c,UR"sopE
GRADUAÇÃO EM
CIÊNCIAS
EcoNÓMIcAs
A INTERPRETAÇÃO
EsTRUT_UI{ALIsTA“soBRE
AIRECENIE
z“`_
DE_sAR_TIcULA¢-Ão
Do
ESTADO¿DE'sENvoLVIMENT1sTA
.z
'z-
Monografia
submetida aoDepartamento
de`Ciências'Eco'nômicas para obtenção de carga.
I `_ 3 .
¬ . I z ~
¿
horária
na
disciplinaCNM
5420
Monogra`f1a.e ppÍ
I
Alilna: Elizangela
Andrade do Nascimento
Amaral:V
Q . v
Orientador: Prof” Renato
Ramos
Campos
EÁrea
de Pesquisa :ECONOMIA
BRASILEIRA
Palavras-Chaves : l-
ESTADO
DESENVOLVIMENTISTA
' 2-
ESTRUTURALISTAS
_ I I I . V › . Florianópolis,novembro
de 1996. . w .CURSO DE
GRADUACÃQ
EM
CIÊNCIAS
ECONÔMICAS
A
Banca Examinadora
resolveu atribuir a nota à alunaELIZANGELA
ANDÊADE
DO
NASCIMENTO
AMARAL
na disciplinaCNM
5420
- Monografia,pela apresentação deste trabalho.
Banca
Examinadora:É
3CAMQQS
Presidente Pr‹›f°ílem-'ro
01" Prof” M/‹\_V°_\~‹.‹ L‹‹=L fi'*"-›4'\7¡Membro
¢Êi%@IMiz
IQ
ii
prof
H¿‹.ToN QicqQDO
'00Qz{ÊDu§5Membro
ø ó
AGRADECIMENTOS
A
_Monografia
e' o primeiro trabalho verdadeiramente científico
da
vidaacadêmica de
um
aluno, o que lhe confereum
maior
grau de dificuldade.Desde
a escolhado tema
e sua delimitação, até a entrega da versão finalda
monografia
éum
longo trajeto,durante o qual muitas vezes
esmorecemos
frente as muitas dificuldades. E, exatamentenesses
momentos
difíceis, que é importante contarcom
o apoio e a torcida das pessoasque nos
amam.
.u
Portanto,
nada
mais justodo
que agradecer a todas as pessoas quecom
palavrasou
ações contribuíramna
elaboração deste trabalho.Embora
saiba que a lista deagradecimentos é longa, gostaria de fazer alguns agradecimentos especiais.
Primeiramente, agradeço aos
meus
pais e irmãos pelo apoio e carinho que mais urna vezme
deram, poismesmo
de longesempre
estiveram presentes.Ao meu
marido, Sandro,devo
um
agradecimento muito especial pela torcida, .paciência ecompreensão
que muitome
ajudaram a concluir esta etapa e, principalmente, por sua participaçãona
digitação detodo o trabalho, incluindo os ajustes finais. Por
fim,
meu
muito obrigado ao Prof”Renato
Campos
por todas as sugestões,que
muito contribuíram para conclusão deste estudo.1 -
O
PROBLEMA
1.1 -
Introdução
11.2 -
Problemática
3
1.3 - Estrutura
do
Trabalho
6
1.4 -
Metodologia
8
2
-INDÚSTRIA
E
COMPROMISSO
2ORIGENS
E
CONSOLIDAÇÃO
DO
ESTADO
DESENVOLVIMENTISTA
2.1 -
A
Montagem
do Padrão
Brasileirode
Industrialização9
2.2 -
Consolidando
as
Virtudese
as
Dificuldadesdo Padrão
de
_Industrialização -
17
3
-A IMPLOSÃO
DO PADRÃO
DE
FINANCIAMENTO
E
AS
NOVAS
DIFICULDADES
IMPOSTAS
PELA
GLOBALIZAÇÃO
FINANCEIRA
26
4
-OS
REFLEXOS DA
CRISE
SOBRE
O
SETOR
PRODUTIVO
ESTATAL
41
51
coNcLusAo
48
ô
-REFERÊNo|As
B|B|_|oeRÁF|oAs
55
RESUMO
,
No
Brasil, o caráter retardatário da industrialização exigiuque
o Estado liderasse,através
do
planejamento global, o adventoda
industrialização nacional.Porém,
a ausênciade
uma
centralização financeira capaz de construiruma
estrutura sólida de financiamentode longo prazo, associada a
uma
conjuntura de elevada liquidez internacional resultaramna
adoção de
um
frágil padrão de financiamento,com
baseno
endividamento externo.Tal estratégia foi responsável, nos anos 70, pela construção de
um
parqueindustrial dinâmico nos
moldes
daSegunda Revolução
Industrial.Mas
a crise mundialno
final dos anos
70
reduziu consideravelmente os recursos disponíveisno
sistema financeirointernacional, o que desarticulou o padrão de financiamento brasileiro.
Além
disso, oadvento da Terceira
Revolução
Industrial, que eclodiuna
década de 80, fezcom
que
a recuperação daeconomia
mundial coincidissecom
a reversãodo
fluxo
de recursosexternos, que passaram a destinar-se, preferencialmente, para os países avançados. Por sua
vez, os fortes laços de dependência
econômica impediram
que aeconomia
brasileirarevertesse esse quadro e implementasse
mn
novo
padrão de financiamento.Nesse
processo,o mais atingido foi o Estado Desenvolvimentista. Pois,
na
tentativa de preservar osinteresses dos diferentes segmentos
do
capital (Í“Estado deCompromisso”),
absorveu todoônus da crise, o que só foi possível enquanto
pôde
levar adiante omecanismo
de sobrendividamento que o sustentava, e que, porfim,
levou-o a falência.A
crise foi o custo que recaiu sobre o Estado pelo esforço desenfreado paraarticular bases sólidas para actunulação capitalista sustentada, que permitissem a
construção de Luna estrutura industrial sólida e dinâmica capaz de conduzir a
economia
brasileira ao desenvolvimento.
