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Efeito de um programa de exercício físico no risco de quedas em octogenários institucionalizados

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UNIVERSIDADE DE TRÁS-OS-MONTES E ALTO DOURO

EFEITO DE UM PROGRAMA DE EXERCÍCIO FÍSICO NO RISCO DE

QUEDAS EM OCTOGENÁRIOS INSTITUCIONALIZADOS

DISSERTAÇÃO DE MESTRADO EM CIÊNCIAS DO DESPORTO ESPECIALIZAÇÃO EM ATIVIDADES DE ACADEMIA

Filipe Fernandes Rodrigues

Professora Doutora Graça Sofia Pinto

Professor Doutor Romeu Mendes

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FILIPE FERNANDES RODRIGUES

EFEITO DE UM PROGRAMA DE EXERCÍCIO FÍSICO NO RISCO DE

QUEDAS EM OCTOGENÁRIOS INSTITUCIONALIZADOS

Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro

Vila Real, Portugal, 2015

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ii Dissertação apresentada com vista à obtenção do grau de Mestre em Ciências do Desporto com especialização em Atividades de Academia sob a orientação da Professora Doutora Graça Sofia Pinto e Professor Doutor Romeu Mendes.

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iii

DEDICATÓRIA

À minha mãe.

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iv

AGRADECIMENTOS

Aos meus orientadores, professora Graça Sofia Pinto e ao professor Romeu Mendes, pela confiança, incentivo e sugestões na realização deste trabalho.

À animadora Sónia Rocha, que se mostrou sempre disponível na recolha e na realização deste projeto e todo o seu apoio na continuidade.

A todos os idosos da instituição, pela amabilidade e disponibilidade, na recolha de dados e no apoio transmitido no desenvolvimento do programa de exercício físico.

A todos os professores do Mestrado de Ciências do Desporto, da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) pelas oportunidades e ensinamentos na concretização deste trabalho.

A todos que se mostraram disponíveis na leitura desta dissertação durante todo o seu processo de desenvolvimento. O meu obrigado.

Aos meus amigos que de forma direta ou indireta me ajudaram, dando o seu contributo para que esta dissertação de mestrado fosse concluída. Vocês sabem que são.

Ao melhor formador de sempre, Paulo Sena, pelo seu coaching, insistência e persistência na realização deste trabalho, apesar de todos os acontecimentos.

À minha namorada, Bárbara Fonseca, que mesmo em momentos menos bons sempre me disse para nunca desistir. O meu muito obrigado pelo apoio, ajuda, mil leituras e paciência que sempre teve comigo.

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v

PREFÁCIO

Os resultados desta dissertação de mestrado foram apresentados no II Congresso Ibero-Americano de Epidemiologia e Saúde Pública, nos dias 2,3 e 4 de Setembro de 2015, em Santiago de Compostela (Espanha). O evento é promovido pela Sociedad Española de Epidemiología, Sociedad Española de Salud Pública y Administración Sanitaria e pela Associação Portuguesa de Epidemiologia. O trabalho teve como título: “Falls prevention in institutionalizes elderly aged 80 and over: impact of a 16-week physical activity”. O resumo foi publicado na revista Garceta Sanitaria com seguinte referência:

Rodrigues, F., Pinto, G., Mendes, R (2015). Falls prevention in institutionalizes elderly aged 80 and over: impact f a 16-week physical activity. Gaceta Sanitaria, 29 (Espec Cong): 400-401.

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vi

Resumo

A incidência das quedas e das lesões relacionadas com as mesmas aumentam gradualmente com a idade e os idosos institucionalizados têm um risco maior comparativamente aos residentes na comunidade. As quedas são causadoras de mortalidade, morbilidade e qualidade de vida reduzida. Com o aumento da esperança média de vida e da população idosa estima-se a sua menor autonomia, bem como o aumento tanto do número de quedas como dos custos associados ao tratamento.

As quedas nos idosos representam portanto um problema de saúde pública importante, que apesar das caraterísticas multifatoriais, estão predominantemente associadas à fraca força muscular, défices na marcha, equilíbrio e flexibilidade.

Assim, este estudo teve como objetivo analisar o efeito de um programa de exercício físico, com a duração de 16 semanas, no risco de quedas em octogenários institucionalizados.

A amostra foi composta por 17 idosos (86±3,31), submetidos a um programa de exercício físico, três vezes por semana tendo cada sessão a duração aproximada de 30 a 45 minutos. As sessões eram compostas por exercícios dirigidos para o desenvolvimento da força muscular, da aptidão cardiorrespiratória, do equilíbrio e da flexibilidade. Para analisar o risco de quedas recorreu-se ao teste Timed Up & Go.

A amostra deste estudo apresentou melhorias significativas no teste t (t = 4,877; p <0,001) entre o pré-teste e o pós-teste (19,59±6,74s vs 13,61±3,56s) indicando assim, um menor risco de queda.

Em conclusão, os resultados sugerem que o programa de exercício físico de baixo custo e altos níveis de adesão foi eficiente na redução do risco de quedas em octogenários institucionalizados. Este tipo de programa deve ser parte integrante em estratégias na prevenção de quedas em lares de idosos e outro tipo de instituições que apoiam o idoso.

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vii

Abstract

The incidence of falls and fall-related injuries rise steadily with age and older adults living in long-term care institutions have a higher risk than community-dwelling ones. Falls are a major cause of mortality, morbidity and reduced quality of life. With the increase of live expectancy and the population aging, it is expected the decrease of autonomy well as the increase of falls as the costs associated to treatment.

The falls in the elderly represent an important public health issue that although multifactorial, they are associated to low level of strength, gait impairments, balance and flexibility.

Therefore, this study aimed to analyse the effects of an exercise program, with 16 weeks applicability, on the fall risk in institutionalized octogenarian.

The sample included 17 elderly (86±3.31) who underwent an exercise program, for 16 weeks, tree times per week with approximately 30 to 45 minutes of duration. The sessions were composed by exercise for muscle strength, aerobic, balance and flexibility. Fall risk was assessed using the Timed Up & Go test.

The sample of this study show significant differences in the t-test (t = 4.877; p <0.001) between the pre-test and post-test (19.59±6.74s vs 13.61±3.56s) revealing a lower fall risk.

In conclusion this dada suggest that this exercise program was effective in reducing fall risk on the institutionalized octogenarian. This type of intervention should be part of a multicomponent strategy to prevent falls in nursing homes and other support institutions.

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viii

Índice Geral

Índice de Tabelas ix

Índice de Figuras x

Lista de Anexos xiii

Lista de Abreviaturas Xiii

1. Introdução 1

2. Revisão bibliográfica 3

2.1. Enquadramento 3

2.2. Institucionalização e quedas 6

2.3. Envelhecimento e exercício físico 9

2.3.1. Aptidão muscular 9

2.3.2. Aptidão aeróbia 11

2.3.3. Equilíbrio/agilidade 12

2.3.4. Flexibilidade 13

2.3.5. Composição corporal 14

2.4. Programas de exercício físico 15

3. Metodologia 19

3.1. Amostra 19

3.2. Procedimentos 19

3.2.1. Instrumentos 21

3.2.2. Programa de exercício físico 22

3.3. Análise estatística 36

4. Resultados 37

5. Discussão dos resultados 39

6. Conclusão 43

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ix

Índice de Tabelas

Tabela 1. Estimativas e a esperança média de vida a nível mundial 4

Tabela 2. Programas de exercício físico em idosos 17

Tabela 3. Cronograma do estudo

Tabela 4. Sequência das sessões de exercício físico

20

23

Tabela 5. Progressão do número de circuitos resistidos 26

Tabela 6. Caracterização da amostra 37

Tabela 7. Análise sociodemográfica 37

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x

Índice de Figuras

Figura 1. Pirâmide etária da população portuguesa, entre 1998 e 2009 5

Figura 2. Diagrama de fluxo 19

Figura 3. Marcha + circuito de escadas Figura 4. Exercícios de mobilidade articular Figura 5. Exercícios aeróbio nº1

