o
S I G N I FICADO DO C U I DADO DO PACIE NTE C O M AIDS
U MA PERSPECTIVA D E COMP R E E NSÃO *
Dorotea Erica Dresler ** Magali Roseira Boeer ***
R E S U MO -Os autores se propõe a desvelar facetas do sig nificado do cuidado ao pa ciente com A I DS, aos ol hos dos funcioná rios do Serviço de E nfermagem que cu idam do paciente. Para tanto, recorrem a uma metodolog ia de pesquisa qualitativa - a i n vestigação fenomenológica - que l hes permita o acesso a esse objeto d e estudo, à sua essência. Desta forma, são coletados depoimentos de funcionários de uma Clfnica de Moléstias I nfecto-Contag iosas de u m Hospital Gera l E scola, m ediante a qu estão orientadora
"0
que significa para você o cuidado com A I DS ?" Os depoimentos foram a na lisados segu ndo suas convergências de acordo co m os passos da pesqu isa feno menológica e, a pa rti r delas, foram elaboradas as u n idades significativas que expres sam a essência dq significado desse cuidado. os resu ltados mostram o desvelamento de facetas importa ntes ligadas ao cuidado do paciente com A I DS, tais como o risco e o medo que permeiam o cotidiano de trabalho desses fu ncioná rios, o desconforto gera d o pela necessidade d o uso de vários pa râmentos para a execução d a s técnicas, bem como toda a dificu ldade que sentem no lidar com paciente percebido por eles como "d iffcil". S u rgem ai nda facetas fundamenta is verbalizadas por eles como a opção pes soa l pa ra presta r o cuidado, associada à necessidade de prepa ro, va lorização e reco nhecimento. N a opinião dos a utores, o desvelamento dessas facetas se constitu i em novos cam inhos pa ra a assistência de enfermagem ao pacienté com A I D S na m edida em que contem pla a essência do cuidado aos olhos de quem o presta, em sua situcio nalidade.ABSTRACT -The objective of the present study was to cla rify the differents aspects of the meaning of care for patients with A I DS as seen by n u rsing em ployees who provide this ca re. The resea rch m ethodology used has been a qualitative one -phenomenologic investigation - that would permit access to this topic of study and to its essence. Thus, statements we re o btai ned from the employees of a Clinic fo r I nfectious - Conta gious Diseases of a Genera l Teachi n g Hospita l i n response to the followi ng q u iding question: "What does it mean to vou to care for a patient wh ith A I DS ? The statements were analyzed according to thei r convergencies using the steps of phenomenologic resea rch, and the significant u n its that express the essence of the meaning of this ca re were ela borated trom them. The resu lts led the classification of ip potant aspects related to the ca re fo r the patients with A I DS, such as the risk a n ' fea r that permeat t h e daily wo rk routine o f these employees, the disconfot generated by the need using severa l pa rameters fo r the execution of the tech niques, and the difficu lty they experience i n dealing with patients that a re perceived by them as "difficu lt" ones. Fu ndamental aspects have been also verba lized by the employees, such as a persona l option to ca re for these patients, associated with the need for prepa ration, appreciation and recognition. In the author's opinion, the classification of these aspects opens new mea ns fo r nursi ng care to patients with A I D S by contemplating the essence of ca re as seen by those who provide it, i n its situationality.
* Prêmio Wanda de Aguiar Hota - 1 � Lugar - 42� Congeso Brasileio de Enfemagm - Natal-RN
* * Enfemeira Chefe da Unidade de Ineação Molésis Infcto - Conagioss do Hospial s Clnics da Faculdades de Me dicina de Rieirão Preto - USP - COREn SP 8486
* * * Profesor Aciado da Ecola de Enfemagem de Ribeirão Preto - USP - COREn SP 633 1
1 INTRODUÇÃO
o primeiro rconhecimento oicial de uma nova dença foi publicado no "Mortality nd Morb
.idity Weekly Report", o diáio oicil do Center for Dlsea se Control (CDC) do Serviço de Saúde dos Estados Unidos, em 1981, confome elata P ASTERN AK 1 9:
Após essa publicação, vários simósios a reseIto do assunto form reazdos e a parir dí foi dado o nome para essa dença: AIDS (Syndome de Immu nodeicience Acque).
Segundo BOMTEMPO' "AIDS, como pronúncia ou dita de qulquer modo, é um conjunto de letras que no moento vem se tonndo bstnte fr e é so prada com muita ngúsia ••.orque mata". AIDS em inglês soa como ajuda, um bom nome pra uma doença que certmente ajuda para quem a tem, cuja tradução fonéica é "ElOS", no inglês flado nos Estdos Uni dos, confome lembra PASTERNAK19 e significa a preença de dença ndica
�
va de�
unidade c�lul� e a auência de causas conhcIds de liunodeiclêncla ou perda de resistência.Confome Manul da Secrearia de Saúde - São Paulo**** os mecanismos de transmissão do virus HIV (Human Immunodeicience Virus) resonsável pela AIDS são os que deendem do sangue ou deriva dos e do relacionamento sexual, através do espema e da secrção vaginl. Outro mecanismo de transmissão refere-se à amamentação de mulher infectada e também à infcção cidental de essoas por meio de agulhs e seringas que contém o sangue com o HIV, sobretudo em aividades proissionais na áea da saú de.
Verifica-se a preença do HIV no sangue, eser ma, secreção vaginal, saliva, leite, suor, linfo��os, sistema nervoso centrl, líquido céfalo-rquldlano, medula 6ssea e no lavado de secreção bronco-lveolar. Em nc6psis foi encontrado o HIV em vários 6rgãos.
Diante desses conhcimentos, é lícito temer que contatos com tais luídos ou tcidos ejam otencial mente rcados. Acredir em provável risco é com prensível, ainda que rigor cientíico seja indisensá vel no sentido de provar lgo apenas suseitado.
É imortante acrecentar que fômites, convívio socil ou em ambientes de trabalho e uso de utenslios pesois, desde que respeitads s noms higiênicas fundamentis, não possibilitm infcção pelo HIV.
VERONESI e FOCACCIA21 refeem que está demonstado estatsicmente que o proissional de saúde core o maior isco de contágio que outros pro issionis. Feizmente, todavia, o conáio acidental é relativamente raro entre os proissionais de saúde, desde que adotem as recomendações esecicas para prevenção de tis acidentes. _
LIMA 11 refere também que um grande poblema no tratamento desses enfermos é o que concene à equie que tem contato direto com eles, pincipalmen te essoal pmdico. Relata que às vezes exmes como eletocardiograma e endoscopia deixm de ser rezados devido ao temor em tocar nos pacientes. Na realidade não está provado que lgum trabalhador da área de saúde que ida com esses enfemos tenha con traído a dença por contato, no entanto, deve usar
gorro, máscara, luvs, enffi, toar s devidas pre cauções.
Esse autor continua relatando a imporância do esclarecimento púbico, pinciplmente do esol de saúde, que se mostra temeroso de idr com os doentes e que já tem chegado a provocar abentesmo e esmo abandono de emptegos em hospitis.
PRA TP o relata fatos ocorridos na Inglatera em 1984, qundo houve aumento do número de csos de AIDS, levndo os proissionais de saúde e um estado de confusão e temor. Refere também que o cuidado deses pacientes durante s vinte e quatro hors do dia era de resonsabidade preponderante das enfemei ras, que começarm a icar envolvidas frquentemente pela ansiedade e mesmo hostidade da equie subl tena: as funcionárias da impeza rcusavam-se a de sinfetr o quarto desses pacientes, as coeirs dclina vam-se a servir as bandeijas de refeição, os orteiros negavm-e a colaborar no transpote desses pcien tes.
