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Relatório de Estágio Profissional "Aprender, sobretudo, com o processo"

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Academic year: 2021

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Relatório de Estágio Profissional

Relatório de Estágio Profissional apresentado com vista à obtenção do 2º ciclo de Estudos conducente ao grau de Mestre em Ensino de Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário ao abrigo do lei nº 74/2006 de 24 de março e do Decreto-lei nº 43/2007 de 22 de fevereiro.

Professor Orientador: Professor Doutor Rui Veloso

Jorge Alexandre Martins Teixeira Porto, setembro de 2015

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de Estágio Profissionalizante para a obtenção do grau de Mestre em Ensino de Educação Física nos Ensinos Básicos e Secundários, apresentado à Faculdade de Desporto da Universidade do Porto

PALAVRAS-CHAVE: ESTÁGIO PROFISSIONAL, EDUCAÇÃO FÍSICA,

ENSINO, APRENDIZAGEM, INCLUSÃO, NECESSIDADES

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III

Ao meu Pai

Por já não poder estar presente

À minha mãe

Pelos sacrifícios que assumiu para que eu pudesse concluir esta etapa da minha vida

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IV

No primeiro lugar desta lista tem de estar necessariamente a minha família, em particular os meus pais, a quem agradeço o estímulo que me deram e os sacrifícios que fizeram para me permitir estar hoje aqui a concluir esta etapa. Agradeço também à restante família, na figura dos meus tios, primos e padrinhos, pelo apoio que sempre me ofereceram.

Estou também grato ao professor orientador Rui Veloso pela sua disponibilidade e orientação, e por me ajudar a querer ser melhor todos os dias, como pessoa e profissional.

Pelo seu profissionalismo, dedicação e motivação, agradeço também à professora cooperante Fernanda Borges. Obrigado por me fazer refletir sobre o me desempenho e por estar sempre lá para o núcleo de estágio.

Ao Alex e à Eloísa, meus colegas de estágio, agradeço a paciência, a ajuda e o espírito de união, bem como a amizade que construímos no último ano.

A recetividade, o respeito e a simpatia da comunidade escolar que me recebeu merecem também um importante “obrigado”, porque o seu acolhimento foi essencial. Em particular, agradeço aos meus alunos, que me permitiram partilhar um pouco de mim mas também me deram muito deles, permitindo-me crescer e aprender todos os dias.

Agradeço ainda às professoras Sónia Calejo e Alexandra Pinto, que tiveram um papel essencial para a recolha da informação dos questionários.

Leonor, Luísa e Mariana Sousa, são as minhas melhores amigas e, por isso, agradeço-vos a paciência e o apoio em todos os momentos.

Obrigado ainda aos meus amigos da faculdade: Cátia, Carina, Diana, João, Inês, Luísa, Mariana Pinto, Paulinha, Zé Pedro e Nelson.

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V

e que espero partilhar convosco até ao fim da vida.

Não posso esquecer o Grupo de Ginástica de Desporto Escolar do Colégio de Gaia: agradeço-vos a dedicação e o esforço que sempre demonstraram, a superação de obstáculos, o facto de sempre me terem feito sentir integrado como atleta e formador. Agradeço ainda o orgulho que me dão todos os dias.

Por fim, obrigado à minha pequena afilhada, que aos dois anos de idade tem uma incrível capacidade de me fazer sorrir e de tornar a minha vida um pouco mais fácil.

Obrigado a todos aqueles que compõem o

mosaico da minha vida e me ajudam a ser

quem sou!

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VII

Dedicatória ... III Agradecimentos ... IV Índice geral ... VII Índice de Imagem ... XIII Índice de tabelas ... XV Resumo. ... XVII Abstract ... XIX Lista de abreviaturas ... XXI

Introdução ... 1

1. Enquadramento Pessoal, as sementes da árvore ... 5

1.1. O crescimento do meu “Eu” ... 5

1.2. Expetativas e visão inicial e pessoal sobre o Estágio ... 10

2. Enquadramento da Prática Profissional, a terra que recebe a semente ... 13

2.1. Referências ao contexto legal, institucional e funcional ... 13

2.2. O papel da Escola e sua relação com o professor ... 15

2.3. A escola que me acolheu ... 17

2.4. Os meus camaradas desta viagem: núcleo de estágio ou as outras plantas do ecossistema ... 21

2.5. Análise dos documentos locais ... 23

2.6. O grupo de Educação Física: a verdadeira cooperação ... 24

2.7. Os meus tripulantes aprendizes: Turma Fixa, ou os pássaros que pousam nos ramos da árvore ... 25

2.8. A minha vivência no papel de professor... 28

2.9. A importância de uma relação pedagógica entre o professor e aluno ... 30

2.10. A importância de criação de rotinas ... 31

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VIII

3.1.1. Planeamento ... 37

3.1.2. Planeamento Anual ... 38

3.1.3. Construção de um Modelo de Estrutura e Conhecimento (MEC) na realidade escolar ... 39

3.1.4. Unidades Didáticas ... 41

3.1.5. Plano de Aula ... 43

3.2. Aplicação dos Diversos Modelos de Ensino ... 46

3.2.1. Atletismo - Aplicação do Modelo de Educação Desportiva (MED)... 46

3.2.2. VOLEIBOL- Modelo de Instrução Direta (MID) ... 49

3.2.3. Ginástica- Utilização de Fichas de Progressão ... 51

3.2.4. Futebol a modalidade tão deseja pelos alunos ... 54

3.2.5. Lecionar no 2º Ciclo- Turma 6 ano ... 55

3.3. A importância da Instrução e das várias estratégias ... 57

3.4. A importância da utilização do feedback ... 60

3.5. Observação com complemento da evolução enquanto professor ... 62

3.6. Avaliação ... 63

4. Participação na Escola e Relação com a Comunidade, as folhas da árvore . 69 4.1. Desporto Escolar ... 69

4.2. Visita ao Parque Aquático de Amarante ... 71

4.3. Visita de estudo ao Museu e Estádio do Dragão ... 72

4.4. Evento Culminante de Atletismo: 9º Ano ... 73

4.5. Reuniões escolares: Departamento de expressão, grupo de educação física e reuniões de pais ... 75

4.6. E chegou o fim… ... 76

5. Estudo: A Participação de alunos com Necessidades Educativas Especiais nas Aulas de Educação Física - Integração para a inclusão ou para a exclusão?... ... 79

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IX

5.3. Evolução temporal da experiência dos alunos com NEE ... 84

5.4. Vantagem da inclusão dos alunos com NEE ... 86

5.5. Desvantagens e dilemas da inclusão ... 88

5.6. O conceito de NEE ... 91

5.7. Uma nova realidade política: Integração vs. Inclusão ... 95

5.10. Material e Métodos ... 99

5.10.1. Caracterização da amostra ... 99

5.10.2. Instrumento ... 102

5.10.3. Análise dos questionários ... 103

5.11. APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS ... 104

5.12. Discussão dos Resultados ... 114

5.13. Conclusões do estudo ... 116

5.14. Referencias Bibliográficas do Estudo ... 119

Conclusão do relatório ... 123

Referências bibliográficas ... 125 ANEXOS ... XXIII ANEXO 1- Planeamaneto Anual ... XXV ANEXO 2- Unidade Didática ... LXXIV ANEXO 3- Plano de Aula ... XXXI ANEXO 4- Atletismo: Fichas de Filiação e cartões de Progressão ... XXXIII ANEXO 5- Fichas do Torneio Voleibol Intra-Turma ... XXXV ANEXO 6: Fichas de Figuras Ginástica Acrobática ... XXXV ANEXO 7- Questionário do Estudo ...XXXIX

