Peixes marinhos litorais da Ilha do Pico (Açores).

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PElXES MARINHOS LITORAlS

DA

ILHA

DO

P I C 0 (ACORES)

JOSB

MANUEL AZEVEDO 1

PHUP C. HEEMSTRA L U ~ S MANUEL ARRUDA

ANA ISABEL NETO

Departamento de Biologia, Universidade dos A~ores. Rua me de Deus. 58. P

-

9500 PONTA DELGADA codex

J. L. B. Smith Institute of Ichthyology. Private Bag 1015, Grahmstown. 6140 South Africa

3 Departamento de Zoologia e Antropologia, Faculdade de CiEncias de Lisboa. Campo Grande. BIoco C2, Piso 3.

P

-

1700 LISBOA.

As Lajes do Pico caracterizam-se par possuir urn conjunto d e lagoas e de popas intertidais linico na ilha e s6 camparAvel. nos A~ores. &s lagoas de S ~ O Jorge. Tipicarnente, os sistemas lagunares s30 Areas muito importantes do domfnio marinho, por possuirem uma elevada siqueza especifica e serem zonas previlegiadas para a reproduqgo e crescimento de muitas esptcies. Nio existindo nenhum estudo especifico destes aspectos nas Lajes do Pico, era objectivo original da componente ictio16gica da Expedi~Ho "Pico 91" comparar a fauna existente no interior do referido conjunto de lagoas e poqas. corn a existente na faixa litoral adjacente.

Para o efeito, efectuou-se uma colheita de exemplares numa das poqas intertidais mais extensas da zona de calhau rolada entre as duas baias (Area a p r b ~ i m a d a 40rn2, profundidade rntdia lm), e realizaram-se varies mergulhos de prospeg50 tanto na Lagoa de Cima como na de S. Pedro. Infelimenle, o estado do mar durante todo o tempo em que decomeu a Expedig3o impediu que se efectuassem rnergulhos nn parte externa do cornplexo lagunar. Alguma informaqlo acerca da fauna ictiol6gica existente em mar aberto fwi obtida attavds de colheitas efectuadas no lado extemo do Porto de Santa Cruz, Rikiras (15-16 metros de profundidade) e fora do Porta da Manhenha, Piedade (20 metros de profundidade). No entanto, os dados obtidos nHo permitiram atingir satisfatoriarnente o objectivo inicial.

Neste relat6rio optou-se, pottanto, por apresentar apenas uma lista anotada dos peixes marinhos litorais da llha do Pico, juntando as esptcies capturadas ou observadas durante a Expedi~20 "Pico 91" corn as esptcies previamente citadas na literatura.

A pesquisa da bibliografia dispanfvel revelou urn conjunto de referhcias B fauna ictiol6gica da Ilha do Pico. A primeira surge numa lista de peixes do Mweu de Lisboa, feita por Guimarses (1882a, b). As cinco espkcies referenciadas forarn oferecidas pePo Sr. Jogo Soares de Lacerda, em Fevereiro de 1878. Destas einco espCcies, omite-se na Eista abaixo Remora remora (Linnaeus. 1758), por nIo se tratar de uma especie estritarnente litoral. A segunda referencia t feita por Collett (1896) a duas especies recolhidas ria mate baixa, "pexto das Lajes do Picon, duranxe as campanhas do Principe do Mdnaco (concretamenae, na estaqia 108,

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campanha de 1887). Fowler (1936) dB conta da existtncia no Museum of Comparasive Zoology de seis esp€cies, corn a indica~go dlibia "Pico, Faial, Aqotes". alguns dos quais oferecidos por Miss Olivia Dabney. Finalmente, no ambit0 da Expedipb " Aqores %9", o ictioiogista austriaco Robert A. Palmer observou nas

Lajes do Pico 23 esptcies, cuja lista apresentou no seu relatbrio preliminar (Patzner, 1990). 0 registo de Siza aurara (Risso, 1810) carece de confirma~io porque se hseia apenas na observaqio "in loco". pelo que o mesmc autor o omitiu numa lista posterior (Patzner es al.. 1992).

Na conjunto destas obras sZo registadas 32 espdcies de peixes litorais. Durante a Expedi~iio "Pico 91" foram capturadas efou obsemadas 34 espkcies. das quais onze n80 tinham sido anteriormente citadas para esta ilha, o que eleva o respectivo n h e r o total de espkies registadas para 43.

As recolhas forarn efectuadas utilizando rotenona camo anestesiante e capturando depois os animais corn a auxflio de carnaroeiros. Nos mergulhos de prospec@o apenas foram regiszados os aornes dar espkies observadas, n l o tendo sido feitas tentativas de qmntifica~Ho.