LACAZlO refere que a AIDS touxe à tona o medo e o pânico, levando à alterações significaivs ds interaçes interessoais no contexto ocil em que vivemos. Vem, sobretudo, modiicando comporta mentos, traendo à tona preconceitos.
PASTERNAK19 relata que a AIDS traz poble mas que não são propriamente oignais para os po fiSsionis que cuidm de doentes graves; doenças com pogn6stico fatal que acaba envolvendo emocionl mente os prestadores de serviços de saúde. Surgirm diiculdades que precisam ser francmente discuids e, ao lado do tratamento dos problems emcionis dos pacientes e de suas fis, deveria ser ofercido algum tipo de aoio psicol6gico ao pessoal médico e de enfermagem que lida com as complicações progres sivs do dente com AIDS.
PASTERNAK19 inda refere que a primeira coi sa que o paciente com AIDS sente é a perda da liber dade essoal e a um desaparecimento súbito dos ami gos, parentes e dos companheiros. De repente, o dente está s6, e seus contatos humanos psm a ser feitos quae exclusivmente com o pessoal que o aten de, estreitamento seu mundo.
Esse mundo muito pequeno, centrado no hospital, na dença, nos emédios e nas flutuaçes de seus sin toms, acaba envolvendo os médicos e a enfemagem, eseciicmente esta última.
Tudo isso é feito por gente sobrcarregada, com trablho braçal a ser excutado, medicção para er' dada, veias para serem pegas e l e uma coiss. Não é de admrar que a enfemeira fique exausta na presença desses pcientes, e também que muitas essoas dessa área eçam para sir dela, decorido lgum tempo. É o que o meicano chama de "buned-out", qundo a carga emocional tona-se demasiado esada para o pessoal que atua nessas áreas críicas.
Segundo PASTERNAK19 a enfemaem não de veria icar mais que 2 a 4 anos no atendimento dese ipo de pciente. Além disso, a fa do essoal de enfemagem que cuida de pcientes com AIDS, tamém tem seus problemas e temores achndo que vão se continr. .
Das denças como a AIDS, decorem atos e comportmentos, fenÔmenos sciis, medos e idéias que são respostas a ese acaso e que vão levar a um mundo difeente, onde se viverá com a AIDS. O
im-**** Mnl -AIDS - Secretaria da Saide do Esado de São Paulo - Edição pela Federção de Obs Sciais - Hospil s CIr ics da Faculdade de Medicina - USP - Projeto AIDSIUSP, 1988
porante é não. viver num mundo fechado e mesqui nho, s6 orque existe a AIDS; essa luta deve ser ini ciada e levada em frente por todos aqueles que querem viver num mundo pra transformá-lo, e nesse enido a AIDS não e s6 um problema a ser resolvido por cientists biol6gicos num contexto purmente técnico.
PRA I20 refere que o igo não é somente o víus da AIDS (HIV), mas iguanente o medo, a ig norância e o preconceito.
As obervações desses autores nos remeterm à literatura de enfemagem para apreendemos nessa li teratura como os profSsionais enfemeiros esão ven do e tratndo das questes atinentes à ssistência de emfemagem a portadores de AIDS.
MENEGHIN1 6 refere que é imortante que o en femeiro esteja atuizado, acompanhe o desenvolvi mento das esquisas e dessa foma se conscientize so bre sus ossibiidades para atender o pciente. Refe re-se tmbém à ncessidade de conhcimentos sobre a sexualidade humana e a eaidade da morte eminente, gerhnente cercados de tabus e preconceitos, quando se dise a prestar assistência aos idéticos.
MORIYA e cols1 7, ao abordarem a questão do isolmento em doenças transmissíveis, referem-se que as quato paredes da unidade de isolmento, as portas sempre fechads, s janelas teladas e a poibição de sair da unidade, constituiem uma barreira que diiculta a elação scial do paciente com o mundo exterior. Tmbém o mesmo ocore com a Enfemagem, ois ela acaba sendo visa de modo espcil, odendo icar iso lada dos demais membos do hospitl.
As dençs exuanente transmissíveis, segundo OLIVEIRA e cols 1 6 , trazem consigo um estigma hist6ico, vinculado à prosituição, à marginalização e dençs oriináris do ecado. Estes prconceitos e abus acarretam sérios problemas psicossocais, levan do os indivíduos a se ocultarem, a fn de não serem ideniicados ela sciedade, nem alvos de curiosidade ou rejeição popular.
BERGAMO e cols2 preocupados com a dissemi nação da AIDS, eaizaram um estudo sobre pocedi mentos técnico-básicos na prevenção da AIDS num cento cirúrico, concluindo pela imortância da cons cienzação dos poissionis em relação à execução de técnicas peconizadas pra prevenção desta doença, em relação a materil, mbiente e cuidados com as mãos.
DESSUNP, em estudo sobre perceção de alu nos e equie de enfemagem em relação ao paciente com suspeita ou diagn6stico de AIDS , conclui que os lunos e equipe de enfemagem apresentaram mdo, receio, ena, censua (homossexus e drogados) e in segurança no atendimento aos pacientes com AIDS.
GIR7 realizou um estudo sobre interação verbal entre a quie de Enfemagem e pacientes aidéicos, no mesmo locl em que esmos rando o presente trablho e detctou que o auxiliar de enfemagem foi o eleento da quie que pemaneceu ms tempo junto ao paciente, seguido ela enfemeira e atendente de enfemagem; o auxiiar e a enfemeira dispensarm mior tempo junto aos pacientes em estado regular e/ou grave e o atendente junto aos que se apresenta vam num melhor estado.
MACIEL 1 3 em estudo sobre proosta da As sistência de Enfemagem ealizado entre os enfemei ros fente ao paciente com AIDS, saliena a
importân-72 R. Bs. Enfem., Bsnia, 4 ( 1): 70- 8 1 , jnJmr. 1 9 1
cia de e bucar dretrizes para a assistência de enfer magem e de estimular a prticipação cieníica do en femeiro junto à equie muliproflSsional e conribuir com uma. proosta para a ssistência de enfemagem a eses pacienes.
o levantmento reado, vemos que a literatu ra de enfemagem tem traado ouco do assunto e que são poucs as publicações sobre a assistência de en femagem esecíica a portadores de AIDS, confir mando as observações de MENEGHIN 1 ••
Assim é que evisamos quatro ei6dicos de en femagem (Revista Brsileira de Enfemagem, Revista da Escola de Enfemagem da USP, Revista Gaúcha de Enfemagem e Revista Paulista de Enfemagem) nos anos de
1985
a1989,
bem como um peri6dico de cará ter mis gerl (Revista Pauista de Hospitl) e um es pcico (Jonl Brasileiro de Psiquiatria) no mesmoperi6dico. . .
Essa revisão nos ermitiu locr um total de oi �na e .uma evistas referentes a eses arigos nos úl imos cmco anos, onde encontrmos apens nove ari gos que tratavam do tema da AIDS sob alguma ers peciva, ou então, de foma mis gerl, de doenças transmissíveis ou ainda exulmente transssíveis.
Em sete cãtIogos do CEPEn (Vol. I, 11, 111, IV ,V, VI, e VIII) encontramos a eferencia de so mente um trablho relcionado à AIDS e Doenças Se xuanente Transmissíveis.
