NI! 1
•ANO XI
•FLORIANÓPOLIS,
5 DE
OUTUBRO
DE 1993
CURSO
DE
JORNALISMO
DA
UFSC
ZERO
N-'1
ANOXI
OUTUBR093
'CURSO DE
JORNAUSMO
CCE-COM
Melhor
Peça
Gráfica
I,
II, III,
IVeV SetUniversitário
MaioB8 Setembro89,
90e91 Outubro 92JoJDal-Úlboratório
do Cur so de Jornalismo da Uni versidade Federal de SantaCatarina
edltado pelo
Laboratório
deInfogratia
Capa: José
da Silvajr.,
Vietor CarlsonFoto
dacapa:Vietor CarlsonColaboração:
Professara
ConsueloLins;MarceloSantose
Yan
Boechat
(Laboratório)
Coordenação:
Vietor CarlsonCopy-writer:Professores
CarlosLocatelli,
GilkaGirardeüo,
LuizScotto,
NilsonLage
Dustração:JosédaSilvaJúnÜJr,
Michelson
Borges
eRodrigo
Pissetti
Diagramação:
AlexandraBaldisserotto,Alexandre
Gonçal
ves,
DiógenesFischer,
GiancarloProença,JaimeLuccas,janaína
Tr.«anJosédaSilvaJúnior,Lara
Viviane
deIima,
Michelson Bor ges, Pabloaaudino,
PatriciaMárcia,
Sérgio Severino, Ulysses
DutraeVictor Carlson
Editor de texto:
Prot
CarlosLocatelli
Edição:
Alexandra Baldisserotio.Alexandre
Gonçalves,
CarlitoJúnior, Diógenes Botelho, Dióge
nesFischer,
GiancarloProença,
Ivana
Back,jaime Luccas,josé
da SilvaJúnior, [osemar
Sehnem,
Mauricio
Oliveira,
Pabloaaudino,
Sérgio
SeverinoeVic torCarlsonFotogra6a:Ana Carine,
Car/itoJúnior,
GiancarloProença.jai
me
Luccas,
Vietor CarlsoneYanBoechat
Laboratório
Fotográfico:
Jaime
Moraes(coordenação),
Lauro
Maeda,
PabloClaudinaeYanBoechat
Projeto
Gráfico eEdit Eletrônica:
Vietor CarlsonSupewisão
doLaboretário:
Professor
Ricardo Barreto([;1Th
2708/RS)
Textos: Alexandre
Winck,
Ale xandraBaldisserotto,
Ana Carine, Gabriela
Veras,
GiaiicarloProença,
IvanaBackJaimeLuc
casJosé
daSilvaJúnior,Josimar
Senhem,
MaurícioOliveira,
MichelsonBorges,
Patrícia MárciaeYan
BoechatAcabamento e
impressão:
JornalANotícia
Redação:
Curso deJornalismo
(UFSC-CCE-COM), Trindade,
CEP88049-900,Florianópolis/SC
Telefones:(0482)
31-9215 e 31-9290 Telex e teJeJáx:(0482)
34-4069Distribuição gratuita
Circulaçiio dirigida
Jornalismo,
conhecimento
e
diploma
Polêmica
A
xouinformação,
deserumnoBmsil,
bemsocialdeiparaconstituir-seembem demercado. Tendo
proprietários,
énegociada
apartir
dosinten:ssesdeuma elitequecontrola
impiedosa
menteo
país.
O
diploma exigido
parao exer»dcio da
profissâo
dejornalista
signi
fica
umaautorização
concedidaapartirdaidentificofão
deumcon/ux:imentodesenvo/vido
organizadamente
porinstituÍfÕes
estrutumdascom essafinalidade.
Longe
deser umapreocupação
corporatioa,
éumaconquista
queimpede, legalmente,
queseja
aprofissão
assaltada por um aventureirismo
capaz de levá-Iaà
diluição.
Osproprietários
dainformação
sãoeforçadosdefens01l!S
deuma aberturadita democráticaque
preconiza
oacessodetodosaopmenso direito de
manifestar-se.
Purosofisma.
Na
verdade,
oquesepretende
éa
ampliação
desmedida da massaprofissionai
que,tornodadifusa,per
mitiriaumaextraordinária
oferta
demão
deobra,já
queasexigênciasfor-maisestariamextintas. Com
isto,
o nivelderemuneração
cairia aindamais,arotatividodeseriamaisinten
saeocontrole sobreaprodUfÕo
dainformação
maiseficaz.
De
quebra,
aorganização
sindicalveriaseuscaminhosde reivin
diCOfÕO perderem
osentido. Omedoseriao
grande
redutor.Perrieríamosome/hordenossadimensãohumana
e
politica.
Tenderíamosanostransformar
emobedientesprofISSionais.
Aalegaçãodequeasuniversida
desnõoestãobemequipadosdo
ponto devirtahumanoematerial,
eque nãoconseguem
produzir
bonsprofissio
nais,
poderfamos
contraporqueavimentohumano.
Podemosatécresar,
masartamenle,oamos nos
deformar.
Seauniversidade é
defeituosa,
oamosreformá-Ia,
destinando-lhe mais recursos, e criar mecanismosconftáveis
dearJ(!liação
sobrearealqualidadeeseroentiado
conhecimentopor
elaproduzido.
Vamossermais
exigentes
quanto àhabilitação
verdadeiradosprofes
soresetécnicos quenela
ingressam,
sempre
pensando
najusteza
deseussalárioseemsuas
condÍfÕes
detra balho.NãosâaunifJersidade necessita
derealinhamentos.Nãooamos nos esquecerda
urgência
em criarmosmeiosdeumefetivocontrolesocialso
brea
qualidade
e anaturezadainf01"mOfÕo
quenoséendereçada.
Evidentemente,
vãofalarem
"voltadostempos
dacensura". Aestacllantagem
politica,
podentmos
responder
àque
lesquesearooramde
proprietários,
talvez
pordireito
divino,
dainforma
ção,
equesãoapenas concessionáriosdeumseroifV
públicoenãodonatários
decapitanias
hereditárias,
autoritá rios mercadores deverdades sobsuspeição.
