Acoplamento BCS em um líquido de Luttinger em uma dimensão
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(2) UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE ˆ CENTRO DE CIENCIAS EXATAS E DA TERRA ´ DEPARTAMENTO DE F´ISICA TEORICA E EXPERIMENTAL ´ ˜ EM F´ISICA PROGRAMA DE POS-GRADUA C ¸ AO. Ronivon Louren¸co Eneias. Acoplamento BCS em um L´ıquido de Luttinger em uma dimens˜ ao..
(3) Ronivon Louren¸co Eneias. Acoplamento BCS em um L´ıquido de Luttinger em uma dimens˜ ao.. Tese apresentada ao Programa de P´ os-Gradua¸c˜ ao em F´ısica do Departamento de F´ısica Te´ orica e Experimental da Universidade Federal do Rio Grande do Norte como requisito parcial para a obten¸c˜ ao do grau de Doutor em F´ısica.. ´ Area de Concentra¸c˜ ao: Mat´ eria Condensada. Orientadora:. Prof. Dr. Alvaro Ferraz Filho.
(4) Ronivon Louren¸co Eneias. Acoplamento BCS em um L´ıquido de Luttinger em uma dimens˜ ao. Tese apresentada ao Programa de P´ os-Gradua¸c˜ ao em F´ısica do Departamento de F´ısica Te´ orica e Experimental da Universidade Federal do Rio Grande do Norte como requisito parcial para a obten¸c˜ ao do grau de Doutor em F´ısica.. ´ Area de Concentra¸c˜ ao: Mat´ eria Condensada. Aprovado em:. /. /. Banca Examinadora: Prof. Dr. Alvaro Ferraz Departamento de F´ısica Te´ orica e Experimental - UFRN Orientador Prof. Dr. Pasquale Sodano IP-UFRN Examinador Interno Prof. Dr. Dmitry Melnikov IIP-UFRN Examinador Interno Prof. Dr. Eduardo Cantera Marino IF - Instituto de F´ısica-UFRJ Examinador Externo Prof. Dr. Eberth de Almeida Corrˆ ea ?Faculdade de Engenharia-UNB Examinador Externo.
(5) Dedicat´ oria ` Deus e a minha fam´ılia. Opcional. A. i.
(6) Agradecimentos Agrade¸co primeiramente a Deus pela vida concedida e por me dar for¸ca e dedica¸ca˜o para prosseguir nos momentos mais dif´ıceis. Um especial agradecimento `a minha m˜ae por ter acreditado em mim, diante de todas as dificuldades neste longo caminho percorrido at´e aqui. ` minha querida esposa Vit´oria e ao meus filho Rˆonulo e Vanessa, pelo apoio e A incentivo constantes. Obrigado! Aos meus irm˜aos e irm˜as, por estarem sempre ao meu lado nos momentos dif´ıceis. ´ Agrade¸co ao meu orientador e amigo professor Dr. Alvaro Ferraz Filho por me orientar e pela amizade e dedica¸ca˜o demostrada durante a realiza¸c˜ao deste trabalho de Doutorado. Gostaria de deixar um agradecimento aos professores S. Brazovskii e Hratchya M. Babujian, e ao colega de sala Dr. Oleg Alekseev por importantes coment´arios e discuss˜oes que contribu´ıram em muito para com esse trabalho..
(7) ”Os ensinamentos das pessoas s´abias s˜ao uma fonte se vida.” Prov´erbios 13.14.
(8) Resumo. Neste trabalho n´os investigamos o efeito de um emparelhamento do tipo BCS para f´ermions livres sem spin, em 1+1 dimens˜oes. Usando t´ecnicas de bosoniza¸ca˜o testamos a existˆencia de modos de quasipart´ıculas no estado supercondutor resultante. N´os calculamos a fun¸ca˜o de Green de uma part´ıcula isolada, a fun¸ca˜o de correla¸c˜ao de pares, a fun¸c˜ao espectral e a condutividade o´ptica e mostramos como elas diferem das fun¸co˜es an´alogas para quasipart´ıculas convencionais. N´os compararmos os nossos resultados com os resultados experimentais relacionados aos supercondutores de alta temperatura e mostramos que eles se encaixam qualitativamente bem com os modos de quasipart´ıculas observados nesses materiais.. Palavras-chave: Emparelhamento do tipo BCS. Bosoniza¸c˜ao. Quasipart´ıculas antinodais e nodais.. iv.
(9) Resumo In this work we investigate the effect of a BCS-type pairing for free spinless fermions, in 1+1 dimension. Using bosonization techniques we test the existence of quasiparticle modes in the resulting BCS like superconducting state. We calculate the single particle Green’s function, the pair correlation function, the spectral function and the optical conductivity and we show how they differ from their conventional quasiparticle analogues. We compare our results with the related experimental findings for high temperature superconductors and we show that they fit qualitatively well the observed quasiparticles modes in those materials..
(10) Keywords: BCS pairing. Bosonization. Nodal and antinodal quasiparticle. i.
(11) Sum´ ario. 1 Introdu¸c˜ ao. 1. 1.1. Introdu¸ca˜o . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. 1. 1.2. Objetivos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. 3. 1.3. Descri¸ca˜o dos Cap´ıtulos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. 3. 2 Bosoniza¸c˜ ao e o L´ıquido de Luttinger. 5. 2.1. Introdu¸ca˜o . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. 5. 2.2. Conceitos sobre Bosoniza¸ca˜o . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. 6. 2.3. B´osons Livres e El´etrons Livres . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. 9. 2.4. Bosoniza¸c˜ao do L´ıquido de Luttinger . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. 18. 2.5. Fun¸co˜es de Correla¸ca˜o . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. 23. 2.6. O Modelo de sine-Gordon . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. 26. 2.7. Teorema de Hohenberg-Mermin-Wagner . . . . . . . . . . . . . . . . .. 28. 3 Liquido de Fermi-Landau. 30. 3.1. Introdu¸ca˜o . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. 30. 3.2. Energia de Excita¸ca˜o . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. 31. 3.3. Quasipart´ıculas de Landau . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. 32. 4 Quasipart´ıculas Nodais e Antinodais 4.1. Introdu¸ca˜o . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. ii. 39 39.
(12) 4.2. Aspectos Gerais dos Cupratos e Diagrama de Fase . . . . . . . . . . . .. 40. 4.3. Quasipart´ıculas nos Cupratos Supercondutores de Alta Temperatura . .. 47. 5 Acomplamento BCS em um L´ıquido de Luttinger em uma Dimens˜ ao 52 5.1. Introdu¸ca˜o . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. 52. 5.2. Esquema de Bosoniza¸c˜ao . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. 54. 5.3. ´ Fun¸ca˜o de Correla¸ca˜o de Pares e Fun¸c˜ao de Green de uma Unica part´ıcula 59. 5.4. Fun¸ca˜o de Correla¸c˜ao Completa . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. 62. 5.5. Fun¸ca˜o Espectral . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. 63. 5.6. ´ Condutividade Optica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. 67. 6 Conclus˜ ao. 74. A Transformada de Fourier da Fun¸c˜ ao de Green. 77. A.1 C´alculo da Fun¸ca˜o de Green . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . B. 77. Fun¸c˜ ao Espectral. 83. C Fatores de Forma. 90. C.1 Fatores de Forma . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. 90. C.1.1 Fun¸co˜es de Correla¸c˜ao . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. 92. ´ C.1.2 Condutividade Optica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. 95. iii.
(13) Cap´ıtulo 1 Introdu¸ c˜ ao. 1.1. Introdu¸c˜ ao. Os cupratos supercondutores se notabilizam por possu´ırem propriedades met´alicas anˆomalas acima da temperatura cr´ıtica Tc e uma fase supercondutora do tipo-d em baixas temperaturas. Em dopagem o´tima e em baixas dopagens na fase met´alica para T > Tc , as quasipart´ıculas n˜ao s˜ao bem definidas, mesmo na vizinhan¸ca da superf´ıcie de Fermi. Em contraste, para T < Tc , na fase supercondutora, apesar do fato que essa fase est´a longe de ser um estado supercondutor convencional do tipo BCS, nota-se a presen¸ca de pares de Cooper assim como estados bem definidos de quasipart´ıculas ao longo da dire¸ca˜o nodal, que s˜ao, portanto, chamadas de quasipart´ıculas nodais. Nas regi˜oes antinodais no espa¸co de momento e, tamb´em na fase supercondutora, existe um ”gap” de energia diferente de zero [1], e estados de quasipart´ıculas que, por sua vez s˜ao observados sempre que se d´a a quebra dos pares de Cooper presentes nessa regi˜ao. Essas observa¸c˜oes levantam uma quest˜ao sobre essas excita¸c˜oes de uma u ´nica part´ıcula pr´oximas ao estado fundamental; se temos essas excita¸co˜es na fase supercondutora 1.