Desta foma, a consulta à literatura, e por um la do não resondeu aos nossos quesionamentos, or outro nos animou a prosseguir nesse estudo, na busca de esostas à lgumas situações que temos vivencia do.
Enqunto enfemeira-chefe da Unidade de Inter nção da Clnica de Moléstias Infcto-Contagios, temos obervado um número cescente e acentuado do número de casos de AIDS que necessitam de inter nação e sempre em estado grave; surgiram os csos de criançs hemolicas, os tlhos de mes infectads e os que adquirirm AIDS or transmissão.
Desde fevereiro de
1986
estamos atendendo aos indivíduos portadores de AIDS e, enqunto responsá vel ela qualidade de ssistência de enfemagem pes tada aos mesmos, obervando o que se passava junto deles e tmbém o que estava acontecendo aos presta dors de serviços (enfemeiros, técnicos de enfema gem, auxilires de enfemagem e atendentes), temos visto fatos inusitados, s como:- Precupação constnte de qunto tempo cada um pence junto ao paciente;
- Quesionmentos feitos or esse essoal sobre a possibilidde do tratamento do paciente com AIDS ser eizado em seu domiclio;
- Inquietação quando a fllia do paciente o re jeitava, não tendo para onde r, obigando-o a icar hospido;
- Distribuição em rodzio das colheits de angue ou punçes venosas entre todos; (exceto o aten dente, a quem não é atribuída tal função) - Verbalização de cansaço;
- Pedidos de licençs-saúde e aumento dos aci-dentes de trablho;
Esses fatos nos pcupam quanto
àqulidade de
assistência que estava sendo ofecida aos ortadores
de AIDS durnte sua intenação. Como responsável
pelo setor amém estávmos vivenciando tais ques
ionmentos, propondo-nos inclusive a entrar no rodí
zio pra divisão ds colheitas de sngue e excutando
tarefas diretas ao lado do paciente, quando já nos en
conrávmos dentro da enfenaria.
Procurmos então, lém de busca de conhecimen
tos através de leituras de textos referentes
àAIDS,
paricipar de cursos e encontros que pudessem clarear
toda essa situação, desta forma foi gratiicante para
nós paricipar de um encontro sobe pesquisa qualita
iva em enfenagem*, onde vislumbamos o caminho
a ser ercorrido, buscando novos horizontes.
Pudemos, então, claear que dado o objeivo de
nosso estudo - as essoas do Serviço de Enfenagem
que prestam cuidado ao paciente com AIDS - seria
necessário uma condução metodológica que permiisse
o acesso a essas pessos naquilo que representa para
els o cuiddo a esse pciente, com toda a gma de
senimentos, emoções, medos e tabus.
Desta forma, a invesigação fenomenológica en
qunto modidde da esquisa qulitativa se nos
apesentou como a altenativa metodológica que nos
possibiitaria o desvelmento do signiicado do cuida
do ao paciente com AIDS, aos olhos de quem presta
esse cuiddo - os atendentes, auxilires, técnicos de
enfenagem e enfeneiros - visando aprender a
essência desse signiicado.
2 -
METODOLOG IA
o
estudo foi do segundo a metodologia de
invesigção fenomenológica com a inalidade de co
nhecer o signiicado do cuidar do paciente com AIDS,
aos olhos do essoal de enfenagem que pesta ese
cuidado.
Em sua proposta de desvelamento de um fenÔme
no, o referencil da fenomenologia irá e preocupar
com a esência deste fenÔmeno, naquilo que se mostra
como esencial. Desta fona, chegr
àessência impi
ca em apontar para aquilo que o fenÔmeno é.
Uma invesigação conduzida sob a metodologia
fenomenológica
a
se preocupar em estudar o fenÔ
meno situado, tl como ele se apresenta aos olhos de
qum exeriência a situação. Para tanto, a subjeivida
de é fundmental para ese método na medida em que
a fenoenologia se peocupa com a ciênca do vivido
e os signiicados eão atibuídos pelo sujeito que vive
a exeriência.
Sob esta persciva, o sigiicado do cuidr com
o paciente com AIDS deverá er bucado nos sujeitos
que rem esse cuidado, ou seja, os funcionáios do
Serviço de Enfenagem por seem eles os que viven
cim esse cuidr. Através do eu logus, da sua fla é
possível chegar ao signiicado dessa experiência na
medida em que a fa revela parte do SER do homem.
Assim para que o fenÔmeno situado "estar cui
dndo de um pciente com AIDS", num contexto
hospitlar pudesse mostrar-se a nós, e desvelando,
era ncessário buscar nas flas dos funcionáios que
dele cuidm, o signiicado desse exerienciar.
Elabormos então a questão orientadora "O que
signiica para você o cuidar do pciente com AIDS
?"
para ser poosta a cada um dos funcionários de for
ma a lhe ossiblitar eu depoimento.
O Local e os Sugeitos da Pesquisa
O estudo foi planejado pelas autoras para ser rea
iado na Unidade de Intenação de Moléstis Infec
to-Contagioss do Hospitl ds Clfnicas da Faculdade
de Medicina de Ribeirão Preto - USP. Aós enci
nhento
àComisão de Éica do hospital, o projeto
meeceu aprovação.
Os depoimentos form coletados no período de
02
de março a
09
de abrl de
1 990
e abrangeu todos os
.
funcionários que atuam nessa Unidde (enfeneiros,
técnicos, auxires e atendentes de enfenagem) bem
como enfeneirs e diretora de serviço de Cfnica
Médica que, como já expusemos, ssumem tmbém
funções nessa Unidade.
Coleta de Depoimentos
Enquanto enfenera-chefe da Unidade, comuni
camos durante as passagens de plantão nossa intenção
de rr um estudo para o qual seia importante a
colaoração de todos.
Disemos que o objetivo era conhecer como esta
vam vendo o cuidado ao paciente com AIDS, o signi
icado para eles, com vistas
àcompreensão desa
visão. Explicmos também que a participação voluntá
ria, que o depoimento teria caráter conidencial, não
haveria necessidade de identiicação e absolutmente
não seria usado julgamento ou censura.
Solicitamos inda que aqueles que se dispusesem
em participr que dclarasem, or ecito, que o esta
vam faendo de live e espontnea vontade, atendendo
assim
à ecomendção que nos foi feita ela Comissãode Éica do Hospitl.
Todos os funcionários se dispuseram em colabo
rar com entusiasmo e ssim, mediante encontros indi
viduis, fomos oientando para que dessem o seu de
pomento.
Foi entegue uma folha de papel sulite onde ha
via a questão orientadora.
"O que signiica para você o cuidar de um pa
ciene com AIDS
?"
Como as atividades são frequentemente intens
na área, eserávamos um momento de pausa entre es
sas atividdes, falávamos com cada um e entregáva
mos a folha de papel onde ele ria esonder, odendo
levr para csa mas com a orientação que nos entre
gasse em outro momento.
Não houve rcusa de
nenhum dos elementos,aenas deixou de participar quem estava de féias, i
cença-saúde e icença por cidente de trablho.
Foram coletados trinta e cinco depoimentos.
Leitura e Análise dos Depoimentos
Buscmos na leitura dos depoimentos as suas
convergências, ao invarinte, ou seja, aquilo que e
apesentava com a característica de eeiividade. Es
se nvariante está apontando pra aquilo que é, ou seja,
a esência no pensar fenomenolóico.
