• Nenhum resultado encontrado

Ciência da informação em contextos

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2021

Share "Ciência da informação em contextos"

Copied!
254
0
0

Texto

(1)
(2)
(3)

Milton Ribeiro

UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ - UFC Reitor

Prof. José Cândido Lustosa Bittencourt de Albuquerque Vice-Reitor

Prof. José Glauco Lobo Filho

Pró-Reitor de Planejamento e Administração Prof. Almir Bittencourt da Silva

Pró-Reitor de Pesquisa e Pós-Graduação Prof. Jorge Herbert Soares de Lira IMPRENSA UNIVERSITÁRIA Diretor

Joaquim Melo de Albuquerque CONSELHO EDITORIAL Presidente

Joaquim Melo de Albuquerque Conselheiros*

Prof. Claudio de Albuquerque Marques Prof. Antônio Gomes de Souza Filho Prof. Rogério Teixeira Masih

Prof. Augusto Teixeira de Albuquerque Profª Maria Elias Soares

Francisco Jonatan Soares

Prof. Luiz Gonzaga de França Lopes Prof. Rodrigo Maggioni

Prof. Armênio Aguiar dos Santos Prof. Márcio Viana Ramos Prof. André Bezerra dos Santos Prof. Fabiano André Narciso Fernandes Profª Ana Fátima Carvalho Fernandes Profª Renata Bessa Pontes

Prof. Alexandre Holanda Sampaio Prof. Alek Sandro Dutra

Prof. José Carlos Lázaro da Silva Filho Prof. William Paiva Marques Júnior Prof. Irapuan Peixoto Lima Filho Prof. Cássio Adriano Braz de Aquino Prof. José Carlos Siqueira de Souza Prof. Osmar Gonçalves dos Reis Filho

(4)

Fortaleza 2020

Maria Giovanna Guedes Farias

Virgínia Bentes Pinto

Ciência da informação

em contextos

(5)

Todos os direitos reservados

Impressono BrasIl / prIntedIn BrazIl

Imprensa Universitária da Universidade Federal do Ceará (UFC) Av. da Universidade, 2932, fundos – Benfica – Fortaleza – Ceará Coordenação editorial

Ivanaldo Maciel de Lima Revisão de texto Adriano Santiago

Normalização bibliográfica Marta Regina Sales Barbosa Programação visual

Sandro Vasconcellos / Thiago Nogueira

Diagramação

Victor Alencar

Capa Heron Cruz Imagem da Capa

Profª Maria Giovanna Guedes Farias

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação Bibliotecária Marta Regina Sales Barbosa CRB 3/667

C569 Ciência da informação em contextos [livro eletrônico] / organizadoras Maria Giovanna Guedes Farias, Virgínia Bentes Pinto. - Fortaleza: Imprensa Universitária, 2020.

2427 Kb : il. color ; PDF. - (Coleção de Estudos da Pós-Graduação) ISBN 978-65-88492-06-2

1. Representação da Informação. 2. Mediação da informação. 3. Análise de Domínio Tecnologias Digitais. I. Pinto, Virgínia Bentes (org.). II. Farias, Maria Giovanna Guedes (org.).

(6)

PREFÁCIO ...7

APRESENTAÇÃO...11

PARTE 1 –

Popularização da ciência, cultura

e mediação da informação, competência

informacional, biblioteca comunitária,

memória e estudos de usuários ...16

INICIATIVAS NACIONAIS E INTERNACIONAIS

PARA A POPULARIZAÇÃO DA CIÊNCIA ...17

Maria Giovanna Guedes Farias e Juliana Soares Lima

CULTURA E INFORMAÇÃO: ESTUDO DAS

COMPLEXIDADES MEDIATIVAS NAS NOVAS

REALIDADES CONTEMPORÂNEAS ...46

Luiz Tadeu Feitosa

EFETIVIDADE DA COMPETÊNCIA

EM INFORMAÇÃO NO COMPARTILHAMENTO

E VISIBILIDADE DA CIÊNCIA ...77

Gabriela Belmont de Farias, Larisse Macedo de Almeida e

Mayara Cintya do Nascimento Vasconcelos

BIBLIOTECA COMUNITÁRIA, MEMÓRIA E

INFORMAÇÃO: APROXIMAÇÕES TEÓRICAS ...96

Ana Pricila Celedonio da Silva e Lidia Eugenia Cavalcante

DIÁLOGO ENTRE USUÁRIO E

BIBLIOTECÁRIO: INTERLOCUÇÕES

NO PROCESSO DE REFERÊNCIA ...120

Maria de Fátima Oliveira Costa, Giordana Nascimento de

Freitas e Silva e Camila Morais de Freitas

(7)

digital e metodologia etnográfica ...140

DISCUTINDO A ACESSIBILIDADE INFORMACIONAL

NO ECOSSISTEMA DIGITAL ...141

Osvaldo de Souza e Joana D’Arc Páscoa Bezerra Fernandes

ANÁLISE DE AÇÕES DE CURADORIA DIGITAL

SOB A ÓTICA DO CICLO DE VIDA DOS DADOS

DE SANT’ANA: UM ESTUDO DE CASO ...164

Morgana Ramos Albuquerque e Andréa Soares Rocha da Silva

DESCRIÇÃO DE RECURSOS BIBLIOGRÁFICOS EM MARC

21: ESTRATÉGIAS DE CONVERSÃO PARA FORMATOS

DE INTERCÂMBIO MULTIPLATAFORMA ...192

Jefferson Leite de Oliveira Ferreira e Virgínia Bentes Pinto

A ETNOGRAFIA COMO UMA

LÓGICA DE INVESTIGAÇÃO

NA CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO ...216

Priscila Barros David, Carin Cunha Rocha

e Paula Pinheiro da Nóbrega

(8)

A

pluri ou multi, a inter e a transdisciplinaridade correspondem, epistemologicamente, à configuração prática da Ciência, confirmando o pressuposto de que o conhecimento científico desenvolve-se no interior de uma disciplina própria, mas também, e muito naturalmente, através de dinâmicas relacionais entre disciplinas, dinâmicas mais ou menos intensas e mais ou menos integrativas. Esta é uma evidência cristalina, porém a reflexão complica-se quando se introduz a premissa, muito ge-neralizada, entre especialistas e epistemólogos, de que a inter e a transdis-ciplinaridade, enquanto dinâmicas, podem gerar inter e transdisciplinas, enriquecendo e complexificando o universo disciplinar. A história das ci-ências mostra-nos que assim tem sido e continuará a ser. No entanto, tal processo de geração não é linear, nem simples, sendo necessário analisar cada caso com o rigor e a profundidade sempre necessárias.

A Ciência da Informação (CI), desde o aparecimento e a con-sagração desta expressão, a partir de meados do séc. XX, tem sido apresentada e facilmente encarada como uma interdisciplina, num mo-vimento que tende a ser consensual. E, na verdade, é indiscutível o diversificado e estreito relacionamento da CI com outras ciências, téc-nicas e artes por força da natureza transversal do seu objeto de estudo. No entanto, praticar interdisciplinaridade e ser uma interdisciplina não correspondem a um mesmo estado epistemológico. E o que se tem dis-cutido, principalmente no Brasil, onde a temática epistemológica, ainda

(9)

que minoritária no conjunto de tópicos e problemas que preenchem a atenção dos investigadores, tem merecido louvável cuidado, não é se o estatuto de interdisciplina está bem atribuído, mas enfatizar, sobretudo, as facetas que ostentam como tal.

