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Arquitetura escolar edificações dos prédios da educação infantil

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Academic year: 2021

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UNIJUI – UNIVERSIDADE REGIONAL DO NOROESTE

DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL

DHE – DEPARTAMENTO DE PEDAGOGIA

JÉSSICA KAPPER PADOIM

ARQUITETURA ESCOLAR

EDIFICAÇÕES DOS PRÉDIOS DA EDUCAÇÃO

INFANTIL.

Ijuí - RS 2015 2

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JÉSSICA KAPPER PADOIM

ARQUITETURA ESCOLAR

EDIFICAÇÕES DOS PRÉDIOS DA EDUCAÇÃO

INFANTIL

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado como requisito para aprovação na disciplina de Trabalho de Conclusão de Curso II, do Curso de Licenciatura em Pedagogia, da Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul.

Orientadora: Prof.ª Drª Noeli V. Weschenfelder

Ijuí – RS 2015

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Dedicatória

Dedico este trabalho de conclusão de curso aos meus pais, Paulo e Tenisa que sempre estiveram ao meu lado, incentivando, dando força e me apoiando na busca dos meus objetivos.

Ao meu namorado que se manteve firme ao meu lado neste período intenso de pesquisa e escrita.

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Agradecimentos

A minha família que nunca se negou em me ajudar quando era preciso.

As professoras do Curso de Pedagogia, em especial a minha orientadora, professora Noeli, que me ajudaram na construção deste trabalho.

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Resumo

Este trabalho tem como ponto de partida a minha vivência e experiência em escolas estaduais, municipais, creches de Educação Infantil. Durante a minha caminhada profissional de professora formada no Curso Normal – Magistério, tive a oportunidade de vivenciar escolas diferentes, bem como fazer parte deste ambiente. Foi então que despertou a ideia de procurar entender melhor estes ambientes de ensino, quanto a sua diversidade estrutural.

Procurei manter a pesquisa no foco inicial que é os prédios das escolas, a sua estrutura física e encontrei dificuldade em começar a escrever sobre este assunto, pois na área da educação não tem muito material que fale sobre as edificações dos prédios das escolas de educação infantil.

Durante a elaboração deste trabalho descobri fatos importantes para a história das primeiras escolas no nosso País, informações na qual não imaginava que fossem relevantes para a história das escolas no Brasil, muitas das escolas chegaram ao que são hoje pelo fato de que Manoel Alvarenga e João Pinto que reivindicaram pela criação do primeiro prédio escolar, em 1870, de lá para cá as escolas no Brasil foram crescendo e hoje existem muitas escolas espalhadas pelo País.

Para a realização deste trabalho retornei as escolas em que passei, para entender como realmente elas eram, pois na época em que trabalhei tinha detalhes que não procurava entender, que a partir das leituras essas curiosidades foram sendo despertadas.

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6 SUMÁRIO RESUMO...5 METODOLOGIA...7 INTRODUÇÃO...10 1.PONTA PÉ INICIAL...12

2. ARQUITETURA ESCOLAR, ORIGEM DAS PRIMEIRAS EDIFICAÇÕES DOS PRÉDIOS ESCOLARES...15

3. CONHECENDO UM POUCO DAS ESCOLAS OBSERVADAS...20

3.1. INSTITUIÇÃO I...20

3.2. INSTITUIÇÃO II...22

3.3. INSTITUIÇÃO III...23

3.4. INSTITUIÇÃO IV...26

4 AVALIAÇÃO DAS INTITUIÇÕES I E II...29

5 AVALIAÇÃO DAS INTITUIÇÕES III E IV...33

6 SE NÃO TEM ESPAÇO,INVENTA-SE O ESPAÇO, SEM QUERER TERMINAR...46

7 CONCLUSÃO...50

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Metodologia

Para que esta pesquisa fosse realizada foi necessário mapear e realizar as escolhas teóricas – metodológicas que serviram de apoio e orientação nesta atividade investigativa sobre a organização do espaço físico nas creches e nas escolas de Educação Infantil. Assim, delimitou-se um possível percurso metodológico que serviu de referência para a organização inicial desta investigação.

Inicialmente pesquisou-se o universo teórico sobre este eixo temático, assuntos mais gerais, mais amplos, e por meio de leituras, estudos e análises das bibliografias referentes chegou-se a ideia de aprofundar o conhecimento sobre o espaço físico escolar, as necessidades demonstradas pelas crianças de 0 a 6 anos.

A ideia inicial era de procurar conhecer a realidade das escolas de dois municípios e através delas entender como elas funcionam, quais as prioridades, se estão de acordo com as normas que o Estado/Município propõe, se tem conhecimento sobre a LDBEN/98 e sobre as Diretrizes Curriculares Nacionais para Educação Infantil, se as crianças e pais (ou responsáveis) tem conhecimento (clareza) de como é a educação – forma de ensinar proposta nesta escola em que seu (a) filho (a) está matriculado.

Deste modo, pesquisou-se inicialmente o universo das crianças, ouvindo cada uma delas, conversando, interagindo, procurando conhecer e entender cada um dos sujeitos entrevistados. “ouvir os sujeitos infantis é algo novo em sua pesquisa” que serve como complemento na teoria (Schmitz, 2012, p. 25).

A entrevista com as crianças deu-se de modo simples, foi através de uma conversa, utilizando a rotina da turma como base, pois as crianças menores, acabam ficando envergonhadas com a presença de uma pessoa estranha e não se soltam, acabam guardando para si as respostas das perguntas feitas. Então, durante a rodinha da turma as professoras titulares questionaram as crianças com a seguinte pergunta: o que eles gostariam que tivesse na sua escola?

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As respostas foram das mais variadas desde desejos, que para nós adultos consideramos simples, mas para as crianças possuem um sentido imenso. No decorrer desta pesquisa irei ocupar estas falas das crianças.

Ao encerrar a pesquisa empírica organizou-se um momento coletivo com as turmas para socializar as respostas da pergunta feita alguns dias atrás. Este momento deu-se através de fotografias da escola que foi feita a pesquisa, e de outras escolas, que apresentassem os desejos das crianças relatados anteriormente.

As imagens coletadas por mim foram levadas num pen drive, onde foi repassado para as crianças através do Datashow, isso aconteceu durante a rodinha, que é um momento de troca de vivências entre educadora e educandos. Segundo Lucileia Belter (2013),

“a rodinha aos poucos foi se tornando um espaço de relações de amizade, respeito e confiança, em que era possível falar e ser ouvido, potencializando trocas de experiências e vivências entre as crianças e professora. Sendo este um espaço de confiança para o diálogo entre os sujeitos, precisou ser construído aos poucos e o caminho foi o convite para a participação.” ( Lucileia Belter p.40)

A cada foto observada, surgiam mil comentários e várias ideias pipocavam das mentes das crianças, dava pra ver nos olhinhos de cada um deles se imaginando num lugar como os das imagens apresentadas. As imagens demostravam um ambiente oposto ao que frequentam, pois nestas fotos aparecem seus desejos ouvidos anteriormente.

