• Nenhum resultado encontrado

O significado do cuidado do paciente com aids uma perspectiva de compreensão.

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2017

Share "O significado do cuidado do paciente com aids uma perspectiva de compreensão."

Copied!
12
0
0

Texto

(1)

o

S I G N I FICADO DO C U I DADO DO PACIE NTE C O M AIDS

U MA PERSPECTIVA D E COMP R E E NSÃO *

Dorotea Erica Dresler ** Magali Roseira Boeer ***

R E S U MO -Os autores se propõe a desvelar facetas do sig nificado do cuidado ao pa ­ ciente com A I DS, aos ol hos dos funcioná rios do Serviço de E nfermagem que cu idam do paciente. Para tanto, recorrem a uma metodolog ia de pesquisa qualitativa - a i n ­ vestigação fenomenológica - que l hes permita o acesso a esse objeto d e estudo, à sua essência. Desta forma, são coletados depoimentos de funcionários de uma Clfnica de Moléstias I nfecto-Contag iosas de u m Hospital Gera l E scola, m ediante a qu estão orientadora

"0

que significa para você o cuidado com A I DS ?" Os depoimentos foram a na lisados segu ndo suas convergências de acordo co m os passos da pesqu isa feno ­ menológica e, a pa rti r delas, foram elaboradas as u n idades significativas que expres­ sam a essência dq significado desse cuidado. os resu ltados mostram o desvelamento de facetas importa ntes ligadas ao cuidado do paciente com A I DS, tais como o risco e o medo que permeiam o cotidiano de trabalho desses fu ncioná rios, o desconforto gera ­ d o pela necessidade d o uso de vários pa râmentos para a execução d a s técnicas, bem como toda a dificu ldade que sentem no lidar com paciente percebido por eles como "d iffcil". S u rgem ai nda facetas fundamenta is verbalizadas por eles como a opção pes­ soa l pa ra presta r o cuidado, associada à necessidade de prepa ro, va lorização e reco­ nhecimento. N a opinião dos a utores, o desvelamento dessas facetas se constitu i em novos cam inhos pa ra a assistência de enfermagem ao pacienté com A I D S na m edida em que contem pla a essência do cuidado aos olhos de quem o presta, em sua situcio­ nalidade.

ABSTRACT -The objective of the present study was to cla rify the differents aspects of the meaning of care for patients with A I DS as seen by n u rsing em ployees who provide this ca re. The resea rch m ethodology used has been a qualitative one -phenomenologic investigation - that would permit access to this topic of study and to its essence. Thus, statements we re o btai ned from the employees of a Clinic fo r I nfectious - Conta gious Diseases of a Genera l Teachi n g Hospita l i n response to the followi ng q u iding question: "What does it mean to vou to care for a patient wh ith A I DS ? The statements were analyzed according to thei r convergencies using the steps of phenomenologic resea rch, and the significant u n its that express the essence of the meaning of this ca re were ela borated trom them. The resu lts led the classification of ip potant aspects related to the ca re fo r the patients with A I DS, such as the risk a n ' fea r that permeat t h e daily wo rk routine o f these employees, the disconfot generated by the need using severa l pa rameters fo r the execution of the tech niques, and the difficu lty they experience i n dealing with patients that a re perceived by them as "difficu lt" ones. Fu ndamental aspects have been also verba lized by the employees, such as a persona l option to ca re for these patients, associated with the need for prepa ration, appreciation and recognition. In the author's opinion, the classification of these aspects opens new mea ns fo r nursi ng care to patients with A I D S by contemplating the essence of ca re as seen by those who provide it, i n its situationality.

* Prêmio Wanda de Aguiar Hota - 1 � Lugar - 42� Congeso Brasileio de Enfemagm - Natal-RN

* * Enfemeira Chefe da Unidade de Ineação Molésis Infcto - Conagioss do Hospial s Clnics da Faculdades de Me­ dicina de Rieirão Preto - USP - COREn SP 8486

* * * Profesor Aciado da Ecola de Enfemagem de Ribeirão Preto - USP - COREn SP 633 1

(2)

1 INTRODUÇÃO

o primeiro rconhecimento oicial de uma nova dença foi publicado no "Mortality nd Morb

.idity Weekly Report", o diáio oicil do Center for Dlsea­ se Control (CDC) do Serviço de Saúde dos Estados Unidos, em 1981, confome elata P ASTERN AK 1 9:

Após essa publicação, vários simósios a reseIto do assunto form reazdos e a parir dí foi dado o nome para essa dença: AIDS (Syndome de Immu­ nodeicience Acque).

Segundo BOMTEMPO' "AIDS, como pronúncia ou dita de qulquer modo, é um conjunto de letras que no moento vem se tonndo bstnte fr e é so­ prada com muita ngúsia ••.orque mata". AIDS em inglês soa como ajuda, um bom nome pra uma doença que certmente ajuda para quem a tem, cuja tradução fonéica é "ElOS", no inglês flado nos Estdos Uni­ dos, confome lembra PASTERNAK19 e significa a preença de dença ndica

va de

unidade c�lul� e a auência de causas conhcIds de liunodeiclêncla ou perda de resistência.

Confome Manul da Secrearia de Saúde - São Paulo**** os mecanismos de transmissão do virus HIV (Human Immunodeicience Virus) resonsável pela AIDS são os que deendem do sangue ou deriva­ dos e do relacionamento sexual, através do espema e da secrção vaginl. Outro mecanismo de transmissão refere-se à amamentação de mulher infectada e também à infcção cidental de essoas por meio de agulhs e seringas que contém o sangue com o HIV, sobretudo em aividades proissionais na áea da saú­ de.

Verifica-se a preença do HIV no sangue, eser­ ma, secreção vaginal, saliva, leite, suor, linfo��os, sistema nervoso centrl, líquido céfalo-rquldlano, medula 6ssea e no lavado de secreção bronco-lveolar. Em nc6psis foi encontrado o HIV em vários 6rgãos.

Diante desses conhcimentos, é lícito temer que contatos com tais luídos ou tcidos ejam otencial­ mente rcados. Acredir em provável risco é com­ prensível, ainda que rigor cientíico seja indisensá­ vel no sentido de provar lgo apenas suseitado.

É imortante acrecentar que fômites, convívio socil ou em ambientes de trabalho e uso de utenslios pesois, desde que respeitads s noms higiênicas fundamentis, não possibilitm infcção pelo HIV.

VERONESI e FOCACCIA21 refeem que está demonstado estatsicmente que o proissional de saúde core o maior isco de contágio que outros pro­ issionis. Feizmente, todavia, o conáio acidental é relativamente raro entre os proissionais de saúde, desde que adotem as recomendações esecicas para prevenção de tis acidentes. _

LIMA 11 refere também que um grande poblema no tratamento desses enfermos é o que concene à equie que tem contato direto com eles, pincipalmen­ te essoal pmdico. Relata que às vezes exmes como eletocardiograma e endoscopia deixm de ser rezados devido ao temor em tocar nos pacientes. Na realidade não está provado que lgum trabalhador da área de saúde que ida com esses enfemos tenha con­ traído a dença por contato, no entanto, deve usar

gorro, máscara, luvs, enffi, toar s devidas pre­ cauções.

Esse autor continua relatando a imporância do esclarecimento púbico, pinciplmente do esol de saúde, que se mostra temeroso de idr com os doentes e que já tem chegado a provocar abentesmo e esmo abandono de emptegos em hospitis.

PRA TP o relata fatos ocorridos na Inglatera em 1984, qundo houve aumento do número de csos de AIDS, levndo os proissionais de saúde e um estado de confusão e temor. Refere também que o cuidado deses pacientes durante s vinte e quatro hors do dia era de resonsabidade preponderante das enfemei­ ras, que começarm a icar envolvidas frquentemente pela ansiedade e mesmo hostidade da equie subl­ tena: as funcionárias da impeza rcusavam-se a de­ sinfetr o quarto desses pacientes, as coeirs dclina­ vam-se a servir as bandeijas de refeição, os orteiros negavm-e a colaborar no transpote desses pcien­ tes.