23

24

24

Figura 6. Exercícios aeróbio nº2 25

Figura 7. Exercícios aeróbio nº3 25

Figura 8. Curl de Bícep 26

Figura 9. Adução frontal 27

Figura 10. Apertar a bola com os membros superiores 27

Figura 11. Extensão plantar 28

Figura 12. Abdução de pernas 28

Figura 13. Press militar 29

Figura 14. Remada alta 29

Figura 15. Tricep Militar 30

Figura 16. Agachamento na cadeira 30

Figura 17. Extensão do joelho Figura 18. Curl de bicep em martelo Figura 19. Encolhimento dos ombros Figura 20. Press frontal

31

31

32

32

Figura 21. Apertar a bola com os membros inferiores 33

Figura 22. Encolhimento abdominal 33

Figura 23. Exercício de equilíbrio nº1 34

Figura 24. Exercício de equilíbrio nº2 34

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xi

Figura 26. Exercício de alongamentos dos membros superiores 35

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Lista de Anexos

Anexo 1 - Resumo II Congresso Ibero-Americano de Epidemiologia

Anexo 2 - Declaração de consentimento de Helsínquia

Anexo 3 - Declaração de consentimento de recolha de dados audiovisuais

Anexo 4 - Questionário sociodemográfico

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xiii

Lista de Abreviaturas

OMS – Organização Mundial de Saúde

IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística INE – Instituto Nacional de Estatística

IMC – Índice de Massa Corporal TUG – Timed Up & Go

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1

1. Introdução

É indiscutível o crescente envelhecimento demográfico a nível mundial, em que a percentagem de indivíduos com mais de 65 anos é o segmento em maior crescimento. Os dados não contrariam. No início do século XX, a população com mais de 65 anos de idade era de 5% numa escala mundial. A Organização Mundial de Saúde - OMS (WHO, 2002) estima que em 2025 haja 2 mil milhões de idosos em todo o mundo, representando mais de 11%. Este envelhecimento deriva em parte do aumento da esperança média de vida e a diminuição da taxa de natalidade, provocando um exponencial aumento da população idosa relativamente à população mais jovem (Eurostat, 2012).

Sendo assim, a institucionalização torna-se um meio de prestação de cuidados ao idoso. Apesar das instituições de acolhimento e lares fornecerem serviços de qualidade, a percentagem de quedas de idosos institucionalizados é três vezes superior, comparativamente aos residentes na comunidade (Tiedeman, Sherrington, Close & Lord, 2011; Gusi et al., 2012; Álvarez-Barbosa et al., 2014; Joshua et al., 2014).

O nível da aptidão física diminui com o avançar da idade, mas não numa taxa uniforme. Durante o processo de envelhecimento ocorrem várias mudanças estruturais e funcionais na aptidão física, tais como a perda da capacidade de marcha, a perda de força muscular, a perda de equilíbrio e perda de flexibilidade (Ribeiro, Gomes, Teixeira, Brochado & Oliveira, 2009; Benavent-Caballer, Rosado-Calatayud, Segura-Ortí, Amer-Cuenca & Lisón 2014). Estas alterações estão relacionadas com a mobilidade e o seu decréscimo ocorre especialmente em idades mais avançadas (Krol-Zielinska, Kusy, Zielinski, Osinski, 2010). Estas perdas repercutem negativamente o bem-estar do idoso, diminuindo assim a sua autonomia e aumentando drasticamente o risco de queda (Tinetti, Baker & McAway, 1994). O seu efeito pode ser devastador, podendo contribuir para o aumento da morbilidade, mortalidade e quedas em idosos com mais de 65 anos (Shumway-Cook, Gruber, Badlwin & Liao, 1997).

O American College of Sports Medicine (ACSM, 2011) mostra que a prática do exercício físico regular está associada a uma maior longevidade, redução do risco de desenvolvimento de doenças crónico-degenerativas típicas do envelhecimento, sendo um excelente meio de atenuar a perda de autonomia.

(16)

2 Existem evidências claras de que o exercício físico pode ser uma chave modificadora de fatores de risco de quedas, como a diminuição da força muscular, reduzida velocidade de marcha, diminuição da flexibilidade e fraco equilíbrio em idosos (Lord et al., 2003).

É importante definir uma intervenção eficiente, que englobe várias componentes, que consista em exercícios resistidos, aeróbios, flexibilidade e equilíbrio na aptidão física desta população. Os programas de exercício físico têm sido descritos como intervenções positivas dado terem uma boa taxa de adesão (Cartucho, 2013).

Tendo por base estes pressupostos, o objetivo deste estudo consistiu em analisar o efeito de um programa de exercício físico, com duração de 16 semanas no risco de quedas em octogenários institucionalizados.

A investigação realizada foi elaborada da seguinte maneira:

No capítulo 1 é realizada uma introdução geral, sobre o tema a ser desenvolvido.

No capítulo 2 é apresentada a revisão bibliográfica, onde vamos abordar o estado de conhecimento acerca do nosso tema. Faremos um breve enquadramento sobre o idoso e dados demográficos, o processo de envelhecimento e o fenómeno da institucionalização, as quedas e o efeito dos programas de exercício físico no idoso.

O capítulo 3 é referente à metodologia. A amostra, os procedimentos, o protocolo experimental e, por fim, são referidos os procedimentos estatísticos utilizados.

O capítulo 4 diz respeito à apresentação dos resultados, no qual iremos mostrar os resultados por nós obtidos das diferentes variáveis, sob a forma de figuras e tabelas.

No capítulo 5 fazemos referência à discussão dos resultados. Neste capítulo será feita uma análise mais aprofundada dos resultados obtidos.

No capítulo 6 são apresentadas as conclusões do estudo, ao mesmo tempo que se procura dar resposta ao objetivo inicial.

No capítulo 7 é referida toda a bibliografia consultada para a elaboração do presente estudo. A sua listagem será feita por ordem alfabética, sob o sistema autor/data.

Os anexos que nos auxiliaram na realização deste estudo não constam em nenhuma das partes anteriores, tendo sido devidamente indicados ao longo do trabalho.

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2. Revisão bibliográfica

2.1. Enquadramento

O investimento no estudo sobre o envelhecimento faz todo o sentido quando, no início do século XXI, a sociedade se depara com uma população envelhecida. Este panorama nacional, europeu e mesmo mundial exige conhecimentos que sustentem intervenções e que se entendam os problemas complexos que acompanham o envelhecimento.

O conceito de idoso tem assumido diversos significados ao longo dos séculos, desde a Grécia e Roma antigas até aos nossos dias, dependendo das características culturais e históricas das sociedades de cada época. Como pode ser facilmente entendível, com o passar dos séculos, a esperança média de vida do ser humano tem vindo a aumentar o que leva a que, se há séculos atrás se considerava como “velho” uma pessoa que atingisse a idade de 30 a 40 anos, hoje em dia isso já não se verifique.

Em 1988, Woodhouse, Wynne & Baillie, com o “despertar” sobre o envelhecimento demográfico, criaram o termo “idoso frágil” que é definido como sendo uma pessoa com mais de 65 anos de idade que é dependente de outros para a realização de tarefas diárias. Buchner e Wagner (1992), revendo este conceito, definem um idoso frágil como sendo um individuo com perdas avançadas das reservas fisiológicas que reduzem a mobilidade funcional, impossibilitando assim, a capacidade autónoma de tarefas quotidianas. Estes mesmos autores sugerem ainda que existem três componentes importantes precursores para o estado de idoso frágil. O défice neurológico que implica a diminuição da capacidade de realizar tarefas complexas, redução da capacidade mecânica (por exemplo a perda de força muscular) e défices energéticos metabólicos que são responsáveis pela capacidade aeróbia do indivíduo.

A Política Nacional do Idoso, Lei nº8.842, de 4 de Janeiro de 1994, e o estatuto do idoso, Lei nº10.741, de 1 de Outubro de 2003, definem o idoso como sendo um individuo com mais de 60 anos de idade. Já segundo a Organização Mundial de Saúde (WHO, 2002), um individuo é considerado idoso a partir dos 60 anos em países em desenvolvimento e 65 anos em países desenvolvidos. Esta definição foi estabelecida pela Organização das Nações Unidas (ONU), durante a Primeira Assembleia Mundial das Nações Unidas sobre o Envelhecimento da População, relacionando-se com a expectativa de vida à nascença e com a qualidade de vida que os países proporcionam às suas populações.