Precisamos
aprender, erapida
mente,acobrar-lhesrespeito quando
dousodeumbem
público
ecantroiarabartJáriecomque todosse
lançam
aolucroeao
poder,
em umaviagem
tresloucada e sem
limite,
sem darsatisfações
aquemquerqueseja.
Luis HumbertoM. Pereira
Prof.
TitularemFOÚJgrafUl
Universidadede BrasiliaSem
condições
de
uso
Auditório do
Convivência
serve
de
albergue
noturno
e
depósito
de lixo
.
I
nauguradohá
tório do Centro de Convivênl-tanos.o Audí cia da UFSCjá
foi considerá-doomaisbemequipadodo
campus,comboa
acústica,
arcondicionado,
sala de
projeção,
boailuminação
ecadeiraestofadascomcinzeirosane
xos.
Atualmente,
oauditório estátodo
depredado:
marcasdecigarro
egomademascar nocarpet,
cinzei rosarrancados,
estofamentos dascadeirasepapéisdeparederasgados,
Umajanelainteíracomarmaçãode
alumínioeaparelhos
dearcondi cionado foram roubados.O auditóriotem
comofunções
servir de localparaa
realiZação
de cursos,palestras,
formaturaseparaexibição
de filmes.Porém,
ele éusado, eventualmente,
paraensaiosde
peçasteatrais
e comoalojamento
deestudantes. O
problema
nãoestánouso em
si,
mas nofato de que, depois
de ocuparemolocal,
deixamgarrafas
debebidas,
panosvelhos,
cabos devassouraemuitasujeira.
Atémeninosderuajáforamencon
trados lá.
Segundo
VitorFerreira,
membro do Diretório Central dos
Estudantes,
há alunos quetêm achave do auditórioe dormemlános
Ospatrões
pedem
democmcia:
''Puro so6SJna"
qualijiCOfÕo
profissional
nõoseesgota
naconclusão deumcurso,
qualquer
queseja
ele,
masdesenvolve-sepela
vidatoda. Pelo acúmulo de expe
riênaasoioidase
pelas
reflexões
produzidosa
partir
delas.Seporumlado,oexen:íciopro
fissional
nosredações
nosfaz
crescer,pode
também serdesestimulantepelo
climadecompelição,
ameaçaseatemorizaçõe:
qseaparecem cotidianamente.Uma
atmosfera
deintolerânciaededisputapelopoder,
em umairritantecintilação deegos,
nãoéexatamente umesPaçogenerosoparaodesenvol-finais desemanas."Háindícios de grupos quesereúnem para fumar
maconha",
diz. Vitoracredita queas
cópias
da chaveforamconsegui
das por descuidoou
irresponsabi
lidade de
gestõespassadas
do DCE.Aslâmpadasdoauditóriotam
bémsãoroubadas
freqüentemente.
Um
projetor
16mmtevequeserretiradoporqueurinavamemcimado
aparelho.Ocamarimtambémserve,
entre outras
coisas,
debanheiro.A
manutenção
da sala é deresponsabilidade
da Pró Reitoria de Culturae Ex tensãoeoDCEseocupada
agenda
edalimpeza.
Uma funcionáriada universidade-pagapelopróprioDCE
-limpa
oauditório àssegunda-feiras,
mas ocama rime umasalaparaguar darequipamentos
continuamcheiosdeentulhos,a
provada desordem.
Segundo
Vitor,
no� meço dagestão
"carapintada",
em93-1,
omem-bros do DCE fizeramum
pedido
formal.
à Pró-Reitoria para umareformado auditório. Elecontaque o Pró-Reitor Júlio
Wiggers
teria dadownaresposta
verbal de que ele deverá ser reformado durante operiodo
de férias. Procuradopelo
ZERO noúltimo dia29,
opró
reitorestavaemreuniãoenão
pôde
darentrevista.Aúnica
providência
tomada até agora foi a troca da fechadura daporta.
Patrícia Márcia
CARTAS
Os
pecados
Na
edipio
«r.amatlria deMarianoSenna, "Or
ptxxIdos
daUFSC',
constaque:"Pior!a
siluafão
do CentrodeCiênciasJurldicasqueem1990teve
nove
publÍCO(Ões
enãodiplomou
ninguém
naPÓS-gradUOfÕo".
Desconhecemosa
fonte
utilizada,mas os
"�stros (ATAS)
do Curso dePós-GmdUOfÕoem
Dimtacomprovamumtotalde 11 trabalhos
defendidos.
Emcomparapiocomoutroscursosde
p6s-graduapio
emDireito doBrasil,oCurso daUFSCsedestacoporoblera
mellwrmldiadealunos matriculados X
dissmOfÕes defendidas.
Noquesereferr
às
pllblica¢es
do CCJem1990,jorom
publicados
umlivro e 14artigw
emrevista.
Anteoexposto,oCCJsecoloca à
átsposipio docorpo
editorialdessejornal
laboratório paraoferecer
maioresexpliCOfÕes.
Atenciosamente,
Nlson
&rges
Film Dintor dtJa:JNJtadtJrefJÓrl8r:Afonteutilizada
pelo
7EROfoi
o"IatórioanualtkProdllfÕO Ciendfico
da UFSC.Oórgão
quefaz
este"latório éoDepartamento
deApoioàPesquisa(DAP).Detalhe:quan
doprocumdopela reportagmzdo
ZERO,oCPGD nãomencionouo
destaque
daftJC1Jldade
tk Direito da UFSCem"Iapio
aosoutroscursosdopaís.
•••••••••••••••••
Na "portagmz "Os
pecados
da UFSC"(ZER006/09/93)
oDeparta
mentade
Enunharia
tkProd1lfÕo
eSisttmas(EPS)foiapresentadocamoexem
pio
de quemtemespafOematerialdesob"nocontextotkcarincia
geral
daUF SC.A reportagem citaaexistência tk15micro-computadores
emsalas deprofes
sores emais50outrosemlaboratórios
do EPS.Os númerosreaissão:13 micros
emsalas tk
professores,37
emlaboratânosemais5emsetVÍfrJsadministrotivos.