Esa leitura com visits
àaprensão das con
vergêncs e elaboração das unidades signicativs
* I Enono lntemericano de Pequia Quiiaiva em Enfemagem, São Paulo, 22 a 26 de feveeio de 1 988
L
foi da egundo os psos da etologia fenome
·nol6ica confone prconzam MARTINS &
BICU
DO" e MARTINS e cols1 6;
- O pequisador detém-se na leitura da des
crição do princípio ao
roem bucar inda
qulquer interpetação ou ideniicção de
qulquer atibuto ou elemento, a
rode che
gar a um senido gerl do que está escrito;
- No momento em que um enido foi obtido,
o pesquiador volta ao início e lê novmente
Io exto, agora tentando atavés das con
vergências aprender unidades de signiica
do, dentro da sua erseciva e focndo o
fenÔeno que está sendo pesquiado;
- Ap6s obter unidades de signiicado, o pes
quisdor ercorre todas as unidades idenii
cadas e expressa o signiicado conido nelas;
isto é pariculmente verddeiro para s
unidades que são mais reveladores do fenÔ
meno considerado;
- Finlmente o pesquisador sinteiza todas as
uiddes de signiicdo para chegar a uma
estrutura do fenÔmeno.
Desta foma, a anie dos depoimentos dos fun
cionários da clnica do estudo nos ossiblitou chegar
sunidades que expressm a esênca do signiicdo
do cuidar do pciente com AIDS.
3 -
APRESENTAÇÃO E ANÁLI SE
DOS RESULTADOS
A análise dos depoimentos de trnta e cinco fun
cionários sobre o signiicado do cuidar do paciente
com AIDS, nos permite observr que há convergên
cias ente eus conteúdos, ou seja, asectos considera
dos relevanes por eles no que se refere a ese cuida
do. Esss convergências possibilim-nos alguns des
velaento desse signiicado de fona que podemos, a
par de sus falas compreender o seu cotidiano de
trablho.
Desta fona, a anáse compeensiva dos deoi
mentos nos revela que, aos olhos dos funcionários, o
cuiddo do paciente com AIDS se mostra como: .
Uma atividade de Enfemagem que deve ser feita com muito rigor, c uidado e aenção onde qulquer descuido
d
e levr a essoa a econtminar e se tomr um d�nte mém.
As fls dos funcionários evidencim de fona marcante
a sua ercepção de que corem risco ao
prestar o cuidado:"Corro isco de adquirir esa doença"
"Toda atenção é edobrada"
"O
isco de coninação existe em cada
movmento dos possionais"
"Devemos nos prcaver para evitr uma
possível connação"
"Corro o risco de me conminr aciden
mente"
"Esmos sujeitos a qualquer ipo de is
cou
"O fansma da contaminação é muito
grnde"
Um olhar atento para s aividades deemenha
das or esses poissionais nos emite visulizar a
razão de sus perceçes de que correm risco.
74 R. Bs. Enfen., Bsiia, 4 ( 1); 70-8 1 , jMJmr. 1 99 1
Qundo emos ciência, na cnica, que o vrus
HIV foi detcado nos vios luídos orgânicos, vemos
que o manuseio com eses luídos é frequente, desde
muis punções venos para dminisrção de medi
cmentos (os nibi6icos não odem er feitos na
mesma hoa e
s
vees nem no mesmo lcl) até co
lheitas de sngue, liquor, uina, fees, escarro,
punções de medula, bi6psia.
Ese mnueio acontece tmbém na trca de frl
das e na desinfecção de uina e fezes pois gerlmente
o pciente apreena diaéia.
Desde que os idéicos são atendidos neste lcl,
observamos aumento da incidência de cidentes de
trablho por motivos insignificantes, ms que, a6s o
comunicado de cidente de trablho, os poissionis
form seguidos no mesmo mbulat6rio que os aidéi
cos, havendo igor quanto a data das colheits paa a
pesquia de ani-HIV.
Todo o grupo tomou conhcimento desses fatos
paa se tomar mdids no enido de e evir tis aci
dentes. Esses, gerarm um clima de ansiedade! pois,
lém de os proissionais de saóde que lidam com os
idéicos serem considerdos como gruo de risco,
havia a incerteza e execaiva de o exme dr osii
vo em qulquer momento ds colheits.
No início, o resultado do exme pa ani-HIV
era impresso como "osiivo" ou "negativo". Poste
rionene, o resultado era impesso em níveis de itu
lagem e níveis de "cut-off'. Dessa foma, aumentou a
intranqulidade quando o poissional acidentado po
curava ver o resulado e não entendia, julgndo que se
estava escondendo lgo dele, sendo difícil ceitar o es
clarcimento obre esta fona de resultado.
Tl clima fez com que lguns proissionais econ
dessem ou não izesem o comunicado oicil de aci
dente de trablho sofrim uma picada com agulha
contaminada pa evitar s
dissaboes ms, era certo
que eles faziam a desinfcção do local coretmente.
Outro dado expessivo de que o pofissional ente
que core o risco e teme o contágio surge sob a foma
de críica
àequie médica no que se refee ao
diagn6sico imediato, solicitando a esquisa de ani
HIV:
"O que mis me procupa, no entanto, é
o comortmento dos médicos, que
pimeiro edem todos os ipos de exa
mes
a
deois edir o HIV".
"
. • .S6 liberndo o isolmento quando
iver certeza do resultado negativo, neste cso outros pacientes que icam jun
tos na mesma enfenaria mbém estão
corendo rico"
"os médicos intenm o paciente e de
mora
a
colher o ani-HIV; primeiro
colhem todos os tipos de angue, menos
o que teria que ser prmeiro lugar:
HIV"
mdica.
Outro fato interessante é que, mesmo qundo ela tem a certeza de que o pciente ertence ao gruo de risco e com o resultado negaivo de anti-HIV, as pre cauções com angue e luídos orgnicos são feis.
Observamos ainda que a apeenão dos proIssio nais em relação ao risco de continção e conIgura num futuro póximo ou remoto, os os estudos sobre o temo de soo-conversão não emitem ainda a con Inação diagn6sica imediata.
Desta foma, a contminação enquanto ossibii dde conceta de sua existência emerge de força muito preente em seus depoimentos, evindenciando um co idiano de trabalho emeado por essa incerteza. Não se trata mais de uma ossiblidade que se apresenta a qualquer essoa, mas sim a S UA pessoa, ois dada a S UA situação de trabalho, ele é mais exosto à doen ça.
O desvelar dessa faceta remete-nos a releir so bre um coidiano de rabalho que precia ser compre endido numa erseciva administrativa.
Uma aividade que se reveste de um medo muito elacionado ao risco da continaçio:
Paralelmente ao ico da contanação o seu co idiano de trabalho se mostra emeado elo medo como mostam as sus fals:
"Medo da morte"
"Não sei bem ao certo se é ter medo de se contaminar ou se é medo do pr6prio pa ciente"
"Tenho medo"
"Não teria estrutura para erradicar o meu
mdo"
"Sinto medo de ser contaminado" "As vezes sinto receio"
"Me sinto temeroso, com medo de cuidar do paciente"
Apreendemos nas falas dos prossionais que esse cotidiano emeado elo risco é gerador de uma en sação de medo. Esse medo nem sempre surge clara mente defmido ou s vezes explicita o medo maior -"medo da morte".