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4 Apesar da idade cronológica ser um indicador menos preciso, este é dos mais utilizados para estabelecer o ser idoso, na delimitação da população para um determinado estudo, para uma análise epidemiológica ou com propósitos administrativos e legais (Santos, 2010).

A pirâmide populacional tem mudado em todo mundo. Existem cada vez mais pessoas com mais de 65 anos e o número não para de crescer. A população mundial está a envelhecer a uma velocidade sem precedentes e esta é uma tendência à qual a sociedade precisa de se adaptar, dadas as novas exigências que este tipo de população requer (Ferreira, 2011). Estimativas indicam que em 2025, em todo mundo haverá mais de 2 mil milhões de pessoas com mais de 65 anos (WHO, 2002).

Estes números irão continuar a aumentar, principalmente nos países ocidentais e europeus, como podemos observar na Tabela 1.

Tabela 1. Estimativas e a esperança média de vida a nível mundial

Autores Estimativas E.M.V.*

Deijl, Etman,

Kamphuis & Lenthe (2014)

Em 2050, 22% da população mundial terá mais de 60 anos de idade e que 15,6% da população mundial terá mais de 65 anos de idade

US Census Burreau (2014) Pahor et al. (2014)

Em 2030, 20% da população americana terá 65 anos ou mais. Em 2050 já será 25% da população, estimando que haverá mais de 80 milhões de idosos Para 2050, sexo masculino 85,6 e sexo feminino 88,5 anos IBGE (2013) Bastone e Filho (2004)

No Brasil estima-se que em 2020 a população será de cerca 16,2 milhões de pessoas com mais de 65 anos (7,7% da população)

Em 2020, 75,5 anos e em 2040, 80,0 anos para ambos os sexos WHO (2002) Em 2025, os países Japão, Itália, Alemanha,

Grécia e Bélgica terão mais de 30% da sua população com mais de 65 anos

INE (2014b) Em Portugal estima-se que entre 2012 e 2060, os idosos com mais de 65 anos de idade irão triplicar

Para 2060, sexo masculino 84,2 e sexo feminino 89,9 anos

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5 Segundo o Instituto Nacional de Estatística - INE (2014a), a população total residente em Portugal em 2009 era de aproximadamente 10,6 milhões de pessoas, sendo que 17,8% desta população tinha 65 anos ou mais. Em 2013, a população com mais de 65 anos já correspondia a 19,4% da população total nacional. Em termos de esperança média de vida aos 65 anos, o sexo feminino possui um valor superior aos homens, sendo 21,3 anos e 17,6 anos respetivamente (INE, 2014a).

Durante muito tempo, a explicação para este envelhecimento demográfico foi encontrada no desenvolvimento técnico e científico. Para além da razão anteriormente apresentada, o envelhecimento populacional é também resultado de dois fatores. O primeiro, o declínio da fecundidade, que se reflete na diminuição da taxa de natalidade e na impossibilidade de as gerações se irem substituindo. O segundo, o aumento da longevidade, que se traduz no aumento da esperança média de vida à nascença e na esperança média de vida para pessoas com mais de 65 anos. Estes fatores estão ligados a pressões económicas e a mudanças nos padrões de estilo de vida (INE, 2009).

Este aumento da longevidade dos idosos, em Portugal, espelha-se na alteração estrutural da pirâmide populacional, observável na Figura 1.

Figura 1. Pirâmide etária da população portuguesa, entre 1998 e 2009 (INE, 2009)

Estas alterações indicam um crescimento anual das faixas etárias correspondentes a idosos com mais de 65 e 85 anos. O INE (2006) estima que em 2020 haja um aumento de 1,6% de idosos com mais de 65 anos e um aumento de 3,4% de idosos com mais de 85 anos.

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6 Com este aumento da população idosa, é espectável que o número de indivíduos institucionalizados vá aumentar nos próximos anos (Sousa & Mendes, 2013). Em Portugal, em 2006 cerca de 51017 idosos residiam em instituições, sendo que este grupo era constituído por 69% de mulheres e 85% dos residentes tinham mais de 85 anos de idade (INE, 2006). Esta realidade levanta questões fundamentais, ao nível no domínio sociocultural e da saúde pública com a necessidade de cuidados médicos acrescidos (Cartucho, 2013), principalmente em idosos institucionalizados com mais de 80 anos de idade, dado serem o grupo etário fisicamente menos ativo (Ikezoe et al., 2013; Benavent-Caballer et al., 2014).

2.2. Institucionalização e quedas

É frequente observar idosos a serem dependentes de terceiros para levar a cabo várias atividades do quotidiano, sendo este o cenário tão mais visível quanto mais velho for o individuo (Barreto, Demougeot, Vellas & Rolland, 2015).

O aumento populacional de idosos e as modificações atuais na estrutura familiar são alguns dos fatores do aumento da institucionalização dos idosos em Portugal que cada vez mais assume uma importância extrema na qualidade de vida e bem-estar do idoso (Ferreira, 2011). Atualmente as famílias defrontam-se com grandes dificuldades para desempenhar o papel de educar os filhos e cuidar os mais idosos, levando a sociedade a adaptar-se às novas funções que a família não consegue assumir.

Kane (2003), com base nos seus estudos sobre as instituições, sistematiza um conjunto de razões que levam a família e/ou o idoso a tomar a decisão de institucionalização: a presença de diagnósticos médicos de doenças crónicas, o estado mental do idoso, o facto de morarem sós, a ausência de suporte social, a etnia e a pobreza. Para além disso,

Del Duca, Silva, Thumé, Santos e Hallal (2012), ao estudarem a razão da pela institucionalização de 991 idosos, concluíram que a probabilidade de institucionalização foi mais frequente no sexo feminino, idosos com idades avançadas nas faixas etárias de 70 a 79 e > 80anos, que viviam sem companheiro (solteiros, separados e viúvos), não possuíam escolaridade formal e apresentavam incapacidade funcional para atividades diárias. O estudo realizado por Pimentel (2005) acrescenta ainda os motivos de conflitualidade nas relações familiares, isolamento, precariedade de condições habitacionais, ausência de redes

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7 de solidariedade e solidão que proporcionam situações de carência, justificando a institucionalização.

Outros autores (Lazowski et al., 1999; Henwood, Neville, Baguley, Clifton & Beattie, 2005; Ferreira, 2011) referem que a perda de independência e mobilidade funcional obriga os idosos a serem institucionalizados. Inokuchi, Matsusaka, Hayashi & Shindo, (2007) e Stevens (2010) indicam que as quedas, para além de afetarem negativamente a qualidade de vida do idoso, também são responsáveis pela institucionalização.

Os idosos institucionalizados, na maior parte, têm mobilidade reduzida e fraco equilíbrio, comparativamente aos restantes elementos da comunidade (Krol-Zielinska et al., 2010; Álvarez-Barbosa et al., 2014). Os residentes capazes de se manterem independentes gastam a maior parte do seu tempo deitados ou sentados (Lazowski et al., 1999) e vários tornam-se dependentes de cadeiras de rodas devido ao medo de cair (Ribeiro et al., 2009). Sabe-se que a perda de mobilidade em idosos institucionalizados tem sido associada a 50% da taxa de mortalidade entre 6 a 12 meses (Bastone & Filho, 2004). Em contrapartida, os idosos residentes na comunidade demonstram manterem-se ativos por muito mais tempo, devido ao facto de não serem privados de atividades diárias (Rikli & Jones, 2001).

Para Rubenstein (2006), as quedas são eventos multifatoriais e mórbidos, que causam perturbações emocionais, lesões, impotência funcional e morte. As suas causas, podendo ser diagnosticadas, podem ser prevenidas, com consequente diminuição da morbilidade.

A queda é considerada uma síndrome geriátrica que está associada a fatores extrínsecos e intrínsecos. As causas extrínsecas estão normalmente ligadas ao ambiente residencial como por exemplo escadas, fraca iluminação e tapetes, entre outras (Nowalk, Prendergast, Bayles, D’Amic & Colvin, 2001; Gillespie et al., 2009). Cerca de 15% das quedas resultam de fatores extrínsecos que levariam à queda da maioria das pessoas. (Gillespie et al., 2009). Já as causas intrínsecas estão relacionadas com o défice de equilíbrio ou marcha, força e potência muscular reduzida, diminuição da acuidade visual, défices cognitivos, presença de doenças crónicas, fraca estabilidade corporal ou uso de medicação psicotrópica (Ishigaki et al., 2014; Zhuang, Huang, Wu & Zhang, 2014).

