_
Universidade
Federal
de Santa
Catarina
-.
Programa
de Pós-graduação
em
Engenharia
de
Produção
AS»
TECNOLOGIAS
DE
INFORMACAO
E
DE
COMUNICAÇÃO
NO
ESPAÇO
ESCOLAR:
O'Programa
Nacional
de
Informática
na
.
Educação.
(ProInfo')
em
Santa Catarina
I
\
,--
Elisa
Maria
Quartiero
Tese apresentadaao
Programa
de Pós-graduaçãoem
Engenharia deProdução da
UniversidadeFederal de Santa Catarina
como
requisitoFlorianópolis
2002'
parcial para obtenção
do
títulode
Doutor
em
Engenharia de Produção.Elisa
Maria
Quartiero
AS
TECNOLOGIAS
DE
INFORMAÇÃO
E
DE
COlV[`UN`Í[CAÇÃO
NO
ESPAÇO
ESCOLAR:
o
Programa
Nacional de Informática na
Educação
(Prolnfo)
em
Santa Catarina
\ '
`
Esta tese foi julgada e aprovada para a obtenção do título de
Doutor
em
Engenharia de
Produção
no
Programa
dePós-graduação
em
Engenharia
deProdução da
Universidade Federal de Santa Catarina.
`FlorianÓpol.is_, 1.8 de
março
de2002
/I
Professor icardo arcia,Ph. D.
Co
r `enado'do Curso 'Ban
aexaminadora
M/
Prolf. JoãoBose
`da
Mota
Alves, Dr. Prof.Nelson
de l7ue{Pretto, Dr.Orien a or
Q/
J
QWQ
rlãrma
Prof. Paulo Gileno Cysneiros, Dr. Pro͓ Ione Ribeiro
Va
e, Dr"._ 1'
Prof' Êdla Faust Rz mos,
D
“ iProlf , Dr.
E
(/
Prof. Leandro Komosinski, Dr.
AGRADECIMENTOS
Ao
prof.João
Bosco
da Mota
Alves,
muito
mais
que
um
orientador,
um
amigo.
A
Araci
H.
Catapan,
companheira
na
aventura
de
tentar
entender
a
relação entre
educação
e
tecnologia.
`A
EliseMendes
Barbosa, cuja
amizade
foium
dos melhores
frutos
deste
doutorado.
Ao
Lucídio,
razão
maior de
ter iniciado
e
terminado
este trabalho
de
pesquisa.
Ao
Ricardo,
pelas
instigantes
viagens pós-modernas..
A
todos os
professores que,
ao-me
deram
um
pouco do seu
tempo
e
me
contaram do seu
trabalho,
me
permitiram
construir
este trabalho:
Deyze,
Claúdia,
Lucília,Maristela,
Sílvio,Luciana, Graça,
Luiz,Ieda,
Ilvo,Terezinha,
Hilário,Sebastião, Regina,
Tatiane,
Célia,Pedro, Aracy,
Ana
Maria,
Maria
Aparecida,
Luiz,Leandra,
Sueli,Bea,
Odila, Vilson, Sílvia,Denise,
Maria
Zilene,
Carmem,
Lurdete,
Maria
de
Fátima,
Rosane,
Pedro,
Julibio,Daisy, Silvana, Lenita,
Giovana
e
tantos
outros
professores
com
os quais
fomos
trocando figurinhas sobre
este
talde
iv
Pensar não e' sair da caverna nem substituir a incerteza das sombras
pelos contornos nítidos das proprias coisas, a claridade 1/acilante
de
uma
cbama pela luz do verdadeiro SolÉ
entrar no Labirinto,mais exatamente fazer-ser e cparecer
um
Labirinto ao passo que se poderia ter ficado estendido entre as flores, voltado para o ce'u.É
perder-se em galerias que so' existem porque as caoamos, incansavelmente, girar no fundo de
um
beco ciqo acessose fizcbou atras dos nossos passos
-
ate' que essa rotacão, ineaqblicauelmente, abra, na parede, findas por onde se pode passar:Com
toda certeza, o mito queria signfiicar algo de importante, quando fizzia do Labirinto a obra de De'dalo,um
bomem.V
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO
... ..o1PARTE
I:A
TECNOLOGIA
E
A
EDUCAÇÃO
1.
EXPLICITANDO OS
CAMINHOS
DA
PESQUISA
EM
TECNOLOGIA
EDUCACIONAL
... .. 101. 1Tecnologia educacional: conceitos ... ..10
1.2 Pesquisas sobre os meios e materiais: deslocando
O
focodo
ensino à aprendizagem... 17PARTE
nzO
PAPEL
DAS
POLÍTICAS.
PÚBLICAS»
2.POLÍTICAS
PÚBLICAS
PARA
A
UTILIZAÇÃO
DAS
TECNOLOGIAS.
DE
INFORMAÇÃO
E
DE
COMUNICAÇÃO
NA
EDUCAÇÃO
... .... ..37
2.1Inici~ando
O
processo; a introduçãodo computador
no
espaço escolar ... ..382.1.1 Avaliação de
um
programa
de informatização da educaçãoimplementado na
décadade
80:O
ProjetoMINERVA
... ..462.1.2
Meados
dos anos90 do
séculoXX:
Retomada
das políticas públicas paraa informatização das escolas públicas ... ..492.1.3 Avaliação de
um
programa
de informatizaçãoda
educaçãoimplementado
na década de 90: O Projeto» ImpactT2
... ..582.3 Políticas públicas brasileiras de informatização
da
educação e sua articulaçãocom
O
movimento
mundial ... .. 633.
SITUANDO
A
BASE
MATERIAL
DA
PESQUISA:
o Programa
Nacional de Informática naEducação
(Prolnfo) ... ..703.1 Estabelecendo os contornos
do
Programa
... ..703.2
Os
Núcleos de Tecnologia Educacional (NTEs)' ... ..803.3 Por dentro
do
Prolnfo:O
discurso dos multiplicadores ... ..883 .3.1
A
concepção de informática educativa dos multiplicadoresdo
Prolnfo ... ..893.3.2
A
organização dos Núcleos de Tecnologia Educacional ... ..953.3.3
A
capacitação dos professores das escolas ... .. 1013.3.4
Os
softwares utilizados nosNTEs
... .. 107PARTE
111;O COMPUTADOR
NA
ESCOLA
PÚBLICA
~ 4.A
IMPLEMENTAÇAO
DO
PROINFONO'
ESTADO DE SANTA
CATARlNA...
1144.1
A
Proposta estadual ... ... ..1144.2
A
formação dos professores/multiplicadoresem
Santa Catarina ... ... .. 1254.2.1
O
Programa
de Pós-graduação Interdisciplinarem
Gestãoda
Informática naEducação
(SED/PPGEP/UF
SC)
... .. 1264.2.2
O
Curso
de Especialização lato sensuem
Informáticana Educação
4.2.3
O
Curso
de especialização lato sensuem
Gestão de Tecnologias Aplicadas àDistância ... _. 148
5.
APRENDER
AS TECNOLOGIAS:
vivenciando processos de capacitaçao deprofessores ... ..