Cada pesquisa possui um caráter único, tem uma repercussão, às vezes servem para parar, pensar, discutir e procurar entender o que se passa neste lugar.

Para manter o respeito e o sigilo quanto às normas éticas da pesquisa, preservou-se a identificação nominal do município, das instituições, e dos sujeitos pesquisados. Segundo a autora Lenir Luft Schmitz (2012),

“sabe-se que muitos pesquisadores têm questionado está concepção sigilosa de pesquisa por apostarem na possibilidade de se garantir a autonomia e o respeito dos sujeitos pesquisados concedendo-lhes o direito de expressarem sua identidade, se isso não comprometer sua integridade física e moral.” (p.25/26).

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Assim, foi mantido o nome fictício para identificá-los, por perceber que este seria o procedimento mais utilizado, embora não se possa deixar de comentar o surgimento de algumas correntes que levantam a possibilidade de se repensar a valorização da verdadeira identidade dos sujeitos pesquisados.

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Introdução

No decorrer da minha profissão, deparei com uma situação que me fez refletir sobre o ambiente escolar. Por acompanhar a mudança de uma escola de Educação Infantil que tinha um espaço delimitado para as suas práticas, para um espaço próprio e reestruturado, para acolher as crianças de turno integral, e por estar trabalhando em uma escola que pouco segue os requisitos básicos da Educação Infantil, fez com que uma dúvida surgisse como pode acontecer isso nos dias de hoje? Segundo a autora Dóris Kowaltowski (2011 p 12)

O ambiente físico escolar é por essência, o local do desenvolvimento do processo de ensino aprendizagem (...) assim a discussão sobre escola ideal não se restringe a um aspecto seja de ordem arquitetônico, pedagógica ou social: torna-se necessária uma abordagem multidisciplinar, que inclua o aluno, o professor, a área de conhecimento, as teorias pedagógicas, a organização de grupos, o material de apoio, e a escola como instituição e lugar. (2011, p 12).

A escola é um espaço que muitas crianças passam a maior parte do dia, enquanto seus pais e mães trabalham para garantir o sustento da família. As crianças necessitam ficar na creche, mas para que isso ocorra é importante que a escola esteja estruturada, tanto fisicamente quanto profissionalmente.

A creche é um espaço de vivências entre meninos e meninas de 0 a 6 anos de idade, é na escola que muitas delas aprendem a ter autonomia, a ir ao banheiro, a comer, a trocar de roupa, a dormir, mas como isto será possível se a grande maioria das escolas não dispõe destes cuidados básicos? Sem uma estrutura que abranja as necessidades apresentadas pelos seus educandos?

Esta pesquisa tem por objetivo tentar entender o porquê da carência das escolas infantis em oferecer conforto para as crianças? A organização dos espaços para acolhê-las de maneira carinhosa e confortável em espaços para que realmente, ocorra o desenvolvimento infantil dos seus sujeitos? Ou seja, por que as Escolas Infantis tem os espaços que tem?

Espaços que não queimem etapas, fazendo com que as crianças se tornem parte deste ambiente, que por direito também é delas, tentando compreender a existência dessas escolas/casas, bem como a história deste tipo de estabelecimento de ensino.

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O ambiente onde vivemos é muito mais do que um ambiente físico, ele possuí características específicas dos sujeitos que ali residem, histórias de vida de cada um, e estas vivências/experiências formadoras no cotidiano das escolas infantis constroem nossas histórias de vida. Nossos amigos são pessoas que escolhemos, por serem parecidos conosco ou não, criamos um vínculo pessoal afetivo e duradouro com essas pessoas e até mesmo com os objetos que nos cercam, de certa forma estes sujeitos fazem parte de nós, assim como a escola faz parte da vida das crianças. Com ele criamos laços de afinidades, é eles que nos definem, fazendo-nos sentir a segurança e a profunda satisfação de pertencer, realmente, a um grupo. Com as crianças é a mesma coisa.

Neste longo percurso da história do atendimento à infância, pesquisas e práticas vêm buscando afirmar a importância de se promover uma educação de qualidade para todas as crianças, o que envolve diversos aspectos do atendimento dentre eles o ambiente construído.

Dentre as necessidades dos usuários inclui-se o conceito de escola inclusiva, isto é, ambientes planejados para assegurar acessibilidade universal, onde a autonomia e segurança são garantidas às pessoas com necessidades especiais, sejam elas crianças, professores, funcionários ou membros da comunidade escolar.

Busco um olhar mais sério de todos sobre a importância do espaço físico/ambiente construído no processo educativo. Essa conscientização demanda a formação de uma equipe interdisciplinar que envolva professores, arquitetos, engenheiros, profissionais de educação e saúde, administradores e representantes da comunidade, permitindo que os diferentes saberes e objetivos sejam por eles compartilhados.

A arquitetura escolar é objeto de reflexão e pesquisa onde a preocupação em sistematizar os conceitos e as estratégias do processo aparece como ferramenta de apoio à concepção da edificação escolar, dando ênfase do dimensionamento (tamanho) e aos padrões de habilidade dos processos de construção, respeitada as condições e especificidades locais e/ou regionais.

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1. PONTA PÉ INICIAL DA PESQUISA.

No decorrer da minha vida profissional, tive a oportunidade de trabalhar em várias escolas de Educação Infantil. Escolas públicas, escolas particulares, escolas municipais. Cada uma do seu jeito, da sua maneira, demonstrando o seu empenho em prol dos seus educandos.

Cursei o Ensino Fundamental em uma escola estadual que fica perto de casa. Uma escola pequena, localizada no interior. Depois de concluir o Ensino Fundamental era preciso dar mais um passo, o Ensino Médio. Por insistência de meu pai, fui realizar uma vontade dele, o Curso Normal – Magistério. Depois de formada iniciei minha vida profissional na escola do município onde residia e até hoje resido. Uma escola que sempre buscou atender os seus alunos de uma maneira acolhedora, onde cada educando pudesse participar das escolhas feitas na turma. As crianças tinham voz e vez. E também por atender crianças de todo o município, desde as mais pobres, até as que têm mais condições financeiras.

Neste meio tempo que estava formado no magistério, e que havia começado a trabalhar na escola do município, iniciei minha formação superior, prestei vestibular para o curso de pedagogia da Unijuí e passei. No início do outro ano, já estava cursando a tão sonhada faculdade.