As quedas são um problema de saúde pública mundial. Vários autores (Shumway-Cook et al., 1997; Bruyere et al., 2005; Gusi et al., 2012; Freiberger, Haberle, Spirduso & Zijlstra, 2012; Álvarez-Barbosa et al., 2014) referem nos seus estudos que um terço dos idosos com mais de 65 anos caem a cada ano e o rácio de lesões provocadas pelas quedas aumenta com a idade (Freiberger et al., 2012), chegando a afetar até 40% dos idosos com

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8 mais de 75 anos (Bruyere et al., 2005) e 50% daqueles com mais de 80 anos (Álvarez-Barbosa et al., 2014). As incidências de quedas são cerca de três vezes superiores em idosos institucionalizados em relação aos residentes na comunidade (Tiedeman, Sherrington, Close & Lord, 2011).

Em Portugal, segundo dados do relatório de Acidentes Domésticos e de Lazer – Informação Adequada, referente aos anos de 2006 – 2008 (DGS, 2008) enumera: que a maioria dos acidentes com pessoas idosas ocorre dentro de casa, sendo que a queda é o acidente mais frequente; a consequência mais frequente das quedas foram as concussões, contusões e hematomas; o número de internamento em consequência de quedas aumenta exponencialmente com a idade; as partes do corpo mais lesadas com as quedas foram os membros com uma percentagem de 47,5%, seguidos da cabeça com mais de 23,5%; o tempo médio de internamento aumenta exponencialmente com a idade, em média, de 11 dias, nas pessoas com mais de 75 anos de idade.

As consequências das quedas em idosos são devastadoras. Cerca de 15% das quedas resulta em luxações, contusões e traumas musculares (Gusi et al., 2012) e cerca de 10% das quedas resultam em fratura (Gillespie et al., 2009). As fraturas, associadas às quedas, em idosos são fonte significativa de morbilidade e mortalidade (Duncan, Weiner, Chandler & Studenski, 1990; Gillespie et al., 2009; Álvarez-Barbosa et al., 2014; Joshua et al.; 2014). As quedas têm consequências psicológicas, tais como a perda de confiança, que pode resultar em restrição de atividades, levando à redução de funções físicas e interações sociais (Bruyere et al., 2005; Gillespie, 2009).

Os estudos de Shumway-Cook et al., (2007), Freiberger et al. (2012), Gusi et al. (2012), Clemson et al. (2012), Sherrington et al., (2014) evidenciam que as quedas em idosos têm vindo a aumentar nos últimos 10 anos e a implementação de estratégias eficientes poderá reduzir tanto o risco de quedas como as incidências de quedas e reduzir os custos associados aos cuidados de saúde.

Neste sentido, a relação quedas e institucionalização é bastante íntima, no sentido em que os idosos que não têm capacidade de se manterem autónomos são institucionalizados, e ao mesmo tempo tornam-se indivíduos de elevado risco de queda.

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2.3. Envelhecimento e exercício físico

Cada indivíduo passa por duas etapas da sua vida. O nascimento, que é quando a vida começa e a morte, que é quando ela se encerra. O período entre o nascimento e a morte depende de vários fatores que interagem em conjunto no desenvolvimento de cada indivíduo. O interesse por parte dos investigadores relativamente às questões relacionadas com o envelhecimento tem sido cada vez maior. Ninguém escapa a este processo, altamente complexo e variável, tal como a todos os seres vivos. O envelhecimento pode ser definido como um processo dinâmico e progressivo, no qual existem modificações tanto morfológicas, modificações funcionais, e modificações psicológicas e sociais que determinam a perda progressiva da capacidade de adaptação do individuo ao meio (Filho & Alencar, 2000).

Spirduso et al. (2005) define o envelhecimento como um processo ou conjunto de processos, inerente a todos os seres vivos e que se expressa pela perda da capacidade de adaptação e pela diminuição da funcionalidade, estando associado a alterações físicas e fisiológicas, podendo levar à morte. Os mesmos autores sugerem dois tipos de envelhecimento: o primário, que representa as alterações que advêm da idade, independentemente das doenças ou da influência ambiental; e o secundário, que se refere à aceleração desse mesmo processo devido a influência de doenças ou fatores ambientais. Assim, a perda ao nível da audição e visão e/ou a perda da aptidão física referem-se ao envelhecimento primário. Contudo, apesar desta distinção, não devemos encarar estes dois tipos de envelhecimento como compartimentos separados, na medida em que os dois interagem um com o outro, influenciando-se mutuamente (Spirduso et al., 2005).

A aptidão física é um estado de bem-estar com um baixo risco de problemas de saúde e com energia para participar numa variedade de atividades físicas, sem risco de lesão (Brach & Van Swearingen, 2002; ACSM, 2009). Em baixo vamos referir as componentes da aptidão física e como o envelhecimento e o exercício físico influenciam.

2.3.1. Aptidão muscular

É a componente principal da aptidão física, na medida em que apenas com níveis aceitáveis de força os idosos conseguem executar diferentes atividades da vida diária, como subir escadas, fazer compras de forma autónoma e segura (Brill et al., 2000; Hughes et al., 2001), assim como em atividades desportivas e recreativas de lazer (Spirduso et al., 2005).

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10 Com o envelhecimento, a perda de massa muscular (sarcopenia) e força muscular são responsáveis por grandes limitações funcionais e pelas morbilidades associadas a elas (Frontera, Meredith, O’Reilly, Knuttgen & Evans; 1988; Buchner, Larson, Wagner, Koepsell & Lateur, 1996; Cruz-Jentoft et al., 2010; Sousa, Mendes, Abrantes & Sampaio, 2011).

Segundo vários autores (Newman et al., 2003; Ribeiro et al., 2009; Alfieri et al., 2010; Álvarez-Barbosa et al., 2014), a redução do número de músculos e fibras nervosas levam à redução da força muscular, principalmente nos membros inferiores dado estar ligado ao maior tempo sentado ou deitado que se associa a uma menor capacidade de realização de tarefas diárias tais como: levantar de uma cadeira, apanhar um objeto do chão, caminhar e subir escadas (Ribeiro et al., 2009; Beurskens, Golhofer, Muehlbauer, Cardinale & Granacher, 2015). A literatura é unânime ao considerar que o desuso ou a inatividade física/sedentarismo se constitui como uma causa determinante no decréscimo da força muscular (Spirduso et al., 2005, ACSM, 2009).

Com o avançar da idade, a diminuição da força é geralmente entre 20 a 40% (Larsson, Grimby & Karlsson, 1979; Murray, Gardner, Mollinger & Sepic, 1979). Dos 50 a 70 anos considera-se uma perda de 30% da força. Esta perda é ainda mais acentuada nos indivíduos na oitava e nona década de vida, podendo ultrapassar 50% (Murray et al., 1980; Murray, Duthie, Gambert, Sepic & Mollinger, 1985).

O treino de força, para além dos ganhos da massa muscular, está igualmente associado a outros benefícios, tais como: aumento do metabolismo energético, a redução da percentagem de massa gorda, na melhoria da estabilidade postural e do aumento da amplitude do movimento articular, reduzindo assim o risco de quedas e fraturas e aumentando a independência funcional do idoso (Spirduso, 1995).

O treino de força em idosos tem mostrado vários benefícios ao nível da força muscular. Por exemplo Buchner et al. (1996) ao estudarem 105 idosos com uma média de idades de 75 anos encontraram melhorias significativas na força muscular em quase todos os parâmetros avaliados. Estas melhorias não se mantiveram após 3 meses do programa de exercício resistido ter terminado. Também Sousa et al. (2011) ao aplicarem um programa de exercício físico com exercícios resistidos a 10 idosos (73±6 anos), durante 12 semanas, 3 sessões semanais, encontraram ganhos de força muscular significativos. Estes mesmos autores referem que as melhorias foram mais evidentes nos membros superiores, sugerindo que, como os músculos dos membros inferiores são mais vezes eliciados, têm um menor potencial de ganho em idades avançadas. Os músculos dos membros superiores nos idosos estão em sarcopenia acelerada e a sua treinabilidade é provavelmente superior. Os ganhos

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11 de força muscular também podem ser encontrados em outros estudos (Bruyere et al., 2005; Bird et al., 2010; Benavent-Caballer et al., 2014; Chen et al., 2014). Assim um programa regular e adequado com exercícios resistidos assume-se como vital e benéfico para os idosos.