LACAZlO refere que a AIDS touxe à tona o medo e o pânico, levando à alterações significaivs ds interaçes interessoais no contexto ocil em que vivemos. Vem, sobretudo, modiicando comporta­ mentos, traendo à tona preconceitos.

PASTERNAK19 relata que a AIDS traz poble­ mas que não são propriamente oignais para os po­ fiSsionis que cuidm de doentes graves; doenças com pogn6stico fatal que acaba envolvendo emocionl­ mente os prestadores de serviços de saúde. Surgirm diiculdades que precisam ser francmente discuids e, ao lado do tratamento dos problems emcionis dos pacientes e de suas fis, deveria ser ofercido algum tipo de aoio psicol6gico ao pessoal médico e de enfermagem que lida com as complicações progres­ sivs do dente com AIDS.

PASTERNAK19 inda refere que a primeira coi­ sa que o paciente com AIDS sente é a perda da liber­ dade essoal e a um desaparecimento súbito dos ami­ gos, parentes e dos companheiros. De repente, o dente está s6, e seus contatos humanos psm a ser feitos quae exclusivmente com o pessoal que o aten­ de, estreitamento seu mundo.

Esse mundo muito pequeno, centrado no hospital, na dença, nos emédios e nas flutuaçes de seus sin­ toms, acaba envolvendo os médicos e a enfemagem, eseciicmente esta última.

Tudo isso é feito por gente sobrcarregada, com trablho braçal a ser excutado, medicção para er' dada, veias para serem pegas e l e uma coiss. Não é de admrar que a enfemeira fique exausta na presença desses pcientes, e também que muitas essoas dessa área eçam para sir dela, decorido lgum tempo. É o que o meicano chama de "buned-out", qundo a carga emocional tona-se demasiado esada para o pessoal que atua nessas áreas críicas.

Segundo PASTERNAK19 a enfemaem não de­ veria icar mais que 2 a 4 anos no atendimento dese ipo de pciente. Além disso, a fa do essoal de enfemagem que cuida de pcientes com AIDS, tamém tem seus problemas e temores achndo que vão se continr. .

Das denças como a AIDS, decorem atos e comportmentos, fenÔmenos sciis, medos e idéias que são respostas a ese acaso e que vão levar a um mundo difeente, onde se viverá com a AIDS. O

im-**** Mnl -AIDS - Secretaria da Saide do Esado de São Paulo - Edição pela Federção de Obs Sciais - Hospil s CIr­ ics da Faculdade de Medicina - USP - Projeto AIDSIUSP, 1988

(3)

porante é não. viver num mundo fechado e mesqui­ nho, s6 orque existe a AIDS; essa luta deve ser ini­ ciada e levada em frente por todos aqueles que querem viver num mundo pra transformá-lo, e nesse enido a AIDS não e s6 um problema a ser resolvido por cientists biol6gicos num contexto purmente técnico.

PRA I20 refere que o igo não é somente o víus da AIDS (HIV), mas iguanente o medo, a ig­ norância e o preconceito.

As obervações desses autores nos remeterm à literatura de enfemagem para apreendemos nessa li­ teratura como os profSsionais enfemeiros esão ven­ do e tratndo das questes atinentes à ssistência de emfemagem a portadores de AIDS.

MENEGHIN1 6 refere que é imortante que o en­ femeiro esteja atuizado, acompanhe o desenvolvi­ mento das esquisas e dessa foma se conscientize so­ bre sus ossibiidades para atender o pciente. Refe­ re-se tmbém à ncessidade de conhcimentos sobre a sexualidade humana e a eaidade da morte eminente, gerhnente cercados de tabus e preconceitos, quando se dise a prestar assistência aos idéticos.

MORIYA e cols1 7, ao abordarem a questão do isolmento em doenças transmissíveis, referem-se que as quato paredes da unidade de isolmento, as portas sempre fechads, s janelas teladas e a poibição de sair da unidade, constituiem uma barreira que diiculta a elação scial do paciente com o mundo exterior. Tmbém o mesmo ocore com a Enfemagem, ois ela acaba sendo visa de modo espcil, odendo icar iso­ lada dos demais membos do hospitl.

As dençs exuanente transmissíveis, segundo OLIVEIRA e cols 1 6 , trazem consigo um estigma hist6ico, vinculado à prosituição, à marginalização e dençs oriináris do ecado. Estes prconceitos e abus acarretam sérios problemas psicossocais, levan­ do os indivíduos a se ocultarem, a fn de não serem ideniicados ela sciedade, nem alvos de curiosidade ou rejeição popular.

BERGAMO e cols2 preocupados com a dissemi­ nação da AIDS, eaizaram um estudo sobre pocedi­ mentos técnico-básicos na prevenção da AIDS num cento cirúrico, concluindo pela imortância da cons­ cienzação dos poissionis em relação à execução de técnicas peconizadas pra prevenção desta doença, em relação a materil, mbiente e cuidados com as mãos.

DESSUNP, em estudo sobre perceção de alu­ nos e equie de enfemagem em relação ao paciente com suspeita ou diagn6stico de AIDS , conclui que os lunos e equipe de enfemagem apresentaram mdo, receio, ena, censua (homossexus e drogados) e in­ segurança no atendimento aos pacientes com AIDS.

GIR7 realizou um estudo sobre interação verbal entre a quie de Enfemagem e pacientes aidéicos, no mesmo locl em que esmos rando o presente trablho e detctou que o auxiliar de enfemagem foi o eleento da quie que pemaneceu ms tempo junto ao paciente, seguido ela enfemeira e atendente de enfemagem; o auxiiar e a enfemeira dispensarm mior tempo junto aos pacientes em estado regular e/ou grave e o atendente junto aos que se apresenta­ vam num melhor estado.

MACIEL 1 3 em estudo sobre proosta da As­ sistência de Enfemagem ealizado entre os enfemei­ ros fente ao paciente com AIDS, saliena a

importân-72 R. Bs. Enfem., Bsnia, 4 ( 1): 70- 8 1 , jnJmr. 1 9 1

cia de e bucar dretrizes para a assistência de enfer­ magem e de estimular a prticipação cieníica do en­ femeiro junto à equie muliproflSsional e conribuir com uma. proosta para a ssistência de enfemagem a eses pacienes.

o levantmento reado, vemos que a literatu­ ra de enfemagem tem traado ouco do assunto e que são poucs as publicações sobre a assistência de en­ femagem esecíica a portadores de AIDS, confir­ mando as observações de MENEGHIN 1 ••

Assim é que evisamos quatro ei6dicos de en­ femagem (Revista Brsileira de Enfemagem, Revista da Escola de Enfemagem da USP, Revista Gaúcha de Enfemagem e Revista Paulista de Enfemagem) nos anos de

1985

a

1989,

bem como um peri6dico de cará­ ter mis gerl (Revista Pauista de Hospitl) e um es­ pcico (Jonl Brasileiro de Psiquiatria) no mesmo

peri6dico. . .

Essa revisão nos ermitiu locr um total de oi­ �na e .uma evistas referentes a eses arigos nos úl­ imos cmco anos, onde encontrmos apens nove ari­ gos que tratavam do tema da AIDS sob alguma ers­ peciva, ou então, de foma mis gerl, de doenças transmissíveis ou ainda exulmente transssíveis.

Em sete cãtIogos do CEPEn (Vol. I, 11, 111, IV ,V, VI, e VIII) encontramos a eferencia de so­ mente um trablho relcionado à AIDS e Doenças Se­ xuanente Transmissíveis.

Desta foma, a consulta à literatura, e por um la­ do não resondeu aos nossos quesionamentos, or outro nos animou a prosseguir nesse estudo, na busca de esostas à lgumas situações que temos vivencia­ do.

Enqunto enfemeira-chefe da Unidade de Inter­ nção da Clnica de Moléstias Infcto-Contagios, temos obervado um número cescente e acentuado do número de casos de AIDS que necessitam de inter­ nação e sempre em estado grave; surgiram os csos de criançs hemolicas, os tlhos de mes infectads e os que adquirirm AIDS or transmissão.

