PRÓ-REITORIA DE PÓS-GRADUAÇÃO PROGRAMA REGIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO EM DESENVOLVIMENTO E MEIO AMBIENTE/PRODEMA
USO DE PROBIÓTICOS NO CULTIVO DE
Litopenaeus
vannamei
E ASPECTOS SOCIAIS E AMBIENTAIS DA
CARCINICULTURA NO LITORAL SUL DO RIO GRANDE
DO NORTE, BRASIL
A BIOTECNOLOGIA VEGETAL COMO ALTERNATIVA PARA A COTONICULTURA FAMILIAR SUSTENTÁVEL
A BIOTECNOLOGIA VEGETAL COMO ALTERNATIVA PARA A COTONICULTURA FAMILIAR SUSTENTÁVEL A BIOTECNOLOGIA VEGETAL COMO ALTER PARA A COTONICULTURA FAMILIAR SUSTENTÁVELAAA
ALINE HORÁCIO DA COSTA
2016 Natal – RN
Aline Horácio da Costa
USO DE PROBIÓTICOS NO CULTIVO DE
Litopenaeus vannamei
E ASPECTOS SOCIAIS E AMBIENTAIS DA CARCINICULTURA
NO LITORAL SUL DO RIO GRANDE DO NORTE, BRASIL
A BIOTECNOLOGIA VEGETAL COMO ALTERNATIVA PARA A COTONICULTURA FAMILIARSUSTENTÁVEL
A BIOTECNOLOGIA VEGETAL COMO ALTERNATIVA PARA A COTONICULTURA FAMILIAR SUSTENTÁVEL A BIOTECNOLOGIA VEGETAL COMO ALTER PARA A COTONICULTURA FAMILIAR SUSTENTÁVELAAA
Dissertação apresentada ao Programa Regional de Pós-Graduação em Desenvolvimento e Meio Ambiente, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (PRODEMA/UFRN), como parte dos requisitos necessários à obtenção do título de Mestre.
Orientador:
Prof. Dra. Cibele Soares Pontes
2016 Natal – RN
A Deus pelo dom da vida e por me permitir cursar uma pós-graduação.
Ao meu esposo Pedro Henrique, aos meus pais Carlos e Edilza e demais familiares pelo apoio em todos os momentos desses dois intensos anos.
A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) pelo auxílio financeiro.
Ao Programa Regional de Pós-Graduação em Desenvolvimento e Meio Ambiente (PRODEMA-UFRN) pela competência de seus coordenadores, professores e secretários, pois repercute em nossa satisfação por fazer parte desse programa.
À professora Cibele por aceitar me orientar, me fazer amadurecer e por toda a paciência nos difíceis momentos.
À professora Karina por nunca ter se recusado a me ajudar nas horas solicitadas e pelo aprendizado que obtive.
Às professoras Ivaneide, Fabiana e Karina pela participação em minha banca de qualificação e por todas as contribuições dadas ao trabalho.
A todos os meus colegas do PRODEMA pela amizade, pelos momentos de alegria e de descontração e pelo conhecimento compartilhados em sala de aula e fora dela.
À Jaqueline por nos permitir desenvolver a primeira parte da pesquisa na Larvi Aquicultura e Projetos LTDA e a todos os funcionários que compõem essa empresa, especialmente Honara, por toda a ajuda nos dias que estive lá.
A todos os carcinicultores entrevistados por terem aceitado participar da segunda etapa da nossa pesquisa.
Às queridas Myrla e Elaine pelo auxílio na fase de campo.
A Walter por toda a ajuda e rapidez com as análises estatísticas.
USO DE PROBIÓTICOS NO CULTIVO DE Litopenaeus vannamei E ASPECTOS SOCIAIS E AMBIENTAIS DA CARCINICULTURA NO LITORAL SUL DO RIO
GRANDE NO NORTE, BRASIL
A principal característica para que uma produção seja considerada sustentável é assumir que a natureza é finita, evitando-se desta forma o crescimento sem limites. A busca da sustentabilidade na carcinicultura tem sido uma preocupação constante dos órgãos ambientais. A utilização de probióticos tem sido atualmente apontada como uma eficiente forma de tratamento da matéria orgânica presente na coluna d’água e no solo dos viveiros, possibilitando a minimização da utilização de água nos cultivos, que é um dos requisitos fundamentais para tornar a carcinicultura ambientalmente responsável. Os probióticos também atuam como produto natural na profilaxia das enfermidades, promovendo um melhor crescimento dos organismos aquáticos cultiváveis. Dessa forma, a primeira parte desta pesquisa teve como objetivo avaliar os efeitos de dois probióticos comerciais, de diferentes composições, sobre o potencial zootécnico e resistência a estresse de larvas e pós-larvas da espécie Litopenaeus vannamei cultivadas em escala comercial. A segunda parte investigou as
práticas de manejo adotadas pelos micro produtores de camarão do litoral Sul do Rio Grande do Norte, caracterizando-se também os aspectos sociais e ambientais da carcinicultura percebidos por esses produtores. Na primeira fase, os cultivos da espécie Litopenaeus vannamei tiveram início na fase larval (náuplio V), com duração de 18 dias, quando foram
medidas de biossegurança adotadas pelos mesmos. Com relação às boas práticas de manejo recomendadas pela Associação Brasileira de Produtores de Camarão (ABCC), apenas 11,1% dos carcinicultores fazem uso de probióticos e essa variável não possui relação com a renda mensal familiar ou ainda com as taxas de sobrevivência obtidas nos cultivos. Práticas de manejo como fertilização da água e calagem do solo, assim como questionamentos sobre a problemática ambiental também não apresentaram relação com a escolaridade, havendo um manejo homogêneo entre os entrevistados. As micro propriedades produtoras de camarão, representativas da região do litoral Sul do Rio Grande do Norte, apontam a necessidade de orientação e apoio do governo e da devida assistência técnica para que possam implementar boas práticas de manejo, de forma a se adequar à carcinicultura responsável recomendada pela ABCC.
USE OF PROBIOTICS IN THE CULTIVATE OF Litopenaeus vannamei AND SOCIAL AND ENVIRONMENTAL ASPECTS OF THE SHRIMP FARMING IN SOUTH
REGION OF THE RIO GRANDE DO NORTE, BRAZIL
The main feature for a production to be considered sustainable is to assume that nature is finite, avoiding thus the unlimited growth. The search of the sustainability in shrimp farming has been a constant preoccupation of environmental agencies. The use of probiotics have been currently appointed as an efficient means of treating of the organic matter in the water column and ponds soil, allowing to minimize the use of water in farming, which is one of the fundamental requirements to make shrimp farming environmentally responsible. Probiotics also act as a natural product for prophylaxis of diseases, promoting better growth of the cultivable aquatic organisms. Thus, the first part of this research had purpose to evaluate the effects of two commercial probiotics, which different compositions, on the zootecnical potential and resistance to stress of larvae and post-larvae of the species Litopenaeus vannamei in commercial scale. The second part investigated management practices adopted
by micro producers of shrimp in the southern coast Rio Grande do Norte, also characterize the social and environmental aspects of shrimp farming perceived by these producers. In the first phase, In the first phase, the cultivates of the species Litopenaeus vannamei began in the
(ABCC), only 11.1% of shrimp farmers make to use of probiotics and this variable has no relationship with the monthly family income or with survival rates obtained in cultivation. Management practices such as water fertilizing and soil liming, as well as questions about the environmental problems also not associated with schooling, with a homogeneous management among interviewed. The micro properties producers of shrimp, representative of the region of the South coast of Rio Grande do Norte, point the need of guidance and support of the government and appropriate technical assistance to enable them to implement good management practices, in order to suit the shrimp responsible recommended by the ABCC.
LISTA DE FIGURAS
FIGURA 1: Mapa de localização dos municípios de Senador Georgino Avelino e Nísia Floresta.
19
FIGURA 1 - Percentuais de metamorfose encontrados no 9º e 10º dia de experimento.
37
FIGURA 1 - Faixa etária dos micro produtores de camarão do litoral Sul do Rio Grande do Norte.
49
FIGURA 2 - Escolaridade dos micro produtores de camarão do litoral Sul do Rio Grande do Norte.
49
FIGURA 3 - Principais fontes de renda listadas pelos micro produtores de camarão do litoral Sul do Rio Grande do Norte.
50
FIGURA 4 - Renda mensal familiar (%) dos micro produtores de camarão do
litoral Sul do Rio Grande do Norte em função do salário mínimo (SM) adotado no
Brasil no ano de 2015.
50
FIGURA 5 - Motivos pelos quais os micro produtores de camarão do litoral Sul do Rio Grande do Norte não fazem uso de probióticos nos cultivos.
53
FIGURA 6 - Tempo total médio de um ciclo de cultivo realizado em micro propriedades produtoras de camarão localizadas no litoral Sul do Rio Grande do Norte.
