Avaliação da presença de risco para queda em idosos1
Evalua t ion of t he risk of falls in t he elderly
Evalua ción del riesgo de caídas en el anciano
Tatiana Rocha MachadoI, Célida Juliana de OliveiraI I, Francisca Bert ilia Chaves Cost aI I I, Thelm a Leite de Arauj oI V
1 Pesquisa ext raída da Monografia de t érm ino de curso de Graduação em Enferm agem pela Universidade Federal do Ceará.
I Enferm eira; Especialista em Enferm agem Clínica pela Universidade Estadual do Ceará e em Gestão Hospitalar pela Universidade Estadual Vale do Acaraú. Em ail: tatianarm [email protected] .br.
I I Enferm eira; Mest re em Cuidados Clínicos pela Universidade Est adual do Ceará. Discente do curso de Doutorado em Enferm agem pela Universidade Federal do Ceará, Bolsista CAPES. Em ail: celidaj [email protected] .br
I I I Enferm eira; Mest re em Enferm agem pela Universidade Federal do Ceará. Em ail: bertilia_chaves@hotm ail.com.
I V Enferm eira; Doutora em Enferm agem ; Docente da Universidade Federal do Ceará. Em ail: thelm aarauj [email protected] .br. RESUMO
As quedas são um im portante fator causal para a dependência dos idosos, pois, estão relacionadas a um índice elevado de incapacidade e de m ortalidade. Obj etivou-se avaliar os fat ores de risco para quedas present es em um grupo de idosos de acordo com o diagnóstico de enferm agem “ Risco para quedas” da NANDA ( versão 2001/ 2002) e determ inar o grau de susceptibilidade aum entado para quedas nos idosos segundo a “ Escala de risco de quedas de Downt on” . Estudo descrit ivo realizado com 24 idosos no período de j aneiro a j ulho de 2003 em um centro de saúde de Fort aleza/ CE. Dist ribuiu- se os fat ores em : m aior fr eqüência; m enor fr eqüência eas cat egorias não cit adas. Fat ores de risco m ais citados: quedas ( 87,5% ) ; idade igual ou superior a 65 anos ( 70,8% ) ; dificuldades visuais ( 95,8% ) ; m edicações ( 75% ) ; quarto não fam iliar ( 62,5% ) e ausência de antiderrapante ( 95,8% ) . O processo de envelhecim ent o provoca inúm eras alt erações no organism o hum ano, podendo levar o indivíduo a sofrer m udanças no seu cotidiano ao longo do t em po, com o a necessidade de aj uda para realizar as atividades de vida diária. As quedas neste grupo et ário podem ser consideradas com o fatores significat ivos de alerta a fim de evitar seqüelas físicas e em ocionais decorrentes desses event os.
Descrit ores: Enferm agem geriátrica; I doso; Acidentes por quedas.
ABSTRACT
Falls becam e an im port ant fact or for the dependence of the elderly, because t hey are relat ed t o a high rate of incapacit y and m ort ality. The object ive was to evaluate the risk factors of falls in a group of elderly according t o the Nursing diagnose "Risk of falls" by NANDA ( version 2001/ 2002) and determ ine the rate of falls that increased according t o the “ Downt on’s risk of falls Scale” . Descript ive study conduct ed wit h 24 elderly, from January t o July, at a health center in Fort aleza/ CE. The fact ors were dist ribut ed in: biggest frequency; less frequency and cat egories non-quot ed. Risk factors m ost often cited: falls ( 87.5% ) ; 65 years old or m ore ( 70.8% ) ; visual difficult ies ( 95.8% ) ; m edicat ions ( 75% ) ; not fam iliar room (62.5% ) and absence of ant iskid ( 95.8% ) . The elderly process causes m any changes in t he hum an organism , such as suffering in the daily of elderly, because t hey need help t o do t heir act ivit ies. The falls in t his aged group can be considered as significant factors of alert in order to prevent physical and em ot ional sequels resulting from t hese event s.