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XI

Índice de Figura

Figura 1: Dilemas da inclusão (adaptado Rodrigues, 2003) ... 83

Figura 2: Constrangimentos das NEE ... 86

Figura 3:Categorias dos alunos com NEE ... 87

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XIII

Imagem 1: Campos exteriores ... 18

Imagem 2: Pavilhão Interior ... 19

Imagem 3: Arrecadação do Material de Ginástica ... 19

Imagem 4: Arrecadação do Material ... 19

Imagem 5: Sala de Trabalho do Núcleo de Estágio ... 21

Imagem 6: Ficha de Filiação das Equipas ... 45

Imagem 7: Cartazes de Registo de Pontuação das Equipas ... 45

Imagem 8: Fichas de Progressão... 49

Imagem 9: Ficha de Observação de Aulas ... 57

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XV

Tabela 1: Vantagens da Inclusão (adaptado de Correira,2003) ... 79 Tabela 2: Análise dos dados relativos ao Concelho se sexo dos professores inquiridos ... 92 Tabela 3: Análise dos dados relativos a formação e grau académico ... 93 Tabela 4: Análise dos dados relativos à profissionalização do Ciclo de Ensino ... 94 Tabela 5:Análise de dados sobre Formação na área do Ensino Especial e Tipos de Formação ... 95 Tabela 6: Análise de dados relativos à planificação/estruturação das aulas de E.F ... 96 Tabela 7: Análise dos dados relativos à influencia de aluno com NEE nas aulas de E.F ... 97 Tabela 8:Análise de dados sobre colaboração de alunos sem NEE a integrar alunos com NEE ... 98 Tabela 9:Análise de dados sobre o interesse da prática da disciplina de E.F a alunos com NEE ... 99 Tabela 10: Análise dos dados relativos ao nº total de alunos com NEE nas turmas . 100 Tabela 11:Dados relativos ás 3 modalidade que os alunos com NEE tem mais empenho ... 101 Tabela 12:Dados relativos ás 3 modalidade com maior prestação motora dos alunos com NEE ... 102 Tabela 13:Dados sobre as 3 modalidade com uma aproximação motora dos alunos sem NEE ... 103 Tabela 14:Dados relativos as 3 modalidades maior inclusão de todos os alunos ... 104 Tabela 15: Dados relativos á opinião sobre estratégias para melhorar a de integração dos alunos com NEE ... 105

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XVII

O Estágio Profissional (EP) está integrado no 2.º ano do Mestrado em Ensino de Educação Física dos Ensinos Básico e Secundário da Faculdade de Desporto da Universidade do Porto. O seu objetivo é dotar os alunos de competências reais de ensino, proporcionando-lhes um primeiro contacto com o mercado de trabalho. O presente relatório começa por descrever a história pessoal e profissional do estagiário, incluindo as motivações para a escolha da carreira de professor e as expetativas em relação ao estágio. Deste documento também constam descrições sobre o contexto em que se desenvolveu o estágio: a caracterização da escola, o relacionamento com os diversos intervenientes e o enquadramento legal. Também se inclui uma exposição do trabalho que foi feito junto dos alunos, no qual se englobam os vários aspetos das aulas: a exposição de conteúdos, o relacionamento interpessoal e as formas de avaliação. Em particular, descrevem-se as diferentes etapas necessárias a uma prática letiva adequada, onde se incluem o planeamento e a aplicação dos diversos modelos de ensino em distintas modalidades. Por fim, o presente relatório aborda ainda a investigação efetuada na área da inclusão, que se centrou nas particularidades dos alunos com Necessidades Educativas Especiais (NEE) e na sua integração nas escolas regulares e incluiu uma reflexão sobre os aspetos positivos e negativos da inclusão. O documento inclui ainda um balanço deste último ano, pesando o que correu bem e o que é preciso melhorar, bem como as expetativas para o futuro.

PALAVRAS-CHAVE: ESTÁGIO PROFISSIONAL, EDUCAÇÃO FÍSICA,

ENSINO, APRENDIZAGEM, INCLUSÃO, NECESSIDADES

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XIX

The Professional Internship is integrated in the 2nd year of the Master’s Degree (2nd Cycle) in Teaching of Physical Education in Primary and Secondary Education, from the University of Porto School of Sports. Its purpose is to provide the students with real teaching competences by allowing them to make a first contact with the labour market. The report starts by describing the personal and professional history of the intern, including the motivations for choosing the teaching career and the expectations towards the internship. This document also read descriptions on the context of the internship: the characterisation of the school, the relationship with the several players and the legal framework. It also includes an exposure of the work done with the students, including several aspects of the classes: the contents, the interpersonal relationship and the evaluation models. Particularly, it describes the stages necessary for an adequate teaching practice, comprising the planning and the application of the several teaching models in the different sports. Finally, this report also refers to the investigation on inclusion, focused on the specifics of the students with Special Educational Needs and their integration in regular schools, including a reflection on the positive and negative aspects of inclusion. 0The document also reads a balance on this last year, weighing what turned out well and what still requires improvement; it also reads some words on expectations towards the future.

KEYWORDS: PROFESSIONAL INTERNSHIP, PHYSICAL

EDUCATION, TEACHING, LEARNING, INCLUSION, SPECIAL

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XXI

AD- Avaliação diagnóstica AF-Avaliação Final Art.-Artigo Cit - Citação DE-Desporto Escolar DF-Desporto Federado EB-Escola Básica EC- Escola Cooperante

EC-Estruturas do Conhecimento EE-Estudante Estagiário

EF-Educação Física EP- Estágio Profissional SCP-Futebol Clube do Porto

FADEUP-Faculdade de Desporto da Universidade do Porto FI-Formação Inicial

IC-Itinerário Complementar MD-Modelo Desenvolvimental

MEC- Modelo de Estrutura e Conhecimento MED-Modelo de Educação Desportiva MID-Modelo de Instrução Direta

NEE-Necessidades Educativas Especiais NE-Núcleo de Estágio

PA-Plano Anual

PCEF-Projeto Curricular de Educação Física PCE-Projeto Curricular de Escola

PC-Professor Cooperante

PEE-Projeto Educativo de Escola PE- Projeto Educativo

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Introdução

“As plantas são elementos essenciais à vida na terra, porque produzem o oxigénio essencial à respiração de grande parte dos animais, incluindo o Homem, e eliminam uma boa dose do dióxido de carbono por eles produzido.

O verde das folhas é associado a ecologia e até a saúde, as flores são sinónimo de beleza e os frutos alimentam os seres vivos. Mas entre todas as plantas que existem, terrestres e marinhas, gosto especialmente da figura da árvore, porque tem muito mais para dar do que as plantas mais pequenas.

Para mim, a árvore é sinónimo de segurança, porque várias espécies procuram os ramos para criar as suas casas; mas sobretudo representa crescimento, porque a largura do seu tronco, que indica a sua idade, lembra-nos tudo o que é vida teve de percorrer um caminho desde a sua origem até ao seu momento final ou, se quisermos, desde a semente até ao fruto.

É por isso que, para mim, a árvore é o elemento ideal para ilustrar esta importante fase da minha vida, que foi o estágio profissional e, apesar de já ter recolhido alguns frutos nesta viagem, espero poder, ainda, criar muitos mais e ser um porto de abrigo para aqueles que precisem de mim.”1

Este relatório é o culminar da unidade curricular de Estágio Profissional do Mestrado em Ensino de Educação Física (EF) nos Ensinos básico e Secundário. O processo de elaboração do documento foi supervisionado pelo Professor Orientador (PO) da faculdade.

O estágio é o culminar da formação de professores e tem como objetivo principal a inserção no mercado profissional. Nóvoa (1992) preconiza que esta fase da vida de um professor deve incluir três vertentes: o professor como pessoa e a sua experiência, a profissão e o conhecimento associado, e ainda a escola e os respetivos projetos.