Desde fevereiro de

1986

estamos atendendo aos indivíduos portadores de AIDS e, enqunto responsá­ vel ela qualidade de ssistência de enfemagem pes­ tada aos mesmos, obervando o que se passava junto deles e tmbém o que estava acontecendo aos presta­ dors de serviços (enfemeiros, técnicos de enfema­ gem, auxilires de enfemagem e atendentes), temos visto fatos inusitados, s como:

- Precupação constnte de qunto tempo cada um pence junto ao paciente;

- Quesionmentos feitos or esse essoal sobre a possibilidde do tratamento do paciente com AIDS ser eizado em seu domiclio;

- Inquietação quando a fllia do paciente o re­ jeitava, não tendo para onde r, obigando-o a icar hospido;

- Distribuição em rodzio das colheits de angue ou punçes venosas entre todos; (exceto o aten­ dente, a quem não é atribuída tal função) - Verbalização de cansaço;

- Pedidos de licençs-saúde e aumento dos aci-dentes de trablho;

(4)

Esses fatos nos pcupam quanto

à

qulidade de

assistência que estava sendo ofecida aos ortadores

de AIDS durnte sua intenação. Como responsável

pelo setor amém estávmos vivenciando tais ques­

ionmentos, propondo-nos inclusive a entrar no rodí­

zio pra divisão ds colheitas de sngue e excutando

tarefas diretas ao lado do paciente, quando já nos en­

conrávmos dentro da enfenaria.

Procurmos então, lém de busca de conhecimen­

tos através de leituras de textos referentes

à

AIDS,

paricipar de cursos e encontros que pudessem clarear

toda essa situação, desta forma foi gratiicante para

nós paricipar de um encontro sobe pesquisa qualita­

iva em enfenagem*, onde vislumbamos o caminho

a ser ercorrido, buscando novos horizontes.

Pudemos, então, claear que dado o objeivo de

nosso estudo - as essoas do Serviço de Enfenagem

que prestam cuidado ao paciente com AIDS - seria

necessário uma condução metodológica que permiisse

o acesso a essas pessos naquilo que representa para

els o cuiddo a esse pciente, com toda a gma de

senimentos, emoções, medos e tabus.

Desta forma, a invesigação fenomenológica en­

qunto modidde da esquisa qulitativa se nos

apesentou como a altenativa metodológica que nos

possibiitaria o desvelmento do signiicado do cuida­

do ao paciente com AIDS, aos olhos de quem presta

esse cuiddo - os atendentes, auxilires, técnicos de

enfenagem e enfeneiros - visando aprender a

essência desse signiicado.

2 -

METODOLOG IA

o

estudo foi do segundo a metodologia de

invesigção fenomenológica com a inalidade de co­

nhecer o signiicado do cuidar do paciente com AIDS,

aos olhos do essoal de enfenagem que pesta ese

cuidado.

Em sua proposta de desvelamento de um fenÔme­

no, o referencil da fenomenologia irá e preocupar

com a esência deste fenÔmeno, naquilo que se mostra

como esencial. Desta fona, chegr

à

essência impi­

ca em apontar para aquilo que o fenÔmeno é.

Uma invesigação conduzida sob a metodologia

fenomenológica

a

se preocupar em estudar o fenÔ­

meno situado, tl como ele se apresenta aos olhos de

qum exeriência a situação. Para tanto, a subjeivida­

de é fundmental para ese método na medida em que

a fenoenologia se peocupa com a ciênca do vivido

e os signiicados eão atibuídos pelo sujeito que vive

a exeriência.

Sob esta persciva, o sigiicado do cuidr com

o paciente com AIDS deverá er bucado nos sujeitos

que rem esse cuidado, ou seja, os funcionáios do

Serviço de Enfenagem por seem eles os que viven­

cim esse cuidr. Através do eu logus, da sua fla é

possível chegar ao signiicado dessa experiência na

medida em que a fa revela parte do SER do homem.

Assim para que o fenÔmeno situado "estar cui­

dndo de um pciente com AIDS", num contexto

hospitlar pudesse mostrar-se a nós, e desvelando,

era ncessário buscar nas flas dos funcionáios que

dele cuidm, o signiicado desse exerienciar.

Elabormos então a questão orientadora "O que

signiica para você o cuidar do pciente com AIDS

?"

para ser poosta a cada um dos funcionários de for­

ma a lhe ossiblitar eu depoimento.

O Local e os Sugeitos da Pesquisa

O estudo foi planejado pelas autoras para ser rea­

iado na Unidade de Intenação de Moléstis Infec­

to-Contagioss do Hospitl ds Clfnicas da Faculdade

de Medicina de Ribeirão Preto - USP. Aós enci­

nhento

à

Comisão de Éica do hospital, o projeto

meeceu aprovação.

Os depoimentos form coletados no período de

02

de março a

09

de abrl de

1 990

e abrangeu todos os

.

funcionários que atuam nessa Unidde (enfeneiros,

técnicos, auxires e atendentes de enfenagem) bem

como enfeneirs e diretora de serviço de Cfnica

Médica que, como já expusemos, ssumem tmbém

funções nessa Unidade.

Coleta de Depoimentos

Enquanto enfenera-chefe da Unidade, comuni­

camos durante as passagens de plantão nossa intenção

de rr um estudo para o qual seia importante a

colaoração de todos.

Disemos que o objetivo era conhecer como esta­

vam vendo o cuidado ao paciente com AIDS, o signi­

icado para eles, com vistas

à

compreensão desa

visão. Explicmos também que a participação voluntá­

ria, que o depoimento teria caráter conidencial, não

haveria necessidade de identiicação e absolutmente

não seria usado julgamento ou censura.

Solicitamos inda que aqueles que se dispusesem

em participr que dclarasem, or ecito, que o esta­

vam faendo de live e espontnea vontade, atendendo

assim

à ecomendção que nos foi feita ela Comissão

de Éica do Hospitl.

Todos os funcionários se dispuseram em colabo­

rar com entusiasmo e ssim, mediante encontros indi­

viduis, fomos oientando para que dessem o seu de­

pomento.

Foi entegue uma folha de papel sulite onde ha­

via a questão orientadora.

"O que signiica para você o cuidar de um pa­

ciene com AIDS

?"

Como as atividades são frequentemente intens

na área, eserávamos um momento de pausa entre es­

sas atividdes, falávamos com cada um e entregáva­

mos a folha de papel onde ele ria esonder, odendo

levr para csa mas com a orientação que nos entre­

gasse em outro momento.

Não houve rcusa de

nenhum dos elementos,

aenas deixou de participar quem estava de féias, i­

cença-saúde e icença por cidente de trablho.

Foram coletados trinta e cinco depoimentos.

Leitura e Análise dos Depoimentos

Buscmos na leitura dos depoimentos as suas

convergências, ao invarinte, ou seja, aquilo que e

apesentava com a característica de eeiividade. Es­

se nvariante está apontando pra aquilo que é, ou seja,

a esência no pensar fenomenolóico.

Esa leitura com visits

à

aprensão das con­

vergêncs e elaboração das unidades signicativs

* I Enono lntemericano de Pequia Quiiaiva em Enfemagem, São Paulo, 22 a 26 de feveeio de 1 988

(5)

L

foi da egundo os psos da etologia fenome­

·nol6ica confone prconzam MARTINS &

BICU­

DO" e MARTINS e cols1 6;

- O pequisador detém-se na leitura da des­

crição do princípio ao

ro

em bucar inda

qulquer interpetação ou ideniicção de

qulquer atibuto ou elemento, a

ro

de che­

gar a um senido gerl do que está escrito;

- No momento em que um enido foi obtido,

o pesquiador volta ao início e lê novmente

I

o exto, agora tentando atavés das con­

vergências aprender unidades de signiica­

do, dentro da sua erseciva e focndo o

fenÔeno que está sendo pesquiado;

- Ap6s obter unidades de signiicado, o pes­

quisdor ercorre todas as unidades idenii­

cadas e expressa o signiicado conido nelas;

isto é pariculmente verddeiro para s

unidades que são mais reveladores do fenÔ­

meno considerado;

- Finlmente o pesquisador sinteiza todas as

uiddes de signiicdo para chegar a uma

estrutura do fenÔmeno.