2.3.2. Aptidão aeróbia

De uma forma geral, a aptidão aeróbia refere-se à capacidade de transportar nutrientes e oxigénio no sangue para os músculos, para que estes utilizem essa energia para o esforço físico (Spirduso et al., 2005). Esta componente da aptidão física é importante para a manutenção de um estilo de vida funcional e autónomo, permitindo ao idosos realizar as suas atividades diárias com o mínimo de esforço e fadiga.

Segundo Fitzgerald, Tanaka, Tran & Seals (1997) e Gulati et al. (2005), o VO2max (capacidade máxima do corpo em transportar oxigénio durante o exercício físico) é o principal indicador da aptidão aeróbia e esta está positivamente associada à independência funcional, à qualidade de vida e à diminuição do risco de mortalidade.

A aptidão aeróbia desenvolve-se até aos 25 anos, mantendo-se até aos 35 anos, começando a partir dessa idade a diminuir progressivamente, em cerca de 8% nos homens e 10% nas mulheres por década (Soares, 2002), sendo mais acentuada a partir dos 75 anos (Spirduso et al., 2005).

Esta componente é influenciada pela diminuição da massa muscular (Spirduso, 1995). O declínio na aptidão aeróbia está associado com o aumento do risco de doenças cardiovasculares (Blair & Jackson, 2001) e o seu declínio com o envelhecimento pode contribuir para a morte prematura em idosos (Fitzgerald, Tanaka, Tran & Seals, 1997; Gulati et al., 2005).

Níveis moderados desta componente são necessário para diminuir o risco de doenças cardiovasculares, reduzir o risco de obesidade, de hipertensão e de diabetes (Carnethon et al., 2003).

A manutenção da aptidão aeróbia tem um impacto direto sobre a mobilidade funcional do idoso (Rikli & Jones, 2001), na verdade ela é fundamental para a locomoção, autonomia e realização de tarefas diárias e atividades recreativas.

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12 Em relação aos benefícios do treino desta componente, os incrementos encontrados nos idosos são melhorias no sistema cardiovascular e cardiorrespiratório, diminuição do risco de doenças cardiovasculares, hipertensão e diabetes (Spirduso et al., 2005).

Freiberger et al. (2007), ao aplicarem um programa de exercício físico aeróbio, durante 16 semanas, a idosos com idades entre 70 e 90 anos de idade, conseguiram reduzir o risco de queda em 23% e manter melhorias significativas após 4 meses da cessão do programa. Chen et al. (2014) ao estudarem 36 idosos com doenças coronárias arteriais, aplicando um programa de exercício aeróbio durante 12 semanas, concluíram que o treino aeróbio é benéfico na qualidade de vida destes. Também os autores Inokuchi et al. (2007) encontraram melhorias semelhantes ao estudarem 268 idosos. Estes autores, ao aplicarem um programa de exercício resistido e aeróbio durante 17 semanas, 1 sessão semanal, nos idosos que participaram no grupo experimental, encontraram melhorias significativas em vários parâmetros físicos, a percentagem de incidências de quedas reduziu de 43.1% para 14.1% e reduziram o risco de quedas de 6.5 para 5.4. Outros autores (Gulati et al., 2005; Cadore et al., 2014b) também encontraram melhorias desta componente nos seus estudos. Deste modo, todos estes benefícios obtidos pelo treino desta componente promovem alterações benéficas na capacidade funcional do idoso, contribuindo assim para uma maior autonomia na realização de tarefas diárias.

2.3.3. Equilíbrio/agilidade

Carvalho e Mota (2009) referem no seu estudo que o corpo recorre ao equilíbrio no simples realizar de uma tarefa diária como mudar um objeto de lugar, abrir uma janela ou porta, subir e descer as escadas. Por sua vez, a agilidade consiste em realizar uma tarefa rápida, como entrar ou sair de um carro ou desviar-se de um objeto (Rikli & Jones, 2001). Estes autores defendem que ambas as componentes devem ser trabalhadas conjuntamente, pois só assim haverá sucesso na realização de atividades diárias.

Tideiskaar (2002) refere que a capacidade do corpo para manter o equilíbrio depende de vários fatores, incluindo o sistema nervoso central, a força muscular e a flexibilidade. Orr et al. (2006) reforça a ideia que a diminuição do equilíbrio com o envelhecimento está associada ao declínio da força muscular. O equilíbrio é importante para manter a mobilidade e a capacidade de manter a estabilidade postural em movimento (Rikli & Jones, 2001). Dado estar ligado à força e à flexibilidade, esta componente vai diminuindo ao mesmo ritmo destas ao longo do processo de envelhecimento, com maior acentuação a

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13 partir da 6ª década de idade (Spirduso, 1995). Demura et al. (2003) observaram nos seus estudos uma diminuição do equilíbrio mais acentuado a partir dos 80 anos de idade.

Esta componente é imprescindível num programa de exercício físico para idosos, dado, a redução do equilíbrio e agilidade estarem associados a elevado risco de quedas (Cadore et al., 2013).

Alfieri et al. (2010), ao estudarem 46 idosos com mais de 70 anos de idade, concluíram que o grupo experimental que teve exercícios de equilíbrio incluídos no programa de exercício físico obteve resultados melhores comparativamente aos outros. Em concordância com os autores anteriores, Bruyere et al. (2005) ao aplicarem um programa de exercício físico, durante 6 semanas, 3 sessões semanais a 33 idosos com mais de 80 anos, descobriram que o grupo que treinou o equilíbrio apresentou melhores resultados nos critérios avaliados por estes. Também outros autores referem a importância do treino de equilíbrio/agilidade, de forma a reduzir o risco de quedas em idosos (Cadore et al., 2013;2014b).

Deste modo, para além da força, da resistência aeróbia e da flexibilidade, também o treino do equilíbrio/agilidade deverá fazer parte integrante dos programas de exercício físico, de forma a reduzir o risco de quedas em idosos.

2.3.4. Flexibilidade

Esta componente pode ser entendida como a amplitude de uma articulação ou grupo de articulações que efetuam um movimento num dado plano, em função de um eixo e depende do estado e condição da própria articulação, dos seus tendões, ligamentos e músculos (Spirduso et al., 2005) Estes mesmos autores referem que esta capacidade é específica de cada articulação, ou seja, a amplitude de uma articulação não é necessariamente igual a outra articulação, o que faz com que não exista um teste único e geral para medir o índice de flexibilidade de todo o corpo.

Em termos cronológicos, a flexibilidade é passível de ser desenvolvida até aos 25 anos, diminuindo progressivamente ao longo dos anos. Essa redução torna-se evidente a partir dos 60 anos de idade, refletindo-se em problemas na coluna vertebral (aumento da curvatura cifótica, achatamento dos discos intervertebrais, desalinhamento das vértebras dorsais e cervicais), no aumento da dificuldade na marcha e na realização tarefas diárias (Spirduso et al., 2005; ACSM, 2001).

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14 Deste modo, baixos índices de flexibilidade estão associados a uma maior probabilidade de lesão articular, tendinosa ou muscular (Spirduso et al., 2005) e estão fortemente associados a mecanismos degenerativos músculo-esqueléticos, como o desenvolvimento de artrite e/ou osteoporose. O equilíbrio e o risco de queda estão diretamente relacionados com a flexibilidade de um idoso (Rikli & Jones, 2001).

Já que o desuso leva à perda de amplitude articular, prejudicando o idoso na sua independência, o treino regular e adequado de flexibilidade, ao solicitar várias articulações empreendidas nessas tarefas, vai dotar o idoso da sua funcionalidade, autonomia e saúde.

Os autores Locks et al. (2012), ao estudarem 45 idosos, verificaram que o grupo experimental que realizou exercícios de força e flexibilidade obteve melhorias significativas nos parâmetros avaliados. Neste mesmo estudo, estas melhorias não se mantiveram depois de 6 semanas de destreino. Também os autores Zhuang et al. (2014), após terem aplicado um programa de exercício físico resistido combinado com flexibilidade, durante 12 semanas, em idosos com idades compreendidas entre 60 e 80 anos, encontraram aumentos significativos na força muscular, na amplitude articular e na redução do risco de quedas. Estes estudos mostram a eficiência e importância de englobar a flexibilidade nos programas de exercício físico, no aumento da aptidão física e redução do risco de quedas em idosos.