Mas
o equívoco dessa estratégia foi acreditar que o cenáriointernacional era imutável, o que fez
com
que os desenvolvimentistas brasileirosfossem
surpreendidos pela Terceira Revolução Industrial,
quando
acreditavam estar acaminho do
l -
O PROBLEMA
l.l -
Introdução
A
base daeconomia
brasileirano
inícioda
década de30
ainda centrava-seno
modelo
agro-exportador,com
ênfasena
culturado
café.Naquele
período a incipienteindústria brasileira não tinha fôlego suficiente para assumir a liderança
da
dinâmicaeconômica. Por outro lado, nos países desenvolvidos o
paradigma da Segunda Revolução
Industrial, que tinha
como
base ossetores siderúrgico e energético, vigorava desde o finaldo século
XIX. Sendo
assim, o Estado brasileiro concentrou esforçosno
sentido de consolidar Luna estrutura industrial nosmoldes da Segunda Revoluçao
Industrial, afim
dereverter sua condição de atraso perante a
economia
mundial.No
entanto, essameta
só foiatingida
no
início da década de 80, através dos investimentospromovidos
pelo IIPND,
quando no
Primeiromundo
eclodiu a TerceiraRevolução
Industrial,(MELLO,
1992, p.59). Neste sentido,
“
0 IIPND
cristalizou a condição tecnológica atrasada do Brasil.”,(GoLDENsTE1N,
1994, p. 96).`
_
A
Revolução 'de30
promoveu
orompimento
da aliança que garantia orevezamento
no
poder entre os cafeicultores paulistas e os pecuaristas mineiros,que
passou a ser exercido por Getúlio Vargas. Iniciou-se, então,
um
esforço, aindapouco
articulado ei basicamente estatal, para
promover
a modernização brasileira, quesegundo
Vargas estaria
na
industrialização,mais
precisamentena
internalização dos setores desiderurgia e energia. Porém, apenas
na
década de 50,com
o ideário desenvolvimentistada
CEPAL,
que a indústria estabeleceu-secomo
eixo dinâmicoda
economia
brasileira.O
Estado desenvolvimentista, consolidado nos anos 50, estevena
liderança de todo o processo de industrialização brasileira.Segundo
o ideário desenvolvimentista, ospaíses de industrialização tardia,
como
o Brasil, pela ausência deuma
dinâmica internacapaz de
promover
um
processo de industrialização espontâneo, necessitavamda
participação ativa
do
Estado para viabilizar a construção deuma
estrutura industrialsólida. Neste sentido, o tripé
formado
pela articulação do capital estatal, capital privadonacional e capital estrangeiro, tendo o Estado
como
avalista e gestor, foi responsável peloprojeto industrializante brasileiro.
No
Brasil, assimcomo
em
outros países deindustrialização tardia,
`
'
“o Estado cumpriu
um
papel decisivo no financiamento dos grandes blocos deinvestimento, na criação da infra-estrutura, na produção direta de insumos e na
articulação e proteção dos capitais privados nacionais e internacionais. Mas, ao contrário
da maioria dos países que se industrializaram após a Segunda Grande Guerra, 0 Estado no
caso brasileiro, além disso, fez uso continuado de
um
manejo heterodoxo de suas políticasfiscal e monetária, com vistas a incentivar o investimento e manter a lucratividade de
um
amplo e heterogêneo espectro de capitais, que tiveram enorme sucesso na preservaçao
política de suas rentabilidades, a despeito de seus diferencías de produtividade”,
(FIORI, 1993, p. 8).
Tal fato ressaltou o caráter conciliador e apaziguador
do
Estado brasileiro (“Estado deCompromisso”).
O
Estado brasileirona
ânsia de atingir o desenvolvimento, absorveu todo ônusda
crise,
mantendo
protegidos os demais segmentosdo
capital, o que caracterizou sua força efragilidade simultâneas frente aos interesses privados. Tal fato
comprovou
a articulação“de
um
pacto social, econômico e político que, (..) vigorou durante toda a trajetóriadesenvolvimentista, potenciando simultânea e contraditoriamente as forças propulsoras do
crescimento econômico e as suas disfunções responsáveis pela entropia financeira e
política que acabou paralisando nos anos 80, o seu próprio condotierei, o Estado.” ,
(FIORI, 1993, p. ll).
Sendo
assim, a industrialização brasileira custou ao Estado sua desarticulação financeira e política.De modo
que,no
Brasil, criou-seum
consenso de que o Estado deveria se ater as suas funções básicas, deixando omercado
regular a economia, tratava-seda visão neoliberalista. Estas idéias
chegaram
ao Brasilna
década de 80,em
meio
a crise,trazidas das economias avançadas,
onde vigoravam
desde os anos 70,(SCHNEIDER,
1992, p. 8-9).
Nestes termos, o presente trabalho pretendeu analisar a trajetória
da
industrialização brasileira sob a ótica
da
corrente estruturalista, ressaltando a importânciafundamental
do
Estadona
implementaçãodo
projeto industrializante,em
virtudeda
ausência de
um
setor privado dinâmico capaz de assumir o papel de empreendedor, assim1.2 -
Problemática
O
Nacional-Desenvolvimentismo encontrou grande aceitaçao nos países considerados periféricos,em
especial nos paísesda América
Latina, nos anos40
e 50.Essa doutrina objetivava transformar às
economias
atrasadasem
nações desenvolvidas ecom
maior autonomia, para tantopropunha
incrementar a participação do Estadona
economia
pormeio do
planejamento global, demodo
a facilitar o adventoda
industrialização nacional.
O
desenvolvimentismo é oriundo da corrente Keynesianaque
seopunha
ao liberalismo neoclássico, ideologia até então vigente,mas
que desde a crisemtmdial de 1929 não conseguia fornecer respostas as contradições
do
capitalismo.A
questão fundamental era estimular
uma
produção teórica,no
seioda
própriaeconomia
política burguesa,
com
vistas a superar a ineficiênciado
liberalismoeconômico
face àrecorrente instabilidade da
economia
capitalista.Sendo
assim, a ideologiadesenvolvimentista nasce de
uma
necessidade de sobrevivênciado
próprio capitalismo.A
principal base teórica daComissão
Econômica
para aAmérica
Latina(CEPAL)
foi a ideologia desenvolvimentista, seus trabalhos tiveram grande importânciana
formaçãodo pensamento
social brasileiro dos anos 50,como
o Instituto Superior de Estudos Brasileiros (ISEB). Foicom
base nas análises econômicas e nas receitas de desenvolvimento elaboradas pelaCEPAL
que se .formulou os planejamentos governamentais brasileiros,(MANTEGA,
1990, p. 23).Como
resultadodo
surgimento da ideologia desenvolvimentistano
Brasil, assimcomo
em
outros países,houve
a divisão daeconomia
política burguesaem
pelomenos
duas grandes correntes relativamente antagônicas: intervencionismo e liberalismo
econômicos
Por trás dessas duas posturas teóricas rivais revela-se o jogo de interesses dasprincipais forças sócio-econômicas brasileiras nas primeiras décadas do século
XX. De
um
lado, estavam as oligarquias agroexportadoras,comprometidas
com
a burguesiacomercial importadora e exportadora, defendendo o liberalismo econômico.
Do
outrolado, estavam as
camadas
sociais que seriam favorecidascom
a expansão urbano-industrial, defendendo o intervencionismo
como
meio
de sepromover
a industrialização eo desenvolvimento econômico,
(MANTEGA,
1990, p. 26). AO
Estado brasileiro maisuma
vez opta pelo velhocaminho
da conciliação (“Estado deCompromisso”),
afim
de apaziguar osânimos
ena medida
do possívelatender aos interesses
do
grupo que já estavano
poder (oligarquias agroexportadoras) edo
grupo ascendente (burguesia industrial). Tratava-se de um. processo de transformação burguesa conservadora,
no
qual o poder não seria usurpado pela classe emergente e simcompartilhado
com
a classe já dominante.A
propostado
Estado brasileiro centrava-sena
promoção
da industrialização pormeio
da proteção tarifária ecom
basena
infra-estruturaa ser proporcionada pelo próprio Estado,
mantendo
a importânciado
setor agroexportador enquanto fornecedor de divisas, para suprir as crescentes importações brasileiras, quanto das matérias-primas e alimentos requeridos pela expansão urbano-industrial, tudo sob aluz
do
planejamento estatal,(MANTEGA,
1990, p. 27). ‹Este processo de transformação burguesa conservadora
impediu
qualquerrearranjo das relações capitalistas que implicasse
alguma
ruptura, a qual “permitiria,a
um
só
tempo
eliminar os setores atrasadosdo ponto
de vistada
dinâmicado
capitalismo ecriar as condições
para
a centralização financeira suficientepara
construção deuma
estrutura sólida de
financiamento
de longo prazo.(GOLDENSTEIN,
1994, p. 639).A
ausência deum
sistema intemo definanciamento
de longo prazo suficientemente capaz de criar bases *sólidas paraacumulação
capitalista sustentada,associada a
um
contexto internacional favorável resultaramna
adoção deum
padrão definanciamento
baseadono
endividamento externo.Como
declaraGOLDENSTEIN
(1994,p. 67):
9
“(..) 0 Estado recorre ao financiamento externo por meio do qual cria a “força” que não
possuí.