Trata-se de uma discussão importante, difícil, mas muito necessária e que precisa ser integral. E isto implica admitir que a CI pode não ser uma interdisciplina, mas uma disciplina com um campo próprio, em que é possível identificar um núcleo duro de temas e de problemas fundacio-nais uns, partilhados outros, que encontram nessa disciplina uma resposta singular. Mas, para admitirmos esta possibilidade, vejo imprescindível trabalhar com um binômio operatório que, de há uns anos a esta parte, introduzi: o binômio das perspectivas. A perspectiva cumulativa ou asso-ciativa e fragmentária e a perspectiva evolutiva. A primeira consiste em considerar a existência de várias disciplinas, como a Biblioteconomia, a Documentação, a própria Ciência da Informação, surgida nos Estados Unidos com a revolução informática de meados de novecentos, e a Museologia, cada uma com “princípios, teorias e métodos próprios” e com pontos comuns, nomeadamente no segmento da organização, descrição e recuperação de informação, convergência propiciadora de um diálogo interdisciplinar, que forçosamente se estende a ciências so-ciais e humanas maiores, como a História, a Sociologia, a Psicologia, a Linguística, os Estudos Literários e ainda as ciências exatas e tecnologias como a Informática, a Matemática, as Ciências da Computação, a Lógica, entre outras. Se nos mantivermos nesta perspectiva, o regime exclusivo é o da interdisciplinaridade muito saturada; porquanto emerge, aqui, uma CI interdisciplina e inevitavelmente interdisciplinar. A segunda, em con-trapartida, convoca a transdisciplinaridade dentro de um espaço em que o documento/informação e a sua comunicabilidade são alvo e razão de ser epistemológica, resultando daí não apenas um diálogo intenso entre as dis-ciplinas, acima primeiramente enumeradas, mas uma aproximação gera-dora de eventual integração ou fusão, tendente a criar um campo científico renovado e nomeado de Ciência da Informação (CI) ou outra expressão ou palavra que expresse bem seu objetivo central. A consequência deste alter-nativo modo de ver é a possibilidade de termos uma CI com uma visível identidade disciplinar, sem perder, porém, a sua vocação interdisciplinar.

(10)

A exposição sumária deste binômio de perspectivas carece, natu-ralmente, de maior desenvolvimento, que não é cabível nestas páginas preambulares, mas, para o fim em vista, ela talvez seja suficiente... e permite olhar para o livro que me desafiaram a prefaciar, extraindo dele contribuições de dois tipos: umas imediatas e de curto alcance, e outras de maior densidade epistemológica.

Ciência da Informação em contextos tem logo no título uma

pa-lavra muito conceituada em História e em Arquivística, e com a qual, tradicionalmente, os bibliotecários e os museólogos tiveram (e ainda têm) dificuldade em lidar, – o(s) contexto(s). Ao escolherem tal signo ou sinal verbal, os organizadores estão, na minha ótica, exercitando uma apropriação conceitual que pode ser muito mais que uma vênia interdisciplinar. Pode ser abertura a relações mais fortes e abertura a uma dinâmica transdisciplinar mais clara. E se passarmos para as duas partes, chamadas linhas, em que a obra se estrutura, percebo uma afir-mação identitária, que julgo ser assumida por todos do core da CI.

As questões e as soluções relacionadas com a organização e com a representação da informação em articulação com o contributo cada vez mais decisivo e incontornável que as Tecnologias da Informação e da Comunicação proporcionam, mas, por um lado, salvaguardando que, antes do algoritmo, dos motores de busca, e do processamento ci-clópico dos Big Data, a pesquisa tanto genérica como fina ou específica dos documentos e dentro destes dos respectivos conteúdos, foram-se fa-zendo num crescendo de rigor e de sofisticação intelectual e, por outro, integrando a dimensão tecnológica nesse núcleo forte do objeto da CI. Lendo os quatro capítulos que compõem esta linha, há ensinamentos teóricos, práticos e úteis e há um mais sutil, mas inegável, apelo ao binômio das perspetivas.

Na segunda linha, o enfoque na gestão da informação/conheci-mento parece-me natural e estratégico, sobretudo se considerarmos a CI como uma “ciência social aplicada”, multiplicadora de profissionais com papel ativo e decisivo na atual sociedade e era digitais, mas o que destaco com mais apreço é a chamada para o primeiro plano do con-ceito de mediação, que opera uma articulação estreita entre as linhas e visa a um objetivo claramente desenhado: “refletir sobre as múltiplas

(11)

abordagens teórico-conceituais e pragmáticas em torno da mediação da informação e na consolidação do diálogo em redes de comunicação, no que tange ao aprendizado informacional para a sustentabilidade em diferentes contextos sociais”. Também, nesta linha, os cinco capítulos inclusos tornam pertinentes a referência ao binômio das perspectivas ao trazerem a Ciência a debate quer em sentido lato, quer em sentido mais específico ou dirigido à validade científica concreta da CI ao tra-balharem a fulcralidade da mediação no processo infocomunicacional.

Em síntese, preciso concluir como muito proveitosa a leitura deste livro que acrescenta à área muito mais do que num primeiro e descuidado olhar poderá parecer a leitores apressados ou distraídos.

Armando Malheiro da Silva Professor Catedrático do Departamento de Ciências da Comunicação

(12)

Ciência da Informação é a disciplina que investiga as propriedades e o comportamento informacional, as forças que governam os fluxos de informação e os significados do processamento da infor-mação, visando à acessibilidade e à usabilidade ótima. A Ciência da Informação está preocupada com o corpo de conhecimentos rela-cionados à origem, coleção, organização, armazenamento, recupe-ração, interpretação, transmissão, transformação e utilização da in-formação. Isto inclui a pesquisa sobre a representação da informação em ambos os sistemas, tanto naturais quanto artificiais, o uso de có-digos para a transmissão eficiente da mensagem, bem como o estudo do processamento e de técnicas aplicadas aos computadores e seus sistemas de programação. É uma ciência interdisciplinar derivada de campos relacionados tais como Matemática, Lógica, Linguística, Psicologia, Ciência da Computação, Engenharia da Produção, Artes Gráficas, Comunicação, Biblioteconomia, Administração e outros campos científicos semelhantes (BORKO, 1968, p. 2-3).1

A

epígrafe “borkoana”, tomada para abrir esta coletânea, evi-dencia que, desde sua epistemologia, a Ciência da Informação (CI) já nasceu interdisciplinar e é, nessa perspectiva, que essa coletânea foi organizada. Ela é fruto das produções científicas dos docentes e discentes do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação da Universidade Federal do

1 BORKO, H. Information Science: what is it? American Documentation, v. 19, n. 1, p. 3-5,

(13)

Ceará (PPGCI/UFC), implementado em 2016, e que tem como área de con-centração Representação e Mediação da Informação e do Conhecimento, e compreende duas linhas de pesquisa (LP): LP-1 – Representação da Informação, do Conhecimento e Tecnologia; LP-2 – Mediação, Gestão da Informação e do Conhecimento. Destarte, os capítulos que enfeixam a obra contemplam essas temáticas alicerçadas por teorias da área e de outros campos de saberes que dialogam com a Ciência da Informação.

O diálogo interdisciplinar que circunda esse campo de conhe-cimento proporciona constante retroalimentação dos estudos teóricos, epistemológicos e metodológicos em um processo contínuo de trocas com áreas que se interessam pela informação e pelo conhecimento, vi-sando torná-los acessíveis e compreensíveis para o indivíduo e para os mais diversos setores da sociedade, ao apresentar o poder que a in-formação tem, fazendo com que os atores se empoderem e a utilizem nos contextos sociais, culturais, educacionais, políticos, financeiros etc. O referido pensamento se consolida com os escritos de Schutz (1953, p. 7)2 ao enfatizar que “vivemos neste mundo como homens entre os

homens, ligados uns aos outros por influências compartilhadas e pelo trabalho, compreendendo os outros e sendo compreendidos por eles.”

Para tal, é preciso, sobretudo, representar a informação, orga-nizá-la e disponibilizá-la nos mais diversos suportes, principalmente levando em consideração os processos de mediação e de gestão da in-formação utilizados por meio das tecnologias digitais de inin-formação e de comunicação, refletindo sobre quem irá acessá-la, utilizá-la e con-textualizá-la conforme seu entorno, suas experiências e seus esquemas mentais. Essas ponderações são imprescindíveis para quem trabalha e estuda a Ciência da Informação e deseja impulsionar a apropriação da informação e facilitar o aprendizado dos indivíduos por meio dos mais variados canais de comunicação.

Esta obra é composta por dez capítulos, contemplando diversas temáticas inseridas no campo da CI e de suas interdisciplinaridades e que

2 SCHUTZ, A. Senso-comum e a interpretação científica da ação humana. 1953. 39 p.

Disponível em: http://cienciassociaisunifesp.files.wordpress.com/2011/07/alfred_schutz_ senso_comum.pdf. Acesso em: 1 jul. 2019.