(14) 1.1 Introdu¸ca˜o. 2. abaixo de Tc , por que elas n˜ao s˜ao observadas no estado de pseudogap nem na fase met´alica anˆomala acima de Tc . Sabemos que os cupratos supercondutores de alta temperatura s˜ao materiais bidimensionais (camadas bidimensionais de ´oxido de cobre). Por´em, ´e tamb´em verdade que esses not´aveis supercondutores exibem caracter´ısticas t´ıpicas de um g´as de el´etrons, bem como propriedades de transporte caracter´ısticas de sistemas unidimensionais [16]. Existe evidencia recente de fortes correla¸co˜es entre ondas de densidade de carga e o parˆametro de ordem de um supercondutor do tipo d. Essas correla¸c˜oes tamb´em s˜ao t´ıpicas de um g´as de el´etron em 1D. O modelo b´asico de referˆencia para um estado de n˜ao l´ıquido de Fermi em 1 + 1, ´e claro, o modelo de um ´ de fato muito importante tentar entender, como l´ıquido de Tomonaga-Luttinger [19]. E um termo de intera¸ca˜o do tipo BCS afeta diretamente as propriedades das fun¸c˜oes de Green de uma u ´nica part´ıcula, no Hamiltoniano do l´ıquido de Tomonaga-Luttinger mesmo para f´ermions sem spin em uma dimens˜ao. Levando-se em conta que nos cupratos supercondutores, as quasipart´ıculas nodais convivem com pares de Cooper que se situam uniformemente nas regi˜oes antinodais no espa¸co de momenta, n´os formulamos um modelo m´ınimo que descreve essa situa¸c˜ao. Alem disso, calculamos as fun¸co˜es de correla¸c˜ao associadas que s˜ao de estrema relevˆancia para descrever a natureza dos estados de uma u ´nica part´ıcula, na presen¸ca de uma gap supercondutor do tipo BCS..
(15) 1.2 Objetivos. 1.2. 3. Objetivos. Nosso objetivo ´e investigar diretamente o efeito que esse termo de emparelhamento do tipo BCS produz em um l´ıquido de Tomonaga-Luttinger. Usando m´etodos de bosoniza¸ca˜o, t´ecnica muito usada em sistemas unidimensionais e o m´etodo de fatores de forma para auxilar nos c´alculos de fun¸c˜oes de correla¸co˜es, vamos explorar a condi¸ca˜o de existˆencia de quasipart´ıculas no nosso modelo. N´os Verificamos a validade do teorema de Mermin-Wagner-Hohenberg [85] e calculamos tamb´em algumas propriedades dinˆamicas de transporte para o nosso modelo.. 1.3. Descri¸c˜ ao dos Cap´ıtulos. No Cap´ıtulo seguinte, falaremos sobre o liquido de Luttinger e faremos uma breve introdu¸c˜ao sobre a ferramenta matem´atica conhecida como bosoniza¸ca˜o. A bosoniza¸ca˜o ´e uma ferramenta muito usada, especialmente, em uma dimens˜ao. Este ´e o m´etodo principal usado aqui nesta tese. Essa t´ecnica consiste de um mapeamento sistem´atico de um sistema fermiˆonico (estados, operadores, Hamiltonianos, etc.) em um modelo an´alogo de campos bosˆonicos. A linguagem bosˆonica ´e a`s vezes mais adequada para a compreens˜ao do sistema f´ısico e em alguns casos, at´e permitindo uma solu¸ca˜o exata, como veremos. No Capitulo 3, veremos os conceito b´asicos da teoria do l´ıquido de Fermi que foi desenvolvido por Landau entre 1957-1959. A conclus˜ao b´asica ´e que um g´as de part´ıculas que interagem ente si pode ser descrito por um sistema de ”quasipart´ıculas”sem intera¸c˜ao..
(16) 1.3 Descri¸c˜ao dos Cap´ıtulos. 4. No quarto Cap´ıtulo, abordamos aspectos gerais sobre cupratos supercondutores e as quasipart´ıculas nodais e antinodais cujo melhor entendimento da dinˆamica pode nos ajudar a entender, o ainda desconhecido mecanismo de forma¸c˜ao dos pares de Cooper, nesses supercondutores de alta temperatura. Os cupratos supercondutores possuem algumas caracter´ısticas de um modelo unidimensional. Por exemplo, as velocidades de Fermi no ”hot spots” de sua superf´ıcie de Fermi comporta-se com se fossem unidimensionais. Finalmente no Capitulo 5, vamos discutir o assunto desta tese, considerando f´ermions livres sem spin na presen¸ca de um condensado de pares de quasipart´ıculas, em um g´as de el´etron em 1D. A proposta do cap´ıtulo 5 ´e analisar como um termo de intera¸c˜ao do tipo BCS afeta diretamente as propriedades de uma u ´nica part´ıcula, na hamiltoniano de Tomonaga-Luttinger, com dois tipos de quasipart´ıculas, no espa¸co 1D. Vamos usar o m´etodo de bosoniza¸ca˜o e fatores de forma para fazer essa an´alise. Reservamos para o Capitulo 6, as conclus˜oes finais desta tese. Os Apˆendices A, B e C usaremos para demonstrar com mais detalhes alguns dos c´alculos do Capitulo 5. Em cada cap´ıtulo, tentamos motivar e apoiar o modelo de Tomonaga-Luttinger como referˆencia b´asica para o estado normal dos cupratos supercondutores. Esse ´e o objetivo inicial deste trabalho, apresentando nossas solu¸c˜oes para esses materiais como uma tentativa de chegar a previs˜oes quantitativas sobre esses supercondutores. Infelizmente, a complexidade dos cupratos requer c´alculos mais detalhados que est˜ao fora do escopo deste trabalho. No entanto, acreditamos que a solu¸ca˜o do modelo apresentado aqui ´e um bom ponto de partida na tentativa de descrever com precis˜ao esses materiais..
(17) Cap´ıtulo 2 Bosoniza¸ c˜ ao e o L´ıquido de Luttinger. 2.1. Introdu¸c˜ ao. A observa¸ca˜o crucial que as excita¸c˜oes de baixa energia em um metal unidimensional podem ser descritos em termos de f´ermions de Dirac sem massa em 1+1 dimens˜oes foi feita por Tomonaga [13]. Essa foi uma ideia que, mais tarde, produziu muitas outras ramifica¸c˜oes. Uma das mais importantes foi feita por Luttinger [14] que propˆos um modelo, hoje chamado modelo de Luttinger, incorporando parcialmente as aproxima¸co˜es feitas por Tomonaga. As excita¸co˜es do sistema s˜ao descritas em termos de dois tipos de f´ermions com rela¸c˜ao de dispers˜ao linear, em um mar de Dirac cujo estados com energias negativas est˜ao todos preenchidos. Luttinger conjecturou que seu modelo era exatamente sol´ uvel, mas essa solu¸ca˜o s´o foi encontrada mais tarde por Mattis e Lieb. A solu¸ca˜o do modelo Luttinger [19] ´e baseada 5.
(18) 2.2 Conceitos sobre Bosoniza¸ca˜o. 6. no fato de que os operadores de densidade satisfazem uma rela¸ca˜o comuta¸ca˜o anˆomala, um ponto crucial que n˜ao foi levado em conta por Luttinger. Pode se mostrar que, o termo de intera¸ca˜o qu´artica entre os f´ermions no hamiltoniano desse modelo ´e poss´ıvel ser mapeado em um termo quadr´atico de b´osons. Veremos esse fato na se¸c˜ao 2.4. Isto permite a determina¸c˜ao de todas as fun¸c˜oes de correla¸ca˜o e de v´arias outras grandezas f´ısicas tamb´em. Verificou-se tamb´em que a intera¸ca˜o altera radicalmente o comportamento f´ısico das part´ıculas em um l´ıquido de Luttinger. O n´ umero de ocupa¸c˜ao, que tem uma descontinuidade na ausˆencia de intera¸ca˜o, torna-se cont´ınuo nos pontos de Fermi.. 2.2. Conceitos sobre Bosoniza¸ c˜ ao Para teorias de campo unidimensionais que descrevem intera¸ca˜o entre el´etrons, a. t´ecnica de bosoniza¸ca˜o ´e geralmente um ´otimo ponto de partida. Fazendo uso dessa t´ecnica vamos introduzir a nota¸ca˜o usada para grande parte desta tese. A ideia b´asica da bosoniza¸ca˜o ´e a de que existem certas quantidades, por exemplo, as fun¸c˜oes de correla¸ca˜o que podem ser calculadas em modelos tanto fermiˆonicos ou bosˆonicos e ambos d˜ao o mesma resultado [20], [24]. Isso ´e muito u ´til pois, uma determinada quantidade pode ser muito dif´ıcil de se calcular em uma vers˜ao fermiˆonica e pode ser mais facilmente calcul´avel na sua vers˜ao bosˆonica ou vice versa. A bosoniza¸c˜ao funciona melhor em 1 + 1 dimens˜oes do espa¸co-tempo, embora tenha havido algumas tentativas para a estendˆe-la `a dimens˜oes mais elevadas [21]. Em sistemas unidimensionais, a superf´ıcie de Fermi reduz-se simplesmente a dois.
(19) 2.2 Conceitos sobre Bosoniza¸ca˜o. 7. Figura 2.1: Uma excita¸ca˜o part´ıcula buraco na vizinhan¸ca de k = kF . pontos ±kF . As excita¸co˜es de baixa energia acima do estado fundamental consistem em se tirar um el´etron perto de um destes pontos, para excit´a-lo para um estado n˜ao ocupado `a direita de kF ou a` esquerda de −kF , deixando assim um buraco no estado k abandonado (ver figura 2.1). A transferˆencia de momento ´e q = ke − kh e a energia de excita¸c˜ao ´e = Ee − Eh . Como podemos ver na figura 2.2, as excita¸co˜es de baixa energia s˜ao estados coerentes de el´etrons e de buracos, e por isso essas excita¸co˜es podem ser consideradas com um u ´nico estado bosˆonico. Embora os dois sistemas da figura 2.2 sejam diferente para grandes diferen¸cas de momentos, eles s˜ao bem parecidos entre si em baixas energias de excita¸ca˜o. Note que falar-se em um espectro linear ´e, simplesmente, equivalente a falar-se em densidades de estado constantes, que ´e uma aproxima¸ca˜o muito comum tratando-se de f´ermions em 1D. Em duas ou trˆes dimens˜oes, existe uma gama de transferˆencias de momentos q’s (ver figura 2.3), com isso ´e preciso considerar ainda, as excita¸c˜oes de part´ıculas e de buracos de maneira independentes o que dificulta em muito a an´alise do espectro de excita¸co˜es..