5.1 Explicitando a nossa
caminhada
... ..5.2
Quem
são estes professores e professorasque
estão participando dos cursosde
informática aplicada à educação? ... ..
5.3
As
expectativas e motivações dos professores ... ..6.
OS
MULTIPLICADORES
EM
AÇÃO:
Professorformando
professor ... ..6.1
O
cotidiano de trabalho dos multiplicadores ... ..6.1.1
Os
multiplicadores dosNúcleos
dez Tecnologia Educacional Estaduais ...6.1.1.1
A
iniciação ... ..'
6. 1. 1.2' Oi trabalho
do
multiplicador ... ..6.1.1.3
A
capacitação dos professores ... ..6.1.2
Os
multiplicadores dosNúcleos
de» Tecnologia Educacional Municipais ... ..6.1.2.1 Contextualização e algumas 'inferências ... ..
6.1.2.2'
A
organizaçãodo
trabalhodos
multiplicadores municipais ... ..6.1.2.3
A
proposta de capacitaçãodos
NTEs
municipais ... ..6.2
O
usoda
sala informatizada pelo professor ... ..CONCLUSÃO
... ..BIBLIOGRAFIA
... . .VII
LISTA
DE
TABELAS
Tabela I - Distribuição das quotas de computadores por Estado ... ..75
Tabela II -
Metas do
Prolnfo ... ..79
Tabela III' -
Metas
alcançadas ... ..79
Tabela
IV
-Número
de computadores entregues por região ... ..80
Tabela
V
- Capacitação dos multiplicadores por universidade e por Estado ... ..82
Tabela
VI
- Capacitação realizada pelo Prolnfo ... .. .86
Tabela VII - Escolas
que
receberamcomputadores do
Prolnfoem
SC
... .. 122Tabela VIII - Disciplinas e
número
de créditos - cursoSED/PPGEP/UF
SC
... .. 126Tabela
Dš
- Organizaçãodo
Cursoda
FERJ/LEC/UFRGS'
... ... .. 136Tabela
X
-
Cronograma do
Curso de Especializaçãoem
Informáticana Educação
... .. 137Tabela
XI
- Disciplinasdo Curso
ESAG/UDESC/SED
... ._ 152 Tabela XII -Grau
de instrução dos professores ... .. 163Tabela XIII -
Fonnação
escolardo
professor ... .. 164Tabela
XIV
- Ano
em
que concluiu0
curso superior ... ..167
Tabela
XV
-
Idade dos professores ... ..167
Tabela
XVI
- Tempo
de trabalhono
magistério ... .. 168Tabela
XVII -
Função
dos professores nas escolas ... .. 169Tabela
XVIII
-
Sérieem
que o
professor atua ... .. 170Tabela
XIX
-
Computador
pessoal ... .. 173Tabela
XX
-
O
usodo
computador., ... .. 174LISTA
DE
QUADROS
Quadro
I-Os
nove
eventos de instrução através deexemplos
de R.Gagné
... ..22
Quadro
II -Modelo
deAprendizagem
de Impacto Direto ... .. 61Quadro
IV
- Níveis hierárquicos deuma
atividade ... ..116Quadro
V
- Cursos analisados ... .. 161Quadro
VI
- Texto produzido por professoresno
curso de capacitaçãoem
informáticaeducativa
-
1998 ... ... .. 192Quadro
VII - Texto produzido por professoresno
curso de capacitaçãoem
informáticaeducativa - 1998 ... 192
'Quadro VIII - Texto produzido por professores
no
curso de capacitaçãoem
informáticaeducativa
-
1998 ... .. 193LISTA
DE FIGURAS
Figura I - Sujeitos
que
constituemo
Prolnfo ... ..72
Figura II - .Estrutura organizacional
do
Prolnfo ... .. 73GRÁFICOS
Gráfico
I-
Escolas conectadas por região ... ._68
ix
RESUMO
A
pesquisaque
subsidiou a escritura desta tese é direcionada à análise das políticas públicas educacionais voltadas à formação de professores para utilizar as tecnologias de informaçãoe de
comunicação no
ensino fundamental e médio, particularmenteo Programa
Nacionalde
Informática
na Educação
(Prolnfo) e seudesdobramento
no
Estado de Santa Catarina.Nesta perspectiva realizamos
um
mapeamento»
descritivo eprocedemos
auma
análisequalitativa
da
situação atual daformação
de professores para atuarcom
informáticana
educação.
A
pesquisa está ancoradana formação
continuada de professores, realizadaem
serviço, a partir das diretrizes
do Programa
Nacional de Informáticana Educação
(Prolnfo).O
estudotem
seu eixo norteadorna
concepção de informática na educação presente nestapolítica,
na
proposta tecnológica e pedagógicado
Programa, na formação oferecida aosmultiplicadores, assim
como
no
trabalho de capacitação desenvolvido por estesmultiplicadores junto aos Núcleos de Tecnologia Educativa
(NTE)
no
Estado de SantaCatarina. Focalizamos e.
apreendemos
as contradições inerentes aum
processocaracterizado pelos avanços, recuos, conquistas, disputas e aprendizagens advindos das tentativas, erros e acertos na implementação
de
uma
política pública. Entre os resultadosda
pesquisa
apontamos
subsídios para a formulação de propostas de capacitaçãode
X
ABSTRACT
The
studyon which
this thesis is based focusedon
an analysisof
public educationalpolicies
concemed
with training teachers to use information andcommunication
teclmologies in elementary and high school education. In particular,
we
analyzed the NationalProgram For
Computerization of Education (Prolnfo) and its ramifications in thestate
of
Santa Catarina.The
study involved a descriptivemapping
and
then a qualitativeanalysis
of
the current situationof
training teachers towork
with computers in education.The
study is anchoredon
the continued trainingof
teachers, conducted in service, basedon
the regulations of the National
Program For
Computerization of Education (Prolnfo).The
central focus
of
the study is an analysisof
the conceptof
computerization in educationfound in this policy, in the teclmological and pedagogical proposal
of
the Program, in thetraining offered to those
who
pass along the concepts, as well as in thework
of
trainingundertaken
by
these “multipliers” in the Centers 'of EducationalTechnology
(NTE)
inSanta Catarina.
We
focuson
and study the contradictions inherent to a process characterizedby
advances, setbacks, accomplishments, -disputesand
lessons learnedfrom
trials,_ errors and success in the implementation
of
this public policy.The
resultsof
the study includesome
formulationof
proposals for training teachers to use informationand
1.
1NTRo1›UÇÃo
As
transformações tecnológicas, organizacionais e gerenciais estão representandonovos
desafios aos trabalhadoresem
geral e, particularmente, aos trabalhadoresda
educação
bem como
às instituições educacionais.Novas
formas de organizaro
trabalho escolar estão sendo propostas e experimentadas. Entre estas, aparece
com
destaque, as discussões sobre a introdução e utilização
de
equipamentos informacionaisno
espaço escolar. Estenão
éum
tema
recente,porém
ganha novo
fôlego a partirdos
atuais avanços tecnológicos proporcionados, principalmente, pelas tecnologias
de
informação e
de
comunicação. ,Tecnologiasque
transformamnão
só as nossas formas de comunicação,mas
também
as formas de trabalhar, decidir, pensar, viverenfim.