É
interessante observar que em nossa vivência nessa Unidade, no exercício de nosss funções, este senmento de medo não se mostrava tão claro para n6s. Acreditávmos que com as noss orientações so bre fomas de proteção que poderiam lançar mão, so bre meios de transmissão, procurando sempre material necessário e, sobretudo, com a nossa postura essoal de tranqulidade em relação aos riscos, não houvesse medo na intensidade em que pudemos perceber nos deomentos.Julgávmos também que a foma como vínhamos distribuindo as diferentes taefas erinentes à s sistência de enfemagem de modo a possibilitar um rodíio de pessoal nos cuidados considerados mas di retos e a implementação de uma Ilosoia de trabalho em quie de fona efeiva, pudesse estar menizando o medo da exosição à doença e, consquentemente, dinuindo-o.
Entretanto, os deomentos veêm mostrar que is so não ocorreu; é um entimento que está presente de foma clara ou mais velada.
No cotidiano de trabalho na Unidde não temos o�servado ecusas em ssstir o doente or parte
des-ses proIssionais, aesar desse senimento de mdo que verbim. Isto nos leva a penar que aprenderm a conviver com o medo e o incororm ao modo como se situm no mundo da Unidade.
Desta fona, o medo passa a fzer parte do seu mundo de trablho e oderia estar abindo, a nosso ver, um cminho para a ngústia. Suas expressões de medo contém, na ealidade, a incerteza de sua sobre vivência e, nesse sentido, está em jogo o seu SER.
No pensr de HEIDEGGER 8 , a ngúsia surge da carctersicas fundmentl do homem como o ente cujo er se orienta pela peocupação com sua pópia existência.
É
esse modo universl que o separa de to dos os demais entes do Universo. A angúsia, dz o Il6sofo, não ode ser enfrentada, or um ser fmito, por mais do que um beve instante, tl o horror e o desespeo que odem se aoderr dele.Do exposto, prce-nos evidente que tl coidia no de trablho prcisa merecer mais atenção dos seto res administrativos, de modo que o conviver com ese medo possa ser trabalhando de fona a proorcionar condições mais humans de trablho.
Uma atividade onde o dente a ser cuidado apresenta-se como difcil
Vejmos algums falas que nos possibitm essa apreenão:
"É
diícl idr com ele" "São inescrupulosos""Quse todos tomm-se agressivos" "Aenas exige"
"Pacientes tão carentes"
'Pacientes com o quadro psicol6gico muito alte rado"
"Durnte a intenação são agressivos, rebeldes, ngusidos, depridos, exigentes"
"Não aceitas cuidados e, s vezes, agridem a en femagem com plavrões"
"Paéiente carente e apavorado"
"Paciente não conIa no tratmento, lém de trnsmiir toda a sua ansiedade e depressão" "Eles não gostam de Icar sozinhos, chmam toda
hora, muitas ds vezes sem ncessidade" "Reconhece pouco"
"Estado geral bastante debilitado"
"O que pssa pela cabeça deles não abemos" "Difíceis de ceitar a doença"
"Fazem perguntas que eu não osso responder"
As qualiIcações citads em relação aos aidéicos (inescrupulosos, agressivos, carentes, rebeldes, ngus iados, depridos, exigentes) nos dizem o quanto é diícl compreendê-los.
Há situções em que o viciado em drogas endo venosas apesenta-se na sua intenação sem rede ve nosa acessível, necessária para ração dos exames de sangue e tratamento, já que ele sempre usou essa via pra injeção de drogs; ocore, então que nos mo mentos de e fzer a punção o paciente Ica escolhen do o locl, ensinando-nos como excutar a técnica. es sa atitude do paciente vem chocar a equie de enfer magem na medida em que entendem que ele quesiona a pópria capcidade profissional dos seus integrantes.
Qundo percebemos a agressão verbal do doente frente ao proIssionl, chegamos a não suortar
l
agessividde, ois no nosso entender estamos f paraL
ajudá-lo e não para prejudicá-lo. Em um pmero momento, a nossa reação seia revidr a tudo quanto ele nos ofende, s sso ica somene na intenção, ois
imediatamente vem à tona o idel de enfemagem; prestção de ajuda.
Dessa foma, tentndo compeendê-los prcura mos transcender a dimensão do tratmento sico que está agedindo a sua integridade fsica, que é o que ele quer preservar nquele momento.
Temos obervado também que o tratmento en dovenoso or exemplo, com anfotericina-B e eveste de uma diiculdade particulr para o doente que o re cebe, dadas s eações orgânics que o acometem, s como aumento da febre e tremores, levndo-o, muitas vezes, a não suortar o tratamento. Assim, é comum que o doente solicite alta, implicando numa ostura de abndono do tratmento.
Essas situações são vivenciadas pela equipe de enfemagem, que, muitas vezes, tem diiculdade or não saber do que fzer com o doente nesss cir cunstâncias, gerndo um cima de insegurança que se instala para ambos - pciente e enfemagem.
Nesse sentido, os elementos da enfermagem se deparm com situações de conito onde emergem fa
cetas igada
à sua capcidde proissionl para seleção do lo cal de aplicação da medicação, capacidade essa que, como já refermos, é questionada elo paciente, e s diiculdades crescentes que esss essos vão tendo para selcionar uma veia, dado os danos que a pr6pria mdicação gera na rede venosa do doente. A esss, acresce-se o conlito diante da necessidade de execu tar o prcedimento prescrito pelo médico e compeen der o doente na sua erceção dos efeitos desagradá veis da medicação e sua intenção de abndono do tra tamento.
Como podemos ver, não se trata de uma tarefa fácil para a enfemagem, considerndo que o ato de comprender o ser humano não se aprende em ma nuais ou compêndios, ms sim envolve o vivenciar de situações onde o outro se apresenta carecendo de compeenão.
É
o cotidino do trablho com esses doentes que revela aos proissionis a perceção do sofrimento humano e os rcursos essoais para com prtilhar com ele os momentos peeados or esses conitos.Nesse sentido os depoimentos revelm que a pos sibiidade de compeençãp do . pciente com AIDS e apresena nterigada ao grupo de co ao qul o pa ciente pertence. Desta foma, em suas fals emerge um julgmento concenente a hist6ia de vida do pa ciente. Vejmos algums fls nesse sentido:
"O homossexual é o que é mais cessível" "O hemoflico: o mais apáico e um pouco revol
tado"
"O viciado é o paciente mais difcil de se chegar" "Sinto ena ds criançs, orque são víimas da
faidade"
"Os demais aidédicos, são consequências de seus pr6prios atos"
"Os homossexuis, drogados, presidiáios são mis dependentes"
"Os hemolicos, crianças, sinto tmém pena" "As cianças são a pate que me d6i
s
""Não rejeito os hemolicos"
O que e revela para n6s é que os funcionários
76 R. B. Efem., Bsia, 4 (1): 70-8 1 , Jmr. 191
perceem o pciente como ertencente a um -grupo de risco, julgm a sua foma de vida anteior, elcionm o gruo de isco a deeinado comortamento e têm consciência da discinação socil e fr que cer ca o paciente.
Ao lado dessa perceção, não se observa inter ferência desses fatores no cuidado ao paciente mas sim, na sua foma de compreenção, na foma como pode ur seus ecursos essois para comprender. Naturmente que podemos empeender esforços na busca de subsídios que nos auxiliem no fortaleci mento desses recursos pessois, pois, coo refere DANIEL", saber como conseguir que os outros façam aquilo que desejmos é uma "arte" que ode er de senvolvida primeirmente pela consciência de se pre ciar melhorar, deois ela práica de regras de comu nicação posiiva e pelo uso de atitudes favoráveis de relacionmento.