Nesse sentido, idosos com um estilo de vida ativo e saudável apresentam, na sua esmagadora maioria, índices elevados de flexibilidade, levando a uma vida autónoma e independente (Zhuang et al., 2014).

2.3.5. Composição corporal

Os níveis reduzidos de atividade física e o decréscimo no dispêndio energético característicos do envelhecimento predispõem os idosos a um acúmulo de gordura corporal (Spriduso et al., 2005). Este aumento gradual de gordura corporal aumenta o risco de doenças cardiovasculares (Fiatarone, 2002; Kay & Fiatarone, 2006). Vários autores (Pescatello, DiPietro, Fargo, Ostfeld & Nadel, 1994; Cadore et al., 2014b) referem ainda que o aumento da adiposidade intramuscular está associado a perda de mobilidade em idosos. As mudanças do metabolismo muscular têm sido descritas, em parte, como consequências desta acumulação de gordura corporal (Locks et al., 2012; Pedrero-Charmizo et al., 2013).

Existem diversos métodos antropométricos utilizados para avaliar a quantidade de gordura que um indivíduo possui. Para determinarmos a quantidade de gordura corporal de

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15 um sujeito de uma forma fácil, rápida e fiável, deveremos combinar a sua altura e peso, numa medida denominada de Índice de Massa Corporal (IMC). Quanto maior for o IMC, maior a probabilidade de um indivíduo ter uma grande proporção de gordura. Altos valores de IMC estão associados a incidências de doenças cardiovasculares, hipertensão e certos cancros (Spirduso et al., 2005). O IMC é calculado através do quociente entre o peso, em quilogramas, e o quadrado da altura, em metros.

O IMC não deve ser encarado como uma medida direta do nível de gordura, na medida em que sobrestima esse valor dos indivíduos com grandes proporções de massa muscular, assim como a subestima em indivíduos com baixa percentagem de massa muscular. Contudo, o IMC é bastante utilizado em estudos devido à sua simplicidade da recolha dos dados necessários, podendo ser usado como uma aproximação à gordura relativa, sendo uma medida mais fiável do que somente o peso. Assim, indivíduos com IMC: <18.5 são considerados desnutridos; entre 18.5 e 24.9 são considerados normais; entre 25.0 e 29.9 possuem excesso de peso; acima de 30 é considerado obeso.

2.4. Programas de exercício físico

O envelhecimento comporta consigo uma diminuição da aptidão física, devido tanto ao desuso, como à inatividade física. Sendo este um processo irreversível, estas alterações não podem ser evitadas, mas poderão ser retardadas, através da adoção de um estilo de vida ativo (Rikli e Jones, 2001; Spirduso et al., 2005).

O ACSM (2009) recomenda que cada idoso pratique pelo menos 150 minutos de exercício físico por semana para obter efeitos benéficos para a saúde. Em termos de exercícios, é importante que os programas de exercício físico contenham exercícios resistidos, aeróbios, de equilíbrio e de flexibilidade. (Pollock, 1989; Fiatarone, 2002; McDermott & Mernitz, 2006; ACSM, 2009). Desta forma, os benefícios que advém da prática regular do exercício físico nos idosos são claros, podendo-se sentir nas várias componentes da aptidão física (ACSM, 2009).

Os programas de exercício físico em idosos institucionalizados têm demonstrado vários benefícios nas diferentes componentes da aptidão física (Casas-Herrero & Izquierdo, 2012). Por exemplo Carvalho, Marques e Mota (2009) investigaram o efeito de um programa de exercício físico na aptidão física em 57 mulheres. Embora não tenham sido encontradas alterações no índice de massa corporal e aptidão aeróbia, foram encontrados resultados significativos (p <0,05) no aumento da força dos membros superiores e inferiores (27,3% e

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16 17,4% respetivamente), no aumento da flexibilidade (14,5% e 17,4% respetivamente) e no aumento da agilidade e equilíbrio (11%).

Mais recentemente, Freiberger et al. (2012) ao estudarem 280 idosos num programa de exercício físico durante 16 semanas com 2 sessões semanais, encontraram melhorias significativas na mobilidade e aptidão física. Estas melhorias traduziram num aumento da força muscular, aumento da capacidade aeróbia e aumento do equilíbrio, que por sua vez, foram capazes de reduzir o risco de queda.

Também Bird et al. (2010), ao compararem o efeito de um programa de exercício físico composto por treino de força e exercícios resistidos, entre um grupo experimental e um grupo controlo, encontraram diferenças significativas entre os dois grupos, afirmando que o grupo experimental melhorou a força muscular, o que se traduziu num menor risco de queda.

Embora existam evidências de que os programas de exercício físico produzem melhorias benéficas na qualidade de vida dos idosos, existem referências de vários autores (Peri et al., 2007; Krol-Zielinska et al., 2010; Ikezoe et al., 2013) que idosos institucionalizados não praticam, ou praticam em quantidades muito baixas, exercício físico regular, o que por sua vez, pode contribuir para a diminuição da sua autonomia.

O programa de exercício físico mais eficiente deve ser identificado, considerando a combinação ótima entre a intensidade, volume e frequência de sessões semanais que poderão promover adaptações musculares e cardiovasculares e, por sua vez, melhorar a capacidade funcional em idosos institucionalizados, reduzindo, assim, as quedas e o risco de quedas (Rosendahl, 2006; Tinetti, 2008; Cadore et al., 2013; Cadore et al., 2014a; Álvarez-Barbosa et al., 2014).

Sendo assim, os programas de exercício físico compostos por exercícios resistidos, aeróbios, flexibilidade e equilíbrio são necessários para melhorar o estado funcional geral da população idosa institucionalizada (Cadore et al., 2014). Os idosos com mais de 70 anos que realizam este tipo de programa são mais saudáveis e funcionais que aqueles que não praticam este tipo de programa (Clemson et al., 2012). De acordo com os autores anteriores, os programas de exercício físico devem ser simples, de fácil aplicação para grupos e com baixo custo.

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17 Na Tabela 2, podemos observar os estudos já realizados pelos diferentes autores sobre a temática dos programas de exercício físico em idosos institucionalizados com mais de 80 anos de idade e os resultados que obtiveram em relação ao risco de quedas e melhorias da aptidão física. Os estudos serão apresentados por ordem cronológica, de forma a facilitar a leitura do artigo mais antigo para o mais recente.

Tabela 2. Programas de exercício físico em idosos

Autor Amostra Metodologia Resultados

Hauer et al. (2001) n=57 (GC* n=26, 82.1; GE** n=31, 82.2) 12 semanas, 3 sessões semanais. Exercícios resistidos e aeróbios ↑ força muscular e aptidão funcional; ↓ risco de quedas Hauer et al. (2002) n=28 (GC n=13, 80.8; GE n=15, 81.7) 12 semanas, 3 sessões semanais. Exercícios resistidos ↑ força muscular e aptidão funcional; ↓ risco de quedas Hauer et al. (2003) n=57 (GC n=26, 82.1; GE n=31, 82.2) 12 semanas, 3 sessões semanais. Exercícios resistidos e equilíbrio ↑ força muscular e aptidão funcional; ↓ risco de quedas Baum et al. (2003) n=20 (GC n=9, 75-96; GE n=11, 78-99) 16 semanas, 3 sessões semanais. Exercícios resistidos, aeróbios e flexibilidade ↓ risco de quedas

Henwood et al. (2005) n=10 (88.4) 12 semanas, 2 vezes por semana. Exercícios resistidos e aeróbios ↑ força muscular e aptidão aeróbia; ↓ risco de quedas Peri et al. (2007) n=149 (GC n=73, 86.8; GE n=76, 84.7) 6 meses, 3 sessões semanais. Exercícios resistidos e flexibilidade ↓ risco de quedas Bossers et al. (2014) n=33 8GC n=16, 84.1; GE n=86)

6 semanas, 5 sessões por semana. Exercícios resistidos e aeróbios

↑ força muscular e aptidão aeróbia; ↓ risco de quedas Cadore et al. (2014a) n=24 (91.9) 12 semanas, 2 sessões

semanais. Exercícios resistidos

↓ risco de quedas

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18 semana. Exercícios resistidos e equilíbrio equilíbrio; ↓ risco de quedas Álvarez-Barbosa et al. (2014) n=29 (GC n=11, 85.5; GE n=14, 84.0) 8 semanas, 3 sessões semanais. Exercícios resistidos ↓ risco de quedas Benavent-Caballer et al. (2014) n=89 (GC n=23, 83.6; GE1 n=22, 85.5; GE2 n=22, 82.9; G3 n=22, 83.6) 16 semanas, 3 sessões semanais. Exercícios resistidos ↑ força muscular e equilíbrio; ↓ risco de quedas

*GC=Grupo Controlo;** GE=Grupo experimental;*** PEF=Programa de Exercício Físico;↑=aumento;↓=redução.