Descript ors: Geriat ric nursing; Elderly; Accident al falls
RESUMEN
Las caídas son un fact or causal im portante para la dependencia del anciano, porque se relacionan con una proporción alta de incapacidad y m ortalidad. El objetivo fue evaluar los factores de riesgo de caídas en un grupo del ancianos según el diagnóstico de Enferm ería "Riesgo de caídas" del NANDA ( versión 2001/ 2002) y determ inar la proporción aum entada de caídas según el "Escala de riesgo de caídas de Downton". Estudio descriptivo realizado con 24 ancianos de enero a j ulio de 2003 en un centro de salud en Fortaleza- CE. Se distribuye en los factores: m ayor frecuencia, m enor frecuencia y las cat egorías non-m encionadas. Los fact ores de riesgo m ás frecuentem ente cit ados: caídas ( 87,5% ) , edad superior a 65 años ( 70,8% ) , dificultades visuales ( 95,8% ) , m edicam entos ( 75% ) ; cuartos desconocidos ( 62,5 % ) y falta de no deslizantes ( 95,8% ) . El proceso de envejecim iento provoca m uchos cam bios en el organism o hum ano y puede llevar la persona a cam biar su vida cotidiana, com o la necesidad de ayuda para la realización de actividades de la vida diaria. Las caídas en este grupo de edad pueden ser considerados com o factores im port antes de alert a para evit ar efect os físicos y em ocionales derivados de est os event os.
I N TRODUÇÃO
Há cerca de 50 anos vêm ocorrendo m udanças na dem ografia populacional m undial. Especificam ente no Brasil, em term os relativos, o grupo etário de pessoas com idade de 60 anos ou m ais foi o que m ais cresceu, principalm ente a partir da década de 60( 1).
Estatísticas dem onstram o envelhecim ento das populações com o sendo conseqüência do desenvolvim ento econôm ico e social, aliado à dim inuição das taxas de natalidade e fecundidade, o aum ento da expectativa de vida e a m elhoria nas condições de infra- estrutura básica( 2).
Apesar do envelhecim ento hum ano ser um processo gradual, irreversível e incont rolável de declínio das funções fisiológicas, ele não resulta, necessariam ente, em incapacidade( 3), m as à m edida
que o indivíduo envelhece, as chances de sofrer lesões provocadas por acident es aum ent am( 4).
As quedas são im portantes fatores causais para aum entar o nível de dependência do idoso, tornando-se um a preocupação específica, j á que podem afet ar sua capacidade funcional por estar associada a m odificações anatôm icas atribuídas ao processo natural de envelhecim ento e a diversas patologias( 5).
Nest e cont exto, as lesões causadas por acident es est ão em quint o lugar com o causa de óbit o em pessoas idosas, sendo que as quedas representam cerca de dois terços desses acident es, tornando- se um dos principais previsores de m orbim ortalidade entre essa população( 4), apesar de
sua grande m aioria ser evitável.
A segurança dos idosos deve ser m otivo de preocupação para a sociedade, pois, para essas pessoas, as quedas podem ter repercussões desastrosas, um a vez que idosos com traum as têm perda na sua autonom ia e aum ento da sua dependência, refletindo em acréscim o de trabalho e estresse para o cuidador e fam iliares. Para se prevenirem desses acontecim entos, cuidadores e fam iliares devem se m obilizar em torno de cuidados especiais, adaptando o am biente em que o idoso vive e tendo o cuidado de observar alguns itens de segurança, com o o uso de calçados adequados, tapetes antiderrapantes e disposição da m obília em casa( 6).
A enferm eira deve procurar na sua prát ica com idosos identificar os fatores que influenciam na sua m obilidade, quer sej am eles físicos, psicológicos, sócio- culturais ou am bientais, a fim de que possam realizar suas atividades diárias sem riscos de sofrerem lesões por quedas. Prevenção de quedas é um a situação que envolve cuidadores, fam iliares e profissionais de saúde. Em relação à enferm agem , considera- se que o Risco para quedas representa um diagnóst ico de enferm agem , ist o é, um a sit uação que dem anda int ervenções de enferm agem( 7). A partir da
identificação da clientela suj eita aos riscos para quedas, a enferm eira deve im plem entar ações
visando a dim inuição ou m esm o supressão da ocorrência do fenôm eno.