Depois de um tempo trabalhando como estagiária na escola do munícipio comecei a trabalhar em uma escola somente de Educação Infantil, no município de Ijuí. Foi então, que descobri o que era realmente uma escola, onde a prioridade é a criança, o bem estar dela, durante o tempo que fica na escola. Nesta escola, as crianças ficam em turno integral, das oito da manhã, às cinco e meia da tarde, pois os pais trabalham no comércio.

Passado alguns anos, fui obrigada a desistir de trabalhar, o motivo era bem simples, o meio de transporte. Não tinha como ir e voltar para casa, seguindo os horários destinados por aquela escola. Os meses que fiquei sem trabalhar foram os piores que eu já vivi. É muito difícil uma pessoa que gosta de viver dentro da sala de aula, ensinar e aprender junto com as crianças, ficar de fora deste mundo maravilhoso que é a Educação Infantil. As crianças tem

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um poder mágico de prender as pessoas, para que sempre fiquem perto delas. Foi a partir deste momento que tomei uma decisão, vou voltar a trabalhar!

Consegui facilmente arrumar um novo emprego, em uma nova escola, mas nunca esquecendo o que vivi e aprendi na escola anterior. Nesta nova escola, encontrei uma realidade totalmente diferente do que eu tinha vivido alguns anos atrás. Mantive-me firme e não desisti na primeira semana. Durante as aulas da faculdade, trocava conversa com as minhas colegas e professoras, que sempre me disseram, não desista!

Foi a partir deste momento que surgiu a ideia de fazer o trabalho de conclusão do curso, a partir do que estava vivendo. Arquitetura Escolar: a

edificação dos prédios da educação infantil.

No dia a dia, de sala de aula, convivendo com as crianças, pude perceber suas necessidade para com o espaço destinado a elas. Em algumas escolas (que não vou citar nomes), não tem uma estrutura adequada para servir estes educandos. As crianças têm necessidades e elas precisam ser saciadas. É na escola que muitas dessas crianças passam o dia todo, pois os pais trabalham e não tem com quem deixar seus filhos, portanto, é na escola em que fica a maior parte do tempo, é lá que aprendem a se comportar, a comer a ir ao banheiro, a ter boas maneiras, enfim a se virar. Certas escolas de Educação Infantil não estão preparadas para cumprir com as obrigações.

As escolas-casas que existem na nossa região, ao meu olhar não tem espaço adequado para a pratica educativa com as crianças, como disse são espaços adaptados e não projetados para a Educação Infantil, para com as suas necessidades e prioridades quanto criança. Por exemplo, quando um casal resolver casar, além de pensar no casamento, eles pensam na sua casa, planejam a sua casa de acordo com os seus desejos , vontade e prioridades. Com a escola é a mesma coisa. Para construir uma escola é preciso reconhecer as crianças como prioridades, buscando entender e compreender suas particularidades.

Caminhando pelas ruas da cidade, e buscando olhar somente para as escolas de Educação Infantil, percebi que, muitas “escolinhas” (como

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costumam chamar) são inadequadas para as necessidades das crianças. Sei também que sem essas escolas mais acessíveis ao atendimento dos pais, em termos de custos e localização, teria muitas crianças menores de 5 anos sozinhas, ou pais que não poderiam estar trabalhando fora de casa.

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2. ARQUITETURA ESCOLAR ORIGEM DAS PRIMEIRAS EDIFICAÇÕES DOS PRÉDIOS ESCOLARES.

A arquitetura escolar significa um campo de investigação em construção na qual pretende contribuir com outras perspectivas de análise para a historiografia da escola no Brasil. Segundo uma visão mais abrangente, com noção de espaço escolar busca compreender os edifícios públicos de diversos ângulos, cultural, social, político e econômico. A implantação de uma rede de escolas públicas, desde os meados do século XIX, diz respeito a concepção da estrutura física básica que sustenta a politica educacional, ou melhor, o prédio escolar.

Rosa Fátima de Souza assinala que foi,

“partir dos meados do século XIX, no bojo do processo de constituição dos sistemas nacionais de ensino e de desenvolvimento do capitalismo, emergem diversos fenômenos constitutivos do desenvolvimento dos sistemas escolares, tais como a construção de prédios escolares, o surgimento de moderno mobiliário escolar e novos materiais de ensino”. (2007, p 163)

Para Luciano M.de Faria Filho e Diana G. Vidal “analisam a trajetória da escola pública no Brasil, desde os seus primórdios como as escolas-casas” que estas existem até os dias de hoje, procurando manter seu funcionamento, em longo prazo.

Para os autores, desde os anos 1793, ou até mesmo um pouco antes as escolas casas eram frequentadas por crianças, funcionavam nas próprias casas dos professores e mestres régios. Foi então, que por inciativa de dois professores régios Manoel I. S. Alvarenga e João M. Pinto, redigiram uma carta destinada a Rainha deste ano, no qual a carta reivindicava uma novidade, a criação de um espaço físico próprio para a escola pública. No entanto, este primeiro esforço foi em vão, pois não conseguiram alcançar seus objetivos logo de inicio. Mas, estes dois mestres régios não desistiram e continuaram a sua busca que anos mais tarde começou a sair do papel e tornar-se realidade. As primeiras edificações escolares, construídas pelo Estado Imperial, aconteceram somente a partir dos anos de 1870.

Segundo estudos realizados por José Carlos Peixoto de Campos, “as primeiras escolas expressavam uma imponência semelhante aos palacetes

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edificados pelos barões do café, numa perspectiva de escola-monumento, com grande visibilidade na paisagem urbana da Corte Imperial”.

Machado de Assis em 1840 no seu livro CONTO DE ESCOLA, descreve minunciosamente a cena urbana, “a mudança no “espaço rústico” para a

“construção de gentleman”, caracteriza de certa forma a partir do cotidiano escolar do personagem Pilar um processo histórico cujas bases se voltam para as transformações na economia imperial, já sob a égide do capitalismo, evidenciando as alterações na paisagem da cidade. Por outro lado, a passagem das casas-escolas para as escolas públicas construídas na Corte faz parte, também, do processo de urbanização característico das principais cidades no século XIX”.

De lá para cá, ocorreu muitas mudanças sofridas pelos prédios escolares. Alguns que ainda estão em funcionamento, obtiveram reformas na sua estrutura física, por ser uma construção antiga. Se observar bem as escolas mais antigas, elas não perderam o traço, a linha, dos detalhes das construções mais velhas, podem ter sofrido danos humano, ou com o próprio tempo, mas mesmo assim, são restauradas. Nos documentos, na história da escola está escrito a sua identidade que muitos diretores, coordenadores procuram preservar.

Tradicionalmente, as construções escolares seguem um Programa de Necessidades, previamente estabelecidos pelas Secretarias de Educação. A Constituição Federal de 1988 foi o primeiro grande documento a reconhecer a criança pequena o direito a educação em creches e pré- escolas.