Estas propostas de
mudança têm
sidoacompanhadas
por reformas nos sistemasde
ensino diversos paises,
na
tentativa de dar respostas à essas novas exigênciasque
estão gerando novas
demandas
sociais.A
necessidade demodemizar
a educação, via introdução das tecnologias computacionaisno
espaço escolar, toma-se parte integrantede
todos os discursos governamentais.No
Brasilnão
é diferente.Nas
reformasem
curso detectamos três prioridadesque
são constantemente (re)colocadas: gestão escolar,formação de
professores e disseminaçãodo uso
pedagógicoda
informática nas escolas.Queremos
nesta pesquisa investigar as duas últimas prioridades:como
está sendo introduzida a informática nas escolas e, igualmente,como
os professores estão sendocapacitados para incluir esta tecnologia
no
seu fazer docente.Nesta perspectiva, a pesquisa
tem
como
objetivo 'analisar as .políticas públicas educacionais voltadas àformação de
professores para utilizar as tecnologiasde
informação e
de comunicação no
ensino fundamental e médio. Para tanto, realizamosum
mapeamento
descritivo eprocedemos
auma
análise qualitativada implementação
do
Programa
Nacionalde
Informática naEducação
(Prolnfo) e,mais
especificamente,o
desdobramento
no
Estadode
Santa Catarina. .Como
uma
decorrência deste Programa, desde 1998, estão sendo distribuídoscomputadores para as escolas públicas e
formados
professores para serem osmultiplicadores
do
uso desta tecnologiana
escola.A
pesquisa está ancoradana
formação continuada destes professores, realizada
em
serviço, a partir das diretrizesdo
Z
Prolnfo
no
Estadode
Santa Catarina -em
que
analisamos as implicaçõesda
introdução dos computadoresno
espaço escolar. Neste sentido,procuramos
entender estefenômeno
particular, sua idiossincrasia e sua complexidade, a partir de
uma
situação concreta,o
Programa
Nacional,que ganha
a sua efetividadeem uma
situação particular, SantaCatarina.
O
nosso interessena
pesquisa centra-seno
significadoque
os sujeitosenvolvidos atribuem
ao
Programa,ou
seja,buscamos
entender ascomplexas
interaçõesque
se concretizam entreuma
nova
proposta educacional, seus usuários e seus objetivos.Nesse
sentido,o
estudotem
seu eixo norteador na concepçãode
informáticana
educação presente nesta política, na sua
forma de
implementação tecnológica e pedagógica,na formação
oferecida aos multiplicadoresdo
Programa, assimcomo
no
trabalho
de
capacitação desenvolvido por estes multiplicadores junto aos Núcleos de Tecnologia Educativa(NTE)
no
Estado.Nosso
objetivo principal é apresentar, interpretar e analisar os conhecimentosque
foram sendo
obtidoscom
os diferentes informantes pormeio
de diferentes estratégiasutilizadas
no
decorrerda
pesquisa. Durante a nossa investigaçãoprocuramos
terpresente
que
investigar
também
é resgatar, ordenar e interpretar as diferentes vozes dos queparticipam de
uma
inovação e dotá-las deum
novo sentido: o que lhes atribuioolhar de
quem
vê e se aproxima da inovação de fora,com
a finalidade de gerarum
conhecimento crítico a partir de e para os implicados e/ou para os quepossam estar relacionados
com
outras situações educativas similares. (Hemández, 2000, p. 43) 'Outro
pontoque
orientou nosso trabalho foi acompreensão que a
educação éum
fenômeno
dotadode
maior complexidadedo que
a derivada deuma
série de atividadesextemas
e diretamente observáveis, caracterizando-secomo uma
atividadeque
estásendo constantemente construída, (re)criada e interpretada..
O
Prolnfotem
sido objeto de interesse ede
investigaçãode
pesquisadores, tantoem
cursosde
mestradocomo
de doutorado, quantoem
avaliações contratadas pelo próprioMEC/SEED.
O
interesseque
move
essas investigações està relacionado,principalmente, a
dimensão
do
Programa,a
discussão atual sobreo uso
do
computador
na educação
eo
direcionamento dessa tecnologia para a escola pública.Nesse
sentidoforam
desenvolvidas pesquisas - e outras estãoem
andamento
- envolvendo a5
Straub, 2002),
em
Estados (Rosa, 2000; Cella, 2000) e aformação
dos multiplicadores(Andrade, 2000;
Cox,
2000). Estas investigações estão permitindo' a apreensãomais
precisa
do
estadoda
arteda
implantação edo
desenvolvimentodo
Prolnfono
país, apartir
de
enfoques particularizadosque vão
propiciando a tessiturade
uma
redede
informações e análises a respeito
do
alcance destePrograma no
momento
atual. Acreditamos ser necessário lançar diferentes olhares sobre os diversos aspectosda
implementação
desta política pública para captar as diferentes formasde
constituiçãoda
proposta, tendo
como
base realidades regionais e locais heterogêneas. Estas pesquisaspermitem
fugirda
avaliação estandardizada e massivaque não
propiciacompreensões
mais amplas
sobrecomo
o
professor vivencia e. representa esta inovação educacional:o
computador
na
salade
aula. .`
Tendo
presentes estes pontos,queremos
indicar as questões que,no
processode
desencadeamento da
pesquisa, direcionaram tanto a caracterizaçãoda
empiria quantoo
mapeamento
e
apreensãodo
suporte bibliográfico necessário: .0
Com
tantas experiênciasde
políticas públicas educacionaiscom
históricode
insucesso
ou de
resultados duvidososem
função especialmente das recorrentes descontinuidades administrativasl, questiona-se:em
que o
Prolnfo se diferenciade
outros programas lançados pelo governo,no
seu processode
implementação e nos seus objetivos? V0 Quais são os fatores
que levam
os professores a rejeitarem/aceitarem propostasde
trabalho docenteque envolvam o uso de
computadores? Q ,0 Quais são os indicadores
que fazem
com
que
experiências educacionaisde
inclusão
da
informáticano
trabalho pedagógico sejam consideradasum
êxitoou
um
fracasso? '0
Qual o
papelda
formação dos professoresno
processo geralde implementação
da proposta
de
informatização das escolas públicas? Í ~0
A
escolhada
base tecnológicado Programa
favorece/interfere nos resultadospedagógicos? _
0
Qual o
tipo de participaçãoque
os professores estão tendona
definição'do
projeto pedagógico
de
inclusãodo computador no
espaço escolar? V1
Entendemos por descontinuidade administrativa, entre outros aspectos: mudanças de govemo;
redirecionamento de prioridades de
um
governo para outro e no interior deum
mesmo
govemo;4
Na
estruturaçãodo
projeto de pesquisa projetamos/arriscamosalgumas
respostasprévias, antecipadas (hipóteses)
ou
“proposições aserem
testadas” (Gil, 1996),como
podemos
observar abaixo.Algumas
foram
corroboradasno
todoou
em
parte e outrasrejeitadas,
como
veremos no
decorrer dos capítulosda
tese.No
processo, elasdesempenharam o
papelde
guias para nos manterno caminho
(método) traçado,uma
vez que,
conforme
Triviños (1987, p. 106), “a hipótese indicacaminhos ao
investigador,orienta seu trabalho, assinala
rumos
à investigação”.0
Embora
nos discursos a escola seja consideradao
espaço-tempoem
que
se colocarãoem
prática as diretrizesdo
Prolnfo,no
processode
suaconcepção
eimplementação
ela acabadesempenhando
um
papel secundário, caracterizando- secomo
locusde
aplicaÇã0de
projetos alheios a seu realidade.0
A
adesão dos professores aosnovos meios
informacionais para qualificaro
seu trabalho pedagógico está diretamente relacionada à sua participaçãoem
todas asfases
do
processode implementação do
projeto.0
A
formação
e capacitação dos professores para atuarno
Programa
é oque
vaipermitir,
em
grande parte,o
sucessoou
o
fracassoda
propostade
informatizaçãodas escolas públicas.