É
assim que, nos momentos de- farta liquidez internacional, 0 Estado brasileiro,aprofundando os laços de dependência, aparece como o todo-poderoso, que distribui
recursos para todos os setores capitalistas. Sua verdadeira fragilidade só vem à tona nos
momentos de restrição de liquidez internacional ” _
A
farta liquidez - internacional, oriunda daseconomias
avançadas quequeriam
aumentar suas áreas de iiifluência econômica, tinha
como
principal destino os paísesatrasados, por se tratarem de
mercados
em
potencial.As
multinacionais estavam sedisseminando pelo
mundo
eum
número
expressivo de suas filiais foram instaladasem
território brasileiro.
H
Fiori (1993, p. 13)
complementa
as idéiasda
autoraacima
mencionada
aoafirmar
que o
financiamento
da industrialização possuía duas fontes básicas.Sendo
a' primeira orecurso à inflação,
no
qual as perdaseram
socializadas, demodo
que a sociedade arcavao último favorecido pela conjuntura internacional.
No
entanto, tratavam-seambas
de formas igualmente precárias de sustentação deum
processo de crescimento, o qual estava longe de ser autosustentado.Mas com
a crisedo
petróleono
finalda
década de70
houve
uma
grande redução de recursos disponíveisno mercado
internacional, o que desarticulou o frágil padrão de financiamento brasileiro.Quando
se reverteu este quadro de depressão mundial a rota dos recursos havia sido desviada para os países avançados,dado
o adventoda
microeletrônicaque exigia técnicas cada vez mais avançadas, o que está relacionado a mão-de-obra
qualificada e elevados investimentos
em
P&D,
os quais sópoderiam
ser encontrados nospaíses ricos.
Como
conseqüência o parque industrial brasileiro, concluídona
década de70
segundo o
paradigma da
23 Revolução Industrial, setomou
relativamente obsoleto,dada
aincapacidade de
acompanhar
os avanços tecnológicos,bem
como
a ausência de padrão definanciamento
que substituísse o anterior, (FIORI, 1993, p. 25). Por outro lado, o Estado que até então vinhacumprindo
seu papel de conciliador de interesses, a partir da décadade 80 não consegue
mais
absorver o ônus da crise.Como
resultado, chega-se aos dias de hojecom
um
Estado debilitadofinanceiramente, desgastado politicamente,
com
uma
estrutura produtiva e burocráticasucateada.
Assim
como
é esplanado porFIORI
(1993, p. 10-11):"Frente à crise internacional liderada pela política monetária norte-americana, nos anos
'
80, .o Estado brasileiro passa a estatizar a dívida externa privada, utilizando suas empresas
estatais para contrair novos empréstimos internacionais que lhe permitissem rolar seus
compromissos externos. Constrangido, entretanto, pela moratória mexicana de 1982, inicia
uma série de políticas de estabilização e reajustamento estrutural, as quais não
conseguirão impedir, até o final da década, a escalada de
uma
crise hiperinflacionária, oestrangulamento financeiro das empresas estatais e, finalmente, a falência fiscal do
setor público e a ingovernabilidade macroeconômica.”
Sendo
assim, pretendeu-se verificar o papeldo
Estado Desenvolvimentista, que resultouno
contexto de crise vivenciado a partirda
década de 80, tendocomo
base asinterpretações estruturalistas, que
fazem
parteda
corrente desenvolvimentista a qual1.3 -
Estrutura
do
Trabalho
A
crise mundial de 1929 esgotou o padrão ideológico baseadono
liberalismoneoclássico. Pois, o
mercado
sozinho não conseguia mais responder as contradiçõesdo
capitalismo. Neste contexto, tornou-se relevante a intervenção
do
Estadona
economia,acreditando-se que este era capaz de
uma
melhor
alocação de recursos revertendo asexpectativas negativas. Neste sentido, a
CEPAL
elaborou paraAmérica
Latina receitas de desenvolvimento coordenadas diretamente pelo Estado,segundo
as quais os paísesperiféricos só reverteriam sua situação de atraso, atingindo o sonhado desenvolvimento,
através
da
industrializaçao, a~ qual, por sua vez, só seria viável pormeio
deum
intensoesforço estatal.
No
Brasil as propostas cepalinas tornaram-se predominantesna
década de 50,quando
se produziuum
esforço articuladono
sentido de viabilizarum
projeto deindustrialização dinâmico. Tal esforço teve por base o
famoso
tripéformado
pelo capitalestatal, capital privado nacional e capital estrangeiro,
porém
sob a liderançado
primeiro.Pois,
na
ausência deum
sistema financeiro intemo capaz de garantir investimentos delongo prazo e de
um
setor privado dinâmicocom
capacidade de liderar o processo deindustrialização, o Estado assumiu a liderança, utilizando-se
amplamente
do capitalextemo. Primeiro através
do
ingresso de filiais de multinacionaisno
Brasil e depoisdo
recurso ao sistema financeiro intemacional, que inicialmente contou
com
a participaçãodo
setor privado nacional,mas
depois resumiu-se, basicamente, ao endividamentodo
setorpúblico,
em
especial das empresas estatais.A
aceleraçãodo
endividamento extemo, especialmentena
década de 70com
a elevação da liquidez internacional,aumentou
a instabilidade financeira do Estado,que
passou a endividar-se sistematicamente,
extema
e internamente,na
tentativa única eexclusiva. de adiar a crise, que eclodiu
na
década de 80com
a redução drástica dosfluxos
de recurso externo destinados para o Brasil. Tal fato impediu a continuidade do perverso
mecanismo
de absorçãodo
ônus da crise pelo Estado, que resultouno
seu desgaste financeiro e político._
`
Neste sentido, o objetivo geral
do
presente trabalho foi analisar as funçõesdo
Estado Desenvolvimentista brasileiro na economia, que
conduziram
a crise desencadeadaexecução
da
análise traçou-se três objetivos específicos, os quais ajudaramno
desenvolvimento e
compreensão da
questão central.O
primeiro objetivo específico visou acompreensão
da situação financeirado
Estado brasileiro, a qual foi responsável pela incapacidadedo
mesmo
de prosseguircom
o processo de absorçãodo
ônus da crise.O
segundo objetivo específico pretendeu analisar a redução
da
capacidadedo
Estado de conduzir a política econômica, o que limitou o seu papel de articulador deum
padrão de desenvolvimento. Por sua vez, o terceiro objetivo específico procurou estudar asdificuldades enfrentadas pelo Estado
no
que se refere ao seu papel de agente produtivo.Na
medida
que as empresas estataisno
primeiromomento
cumpriram
um
importante papelna
construçãodo
padrão de industrialização, eno
segundomomento
foram
usadas exaustivamentecomo
instrumento para captação de recursos externos,na
tentativa delevar adiante o padrão de desenvolvimento que já mostrava sinais de debilidade.