(20) 2.2 Conceitos sobre Bosoniza¸ca˜o. 8. Figura 2.2: Excita¸c˜oes part´ıcula-buraco em um sistema de el´etrons em 1D. Devido a` superf´ıcie de Fermi ser constitu´ıda simplesmente de dois-pontos, o espectro das excita¸co˜es de baixa energia colapsa em uma linha estreita. A largura est´a relacionada com a curvatura do espectro nos pontos de Fermi, essa curvatura torna-se praticamente nula para q pequeno e podemos com isso assumir que o espectro varia linearmente com o momento na vizinhan¸ca de q = 0 e q = 2kF [22]. Figura 2.3: Excita¸co˜es part´ıcula buraco em um sistema de el´etrons em 2 dimens˜oes. k ´e o momento em qualquer dire¸c˜ao. Existe um cont´ınuo de excita¸c˜oes part´ıcula buraco de baixa energia [22]..
(21) 2.3 B´osons Livres e El´etrons Livres. 9. H´a uma s´erie de bons trabalhos sobre a t´ecnica de bosoniza¸ca˜o em uma dimens˜ao, (e.g. Tsvelik, Nersesyan Gogolin [24]) ou Emery [17]. Outra revis˜ao muito boa e bastante ampla ´e feita por Von Delft e Schoeller [18]. Mas aqui neste trabalho vamos seguir de perto a nota¸ca˜o de Senechal [22], que utiliza uma formula¸c˜ao mais pr´oxima da teoria de campos.. 2.3. B´ osons Livres e El´ etrons Livres. Vamos mostrar aqui a equivalˆencia entre um modelo bosˆonico e um modelo fermioˆnico em uma dimens˜ao. Consideremos primeiro as propriedades relevantes do modelo gaussiano bosˆonico definido pela a¸ca˜o. 1 S= 2. Z. . 1 2 2 dτ dx (∂τ ϕ) + v(∂x ϕ) , v. (2.1). onde τ = it ´e o tempo imagin´ario, v ´e a velocidade e ϕ ´e um campo escalar bosˆonico. A correspondente densidade de hamiltoniano ´e dada por. 1 H = vF Π2ϕ + (∂x ϕ)2 . 2. (2.2). Part´ıculas bosˆonicas em 1D podem ser separadas em; part´ıculas que se movem `a direita do ramo (+) e part´ıculas que se movem a` esquerda do ramo (-). Podemos tamb´em separar o campo bosˆonico ϕ em componentes `a esquerda e a` direita. Primeiro, vamos.
(22) 2.3 B´osons Livres e El´etrons Livres. 10. definir as vari´aveis complexas z e z¯ como. z = vτ − ix,. z¯ = vτ + ix. (2.3). e assim segue-se que. ∂τ = v(∂z + ∂z¯), ∂τ = −i(∂z − ∂z¯).. (2.4). O campo bosˆonico pode ser decomposto na forma. ϕ(z, z¯) = φ+ (z) + φ− (¯ z ),. (2.5). Com isso o propagador de 1-part´ıcula se fatoriza em duas partes independentes, representando part´ıculas que se movem a` esquerda e part´ıculas que se movem a` direita, que s˜ao fun¸co˜es de z¯ e z respectivamente, ou seja, s˜ao fun¸co˜es holom´orficas, ou antiholom´orficas. Vamos ent˜ao definir o campo dual a ϕ como. ϑ(z, z¯) = φ+ (z) − φ− (¯ z ),. (2.6). e desse modo chegamos nas equa¸c˜oes de Cauchy-Riemann. ∂z ϕ = ∂z ϑ ∂z¯ϕ = −∂z¯ϑ.. (2.7).
(23) 2.3 B´osons Livres e El´etrons Livres. 11. Em outras palavras, temos que. i∂x ϑ = ∂τ ϕ.. (2.8). A rela¸ca˜o de comuta¸c˜ao entre o campo ϕ e o campo dual ϑ no mesmo instante de tempo t ´e [ϕ(x), ϑ(x0 )] = −iΘ(x − x0 ),. (2.9). onde Θ ´e a fun¸c˜ao degrau de Heaviside. Esse resultado estabelece a rela¸c˜ao de n˜ao localidade entre os campos ϕ e ϑ. E, por isso ´e natural definimos o momento conjugado Π(x, τ ) ao campo ϕ como Π(x.τ ) = −∂x ϑ,. (2.10). e que, por sua vez, satisfaz a rela¸ca˜o de comuta¸c˜ao. [ϕ(x), Π(x0 )] = iδ(x − x0 ).. (2.11). Agora, podemos considerar as fun¸c˜oes de correla¸c˜oes para os operadores de v´ertices eiβψ− (¯z) e eiβψ+ (z) de maneira independente. Essa fatora¸ca˜o simplifica bastante os c´alculos e faremos uso dela v´arias vezes ao longo desta tese. A fim de eliminar as divergˆencias ou infinitos da teoria, devemos considerar o ordenamento normal dos operadores de v´ertices eiβφ(x) . No ordenamento normal de produtos de operadores : ABCDE... :, os operadores de destrui¸ca˜o (com respeito a um dado v´acuo) s˜ao colocados a` direita e os operadores de cria¸c˜ao a` esquerda. Para dois operadores A e B que podem ser.
(24) 2.3 B´osons Livres e El´etrons Livres. 12. uma combina¸ca˜o linear de operadores de cria¸ca˜o e destrui¸c˜ao, ´e f´acil checarmos que, o ordenamento normal dos operadores ´e equivalente a subtrairmos o produto desses operadores do seu valor m´edio no estado fundamental [23]. O ordenamento normal significa na pr´atica que, para multiplicarmos dois operadores um pelo outro, podemos usar a f´ormula abaixo [22]. 0. 0. 0. eiαφ(z) eiβφ(z ) = eiαφ(z)+iβφ(z ) e−αβhφ(z)φ(z )i ,. (2.12). onde hφ(z)φ(z 0 )i ´e o valor esperado desse produto de operadores no estado fundamental. Essa equa¸ca˜o pode ser deduzida a partir da f´ormula Baker-Campell-Hausdorff. A demonstra¸c˜ao pode ser encontrada na ref. [22]. Essa f´ormula ´e de grande importˆancia e simplifica bastante v´arios c´alculos. A fun¸ca˜o de Green de uma part´ıcula isolada, em T = 0, pode ser derivada da seguinte maneira. A a¸ca˜o 2.1 escrita em termos de z e z¯ torna-se. Z. d2 z∂z ϕ(z, z¯)∂z¯ϕ(z, z¯) Z −1 d2 zϕ(z, z¯)(∂z ∂z¯ + ∂z¯∂z )ϕ(z, z¯), = 2. S =. (2.13). A equa¸ca˜o de movimento ´e. (∂z ∂z¯ + ∂z¯∂z )G(z, z¯, z 0 z¯0 ) = −δ 2 (z − z 0 , z¯ − z¯0 ).. (2.14). Essa equa¸c˜ao pode ser resolvida facilmente se usarmos a representa¸c˜ao da fun¸ca˜o delta.
(25) 2.3 B´osons Livres e El´etrons Livres. 13. em coordenadas complexas. −. 1 1 (∂z ∂z¯ + ∂z¯∂z ) ln |z − z 0 |2 = − (∂z ∂z¯ + ∂z¯∂z )(ln |z − z 0 | + ln |¯ z − z¯0 |) 4π 4π 1 1 1 = − ∂z + ∂z¯ 4π z¯ − z¯0 z − z0 = δ 2 (z − z 0 , z¯ − z¯0 ).. (2.15). Comparando 2.14 com 2.15, n´os conclu´ımos que. G(z, z¯, z 0 , z¯0 ) = hϕ(z, z¯)ϕ(¯ z , z¯0 )i = −. 1 1 ln(z − z 0 ) − ln(¯ z − z¯0 ) + const. 4π 4π. (2.16). Dessa maneira, podemos facilmente ver, que, na verdade, teremos duas fun¸c˜oes de Green associadas a esse sistema: uma fun¸c˜ao G+ que corresponde a propaga¸ca˜o de el´etrons situados no ramo (+) e outra fun¸ca˜o G− correspondente aos el´etrons situados no ramo (-). Portanto, temos. 1 ln(z − z 0 ), 4π 1 hφ− (¯ z )φ− (¯ z 0 )i = − ln(¯ z − z¯0 ). 4π hφ+ (z)φ+ (z 0 )i = −. (2.17). Vamos agora para o modelo fermiˆonico. Considere um hamiltoniano continuo de el´etrons sem intera¸ca˜o em uma dimens˜ao. Podemos linearizar o espectro de uma part´ıcula com indicado na figura 2.2 pr´oximo ao dois pontos de Fermi ±kF . Note que, as excita¸co˜es de part´ıcula buraco s˜ao agora dadas, por exemplo, para part´ıculas que se.
