UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA
FACULDADE DE EDUCAÇÃO - FACED
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM EDUCAÇÃOELCIANE LEAL NOVAES FERRAZ FEITOSA
A PERMANÊNCIA DE ALUNOS DOS CURSOS DE ENSINO MÉDIO
INTEGRADO DO INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO DO
SERTÃO PERNAMBUCANO CAMPUS SERRA TALHADA:
POSSIBILIDADES E DESAFIOS.Salvador - BA
2018
ELCIANE LEAL NOVAES FERRAZ FEITOSA
A PERMANÊNCIA DE ALUNOS DOS CURSOS DE ENSINO MÉDIO
INTEGRADO DO INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO DO
SERTÃO PERNAMBUCANO CAMPUS SERRA TALHADA:
POSSIBILIDADES E DESAFIOS.Projeto de Intervenção de conclusão de curso, submetido ao Programa de Pós-Graduação da Faculdade de Educação, Universidade Federal da Bahia, no Mestrado Profissional em Educação, Currículo, Linguagens e Inovações Pedagógicas, como requisito para obtenção do título de Mestra.
Orientador: Prof. Dr. Penildon Silva Filho.
Salvador - BA
2018
SIBI/UFBA/Faculdade de Educação – Biblioteca Anísio Teixeira
Feitosa, Elciane Leal Novaes Ferraz.
A permanência de alunos dos cursos de ensino médio integrado do Instituto Federal do Sertão Pernambucano Campus Serra Talhada: possibilidades e desafios / Elciane Leal Novaes Ferraz Feitosa. – 2018.
170 f. : il.
Orientador: Prof. Dr. Penildon Silva Filho.
Projeto de intervenção (Mestrado Profissional em Educação, Currículo, Linguagens e Inovações Pedagógicas) - Universidade Federal da Bahia. Faculdade de Educação, Salvador, 2018.
1. Ensino médio. 2. Ensino integrado. 3. Permanência na escola. 4. Ensino profissional. 5. Educação – efeito das inovações tecnológicas. I. Silva Filho, Penildon. II. Universidade Federal da Bahia. Faculdade de Educação. Mestrado Profissional em Educação, Currículo, Linguagens e Inovações Pedagógicas. III. Título.
A PERMANÊNCIA DE ALUNOS DOS CURSOS DE ENSINO MÉDIO
INTEGRADO DO INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO DO
SERTÃO PERNAMBUCANO CAMPUS SERRA TALHADA:
POSSIBILIDADES E DESAFIOS.Projeto de Intervenção de conclusão de curso, submetido ao Programa de Pós-Graduação da Faculdade de Educação, Universidade Federal da Bahia, no Mestrado Profissional em Educação, Currículo, Linguagens e Inovações Pedagógicas, como requisito para obtenção do título de Mestra em Educação pela seguinte banca examinadora:
Aprovada em 17 de dezembro de 2018.
Professor Orientador Dr. Penildon Silva Filho Universidade Federal da Bahia
Professora Drª Uilma Rodrigues de Matos Amazonas Universidade Federal da Bahia
Professora Drª Alessandra Santos de Assis Universidade Federal da Bahia
À cada pessoa que consegue transformar desafios em possibilidades, e agir numa ação constante de vencer seus próprios limites.
AGRADECIMENTOS
Agradeço, imensamente, ao meu Pai Eterno, por ser a minha fonte inesgotável de fé, de coragem e de perseverança. Em meios às turbulências NUNCA me abandonou; nas madrugadas de estudo, de cansaço físico e esgotamento metal, SEMPRE esteve presente, ao meu lado, sussurrando ao meu ouvido, de forma tão nítida... - “Siga em frente, você vai vencer!”
A toda a minha família, meu pai João (in memorian), minha mãe Edileusa sempre me abastecendo de carinhos e cuidados, meus irmãos Erques, Ernane, Ernanda e, especialmente, a minha irmã companheira e incentivadora, Elbiane, sempre presente na caminhada acadêmica orientando, guiando e mostrando novas possibilidades. A minha avó materna “Mãezinha” (in memorian... ainda em vida, presenciou o início da minha trajetória nesse mestrado) e, um destaque especial, ao meu esposo Emanuel, pela compreensão das minhas ausências e renúncias aos momentos de lazer, pela parceria e companheirismo nos longos caminhos trilhados até a concretização do sonho.
Ao meu professor e orientador, Dr. Penildon, por ter acreditado na minha capacidade autoral, tendo me conduzido à produção acadêmica de forma autônoma e reflexiva.
Aos professores do programa, por representar fonte de inspiração.
Às professoras Roseli Sá e Uilma Rodrigues pelo incentivo durante a qualificação do projeto.
Aos colegas da turma, pela solidariedade, partilha e carinho.
Às companheiras Iara, Lúcia e Rosineuman pelo companheirismo na jornada acadêmica, conhecimentos compartilhados e pela suavidade e alegria que traziam às longas e cansativas viagens até Salvador e no retorno à nossa cidade.
À colega e amiga Adriana Valéria Gomes Coriolano de Medeiros, pelo apoio constante e troca de conhecimentos, e pela disponibilidade em ajudar a dirimir dúvidas e compartilhar inquietações.
Aos colegas de trabalho e alunos do Instituto Federal de Educação do Sertãortão Pernambucano Campus Serra Talhada por todo apoio.
FEITOSA, Elciane Leal Novaes Ferraz. A Permanência de Alunos dos Cursos de Ensino Médio Integrado do Instituto Federal do Sertão Pernambucano Campus Serra Talhada: Possibilidades e Desafios. Projeto de Intervenção (Mestrado Profissional em Educação) - Faculdade de Educação - Universidade Federal da Bahia, Salvador, 2018.
RESUMO
Este projeto de intervenção representa o trabalho conclusivo do Curso de Mestrado Profissional em Educação: Currículo, Linguagem e Inovações Pedagógicas, sendo o fruto dos conhecimentos construídos ao longo da caminhada. O projeto versa sobre a permanência dos discentes dos cursos do Ensino Médio Integrado do IF campus Serra Talhada, onde os caminhos investigativos se fizeram sob a perspectiva teórica da Etnometodologia, nos seus conceitos básicos. A pesquisa de caráter qualitativo percorreu o universo dos significados e dos motivos, e buscou junto à comunidade discente e docente do campus os fatores que são promotores da permanência discente. Dentre os instrumentos utilizados na pesquisa para o levantamento das informações, a entrevista semiestruturada foi um dos mais importantes, tenso sido utilizado também o método de análise de conversas. O trabalho está respaldado em autores como Coulon (2008), Bourdieu (1983), Vasconcellos (2002), Freire (2011), Haecht (2008), Tardif (2014), Dore(2014) e Fazenda (2012) dentre outros. Na conceituação de permanência fundamento em pesquisas que entendem a permanência com um ato de durar no tempo, mas de acordo com outro modo de existir, sendo assim considerados os elementos tempo e transformação. No que se refere ao aluno, considero importantes aspectos para a sua permanência como acolhimento e escuta, identificação, aprendizagem, afiliação institucional e conquista do ofício de estudante. Por fim, o Projeto de Intervenção que visa implantar no IF campus Serra Talhada um espaço de reflexão sobre as práticas profissionais, das práticas pedagógicas vivenciadas na instituição, das relações estabelecidas na construção de conhecimento e o aluno, das relações construídas e mantidas entre docentes/alunos/técnicos e comunidade, tudo isso sendo pensado na perspectiva de uma escola acolhedora e favorecedora da permanência discente exitosa.
FEITOSA, Elciane Leal Novaes Ferraz. The permanence of students on integrated high school courses of the Backlands Pernambuco Federal Institute Serra Talhada Campus: Possibilities and Challengers. Project of Intervention (Professional master’s degree in Education) - Faculty of Education – Bahia Federal University, Salvador, 2018.