LISTA

ANOTADA

Na

lista seguinte. e para cada espbcie, d apreseatado o nome vulgar (N.v.), quando existenne, e sao iindicadas as citaqiies bibliogrhficas elou os locais de captura na presente Expedicio, estes acrescidos do respectivo nhrnero de exernplates e da indicaggo

dos

comprimentos totais

(CT)

rninirno

e miximo. As abreviaturas usadas para as estagties sHo: U P (Lajes do Pico. po$a intertidal),

PMP

(Forto da Manhenha) e

SCR

(Porto de Santa Cruz, Ribeiras).

Chondrichthy es Hypotremata Dasyatidae

1. Dasyafis paslinaca (Linnaeus, 1758) N.v. Rato-do-mar.

Patzner (1990), Lajes do Pico.

Obervada em duas ocasiks (uma das quais no decurso de urn mergulho nocturne) no interior da Lagoa de Cirna, Lajes do Pico.

Osteichthyes Anguiliformes

Anguillidae

2. Anguilla anguilla {Linnaeus, 1758) N.v. Enguia. eir6.

Collelt (1896), Camp. 1887, esr. 108, mart baixa, perto das Lajes do Pico.

Muraenidae

(3)

N-v. Moreia pintada.

P M P

(1 ex.), Cr. 64 cm.

4. Muraena hslena Linnaeus, 1758 N.v. Moreia pinlada.

U P

(3 ex.). CT: 29-75 cm.

5. Gymnothorax unicolor (DeIaroche, 1809) N.v. MareHo.

ZJP (5 ex.),

CT:

9-71 cm. Ophichthidae

6. Aptcrichshus caecsrs (Linnaeus, 1758) PMP ( 5 ex.).

CT:

28

cm.

Gadiformes Gadidae

7. Gaidropsaurus guttarus (CoIlett. 18901

N.v. ViSlva.

PMP

(4 ex.), SCR (Iex,), (X 13.9-17,4 8. Phycis phycis (Linnaeus, 1766)

N.v. Abr6sea.

P W

(4 ex.). SCR (6 ex.).

C P

7.1-IO,4 Perciformes

Sertanidae

9. Epinephelus marginatus (Lowe. 1834) N.v. Mew.

Pamer (19901, como E. guaza.

U P

(103 ex.), CT: 4.7-36 cm. Conforme jA referido por Patzner ( o p .

cir.), rerifichos que os juvenis desta espdcie sHo comuns nas Lagoas das Lajes, niio tendo sido por n6s encontrados em nenhum dos outros locais arnostrados. Azevedo (1992) apresenta urn estudo mais detalhado desta amostra.

10. Serranus ntricauda Giinther, 1874 N.v. Gmupa.

Fowler (19361, "Pico. Faiaf, A~ores". LJP (1 ex.),

PMP

(5 ex.), CE 10-19 cm, Apogonidae

1 1. Apogon (Apogon) imberbis (Linnaeus, 1758)

Guirnarles (1882b1, Pico; Fowler ( 1936). "Pico. Faid. Acores".

PMP

(5 ex.), SCR (9 ex.), CT: 7,5-12,5 cm.

Carangidae

12. Pscudocaranx dentex ((Boch & Schneider in Schneider, 1801) N.v. Enxardu.

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Juvenis observados na Lagoa de Cima. Lajes do Pico. 13. Trachinarus ovalus (Linnaeus, 1758)

N.v. Prombeta.

Patzner (19901, Lajes do Pico. Mullidae

14. Mullus surmulttus Linnaeus, 1758 N.v. Salmonete.

Guirnariies (1 882a), Pico; Patzner (1 990). Lajes do Pico. Observado na Lagoa de Cima, Lajes do Pico.

Sparidae

15. Pagrus pagrus ainnaeus, 1758) N.v. Pargo.

U P (3 ex.), juvenis.

16. Dipiodus sargus (Linnaeus, 1758) N.v. Sargo.

Fowler (1936), "Pico, Faial. Agores". U P (4 ex.),

CT:

10,4-13.5 cm.

17. Pogellus bogaravco (Briinnich, 1768) N.v. Goraz.

Patzner (1990), Lajes do Pico. LJP {I ex.). CT: 21 cm. 18. Sarpa salpn (Linnaeus. 1758)

N.v. Salema.

Patzner (1990). Lajes do Pico. Pomacentridae

19. Abudefduf luridus (Cuvier, 1830) N.v. Castanheta azul.

Patzner (19901, Lajes do Pico.

LIP (6 ex.), PMP (2 ex.), CI': 4,f-17 cm. 20. Chromis limbata [Valenciennes. 1833)

N.v. Castanheta.