53
FIGURA 7 - Sobrevivência dos cultivos realizados em micro propriedades produtoras de camarão do litoral Sul do Rio Grande do Norte.
54
FIGURA 8 - Doenças que apareceram nas fazendas de micro produtores de camarão do litoral Sul do Rio Grande do Norte.
56
FIGURA 9 - Itens listados pelos micro produtores de camarão do litoral Sul do Rio Grande do Norte como necessários para melhorar a atividade de carcinicultura na região.
TABELA 1 - Quantidade de náuplios Artemia ofertados por indivíduo, quantidade
de ração (g) por tanque e frequência de arraçoamento em cada estágio de L. vannamei em cultivo comercial, de acordo com manejo alimentar adotado pela
empresa.
32
TABELA 2 - Rações ofertadas em cada estágio, em cultivo comercial, de acordo com manejo alimentar adotado pela empresa.
TABELA 3. Médias e desvios-padrão para os parâmetros físico-químicos da água observados nesse estudo.
33
TABELA 4 - Desempenho zootécnico observado nas pós-larvas nos tratamentos aplicados.
34
TABELA 5 - Percentuais de sobrevivência final e de pós-larvas submetidas ao teste de estresse por choque salino em PL 10.
37
TABELA 1 - Manejo adotado em micro proriedades produtoras de camarão localizadas no litoral Sul do Rio Grande do Norte.
51
TABELA 2 - Frequências relativas (%) e valor-p do teste Exato de Fisher de associação entre a variável escolaridade e variáveis relacionadas ao manejo empregado e questão ambiental; entre a variável uso de probióticos e renda mensal da família e percentual de sobrevivência nos cultivos.
INTRODUÇÃO GERAL 12
CARACTERIZAÇÃO GERAL DA ÁREA DE ESTUDO 19
METODOLOGIA GERAL 20
CAPÍTULO 1 - AVALIAÇÃO DE PROBIÓTICOS SOBRE PARÂMETROS DE DESEMPENHO DE PÓS-LARVAS DE Litopenaeus vannamei
27
RESUMO 28
ABSTRACT 28
INTRODUÇÃO 29
MATERIAL E MÉTODOS 30
RESULTADOS 35
DISCUSSÃO 37
CONCLUSÕES 39
REFERÊNCIAS 40
Figura 1. Percentuais de metamorfose encontrados no 9º e 10º dia de experimento.
37
Tabela 1. Quantidade de náuplios Artemia ofertados por indivíduo, quantidade
de ração (g) por tanque e frequência de arraçoamento em cada estágio de L. vannamei em cultivo comercial, de acordo com manejo alimentar adotado pela
empresa.
32
Tabela 2. Rações ofertadas em cada estágio, em cultivo comercial, de acordo com manejo alimentar adotado pela empresa.
33
Tabela 3. Médias e desvios-padrão para os parâmetros físico-químicos da água observados nesse estudo.
34
Tabela 4. Desempenho zootécnico observado nas pós-larvas nos tratamentos aplicados.
36
Tabela 5. Percentuais de sobrevivência final e de pós-larvas submetidas ao teste de estresse por choque salino em PL 10.
37
CAPÍTULO 2 - ASPECTOS SOCIAIS E AMBIENTAIS DA
CARCINICULTURA NO LITORAL SUL DO RIO GRANDE DO NORTE, BRASIL
44
INTRODUÇÃO 46
METODOLOGIA 48
RESULTADOS 49
DISCUSSÃO 58
CONCLUSÕES 62
REFERÊNCIAS 63
Figura 1. Faixa etária dos micro produtores de camarão do litoral Sul do Rio Grande do Norte.
49
Figura 2. Escolaridade dos micro produtores de camarão do litoral Sul do Rio Grande do Norte.
49
Figura 3. Principais fontes de renda listadas pelos micro produtores de camarão do litoral Sul do Rio Grande do Norte.
50
Figura 4. Renda mensal familiar (%) dos micro produtores de camarão do litoral Sul do Rio Grande do Norte em função do salário mínimo (SM) adotado no Brasil no ano de 2015.
50
Figura 5. Motivos pelos quais os micro produtores de camarão do litoral Sul do Rio Grande do Norte não fazem uso de probióticos nos cultivos.
53
Figura 6. Tempo total médio de um ciclo de cultivo realizado em micro propriedades produtoras de camarão localizadas no litoral Sul do Rio Grande do Norte.
53
Figura 7. Sobrevivência dos cultivos realizados em micro propriedades produtoras de camarão do litoral Sul do Rio Grande do Norte.
54
Figura 8. Doenças que apareceram nas fazendas de micro produtores de camarão do litoral Sul do Rio Grande do Norte.
56
Figura 9. Itens listados pelos micro produtores de camarão do litoral Sul do Rio Grande do Norte como necessários para melhorar a atividade de carcinicultura na região.
57
Tabela 1. Manejo adotado em micro proriedades produtoras de camarão localizadas no litoral Sul do Rio Grande do Norte.
51
Tabela 2. Frequências relativas (%) e valor-p do teste Exato de Fisher de associação entre a variável escolaridade e variáveis relacionadas ao manejo empregado e questão ambiental; entre a variável uso de probiótico e renda mensal da família e percentual de sobrevivência.
57
APÊNDICE A – Roteiro de entrevista 72
INTRODUÇÃO GERAL
A pesca extrativista no mundo se mantém nos mesmos níveis a alguns anos, enquanto a aquicultura é o segmento da produção de alimentos de origem animal com o crescimento mais rápido (FOOD AND AGRICULTURE ORGANIZATION [FAO], 2012). A aquicultura “tem permitido a redução do extrativismo e da pesca predatória, transferindo parte do esforço da mão-de-obra para o cultivo de organismos aquáticos, repercutindo positivamente na preservação de diversos ecossistemas” (OSTRENSKY et. al., 2002, p. 103). Em 2007, a captura mundial de pescado foi de 90,8 milhões de toneladas e alcançou os 91,3 milhões de toneladas em 2012. No entanto, a produção aquícola mundial atingiu a marca dos 49,9 milhões de toneladas em 2007 e em 2012 aumentou para 66,6 milhões de toneladas, mas se acrescentarmos aqui a produção de plantas aquáticas, esse número sobe para 91,3 milhões de toneladas, igualando-se à captura (FAO, 2014). Com uma taxa média anual de 6,2% no período compreendido entre 2000-2012, a aquicultura é uma atividade econômica importante em muitos países (BALCÁZAR et al., 2006).
O Brasil apresenta vantagens excepcionais para o desenvolvimento da aquicultura pelas condições naturais, como clima e geografia favoráveis e diversificados e rica biodiversidade. Este potencial está relacionado à costa marítima de aproximadamente 8,5 mil quilômetros, à sua zona econômica exclusiva (ZEE) de 3,5 milhões de km2 e à sua dimensão territorial de, aproximadamente, 13% da água doce do planeta (ROCHA et al., 2013; ASSOCIACAO CULTURAL E EDUCACIONAL BRASIL [ACEB], 2014). Dessa forma, o Ministério da Pesca e Aquicultura tem como objetivo incentivar a produção nacional para que o Brasil alcance a expectativa da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) de se tornar, em 2030, um dos maiores produtores do mundo, com 20 milhões de toneladas de pescado por ano. Atualmente, o Brasil está na 17ª posição no ranking mundial na produção de pescados em cativeiro e a 19ª na produção total de pescados (ACEB, 2014).
A carcinicultura marinha no Brasil deu seus primeiros passos na década de 1970 com a produção de algumas espécies de camarões peneídeos: Marsupenaeus japonicus, Litopenaeus schmitti, Farfantepenaeus subtilis, F. brasiliensis e F. paulensis. No entanto, apenas na
década de 90, a fase comercial da carcinocultura obteve destaque com a espécie exótica de camarão marinho Litopenaeus vannamei (SANTOS, 2009). Alguns fatores foram essenciais
para o sucesso do cultivo, como seu rápido crescimento, altas taxas de produtividade e rentabilidade, rusticidade e a capacidade de desenvolver-se em uma ampla faixa de variação de salinidade (5 a 55 ppt) unidos à facilidade de nutrição e manejo nas mais diversas condições fazem com que esta espécie seja a mais cultivada no Brasil e no mundo (FAO, 2008; SANTOS et al., 2009).
Com tantas vantagens assim, o crescimento da carcinicultura brasileira se deu de forma exponencial e de modo semelhante ao dos países do sudeste asiático; “sem ordenamento adequado, sem regulamentação, com forte incentivo governamental e geração de impactos ambientais e sociais graves” (INSTITUTO BRASILEIRO DO MEIO AMBIENTE E DOS RECURSOS NATURAIS RENOVÁVEIS [IBAMA], 2005, p. 8). Mesmo com as experiências dos países asiáticos, o Brasil tomou um rumo semelhante, não se deteve a olhar o passado e a construir um futuro diferente; não catastrófico (IBAMA, 2005). Isso porque o nosso sistema capitalista foi alicerçado numa racionalidade econômica guiada pela maximização do lucro e do excedente econômico a curto prazo, resultando em uma série de consequências na degradação dos ecossistemas, os quais são suporte físico e vital de todo o sistema produtivo (LEFF, 2000).
