS, W. G. dos. Cidadania e Justiça, Rio de Janeiro, Ed.
.23.
As citações e os quadros apresentados a seguir e que se espera sejam auto-explicativos, pretendem indicar que, no Brasil, a política de crescimento econômico tem im perado sobre a da equidade e que a política de
estabilida-de (controle da inflação) tem-se realizado, em geral, às
" •.. a distribuição de renda no Brasil
é
tão desigualque qualquer que seja a re~ressividade ou progressividade do
sistema tributário, este não ~ode ser utilizado como instrumen
to destinado a melhorar o ~erfil da mesma .•. "·
.25 .
"R. Varsano, comentand0 o espírito da reforma tri
butâria de 1967, esclarece que uma de suas preocupações f~
damentais era com o crescimento econômico, com a "acumula -ção", mesmo em detriment0 da "legitimação" 0U da "distribui çã0", o que ()brigava () Governo Federal a centralizar as de ci .ões de política econômica, fato que se pode interpretar
C0m() refletindo a "teoria de deixar o bolo crescer para de
pois pensar-se em dividi-lo", algo inspirado nas idéias de
J. Kuznetz, que postulam uma associação necessária entre
crescimento e desigualdade de renda, na ~assagem do subde
-senvolvimento para o desenvnlvimento".
3000 900 800 700 600 500 400 300 200 100 2000 900 800 700 600 500 400 300 200 l'JC 1000 900 800 700 600 500 400 300 280 100 Indice Brasil classe com os
e C)*
~ B
dos gastos médios do 4
(Estados e União)por I
de renda de acordo '
três critérios (A, B :
( I
t
I I,
If
J II
I
I
I .S/~
I.;
~
....
~."'< .. ::.< ... -...
-I : / " ~ '"I / /
.J' / /
... _. - ~ ...
c·
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13
A
Classes de renda
"Os resultados do presente estudo revelam uma po1íti ca de gastos públicos distantes da necessidade de amenizar as
discrepâncias regionais e despreocupada com a distribuição e
quitativa da renda, uma vez que se constatou estarem os maio
res volumes dos gastos públicos concentrados nas regiões econo micamente mais desenvolvidas e, ainda, que qualquer critério
de alocação adotado aponta maiores benefícios para as altas
classes de renda".**
* PORTO, Corné1ia N. e ZAGHA, Nessim R. Impacto
Redistributi-vo dos Gastos Públicos, in JUAREZ,
A.
B. Rizzier e a1.Eco-nomia Urbana - Custos de Urbanização e Finanças Públicas, são Paulo, Instituto de Pesquisas Econômicas, 1982, p. 296.
.27.
ALTERNATIVAS
(referem-se ao gráfico,à página 26
A: Predomina o critério que favorece um sub-grupo da popu~~
ção ou a população como um todo ou ainda os usuários de determinado serviço público;
B: Predomina o critério que favorece os proprietários de fa tores de produção, dandose maior ênfase, quando possí -vel, aos detentores do fator canital;
C: Predomina o critério que favorece os consumidores de de terminado(s) tino(s) de bens e nas atividades onde não
se ~ode usa-lo, deu-se preferência
à
alocação pela1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12 13
CLASSE DE RENDA
(referem-se ao gráfico à ptigtna
Iro
rj'
UNIDADES DA ~DIAANUAL DOS MAIORES SALÁRIOS MINIMOS PARA O ANO DE 1970 (Cr$ 176,80)
o
O
-
1 1-
22 5
5 10 10 15 15 20 20 30 30 40 40 50 50 75 75 - 100
.29 .
OS OITO ~~IOPES PIB DO MUNDO, EM 1982
PAIs PIB (MILHOES DE US$)
1 . ESTADOS UNIDOS 3.009.600
2 • JAPÃO 1.061.920
3. REP. FED. DA ALEMANHA 662.990
4. FRANÇA 537.260
. 5. REINO UNIDO 473.220
6. ITÁLIA 344.580
7 • CANADÁ 289.570
8. BRASIL 248.470
FONTE: Banco Mundial Informe sobre E1 Desarro110 Mundial,
1984, Washington, D. C., 1985, p. 255.
"O Brasil
é
o país que apresenta a maior concentração de renda do mundo"
"Numa economia urbana, aberta e moderna, em que o sistema de' preços e os mercados funcionam razoavelmente,
( ... ), a renda
é
a medida fundamental da qualidade de vidada população"*.