Com a Constituição Federal de 1988, diz que a criança de zero a seis anos é percebida como sujeito de direitos e a Educação Infantil é vista como fundamental ao seu desenvolvimento. Contudo, é obrigatoriedade do Estado em oferecer creches e pré-escolas de boa qualidade previstas na Lei. Isso já não tem se mostrado um argumento suficiente para garantir esse atendimento a toda a população que o procura. A Constituição de 1988 associada à Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN), nº 9394, de 1996 evidencia a mobilização de esforços por guardar, proteger e assegurar à criança direitos básicos que, muitas vezes, devido à situações precárias de vida acabam sendo negligenciados, mas que têm sido reivindicadas há anos por vários segmentos da população.

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Pesquisando informações sobre a origem das primeiras creches no Brasil, encontrei uma monografia de mestrado da UNESP (Universidade Estadual Paulista Julio Mesquita Filho), redigido por Ana Carolina Machado Spda, onde ela realiza uma pesquisa sobre O Atendimento à Infância – o caso

da creche, onde aborda a Constituição Federal de 1988, como ponto de partida

para este projeto. Com a Constituição,

“as primeiras instituições voltadas ao atendimento da infância no Brasil tiveram seu início fortemente marcado pela ideia de oferecer “assistência” e “amparo” aos necessitados. Assim, as creches, por exemplo, estiveram durante muito tempo vinculado a instituições filantrópicas ou órgãos de assistência e bem-estar social, e não aos órgãos educacionais. O jardim de infância foi a primeira instituição pública de atendimento à criança criada no Brasil.”( ANA CAROLINA M. SPDA, p 2, 2004).

Durante sua pesquisa Ana, afirma que, um dos primeiros jardins de infância implantados no país foi criado no ano de 1896, como anexo à antiga Escola Normal do Estado, Caetano de Campos, localizada na cidade de São Paulo, com a finalidade de atender aos filhos dos trabalhadores, foram criados no ano de 1935 os primeiros Parques Infantis de caráter municipal, distribuídos em bairros de grande concentração de operários na cidade de São Paulo.

Estes parques estavam ligados ao Departamento de Cultura do município de São Paulo, tendo Mário de Andrade como principal idealizador, além de diretor. Nesse período, os parques atendiam a crianças de 3 a 6 anos e também as de 7 a 12 anos, sendo que essas últimas frequentavam a instituição em período oposto àquele em que frequentavam a escola regular. O atendimento oferecido à faixa etária de 7 a 12, anos tinha o intuito de assistir, educar e recrear as crianças. A partir da década de 1940, os parques infantis difundiram-se pelo Brasil.

Ana foi um pouco mais a fundo em sua pesquisa e constatou que,

“Os primeiros jardins de infância brasileiros receberam forte influência de Friederich Froebel, que preconizava o desenvolvimento de um trabalho sistemático com as crianças pequenas, fundamentado em jogos e brincadeiras, seguindo uma minuciosa rotina de atividades que tinham sobretudo um caráter disciplinador, visando promover uma boa formação moral.” (Ana Carolina M. Spda).

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Após a conclusão de um recente trabalho sobre as relações entre tempo e educação, Augustin Escolano descreve que o

“espaço – escola não é apenas um continente em que se acha a educação institucional, isto é, um cenário planificado a partir de pressupostos exclusivamente formais no qual se situam os atores que intervém no processo de ensino aprendizagem para executar um repertório de ações”.(ESCOLANO,1998, p 26).

Refletindo acerca de leituras, pode-se afirmar a partir das falas de Escolano, em que a arquitetura escolar é considerada um programa, uma espécie de discurso que instituí na sua materialidade um sistema de valores, como os de ordem, disciplina...

O espaço educativo refletiu e ainda reflete, para as inovações pedagógicas, tanto em suas concepções gerais, como nos aspectos mais técnicos. Os espaços educativos, como lugares, estão dotados de significados e transmitem uma importante quantidade de estímulos, conteúdos e valores do chamado currículo oculto. Escolano complementa esta ideia através da sua pesquisa em que

“a escola é um continente que gera poder disciplinar. A espacialização disciplinar é parte integrante da arquitetura escolar e se observa tanto na separação das salas de aulas (graus, sexos, características dos alunos) como nas disposições regular das carteiras (com corredores) coisas que facilitam, além disso, a rotina das tarefas e a economia do tempo”. (ESCOLANO, 1998, p27).

Os primeiros modelos de escola seriada, como as que R. Blanco inclui em sua obra de 1911, responderam justamente a esses critérios de planificação. Mais coerentes com as teorias arquitetônicas modernas, sustentavam que as pessoas e os objetos se relacionam precisamente através de sua separação no e pelo espaço, mas não somente isso, se mantinha entre o espaço escola, mas também a sua localização, a disposição ocupada no povoado, cidades ou vilarejos, tem de ser examinada como um elemento importante para o sistema curricular da instituição.

A arquitetura escolar pode ser contemplada também como suporte de outros símbolos acrescidos. O edifício escola, por exemplo, que serviu de estrutura material para colocar o escudo pátrio, a bandeira nacional, as imagens e pensamentos de homens ilustres , os símbolos da religião.

Em resumo a arquitetura escolar pode ser vista como um programa educador, como um elemento do currículo invisível ou silencioso. A localização

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da escola e suas relações com a ordem urbana das populações, o traçado arquitetônico do prédio, seus elementos simbólicos próprios ou incorporados e a decoração exterior e interior respondem a padrões culturais e pedagógicos que a criança internaliza e aprende.

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3. Conhecendo um pouco das escolas observadas:

“A escola deveria ser além de um lugar agradável, sombrio e limpo, com ar e luz”

Agustin Escolano (p 36)

3.1 Instituição I.

A Instituição I fica localizada em uma Vila pequena no interior de um Município. Saliento que ela é pequena em termos de quantidade de alunos, pois há anos o Estado vem querendo fechá-la por ter altos custos para mantê-la em funcionamento. A comunidade luta para manter a escomantê-la aberta para atender as crianças em idade escolar.

Esta escola faz parte da comunidade onde ela esta inserida. O terreno para a construção deste prédio foi doado por moradores da comunidade. Para chegar como esta na foto acima, ela foi construída em outros dois lugares, e a mais de 60 anos ela permanece no mesmo lugar, graças a um senhor que doou o terreno para a construção desta escola.

Isto só não foi possível por se tratar de uma Escola que também é da comunidade, e por isso foi feito um abaixo assinado para o não fechamento deste estabelecimento de ensino, pois é muito importante para esta comunidade.