0
Há uma
grande resistência por parte dos professores das escolas públicasde
ensino
fimdamental
emédio
em
usaro computador
como
auxiliardo
seutrabalho pedagógico, devido à falta
de conhecimento
informático eà forma de
implementação
das propostas parao
seu uso.0
A
descontinuidade das políticas públicas para a educação inviabiliza aconcretização
de
iniciativas e a implementaçãode
novas propostas de organizaçãodo
trabalho escolar, envolvendo tecnologias educacionais.0 _
A
descontinuidade das políticas públicas para a educação favorece adisseminação, entre os professores,
de
uma
cultura avessa a mudanças.Com
relação aos objetivosdo
nosso trabalho de pesquisa, destacamos:0 Analisar a concepção pedagógica e tecnológica presente
no Programa
Nacional de Informáticana Educação
(Prolnfo) ena
suaimplementação no
Estadode
O
Analisar
o
processode formação
de professores para atuaremcomo
multiplicadores nos
Núcleos
de Tecnologia Educacionaldo
Estado de SantaCatarina. .
Verificar
em
que medida
os objetivosdo
Prolnfo para aformação
dosprofessores/multiplicadores se concretiza
no
cotidianodo
seu trabalho junto aosNúcleos de
Tecnologia Educacionaldo
Estadode
SC. `Contribuir
com
novos dados
e aportes para a discussãoda
educaçãocom
o
suporte das novas tecnologias
de
informação ede comunicação na
busca desolução dos problemas relacionados à elevação
da
qualificação dos professorese, conseqüentemente, dos alunos.
Apreender
como
os diferentes sujeitos envolvidoscom
o Programa
o
representam e
como
estas representaçõespodem
explicar as adaptações, ajustese readaptaçõesque
o Programa
adquire na prática.Nesse
sentido,o
projeto foi desenvolvidoa
partirde
três linhasde
ação articuladas entre si:Fundamentação
teóricana
área de pesquisa, tecnologia educacional e, maisespecificamente, informática aplicada à educação, procurando entender
criticamente as diferentes concepções pedagógicas para
o
usoda
informáticano
espaço escolar.
Análise
do
projeto federalde
informatização das escolas públicas (Prolnfo) e seudesdobramento
no
projeto estadualde
Santa Catarina.Análise
de
como
a propostado
Prolnfo vai seimplementando
em
SC.Para a coleta
de
dados necessários para a obtençãode
respostas às nossas questõesde
pesquisa utilizamos as seguintes estratégias:
a) Entrevistas (cf.
anexo
1com
o
roteiro)com
os sujeitos envolvidosno
Programa:Coordenador
pedagógico nacional(MEC/SEED/Prolnfo)
'Coordenadora
estadualdo Programa
em SC
(SED-SC)
Professores
da
Gerênciade
Informações Educacionaisda
Secretariade Educação
de
SC
Professores responsáveis pela sala informatizada
de
duas escolas estaduais euma
6
Professores/multiplicadores de cinco
NTEs,
sendo dois municipais e trêsestaduais ' '
Professores participantes de cursos de capacitação
Alunos de
uma
escola municipalem
Florianópolis b) Informações e depoimentos colhidos via Intemet:Documentos
sobre oPrograma
encontradosno
site www.groinfo.gov.brListas de discussão
do
Programa: participamosda
listade
discussãodo
ProInfo,no
periodocompreendido
entre agosto de1998
ejunho
de 2000.c) Participação
no “IV
Encontro Nacionaldo
Prolnfo”, realizadoem
Faxinaldo
Céu,
no ano
de 2000.d) Participação
em
cinco cursos de capacitaçãode
professores realizados pelos multiplicadoresque atuam
nos Núcleosde
Tecnologia Educacionaldo
Estado:e) Aplicação
de
questionário (cf. anexo 2) aos professoresque
estavam participandodos cursos
de
capacitação.f)
Acompanhamento,
porum
período de dois meses, das atividades realizadaspor
professores e alunos
na
sala informatizadada
Escola Básica MunicipalOsmar
Cunha, localizadaem
Florianópolis.g) Análise documental:
“Documento
definição”.BRASIL/MEC/SEED/Prolnfo.
Brasília, 1997.“Projeto Estadual de Informática
na
Educação”.SED/GETEC.
Florianópolis, 1997.“Subsídios para fundamentação
do Programa
Nacionalde
Informáticana
Educação”.
MEC/SEED/Prolnfo.
Brasília, 1997. LA
análise dos dados foi estruturada a partir dos seguintes pontos: a) a concepçãode
informática aplicada à educação dos sujeitos
do
Programa; b) a proposta tecnológica epedagógica
do
Programa; c) a formaçãodos
multiplicadores; d) a capacitação dosprofessores; d) as condições objetivas e subjetivas
que foram
determinando aimplementação do
Prolnfo,em
especial,em
Santa Catarina.1.1
-
Estruturada
tese7
No
primeiro,com
o título “Explicitando oscaminhos da
pesquisaem
tecnologia educacional”, realizamosuma
revisão dosfestudos teóricosno
campo
da
tecnologia educacional. Caracterizamoso
seu objeto de pesquisa, a sua abrangência e constituiçãoenquanto área de pesquisa, para centrar, então,
o
olhar sobre os trabalhosque
analisam arelação entre as tecnologias
de
informação ede comunicação
e os processos educativos,mais especificamente a área de estudos sobre informática
na
educação.No
segundo capítulo, “Políticas públicas para a utilização das tecnologias de informação ede comunicação na
educação”,fazemos
uma
breve descriçãodo
movimento
mundialde implementação
de políticas públicas para a informatizaçãoda
educação, associada a
uma
análisedo
alcancede Programas
'Nacionais correlatos.Apresentamos
projetos de avaliação dessesProgramas
Nacionais,um
focalizandoo
Programa do
governo português e outroo do
governo inglês, para evidenciaro
seuimpacto educacional assim
como
a metodologia .de avaliação proposta. Finalmente situamos a experiência brasileirana
constituiçãode
programasde
Informáticana
Educação
dentrodo
contextomais amplo que
se tornouuma
agenda
obrigatóriade
discussão,
na
maioria dos países: a massificaçãodo
uso das tecnologias de informação ede comunicação
pormeio da
sua introduçãono
setor educacional.*
No
terceiro capítulo, intitulado “Situando a base materialda
pesquisa:o Programa
Nacional de Informática na
Educação
(Proinfo)”, realizamosuma
descriçãodo
Programa
Nacionalde
Informáticana Educação
(ProInfo)_ Para tanto utilizamos' duasfontes de dados: os
documentos
oficiaisdo
Programa, divulgadosem
diferentesmomentos
e pormeio
de diferentes fontes, e depoimentos dos agentes envolvidosno
Programa. Estes dados
abrangem o
períodode
execuçãodo
Prolnfotde
1997 atéos
dias atuais.