\
20% 50% 10% 5% 1%
PA~v.ETROS DE DISTRIBUIÇÃO DE RENDA NO BRASIL
(1960-80)*
RENDA % POPULAÇÃO
1960 1970
INFERIORES 3,5 3,2
INFERIORES 17,7 16,0
SUPERIORES 39,7 43,7
SUPERIORES 27,7 30,3
SUPERIORES 12,1 13,0
1980
2,8 13,1 48,1 34,7
14,
°
FONTES: Para 1960, Langoni (Op. Cit., pág. 62) e para 1970
e 1980, Montello (Op. Cit., pág. 13). Os dados do
Quadro devem ser vistos com cautela, devido aospr~
blemas com sua base estatística e sua cobertura(i~
cluem somente a renda monetária declarada).
* W~RTONE, Celso Luiz (Coord.) - Desenvolvimento com
Desi-gualdade, Projeto por Dentro, vol. 111, Jornal do Brasil, 27.10.84, p. 6.
•
.31.
TOTAL DE DESEMPREGADOS E TAXA DE DESEMPREGO ABERTO,
1979-1983*
ANOS
1979 1980 1981 1982 1983
TAXA DE DESEMPREGO (%)
4,1 4,6 5,8
** 6,9 8,3**
TOTAL DE DESEM-PRE GADOS (MIOOES DE PESSOAS)
1,2 1,5 2,0 2,5** 3,2**
FONTE: políticas de Estabiliz~ção e Emprego; o caso do Bra-sil: 1980-84, Ministério do Trabalho - Secretaria de Emprego e Salário. (outubro 1984, pág. 32).
* MARTONE, Celso Luiz (Coord.) - Desenvolvimento com Desigual dade, Projeto por Dentro, vol. 111, Jornal do Brasil,
27.10.84, p. 10.
SALÁRIOS MINU-roS REAIS (EM CR$) DE HARÇO DE 1983
íNDICES DE SALÁRIOS MfNIHOS REAIS (JUIHO DE 1940= 100)
ANOS SALÁRIO i-.1INIMO REAL fNDICE DE
SAL.!.RIO MíNIMO REAL
1940 44.658.67 98 •
1941 40.705,97 89
1942 36.547,64 80
1943 35.894,18 79
1944 37.900,24 83
1945 30.538,62 67
1946 26.796,12 59
1947 20.476,36 45
1948 18.913,56 41
1949 19.219,72 42
1950 18.150,44 40
1951 16.765,85 : 37
1952 45.001,39 98
1953 37.064,00 81
1954 45.051,66 99
1955 50.590,01 111
1956 51.394,26 112
1957 55.963,85 122
1958 48.611,37 106
1959 54.419,33 119
1960 45.695,97 100
1961 50.809,35 111
1962 46.390,55 102
1963 40.779,08 89
1964 42.136,25 92
1965 40.632,86 89
1966 34.637,55 76
1967 32.768,58 72
1968 32.069,43 70
1969 30.858,49 68
1970 31.406,84 69
1971 30.054,24 66
1972 29.515,03 65
1973 27.047,44 59
•
1974 24.730,66 54
1975 25.927,89 57
1976 25.758,82 56
1977 26.841,81 59
1078 27.655,20 61
1979 27.920,24 61
1980 28.144,15 62
1981 28.861,57 63
1982 25.215 ,04 55
Março
-
1983 23.568,00 52•
•
.3~.