A carcinicultura, enquanto atividade dirigida por essa racionalidade econômica, tem gerado diversos impactos ambientais e sociais. Dentre eles temos as consequências ecológicas da conversão de ecossistemas naturais, particularmente de manguezais, para a construção de viveiros de camarão, a salinização de lençóis freáticos e de terras agriculturáveis, a utilização da farinha de peixe em rações de camarão, a poluição de águas costeiras devido aos efluentes dos viveiros e conflitos sociais em áreas costeiras (FAO/NACA/UNEP/WB/WWF, 2006), além da grave introdução de espécies exóticas, causando impactos ao ecossistema e à pesca em geral (BARBIERI; MELO, 2006). Diante da deterioração ambiental, combinada com a introdução de patógenos e grandes surtos de doenças, resultando em severas perdas econômicas (BONDAD-REANTASO et al., 2005) em todo o mundo é que a sustentabilidade dessa atividade tem sido fortemente questionada.
meados da década de 1980 que o conceito de sustentabilidade torna-se consistente e ganha adesões (ASSAD; BURSZTYN, 2000). O documento intitulado Nosso Futuro Comum ou Relatório de Brundtland (1987) afirma que o desenvolvimento sustentável é “o desenvolvimento que atende as necessidades do presente sem comprometer a possibilidade das gerações futuras atenderem às suas próprias necessidades” (COMISSÃO MUNDIAL SOBRE MEIO AMBIENTE E DESENVOLVIMENTO [CMMAD], 1991, p. 46). Com rápida e ampla repercussão internacional, esse documento lançou oficialmente a intenção de um desenvolvimento harmônico entre sociedade, economia e meio ambiente (LOPES; CASAGRANDE JÚNIOR; SILVA, 2014), onde o desenvolvimento sustentável pode ser obtido pelo crescimento produtivo contínuo com responsabilidade; minimizando os impactos ambientais e sociais (CASAGRANDE JR.; AGUDELO, 2012).
Na base da Agenda 21, documento aprovado por mais de 180 países na II Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento (1992), estão contidos os princípios do desenvolvimento sustentável. Trata-se de um novo paradigma para abordar um velho desafio: o desenvolvimento. Embora o termo desenvolvimento tenha sido utilizado e confundido, por muito tempo, com progresso econômico, nesta nova visão, ultrapassa o domínio da economia através da sua integração com as outras dimensões: a social, a ambiental e a institucional, tendo se apoiado em novos paradigmas (BRASIL, 2012).
A principal característica de uma produção sustentável é que se assume que a natureza é finita, descartando o crescimento sem limites. Para que a aquicultura seja realmente sustentável deve adotar um sistema que gere renda, otimizando o uso do capital e dos recursos naturais, promovendo o desenvolvimento humano. Valenti (2008, p. 1) define aquicultura sustentável como
a produção lucrativa de organismos aquáticos, mantendo uma interação harmônica duradoura com os ecossistemas e as comunidades locais. Deve ser produtiva e lucrativa, gerando e distribuindo renda. Deve usar racionalmente os recursos naturais sem degradar os ecossistemas no qual se insere. Deve gerar empregos e/ou auto-empregos para a comunidade local, elevando sua qualidade de vida e deve respeitar sua cultura.
prejuízos para as comunidades locais e sofrimento dos animais (VALENTI, 2008). A aquicultura responsável é a mais próxima da sustentável e pode ser alcançada e praticada.
Com o objetivo de promover o saudável desenvolvimento da carcinocultura mundial foi que o Consórcio sobre Carcinicultura e Meio Ambiente, formado pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), pela Network of Aquaculture Centers in Asia Pacific (NACA), pelo Banco Mundial, pelo World Wildlife Fund (WWF) e pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), debateu o tema e apresentou, em 2006, na III Seção do Sub-Comitê de Aquicultura, os Princípios Internacionais para a Carcinicultura Responsável.
Esses Princípios Internacionais, ao abordarem aspectos técnicos, ambientais, sociais e econômicos relacionados à carcinicultura, estão de acordo com um novo modelo de desenvolvimento da atividade, tornando-a ambientalmente amigável e socialmente mais justa (FAO/NACA/UNEP/WB/WWF, 2006). Além das comunidades tradicionais costeiras terem benefícios com a sua expansão, através do alívio da pobreza nessas áreas, esse novo modelo visa não comprometer o meio ambiente (FAO/NACA/UNEP/WB/WWF, 2006). Um dos Princípios abordados nesse documento é o Uso da Água e minimizar a renovação desse recurso nos cultivos é requisito fundamental para a carcinicultura moderna e ambientalmente responsável. Essa prática não beneficia apenas o produtor, reduzindo custos de bombeamento e entrada de patógenos, mas também o meio ambiente pela diminuição da descarga de nutrientes e de matéria orgânica dos cultivos (FAO/NACA/UNEP/WB/WWF, 2006).
A Associação Brasileira de Criadores de Camarão (ABCC) também lançou, em 2012, o documento intitulado Procedimento de Boas Práticas de Manejo e Medidas de Biossegurança para a Carcinocultura Brasileira com o objetivo de promover, a todos os empreendimentos que compõem a atividade, uma orientação abrangente e segura de como prevenir, controlar e, se possível, erradicar as enfermidades que afetam o camarão cultivado. Assim, a regularidade e a sustentabilidade da produção seriam assegurados (ABCC, 2012). Dentre as recomendações citadas, o documento aponta os probióticos como a forma moderna para o tratamento da matéria orgânica na coluna d’água e no solo dos viveiros através do uso contínuo e sistemático e como produto natural na profilaxia das enfermidades (ABCC, 2012).
beneficamente o animal hospedeiro por melhorar seu balanço microbiano intestinal”. Em uma redefinição, adaptada para a aquicultura, os probióticos são “células microbianas administradas de tal modo a entrar no trato gastrointestinal, sendo mantidas vivas, com o objetivo de melhorar a saúde" (GATESOUPE,1999). Essas células podem proteger seu hospedeiro de patógenos pela produção de metabólitos que inibem a colonização ou o crescimento de outros microrganismos ou pela competição por recursos como nutrientes ou espaço (VINE; LEUKES; KAISER, 2006).
A definição de probiótico para ambientes aquáticos necessita ser modificada, pois os organismos aquáticos estabelecem uma intrínseca relação com o ambiente externo, quando comparados com os animais terrestres (KESARCODI-WATSON et al., 2008). Verschuere et al. (2000) sugeriu a definição
microorganismos vivos que têm efeito benéfico sobre o hospedeiro, seja modificando a comunidade microbiana associada ao hospedeiro ou ao ambiente, seja melhorando o consumo ou absorção do alimento, seja fortalecendo o sistema imunológico, ou ainda melhorando a qualidade do ambiente de cultivo.
Os efeitos benéficos dos probióticos incluem ainda a prevenção de doenças intestinais, e com isso vêm sendo amplamente utilizados para o controle de doenças em muitos países desenvolvidos (NEWAJ-FYZUL; AL-HARBI; AUSTIN, 2014), além de promover maior crescimento e eficiência alimentar (VENKAT; SAHU; JAIN, 2004). Os probióticos têm sido introduzidos nos cultivos de peixe, camarão e moluscos como aditivos para a alimentação animal ou diretamente na água de cultivo (WANG; XU; XIA, 2005) ou no solo de tanques ou viveiros (LEONEL OCHOA-SOLANO; OLMOS-SOLTO, 2006).
Diversos estudos têm comprovado a eficácia do uso de probióticos em melhorar o desempenho zootécnico em organismos aquáticos. Entre eles, podemos citar o estudo realizado por Zokaeifar et al. (2012), que mostrou que os juvenis de L. vannamei que
receberam a dieta suplementada com cepas de Bacillus subtilis apresentaram valores
significativamente superiores de peso final, ganho de peso, taxa de crescimento específico e sobrevivência em comparação com o grupo controle. A combinação de bactéria fotossintética e o Bacillus sp. em diferentes concentrações, adicionadas ao cultivo de L. vannamei, mostrou
que todas as dietas suplementadas com probióticos aumentaram a performance de crescimento em camarões, com os valores de Peso Final, Ganho de Peso Diário e Taxa Relativa de Ganho de Peso superiores aos do grupo controle (WANG, 2007). Em um estudo mais recente, juvenis de bacalhau alimentados com cepas de Enterococcus apresentaram aumento na
performance de crescimento (LAUZON et al., 2010).