Com o aum ent o da idade, alguns fat ores biológicos, doenças e m esm o outras causas externas podem influenciar a fase de envelhecim ent o. A queda é um a dent re outras causas externas que trazem m ais problem as aos idosos( 8). Para at uar de form a
preventiva a estes eventos viu- se que seria essencial a utilização de um estudo que identificasse o grau de risco para quedas na população em questão, principalm ente em relação ao equilíbrio, daí a escolha da Escala de risco de quedas de Downt on( 9).
Com isso, obj etivou- se identificar em idosos pertencentes a um grupo específico, a presença dos fatores de risco descritos pela North Am erican Nursing Diagnosis Association ( NANDA) , versão dos anos 2001/ 2002( 7), para o diagnóst ico de
enferm agem “ Risco para quedas” e determ inar o grau de susceptibilidade aum entado para quedas nos idosos, segundo a “ Escala de risco de quedas de Downt on”( 9).
METODOLOGI A
Estudo descritivo, realizado no período de j aneiro a j ulho de 2003 em um centro de saúde de um bairro de Fort aleza/ CE. Seu desenvolvim ent o se deu com vinte e quatro idosos ( idade igual ou superior a 60 anos) , de am bos os sexos. Os m esm os participavam de um grupo de t erceira idade, integrado ao referido centro de saúde, onde realizavam atividades de recreação e trabalhos art esanais, com freqüência sem anal de aproxim adam ent e t rint a idosos.
Participaram do estudo todos aqueles que est avam present es nas reuniões do grupo durant e o período em que foi realizada a coleta de dados e que aceit aram part icipar do m esm o. Tendo em vista que a partir da avaliação do am biente em que o idoso vive, a enferm eira pode saber se est e idoso está ou não vulnerável a sofrer um a queda, neste estudo ut ilizou- se com o inst rum ento de investigação, os fatores de risco apresent ados para o diagnóstico de enferm agem “ Risco para quedas”( 7), j unt am ent e com
um a tabela adotada para pontuação de risco de quedas de Downt on( 9).
O diagnóstico de enferm agem é um poderoso veículo que requer um pensam ento crítico, analítico e acurado para com unicar adequadam ente aos outros os fenôm enos em que se envolve a Enferm agem , conceituado com o um j ulgam ento clínico sobre as respostas do indivíduo, da fam ília ou da com unidade a problem as de saúde/ processos vitais reais ou potenciais( 7).
de m edicam entos, déficit sensorial, estado m ental e deam bulação( 9).
A análise dos dados foi realizada após t abulação dos achados de acordo com o grau de susceptibilidade aum entado para quedas encontrado no grupo avaliado.
Os idosos aceit aram part icipar da pesquisa depois de serem devidam ente esclarecidos sobre os seus obj etivos, assinando o term o de consentim ento pós- inform ado, o qual lhes garantiu o anonim ato e a possibilidade de se desligarem do est udo a qualquer m om ento se assim o desej assem , sem qualquer prej uízo para os m esm os. Além disso, o proj et o foi aprovado pelo Com itê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal do Ceará de acordo com a resolução 196/ 96 com o núm ero de protocolo nº 57/ 03, sobre pesquisa envolvendo seres hum anos( 10)
e a instituição autorizou a realização do estudo em suas dependências.
RESULTADOS E DI SCUSSÃO
Tendo em vista a im portância de fatores de risco com o faixa et ária e sexo para a ocorrência de quedas, buscou- se inicialm ente a relação existente entre o risco para quedas com essas variáveis. Posteriorm ente, de acordo com os obj etivos propost os, foram avaliados conform e os fat ores de risco encontrados para o diagnóstico de enferm agem
“ Risco para quedas”( 7) e segundo a “ Escala de r isco
para quedas”( 9).
Foram entrevistados vinte e quat ro idosos, sendo 20 m ulheres e quatro hom ens, com idade variando entre 61 e 86 anos, distribuídos em três categorias( 11): idoso j ovem ( 60 a 74 anos) , com
dezenove pessoas ( 79,1% ) ; idoso ( 75 a 84 anos) , quatro pessoas ( 16,7% ) ; e idoso velho ( 85 anos ou m ais) , com apenas um a pessoa ( 4,2% ) .