Desta foma, a anie dos depoimentos dos fun­

cionários da clnica do estudo nos ossiblitou chegar

s

unidades que expressm a esênca do signiicdo

do cuidar do pciente com AIDS.

3 -

APRESENTAÇÃO E ANÁLI SE

DOS RESULTADOS

A análise dos depoimentos de trnta e cinco fun­

cionários sobre o signiicado do cuidar do paciente

com AIDS, nos permite observr que há convergên­

cias ente eus conteúdos, ou seja, asectos considera­

dos relevanes por eles no que se refere a ese cuida­

do. Esss convergências possibilim-nos alguns des­

velaento desse signiicado de fona que podemos, a

par de sus falas compreender o seu cotidiano de

trablho.

Desta fona, a anáse compeensiva dos deoi­

mentos nos revela que, aos olhos dos funcionários, o

cuiddo do paciente com AIDS se mostra como: .

Uma atividade de Enfemagem que deve ser feita com muito rigor, c uidado e aenção onde qulquer descuido

d

e levr a essoa a e

contminar e se tomr um d�nte mém.

As fls dos funcionários evidencim de fona marcante

a sua ercepção de que corem risco ao

prestar o cuidado:

"Corro isco de adquirir esa doença"

"Toda atenção é edobrada"

"O

isco de coninação existe em cada

movmento dos possionais"

"Devemos nos prcaver para evitr uma

possível connação"

"Corro o risco de me conminr aciden­

mente"

"Esmos sujeitos a qualquer ipo de is­

cou

"O fansma da contaminação é muito

grnde"

Um olhar atento para s aividades deemenha­

das or esses poissionais nos emite visulizar a

razão de sus perceçes de que correm risco.

74 R. Bs. Enfen., Bsiia, 4 ( 1); 70-8 1 , jMJmr. 1 99 1

Qundo emos ciência, na cnica, que o vrus

HIV foi detcado nos vios luídos orgânicos, vemos

que o manuseio com eses luídos é frequente, desde

muis punções venos para dminisrção de medi­

cmentos (os nibi6icos não odem er feitos na

mesma hoa e

s

vees nem no mesmo lcl) até co­

lheitas de sngue, liquor, uina, fees, escarro,

punções de medula, bi6psia.

Ese mnueio acontece tmbém na trca de frl­

das e na desinfecção de uina e fezes pois gerlmente

o pciente apreena diaéia.

Desde que os idéicos são atendidos neste lcl,

observamos aumento da incidência de cidentes de

trablho por motivos insignificantes, ms que, a6s o

comunicado de cidente de trablho, os poissionis

form seguidos no mesmo mbulat6rio que os aidéi­

cos, havendo igor quanto a data das colheits paa a

pesquia de ani-HIV.

Todo o grupo tomou conhcimento desses fatos

paa se tomar mdids no enido de e evir tis aci­

dentes. Esses, gerarm um clima de ansiedade! pois,

lém de os proissionais de saóde que lidam com os

idéicos serem considerdos como gruo de risco,

havia a incerteza e execaiva de o exme dr osii­

vo em qulquer momento ds colheits.

No início, o resultado do exme pa ani-HIV

era impresso como "osiivo" ou "negativo". Poste­

rionene, o resultado era impesso em níveis de itu­

lagem e níveis de "cut-off'. Dessa foma, aumentou a

intranqulidade quando o poissional acidentado po­

curava ver o resulado e não entendia, julgndo que se

estava escondendo lgo dele, sendo difícil ceitar o es­

clarcimento obre esta fona de resultado.

Tl clima fez com que lguns proissionais econ­

dessem ou não izesem o comunicado oicil de aci­

dente de trablho sofrim uma picada com agulha

contaminada pa evitar s

dissaboes ms, era certo

que eles faziam a desinfcção do local coretmente.

Outro dado expessivo de que o pofissional ente

que core o risco e teme o contágio surge sob a foma

de críica

à

equie médica no que se refee ao

diagn6sico imediato, solicitando a esquisa de ani­

HIV:

"O que mis me procupa, no entanto, é

o comortmento dos médicos, que

pimeiro edem todos os ipos de exa­

mes

a

deois edir o HIV".

"

. • .

S6 liberndo o isolmento quando

iver certeza do resultado negativo, nes­

te cso outros pacientes que icam jun­

tos na mesma enfenaria mbém estão

corendo rico"

"os médicos intenm o paciente e de­

mora

a

colher o ani-HIV; primeiro

colhem todos os tipos de angue, menos

o que teria que ser prmeiro lugar:

HIV"

(6)

mdica.

Outro fato interessante é que, mesmo qundo ela tem a certeza de que o pciente ertence ao gruo de risco e com o resultado negaivo de anti-HIV, as pre­ cauções com angue e luídos orgnicos são feis.

Observamos ainda que a apeenão dos proIssio­ nais em relação ao risco de continção e conIgura num futuro póximo ou remoto, os os estudos sobre o temo de soo-conversão não emitem ainda a con­ Inação diagn6sica imediata.

Desta foma, a contminação enquanto ossibii­ dde conceta de sua existência emerge de força muito preente em seus depoimentos, evindenciando um co­ idiano de trabalho emeado por essa incerteza. Não se trata mais de uma ossiblidade que se apresenta a qualquer essoa, mas sim a S UA pessoa, ois dada a S UA situação de trabalho, ele é mais exosto à doen­ ça.

O desvelar dessa faceta remete-nos a releir so­ bre um coidiano de rabalho que precia ser compre­ endido numa erseciva administrativa.

Uma aividade que se reveste de um medo muito elacionado ao risco da continaçio:

Paralelmente ao ico da contanação o seu co­ idiano de trabalho se mostra emeado elo medo como mostam as sus fals:

"Medo da morte"

"Não sei bem ao certo se é ter medo de se contaminar ou se é medo do pr6prio pa­ ciente"

"Tenho medo"

"Não teria estrutura para erradicar o meu

mdo"

"Sinto medo de ser contaminado" "As vezes sinto receio"

"Me sinto temeroso, com medo de cuidar do paciente"

Apreendemos nas falas dos prossionais que esse cotidiano emeado elo risco é gerador de uma en­ sação de medo. Esse medo nem sempre surge clara­ mente defmido ou s vezes explicita o medo maior -"medo da morte".

É

interessante observar que em nossa vivência nessa Unidade, no exercício de nosss funções, este senmento de medo não se mostrava tão claro para n6s. Acreditávmos que com as noss orientações so­ bre fomas de proteção que poderiam lançar mão, so­ bre meios de transmissão, procurando sempre material necessário e, sobretudo, com a nossa postura essoal de tranqulidade em relação aos riscos, não houvesse medo na intensidade em que pudemos perceber nos deomentos.

Julgávmos também que a foma como vínhamos distribuindo as diferentes taefas erinentes à s­ sistência de enfemagem de modo a possibilitar um rodíio de pessoal nos cuidados considerados mas di­ retos e a implementação de uma Ilosoia de trabalho em quie de fona efeiva, pudesse estar menizando o medo da exosição à doença e, consquentemente, dinuindo-o.

Entretanto, os deomentos veêm mostrar que is­ so não ocorreu; é um entimento que está presente de foma clara ou mais velada.

No cotidiano de trabalho na Unidde não temos o�servado ecusas em ssstir o doente or parte

des-ses proIssionais, aesar desse senimento de mdo que verbim. Isto nos leva a penar que aprenderm a conviver com o medo e o incororm ao modo como se situm no mundo da Unidade.

Desta fona, o medo passa a fzer parte do seu mundo de trablho e oderia estar abindo, a nosso ver, um cminho para a ngústia. Suas expressões de medo contém, na ealidade, a incerteza de sua sobre­ vivência e, nesse sentido, está em jogo o seu SER.

No pensr de HEIDEGGER 8 , a ngúsia surge da carctersicas fundmentl do homem como o ente cujo er se orienta pela peocupação com sua pópia existência.

É

esse modo universl que o separa de to­ dos os demais entes do Universo. A angúsia, dz o Il6sofo, não ode ser enfrentada, or um ser fmito, por mais do que um beve instante, tl o horror e o desespeo que odem se aoderr dele.