Diferentes bactérias do gênero Lactobacillus foram testadas no cultivo de pós larvas
zootécnico dos camarões em relação ao grupo controle; sem probiótico (VENKAT; SAHU; JAIN, 2004). Em outro estudo, um isolado bacteriano composto de B. subtilis, extraído do
intestino do camarão, foi administrado na ração para juvenis de M. rosenbergii e verificou-se
que as propriedades probióticas desse isolado levaram a aumento do ganho de peso, consumo de ração, conversão alimentar e sobrevivência desses animais (KEYSAMI;
MOHAMMADPOUR; SAAD, 2012).
O uso de probióticos também tem sido especialmente associado a melhorias na qualidade da água (WANG; LI; LIN, 2008; SHAILENDER, 2012), como a remoção de matéria orgânica (SUHENDRA et al., 1997). Esses estudiosos observaram que o uso rotineiro de probióticos em cultivos de camarão em West Java resultavam em redução do acúmulo de matéria orgânica, melhorando a qualidade da água e as condições ambientais. O uso de
Bacillus sp. melhorou a qualidade da água, as taxas de sobrevivência e de crescimento e a
saúde de juvenis de Penaeus monodon, além de reduzir o patógeno vibrios (DALMIN et al.,
2001). O uso de probióticos comerciais no cultivo de L. vannamei reduziu as concentrações
de nitrogênio e fósforo e aumentou os rendimentos de camarão (WANG; XU; XIA, 2005). Wang e He (2009) também reportaram que a aplicação de probióticos comerciais na água no cultivo de L. vannamei diminuiram significativamente as concentrações de nitrogênio total e
carbono orgânico total do sedimento, sendo observados também a redução de fósforo total e fósforo inorgânico total em certos períodos do cultivo. Em um recente estudo, observou-se redução significativa das concentrações de amônia e nitrato quando comparados o uso de probióticos com o grupo controle no cultivo da mesma espécie. (RAHIMAN et al., 2010).
O uso de probióticos também tem sido reportado em larvicultura de camarão e os principais objetivos incluem melhorar o crescimento, a sobrevivência e a atividade enzimática digestiva (GUO et al., 2009; ZHOU; WANG; LI, 2009). A alta taxa de sobrevivência e o melhor crescimento de larvas do camarão branco indiano, Fenneropenaeus indicus, foram
observados no grupo que receberam alimento enriquecido com probiótico comercial (ZIAEI-NEJAD et al., 2006). A aplicação do probiótico B. coagulans SC8168 como aditivo na água
aumentou significativamente a taxa de sobrevivência de larvas e a atividade de enzimas digestivas em L. vannamei (ZHOU; WANG; LI, 2009). Resultados benéficos também foram
encontrados utilizando-se probióticos comerciais em cultivos de larvas e pós larvas de M. rosenbergii, apresentando aumento na sobrevivência (SHAILENDER, 2012). Liu et al. (2010)
observaram que a administração do probiótico B. subtilis E20 na larvicultura de L. vannamei
enfrentados pela carcinicultura, como a ocorrência dos surtos de doenças, foi que a ABCC (2012) recomendou o uso desses suplementos tanto na fase de larvicultura como de engorda. Pela gama diversificada de probióticos disponível no mercado para os carcinicultores (AKHTER et al., 2015) torna-se fundamental a realização de estudos que examinem a eficácia
do uso de probióticos na larvicultura de espécies comerciais de camarão.
Dessa forma, a primeira parte da pesquisa teve como objetivo avaliar os efeitos de dois probióticos comerciais de diferentes composições sobre o potencial zootécnico e a resistência a estresse de larvas e pós-larvas da espécie Litopenaeus vannamei cultivadas em escala
CARACTERIZAÇÃO GERAL DA ÁREA DE ESTUDO
A área de estudo abrangeu o município de Senador Georgino Avelino (06°09’46,8” latitude Sul e 35°07’22,8” longitude Oeste) e Genipapeiro (Distrito de Nísia Floresta - 6°05’27,6” latitude Sul e 35°12’32,4” longitude Oeste). A localidade foi escolhida em função da grande quantidade de fazendas, consideradas de micro porte, de camarão já instaladas e em operação.
Segundo Censo de 2010, a população total residente de Georgino Avelino é de 3.904 pessoas com densidade demográfica de 151,31 hab/km2 (INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA [IBGE], 2010). O município situa-se na mesorregião Leste Potiguar e na microrregião Litoral Sul, limitando-se com os municípios de Nísia Floresta, Tibau do Sul, Arês e o Oceano Atlântico, abrangendo uma área de 25,934 km². O município de Nísia Floresta com área de 307,841 km2 e densidade demográfica de 77,26 km2 conta com uma população de 23.784 habitantes segundo o mesmo Censo (IBGE, 2010). Nísia Floresta também situa-se na mesorregião Leste Potiguar e na microrregião Macaíba e possui vários distritos, dentre eles Genipapeiro.
Os municípios de Senador Georgino Avelino e Nísia Floresta têm contribuído substancialmente para a carcinicultura no estado e, segundo dados do IBGE, em 2014 eles alcançaram a produção de 2.000 e 1.700 toneladas de camarão, respectivamente. Quantidades inferiores, apenas, as de Mossoró (3.190 ton) e Canguaretama (2.950 ton) (IBGE, 2015).
Figura 1: Mapa de localização dos municípios de Senador Georgino Avelino e Nísia Floresta.
METODOLOGIA GERAL
A pesquisa conta com duas fases: experimental (Capítulo 1) e observacional descritiva (Capítulo 2).
Fase experimental
O estudo foi realizado na Larvi Aquicultura e Projetos LTDA, um laboratório comercial de produção de pós-larvas de camarão localizado no município de Macau, Rio Grande do Norte. A espécie utilizada no experimento foi o camarão marinho L. vannamei, nas fases de
náuplio V até pós-larva 10 (PL 10), com duração de 18 dias.
Povoamento dos tanques
Náuplios em estágio V, em salinidade 35 ppt, foram obtidos em um laboratório de reprodução e produção de larvas de L. vannamei e transportados até o local do experimento.
Em seguida, foram lavados até que toda a água do transporte fosse renovada pela água utilizada na larvicultura e aclimatados, durante duas horas, para a salinidade 34 ppt, salinidade utilizada no cultivo em função das características da água captada no ambiente pelo laboratório. Posteriormente, foram transferidos para os seis tanques de cultivo com volume de 10.000 L de água e cada unidade experimental recebeu aproximadamente 4.000.000 de náuplios, resultando na densidade de estocagem inicial de, aproximadamente, 400 larvas.L-1. À água de cultivo, foram adicionadas as microalgas Chaetoceros muelleri e Thalassiosira fluviatilis nas concentrações de 4 x 104 células ml-1 e 0,5 x 104 células ml-1, respectivamente.
Os tanques de cultivo contaram com aeração constante e começaram a receber a adição de probióticos na água antes mesmo do povoamento. A água dos tanques foi renovada diariamente a partir do estágio de PL 1, a uma taxa de 90%, sendo retirados por sifonagem os restos de alimento, fezes e mudas do fundo.
Procedimento Experimental
O delineamento experimental foi inteiramente casualizado e as unidades experimentais consistiram em 6 tanques de 15.000 L. Foram aplicados dois tratamentos, que consistiu em dois tipos de probióticos comerciais com composições distintas, com três repetições cada. O tratamento com o P1 consistiu na adição do probiótico comercial Epicin G2 (Epicore Networks Eastampton, Estados Unidos) contendo Bacillus subtilis, B. licheniformis, Lactobacillus acidophilus, B. pumilus e Saccharomyces cerevisiae. No tratamento com o P2,
Brasil) com uma mistura de B. subtilis, B. licheniformis, Pediococcus acidilactici e bactérias
probióticas (total). Diariamente, em cada tanque foram adicionados os probióticos ao cultivo, duas vezes ao dia (8:00 e 15:00 h), nas quantidades de 2 g.1000 L-1 para ambos os tratamentos.
Manejo alimentar na larvicultura
Em todas as unidades experimentais, diariamente foram realizadas contagens em câmara de Neubauer das densidades das microalgas utilizadas (C. muelleri e T. fluviatilis),
realizando-se a complementação das mesmas sempre às 07:00 e 14:00 h, com o objetivo de manter as densidades acima estipuladas, nos tanques de cultivo. No estágio de Protozoea 2, iniciou-se a oferta de rações industrializadas. O manejo alimentar seguiu o protocolo determinado pela empresa e consistiu na oferta de náuplios de Artemia a partir do estágio de
Protozoea 3 (Z 3), com complementação de dieta seca nos estágios de Misis e Pós-larva (Tabelas 1 e 2). Os náuplios de Artemia (Mackay) congelados e vivos foram ofertados,
respectivamente, de Z 3 a PL 1 e de PL 2 a PL 8.