PMP (44 ex.). SCR (26 ex.). CT: 7-15,7 cm.

Labri dae

21. Labrus bimacuIa~us Linnaeus, 1758 Guimarges (1882a), Pico.

22. Labrus bcrgylta Ascanius. 1767 N.v. Bodiao vermelho.

Obsemado na h g o a de Cima, Lajes do Pica.

23. Coris julis (Linnaeus, 1758) N.v. Peixe-rei.

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LJP ( I ex,), PMP (27 ex.),

SCR

(I ex.), CT: 6-23 cm.

24. Pseudolepidaplois scrofo (Valenciennes, 1839 in Cuv. Val.) N.v. Viola, peixe-do.

Guimarles (1882b). Pico.

25. Symphodus {Crcnilabrus) mcditerrancus (Linnaeus, 1758) N.Y. Bodiso.

Palmer (1990), Lajes do Pjeo.

U P

(1 ex.), PMP (16 ex.), SCR 26. Thalarsoma pa YO (Linnaeus, 1758)

1N.v. Rainha.

Patzner (1990), Lajes do Pico.

L P (57 ex.), PMP (13 ex.), SCR (1 ex.). IJF. 4.2-14 cm. Scaridae

27. Sparisoma (Euscarus} crctense (Linnaeus, 1758) N.Y. Veja.

Patmer (1990), Lajes do Pico e Patnet et aE. (1992).

Tal c o m o estes Clltirnos autores. obsenilmos urn elevado nlimero de juvenis desta especie em ambas as lagoas das Lajes do Pico.

Gobiidae

28. Gobius pcrganellus Linnaeus, 1758 N.Y. Caboz.

Fowler (19363, "Pico, Faial, Aqores"; Patzner (19901, Lajes do Pico,

U P

(329 ex.). CT: 1,2-13.2 cm.

29. Pomaroschistus pictus (MaIm, 1865)

Foi observado urn elevado nlimero de individuos desta especie aa Lagoa de Cima, Zajes do Pico.

Bleniidae

30. Ophioblennius attanticus aflantkus (Valcnciennes, 1836) Patzner (19901, Lajes do Pico.

Observados na Lagoa de Cima, Lajes do Pico. 31. Parablennius incognitus (Bath. 1968)

Patmer (1990). Lajes do Pico. LIP (5 ex.), 4.5-6 cm.

32. Parablennius sanguinolentus (Pallas. I 8 l 1 )

Collett 11896). Camp. 1887. est. 108, mart! baixa. Pico.

U P (8 ex.). CT: 7-16.7 cm.

33. Parablennius parvicornis (Valenciennes, f 836) Patmer (1990). Lajes do Pico.

34. Parablennius rubcr (Valenciennes. 1836) Patzner (1990), Lajea do Pico.

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Tripterygiidae

35. Tripterygion delaisi Cadenat & Blanche, 1971

Patzner (1990), Lajes do Pica.

LJP (60 ex.), PMP (10 ex.), SCR (2 ex.),

CT:

3,345 cm. Sphyraenidae

36. Sphyraena sp.

N.v.

B

icuda, barracuda.

Obsevados na Lagoa de Cima. Lajes do Pico. Mugil idae

37. CAeEon labrosus (Rissa, 1826) N.v. Tainha, muja.

Patzner (1990). Lajes do Pico.

W P (69 ex.), CT: 3-26,? cm. Scorpaenidae

38. Scorpacna madercnsis Valenciennes. 1833

N.v. Rascasso.

Patmer (1990). Lajes do Pico.

LEP (3 ex.), PMP (13 ex.), SCR (25 ex.),

CT:

8,5-15,2 cm.

39. Scorpacna notatn Rafinesque, 18 10 N.v. Rascasso.

Patmer (19901, Lajes do Pico. 40. Scorpaeno scrofa Linnaeus. 1758

N.v. Rocaz.

Fowler (1936). "Pico. Faial. A~ores". Pleuronectiformes

Bothidae

41. Bothus podas madercmis (Lowe, 18343 N.v. Solha.

Patvler (19901, Lajes do Pico.

PMP (1 ex.),

CT:

17.9: tambdm observado na Lagoa de Cima. Lajes do Pico.

Tetraodontiformes Tetraodontidae

42, Sphocroides s p c ~ g l e r i (Bloch, 1792) N.v. S a p ,

Patzner (1990), Lajes do Pico.

(7)

Gobiesociforrnes Gobiesocidae

43. Diplecogaster Birrtncuiata pectoralis Briggs, 1955 Fowler (1936). "Piw. Faial. Aqores".

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