Do exposto, prce-nos evidente que tl coidia­ no de trablho prcisa merecer mais atenção dos seto­ res administrativos, de modo que o conviver com ese medo possa ser trabalhando de fona a proorcionar condições mais humans de trablho.

Uma atividade onde o dente a ser cuidado apresenta-se como difcil

Vejmos algums falas que nos possibitm essa apreenão:

diícl idr com ele" "São inescrupulosos"

"Quse todos tomm-se agressivos" "Aenas exige"

"Pacientes tão carentes"

'Pacientes com o quadro psicol6gico muito alte­ rado"

"Durnte a intenação são agressivos, rebeldes, ngusidos, depridos, exigentes"

"Não aceitas cuidados e, s vezes, agridem a en­ femagem com plavrões"

"Paéiente carente e apavorado"

"Paciente não conIa no tratmento, lém de trnsmiir toda a sua ansiedade e depressão" "Eles não gostam de Icar sozinhos, chmam toda

hora, muitas ds vezes sem ncessidade" "Reconhece pouco"

"Estado geral bastante debilitado"

"O que pssa pela cabeça deles não abemos" "Difíceis de ceitar a doença"

"Fazem perguntas que eu não osso responder"

As qualiIcações citads em relação aos aidéicos (inescrupulosos, agressivos, carentes, rebeldes, ngus­ iados, depridos, exigentes) nos dizem o quanto é diícl compreendê-los.

Há situções em que o viciado em drogas endo­ venosas apesenta-se na sua intenação sem rede ve­ nosa acessível, necessária para ração dos exames de sangue e tratamento, já que ele sempre usou essa via pra injeção de drogs; ocore, então que nos mo­ mentos de e fzer a punção o paciente Ica escolhen­ do o locl, ensinando-nos como excutar a técnica. es­ sa atitude do paciente vem chocar a equie de enfer­ magem na medida em que entendem que ele quesiona a pópria capcidade profissional dos seus integrantes.

Qundo percebemos a agressão verbal do doente frente ao proIssionl, chegamos a não suortar

l

agessividde, ois no nosso entender estamos f para

(7)

L

ajudá-lo e não para prejudicá-lo. Em um pmero momento, a nossa reação seia revidr a tudo quanto ele nos ofende, s sso ica somene na intenção, ois

imediatamente vem à tona o idel de enfemagem; prestção de ajuda.

Dessa foma, tentndo compeendê-los prcura­ mos transcender a dimensão do tratmento sico que está agedindo a sua integridade fsica, que é o que ele quer preservar nquele momento.

Temos obervado também que o tratmento en­ dovenoso or exemplo, com anfotericina-B e eveste de uma diiculdade particulr para o doente que o re­ cebe, dadas s eações orgânics que o acometem, s como aumento da febre e tremores, levndo-o, muitas vezes, a não suortar o tratamento. Assim, é comum que o doente solicite alta, implicando numa ostura de abndono do tratmento.

Essas situações são vivenciadas pela equipe de enfemagem, que, muitas vezes, tem diiculdade or não saber do que fzer com o doente nesss cir­ cunstâncias, gerndo um cima de insegurança que se instala para ambos - pciente e enfemagem.

Nesse sentido, os elementos da enfermagem se deparm com situações de conito onde emergem fa­

cetas igada

à sua capcidde proissionl para seleção do lo­ cal de aplicação da medicação, capacidade essa que, como já refermos, é questionada elo paciente, e s diiculdades crescentes que esss essos vão tendo para selcionar uma veia, dado os danos que a pr6pria mdicação gera na rede venosa do doente. A esss, acresce-se o conlito diante da necessidade de execu­ tar o prcedimento prescrito pelo médico e compeen­ der o doente na sua erceção dos efeitos desagradá­ veis da medicação e sua intenção de abndono do tra­ tamento.

Como podemos ver, não se trata de uma tarefa fácil para a enfemagem, considerndo que o ato de comprender o ser humano não se aprende em ma­ nuais ou compêndios, ms sim envolve o vivenciar de situações onde o outro se apresenta carecendo de compeenão.

É

o cotidino do trablho com esses doentes que revela aos proissionis a perceção do sofrimento humano e os rcursos essoais para com­ prtilhar com ele os momentos peeados or esses conitos.

Nesse sentido os depoimentos revelm que a pos­ sibiidade de compeençãp do . pciente com AIDS e apresena nterigada ao grupo de co ao qul o pa­ ciente pertence. Desta foma, em suas fals emerge um julgmento concenente a hist6ia de vida do pa­ ciente. Vejmos algums fls nesse sentido:

"O homossexual é o que é mais cessível" "O hemoflico: o mais apáico e um pouco revol­

tado"

"O viciado é o paciente mais difcil de se chegar" "Sinto ena ds criançs, orque são víimas da

faidade"

"Os demais aidédicos, são consequências de seus pr6prios atos"

"Os homossexuis, drogados, presidiáios são mis dependentes"

"Os hemolicos, crianças, sinto tmém pena" "As cianças são a pate que me d6i

s

"

"Não rejeito os hemolicos"

O que e revela para n6s é que os funcionários

76 R. B. Efem., Bsia, 4 (1): 70-8 1 , Jmr. 191

perceem o pciente como ertencente a um -grupo de risco, julgm a sua foma de vida anteior, elcionm o gruo de isco a deeinado comortamento e têm consciência da discinação socil e fr que cer­ ca o paciente.

Ao lado dessa perceção, não se observa inter­ ferência desses fatores no cuidado ao paciente mas sim, na sua foma de compreenção, na foma como pode ur seus ecursos essois para comprender. Naturmente que podemos empeender esforços na busca de subsídios que nos auxiliem no fortaleci­ mento desses recursos pessois, pois, coo refere DANIEL", saber como conseguir que os outros façam aquilo que desejmos é uma "arte" que ode er de­ senvolvida primeirmente pela consciência de se pre­ ciar melhorar, deois ela práica de regras de comu­ nicação posiiva e pelo uso de atitudes favoráveis de relacionmento.

Temos, enqunto enfermeira responsável pela cheia dessa Unidade, procurado fomas de atenuar esse clima de trabalho que se apresenta desfavorável aos proissionais de enfemagem.Dessa foma, por so­ licitação nossa, o Setor Administrativo do hospitl en­ cminhou á Unidade duas médicas psiquiátrics que, num exercício profSsionl voluntário, ravam atendimento dos paciente e dos funcionários da en­ fermagem.

Entretanto, tal iniciativa não se constituiu em me­ lhores perspectivas para a unidade, pois as inúmeras tarefas a serem desenvolvidas pela enfemagem não lhe ossibiitavam disponibilidade de temo para rce­ ber a assistência de apoio no tempo em que esses pro­ fissions eneciam na cnica.

Posteriomente, houve a contratção de um médi­ co psiquiatra para exercer seu trablho de maneira formal na Unidade, envolvendo pacientes e funcioná­ rios. Da mesma foma, face ao grande número de ta­ refs tem havido diiculdades para a enfemagem re­ ceber o aoio de foma efetiva.

Nesse sentido vemos que há um longo caminho a ser ercorrido na busca de fomas de sistemaizar a assistência de enfemagem clcada em outros modelos que não a execução de tarefas, de foma ·a proporcio­ nar ao pessoal de enfemagem a possibiidade de pro­ curar apoio e, portanto, melhor potencial para relacio­ nmento com o dente.

Uma aividde que gera desconforto ao pro­ nssiool, dda a escificidde ds tcoics:

A esciicidade ds tcnics a serem deenvolvi­ das durante o cuidado ao paciente com AIDS, é er­ cebida pelos funcionários como geradora de grnde deconforto fsico:

"Causa incÔmodo devido ao calor e ao temo que se gsta para e pmetrar" "Já entra no quato sabendo que tem que

colcar toda a oupa, sem contar o clor; a máscra é horrível"

"Não vê a hora de r do quarto e se ver livre"

"Não suondo icar esclado na mesma enfeia or-dis seguidos"

"Fica-se muito temo dentro da en:\r­ meira, isto abala muito psicologicmen­ te"

(8)

seni-mos o suor escorrer da cabeça os és" .. Acho desgstnte icar denro da enfer­

maria devido aos cuiddos que se pro­ cessa ao entrar e atender"

"Os cuiddos que se pologm or dus ou mais horas, é bstante canaivo"

Os deoimentos expressm o deconforto que o pesoal de enfermagem sente qundo do cuidado com o paciente com AIDS. Apesar ds tcnics eem roi­ neiras pra o serviço de enfemagem de modo geral, els se revestem de uma eseciicidade paricular nes­ se cuidado, dado o isco de trnsmissibilidade. Desta forma, uma higiene orl, um auxlio pra mentação ou mesmo a veriicção de uma diuese ssumem ca­ rctersics muito própras nessa clíica.