Temos, enqunto enfermeira responsável pela cheia dessa Unidade, procurado fomas de atenuar esse clima de trabalho que se apresenta desfavorável aos proissionais de enfemagem.Dessa foma, por so licitação nossa, o Setor Administrativo do hospitl en cminhou á Unidade duas médicas psiquiátrics que, num exercício profSsionl voluntário, ravam atendimento dos paciente e dos funcionários da en fermagem.
Entretanto, tal iniciativa não se constituiu em me lhores perspectivas para a unidade, pois as inúmeras tarefas a serem desenvolvidas pela enfemagem não lhe ossibiitavam disponibilidade de temo para rce ber a assistência de apoio no tempo em que esses pro fissions eneciam na cnica.
Posteriomente, houve a contratção de um médi co psiquiatra para exercer seu trablho de maneira formal na Unidade, envolvendo pacientes e funcioná rios. Da mesma foma, face ao grande número de ta refs tem havido diiculdades para a enfemagem re ceber o aoio de foma efetiva.
Nesse sentido vemos que há um longo caminho a ser ercorrido na busca de fomas de sistemaizar a assistência de enfemagem clcada em outros modelos que não a execução de tarefas, de foma ·a proporcio nar ao pessoal de enfemagem a possibiidade de pro curar apoio e, portanto, melhor potencial para relacio nmento com o dente.
Uma aividde que gera desconforto ao pro nssiool, dda a escificidde ds tcoics:
A esciicidade ds tcnics a serem deenvolvi das durante o cuidado ao paciente com AIDS, é er cebida pelos funcionários como geradora de grnde deconforto fsico:
"Causa incÔmodo devido ao calor e ao temo que se gsta para e pmetrar" "Já entra no quato sabendo que tem que
colcar toda a oupa, sem contar o clor; a máscra é horrível"
"Não vê a hora de r do quarto e se ver livre"
"Não suondo icar esclado na mesma enfeia or-dis seguidos"
"Fica-se muito temo dentro da en:\r meira, isto abala muito psicologicmen te"
seni-mos o suor escorrer da cabeça os és" .. Acho desgstnte icar denro da enfer
maria devido aos cuiddos que se pro cessa ao entrar e atender"
"Os cuiddos que se pologm or dus ou mais horas, é bstante canaivo"
Os deoimentos expressm o deconforto que o pesoal de enfermagem sente qundo do cuidado com o paciente com AIDS. Apesar ds tcnics eem roi neiras pra o serviço de enfemagem de modo geral, els se revestem de uma eseciicidade paricular nes se cuidado, dado o isco de trnsmissibilidade. Desta forma, uma higiene orl, um auxlio pra mentação ou mesmo a veriicção de uma diuese ssumem ca rctersics muito própras nessa clíica.
Percee-se nos deoentos que esse desconforto é ercebido por eles interligdo ao temo equerido para se p
m
enarem e e desparenarem pra a execução ds técnicas. Há cuiddos esciais a serem tomados com cda parmento, or exemplo: o gupo e a máscara devem ser desinados ao lixo do quarto, a luva quando ivre de ngue deverá ir para um glhe teiro especil e qundo com sangue deverá ir para o li xo e ssim por dinte.Todos eses p
m
entos levm a uma sensção de calor, agravada pelo clima naturmente quente da ci dade e que tmém gera grande desconforto pra o pessoal.Temos pcurado no nosso coidiano, ao fzer a escla dia, determinr para cada proissional o cui ddo a um só pciente com AIDS e tmbém a pacien tes de outrs enfemaias que não idéicos, em odí zio de dias, numa tentativa de atenur todo esse des conforto que os elatos expresam. Ms nem empe isto é possível devido ao número reduzido de essoal e também à necessidade do idéico do sexo
c
ulino, por exemplo, ceber cuidados de um proissional do mesmo sexo; então, muits vezes é sempre o mesmo proissional que está a cuidar do mesmo paciente.Durnte este temo, os demis pcientes sob sua resonabilidade não entendem a demora em serem
atendidos: além do
s
, tona-e-ia ncsio umproissionl que eja "crculante" para atender os co
legas dento ds enfes; s, como o número de
pessoal que teos, isto não é possível.
Dadas as carcterstics de transmisiblidade en volvids, caberá ao pessol de enfemagem excutar as tarefs com todo os cuidados inerentes a els, ae sar do desconforto que ente, os eses cuiddos re preentm, fundentalente, a sua potção e do pa ciente.
Prce-nos entento que lgums mdids ad mnistraivs eim pssíveis de eem tomads e que implicarm em melhoes condiçe de rablho.
Perceemos que o deconforto elos p
e
ntos,pelo tempo excessivo em estr e pamenndo, em estar pestando cuidados, eria eniado se esives semos sob ar condicionado. Desa foma, o pciente também seia beneicdo, já que ele apeenta febe constante, sudoese intena e, na mioia ds vees, ele peanece com ouca oupa, inibindo o posional.
São soluções ossíveis ms que deendem de de cises a nível dminisraivo que, or vees, erdm ou postergm medids que odem repesenr elho res ondiçes para os funcionos. Pce-nos clo
que, num coidiano onde esencilmente estão peen
tes o risco, o edo e a diiculdde em interagr com o
paciente dadas as sus carctesics, confome mos tram os depoimentos, o fator conforto ico eia o menos diícil de ser coneguido, ossiblitando con diçes mas humanas" de trablho.
Ua aividade pra a qul a ossibidade de oção esol é fundmenl
os depoimentos expressam com clreza que eses elementos da equie de enfemagem e ressentem or não teem podido opinar quanto a sua disonibilidde em cuidar do pciente com AIDS.
Como já foi exposto, os pacientes com AIDS ão intenados na Clnica de Molésas Infcto-Contagio sas, locl onde outos pcientes, oradoes de outrs molésias, são intenados. Esses funcionáios, or es
tarem lotados nessa Clnica, cabm por ssumir
se
cuidado esecico ao paciente idéico. Desta foma, percebem que essa dença surgiu em eu mundo de trablho e com ela o paciente a er or eles cuidado de
foma tão paricular, marcante e estr
sn
te.As sus falas dizem reseito ao eu enimento de que entendem o cuidado a esse pciente coo caente de uma disonibidade essoal paa o "cuidar":
" • .
" . em
�
�a, não snta muito deejo decUIdar • . •
"Procuro dr tudo de mim, or ela (a criança) ofro muito . . . "
"Pois como somos obrigados a idar com ese ipo de pciente"
''Tods as vees que cuidei de pacientes com AIDS, não gostei"
"Vou pedir rnsfeência"
"Não me rcuso a dr-lhe cuiddos, só
não consigo dar-me or inteo"
"Se fÔsse pra cuidr aens de paciente aidéico eu me rcu, ois não tea estrutua suiciente"
Ouros deoentos fzem observaçes elevn tes em elção ao esoal que lida com os idécos, evidencindo que além da disponiblidade sl, er ceem que um peparo se fz ncesário. Isto é ee bido por eles como esencil e lguns deoientos s pemitem essa nlise:
"Cuidado tem que ser dado or esos que estejam ica e menlmente ã paa tnsmiir a este pciente tda a nqui lidade e coniça de que ele nto pci sa"
"Pcimos de ms aoio, que noS autoiddes da aúde -evitem que sso cresça anto"
"Estr preparado espiritul e piolói cmente"
"Devem esr empre fendo eus com sicólogos • • • Devem er
a
esoa esl, abnegda, pcena" Ainda obervmos referências à nsidde de uaa
esecica no hospial que puse obigr eses pcientes de foma a erem atenidosor
quie escíica e preprda. O que demos eeer,or
tnto, éque um requsito de eseciicidde eere e foma muito pene nos deomentos e no qul sá conida a questão da sua oção pra o cuidr."Se o pessol pudesse uma área para pa ciente com AIDS eu estaria· disposto a cuidar, desde que fosse oferecido toda a segurança e condições de pessoal" "Deveria haver uma área espcífica para
este ipo de paciente, ois haveria mio res condições de aperfeiçomento de essoal"
"Talvez se fosse uma clínica s6 para eles, que ivessem uma sala para se reunrem e trcar idéis, quem sabe fossem menos rebeldes"
Os depoimentos mostram ainda que a seus olhos, essa aividade é crente de valorização pelas Insti tuições de Saúde, carência essa que se expressa na baixa remuneração por seu trablho:
"Angarir recursos maiores, pois afmal de contas você não pode exigir que pes sos ponhm em risco sua própria vida para serem ml remunerados"
"Os funcionáios precisam de mais co nhcimentos e apoio"
"Que sejamos reconhecidos monetaria mente"
"Qul a nossa garantia"? perguntam os funcionários? Por quanto temo sobre viveremos a este desafio?