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Conversando com a coordenadora pedagógica e a diretora (a escola não dispõem de serviço de vice direção, por não ter um número alto de alunos), elas me relataram da dificuldade que encontram todos os dias, pois a educação infantil desta pequena escola deveria ter mais recursos, maiores condições, a começar pelo espaço físico de sala de aula.

A Educação Infantil dispõem de um espaço de sala de aula totalizando 30m² e um banheiro apropriado para a idade de aproximadamente 3m², sendo atendidas duas turmas juntas o Pré A e o Pré B, com 20 crianças as duas turmas juntas.

O banheiro é composto por um vaso sanitário, uma pia, nada mais que isso. Antigamente não tinha este recurso, que só foi realizado pela ajuda dos pais do CPM (Círculo de Pais e Mestres) que realmente colocaram a mão na massa para que isso saísse do papel.

Em relado da coordenadora, fala das melhorias que precisam ser feitas para a Educação Infantil. O refeitório, os outros banheiros da escola, não é totalmente adequados a idade deles. A biblioteca há poucos anos foi adaptada com a ajuda dos pais do CPM, que construíram prateleiras mais baixas para facilitar o manuseio dos livros, bem como a criação de um cantinho de leitura, com tapetes e almofadas para as crianças. Pretendiam com isso atingir não somente da pré-escola, mas todos os alunos da escola, isto é ter um espaço aconchegante para a prática da leitura e manuseio dos livros que a biblioteca dispõe.

A pracinha não é somente para a Educação Infantil, mas sim para todos os alunos da escola, e em conversa com a coordenadora me relatou que estão fazendo um projeto para a melhoria deste local, manutenção dos brinquedos, troca de arreia, e troca da grade que cerca este local pois com o passar do tempo foi se danificando.

A escola disponibiliza em seu patrimônio um campo de futebol, uma quadra de arreia e uma quadra para a prática da educação física. Também as crianças da Educação Infantil uma vez por semana vão, até a sala de informática aprender a manusear os computadores, a desenhar, e a jogar

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algum joguinho desde que seja pedagógico. Para este recurso as crianças da escola pagam R$2,00 por mês pela internet.

Quando perguntei da atividade que é feita nos dias de chuva, a coordenadora logo respondeu que são realizadas as brincadeiras dentro da própria sala de aula, ou vão ao pavilhão da escola. Às vezes é trocado a atividade proposta adequando outras tarefas para os dias de chuva.

3.2. Instituição II

A Instituição II foi fundada no dia 03/3/1966, recebendo como primeiro nome Escola Municipal Estado do Piauí, localizada no Rincão dos Costa Beber, no 4º Distrito de Ijuí. No dia 25/02/1968 houve a troca de nome.

Com a emancipação do município, a escola transferiu-se para novo prédio inaugurado no dia 15/02/2004. Atualmente, a escola atende crianças de 4 a 11 anos de idade, nas turmas de Pré I e II, 1º Ano, 2ºAno, 3º Ano, 4º Ano e 5º ano.

A referente escola conta com um prédio próprio, projetado arquitetonicamente para as necessidades das crianças de 4 a 11 anos de idade. Dispõe de duas salas para a Educação Infantil totalizando 100m² (as duas juntas). Os banheiros são adaptados para a idade.

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Quando questionei sobre o espaço destinado a essas crianças, se é suficiente para a exploração do ambiente interno de sala de aula, sem hesitar, senhor secretário da educação, disse-me que como a escola foi planejada, foi pensado nestes detalhes e ele acredita que seja o suficiente para os alunos. Além deste espaço interno de sala de aula, as crianças contam com mais benefícios, como a biblioteca, a sala de informática, a pracinha, o pátio, o pavilhão e o ginásio de esportes que fica do lado da escola.

A biblioteca ressalta o secretário, este ano passou por inovações, realizou a compra de livros diferenciados, livros de pano, de plástico, livros com fantoches, e de estantes menores para facilitar o acesso dos alunos, bem como um cantinho para a prática da leitura e mesas para realizar pesquisas.

Já o pavilhão encontrado nos fundos da escola, dispõe de brinquedos como: cama elástica, piscina de bolinhas, materiais para a prática da educação física. Possui também um espaço para sessões de cinemas e festas proporcionadas pela escola como festa junina, festas de aniversários, entre outras.

As crianças têm aula de informática uma vez por semana, bem como trocas de livros, aulas de literatura e hora de conto.

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A INSTITUIÇÃO III funciona em uma antiga casa, adaptada para ser escola. É uma escola de categoria privada – particular, que tem convênio com o poder público municipal. A mantenedora da escola privada é a empresa, grupo empresarial do setor privado ou pessoa física.

Na escola tem cerca de 80 crianças na idade de seis meses a 5 anos, está dividido em cinco turmas: Berçário I e II, Maternal, Pré A e Pré B. Muitas dessas 80 crianças precisam ficar na escola em turno integral, por ter os pais que precisam trabalhar o dia todo, então, a escola abre as portas às 7:00 da manhã e fecha somente às 18:30 da tarde.

De manhã as crianças ficam juntas, independente da idade, sob supervisão de uma professora e da diretora. Já no turno da tarde, são separadas pelas idades e cada criança tem sua sala de aula bem como sua professora.

A infra estrutura apresentada pela escola é precária, desde o tamanho pequeno das salas de aula até os banheiros, que não dispõem de um para os meninos, um para as meninas e um para as professoras. São dois banheiros coletivos, tendo somente um banheiro adaptado para as crianças menores.

A cozinha é pequena e a comida vem pronta, de uma empresa que faz somente viandas e almoços por encomendas. As crianças almoçam no hall de circulação da escola. Para a hora do almoço é colocado duas mesas redondas: uma para os meninos, outra para as meninas.

A escola não conta com um espaço destinado ao soninho, este funciona dentro de uma sala de aula com colchonetes colocados para este momento, quando acordam, cada um recolhe o seu e guarda, em outra sala.

A pracinha fica ao lado da escola, perto do portão de circulação. Uma vez tinha areia, mas como ao redor da escola tem casas de moradores e alguns gostavam de criar gatos, os animaizinhos pulavam o muro e faziam suas necessidades na areia da pracinha, e isso não faz bem a saúde das crianças, e também algumas eram alérgicas a areia e não podiam brincar como seus colegas, além dos problemas de saúde que a urina dos animais podem causar. Então, por decisão mais prática e saudável foi retirado a areia e colocado pedrinhas bem miudinhas.

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Como é uma escola pequena, não tem uma sala destinada ao funcionamento da biblioteca, e sim um armário com livros para que cada professora leve para a sala, para o manuseio das crianças.

Quando perguntei, o que fazem nos dias de muito frio e de chuva, a diretora me respondeu, ficam na sala de aula, a escola não dispõe de ambiente, que seja coberto, somente a pracinha.