(14)

são oriundas das pesquisas desenvolvidas pelos professores do PPGCI/ UFC e seus orientandos. Portanto, traz vários olhares e dizeres que re-fletem a pluralidade dos estudos científicos contemplados pela CI e cor-roboram com o pensamento de Barthes (2002, v. 3, p. 43)3 ao afirmar

que “[…] um texto não é uma sequência de palavras, com sentido único, de forma teológica, mas um espaço multidimensional, no qual se com-binam e se contestam escritas variadas, nenhuma delas original; o texto é um tecido de citações retiradas de mil espaços culturais”. É assim que esta coletânea está construída, em uma tessitura de escritas variadas, trazendo, na primeira parte, conteúdos relativos aos seguintes assuntos:

Popularização da ciência, cultura e mediação da informação, com-petência informacional, biblioteca comunitária, memória, e estudos de usuários. Essa parte se inicia com o capítulo de Maria Giovanna

Guedes Farias e Juliana Soares Lima que refletem sobre a necessidade de maior aproximação da sociedade com o conhecimento produzido pelas instituições nacionais e internacionais de ensino e de pesquisa, por meio de ações que possibilitem a apropriação desses conhecimentos pela população em geral, em uma perspectiva de empoderamento e par-ticipação cidadã. Em seguida, Luiz Tadeu Feitosa traz uma discussão sobre Cultura e informação: estudo das complexidades mediativas nas

novas realidades contemporâneas. O autor analisa os fenômenos

info-comunicacionais contemporâneos como processos mediacionais neces-sários para o apaziguamento entre as complexas ofertas de informação e suas apreensões pelas culturas, notadamente da informação em fluxo e em complexos modelos de recepção, uso e apropriação que podem e devem exigir da CI novas posturas investigativas com foco maior nas recepções. No capítulo sobre a Efetividade da competência em

informação no compartilhamento e visibilidade da ciência, Gabriela

Belmont de Farias, Larisse Macedo de Almeida e Mayara Cintya do Nascimento Vasconcelos analisam, por meio de revisão bibliográfica, as relações acerca da comunicação e do conhecimento científico, tendo a competência em informação como elemento essencial tanto para a

3 BARTHES, R. O Euvres complètes. Nouvelle édition revue, corrigée et présentée par Éric

(15)

continuidade das atividades científicas como também para o comparti-lhamento, desenvolvimento e visibilidade da ciência. No capítulo inti-tulado Biblioteca comunitária, memória e informação: aproximações

teóricas, Ana Pricila Celedonio da Silva e Lídia Eugenia Cavalcante

fazem uma reflexão sobre as convergências teóricas envolvendo biblio-teca comunitária, memória e informação. Assim, as autoras analisam os conceitos de memória sob o ponto de vista cognitivo, social e material; informação conforme os paradigmas físico, cognitivo e social; e o con-ceito de biblioteca comunitária como espaço promotor da memória e da informação. Finalizando essa parte, Maria de Fátima Oliveira Costa, Giordana Nascimento de Freitas e Silva e Camila Morais de Freitas expõem o Diálogo entre usuário e bibliotecário: interlocuções no

pro-cesso de referência no qual defendem que o propro-cesso de referência se

efetiva por meio de inter-relações entre usuário e bibliotecário, sendo que elas intensificam a interatividade de busca da informação pelo usu-ário em bibliotecas universitárias.

A segunda parte aborda as temáticas relativas à Representação

da informação e do conhecimento, acessibilidade, curadoria digital e metodologia etnográfica. Assim, ela inicia com o trabalho intitulado

Discutindo a acessibilidade informacional no ecossistema digital, cuja

autoria é de Osvaldo de Souza e Joana D’Arc Páscoa Bezerra Fernandes que fazem uma análise sobre o conceito de acessibilidade informacional, evidenciando que tal conceito muitas vezes é tomado por “acesso”, ou “acessibilidade” nos Sistemas de Recuperação de Informações (SRI). Evidenciam, também, as Leis de Ranganathan como de fundamental importância para o melhor entendimento do acesso à informação. No capítulo seguinte, denominado Análise de ações de curadoria digital

sob a ótica do ciclo de vida dos dados de Sant’ana: um estudo de caso,

Morgana Ramos Albuquerque e Andréa Soares Rocha da Silva avaliam o processo de curadoria digital de documentos acadêmicos na perspec-tiva do ciclo de vida dos dados (CVD-CI) de Sant’Ana e apresentam ações para a melhoria da curadoria no contexto desses documentos. O capítulo sobre Descrição de recursos bibliográficos em MARC 21:

es-tratégias de conversão para formatos de intercâmbio multiplataforma,

(16)

os resultados da pesquisa sobre a aplicabilidade de estratégias de con-versão dos dados de autoridade de nome e assunto do formato MARC 21, a fim de representá-los nos esquemas de metadados MARCXML, MADS e MODS. Os autores enfatizam a redução de perdas de infor-mação e enriquecimento lógico-semântico baseado na estrutura con-ceitual dos FRBR. Priscila Barros David, Carin Cunha Rocha e Paula Pinheiro da Nóbrega trazem reflexões sobre A etnografia como uma

lógica de investigação na Ciência da Informação, enfatizando a

rele-vância do uso da Etnografia Interacional como uma lógica de pesquisa adequada ao estudo contemporâneo dos fenômenos tratados pela CI, particularmente no que tange aos aspectos tipicamente humanos e cul-turais envolvidos nas diferentes formas de organizar, disseminar e re-cuperar a informação, sob o ponto de vista dos cidadãos no contexto das interpretações acerca da informação buscada e em uma perspectiva holística sobre o fenômeno informacional.

A concretização dessa coletânea se deve às ações das políticas de Pós-graduação da Coordenadoria de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e ao financiamento das bolsas oferecidas pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) aos discentes do PPGCI/UFC.

Eis, portanto, a trajetória dessa coletânea que, acreditamos, trará contribuições para melhor entendimento do campo de estudo da Ciência da Informação que, mesmo com sua disciplinaridade científica, não se fecha ao diálogo com outros campos de saberes. É por isso que convidamos você a brindar conosco o prazer da leitura dos textos que compõem esse livro.

Fortaleza, junho de 2019.

Profa. Maria Giovanna Guedes Farias Profa. Virgínia Bentes Pinto Organizadoras

(17)

Popularização da ciência, cultura e mediação da informação, competência informacional, biblioteca comunitária, memória e

(18)

Maria Giovanna Guedes Farias Juliana Soares Lima

INTRODUÇÃO

O

atual cenário vivenciado no nosso país demonstra que se faz necessária, mais do que nunca, uma aproximação da sociedade com o conhecimento produzido pelas instituições brasileiras de ensino e de pesquisa. Além de fazer parte da responsabilidade social destas insti-tuições retornar aos cidadãos investimentos aplicados ao ensino, pes-quisa e extensão, compreendemos como urgente e primordial a criação e efetiva implantação de ações visando à apropriação do conhecimento científico-tecnológico pela população em geral, proporcionando empo-deramento e participação cidadã para as pessoas que vivem processos de fragilidade/exclusão social.

Para que isto aconteça, iniciativas de popularização da ciência devem ser efetivamente colocadas em prática, ainda mais quando ob-servamos dados preocupantes, como os do relatório Wellcome Global Monitor (WELLCOME TRUST, 2019), os quais provêm de pesquisa realizada mundialmente em mais de 140 países e com cerca de 140 mil pessoas, visando investigar a percepção que os cidadãos têm de tópicos

(19)

sobre confiança, interesse e compreensão da ciência, dos cientistas e da saúde, compatibilidade entre religião e ciência, além de atitudes em relação às vacinas, dentre outros. Os resultados apresentam justamente o distanciamento entre a ciência e a sociedade, principalmente no con-tinente onde vivemos.

Os dados desse relatório evidenciam que somente 18% das pes-soas têm um nível elevado de confiança nos cientistas, enquanto 54% têm um nível médio de confiança; por sua vez, 14% confiam pouco na ciência e 13% não souberam sequer opinar. Isto posto, globalmente, as populações que mais confiam na ciência estão na Austrália, Nova Zelândia, Europa e Ásia Central, ou seja, variam em torno de um terço da população, enquanto na América Central e do Sul esses dados cor-respondem a cerca de uma entre dez pessoas.

Apesar desta falta de confiança na ciência, o estudo mostra que 62%, quase dois terços das pessoas em todo o mundo, afirmam ter interesse em saber mais sobre a ciência, especialmente as pessoas que vivem em condições de pobreza e baixa renda, consubstanciando 72% desses números, denotando o quanto a ciência deve ser popula-rizada e como os cientistas devem buscar estabelecer um diálogo e construir uma relação de confiança com os cidadãos. Não obstante o interesse das pessoas em obter mais conhecimento científico, um re-flexo da descrença na ciência apresenta uma de suas faces em regiões como o norte e sul da África, na América Central e América do Sul, onde cerca de um terço das pessoas se sente excluída das benesses da ciência. Particularmente, na América do Sul, uma em cada quatro pessoas acredita que a ciência não a beneficia pessoalmente e nem à sociedade como um todo.