ABSTRACT
This project of intervention represents a concluding work of professional master’s degree in Education: curriculum, languages and pedagogical innovations, been the results of knowledge built along the way. The project focuses on the permanence of students in integrated high school courses at IF campus Serra Talhada, where the investigating ways were made with a theoretical perspective of Ethnomethodology, in your basics concepts. The qualitative character search covered the universe of meaning and reasons, looking for, with the campus’s student and teacher communities, the factors which are promoter of student’s permanence. Among all instruments used on the research for the survey of information, the semi-structured interview was one of the most important, in addition to the method of talk’s analysis. This research is supported with authors such as Coulon (2008), Bourdieu (1983), Vasconcellos (2002), Freire (2011), Van Haecht (2008), Tardif (2014), Dore (2014) Fazenda (2012), among others. On conceptualization of permanence, research foundations which understands the permanence as an act of lasts in time, but also in another way to exist, being thus considered the elements time and transformation. With regard to the student, I consider that they are important aspects for their permanence, the host and listening, identification, learning, institutional affiliation and their accomplishment of student craft. At last, I present the Project of Intervention, which aims to implant at IF campus Serra Talhada a space of reflection about the professional practices, pedagogical practices experienced in the institution, the established relationships on building knowledge and the student, the relationships built and kept among teachers/students/technicians and community, all this being thought of in the perspective of a welcoming and favorable school of successful student permanence.
LISTA DE ILUSTRAÇÕES
Figura 01 - Microrregião do Sertão do Pajeú ... 27
Figuras 02 – Equipe da Reitoria e Governo Municipal no Terreno do Campus ... 29
Figuras 03 - Espaço provisório da sede administrativa do campus /Parte dos primeiros servidores ...31/32 Figuras 04 - Espaços onde as primeiras turmas presenciais do campus funcionaram ... 32
Figuras 05 - Inauguração do Campus do IF Serra Talhada – PE... 34
Figura 06 – Sede do Campus IF Serra Talhada ... 35
Figura 07 – Palestra de Rosemary Dore – Autora estudiosa do tema Evasão Escolar / V Colóquio Internacional sobre Educação Profissional e Evasão Escolar ... 75
Fluxograma 01- Repensar as Práticas Profissionais ... 122
Fluxograma 02 - Avaliar a Organização Pedagógica ... 123
Fluxograma 03 - Afiliação dos Estudantes ... 123
LISTA DE TABELAS E GRÁFICOS
Gráfico 01 - Identificação dos Alunos das Turmas do Ensino Médio Integrado - Categoria Sexo ... 38 Gráfico 02 – Apresentação do Quantitativo de Alunos que Residem na Cidade de Serra Talhada e em Outras Cidades ... 39 Gráfico 03 – Alunos Retidos do Curso de Logística das Turmas dos anos 2016 e 2017 ... 41 Gráficos 04 – Permanência no EMI de Logística ... 40 Gráfico 05 – Permanência no EMI de Edificações / Turmas Iniciadas em Fevereiro de 2018 ... 42 Tabela 01 – Motivo da não Permanência/Transferência do Curso ... 106 Tabela 02 – Plano de Ação: Laboratório de Estudos e Práticas Pedagógicas ... 127
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS
ACE – Análise da conversa etnometodológica APL – Arranjo Produtivo Local
BNCC – Base Nacional Comum Curricular
BNDES – Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social CEP – Comitê de Ética em Pesquisa
CIEPEE – Colóquio Internacional sobre Educação Profissional e Evasão Escolar
CONIF – Conselho Nacional das Instituições da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica
CNB – Conselho da Educação Básica CNE – Conselho Nacional de Educação EMI – Ensino Médio Integrado
FDE – Fórum de Dirigentes de Ensino FDE – Fórum de Dirigentes de Ensino
IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
IF Sertão Pernambucano - Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sertão Pernambucano
IFs – Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia LDB - Lei de Diretrizes e Bases da Educação
MPED - Mestrado Profissional em Educação NURC - Norma Urbana Culta
PIB - Produto Interno Bruto
PROEJA – Programa Nacional de Integração da Educação Profissional com a Educação Básica na Modalidade de Educação de Jovens e Adultos
SAE - Setor de Apoio ao Ensino
SETEC - Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica SAGE - Sistema de Apoio à Gestão Escolar
SISTEC - Sistema Nacional de Informações da Educação Profissional e Tecnológica WIEPEE - Workshop Nacional sobre Educação Profissional e Evasão Escolar TCLE - Termo de Consentimento Livre e Esclarecido
SUMÁRIO
APRESENTAÇÃO… ... 16
PARTE I – DESVELANDO CAMINHOS… ... 19
1.1 Inquietações movedoras ... 20
1.2 O contexto da pesquisa: um olhar sobre o IF campus Serra Talhada ... 27
1.3 O início das atividades no campus do IF Serra Talhada e a identificação do problema ... 30
1.4 Ensino médio integrado a educação profissional – legislação, organização e diretrizes em linhas gerais. ... 43
1.4.1 Ensino médio integrado - um novo contexto escolar para o discente ingressante do IF campus Serra Talhada ... 47
PARTE II: INTRODUZINDO CONHECIMENTOS SOBRE PERMANÊNCIA E ÊXITO ... 55
2. ESCUTA E ACOLHIDA: POSSIBILIDADES PARA A PERMANÊNCIA ESCOLAR ...55
3. SUCESSO E FRACASSO ESCOLAR NA TEORIA DA REPRODUÇÃO. ... 62
4. CONSTRUINDO CONCEITOS SOBRE PERMANÊNCIA DISCENTE ... 72
4.1 Pensar a Permanência sem Esquecer a Evasão ... 74
PARTE III – OS CAMINHOS DA PESQUISA E A CONSTRUÇÃO DO PROJETO DE INTERVENÇÃO. ... 78
5. POR ONDE ANDEI: A ESCOLHA METODOLÓGICA ... 78
5.1 Falando sobre o método – a etnometodologia ... 79
5.2 Trilhas da pesquisa – descrevendo os caminhos percorridos. ... 83
5.3 Na trilha das entrevistas – ampliação da escuta e interação ... 91
6. ANÁLISE DOS RESULTADOS: DIÁLOGO ENTRE TEORIA E PRÁTICA ... 97
6.1 Análise de Questionários Aplicados com Discentes. ... 97
6.2 Análise Documental: Termo de Desistência. ... 106
6.3 Diálogos e Interação - Análises das Entrevistas ... 108
7. O PROJETO DE INTERVENÇÃO – PLANEJANDO OS MECANISMOS DE PERMANÊNCIA. ... 121
8. CONSIDERAÇÕES FINAIS ... 129
APÊNDICE B – Das Transcrições Entrevistas das Falas dos Docentes. ... 146
APÊNDICE C – Roteiro da Entrevista para Profissionais ... 159
APÊNDICE D – Roteiro das Entrevistas para Discentes ... 160
APÊNDICE E – Roteiro de Questionário para Discentes. ... 161
ANEXOS A – Das Normas para Transcrição ... 163
ANEXOS B – Registro de Assentimento Livre e Esclarecido Menores de 18 anos ... 165
APRESENTAÇÃO
Eis a concretização de um SONHO que, como todo sonho, um dia foi apenas algo imaginado e desejado, que me movia ao seu encontro.
Fazê-lo realidade foi como ter a certeza de que a vida sempre nos possibilita caminhos e escolhas que podem nos levar a realização dos desejos moventes que nos impulsionam, a cada dia, na direção da nossa conquista.
Esta não foi uma conquista fácil, mas cada dificuldade vivenciada me fez crescer e aprender mais, sempre mais. Aprender principalmente a continuar sonhando em um mundo melhor, ATRAVÉS DA EDUCAÇÃO!
Este é um trabalho “conclusivo” do curso de Mestrado Profissional em Educação, Currículo, Linguagens e Inovações Pedagógicas do Programa de Pós-Graduação da Faculdade de Educação da UFBA. Em forma de Projeto de Intervenção, este é o produto que reúne os conhecimentos adquiridos por nós, mestrandos e almejantes da titulação de Mestres em Educação. Neste projeto, consolido o essencial do que aprendi das trilhas percorridas nos percursos formativos, itinerâncias realizadas e nas interações com professores, colegas e todas as pessoas que de alguma forma colaboraram com a nossa caminhada.