(26) 2.3 B´osons Livres e El´etrons Livres. 14. movem para `a direita no ramo (+), por. E+,k (q) = vF (k + q) − vF k = vF q.. (2.18). Vemos com isso que as excita¸co˜es de part´ıcula buraco s˜ao totalmente independentes de k. Essas excita¸co˜es tˆem um momento q e energia E = vF q bem definidos. O hamiltoniano pr´oximo aos dois pontos de Fermi pode ser escrito ent˜ao na forma. † † H = −vF (−iψ+ (x)∂x ψ+ (x) + iψ− (x)∂x ψ− (x)). (2.19). onde ψ− e operador de f´ermions que se movem `a esquerda e ψ+ o operador de f´ermions que se movem `a direita e vF ´e a velocidade de Fermi. O operador de aniquila¸ca˜o de el´etrons pode ser expandido em termos de ψ− e ψ+ como. ψ ' ψ+ (x)eikF x + ψ− (x)e−ikF x .. (2.20). As rela¸co˜es de anticomuta¸ca˜o entres esses campos s˜ao. {ψ+ (x), ψ+ (x0 )† } = δ(x − x0 ), † {ψ− (x), ψ− (x0 )} = δ(x − x0 ), † {ψ+ (x), ψ− (x0 )} = 0.. (2.21).
(27) 2.3 B´osons Livres e El´etrons Livres. 15. A transformada de Fourier dos operadores ψ− e ψ+ ´e dada por. Z. +∞. ψ± (k) = −∞. dx ikx e ψ± (x). 2π. (2.22). O anticomutador dos operadores fermiˆonicos no espa¸co de momento ´e ent˜ao. † {ψ± (k), ψ± (k 0 )} = 2πδ(k − k 0 ). (2.23). O propagador fermiˆonico pode ser calculado prontamente resolvendo as equa¸c˜oes de movimento,. ∂z¯hψ+ (z)ψ+ (z 0 )i = δ(z − z 0 ), ∂z hψ− (¯ z )ψ− (¯ z 0 )i = δ(¯ z − z¯0 ),. (2.24). Assim, temos que. † hψ+ (z)ψ+ (z 0 )i =. 1 1 , 2π z − z 0. (2.25). † hψ− (¯ z )ψ− (¯ z 0 )i =. 1 1 . 2π z¯ − z¯0. (2.26). Assim a bosoniza¸ca˜o mostra um resultado equivalente entre os dois modelos se identi-.
(28) 2.3 B´osons Livres e El´etrons Livres. 16. ficarmos os operadores fermiˆonicos com. ψ(+) (z) = A exp −2λφ(+) (z) , ψ(−) (¯ z ) = A exp +2λφ(+) (¯ z) ,. (2.27). onde A e λ s˜ao constantes a serem determinadas. Para determinarmos as constantes A e λ, procedemos da seguinte maneira. Usando a equa¸c˜ao 2.12, temos. 0. hψ+ (z)ψ+ (z 0 )† i = A2 he−2λ(φ(z)−φ(z )) i(z − z 0 )−λ = A2 (z − z 0 )−λ. 2 /π. 2 /π. .. (2.28). Note que, o valor esperado do ordenamento normal de operadores. 0. he−iαφ(z)−iβφ(z )) i,. (2.29). somente ´e diferente de zero se α+β = 0 que ´e conhecida como condi¸ca˜o de neutralidade [22]. Comparando este resultado com a equa¸ca˜o 2.24, segue-se que devemos ter A = eλ=. √. √1 2π. π. Ent˜ao a equivalˆencia entre os dois modelos se o operador (2.25) ´e dado por. √ 1 ψ(+) (z) = √ exp − 4πφ(+) (z) , 2π √ 1 ψ(−) (¯ z ) = √ exp +2 4πφ(+) (¯ z) , 2π. (2.30).
(29) 2.3 B´osons Livres e El´etrons Livres. 17. N´os tamb´em definimos as correntes quirais como. † J+ = ψ+ ψ+ ,. (2.31). † J − = ψ− ψ− .. (2.32). A bosoniza¸ca˜o dessas correntes requer um pouco de cuidado, pois podemos ter divergˆencias. Para evitar essas divergˆencias podemos usar a equa¸ca˜o 2.12, junto com a t´ecnica de ”point splitting” como veremos a seguir. A densidade de corrente pode ser escrita como J = lim−→0 ψ † (z)ψ(z+) e utilizando a f´ormula acima, pode se derivar a forma bosonizada dos operadores de corrente como:. i J+ = √ ∂z φ+ , π. (2.33). −i J− = √ ∂z¯φ− . π. (2.34). Podemos provar as equa¸c˜oes acima usando a t´ecnica de expans˜ao do produto de operadores ou ”point splitting”, por defini¸c˜ao, a expans˜ao de produtos de operadores, por exemplo, para o ramo +, a corrente J+ = ψ+ (z)† ψ+ (z), ´e dada por. h D Ei † † † ψ(+) (z) ψ(+) (z) = lim ψ(+) (z + ) ψ(+) (z) − ψ(+) (z + ) ψ(+) (z) . →0. (2.35).
(30) 2.4 Bosoniza¸ca˜o do L´ıquido de Luttinger. 18. Usando a equa¸ca˜o (2.18), temos que. J+ = = = =. √ √ 1 1 i 4πφ+ (z+)−i 4πφ+ (z) −4πhφ+ (z+)φ+ (z)i lim e e − 2π →0 √ 1 1 1 lim ei 4π(φ+ (z+)−φ+ (z)) − 2π →0 1 i√4π∂z (φ+ (z)) 1 1 lim e − 2π →0 i √ ∂z φ+ (z) . π. (2.36). No u ´ltimo passo usamos uma expans˜ao de Taylor. Uma f´ormula semelhante para a corrente J− pode ser obtida seguindo-se o mesmo procedimento. Assim,. i J+ = √ ∂z φ+ (z) , π −i J− = √ ∂z¯φ− (¯ z ). π. 2.4. (2.37). Bosoniza¸c˜ ao do L´ıquido de Luttinger. Vamos usar agora as identidades de bosoniza¸c˜ao para, justamente, derivarmos a forma bosonizada do modelo do l´ıquido de Tomonaga-Luttinger. Como vimos, um sistema de f´ermions livres ´e equivalente a um sistema de b´osons livre com a mesma velocidade vF . A densidade de hamiltoniano H para el´etrons livre sem spin ´e dado por. 1 H0 = vF Π2 + (∂x ϕ)2 , 2. (2.38).
(31) 2.4 Bosoniza¸ca˜o do L´ıquido de Luttinger. 19. Figura 2.4: Intera¸c˜oes consideradas no modelo de Tomonaga-Luttinger. A linha cheia representa f´ermions com momento pr´oximo a +kF (f´ermions que se propagam para a direita) e a linha pontilhada representa f´ermions com momento pr´oximo a −kF (f´ermions que se propagam para a esquerda). A nota¸c˜ao g para denotar as diferentes intera¸c˜oes ´e conhecida como g-ologia que, em termos do campo ϕ e do campo dual ϑ, tem a forma sim´etrica. 1 H0 = vF (∂x ϑ)2 + (∂x ϕ)2 . 2. (2.39). Por sua vez, a densidade de hamiltoniano das intera¸c˜oes pode ser escrita na forma. Hint = 2g2 J+ (z)J− (¯ z ) + g4 J+2 (z) + J−2 (¯ z) .. (2.40). O processo g4 , ver figura 2.4 (a)-(b), ´e o acoplamento de f´ermions que se situam no mesmo ramo de um dos pontos de Fermi. g2 ´e o acoplamento de f´ermions que se situam em ramos diferentes desses pontos de Fermi. Entretanto, mesmo sobre o efeito dessas intera¸c˜oes, cada f´ermion permanece no seu pr´oprio ramo da superf´ıcie de Fermi. Essas intera¸c˜oes de baixa transferˆencia de momento e energia est˜ao associadas aos processos de espalhamento frontal da figura 2.4 (c)..
(32) 2.4 Bosoniza¸ca˜o do L´ıquido de Luttinger. 20. As densidades de part´ıculas que se movem a` direita e a` esquerda dentro do mapa de bosoniza¸c˜ao podem ser escritas como. i √ (∂x ϕ − Π) 2 π 1 ≡ √ ∂x (ϕ − ϑ), 2 π. J+ (z) =. (2.41). e. −i √ (∂x ϕ + Π) 2 π 1 ≡ √ ∂x (ϕ + ϑ). 2 π. J− (¯ z) =. (2.42). Em termos dessas duas densidades de carga Hint ´e dada por. Hint = g4 (J+2 + J−2 ) + 2g2 J+ J− .. (2.43). Aqui, o termo de intera¸ca˜o de espalhamento frontal associado a contribui¸ca˜o de g4 ´e. g4 (J+2 + J−2 ) =. g4 2 (Π + (∂x ϕ)2 ). 2π. (2.44). Similarmente, a contribui¸ca˜o g2 para a densidade de hamiltoniano de intera¸c˜ao pode ser escrito na forma. 2g2 J+ J− =. g4 ((∂x ϕ)2 − Π2 ). 2π. (2.45).
(33) 2.4 Bosoniza¸ca˜o do L´ıquido de Luttinger. 21. Assim, vemos que a densidade de hamiltoniano do modelo de Tomonaga-Luttinger pode ser representado por uma teoria bosˆonica efetiva que incluem os efeitos de intera¸c˜oes. O efeito resultante pode ser absolvido em dois novos parˆametros. Vamos diagonalizar este Hamiltoniano por meio de uma transforma¸ca˜o de Bogoliubov:. J+ = cosh λJ˜+ + sinh λJ˜− J− = sinh λJ˜+ + cosh λJ˜− ,. (2.46). com. tanh 2λ = −. g2 . πvF + g4. (2.47). Logo, podemos reescrever o hamiltoniano de TL na forma bosˆonica. 1 = v 2. HT L. . 1 2 2 Π + K(∂x ϕ) , K. (2.48). onde v e K s˜ao dados por s. e. 2. −. g2 π. v u g u vF + 4 + u π K=t g4 vF + − π. g2 π g2 . π. v=. g4 vF + π. 2 ,. (2.49). (2.50). O parˆametro K ´e conhecido como parˆametro de Luttinger e v ´e a chamada velo-.