Destetotal,apenasumúnico Solutions 16-xt (semwinkter) foi adquirido
cam recursos
oT"fOmentános
da UFSC.Os demais
foram
adquiridos
oupessoal
mente
pelos
professares
ouatravés de iniciativas deprojetos
submetidos aoCNPq,
FINEP,Fundapio
Banco do Brasileoutrasagências
financiadoras
depesquisas.
O"pecado"
do EPSfoi
entõootkempenhar-se
emobterrecursos nãoOTflJf11etltórios
da UFSCparame/Izar "alizarsuasatividades deensino,
pesquisa
eextensão?Areportagmzmostroudeummodo assimétricoo
EPS,fo
colizandoapenasna"abundância" de
seus "cursostk
informática.
Acontraparte,oslrabalhos
aqui
realizados,nãofoi
cilada.Não abler resultadosnospa reaque seriaopecado
maior.Nestesentido,deveserobservado
que:o
coeficiente
depublica{ijes/doante
do EPSem1991,
alcanfOu
2,66(contra
1,05daUFSC);o cursode
gradUOfÕo
emEnunhana
deProd1lfÕofoi
distinguido
noGuiadoEstudans« 1994(Edil.
Aóril)
comumrotulode "4eslrelas"eoPrograma
tkPós-GradUOfÕo
emEnU
nhana de
Produçãoé
omaiorda UFSC em nÚf11l!ro de alunos, lendo conailo"A"naCAPES. Cordialmente
Prof. Edgar
l..onzerOJefodtJ
Deparlamenlo
deEPS NJtadorefJÓrl8r:
Amalériacitada,emmOf11l!nto
algum afi1ma
queoEPSusou "cursosdauniversidatkpara ad
quinrcomputado"s. &gundo informa
çõescolhidascom
funcionários
eprofes
soresdoEPS, apenastd's
computadores
foram compradospelospróprios
profes
sores.Amatériadeixa bem claroquea
maioria dos
equipamentos adquiridos
alravés de"óolsas depesquisa".
2
�,ZERO
.
'
_
OUTUBRO
-
93
EUA para
aprender
rock. Epergunta
"o que os ilhéus aço rianosfazem parapreservarsua cultura?".Opinião
semelhante temoparanaenseIrapuã
Perei raJorge,
médico-radiologista
que vive emFlorianópolis
há20 anos. "Por
preguiça
osaço rianos estão deixando morrertradições
como boi-de-mamãoas
danças
dopezinho
e do caranguejo",
diz. "Atéafesta de Nosso Senhor dosPassos,
que era amaiorfestapopular
da cidade,
transformou-se numaprocissão
de duasquadras
no centro".OMTGde Santa Catarina tem366 CTGs filiadoseé consi derado um dos mais
organiza
dos doBrasil. Noanopassado,
atravésda lei8.620,
sancionadapelo governador
Vilson Kleinübing,
elesconseguiram
oficia lizarascomemorações
da Proclamação
daRepública
Juliana deSC,
que ocorreu em 29 dejulho
de1839,
emLaguna,
e seráfestejada
todosos anos naprimeira
semana deagosto.
Outro
exemplo
daforça
dostradicionalistas catarinenses foi a
eleição,
em maio de1991,
de JacobMoonFilhoparaapresi
dência daConfederação
Inter nacional daTradição Gaúcha,
que reúneo
Brasil,
aArgentina
e oUruguai. Advogado,
nas cido emPetrolândia,
Jacobrecebeu do
próprio governador
Kleinübing
a Comenda AnitaGaribaldi,
duranteo 1� Encon trodeTradicionalistasGaúchosde
SC,
no último dia 3 de se tembro.Entre os
gaúchos
que vieram cultivar suas
tradições
na Ilha está ojornalista
Homero Franco.Ele saiu do Rio Grande há 30 anos, viveu vários anos nooestecatarinense,
eveio pa raFlorianópolis
em 1983. Co nhecido como ManoTerra,
ojornalista
têm um programadiário,
entre6 e 7hdamanhã,
na RádioBarriga
Verde. Segundo
ele,
o Raízes Nativas é líder de audiência nohorário;
"ouesse povotodo que me es cuta tá ficandolouco,
ou gau chismo cresce por ter raízes". "SeFlorianópolis
éacapital
de todo oEstado deve acolherto das asmanifistações
culturais,
não sóas da Ilha".Por
um
pedacinho
de
terra
perdido
no
mar
No
anode 1748
chegaram
a SantaCatarinaos
pri
meirosimigrantes
açorianos enviados
pelo
rei dePortugal
para colonizar o Sul do Brasil.Grupos
de povoadores
aportaram
em NossaSenhora do
Desterro,
atual Florianópolis,
e naregião
de Laguna. De
lá,
migraram
novamente, rumo às terras do Rio
.Grande
do Sul. Alifundaram,
entre outras,
Tramandaí,
Viamão e Porto dos
Casais,
hoje
Porto
Alegre.
Séculos
depois
o fluxo seinverteu.Destavezsãoos
gaú
chos que se mudam para Flo
rianópolis.
Gelei JoséCoelho,
maisconhecidocomoPeninha,
se considera um dosculpados
pela
"invasãogaúcha".
"Em 74 nós fizemos um festival derockna
Palhoça,
oPalhostock.Vieram muitos
gaúchos,
amaioria
gostou
da ilhaeresolveuficar por
aqui",
disse Peninha,
Museológo
no Museu deAntropologia
daUFSC. CacauMenezes,
colunistado Diário
Catarinense,
culpa
não sóoshabitantes da ilha pe la invasão. Ele
diz,
num tom nervoso, queosgaúchos
comparam Porto
Alegre
comFlorianópolis.
"Querem
que anossapequena
província
tenhaas mesmas coisas que Porto
Alegre
e maisaspraias".
ParaCacau,
o charme de Florianópolis
éjustamente
serprovín
cia.
Parececonsensonestapo
lêmica queo
enfraquecimento
datradição
açoriana
resulta daidéia que não ser uma cidade
grande
éalgo
ruim. ParaPeninha,
atradição
e apreservação
cultural foram dizimadas em nome da modernidade. Conta ahistória de uma
gravação
deTerno de Reis para a TV no
interior da ilha.