Para atingir a
meta
proposta estruturou-se o trabalhoem
cinco capítulos.De
modo
que no
segundo capítulo procurou-se analisar as origens do Estado Desenvolvimentista ecomo
sedeu
amontagem
e desarticulaçãodo
padrão deindustrialização brasileiro.
O
terceiro capítulo pretendeu desenvolver os dois primeirosobjetivos específicos,
ou
seja, analisou a deterioraçãoda
situação financeira do Estado,bem como
a redução de sua capacidade de conduzir a política econômica. Por sua vez, o quarto capítulo deteve-se ao desenvolvimentodo
terceiro objetivo específico,estudandoa
desarticulação
do
setor produtivo estatal. Porfim,
no
quinto e último capítuloforam
1.4 -
Metodologia
A
análise a ser desenvolvida centrou-se nas interpretações estruturalistas sobre afunção do Estado Desenvolvimentista na
economía
brasileira a partirda
década de 80,portanto os esforços se concentraram
no
estudo de obras já consagradas queabordaram
este
tema
sob o prisma desta correntedo pensamento
econômico.A
O
estudofoi desenvolvido
com
basena
análise bibliográfica de fontessecundárias. Foi verificado
como
outros autores trataram esta temática.Sendo
assim,visando atingir as metas propostas por tal trabalho adotou-se a metodologia analítica,
uma
vez que buscou-se através
do
detalhamento das interpretações estruturalistas, extraídas das produções científicas dos principais teóricos desta corrente, explicar as especificidadesdo
2
-INDÚSTRIA
E
COMPROMISSO: ORIGENS
E
CONSOLIDAÇÃO
DO
ESTADO DESENVOLVIMENTISTA
Nessa
etapado
trabalho visou-se estruturar oproblema
em
seu contexto histórico,procurando elucidar,
num
âmbito geral, oscaminhos
que levaram ao surgimento e falênciado
Estado Desenvolvimentista brasileiro, tendo por base as interpretações estruturalistas.Ressaltou-se a importância da
CEPAL
como
formuladora da principal base teóricaque
deu origem
a ideologia desenvolvimentista,na
qual baseou-se todo o processo deindustrialização brasileiro.
Assim
como
o caráter retardatário de tal processo, fatoque
exigiu grande participação estatal
como
mediador
e co-autorno
decorrer de toda trajetóriaindustrializante. .
Destacou-se,
também,
a responsabilidadedo
frágil padrão definanciamento da
industrialização brasileira, que teve por base o endividamento externo,
no
desencadeamento
da
crise que eclodiuna
década de 80 e que se refletiu profundamentena
base
do
Estado Desenvolvimentista, gerandouma
série de dúvidas e incertezas quanto a participação diretado
Estadona
economia. Neste contexto, ressurgiu a ideologia liberal“que vê
no mercado
a soluçãopara
todos osproblemas”,
(FIORI, 1992, p. 86).2.1 -
A
Montagem
do Padrão
Brasileirode
IndustrializaçãoO
arcabouço analítico dos trabalhos daCEPAL
foi fundadona
idéia de desenvolvimento desigual daeconomia
mundial. Nestes termos, oparadigma
cepalinotratou basicamente da problemática da industrialização nacional a partir de
uma
situaçãoperiférica. Por sua vez, tal fato decorreu da propagação irregular de progresso técnico,
que
resultou
num
processo de. divisão intemacional do. trabalho, o qual transformou aseconomias
periféricasem
reflexas e dependentes.Como
resultado, distingüiu-se os grandes centros industriais,com
estruturas produtivas diversificadas e tecnicamentehomogêneas,
eem
torno destes a periferia,como
satélite,com
o papel decomplementar
aeconomia
dos grandes centros capitalistas,(MELLO,
1982, p. 13-14).A
dinâmica da periferia estava presa,em
última instância, àdemanda
externa.Sendo
assim, as restrições externas decorrentes dos dois 'conflitos mundiais eda
Grande
depressão que eclodiu'em
1929, retiraram a base de apoio ao desenvolvimento daseconomias
agroexportadoras,bem como
criaram sérias dificuldades de importação.Com
intuito de solucionar tal impasse,
houve
o estímulo a ruptura da divisão internacionaldo
trabalho.
O
modelo
cepalino propôs apassagem do “modelo
de crescimento para fora” ao“modelo
de crescimento para dentro”, o que promoveria o deslocamentodo
centro dinâmicoda
economia
para dentro da nação,rompendo
com
o círculo vicioso de dependência e miséria. Nestes termos, a industrialização iniciouuma
nova
etapa,na
qual haveria internalizaçãodo
centro dinâmico, e conseqüente substituição da variávelexógena,
demanda
externa, pela variável endógena, investimento,como
propulsorda
economia, conhecida
como
desenvolvimento para dentro,(MELLO,
1982, p. 17-21).O
estudioso JoãoManuel
Cardoso deMello
em
sua .consagrada obraO
CapitalismoT
ardio fezuma
periodizaçãodo
processo de industrialização brasileiro, a qual foi seguida nesse trabalho. Mello classificou a fase de 1933 até 1955como
industrialização retardatária (ou restringida),
quando
o investimento industrial passou aser a fonte
do dinamismo
econômico,mas
não assegurava sua auto-determinação.A
faseseguinte,
que
se estendeu de 1955 a 1961, foidenominada
pelo referido autorcomo
industrialização pesada, e se caracterizou pela intemalização da produção
do
setor de bensde capital.
A
Grande
depressão de 1929marcou
o esgotamentodo
padrão cafeeiro, o qual já vinha mostrando sinais de debilidadehá algum
tempo.O
protecionismodo
Estado, apartir das
medidas
que se encarregavam de socializar as perdas dos empresáriosdo
café,foi o responsável pelos grandes lucros
do
setor cafeeiro.Porém,
taismedidas acabaram
acentuando o
dinamismo
agroexportador, gerandouma
hipertrofia, quenum
determinado pontoculminou
no rompimento do
padrão cafeeiro.Mas
a naturezado
setor exportador, que exerciaum
poderoso efeito difusor sobre o espaçoeconômico
da regiãoonde
selocalizava, engendrou os pré-requisitos fundamentais para que a
economia
brasileirapudesse responder criativamente a fase de profunda depressão
da economia
mundial: estimulando a agricultura mercantil de alimentos, incipiente indústria de bens deconsumo
assalariado e
um
modesto
núcleo de indústrias leves de bens de produção.Ou
seja,"a perda do dinamismo do setor exportador, em particular a partir da grande depressão,
deu lugar a
um
esforço de reorientação da atividade econômica consubstanciadoem
grande parte na substituição de importações por produção nacional, assegurada pela
reserva de mercado obtida através de proteção cambial e tarifária. "
(TAVARES,
Dessa
forma,em
1933 iniciou-seuma
nova
fase,quando
aacumulação
passou ase
mover
de acordocom
novo
padrão. Foi a fasedenominada
porMello
deindustrialização retardatária, que se estendeu até 1955, a qual foi definida a seguir:
“Há industrialização, porque a dinâmica da acumulação passa a se assentar na expansão
industrial, ou melhor, porque existe
um
movimento endógeno de acumulação, em que sereproduzem conjuntamente, a força de trabalho e parte crescente do capital constante
industriais; mas a industrialização se encontra restringida porque as bases técnicas e
financeiras da acumulação são insuficientes para que se implante, num golpe, o núcleo
fundamental da indústria de bens de produçao, que permitiria à capacidade produtiva
crescer adiante da demanda, auto-determinando o processo de desenvolvimento
industrial.