Tabela 1. Quantidade de náuplios Artemia ofertados por indivíduo, quantidade de ração (g)
por tanque e frequência de arraçoamento em cada estágio de L. vannamei em cultivo
comercial, de acordo com manejo alimentar adotado pela empresa.
Dia Estágio Náuplios de Artemia/indivíduo
Quantidade de ração/tanque (g)
Frequência de arraçoamento/
dia
1 N 5 - - -
2 Z 1 - - -
3 Z 2 - 24 4 x
4 Z 2 - 40 4 x
5 Z 3 2 78 6 x
6 M 1 17 87 6 x
7 M 2 17 128 8 x
8 M 3 27 168 8 x
9 PL 1 27 184 8 x
10 PL 2 28 286 11 x
11 PL 3 28 319 11 x
12 PL 4 28 363 11 x
13 PL 5 40 385 11 x
14 PL 6 40 450 10 x
15 PL 7 28 480 10 x
16 PL 8 28 500 10 x
17 PL 9 - 660 12 x
18 PL 10 - 684 12 x
g = grama; N = Náuplio; Z = Protozoea; M = Misis; PL = Pós-larva
Tabela 2. Rações ofertadas em cada estágio, em cultivo comercial, de acordo com manejo alimentar adotado pela empresa.
Dia Estágio Ração ofertada (Fabricante)
1 N 5 -
2 Z 1 -
3 Z 2 Royal Caviar 5 - 50 (Bernaqua), LZ < 50 (Zeigler), Car 1 (Inve), Minipro 0 (Maripro as)
4 Z 2 Royal Caviar 5 - 50 (Bernaqua), LZ < 50 (Zeigler), Car 1 (Inve), Minipro 0 (Maripro as)
5 Z 3 Royal Caviar 50 - 100 (Bernaqua), LHF 1 (Epicore), LZ < 100 (Zeigler), Minipro 1 (Maripro as), CD 2 (Inve)
6 M 1 Royal Caviar 50 - 100 (Bernaqua), LHF 1 (Epicore), LZ < 100 (Zeigler), Minipro 1 (Maripro as), CD 2 (Inve)
7 M 2 Royal Caviar 100 - 200 (Bernaqua), LHF 2 (Epicore), LZ 100 - 150 (Zeigler), Minipro 1 (Maripro as), CD 3 (Inve)
8 M 3 Royal Caviar 100 - 200 (Bernaqua), LHF 2 (Epicore), LZ 100 - 150 (Zeigler), Minipro 1 (Maripro as), CD 3 (Inve)
9 PL 1 Royal Caviar 100 - 200 (Bernaqua), LHF 2 (Epicore), LZ 100 - 150 (Zeigler), Minipro 1 (Maripro as), CD 3 (Inve)
10 PL 2 Sea Food 200 - 300 (Bernaqua), LHF 2 (Epicore), LZ 100 - 150 (Zeigler), Minipro 2 (Maripro as), PL 150 (Inve),
11 PL 3 Sea Food 200 - 300 (Bernaqua), LHF 2 (Epicore), LZ 150 - 250 (Zeigler), Minipro 2 (Maripro as), PL 150 (Inve),
12 PL 4 Epibal 300 (Epicore), Sea Food 200 - 300 (Bernaqua), LHF 2 (Epicore), LZ 150 - 250 (Zeigler), Minipro 2 (Maripro as), PL 150
(Inve),
13 PL 5 Epibal 300 (Epicore), Sea Food 200 - 300 (Bernaqua), LHF 3 (Epicore), LZ 150 - 250 (Zeigler), Minipro 2 (Maripro as) 14 PL 6 Epibal 300 (Epicore), LZ 250 - 450 (Zeigler), Flake (Mackay), S-PAK
2/5 (Inve)
15 PL 7 Epibal 300 (Epicore), LZ 250 - 450 (Zeigler), Flake (Mackay), S-PAK 2/5 (Inve)
16 PL 8 Epibal 500 (Epicore), LZ 250 - 450 (Zeigler), Flake (Mackay), S-PAK 2/5 (Inve), PL 300 (Inve), Minipro 3 (Maripro as)
17 PL 9 Epibal 500 (Epicore), LZ 250 - 450 (Zeigler), Flake (Mackay), S-PAK 2/5 (Inve), PL 300 (Inve), Sea Food 300 - 500 (Bernaqua) 18 PL 10 Epibal 500 (Epicore), LZ 250 - 450 (Zeigler), Flake (Mackay), S-PAK
2/5 (Inve), Sea Food 300 - 500 (Bernaqua), Minipro 3 (Maripro as) Fonte: Larvi Aquicultura e Projetos LTDA
Parâmetros físico-químicos
A salinidade (ppt), temperatura (oC) e oxigênio dissolvido (mg.L-1) foram controlados diariamente, sendo verificados às 07:00 e 17:00 h, enquanto o pH foi medido nos estágios de Protozoea 1, Misis 1, PL 1, PL 5 e PL 10. Os valores médios estão dentro das condições ideais para o cultivo de L. vannamei (VAN WKY and SCARPA, 1999; KUBITZA, 2003;
NUNES e ANDREATTA, 2011) (Tabela 3). A salinidade foi monitorada através de refratômetro (pHep5, Hanna instruments), a temperatura e o oxigênio dissolvido através de
oxímetro (Handy Polaris, OxyGuard) e o pH com pHmetro (STX-3, Vee Gee Scientific).
Tabela 3. Médias e desvios-padrão para os parâmetros físico-químicos da água observados nesse estudo.
Parâmetros Tratamentos
Probiótico 1 Probiótico 2
Salinidade (ppt) 32,79 ± 1,21 32,85 ± 1,34 Temperatura (°C) 29,18 ± 0,64 29,41 ± 0,58
pH 7,65 ± 0,23 7,69 ± 0,26
Oxigênio dissolvido (mg L-1) 6,59 ± 0,60 6,52 ± 0,65
Desempenho Zootécnico
O comprimento total foi mensurado nos estágios PL 1, PL 5 e PL 10 relacionados ao 1º, 5º e 10º dia após início da metamorfose das larvas do tanque ao primeiro estágio de pós-larva, em papel milimetrado, sendo para isto coletados aleatoriamente 30 indivíduos de cada unidade experimental. Para a determinação do peso úmido e seco, nos estágios acima citados, as pós-larvas foram retiradas aleatoriamente com a ajuda de um bécker, na quantidade de 10 amostras de 15 PL´s de cada unidade experimental. No laboratório, as PL´s foram secas em papel filtro e embaladas em papéis alumínio pré-pesados e, em seguida, pesadas em balança analítica de precisão (AY220, Shimadzu) para a obtenção do peso úmido. Posteriormente,
foram levadas à estufa de circulação forçada, onde foram submetidas por 24 h à temperatura de 60 oC e, depois, novamente pesadas para obtenção do peso seco.
Em que: Ln = Logaritmo neperiano; Pi = Peso inicial; Pf = Peso final; t = tempo de
experimento.
Em que: Ni = Número de larvas povoadas no início do experimento; Nf = Número de
pós-larvas estimadas no final do experimento.
Para determinar Nf, a população de cada unidade experimental foi concentrada em três
caixas de 500 L cada. Após homogeneização, foram coletadas quatro amostras de água de 145 ml e contadas as pós-larvas presentes. Posteriormente, realizou-se uma estimativa do número total de animais a partir das médias obtidas.
Para calcular o percentual de metamorfose, foram coletados 50 indivíduos, aleatoriamente, de cada tanque no 9º e 10º dia de cultivo, avaliando-se assim o perfil de natação e a anatomia externa para determinar o estágio de desenvolvimento no qual o animal se encontrava.
Teste de estresse (adaptado de TACKAERT et al., 1989)
Realizou-se teste de estresse a partir de choque iônico. Desta forma, 30 indivíduos foram retirados aleatoriamente de cada unidade experimental e colocados em água doce por 30 minutos, retornando para a água salgada por igual período de tempo. Logo em seguida, foi verificada a sobrevivência em cada uma das amostras.
Análise Estatística
(não-paramétricos) foram utilizados. Em todos os testes, o nível de significância adotado foi 0,05 e o software utilizado foi o MINITAB 17. A sobrevivência final foi analisada descritivamente.
Fase observacional descritiva
O estudo foi realizado no mês de setembro de 2015 durante reuniões que estavam ocorrendo em função do cadastramento de micro produtores de camarão do litoral Sul pelo Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente do Rio Grande do Norte - IDEMA.
A pesquisa foi realizada por meio de um processo de amostragem aleatória simples, na qual os entrevistados foram selecionados aleatoriamente de uma listagem disponibilizada pelo IDEMA. O cálculo do tamanho da amostra resultou em 27 micro produtores de um total de 39, o que representa 69% de toda a população em estudo. Todos, após terem sido devidamente explicados sobre a pesquisa e seus objetivos, foram, então, solicitados a assinar o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE).