Quando
iam começararodarchegou
ofilhodo velhinho que ia
cantar
oTerno. O rapazmandou parar tudo porque o
pai
dele "não ia mais cantar essas coisas dematuto". "Os
gaúchos
são osresponsáveis pela introdução
desses valores modernos e da
destruição
dos valoresreligio
sosaçorianos",
dissePeninha.
Mas esses valores não es tão mortos. Talvez um poucoescondidos.João
Freitas,
de67anos, nascido no Ribeirão da
Ilha,
"dá certeza" de que noRibeirãotem muita
gente
quesabecantarTerno deReis.Nas
comunidades do interior da ilhaainda
persistem
essesvalo res.NoSambaqui,
noinício doano, uma moça foi parao seu casamento em carro de
bois,
enacerimôniafoi feitaadança
de pau de fita. Costumes
tipi
camente
açorianos.
AFarra doBoi
épraticada
em muitascomunidades de
Florianópolis,
apesar da intensa
propaganda
contrária àmanifestação.
Os
gaúchos
são
OSresponsáveis pelo
6m das
tradições
Cacau Menezes acha que
o
problemas
dosgaúchos
énegaras
tradições
diferentes dassuas. "Tem
gente
ensinandovanerão na Costa da
Lagoa",
critica. Ele écontra acriação
de CTGsnailha, argumentan
do queFlorianópolis
seidentifica muito mais com
esportes
náuticos
e com apescado que com cavalos xucros e chimarrão. "Não sou contra a vinda
de
gaúchos
paracá,
mas CTGdestoa do clima da ilha. Sou
c01itra
aintrodução
da culturagaúcha".
Quanto li taxação
de preguiçosos,
Cacauexplica:
"Nãosomos
preguiçosos,
somoscomtemplativos. Floripa
é para
viver,
não praganhar
dinheiro".
Realmente,
não sepode
negarovalordeumaredee obarulhodo mar,
depois
deuma boa
panelada
de berbigões.
Giancarlo
Proença
Depois
que
Zininho abriu
a
boca
no
Zero,
a
briga
surda
entre
açorianos
e
gaúchos
sobre
a
posse
da
Ilha rendeu
barulho.
Agora
o
jornal
cumpre
seu
papel
com
isenção,
ouve
os
dois
/ados;
e
comete
a
heresia de servir
churrasco
com
pirão.
OE
mPedro IIoutubroe dona Terezade 1845 D. Cristina vieram ao Sul do Brasil paracelebrara reanexação
dos territórios de Santa Catarina e Rio Grande doSul,
derrotados na
revolução.
Fazendeiros,
com suas famílias epeões,
chegaram
de toda a região
deLages, Curitibanos,
SãoJoaquim
eBomRetiropara festejar
a família real com umagrande
manifestação
artís.tico'cultural. No local onde
hoje
é o bairro doKobrasol,
em SãoJosé,
foramapresentadas
competições
detiro-de-Iaço,
doma decavalos,
edanças
folclóricas. Foi oprimeiro
rodeiogaúcho
com afinalidade de demonstra
ção
público,
feitonoBrasil. Atéhoje,
o fato serve deargumento
para os Catarinasgaúchos
explicarem
aorigem
das
práticas
tradicionalistas noestado. Franciscode Assis Cor
deiro,
ex-prefeito
de Florianópolis,
explica
queessatradição
nasceu e se difundiu em toda abacia doprata
e noBrasil atingiu
ostrês estados doSul,
São Paulo e Mato Grosso do Sul.Porpura
preguiça,
açorianos
deixam
morrer os
costumes
"O
gaúcho
não tem fronteiras. Ossul-riograndenses (nascidos
no RioGrande)
ficaram com afama degaúchos
só porcausa dagrande
extensãodopampa",
diz. Ilhéu da gema, criado na Trindade ehoje
morador do bairro SacoGrande,
Francisco de Assis é o"agregado
das fa Ias"(uma espécie
derelações
públicas)
do Centro de Tradições
GaúchasFigueira
Velha,
de São José.Na
polêmica
sobrea inva sãogaúcha
daIlha,
o "mane zinho" de Pântano doSul,
IvanDuarte,
disse queosilhéus cul- .tuammaisorocke osurf
("coi
sa deamericano")
do que suastradições açorianas. Segundo
ele,
que é narrador de rodeios e tradicionalistaconvicto,
quem criticaos
gaúchos
deveria conhecer essatradição
do homem
do campoenão só ir aosJaime
Luccas
OUTUBRO·
93
ZERO
3
Texto
e
fotos
Jaime Luccas
Até
o ano
2000,
um
terço
da
população
em
se
não
terá
casa
para
morar
H
á 22 anos, Erondino Pereira de Andrade deixava a sua chácara
detrês hectares em Quilombo
e ia tentar a vida na cidade.
Falido,
mashonesto,
ele ven deu achácara,
os cem porcos, os doisbois
e até o cavalo deestimação
para pagar as duas últimasparcelas
de um empréstimo
bancário.Depois
detrabalhar 15anos em um
frigo
rífico emChapecó,
Erondinodecidiu voltar para o campo, agora como arrendatário de 7 ha em Caxambu do
Sul,
onde cultivafeijão.
Cada um com suaversão,
pelo
menos 15 mil Erondinos vieram a Florianópolis
paraparticipar
da 8� Ro maria da Terra de Santa Catarinaque foi realizadaem12 de
setembro,
com o lema "Terra paraplantar
e casapara
mo rar"."É
preciso
unir todos osdeserdados,
os sem terra,semteto, sem
saúde,
semescola,
sem emprego e sem título decidadania",
disse obispo
deChapecó,
Dom JoséGomes,
que aos 72 anosjá perdeu
a conta das ameaças de- morteque recebeu por defendera re forma
agrária.
Considerada amaior
manifestação
doestado,
romaria éorganizada
todosos anos, desde1986,
pela
Comis são Pastoral daTerra, CPT,
que dediciutrazeroeventopa raa
capital
para unificaralutapela
reformaagrária
e a lutapela
moradianascidades.Estado
Santa Catarinadecontradições,
tem muito maisErondinos do queospre sentes na Romaria da Terra.Existem
hoje
145 mil famílias catarinenses sem-terra. Des sas, 600 estãoacampadas
em 11 áreasocupadas
à espera de reassentamento. Os pequenosagricultores
são osresponsá
veis por Santa Catarina ser oquinto
maiorprodutor
de ali mentosdopaís,
mas a concentração
deterraségrande.