A
análise decomo
estePrograma
vai concretizando-seem
Santa Catarina é objetode nossa análise a partir
do
quarto capítulo,o
qual intitulamos“A
implementação do
Prolnfo
no
Estadode
Santa Catarina”.Apresentamos
a propostada
Secretariade
Educação
para a implementaçãodo Programa no
Estado. Conjuntamente realizamosanálise da
formação
oferecida aos professores para atuaremcomo
multiplicadoresdo
Programa. Esta
formação
foi desenvolvida por Instituições de Ensino Superior pormeio
de cursos
de
especialização lato sensu.Os
três cursosde
formação realizadosem
SantaCatarina,
com
suas diferentes variantes, constituemo
materialque
serviude
base para az-4,
aarofessor/multiplicador. Finalmente, discutimos
como
o
professor capacitado está8
“Aprender as tecnologias: vivenciando processos
de
capacitaçãode
professores” éo
quinto capítulo, cujo objetivo é caracterizaro
professorque
está realizando os cursosde capacitação oferecidos pelas secretarias estadual e municipais
de
educação na áreade
informática aplicada à educação. Analisamos a sua motivação e as expectativas
que
possuia
ao
realizá-lo. Discutimos,também,
as impressões dos professores sobreo
alcance
da
capacitação realizada. -No
último capítulo,“Os
multiplicadoresem
ação: professorformando
professor”,analisamos
o
trabalhode
capacitação de professores parao
uso pedagógicodo
computador
realizado pelos professores/multiplicadoresdos Núcleos
de Tecnologia Educacionaldo
Estadode
Santa Catarina.Destacamos o
perfil profissional destesmultiplicadores, suas expectativas, assim
como
as estratégiasque
estão construindo paradar conta dos desafios
do
seu “novo trabalho docente”.Efetuamos
a análise tendocomo
A:›¿p,a.5â,naetro a metodologia,
o
conteúdo e a performâppp tantodo
professor/alunocomo
utilizando
o computador
com
a suaturma de
alunos.PARTE
I _A
TECNOLOGIA
E
A ECUCAÇAO
A. z ê \ \'IU
CAPÍTULO
11.
Ex1›L1cn¬AN1›o
os
CAMINHOS
DA
1›EsQU1sA
EM
TEcNoLoG1A
EDUCACIONAL
ÍA
essênciada
técnicanão
é absolutamentenada
de
técnico. Heidegger (1889-1976)Neste capitulo discutimos os conceitos envolvidos
na
relação~entre tecnologia e educação assim
como
aconfonnação do
campo
de
estudos da tecnologia educacionalcompreendendo
suas basesteóricas e objetos
de
pesquisa.1.1 Tecnologia educacional: conceitos
Ao
situar a nossa pesquisano
interiorda
áreade
abrangênciada
tecnologia educacional,propomo-nos
a discutiralgumas
conceituações básicasda
relação entre'I1
tecnologia e educação escolarl. Originária
do
grego,em
sua etimologia a palavra tecnologia relaciona~secom
a “ciênciaque
tratada
técnica, conjuntode
conhecimentos, especialmente princípios científicos,que
se aplicam aum
determinadoramo
de
atividade” (Aurélio, 1990).
Na
busca de entendermos aorigem
desta definiçãoconstatamos
que
a palavra tecnologia écomposta
por téchne (arte, destreza) e logos(fala, palavra) significando o
fio
condutorque
abreo
discurso sobreo
sentido e afinalidade das artes, assim
como
a aplicaçãode
uma
sériede
regras pormeio
das quais se chega a conseguir algo.É
deHeródoto o
primeiro conceitode
téchne no. sentidode
“um
saber fazer deforma
eficaz” (Sancho, 1998).'Os filósofos gregos, entre eles Platão, consideravam
que
através da atividadehumana
assentadana
razão seria possível transformar, pela téchne, a realidade natural, dada,em
uma
realidade artificial, construída.Aristóteles, ao discutir esta
mesma
questão, vai estabelecer a superioridadeda
téchne
em
relação à experiência,mas
a sua inferioridadeem
relação ao raciociniono
sentido de
pensamento
puro,mesmo
ao
considerarque
a técnica requer,também,
regras.No
entanto, adverte, a tecnologianão
éum
simples fazer, éum
fazercom
logos(raciocínio), isto é, a técnica é
um
hábito criadoracompanhado
de razão verdadeira,cujo princípio se encontra
no
criador enão no que
é criado.Nesse
sentido, paraAristóteles,
há
um
domínio
em
que o
fazerhumano
é criador:“Ou
a technéem
geralimita a physis,
ou
efetuao que
a natureza estána
impossibilidade de realizar” (1976,14).