PEA URBANA, ATUAL E POTENCIAL, SUBEMPREGO E DESEMPREGO ABERTO - 1981 - 1983*
(milhões de pessoas)
1) PEA URBANA ATUAL (= 5 + 6)
2) PEA URBANA POTENCIAL
(= 5 + 6 + 7)
3) EMPREGO ORGANI ZADO
3.1. EMPRESAS PRIVADAS E POBLICAS 3.2. ADMINISTRAÇÃO POBLICA
4) EMPREGO NÃO ORGANI ZADO (SUBEMPRE-GO
=
EM CARTEIRA ASSINADA +AUTO-NOMOS + SEM REMUNERAÇÃO)
5) TOTAL DO EMPREGO 6) DESEMPREGADOS
7) FORA DA PEA URBANA
1981 1982 1983
34,2 35,8 37,8 24,2 36,8 38,6 18,1 ~ 17,4 16,3 16,7 15,4 1,8 2,0 2,0
14,1 15,1 18,0 32,2 33,8 35,4 2,0 2,0 2,4 0,5 0,8
FONTE: políticas de Estabilização e Emprego; o caso do Brasil: 1980-84, Ministério do Trabalho - Secretaria de Emprego e Sa1ario. (outubro 1984, pág. 11) •
ANO 1959 1960 1961 1962 1963 1965 1966 1967 1968 1969 1970 1971 1972 1973 1974 1975 1976 1977 1978 1979 1988 1981 1982
SALÁRIO MfNIMO E RAÇÃO ESSENCIAL MfNIMA TEMPO NECESSÁRIO PARA AQUISIÇÃO - ~DIA ANUAL
TEMPO DE AQUISIÇÃO fNDICE
65 horas e 05 minutos 100,00
81 horas e 30 minutos 125,22
71 horas e 54 minutos 110,47
94 horas e 48 minutos 145,66
98 horas e 20 minutos 151,09
88 horas e 16 minutos 135 ,62
109 horas e 15 minutos 167,86
105 horas e 16 minutos 161,74
101 horas e 35 minutos 156,08
110 horas e 23 minutos 169.,.60
105 horas e 13 minutos 161,66
111 horas e 47 minutos 171,75
119 horas e 08 minutos 183,05
147 horas e 04 minutos 225,97
163 horas e 32 minutns 251,27
149·horas e 40 minutos 229,96
157 horas e 29 minutos 241,97
141 horas e 49 minutos 217 ,90
137 horas e 37 minutos 211,45
153 horas e 04 minutos 235,20
157 horas e 31 minutos 242,04
149 horas e 40 minutos 229,97
131 horas e 30 minutos 202,04
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.35 • . FUNDAÇÃO GETOL I O VARGAS
'ESCOLA BRASILEIRA DE ADMINISTRAÇÃO POBLICA SUBDIREÇÃO DE PESQUISA
Série Cadernos EBAP
N9 01 - FORMAÇÃO bo ADMtNISTRADOR PúBLICO: ALTERNATIVAS EM DEBA-TE- 1980."
Bianor Sce1za Cavaicanti
N9 02 - EM BUSCA DE NOVOS CAMINHOS PARA A TEORIA DE ORGANIZAÇÃO-i980.
Anna Maria Campos
N9 03 - TREINA~ffiNTO E DESENVOLVIMENTO GERENCIAL: INFERENCIA SO-BRE A EXPERIENCIA DAS EMPRESAS ESTATAIS. NO BRASIL - 198Q. Paulo Roberto Motta
N9 04 - ESTRUTURAS ORGANIZACIONAIS - 1980. Luciano Zajdsznajder
N9 OS - A INTERVENÇÃO ESTATAL NO SETOR SAÚDE: UMA CONTRIBUIÇÃO
PAia A
PESQUISA "6A~~"'OBLtCO
EM SAt1DE" - 1980.Equipe PROASA
N9 06 - EDUCAÇÃO EM ADMINISTRAÇÃO PÜBLICA: RETR.oSPECTIVA E PERS PECTIVA DA EXPERIENCIA NORTE-A~ffiRICANA E REFLEXOES SOBRE O CASO BRASILEIRO - 1980 •
Armando Moreira da Cunha
N9:'D7 - PROJETO RIO: ANÁLISE DE UMA EXPERI~NCIA DE PLANEJA~ffiNTO
PARTICIPATIVO - 1981. Héctnr Ati1io Possiese
NQ 08 - A PROPOSTA DE PARTICIPAÇ1\0. NA TEORIA GERENCIAL: A PARTI CIPAÇÃO INDIRETA - 1981.
N9 09 - PARTICIPAÇÃO NA GERENCIA: UMA PERSPECTIVA COMPARADA-1981.
Paulo Roberto Motta
N9 10 - O RITUAL DA DESBUROCRATIZAÇÃO: SEUS CONTEXTOS DRAMÁTICO
E REPRESENTAÇOES - 1981.
Maria Eliana Labra
N9 11 - ASSISTENCIA MI!DICO-HOSPITALAR DO SISTEMA PREVIDENCIÁRIO
B~\SILEIRO ATRAygS DE SERVIÇOS CONTRATADOS - 1921.
Valéria de Souza
N9 12 - MINHA D!VIDA A LORDE KEYNES - 1982.
Alberto Guerreiro Ramos
N9 1·3 - UMA PROPOSTA DE AVALIAÇÃO DO POLONOROESTF. - 1982.
Antônio de Pádua Fraga
N9 14 - REPARTINDO TAREFAS E RESPONSABILIDADES NAS ORGANIZAÇOES: ALGUNS DILEMAS ENFRENTADOS PELA GERENCIA - 1982.