Durante um final de tarde quando as crianças da turma do pré A estavam brincando na pracinha conversei com algumas delas para saber a sua opinião sobre a escola. Teve uma menina de 5 anos que ela me respondeu que gostaria muito que tivesse uma casa na árvore. Continuei conversando com outras crianças e observando eles brincarem. A pracinha fica em baixo da sombra de várias árvores, e essa turma adora brincar de subir nestas árvores, usando seus galhos como escadas, fiquei imaginando uma casinha no alto de uma dessas árvores o quando eles não iriam amar, poder subir e olhar as coisas de lá de cima.

Muitos meninos queriam uma pista para andar de bicicleta, ou de skate, porque aqui na escola não tem espaço para fazer nada disso, nem de jogar bola, comentou outro menino.

Fiquei muito pensativa quando fui embora desta escola. Fiquei pensativa no que as crianças haviam me falado, sobre as coisas diferentes que gostariam que a escola tivesse para eles brincarem. Pedidos simples de serem atendidos, basta conversar com a diretora e com o coordenador pedagógico.

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3.4. Instituição IV

A imagem desta escola para ficar ao que é hoje passou por várias situações. Este prédio foi restaurado recentemente no início do ano de 2014. Hoje atende cerca de 120 crianças, na faixa etária de 2 a 5 anos.

Esta escola existe no país desde os anos de 1998, ele é uma instituição privada com característica de pública.

Em conversa com a coordenadora, relatou, que foi um longo caminho para que a escola chegasse onde é hoje, antigamente ela funcionava dentro do prédio de uma empresa em que faz parte. Era um espaço limitado para a Educação Infantil, as salas eram pequenas, a sala do soninho era apertada para acomodar todas as crianças, pois é uma escola infantil de turno integral, que na época atendia somente 70 crianças divididas em quatros turmas. Turma A e B 15 crianças (2 a 3 anos de idade) e Turma C e D 20 crianças (4 e 5 anos).

Hoje, a escola conta com um espaço maior para atender a Educação Infantil e as necessidades dessas crianças. Esse prédio não foi construído, planejado arquitetonicamente para ser escola, pois antes ele era uma pizzaria. Passado alguns anos pelas mãos de arquitetos, que transformaram este antigo estabelecimento em uma escola de Educação infantil adequada.

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Em relato da coordenadora, conta que o espaço que é destinado às crianças é suficiente, pois eles não contam somente com o espaço do prédio escolar, mas sim, com o prédio e o pátio da empresa que esta ligada a esta escola, fica uma quadra de distância, e é possível sempre que desejar, fazer alguma atividade extra classe, onde visitam seu antigo estabelecimento.

As salas de aula tem tamanhos variados, a sala da turma 1 tem 53,62 m², a sala da turma 2 tem 44,16m², a sala da turma 3 tem 43,66m², essas três salas ficam na parte inferior do prédio que é composto de dois andares.

No segundo andar ficam as salas 4, 5, 6 e a sala do soninho. A sala das turmas 4 e 5 tem 53,11m² cada uma, já a sala da turma 6 é a menor que tem 42,47m², pois ao lado dela fica a sala do soninho e a sala de vídeo.

O espaço total desta escola, - incluindo a pracinha o campinho de futebol, as duas salas do multiuso e o estacionamento - tudo junto somam 103,72m².

Os educandos desta escola podem desfrutar, além dos itens que comentei acima, a sala da brinquedoteca, no qual têm livros em estantes baixas e brinquedos, mesas e cadeiras, folhas, livros, canetas e giz de cera. Também tem quadros negros pequenos para que os educandos realizarem desenhos, “enfeitando o ambiente”, se tornando parte, e compartilhando suas vivências fora da escola com os colegas que ali ficam.

Os banheiros disponibilizam de vaso sanitário menor, bem como balcão, pia, torneira e espelho na altura das crianças menores de 2 anos. Cada banheiro também tem dois espaços com chuveiro, e três vasos sanitários. Banheiro masculino e feminino. Isso nos dois andares do prédio.

O prédio conta com um elevador interno para as crianças portadoras de necessidades especiais, principalmente cadeirantes, bem como banheiro adaptado para esta necessidade nos dois andares.

A cozinha é um espaço grande com mesas e bancos na cor clara, onde duas turmas podem fazer a refeição no mesmo tempo. No meio da cozinha fica o bifê e as próprias crianças são ensinadas e educadas a se servirem

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sozinhas, mas sempre com a supervisão da professora ou da auxiliar. Salienta-se que a autonomia é trabalhada e, constantemente, as crianças são convidadas a se servir, já é uma rotina.

Já no espaço externo as crianças desfrutam mais, pois tem a pracinha, o campo de futebol, o gramado, o estacionamento (este é fechado com grades e portão eletrônico) as crianças gostam de levar brinquedos e inventar brincadeiras. Neste ambiente as duas salas do prédio de multiuso, que é mais destinado aos dias de chuva e de muito frio, e quando tem alguma programação diferente dentro da escola.

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4. Avaliação das instituições I e II

As Instituições I e II desta pesquisa possuem características parecidas, as duas têm a Educação Infantil e mais turmas do Ensino Fundamental.

A INSTITUICÃO I é uma construção antiga, seu ensino abrange não somente a Educação Infantil vai até o 9º ano do Ensino Fundamental. Cabe ressaltar que a turma da Educação Infantil vai para a escola somente no turno da tarde.

Analisando somente a sala da Educação Infantil, podemos considerar, que em termos de espaço físico para a prática de atividades é inferior ao apresentado pelas DCNEI e pela legislação vigente.

Ao entrar pela porta da sala de aula, pode enxergar as mesas distribuídas pelo espaço de circulação da sala de aula, ao fundo uns armários e um painel sobre os animais do fundo do mar – projeto que a turma estava estudando no período da visita, a porta do banheiro e a mesa da professora.

A sala de aula apresenta quatro janelas de madeira, com vidros e persianas também de madeira que quando fechadas deixam a sala de aula escura. As janelas são retangulares, ficando a parte estreita para baixo e a parte alta para cima, sua altura do chão é de 1,10 m, impossibilitando aos educandos olhar para fora sem o auxilio de uma cadeira. As janelas não possuem grades ou redes de proteção. Cada janela tem uma cortina de tecido, duas na cor branca e duas com desenhos infantis.

As mesas e cadeiras são de madeira, forradas com acrílico na cor verde claro. São três mesas redondas baixas, apropriadas para a Educação Infantil. As cadeiras também acompanham a mesma cor e material usado nas mesas. A sala de aula conta com algumas partes de armários que certamente eram usados em outro ambiente e vieram para esta sala. Eles ocupam uma parte da parede lateral, servindo para esconder uma antiga porta, que hoje não é mais ocupada.