No próprio relatório, já é indicado que é preciso comunicar a ci-ência de forma social e culturalmente consciente, a fim de não a tornar ainda mais exclusivista para apenas uma parte da população, por ser um bem público que gera conhecimentos para melhorar a vida das pes-soas. Essas situações descritas acima impulsionaram a produção deste capítulo, que se constitui em uma proposta embrionária, tendo em vista a amplitude e a complexidade da temática. Deste modo, refletimos te-oricamente sobre os termos popularização, vulgarização, divulgação e

(20)

alfabetização da ciência, e apontamos iniciativas nacionais e internacio-nais que visam popularizar o conhecimento científico.

A abordagem metodológica foi construída com base na revisão de literatura, que consiste no levantamento bibliográfico para a se-leção de fontes de pesquisa, tais como bases de dados, livros, perió-dicos, artigos científicos, entre outras. Esse tipo de pesquisa auxilia na contextualização de um problema, assim como na análise de as-pectos já descritos e presentes na literatura científica, a fim de cons-truir o referencial teórico sobre um tema (ALVES-MAZZOTTI, 2002; CERVO; BERVIAN, 2002).

Para subsidiar a construção da referida revisão realizamos uma busca por meio do software bibliométrico Publish or Perish (PoP), com o intuito de levantar as principais fontes sobre o assunto. O PoP recupera e analisa citações de seis fontes de dados: Crossref, Google Scholar,

Google Scholar Profile, Microsoft Academic, Scopus e Web of Science.

A ordem da listagem gerada em suas buscas segue a ordem dos manus-critos mais citados, citações estas calculadas com base no índice H.

POPULARIZAÇÃO DA CIÊNCIA: aspectos conceituais

Antes de tratarmos conceitualmente sobre “popularização da ci-ência”, é preciso trazer outros termos que são, por vezes, utilizados como sinônimos, a exemplo de vulgarização, divulgação e alfabeti-zação da ciência. Vulgarialfabeti-zação da ciência é um termo que traz em si uma carga pejorativa, deste modo não é mais usado no Brasil na atual literatura, mas é possível observá-lo em artigos e livros, a exemplo do livro A Construção do Saber, de Laville e Dionne (1999), como sinô-nimo de divulgação.

Sobre o conceito de alfabetização científica, Sasseron e Carvalho (2011) relatam que, devido à pluralidade semântica, é possível encon-trar na literatura nacional autores que utilizam as expressões “letramento científico”, “alfabetização científica” e “enculturação científica”, os quais são utilizados para designar o ensino de ciências, que envolve planeja-mento para a construção de benefícios práticos à sociedade e ao meio am-biente, tendo como consequência a formação cidadã dos estudantes para

(21)

o domínio e uso dos conhecimentos científicos e seus desdobramentos nas mais diferentes esferas de sua vida. Para os autores, o ensino das ci-ências deve ter como objetivo desenvolver a capacidade de os alunos or-ganizarem os pensamentos de maneira lógica, construir uma consciência crítica, observar o mundo e seus acontecimentos, compreendendo que seus atos podem influenciar a si próprios e ao ambiente que os cerca por meio dos conhecimentos e das habilidades associadas ao fazer científico.

Em relação ao termo divulgação da ciência ou divulgação cien-tífica, os autores Germano e Kulesza (2007) lembram que é preciso ter cuidado ao afirmar que se está divulgando a ciência, pois há um sen-tido propagado de alguém, o emissor, que fala, escreve etc e o outro, o destinatário, que apenas escuta e consome a informação, ou seja, o interlocutor detém o conhecimento disseminado e os que recebem têm o processo de conhecimento significativo daquela informação, que foi disseminada, ignorado.

A divulgação científica tem por objetivo promover o enten-dimento da linguagem científica e tecnológica para os não especia-listas, tornando as informações acessíveis para o público em geral. Corroborando com tal entendimento, uma pesquisa realizada por Grillo, Giering e Motta-Roth (2016), em diversos artigos sobre esta temática, aponta que a divulgação científica é tratada como prática de reformu-lação ou de tradução do discurso científico em um segundo discurso.

A diferença fundamental entre a divulgação científica e a populari-zação da ciência se concentra, principalmente, em dialogar e empoderar a sociedade, ou seja, permitir a participação popular. Como afirma Ferreira (2014, p. 5), o termo “popularização da ciência” vai além de disponibi-lizar informações às pessoas já capacitadas para a busca; significa a pro-posição e implementação de ações proativas de ir ao encontro das pessoas que estão à margem/excluídas do circuito da cultura científica. Ainda, conforme Ferreira (2014, p. 5), este termo “se ajusta melhor ao fluxo his-tórico de aprimoramento da cidadania, [pois] no campo da popularização da ciência, os atores tiveram oportunidade de influenciar o processo de construção de agendas e de formulação das políticas públicas”.

A fim de desenvolver na sociedade essa competência de influen-ciar a formulação de políticas públicas, faz-se necessário contextualizar

(22)

o conhecimento científico para os mais diversos grupos comunitários e populares, com o objetivo de que as pessoas compreendam o sentido e a razão de ser daquela informação, daquele conhecimento – um direito que deve ser para todos. Por isso, como afirmam Germano e Kulesza (2007, p. 19), é preciso converter a ciência em serviço voltado para as causas das “maiorias e minorias oprimidas numa ação cultural que, referenciada na dimensão reflexiva da comunicação e no diálogo entre diferentes, oriente suas ações respeitando a vida cotidiana e o universo simbólico do outro”.

Para que isto ocorra, é premente fortalecer cada vez mais o enten-dimento de que a sociedade não é passiva diante da popularização da ci-ência. Ela consome os resultados de pesquisas e também, por meio dos seus saberes, fornece elementos que suscitam estudos para pesquisa-dores e instituições de pesquisa; aqui incluem-se fortemente as univer-sidades. Popularizar o conhecimento científico não significa simplificar ou traduzir sua linguagem para deixar compreensível para a sociedade em geral. É preciso, antes de pensar em popularização da ciência, re-fletir sobre os efeitos que essa ação causará, as consequências, os meios para se fazer isto, de que forma as pessoas irão interagir com essas informações e, com certeza, não as tratar como depósitos de conheci-mento científico divulgado. Essa reflexão é ressaltada por Germano e Kulesza (2007, p. 20) ao enfatizarem que não se pode “negar que as classes populares possam seguir, para além de suas crenças e saberes do senso comum, até um conhecimento mais metódico, rigoroso e sistemá-tico como é o caso do conhecimento científico”. Por isso, corroboramos com Albagli (2009, p. 406) ao afirmar que o conhecimento científico deve ser socializado, divulgando e popularizando para “o público em geral, seus princípios, métodos e resultados, bem como sua memória e seus registros históricos, contribuindo para sua apropriação social, bem como para o exercício do controle social sobre a direção e os impactos da atividade científico-tecnológica”.

Destarte, o diálogo a ser estabelecido pelas instituições de pes-quisa e pelos cientistas, nos mais diversos canais, deve ser feito a partir de uma comunicação e popularização mediada, valorizando as experiências populares:

(23)

[...] dando visibilidade a uma infinidade de saberes que, por sim-ples preconceito, não encontram lugar nos museus de ciências, nas escolas, nem muito menos na academia. A ciência e a tec-nologia, como qualquer outra produção cultural, são patrimônios da humanidade. Seus prejuízos sempre serão divididos igualmente com todos, mas os benefícios estão restritos a apenas alguns. O conhecimento científico é a forma mais eficaz de poder que con-seguimos inventar. (GERMANO; KULESZA, 2007, p. 20).

Entretanto e, infelizmente, esse poder proporcionado pelo co-nhecimento científico ainda é muito restrito, como alertam os au-tores. A falta de popularização da ciência causa alguns perigos, como alertou a pesquisadora Natália Pasternak, em 2017, durante palestra na Universidade de São Paulo (USP) para o TEDx Talks. Esses perigos são intensificados pela omissão por parte da comunidade científica por não se posicionar e pela ausência de diálogo com a sociedade, o qual deveria mostrar os impactos da ciência no cotidiano das pessoas e no desenvolvimento de um país. A pesquisadora nomeou esta situação como a Síndrome de Cassandra, uma personagem da mitologia grega que tinha o dom da profecia e foi amaldiçoada pelo deus Apolo, que um dia se apaixonou por ela; entretanto, como Cassandra não quis dar vazão aos seus desejos sexuais, lançou a maldição de que ela iria conti-nuar prevendo o futuro, porém ninguém acreditaria nela.