A pesquisa foi feita através de entrevistas semiestruturadas, com a aplicação de questionários (Apêndice) contendo perguntas sobre características socioeconômicas dos produtores (sexo, idade, renda, etc.), infraestrutura da fazenda, práticas de manejo, medidas de biossegurança adotadas, medição de parâmetros físico-químicos da água e uso de novas tecnologias de produção, entre outras. Abordamos também no nosso instrumento de pesquisa questões específicas sobre a problemática ambiental envolvendo os impactos da carcinicultura e a geração de lixo durante os ciclos de cultivo.
CAPÍTULO 1 - AVALIAÇÃO DE PROBIÓTICOS SOBRE PARÂMETROS DE DESEMPENHO DE PÓS-LARVAS DE Litopenaeus vannamei
ESTE ARTIGO ESTÁ SUBMETIDO AO BOLETIM DO INSTITUTO DE PESCA E, PORTANTO, ESTÁ FORMATADO DE ACORDO COM AS RECOMENDAÇÕES DESTE
AVALIAÇÃO DE PROBIÓTICOS SOBRE PARÂMETROS DE DESEMPENHO DE
1
PÓS-LARVAS DE Litopenaeus vannamei
2 3
RESUMO
4
O objetivo do trabalho foi a avaliação da diferença entre o tratamento com o probiótico 1 (P1) 5
em relação ao tratamento com o probiótico 2 (P2) no cultivo larval de Litopenaeus vannamei, 6
estes foram cultivados por 18 dias. O tratamento com o P1 consistiu na adição do probiótico 7
comercial Epicin G2 (Epicore Networks Eastampton, Estados Unidos) contendo Bacillus 8
subtilis, B. licheniformis, Lactobacillus acidophilus, B. pumilus e Saccharomyces cerevisiae. No 9
tratamento com o P2, foi utilizado o probiótico comercial ProBacyl (Bern&Roc Aquacultura 10
Ltda, Ceará-Mirim, Brasil) com uma mistura de B. subtilis, B. licheniformis, Pediococcus 11
acidilactici e bactérias probióticas (total). As unidades experimentais consistiram em seis 12
tanques de 15.000 L, e cada tratamento contou com três repetições. Os probióticos foram 13
aplicados diariamente na água, avaliando-se o potencial zootécnico e resistência a estresse 14
iônico de larvas e pós-larvas (PL). Os parâmetros salinidade, temperatura, pH e oxigênio 15
dissolvido foram controlados. As pós-larvas submetidas ao P2 apresentaram valores médios 16
maiores (p < 0,05) para comprimento (PL 1 e PL 5), pesos úmido e seco (PL 5) e percentual de 17
metamorfose (90%) em relação ao outro tratamento, as demais variáveis não diferiram. A 18
sobrevivência final foi de 56,4% e 64,9% para pós-larvas submetidas ao P1 e ao P2, 19
respectivamente. Dessa forma, o probiótico 2 apresentou melhores resultados que o P1 para 20
o cultivo de L. vannamei em sistema de larvicultura comercial em algumas fases de 21
desenvolvimento. 22
Palavras-chave:Litopenaeus vannamei; performance de crescimento; sobrevivência 23
24 25
PROBIOTICS EVALUATION ON PERFORMANCE PARAMETERS OF POST- LARVAE
26
OF Litopenaeus vannamei
27 28
ABSTRACT
29
The objective of the search was evaluation of the difference between treatment with the 30
probiotic 1 (P1) in relation when treatment with probiotic 2 (P2) in the larvae cultivation of 31
the Litopenaeus vannamei, these were culture for 18 days. The treatment with P1 consisted in 32
the addition of the commercial probiotic Epicin G2 (Epicore Networks Eastampton, Estados 33
Unidos) containing Bacillus subtilis, B. licheniformis, Lactobacillus acidophilus, B. pumilus and 34
(Bern&Roc Aquacultura Ltda, Ceará-Mirim, Brazil) with a mixture of B. subtilis, B. 36
licheniformis, Pediococcus acidilactici and probiotic bacteria (total). The experimental units 37
consisted of six tanks of 15,000 L, and each treatment had three repetitions. The probiotics 38
were applied daily in the water, evaluating the zootechnical potential and resistance to stress 39
larvae and post-larvae (PL). The parameters salinity, temperature, pH and oxygen dissolved 40
were controlled. The post-larvae submitted for P2 presented medium values higher (p < 0,05) 41
to length (PL 1 and PL 5), humid and dry weights (PL 5) and metamorphosis percentage 42
(90%) compared to the other treatment, but as other variables did not differ. The final 43
survival was 56,4% and 64,9% to post-larvae submitted to P1 and P2, respectively. Thus, the 44
probiotic 2 showed better results than P1 for cultivation of L. vannamei in commercial 45
hatchery system at some stages of development. 46
47
Keywords: Litopenaeus vannamei; growth performance; survival 48 49 50 INTRODUÇÃO 51 52
Durante muitas décadas, os antibióticos foram utilizados como estratégia para 53
combater doenças em organismos aquáticos e também para aumentar o crescimento e a 54
conversão alimentar (PANDIYAN et al., 2013), o que causou o desenvolvimento e a 55
disseminação de patógenos resistentes (CABELLO, 2006), resultando em fortes críticas 56
quanto à eficácia desses produtos. Desta forma, o uso de antibióticos tem sido desencorajado, 57
ao mesmo tempo em que os probióticos surgem como uma alternativa sustentável 58
(LAZADO and CAIPANG, 2014) e vem sendo extensivamente usados na aquicultura (VINE 59
et al., 2006). 60
Os probióticos foram definidos originalmente (LILLY and STILLWELL, 1965) como 61
“substâncias produzidas por um protozoário que estimulavam o crescimento de outro”. 62
FULLER (1989) expandiu a definição para “microrganismos vivos utilizados na alimentação, 63
que afetam beneficamente o animal hospedeiro por melhorar seu balanço microbiano 64
intestinal”. Em uma redefinição, adaptada para a aquicultura, os probióticos são “células 65
microbianas administradas de tal modo a entrar no trato gastrointestinal, sendo mantidas 66
vivas, com o objetivo de melhorar a saúde" (GATESOUPE,1999). 67
Quando comparados aos animais terrestres, os organismos aquáticos possuem uma 68
relação mais estreita com o ambiente em que vive (KESARCODI-WATSON et al., 2008), de 69
forma que VERSCHUERE et al. (2000) definiu os probióticos como sendo “microorganismos 70
microbiana associada ao hospedeiro ou ao ambiente, melhorando o consumo ou absorção do 72
alimento, fortalecendo o sistema imunológico, ou ainda melhorando a qualidade do 73
ambiente de cultivo". 74
O aumento do uso de probióticos em cultivos de camarão tem sido relacionado com a 75
busca de uma aquicultura ambientalmente amigável (VINE et al., 2006; KESACORDI-76
WATSON et al., 2008) e seus efeitos benéficos relatados incluem incremento da 77
decomposição de matéria orgânica, redução nas concentrações de nitrogênio e fósforo, 78
controle de amônia, levando a uma menor incidência de doenças, maior sobrevivência dos 79
animais e consequente aumento da produção (BOYD and MASSAAUT, 1999). 80
As pesquisas sobre o uso de probióticos em larvicultura de organismos aquáticos se 81
iniciaram no final da década de 1980 (VINE et al., 2006) e a manipulação da microbiota larval 82
com probióticos tem sido sugerida como uma estratégia para preventivamente colonizar as 83
larvas com microorganismos benéficos (VERSCHUERE et al., 1999). O uso de probióticos 84
reportado para larvicultura de camarão tem como principais objetivos melhorar o 85
crescimento, a sobrevivência, a atividade enzimática digestiva e a resposta imune (ZIAEI-86
NEJAD et al., 2006; RAVI et al., 2007; GUO et al., 2009; ZHOU et al., 2009; LIU et al., 2010; 87
SHAILENDER, 2012). 88
Portanto, como o uso de probióticos vem atraindo um grande interesse na indústria da 89
aquicultura (TINH et al., 2008) e uma gama diversificada desse produto está disponível no 90
mercado para os produtores de camarão (AKHTER et al., 2015), é fundamental a realização 91
de estudos que avaliem o uso de probióticos na larvicultura de espécies comerciais de 92
camarão. Dessa forma, nossa pesquisa teve como objetivo avaliar os diferentes efeitos do 93
tratamento com o probiótico 1 em relaçãoao tratamento com o probiótico 2, através do uso de 94
probióticos comerciais de diferentes composições, sobre o potencial zootécnico e resistência a 95
estresse iônico de larvas e pós-larvas de Litopenaeus vannamei cultivadas em escala comercial. 96
97
MATERIAL E MÉTODOS
98 99
O estudo foi realizado na Larvi Aquicultura e Projetos LTDA, um laboratório comercial 100