Por seu turno, Caires (2001, p.19)2 salienta que “os estagiários devem assegurar experiências significativas e exemplificativas da realidade, no sentido de se promoverem as competências necessárias ao desempenho autónomo e eficaz destes futuros profissionais”. Neste âmbito, é necessário recolher informações acerca dos alunos, partilhando-as com a turma de forma

1 Todos os textos que fazem alusão à simbologia da natureza, foram construídos pelo autor deste documento.

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Caires, S. (2001). Vivências e Percepções do Estágio no Ensino Superior. Grupo de missão para a qualidade doo ensino aprendizagem. Apontamentos UM.

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desenvolver o seu potencial e a melhorar o trabalho do próprio professor, adaptando as suas estratégias às pessoas e às situações (Santos et al, 2013).

Mas é também necessário que o estagiário exerça um trabalho de reflexão, que é essencial à sua aprendizagem porque complementa a simples aquisição de conhecimento (Nóvoa, 1993).

Neste sentido, o EP reveste-se de uma grande importância para o estagiário; permite-lhe ter um contacto mais próximo com a realidade da profissão, vivendo com os alunos as suas necessidades, expetativas e comportamentos, e procurando constantemente respostas para os diversos desafios do quotidiano. É nesta etapa que o futuro professor começa de facto a compreender as especificidades da sua profissão e assume um novo papel na comunidade educativa, de contribuidor (Batista et al., 2012).

É por esta razão que o EP pode originar um conflito de identidade: o estagiário começa a contribuir ativamente para o sistema educativo enquanto professor, mas continua a ser um aluno ainda em professo de formação (Flores & Day, 2006).

O meu EP decorreu numa escola de Vila Nova de Gaia, no agrupamento de escolas Dr. Costa Matos, onde estavam integrados dois núcleos de estágio da FADEUP, totalizando seis elementos.

Este documento é um retrato do meu EP, onde se incluem descrições das atividades elaboradas, reflexões sobre as aulas e aspetos relacionados, ou mesmo sobre aspetos não relacionados que marcaram este último ano.

Este relatório pretende resumir todo um ano de aprendizagem: a Introdução faz um enquadramento da situação e resume o percurso do ano letivo; o Enquadramento Pessoal diz respeito à minha identidade, incluindo experiências desportivas, académicas e pessoais, e ainda as expetativas relativamente ao EP. Por sua vez, o Enquadramento da Prática Profissional resume o papel do professor e da escola no sistema de ensino, informando também sobre o enquadramento legal e institucional do EP e da escola onde este se realizou. Este capítulo aborda também o papel do PO e PC neste processo, o relacionamento positivo entre os colegas do núcleo de estágio e o grupo de EF da escola, e ainda um breve perfil da minha turma, sem esquecer

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os problemas de ser professor e aluno ao mesmo tempo no contacto com os alunos.

A Realização da Prática Profissional inclui três áreas: Organização e Gestão do Ensino e da Aprendizagem, Participação na Escola e Relações com a Comunidade, e Desenvolvimento Profissional, todas estas são contempladas no Regulamento da Unidade Curricular de EP. Este capítulo inclui ainda referências aos aspetos de conceção, planeamento, realização e avaliação de ensino, onde faço também referência a atividades realizadas pela escola em que participei, mesmo não sendo obrigatórias para o EP, por considerar que um professor é mais do que as aulas que leciona. Ainda assim, tentei demonstrar a minha versatilidade enquanto educador, organizando torneios e outras competições, e ainda o evento culminante de atletismo, sempre com a ajuda dos meus colegas e da comunidade escolar.

Por fim, insere-se na área 3, e nele descrevo o meu estudo de investigação focado na inclusão dos alunos com NEE. Neste âmbito, procurei saber se existe realmente inclusão dos alunos através de um estudo a outros colegas de EF.

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1. Enquadramento Pessoal, as sementes da árvore

1.1. O crescimento do meu “Eu”

“A história que se segue é um relato da minha vida, desde a infância até à atualidade, e representa as sementes que deram origem à árvore da minha vida. A qualidade das sementes de uma árvore e a forma como estas são alimentadas define todo o seu crescimento, por isso não havia melhor forma de ilustrar este capítulo.”

Todos os episódios que vou abordar correspondem a experiências, boas ou más, que de alguma forma me marcaram e me ajudaram a crescer para me tornar naquilo que sou hoje em dia: o resultado da vivência em sociedade, em família, e ainda de outras situações por que tive de passar e que detalharei adiante.

A minha história começa a 9 de julho de 1991 em Paranhos, freguesia da cidade do Porto onde fica o Hospital de S. João, o lugar onde nasci. Deram-me o noDeram-me de Jorge Alexandre Martins Teixeira, o bebé prematuro de apenas 28 semanas e 1,050 kg. Portanto, foi muito cedo que aprendi a lutar para viver e esse é talvez um dos aspetos que mais contribuíram para a minha personalidade.

Hoje em dia vivo na freguesia de Santa Marinha, em Vila Nova de Gaia. A minha mãe é portuguesa, mas não sei qual a nacionalidade do meu pai, porque nunca o conheci. Aos 2 anos de idade, a minha mãe deixou-me para trás e nunca mais tive contacto com ela; desde essa altura vivo com os meus pais adotivos.

Os meus pais são os alicerces da minha vida. Ensinaram-me tudo o que sei e o que sou, uma pessoa feliz e agradecida por ter crescido com valores que, hoje em dia, nem todos têm a oportunidade de conhecer e praticar. Mas cresci também rodeado de carinho, confiança e conforto proporcionado por uns pais que, mesmo sabendo que eu não era seu filho biológico, sempre me trataram como se tal fosse e me mostraram como é ser lutador e defender daquilo em que acreditamos, independentemente das dificuldades que tenhamos de enfrentar na nossa vida.

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A eles devo também a minha vontade de chegar sempre mais longe e de me superar. E devo o ensinamento de que não são precisos laços de sangue para que alguém seja um bom pai ou mãe, porque a responsabilidade da parentalidade não se adquire apenas com o nascimento de um filho, já que também se desenvolve nas atitudes tomadas e nas ações que afetam a vida da criança.

Neste aspeto, os meus pais foram exemplares: não só estiveram presentes em todos os momentos, bons e maus, como souberam cuidar-me e guiar-me para que pudesse crescer ciente das alegrias e dos perigos da vida. Os meus pais, detentores apenas do 4.º ano de escolaridade e por isso, teoricamente, menos informados, alertaram-me de facto para os perigos do meu percurso pessoal e profissional, mas sempre apoiaram as minhas decisões. Foram desde sempre o meu pilar e serão sempre os meus ídolos.

O meu pai faleceu há sete anos e deixou para trás muita saudade; foi vítima de uma pneumonia fulminante e o inesperado da situação tornou tudo ainda mais difícil. Por vezes não consigo conter a saudade, mas refugio-me nas palavras que ele próprio me dizia quando conversávamos longamente: “Quando eu partir, não chores. Lembra-te daquilo por que passámos, dos bons momentos e, sobretudo, da tua capacidade em lutar por aquilo em que acreditas, tal como eu sempre lutei.”

Inspirado nos meus pais e nos seus ensinamentos, concluí a escolaridade obrigatória e ingressei no Ensino Superior. Fi-lo porque sempre foi a vontade dos meus pais, mas também porque senti que era uma ótima forma de realização pessoal, uma vez que tinha esse objetivo desde criança, e de homenagear o meu pai, porque não desisti apesar da morte dele.

Nunca tive dúvidas de que iria optar pelo ensino; desde cedo tive gosto por partilhar conhecimento, mesmo com os miúdos da minha idade, e por isso concluí que poderia aliar a aprendizagem de uma profissão ao gosto por um ofício.