(34) 2.4 Bosoniza¸ca˜o do L´ıquido de Luttinger. 22. cidade de Fermi efetiva. Portanto, vemos que o modelo de Tomonaga-Luttinger que descreve as densidades de flutua¸c˜oes para f´ermions que interagem em uma dimens˜ao, ´e efetivamente equivalente a uma teoria de b´osons livres. Tamb´em vemos imediatamente dois efeitos: para g2 = 0, o u ´nico efeito do termo de intera¸ca˜o do espalhamento frontal, parametrizado pela constante de acoplamento g4 ´e renormalizar a velocidade de Fermi, se incluirmos os efeitos de spin, g4 est´a associado tamb´em a separa¸ca˜o de spin-carga; j´a a o termo de intera¸c˜ao de espalhamento frontal associado a g2 altera o peso relativo dos termos ∂x φ e ∂x ϑ no hamiltoniano. Podemos notar que, de maneira bastante geral, se K < 1, ou seja, g2 /πvF > 0 a intera¸ca˜o ´e repulsiva e se K > 1, (g2 /πvF < 0) a intera¸c˜ao ´e atrativa. Finalmente para K = 1, g2 = g4 = 0, o l´ıquido de Luttinger torna-se um g´as de eletron livres. N´os podemos sintetizar nossas representa¸c˜oes de operadores em um ”dicion´ario” que mapeia f´ermions em b´osons e vice-versa (ver figura 2.5).. Representa¸ca˜o Fermiˆonica. Representa¸ca˜o Bosˆonica. Densidade de Hamiltoniano. † † [ψ+ ∂z ψ+ + ψ− ∂z¯ψ− ]. F´ermions ramo +. † ψ+ (z), ψ+ (z). √ √1 e−i 4πφ+ (z) 2π. F´ermons ramo -. † ψ− (¯ z ), ψ− (¯ z). √ z) √1 e+i 4πφ− (¯ 2π. Corrente ramo+. † J+ = ψ+ ψ+. √i ∂z φ+ π. Corrente ramo-. † J− = ψ− ψ−. −i √ ∂φ π z¯ −. 1 1 [ (∂τ ϕ)2 2 v. + v(∂x ϕ)2 ]. † Anticomutador/comutador (+) {ψ+ (z), ψ+ (z 0 )} = δ(z − z 0 ) [φ+ (z), φ†+ (z 0 )] = δ(z − z 0 ). Anticomutador/comutador (-). † {ψ− (¯ z ), ψ− (¯ z 0 )} = δ(¯ z − z¯0 ) [φ− (¯ z ), φ†− (¯ z 0 )] = δ(¯ z − z¯0 ). Figura 2.5 Dicion´ario.
(35) 2.5 Fun¸c˜oes de Correla¸ca˜o. 2.5. 23. Fun¸c˜ oes de Correla¸ c˜ ao. O campo fermiˆonico associado ao hamiltoniano 2.45, ψ torna-se uma mistura de campos que se movem `a direita e `a esquerda, ou seja,. √ 1 ψ± (x, τ ) = √ e∓i 4πφ± 2π √ √ 1 = √ e∓i 4π cosh λφ± e−i 4π sinh λφ± . 2π. (2.51). A fun¸c˜ao de correla¸ca˜o para f´ermions do ramo (+) ´e ent˜ao. 1 −i√2π cosh λφ(x,τ )−i√2π sinh λφ(x,τ ) +i√2π cosh λφ(0,0)+i√2π sinh λφ(0,0) he e i 2π 1 1 1 = 1 2 2π (vτ − ix) 2 cosh λ (vτ + ix) 12 sinh2 λ 1 1 1 = (2.52) 2 . (K+1)2 2π (vτ − ix) 4K (vτ + ix) (K−1) 4K. hψ(x, τ )ψ † (0, 0)i =. O n´ umero de ocupa¸ca˜o de momentos, n+ (k), ´e obtida atrav´es da transformada de Fourier da equa¸ca˜o 2.50 e se comporta como a seguinte lei de potˆencia nas proximidades da superf´ıcie de Fermi (±kF ):. Z n+ (k) − n+ (kF ) =. e−i(k−kF )x hψ(x)ψ † (0)i. ∼ sinal(k − kF )|k − kF |A. (2.53).
(36) 2.5 Fun¸c˜oes de Correla¸ca˜o. 24. Figura 2.5: A fun¸ca˜o n´ umero de ocupa¸c˜ao de momentos n+ (k) tem uma n˜aoanaliticidade em vez da habitual descontinuidade do l´ıquido de Fermi em k = kF . onde. (K + 1)2 (K − 1)2 + −1 4K 4K (K − 1)2 = > 0. 2K. A =. (2.54). O resultado cima ´e muito relevante, pois mostra que o comportamento do l´ıquido de Luttinger nas proximidades de kF ´e completamente distinto do comportamento de um l´ıquido de Fermi (ver cap´ıtulo 3). Como mostrado na figura 2.5, n+ (k) n˜ao apresenta nenhuma descontinuidade em k = kF , o que confirma a inexistˆencia de excita¸co˜es do tipo quasipart´ıcula em sistema unidimensionais. Entretanto, ∂k n+ (k) |k=kF −→ ∞ e isso garante a natureza met´alica do l´ıquido de Luttinger. Em contraste se ∂k n+ (k) |k=kF < 0 o sistema ´e um isolante e n˜ao h´a mais nenhum resqu´ıcio da superficie de Fermi. Outra grandeza importante que pode ser obtida atrav´es da fun¸ca˜o de Green ´e a.
(37) 2.5 Fun¸c˜oes de Correla¸ca˜o. 25. Figura 2.6: Fun¸c˜ao espectral A(k, ω) para k − kF ∼ 0 [35]. 1 fun¸c˜ao espectral. A(k, ω) = − ImG(k, ω). Para k = kF ´e poss´ıvel demonstrar o π seguinte comportamento da fun¸ca˜o espectral (considerando f´ermions sem spin) [35], [36],. A(k, ω) ∼ (k − kF )A [ω − v(k − kF )]1−A. (2.55). A caracter´ıstica interessante da fun¸c˜ao espectral mostrada acima ´e a inexistˆencia de um polo simples em ω ∼ 0. Este comportamento tamb´em ´e completamente diferente do observado em l´ıquidos de Fermi, onde existem picos bem definidos indicando a existˆencia de quasipart´ıculas (ver fig. 4.2). A fig. 2.7 ilustra o comportamento da fun¸c˜ao espectral para o caso em que k − kF ∼ 0..
(38) 2.6 O Modelo de sine-Gordon. 2.6. 26. O Modelo de sine-Gordon. O modelo de sine-Gordon ´e um modelo onipresente em f´ısica matem´atica com uma vasta gama de aplica¸c˜oes em 1+1. Esse modelo ´e basicamente um modelo de um s´oliton descrito por campo escalar φ(x), e seu lagrangiano ´e. m2 1 LSG = (∂µ φ)2 + 20 cos(βφ) 2 β. (2.56). Do ponto de vista matem´atico o lagrangiano acima representa um modelo de teoria de campos relativistico no espa¸co-tempo de dimens˜ao 1+1. O modelo de sine-Gordon ´e integr´avel e tem um n´ umero infinito de leis conservadas. As suas fun¸co˜es de correla¸ca˜o tamb´em s˜ao bem conhecidas (para uma revis˜ao completa ver [20]). Aqui, nos limitamos a indicar simplesmente as propriedades b´asicas do modelo. As propriedades do modelo de sine-Gordon dependem muito fortemente do parˆametro β. Se β 2 > 8π, pode-se mostrar o termo cosseno ´e suprimido por t˜ao rapidamente flutua¸c˜oes que ele se torna irrelevante em compara¸ca˜o com o termo gradiente. O sistema, neste caso, ´e descrito por um lagrangiano livre. Por outro lado, se β 2 < 8π, o termo cosseno cresce em rela¸ca˜o ao termo de gradiente e o modelo ent˜ao adquire um ”gap” de energia. No cap´ıtulo 5 vamos mostrar que o termo de cosseno no modelo de sine-Gordon pode ser gerado por um termo de intera¸ca˜o do tipo BCS no modelo de Tomonaga-Luttinger. Muitos dos modelos n˜ao-lineares possuem como solu¸ca˜o ondas solit´arias, ou s´olitons que se propagam em um meio sem alterar sua forma ou velocidade. A colis˜ao entre dois s´olitons ´e um fenˆomeno muito interessante, quando os, dois s´olitons est˜ao localizados.
(39) 2.6 O Modelo de sine-Gordon. 27. Figura 2.7: Colis˜ao entre dois s´olitons mutuamente distantes, cada um deles ´e aproximadamente um pacote de onda localizado e se deslocando com forma e velocidade constante. A medida que essas ondas solit´arias se aproximam, eles gradualmente se deformam e, finalmente, se fundem em um u ´nico pacote de ondas; este pacote de ondas, no entanto, logo se divide em duas outras ondas solit´arias com a mesma forma e velocidade de antes da ”colis˜ao”, como podemos ver na figura 2.7. Como foi demonstrado por Sidney Coleman [26] o modelo de sine-Gordon ´e equivalente ao modelo de Thirring massivo descrito pelo lagrangiano. ¯ µ ∂µ − M )ψ − 1 g(ψγ ¯ µ ψ)2 . LM T M = ψ(iγ 2. (2.57).