Pasternak (2017) faz uma analogia com a ciência brasileira e afirma que, se a situação continuar como está, não teremos mais o de-senvolvimento de tecnologias e descobertas em nosso país, incluindo a “fuga de cérebros”, com os alunos e pesquisadores brasileiros indo embora do país e desenvolvendo suas pesquisas para outros países que financiarem seus estudos. Nas palavras da pesquisadora, “[...] mas nin-guém acredita em nós, porque não temos credibilidade, porque nunca falamos com a sociedade. A sociedade não está acostumada a nos ouvir. [...].” (PASTERNAK, 2017, on-line). De acordo com a pesquisadora, a comunidade científica não defendeu o cidadão em seu direito do consu-midor quando ele foi enganado com uma série de terapias, produtos e procedimentos que não têm validade científica e eficácia comprovada, e reforça que os cientistas precisam falar com a sociedade.

(24)

A situação preocupante, apontada por Pasternak, deste distancia-mento e da falta de diálogo da ciência com a sociedade é amenizada, mas não resolvida, por iniciativas nacionais e internacionais que visam popularizar a ciência; entretanto, algumas parecem estar estagnadas e outras não apresentam de forma mensurável a efetividade de suas ações.

INICIATIVAS NACIONAIS E INTERNACIONAIS PARA A

POPULARIZAÇÃO DA CIÊNCIA

As universidades e instituições de pesquisa desenvolvem estudos que são transformados em publicações científicas, todavia a linguagem acadêmica utilizada nesses manuscritos costuma ser técnica e carregada de jargões, tornando-se difícil para o público leigo, muitas vezes analfa-beto, semianalfabeto e analfabeto funcional, entender a natureza desses trabalhos e como a ciência influencia suas vidas.

Nesse sentido, uma das formas de levar o conhecimento produ-zido na academia até a sociedade em geral é, por exemplo, por meio de ações extensionistas. A extensão universitária é considerada como um mecanismo de popularização da ciência porque oportuniza às pes-soas participar de atividades desenvolvidas nas e pelas universidades, as quais são disseminadas em uma linguagem acessível para que todos entendam a aplicação de conceitos científicos na prática.

Uma das estratégias utilizadas para a popularização da ciência envolve a divulgação científica, que tem como objetivo buscar traduzir a linguagem científica ao simplificar conceitos e explicações e ao for-necer subsídios para desmistificar a ciência. Observamos um movimento crescente de pesquisadores que têm se aproximado mais do público, pois também aprendem com as comunidades, ao mesmo tempo em que se ajudam mutuamente no desenvolvimento de pesquisas, principalmente quando se pensa em ciência cidadã, a qual, conforme a Wikiversidade (2017), incentiva a participação do público leigo, permitindo que seja dada a sua contribuição em estudos científicos colaborativos. Muitas pesquisas envolvem a participação popular, dialogando com diferentes camadas da sociedade e vários movimentos. Exemplos de iniciativas que envolvem a ciência cidadã são o extinto Hotel da Loucura, no Rio

(25)

de Janeiro,4 uma iniciativa que trabalhava a saúde mental por meio das

artes, uma abordagem inspirada em Nise da Silveira; o AeTrapp,5 que

realiza o monitoramento do mosquito Aedes aegypti; o projeto Amigos da Onça (Oia a Onça),6 e vários projetos sobre aves que ajudam a

iden-tificar espécies e registrar aparições desses animais, como mostra a base de dados sobre pássaros Avibase.7 Existem muitos projetos nessa linha

em que o cientista conta com a participação popular para ajudar a co-letar dados no campo de pesquisa.

Isto posto, verificamos que há diversas iniciativas nacionais e internacionais sobre popularização da ciência que visam aproximar o público leigo e promover acesso ao conhecimento científico. Essas ações também são executadas a fim de que possam despertar o interesse dos cidadãos comuns pela ciência e tecnologia, buscando saber como funcionam e são aplicadas no cotidiano. Por esse prisma, Albagli (1996, p. 396) alerta que “[...] torna-se crucial o modo pelo qual a sociedade percebe a atividade científica e absorve seus resultados, bem como os tipos e canais de informação científica a que tem acesso”.

Ao longo da história, cientistas como Francis Bacon, René Descartes e Wilhelm Leibniz defendiam a criação de espaços dotados de máquinas, instrumentos e experimentos científicos para que pudessem ser explorados pelo público e assim fazer despertar nos cidadãos o encan-tamento pelas ciências. A Inglaterra, por exemplo, inaugurou, em 1683, o primeiro museu de História Natural, sendo este um dos projetos mais antigos de popularização da ciência no referido país (FERREIRA, 2014).

Diante dos avanços científicos e tecnológicos, Ferreira (2014) afirma que a Revolução Industrial propiciou o desenvolvimento das academias científicas, das universidades e das empresas. Nesse período, outros mu-seus são fundados, em Paris, no ano de 1794, e em Londres, em 1851, a fim de levar até a sociedade o conhecimento científico e tecnológico desenvol-vido naquela época. Nesse ínterim, pesquisadores como Michael Faraday

4 A proposta do Hotel da Loucura. Disponível em: http://bit.ly/2xz9Aku. Ver também:

http://bit.ly/32bvmZR.

5 Disponível em: https://www.aetrapp.org/.

6 Disponível em: http://oiaaonca.ufam.edu.br/frontend/web/. 7 Disponível em: https://avibase.bsc-eoc.org/contrib.jsp?lang=EN.

(26)

promovia palestras natalinas para discutir vários temas científicos, como a história química de uma vela. O Brasil também organizou eventos como as Conferências Populares da Glória, com início em 1873.

No entanto, ainda há muito a ser feito em termos estratégicos vi-sando engajamento e união do interesse público para projetos que obje-tivam a popularização da ciência; afinal, o sucesso ou o fracasso desses empreendimentos dependem substancialmente do incentivo governa-mental, especialmente na materialização de políticas nacionais, para além de apenas apoio às atividades de acesso ao conhecimento cientí-fico. No Brasil, o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) destaca a relevância da popularização da ciência, tendo em vista que:

O desenvolvimento científico e tecnológico atinge, assim, o ci-dadão comum, que muitas vezes está longe do mercado técnico--científico, mas que deve possuir um pensamento crítico e reflexivo para se posicionar diante dos problemas que o rodeiam. Deverá estar cada vez mais incorporado ao cidadão o espaço dos seus di-reitos e deveres, influindo no caminho das soluções técnico-cien-tíficas e pressionando pela incorporação dos benefícios sociais da pesquisa científica e tecnológica ao seu cotidiano. Bem-estar, se-gurança e sobrevivência são objetivos a serem perseguidos pelo desenvolvimento científico e tecnológico para toda a humanidade. Porém, para que essa dimensão se concretize, é preciso que os resultados científicos e tecnológicos sejam divulgados para além da academia e alcancem a sociedade, realizando, assim, a popula-rização da ciência. Nesse sentido, a pesquisa científica e tecnoló-gica deverá ouvir mais a sociedade e, por outro lado, a sociedade deverá acompanhar mais esse desenvolvimento, por meio da sua divulgação para um público amplo. Para isso, a formação escolar deverá desenvolver hábitos mentais e atitudes que atendam ao in-divíduo nas suas necessidades formativas e informativas, para que ele se torne efetivamente um cidadão consciente de seus direitos e deveres e capaz de exercer a democracia, lidando com o diferente e o antagônico (CONSELHO NACIONAL DE DESENVOLVIMENTO CIENTÍFICO E TECNOLÓGICO, 2019b, on-line, grifo nosso).

Os apontamentos feitos pelo CNPq para, além de enfatizar a ne-cessidade dos que fazem a ciência, ouvirem a sociedade, trazem um aspecto fundamental que deve ser iniciado na escola, preparando as

(27)

crianças para a compreensão do conhecimento científico que as cercam e cercarão por toda a vida. A própria Agenda 2030 da United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization (Unesco) tem algumas de suas metas voltadas para a questão da educação científica e a popula-rização do conhecimento, conforme os itens 9.5 e 9.b abaixo transcritos:

9.5 Fortalecer a pesquisa científica, melhorar as capacidades tecnológicas de setores industriais em todos os países, particular-mente nos países em desenvolvimento, inclusive, até 2030, in-centivando a inovação e aumentando substancialmente o número de trabalhadores de pesquisa e desenvolvimento por milhão de pessoas e os gastos público e privado em pesquisa e desenvolvi-mento; [...] 9.b Apoiar o desenvolvimento tecnológico, a pesquisa e a inovação nacionais nos países em desenvolvimento, inclu-sive garantindo um ambiente político propício para, entre outras coisas, diversificação industrial e agregação de valor às commo-dities. (UNITED NATIONS EDUCATIONAL, SCIENTIFIC AND CULTURAL ORGANIZATION, 2015).