O meu percurso escolar começou em Vila Nova de Gaia e grande parte dele decorreu no ensino público. No 1.º Ciclo frequentei a escola das Matas; no 2.º e 3.º Ciclos passei pela escola EB 2/3 de Canidelo (D. Pedro I) e também

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pela Escola Secundária Inês de Castro. Desde cedo tive gosto pela prática do desporto e, por isso, a Educação Física foi sempre a minha disciplina preferida.

Ao longo da minha vida académica tive a oportunidade de ter três professoras que ainda hoje vejo como modelos e, sem dúvida nenhuma, foram essenciais para construir o conceito que hoje tenho do que é ser professor. Embora não fossem da área da Educação Física, conseguiram aprofundar o meu interesse pela docência e por isso são elementos importantes do meu percurso.

De acordo com Santos (2008), uma das experiências mais importantes que vivemos ao longo da vida é iniciar o contacto com o desporto. Efetivamente, o desporto foi um dos meus companheiros de vida, e a minha missão é fazer com que outras pessoas sintam o que eu sinto em relação à atividade física: mais do que uma imposição, que seja um prazer; mais do que uma necessidade, que seja uma diversão.

O meu interesse pelo desporto surgiu muito cedo: iniciei a minha prática desportiva na natação aos 6 anos de idade. Porém, devido a alguns problemas de saúde, tive de abandonar esta modalidade. Mais tarde tive a oportunidade de ingressar no Grupo de Ginástica do Colégio de Gaia e, no percurso com este grupo, tive a necessidade de aprofundar os meus conhecimentos, pelo que realizei um conjunto de formações sobre a modalidade. Concluí, assim, os cursos de juiz de ginástica acrobática e de grupo em Desporto Escolar.

Após a conclusão do curso do ensino secundário, decidi continuar a prática da modalidade, mas desta vez num clube federado (Sport Club do Porto), onde conquistei vários títulos, nomeadamente o de Campeão Nacional de Ginástica Acrobática, na categoria de Pares Masculinos. O aumento da carga horária na escola obrigou-me a abandonar a prática da modalidade; todavia, tive vontade de manter algum vínculo com a ginástica, por isso integrei o Curso de Juízes de Ginástica Acrobática, realizado em janeiro de 2013 e ministrado pela Federação, no qual obtive a classificação necessária para o desempenho dessas funções. A experiência no juízo de provas de ginástica revestiu-se de grande importância ao longo do meu EP, porque me permitiu adotar uma postura mais relaxada e imparcial nos momentos de avaliação.

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Não pratiquei muitas modalidades como atleta, mas sempre me dediquei totalmente aos desportos de que gostava. No atletismo, modalidade em que fui federado por dois anos, tive também a oportunidade de integrar um clube que ainda hoje está na minha memória pela entrega, compreensão e companheirismo de todos os elementos, incluindo os treinadores. Esses dois anos foram repletos de trabalho, mas foram também muito gratificantes e permitiram-me constatar a minha evolução ao longo deste período. O desporto federado (DF) e o desporto escolar (DE) foram duas realidades do meu percurso que, embora distintas na forma, tiveram um importante traço comum que foi influenciar a consolidação da minha identidade pelo facto de ter enfrentado cenários de ambos os contextos (DF e DE) (Meksenas, 2003). Em particular, aprendi a ter uma melhor noção da importância da interajuda e do respeito pelos colegas em contexto de prática desportiva.

Como professor e como pessoa, espero ser capaz de transmitir devidamente estes valores e experiências aos meus futuros alunos e atletas, empregando atitudes que revelem a importância destes aspetos e que constituam momentos de partilha que nos façam crescer. Bento (1998, p. 149) confirma a relevância desta doutrina, defendendo que o desporto se pauta por “princípios, valores e objetivos” e pelos métodos que fazem do desporto um “ato fundante do ser do homem”, que o separa dos demais seres e representa uma derradeira expressão de liberdade.

Em 2010, ingressei na Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico do Porto, no curso de Ciências do Desporto, onde concluí o curso dentro dos três anos exigidos, ou seja, em 2013. Durante os três anos de licenciatura, adquiri um vasto leque de conhecimentos sobre o desporto, o que me permitiu melhorar o meu domínio sobre o panorama real do mundo desportivo. Tive ainda a oportunidade de aprender vários conceitos relacionados com os aspetos técnicos e táticos de diferentes modalidades.

Depois de concluir a licenciatura, para assim conseguir enveredar pela área desportiva com a vertente do ensino, decidi concorrer ao Mestrado de Ensino de Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário da Faculdade de Desporto da Universidade do Porto (FADEUP), ao abrigo do processo de

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Bolonha. Escolhi esta faculdade pelo seu prestígio e notoriedade, e a minha vivência de estudante permitiu-me notar já também uma grande diferença ao nível de ensino comparativamente à minha antiga instituição. É uma faculdade que preza a excelência, por isso aconselho todos aqueles que desejem seguir a vertente desportiva a escolher esta instituição. A este respeito, Nóvoa (2000) defende que a aprendizagem depende não só da própria pessoa, mas também da instituição de ensino onde tem lugar a aprendizagem, pelo que considero crucial ter escolhido a FADEUP para mais uma etapa do meu percurso académico. De facto, já no final do primeiro ano do mestrado pude constatar que havia adquirido uma série de instrumentos essenciais à prática pedagógica. Para isso contribuiu a especificidade do plano curricular orientado para o ensino, capaz de ministrar conhecimentos específicos do ofício e de formar profissionais competentes e capazes de fazer face à mudança e de se adaptarem à mesma.

Atualmente, além de estudar, desempenho a função de treinador de ginástica/dança no Académico Futebol Clube, que se situa na Rua Costa Cabral, no Porto. Esta experiência contribui largamente para que me sinta à vontade perante uma turma. No entanto, noto ainda algumas dificuldades inerentes ao trabalho dos alunos com NEE (Necessidades Educativas Especiais), à gestão do material e do espaço, e ainda à gestão de uma turma com elevado número de alunos. E embora perceba as diferenças de postura e de transmissão de feedback entre um treino e uma aula, tenho receio de nem sempre me aperceber se estou assumir uma exigência superior à pretendida.

No que diz respeito ao meu perfil fora do âmbito profissional, posso dizer que sou uma pessoa sociável, amigo do seu amigo, que gosto de ajudar e principalmente de partilhar os meus conhecimentos com os outros, ou seja, gosto muito de ensinar. Por esse motivo, estou confiante de que não terei grandes dificuldades em dialogar com os meus alunos no futuro.

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1.2. Expetativas e visão inicial e pessoal sobre o Estágio

Ao iniciar este estágio profissional (EP), refleti sobre as minhas expetativas em relação ao mesmo. Segundo Andrade (2005, p. 2), “o estágio profissional é uma parte importante integradora do currículo, a parte em que o licenciado vai assumir pela primeira vez a sua identidade profissional e sentir na pele o compromisso com o aluno, com a sua família, com a sua comunidade, com a instituição escolar que representa a sua inclusão social, com a produção conjunta de significados em sala de aula, com a democracia, com o sentido de profissionalismo que implique competência.”

Dada a importância desta etapa, naturalmente senti algum receio numa primeira fase, mas a minha família e os meus amigos tiveram um papel essencial para os mitigar. As suas palavras de incentivo e motivação foram muito importantes para a minha autoconfiança e fizeram-me crer que poderia superar todas as adversidades que eventualmente surgissem no meu caminho. Tive, portanto, bastante motivação, que de acordo com Arends (1995,) é um conceito inerente à própria pessoa, mas a meu ver, também é influenciada pelos estímulos externos que recebemos, que no meu caso foram positivos. Todavia, não perdi nunca a consciência de que teria de ultrapassar alguns obstáculos e encetar um processo de aprendizagem constante, pois só assim poderia preencher lacunas e melhorar aspetos negativos que pudessem existir. Além dos objetivos que me eram propostos pela unidade curricular do estágio propriamente dita, estabeleci metas pessoais que julguei serem essenciais para ter sucesso no EP e que detalharei adiante.

