Universidade
de Evora
Mestrado
em
Engenhana Química
A
Reactividade
do
Clínquer
Estagiérra: Vanessa Carole Mestre Gasparinho
Orientadores extemos: Engenheiro Hélio
Viero
e Engenheira Carla AlexandreOrientadores internos: Professor Doutor
António
Candeias e Professor Doutor JoséMirão
Évora,
Abril
de 2009
Universidade
de
Évora
Cimpor
Centro
de
Produção
de
Loulé
A
Reactividade
do
Clínquer
It1
1à§
Estagréria: Vanessa Carole Mestre Gasparinho
Orientadores externos: Engenheiro Hélio
Viero
e EngenheiraCarla AlexandreOrientadores intemos: Professor Doutor António Candeias e Professor Doutor José Mirão
Estágio curricular para obtenção do mestrado em Engenharia Química, realizado na Cimpor
f \
()
{
.x
\ /tt
':Í
\J i :nAgradecimentos
Não
poderia
deixar
de
agradecera
todos
aquelesque voluntaria
ou
involuntariamente permitiram a realização deste trabalhoU
Emprimeiro
lugar a minha enonne gratidão ao meu orientador naCimpor, o
Eng.o HélioViero,
Director Fabril do Centro de Produção de Loulé, que mepermitiu
realizar o estágio que ambicionava e ter contacto directo com a indústria cimenteira.U
A
minha
coordenadorana Cimpor, a
Eng.u Carla Alexandre, Coordenadora daÁrea
de Fabricação e Embalagem, pela orientação e transmissão de conhecimentos que por muito que procurasse só ela tinha a resposta.O
Ao
Professor
Doutor António
Candeiase
ao
Professor
Doutor
José
Mirão
meusorientadores na Universidade de Évora pela ajuda, sugestões, apoio e boa disposição sempre presentes.
U
Aos
técnicos de laboratório, Sr.Neto,
Sr. Barracha,Sr.
Polana,Sr.
Mealha,Benvindo
eJoão
pela forma
"estonteante"como
me receberam,pela prontidão em
ajudare
esclarecerdúvidas
e
principalmentepela
capacidade quetêm em tornar tudo
muito
mais
fiícil,
estou profundamente agradecida.U
A
minha colega de estágio, Cláudia Lopespelo
incentivo dado ao longo destes meses de trabalho e também pela amizade e boa disposição compartilhadas, um muito obrigado.U A
minha melhor amiga Ana e ao meu namorado Rui Carromeu pela motivação, incentivo eU
Como não poderia deixar de ser, aos meus pais por tornarem tudo possível e conseguirem transpor todos os obstáculos para que me pudesse formar naquilo que queria. Comcariúo,
Resumo
A
indústria
cimenteiraé uma
indústriacom
grandes gastos energéticos, sendopor
isso de extrema importância, do ponto de vista económico, desenvolver estratégias e procedimentos que conduzam à sua minimização.O
intuito
darealização do presente trabalhofoi
estudar a reactividade do clínquer da Cimpor-Centro de Produção de
Loulé,
aointroduzr
alterações ao processo de fabrico de cimento. O estudo engloba três objectivos:Ç
Melhorar a qualidade do clínquer;Ç
Reduzir o consumo térmico do forno;Ç
Reduzir o consumo energético dos moinhos de cimentoNa
paragemde
Maio
de 2008
foi
instaladoum
novo redutor
parao
motor do forno
quepermitiu
alterar a velocidade máxima de2
para 3,5 rpm,o
que consequentementediminuiu
a taxa de enchimento de x20Yoparaxl4oÁ.Os
resultados mostraramque com
a
alteração
ao
processoatingiram-se
dois dos
trêsobjectivos
pretendidos.Isto é,
obteve-seum
clínquer
de
melhor
qualidadee
houve
umadiminuição
do
consumotérmico
do forno.
Contudo,não
se conseguiramtirar
conclusões acerca do consumo energético dos moinhos de cimento, sendo paratal, necessiário prolongar o tempo do estudo.Abstract
(The reactivity
of
theclinker)
The cement industry
is
an industrywith
high
energy costs and is thereforeof
extremeimportance,
in
economic terms,to
develop strategies and proceduresthat
leadto
its minimization.The purpose
of
this
work
wasto
study thereactivity
of
the clinker
produced at LouléCimpor
Production Center
by
introducing
changesin
the
manufacture processof
cement. The study comprised three main objectives:
Ç
Improving the quality of the clinker;Ç
Reducing the heat consumption of the furnace;Ç
Reducing energy consumption ofúe
cement mills.During the
stopof
May
2008 a new reducer was installedin the
furnacemotor which
allowed changing
the
maximum speedof
2to
3.5 rpm,which
consequently decreased the rate offilling
from x20Yo to xl4Yo.The results showed that
with
the process modification,two
of the three objectives werereached up. That is, a better quality
of
clinker was obtained and there was a decreasein
the heat consumption
ofthe
furnace. However, during the periodofthis
study it was notpossible
to
draw afinal
conclusion about the energy consumptionof
the cement mills,Índice Geral
l.
Introdução 2. Ligantes 2. 1. Definição ... 1.1. Estrutura do trabalho.... 2 5 2.2. Ligantes hidrófilos ...2.2.1. Ligantes
hidrófilos
aéreos...
...52.2.1.1. Gesso
2.2.1.2. Cal aerea 6
2.2.2. Ligantes hidró fi lo s hidráulico s 6
2.2.2.1. Cal hidráulica
2.2.2.2. Cimento 7
2.3 . Ligantes hidrófobo s 8
3. Processo de fabrico do cimento
l1
3.l.Introdução.
11 3.2.Preparação do cru 11 3.3. Cozedura e arrefecimentot2
3.3. l. 1. Pré-aquecimento 3.3.1.1. 1. Grelha de pré-aquecimento 3.3. l. 1.2. Torre de pré-aquecimentot4
t4
l5
t7
l8
t9
20 3.3. 1. 1.3. Pré-calcinador3.3.1.2. Forno (tubo rotativo)
3.3.1.3. Arrefecedor
3.4. Adição de gesso e moagem
3.5. Ensilagem e expedição...
4. Componentes principais do cru e do clínquer
4.
l.
Introdução...4.2. Componentes da matéria-prima...
4.3. Componentes principais do clínquer
2t
25 25 .25 .27 4.3.2. CzS. 28 4.3.3.qA
28 4.3.4. C+AF 284.4. Cáictrlo dos componentes principais do clínquer 29
4.5. Reacções no processo de fabrico do clínquer 30
4.5.1. Secagem
4.5.2. Decomposição das argilas
4.5.3. Decomposição dos
carbonatos
...314.5.4. Reacções em fase sólida 32
4.5.5. Reacções na presença de fase líquida... ...33
4.5.6. Reacções durante o
arrefecimento...
...344.5.7. Presa, endurecimento e hidratação 35
5. Avaliação da qualidade do
clínquer...
...415.1. Introdução
4l
5.2. Composição química
5.2.1. Cal
liwe
(CaOr,) .415.2.4.
Alcalis
(KzO e NazO) 5.2.5. Cloretos(Cl)
5.3. Módulos e índices químicos 5.3.
l.
Módulo hidráulico5.3.2.