O Brasil, de acordo com proj eções intercensitárias realizadas pelo I BGE at ualm ente, tem aproxim adam ente 16 m ilhões de idosos residentes, representando m ais de 8% da população total e sabe- se que até o ano de 2020, o país terá, em m édia, 16% de sua população na terceira idade( 12).
Percebe- se no grupo avaliado um a m aior predom inância do sexo fem inino. Quando se avaliam grupos inseridos em program as de at enção à saúde, a presença de um a m aioria de m ulheres é m arcant e, pois elas procuram m ais os serviços de saúde e grupos específicos. Essa predom inância do sexo fem inino é ainda m ais notada em grupos de t erceira idade( 11).
O envelhecim ento traz com o conseqüências m ais diretas a m odificação do perfil epidem iológico brasileiro, com crescim ent o significativo das doenças denom inadas crônicas não t ransm issíveis. Ent re elas, a hipertensão ocupa um efetivo espaço no hall das
doenças crônicas com uns ent re os m ais velhos. Não que est a se configure com o um a doença exclusiva
desse grupo, m as é nítida sua m aior incidência nessa client ela, onde no Brasil, em m ais de 50% dos idosos, encont ra- se com grande freqüência a hipertensão arterial( 13). Por cont a disso,
considerou-se im portante caracterizar o grupo estudado de acordo com as doenças m ais presentes.
Foram citadas pelos idosos as doenças diagnosticadas por m édicos e para as quais fazem tratam ento, estando entre elas a hipertensão arterial, relatada por 18 idosos ( 75,0% ) , sendo a m ais freqüente nesse grupo; osteoporose, com três pessoas; labirintite, apresentada por um idoso e diabetes m ellit us, t am bém com um a pessoa.
Apesar das doenças características do envelhecim ent o, os idosos valorizam a procura do bem viver, dem onst ram com port am entos adapt at ivos e possibilidade de m aiores diversões e distrações, com o a perm anência com a fam ília, am igos e a participação em grupos( 14). A enferm agem t em um
grande potencial para trabalhar com grupos e os idosos form am um a parcela da população que aproveit a m uit o bem o convívio em grupos de aut o-aj uda.
Avaliar a susceptibilidade para a ocorrência de queda nos idosos é um a opção viável e adequada por se acreditar que os diagnósticos representam o foco do cuidado de enferm agem .
Um diagnóstico de enferm agem pode ser vigente, tam bém cham ado de atual, de risco, do tipo de saúde ou de síndrom e. O diagnóstico de enferm agem de risco, m odalidade utilizada neste estudo, descreve um j ulgam ento clínico em que um indivíduo/ grupo está m ais vulnerável ao desenvolvim ento de um problem a do que outros na m esm a sit uação ou em situação sim ilar( 7).
O processo de elaboração de um diagnóstico de enferm agem é difícil porque as enferm eiras tentam diagnosticar respostas hum anas, as quais são exclusivas, pois cada ser hum ano é único em sua essência, vive em perm anentes m udanças, portant o, as tentativas de classificação dessas respostas t êm sido trabalhosas( 15). Ressalt a- se, ainda, que os
conhecim entos da enferm eira sobre os sinais e sintom as para os diagnósticos vigentes, os fatores de risco e as possíveis com plicações direcionam a coleta de dados. A seguir serão apresent adas, em form a de tabela, as categorias de fatores de risco encontradas segundo NANDA 2001/ 2002:
Na Tabela 1 estão apresentadas as 28 categorias de fatores de risco do Diagnóstico de Enferm agem Risco para quedas, segundo a NANDA 2001/ 2002( 7).
Tabela 1 : Distribuição da presença dos fatores de risco do diagnóstico “ Risco para quedas” segundo NANDA 2001/ 2002, por sexo. Fortaleza/ CE, 2003.