A leitura desses depoimentos nos remete nova mente às várias tentaivas que Izemos para que algu mas medids adnistrativas fossem tomadas no senti do de melhorar as condições de nosso trablho.
Assim é que solicitamos através de um abixo s sinado, ao Serviço de Nutrição e Dietética, lanche re forçado, porém, não tivemos resultados. Solicitamos também junto à Justiça do Trabalho, a remuneração semelhante ao do pessoal do Hospitl Emlio Ribas, de São Paulo e não ivemos resultado.
Solicitamos ainda através de outro abaixo assina do à administração do Hospital, mais um tlão de va le-refeição e aimento da nossa taxa de insalubridade e mis uma vez não tivemos resultado.
Entretanto vemos com esse estudo, que não po demos desanimar e que novas tentativas deverão ser feitas para sensiblização dos setores administrativos do hospital de foma que esse essoal possa ser con templado em sua situacionalidade de risco e de incer teza.
Um cuidado que se distingue dos demais fe à complexidade psicol6gica do paciente que o recebe
O pessoal de enfermagem expressa em sua fla que o cuidado ao paciente com AIDS se mostra a eles de foma bastante semelhante aos cuidados que pres tam a outros pacientes dependentes ou parcilmente dependentes. Porém percebem que a disinção reside naqulo que denominam "parte psicol6gica do pacien te". No eu entender esses pacientes apresentam com portamentos que requerem mais atenção e compre enão face à gravidade de sua situação, onde uma in tenação é percebida por eles como "o começo do im".
As falas nos mostram que os funcionários ideni fIcam "os problemas psicol6gicos" geralmente apre sentados por esse paciente e, principlmente, erce bem que a assistência psicol6gica é fundmental.
"É
saisfzer sus necessidadesIsiol6gi-78 R. Bs. Enfel., Bsiia, 4 ( 1): 70- 8 1 , janJmar. 1991
cas e psicol6gicas"
"Requeer mior atenção para o seu esta do físico e pnciplmente para seu esa do psicol6gico"
"Paciente com menos resstênca fsica e as vezes, mentl"
"Fragidade emocionl do aidéico" "Ncessita de cuiddos ntensivos tanto
na pte sica como psicol6gica"
Observamos que o pciente com AIDS fez com que estes prossionis esem a associação men te/corpo e a equie de enfemagem nesa unidade, tem se voldo pra o pciente como um SER TOTAL e na medida do possível tem procurado meios para s sisf-Io como um TODO, atingindo tanto o " ísico", como o psicoI6ico".
Pelos depoimentos vemos a foma como buscam tonar sto possível:
"Cuido deles com mas cainho, sofro junto com eles"
"Dando valor maior ao dilogo"
"Faço o possível para que o pciente eja bem cuidado e tenha todo o conforto" "Com carinho e compreensão"
"E é na enfemagem que eles mis se apegam"
"Procurar aiviar sus dores, dar aoio, ficar ao seu lado quando possível" . "Desabafa conversndo com a enferma
gem"
"Tento com o dilogo dr solidariedade a esses pacientes"
"Uma psicoloia mais apurada para fzê los comprender o porque de alguns cui dados"
Vemos portanto, que ao lado das atividades ísi cas, o dilogo, o "desaforo" está sempre presente nes se cotidiano de assistência e que tentar identiIcar o problema do paciente é difícil, mas não impossível. Essa postura possibiita um relacionamento efetivo en tre o ser assistido e o ser que assiste, de forma que o doente conIa em quem está ao seu lado, desabafando, enIm.
Observamos tmbém que o doente "desabafa" quando ele tem a percepção de alguém disposto a ouví-lo e interessado em compreendê-lo em sua si tuação de doente.
A enfermagem modena com o avanço técnico cientíico tem sofrido um processo de fragmentação do objeto a ser cuidado, de modo a facilitar as tarefs e aumentar a produção do trabalho da enfemagem. Paralelmente vemos a pópria medicina dicotomizn do o indivíduo, fomando cada vez mais especialstas, dentro de espciaidades.
DANIEL5 nos aleta para o fato que na práica tem-se feito dicotoia ente o somético e o espiritual' e or vezes nem os asctos de aoio psicol6gico são associados ao tratmento somáico.
"O hoem estrá negndo a reaização totl de sua oencidade como er sensível, enquanto ersis tir a dicotoia ente o nteno e o exteno, entre a mente e o coro", nos elaa tmbém LOWEN 1 2.
nosso cuidado ms sim como seu sujeito e con-deter minador aseverm B OEMER coP .
A enfemagem ode, no eu ato de cuidar, estar considerando o dente no eu "sendo dente" e com parlhar com ele, através da compreensão, os momen tos emeados pela angústia e sofrimento. Temos visto ser isso ossível para os funcionários ainda que sob um cotidiano que se lhes apresenta com muits dii culdades.
4
CONS IDER AÇÕES F I N A I S
Em nossa proposta de compeensão do significa do do cuiddo de enfemagem ao pciente com AIDS, aos olhos de quem presta esse cuidado, ercorremos uma traetória metodológica que nos ermitiu o desve lamento de algumas facetas desse cuidar.
Estar cuidando do paciente com AIDS é visto e los funcionários como uma atividade onde o risco emerge de forma muito preente, forte e ameaçadora e ese risco existe em cada movmento, em cada ato de cuidar.
Na execução das atividades pernentes à assitên
cia de enfermagem esse risco e lhes apresenta como um "fantasma" cuja presença não se anula aesar do rigor das técnics pra prevenção da contaminação. Por outro lado, esse mesmo rigor que lhes proporciona proteção do risco é gerador de grande desconforto í sico dado o tempo requeido para vestir e desvestir os paramentos usados na unidade, de foma particular para o cuidado ao paciente com AIDS. Ao fator tem po, acrece-se o desconforto elo clor exacerbado ' pelos parmentos já refeidos.
Ao lado dessa faceta de risco e em decorrência dele, o medo também emerge em suas flas expressan do que ele faz parte do seu mundo de trabalho na me dida em que eles se vêem ameaçados em sua integrida de. Sua erspectiva futura afima BEANI' a possibili dade de vir-a-ser um doente tmbém.
Revelam ainda em sus fals que o grupo de reis co a que pertence o paciente é um fator que não está alheio ao cuidado, e que a possibidade de compreen derem o paciente e apresenta interligada a ese grupo. Desta forma, suas flas expresam um julgmento concernente à históia de vida do paciente e são cons cientes da discminação scial e famiar que o cerca.