Como exemplo de país latinoamericano que instituiu uma política nacional com essa finalidade, citamos a Colômbia, com sua “Política Nacional de Apropiación Social de la Ciencia, la Tecnología y la Innovación” desenvolvida pelo Instituto Colombiano para el Desarrollo de la Ciencia y la Tecnología Francisco José de Caldas – Colciencias, e Consejo Nacional de Ciencia y Tecnología – CNCYT (COLOMBIA, 2005). Conforme a referida política, “Trata-se de convocar e mobilizar a sociedade para criar uma atmosfera nacional de interesse e com-promisso em torno da Ciência e Tecnologia como ESTRATÉGIA DE FUTURO [sic]” (COLOMBIA, 2005, p. 2, tradução nossa).

Assim como a Colômbia, China8 e México9 são referências na

criação de leis nacionais de popularização da ciência, inclusive com o estabelecimento de uma agenda de propostas a serem pensadas, dis-cutidas e implantadas. Para a construção desses programas de

popu-8 Law of the People's Republic of China on Popularization of Science and Technology:

http://bit.ly/2xvvbKV.

9 Sociedad Mexicana para la Divulgación de la Ciencia y la Técnica (Somedicyt): https://

(28)

larização científica nacionais, os responsáveis podem estabelecer par-cerias com todos os ministérios e demais instâncias públicas (estado, município e rede privada), sendo possível até mesmo receber incentivos fiscais semelhantes à lei de incentivo à cultura (FERREIRA, 2014; FRANCO-AVELLANEDA; LINSINGEN, 2011).

De acordo com o Instituto Colombiano para el Desarrollo de la Ciencia y la Tecnología Francisco José de Caldas e o Consejo Nacional de Ciencia y Tecnología (COLOMBIA, 2005), as iniciativas de popu-larização da ciência, realizadas por representantes da comunidade cien-tífica e do governo para posicionar a atividade ciencien-tífica e tecnológica nas políticas públicas e na sociedade, têm produzido resultados posi-tivos, todavia estes ainda não são suficientes quando se trata de fazer parte da chamada sociedade do conhecimento, isto é, se faz necessário o desenvolvimento e a implementação de mecanismos de socialização da ciência e tecnologia que assegurem a compreensão, a validação e o uso desse conhecimento científico pelos diversos atores da sociedade.

A fim de fomentar iniciativas de popularização da ciência, a Unesco (2019a) coordena uma série de atividades, a exemplo do Dia Mundial da Ciência pela Paz e pelo Desenvolvimento,10 comemorado

anualmente todo dia 10 de novembro. Em 2018, o tema do evento foi “Ciência, um direito humano”, em homenagem aos 70 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos e estava fortemente re-lacionado a compromissos da Agenda 2030 para o desenvolvimento sustentável, incentivando as comemorações globais em torno do as-sunto e estimulando discussões na internet e redes sociais com o uso das hashtags #ScienceDay e #RightToScience. Em 2019, o tema desta data comemorativa estará vinculado à celebração do Ano Internacional das Línguas Indígenas,11 com o objetivo de sensibilizar a sociedade

para a relevância da preservação dos sistemas de conhecimento locais e indígenas, sendo estas facetas da diversidade cultural do mundo.

10Site do World Science Day for Peace and Development: https://en.unesco.org/

commemorations/worldscienceday.

(29)

Complementando o conjunto de ações desenvolvidas pela Unesco (2019b) para a popularização do conhecimento científico, temos a oferta de vários prêmios, tais como o Unesco Science Prize, Kalinga Prize,

Carlos J. Finlay para a área de microbiologia; Javed Husain para jovens

cientistas; Sultan Qaboos para pesquisas em preservação ambiental;

Great Man-Made River International para Recursos Hídricos em Áreas

Áridas e Semiáridas; medalha da Unesco e Instituto Pasteur para estudos excelentes que contribuam com o desenvolvimento do conhecimento científico e que cause um impacto benéfico sobre a saúde humana; a pre-miação para as mulheres cientistas L’Oréal-Unesco Prize for Women in

Science, Unesco/Emir Jaber al-Ahmad al-Jaber al-Sabah Prize para

te-máticas sobre o empoderamento digital de pessoas com deficiência; Jikji

Memory of the World Prize12, Guillermo Cano World Press Freedom

Prize dedicado à liberdade de imprensa e em honra do jornalista

co-lombiano Guillermo Cano Isaza; Greece Melina Mercouri International

Prize for the Safeguarding and Management of Cultural Landscapes, Félix Houphouët-Boigny Peace Prize, Juan Bosch Prize para a promoção

da pesquisa em Ciências Sociais na América Latina e Caribe; Madanjeet

Singh Prize para a promoção da tolerância e não violência; Sharjah Prize para a cultura árabe; Simón Bolívar Prize, José Martí Prize, Jaime Torres Bodet Prize em Ciências Sociais, Humanidades e Artes; Avicenna Prize para ética na ciência; Equatorial Guinea International Prize para

pesquisas em ciências da vida; King Hamad Bin Isa Al Khalifa Prize para o uso das tecnologias da informação e comunicação na educação;

Hamdan Bin Rashid Al-Maktoum Prize para práticas de excelência e

de-sempenho de professores; Prize for girls’ and women’s education, Japan

Prize on education para o desenvolvimento sustentável; Confucius Prize

para a alfabetização de adultos e idosos da zona rural; e o King Sejong

Literacy Prize dedicado a especial atenção ao desenvolvimento e uso da

educação e formação em letramento na língua materna.

12 Buljo jikji simche yojeol é o mais antigo livro existente impresso com tipos móveis em

metal do mundo e que consta no Registro de Memória do Mundo. Esse prêmio visa recompensar os esforços que contribuem para a preservação e acessibilidade do patri-mônio documental como patripatri-mônio comum da humanidade.

(30)

A Unesco já tem uma longa e antiga tradição no fomento às ações de popularização científica, a exemplo do prêmio Kalinga que já existe há 67 anos. O referido prêmio internacional é concedido aos profissionais que tiveram uma distinta carreira e contribuíram com projetos excepcio-nais na comunicação e popularização da ciência para a sociedade. Alguns ganhadores do prêmio Kalinga também venceram o prêmio Nobel, como Julian Huxley, Margaret Mead e David Attenborough. O prêmio foi ins-tituído por uma doação de Bijoyanand Patnaik, fundador da Fundação Kalinga, localizada na Índia (UNITED NATIONS EDUCATIONAL, SCIENTIFIC AND CULTURAL ORGANIZATION, 2019d).

Outra frente adotada pela Unesco são as celebrações, a exemplo das “International Decades”13 (Décadas internacionais) e

dos “International Years”14 (Anos internacionais), as “International

Weeks”15 (Semanas internacionais), em que são propostas uma

temá-tica de acordo com os temas escolhidos durante as assembleias gerais da Organização das Nações Unidas (ONU), e os “International Days”16

(Dias internacionais), datas comemorativas temáticas propostas pela ONU. Há ainda a comemoração de aniversários17 de eventos históricos

e de personalidades representativas, e a medalha comemorativa para celebrações sobre o Patrimônio Mundial de Monumentos.18

Como forma de alavancar a popularização da ciência e promover a divulgação científica de diversos conteúdos, a Unesco lançou, em 2002, o periódico trimestral A World of Science.19 A revista era totalmente

em acesso aberto e foi originalmente publicada em inglês e francês e, em 2006, foram adicionados como idiomas da publicação o russo e o francês. Mais tarde, de 2008 a 2010, a revista também foi publicada em árabe. Em 2013, por cortes financeiros, o periódico foi suspenso.

13 International Decades: https://en.unesco.org/commemorations/international-decades/. 14 International Years: https://en.unesco.org/commemorations/international-years. 15 International Weeks: https://en.unesco.org/commemorations/international-weeks. 16 International Days: https://en.unesco.org/commemorations/international-days. 17 Anniversaries: https://unesdoc.unesco.org/ark:/48223/pf0000259732_eng.page=3. 18 UNESCO Commemorative Medals: http://bit.ly/2xo74h6.