Esta posição
de
Aristóteles ao refletir sobreo
sentidoda
técnica épermeada
por duas matrizesde pensamento
opostas:o
realismo,quando
tenta entender as leisque
regem
a organizaçãoda
natureza eo
idealismo,o
entendimentoda
realidade a partirde
um
pensamento
abstrato, ligado às idéias.Na
condiçãode
ser coetâneo ao seu tempo,ele organiza suas explicações científicas a partir
de
um
afastamento totaldo
fazer,responsabilidade esta atribuída àqueles desprovidos
de
liberdade, os escravos3_Nesse
2
A-,
_.Destacamos que a nossa referencia e a educaçao realizada
em
algum tipo de instituição de aprendizagemdirigida para
um
objetivo, organizada, ou melhor dizendo, ligada à forma conhecida como escola.3
Vasquez no seu livro
“A
filosofia da praxis” trata desta questão ao afirmar: “Tanto para Platãocomo
para Aristóteles, o
homem
só se realiza verdadeiramente na vida teórica. Portanto, a negação das relações entre teoria e prática material (...) provém, no pensamento grego, deuma
concepção dohomem
como
serracional ou teórico por excelência Esta concepção faz parte da ideologia dorninante e corresponde às
condições sociais da cidade antiga, na qual a impotência, por
um
lado, domodo
de produção escravista e,por outro, a suficiência da mão-de-obra servi] para satisfazer as necessidades práticas, fazem
com
que se ignore o valor do trabalho humano” (1977, p. 20).12
sentido,
percebemos
nas suas construções filosóficas,o
paradoxode
tentar ser realistasem
envolver-secom
a tecnologia, restringindo-se aocampo
das idéias4.Paradoxo
esteque
vai levá-lo a justificar a existênciada
escravidãode
alguns(não)homens
em
fiinçãoda
(ainda)não-existência de “escravos” mecânicos.A
techné, nesse período,compreende não
apenas as matérias-primas, as ferramentas,as
máquinas
e os produtos,como
também
o
produtor,um
sujeito altamente qualificadodo
qual se origina todoo
resto (Lion, 1997). Este conceitode
tecnologia atravessa todaa Idade Média, mantendo-se praticamente inalterado até
o
inícioda
modernidade.É
com
a constituiçãodo pensamento
modemo,
tendoo
filósofo e cientista inglêsFrancis
Bacon
(1561-1626)com
sua obraNovum
Organum como
parâmetro,que o
conceito atual, a definição
que
encontramosno
dicionário,ganha
sua efetividade.Neste
livro,
Bacon
retoma a obra de Aristóteles,o
Organum,
e a submete auma
assepsiado
seu caráter metafisico, ressaltando
o
lado realistado
filósofo. Diferentementede
Aristóteles,
Bacon
nos primórdiosdo
séculoXVII
vai estabelecer a primaziado
experimento
como
forma de
desenvolvero pensamento
científico.Na
sua versãomoderna do
Organum
aristotélico,Bacon
revela toda a sua crença na ciência e tecnologia equiparandoo
saberao
poders.Em
outra de suas obras,New
Atlantis, destavez contrapondo~se à utópica Atlântida platônica,
Bacon
descreve a sua utopiade
sociedade ressaltando a importância dos cientistas para
o
pleno desenvolvimentoda
ilha
de
Utopos.No
Novum
Organum,
explicitando sua posição sobreo
papel 'da
tecnologia, afirma: _
Nem
amão
nuanem
o intelecto, deixados a si mesmos, logram muito. Todosos feitos se
cumprem
com
instrumentos e recursos auxiliares, de que dependem,em
igual medida, tanto o intelecto quanto as mãos. Assimcomo
os instrumentos mecânicos regulam e ampliam o movimento das mãos, os da
mente
aguçam
o intelecto e o precavêm (1979, p. 11).Na
perspectiva baconiana a tecnologia é alçada à condiçãode
causa últimado
desenvolvimento e bem-estar
da
humanidade.Há
uma
união entre técnica e ciência,considerada indissolúvel e indispensável,
que
abreum
novo
espaçode
conhecimento, “oda
tecnologiacomo
uma
técnicaque emprega
conhecimentos científicos e que, por4 Tanto Aristóteles como
Platão admitem a legitimidade da ação política, e só dela, mas sem renunciar
em
momento algum à primazia da teoria Poderíamos dizer que techené e logos são unidos, mas no plano do13
sua vez,
fundamenta
a ciênciaquando
lhedá
uma
aplicação prática”.Nesse
sentido, “aciência
tem
a vercom
o que
é, a tecnologiacom
o que
há de ser” (p. 30).Sob
influênciada
indústria,que
vai se afirmandocomo
forma
deprodução
privilegiada,o
conceitogrego de técnica, centrado
no
produtor, passa parao
objeto. “Para a mentalidademodema
o
julgamento definitivodo
valorde
uma
técnica é operativo: baseia-se naeficiência, habilidade e custo” (Bookchin, 1993
apud
Lion, 1997, p. 25).Têm-se
aíexplicitados de
forma
bastante clara os princípiosdo pragmatismo
utilitarista.v \'.=‹ wi "éwz .W 'RW afff ¬.. ~z- ru z› -- '._~,='f.*~. 1-' ' fz-. ,.z-fz "H 1. ~ _*-._'?. :"'..~'=~1~" *^=v,..~*'-¿¢.~~z ^' ,.~"f-f~¬›»"'f,_ ~'='~1 'V '-' 1.' ,§'.-f,f‹~;-,,,1¡z›'ê.§\=~ 33 _'~f==:; .çzr-š_'¬11~‹; ›+.=,‹;~›-ze; .›.-¿‹_~I=f-tz, .›-'5«"~f<:¡ -:fg -=f:5=¬:z-':;€~›zâ‹;, .'-ä,‹;.:›;¿f¡, ›fi*\<:“*fë=; .,¡~‹`;‹,\-;§=f;,¡ _›‹-.š<;:››:- ~ < -f -9 -' if f-*ar-_ `- › ~. ~ ›.-. -,-?z¬.~ ,.« _..~_. --,-.-_.,_.z -,,‹..~, ~-mz. ~-.-.,» --~›r,. › ut. ^ ..‹, ,. vs» . -* -.t_ ¬, .f i. ~»~=.,¬*-. vz; ...z,.;- ,. 152, ,z . .zt -.wa ~ , _ . . .,.~×'f~...z€~=
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V. _-(_, ,, ~ ,› -z '?í 'z «fz -`*é_"‹:š'¢;'?'›¿*:z*‹f-;fI~à-**:_f..-¢~ -2:,-rf. 'J-“*: *@;'*~°‹§.'*s'==:^-;*›§‹*à':.W _ 2; " -¬*:.ç~3?7>¿-'*~i*§Í*°¢.« "Ê *.‹=~›:«= -›-rfé›.«f=- -~z»“'**1fê>â?í~"“`*~=êÊ›**›ë›f~›*r - ..«-*»2‹=.gz^
zÍí=¡$Ê*.\ fifa? _-i'-17» .é>¢:+.~r~?*3í:5.€§>:.~4Íí=.:5'<Ê'Ê$¡.ë>vr§f~‹`f_f"Ê$?Yzzf.r›š¡Êšš°?'€âf‹zfI:ãš.'§§€fi›ÉÊ~¡a5§3ësfl.'&Ê?€â n~=x. sir.- 2és~.~›ÊfP-rfš5i§>::1Ê'~‹`1» ='zs'‹.~a'-ÊBÍÊ
vzm
var
O
¬
~
Horkheimer
e Adorno,ao
discutirem a subordinaçaoda
ciência afins
pragmáticos,no
seu livro “Dialéticado
Iluminismo”, assinalamque
Bacon
éo
próprio profetado
Iluminismo ao instituir que
o
conhecimento sobre a natureza e os sereshumanos
é realizado pormeio
deuma
racionalidade científica e técnica. Neste sentido, estes autores alertam:“A
estéril felicidade de conhecer é lasciva tanto paraBacon
quanto para Lutero.O
que
importa não é a satisfaçãodo
que
oshomens
chamam
de
verdade,senão a operação, o procedimento eficaz” (1971, p. 89).
O
conceitode
técnica refere-semais
especificamente aos instrumentos e cabe então à tecnologia englobarum
conceito mais geral, amplo, abrangendo meios, processos eidéias,
além
de ferramentas e máquinas, isto é, refere-se tanto aosmeios
como
àsatividades através das quais os
homens
e as mulheresmodificam
ouimanipulam
seu5
Ou
1
4
ambiente.