Finalmente, começo a falar do trabalho em si, do seu mote permanência discente, desse projeto de intervenção que com muito orgulho chamo de meu! Escrevendo sempre na primeira pessoa do singular, como se faz quando se quer demarcar a sua propriedade, assim, escrevi que fiz! ou faço!; que construí!; entendi!; realizei... Mas, deixando a vaidade de lado, e falando com a seriedade da pesquisadora que construiu e reconstruiu conhecimentos, expresso que todo saber deve ser partilhado, compartilhado e divulgado. Ele deve estar a serviço de um bem comum, que possa servir para melhorar aquilo a que ele se propõe, a problemática investigada.
Assim sendo, faço-te um convite para conhecer este trabalho que agora é NOSSO, é meu, é teu, e de todos os seus leitores, pois possibilitará que cada um faça a sua própria construção no momento em que adentrar em sua leitura e percorrer as trilhas dos conhecimentos construídos, de modo que poderão ressignificá-los de acordo com as suas próprias vivências e saberes. A partir deste momento, passo a apresentar como o nosso trabalho está organizado.
O trabalho está dividido em três partes, a primeira está nomeada como “Desvelando Caminhos”, a segunda parte foi intitulada de “Gestão dos Processos da Permanência Escolar: Desafios e Possibilidades na Construção do Projeto de Intervenção” e a terceira e última parte chamamos de “Base Conceitual Fundamentadora sobre Permanência e Êxito”. Assim, para esclarecer melhor seguirei descrevendo cada proposta.
Na Parte I do trabalho é feita a apresentação da problemática, onde apresento e analiso alguns dados das turmas do EMI, falo sobre a decisão de estudar o tema, apresento o lócus da pesquisa e como tudo começou; escrevo sobre a educação profissional e o ensino médio integrado no contexto do aluno ingressante e principal ator da pesquisa. Trato sobre as suas dificuldades e as possíveis alternativas de acompanhamento do discente ingressante do EMI sob a perspectiva de Alain Coulon (2008) e a afiliação institucional.
Já na Parte II deste trabalho, organizei o aporte teórico que subsidiou a construção do Projeto de Intervenção. As teorias e seus conceitos foram organizados de modo a levar o leitor a compreender o problema, refletir sobre ele e identificar possíveis alternativas para enfrentá- lo. Nomeei essa parte da pesquisa de “Introduzindo Conhecimentos sobre Permanência e Êxito” onde abordo temas como fracasso e sucesso escolar, escuta e acolhimento, permanência e êxito.
Na Parte III escrevo sobre o método escolhido, fazendo toda a sua conceituação com a apresentação da teoria. Assim, Etnometodologia é a abordagem metodológica alinhadora deste estudo que, de acordo com Minayo (2015), pertence à corrente do compreensivismo que se preocupa em compreender relações, valores, atitudes, crenças, hábitos e representações. Descrevo, também, os passos da pesquisa, os caminhos percorridos nas trilhas escolhidas e dentre os métodos utilizados para levantar as informações necessárias destaco, entre eles à entrevista. Trago, nesse ponto, um espaço para apresentar as orientações sobre essa técnica, a trilha das entrevistas.
Logo na sequência apresento os resultados obtidos através de questionários aplicados com os alunos, das entrevistas feitas com docentes e discentes e de documentos do controle acadêmico que registraram os motivos da desistência de alunos numa análise que dialoga a teoria com a prática.
Evidencio enquanto resultado que a permanência se fará num conjunto que considera uma ação intencional e integrada a muitas práticas que articule entre todos os envolvidos no
processo educativo discente, os docentes, os técnicos e a família, um novo fazer pedagógico que tenha a atenção da “escuta e da acolhida” presentes, que considere o aluno na sua individualidade e singularidade e, ainda, o compreenda como ser social, cultural e afetivo. Que compreenda no projeto de permanência as dimensões “tempo e transformação”, necessários para a mudança do aluno e aquisição do sucesso acadêmico e certificação.
Ainda na parte III encontra-se a proposta construída com o objetivo de intervir na problemática da permanência discente do IF campus Serra Talhada, o Projeto de Intervenção. Nela estão pontuados os aspectos a serem enfrentados, a forma como se dará, os recursos necessários, o conjunto de ações que foram planejadas entre outros.
Este trabalho está respaldado em autores como Coulon (2008), com a teoria da afiliação institucional; Bourdieu (1983), com os capitais e habitus; Vasconcellos (2002), com a coordenação do Trabalho Pedagógico; Freire (2011), com a pedagogia da autonomia; Haecht (2008), com a sociologia da educação e a etnometodologia; Tardif (2014), com os Saberes Docentes e Formação Profissional; Dore (2014), sobre evasão na educação profissional; Fazenda (2012) em didática e interdisciplinaridade, entre outros autores que embasaram e ajudaram a construir o projeto.
É importante ressaltar que não estou garantindo que encontrei a solução para a problemática em questão, mas sim, que socializo ao disponibilizar e compartilhar o conhecimento construído ao longo da pesquisa. Pesquisa esta que se conclui apenas enquanto “etapa”, mas que se prolonga enquanto conhecimento em permanente construção. Sou consciente de que outros olhares poderão trazer mais subsídios.
1.1 Inquietações Movedoras
“Sem a curiosidade que me move, que me inquieta, que me insere na busca, não aprendo nem ensino”.
Paulo Freire
A minha vivência enquanto aluna do Mestrado Profissional em Educação - MPED - foi para mim uma rica oportunidade de construção de conhecimentos, tendo em vista que pude ampliar e ressignificar saberes e fazeres em torno da minha formação profissional. O curso me possibilitou a importante autonomia da escolha, tendo a liberdade de traçar o percurso formativo que eu faria para atingir meus objetivos, de trilhar sob os componentes curriculares que contribuiriam efetivamente para a minha prática e para o projeto que eu objetivava construir.
No nosso caminhar sempre encontramos diferentes estradas em rotas diversas, algumas retas, há as que possuem bifurcações, também com cruzamentos e outras com apenas simples veredas. Sabemos que, dentre tantas possibilidades, é comum que nos sintamos desafiados no momento da escolha, e a dúvida nos inquieta e se faz mais forte quando não se conhece o caminho escolhido, mas caminhando procurava conhecer e conhecendo encontramos muitas respostas.
É fato, não é fácil encontrar o caminho, em especial quando o que se quer é chegar ao melhor destino. É preciso, pois, compreender que acertar a rota pressupõe saber ao menos a direção a ser percorrida e ter consciência de que deve se mover até onde se quer chegar. Quanto a isso, felizmente, estava segura, com objetivos bem definidos. Quanto mais me enveredava pelas trilhas, mais descobria que é no percurso da caminhada que vamos dissipando dúvidas e desvelando novos caminhos cuja bússola era a própria pesquisa que me conduzia às descobertas trilhadas como aluna do Programa de Pós-Graduação da Faculdade
de Educação da UFBA, no Mestrado Profissional em Educação, Currículo, Linguagens e Inovações Pedagógicas.
No início foi grande o meu estranhamento, pois me inquietava saber que ao concluir o Mestrado Profissional em Educação eu não teria uma dissertação, mas sim, um projeto de intervenção, o que me deixou um pouco confusa, porém, ao compreender melhor a proposta pude entender o quanto seria bom pesquisar uma temática que representasse um problema da instituição e, a partir do conhecimento levantado, construir uma proposta de intervenção que pudesse colaborar com o enfrentamento da questão, isso foi algo que me motivou bastante.
Sendo assim, compreendi claramente que os projetos de intervenção objetivam pesquisar as possibilidades de constituição do currículo em diferentes realidades educativas e compreender fundamentos epistêmicos nas relações de ensino e de aprendizagem no cotidiano escolar, ou seja, nos espaços de atuação de cada mestrando e a partir da sua prática profissional.
Portanto, as itinerâncias e andanças feitas durante o curso e, também, no meu caminhar profissional, ajudaram-me a desvelar caminhos, a mover-me nos caminhos da pesquisa. Ela tem como questão central os fatores que contribuem com a permanência discente no campus Serra Talhada, sobretudo, nas turmas do Ensino Médio Integrado de Logística e de Edificações.