Módulo
silicioso5.3.3. Módulo aluminoso
5.3.4. Índice de saturação em cal
5.3.5. Fase líquida
5.3.6. Índice de cozedura
5.4. Indicadores Benchmarking
5.4.1.
CUI ("Clinker Uniformity
Index")5.4.2.
KSUI
("Klin
SulphateUniformity
Index")5.4.3.
FLUI
("Free LimeUniformity
Index")5.4.4.
KFUI ("Klin
FreeUniformity
Index")6. Ciclo dos álcalis.
44 42 42 43 43 43 44 45 45 45 45 46 46 46 49 49 6.4. Consequências da volatilização 7. Metodologia ... 7.1.1. Resumo do processo 7 .l .2. Procedimento experimental 7.1. Amostragem
5l
55 56 56 56 567.2.Determinação da perda ao fogo
7 .2.1. Resumo do processo 56
7.2.2. Equipamentos e material 57
7 .2.3. Procedimento experimental 57
7.2.4. Determinação da perda ao
fogo
...577.3. Determinação do teor em cal
livre
7 .3.1. Resumo do processo 58
7.3.2. Equipamentos, material e reagentes 58
7 .3.3. Procedimento experimental ... 59
7.3.4. Determinação do teor em cal
liwe
597.4. Análise química por fluorescência de raios
X...
...597.4.1. Resumo do processo 59
7 .4.2. Equipamentos, material e reagentes ...60
7 .4.3. Procedimento experimental ... 60
7.4.4. Determinação da análise química
6l
58
7.5. Determinação do teor em cloretos
7 .5.1. Resumo do processo
7 .5 .2. Equipamentos, material e reagentes ...
7 .5.3. Procedimento experimental ...
7 .5.4. Determinação do teor em cloretos
7.6. Determinação do teor em sódio por fotometria de chama
7 .6.1. Resumo do processo
6t
62 62 63 63 647 .6.2. Equipamentos, material e reagentes
7 .6.3. Procedimento experimental
7.6.4. Determinação do teor em sódio 8. Apresentação e discussão dos resultados
8. 1. Formação da pilha... 65 65 69 69 73 73 75 8.2. Análise química
8.2.1. Anrílise
qúmica
da farinha de alimentação ao forno8.2.2. Anrflise quÍmica da farinha do ciclone 4
8.2.3. Análise quÍmica do clínquer ...76
8.4. Indicadores de Benchmarking 82 ...91 Anexo
I
3 5 ...3 1 ...39 lxÍndice
de
Figuras
Figura 1: Classificação de ligantes 5
Figura 2: Parte do forno (à esquerda) e da torre de ciclones de pré-aquecimento (à direita) da
Cimpor (Coutinho,
2006)...
...15Figura 3: Esquema representativo de uma torre de ciclones de pré-aquecimento. ...16 Figura 4: Clínquer à saída do arrefecedor
(Coutiúo,2006).
20Figura 5: Esquema simplificado da produção de cimento por via seca (Coutinho, 2006)...22
Figura 6: Esquema das transformações sofridas pelo cru até à sua transformação em clínquer
(Coutiúo,2006)
25Figura 7: Aspecto esquemático dos principais componentes do clínquer. Cristais poligonais de
alite
com
pequenasinclusões
de
belite, cristais
arredondadosde
belite
com
estriaçãocaracterística, e fase intersticial de aluminato, ferrite e massa vítrea (Coutinho, 2006)...27 Figura 8: Contribuição dos compostos hidratados individualizados para
o
desenvolvimento daresistência do cimento (Coutinho,
2006).
...29Figura 9: Variação do grau de descarbonatação com a temperatura. 32
Figura
l0:
Representação grâfica de uma curva típica relativa ao desenvolvimento de calor de hidratação de cimento, durante a hidratação e a temperatura constante (Coutinho, 2006)...35 Figura1l:
Esquemalizaçáo do ciclo de voláteis (CimporTec, 2003)..Figura 12: Quadro resumo dos métodos utilizados. 55
Figura
13: Diagramas representativos da formação de umapilha.
(A)
e(B)
conespondem ao período de pré-paragem e(C)
e(D)
ao de pós-paragem.(A)
corresponde à pilha utilizada nosdias 8.05.08
e
9.05.08 e(B)
àpilha utilizada
nos dias 9.05.08a
11.05.08.Por
suavez,(C)
correspondeà pilha
úilizada
nos
dias4.07.08
e
5.07.08e
(D)
à pilha
utilizada nos
dias5.07.08 e 6.07.08
7t
Figura 14: Aspecto do clínquer no período pré-paragem
(A)
e no período pós-paragem (B)..7849
Índice
de Tabelas
Tabela 1: Reacções principais na fabricação de clínquer
(Martins,
1996; Alexandre,2004)..30
Tabela 2: Limites de controlo relativos à análise química de uma pilha.
7l
Tabela 3: Limites de controlo relativos aos módulos químicos de uma pilha. 72
Tabela 4: Limites de controlo relativos à análise química do clínquer 79
Tabela 5: Índices de Benchmarking correspondentes a ambos os períodos de monitorizaçáo.83 Tabela 6: Produção de clínquer em ambos os períodos de monitorização...88 Tabela
7:
Incorporação de clínquer em ambos os tipos de cimento produzidos naCimpor
-Centro de Produção de Loulé 89
iIJg(a1,rrr,,r
Int t-otlu çrl o
1.
Introdução
A
origemdo
cimento remonta a 4500 anos. Já os egípciosutilizavam um
materialfeito
de gesso calcinado como aglomerante. Entre os gregos e romanos, eram usados solos vulcânicosque endureciam depois de misturados com água.
Em
1756o
inglês John
Smeatoncriou
uma mistura
resistente atravésda
calcinação de calcários argilosos e moles. Este eo
marco da criaçãodo
cimentoartificial.
Tempos depois,em1824,
o
construtor, também ele inglês, Joseph Aspdin produziu um pómuito fino
apartir
de pedras calciíriase
argila que, depois demisturar
ágaa e secar, produzia um material muitorígido,
análogo às pedras naturalmente empregues na construção. Este materialfoi
baptizadopor
cimento Portland, em homenagemà ilha
de Portland, onde existiam rochas semelhantes (http ://pt.wikipedia.orglwiki/Cimento).
Desde
então,
a
indústria cimenteira
tem
um
papel importantíssimo
no
desenvolvimentomundial. Pela sua
resistência, durabilidade, trabalhabilidade
e
infinitas
possibilidadesarquitectónicas,
o
cimento está presente em grandiosas obraspelo mundo fora,
fazendo do betão o segundo produto mais consumido no mundo, sendo o primeiro aâgta.
O
cimento, que se apresenta soba forma
deum
pó fino
com propriedades aglomerantes, éclassificado
como
sendo
um
ligante hidráulico.
No
capítulo
seguinte
classificam-se e descrevem-se os tipos de ligantes..\ Ilt'itelir itlitrlu tL,( lrrtrqirci
e:
:
1.1.
Estrutura
dotrabalho
Este
trabalho
encontra-se estruturadoem
9
capítulose
reflecte
o
estudo desenvolvido naCimpor
-
Centro de Produção deLoulé,
na sequência da alteração do redutor domotor
do forno.No
capítuloun!
de cariz introdutório,
pretende-sedar
umavisão
geral sobrea origem
docimento.