(40) 2.7 Teorema de Hohenberg-Mermin-Wagner. 28. onde g ´e uma constante de acoplamento para o modelo de Thirring e M a massa associada ao campo ψ. A rela¸ca˜o precisa entre as constantes de acoplamento foi encontrado por Coleman [26] no cen´ario de teoria de perturba¸ca˜o,. β2 π . = 2 8π − β π + 2g. (2.58). No modelo de Thirring os f´ermions, assim como no modelo de sine-Gordon, podem ser representados por excita¸co˜es de s´olitons. O modelo Thirring se torna n˜aointeragente no ponto especial g = 0 (β = Luther-Emery. Para β >. √ 4π) que ´e conhecido como o ponto de. √ 4π as excita¸c˜oes de energia ainda s˜ao s´olitons (estados. espalhados), no entanto, para β <. √. 4π temos estados ligados de s´olitons e antis´olitons. conhecidos como ”breathers”.. 2.7. Teorema de Hohenberg-Mermin-Wagner. A ausˆencia de quebra espontˆanea de simetria em sistemas com dimens˜ao espacial D 5 2 foi rigorosamente provado por Sidney Coleman ( 1973 ), em uma teoria quˆantica de campos relativ´ıstico e por David Mermin , Herbert Wagner e Pierre Hohenberg em f´ısica estat´ıstica para sistemas n˜ao-relativ´ısticos. O teorema pode ser enunciado da seguinte maneira: em uma ou em duas dimens˜oes, n˜ao pode haver quebra espontˆanea de simetria cont´ınua em nenhuma temperatura finita para um sistema interagente. Como consequˆencia desse teorema, temos que esses mesmos sistemas n˜ao podem apresentar um ordenamento propriamente dito de longo alcance em temperaturas fini-.
(41) 2.7 Teorema de Hohenberg-Mermin-Wagner. 29. tas. Dessa maneira, eles podem apresentar basicamente dois tipos de ordenamento: A primeira possibilidade consiste em um ordenamento do tipo quase-longo alcance. Esse tipo de ordenamento se caracteriza pelo fato das fun¸co˜es de correla¸c˜oes entre dois pontos no sistema deca´ırem lentamente em termos de uma lei de potˆencia com o aumento da separa¸ca˜o entre os dois pontos com isso a simetria ´e ”quase” quebrada espontaneamente [27]. Por´em, ainda assim essa correla¸c˜ao ´e zero no infinto, ao contrario do caso de ordenamento longo alcance em trˆes dimens˜oes onde essa mesma quantidade n˜ao se anula por´em nesse limite. Uma outra possibilidade consiste no fato do sistema apresentar um ordenamento de curto alcance. Esse tipo de ordenamento ´e tamb´em caracterizado por uma lei de potˆencia da fun¸ca˜o de correla¸ca˜o associada ao sistema..
(42) Cap´ıtulo 3 Liquido de Fermi-Landau. 3.1. Introdu¸c˜ ao. O modelo proposto por Drude e Sommerfeld [32] foi empregado com sucesso para descrever de maneira qualitativa as propriedades eletrˆonicas de um metal. Esse modelo ´e baseado na aproxima¸ca˜o de el´etrons independentes (despreza a intera¸c˜ao coulombiana entre os el´etrons). O calor espec´ıfico, propriedades de transporte, susceptibilidade magn´etica s˜ao de certa maneira bem explicada pela teoria de banda convencional, sem a necessidade do uso do recurso explicito de efeitos de muitos corpos. Por´em existe exce¸c˜oes, os fenˆomenos coletivos como a supercondutividade, ferromagn´etico e antiferromang´etico n˜ao podem ser explicados pela teoria de el´etrons independentes. O sucesso da aproxima¸c˜ao de el´etrons independentes est´a, particularmente, relacionada a raz˜ao entre a energia Coulombiana e a energia cin´etica dos el´etrons nos metais. A medida dessa raz˜ao ´e o parˆametro de densidade de el´etrons rs , definido essencialmente como o espa¸camento m´edio entre os el´etrons, medido em unidades do raio de 30.
(43) 3.2 Energia de Excita¸ca˜o. 31. Born a0 = 5, 2917 × 10−11 m (raio da camada eletrˆonica mais pr´oxima do n´ ucleo atˆomico). Para rs 1, as intera¸c˜oes coulombianas entre os el´etrons s˜ao fracas, enquanto para rs 1 os efeitos do potencial ´e dominante em rela¸ca˜o aos efeitos cin´eticos. Outra raz˜ao qualitativa do por que a aproxima¸ca˜o de el´etrons livres funciona relativamente bem deve-se ao fato que as medidas t´ıpicas feitas em metais em temperaturas normais (T TF ∼ 105 K), onde TF ´e a temperatura de Fermi, envolvem somente excita¸co˜es de baixa energia nos metais. A compreens˜ao de sistemas de part´ıculas fortemente interagentes tem sido um dos maiores desafios da f´ısica te´orica nas u ´ltimas d´ecadas. No final dos anos 50, Landau deu uma importante contribui¸c˜ao a` este campo do conhecimento atrav´es do desenvolvimento da chamada teoria dos l´ıquidos de Fermi [30], [31], que descreve com not´orio sucesso em metais convencionais em 2 ou mais dimens˜oes. A teoria dos l´ıquidos de Fermi de Landau trata sistemas de muitos f´ermions interagentes em fraco acoplamento em regimes de baixa temperatura comparada com a temperatura de Fermi TF .. 3.2. Energia de Excita¸ c˜ ao. Na teoria do liquido de Fermi assumimos que as excita¸co˜es de baixa energia s˜ao bem definidas. O resultado ´e que o espectro de excita¸c˜ao mant´em-se qualitativamente o mesmo de um g´as de Fermi de el´etrons livres, mas as energias de uma part´ıcula sofrem uma renormaliza¸ca˜o. Considere o caso especifico de uma esfera de Fermi totalmente preenchida, com mais uma part´ıcula com momento k, com (|k| > kF ). A energia de.
(44) 3.3 Quasipart´ıculas de Landau. 32. excita¸ca˜o de um g´as ideal ´e simplesmente. k2 Ek − EF = − EF . 2m. (3.1). Em regimes de energias pr´oximas a` superf´ıcie de Fermi, podemos expandimos E(k) e obtemos uma rela¸ca˜o de dispers˜ao linear, dada por,. Ek − EF ≈. kF · (k − kF ). m. (3.2). O efeito da fraca intera¸c˜ao faz com que as excita¸co˜es de energias continuem linear, por´em o coeficiente n˜ao ´e mais |kF |/m. Podemos escrever as novas excita¸c˜oes de baixas energia da mesma forma. Ek − EF ≈. kF · (k − kF ), m∗. (3.3). onde m∗ ´e defina como sendo a massa das quasipart´ıculas renormalizada devido a presen¸ca das intera¸co˜es. Podemos notar que a teoria de Landau ´e fenomenol´ogica. A teoria tem um parˆametro, m∗ cujo valor ´e desconhecido teoricamente, mas pode ser obtida a partir de experimentos.. 3.3. Quasipart´ıculas de Landau. Landau fez as seguintes aproxima¸c˜oes para descrever um metal. Ele supˆos que mesmo na presen¸ca de fortes intera¸co˜es o espectro de excita¸co˜es permanecem regidas.
(45) 3.3 Quasipart´ıculas de Landau. 33. pela equa¸c˜ao (3.3). Essas excita¸co˜es, chamadas de quasipart´ıculas, s˜ao essencialmente f´ermions “vestidos” de uma nuvem de buracos. Essa nuvem blinda esse el´etron em quest˜ao e reduz a sua carga efetiva, i.e. e −→ Ze, com Z < 1. Os n´ umeros quˆanticos permanecem os mesmos dos f´ermions n˜ao-interagentes, por´em com propriedades dinˆamicas diferentes devido as intera¸c˜oes. Outro ponto importante destacado por Landau ´e que o tempo de vida destas quasipart´ıculas ´e finito apesar de sua grande magnitude e, portanto, elas n˜ao s˜ao autoestados exatos do sistema. Entretanto, sabemos que o tempo de vida ´e maior quanto mais pr´oximo a quasipart´ıcula se encontra em rela¸ca˜o ao n´ıvel de Fermi. Portanto, para sistemas com energias suficientemente baixas, as quasipart´ıculas s˜ao muito bem definidas. A fim de determinarmos a velocidade das quasipart´ıculas, podemos consider´a-las como um pacote de ondas localizadas. Esses pacotes de onda viajam com a velocidade de grupo vgrupo . Com base na rela¸ca˜o de dispers˜ao (3.3) a velocidade de grupo ´e. vgrupo = ∇k Ek =. kF . m∗. (3.4). Essa aproxima¸ca˜o ´e considerada suficiente, uma vez que os estados de quasipart´ıculas mais importante s˜ao aqueles imediatamente pr´oximo a superf´ıcie de Fermi T TF . Uma maneira alternativa de se ver as quasipart´ıculas ´e atrav´es das fun¸co˜es de Green de teoria de muitos corpos [33], [34]. A fun¸c˜ao de Green de uma part´ıcula, que, em geral, pode ser escrita como [50]. Gk,σ (t) = −hT ckσ (t)c†kσ (0)i.. (3.5).