R EF E R Ê N C I A S B I B L IOG R Á FICAS
I BEAINI, r.C. A escuta do êncio l estudo sobre a ngua
gem no pesento de Hedegger. São Paulo: Cortez,
198 1 .
2 BERGAMO, M. ; MARCELINO, K. ; GARRIDO, L . S . Po cedimentos fécnicos Básicos na prevenção da "AIDS" num Centro CiÚrgico de gande oe. Rev. Bras. Enf.,
BrasOia, 4 1 (2), 155- 160, AbriVJunio, 1 988.
3 BOEMER, M.R. e cols. A quem ofecemos o cuidado de Enfemagem - Uma visão fenomenol6gica, In: I Se minário Nacional - o erfil e a competência do enfer meio -NIS, Bs1ia, Scearia da Sa1de - Fun dação Hospialr do Disrito Federal, 28 de eembo a 2 de outubo, 95- 103p., 1987 (publicado m 1 989).
4 BONfEMPO, M. "AIDS" - Esclacimento global e uma aordagem altenaiva", São Paulo, 1 5 8p.
Desvelr essa quesão - a intensidade desse edo parece-nos fundamental no exercício de nosa função de chefia, pois, embora não o ignorássemos, não o sabímos em níveis tão altos e certamente tere mos que estar atents na busca de cinhos que os sm trabalhar esse entimento no cotidiano da cinica.
Vemos também que ercepção que os funcioná rios têm do paciente com AIDS como "difícil" advêm do seu convívio com ele e das diiculdades que enfren tm nesse lidar. Expressam também que a "parte psi cológica" representa uma dimensão especial do cuida do e, em sus verbalizações, o temo "diícil" já se apresenta interigado à uma observação de agressivi dade, exigência, caência, rebeldia, angústia, de pressão, agressão, ansiedade.
Sem dúvida que lidar com todos esses sentimen tos requer preparo e essa necessidade é sentida por eles. Além do preparo, demonstram ainda nos depoi mentos, que conhecem formas de transformar essas condições e sugerem área física espcíica, pessoal es pecífico e quipe mulidisciplinar que, mutuamente, se auxilie nese cuidar, numa filosofia de trabalho que contemple a ambos - o paciente e os prestadores de cuidado - em suas situacionidades.
Há de se considerar ainda que s falas dos fun cionários nos remetem à questão da opção pessoal pa ra o cuidado. Há muitas convergências nesse senido e elas expressm com clareza que essa é uma faceta que se lhes apresenta como fundamental.
Poder optar por prestar o cuidado ao paciente com AIDS signiica, a nosso ver, que vêm uma espe ciicidade nesse cuidar e que essa especiicidde re quer oção, peparo, vlorização e rconhecimento. São esses os cminhos que podem levar a novos hori zontes para uma sistematização de ssistência de en fermagem ao doente portador de AIDS, sistemai zação essa que contemple o paciente e o funcionário em sua dimensão existencial, resgatando a pessoa viva existente em cada um e expressa na foma em que se percebem mutumente no mundo do hospital.
De todo o exposto parece-nos clara a necessidade de mais estudos que, ao desvelarem outras facetas li gdas ao doente, à fia e s instituições de saúde, possm se constitur em novos horizontes de compre ensão para a ssistência ao paciente com AIDS, sob a perspectiva do cuidar.
5 DANIEL, L.F. A enfemagem planejada. São Paulo, EPU, 1 3 3p. 1 98 1 .
6 DESSUN fI, E.M. Percepção de discenes e equipe de en f�magen em relação ao paciente com sseita ou dlagn6stico de AIDS , Rev. Gaúca de Efeagem,
Porto Alege, 1 1): 45-5 1 , janeiro de 1 989.
7 GIR, E. Interação verbal entre a equipe de enfeagem e pa
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8 HEIDEGGER, M. El ser y el tepo. fradução J. Gaos. Mé xico, Fondo de Cultura. 1 967.
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O
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17 MORIYA, T.M. MANZOLI,M.C., Isolmno em dençs nsssíveis: oneião m Enfenam. Rv. Esc. En. - USP., So Paulo: 2(2): 89- 10, 1986.
18 OLIVEIRA, M.H.P.; VIET fA,E.P.; MORIYA, fM.; GIR, E. Reçes emcioais dos oadoes e dençs exualmne ssíveis no momento da conr mção do seu diagnósio, Rv. Bs. Ef., Bsnia,
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20 PRA TT, R.S. S -Ua estratéga para a ssst2na de
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ANEXO I
Rcomendações esecics ertinenes s roinas
e tcnicas exiids pra a pevenço e omento dos
poradores de AIDS. .
1 .
É
udo dentro do sistema de isolento umaQurto: privaivo A ventl: obrigatório Máscara: obigatória Popés: obrigat6rio
placa de fundo relo ns bordas, e no cen to taz as pecauçes escritas em fundo brnco, comendndo-e desta foma o io lento potetor com pcauções de luidos e sangue:
. Luvs: obrigat6is
Ê
Mãos: lavagem antes e sair do qurto com;
água e abão, e a eguir etanol a 70%com gicena Objetos: decartáveis Goro: obrigat6rio
Exceções e materiis: hipoclorito de sódio (ll2h)
23 cm
2. Dentro do quto: apaelho de pressão, este tosc6pio, temÔmetro, colchão forrdo de plásico.
3. Uo de óculos protetoes em csos de colhei ta de sngue artel, spiação de vis éres ou outos prcedentos com ricos.
4. Uso de obetos dectáveis: eringas, agu lhs, copos, pratos, talees, etc.
5. Não eencapar agulhs e eles.
6
Mael cortante e seingas com sangue -desper em gles de plásico duro e com tamps.7. Reirar oupa com técnica de co duplo e em sco plásico de 10 litos.
8
Retirar ael e lixo em sco plásico duplo.9.
Tubos, frcos, cipienes com materil co letado (sngue, urina, fezes, escro, liquor, matel de bi6psis): mr e idenicar com durex veelho e trnsorar em cxa de aço noxidável com m. Desinfear a parte extena com lcool a 70%.80 R. Bs. Enfen., Bsiia, 4 (1): 70-8 1 , janJmr. 191
10. Desinfecção de luídos com solução de hipo clorito de s6dio a 2% durante meia hora. 1 1 . Limeza de unidade com hiclorito de sódio
a 2%. Enxagur aós meia hoa, os o co
de oxidação e grnde.
1 2. Popés usdos - colocar em saco plásico se prdo dentro do saco de roupa.
13. Luvs usadas, em sangue ou luidos, colcar em glheteiro separado. Reirar em co plásico, encminhr à Centrl de Materil.
14. Todo materil do quarto - ideniicar com colnte vemelho com s letras MC impresss (Materil Continado).
15. Mael uado de borrcha - desper.
16. Maeial de aço inoxidável - encinhar em aco plásico à Central de Matel.
1 8.
Mateil que não ode sofrer a ação do clor ou da solução .de glutaraldeido - encaminharà Central de Oxidetileno.
19.
Água para beber - uar frsco estéril de vi dro.20. Superffcies onde e derrr luídos do
pa-ciente - desinfetar com solução de hioclori to de sódio a 2% forrr com pael e mpar aós 30 núnutos.
2 1 .
Toda roupa que esiver no paciente deve es tar livre de luidos. Retirar logo, colcndoo aco de roupa suja, e houver.