Em primeiro lugar, propus-me tentar aplicar e transmitir todos os conhecimentos adquiridos ao longo da minha formação académica, mais especificamente nas áreas didáticas específicas lecionadas no primeiro ano de mestrado. Após ter analisado o programa nacional de Educação Física, foi necessário adequar o mesmo aos recursos da escola e às características dos alunos, com a finalidade de ajustar os exercícios ao nível da turma. No que diz respeito à transmissão de conhecimento, fi-lo de uma forma clara, utilizando

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vocabulário acessível para a turma e assumindo o perfil adequado de um bom professor, sempre com ajuda das professoras cooperantes da escola.

Para ser bem-sucedido, no EP, foi essencial adquirir formação adicional, tanto ao nível das planificações como ao nível de conhecimentos, pois só assim consegui identificar e utilizar as metodologias mais adequadas e diversificadas enquanto professor. Concretamente, considero crucial ter uma boa noção de como efetuar uma devida planificação das aulas e ter a capacidade de as lecionar procurando sempre cativar o máximo de alunos possível para a prática desportiva.

Por outro lado, procurei tirar partido do facto de a escola ser uma instituição que tem como objetivo promover a inclusão de todos os alunos e, em especial, dos alunos com Necessidades Educativas Especiais (NEE), para aprender mais sobre esta faceta do ensino, que naturalmente não se limita à mera transmissão de conhecimentos. Neste contexto, procurei sempre orientar as minhas aulas num ambiente harmonioso e estável, com a finalidade de obter um controlo saudável sobre os alunos: firme, mas não impositivo.

No que concerne à avaliação, propus-me adquirir competências necessárias para poder avaliar os alunos de uma forma honesta e imparcial. Para além do leccionamento das aulas, os vários departamentos da escola devem apresentar um conjunto de atividades a realizar ao longo do ano letivo e, nesse sentido, procurei obter conhecimentos relacionados com a organização e dinamização de diferentes atividades a desenvolver com os alunos no âmbito da EF. Tentei ainda melhorar o meu conhecimento formal sobre as diferentes estruturas de organização escolar, bem como aprender a registar os acontecimentos inerentes às diferentes reuniões realizadas na escola, incluindo o contacto com os Encarregados de Educação (EE).

Em retrospetiva, considero ter melhorado em todos os aspetos suprarreferidos; os conhecimentos que adquiri e as experiências que vivi permitiram-me certamente ser um melhor profissional, mas também crescer a nível pessoal.

Mas não poderia falar do estágio sem referir os meus colegas de percurso, os restantes professores da escola e os colegas do núcleo de estágio

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(NE). Sobre eles, tenho a destacar a camaradagem, a entreajuda, o diálogo, a sinceridade e a honestidade em situações mais difíceis que foram surgindo pelo caminho. Concretamente, o grupo de EF merece uma menção especial neste documento, porque me recebeu de uma forma extremamente calorosa e sempre veio ao meu auxílio em questões relacionadas com a minha integração pessoal e o meu desenvolvimento profissional.

Relativamente ao núcleo de estágio, revelou-se uma grande surpresa: conhecia apenas alguns colegas, mas desde o início todos nos unimos num espírito de camaradagem e de entreajuda. Observar os meus colegas foi também muito importante para a minha evolução: concluo agora que foi uma tarefa que me permitiu compreender melhor o que devia melhorar nos meus métodos e descobrir novas estratégias para melhorar o nível e a qualidade da aprendizagem dos meus alunos.

Por fim, e não menos importantes, as minhas maiores expetativas diziam respeito aos alunos e estavam relacionadas com a cooperação e o interesse eventualmente demonstrados, que poderiam facilitar a relação professor/aluno e a criação os laços de afetividade conducentes a um clima de aula mais favorável e a uma aprendizagem mais eficaz.

Termino esta secção com uma afirmação que resume o percurso que estou a percorrer e que muito me satisfaz: “tornar-se professor constitui um processo complexo, dinâmico e evolutivo que compreende um conjunto variado de aprendizagens e de experiências ao longo de diferentes etapas formativas” (Pacheco, 1999, p. 45).

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2.

Enquadramento da Prática Profissional, a terra que recebe

a semente

“Para crescer, uma árvore precisa de alimento, de sol e até do contributo de outros seres vivos, mas precisa também de uma base de sustentação, de um local onde possa assentar as suas raízes. A terra é, pois, um elemento essencial deste percurso: é sobre ela que a árvore envelhece, e são as suas propriedades orgânicas que definem a qualidade de vida da árvore. Também eu precisei de uma base de sustentação para a minha profissão, que orgulhosamente recebi de parte dos meus professores, da escola, dos alunos e colegas.”

2.1. Referências ao contexto legal, institucional e funcional

Para além de ser uma unidade curricular e uma experiência profissionalizante, o EP engloba também processos burocráticos necessários à sua execução, que se revelam de maior importância por envolverem diversas entidades de naturezas diferentes que necessitam de trabalhar em conjunto.

Do lado da faculdade, o professor regente assume a responsabilidade geral pelo EP, contando com a colaboração da Comissão Científica e com a Comissão de Acompanhamento do Curso de 2.º Ciclo em Ensino de Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário, este conducente à obtenção do grau de mestre.

A duração do EP é geralmente limitada ao 3.º e 4.º semestres do curso; tem início a 1 de setembro e decorre até ao final do ano letivo na Escola Cooperante (EC).

No que diz respeito ao enquadramento legal, a figura do estágio profissional é regulada pelo Decreto-Lei n.º 43/2007 de 22 de fevereiro, e inclui, entre outros, os seguintes objetivos:

 “Definir as condições necessárias à obtenção de habilitação profissional para a docência”;

 Determinar a obrigatoriedade da habilitação profissional para a prática da docência, que inclui um “estágio de natureza profissional”;

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 Determinar a obrigatoriedade do grau de mestre para a obtenção de um título de habilitação profissional.

Além destes objetivos, o referido Decreto-Lei contém outras informações relevantes para a execução do estágio profissional, nomeadamente as premissas de que este deve incluir tarefas de “observação e colaboração em situações de educação e ensino e a prática de ensino supervisionada na sala de aula e na escola”, formar os futuros docentes através de experiências de planificação, ensino e avaliação, e permitir que os candidatos à habilitação profissional lecionem turmas de vários níveis de ensino (desde que adequados ao nível de habilitação abrangido pelo seu curso). Em suma, deve contemplar o desempenho do formando como futuro docente e incentivar a adoção de uma postura crítica perante desafios, constrangimentos e demais processos inerentes à profissão.

O EP, pela sua natureza profissionalizante, tem também como objetivo a familiarização do estagiário com o mercado profissional, pela promoção de um primeiro contacto com a realidade da docência e do desenvolvimento das ferramentas necessárias à sua prática.

A este propósito, refira-se o Perfil geral de desempenho profissional do educador de infância e dos professores dos ensinos básico e secundário mencionado no decreto-lei suprarreferido, que transpõe o Decreto-Lei n.º 240/2001, de 30 de agosto. Este perfil prevê que a docência abarque três áreas de desempenho: a primeira engloba a conceção, o planeamento, a realização e a avaliação do ensino, procurando criar estratégias interventivas no âmbito da eficácia pedagógica, da educação e formação englobadas nas aulas de EF. A segunda área diz respeito ao conjunto de atividades não letivas promovidas pelo estagiário, que servem para o integrar na comunidade escolar e local, e contribuem para o sucesso da sua intervenção enquanto professor de EF e para reputação da disciplina de EF propriamente dita. Estas atividades devem fazer parte de uma estratégia contextualizada e inovadora, baseada na cooperação e na responsabilidade. Finalmente, a terceira área de desempenho prevista no perfil do docente diz respeito às atividades e experiências cruciais para o desenvolvimento da competência profissional, que incluem uma

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ponderação sobre a atividade, a experiência, a investigação e quaisquer outras ferramentas de desenvolvimento profissional.