Nesse contexto, a pesquisa propõe um repensar sobre as práticas que são realizadas dentro da instituição pesquisada, pois, de acordo com as orientações do projeto de intervenção do MPED da UFBA, ela “visa respeitar as singularidades locais, alterar os processos educativos em seus cotidianos e promover uma organização coletiva de atualizações contínuas, fomentando a participação de toda comunidade educativa em prol da melhoria da educação local”.
No entanto, pensar sobre os processos educativos que acontecem dentro das escolas, enxergar os seus problemas e o que precisa ser modificado somente acontecerá de forma mais efetiva se o todo for visto de forma sistêmica. É preciso identificar a necessidade de mudança na prática dos profissionais que atuam no espaço da escola, a partir de tomada de consciência através de reflexão criteriosa sobre o fazer diário que carece melhoria, seja na área de atuação dos técnicos, da gestão/coordenação ou professores. Toda essa questão nos remete a Freire (2011) quando ele descreve sobre a “prática docente crítica”.
Acredito que todos que estão na escola possuem uma missão educadora, mesmo não sendo docente. Assim, a prática de todos os profissionais que compõe a escola deve ser pensada segundo o que apresenta o autor. Em Freire (2011) é posto que a prática docente envolve o movimento dinâmico e dialético entre o fazer e o pensar sobre o fazer, para ele essa prática é implicante do pensar certo. Mudar pressupõe reflexão crítica sobre os seus atos, disponibilidade, investimento na formação, conhecimento e, com isso, um consequente melhoramento pois,
na formação permanente dos professores, o momento fundamental é o da reflexão crítica sobre a prática. É pensando criticamente a prática de hoje ou de ontem que se pode melhorar a próxima prática. O próprio discurso teórico, necessário à reflexão crítica, tem de ser de tal modo concreto que quase se confunda com a prática. (FREIRE, 2011, p.40)
É essa prática consciente que precisamos levar para as nossas escolas. Uma prática que sempre está sendo pensada e repensada na intenção de melhorar e promover uma organização coletiva e de atualizações contínuas. Foi assim que aprendi, a proposta pedagógica e filosófica do MPED nos proporciona essa compreensão. Entretanto, o pensar sobre a atividade prática diária nunca deve estar distanciado do conhecimento epistemológico, o mestrado é mais uma porta que nos leva a superação da ingenuidade, pois a escola é o local de se produzir e propagar a ciência.
Sendo assim, a minha inquietação também era a superação da ingenuidade pela rigorosidade e curiosidade epistemológica, sendo necessário refletir que,
o “distanciamento epistemológico” da prática enquanto objeto de sua análise deve dela “aproximá-lo” ao máximo. Quanto melhor faça esta operação tanto mais inteligência ganha da prática em análise e maior comunicabilidade exerce em torno da superação da ingenuidade pela rigorosidade. Por outro lado, quanto mais me assumo como estou sendo e percebo a ou as razões de ser de por que estou sendo assim, mais me torno capaz de mudar, de promover-me, no caso, do estado de curiosidade ingênua para o de curiosidade epistemológica (FREIRE, 2011, p.40).
Como espaço de construção de conhecimentos não se pode deixar de pensar que mudanças aconteçam na escola e da escola. Para a construção de uma proposta interventiva todos devem estar abertos a mudanças, pois elas serão inevitáveis. Se entendermos que na construção do conhecimento um novo pensar é estabelecido e que isso gera mudança e se entendermos também que na convivência com o outro, mudanças por mínimas que sejam
surgirão, dada a influência que as pessoas podem exercer entre si, talvez o ato de mudar não fosse visto como algo que impõe medo, mas sim como algo natural.
Desta forma, compreendo que a escola precisa desse movimento contínuo de mudança e de envolvimento de todos os atores para olhar a sua prática e ressignificá-la. Como aborda Freire (2011), não é possível a assunção que o sujeito faz de si numa certa forma de estar sendo sem a disponibilidade para mudar. Para mudar e de cujo processo se faz necessariamente sujeito também. Com isso podemos definir que a decisão em investir na própria formação continuada, como a escolha de cursar um mestrado, por exemplo, é, sem dúvidas, proveniente do reconhecimento da necessidade de mudança.
Com essa reflexão, considero, ainda, importante falar da minha vivência na educação, relatar que experiência profissional me possibilitou mover-me na espontaneidade do saber prático, mas não ingênuo, pois como nos faz refletir Freire (2011), “a experiência pautada sobre a curiosidade epistemológica leva ao pensamento crítico”. Assim, sempre busquei agir sob essa forma de pensar, o que me faz uma eterna aprendente, investindo em formação continuada, a exemplo do meu ingresso no Mestrado Profissional em Educação da UFBA, o que considero uma vitória.
No entanto, atuar na educação foi algo que não escolhi, mas que as circunstâncias me proporcionaram, porém, mesmo não tendo feito a opção de atuar nesta área, outra área nunca me despertou interesse, assim, com o tempo, terminei me encontrando e construí uma identidade que chamo de educadora. Hoje posso dizer que sou feliz com o que faço e que, mesmo com o saber que construí ao longo de 25 anos, ainda consigo ser contagiada por uma curiosidade movente, seja pela vontade de aprender e conhecer mais ou pelas inquietações causadas por problemas de ordem pedagógica e que carecem de respostas.
Destaco que como consequência dos anos trabalhados na educação e da constante busca por formação continuada, adquiri uma maturidade que desperta no meu fazer pedagógico a importância da atenção aos detalhes, de dedicar-me a observar as relações que se estabelecem entre aluno e professor, entre aluno e aluno e entre esses e os demais profissionais da escola, tudo isso se aperfeiçoou como aluna do mestrado, um despertar do olhar investigativo/científico mais apurado.
Dessa forma, aprendi que para a escola cumprir de fato com sua função educativa e garantir o que considero, o seu sucesso, que são “os bons resultados atingidos por seus alunos, mais aprovação e menos retenção”, ela precisará de um coletivo atuante e envolvido, ou seja,
da força e da contribuição do conhecimento de cada um. Acredito que a escola deve ser vista como “causa de todos” e não apenas causa de alguns e que o seu sucesso dependerá do que está posto como relevante no seu projeto pedagógico, assim como, do envolvimento da sua comunidade nas questões relevantes da instituição.
A construção deste Projeto de Intervenção se deu sob a orientação e compreensão de que as relações que são estabelecidas dentro da escola têm em si um dinamismo e uma diversidade muito grande e, essas relações se movem em vários ritmos, e com intensidades diferentes, fazendo dela um espaço que não pode ser inerte. Alunos, professores e demais membros da escola colocam nesse ambiente as suas energias, e agem de acordo com as suas crenças, os seus valores, com o conhecimento de mundo que possuem e traçam nele os objetivos que esperam atingir. Sendo assim, não se concebe pensar e propor ações sem que se investigue e conheça o local e a comunidade onde elas serão aplicadas. Desta forma, a próxima parte deste trabalho é dedicada à apresentação do lócus da pesquisa.
Como forma de expressar o amor do povo serra-talhadense por sua terra, optei por trazer o poema de Henrique Brandão, poeta local, intitulado Ode a Serra Talhada. Não poderia fazer de outra forma a apresentação desse lugar de gente forte e guerreira, de um povo que muito valoriza a sua cultura. Assim, de forma poética, nos versos de cada estrofe, segue a exaltação a essa terra nas palavras do poeta:
Ode a Serra Talhada
Por Henrique Brandão
Talhada por chuva e vento tu és linda e encantadora do xaxado é precursora de amar-te tenho razão
do granito do sertão foste esculpida sem falhas
riscada pelas navalhas do bando de Lampião. E é com enorme emoção que eu canto alto o teu hino
já disse Zé Marcolino igual a Serra não tem é Deus dizendo também que linda assim se mantenha
a nossa Igreja da Penha e os anjos dizendo amém.