No
segundocapítulo definem-se
e
distinguem-seos
vários tipos
de
ligantes, enquadrando, de uma forma mais concisa, o conceito de cimento. Segue-se o terceiro capítulo e com ele, uma explicação de todo o processo de fabrico do cimento, desde a preparação damatéria-prima até à sua expedição. O quarto capítulo, onde é abordada uma temática bastante
importante, evidencia quais os principais constituintes do cru e do clínquer e as reacções que
ocorrem ao longo do processo de fabrico.
No
quinto capítulo são introduzidos conceitos quepermitem avaliar
a
qualidadedo
clínquer.O
sexto capítulo explicao
ciclo
dos álcalis, cuja compreensão é bastante importantepara perceber o que acontece em certas fases do processo.No
sétimo capítulo apresenta-se a metodologia analítica adoptada neste trabalho,ou
seja, osprocedimentos laboratoriais necessários para prepaÍar as amostras para análise.
No
oitavo capítulo, apresentam-se e discutem-se os resultados obtidos. E muito importante perceber que a análise deste estudo decorre em dois períodos temporais distintos,o
período pré-paragem,queserefereaoperíodoentre8elldeMaio,anterioràalteraçãoaoprocessoeoperíodode
pós-paragem, referente ao período entre 4 e 6 de Julho, posterior à alteração ao processo. Por frm, no nono e
último
capítulo são apresentadas as sínteses e conclusões.Capítulo
2
- Ligantes
Índice
2.1. Definição 2.2. Ligantes hidrófi lo s 5 5 5 6 6 6 7 7 82.2.1. Ligantes
hidrófilos
aéreos2.2.1.1. Gesso
2.2.1.2. Calaérea
2.2.2. Ligantes
hidrófilos
hidráulicos2.2.2.1. Cal hidráulica
2.2.2.2. Cimento
e
( uPítul,'l
[-igarrtcs2.
Ligantes
2.1.
DeÍinição
Um
ligante
é
um
produto que
ganhapresa
e
endurece,podendo
aglomerar outros materiais, tais como agregado grosso e areia. São portanto substâncias com propriedades aglomerantes (Paulo, 2006).Aéreos (não fazem presa dentro de água)
Hidrófilos
Ligantes Hidráulicos (fazem presa dentro de água)
Hidrófobos
Figura
l:
ClassiÍicação de ligantes.2.2.
Ligantes
hidróÍilos
Um
ligantehidrófilo
é um ligante que tem afinidade com a âgua, e quando misturado coma
mesmaforma uma
pastaque
endurece, podendo,como
qualquerligante,
aglomeraroutros materiais.
E
constituídopor
matériasólida
finamente pulverizada (Paulo, 2006). Os ligantes hidrófilos podem-se classificar de duas formas, em aéreos ou hidráulicos.2.2.1.
Ligantes
hidróÍilos
aéreosUm
ligantehidrófilo
aéreo é um ligante que misturado coma
âgua forma uma pasta que endureceao
ar,pela
acção químicado
COz.A
pasta endurecida,com
ou
sem outros materiais incorporados, não fazpresa dentro de água (Paulo,2006). Exemplos de ligantes5
\
lieuetir irlurle tl,, ( lrrtqucr2.2.1.1. Gesso
O
gesso éum
ligante simples que se encontra abundantemente na nat:ureza, em terrenos sedimentares, apresentando-sesob
a
forma
de
anidrite
(CaSOa)ou
pedra
de
gesso (CaSO+.2HzO).A
pedra de gesso ou gesso bruto e extraída das gesseiras e constituída essencialmentepor
sulfato
de
cálcio di-hidratado
(CaSO+.2HzO) podendoconter
impurezascomo
sílica, alumina, óxido de ferro, carbonatos de cálcio e magnésio. Quando submetida a tratamentotérmico em fornos
especiaisorigina
compostos diversos, maisou
menos hidratados, e com propriedades diferentes, de acordo c,om a temperatura de cozedura (Paulo, 2006).2.2.1.2.
Cal
aéreaA
cal
aérea éum
ligante constituído sobretudo por óxidos de cálcio (CaO) ou hidróxidosde cálcio (Ca(OH)z) que endurece lentamente ao ar por reacção com o dióxido de carbono
lCoz).
Provém da calcinação de rochas carbonatadas a temperaturas entre 800
e
1000'C. Estas rochas são ricas em carbonato de cálcio (CaCO:-
calcite) e, eventualmente, em carbonatoduplo de cálcio e magnésio (CaMg(CO:)z - dolomite) (Paulo, 2006)
2.2.2.
Ligantes
hidróÍilos
hidráulicos
Um
ligantehidrófilo
hidráulico misturado com a água forma uma pasta que endurece ao ar ou dentro de água e essa pasta endurecida, comou
sem outros materiais incorporados(Paulo, 2006). Exemplos
de
ligantes
hidrófilos
hidráulicos são
a
cal
hidráulica
e
o cimento.'
g
('upiluli,I
[-isrante s2.2.2.1. C al
hidráulica
Enquanto
a
cnzednra do calcário puro entre 800a
1000'C originao óxido
de cálcio, queconstitui
a
cal
aerea,a
cozedurado
calcario margoso (contémargila)
origina
as
caishidráulicas, (mais ou menos hidráulicas conforme o teor de argila) e também os cimentos naturais.
A
cal retiradado
forno
deve ser extinta, não só coma
finalidade deeliminar
a calviva
(CaO), mas
muito
especialmente para provocara
pulverização de toda acal
hidráulica.Este fenómeno e a temperatura de cozedura distinguem a produção de cal hidráulica da produção do cimento (Paulo, 2006).
2.2.2.2.
Cimento
Segundo a norÍna europeia (NP
EN 197-l\
a denominação cimento refere-se aum
ligantehidráulico, isto
é,um
material inorgânico finamente moído que, quando misturado com água forma uma pasta que ganha presa e endurece por reacções e processos de hidratação e que, depois de endurecida, conserva a sua capacidade resistente e estabilidade mesmo debaixo de água.Um cimento que esteja de acordo com esta norÍna europeia e designado por cimento
CEM
e
se
for
devidamentemisturado com
águae
agregados,é
possível obter-se betão ouargamassa (Paulo, 2006).
Os 27
produtos
da família dos
cimentos
correntes, abrangidospela
NP
EN
197-1,indicados
na
tabela
I.1
dos
anexos, agrupam-seem cinco
principais
tipos: CEM
I:
Cimento Portland;
CEM
II:
Cimento Portland composto;CEM
III:
Cimento de alto-forno;CEM
IV:
Cimento pozolânico; e CEMV:
Cimento composto.\ Ilclcliririltlc t1o (
1i,,.,,,",-Neste contexto considera-se que
um
constituinteprincipal
do cimento coresponde a um material inorgânico especialmente seleccionado eutilizado
numa percentagem superior a 5o/oem
massaem
relação
à
somade
todos
os
constituintesprincipais
e
adicionaisminoritários.
Por outro
lado,
um
constituinte adicional minoritiário
correspondea
ummaterial inorgânico
especialmente seleccionadoe
utilizado numa
percentagem não excedendoum total de
50Áem
massaem
relação
à
somade
todos
os
constituintesprincipais e adicionais minoritarios (Coutinho, 2006).