(MELLO,
1982, p. 110)O
capital industrial passou, então, acomandar
a dinâmica da economia,libertando 0 setor industrial da dependência
em
relação a realização dos lucrosda
economia
cafeeira.Mas
persistiuum
certo limite àalavancagem
da industrializaçãobrasileira,
dado
pela inexistência deum
setor de bens de produção capaz de atender asnecessidades correntes de funcionamento
da
economia
e de manter a capacidade produtiva crescendonum
ritmo sustentadona
frente dademanda.
O
que se constatou foium
setor de bens de produção frágil, cuja implantação se caracterizou pela relativa lentidão e limitação funcionandosempre
a reboqueda demanda.
(MELLO,
1982, p. 111).A
industrialização retardatáriadefiniu
a condição de dependência e atrasoda
economia
brasileira,uma
vez que tratou-se deuma
cópia da “estrutura produtivaresultante
da segunda
revolução industrial que temcomo
basea
indústriapesada que
não pode
ser implantadapasso a
passo,como
o foino
caso das indústrias leves.”,(GOLDENSTEIN,
1994, p. 62).A
necessidadedo
investimentoem
bloco,bem como
aexistência de
um
padrão tecnológico e escalamínima
de produção consolidadosno
desenvolvimento
do
capitalismo mundial, requeriam vultosos investimentos iniciais.A
descontinuidade tecnológica e a insuficiência deuma
acumulaçao
de base técnica e financeira representaram restrições internas a introdução da indústria pesada.Pois, não se tratava apenas de ampliar a escala de indústria já existente,
como
ocorreudurante a
Segunda Revolução
Industrial nos países industrializados.No
casobrasileiro,
em
virtudeda
quase inexistência deste setor, necessitava-se demaciços
investimentos iniciais,
dado
que a base técnica a ser importada se baseavanuma
escalamínima
de produção e padrão tecnológico já definidos.Porém,
o contexto intemacional,caracterizado por
uma
intensa crise de âmbito mundial (Crise de 1929) e aSegunda
Grande
Guerra, dificultava a obtenção de recursos externos para financiar taisempreitadas.
Assim
como,
definiaum
acirramentoda
concorrência internacionalcom
baseem
grandes empresas oligopolistas dos países industrializados, as quaisestavam
empenhadas
em
defender suas respectivas vantagens tecnológicas.Por sua vez, “o capital industrial dispunha de oportunidades lucrativas de
inversão,
com
um
risco baixo,na medida
em
que percorresse seu 'caminho natural ',afiontando sempre
as 'linhas demenor
resistência' ”,(MELLO,
1982, p. 112).Associados a este fato ainda havia a interdependência dos investimentos,
bem como
a escalamínima
e concentração de capitais requeridos, quegeravam
um
grau de incertezadificilmente assumido pelo setor privado. Decorreu daí a necessidade de atuação
do
Estado,
sem
a qual o processo de industrialização dos países retardatários seria inviável.Ou
seja, industrializaçao fomentada por grande vontade estatal..Na
fase de implantaçãoda
indústria os empresários nacionais nãoeram
pró-industrialização,
quem
assumia este papel era a burocracia estatal.O
capital industrialexigia
do
Estado privilégio para ter acesso exclusivo aomercado
intemo, contençãodo
fortalecimento
do
poder de barganha dos trabalhadores e realização de investimentosem
infra-estrutura, assegurando
economias
externas baratas.Sendo
assim, sua lucratividadeadvinha, basicamente, dos baixos custos
da
força-de-trabalho,bem como
do alto grau deproteção concedido pelo Estado, o que determinava sua natureza
pouco
competitiva,(MELLO,
1982, p. 114).Nestes termos, constatou-se que os investimentos
na
indústria pesada de bens de produçãojamais
estiveram nos horizontesdo
capital industrial, e que o padrão deacumulação
industrialimpunha
limites objetivos à açãoeconômica do
Estado. Este último decorrente dos frágeis alicerces tributáriosem
que se apoiava o poder financeírodo
Estado, assim
como
da redução de sua capacidade de importar,ocupada
em
grande partepela operação e expansão da indústria leve,
ambos
agravados pela redução de acesso afinanciamento
externo. Neste contexto não bastava o Estado definirum
bloco de inversões pesadas, poisembora
a vontade estatal de construirmn
padrão de industrializaçãoconsistente fosse grande, as restrições internas e externas se transformaram
em
resistentesobstáculos.
Mas,
apesar das condiçõespouco
favoráveis, foi possível construir anorte-americano,
em
troca de favores político-militaresdo
governo brasileiro naSegunda
Grande
Guerra. Por outro lado, a questãodo
petróleo eda
indústria de química pesada continuaram a ser proteladas. Atémesmo
os investimentos públicosem
infra-estruturasofreram redução, causando deficiências nos setores de energia e transporte,
(MELLO,
1982, p.115).
O
períodocompreendido
entre 1956 e 1961,denominado
por Mellocomo
industrialização pesada, se caracterizou pela implantação de
um
bloco de investimentoque viabilizou a alteração radical da estrutura de sistema produtivo, através
da
dinamização dos setores de bens de produçao e bens de
consumo
duráveis, assimcomo
a ampliação da capacidade produtivaalém
dademanda
preexistente.Esta
soma
de inversões exigiauma
disponibilidade de instrumentos prévios de mobilização e centralização de capitais, quenão
puderam
ser desenvolvidosna
faseanterior,
dado
todos os motivos já citados.Sendo
assim, restou ao Estado não sócoordenar o conjunto de investimentos
como
financiá-los, neutralizando as incertezas e,assim, atraindoo setor privado.
Ou
seja,ficou
sob responsabilidadedo
Estado garantir o investimentomaciço
em
infra-estrutura e a implantaçãodo
núcleo básico da indústria de base (siderurgia, energia e petróleo), estimulando o investimento privado não apenas porlhe oferecer
economias
externas baratas, mas,também,
por lhe gerardemanda.
Paramobilizar os recursos ñnanceiros necessários o Estado recorreu as emissões monetárias e
ao
confisco
cambial,uma
vez que nãohouve modificação
significativano
sistematributário. Pois,“o Estado
assume
essas tarefas )sem
tocar nas relação de propriedadeexistentes, preservando todos os interesses dominantes, perpetuando
a
relação (ou faltade) entre os setores agrário, industrial e bancário”.,
(GOLDENSTEIN,1994,
p. 63).Ou
seja, o Estado preserva sua característica de “Estado de
Compromisso.”