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Ao fundo da sala, embaixo das janelas, tem um tapete com almofadas, certamente é o lugar da rodinha, da conversa entre educandos e educadora.

Em um lado da parede da sala fica os “ganchos” e em cima deles os nomes das crianças, pois é ali que cada um quando chega guarda a sua mochila. Paralelo a isso, tem outros ganchos lá ficam expostos os trabalhos realizados pelas crianças.

As paredes são construídas de tijolos maciços, rebocadas com cimento e pintadas com tinta. O forro da sala é de madeira, mais precisamente tábuas de pinus, pintadas na cor cinza, as paredes tem duas cores. Começando pelo chão até uma altura de 40 cm é pintado na cor cinza, como se fosse um rodapé, - deve ser porque suja mais facilmente - e o resto esta pintado na cor branca. Os marcos e as janelas são pintadas na cor azul Royal.

A iluminação deste ambiente é feito a partir de lâmpadas florescentes, no total são quatro e dois ventiladores, e um ar condicionado.

O piso é de parque, às vezes as serviçais limpam e passam cera, mas isso é só de vez em quando porque o uso da cera todo dia torna o piso escorregadio.

As condições de funcionamento dependem muito do Estado e da ajuda dos pais do CPM. A Educação Infantil possui apenas um banheiro próprio para a idade em todo prédio escolar, a sala de aula é inferior aos padrões estabelecidos pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Infantil 9394/96.

Neste educandário há uma sala de informática, sala dos professores, sala da direção, sala da secretária, depósito, cozinha, refeitório, biblioteca, sala de jogos, pavilhão.

Conversando com as crianças da Educação Infantil elas me relatam que o lugar que mais gostam de usufruir é a pracinha, a quadra de futsal e o campo onde podem fazer brincadeiras com o professor de educação física e com a professora da turma.

As Diretrizes Curriculares Nacionais para Educação Infantil diz, que o currículo “é um conjunto de práticas que buscam articular as experiências e os

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saberes das crianças com os conhecimentos que fazem parte do patrimônio cultural, artístico, ambiental, científico e tecnológico, de modo a promover o desenvolvimento integral de crianças de 0 a 5 anos de idade”. (DCNEI, 2010 p 12,).

Na sala de informática, onde ficam os computadores as crianças podem ir apenas uma vez por semana no horário previamente agendado, lá elas têm um único site que podem entrar para jogar joguinhos, frisou uma criança.

Esta instituição tem caráter público, seu prédio é simples, e aos poucos com ajuda que recebem do Estado, procuram manter seu quadro de funcionários, bem como a manutenção do prédio escolar.

A manutenção é feita por partes, digamos; arrumar todas as janelas, portas e pisos das salas, na próxima etapa é hora de pintar todo o prédio, e assim por diante, sempre são levados em conta o que é mais urgente para a melhor qualidade dos seus educandos.

A quadra de esportes é aberta, ou seja, ela não possui cobertura, nos dias de chuva fica impossibilitado brincar nela, e não só nos dias que chove, mas também quando é muito quente, no forte do verão em que o sol predomina muito na maior parte da tarde, dificulta as brincadeiras naquele espaço de ensino.

Um projeto importante que a escola tem junto com o grupo da Emater¹, é a agroindústria familiar, em que as crianças aprendem a aproveitar o que é produzido na escola. Um projeto bem significativo que desperta o interesse de todos os alunos da escola. As crianças da Educação Infantil desfrutam da cozinha para a prática de alimentos, de receitas que eles mesmos fazem, com orientação da professora.

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¹ EMATER. Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Governo do Distrito Federal – EMATER-DF é uma empresa pública com patrimônio próprio, autonomia jurídica, administrativa e financeira. Visa ampliar o enfoque agroecológico no âmbito da EMATER-DF, que, ao adotar as bases metodológicas e científicas da agroecologia, se capacita ainda mais para cumprir sua missão de promover o desenvolvimento rural sustentável na região do Distrito Federal e entorno.

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Já na INSTITUIÇÃO II é uma construção mais recente, o prédio foi planejado juntamente com um arquiteto e a equipe responsável pela educação daquele município. Os educandos vão a escola no turno da tarde das 13:00 às 17:00. Como é uma escola municipal quem a mantem é o próprio município.

Com relação à proposta pedagógica da escola

“é o plano orientador das ações da instituição e define as metas que se pretende para a aprendizagem e o desenvolvimento das crianças que nela são educados e cuidados. É elaborado num processo coletivo, com a participação da direção, dos professores e da comunidade escolar desenvolvimento integral de crianças de 0 a 5 anos de idade”, é o que define as DCNEI. (2010, p 14)

Este estabelecimento de ensino, no começo do ano letivo disponibiliza para seus alunos novos, uma mochila, um estojo personalizado com o nome da escola. Para seus demais alunos, disponibiliza de material escolar, caderno, lápis de escrever, borracha, lápis de cor, apontador, tesoura, entre outros materiais que são considerados básicos para o processor ensino aprendizagem.

Nesta escola são duas salas de aula destinadas a Educação Infantil, sendo muito parecidas. Cada uma totaliza 50m². Construída no ano de 2004, este estabelecimento tem na sua cor, tons claros. Nas salas de aulas predominam as cores brancas, com detalhes em azul bebê.

Cada sala tem duas mesas de madeira, revestidas de acrílico em cores claras, bem como suas cadeiras. Respeitando a altura e tamanho das crianças. As janelas são de vidro transparente, com proteção de grades de ferro, possibilitando a circulação de vento, pois a grande maioria possui janelas em dois lados das quatros paredes. As janelas são da altura das crianças. As salas da Educação Infantil, é a única que tem as janelas mais baixas, nas outras salas encontramos janelas um pouco mais altas, mas que não dispõem de grades e de nenhuma proteção.

As salas tem um cantinho onde tem um tapete com almofadas onde as professoras fazem a rodinha, contam histórias e deixam as crianças brincarem com joguinhos.

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Em uma das salas especificamente na do pré A, tem um armário enorme, com portas e gavetas para guardar materiais, jogos e brinquedos, ele quase ocupa uma parede toda. Ao lado dele tem duas pias com balcão de mármore, para o uso quando forem fazer atividades diferenciadas.

Na outra sala a diferença é que o armário é de balcão e acompanha dois lados da parede, tendo um formato de L, nesta sala não tem pia. As duas salas têm televisão e aparelho de dvd, para quando necessitar.

As paredes são de cor clara, e tendo várias janelas com vidros transparente que possibilita muito a entrada do sol e da claridade. Todas as janelas têm cortinas de filtro solar, para proteger as crianças dos raios solares. As duas salas dispõem de quadro negro, para a prática de alguma atividade, bem como de ganchos para pendurar as mochilas dos educandos.