Cat egorias Fat ores de risco
Sexo
Masculino Fem inino n= 0 5 n= 1 9
FA % FA %
Em adult os
História de quedas 4 80 17 89,5
Uso de cadeiras de rodas - - 1 5,2
I dade > 65 anos 5 100 12 63,1
Morar sozinho 1 20 2 10,5
Uso de artefato de auxílio ( bengala, etc.) - - 5 26,3
Doença vascular - - 3 15,8
Fadiga, m obilidade lim itada - - 3 15,8
I ncontinência urinária 1 20 4 21
Problem as nos pés - - 2 10,5
Mobilidade física prej udicada - - 5 26,3
Equilíbrio prej udicado - - 1 5,3
Dificuldade na m archa 1 20 5 26,3
Fisiológicos
Presença de doença aguda 2 40 5 26,3
Condições pós- operatórias - - 1 5,2
Dificuldades visuais 5 100 18 94,7
Dificuldades audit ivas - - 2 10,5
Hipot ensão ort ost át ica - - 2 10,5
Ausência de sono 1 20 7 36,8
Cognitivos Estado m ent al dim inuído - - 1 5,2
Medicações Anti- hipertensivo 4 80 14 73,7
Out ros - - 8 42,1
Am bient ais
Tapet es pelo chão 2 20 6 31,6
Am bient e com m óveis em excesso - - 5 26,3
Quart o não fam iliar ou pouco ilum inado 4 80 11 57,9
Ausência de m at erial ant iderrapant e 5 100 18 94,7
FA: Freqüência absolut a de idosos
Os fatores de risco com m aior freqüência para am bos os sexos foram : hist ória de quedas ( 87,5% ) ; idade igual ou superior a 65 anos ( 70,8% ) ; dificuldades visuais ( 95,8% ) ; uso de m edicações ( 75% ) ; quarto não fam iliar ou pouco ilum inado ( 62,5% ) e ausência de m at erial ant iderrapant e ( 95,8% ) .
Analisando em separado apenas os idosos do sexo m asculino, foram encontrados os m esm os fat ores, ent ret ant o, quando se refere ao uso de m edicações, tem - se que quase a totalidade desses idosos utilizava especificam ente ant i- hipertensivos, enquanto as m ulheres utilizavam outros m edicam ent os, além dest es.
Os fatores de risco m enos presentes em am bos os sexos foram : m orar sozinho ( 12,5% ) e incontinência urinária ( 20,8% ) . Alguns fatores de risco relacionados pela NANDA( 7) não foram
identificados nos idosos: uso de cadeira de rodas; prótese de m em bro inferior; artrite e uso de álcool.
Analisando os idosos do sexo m asculino, não foram citados: uso de cadeira de rodas; prót ese de m em bro inferior; uso de bengala ou m uleta; doença vascular; fadiga; problem as nos pés; m obilidade
física prej udicada; equilíbrio prej udicado; condições pós- operatórias; dificuldades auditivas; artrite; hipotensão ortostática; estado m ental dim inuído; uso de m edicam entos que não fossem anti- hipertensivos; uso de álcool; am biente com m óveis em excesso. Já entre as idosas, apenas três fatores de risco não foram encontrados: prótese de m em bro inferior; artrite e uso de álcool.
As quedas em indivíduos acim a dos 60 anos são tão freqüent es que há m uito tem po são aceitas com o efeitos “ naturais” do envelhecim ento. Tal observação repousa no fato que pelo m enos 30% dos idosos no Brasil sofrem um episódio de queda por ano, sendo que as m ulheres têm um a freqüência de quedas um pouco m ais elevada que os hom ens da m esm a faixa et ária. Os idosos na faixa ent re 75 e 84 anos que necessitam de auxílio em algum as atividades da vida diária t êm probabilidade de sofrer queda aum ent ada em 14 vezes( 16).
quedas presente na população idosa.
Em est udo realizado no ano de 2000, os aut ores que investigavam a história de quedas ( local de ocorrência, causas e conseqüências) referidas por idosos da cidade de Ribeirão Preto, identificaram que 54% das quedas tinham com o causa principal um am biente inadequado para o idoso( 17).