O exercício do estágio propriamente dito só é permitido após a colocação do estudante, em resultado das candidaturas apresentadas por este perante as escolas elegíveis (detentoras de protocolo com a FADEUP) do território nacional. Depois da conclusão do estágio, da aprovação em todas as unidades curriculares do mestrado e da defesa do relatório de estágio, o aluno obtém habilitação para a docência de acordo com o previsto no plano curricular do seu curso (no meu caso, permite-me lecionar aos ensinos básico e secundário).

2.2. O papel da Escola e sua relação com o professor

Antigamente, a família era considerada a principal responsável pela formação das crianças e jovens, sendo a escola vista exclusivamente como uma instituição complementar. Contudo, o decorrer dos anos trouxe consigo uma mudança de paradigma, tornando-se a escola uma referência na formação cívica e educacional dos cidadãos. Hoje em dia, esta instituição é vista não só como um meio para a transmissão de conhecimentos teóricos e práticos, mas também como um local onde é necessário adquirir e cumprir um conjunto de regras e atitudes, em respeito por valores comumente aceites como fundamentais.

Para Nóvoa (1992, p. 16), “as escolas constituem uma territorialidade espacial e cultural, onde se exprime o jogo dos atores educativos internos: por isso, a sua análise só tem verdadeiro sentido se conseguir mobilizar todas as dimensões pessoais, simbólicas e políticas da vida escolar, não reduzindo o pensamento e a ação educativa a perspetivas técnicas de gestão ou de eficácia stricto sensu.”

A escola deve ainda apresentar-se como um elemento inclusivo e integrador, no qual seja permitido a todos os seus educandos absorver conhecimento, independentemente do seu ponto de partida pessoal e das

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diferenças entre si e os seus pares. Como preconiza a Declaração de Salamanca (UNESCO, 1994), uma escola devidamente inclusiva deve “garantir um bom nível de educação para todos.” Para isso, deve não só ter em conta as diferentes necessidades e cadências de aprendizagem, mas também utilizar e reinventar os diversos recursos ao seu dispor, e ainda colaborar com a comunidade envolvente.

O professor insere-se nesta realidade como uma espécie de instrumento de ensino, que deve estar preparado para responder com rapidez e imaginação aos desafios com que se depara no seu percurso. No caso específico do professor estagiário, segundo Huberman (1995), a etapa de introdução à profissão tem de englobar, fundamentalmente, dois grandes sentimentos: o da sobrevivência e o da descoberta guiada. Relativamente ao primeiro, é plausível assumir que se refere ao contacto inicial com uma nova realidade; o segundo refere-se tanto à atuação do docente como à perceção da escola e do seu meio envolvente.

A docência é um ofício que exige uma grande versatilidade, em que o instrumento “professor” tem de se adaptar ao organismo “escola” e aos alunos constantemente, porque a escola por si só não é capaz de responder a todas as necessidades que se colocam. Assim, o professor tem de ser um solucionador, resolvendo os problemas e criando oportunidades de acordo com as condições materiais e as personalidades dos vários intervenientes envolvidos. A este propósito, recordo as palavras de Le Boterf (1997), que afirma que os professores fazem parte do leque de profissionais que “devem enfrentar o desafio e a mudança permanente”.

Todavia, ser um instrumento neste organismo que é a escola tem muito de positivo; acima de tudo, o ensino é “uma oportunidade privilegiada para aprender a ensinar” (Garcia, 1999, p. 103). No que diz respeito ao professor estagiário, o período em que aprende a profissão serve também para compreender o papel da escola, a natureza dos desafios curriculares e da planificação, e ainda para se integrar no sistema e fazer parte da evolução natural do mesmo.

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2.3. A escola que me acolheu

O Agrupamento de Escolas Dr. Costa Matos fica no concelho de Vila Nova de Gaia, distrito do Porto.

Vila Nova de Gaia é rodeada pelos concelhos de Gondomar e do Porto, a norte, e pelos municípios de Espinho e Santa Maria da Feira, a sul. As suas 15 freguesias, recentemente reorganizadas num novo mapa territorial, espalham-se por cerca de 170 km2, o Agrupamento fica entre as freguesias de Mafamude e Santa Marinha/ S. Pedro de Afurada. A população de V.N. Gaia ascende atualmente 302 295 habitantes, a maioria deste em Mafamude e Vilar do Paraíso.

O meu estágio decorreu no Agrupamento de Escolas Dr. Costa Matos, antiga Escola EB 2/3 Teixeira Lopes. Este agrupamento abrange o ensino Pré-Escolar, o 2.º e 3.º Ciclos do Ensino Básico, alguns Cursos Vocacionais e, ainda este ano, teve oportunidade de acolher um Curso Secundário de Técnico e Segurança de Salvamento Aquático. Situa-se em Vila Nova de Gaia e a sua sede situa-se na Rua José Fontana, na União das freguesias de Santa Marinha e São Pedro da Afurada.

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O agrupamento em questão inclui cinco escolas do 1.º Ciclo do Ensino Básico das freguesias de Mafamude e Vilar de Paraíso, Santa Marinha e São Pedro da Afurada, e eu próprio frequentei uma delas (Escola EB/1 das Matas), pelo que estou familiarizado com o meio físico e social.

A localização geográfica da Escola Básica Dr. Costa Matos é privilegiada: as instalações situam-se numa zona com bastantes acessos, sendo que a via de acesso mais próxima é o IC23, e a apenas a 500 m fica também o IC1. Nas proximidades existe uma estação ferroviária em funcionamento há mais de quarenta e um anos (Estação Ferroviária das Devesas), e estão ainda disponíveis várias paragens de autocarros urbanos e suburbanos. A par de outros motivos que serão detalhados adiante, este é mais um dos aspetos que nos permite considerá-la uma escola favorecida.

“Dada a sua natureza central urbana, a área de influência é vasta e diversificada, já que integra alunos de várias freguesias do Concelho de Vila Nova de Gaia, cujos encarregados de educação trabalham no seu raio de ação” (Projeto Educativo, 2012-2015, Agrupamento de Escolas Dr. Costa Matos, p. 11)3.

Partindo para uma análise mais específica desta instituição, é de salientar que a mesma apresenta algumas fragilidades decorrentes da falta de isolamento do frio e da chuva que se faz sentir nas salas de aula e no pavilhão gimnodesportivo. Além das debilidades suprarreferidas, também é de notar o espaço reduzido da cantina: atualmente é necessário que os alunos realizem as suas refeições por turnos de acordo com o seu horário escolar, o que é incómodo porque alguns alunos se veem na necessidade de tomar as suas refeições apressadamente. No entanto, estas condições contrastam com as das salas, que dispõem, na sua totalidade, de computadores e quadros interativos, que em teoria permitem aos professores explorarem as diferentes formas e métodos de ensino para aumentar a motivação dos alunos e a sua taxa de sucesso. Na prática, as potencialidades destas condições não se

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Projeto Educativo do Agrupamento de Escolas Dr.Costa Matos. (2012/2016). Documento elaborado pelo Agrupamento de Escolas Dr. Costa Matos. Documento não publicado

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traduzem em resultados qualitativos, pelo menos nas disciplinas em são realizados exames nacionais, aquelas que correspondem aos dados efetivamente recolhidos e analisados.