Lembranças que vão e vem o nosso CIST é lendário
a Capela do rosário e estação do forró o nosso grande Soró e Luiz Lorena de Sá fizeram desse lugar a nossa joia maior. Feita com muito suor por homens de competência
hoje a nossa influência ultrapassou continentes até no extremo oriente Serra Talhada é citada A Vila hoje está Talhada
e o Pajeú imponente. Festa de gente valente representando a cultura
reflete a nossa bravura com trajes de um guerreiro
corre atrás do boi ligeiro anda de lado da morte só Jesus mesmo da sorte que salva nossos vaqueiros. Fonte: http://faroldenoticias.com.br/poema- serra-talhada-riscada-pela-navalha/13/09/2018
Figura 01 - Microrregião do Sertão do Pajeú
1.2 O CONTEXTO DA PESQUISA – UM OLHAR SOBRE O IF CAMPUS SERRA TALHADA - PERNAMBUCO
O campus do IF Sertão Pernambucano é o local onde a pesquisa foi realizada, ele fica localizado na cidade de Serra Talhada, terra de sertanejos valentes, gente guerreira que luta arduamente para vencer as dificuldades de quem vive no sertão. É de grande importância conhecer os sujeitos envolvidos, a instituição de ensino e as características locais e regionais da Região do Sertão do Pajeú com os seus 17 (dezessete) municípios que trazem alunos para a nossa unidade de ensino.
Deste modo, seguiremos com a sua inserção regional, apresentação do campus e da sua história de criação.
Fonte da Imagem – Google
O campus Serra Talhada está localizado na Microrregião do Pajeú. Essa região fica ao norte do estado de Pernambuco e é composta pelos seguintes municípios: Afogados da
Ingazeira, Brejinho, Calumbi, Carnaíba, Flores, Iguaraci, Ingazeira, Itapetim, Quixaba, Santa Cruz da Baixa Verde, Santa Terezinha, São José do Egito, Serra Talhada, Solidão, Tabira, Triunfo, Tuparetama.
Segundo censo 2010 – IBGE, a microrregião tem uma população total de 314.642 mil habitantes, sendo que deste total 199.763 (63,49%) está localizado na zona urbana e 114.879 (36,51%) na zona rural. Registra-se em 2010 um PIB de R$ 1.776,10 sendo 8,1% provenientes do setor agropecuário, 10,1% da indústria, 74,6% de serviços e 7,2 de impostos.
Tem clima semiárido na maioria de seu território, sendo exceção a área de brejo de altitude, que compõe, por exemplo, a cidade de Triunfo, ponto mais alto do estado com mil duzentos e sessenta metros. A cidade mais populosa é a própria Serra Talhada, seguida de Afogados da Ingazeira, São José do Egito e Tabira. A população total de Serra Talhada é de 84.970 mil habitantes (dados do Censo do IBGE de 2016), o que corresponde a 27% da microrregião do Pajeú e dos quais 77,34% está localizado na zona urbana do município. Serra Talhada dista a 415 km da capital do estado de Pernambuco, Recife.
A economia do município tem como base a agropecuária, com ênfase na agricultura de subsistência e pecuária. Outros setores de destaque são comércio e serviços. Em nota Técnica elaborada conjuntamente pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a Rede de Pesquisa em Sistemas e Arranjos Produtivos e Inovativos Locais (RedeSist), na microrregião do Pajeú foi identificado o APL da ovinocaprinocultura.
Desta forma, os destaques na economia são a produção de feijão e milho, a ovinocaprinocultura, além do setor de comércio. Outro setor de destaque no município é o turismo. Um dos principais atrativos de Serra Talhada é o fato de ser a cidade onde nasceu Virgulino Ferreira da Silva (Lampião), o cangaceiro mais famoso da região nordeste. A cidade conta com museus que apresentam o cangaço e a vida de Lampião. Todos esses arranjos produtivos foram importantes para a definição do perfil do campus, assim como a extensão territorial da microrregião do Sertão do Pajeú e a capacidade de alcance da população que teria acesso aos cursos ofertados
Um pouco da jovem história do IF campus Serra Talhada
Essa região de povo forte, do legítimo sertanejo, foi presenteada com o projeto de expansão dos Institutos Federais, no dia 16 de agosto de 2011, quando a então presidenta da República, Dilma Vana Rousseff, anunciou a criação de quatro universidades federais, a abertura de 47 Campi universitários e 208 unidades dos Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia, que seriam espalhados em todo o país. Nessa ocasião, o Instituto Federal do Sertão Pernambucano foi contemplado com mais duas unidades: Campus Serra Talhada, localizado na mesorregião do Sertão Pernambucano, microrregião do Pajeú e o
Campus Santa Maria da Boa Vista, localizado na mesorregião do São Francisco, microrregião
de Petrolina.
A partir desta informação os primeiros passos começaram a ser dados para que um campus do IF Sertão se instalasse em Serra Talhada. Com parceria entre o governo municipal e com a reitoria do IF Sertão-PE, o terreno para a construção do campus é cedido pela prefeitura ao Instituto Federal, a fim de propiciar a realização da obra de construção do prédio do campus do IF Sertão.
Abaixo, apresento imagens da estão equipe da Reitoria do IF Sertão-PE, juntamente com o Prefeito de Serra Talhada na Assinatura do Termo e Início das Obras / Instalação da Placa que Marca a Presença do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sertão Pernambucano no Município de Serra Talhada.
Figuras 02 – Equipe da Reitoria e Governo Municipal no Terreno do Campus
Origem das imagens: Google
Dessa forma, o prédio começou a ser construído no final de 2013, às margens da PE- 320, que liga Serra Talhada a Afogados da Ingazeira. A construção foi orçada em pouco mais
de R$ 9 milhões, com recursos do Governo Federal e tinha como previsão de entrega o início de 2015. Entretanto esse prazo não se cumpriu e a obra se estendeu até final de 2016.
É importante destacar que a preocupação com a instalação do novo campus não se deu apenas no que se refere à estruturação física da unidade, mas também, no que se referia aos cursos que seriam ofertados na instituição. Desta forma, foi através da participação da comunidade civil, de representações política da cidade e de membros do IF Sertão – PE que foi realizada uma Audiência Pública, no dia 25 de novembro de 2011, para as escolhas dos cursos que seriam ofertados à comunidade acadêmica local e da Microrregião do Pajeú.
Sendo assim, foi numa forma bastante democrática, com respeito aos arranjos produtivos locais, bem como o anseio da população, que foram escolhidos os cursos técnicos em nível médio de Logística, Eletrotécnica e Refrigeração e Climatização, enquanto na oferta de nível superior foram os cursos, Engenharia Civil e Licenciatura em Física. Dentre esses cursos o de Eletrotécnica não foi ofertado ainda e não há previsão para a sua oferta, o de Engenharia Civil ainda está em processo de organização para a sua implantação.
1.3 O Início das atividades no campus do IF Serra Talhada e a identificação do problema.
A parceria com o governo municipal de Serra Talhada foi bastante importante, pois era preciso iniciar as atividades do ensino presencial e o nosso prédio ainda estava em construção. Nesse sentido, foi necessário a cedência de estrutura física para funcionamento de alguns cursos e para instalação das equipes de técnicos administrativos. Felizmente conseguimos as instalações e no segundo semestre de 2014 começaram a contratar os primeiros servidores concursados.
Em maio de 2015 começa a minha experiência na Educação Profissional e Tecnológica, através do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sertão Pernambucano, no cargo de Técnica em Assuntos Educacionais. Fui lotada no Campus Serra Talhada onde tive a oportunidade de participar do início das suas atividades, pois estávamos na fase de implantação, com poucos servidores contratados e o nosso prédio ainda em construção.
Foi um início difícil para a maioria dos servidores que chegaram na primeira fase da implantação do campus, pois as condições de trabalho que tínhamos não eram das melhores, a
nossa infraestrutura era muito precária. Chegávamos numa cidade desconhecida e com cultura diferente da nossa, de fato, tínhamos vários aspectos para nos adaptarmos e, além disso, a afiliação institucional1 do servidor era bem comprometida pelo improviso no funcionamento
da instituição. 1
É certo que em sede improvisada, ocupando três espaços distintos no município, tudo ficava mais difícil de acontecer. Porém, não se podia negar, a alegria de assumir um concurso público e ser servidor da rede federal de educação profissional e tecnológica ajudava a cada um de nós a superar qualquer dificuldade, assim como, a possibilidade de contribuir com o início de tudo, com a história do IF campus Serra Talhada.