A
Cimpor
-
Centrode
Produçãode Loulé
tem
como
actividadeprincipal
o
fabrico
e expedição de dois tipos de cimento:\.
Cimento Portland de calcrário -CEM
lll/.-L
42,5R;
\-
Cimento Portland de calcário -CEM
IIIB-L
32,5N.O
CEM
II
ou cimento Portland é constituído por, pelo menos,65yo de clínquer no caso doCEM
IIIB-L
e de 80% de clínquer no caso do CEMII/A-L.
2.3. Ligantes
hidrófobos
Um
ligante hidrófobo éum
ligante em quea
âgua não tem qualquer papel na produção e endurecimento do aglomerante e que'tepele" a
âgaa após endurecimento.E
constituídopor
substânciasmais
ou
menos viscosas
que
endurecempor
arrefecimento,
porevaporação
dos
seus solventesou por
reacçãoquímica entre
diferentes componentes. Apresentam-se, não sob a forma depó
como os liganteshidrófilos,
mas sob a forma delíquidos
viscososou
soluções resinosase, ao
endurecer,formam
estruturas coloidais rígidas.Exemplos
de
ligantes destetipo
sãoo
alcatrão,o
asfalto (proveniente da destilação doCapítulo
3
-
Processo de
Fabrico
Índice
3.l.Introdução
3.2.Preparação do cru 3.3. Cozedura e arrefecimento 3.3.1. Equipamentos 3.3.1.1. Pré-aquecimento 3.3. 1. 1.l.
Grelha de pré-aquecimento 3.3. 1. 1.2. Torre de pré-aquecimento 3.3. l. 1.3. Pré-calcinador 3.3.1.2. Forno (tubo rotativo)3.3.1.3. Arrefecedor
3.4. Adição de gesso e moagem
3.5. Ensilagem e expedição 11 11 20
t2
t4
T4t4
l5
t7
18t9
2l
'Ü.g(.Pítul.'1
[)rtlcesst, rlc Ita [-rt'ico3. Processo de
fabrico
do cimento
3.1.
Introdução
Atendendo ao facto de 70 a 80oÁ da matéria-prima
úilizada
para fazer cimento ser calcário, em geral uma f;íbrica de cimento situa-sejunto
a um depósito calcárioOs processos envolvidos na produção de cimento são complexos e compreendem diferentes fases de fabrico:
t,
Preparação do cru:'
Extracção do calcário;'
Britagem;.
Pré-homogeneizaçáo;.
Moagem e homogeneização;'
Correcção com aditivos;\-
Cozedura e arrefecimento;\.
Adição de gesso e moagem;r-
Ensilagem e expedição (ECC, 1994).3.2. Preparação do
cru
A
pedreira é explorada em gtandes massas, blocos de grandes dimensões (podematingir
os2m de comprimento) são extraídos e transportados para um britador que os redr:z a blocos de apenas alguns centímetros.
O
materialbritado
é transportado para umapilha de
armazenamento, a pré-homogeneizaçáo.A
mistura é depositada em camadas horizontais ea
sua remoçãoe
feitapor
meio de cortes verticais.\ Rt'itrlir i,l.rrl. tl,, ( lttt.lrtct'
As
reacçõesquímicas promovidas
pela
acção
da
temperaturaentre
os
componentes damatéria-prima são essencialmente reacções
no
estadosólido.
Para activar as reacções entre fases sólidas, devido à lenta difusão dos átomos e moléculas nos sólidos, é necessário elevar a temperatura e a átrea da superficie dos reagentes.A
velocidade da reacção entre fases sólidas éportanto função do grau de finura, natureza química dos materiais e duração do aquecimento.
As reacções em fase líquida são muito mais rápidas e os produtos da reacção só dependem da
temperatura
e
composiçãoquímica das
fases líquidas.
Daqui
resulta
a
importância
dapreparação
das
matérias-primaspara
o
cimento,
nomeadamente,a
finura
da
moagem, homogeneidade e proporção da fase líquida (cerca de 20%) à temperatura de cozedura.A
matéria-prima depois de moídaé
levadaa
silos,ou
tanques de homogeneizaçáo, onde ésujeita
a
análise química, actualmente automáticae
instantânea,por meio
de RaiosT,
com ligação aum
computador que calcula as correcçõesa
fazere
comanda os silos de aditivos, correctores, em areia (para aumentar o teor ern sílica), cinzas depirite
(para aumentaro
teorem ferro), bauxite (para aumentar o teor em alumina) ou argila (para aumentar o teor em silica
e alumina). Após esta correcção,
o
cru entra para os silos alimentadores doforno
(Coutiúo,
2006).
3.3. Cozedura e
arrefecimento
A
etapade
cozedurae
arrefecimentoé a
mais
importante numa instalaçãode
fabrico
declínquer.
A fariúa
crua, obtida na sequência dos processos de moageme
homogeneização das matérias-primas,é
transformadaem clínquer
por
tratamentotérmico.
A
transformação efectua-se em fornos rotativos de grandes dimensões, no seio dos quais se opera o tratamento do cru a temperaturas na ordem dos 1400 a 1500"C (Lopes; Leitão, sem data).1flcirPituio-r
Proücsso dc [-at-rrico
Atendendo à maior ou menor quantidade de água que a farinha possui à entrada do forno pode classificar-se o processo de cozedura como:
\.
Via
húmida: neste processo a matéria-prima é moída com água, formando uma pasta(com cerca
de35%
de água), a qual depois de ter sido homogerreizadapor
agitação mecânica epor
insuflação dear,
é bombeadaparaa
entradado forno.
Actualmente, este processo defabrico é pouco utilizado devido ao elevado custo energético.
\-
Via
semi-húmida:o
material é preparado emvia
húmida, sendo depois seco antes deentrar no forno. Após mistura por diluição, o excesso de água é extraído por acção mecânica
b
em
filtros-prensa
ou
em filtração sob
vácuo.
Os bolos
de
filtração
são
tratadostermicamente sobre uma grelha ou transformados, após secagem, em farinha para alimentar um pré-aquecedor de ciclones. Este processo e ainda
utilizado
nos casos em que as argilas da pedreira possuem um elevado teor em humidade (aproximadamente 20%).\. Via
semi-seca:
a
farinha
crua
seca
é
humidificada
por
injecção
de
âgua(aproximadamente
l2%).
Aglomera-se sob a forma de nódulos que são posteriormente secossobre
a
grelha
de
um
pré-aquecedor,
pelos
gases quentes
que
saem
do
forno,descarbonatando-se parcialmente e entrando seguidamente no forno.
\.
Via
seca:
a
farinha
crua
é
introduzida
num
forno rotativo,
precedido
por
um
permutador externo estático,
frequentementede
ciclones, possuindo
um
baixo teor
emhumidade
(no máximo
lW.
É
o
processoutilizado
pela
Cimpor,
sendo queo
Centro deProdução
de
Loulé
foi
a primeira fábrica de cimento
nacionala
adoptar este processo. Éigualmente
o
mais
utilizado
actualmentee
mais
económicodo
ponto de
vista
energético (Lopes; Leitão, sem data)...\ l(ertctrritlr,tL.'tlo (
lirtqLrcr
gfÜ
3.3.1. Equipamentos
Os dois processos mais importantes de cozedura são a
via
secae
avia
semi-seca,pelo
que seguir-se-á uma abordagem mais detalhada aos equipamentos que thes estão associados.3.3.1.1. Pré-aquecimento
Com
o
intuito
de melhoraro
rendimento térmico e deutilizar
melhoro
calor libertado peloscombustíveis
no forno,
os gases que saema
cercade
1000"Cdo
a:refecedor são utilizadosnuma instalação de pré-aquecimento do cru colocada à entrada do forno (Lopes; Leitão, sem data).