de produção de pós-larvas de camarão localizado no município de Macau, Rio Grande do 101
Norte. A espécie utilizada no experimento foi o camarão marinho L. vannamei, nas fases de 102
náuplio V até pós-larva 10 (PL 10), com duração de 18 dias. 103
104
Povoamento dos tanques
Náuplios em estágio V, em salinidade 35 ppt, foram obtidos em um laboratório de 106
reprodução e produção de larvas de L. vannamei e transportados até o local do experimento. 107
Em seguida, foram lavados até que toda a água do transporte fosse renovada pela água 108
utilizada na larvicultura e aclimatados, durante duas horas, para a salinidade 34 ppt, 109
salinidade utilizada no cultivo em função das características da água captada no ambiente 110
pelo laboratório. Posteriormente, foram transferidos para os seis tanques de cultivo com 111
volume de 10.000 L de água e cada unidade experimental recebeu aproximadamente 112
4.000.000 de náuplios, resultando na densidade de estocagem inicial de, aproximadamente, 113
400 larvas.L-1. À água de cultivo, foram adicionadas as microalgas Chaetoceros muelleri e
114
Thalassiosira fluviatilis nas concentrações de 4 x 104 células ml-1 e 0,5 x 104 células ml-1,
115
respectivamente. Os tanques de cultivo contaram com aeração constante e começaram a 116
receber a adição de probióticos na água antes mesmo do povoamento. A água dos tanques 117
foi renovada diariamente a partir do estágio de PL 1, a uma taxa de 90%, sendo retirados por 118
sifonagem os restos de alimento, fezes e mudas do fundo. 119
120
Procedimento Experimental
121
O delineamento experimental foi inteiramente casualizado e as unidades experimentais 122
consistiram em 6 tanques de 15.000 L. Foram aplicados dois tratamentos, que consistiu em 123
dois tipos de probióticos comerciais com composições distintas, com três repetições cada. O 124
tratamento com o P1 consistiu na adição do probiótico comercial Epicin G2 (Epicore
125
Networks Eastampton, Estados Unidos) contendo Bacillus subtilis, B. licheniformis,
126
Lactobacillus acidophilus, B. pumilus e Saccharomyces cerevisiae. No tratamento com o P2,
127
foi utilizado o probiótico comercial ProBacyl (Bern&Roc Aquacultura Ltda, Ceará-Mirim,
128
Brasil) com uma mistura de B. subtilis, B. licheniformis, Pediococcus acidilactici e bactérias
129
probióticas (total). Diariamente, em cada tanque foram adicionados os probióticos ao cultivo, 130
duas vezes ao dia (8:00 e 15:00 h), nas quantidades de 2 g.1000 L-1 para ambos os tratamentos.
131 132
Manejo alimentar na larvicultura
133
Em todas as unidades experimentais, diariamente foram realizadas contagens em 134
câmara de Neubauer das densidades das microalgas utilizadas (C. muelleri e T. fluviatilis), 135
realizando-se a complementação das mesmas sempre às 07:00 e 14:00 h, com o objetivo de 136
manter as densidades acima estipuladas, nos tanques de cultivo. No estágio de Protozoea 2, 137
iniciou-se a oferta de rações industrializadas. O manejo alimentar seguiu o protocolo 138
determinado pela empresa e consistiu na oferta de náuplios de Artemia a partir do estágio de 139
(Tabelas 1 e 2). Os náuplios de Artemia (Mackay) congelados e vivos foram ofertados, 141
respectivamente, de Z 3 a PL 1 e de PL 2 a PL 8. 142
143
Tabela 1. Quantidade de náuplios Artemia ofertados por indivíduo, quantidade de ração (g) 144
por tanque e frequência de arraçoamento em cada estágio de L. vannamei em cultivo 145
comercial, de acordo com manejo alimentar adotado pela empresa. 146
Dia Estágio Náuplios de
Artemia/indivíduo
Quantidade de ração/tanque (g)
Frequência de arraçoamento/
dia
1 N 5 - - -
2 Z 1 - - -
3 Z 2 - 24 4 x
4 Z 2 - 40 4 x
5 Z 3 2 78 6 x
6 M 1 17 87 6 x
7 M 2 17 128 8 x
8 M 3 27 168 8 x
9 PL 1 27 184 8 x
10 PL 2 28 286 11 x
11 PL 3 28 319 11 x
12 PL 4 28 363 11 x
13 PL 5 40 385 11 x
14 PL 6 40 450 10 x
15 PL 7 28 480 10 x
16 PL 8 28 500 10 x
17 PL 9 - 660 12 x
18 PL 10 - 684 12 x
Fonte: Larvi Aquicultura e Projetos LTDA 147
g = grama; N = Náuplio; Z = Protozoea; M = Misis; PL = Pós-larva 148
Tabela 2. Rações ofertadas em cada estágio, em cultivo comercial, de acordo com manejo 151
alimentar adotado pela empresa. 152
Dia Estágio Ração ofertada (Fabricante)
1 N 5 -
2 Z 1 -
3 Z 2 Royal Caviar 5 - 50 (Bernaqua), LZ < 50 (Zeigler), Car 1 (Inve), Minipro 0 (Maripro as)
4 Z 2 Royal Caviar 5 - 50 (Bernaqua), LZ < 50 (Zeigler), Car 1 (Inve), Minipro 0 (Maripro as)
5 Z 3 Royal Caviar 50 - 100 (Bernaqua), LHF 1 (Epicore), LZ < 100 (Zeigler), Minipro 1 (Maripro as), CD 2 (Inve)
6 M 1 Royal Caviar 50 - 100 (Bernaqua), LHF 1 (Epicore), LZ < 100 (Zeigler), Minipro 1 (Maripro as), CD 2 (Inve)
7 M 2 Royal Caviar 100 - 200 (Bernaqua), LHF 2 (Epicore), LZ 100 - 150 (Zeigler), Minipro 1 (Maripro as), CD 3 (Inve)
8 M 3 Royal Caviar 100 - 200 (Bernaqua), LHF 2 (Epicore), LZ 100 - 150 (Zeigler), Minipro 1 (Maripro as), CD 3 (Inve)
9 PL 1 Royal Caviar 100 - 200 (Bernaqua), LHF 2 (Epicore), LZ 100 - 150 (Zeigler), Minipro 1 (Maripro as), CD 3 (Inve)
10 PL 2 Sea Food 200 - 300 (Bernaqua), LHF 2 (Epicore), LZ 100 - 150 (Zeigler), Minipro 2 (Maripro as), PL 150 (Inve),
11 PL 3 Sea Food 200 - 300 (Bernaqua), LHF 2 (Epicore), LZ 150 - 250 (Zeigler), Minipro 2 (Maripro as), PL 150 (Inve),
12 PL 4 Epibal 300 (Epicore), Sea Food 200 - 300 (Bernaqua), LHF 2 (Epicore), LZ 150 - 250 (Zeigler), Minipro 2 (Maripro as), PL 150 (Inve), 13 PL 5 Epibal 300 (Epicore), Sea Food 200 - 300 (Bernaqua), LHF 3 (Epicore),
LZ 150 - 250 (Zeigler), Minipro 2 (Maripro as)
14 PL 6 Epibal 300 (Epicore), LZ 250 - 450 (Zeigler), Flake (Mackay), S-PAK 2/5 (Inve)
15 PL 7 Epibal 300 (Epicore), LZ 250 - 450 (Zeigler), Flake (Mackay), S-PAK 2/5 (Inve)
16 PL 8 Epibal 500 (Epicore), LZ 250 - 450 (Zeigler), Flake (Mackay), S-PAK 2/5 (Inve), PL 300 (Inve), Minipro 3 (Maripro as)
17 PL 9 Epibal 500 (Epicore), LZ 250 - 450 (Zeigler), Flake (Mackay), S-PAK 2/5 (Inve), PL 300 (Inve), Sea Food 300 - 500 (Bernaqua) 18 PL 10 Epibal 500 (Epicore), LZ 250 - 450 (Zeigler), Flake (Mackay), S-PAK
2/5 (Inve), Sea Food 300 - 500 (Bernaqua), Minipro 3 (Maripro as) Fonte: Larvi Aquicultura e Projetos LTDA
153
N = Náuplio; Z = Protozoea; M = Misis; PL = Pós-larva 154
155
Parâmetros físico-químicos
156
A salinidade (ppt), temperatura (oC) e oxigênio dissolvido (mg.L-1) foram controlados
157
Protozoea 1, Misis 1, PL 1, PL 5 e PL 10. Os valores médios estão dentro das condições ideais 159
para o cultivo de L. vannamei (VAN WKY and SCARPA, 1999; KUBITZA, 2003; NUNES e 160
ANDREATTA, 2011) (Tabela 3). A salinidade foi monitorada através de refratômetro 161
(pHep5, Hanna instruments), a temperatura e o oxigênio dissolvido através de oxímetro 162
(Handy Polaris, OxyGuard) e o pH com pHmetro (STX-3, Vee Gee Scientific). 163
164
Tabela 3. Médias e desvios-padrão para os parâmetros físico-químicos da água observados 165
nesse estudo. 166
Parâmetros Tratamentos
Probiótico 1 Probiótico 2
Salinidade (ppt) 32,79 ± 1,21 32,85 ± 1,34 Temperatura (°C) 29,18 ± 0,64 29,41 ± 0,58
pH 7,65 ± 0,23 7,69 ± 0,26
Oxigênio dissolvido (mg L-1) 6,59 ± 0,60 6,52 ± 0,65
167
Desempenho Zootécnico
168
O comprimento total foi mensurado nos estágios PL 1, PL 5 e PL 10 relacionados ao 1º, 169
5º e 10º dia após início da metamorfose das larvas do tanque ao primeiro estágio de pós-170
larva, em papel milimetrado, sendo para isto coletados aleatoriamente 30 indivíduos de cada 171
unidade experimental. Para a determinação do peso úmido e seco, nos estágios acima 172
citados, as pós-larvas foram retiradas aleatoriamente com a ajuda de um bécker, na 173
quantidade de 10 amostras de 15 PL´s de cada unidade experimental. No laboratório, as PL´s 174
foram secas em papel filtro e embaladas em papéis alumínio pré-pesados e, em seguida, 175
pesadas em balança analítica de precisão (AY220, Shimadzu) para a obtenção do peso úmido. 176
Posteriormente, foram levadas à estufa de circulação forçada, onde foram submetidas por 24 177
h à temperatura de 60 oC e, depois, novamente pesadas para obtenção do peso seco.