Exis tem235 mil pequenasproprie
-dades rurais(94%
do total depropriedades)
que estãoabai
xodos 100hae,
portanto
nãopodem
serdesapropriadas
para areforma
agrária.
Poroutrolado,
1% dapopulação
é proprietária
de49% das terrasnoEstado.
A
principal
dificuldade dospequenosagricultores
con tinua sendo tornar o trabalho lucrativo. "O banco não empresta dinheiro,
a safra de feijão
não cobre asdespesas
e o único queganha
dinheiro éocerealista que compraa nossa safraerevendeemSão Paulo",
desabafa Antônio dos
Anjos,
que ainda consegue manteruma
pequena
propriedade
em DionísioCerqueira.
A mecanização
dalavoura,
aliadaaumapolítica agrfcola
voltada para aexportação
atravésdas agroindústrias,
contribui para au mentaroproblema.
Há aindaosaltos
juros
dos financiamen tosagrícolas
que muitasvezesobrigam
osagricultores
a ven derem suas terras para paga rem osempréstimos.
Maisporessafaltade
perspectiva
do quepelo
desconforto-em Santa
'., I
Catarina,
85% dasproprieda
des rurais têmenergia
elétrica,
84%têm
geladeira
e 75%têm TV-os
jovens
são os que abandonamocampoevãoten tara vidanacidade.C
ornocampotodosfaltasabem,
terra paranoplantar,
na cidade falta casapara morar. O déficit habita cional no estado
chega
a 250Romaria dos
deserdados
4
-ZERO
.
OUTUBRO
-93
em
1990
caiu para 29%. Asprevisões
sãode que atéo ano2000menosde 10% doscatari nensesestarávivendono cam po.
mil unidadese a
previsão
é de que até o ano 2000 o númerochegue
a340 mil. Ouseja
33% de umapopulação
de5,3
mi lhões de pessoas não terá casa para morar. Essesproblemas
se tornam sempre maiores namedida em que a
migração
campo-cidade
continua. Em1960,
apopulação
naárea ruralcorrespondia
a68% do totaleNa falta de medidas go vernamentais paraconterape
regrinação
para acidade,
ospróprios
agricultores
procu ramsoluções.
Em Caxambu doSul,
porexemplo,
foi fundada umacooperativa
de crédito pa-· rapequenosagricultores
quejá
tem 186 sócios. Oobjetivo
é"fugir
daexploração
dos ban cos e dasgrandes cooperati
vas",
explica Erondino,
que é um dos sócios-fundadores.Também está
ganhando
força
noestadoaAssociação
dos Pequenos
Agricultores
doEstadode Santa Catarina
(APACO)
que buscasoluções
cooperati
vas, como sementeiras e estábulos
comunitários,
para bara tear os custos deprodução
e melhorarospreços nahora da venda.Durante
12osaparticipantes
romariado diafize ram umahomenagem
àsoutras vítimas da violência dosmassa cres sociais: oCarandiru,
Yanomamis,
Candelária e favelade
Vigário
Geral. Pediramporjustiça
e foram convidados aapoiar
acampanha
contraa re visão constitucional que estásendo feita em todoo
país,
liderada por entidades como
,
%
da
populafiio
é
dona de
metade
das
terrasdo estado
OAB,
CUT,
CNBB e uma centena de sindicatos. Para opadre
GeraldoLocques,
um dos coordenadores daCPT,
a revisão sejustificaria
somente setivesse sidoaprovado
o par lamentarismo. "Esse congres sodefendeosinteresses das eli tese quer tirar daconstituição
asconquistas
sociais queo po voconseguiu
com anos de lu ta".Entre
conquistas
e derro tasos pequenosagricultores
e os sem-terraaprenderam
a seorganizar
e lutarpelos
seusdi reitos.Depois
de uma expe riênciapolítica
nacidade,
que quase oelegeu
vereador emChapecó,
nocaminho deretor no aocampo,seuErondinovi rou líder sindical.Hoje
ele é membrodo Sindicato dosTra balhadores Ruraise do Movimento dos Sem-terra no seu
município
ealguns
dos seis fi lhos seguem a mesma trilha. Um épresidente
de sindicato emChapecóe
umafilhaé líder dos sem-terra no Maranhão. Outroagricultor
quesetornou sindicalista é JoséKaiser,
de São José do Cedro. No início desetembro,
ele esteve em Brasíliajunto
com outros 400líderes sindicais para reivindi car a
regulamentação
dos as sentamentos de terras epolí
ticaagrícola
queprivilegie
os pequenosprodutores.
Con vencido de queareformaagrá
ria só sairá dopapel
com a organização
e apressão
dosmo vimentospopulares,
Kaiser tem até umasolução simples
para oproblema:
"bastaria o governocriarumatabela detaxação
progressiva
sobre asgrandes
propriedades
quea re formaagrária
seria feitapelos
próprios
donos das terras. Equase
espontaneamente.
Colaboração
Maurício Oliveira
Xô
pobreza!
Alguns
rinensesmunicípios
decidiramcatavol taràIdade Média. Só queem vezde erguer muralhas vãoiniciarumprocessode tria gem entre osmigrantes
9ue
chegam
àcidadecomomedida paraimpedir
oaumentodas fa velas. Emumareuniãodosse cretáriosde saúde e bem-estar social de 26municípios
reali zadanoiníciodesetembro,
emRio do
Sul,
a tese defendida é que cadamunicípio
deveráadministrar sua
própria
miséria,
semexportá-la
paraosde mais.De acordocom Luiz Car los
Zaniz,
secretáriomunicipal
da Saúde e Bem-estar Socialde Rio do
Sul,
cadaprefeitura
deverá criarummodo,
através daassistênciasocialoudetria gem naspróprias
rodoviárias,
de descobrir aprocedência
e asituação
sócio-econômica dos quechegam
à cidade. "Se alguém
vier como franco atirador,
sem emprego,semboasituação
econômica nemlaços
familiares,
tentaremosconven cê-lo a voltar para suacidadet*.
de
origem", explica
Zaniz. Dessemodo cadamunicípio
teriaaliberdade de levarosvisi tantes
indesejados
de volta às suascidadesdeorigem
eentregá-los
àprefeitura.