Outro importante papel
do
Estado foi estabelecer as bases de associaçaocom
a grandeempresa
oligopólica estrangeira, o que foi feito concedendo-lheamplos
incentivos.Conforme
afirmou
Oliveira (1989, p. 85): _“A famosa Instrução 113, da gestão Gudin, forneceu o modelo: investimentos diretos sem
cobertura cambial, que foi utilizada à exaustão pelo Governo Kubitschek. Assim, entrou
praticamente todo o capital destinado à indústria automobilística, construção naval e
outros setores contemplados no Plano de Metas, com 0 que, para
um
curto período e nestascondições solucionava-se 0 problema do financiamento externo da acumulação de
capital. " _
A
presençada
grandeempresa
estrangeirano
Brasil resolveu, “simultaneamente, dois graves problemas: oda
estreitezada
capacidadepara
importar, que ela própria criavaao
exportar capital e o de mobilização e concentração de capitais, pois que suastransferências
para
aquieram
marginaisem
termos dos blocos de capitalmanejados
pelas matrizes.”
(MELLO,
1982, p.119).A
instalação de filiais destas grandes empresasno
Brasil não poderia ser consideradacomo
decorrência, exclusiva, das vantagensque
lhes
foram
concedidas, mas, principalmente, “pela própria dinâmicada
competiçãooligopólica nos países centrais, cujo ponto de
chegada
consistiu ,como
se sabe,na
conglomeração
financeira ena
expansão oligopólicaa
escala mundial.”(MELLO,
1982,p.119).
Além
disso, destacou-se o fato de queno
caso brasileirohouve
preponderância deentrada do capital europeu e o relativo desinteresse
da
grandeempresa
norte-americana, cuja maior preocupação naquele período era ocupar osmercados
europeus, mais sólidos epromissores (capital norte-americano importante
na
reconstrução européiano
pós-guerra).Embora
o processo de industrialização pesada tenha sidofomentado
por esforçoestatal e
do
grande capital internacional,houve
durante todo o processouma
cumplicidadedo capital industrial nacional, o qual teve preservado seus interesses concretos.
Na
verdade, a burguesia industrial nacional, baseada nas indústrias leves e detendo
um
frágilpoder de acumulação, não tinha condições de assumir juntamente
com
o Estado o projetode industrialização pesada, papel que
ficou
a cargodo
capital estrangeiro.Além
do que
aindustrialização pesada
promoveu
uma
forte expansãodo
capital industrial nacionaluma
vez que
“a demanda derivada da grande empresa estrangeira estimula o surgimento, crescimento e
modernização da pequena e média empresa nacional, conformando-se
um
oligopóliodiferenciado, nucleado pela grande empresa estrangeira, com
um
cordão de pequenas emédias empresas nacionais, tanto fornecedoras quanto distribuidoras. ”,
(MELLO,
1982, p. 120).
A
empresa
nacional, situadano
setor de bens deconsumo
assalariados, sebeneficiou
também
dos efeitos sobre ademanda
da
força de trabalho e taxa de saláriosdecorrentes
do
bloco de .investimentos complementares nos setores de bens de produção ede bens de
consumo
para capitalistas.Estes fatos explicaram, basicamente, por que foi limitada, lenta e a reboque
da
demanda
a implantaçãodo
núcleo básico da indústria de bens de produção.E
ressaltaram,bases produtivas do Capitalismo, seja
como
empresáriona
indústria de base,ou
promovendo
investimentoem
infra-estrutura.Sendo
assim,“cada grupo
pode
verno
projeto diferentes limitações ecada
um
deles
pode
ter interesses particulares que contrariam os interesses dos outrosmas
todostêm
uma
alta taxa deacumulação no
nível nacional”,(EVANS,
1980, p. 53).“Em
suma,há na
expansãouma
profunda
solidariedade,ao
nívelda
acumulação, entre o Estado,empresa
internacional eempresa
nacional...”(MELLO,
1982, p.l21). Este fato decorreu, segundo Goldenstein, da organizaçãodo
capital industrialno
Brasil ter sido gerada deforma
pactuada, tendo por base omodelo
tripartite queemerge no
Brasil nos anos 50.O
famoso
tripé foifundamentado
nas“empresas privada nacional, internacional e estatal, todas sustentadas ou subvencionadas
em larga escala pelo Estado, na medida em que a empresa privada nacional é familiar,
unissetoríal, sem articulação com os bancos e, conseqüentemente, sem capacidade de
alavancagem financeira. ",
(GÔLDENSTEÍN,
l994, p. 95)Ou
seja, a base tripartitena
qual sefundamentou
a propriedade das forças produtivas, cadauma
delasdominando
certos setores da estrutura de produção materialdo
país,impediu
que surgisse algo essencial, a conglomeração de interesses.
Como
conseqüência,nao
houve
a formaçãodo
capital financeiro, resultado da fusão dos capitais industrial ebancário.
Além
do
que a poderosa barreira protecionista sustentada pelo Estado contribuiupara a oligopolização dos
novos
setores industriais.De
acordocom
Peter Evans, .“a colaboração entre os três sócios baseia-se num respeito
comum
pela lógica dalucratividade [Neste sentido, ] apenas
um
tipo de redistribuição é provável sob atríplice aliança, a que retira da massa da população para dar à burguesia estatal, às
multinacionais e ao capital nacional de elite.”,
(EVANS,'
l 980, p. 245-246). ›O
que
foi viabilizado pela constituição deum
Estado populista, que surgiuno
Brasilem
30 e prevaleceu até 64, servindo
como
mediador
de interesses e apaziguador dos conflitosinterclasses, tendendo,
em
última instância, aacumulação
capitalista,da
qual dependia suasustentação.
'
Mas
a estratégia de industrializaçao pesada produziu“um padrão de relações centro-periferia num patamar mais alto da divisão internacional
do
trabalho do sistema capitalista, instaurando, por sua vez _ e aqui constitui suasingularidade _, uma crise recorrente de Balanço de Pagamentos que se expressa na
contradição entre
uma
indústria voltada para o mercado interno mas financiada ou/
controlada pelo capital estrangeiro e a insuficiência de geração de meios de pagamento
internacionais para fazer voltar à circulação internacional de capitais a parte do
excedente que pertence ao capital internacional.”
(OLIVEIRA,
1989, p. 87)Em
decorrência desta fragilidade técnica e financeirado
processo deindustrialização pesada
no
Brasil, atingiu-seum
estrangulamento, que inviabilizou asustentação das taxas crescentes de
acumulação
verificadasna
fase áurea (1956 - 1961),desembocando
numa
crise que se arrastou de 1962 a 1967.A
crise foi oriundada
desaceleração
do
potencial deacumulação
e de desajustes entre a estrutura dedemanda
e a capacidade de produção subutilizada.As
multinacionais implantaram suas filiaisno
Brasilmantendo
amesma
escala produtiva dos seus países de origem.No
início ademanda
reprimida foi capaz de absorver a oferta gerada,
mas
amedida
que esta parcelado
mercado
foi satisfeita observou-se que a capacidade produtiva dessas unidades produtivas estavaacima
das necessidadesdo
mercado, principalmente, pela ausência deum
sistema de financiamento aoconsumo.