Percee-se nos deoentos que esse desconforto é ercebido por eles interligdo ao temo equerido para se p

m

enarem e e desparenarem pra a execução ds técnicas. Há cuiddos esciais a serem tomados com cda parmento, or exemplo: o gupo e a máscara devem ser desinados ao lixo do quarto, a luva quando ivre de ngue deverá ir para um glhe­ teiro especil e qundo com sangue deverá ir para o li­ xo e ssim por dinte.

Todos eses p

m

entos levm a uma sensção de calor, agravada pelo clima naturmente quente da ci­ dade e que tmém gera grande desconforto pra o pessoal.

Temos pcurado no nosso coidiano, ao fzer a escla dia, determinr para cada proissional o cui­ ddo a um só pciente com AIDS e tmbém a pacien­ tes de outrs enfemaias que não idéicos, em odí­ zio de dias, numa tentativa de atenur todo esse des­ conforto que os elatos expresam. Ms nem empe isto é possível devido ao número reduzido de essoal e também à necessidade do idéico do sexo

c

ulino, por exemplo, ceber cuidados de um proissional do mesmo sexo; então, muits vezes é sempre o mesmo proissional que está a cuidar do mesmo paciente.

Durnte este temo, os demis pcientes sob sua resonabilidade não entendem a demora em serem

atendidos: além do

s

, tona-e-ia ncsio um

proissionl que eja "crculante" para atender os co­

legas dento ds enfes; s, como o número de

pessoal que teos, isto não é possível.

Dadas as carcterstics de transmisiblidade en­ volvids, caberá ao pessol de enfemagem excutar as tarefs com todo os cuidados inerentes a els, ae­ sar do desconforto que ente, os eses cuiddos re­ preentm, fundentalente, a sua potção e do pa­ ciente.

Prce-nos entento que lgums mdids ad­ mnistraivs eim pssíveis de eem tomads e que implicarm em melhoes condiçe de rablho.

Perceemos que o deconforto elos p

e

ntos,

pelo tempo excessivo em estr e pamenndo, em estar pestando cuidados, eria eniado se esives­ semos sob ar condicionado. Desa foma, o pciente também seia beneicdo, já que ele apeenta febe constante, sudoese intena e, na mioia ds vees, ele peanece com ouca oupa, inibindo o posional.

São soluções ossíveis ms que deendem de de­ cises a nível dminisraivo que, or vees, erdm ou postergm medids que odem repesenr elho­ res ondiçes para os funcionos. Pce-nos clo

que, num coidiano onde esencilmente estão peen­

tes o risco, o edo e a diiculdde em interagr com o

paciente dadas as sus carctesics, confome mos­ tram os depoimentos, o fator conforto ico eia o menos diícil de ser coneguido, ossiblitando con­ diçes mas humanas" de trablho.

Ua aividade pra a qul a ossibidade de oção esol é fundmenl

os depoimentos expressam com clreza que eses elementos da equie de enfemagem e ressentem or não teem podido opinar quanto a sua disonibilidde em cuidar do pciente com AIDS.

Como já foi exposto, os pacientes com AIDS ão intenados na Clnica de Molésas Infcto-Contagio­ sas, locl onde outos pcientes, oradoes de outrs molésias, são intenados. Esses funcionáios, or es­

tarem lotados nessa Clnica, cabm por ssumir

se

cuidado esecico ao paciente idéico. Desta foma, percebem que essa dença surgiu em eu mundo de trablho e com ela o paciente a er or eles cuidado de

foma tão paricular, marcante e estr

sn

te.

As sus falas dizem reseito ao eu enimento de que entendem o cuidado a esse pciente coo caente de uma disonibidade essoal paa o "cuidar":

" • .

" . em

�a, não snta muito deejo de

cUIdar • . •

"Procuro dr tudo de mim, or ela (a criança) ofro muito . . . "

"Pois como somos obrigados a idar com ese ipo de pciente"

''Tods as vees que cuidei de pacientes com AIDS, não gostei"

"Vou pedir rnsfeência"

"Não me rcuso a dr-lhe cuiddos, só

não consigo dar-me or inteo"

"Se fÔsse pra cuidr aens de paciente aidéico eu me rcu, ois não tea estrutua suiciente"

Ouros deoentos fzem observaçes elevn­ tes em elção ao esoal que lida com os idécos, evidencindo que além da disponiblidade sl, er­ ceem que um peparo se fz ncesário. Isto é ee­ bido por eles como esencil e lguns deoientos s pemitem essa nlise:

"Cuidado tem que ser dado or esos que estejam ica e menlmente ã paa tnsmiir a este pciente tda a nqui­ lidade e coniça de que ele nto pci­ sa"

"Pcimos de ms aoio, que noS autoiddes da aúde -evitem que sso cresça anto"

"Estr preparado espiritul e piolói­ cmente"

"Devem esr empre fendo eus com sicólogos • • • Devem er

a

esoa esl, abnegda, pcena" Ainda obervmos referências à nsidde de ua

a

esecica no hospial que puse obigr eses pcientes de foma a erem atenidos

or

quie escíica e preprda. O que demos eeer,

or­

tnto, éque um requsito de eseciicidde eere e foma muito pene nos deomentos e no qul sá conida a questão da sua oção pra o cuidr.

(9)

"Se o pessol pudesse uma área para pa­ ciente com AIDS eu estaria· disposto a cuidar, desde que fosse oferecido toda a segurança e condições de pessoal" "Deveria haver uma área espcífica para

este ipo de paciente, ois haveria mio­ res condições de aperfeiçomento de essoal"

"Talvez se fosse uma clínica s6 para eles, que ivessem uma sala para se reunrem e trcar idéis, quem sabe fossem menos rebeldes"

Os depoimentos mostram ainda que a seus olhos, essa aividade é crente de valorização pelas Insti­ tuições de Saúde, carência essa que se expressa na baixa remuneração por seu trablho:

"Angarir recursos maiores, pois afmal de contas você não pode exigir que pes­ sos ponhm em risco sua própria vida para serem ml remunerados"

"Os funcionáios precisam de mais co­ nhcimentos e apoio"

"Que sejamos reconhecidos monetaria­ mente"

"Qul a nossa garantia"? perguntam os funcionários? Por quanto temo sobre­ viveremos a este desafio?

A leitura desses depoimentos nos remete nova­ mente às várias tentaivas que Izemos para que algu­ mas medids adnistrativas fossem tomadas no senti­ do de melhorar as condições de nosso trablho.

Assim é que solicitamos através de um abixo s­ sinado, ao Serviço de Nutrição e Dietética, lanche re­ forçado, porém, não tivemos resultados. Solicitamos também junto à Justiça do Trabalho, a remuneração semelhante ao do pessoal do Hospitl Emlio Ribas, de São Paulo e não ivemos resultado.

Solicitamos ainda através de outro abaixo assina­ do à administração do Hospital, mais um tlão de va­ le-refeição e aimento da nossa taxa de insalubridade e mis uma vez não tivemos resultado.

Entretanto vemos com esse estudo, que não po­ demos desanimar e que novas tentativas deverão ser feitas para sensiblização dos setores administrativos do hospital de foma que esse essoal possa ser con­ templado em sua situacionalidade de risco e de incer­ teza.