(46) 3.3 Quasipart´ıculas de Landau. 34. Deve-se notar que, interpretando ω como uma vari´avel complexa, as fun¸c˜oes GR,A k,σ (ω) s˜ao fun¸c˜oes anal´ıticas de ω, exceto por polos imediatamente abaixo (fun¸c˜ao de Green retardada, quando iω −→ ω + iδ) ou imediatamente acima (Fun¸c˜ao de Green avan¸cada, quando iω −→ ω − iδ) do eixo real. A fun¸c˜ao de Green de uma part´ıcula est´a relacionada com a amplitude de probabilidade de uma part´ıcula com frequˆencia ω e vetor de onda k que se propagar no sistema. No espa¸co, a fun¸c˜ao de Green ´e definida por (ver por exemplo [50]). Z. +∞. Gk,σ (ω) =. dte−iωt Gk,σ (t).. (3.6). −∞. Uma forma mais acess´ıvel para a fun¸c˜ao de Green ´e obtida atrav´es da equa¸c˜ao de Dyson [50]. Gk,σ (ω) =. 1 ω + µ − k − Σk,σ (ω). .. (3.7). onde Σk,σ (ω) s˜ao as auto-energias. Essa fun¸ca˜o contem todas as informa¸co˜es sobre as intera¸c˜oes e ´e em geral muito dif´ıcil de ser calcular exatamente. Por´em, podemos fazer a continua¸ca˜o anal´ıtica para frequˆencias reais e separar as partes real e imagin´aria da auto-energia, escrevendo-a na forma. Σk,σ(ω) = Re[Σk,σ (ω)] − iIm[Σk,σ (ω)].. (3.8). Inserindo a equa¸c˜ao 3.6 para a auto-energia na fun¸ca˜o de Green, obtemos. Gk,σ (ω) =. 1 ω + µ − k − Re[Σk,σ (ω)] + iIm[Σk,σ (ω)]. .. (3.9).
(47) 3.3 Quasipart´ıculas de Landau. 35. Pode-se interpretar a parte imagin´aria da auto-energia com a taxa de espalhamento e, portanto, ela esta relacionada com o tempo de vida das quasipart´ıculas em um liquido de Fermi interagente. Em pr´ıncipio, a parte imagin´aria da auto-energia e finita. Assim, a fun¸ca˜o de Green ser´a retardada ou avan¸cada conforme o sinal de Im[Σk,σ (ω)] seja positivo ou negativo respectivamente. O zero da parte real do denominador da fun¸ca˜o de Green (eq.3.7), que ocorre para uma frequˆencia real ω tal que. ω + µ − k − Re[Σk,σ (ω)] = 0.. (3.10). Perto da energia de Fermi ω = 0, a parte imagin´aria torna-se pequena e, portanto, a fun¸c˜ao de Green tem um polo simples. Podemos expandir o denominar em torno de ξk = ω e com isso obter a equa¸ca˜o 3.7 na forma. Gk,σ (ω) =. Zk + ..., ω + µ − k + iηk. (3.11). onde ηk = Zk Im[Σk,σ (ω)] com ZK sendo que o fator de renormaliza¸ca˜o ´e dado por #−1
(48) ∂Σkσ (ω)
(49)
(50) , Zk = 1 − ∂ω
(51) ω=ξk. (3.12).
(52) ∂Σkσ (ω)
(53)
(54) < 0. ∂ω
(55) ω=ξk. (3.13). ". com. Portanto, a amplitude da quasipat´ıcula Zk ´e claramente menor que um (Zk < 1). Assim, a fun¸ca˜o de Green interagente n˜ao descreve uma part´ıcula real, mas um objeto.
(56) 3.3 Quasipart´ıculas de Landau. 36. Figura 3.1: Fun¸ca˜o de distribui¸c˜ao de momentos para um g´as de Fermi (a) n˜aointeragentes e (b) interagentes [23]. semelhante a uma part´ıcula que cont´em apenas uma frac¸c˜ao da part´ıcula real. Por isso chamamos a excita¸c˜ao descrita por essa fun¸ca˜o Geen de uma quasipart´ıcula e Zk o fator de renormaliza¸ca˜o da quasipart´ıcula. Existem duas caracter´ısticas b´asicas das quasipart´ıculas que podemos destacar. A primeira delas ´e a forma aproximada da sua fun¸c˜ao de Green como indicado na equa¸c˜ao (3.11), pode-se mostrar que a fun¸ca˜o de distribui¸ca˜o de momento nK em T = 0 tem um uma descontinuidade em k = kF (ver figura 3.1 (b)). Como no caso de f´ermions livres figura 3.1 (a), esta descontinuidade ´e um sinal da existˆencia de excita¸co˜es individuais, com a diferen¸ca que no caso interagente a amplitude da descontinuidade ´e menor que um. A segunda caracter´ıstica aparece na fun¸ca˜o espectral A(k; ω) definida como. 1 A(k, ω) ≡ − ImG( ω), π. (3.14).
(57) 3.3 Quasipart´ıculas de Landau. 37. Figura 3.2: Fun¸c˜ao espectral para l´ıquidos de Fermi (a) n˜ao-interagentes e (b) interagentes [23]. e, pela equa¸ca˜o 3.11, temos. A(k, ω) = Zk. |η| 1 + .... π (ω − ξk )2 + ηk2. (3.15). Como mostrar a figura 3.2, a fun¸c˜ao espectral de um l´ıquido de Fermi apresenta picos do tipo lorentzianos bem localizados que definem essas quasipart´ıculas. Essas quasipart´ıculas merecem ser destacadas pelo fato de serem excita¸co˜es individuais que se comportam de modo muito similar a`s excita¸c˜oes de part´ıculas livres em sistemas n˜ao interagentes. Por este motivo, a dinˆamica e as propriedades termodinˆamicas de sistemas interagentes podem ser tratados como sistemas livres apenas com renormaliza¸co˜es qualitativas. Apesar do sucesso da teoria dos l´ıquidos de Fermi de Landau para descrever metais convencionais em duas ou mais dimens˜oes espaciais, em um dimens˜ao espacial precisamos substitu´ı-la, como vimos, pela teoria dos l´ıquidos de Luttinger. Como foi visto no capitulo 2, a f´ısica de sistemas unidimensionais ´e muito diferente.
(58) 3.3 Quasipart´ıculas de Landau. 38. da f´ısica descrita pela teoria dos l´ıquidos de Fermi. O mesmo parece acontecer em regimes de forte intera¸ca˜o, como se observa, por exemplo. nos supercondutores de alta temperatura em algumas situa¸co˜es especiais. Al´em das excita¸co˜es de uma part´ıcula, que constituem as excita¸c˜oes de baixa energia de um l´ıquido de Fermi, um sistema de el´etrons interagentes manifesta tamb´em excita¸co˜es coletivas diversas, tais como a supercondutividade, o ferromagnetismo, o antiferromagnetismos, etc... Na supercondutividade convencional em baixas temperaturas essas quasipart´ıculas perdem a sua individualidade. A supercondutividade ´e realizada por pares de Cooper, usualmente descritos como pares de el´etrons, que se movem atrav´es da rede cristalina sem resistˆencia. Quando um par de Cooper ´e quebrado surgem novamente as quasipart´ıculas que, agora por sua vez, passam a ser chamadas de quasipart´ıculas de Bogoliubov. J´a nos cupratos supercondutores de alta temperatura, a hist´oria ´e um pouco diferente. Por causa do forte acoplamento, as quasipart´ıculas n˜ao se comportam com se obeseva em metais simples. Na verdade, ´e por isso que o estado normal destes materiais s˜ao frequentemente chamados ”metais anˆomalos”. Falaremos mais sobre os cupratos no capitulo 4. Em resumo, vimos alguns conceitos b´asico da teoria do l´ıquido de Fermi de part´ıculas que interagem. Espantosamente, o sistema de part´ıculas interagentes pode ser descrito por um g´as de part´ıculas que n˜ao interagem. Estas part´ıculas que chamamos de quasipart´ıculas s˜ao basicamente uma part´ıcula com uma massa renormalizada pelas intera¸c˜oes..
(59) Cap´ıtulo 4 Quasipart´ıculas Nodais e Antinodais. 4.1. Introdu¸c˜ ao. A supercondutividade convencional foi descoberta em 1911 e s´o foi explicada microscopicamente em 1957. Em 1950, Ginzburg e Landau [2] constru´ıram uma teoria que explicava a supercondutividade fenomenologicamente. A teoria microsc´opica da supercondutividade foi formulada por Bardeen, Cooper e Schrieffer e ela ´e conhecida hoje em dia como a teoria BCS. A base da teoria BCS ´e a intera¸c˜ao de um g´as de el´etrons de condu¸c˜ao com ondas el´asticas de uma rede cristalina (fˆonons). Como sabemos, dois el´etrons no v´acuo repelem-se mutuamente pela for¸ca coulombiana, mas em um supercondutor abaixo da temperatura critica Tc existe uma atra¸ca˜o resultante entre os dois el´etrons que, assim, formam o chamado par de Cooper. Cada par de Cooper ´e formado por dois el´etrons de momenta e polariza¸ca˜o de spins opostas. Al´em do 39.