\\nna Maria Campos •
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~J9
15 - AS'DISFUNÇOES SOCIAISro
PROGRAMA NACIONALro
ÂL<mL EMIEmRRE~
CIA DA EXCESSIVA ENFASE NA CANA-DE-AÇOCAR - 1982.
Fátima Bayma de Oliveira
N9 16 - SISTEMA IE INIDPJ.'~ IE SAÚDE: A VISÃO DE UM SANITARISTA-1982.
Franz Ru11i Costa
N9 17 - O "JE ITINHO" BRAS I LEIRO COMO UM RECURSO IE POIER - 1982.
Clóvis Abreu Vieira
Frederico Lustosa da Costa Lázaro Oliveira Barbosa
N9 18 - FINS.OCIAL: ANÁLISE DE UMA POL!TICA GOVERNAMENTAL - 1983.
Paulo Emílio Matos Martins
N9 19 - AV.f'..LIAÇÃO DE EMPRESAS POBLICAS NOS PA!SES EM DESENVOLVI MENTO: A PERSPECTIVA SOCIAL - 1983
Paulo Roberto Motta
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.37.
N9 20 - REFLEXOES SOBRE
n.
PROCESS0 DE TECNIFICAÇÃ0 DA ~ffiDICINA NO BRASIL - 1983.Paulo Ricardo da Silva Maia
N9 21 - A CO-GESTÃ0 Nn INSTITUTO NACI0NAL
Dn
CÂNCER: UMA ANÁLI SE ADMINISTRATIVA - 1983 .N9 22 - O SINDICALISMO NO G0VERNO DE GETOLIO VARGAS - 1983. Luciva1 José Siqueira Costa
N9 23 - PLANEJft~NTr, PESQUISA E APRENDIZAGEM - 1983. Luciano Zajdsznajder
N9 24 - A INFORMAÇÃIl DO SET0p' PÚBLICO C0Mf' FnRMA DE 0BTENÇÃIl DE GANHOS SUBSTANCIAIS DE PRODUTIVIDADE - 1983.
José Osmir Fiore11i
N9 25 - ANALISE DA ESTRUTUFA FIl~fAL DAS OPGANIZAÇiíES: CIlNSIDE-RAçnES PRÃTICAS - 1983.
Armando Bergamini de Abreu
N9 26 - ALGUNS IMPACTOS SOCIAIS E EC0Nf")~HCIlS DA AUTOMAÇÃf") N0 SETOR BANCÃRI0 - 1983.
Sarnue1 Levy
N9 27 - 0 PROGPAMA DE ESTUD0S PRnSPECTIvns SOBRE o IMPACTn SO-CIAL DA TECNOLOGIA. lW,A PRIlPOSTA INSTITUCIONft.L - 1983. Samue1 Levy
N9 28 - PESQUISA: RELEVÃNCIA SnCIAL, C00PERAÇÃO E ft~ERTURA À
APRENDIZAGEM - 1983 . ftnna Maria Campos
NQ 29 - INVESTIGAÇ~ES DE CIENCIAS SIlCIAIS EM SAODE N'l BRASIL
-1984.
Sonia Maria F1eury Teixeira
N9 30 - A PARTICIPAÇÃO D0 CIDADÃ0 NAS DECISnES DA ADMINISTRA-çÃn PÜBLICA - 1984
N9 31 - ATENÇÃ() PRIMÁRIA DE SA.ODE - PETRnCEssn nu N()vns RUMOS PA RA A M()DERNIZAÇÃ~ Dn SERVrç0? - 1984.
G1eisi Heis1er Neves
N9 32 - FAMERJ VERSUS BNH: UM ESTUDO DE CASO SOBRE M0VIMENTOS S0
C I A I S URB ANn S - 19 85 • • .•. •.
Araci Machado
Silvia Porto •
Sy1via Constant Vergara
N9 33 - A RELAÇÃO ESTADO E TRABALHADORES URBANOS NO BRASIL - 1985. Carlos E. Rodriguez López
Carmem Lúcia L. Ve1os0 de Castro Maria E1ide Borto1etto
000048991
ebap/sg/j1/rs/n9 037/86
1111111111111111111111111111111111111
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DA TA MARCADA
N.Cham. PIEBAP CE 34
Autor: Silva, Jose Martins da.
Título: Notas sobre a relevancia da elaboração de um novo
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FGV -BMHS N" Pat.:7/87