No
entanto, constatamosque
a tecnologiatambém
e' percebida e reduzidaao
~
instrumental, distinta
do
cenáriode
produçao desta ferramenta, assimcomo
do
seuprodutor.
Como
analisa Castoriadis (1987, p. 235):“À
idéia gregado
homem,
zoon
logon
echon
~
ser vivoque
possuio
logos,o
falar-pensar~
osmodernos
justapuseram eopuseram
mesmo
a idéiado
homo
ƒaber,o
homem
definido
pela fabricaçãode
instrumentos, por conseguinte, a posse de ferramentas”.
Os
conceitosde
tecnologia ede
técnicano
momento
histórico atual são encaradoscomo
sinônimos.Ancorados
nesta definição dois pressupostosganham
espaço: a)o
imperativo tecnológico, entendidocomo
o
“estadono
qual a sociedade sesubmete
humildemente
a cadanova
exigênciada
tecnologia e utilizasem
questionar todonovo
produto, seja portador
ou não
deuma
melhora real” (Revilla at al, 1993, 32); e b)o
progresso tecnológico, a visão histórica
que
descreve “a seqüência progressivade
invenções, a sucessão de artefatos cada vez
mais
perfeitos. (...) Isto gerou a crençade
que
a fabricação e a utilizaçãode
ferramentas são determinantesdo
progresso°Í (Lion, 1997, p. 26). Estes pressupostos serão adotados por diversos teóricos e rejeitados poroutro grande
número
de pensadores, gerando grandes discussões e pontos de vista diversosem
tomo
do que
se convencionouchamar
determinismo tecnológico;Sancho
(1998) ao analisar as condições sob as quais determinadas sociedades 'escolhem' determinadas tecnologias, alertaque
dentro deuma
sociedade regida pelo imperativo tecnológico parece lógico suporque
“uma
sociedadeque
optou, explicitaou
implicitamente, pelacomodidade que
a tecnologia lhe proporcionanão
tem
escolha anão
ser segui-la”6 (p.30). Contudo, afirrna esta autora, “a tecnologianão
éum
destino,mas
uma
cena de luta,quando
escolhemos as nossas tecnologias nostomamos
o que
somos,o
que, por sua vez,configura o
nosso futuro” (p. 34). Isto é, depois de incluídaatecnologia
na
sociedade, determinandoum
modo
desta se organizar, viver, pensar-se enfim, é' muito dificil abrirmão
destaforma
de vida,que
setoma
uma
tecnologia6
Esta citação remete a
um
aspecto bastante polêmico quando se discute tecnologia: o determinismotecnológico, isto é, posição teórica que credita à tecnologia o status de fator único e determinante das
transformações sociais.
Em
outras palavras, à tecnologia é atribuído o caráter de variável independente.Encontramos diversos autores partidários desta posição (Gates, 1995; Negroponte, 1995; Dmcker, 1993),
assim
como
outros (Chesneaux, 1996; Bianchetti, 1998; Harvey, 1993; Dreifuss, 1996), aos quais nosfiliamos, que rejeitam esta análise do papel da tecnologia na vida das pessoas, apontando que a criação e difusão social da tecnologia dependem muito mais de questões políticas do que propriamente
15
social7.
O
que
leva Castells (1999) a radicalizarquando
afirma
que
a tecnología é asociedade.
Este debate é
aprofimdado
por Sancho,que ao
fazeruma
reflexão sobre estas questõesna
educação, afirma:Nós, aqueles que nos dedicamos às tarefas educacionais, precisamos ter
uma
visão mais ampla e contextualizada do que significa e envolve o longo
caminho do ser
humano
em
seuempenho
por adaptar o meio às suasnecessidades e todo o “saber fixzer” elaborado e transmitido neste empenho.
Mas
também
é importante esclarecer que o caminho não é único, que há diferentes opções e a sociedade ocidental escolheuuma
delas e que qualqueropção acarreta ambivalência, incerteza, diferentes tipos de custos e, nas
sociedades consideradas avançadas tecnologicamente, perplexidade e
impotência (1998, p. 24).
Estas considerações iniciais são necessárias para
buscarmos
entendercomo o
conceitode
tecnologia educacional vai se constituindo dentrodo
quadro maisamplo da
discussão sobre tecnologia.
E
nessemomento
é necessário fazeralgumas
considerações sobre a educação escolar, isto é, a educaçãoque
ocorre institucionalmente, deforma
organizada dentro
de
um
espaço específico, a escola, tendocomo
tarefa a transmissão e reestruturação dos conhecimentos, habilidades e técnicas desenvolvidas historicamente,assim
como
dos valores consideradosmais
dignos de serem possuídos e expostos.Vamos
constatar, percorrendo a históriada
educação,que
nos seus diferentesmomentos
a tecnologia fez partedo
fazer pedagógico.À
medida que o
processode
.escolarização vai atingindo
um
contigente cada vez maior de pessoas e criando anecessidade de tornar-se institucionalizada,
na
tentativade
abarcaro
universode
crianças
que
cada vez maisvão
se integrando a estaforma de
transmissão e apropriaçãoda
cultura produzida, a presençada
tecnologia nos processos de ensino e aprendizagemvai se
tomando
cada vez mais marcante.A
definição deste espaçochamado
escola, a sua arquitetura, a sua divisãoem
salasde
aula,em
anosde
escolaridade,em
um
determinado currículo,remetem
a escolhastecnológicas.
Podemos
dizer, portanto,que
o
trabalho escolar éum
trabalhopermeado
pela tecnologia,
ou
se quisermos, pela técnica.Mas
estas tecnologiasnão
estão ligadasexclusivamente aos instrumentos, são por essência tecnologias sociais pois expressam
7
O
proprio Marx (1987) já alertava que a humanidade jamais abdica do estágio de desenvolvimento
alcançado. Nesta
mesma
linha ele endereçou sua crítica aos ludditas que consideravam as máquinas, os16
uma
determinada cultura.Ao
optarmos por usaruma
ou
outra tecnologia realizamosescolhas e estas escolhas são históricas e culturais.
Como
analisaSancho
(1998),“a
tecnologianão
éum
simples ~meio,mas
transformou-seem
um
ambiente eem uma
forma
de vida: é este0
seu impacto substantivo” (p. 34).É
dentro desta discussãoque queremos
pensaro
conceitode
tecnologia educacional. Se,como
vimos
acima,o
conceito de tecnologia vai cada vezmais
colando-se aos instrumentos, ao produto,ao
adentraro
espaçoda
educaçãonão
é diferente: falar detecnologias para/no espaço escolar é falar de equipamentos
que
tantopodem
serum
quadro~verde,como
um
livro,um
retroprojetor,um
laboratóriode
ciências e, nestesúltimos anos,
um
computador.No
entanto, consideramos necessário reconceitualizar tecnologia educativa a partirda
constatação deque
a educação escolar é tecnológica, isto é, a expressãode
detenninadas tecnologias
que
envolvem: tecnologias simbólicas (linguagem, representações icônicas, saberes escolares), tecnologias organizacionais (gestão,arquitetura escolar, disciplina) e tecnologias instrumentais (quadro-verde, giz, televisão,
vídeo, computador)8. Este conceito serve
de
parâmetro para as nossas análises nestetrabalho.