Os profissionais ao orient arem o idoso, devem apresent ar as possibilidades de risco a que estes estão suj eitos, encoraj ar a adapt ação do am bient e,
solicit ando sua part icipação. I st o faz com que est es percebam as necessidades e façam opções para tornar o am biente seguro e confortável, principalm ente, àqueles que apresent am dificuldade para andar, ut ilizam bengala, m uletas, cadeira de rodas e necessitam de pessoas para transferi- los de um lado para o out ro. É im port ant e lem brar que o espaço em que o idoso vive e se m ovim enta deve ficar m ais livre possível de m óveis e ut ensílios que possam causar ferim ent os( 5).
Tabela 2 : Dist ribuição dos idosos de acordo com as pont uações encontradas segundo sexo e a “ Escala de risco de quedas de Downt on” . Fort aleza/ CE, 2003.
Fat ores de risco
Sexo
Masculino Fem inino
FA Pont uação FA Pont uação
Quedas anteriores 3 1 9 1
Dificuldade visual 1 1 5 1
Dificuldade auditiva - - 1 1
Uso de tranqüilizantes/ sedativos 1 1 3 1
Uso de hipotensor 3 1 14 1
Est ado m ent al confuso - - 1 1
Deam bulação insegura com aj uda ( bengala) 1 1 3 1
Dificuldade na m archa 1 1 3 1
FA: Freqüência absolut a de idosos
É preciso est ar claro que a queda é um evento real na vida dos idosos e traz a eles m uitas conseqüências, às vezes irreparáveis, e que a incapacidade para realizar atividades da vida diária pode trazer, a longo prazo, conseqüências não só para os idosos m as t am bém para a fam ília e para os serviços de saúde, que precisam se m obilizar para o t rat am ent o e recuperação do idoso. Para m inim izar as conseqüências e reduzir danos aos idosos provocados pelas quedas, torna- se necessário investir em cam panhas que envolvam a prevenção destes acidentes entre os m esm os. Faz- se necessário m anter um m eio de com unicação eficaz que facilite a com preensão e estim ule sua prática e que torne o idoso e sua fam ília participantes ativos do processo de prom oção de sua saúde( 18).
Com a aplicação da “ Escala de risco de quedas”( 9) foi calculado o grau de suscetibilidade para
quedas, no grupo avaliado. No estudo aplicou- se a escala a partir dos fatores de risco para o diagnóstico de enferm agem “ Risco para quedas”( 7).
Foram distribuídas as categorias de pontuações encontradas de acordo com o sexo. Totalizaram dez cat egorias associadas e duas cat egorias isoladas.
Para o sexo m asculino, foram encont rados dois grupos de fat ores associados. A pont uação variou de um a quat ro pont os:
x Quedas ant eriores + Dificuldade na m archa + Dificuldade visual + Uso de hipotensores ( totalizando 4 pontos) : um idoso.
x Quedas anteriores + Dificuldade visual + Uso de hipot ensores ( 3 pont os) : t rês idosos.
O único fator encontrado isoladam ente foi a dificuldade visual presente em um idoso.
Para o sexo fem inino foram encont rados dez fatores associados e um fator isolado. Os grupos de fatores associados que apresent aram m aior pont uação foram :
x Quedas anteriores + Dificuldade visual + Uso de hipotensores + Uso de tranqüilizantes/ sedativos + Deam bulação insegura com aj uda ( bengala) + Estado m ental confuso ( seis pontos) : Um a idosa.
x Quedas ant eriores + Dificuldade visual + Dificuldade auditiva + Deam bulação insegura com aj uda ( bengala) + Uso de hipotensores ( cinco pont os) : Duas idosas.
A m enor pontuação encontrada foi de um pont o ( um a idosa) com o fat or “ Quedas ant eriores” . Apenas um a categoria não foi identificada de form a isolada nas idosas avaliadas: dificuldade visual.
Os fatores am bientais são os que proporcionam m aior risco de queda e, quando associados a características físicas dos indivíduos, são ainda m ais agravant es. Quando exist e o com prom et im ent o, as atividades físicas significam não som ente prej uízo no equilíbrio em si, que seria o fator prim ordial no com prom et im ent o das at ividades inst rum ent ais, com o tam bém lim itações da força m uscular, da m obilidade e da m archa. Por isso, nas situações de assistência a saúde, estes fatores devem sem pre ser avaliados( 18).