Um cuidado que se distingue dos demais fe à complexidade psicol6gica do paciente que o recebe

O pessoal de enfermagem expressa em sua fla que o cuidado ao paciente com AIDS se mostra a eles de foma bastante semelhante aos cuidados que pres­ tam a outros pacientes dependentes ou parcilmente dependentes. Porém percebem que a disinção reside naqulo que denominam "parte psicol6gica do pacien­ te". No eu entender esses pacientes apresentam com­ portamentos que requerem mais atenção e compre­ enão face à gravidade de sua situação, onde uma in­ tenação é percebida por eles como "o começo do im".

As falas nos mostram que os funcionários ideni­ fIcam "os problemas psicol6gicos" geralmente apre­ sentados por esse paciente e, principlmente, erce­ bem que a assistência psicol6gica é fundmental.

saisfzer sus necessidades

Isiol6gi-78 R. Bs. Enfel., Bsiia, 4 ( 1): 70- 8 1 , janJmar. 1991

cas e psicol6gicas"

"Requeer mior atenção para o seu esta­ do físico e pnciplmente para seu esa­ do psicol6gico"

"Paciente com menos resstênca fsica e as vezes, mentl"

"Fragidade emocionl do aidéico" "Ncessita de cuiddos ntensivos tanto

na pte sica como psicol6gica"

Observamos que o pciente com AIDS fez com que estes prossionis esem a associação men­ te/corpo e a equie de enfemagem nesa unidade, tem se voldo pra o pciente como um SER TOTAL e na medida do possível tem procurado meios para s­ sisf-Io como um TODO, atingindo tanto o " ísico", como o psicoI6ico".

Pelos depoimentos vemos a foma como buscam tonar sto possível:

"Cuido deles com mas cainho, sofro junto com eles"

"Dando valor maior ao dilogo"

"Faço o possível para que o pciente eja bem cuidado e tenha todo o conforto" "Com carinho e compreensão"

"E é na enfemagem que eles mis se apegam"

"Procurar aiviar sus dores, dar aoio, ficar ao seu lado quando possível" . "Desabafa conversndo com a enferma­

gem"

"Tento com o dilogo dr solidariedade a esses pacientes"

"Uma psicoloia mais apurada para fzê­ los comprender o porque de alguns cui­ dados"

Vemos portanto, que ao lado das atividades ísi­ cas, o dilogo, o "desaforo" está sempre presente nes­ se cotidiano de assistência e que tentar identiIcar o problema do paciente é difícil, mas não impossível. Essa postura possibiita um relacionamento efetivo en­ tre o ser assistido e o ser que assiste, de forma que o doente conIa em quem está ao seu lado, desabafando, enIm.

Observamos tmbém que o doente "desabafa" quando ele tem a percepção de alguém disposto a ouví-lo e interessado em compreendê-lo em sua si­ tuação de doente.

A enfermagem modena com o avanço técnico­ cientíico tem sofrido um processo de fragmentação do objeto a ser cuidado, de modo a facilitar as tarefs e aumentar a produção do trabalho da enfemagem. Paralelmente vemos a pópria medicina dicotomizn­ do o indivíduo, fomando cada vez mais especialstas, dentro de espciaidades.

DANIEL5 nos aleta para o fato que na práica tem-se feito dicotoia ente o somético e o espiritual' e or vezes nem os asctos de aoio psicol6gico são associados ao tratmento somáico.

"O hoem estrá negndo a reaização totl de sua oencidade como er sensível, enquanto ersis­ tir a dicotoia ente o nteno e o exteno, entre a mente e o coro", nos elaa tmbém LOWEN 1 2.

(10)

nosso cuidado ms sim como seu sujeito e con-deter­ minador aseverm B OEMER coP .

A enfemagem ode, no eu ato de cuidar, estar considerando o dente no eu "sendo dente" e com­ parlhar com ele, através da compreensão, os momen­ tos emeados pela angústia e sofrimento. Temos visto ser isso ossível para os funcionários ainda que sob um cotidiano que se lhes apresenta com muits dii­ culdades.

4

CONS IDER AÇÕES F I N A I S

Em nossa proposta de compeensão do significa­ do do cuiddo de enfemagem ao pciente com AIDS, aos olhos de quem presta esse cuidado, ercorremos uma traetória metodológica que nos ermitiu o desve­ lamento de algumas facetas desse cuidar.

Estar cuidando do paciente com AIDS é visto e­ los funcionários como uma atividade onde o risco emerge de forma muito preente, forte e ameaçadora e ese risco existe em cada movmento, em cada ato de cuidar.

Na execução das atividades pernentes à assitên­

cia de enfermagem esse risco e lhes apresenta como um "fantasma" cuja presença não se anula aesar do rigor das técnics pra prevenção da contaminação. Por outro lado, esse mesmo rigor que lhes proporciona proteção do risco é gerador de grande desconforto í­ sico dado o tempo requeido para vestir e desvestir os paramentos usados na unidade, de foma particular para o cuidado ao paciente com AIDS. Ao fator tem­ po, acrece-se o desconforto elo clor exacerbado ' pelos parmentos já refeidos.

Ao lado dessa faceta de risco e em decorrência dele, o medo também emerge em suas flas expressan­ do que ele faz parte do seu mundo de trabalho na me­ dida em que eles se vêem ameaçados em sua integrida­ de. Sua erspectiva futura afima BEANI' a possibili­ dade de vir-a-ser um doente tmbém.

Revelam ainda em sus fals que o grupo de reis­ co a que pertence o paciente é um fator que não está alheio ao cuidado, e que a possibidade de compreen­ derem o paciente e apresenta interligada a ese grupo. Desta forma, suas flas expresam um julgmento concernente à históia de vida do paciente e são cons­ cientes da discminação scial e famiar que o cerca.

R EF E R Ê N C I A S B I B L IOG R Á FICAS

I BEAINI, r.C. A escuta do êncio l estudo sobre a ngua­

gem no pesento de Hedegger. São Paulo: Cortez,

198 1 .

2 BERGAMO, M. ; MARCELINO, K. ; GARRIDO, L . S . Po­ cedimentos fécnicos Básicos na prevenção da "AIDS" num Centro CiÚrgico de gande oe. Rev. Bras. Enf.,

BrasOia, 4 1 (2), 155- 160, AbriVJunio, 1 988.

3 BOEMER, M.R. e cols. A quem ofecemos o cuidado de Enfemagem - Uma visão fenomenol6gica, In: I Se­ minário Nacional - o erfil e a competência do enfer­ meio -NIS, Bs1ia, Scearia da Sa1de - Fun­ dação Hospialr do Disrito Federal, 28 de eembo a 2 de outubo, 95- 103p., 1987 (publicado m 1 989).

4 BONfEMPO, M. "AIDS" - Esclacimento global e uma aordagem altenaiva", São Paulo, 1 5 8p.

Desvelr essa quesão - a intensidade desse edo parece-nos fundamental no exercício de nosa função de chefia, pois, embora não o ignorássemos, não o sabímos em níveis tão altos e certamente tere­ mos que estar atents na busca de cinhos que os­ sm trabalhar esse entimento no cotidiano da cinica.

Vemos também que ercepção que os funcioná­ rios têm do paciente com AIDS como "difícil" advêm do seu convívio com ele e das diiculdades que enfren­ tm nesse lidar. Expressam também que a "parte psi­ cológica" representa uma dimensão especial do cuida­ do e, em sus verbalizações, o temo "diícil" já se apresenta interigado à uma observação de agressivi­ dade, exigência, caência, rebeldia, angústia, de­ pressão, agressão, ansiedade.

Sem dúvida que lidar com todos esses sentimen­ tos requer preparo e essa necessidade é sentida por eles. Além do preparo, demonstram ainda nos depoi­ mentos, que conhecem formas de transformar essas condições e sugerem área física espcíica, pessoal es­ pecífico e quipe mulidisciplinar que, mutuamente, se auxilie nese cuidar, numa filosofia de trabalho que contemple a ambos - o paciente e os prestadores de cuidado - em suas situacionidades.

Há de se considerar ainda que s falas dos fun­ cionários nos remetem à questão da opção pessoal pa­ ra o cuidado. Há muitas convergências nesse senido e elas expressm com clareza que essa é uma faceta que se lhes apresenta como fundamental.