Ainda sobre os espaços cedidos utilizados inicialmente, registramos que as atividades administrativas foram iniciadas na sede provisória localizada no bairro AABB, Av. Irineu Alves Magalhães, nº 985, em casa alugada mantida pela prefeitura. Nesse local eram desenvolvidas as atividades administrativas dos Departamentos de Ensino, de Administração e Planejamento, bem como da Direção Geral. As atividades de ensino estavam sendo desenvolvidas entre o Colégio Municipal Cônego Torres e a Autarquia Educacional de Serra Talhada, ambos localizados na Avenida Afonso Magalhães, no Centro da cidade.
Figura 03 - Espaço provisório da sede administrativa / Parte dos primeiros servidores.
1 Afiliação institucional é tornar-se membro de uma instituição, afiliar-se a um grupo, a uma instituição, o que
requer o domínio progressivo da linguagem institucional comum. Essa afiliação repousa sobre a particularidade de cada um, sua maneira singular de se “debater com o mundo”, de “estar no mundo”, nas instituições sociais da vida cotidiana. COULON, Alain. Etnometodologia e Educação. trad. TEIXEIRA, Ana. São Paulo: Cortez, 2017, p. 191.
Imagens de arquivo pessoal.
Assim, mesmo com todas as dificuldades existentes, era meta do IF Sertão consolidar a unidade de ensino no município de Serra Talhada e na região do Sertão do Pajeú. Em 2015 ocorreu o início das nossas primeiras turmas presenciais através dos cursos subsequentes de Técnico em Logística e o de Técnico em Refrigeração e Climatização. As aulas das turmas aconteciam em salas cedidas na Faculdade de Formação de Professores de Serra Talhada e no Colégio Municipal Cônego Tôrres.
Figuras 04 - Espaços onde as primeiras turmas presenciais do campus funcionaram
Contudo, logo após a entrada dessas turmas, a nossa instituição começava a ser conhecida na cidade e os nossos cursos passavam a ter certa procura. As turmas tinham entrada semestral e funcionavam nos três turnos dividindo o espaço das duas instituições de ensino já citadas. Os professores precisavam se desdobrar de um prédio para outro para ministrar as suas aulas, de forma que tudo tinha que ser bem planejado para evitar atropelos já que alguns equipamentos como, por exemplo, os projetores multimídias, a princípio, eram guardados apenas em uma das instituições.
Além disso, o material de expediente era armazenado na sede administrativa que por sua vez não ficava próximo das escolas onde as aulas aconteciam. Todas essas condições tornaram a gestão das turmas muito difícil e algumas situações fugiam do nosso controle. A direção de ensino e as coordenações de cursos faziam o possível para resolver as demandas, mas nem sempre conseguiam atender todas as necessidades existentes, também faltavam servidores que pudessem dar o suporte necessário.
Assim, o que nos animava era saber que aquela situação seria passageira, já que o nosso prédio estava em construção e o número de servidores que ainda era limitado iria aumentar quando ocupássemos de fato o nosso campus. Não sei se por conta dessas dificuldades até aqui relatadas, mas começamos a perceber que muitos dos nossos alunos não permaneciam muito tempo nos cursos, eles desistiam facilmente, muitas vezes até nas primeiras semanas de aula.
Diante do exposto, as turmas dos cursos Subsequentes de Refrigeração e Climatização e o Subsequente de Logística iniciadas em 2015, apresentaram uma entrada bastante aproximada, sendo de 106 alunos a primeira e 112 a segunda. Entretanto, esses números não conseguiram permanecer por muito tempo e logo no ano seguinte, em 2016, apresentou-se uma enorme evasão, sendo 57 alunos a menos na turma de refrigeração e Climatização e 44 na turma de Logística, o que correspondia a 54% e 39% de alunos evadidos respectivamente.
Contudo, a implantação de novos cursos não podia parar e no ano de 2016 foi aberto mais um curso, iniciando-se assim a oferta do Ensino Médio Integrado em Logística. Na primeira turma de Ensino Médio Integrado do campus Serra Talhada foi matriculado inicialmente o quantitativo de 20 alunos. Lamentavelmente, em um ano de funcionamento o curso acumulou uma evasão de 20%, pois no ano seguinte apenas 16 alunos foram rematriculados, fato que muito preocupou a direção do campus, principalmente por essa turma ter sido iniciada com um número bem inferior a sua oferta que era 35 alunos.
Assim, é oportuno justificar que essa preocupação dos dirigentes e nossa se dá pelo fato de que as turmas do ensino médio integrado devem ser o carro chefe dos Institutos Federais, pois, de acordo com a Lei 11.892/2008, “dentre os cursos por eles ofertados o médio integrado deve estar como prioridade”, em maior proporção que os demais, ou seja, com praticamente 50% das vagas.
Dando continuidade à apresentação da linha histórica do campus, seguimos na linearidade cronológica dos fatos registramos que, no início de 2017, mais especificamente no dia 31 de janeiro, vivemos um importante momento que nos encheu de otimismos, confiança e alegria. Consideramos um marco na história da instituição, pois nessa data o prédio sede do
campus Serra Talhada foi entregue à comunidade do Sertão do Pajeú trazendo a esperança do
desenvolvimento que só uma educação de qualidade pode proporcionar a um povo.
Figuras 05: Um Grande Dia - Inauguração do Campus do IF Serra Talhada – PE
Fonte das Imagens – Arquivo do Campus
Com certeza, a festa de inauguração marcou a grandeza daquela conquista onde importantes lideranças políticas se fizeram presentes, dentre as quais a presença do presidente do Brasil, Michel Miguel Elias Temer Lulia, o governador do estado de Pernambuco, Paulo
Henrique Saraiva Câmara, o ministro da Educação, Mendonça Filho, o prefeito de Serra Talhada, Luciano Duque e, ainda deputados estaduais e federais. O evento garantiu um grande número de convidados reunindo alunos, pais e servidores da casa e dos demais campi e reitoria, além de muitas outras pessoas de toda região.
Figura 06: Sede do Campus IF Serra Talhada
Fonte da imagem – arquivo do campus
Hoje o campus conta com amplas e confortáveis instalações, a unidade possui 5.600 metros quadrados, 12 salas de aula, 8 laboratórios, 1 auditório, 1 refeitório, 1anfiteatro e 1ginásio poliesportivo. Desta forma, com a nova estrutura física, ampliavam-se as possibilidades de ofertar novos cursos, de modo que mais dois cursos foram abertos beneficiando a comunidade do Sertão do Pajeú.
Os cursos que passaram a integrar o quadro do campus em 2017 foi o Técnico de Nível Médio em Proeja de Edificações e, no nível superior, o curso de Licenciatura em Física.
Acresce ainda que o curso do PROEJA, Educação de Jovens e Adultos, assim como o ensino médio integrado, faz parte da prioridade entre os cursos técnicos de nível médio a serem ofertados nos institutos federais. Assim, a nossa primeira turma nessa modalidade de ensino foi aberta exatamente em 2017.2, teve uma matrícula inicial de apenas 26 alunos, ou seja, não conseguiu nem sequer ocupar as 35 vagas ofertadas. Sendo assim, além do problema
de não conseguir completar a turma, no seu curto tempo de funcionamento, um semestre letivo, registrou-se uma evasão de 35% o que correspondia a desistência de 9 alunos.
Simultaneamente, também em 2017.2, como já citado, teve início a primeira licenciatura do campus com o curso superior de Física. Desta forma, passamos a atuar nos dois níveis de ensino, na Educação Básica e no Ensino Superior. A licenciatura em Física conhecida por ser um curso difícil e de alta exigência intelectual carecia por esse motivo de uma atenção especial para os seus alunos e professores.
Entretanto, logo no início do seu funcionamento, mesmo com boa parte do nosso efetivo profissional já contratado, começamos a perceber que algumas crenças que tínhamos sobre a permanência de alunos não correspondiam totalmente ao que pensávamos. A turma de Física é uma prova disso, pois mesmo com toda estrutura, com laboratório equipado para o curso e com bons profissionais, dos 35 alunos que inauguraram o curso, 14 deles evadiram-se antes mesmo de encerrar o semestre.