Um pre-aquecedor de
fariúa
é um permutador de calor no qual as transferências térmicas se efectuampor
contacto entrea matéia
e os gases. Esta operação inicia-se pela evaporação da água superficial(a
que ainda restar)e
pela dissociaçãoda
âgoa de cristalização queo
crupoderá ainda conter (sobretudo devido à presença de argilas). O pré-aquecimento prossegue até à descarbonatação parcial da farinha (Lopes; Leitão, sem data).
Os equipamentos que constituem um sistema de pré-aquecimento são os seguintes:
\-
Grelha de pré-aquecimento (somente para a via semi-seca);\-
Torre de pré-aquecimento (somente para via seca);E,
Pré-calcinador.Descreve-se seguidamente cada um destes equipamentos.
3.3.1.1.1.
Grelha
de pré-aquecimentoNeste sistema,
a
farinha é granulada antesde
ser distribuída numa camadauniforme
sobre uma grelha móvel que a faz avançar.A
grelha édividida
em duas câmaras, correspondentes às'g('i'1'r"
Prtrcesso clc Fabrictlparcial.
A
permuta térmica
efectua-seentre
os
grânulosde
farinha
e
os
gases quentes, provenientesdo forno (a
uma temperatura de aproximadamente 1000"C) ao atravessarem omaterial (Lopes; Leitão, sem data).
3.3.1.1 .2.
Torre
de pré-aquecimentoEmpregam-se
hoje
em
fabricas
de
maior
produção,
pré-aquecedoresde
ciclones,
queconstituem talvez o maior desenvolvimento, em termos de redução de consumo energético na produção do cimento.
Na
figura
2
pode ver-sea fotografia
de partedo
forno
e parte datorre
de ciclones depré-Figura 2: Parte do forno (à esquerda) e da torre de ciclones de pré-aquecimento (à direita) da Cimpor (Coutinho, 2006).
Neste sistema
a
transferênciade calor
entreos
gasese a
matéria dá-senum conjunto
deciclones
separadose de
condutas.A
permutaocorre
em
co-correnteno interior de
cadaciclone e, em contra-corrente no conjunto do permutador (Figura 3). O rendimento do sistema depende, entre outros factores, da dispersão da matéria na corrente gasosa. Existe
todo
um conjunto de modelos de pré-aquecedores de ciclones, inspiradosno
aquecedor de Humboldt(Lopes; Leitão, sem data).
l5 aquecimento.
{
I{eactir iclarle clo ('lírtqur:r'f
FarinhaI
GasesFigura 3: Esquema representativo de uma torre de ciclones de pré-aquecimento.
Um pré-aquecedor de ciclones é constituído por uma série de ciclones em cascata no
interior
de uma torre, sobre múltiplos andares. Torre esta que pode possuk até 6 andares de ciclones eatingir
uma altura
de
125m(Lopes;
Leitão,
semdata).
No
casoparticular
do
Centro
de Produção de Loulé o pré-aquecedor de ciclones é constituído por uma torre de 4 andares, ondeno
primeiro
andar estão 2 ciclones que funcionam comoum
só,o
cicloneI
eo
cicloneI
bis,no
segundo andar estáo
ciclone2, no
terceiro andar estáo
ciclone3
e no
quarto andar o ciclone 4.Um
ventilador de tiragem de grande capacidade, o ventilador exaustor, assegura a circulação ascendente dos gases quentes provenientesdo
forno no
conjunto dos ciclones.O
caudal do exaustor é regulado em função da combustão no forno (Lopes; Leitão, sem data).A
farinha crua é introduzida na parte superior da torre, na conduta de entrada dos ciclones do andar superior. Estes ciclones apresentam uma eficiência de separação superior aos restantes andares, afim
de diminuírem a saída de material pela conduta de saída da torre.A fariúa
é alimentada à torre através de uma bomba pneumática ou através de um elevador, alimentados a partir de um doseador ponderal comandado a partir da sala de comando (Lopes; Leitão, semes
j
I
t.$.g('i1'11rt['r]
Processo dc FabrictlA
matéria descepor
gravidade deum
ciclone)
para a condutado
ciclonedo
andarinferior,
através de uma conduta de pequeno diâmetro.A
corrente gasosa ascendente proveniente dociclone
inferior
encontra-secom
esta matériae
dirige-se parao
ciclone
do
andar superior através de uma conduta de grandes dimensões. É nestas condutas que ocorre uma importanteparte da troca térmica (Lopes; Leitão, sem data).
Os gases que saem
do forno
a uma temperatura na ordemdos
1000'C, após atravessarem o pré-aquecedor, possuemuma
temperaturana ordem dos
280 a
400oC, dependendo, entreoutros factores, do número de andares da torre. Estes gases são enviados pÍua os
moiúos
de cru com ointuito
de serem reutilizados (Lopes; Leitão, sem data).A
farinha entra natorre
a uma temperatura de 60 a 80oC, chegando à saída entre 30 a 60s ecom uma
temperatura
na
ordem dos 850"C.
Encontra-separcialmente
descarbonatada,variando
o
seugrau de
descarbonatação entre20 e
50Yo.O
empregode
pre-calcinadorespermite aumentar o grau de descarbonatação até 95o/o (Lopes; Leitão, sem data).
3.3. 1. 1.3.
Pré-calcinador
A
utilização
de equipamentos de pré-calcinação, inseridos entreo
pré-aquecedor eo
forno,datam
apenasdos
anos70,
tendo
sido
a
sua expansãomuito
rápida
(apesarde
ser
umequipamento opcional) devido ao seu elevado desempenho (Lopes; Leitão, sem data).
A
reacção de descarbonatação émuito
endotérmica, consome cerca de 400kcal/kg de clínquer entre 800 e900'C.
Para uma idêntica capacidade de produção, a pré-calcinação apresenta o interesse de levar a uma diminuição das dimensõesdo
forno, uma vez que aí apenas terá derealizar-se
a
conclusão da descarbonataçãoe a
clinquerizaçáo. Para idênticas dimensões doforno,
a pré-calcinação permiteum
aumento importante da capacidade de produção.O
\
Rcactir irlaclc rlo Clínqucr'calcinador está
equipadocom
um
queimador específico,
sendoo
aÍ
para
a
combustão proveniente da entrada do arrefecedor (Lopes; Leitão, sem data).Além
de
todas estas vantagens,a
pré-calcinaçãopermite
ainda,de
um
modo
geral, que aprópria marcha do forno se torne mais regular.
3.3.1.2.