Poder optar por prestar o cuidado ao paciente com AIDS signiica, a nosso ver, que vêm uma espe­ ciicidade nesse cuidar e que essa especiicidde re­ quer oção, peparo, vlorização e rconhecimento. São esses os cminhos que podem levar a novos hori­ zontes para uma sistematização de ssistência de en­ fermagem ao doente portador de AIDS, sistemai­ zação essa que contemple o paciente e o funcionário em sua dimensão existencial, resgatando a pessoa viva existente em cada um e expressa na foma em que se percebem mutumente no mundo do hospital.

De todo o exposto parece-nos clara a necessidade de mais estudos que, ao desvelarem outras facetas li­ gdas ao doente, à fia e s instituições de saúde, possm se constitur em novos horizontes de compre­ ensão para a ssistência ao paciente com AIDS, sob a perspectiva do cuidar.

5 DANIEL, L.F. A enfemagem planejada. São Paulo, EPU, 1 3 3p. 1 98 1 .

6 DESSUN fI, E.M. Percepção de discenes e equipe de en­ f�magen em relação ao paciente com sseita ou dlagn6stico de AIDS , Rev. Gaúca de Efeagem,

Porto Alege, 1 1): 45-5 1 , janeiro de 1 989.

7 GIR, E. Interação verbal entre a equipe de enfeagem e pa­

centes adéticos. Dissertação de Mesado, EERP-USP, Ribeião Peto, 1988, 2 1 Op.

8 HEIDEGGER, M. El ser y el tepo. fradução J. Gaos. Mé­ xico, Fondo de Cultura. 1 967.

9 KUBLER - ROS S , E. IDS -

O

desao al, Editora Best­ Seller, São Paulo, 1 967.

(11)

10 LACAZ, C.S. AIDS: Douina, scos iaoilo6ios,

nfecções oposs ssocs. So Pulo: Salvador, 124p. 1985.

1 1 LIMA, M.B.C. DS/SDA - Rio de Jneio: Msi, 156p. 1986.

12 LOWEN, A. O copo m depreso, s bses biolóis da

fé e da ealidade, So Paulo: Snmes, 22Op. 1972.

13 MACIEL, P .M.A. Os enfeeros rene ao paene cm Sroe de lejna Aqa (SDA-DSJ,

na poosa de ssisência de enfenagm. Rio de Ja­ neio: - Ecola de Enfenagem Ana Neri, 1987, 1 5p. (Diseço de Mesado).

14 MAR TINS , J. & BICO, M.A.V. - A esqa qaa

m pscooga: Fentos e recusos cos. Moaes,

São Paulo: 1989.

15 MAR TINS , J. et llii - A fenomenologia como aleaiva meodológica paa quisa. (No pelo da Revista de Enfeagm, SãQ

,Paul).

16 MENEGHIM, P. AIDS: Asisncia de enfeagem e e­ o de lieatura. Rv. Pal. En., So Paulo:

(3):·

99- 107, juIJet., 1 986.

17 MORIYA, T.M. MANZOLI,M.C., Isolmno em dençs nsssíveis: oneião m Enfenam. Rv. Esc. En. - USP., So Paulo: 2(2): 89- 10, 1986.

18 OLIVEIRA, M.H.P.; VIET fA,E.P.; MORIYA, fM.; GIR, E. Reçes emcioais dos oadoes e dençs exualmne ssíveis no momento da conr­ mção do seu diagnósio, Rv. Bs. Ef., Bsnia,

. (1), jnJfevJr., 1987.

19 PAS TERNAK, J. DS - Vere e ito : sóa e fa­ os, São Paulo: 159p. Cculo do Livo, 1988.

20 PRA TT, R.S. S -Ua estratéga para a ssst2na de

enfeagm, So Paulo, Átia, 1 986, 141p.

21 VERONESI, R.; FOCACCIA, R. AIDS ene possionais de afde: s e pevenção. Rv. Brs. e Ccas e Terap2ucs. XVIII (4): 130- 132, Abril, 1989.

ANEXO I

Rcomendações esecics ertinenes s roinas

e tcnicas exiids pra a pevenço e omento dos

poradores de AIDS. .

1 .

É

udo dentro do sistema de isolento uma

Qurto: privaivo A ventl: obrigatório Máscara: obigatória Popés: obrigat6rio

placa de fundo relo ns bordas, e no cen­ to taz as pecauçes escritas em fundo brnco, comendndo-e desta foma o io­ lento potetor com pcauções de luidos e sangue:

. Luvs: obrigat6is

Ê

Mãos: lavagem antes e sair do qurto com

;

água e abão, e a eguir etanol a 70%

com gicena Objetos: decartáveis Goro: obrigat6rio

Exceções e materiis: hipoclorito de sódio (ll2h)

23 cm

2. Dentro do quto: apaelho de pressão, este­ tosc6pio, temÔmetro, colchão forrdo de plásico.

3. Uo de óculos protetoes em csos de colhei­ ta de sngue artel, spiação de vis éres ou outos prcedentos com ricos.

4. Uso de obetos dectáveis: eringas, agu­ lhs, copos, pratos, talees, etc.

5. Não eencapar agulhs e eles.

6

Mael cortante e seingas com sangue -desper em gles de plásico duro e com tamps.

7. Reirar oupa com técnica de co duplo e em sco plásico de 10 litos.

8

Retirar ael e lixo em sco plásico duplo.

9.

Tubos, frcos, cipienes com materil co­ letado (sngue, urina, fezes, escro, liquor, matel de bi6psis): mr e idenicar com durex veelho e trnsorar em cxa de aço noxidável com m. Desinfear a parte extena com lcool a 70%.

80 R. Bs. Enfen., Bsiia, 4 (1): 70-8 1 , janJmr. 191

10. Desinfecção de luídos com solução de hipo­ clorito de s6dio a 2% durante meia hora. 1 1 . Limeza de unidade com hiclorito de sódio

a 2%. Enxagur aós meia hoa, os o co

de oxidação e grnde.

1 2. Popés usdos - colocar em saco plásico se­ prdo dentro do saco de roupa.

13. Luvs usadas, em sangue ou luidos, colcar em glheteiro separado. Reirar em co plásico, encminhr à Centrl de Materil.

14. Todo materil do quarto - ideniicar com colnte vemelho com s letras MC impresss (Materil Continado).

15. Mael uado de borrcha - desper.

16. Maeial de aço inoxidável - encinhar em aco plásico à Central de Matel.

(12)

1 8.

Mateil que não ode sofrer a ação do clor ou da solução .de glutaraldeido - encaminhar

à Central de Oxidetileno.

19.

Água para beber - uar frsco estéril de vi­ dro.

20. Superffcies onde e derrr luídos do

pa-ciente - desinfetar com solução de hioclori­ to de sódio a 2% forrr com pael e mpar aós 30 núnutos.

2 1 .

Toda roupa que esiver no paciente deve es­ tar livre de luidos. Retirar logo, colcndo

o aco de roupa suja, e houver.

Referências

Documentos relacionados

Apesar dos esforços para reduzir os níveis de emissão de poluentes ao longo das últimas décadas na região da cidade de Cubatão, as concentrações dos poluentes

No final, os EUA viram a maioria das questões que tinham de ser resolvidas no sentido da criação de um tribunal que lhe fosse aceitável serem estabelecidas em sentido oposto, pelo

Para analisar as Componentes de Gestão foram utilizadas questões referentes à forma como o visitante considera as condições da ilha no momento da realização do

O caso de gestão estudado discutiu as dificuldades de implementação do Projeto Ensino Médio com Mediação Tecnológica (EMMT) nas escolas jurisdicionadas à Coordenadoria

Por fim, na terceira parte, o artigo se propõe a apresentar uma perspectiva para o ensino de agroecologia, com aporte no marco teórico e epistemológico da abordagem

Por lo tanto, la superación de la laguna normativa existente en relación a los migrantes climático consiste en una exigencia para complementación del sistema internacional

Atualmente o predomínio dessas linguagens verbais e não verbais, ancorados nos gêneros, faz necessário introduzir o gênero capa de revista nas aulas de Língua Portuguesa, pois,

Our contributions are: a set of guidelines that provide meaning to the different modelling elements of SysML used during the design of systems; the individual formal semantics for