Ainda sobre ofertas de cursos, registramos que em 2018 mais um curso de ensino médio integrado é aberto pela instituição, o curso é de Edificação e vem para oportunizar ao estudante a possibilidade de escolha de área profissional ligada ao mercado de construções e ainda vem como forma de contribuir com a verticalização do eixo técnico de infraestrutura no
campus, pois ele já é ofertado na modalidade de ensino de jovens e adultos.
No ensino médio integrado em Edificações encontramos a evasão de 4% logo nas primeiras semanas do curso. Na saída dos três alunos, dois deles por transferência de escola e um por transferência interna, pois o aluno migrou para o curso de ensino médio integrado em Logística. Esses alunos foram atendidos pelo SAE do campus quando sinalizaram o interesse de sair do curso e/ou da instituição, eles alegaram não terem se identificado com o curso e não queriam arriscar permanecer no nele numa perspectiva de um provável insucesso, do fracasso escolar.
Como pude apresentar até aqui, dos cursos do campus Serra Talhada que apresentam uma maior problemática quanto à permanência de seus estudantes não são os do ensino médio integrado, porém, optei por acompanhar as suas turmas por considerar a responsabilidade principal que é atribuída aos institutos federais em relação a esse nível de ensino, ou seja, é na educação básica que deve estar a nossa maior oferta de vagas, precisamos garantir o acesso e a permanência de 50% da nossa capacidade com as turmas do ensino médio integrado.
Desta forma, tendo escolhido acompanhar e investigar os fatores que influenciam a permanência nas turmas do ensino médio integrado verifiquei que quanto ao espaço de tempo para a realização da observação do movimento de permanência dos alunos, isso se daria de acordo com o início de cada turma na instituição, pois como o campus Serra Talhada iniciou as suas atividades há pouco mais de quatro anos e a sua primeira turma de ensino médio integrado teve início apenas em 2016, ou seja, não teremos alunos egressos para participado da pesquisa. Sendo assim, foram pesquisadas as das turmas do curso de EMI em Logística ingressantes em 2016, 2017 e 2018 e, sobre as turmas de EMI de Edificações ingressantes em 2018 farei apenas o acompanhamento dos números da permanência dos alunos, pois o curso iniciou neste ano de 2018 e, até o final da pesquisa e escrita deste trabalho, eles não terão sequer concluído o primeiro ano do curso.
Conhecendo os Dados que Representam os Alunos do EMI
Atualmente o IF campus Serra Talhada possui um total de 173 alunos entre os cursos de EMI de Logística e Edificações. Deste total são 107 do curso de Logística e 66 do curso de Edificações. Esses alunos estão todos na faixa etária regular indicada para essa etapa do ensino, já no que se refere a divisão desses alunos, considerando o quesito sexo é bem interessante constatar que estamos bem equilibrados neste sentido, pois são 86 mulheres e 87 homens.
Gráfico 01 - Identificação dos Alunos das Turmas do Ensino Médio Integrado - Categoria Sexo
Todas as Turmas
Homens Curso Logística Mulheres do Curso Logística Homens Curso Edificações Mulheres do Curso Edificações
Gráfico elaborado pela autora, com base no SAGE.
Assim, percebemos que há uma preferência de sexo em cada curso indicada nessas turmas do IF campus Serra Talhada. Desta forma, as turmas do EMI de Logística somam 107 alunos possuindo 47 homens (44%) e 60 mulheres (56%). Nesse caso não existe uma diferença muito grande quando aos dois sexos que frequentam o curso, mostrando assim que há uma boa aceitação por ambos. Quanto ao curso de EMI em Edificação vemos uma diferença um pouco maior, são 40 homens (61%) e 26 mulheres (39%) que frequentam o curso. Nesse caso há uma predominância masculina no curso fator que vamos acompanhar nos anos seguintes para constatar se foi apenas uma situação desse ano ou se realmente o curso se apresenta como uma melhor opção masculina
Mulheres do Curso Edificações Homens Curso Edificações Mulheres doCurso Logística Homens Curso Logística 26 40 47 60
Série2 Série1
Gráfico 02 – Apresentação do Quantitativo de Alunos que Residem na Cidade de Serra Talhada e em Outras Cidades
ORIGEM DOS ALUNOS
Alunos que residem em Serra Talhada Alunos de outras cidades
Gráfico elaborado pela autora, com base no SAGE.
Nesse gráfico podemos ver que o IF campus Serra Talhada possui uma boa procura de alunos de outras cidades e isso nos comprova que a implantação do instituto na região do Pajeú, na cidade de Serra Talhada, foi uma acertada escolha devido a sua proximidade de várias outras cidades. Entretanto, o quantitativo de alunos provenientes da cidade sede da instituição é maior, chegando a representar 57,65% do total. Quando aos alunos oriundos das cidades vizinhas, 42,35%, é preciso considerar que esse discente carece um olhar e atenção já que possui uma condição mais difícil que os demais. Os alunos que vêm de outras cidades estão em situação mais desconfortável, pois precisam acordar mais cedo para se deslocar para Serra Talhada e no final do seu turno ainda são os últimos a chegar em casa. É comum escutar queixas quanto à alimentação, vez que a maioria não toma café da manhã para virem a escola. Quanto as atividades de contra turno essa é outra dificuldade do aluno que mora em outra cidade, assim, por exemplo, dificilmente esse aluno cumpre como horário de atendimento ao discente e perde a oportunidade de tirar dúvidas sobre conteúdos com seus professores.
Curso de EMI em Logística. Curso de EMI em Edificações. 17 47 49 62
Gráfico 03 – Alunos Retidos do Curso de Logística das Turmas dos anos 2016 e 2017
Dificuldades de Aprendizagem/Frequência
Alunos Retidos 2016 Alunos Retidos 2017 Alunos no Percurso Regular 1%
Gráfico elaborado pela autora, com base no SAGE.
É importante destacar que identificamos que o aluno ingressante normalmente apresenta maior probabilidade de ficar retido em disciplinas, pois esse aluno sofre com os efeitos da fase do estranhamento e aprendizagem, com a adaptação ao instituto de um modo geral, aos professores e ao trabalho pedagógico de cada um. Sempre o impacto dessa adaptação/afiliação ocorrido com maior força nas turmas de 1º ano desfavorece alguns alunos que terminam perdendo disciplinas, questão que relato mais à frente.
Neste gráfico quero chamar atenção ainda em relação aos alunos retidos em relação à permanência vivenciada por eles, existem muitos alunos que terminam usando um tempo bem maior para concluir um curso e se arrasta na instituição por mais tempo do que deveria. Essa é uma permanência sobre alto risco de evasão, pois caso o aluno não seja assistido em suas limitações, ele corre o risco de não lograr êxito algum e apenas elevar os índices negativos da instituição.
14%
Gráficos 04 – Permanência no EMI de Logística
Turmas : 1º, 2º e 3º Ano
Evasão de alunos na Soma dos três Anos - 2016, 2017 e 2018; 13% Permanência/Matr ícula atual dasTurmas; 87%
Gráfico elaborado pela autora, com base no SAGE.
Importante informação trago neste gráfico, pois nele apresento a permanência do curso do EMI em Logística, turmas do 1º, 2º e 3º ano. A permanência de 87% representa alunos retidos e alunos não retidos, os 13% de evasão correspondem ao acumulado nos três anos de curso, de 2016 a 2018, todos os alunos que foram transferidos ou abandonaram a escola.
Desta forma, como se pode ver esse curso possui uma boa permanência, a maior evasão existente no curso ocorreu na primeira turma. Acredito que devido às condições iniciais de trabalho, como já relatado anteriormente, tenham influenciado esse resultado. Entretanto, mesmo o curso não tendo grande evasão, há outro problema que é a condição de permanência de alguns alunos, dos alunos retidos. Essa é uma problemática que precisamos enfrentar para evitar que o aluno passe mais tempo que o necessário na instituição para concluir o seu curso.