Como
resultadohouve
uma
desaceleraçãodo
potencial de acumulação, que até então mantinha-seem
níveis crescentes, e oaumento do
recurso a capacidade oziosa,(MELLO,
1982, p. 121-122)Segundo
Oliveira, a crise que desencadeouuma
recessão que se prolongou até1967, é
uma
criseextremamente
complexa.Na
verdade, as presidênciasQuadro
e Goulart foram prisioneiras da criseque
teve iníciono
último ano de Presidência Kubitschek.A
política
econômica do
Governo
de Jâniopouco
interferiuno
quadro, devido seucurtíssimo prazo. Por outro lado, a política
econômica
de Goulart, consubstanciadamais
na
gestão fazendária Santhiago Dantas queno
Plano Trienal de Furtado, cujo carátercontraditório
da
política, deum
lado visando restabelecer as condições de cálculoeconômico
e, portanto, da continuidade do processo deacumulação do
capital, e, de outro,não
podendo
penalizar as classes trabalhadoras deonde
retirava seu apoio político, levouàfalência não só a própria política
econômica
mas
também
o regime democrático.O
Golpe
militar de 1964
rompeu
com
o pacto populista e implantouuma
ditadura militar,2.2 -
Consolidando
asVirtudes
e asDificuldades
do Padrão
de
Industrialização
O
ciclo de expansão decorrente dos investimentosdo
Plano deMetas no
períodoJK
desencadeouuma
crise de superacumulação,acompanhada
de fortes pressõesinflacionárias.
A
desaceleração iniciadaem
1962 eque
se estendeu até 1967, tendo seuápice nos primeiros
meses
de 1964, resultou de problemas de realizaçao dinâmicacrescentes, que decorreram de
um
desequilíbrio dinâmico entre a capacidade produtiva e ademanda
efetiva da indústria, acarretandouma
desaceleraçãona
produção industrial.Nestes termos, o governo que
emerge do
movimento
político-militar de 1964 uniu esforços para superar a crise.Segundo
Mello e Belluzzo,* "o
Plano de Ação Econômica do Governo (PAEG) indicava como problema central a
aceleração da taxa de inflação, que, mantida a tendência, atingiria
144%
no final do ano.O
diagnóstico elaborado pela equipe Campos-Bulhões atribuía a exacerbação daspressões inflacionárías ao excesso de demanda e aos demagógicos aumentos salariais.
(MELLO
eBELLUZZO,
1982, p. 144-145).De
acordocom
Mello e Belluzzo (1982, p. 145), a terapia prescrita pela equipeeconômica
se deteve a instrumentos clássicos de estabilização: corteno
gasto público,aumento da
carga tributária, contenção de crédito e arrocho salarial. Por sua vez, taisinstrumentos
fundamentaram
um
conjunto de reformas, quevisavam
processarmudanças
no
âmbitodo
Estado e da economia,com
o intuito de recuperar o padrao de crescimento, o qual foi deteriorado pela desaceleração daeconomia
aliada ao processo inflacionário.Sendo
assim, durante o período de“1964
a1967
aeconomia
conheceu oscilaçõesno
nívelde atividade e emprego, decorrentes de
uma
políticaeconômica
deSTOP
and GO,
exatamente
porque
nem
se poderia permitira
perda
de controle sobrea
inflação, nem,muito menos, quea
crise ultrapasse determinado limite.”,(MELLO
eBELLUZZO,
1982, p. 146).
O
conjunto de refonnasimplementado
em
1966, queconduziram
aeconomia
brasileira a
uma
etapa de recuperação (1967-70), foi resumida por Tavares e Belluzzo.Inicialmente, os autores ressaltaram a reforma fiscal,
que
tinha por objetivo organizar deforma
eficiente o sistema-tributário brasileiro, demodo
a melhorar as condições de financiamentodo
gasto público.Em
seguida, destacaram o reajuste e restruturaçao dascunho
administrativo, que centrou-sena
criaçãoda
figura
daempresa
estatal ena
organização dos processos licitatórios de compra. Ressaltou-se,
também,
a reformado
sistema financeiro nacional, o qual sempre foi débil
no
Brasil, que consistiuem
buscar sua especialização e concentração.Com
este intuitoforam
criados obanco
de investimento, o qual destinava-se a empréstimos de longo prazo; financeiras, quevisavam
garantir créditode curto prazo, basicamente para consiuno; bancos comerciais que seriam responsáveis
pelo
financiamento do
capital de giro das empresas. Desta forma, a estrutura do sistema financeiro delineada consistia-sena
compartimentalização dos instituições, que passariama ser capazes de, cada
uma
na
sua especialização, mobilizar recursos e prover os diferentestipos de _crédito necessários para dar suporte financeiro indispensável ao
bom
funcionamento
da
economia.O
sistema financeiro da habitaçãotambém
foi destacado pelos autores. Pois, atravésdo Banco
Nacional de Habitação(BNH)
reanimou
e ativou a construção civil residencial. Outro ponto frisado foi os incentivos à exportação, atravésda
concessão de subsídios a setores
como
têxtil, de calçados e de maquinaria, estimulando arecuperação. Por
fim,
a política de saláriosimplementada
pela reforma de1966
caracterizou-se pelo fato da correção salarial não repor integralmente o poder aquisitivo
da
classe trabalhadora. Por
um
lado, a contenção salarialno
discurso político estava voltadaao
combate da
inflação, e por outro lado, visava proporcionarum
sobre-lucro ao empresário, assimcomo,
garantir ganhos de competitividade internacional, favorecendo o crescimento. Estamedida
resultounuma
concentraçãoda
renda pessoal.1
Segundo
Goldenstein (1994, p. 68-69), ofinanciamento extemo
era garantido pela Resolução n° 63, a qual regulava a captação de empréstimos externos por instituiçõesfinanceiras localizadas
no
Brasil e o seu repasse a empresas estabelecidasno
país, e pelaLei n° 4131, que regulava a contratação direta de empréstimos externos pelas empresas
instaladas
no
Brasil. Tais empréstimos foram indexados ao dólar, cuja desvalorizaçãoseguia urna regra formal
como
garantia dealguma
estabilidade para os tomadores de recursos externos,com
baseem
minidesvalorizações a cada20
dias de acordocom
a diferença entre a inflação brasileira e a noite-americana. Por outro lado, ofinanciamento
público foi ampliado pela emissão de
um
novo
título, a Organização Reajustáveldo
Tesouro Nacional
(ORTN).
Por sua vez, a Letrado
Tesouro Nacional (LTN), títulotambém
criado à época, seria utilizado apenas para a política monetária de curto prazo,na
Outra consideração de Goldenstein se refere a importância
da manutenção
de taxas de juros positivascomo
um
dos pressupostos para o funcionamento desse sistema, o que,em
virtudedo
quadro inflacionário até então existente, setomava
inviável.Como
declara a autora:
“Para contornar este problema, foi criada a correção monetária, mecanismo que,
teoricamente, garantiria a defesa das aplicações financeiras contra a inflação na medida
em que institucionalizava no mercado financeiro formal o contrato financeiro indexado,
desde que para prazos superiores a
um
ano.A
indexação passou a ser feita por meio daORTN, moeda de referência legal cujo valor mensal variava de acordo com a inflaçao
calculada pela Fundação Getúlio Vargas”, (1994, p. 68-69).