Estes estudos mostram que a aplicação de um programa de exercício físico nos idosos institucionalizados com idade igual ou superior a 80 anos consegue melhorar a aptidão física dos idosos em uma ou duas componentes e reduzir o risco de quedas. Sendo assim, segundo os autores, é importante englobar várias componentes da aptidão física no programa de exercício físico. Não da nossa pesquisa, não foram encontrados estudos que aplicaram um programa de exercício físico que exercitasse todas as componentes da aptidão física nesta população.

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3. Metodologia

3.1. Amostra

A amostra deste estudo foi inicialmente constituída por 17 indivíduos (86±3,31), sendo 3 do sexo masculino e 14 sexo feminino tendo sido selecionada a partir de uma população de 44 idosos institucionalizados.

Para inclusão no estudo os participantes tinham que cumprir com os seguintes critérios: ser octogenário (ter idade igual ou superior a 80 anos); estar institucionalizados há mais de 6 meses; possuir locomoção autónoma, podendo utilizar auxiliares de marcha como bengala ou andarilho; autorização médica para a prática do exercício físico e não ter nenhuma patologia impeditiva para a realização deste programa (incapacidade de comunicação verbal, problemas de visão e auditivos severos, incapacidade de ficar de pé sem suporte, incapacidade de compreender instruções verbais e/ou estar a tomar medicação com influência no equilíbrio).

Após a seleção dos potenciais participantes, estes mesmos foram convidados a participar voluntariamente neste programa, assinando o consentimento informado.

Os participantes eram excluídos caso: a sua adesão ao programa de exercício físico fosse ≤65%; desistissem; ou tivessem complicações médicas (doença).

Na Figura 2, podemos ver o diagrama de fluxo dos participantes deste estudo.

Figura 2. Diagrama de fluxo

3.2. Procedimentos

A primeira etapa exigiu o contacto inicial com o vereador da instituição, durante o qual lhe foi explicado todos os objetivos e metodologias do estudo, bem como solicitado a autorização para a aplicação do estudo. Após a sua autorização, foi consultada a base de dados, que continha o registo de todos os idosos institucionalizados. Nessa etapa foram selecionados os potenciais participantes que cumpriam com os critérios de inclusão.

Idosos institucionalizados (n=44) Critérios de inclusão (n=20) Participação voluntária no estudo (n=17)

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20 Durante o primeiro contacto com os potenciais participantes, foi-lhes explicado os objetivos do estudo bem como o programa de exercício físico que era proposto ser aplicado, bem como os possíveis desconfortos que poderiam surgir durante as sessões de exercício físico. Os participantes convidados que quiseram participar voluntariamente neste estudo procederam à assinatura do consentimento informado (Anexo 2). Depois do recrutamento estar terminado, estivemos durante uma semana a adaptar e certificar a adequabilidade dos exercícios à população em estudo.

Na etapa seguinte os participantes foram avaliados antropometricamente, preencheram um questionário sociodemográfico através de uma entrevista pelo investigador e realizaram a avaliação do teste TUG (pré-teste). Nessa mesma etapa foi reunida a informação relativa ao histórico de quedas que cada participante teve durante os 12 meses antes da aplicação do programa de exercício físico.

Na semana seguinte foi implementado o programa de exercício físico criado para este estudo e aplicado durante 16 semanas, 3 sessões por semana com uma duração aproximada de 30 a 45 minutos. Após o nosso programa de 16 semanas, foi realizado o pós-teste com a replicação do momento de avaliação inicial. A variável estabelecida foi comparada antes e após o programa (16 semanas). O processo desde a primeira etapa (contacto com o vereador da instituição) até ao pós-teste foi de 19 semanas.

O cronograma das etapas do estudo é apresentado na Tabela 3.

Tabela 3. Cronograma do Estudo

Semana Etapa

1 Contacto com o vereador da instituição Seleção dos potenciais participantes

Adaptação e certificação da adequabilidade dos exercícios 1 Avaliação antropométrica e questionário sociodemográfico

TUG (Pré-teste)

16 Programa de exercício físico 1 TUG (Pós-teste)

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3.2.1. Instrumentos

Avaliação antropométrica

Os indicadores antropométricos recolhidos foram a massa corporal e estatura, com recurso a uma balança profissional com estadiómetro incorporado modelo Balmak 111 (Balmak Indústria & Comércio, Santa Bárbara D’Oeste, Brasil). Estas avaliações ocorreram no período da manhã, num horário definido de 10 em 10 minutos, em que cada participante foi chamado individualmente, tendo-lhe sido previamente solicitado que trouxesse roupa leve e que viesse descalço. Foi depois calculado o Índice de Massa Corporal (IMC), expresso em kg/m2, através da fórmula padrão.

Histórico de quedas

Para investigar o número de quedas em que cada participante esteve envolvido foram questionadas as enfermeiras da instituição, que consultaram as fichas de registo de cada idoso participante neste estudo. Estas fichas continham o registo de cada idoso desde a sua institucionalização. Para o nosso estudo quisemos saber as quedas que cada participante teve nos 12 meses anteriores à aplicação do programa de exercício físico (Setembro de 2014 até Agosto de 2015).

Questionário sociodemográfico

A caracterização sociodemográfica de cada participante foi feita através de um questionário criado por Ferreira (2011, Anexo 4). Neste constam questões relacionadas com o estado civil, habilitações literárias, tempo que reside na instituição e motivo pelo qual foi institucionalizado. A aplicação do questionário foi realizada individualmente pelo investigador, através de uma entrevista com duração aproximada de 15 minutos.

Avaliação do risco de quedas

Para a avaliação da mobilidade utilizamos o teste Timed Up & Go (TUG) criado por Podsiadlo e Richardson (1991). Estes mesmos autores determinaram que o TUG tem boa fiabilidade na medição de equilíbrio, velocidade de marcha e mobilidade. O TUG é usado para identificar potencial risco de queda (Okumiya et al., 1998; Killough, 2006). Este teste consiste em levantar de uma cadeira com braços, caminhar 3 metros de forma segura e o

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22 mais rapidamente possível, através de uma linha marcada no chão, dar a volta, fazer o caminho inverso e voltar a sentar-se, no menor tempo possível, medindo em segundos.

Estas avaliações foram feitas no período da manhã, sendo que cada participante foi chamado individualmente para realizar o TUG. Todos os participantes estavam sentados pelo menos trinta minutos antes de iniciar a avaliação da mobilidade. Em todos os momentos de avaliação, foi pedido que cada participante usasse o calçado mais confortável que tinha e que usasse sempre o mesmo calçado, e caso usassem auxiliares de locomoção, que fosse sempre utilizado com o mesmo braço. Antes da avaliação, o examinador familiarizou os participantes com os procedimentos através de explicação, demonstração e da realização de várias repetições práticas. Para uma maior fiabilidade dos resultados, cada participante executou duas vezes, utilizando-se apenas o melhor tempo.

3.2.2. Programa de Exercício Físico

Os participantes foram sujeitos a um programa de exercício físico supervisionado, 3 vezes por semana com uma duração aproximada de 30 a 45 minutos de tempo útil.

Para um maior controlo, os participantes foram divididos em grupos, sendo um grupo constituído por 9 participantes e outro grupo por 8. As sessões foram aplicadas sempre no período da manhã e o mesmo programa era aplicado a ambos os grupos. Foram criadas 3 sessões diferentes, sendo cada um delas aplicada uma vez por semana, isto é, dado cada semana ter 3 sessões, foi desenvolvida uma sessão diferente para cada dia. A sequência das sessões manteve-se do início até ao fim das 16 semanas.