Ele escla recequesefor mão-de-obraespecializada
e houver trabalho nacidade"logicamente
se ten taráarranjar
trabalho paraes sas pessoas. Mas se forem al coólatrasoudrogados
ficamais difícil..."
Entre os
municípios
que estavamrepresentados
na reu nião de Rio do Sul destacam-seJoinville,
Itaj
aí,
BalneárioCamboriú, Blumenau,
Brus que eLages.
Naavaliação
de Zanizjá
são 60 osmunicípios
queintegram
essemovimento,
mas breve serão mais de 100. No início de outubro deverá acontecer outro encontro semelhante,
emBalneário Camboriú,
para dar continuidadeaotrabalho iniciadoemRiodo
Sul.
A
aceleração
damigração
docampoparaaspequenas ci
dadesedaíparaos
pólos
indus triais tempreocupado
muitasprefeituras.
Dos 260 mumcipios
catarinenses,
35 são consideradosem processodeincha
mento,comcrescimento popu
lacional até 50%
superior
à média do estado que é de2,05%
ao ano. Outros 191 municípios
estãodiminuindoa ca da ano e 73 desses correm o risco dedesaparecer
em pou cos anos. Paraseterumaidéia desses extremos, Bom Jardimda
Serra,
noPlanaltotemcres cimentonegativo
de 4% ao ano,enquanto Sombrio,
noli toral sulcrescemaisde 6% no mesmoperíodo.
Para
resolver oproblema
damigração, segundo
LoreciRibeiro,
da executiva nacionaldo Movimento deluta
pela
moradia,
é necessário umapolí
ticaconjunta
queprivilegie
nasmicro-regiões
aspequenas propriedades agrícolas
easpeque nas emédias indústrias. "Com adiversificação agrícola
e in dustrialapopulação
terá traba lhonaprópria região,
nãopre cisandomigrar
paraasgrandes
cidades".
I
C�-rerra
Ir,
1"I;�m\'
. ' #"""_1«"...1
�<
.jJWQ·n,N"'.,��·'ifIiNHoróscopo
Político dos
Sem-Terra
Folhear
Comissão Pastoral daum boletim da Terra deveser umacoisa chata para quem não éagri
cultor e,principalmente,
um colono sem terra. Mas se umleigo
no assunto pegar o bole tim Cheiro de Terra do bimes tremaio/junho
e tiver a coragemde
chegar
atéaúltimapá
gina
vai encontrar umaseção
criativa e recheada de críticas: ohoróscopo
rural. Não é aque letradicional,
cheio de bestei rol e quefoi taxado depecado
mortal
pela
Igreja
Católica. Nohoróscopo
da Pastoral da Terra sobram críticas à
política
agrícola
do governoestadual,
ao
governador
Kleinübing
e até paraaimprensa.
Aos que nasceram em
câncera
recomendação
dohoróscopo
é que evitemvotarno vamente noKleinübing.
"Osnativos decâncer possuem ex
celente memória. E ainda: es tão
passando
por umperíodo
emque épreciso
levarem con ta muitas coisas queaprende
ram nopassado.
Aproveitem
operíodo
para relembrarquem
�
ogovernador
Kleinübing
e oque ele fezpelos
trabalhadores. Não lembraram de
nada?
Então,
nestenãosevotamais!
Sempre _g\J.�le
disser'SIM',
diga
'NAO!".Acríticaaosmeiosde co
municação
foramdirigidas
aosnascidosem
Capricórnio.
"Capricórnio
éosigno
queperten
ce ao elemento terra.E
também trabalhador e sério. Por
tudo isto entende que as ocu
pações
de terra,que
agrande
Imprensae atelevisãochamam de
'Invasão',
a únicaforma depressionar
asautoridades,
o governo e o INCRA a fazer comqueasterrassejam
distribuídas para quem nãoastem".
Ivana Sack
()UTUBRO
-93"
ZERO
5
TV
s a
Cabo
disfarçadas
operam
ilegalmente
o
jornalista
Daniel Her:
acusa
empresas
de
formação
de
monopólio.
Juntas,
Rede
Globo
e
Tv
Abril
controlam 50% do mercado da
DIS1V
O
Brasilprimeiros países
pode
serdoummundosdo a ter uma rede única
e
pública
detelecomunicações,
prestando serviços
àcomunidade, dando lucros à iniciativaprivada
e acabando com os
monopólios,
inclusiveo daGlobo. Pelomenos
éo que afirmouo
jornalista
eescritor Daniel Herz, na
palestra
"TVa
Cabo-Debate",
realizadanoCentro de
Comunicações
eExpressão
da UFSC, no último dia 14.Herzéautordo livro A Histó riaSecretadaRede Globo.O
jornalista
diz queopaís
teveatrasode vinteanos na
regula
mentaçãoda TVa
Cabo,
mas, graçasa
isso, pode
investir desdejá
na
criação
de RedesDigitais
deServiços Integrados
(RDSI),
que combinamo usoda fibra óticacomdigitalização
de sinais.Enquanto
os
países
industrializados terãoque sucatear suas redesde TV a
.Caboe
telefonia,
o que deve aumentaroscustosefazero
projeto
demorar vinte' anos ou mais o
Brasil
pode,
em dez anos,fazer
adisseminação completa
do sistema
digitalizado.
O atraso na
legislação
brasi leira se deve às tentativas sucessivas,desde 1974, deaprovarleis que
permitissem
amonopolização
do mercado de TV a Cabo, por
grupos
políticos
eprivados
articu ladosem tornoda Rede Globoeda TVAbril.A últimadessasten tativas foi a
portaria
250, de de zembro de 1989, do ex-ministro dasComunicações
e atual governador da
Bahia,
Antônio CarlosMagalhães
(PFL),
criandooservi çochamadoDistribuição
deSinais de TV por Meios Físicos(DISTV).
"As DISTVs são TVsa
Cabo disfarçadas, operando
semfundamento
legal
e distriouídassem
licitação.