19 Todas as edições da revista A World of Science podem ser baixadas e reproduzidas de

acordo com o site da Unesco. Para facilitar a busca e a referência, os artigos e entrevistas estão organizados por tema e por região: http://bit.ly/2IXQnj0.

(31)

Para incentivar o jornalismo científico e propiciar a comuni-cação da ciência com qualidade, a Unesco cobra de todos os seus jor-nalistas rigorosos relatórios científicos. Para tanto, desde 2004, o Setor de Comunicação da Unesco estabeleceu parcerias e organizou oficinas e

workshops para os jornalistas e profissionais relacionados, a fim de

me-lhorar seus relatos sobre os temas abordados pela instituição. Ademais, a Unesco criou uma Rede Global de Produtores de Televisão para auxi-liar na produção de documentários, filmes e curtas. A entidade também promove conferências internacionais sobre a comunicação pública da ci-ência e tecnologia para esses profissionais, assim como fornece bolsas de auxílio financeiro para jornalistas dedicados aos estudos, desafios e estra-tégias para a comunicação científica e de como explicar ao público leigo, de maneira simples e lúdica, os temas ligados à ciência, inclusive, atuando no combate às fake news20 e fenômenos que discutem a pseudociência ou

movimentos contrários ao conhecimento científico. Apresentando o rol de ações da Unesco, também são viabilizadas pela entidade exposições de ciência em museus com a finalidade de conscientizar o público acerca da influência da ciência e tecnologia na vida dos cidadãos, a exemplo das exposições internacionais sobre matemática e biodiversidade.

Ademais, a Unesco apoia iniciativas que visem à equi-dade e questões de gênero na ciência, como a “STEM and Gender Advancement (SAGA)”21 e a “Cátedra Regional Unesco – Mujer,

Ciencia y Tecnología en América Latina”.22 A Unesco mantém ainda

a base de dados “SPIN – Información sobre política científica en América Latina y el Caribe”,23 mecanismo em que é possível pesquisar

instrumentos de política de ciência governamentais, tecnologia e ino-vação, assim como ações de popularização desenvolvidas em toda a América Latina e Caribe.24

20 Journalism, Fake News and Disinformation: A Handbook for Journalism Education and

Training: http://bit.ly/326gVX9. Ver também: http://bit.ly/2xiNMK2.

21 Para saber mais sobre a iniciativa, acesse: http://bit.ly/2xxKwum. 22 Cátedra Regional Unesco: https://www.catunescomujer.org/. 23 SPIN: http://spin.unesco.org.uy/index.php.

24 Para saber mais, acesse: http://spin.unesco.org.uy/instrumentosCuadroComparativo.

(32)

Além de todas as atividades realizadas pela Unesco em prol da popularização da ciência, a entidade desenvolve um programa denomi-nado “XCIENCIA – Comunidad de Práctica en Educación Científica en América Latina y el Caribe”, que tem como objetivo fomentar o inter-câmbio de conhecimentos entre professores, educadores, formadores, pesquisadores, entre outros atores da sociedade civil, a fim de promover a educação científica entre os países latinoamericanos e no Caribe.25

Também apoiado pela Unesco, a Red de Popularización de la Ciencia y la Tecnología de América Latina y el Caribe (RedePOP),26 iniciativa criada

no Brasil, reúne grupos, programas e centros de divulgação em ciência e tecnologia. Por meio de cooperação regional, a RedePOP viabiliza o intercâmbio de conhecimentos, promove treinamentos e provê o uso de recursos entre os seus membros, atuando fortemente na divulgação cien-tífica. A RedePOP, em parceria com outras entidades internacionais, criou e disponibilizou alguns guias sobre museus e instituições que promovem divulgação científica abertas para visitação, como o “Guia de Museus e Centros de Ciências Acessíveis da América Latina e do Caribe” com edição de 2017,27 o “Guia de Centros e Museus de Ciência da América

Latina e do Caribe”, edição de 2015,28 entre outras publicações.

A RedePOP, no Brasil, estabeleceu metas até 2022 para ins-tituir um Programa Nacional de Popularização da Ciência (POP Ciência 202229), que propõe difundir a ciência como um fazer

hu-mano, unindo a cultura e a prática científica no cotidiano. Para tanto, há a pretensão de criar leis destinadas a essa pauta e programas na-cionais de popularização da ciência, a exemplo do que já ocorre na China e em outros países; inclusive, a RedePOP pretende criar um programa e implantar políticas interministeriais voltadas para ações de educação formal e informal que contemple desde a educação bá-sica, entre outras metas (FERREIRA, 2014).

25 XCiencia: http://xciencia.unesco.org.uy/. 26 RedePOP: http://www.redpop.org/.

27 Para visualizar e fazer download do guia, acesse: https://grupomccac.org/publicacoes/. 28 Guia de centros e museus, edição 2015: http://bit.ly/2JjaSaf.

29 Para saber mais, consulte: http://seer.cgee.org.br/index.php/parcerias_estrategicas/article/

(33)

No Brasil, no que se refere à concessão de premiações em ciência, um dos prêmios concedidos como incentivo às iniciativas de populari-zação e divulgação da ciência é o VerCiência, que visa promover o incentivo e a disseminação da cultura científica pela televisão, internet, tecnologias audiovisuais e outros meios, além de organizar palestras voltadas para a ciência e tecnologia e propiciar a realização da Semana Nacional de Ciência e Tecnologias anualmente (BRASIL, 2019).

Outrossim, o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – CNPq (2019a) incentiva a popularização da ci-ência e a divulgação científica, oferecendo alguns prêmios direcio-nados para essas temáticas e outras categorias. Os prêmios do CNPq são o Construindo a Igualdade de Gênero, MERCOSUL de Ciência

e Tecnologia, Almirante Álvaro Alberto para Ciência e Tecnologia, Prêmio José Reis de Divulgação Científica e Tecnológica, Prêmio de Fotografia – Ciência & Arte, Jovem Cientista, Destaque na Iniciação Científica e Tecnológica, Pesquisador Emérito e a Menção Especial de Agradecimento. O CNPq também desenvolve alguns programas de

popularização científica, a exemplo do “Pioneiras da Ciência”.30

Sobre os projetos de popularização da ciência, no site da Associação Brasileira de Centros e Museus de Ciência (ABCMC) são listados diversos projetos, entretanto nem todos os links e informações sobre essas iniciativas estão atualizados. Ainda assim, é válido apre-sentar e discorrer acerca desses projetos, conforme será apresentado a seguir. Assim, conforme a Associação Brasileira de Centros e Museus de Ciência (2019), há alguns projetos de divulgação científica no su-deste e sul do Brasil, a saber:

a) O cérebro nosso de cada dia: Iniciativa coordenada pela pesquisadora

Suzana Herculano-Houzel voltada para discutir diversos temas relacio-nados ao cérebro e à neurociência, como os sentidos, cognição, sono, saúde, curiosidades, entre outros assuntos. Atualmente, o site original encontra-se desatualizado e as informações sobre o projeto constam no blog pessoal da pesquisadora em que divulga suas publicações,

(34)

lestras, vídeos e outros conteúdos, incluindo informações sobre uma coluna escrita por Suzana Herculano-Houzel mantida no site Ciência Hoje entre os anos de 2002 a 2004 que leva o mesmo nome do projeto;

b) Estúdio@web: Atualmente inativo, este mecanismo de busca

funcionava com o objetivo de selecionar sites potencialmente educativos, a fim de criar formas de utilizá-los em práticas edu-cacionais. O Estúdio@web era voltado para alunos e professores do ensino fundamental. O site é dividido por matérias: ciências, educação artística, educação física, integração social, língua por-tuguesa e matemática;

c) Invivo:31 Projeto ainda ativo e mantido pela Fundação Oswaldo Cruz

(Fiocruz), o site oferta jogos e informações sobre alguns experimentos caseiros que podem ser feitos por crianças e estudantes do ensino fun-damental ou médio, além de disponibilizar on-line informações sobre exposições32 em temas relacionados à ciência, e uma mistura de jogo

e história em quadrinhos eletrônica (HQtrônica)33 sobre o inseto

bar-beiro,34 transmissor da doença de Chagas, totalmente interativa, em

que o usuário pode criar a sua própria história sobre o tema;

d) Núcleo de Ciências – ProEX/UFES: Criado em 1996, o projeto,

vinculado à Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), visa ao estudo e à criação de mecanismos de difusão científica através de atividades científicas e culturais prá-ticas, como a criação de robôs e outros equipamentos eletrônicos.35

O núcleo integra universidade, estudantes e professores de ensino fundamental e médio. O Núcleo de Ciências da UFES também ini-ciou, em 2013, um projeto de Robótica Educacional, coordenado pelo professor José Ballester Julian Júnior;

31 Invivo, disponível em: http://www.invivo.fiocruz.br/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?tpl=home. 32 Exemplo de exposição e informações no site Invivo, exposição sobre Carlos Chagas:

http://www.invivo.fiocruz.br/chagas/.