O material usado para as sessões de exercício físico foram 9 cadeiras, 9 mesas, 9 caixas, 9 pares de garrafas enchidas com areia (0,8kg), 9 balões de ar, bolas de espuma com o tamanho de uma mão e 200 amêndoas.

Na Tabela 4, podemos observar a sequência das sessões de exercício físico, que foi sempre igual nas 3 sessões diferentes. Cada sessão tinha: aquecimento, exercícios aeróbios, de força, de agilidade e equilíbrio e flexibilidade. O aquecimento e os exercícios de flexibilidade foram sempre iguais nas 3 diferentes sessões. Em anexo (Anexo 5) está disponível uma das sessões semanais aplicada aos participantes.

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Tabela 4. Sequência das sessões de exercício físico

Modo Duração

Aquecimento Marcha + circuito de escadas Mobilidade articular

5 minutos

Exercícios aeróbios Marcha + tarefa de motricidade fina 10 minutos Exercícios de força Exercícios baseados em cadeiras com o

peso do corpo e pesos livres

5 - 20 minutos

Exercícios de equilíbrio/agilidade Jogos de equilíbrio 5 minutos Exercícios de flexibilidade Alongamentos estáticos 5 minutos

O aquecimento consistiu num percurso de marcha com um circuito de escadas (20 degraus) que cada participante realizou pelo menos uma vez, por cada sessão (Figura 3). Na mobilidade articular foram selecionados e implementados exercícios específicos para promover o aumento da amplitude articular dos membros (Figura 4).

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Figura 4. Exercícios de mobilidade articular

Os exercícios aeróbios consistiam em realizar uma marcha combinada com uma tarefa de motricidade fina, durante um período de aproximadamente de 10 minutos. Em caso de cansaço ou fadiga muscular, o participante podia descansar o tempo suficiente para voltar a exercitar-se. Foram aplicados 3 exercícios diferentes, sendo um para cada sessão.

O exercício da Figura 5 consistia em colocar todos os participantes sentados numa cadeira, em que as cadeiras formavam uma circunferência. Após estes receberem um comando (p.e. “2 cadeiras para a direita”; “3 cadeiras para a esquerda”), os participantes tinham que se levantar da cadeira, realizar o comando pedido e depois sentar na cadeira pedida. O número de comandos era variável, dependendo da execução dos participantes.

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25 No exercício aeróbio da Figura 6 os participantes estavam sentados numa cadeira encostada numa parede e na parede oposta encontravam-se caixas com amendoas em cima da mesa. Havia uma caixa para cada participante. Depois do comando “3,2,1,Vai!” os participantes levantavam-se, caminhavam até a sua caixa correspondente, pegavam numa amendôa e regressavam a sua cadeira e colocavam lá a amendôa, voltando a repetir o mesmo processo.

Figura 6. Exercício aeróbio nº2

No exercício aeróbio nº3 (Figura 7) cada participante, segurando num balão (várias cores), estava sentado numa cadeira, estando as cadeiras organizadas sob a forma de uma circunferência. Após receberem um comando (p.e. “balão azul troca de lugar”, “balão amarelo troca de balão”), os participantes tinham que realizar o comando pedido.

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26 Nos exercícios resistidos era pedido aos participantes que realizassem o máximo de repetições possíveis, durante 45 segundos ativos, tendo 15 segundos para descansarem e se prepararem para o exercício seguinte ou série seguinte. Os exercícios eram realizados com o uso do próprio peso corporal, com o uso de pesos livres ou uso de bolas de espuma, realizados sentados ou em posição ereta. Em caso de cansaço ou fadiga muscular, o participante podia descansar o tempo necessário até se sentir apto a exercitar-se. Cada sessão tinha 5 exercícios diferentes e na Tabela 5 podemos observar a progressão.

Tabela 5. Progressão do número de circuitos resistidos

Semana Número de circuitos

1 - 4 1

5 - 8 2

9 - 12 3

13 - 16 4

Em baixo, podemos observar nas figuras, a fase inicial e final de cada exercício. Os primeiros 5 exercícios (Figura 8 – Figura 12) correspondem a uma sessão, os 5 exercícios seguintes (Figura 13 – Figura 17) a outra sessão e os últimos 5 correspondem a terceira sessão (Figura 18 – Figura 22).

Na Figura 8, o exercício consistia na flexão e extensão do antebraço sobre o braço, exercitando o músculos dos membros superiores.

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27 O exercício da Figura 9 exercitava os músculos dos ombros, em que era pedido aos participantes que fizessem a adução frontal dos ombros, com os braços em completa extensão.

Figura 9. Adução frontal

O exercício da Figura 10 exercitava os músculos do tronco, em que era pedido aos participantes que fizessem a adução frontal dos ombros e apertassem a bola e relaxassem o maior número de vezes durante os 45 segundos.

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28 O exercício da Figura 11 trabalhava grupos musculares dos membros inferiores, em que se pedia ao participante que se segurasse com as duas mãos no encosto da cadeira e mantendo a extensão completas dos joelhos e da anca, fizesse a flexão e extensão plantar.

Figura 11. Extensão plantar

O exercício da Figura 12 era realizado 25 segundos para um membro, 10 segundos de descanso e depois 25 segundos para o outro membro. Este exercício exercitava grupos musculares dos membros inferiores, em que se pedia ao participante que se segurasse com as duas mãos no encosto da cadeira, sendo pedido a adução lateral da perna (em completa extensão) e a abdução.

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29 o exercício da Figura 13 exercitava os grupos musculares dos ombros, em que os participantes tinha que realizar um movimento de extensão e flexão do cotovelo e do ombro acima da cabeça.

Figura 13. Press militar

O exercício da Figura 14 exercitava os grupos musculares do pescoço (trapézios) e ombros, em que os participantes tinha que realizar um movimento de adução e abdução lateral dos ombros, com os pesos livres sempre próximos do corpo.

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30 O exercício da Figura 15 exercitava os grupos musculares dos braços, em que os participantes tinha que realizar um movimento de flexão e extensão do cotovelo, mantendo os braços sempre atrás da cabeça.

Figura 15. Tricipite Militar

O exercício da Figura 16 exercitava os grupos musculares dos membros inferiores, em que era pedido aos participantes que se sentassem na cadeira e depois se levantassem, terminando a repetição com a extensão dos joelhos e da anca.

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31 O exercício da Figura 17 era realizado 25 segundos para um membro, 10 segundos de descanso e depois 25 segundos para o outro membro. Este exercício exercitava grupos musculares dos membros inferiores, em que se pedia ao participante que se segurasse com as duas mãos na cadeira, sendo solicitada a extensão do joelho (Figura 17).

Figura 17. Extensão do joelho

O exercício da Figura 18 consistia na flexão e extensão do antebraço sobre o braço, com uma rotação interna do antebraço, exercitando o músculos dos membros superiores.

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32 O exercício da Figura 19 exercitava os grupos musculares do pescoço (trapézios), em que os participantes tinha que encolher os ombros, levantando ao máximo as omoplatas, relaxando outra vez até a posição inicial.

Figura 19. Encolhimento dos ombros

O exercício da Figura 20 exercitava os grupos musculares dos ombros, em que os participantes tinha que realizar um movimento de extensão e flexão do cotovelo e do ombro acima da cabeça.

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33 O exercício da Figura 21 exercitava os grupos musculares dos membros inferiores, em que os participantes tinham que apertar a bola de espuma e relaxar maior número de vezes durante os 45 segundos.

Figura 21. Apertar a bola com os membros inferiores

O exercício da Figura 22 era realizado 25 segundos para um membro, 10 segundos de descanso e depois 25 segundos para o outro membro. Este exercício exercitava grupos musculares do recto abdominal, em que os participantes tinha que, com o joelho fletido, realizar uma flexão da anca sobre o abdominal.

Imagem

Tabela 1. Estimativas e a esperança média de vida a nível mundial
Figura 1. Pirâmide etária da população portuguesa, entre 1998 e 2009 (INE, 2009)
Tabela 2. Programas de exercício físico em idosos
Figura 3. Marcha + circuito de escadas
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Referências

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