Umapicaretagem",
diz Herz. OgovernoCollordistri buiu 97autorizações
para o fun cionamento deDISTVs,dasquais
aGlobo controla 43e aTV Abril 11.
'
Estudantes de
Comunicação
do Rio Grande do Sul denunciaram as manobrasde
distribuição
das DISTVsedesencadearamumprocesso que envolvesetoresque
vão desde o meio acadêmico às
forças armadas, dispostos
abarrar oprojeto.
O Fórum Nacionalpela
Democratização
da Comunicação, do
qual
Daniel Herz é umdos
coordenadores,
vai mover umaaçãode inconstitucionalidade contraaportaria.
O fórum
pretende
apresentarao
Congresso
Nacionalumsubsti tutodoprojeto
5323/91,dodepu-tadoTilden
Santiago (PT-MG).
Oobjetivo
é tornar as telecomunicações
públicas.
"As atuais sãoestatais, masnão de
serviços
públi
co",diz. A idéia é criaruma rede
única, cujo
controle serádivididoentre governo,
empresários
e sociedade civil, acabando com os
monopólios privados
eestatais. A redeenglobaliza
todosossistemas detelecomunicações,
incluindotelevisão, telefonia, fax e acesso
a bancos de dados. A iniciativa
privada
terá liberdade departici
pação
emparceria,
sendo queosinvestidores serão convocados e
selecionadospor audiência
públi
ca.
Herzadmitequeo
projeto
vai enfrentar forteoposição
de empresários,
sobretudo de Roberto Marinho. Ojornalista
afirma quealuta para aprovara
implantação
das RDSIserá,antesdetudo,po lítica.
Assegura
que, apesardeto daaresistência,
apropostasetornoumuito
vantajosa
paraospossí
veis investidores:"Omercado de TVsaCabonoBrasil vai
explodir
daqui
adoisoutrês anos",eagora oprojeto
está indopelo
caminho certo.Alexandre
Winck
liolência
não
está só
no
programa
do
SBT
Será
queas
imagens
doAqui
Agora
são maisviolentas,
menoséticas eagridem
mais ostelespectadores
do que asimagens
dos outrostelejornais
da TVbrasileira?A
"opção
preferencial"
doAqui Agora
é por crimes edelitos,
pequenos egrandes,
dramatizados e veiculados de maneirasensacionalista - fórmula nada nova notelejorna
lismo. Só que o AA eleva o drama e o sensacionalismo a uma
potência
maior. Umexemplo:
o suicídiofilmadoprovocado
pela
reportagem,
que tanta celeuma causou. Mas isto nãobasta para tacharoprogramade violento. Esta confusão entrefilmar/provocar
um fato é constante notelejornalismo
ejá
foitemademuita discussãonahistóriado documentário.A presença da câmara altera inevitavelmente o
comporta
mentodaspessoas, àsvezes de maneiratrágica,
como talveztenha ocorrido neste caso.
Divulgar
essasimagens
éproble
mático,
como aprópria
direção
dotelejornalismo
do SBTr�conheceu.
Tãopro�lemático
quanto
exibiraviões,
paraquedistas,
carrosemotocicletasseesborrachandoporaí,
matando seusocupantes,
comoacontece amiúdenosjornais
da Globosem suscitarmaiores
indignações.
De
fato,
o que há de mais violento no AA não são osassuntostratados,
nem amaneira sensacionalista de editá los.A violênciaestásobretudonacumplicidade
queoslocuto res erepórteres
estabelecemcom apolícia,
com ospequenospodres poderes.
Estacolaboração
vai desde a maneira de abordar o assunto, fazendo dopolicial
um herói e tentandoresgatar
aimagem
dapolícia junto
àpopulação,
atéovocabulário utilizado
pelos repórteres.
Para oAA,
como para apolícia,
suspeito
ébandido,
qualificado
de"elemento"etrata do sem o menorrespeito.
Aliás,
semparceria
dapolícia,
boa
parte
dasmatérias do programanãoseriam viáveis. Muitasvezes os
repórteres
já
saemdadelegacia
naprópria
"viatura". Masse neste
telejornal
acumplicidade
éprincipalmente
com ospequenospoderes,
nostelejornais
emgeral
eparticu
larmentenosda Globoa
cumplicidade,
mais discreta é verdade,
écom osgrandes poderes.
O
.que
entãoagride
mais opobre
dotelespectador,
se o consideramos um cidadão: aexibição
de umsuicídio,
a.
cumplicidade
coma
polícia
ou amanipulação,
omissão e deturpação
deinformação?
Entre estasfalsasalternativas,
nãohá escolha
possível:
temosnomínimo umdesonrosoempate.
Mas nalógica
"dos males omenor",
o suicídiodesponta
comouma
opção
menosaviltante do que asoutras.Consuelo
Lins
Jornalistae
professora
doCurso de Jornalismo da UFSC6
ZERO
OUTUBRO
-93
Não
estando
bom
para
ambas
as
partes
...Desrespeito, falta
de
educação
e
intolerância:
a
tumultuada
relação
entre
comerciante
e
consumidor
Quem
nópolis,
pensa que,má-vontadee
emFloriamorosidade
no atendimentosão
exclusividades do
serviço
pú
blico está
enganado.
Tambémnocomércio são comuns
histórias
dedesentendimentoentrevende dorese consumidores. Masessa
relação,
entreduas pessoasque nuncaseviram
antese ao mesmotempo
dependem
umadaoutra,
émesmo
complicada.
"A maioria daspessoas que trabalham com
público
não têmpreparação
adequada.
Pensamqueestão
fazendo
umfavor,
simplesmente",
reclama
adona-decasa
Hilda
Steinbachaosair dasLojas Americanas,
estabelecimento
conhecido
pelos
sistemas anti-roubo
avançados
epela
carafeia dosse guranças.
"Eles
tentam te vendercoisas
quenão
comprariam",
constataofuncionário
público
AmiltonSilveira.
Os vendedores
contra-ata cam."Também
temmuitofreguês
chato,
queexperimenta
tudo eacaba não levando
nada",
diz MárciaAgostini,
vendedora deroupas.