Gráfico 05 – Permanência no EMI de Edificações / Turmas Iniciadas em Fevereiro de 2018 Alunos com Tranferência Externa; 4%
Turmas Inaugurais - 1º A e 1º B
Alunos com Tranferência Interna; 2% Permanência de Alunosnas turmas; 94%Gráfico elaborado pela autora, com base no SAGE.
Já o curso de Edificações, como está no seu primeiro ano de funcionamento, não temos como fazer uma avaliação da sua condição de permanência. Até então tivemos a saída de dois alunos, logo no início do curso, que foram transferidos para outras instituições. Esses alunos alegaram a não identificação com o curso. Outra saída que aconteceu no curso foi a transferência interna de um aluno que migrou para a turma de Logística, esse aluno justificou a intenção de transferência por não ter facilidade com as disciplinas da área de exatas, já que no curso há ênfase nessa área.
Assim, é nesse contexto, que as turmas do EMI do IF campus Serra Talhada estão inseridas e que o estudo sobre a permanência de alunos ganhou forma e vida. Muitos foram envolvidos na pesquisa, como alunos, professores e os coordenadores de cursos do EMI, cada um foi muito importante para os resultados do estudo e para a construção do Projeto de Intervenção.
Considero, ainda, oportuno relatar que a proposta curricular do Mestrado Profissional em Educação, Currículo, Linguagens e Inovações Pedagógicas tem como foco a construção de projetos de intervenção para a rede, visando à proposição de ações que venham a solucionar
ou amenizar os problemas da instituição. Assim, durante todo curso, fomos alimentados com o conhecimento necessário para o embasamento do nosso projeto e o melhor de tudo é que pude montar o meu próprio percurso formativo, pois o curso nos dava a autonomia para fazê- lo, mas sempre com uma orientação anunciada: “sigam as suas trilhas de acordo com o projeto que almejam construir”. Tudo foi sem sombra de dúvidas, desafiador, mas, ao mesmo tempo, bastante motivador.
Em seguida passarei a descrever acerca da modalidade de ensino e etapa da educação básica cursada pelos atores da pesquisa, falarei em linhas gerais sobre a educação profissional e suas legislações e diretrizes, assim com, apresentarei as dificuldades e possibilidades que cercam os alunos do Ensino Médio Integrado.
1.4 Ensino Médio Integrado A Educação Profissional – Legislação, Organização E Diretrizes.
A Educação Profissional e Tecnológica no Brasil está descrita na Lei de Diretrizes e Bases Nacional (LDB), Lei nº 9.394/96, que recebeu alterações em 2008 pela Lei nº 11.741/08 e no Decreto nº 5.154 de 2004. Diante da necessidade da criação de diretrizes que pudessem orientar a sua implementação nas escolas do nosso país foram instituídas em 2012, através da Resolução CNE/CEB 6/2012, as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Profissional Técnica de Nível Médio.
De acordo com o Decreto nº 5.154 de 2004 sobre a Educação Profissional, art. 2º, a educação profissional observará as seguintes premissas:
I - Organização, por áreas profissionais, em função da estrutura sócio ocupacional e tecnológica;
II - Articulação de esforços das áreas da educação, do trabalho e emprego, e da ciência e tecnologia.
Com a implementação da educação profissional e tecnológica os seus cursos puderam transitar nos dois níveis educacionais, na educação básica e no ensino superior, de modo que estão disponíveis nas seguintes formas de oferta: I - formação inicial e continuada ou qualificação profissional; II - educação profissional técnica de nível médio e III - educação profissional tecnológica, de graduação e de pós-graduação.
Importante saber que os cursos profissionais técnicos podem acontecer na forma articulada e, assim, ser ofertados como integrado ou concomitante. O aluno que optar pelo ensino médio integrado, terá um currículo organizado com disciplinas propedêuticas e disciplinas técnicas em um mesmo projeto pedagógico de curso, além de ter matrícula em uma única escola. Entretanto, se optar pela forma concomitante, o discente efetuará matrículas distintas para cada curso, uma no curso de ensino médio e outra no curso técnico, ele poderá estudar na mesma instituição caso possua as duas ofertas ou entre duas instituições distintas, desde que tenham convênio firmado.
No caso do campus Serra Talhada, os nossos alunos são matriculados no curso de ensino médio integrado, seja de Logística que é do eixo técnico de Gestão e Negócios ou no curso de Edificações, que pertence ao eixo técnico de Infraestrutura. É importante destacar que o curso de EMI possui muitas especificidades que o faz mais desafiador que o curso de ensino médio regular, já que este trabalha apenas com a formação geral.
O curso de ensino médio integrado até então tem uma carga horária bem superior do que acontece no curso de ensino médio regular, pois de acordo com a habilitação Profissional do curso que é indicado no Catálogo Nacional de Cursos Técnicos, a parte dos conhecimentos gerais do currículo é acrescida seja de 800, 1.000 ou 1.200 horas correspondentes à área técnica que habilitará o discente para a profissão escolhida. Desta forma, além da carga horária da formação geral de ensino médio, tem-se o acréscimo da parte técnica, o que faz com que o curso tenha uma grande quantidade de disciplinas e horas.
Neste contexto, o quantitativo de disciplinas do curso e o estágio profissional, devido a sua alta carga horária, terminam fazendo muitas vezes com que ele seja ofertado de forma integral e/ou semi-integral, ou ainda, que seja cursado em quatro anos. O aluno tem a responsabilidade de fazer o estágio supervisionado ou cumprir com atividades do estágio não obrigatório, situação que estará definida no projeto do curso.
A Lei nº. 11.892/2008 bem como a Resolução CNE/CEB nº. 06/2012 estabelecem princípios gerais para a Educação Profissional Técnica de Nível Médio. Destacam-se, em especial, os princípios definidos nos incisos I, III e IV, do art. 6º, da Resolução CNE/CEB nº. 06/2012, que visam à efetivação de um trabalho educativo de uma formação que considere ciência, tecnologia, cultura, trabalho e formação integral, conforme podemos observar:
I - relação e articulação entre a formação desenvolvida no Ensino Médio e a preparação para o exercício das profissões técnicas, visando à formação integral do estudante a serem desenvolvidas por meio de atividades de ensino, pesquisa e extensão planejadas de acordo com o perfil do egresso do estudante;
[…] III - trabalho assumido como princípio educativo, tendo sua integração com a ciência, a tecnologia e a cultura como base da proposta político pedagógica e do desenvolvimento curricular;
IV - articulação da Educação Básica com a Educação Profissional e Tecnológica, na perspectiva da integração entre saberes específicos para a produção do conhecimento e a intervenção social, assumindo a pesquisa como princípio pedagógico.
Entretanto, com a nova mudança do ensino médio imposta pela Lei nº 13.415/2017 que entre outras mudanças altera a Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, diversas alterações foram estabelecidas causando divergências na classe educadora. Dentre tais divergências está a questão de o ensino médio passar a ter um currículo geral com apenas 1.800 horas e o restante de horas serem destinadas para os itinerários formativos integrados que trabalham eixos técnicos numa preparação para o trabalho.
Ainda sobre as mudanças que trazem divergências nos restringiremos a destacar aqui apenas algumas delas, assim, as queixas se estabelecem pelo fato de importantes disciplinas do currículo do ensino médio serem postas apenas como estudos obrigatórios, como é o caso de educação física, arte, sociologia e filosofia. Essa alteração coloca em risco a qualidade do aluno que será formado, em especial por poder limitar a presença de importantes temas para a formação crítica, reflexiva e cidadã do sujeito.
Também é preocupação o fato de serem postos como obrigatórios, nos três anos do curso, apenas as disciplinas língua portuguesa e matemática, e ainda traz a língua inglesa como estudo obrigatório deixando em caráter optativo o ensino da língua espanhola que é tida como preferencial, mas subordinada à existência de disponibilidade da oferta, locais e horários definidos pelos sistemas de ensino. Essa situação nos mostra a intenção de reduzir o currículo da base comum relegando importantes conhecimentos.
Acresce informar que as alterações trazidas na Lei nº 13.415/2017 em nada modificará os currículos dos nossos cursos de EMI, os Projetos Pedagógicos dos cursos técnicos