2004 pret endeu identificar variáveis contribuintes para a alta freqüência de quedas entre os idosos a partir de diagnósticos de enferm agem . Foi verificada associação entre a ocorrência do evento e a perda de equilíbrio, a pressão arterial elevada e fraqueza m uscular, além de que os idosos que faziam uso de quatro ou m ais drogas apresentaram história de quedas em m aiores proporções( 19). Tais fat os
corroboram os achados no presente est udo, j á que as m aiores pontuações encontradas em nossos idosos apresent avam associação de pelo m enos dois fat ores sem elhant es ao do est udo ant eriorm ent e com ent ado.
Dentre as alterações fisiológicas m ais observadas no estudo encontram - se as oculares e as auditivas, com uns nos idosos, as quais som adas às alterações relacionadas ao envelhecim ento acabam reduzindo sua autonom ia e independência, ocasionando prej uízos na sua qualidade de vida.
O envelhecim ento ocular experim enta alterações que podem afetar adversam ente a visão. Qualquer alt eração nessa função pode aum ent ar o risco de quedas caso algum obj eto sobre o chão não sej a visualm ente detect ado. O envelhecim ento tam bém é acom panhado por presbiacusia, um a perda neuro-sensorial da audição, que afeta a habilidade de detectar ruídos( 20).
É sabido que o risco para quedas aum enta proporcionalm ente com o núm ero de fatores de risco, por ser um evento que dificilm ente é resultado de um fator isolado. Daí a im portância da enferm agem agir prevent ivam ente em relação às quedas em idosos, procurando atuar sobre a m aior quant idade possível desses fatores.
CON CLUSÃO
O processo de envelhecim ento provoca inúm eras alt erações no organism o hum ano, podendo levar o indivíduo a sofrer m udanças no seu cotidiano, com o por exem plo, aum ento da possibilidade de sofrer quedas que levam os idosos a tornarem - se m ais dependent es de aj uda para realizar as atividades de vida diária.
Observou- se no est udo que os dois instrum entais utilizados para abordagem com os idosos que as quedas podem ser consideradas com o fat ores significativos de alert a com a população idosa, a fim de evitar seqüelas físicas e até m esm o em ocionais decorrentes desses eventos.
No estudo surgiram questionam entos sobre o am biente em que o idoso vive para identificar se existem riscos para quedas envolvidos. Observou- se que foram relatados pelos idosos alguns problem as com o am bient e, os quais podem propiciar as quedas. No entanto, acredita- se que este pont o sej a um fator lim itante para o estudo, pois, não foram realizadas visitas às residências dos idosos para confirm ação das falas, assim , com o envolver t am bém os cuidadores nest e processo.
Todos os vinte e quatro idosos apresentaram fatores de risco para o diagnóstico de enferm agem “ Risco para quedas” . Um dos fatores m ais present es foi a idade superior a 65 anos, o que j á torna o idoso susceptível a quedas independente da presença de out ros fat ores de risco. Além dest e, foram identificados diversos outros fatores interdependentes, fazendo aum entar o grau de susceptibilidade para sofrer quedas dem onstrando a im portância da avaliação de enferm agem com o um t odo.
Com isso, pode- se sugerir que os profissionais de saúde devem orient ar os idosos a adot ar at it udes saudáveis que podem prevenir as quedas. Algum as dessas atit udes podem ser elencadas com o: realização de atividade física regular, consultas para avaliação dos níveis de pressão art erial e uso de m edicam entos e os cuidados com o am biente em que o idoso vive.
O idoso necessita de atenção, cuidado, incentivo e valorização da sua história de vida. O enferm eiro, com o m em bro da equipe de saúde deve desenvolver, aprim orar e socializar cuidados clínicos e estratégias para m elhor atendim ento às necessidades bio- psico-sociais dessa faixa etária, onde o envelhecim ento saudável não deve fazer parte som ente das preocupações do setor saúde; deve ser incluída com o prioridade na agenda social do país.
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Artigo recebido em 01.02.08