As
reformas objetivavam reordenar aforma
de crescimentodo
período seguinte.Neste sentido, o conjunto de
medidas
exerceram grande impactono
emprego
eno
crescimento da renda urbana, revitalizando a
demanda
corrente. Fatores exógenos ao funcionamento correntedo
sistema industrialforam
responsáveis poruma
nova
dinâmicano
crescimentoda
economia, muito antes que a capacidade ociosa gerada pelo investimentodo
período tivesse sido utilizado.A
política de crédito foi responsavel pela recuperaçãodo mercado
interno das indústrias de bens deconsumo
duráveis.O
setor de construção civil foi dinamizado pela criaçãodo
sistema financeiro de habitação. Estes dois setores juntamentecom
os investimentos públicosforam
responsáveis peloencadeamento
das relações interindustriais,promovendo
a reativaçãoda
demanda
interindustrial, assim
como
a expansão da taxa deemprego
eda
massa
global de saláriosurbanos, o que, por sua vez, estimulou o setor de bens de
consumo
não-duráveis,bem
como
deinsumos
de uso difundido, de materiais de construção e alguns segmentos dossetores de bens de capital,
(TAVARES
eBELLUZZO,
1982, p.128).A
capacidade ociosa herdadado
período de crise (1961-67) foi utilizadano
período de recuperação, o que juntamente
com
a elevada taxa deacumulação
de capital,determinou a necessidade de se investir
no
setor de bens de capitalna
fase de augedo
ciclo (1970-73), a
fim
de garantir o ritmo acelerado de crescimento.A
dinamizaçãodo
setor de bens de capital foi viabilizada, principalmente, pela intensificação da taxa de
acumulação
da indústria automobilística; associada a retomadado
investimento públiconos setores siderúrgico, petroquímico e telecomunicações; assim
como,
pelamodernização e expansão de alguns setores de bens de
consumo
não-duráveis(como
têxtil e farmacêutica),(TAVARES
eBELLUZZO,
1982, p. 128-129).“Este esforço de investimento que eleva brutalmente
a
taxa deacumulaçao
decapital
em
1970-73 fatalmente conduziriaà
reversãodo
ciclo.”,(TAVARES
eBELLUZZO,
1982, p. 129). Nestes termos, o período de desaceleração (1974-77) secaracterizou por
uma
tendênciala superacumulação e crise de realização dinâmica.O
otimismo da fase anterior, que fezcom
que muitos setores industriaisexpandissem
sua capacidade à frentedo
próprio ritmo dedemanda,
afim
de ampliar suas participaçõesno
mercado, gerou
um
crise de sobreacumulação.De modo
que a tendência asobreacumulação produziu
um
desequilíbrio dinâmico entre a capacidade produtiva e ademanda
efetivada
indústria.Havia
problemas de realização dinâmica crescentes, frutosda
manutenção do
ritmo deacmnulação
de capital eda
desaceleraçãoda
produçãoindustrial, gerando
uma
tendência recessiva.O
crescimentoda
capacidade ociosa geralda
indústria
promoveu
uma
queda na
taxa de rentabilidade esperadado
investimento privado,e os projetos públicos já
em
execução nãoeram
suficientes para manter o ritmo de crescimento da indústria pesada e, muitomenos, da
demanda
do restoda
indústria,(TAVARES
eBELLUZZO,
1982, p.l29-133).O
PAEG,
assimcomo,
anteriormente, o fez o Plano de Metas, aproveitou-se deafluxos
de capitais externos para darmais
um
fôlego ao velho padrão definanciamento da
economia.
Na
verdade, as reforrnas implementadas pelo governo militarvisavam
basicamente criar condições para o
bom
desempenho do
padrão industrial gestadona
segunda
metade
dos anos 50, baseadono famoso
tripécomposto
pelaempresa
estatal, a grandeempresa
estrangeira eempresa
privada nacional,sem
jamais questiona-lo.Resumindo-se:
“O
PAEG,
por meio
das reformasfiscal
efinanceira
como
uma
'modernização conservadora ', amplia
ao
máximo
as possibilidadesdo
arranjopreexistente,
mantendo
as características básicas de relacionamento entre o Estado, ocapital nacional e o capital internacional.”
(GOLDEINSTEIN,
1994, p.67)Apesar da
diversificação e ampliaçãoda
intermediação financeira viabilizadaspelas reformas de 1966,
nunca
se conseguiuno
Brasil organizaruma
estrutura privada definanciamento
capaz de garantir a captação e os empréstimos para investimentos de longoprazo, os quais se caracterizam por serem
empreendimentos
de maiores escalas e prazosde maturação.
Na
verdade, este papelsempre
foi reservado ao Estado, quer diretamente, quer por intermédio de suas agências financeiras.Os
bancos de investimento,que
menor
risco e maior lucratividade,ou
seja, aliaram-se aos bancos comerciaisno
fornecimento de capital de giro para as empresas, tornando-se
meros
repassadores de fundos públicosou
intermediários de recursos externos.,(GOLDEINSTEIN,
1994, p. 69-70).
A
autoracomplementou
afirmando:“Teoricamente estavam implementadas as instituições necessárias para a mobilização de
recursos deforma a garantir a consolidaçao de
um
sistema financeiro 'sólido e compatívelcom as necessidades do desenvolvimento capitalista do país”.
Na
prática, a realidademostrou-se muito mais complexa, revelando as dzficuldades, ou até mesmo a
impossibilidade, de se implementar uma estrutura como a idealizada teoricamente. A
existência de taxas de juros positivas e a definição de diferentes papéis para diferentes instituições eram condiçoes necessárias porém insuficientes”.
(GOLDEINSTEIN,
p.69)
A
fragilidadedo
sistema financeiro não se tornouum
entrave a fase de auge(1970-73) porque as empresas responsáveis pela dinâmica
da
economia,em
geral filiais deempresas estrangeiras,
além
de possuírem capacidade de autofinanciamento, aindapoderiam
recorrer aos recursos externos liberados por suas matrizes. Por outro lado, a grandeempresa
de capital nacional e os setores atrasadoscostumavam
contarcom
a proteçãodo
Estado, tanto atravésdo
fornecimento direto de subsídios quanto de todo tipode proteção de mercado.
Ou
seja, todosdispunham
aparentemente deuma
liquidezinesgotável que os faziam crescer a taxas elevadas, independente
da
inexistência deuma
estrutura privada de crédito de longo prazo.
Mas
é importante esclarecer que o Estado sópôde
assumir esta funçãodado
um
contexto internacional de farta liquidez e dosmecanismos
gerados pela reforma financeira e 1966.O
Estado persisteno
esforço de assegurar o processo de industrialização, para tanto estimula os investimentosdo
setorprivado, seja interno
ou
externo. 1“A nova
estruturado
sistema financeiro,a
farta liquidez que aacompanhava,
o'controle '
da
inflação e o 'milagre'econômico somavam-se
na
contribuição paraia ilusãogeral de que o
PAEG
haviamontado
um
'padrão de financiamentonovo
e eficiente Í ”,(GOLDEINSTEIN,
1994, p. 75). Desta forma, os problemas que foram vislumbrados apartir de 74,
em
geral,foram
diagnosticadoscomo
de curto prazo e passíveis de resoluçãocom
o reordenamento institucional.Não
havia ainda a consciência que tais problemasteriam sua magnitude ampliada