Sérgio
Marcos daSilva,
quetrabalhanumaloj
ade eletrodomésticos,
acha que "opior
éaquele
que dátapinha
nascostas efazpiadinha
como sefosseteuamigo
íntimo".
Situações
emqueafronteiraentre
público
eprivado
seperdem
podem
se tomarconstran
gedoras.
O técnicoemContabilidade Gean Gomes cita
oexemplo
dorestau
ranteFrango
Frito:
"O dono
dá
broncanosgarçonsna
frente
detodomundo". Nel
son
Areias,
o proprietário
do restaurante,
nega que tenhaesse
tipo
de atitude,
confirmadapelos
garçons.Muitos
estabelecimentos comerciais não aceitamcriticas.
Há três anos,um dos
filhos da
aposentada
Vanda de Lima
escreveuparaum
jornal
dacapital
reclamando
pela
falta defilas
noVídeo Cidade. "Os clientes se amontoam no
balcão,
e muitos dosquechegam depois
acabam sendo atendidosantes",
diziaa carta.Emrepresália,
alocadoracancelouasociedade.
"Hoje
fico
satisfeita
portermelivrado
de umaprestação altíssima",
consola-se
Vanda.
Casos
comoesse,que alémde
desrespeitarem
osclientes
ferem as regras básicas
de
sobrevivência
de umestabeleci
mentocomercial,
sãomais
comuns do que se
imagina.
Exemplos
não faltam. Há duassemanas,dois funcionários
de
umdos
pontos de
xeroxda
UFSC
tentavamresolver,
nafrentedo
cliente,
quemdeveria
atendêlo: cadaumachava queera a vez
do outro. Os ônibus
urbanos,
então,
são recordistasempeque nascontrovérsias.
Neles,
aintolerânciavem
de ambos
oslados
da catraca: sendo
passageiro,
experimente
darumanotaalta
aocobrador. Sendo
cobrador,
experimente
não ter troco...O
verãosaépoca
vemdochegando
ano osdesene nestendimentos tendema aumentar
ainda mais.
Segundo
aSantur,
cemmil turistasdeoutrospaíses
- 90% deles
argentinos
- estiveram em
Florianópolis
naúltimatemporada,
oqueatransformanasegunda
cidade brasileira mais visitada porestrangeiros,
perdendo
apenas parao Rio deJaneiro.
A reconhecida
antipatia
quemuitos habitantes de Florianó
polis
sentempelos
"forasteiros"
pode
ser
umacompensação
comfundo
psicológico.
A historiadora
Maria
BernadeteFlores,
que recentementeconcluiuumtrabalho sobreafarrado
boi,
fazumparalelo
comacrise de identidade
da cultura
nativa."Os ilhéus
acham
que estãoperdendo
oseu espaçoe sentemumacertanostalgia
dotempo
emque nãohavia cercas dividindo osterrenos",
afirma MariaBernadete. Há tambémna
rejeição
aoturista
internacional um fundomonetário. No
verão,
ocomércio
de
Florianópolis
eleva tanto ospreços que colocaocusto
de vi
da da cidadeentreosmaiores do
Brasil.
Aos consumidores que nãotrazemdólaresna
carteira,
resta oconsolo
de sedivertir obser
vando
queo"espanhol"
faladopela
maioria dos vendedores nãopassadeumaimitaçãodo
sotaque
- omáximo
quesefaz étrocara
terminação
"ção"
por"ción".
Odespreparo
dosvendedo resdeve-se,
emgrande
parte,
aofato dequeeles não
podem
saberoquenão lhes éensinado. A úni
caentidade
queforma
vendedoresem
Florianópolis
éoSenac,
aindaassim em cursos tão raros que neste ano não
houve
nenhum. Ultimamente só têmhavidocursosde
aperfeiçoamento,
paraprofis
sionais
quejá
estãonaárea. Nestes cursos, que duram apenas uma semana, os alunosaprendem
que osegredo
paraevitar
desentendimentos com ocliente
éodiálogo.
"Semperder
aformalidademastambémsem
ser
subserviente,
ovendedor deve procurar saber
quais
são osmotivos
da
insatisfação
do cliente",
ensina o instrutor José.Renato da
Silva,
para quem omaior defeito deumvendedor é ter
"pavio
curto".
A
omesmoque parece,aindignação
o que causadoconsumidor é o
prejuízo
financeiro.Entreas5347consultas
queoProconda
capital
recebeu emagosto,
sãorarososprotestos
contra mau atendimento. Aquestão
mais
polêmica
foi,
disparado,
adosaluguéis. Depois
vieram
osprodutos impróprios
paraconsumo:prazo
de validade
vencidos,
saltos desapato
cheiosde
cupins,
máquinas
delavar
que"passeiam"
pela
lavanderia
esofás feitos
"sob encomenda"
que não
cabem
nasala.Para queoProcon
transfor
meuma
reclamação
emproces so, épreciso
uma prova escrita(geralmente
aNotaFiscal)
ou odepoimento
de testemunhas.
Ao consumidor que nãogosta
deburocracia,
restaumaforma maissimples
dereagir
ao mauatendimento. "Eu era
freguês,
mas nuncamais voltolá",
pro testaNewtonSouza,
gerente de
uma empresa
de
telecomunicações.
Nahora de
fazero seupedido
naChurrascaria
Meneghi
ni,
ele foisurpreendido pelo
garçon:
"já
vouavisando
que àmeia-noiteeu vouembora. E não
ficonem
umminuto amais!"
Eraonzeemeia.Newton acha que,se osclientes têm que ir embora à
meia-noite,
o estabelecimentodeveria
fechar
assuasportas
bem antes.U
O
mauatendimento,
entretanto,
nãosedeve apenas à mávontade,
mastambém
aodespreparo.
Epara provarqueaprimeira
frase desta matérianãofoiuma
acusação
gratuita,
aívaiumahi:;torinhadoserviçopúblico.
O
professor Sérgio Weigert
entrana
Biblioteca
Universitáriaàprocuradeumlivro. Vai atéo
balcão
deempréstimos.
-Será que o
Fausto,
deGoethe,
tá nabiblioteca?,
pergunta
a umafuncionária. Elahesita por
alguns segundo'S
é
fmalmente