(60) 4.2 Aspectos Gerais dos Cupratos e Diagrama de Fase. 40. emparelhamento dos el´etrons, a supercondutividade tamb´em requer uma fase coerente de longo alcance entres os pares de Cooper. Nos supercondutores convencionais, o emparelhamento ocorre devido a uma intera¸ca˜o el´etron-fˆonon, enquanto a fase coerente entre os pares de Cooper ´e estabelecida pela superposi¸ca˜o das suas fun¸co˜es de onda. Nesses supercondutores, o acoplamento entre as fun¸co˜es de onda (”overlap”das fun¸co˜es de onda) pode mediar a` fase coerente, pois a distˆancia m´edia entre os pares de Cooper ´e muito menor do que o comprimento de coerˆencia (o tamanho de um par de Cooper). Os supercondutores que possuem alta temperatura de transi¸ca˜o Tc , os ´oxidos de cobre (cupratos) s˜ao materiais intrigantes por manifestarem fenˆomenos emergentes em sistemas f´ısicos com el´etrons fortemente correlacionados. Isso atraiu grande interesse desde a sua descoberta por Bednorz e Muller, em 1986 [74]. Os supercondutores de alta temperatura tˆem sido objeto de muitas investiga¸co˜es te´oricas e experimentais. Uma teoria que explica supercondutividade n˜ao convencional, abre possibilidades mais amplas tamb´em para aplica¸co˜es pr´aticas, pois sua temperatura cr´ıtica vai muito al´em do valor limite ∼ 30Tc para supercondutores descrito pela teoria (BCS) [82] que ´e baseado na teoria do l´ıquido de Fermi.. 4.2. Aspectos Gerais dos Cupratos e Diagrama de Fase. Todos os cupratos supercondutores compartilham a mesma estrutura cristalina de camadas ver figura 4.1, feitas de um ou mais planos de oxido de cobre por c´elula unit´aria, a geometria dos cupratos ´e tipicamente tetragonal. Estes planos possuˆem.
(61) 4.2 Aspectos Gerais dos Cupratos e Diagrama de Fase. 41. Figura 4.1: Estrutura cristalina. As camadas s˜ao composta por planos t´ıpicos de CuO2 dos cupratos [7]. Figura 4.2: Diagrama de fase t´ıpico dos cupratos.
(62) 4.2 Aspectos Gerais dos Cupratos e Diagrama de Fase. 42. portadores de cargas m´oveis e, por esta raz˜ao, acredita-se conter a f´ısica fundamental desses sistemas. O diagrama de fase t´ıpico de um cuprato supercondutor ´e mostrado na figura 4.2. Existem quatro fases bem definidas nos cupratos supercondutores. H´a uma fase antiferromagn´etica que, de acordo com a teoria de banda, deveria se comportar como um estado met´alico, uma vez que existe um n´ umero ´ımpar de el´etrons por c´elula unit´aria. No entanto, a forte repuls˜ao el´etron-el´etron impede a forma¸ca˜o de estados n˜ao localizados, produzindo um comportamento isolante devido a esses fortes efeitos de correla¸c˜ao eletrˆonica. Esse tipo de isolante ´e conhecido, por sua vez, como isolante de Mott. Em temperatura suficientemente baixa, quando uma amostra ´e dopada, seja com buracos ou el´etrons a fase isolante desaparece e surge a fase de pseudogap. Essa not´oria fase que se situa imediatamente a` esquerda da temperatura m´axima supercondutora TcM ax e da fase chamada de metal anˆomalo, n˜ao l´ıquido de Fermi, ´e o regime de dopagem para a qual nosso trabalho deve se aplicar. Na fase de pseudogap, o ordenamento de quase longo alcance antiferromagn´etico do estado isolante de Mott desaparece completamente e tamb´em existem fortes evidˆencias experimentais de uma abertura de ”gap” de spin sem nenhuma quebra espontˆanea de simetria no sistema. Recentemente, nos experimentos de ARPES (”Angle-resolved photoemission spectroscopy”), que ´e uma vers˜ao mais sofisticada do efeito fotoel´etron, tamb´em foram observados que esses sistemas, quando levemente dopados de buraco, podem apresentar um ”gap”de carga ao longo de certas dire¸co˜es preferencias no espa¸co de momenta e, portanto, seriam metais muito pobres com a superf´ıcie de Fermi truncada [80]. Isso indicaria que a fase de pseudogap ´e influenciada pela proximidade.
(63) 4.2 Aspectos Gerais dos Cupratos e Diagrama de Fase. 43. com a fase isolante de Mott no sistema. [78]. Portanto, nas regi˜oes subdopada e de dopagem ´otima, a fase met´alica em altas temperaturas (T > Tc ) ´e altamente anˆomala e, definitivamente, n˜ao se encaixa dentro da caracteriza¸ca˜o de um l´ıquido de Fermi. Por essa raz˜ao, essas duas fases s˜ao consideradas como l´ıquidos de N˜ao-Fermi. Nesse regime de dopagem os experimentos de ARPES revelam evidencias da existˆencia de uma superf´ıcie de Fermi coerente em 2D bem definida, e, ao mesmo tempo, indicam a ausˆencia de quasipart´ıculas est´aveis, acima de Tc . No intervalo de dopagem 0.05 . x . 0.25, em baixas temperaturas, encontramos a caracter´ıstica mais marcante desses sistemas, ou seja, uma regi˜ao supercondutora, com notavelmente elevados valores de temperatura cr´ıtica Tc . A dependˆencia de Tc com a dopagem exibe tamb´em um peculiar comportamento n˜ao-monotˆonico (em forma ”domo”), com um valor m´aximo de Tc obtido na dopagem o´tima. Embora este comportamento qualitativo seja uma caracter´ıstica de todos os cupratos dopados com buracos, o valor m´aximo de Tc depende consideravelmente do composto considerado. E por fim, no diagrama de fase T × x, h´a tamb´em a regi˜ao superdopada onde se acredita que o estado volte a ser um metal l´ıquido de Fermi. Sabemos, agora, que a fun¸c˜ao do gap supercondutor tem simetria do tipo-d em toda regi˜ao supercondutora [1]. As excita¸co˜es de baixa energia tem um valor m´ınimo para momentos na dire¸ca˜o nodal o que esta orientada a 450 relativo a liga¸ca˜o Cu-O, e tem um valor m´aximo para momentos na dire¸c˜ao antinodal, que corresponde, respectivamente, ao eixo principal e eixo diagonal da zona de Brilouin. Acredita-se que a supercondutividade est´a fortemente relacionada a essas excita¸c˜oes. Nesse trabalho calculamos algumas propriedades dinˆamicas, tais com a condutividade ´optica e fun¸co˜es de corre-.
(64) 4.2 Aspectos Gerais dos Cupratos e Diagrama de Fase. 44. supercondutor do tipo s. supercondutor do tipo d. Figura 4.3: Compara¸ca˜o dos parˆametros de ordem dos supercondutores do tipo-s e do tipo-d.
(65) 4.2 Aspectos Gerais dos Cupratos e Diagrama de Fase. 45. la¸co˜es. Acredita-se que o estudo das propriedades espectrais e dinˆamicas desses dois tipos de excita¸c˜oes de quasipart´ıculas bem como o suas rela¸c˜oes, ainda n˜ao muito bem entendidas, possa ajudar a compreender melhor o fenˆomeno da supercondutividade. Para o caso dos supercondutores do tipo-s, o gap ´e constante sobre toda a Superf´ıcie de fermi ∆(k) = ∆0 . Segundo a teoria BCS, a f´ormula para a determina¸ca˜o do gap de energia (em MeV) ´e Eg = 7/2KTc , onde K = constante de Boltzmann e Tc ´e a temperatura cr´ıtica de transi¸ca˜o. Considere agora o diagrama da figura 4.3, onde nos comparamos a estrutura do gap para supercondutores do tipo-s e do tipo-d. A simetria do parˆametro de ordem de um cuprato supercondutor ´e do tipo-d ∆(k) = [cos(kx a) − cos(ky a)]/2, onde k ´e o vetor de onda [80]. A figura 4.4 exemplifica o comportamento do gap em baixa temperatura para dois cupratos de La: La2−x Bax CuO4 (LBCO) com dopagem x = 0.083 e La2−x Srx CuO4 (LSCO) com dopagem x = 0.11. Nota-se com isso que o gap tem um valor m´aximo para um momento paralelo a liga¸ca˜o Cu-O-Cu, dire¸ca˜o antinodal e tem um valor zero para momento com um aˆngulo de 450 em rela¸c˜ao a esta liga¸c˜ao, dire¸ca˜o nodal. O diferente comportamento das excita¸co˜es de quasipart´ıculas em diferentes regi˜oes ´e reflexo dessa forte dependˆencia em rela¸ca˜o ao momento [79]. Esse fenˆomeno ´e conhecido como a dicotomia nodal e antinodal. A figura 4.5 (a1-a6) mostra um pico bem definido de quasipart´ıculas que perde intensidade rapidamente enquanto se move para longe da dire¸c˜ao nodal. Devido `a alta complexidade dos sistemas fortemente correlacionados, depois de d´ecadas de intensos estudos, o mecanismo da supercondutividade nos cupratos continua ainda desconhecido. Embora v´arios modelos te´oricos tenham sido propostos para.
(66) 4.2 Aspectos Gerais dos Cupratos e Diagrama de Fase. 46. Figura 4.4: Fun¸ca˜o do gap os compostos LSCO e LBCO. A figura foi tirada da Ref. [8] explicar o desconhecido mecanismo da supercondutividade nos cupratos [10], [11], n˜ao temos uma explica¸ca˜o completa que reproduza de uma maneira inequ´ıvoca todos os dados experimentais. Apesar disso em uma primeira aproxima¸c˜ao os cupratos supercondutores s˜ao, basicamente, supercondutores do tipo BCS, apesar do mecanismo de liga¸c˜ao dos pares de Cooper n˜ao ser a intera¸ca˜o el´etron fˆonon.. Figura 4.5: Dicotomia nodal e antinodal no espa¸co de momento. Figura ref. [6].
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