As
inovações educativas9, seja através demudanças
curriculares,novos
processos
de
ensino e aprendizagem, de produtos, materiais, idéias, seja pormeio de
pessoas,
impõem
a necessidade de rever as competências e concepções vigentesna
escola. Neste sentido,
a invenção de aparelhos, instrumentos e tecnologias da cultura que incluem formas simbólicas inventadas, tais
como
a linguagem oral, os sistemas deescrita, os sistemas numéricos, os recursos icônicos e as produções musicais
permitem e exigem novas formas de experiência que requerem novos tipos de
habilidades e competências (Olson apud Sancho, 1998, p. 28).
Tendo
conceituado tecnologia educativa a partirdo
enfoqueque queremos
trabalhar nesta pesquisa,passamos
à discussão das tendências expressaspor
pesquisadoresno
campo
da
Tecnologia Educacional.8
Este conceito de tecnologia educacional está presente nas análises de, entre outros, Sancho (1998), Hemzmdez (2000), Lirwin (1997) e Ferrés (1998).
9 Aqui
entendidas como “uma série de mecanismos e processos que são o reflexo mais ou menos deliberado e sistemático por meio do qual se pretende introduzir e promover certas mudanças nas práticas educativas vigentes, reflexo de dinâmicas explícitas que pretendem alterar idéias, concepções e metas,
conteúdo e práticas escolares,
em
alguma direção renovadoraem
relação à existente” (Gonzalez&
'Il
1.2 Pesquisas sobre os
meios
e materiais:deslocando o
focodo
ensino àaprendizagem
Discutir as tendências
de
pesquisano
campo
da
tecnologia educacional remete ànecessidade de explicitar
o
entendimento entre os pesquisadores sobreo
objetode
pesquisa deste
campo.
E
éna
procura desta definiçãoque percebemos
os diferentesenfoques e, conseqüentemente, as diferentes linhas de pesquisa
que
sefazem
presentes.A
tecnologia educacional desenvolve-secomo
campo
de
estudo e disciplinaacadêmica, principalmente a partir
da
décadade 40
do
séculoXX,
nos Estados Unidos.Uma
das primeiras experiências realizadas nesta área é a utilizaçãode
instrumentos audiovisuaisem
cursos paraformação
de especialistas militares, durante aSegunda
Grande
Guerra.Seu
campo
de
estudos vai organizar-se a partirde
experiências ligadasa instituições
de
ensino superior (Pons, 1998).Nesse
período,o
objeto de pesquisada
tecnologia educacional é caracterizado porconcentrar-se
no
estudo dos meioscomo
geradores de aprendizagem.Há
o predomíniodo
desenvolvimento dos aparelhoscom
o
apoiode
outroscampos
científicos,notadamente da psicologia, e dentro dela dos estudos sobre aprendizagem.
A
partir dospressupostos teóricos
da
psicologia de aprendizagemforam
sendo efetivadas açõescomo
a pormenorização dos objetivosem
funçãoda
aprendizagem, a individualizaçãodo
ensino, assimcomo
a construção de materiais padronizados,formando
um
corpode
propostas tecnológicas apoiadas
na
análise ena modificação da
conduta, visando autilização
de
meios eo
controleda
relação de transmissão entre professor e aluno.As
pesquisas tinhamcomo
objeto de estudo a análisedos
efeitos dos meios sobre a aprendizagem e, principalmente, estabelecer a diferença entre os resultados obtidoscom
um
ou
outro meio,ou
seja, estudos sobre a eficiência comparativa dos meios.Foram
realizados, por exemplo, estudos sobre
o
uso educacional dos audiovisuais(Giacomantonio, 1979),
do cinema (Romanguera
et al., 1989) edo
rádio(Hawkridge
eRobinson, 1984), visando apontar aqueles
que
tinham os resultadosmais
eficazesno
processo de instrução. '
18
a pesquisa da época aparecia centrada nos materiais, nos aparelhos e nos
meios de instrução, apontando a comparação entre meios, a partir da
elaboração de instrumentos para sua avaliação e seleção.
O
meio era avariável mágica que, aplicada a todo ensino, a todo aluno, a qualquer grau, para qualquer matéria e
com
qualquer objetivo, daria os resultadosdesejados.
A
partir desta concepção, tentava-se determinar qual era o meiomais eficaz.
Os
estudos realizados por Skinner (1904-1990) sobreo
condicionamento operante eaplicados ao ensino
programado dinamizam a
áreada
tecnologia educacional nesseperíodo.
Com
a publicaçãodo
artigo“A
ciênciada aprendizagem
e a artedo
ensino”,em
1954,o
autor expressauma
sériede
propostasque
julga ser aplicáveis a situaçõesde
aprendizagem.
Sua
base defundamentação
éo
condutismo”,o
estudoda
conduta,proposto por John
Watson
(1878-1958),em
1913, atravésda
publicaçãodo
seu conhecido “manifesto behaviorista”“. Neste artigo Watson,em
consonânciacom
asteorias
de Pavlov
(1849-1936), adotao reflexo
como
a unidade básicaque
explica todaconduta e diz
que
asoma
dos reflexosi condicionados simplesconformam
a
condutacomplexa humana,
exaltandoo
poderdo
condicionamento eafirmando,
enfaticamente,que
toda conduta é aprendida.Nesse
sentido,confirma
o
"conditioned reflex asan
objectivemethodology
that couldbe
used to investigate sensory problems thatwere
previously thought tobe
accessible only through introspection”12 (1913, p. 160).Procurando
o
núcleo central desta fomiulação -o
condutismo -podemos
perceberque
é constituído pelaconcepção
associacionistado
conhecimento eda
aprendizagem. Estaconcepção
baseia-sena
teoriado
conhecimento empiristaque
consideraque
o
conhecimento
é alcançado “mediante associaçãode
idéias seguindo os princípiosda
semelhança, continuidade espacial e temporal, e casualidade” (Pozo, 1998, p. 23).
Seu
principal representante é o filósofo inglês
Hume
(1711-1776)que
ao teorizar sobre aorigem
do
conhecimentohumano afirma
ser este conhecimentoformado
exclusivamente por impressões e idéias.
As
impressões seriam os dados piimitivos recebidos através dos sentidos.Por
sua vez as idéias seriam cópiasque
amente
recolhe dessasmesmas
impressões. Desta forma, a origemdo
conhecimento seriam as sensações, atéo
pontoem
que
nenhuma
idéia poderia conter informação quenão
houvesse sido recolhida previamente pelos sentidos, concepção esta avalizada pelo
Também
chamado de Behaviorismo, Ciência do Comportamento e Análise Comportamental.“
wATsoN,
J.B. Psychology asmc
ocnzviorisi views11. Psychological Rcúcw, 20, p. iss-177, 1913.