33 A respeito desse conceito e tipo de publicação, recomendamos a leitura da obra

“Hqtrônicas: do suporte papel à rede Internet”, de Edgar Silveira Franco (CV Lattes: http:// lattes.cnpq.br/8415486629956081).

34 Jogo/HQtrônica do inseto barbeiro: http://www.invivo.fiocruz.br/chagas/quadrinhos.html. 35 Notícia sobre a apresentação de experimentos dos alunos atendidos pelo Núcleo de

Ciências da UFES: http://www.proex.ufes.br/conteudo/alunos-atendidos-pelo-n%-C3%BAcleo-de-ci%C3%AAncias-apresentam-experimentos.

(35)

e) Núcleo José Reis de Divulgação Científica: Filiado à Universidade de

São Paulo (USP), o núcleo tem como propósito promover atividades acadêmicas com o intuito de popularizar o conhecimento gerado na uni-versidade, além de apoiar os pesquisadores em atividades de divulgação científica. O nome do núcleo é em homenagem ao médico, pesquisador, jornalista e educador José Reis,36 ícone nacional em atividades de

po-pularização da ciência e divulgação científica. José Reis era um pesqui-sador visionário e já percebia a importância da divulgação da ciência desde a infância. Como profissional engajado, foi um dos fundadores da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), em 1949, e, no ano seguinte, criou a revista Ciência e cultura. Como uma forma de reconhecimento de seu trabalho, em 1978, o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) instituiu o prêmio nacional José Reis de Divulgação Científica,37 conferido àqueles que

contribuem significativamente para a divulgação científica brasileira;

f) Olimpíada Brasileira de Saúde e Meio Ambiente:38 Vinculado à

Fiocruz, trata-se de um projeto voltado aos alunos de escolas pú-blicas e particulares brasileiros. Tem como objetivo estimular pes-quisas e trabalhos sobre o meio ambiente e saúde no Brasil;

g) Tirinhas de Física:39 O uso de Histórias em Quadrinhos (HQ) para

o ensino da ciência tem sido uma das formas de divulgar o conhe-cimento científico de maneira lúdica e compreensível para todos. O projeto Tirinhas de Física foi idealizado por Luisa Daou e Francisco Caruso. Outros projetos nessa linha surgiram, como o Tirinhas Vestibulário,40 parceria de Vanks Estevão (criador do blog Efeito

Joule41) e Alexandre Santos;42

36 Para saber mais sobre a vida de José Reis indicamos a leitura do livro José Reis: reflexões

sobre a divulgação científica, disponível em:

http://portal.sbpcnet.org.br/livro/ebook_re-flexoes_divulgacao_cientifica_press.pdf.

37 Prêmio José Reis de Divulgação Científica: http://premios.cnpq.br/web/pjr. 38 Disponível em: https://olimpiada.fiocruz.br/.

39 Tirinhas de Física: http://www.cbpf.br/~caruso/tirinhas/index.htm.

40 Tirinhas Vestibulário:

https://www.efeitojoule.com/2011/04/vestibulario-tirinhas-do-ves-tibular-de.html.

41 Blog Efeito Joule, de Vanks Estevão:

https://www.efeitojoule.com/2014/03/introducao-a-fi-sica.html.

(36)

h) Coalizão Internacional da Vida Silvestre – IWC/BRASIL:43

Formada por diversas entidades ambientais internacionais, a coa-lizão busca a proteção da vida selvagem e de ambientes naturais, principalmente nas áreas litorâneas, marinhas e na proteção de es-pécies ameaçadas como a baleia franca austral,44 e atua no resgate

e monitoramento de baleias, golfinhos, outras espécies marinhas e animais silvestres.

No website da ABCMC constam como ações brasileiras apenas as que foram supracitadas pertencentes ao sudeste e sul do país. Projetos de popularização das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste constam em um guia de “Centros e museus de ciência do Brasil”,45 lançado em 2009.

Um exemplo de ação na região Nordeste ocorre no Ceará com o projeto Seara da Ciência,46 mantido pela Universidade Federal do

Ceará (UFC). Foi criado em 1999 com o objetivo de divulgar a ciência e a tecnologia na UFC e “[...] estimular a curiosidade pela ciência, cul-tura e tecnologia, mostrando suas relações como cotidiano e promo-vendo a interdisciplinaridade entre as diversas áreas do conhecimento”. (UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ, 2019). A Seara da Ciência oferece uma grade de programação que inclui desde atividades em que são feitos experimentos até apresentações de teatro.

Como exemplo da região Norte, citamos o Museu Paraense Emílio Goeldi47 o qual é vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia,

Inovações e Comunicações do Brasil (MCTIC). Foi fundado em 1866 e situa-se na cidade de Belém, Pará, na região amazônica. As atividades do museu se concentram em estudos científicos dos sistemas naturais e socioculturais da Amazônia, assim como na divulgação científica dos co-nhecimentos e acervos regionais. O museu possui três unidades físicas,

43 Site do projeto:

http://www.savethehighseas.org/members/international-wildlife-coa-lition-iwcbrasil/.

44 Instituto Australis: http://baleiafranca.org.br/.

45Guia disponível em:

http://memoria.cnpq.br/documents/10157/60e5e9d2-c549-4ff-8-8569-62ed0798f567.

46 Seara da Ciência: http://www.seara.ufc.br/.

(37)

cada uma com uma finalidade específica, como o Parque Zoobotânico,48

o Campus de Pesquisa49 e a Estação Científica Ferreira Penna.50

O Museu Emílio Goeldi é uma das mais respeitadas e reco-nhecidas instituições de pesquisa no Brasil e no mundo, entretanto, assim como muitas outras iniciativas essenciais para a popularização da ciência, não tem recebido o devido destaque e verbas necessá-rias para manter o seu funcionamento. Sobre esse tipo de situação, o físico Luiz Davidovich, presidente da Associação Brasileira de Ciências (ABC), em entrevista para o jornal Folha de São Paulo,51

afirma que em países desenvolvidos o dinheiro investido em ciência e tecnologia tem em média um retorno de cinco vezes o valor inves-tido. Para Davidovich (2017, não paginado), “a ciência brasileira passa por um processo de ‘dizimação’. Os [...] economistas seguem uma lógica de padeiro. Na crise, cortam gastos, mas ciência não é gasto, é investimento. [...] O governo manifesta sua ignorância quanto ao papel da ciência e tecnologia para o desenvolvimento na-cional”. Para o pesquisador, o Brasil está perdendo terreno para ou-tros países em áreas estratégicas.

Na região Centro-Oeste, em Goiás, citamos o Museu Antropológico,52 criado em 1969 e inaugurado em 1970. O museu é

mantido pela Universidade Federal de Goiás (UFG), vinculado à Pró-Reitoria de Pesquisa e Inovação (PRPI) e foi articulado por iniciativa dos docentes da UFG. O museu abriga um rico acervo com materiais da cultura indígena, especificamente do povo Xingu. Em Brasília, o Jardim Botânico de Brasília,53 criado em 1987, conta com diversos

espaços e atividades voltadas para a educação ambiental; destacamos ainda a Fundação Jardim Zoológico de Brasília (FJZB),54 inaugurada

48 Parque Zoobotânico do Museu Emílio Goeldi: http://bit.ly/32eEjBK.

49 Campus de Pesquisa do Museu Emílio Goeldi: https://www.museu-goeldi.br/

assuntos/o-museu/campus-de-pesquisa.

50Estação Científica Ferreira Penna: https://www.museu-goeldi.br/assuntos/o-museu/

estacao-cientifica.

51 Entrevista de Luiz Davidovich para o jornal Folha de São Paulo: http://bit.ly/2Jft8kC. 52 Museu Antropológico da UFG: http://www.museu.ufg.br/.

53 Jardim Botânico de Brasília: http://www.jardimbotanico.df.gov.br/.

Referências

Documentos relacionados