Ao longo destes últimos anos, a Escola Básica Dr. Costa Matos tem sido premiada a vários níveis, concretamente pelo seu Mérito Institucional no ano de 2012, tendo também sido galardoada com o segundo lugar na Categoria de Inovação Pedagógica referente ao ano letivo de 2011/2012. Foi ainda nomeada como local de Boas Práticas no Setor Público (8.ª edição). Graças aos prémios referidos anteriormente, a instituição passou ainda a ser bastante reconhecida pela integração de alunos com Necessidades Educativas Especiais no contexto da sociedade em geral e da comunidade educativa em particular. Devido aos problemas evidenciados anteriormente, e graças ao empenho de todos os profissionais desta instituição em melhorar a aprendizagem dos alunos, ao seu sucesso e à sua qualidade de ensino, está atualmente aprovada uma reestruturação das instalações, que poderá transformar esta escola em mais um motivo de referência na Direção Regional de Educação do Norte (CLDEP). No que diz respeito às instalações desportivas exteriores, é de salientar que as mesmas se encontram em excelentes condições para a prática de alguns desportos, mais especificamente futebol e andebol em campo sintético; existem atualmente quatro balizas desmontáveis e duas fixas. Além deste campo, a escola dispõe de dois campos de basquetebol e de uma caixa de areia onde podem ser ministrados alguns conteúdos respeitantes à modalidade de atletismo.

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Relativamente às instalações interiores (pavilhão gimnodesportivo), é de notar que as mesmas se encontram em boas condições para a prática desportiva das várias modalidades que o PNEF propõe. Habitualmente, o pavilhão gimnodesportivo encontra-se dividido em três espaços e, consoante a modalidade que os professores decidem abordar, é definido o espaço mais adequado para a prática da mesma. Todavia, existe um roulement das instalações, para que todas as turmas possam ter a oportunidade de usufruir dos diferentes espaços. A escola está apetrechada com um vasto leque de materiais propícios para um conjunto de práticas desportivas, desde as modalidades obrigatórias até as modalidades optativas como o speedminton,

kin-ball, tag-rugby e judo, entre outras. Tanto o pavilhão gimnodesportivo como

o campo sintético de futebol são alugados, fora dos horários letivos, à comunidade exterior.

Imagem 2: Pavilhão Interior

Imagem 3: Arrecadação do Material de Ginástica

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A EC ainda a oportunidade para os alunos ingressarem no Desporto Escolar e, para tal, é necessário que os mesmos se inscrevam para integrar uma ou duas das seguintes modalidades: Judo, Dança Moderna, Basquetebol, Xadrez, Golfe, Badmínton, Desporto Adaptado e Ténis de Mesa.

A escola assume, no presente, um papel importante de inclusão de todos os alunos, professores e auxiliares, independentemente da etnia, religião, da existência de deficiência motora ou mental, entre outros fatores diferenciadores. Por esse motivo, é possível encontrar na escola dois espaços dedicados a alunos com NEE (Unidade de multideficiência e Sala de Educação Especial), que funcionam como forma de incentivo à integração, sempre que possível, com as restantes crianças/jovens. O termo educação multicultural é, em sentido restrito, o conjunto de estratégias organizacionais, curriculares e pedagógicas ao nível do sistema, de escola e de turma, cujo objetivo é promover a compreensão e a tolerância entre indivíduos de origens étnicas diversas, através da mudança de perceções e atitudes, com base em programas curriculares que expressem a diversidade de culturas e de estilos de vida.

2.4. Os meus camaradas desta viagem: núcleo de estágio ou as outras plantas do ecossistema

“Uma árvore consegue sobreviver sozinha. Todavia, a sua existência faz muito mais sentido se, com outras árvores, construir uma floresta. Também eu faço mais sentido com a companhia dos meus colegas, porque juntos fazemos mais e melhor.”

O NE onde eu estive inserido era composto por três elementos. Tive como companhia um elemento do sexo masculino e outro do sexo feminino. No dia em que nos apresentamos na escola, a nossa orientadora proporcionou-nos uma visita guiada para proporcionou-nos dar a conhecer o proporcionou-nosso local de trabalho durante o ano letivo. Em seguida, reunimo-nos na nossa sala de trabalho para debater alguns aspetos importantes referentes ao EP.

Uma das questões que considero pertinente salientar foi a cooperação que existiu entre os estagiários, uma vez que a partilha de ideias e de crenças

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ajudou-nos a crescer enquanto profissionais e a melhorar os nossos erros enquanto professores estagiários. Neste âmbito, a própria escola foi um recurso fundamental, porque nos ofereceu um terreno onde adquirir mais competências sociais e a melhorar a nossa capacidade de interação, independentemente das nossas diferenças.

Outro aspeto que sublinho e que teve uma grande importância foi a entreajuda, que facilitou o trabalho de todos e permitiu aumentar as nossas competências em determinadas áreas. Por exemplo, quando auxiliei o meu colega na construção do esquema de ginástica da sua turma, contribuí para que se sentisse mais confiante ao lecionar esta aula.

Por outro lado, o facto de eu próprio observar as aulas dos colegas e de poder trocar opiniões com os mesmos foi essencial para o meu percurso e para a construção do meu eu docente. A título de exemplo, recordo uma aula em que só com a ajuda dos meus colegas consegui compreender que tinha adotado uma postura um pouco rígida perante os meus alunos, que não tinha sido necessária porque a turma se tinha mostrado emprenhada em realizar as suas tarefas e não tinha adotado comportamentos desviantes (Adaptado de Reflexão de aula n.º 3, UD Voleibol)

Devo referir que, como em todos os grupos, nem sempre partilhámos as mesmas opiniões e, nesses casos, cada um seguia o seu método, verificando posteriormente se o mesmo tinha obtido o sucesso pretendido. Por fim, compreendemos que a “união faz a força”, ou seja, que unidos formámos uma boa equipa e conseguimos, assim, ultrapassar todas as adversidades que foram surgindo.

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2.5. Análise dos documentos locais

Quando somos colocados numa escola, temos a obrigação de analisar os seus documentos internos para compreender aos seus métodos e procedimentos quotidianos. Estes mesmos documentos devem ser um reflexo dos documentos centrais, que regem também o funcionamento da escola, e ambos permitem ao professor (e, em particular, ao professor estagiário) ajustar os seus próprios métodos à realidade da escola onde vai lecionar.

Neste contexto, procedi à análise do Projeto educativo (PE) da EC, um documento essencial para o funcionamento da escola porque define a sua identidade; contém as definições de missão, motivação, finalidade, cultura, valores, normas e convicções. Inclui também dados sobre a história da escola e o que se se espera que ela seja no presente e no futuro. Além destes aspetos, o PE engloba também as noções sobre a importância que deve ser dada aos diversos aspetos curriculares e não curriculares da vida escolar, nomeadamente a função da família na educação e a liberdade de ensinar e aprender. Este documento é válido por quatro anos e contém informações claras sobre alterações que tenham sido efetuadas, indicando a data da revisão e o seu teor.

Analisei também o Regulamento interno (RI) da escola, o principal documento orientador de regras e procedimentos que faz ainda menção aos direitos e deveres dos intervenientes, contribuindo todas estas informações para o funcionamento harmonioso da instituição. O RI é responsabilidade do Conselho Pedagógico mas carece de aprovação do Conselho geral, e é aplicado a todas as pessoas envolvidas no quotidiano da escola.

Considero muito importante ter lido e compreendido estes documentos, porque me deram orientações sobre qual a postura a adotar como futuro professor de EF. Compreendi também o que se espera dos utilizadores dos espaços e dos materiais existentes e disponibilizados para as aulas de EF.

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2.6. O grupo de Educação Física: a verdadeira cooperação

Eu e os meus colegas do NE fomos apresentados ao grupo de EF como professores estagiários. Ao todo, erámos 13: os dez elementos residentes e os cinco alunos da FADEUP.

Apesar de o estágio se tratar de um percurso individual, creio ser pertinente manter uma boa relação com o grupo da disciplina como mais um elemento que contribui para o sucesso. Naturalmente, a experiência dos professores mais velhos, incluindo as suas estratégias e soluções perante desafios, são contributos vitais para a nossa própria evolução profissional. Esta premissa é corroborada por Batista e Queirós (2013), que referem que o diálogo entre professores mais jovens e os mais experientes são determinantes para estabelecer uma relação entre teoria e prática do ensino.