Forno (tubo
rotativo)
O forno é o elemento principal de uma instalação de fabrico de clínquer. Antigamente, e ainda
actualmente
(no
estrangeiro)nas
fabricasde
pequena produção(até 500t/dia)
o
forno
évertical ("shaft
kilns")
mas após a descobertado
fornorotativo,
este tem sidoutilizado
cadavez commais frequência, uma vez que permite uma produção de 8000t/dia e um produto
final
mais homogéneo (Coutinho, 2006).O
fornorotativo,
constituídopor
umcilindro
de chapa de aço com diâmetro e comprimento que podematingir
até 7,6m e 232m, respectivamente, é revestido inteiramente com materialrefractário. O
cilindro
assenta sobre roletes queo
fazem girar e tem uma inclinação de 2 a 6".O
movimento de
rotação(l
a 3,5 rota$es/min.) e a
inclinação
provocamo
avanço dos materiais no interior do forno. No extremoinferior
introduz-se o combustível e o respectivo arcomburente, proveniente
do
arrefecedorde clínquer
(Coutiúo,
2006). Funciona como umpermutador de calor em contra-corrente, no qual a chama é
dirigida
da saída para a entrada dotubo, que eleva a uma temperatura extremamente alta a farinha que avança em sentido oposto.
A
farinha, proveniente do pré-aquecedor e introduzida na entrada do forno, leva cerca de 30 a90min até cair no arrefecedor sob a forma de clínquer (Lopes; Leitão, sem data).
-$=g('j':']"':
Prulcesstl cle FabricoExistem quatro formas de realizar a alimentação ao forno:
1.
Entrada directa dafariúa
(via seca);2.
Entrada directa da pasta de cru (via húmida);3.
Entrada directa da farinha humedecida com água, aglomerada em grânulos(via
semi-seca);4.
Entrada directa da pasta de cru dissecada por meio de uma compressão e filtragem(via
semi-húmida) (Coutinho, 2006).O forno divide-se em três zonas distintas: uma primeira denominada zona de transição (situa-se na parte
inicial
do forno,
onde a calcinação ea
formação de faselíquida
se sobrepõem),uma segunda denominadazona de clinquerização (onde ocorre a fase
final
de formação dos compostos de clínquer) e uma terceira denominada zona de arrefecimento (situa-se no final doforno e é bastante relevante
\ma
vez que a formação de fases ainda não cessou).3.3.1.3.
Arrefecedor
O arrefecedor é
um
equipamento que permiteo
arrefecimento rápido do clínquer, de modo apermitir
o
respectivo transporte
e
arrnazenamento.Um
arrefecimento
rápido
permitemaximizar
a
qualidadedo
clínquer,uma vez
quepermite
mantero
silicato tricálcico
numestado meta-estável (Lopes; Leitão, sem data).
A
recuperaçãode
calor reduz
sensivelmenteo
consumo específicode calor
necessario à produção de clínquer, pela carga térmicado
ar de combustão doforno
(ar secundário) epré-calcinador (ar terciário), bem como do ar eventualmente
utilizado
nas operações de moagem-secagem do cru. O rendimento da operação é definido pela relação entre a quantidade de calorrecuperado e a quantidade inicialmente presente no clínquer (Lopes; Leitão, sem data).
\ Ilcactir idadc do (-línqucr
3.4.
Adição
de gesso e moagemApós
a saídado
arrefecedoro
clínqueré
armazenado, terminandoo
seu arrefecimento comaspecto
negro
e
duro
(Figura
4).
Entra
depois
nos
moinhos
de
bolas,
onde
é
moído,juntamente
com
adjuvantes (parafacilitar
a
moagem),com aditivos,
mais concretamente o gesso (para regularo
tempo de presa) e outros, comoa
pozolanae a
escóriade
alto-forno(para modificar algumas propriedades) (Coutinho, 2006).
Figura 4: Clínquer a saída do arrefecedor (Coutinho, 2006).
A
moagem é efectuada em moinho de bolas idêntico aos da preparação do cru, numa operação que consome cerca de 40Yo da energia total do fabrico do cimento.Os
elementosfinos
produzidos
por
moagem tendem
a
diminuir muito
rapidamente orendimento desta operação. O aparecimento de elementos finos, embora desejado, aumenta a compacticidade da mistura
do
clínquercom
as bolas,diminuindo
a eficácia das mesmas. Épor
isso necessário eliminá-loso
mais rapidamente possível, à medida que se vão formando. Para a solução deste caso há dois tipos de moagem: emcircuito
aberto e emcircuito
fechado(ECC,
1994), apesarde
na Cimpor
em
Portugaljá
só
seutilizar a
moagemem
circuitofechado, uma vez que permite maior eficiência energética.
es
91f,(
ir
' Proccsso dc FahricoNa moagem em
circuito
abertoo
clínquer, juntamente como
gesso, é introduzido nomoiúo
que tem três compartimentos com bolas de aço de diâmetro sucessivamente menor, desde 60 a
80mm
no
primeiro
compartimento (116do
comprimento
do
moinho)
passandopor
um compartimento intermédio com bolas de 30 a 50mm até diâmetrosde
15 a 25mm noúltimo
(com metade do comprimento) (ECC, 1994).Na moagem em
circuito
fechado, os finos vão sendo extraídos do moinho à medida que se vãoproduzindo. Uma corrente de ar atravessa
o
moinho,
da entrada paÍaa
saída, arrastando as partículas mais finas, para um separador dinâmico, onde são classificadas: as finas vão para os silos de armazenamento, e as mais grossas voltam ao moinho (ECC, 1994).O
clínquer depoisde
arrefecidoe moído com
uma pequena percentagem de gessotoma
a designação de cimento.3.5. Ensilagem e expedição
Dos
moinhos
de
bolas,
o
cimento
passapara
grandessilos
de
armazenamentoe
daí
é distribuído , a gÍanel ou em sacosA
expediçãode
cimento pode serfeita
por
camião, comboioou
navio, de
acordocom
as respectivas disponibilidades.ffie
"ú
j;ffiil
ü
ur
Figura 5: Esquema simplificado da produção de cimento por via seca (Coutinho, 2006).
\
Rcactir irlarlc ckr ('línqucrI
l-Capítulo
4
-
Componentes
Principais
do
cru
e
do
Clínquer
Índice
4.1. Introdução
4.2. Componentes da matéria-prima
4.3. Componentes principais do clínquer 3.3. I . C:S
4.3.2. CzS
4.3.3.
CIA
4.3.4. C+AF
4.4. Cálculo dos componentes principais do clínquer 4.5. Reacções no processo de fabrico do cimento
4.5.1 . Secagem
4.5.2. Decomposição das argilas
4.5.3. Decomposição dos carbonatos
4.5.4. Reacções em fase solida
4.5.5. Reacções na presença de fase líquida
4.5.6. Reacções durante o arrefecimento
4.5.7. Presa, endurecimento e hidrataçáo
25 25 27 27 28 28 28 29 30
3l
3r3l
32 33 34 3599-e
Capítulo -1 Conrl'roncntcs llrincipais do cru c do clínqucr (Il a o o E E o o rftr (.}. L o o.I
o_ CaCO 1-(.) alrte l-(l', = g c () be lrte silica srlica de argila l-{ C Fe.O , 2()O 400 600 C..(A F 800 G.AF 1 000 1 200 1400 Tem peratura (oC)tivra
4.
Componentes
principais
do
cru
e
do
clínquer
4.L lntrodução
Os componentes da matéria-prima sujeitos à acção da temperatura vão sofrendo uma série de reacções químicas
e
vão-se transformando em diversos compostos como esquematizado no diagrama da figura 6 (Coutinho,2006).