178
Ao final do experimento, foram mensurados o ganho de peso (1) (KURESHY and 179
DAVIS, 2002), a taxa de crescimento específico (2) (TCE) (WU and DONG, 2002) e o 180
percentual de sobrevivência final (3) (adaptado de SILVA et al., 2009): 181
182
Em que: Ln = Logaritmo neperiano; Pi = Peso inicial; Pf = Peso final; t = tempo de
183
185
Em que: Ni = Número de larvas povoadas no início do experimento; Nf = Número de
186
pós-larvas estimadas no final do experimento. 187
188
Para determinar Nf, a população de cada unidade experimental foi concentrada em três
189
caixas de 500 L cada. Após homogeneização, foram coletadas quatro amostras de água de 190
145 ml e contadas as pós-larvas presentes. Posteriormente, realizou-se uma estimativa do 191
número total de animais a partir das médias obtidas. 192
Para calcular o percentual de metamorfose, foram coletados 50 indivíduos, 193
aleatoriamente, de cada tanque no 9º e 10º dia de cultivo, avaliando-se assim o perfil de 194
natação e a anatomia externa para determinar o estágio de desenvolvimento no qual o 195
animal se encontrava. 196
197
Teste de estresse (adaptado de TACKAERT et al., 1989) 198
Realizou-se teste de estresse a partir de choque iônico. Desta forma, 30 indivíduos 199
foram retirados aleatoriamente de cada unidade experimental e colocados em água doce por 200
30 minutos, retornando para a água salgada por igual período de tempo. Logo em seguida, 201
foi verificada a sobrevivência em cada uma das amostras. 202
203
Análise Estatística
204
Todos os dados foram inicialmente submetidos aos testes de normalidade 205
(Komolgorov-Smirnov), homocedasticidade (Levene) e independência (gráfico dos resíduos 206
x ordem de coleta). Para as variáveis que não apresentaram violações sérias dos pressupostos 207
exigidos foi aplicado o teste t de Student (paramétrico). Para as variáveis que tiveram 208
problemas nesse diagnóstico, U de Mann-Whitney, qui-quadrado (χ²) e teste exato de Fisher 209
(não-paramétricos) foram utilizados. Em todos os testes, o nível de significância adotado foi 210
0,05 e o software utilizado foi o MINITAB 17. A sobrevivência final foi analisada 211 descritivamente. 212 213 RESULTADOS 214 215 Desempenho Zootécnico 216
Nos estágios PL 1 e PL 5, referentes ao 9o e 13o dia de experimento, as pós-larvas que
217
do que as tratadas com o probiótico 1 (teste t de Student, p < 0,05). No estágio PL 10 (décimo 219
oitavo dia de experimento), não houve diferença estatística entre os tratamentos (teste t de 220
Student, p > 0,05). 221
222
Tabela 4: Desempenho zootécnico observado nas pós-larvas nos tratamentos aplicados. 223
Tratamentos
Probiótico 1 Probiótico 2
Comprimento total (mm)
PL 1 4,66 ± 0,58a 4,83 ± 0,52b
PL 5 6,02 ± 0,67a 6,22 ± 0,58b
PL 10 8,13 ± 0,68a 8,00 ± 0,86a Peso úmido (mg)
PL 1 5,46 ± 1,42a 6,29 ± 3,99a
PL 5 10,08 ± 1,80a 12,20 ± 4,88b
PL 10 27,55 ± 4,15a 27,56 ± 5,62a
Ganho de peso úmido (mg) 22,72 ± 3,90a 21,27 ± 6,16a
TCE (peso úmido) % dia-1 9,80 ± 1,49a 8,69 ± 2,26a Peso seco (mg)
PL 1 0,91 ± 0,37a 0,89 ± 0,38a
PL 5 1,91 ± 0,49a 2,33 ± 0,60b
PL 10 6,41 ± 0,89a 6,57 ± 1,34a
Ganho de peso seco (mg) 5,64 ± 0,88a 5,68 ± 1,19a
TCE (peso seco) % dia-1 12,11 ± 2,16a 11,63 ± 2,57a *PL: pós-larva.
224
Letras diferentes sobrescritas indicam diferença significativa ao nível de 5% entre os tratamentos.
225 226
Animais dos estágios PL 1 e PL 10 não diferiram entre os tratamentos para os valores 227
médios de peso úmido (respectivamente, testes t de Student e U de Mann-Whitney, p > 0,05). 228
Já em estágio PL 5 houve diferença entre os tratamentos (teste t de Student, p < 0,05). Em 229
relação ao peso seco, o resultado foi o mesmo (Tabela 4). 230
Os valores médios de ganho de peso úmido e seco (Tabela 4) não apresentaram 231
diferenças entre os dois tratamentos (teste t de Student, p > 0,05) e em relação à TCE, os 232
valores médios encontrados (Tabela 4) também não diferiram entre os tratamentos aplicados 233
(teste t de Student, p > 0,05). 234
Os percentuais de metamorfose (Figura 1) encontrados no nono dia de experimento 235
não diferiram entre os tratamentos (teste Qui-quadrado χ², p > 0,05). No entanto, no décimo 236
dia, o percentual encontrado nas unidades experimentais que receberam o probiótico 2 (90%) 237
foi significativamente superior ao apresentado nas unidades que receberam o probiótico 1 238
para essa diferença é [3,8%;20,2%] e a chance de a larva virar pós-larva no décimo dia de 240
experimento utilizando o probiótico 2 é 2,5 vezes maior do que utilizando o probiótico 1. 241
242
243
Figura 1. Percentuais de metamorfose encontrados no 9º e 10º dia de experimento. 244
Letras diferentes sobre as barras indicam diferenças significativas ao nível de 5% através do 245
teste Qui-quadrado (χ²). 246
247
A diferença no percentual de sobrevivência (Tabela 5) para as pós-larvas submetidas 248
aos probióticos 1 e 2 corresponde a, aproximadamente, 340.000. 249
250
Teste de estresse
251
Os indivíduos submetidos ao teste de estresse por choque salino em Protozoea 1, Misis 252
1, PL 1 e PL 5 apresentaram mortalidade de 100%. O único estágio que apresentou 253
sobrevivência foi PL 10 (Tabela 5), mas os percentuais encontrados para as PL’s 254
sobreviventes não diferiram entre os tratamentos (teste exato de Fisher, p > 0,05). 255
256
Tabela 5: Percentuais de sobrevivência final e de pós-larvas submetidas ao teste de estresse 257
por choque salino em PL 10. 258
Tratamentos
Probiótico 1 Probiótico 2
Sobrevivência final (%) 56,4 64,9 Sobrevivência após teste de estresse em
PL* 10 (%) 93,5a 91a
*PL: pós-larva.
259
Letras iguais sobrescritas indicam diferença não significativa ao nível de 5% entre os tratamentos.
260 261 DISCUSSÃO 262 263 69,3% 78,0% 71,3% 90,0% 0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70% 80% 90% 100%
9º dia 10º dia