O grupo de EF da escola onde realizei o meu estágio mostrou-se desde o primeiro momento disponível para nos integrar e partilhar connosco os seus conhecimentos, nomeadamente através do esclarecimento de dúvidas sobre qualquer aspeto relacionado com as nossas funções. Os seus elementos demonstraram formar um grupo unido e determinado, que cultiva os valores do respeito, da entrega, da lealdade e da cooperação.

Pessoalmente, identifiquei-me mais com os métodos de ensino de alguns professores do que com os de outros. Ao observar as suas técnicas pedagógicas, podendo também colocá-las em prática nas minhas aulas, pude compreender que há diversas abordagens para o mesmo assunto e que, embora não haja uma definição absoluta de certo e de errado, há certamente práticas mais adequadas a umas situações do que outras, e também mais adaptadas ao meu próprio perfil profissional e personalidade. Lave e Wagner (1991) salientam, a este respeito, que o facto de o futuro professor ter a oportunidade de enfrentar um contexto real de ensino é importante para a sua aprendizagem, porque o coloca perante toda a comunidade educativa: alunos, auxiliares de educação, pais e, claro, os outros professores.

De minha parte, creio necessitar ainda de bastante experiência para ser o bom profissional que pretendo, mas tenho a certeza de que escutar os meus

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colegas e aprender com eles é um aspeto crucial do meu percurso, uma vez que me permite ter uma noção das estratégias que funcionam (ou não), das dificuldades que poderei enfrentar e dos sucessos que posso esperar, ferramentas que demoraria mais a adquirir se não pudesse beneficiar da experiência dos meus pares.

2.7. Os meus tripulantes aprendizes: Turma Fixa, ou os

pássaros que pousam nos ramos da árvore

“A importância de uma árvore não se vê apenas na sombra que oferece, no tamanho dos seus ramos, mas também na confiança que outros seres vivos depositam ao fazer os seus lares nela. E os pássaros, pela sua beleza, são aqueles que dão mais vida à arvore, enchendo-a de cor e de sons que elenchendo-a sozinhenchendo-a não poderienchendo-a crienchendo-ar. Assim vejo os meus enchendo-alunos: pequenos seres que confiam em mim para lhes transmitir parte do meu saber, mas também elementos muito importantes da minha vida, que sem eles não teria a mesma graça.”

Antes de relatar a minha vivência junto da turma que me foi atribuída, creio ser fundamental expor as mudanças que foram surgindo no papel do professor/aluno a nível global.

A sociedade é um sistema em constante mutação, também é percecionada pelo sistema de ensino que, por sua vez, também opera mudanças no sistema. Uma das mudanças que se verificaram nos últimos anos foi o papel do professor: se antes era visto como agente, primordial responsável pela educação dos seus alunos, hoje em dia aproxima-se mais do conceito de adjuvante, no sentido em que orienta os seus alunos na construção do seu próprio percurso de aprendizagem.

O professor continua a ser um transmissor de conhecimento, sendo responsável por criar rumos, definir objetivos e monitorizar a evolução da ação pedagógica. Mas é também, e de forma não menos importante, um suporte: ele facilita a obtenção de conhecimentos, procura motivar os seus alunos e coloca-lhes metas e objetivos que potenciam ainda mais o seu desenvolvimento. Para isto, uma das suas capacidades essenciais deve ser a perceção do aluno como

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uma peça individual do sistema de ensino, com os traços de personalidade, experiências, objetivos e dificuldades específicos. O professor não pode nunca esquecer que, embora o ensino seja um sistema com diversos intervenientes, ele é destinado ao aluno e por isso deve centrar-se nele (Rink, 2001).

No início do ano letivo, a nossa PC apresentou as turmas que lhe tinham sido atribuídas e, a partir desse momento, cada estagiário pôde escolher qualquer uma das três turmas do 9.º ano de escolaridade. Devo desde já referir que tive bastante sorte na turma que me foi atribuída pois, uma vez que já tinha sido orientada por professores estagiários, tinha desde o início uma noção de como iriam decorrer as aulas ao longo deste ano letivo.

Tendo em conta que era a primeira vez que vivenciava o papel de professor de Educação Física em contexto real, tentei logo recolher o máximo de informações junto do conselho de turma e de professores que já tinham tido o privilégio de trabalhar com esta turma. Ao recolher essas informações, reparei que alguns alunos já tinham o rótulo de alunos pouco empenhados, faladores e problemáticos. Todavia, desde o primeiro momento procurei abstrair-me desses rótulos; adotei uma postura imparcial, e só depois de ter as minhas próprias experiências me permiti tirar conclusões sobre a turma.

Desde que fui colocado na escola, senti uma grande ansiedade por conhecer os meus alunos. A minha principal preocupação era causar uma boa impressão junto da turma, porque as primeiras impressões condicionam o futuro das relações. Por outro lado, queria certificar-me de que estava concentrado nas coisas certas, nomeadamente na qualidade do ensino que ministrava aos educandos.

A respeito da qualidade, importa referir que esta também passa pela igualdade entre alunos, questão que me preocupou particularmente, até porque a minha turma incluía dois alunos com Necessidades Educativas Especiais (NEE). Tentei desde o início lidar da melhor forma possível com esta situação, preocupando-me principalmente com a inclusão dos alunos nas minhas aulas.

Para integrar todos os alunos e estabelecer diálogo entre eles e com o professor, servi-me desde logo do momento da apresentação, em que procurei também conhecer as particularidades de cada educando. Assim, apercebi-me

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que havia alunos mais extrovertidos e divertidos, mas nenhum deles apresentava um comportamento problemático para a dinâmica da turma.

No entanto, considerei necessário saber um pouco mais sobre cada um dos alunos em particular, e por isso obtive junto da diretora de turma os seus dados biográficos; procurava saber se deveria estar atento a algum problema em particular que merecesse a minha atenção durante as aulas, quer fosse físico, psicológico ou mesmo social.

Mas a minha caracterização da turma não ficou por aqui: pedi aos alunos que, na primeira aula, preenchessem uma ficha em que os questionava sobre aspetos específicos relacionados com a disciplina. Este documento tinha como objetivo conhecer as preferências de cada um e as suas anteriores experiências desportivas, e por isso quis saber ainda quais as modalidades que pretendiam práticas nas minhas aulas.

Em suma, procurei que a minha perceção da turma fosse o mais completa possível, tendo presentes as palavras de Mesquita l. (2003), que afirma que o professor deve ter em conta as necessidades de cada um dos seus alunos porque cada um deles é um ser único.

Nas aulas seguintes pude concluir que os alunos, mesmo não executando os movimentos de forma perfeita, mostravam grande vontade e interesse em melhorar o seu desempenho. Naturalmente, deparei-me com alunos com maiores dificuldades e, para colmatá-las, chamava-os para lhes dar uma explicação mais pormenorizada do movimento correto, servindo-me de vídeos como suporte adicional.

A inclusão dos alunos com NEE nem sempre foi fácil, uma vez que, para além do espaço de aula ser reduzido, estes alunos necessitavam de uma atenção especial devido às suas limitações. Infelizmente, nem sempre tive a possibilidade de prestar a atenção necessária, uma vez que não podia prejudicar a aprendizagem dos restantes alunos. Para tentar combater esta dificuldade tentei incluir estes alunos, sempre que possível, nos exercícios de aula, atribuindo-lhes variantes diferentes de forma a facilitar a sua prestação. Contudo, ressalvo aqui a dedicação, o respeito e a compreensão que a turma apresentou perante destes alunos pois, mesmo sabendo das suas limitações,

Referências

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