C'aC'Oi C.ALC.ARIO silica SiOl AllOr H:O óxrdos de ferro Fe:O-r ÀRGIL,I
Figura 6: Esquema das transformações sofridas pelo cru até à sua transformação em clínquer (Coutinho, 2006).
4.2. Componentes da
matéria-prima
A
composiçãoda
matéria-primaé
obtida pela mistura
devidamente doseadade calcário
eargila que compreende: calcite: CaCO:; sílica: SiOz; minerais de argila: SiOz
-
AlzO:
-
HzO; e óxidos de ferro: FezOr (Coutinho 2006).E dificil
encontrar
na
naturezauma única rocha com
a
composição
ideal.
E
portantonecessário misturar diversos tipos de rochas, umas mais ricas em carbonato de cálcio, CaCOg (que posteriormente dá origem ao CaO) e outras mais ricas em SiO2,
AlzO:
e FezOr (Martins,1996; Alexandre, 2004).
l--:(
,7
7Tn
§fl1
.{ I{eae t ir itlatlc rio cl írttpit'r'
A
composiçãoda
matéria-prima deve sertal
que depoisde
perdera
âgluae
o
dióxido
decarbono
devido
à
elevada temperaturaatingida
no
forno,
tenhauma
composição química dentro dos seguintes limites:\+
CaO-
60a67%;
\+
SiOz-
17 a25%;\-+
AlzO:
- 3 a8oÁ;\+
FezO: - 0.5 a 60/0 (Coutinho 2006)Além
destes componentesprincipais,
a
matéria-prima
contém ainda metais
alcalinos,magnésio, titânio, fosforo e, eventualmente, sulfatos:
\-
MgO
- 0.5 a4oÁ;\-., K2o
e Nazo - 0.3 a 1.2%;r-
SOr - 2 a3.5oÁ (Coutinho 2006).É costume na Química do cimento, considerar-se a seguinte notação abreviada:
t+
CaO-
C;\+
SiOz-
S;\+
AlzOl
-
A;\+
FezO:-
F;\+
HzO-
H;\+ SO:-ü
\-f
MgO-
M.#g.'
s*
Capítulo-1 Conrl'roncntcs 1ll'incipais dtl cru e do clínqucr4.3. Componentes
principais
doclínquer
As
reacções químicasque
ocorrempela
acçãoda
temperatura,a partir
da
matéria-prima, levam à formação dos componentes principais do clínquer, os quais cristalizam em elementos mais ou meno s individuali zado s, enumerado s seguidamente :\-
Silicato tricálcico: 3CaO.SiOz (de 20 a 65%)-
C:S (alite);\-
Silicato bicálcico: 2CaO.SiOz (del0
a
55%)-
CzS (belite);\.
Aluminato tricálcico: 3CaO.AlzO: (de 0al5%)
-
CrA
(aparececl
mat. vítrea);\-
Aluminoferrato tetracálcicol.4CaO.AbO3.Fe2O3 (de 5 a l5o/o)-
C+AF (ferrite).- |.tr I -D
ç
t
c
Iá
t
lJ
/
rk-'L L .|firÀFigura 7: Aspecto esquemático dos principais componentes do clínquer. Cristais poligonais de alite com pequenas inclusões de belite, cristais arredondados de belite com estriação característica, e fase
intersticial de aluminato, ferrite e massa vítrea (Coutinho, 2006).
4.3.1. C3S
Os cristais de
alite
são poligonais,de
estrutura romboédrica, rectangularesou
hexagonais,com dimensões entre
l0
e 50pm(Figura 7). É
aprincipal
fase mineralôgicado
clínquer e é responsável pela resistência mecânica às idades jovens (Figura 8) (CimporTec, 2001).,{ Rcact ir idacle clo cl Írtt;ucr
4.3.2. CzS
A
belite
é
constituída
essencialmentepor
silicato bicálcico
P. Os
cristais
apresentam estriações, a sua dimensão é da ordem de 30 pm. Os grãos não têm forma cristalina definida,são
arredondados, amarelados,mais
ou
menos
escuros(Figura
D.
É
responsável pela resistência mecânica às idades avançadas (Figura 8) (CimporTec, 2001).4.3.3. CsA
O
aluminatotricálcico é
um
material
semcor,
comoo vidro, e
aparece como material de enchimento entre os grãos de alite e de belite, em simultâneo com uma massa vítrea (Figura 7). E uma fase importante do clínquer para a obtenção da fase líquida. Reage com os sulfatos e influência a resistência nas primeiras horas (Figura 8). E o primeiro a hidratar-se e é devido à sua elevada velocidade de hidratação que se adiciona gesso ao cimento pararetardar a presa(CimporTec, 2001).
4.3.4.
CIAF
A
ferrite,
que ocoÍre entre os cristais dealite
ebelite
(Figura7),
reconhece-se pela sua cor amarelo-alaranjada,é
constituídapor
soluçõessólidas entre
um
ferrato
bicálcico
e
um aluminatobicálcico
e na qualo
aluminoferrato tetracálcico (CaAF) éum ponto
de especialimportância.
A
esta solução sólida chama-se fase ferrítica. Pode dizer-se que, praticamente, não influencia as resistências do cimento (Figura 8), contudo é a responsável pela cor cinzenta do cimento, pelo que o cimento branco não contém ferrite (CimporTec, 2001).e*
Capítulo -1 Cortrl'rorrcntcs prirrcipais do cru t: do clínqucr ao C,S 60 C:S crA 7 2A 90 lao 36q ldadê (daas)Figura 8: Contribuição dos compostos hidratados individualizados para o desenvolvimento da resistência do cimento (Coutinho, 2006).
4.4.
Cálculo
dos componentesprincipais
doclínquer
Actualmente existem vários métodos para determinar a composição de fases do clínquer, tais
como
métodosde
difracção
de raios
X,
microscopia
óptica,
microscopia electrónica devarrimento, dissolução selectiva, análise termo-gravimétrica e
o
método de Bogue (que é um método de cálculo enquanto todos os outros são métodos de análise). Entre os tradicionaismétodos, este último tem sido o mais usado.
Com o objectivo de
simplificar
o cálculo dos componentes principais do clínquer considera-se queo
clínquer arrefecido corresponde à composição de um estado de equilíbrio total entre os componentes cristalizados como se as temperaturas se mantivessem constantes. Desta forma pode determinar-se a "composição deBogue"
apartir
da quantidade de óxidos determinadapor
análiseno raio
X
(Coutinho,
2006).O
método de Bogue permite assimcalcular
esses mesmos componentes a partir das seguintes expressões:C:S
:
a.07(CaO)-
7.60(SiO2)-
6.72(Alz0r)
- 1.43(FezO:)
tCzS
:
8,60(SiOz)+
1,08(Fe2O3) + 5,07(AlzOr)-
3,07(CaO)
zCrA:
2.65(Al2q)
- 1.69(Fe2O3)
3C+AF:3.04(FezO:)
4 40 20 -(o-n=
(_) .E o C' CT E o () -(§ Íg o C, :(L) a -a or t. o 29\
l(cactir irlaclc rlo clínrluerEste método
tem
algumas limitações comoo
facto
de considerar quetodo
o
clínquer estácristalizado, não f,rcando nenhum material vítreo após arrefecimento e também considerar que
os compostos formados são puros, sem inclusão de elementos menores. Contudo este é um
método
bastante
rápido
e
simples
e
quando
a
produção
de
elementos menores
é aproximadamente constante é também bastante efrcaz.4.5. Reacções no processo de
fabrico
doclínquer
As
reacçõesprincipais
do
processo
de
produção
de
clínquer
dão-se
a
determinadas temperaturase em
condições específicas, havendo necessidadede
fornecimento de energiapara
que
as reacções endotermicas possamocoffer.
Há no
entanto reacçõesque
libertamenergia (exotérmicas), mas estas só
ocoffem
a temperaturas elevadas.A
tabela
I
evidencia sucintamente as referidas reacções(Martins,
1996; Alexandre, 2004\.Tabela 1: Reacções principais na fabricação de clínquer (Martins, 1996; Alexandre, 2004).
Temperatura ("C) Processo Até 100 Até 450 500
-
600 700-
900 900-
1200 1200-
1280 1 280 1280-
1 330 1330-
l4s0 1300-
150Evaporação da água liwe (seca a mistura de calcário e argila) Evaporação
M
âg,ra adsorvida nos componentes da matéria-primaDesidroxilação dos materiais argilosos
Decomposição dos carbonatos e formação dos óxidos
Reacção do CaO com os alumino-silicatos Início da formação da fase líquida
Formação de CzS
Continuação da formação de fase líquida e formação de CrS
Crescimento dos cristais de C:S e CzS
Arrefecimento: cristahzação da fase líquida
CrrPitulo -l ( t'rrrn,rncntes P:-ineillirir tlo çru c tlo elitlqr.tcr
4.5.1. Secagem
Na
secagem das matérias-primas dá-se a evaporação da humidade. Existem diversos tipos de humidade nas matérias-primas:*.
Águaliwe
presente na superficie dos grãos do material;t-
Água capilar, que enche as zonas ocas da sua estrutura;\.
Agua adsorvida na superficie do material.A
libertação da humidade dá-se em grande parte durante a moagem e na zona mais alta datorre de pré-aquecimento (Martins, 1996; Alexandre, 2004).
4.5.2. Decomposição das argilas
A
primeira
transformação que ocorreé a
decomposição das argilase
micas entreos
500 e600'C. Por exemplo,
Al4[@H)B.SiQruJ6)
-+ 2Al2Oj(s)+
4SiO2(s)+
4HzO(l)
1As
espécies transformam-seem
minerais mais
simples,
pouco
cristalinos,
com
maior superficie específica e consequentemente com maior reactividade(Martins,
1996; Alexandre, 2004).4.5.3. Decomposição dos carbonatos
A
decomposiçãodos
carbonatosinicia-se
a
cercade 700'C
nos ciclones
superiores. Porexemplo,
MgCO
j(s)
e
CaCOj(s) -» MgO(s) e CaO(s)+
COz(d
2O
dióxido
de carbono (COz) é arrastado pelos gases do forno, sendo posteriormente libertadopara
a
atmosfera. Este eum
dos problemas apontadosà
indústria cimenteira porque libertaeste gás não tóxico mas prejudicial para a atmosfera pelo efeito de estufa.
\ l(eliitir rrllrrir' rl,' ulrrrrlrrer
O
grau de descarbonatação varia directamente com a temperatura, como evidenciao
gráficoda figura 9. 600 700
800
900 Temperatura (eC)§
o rÍo (J| íg P íE C o -o (! L) o ! o E l (o(,
120 100 80 60 40 20 0 1000 1100Figura 9: Variação do grau de descarbonatação com a temperatura.
A
seguir à torre de pré-aquecimento existe azona de transição do forno onde a calcinação e aformação
da
faselíquida se
sobrepõem.Algumas
partículasmais finas
ou
expostas maisfavoravelmente aos gases quentes
do forno
na camada superficialdo
material, podemjâ
ter
atingido
a
calcinação completae
começama
reagi
com
o
silício, alumínio e ferro
da faselíquida.
Por
suavez,
paraoutras
partículasa
calcinaçãonão
terá
ainda terminado,
não havendo ainda formagão da fase líquida(Martins,
1996; Alexandre, 2004).4.5.4. Reacções em fase sólida
A
formação de CzS é uma reacçãono
estado solido e a sua eficácia depende da difusão dos iões através da estrutura cristalina.2CaO(s)
+
SiOz(s)-+
C2S(s)
3É aquando desta transformagão que se revela a eficiência da moagem e da homogeneidade das matérias-primas,
uma
vez que quanto mais facilitadas forem as colisões entre as partículas,$g
( rPilul,' -1 ( t,rrr|onr:nter Princiltaii tltr et'tt c t|r c1111rr.,a,'Na
zona de clinquerizaçáo, onde ocorre a fasefinal
de formação dos compostos de clínquer, as fases instáveis comoo
CsAr eo
C+Az transformam-se em fases estáveis comoo
C3A e o C+AF(MaÍins,
1996; Alexandre, 2004).4.5.5. Reacções na presença de fase
líquida
Apenas cerca de 20oÁ da materia-prima funde, os restantes 80% reagem
no
estadoúlido.
A
fase líquida
do
clínquer forma-sepor
fusão dos aluminatos e ferritos e é bastante importante para a formação do CIS e igualmenteimportanteparaa
formação da crostal.A
formação de CIS pressupõe a existência de CzS, CaO e fase líquida, como se podeverificar
pela equação 4,CaO(s)
*
Os6i"*3"*rr,
(r)
4A
velocidade desta reacção depende de diversos factores, nomeadamente:\+
Distância
de
difusão
de
CaO
através
da
fase líquida (onde está evidente
a granulometria e homogeneidade da matéria-prima) ;\.
Faselíquida
(dependente da composição das matérias-primas,mais
especificamentedo seu módulo silicioso2);
\-
Viscosidade da fase líquida.(Martins,
1996; Alexandre, 2004)I A crosta é uma camada protectora que se forma sobre o revestimento de refractário na zona de sinterização, onde o papel da fase líquida do clínquer é ser o "agente colante".
2
O modo silicioso (MS) é uma relação percentual enEe alguns componortes das principais fases do clínquer, MS:SiO2(AlzOr+FezOr) (Coutinho, 2006).
.\ Ileactir itlirtle tk, clintlLrcr
eü:
4.5.6. Reacções
durante
oarrefecimento
Durante
o
arrefecimento ocorre a consolidação da alite na fase cristalina e a cristalização da fase líquida para formar os aluminatos, oferrito
e o sulfato.Se o arrefecimento for rápido o que acontece é o seguinte:
\-)
A
formação de pequenos cristais deCtA
e C+AF homogeneamente misturados;\-
A
SiOz mantém-se em solução sólida;\.
O MgO faz
parteda
solução sólidaou
forma-seem
cristaismuito
pequenos, logodificulta
a sua hidratação evitando a expansibilidade do cimento;q
Impede a decomposição da alite em belite(Martins,
1996; Alexandre, 2004).Porém se o arrefecimento for lento:
\.
Formam-se gtandes cristaisde
CIA
e
C+AFe muito
separados (não homogéneos),dificultando a moagem do clínquer;
\-
Forma-se CzS e callivre
(CaOw) secundarios apartir
da decomposição do C3S, comose pode ver na seguinte reacção,