Um detalhe gostoso encontrado nestas duas instituições é que a merenda é preparada na escola, então, as crianças podem desfrutar do cheirinho gostoso que fica neste ambiente, pois quando a comida vem pronta, esse cheirinho não existe.

As duas escolas apresentadas possuem duas turmas de pré escola, na primeira ela é mista, ou seja, são atendidas duas turmas de pré escola na mesma sala, já na instituição II cada etapa, tem sua sala, sua professora.

Os alunos que frequentam a Instituição II, moram no município (centro) e nas comunidades próximas da escola. Já na instituição I, são crianças que moram no interior, que precisam do auxilio do transporte escolar (oferecido pelo município) para chegar até a escola que fica no alto de uma vila.

São duas escolas com características semelhantes, cada uma na sua maneira de ver, e cuidar das crianças que fazem parte deste ambiente. Cada uma proporcionando o que tem de melhor para prepará-las para o futuro, dando os primeiros ensinamentos que muitas não vão esquecer e irão levar para a vida toda.

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5. Avaliação das instituições III e IV

A autora Doris Kowaltoski, no seu livro sobre Arquitetura Escolar, o

projeto do ambiente de ensino, traz apontamentos sobre a importância de cada

espaço construído na escola para melhor andamento das atividades proporcionadas. Segundo a professora arquiteta,

“o projeto do ambiente de ensino discute o projeto arquitetônico e o conforto ambiental de edificações e sua contribuição para a qualidade do ambiente escolar e o alcance dos objetivos pedagógicos. Aplica de forma clara, e didática, os conceitos da arquitetura escolar a projetos, tanto novos como para melhorias em edificações existentes.” (2011, p 137).

É exatamente isso que pretendo destacar na análise sobre a escola de Educação Infantil, pois é nestes ambientes de ensino, as crianças precisam de mais cuidados e de um preparo, de uma base que a sustentará durante a sua caminhada escolar.

Quando fui para as escolas conversar com as equipes pedagógicas, olhar os ambientes e tentar vivenciar um pouco do que acontece em cada uma, obtive várias conclusões a respeito de cada ambiente de ensino, e posso afirmar que a instituição IV, é a mais completa. Oferece mais recursos e dispõem de materiais e de espaços que os educandos possam construir/aperfeiçoar os conhecimentos dentro deste espaço chamado escola.

Na instituição III no período em que estive conversando com a diretora, e observando os ambientes de ensino, constatei que é uma escola carente em termos de condição, em espaço físico para seus alunos. Uma vez que as crianças precisam de espaços para desenvolver a sua capacidade intelectual, suas habilidades quanto ao espaço para a prática da educação física, que nesta escola não dispõe.

Nesta perspectiva, Doris Kowaltoski afirma que

A falta de um condicionamento físico sustentável é um problema de saúde, além de implicar problemas acadêmicos dos alunos, como frequência, desempenho, saúde mental e bem-estar geral. A única forma de combater essa questão é investir em atividades continuamente na visa pós-acadêmica dos alunos. Para tanto, as escolas poderiam incluir em seu currículo:

 Atividades nos espaços internos, incluindo caminhadas, natação, recreativa e treinamento com pesos;

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35  As áreas para a realização de ginástica dos alunos devem parecer acadêmicas, de modo a incentivar que desenvolvam hábitos saudáveis, para que aumentem a expectativa e a qualidade de vida;

 As áreas tradicionais de esporte devem permitir usos mais variados;

 Espaços escolares projetados para possibilitar a integração dos bons hábitos alimentares com a prática de exercícios físicos, visando a uma vida saudável. Isso significa incluir cozinhas e cantinas como espaços educacionais de disciplinas que abordam saúde, alimentação e bem estar. (Doris Kowaltoski, 2011, p 179).

Ainda na instituição III, as salas de aula não tem um tamanho padrão, são de acordo com o espaço construído, nada foi feito para ampliar. De acordo com as normas estabelecidas pelo MEC – Ministério da Educação, o recomendado de área útil por aluno é de 1,32 m² ou mais e o mínimo de 1,15m² por aluno.

Maria Carmen Silveira Barbosa e Maria da Graça Souza Horn, pesquisam a organização do espaço e do tempo na escola infantil e afirmam:

Organizar o cotidiano das crianças da Educação Infantil pressupõe pensar que o estabelecimento de uma sequência básica de atividades diárias é, antes de mais nada, o resultado da leitura que fazemos do nosso grupo de crianças, a partir, principalmente, de suas necessidades. É importante que o educador observe o que as crianças brincam, como estas brincadeiras se desenvolvem, o que mais gostam de fazer, em que espaços preferem ficar, o que lhes chama mais atenção, em que momentos do dia estão mais tranquilos ou mais agitados. Este conhecimento é fundamental para que a estruturação espaço-temporal tenha significado. Ao lado disto, também é importante considerar o contexto sociocultural no qual se insere e a proposta pedagógica da instituição, que deverão lhe dar suporte. (BARBOSA; HORN, 2001, p. 67).

A infraestrutura não comporta tamanha necessidade das crianças. A escola não dispõe de serviçais, para diminuir os gastos, me relatou a diretora, por isso, quem faz o serviço de limpeza do prédio escolar é ela (diretora) e quem auxilia é seu marido, que trabalha na função de serviços gerais do educandário.

Na escola III, quando chega às 17:00 horas da tarde, as turmas uma de cada vez vai saindo da sua sala de aula para começar a limpeza e vai para o hall de circulação, geralmente assistir um filme, ou sentar em um local que a professora pedir para esperar os pais chegarem. Considero isso inadequado para as crianças. O horário de chegada dos pais para buscar seus filhos é

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pelas 17:30, sendo que muitos nem vão para casa neste horário, são os últimos a deixar a escola, isto é próximo às 18:30 da tarde.

Esta instituição é totalmente diferente das instituições apresentadas anteriormente. As condições de desenvolvimento são precárias, para começar as crianças não tem um espaço para brincar dentro da sala de aula, um espaço que está previsto em lei. As crianças precisam brincar, é através das brincadeiras que se conhece uma criança. Durante a brincadeira muitas vezes as crianças procuram representar histórias vividas ou presenciadas por elas.

As salas têm tamanhos variados e quantidades de crianças chegam quase que o dobro permitido por lei. Cada sala tem um tipo de janela, apenas uma tem grade de proteção. A iluminação, às vezes prejudica o bom funcionamento das aulas, principalmente nos dias de chuva em que o tempo fica fechado, que escurece mais rápido, característica típica do inverno, do Rio Grande do Sul.

A arquiteta Doris Kowaltowski, traz em seu livro Arquitetura escolar, o

projeto do ambiente de ensino, elementos de sustentabilidade, que ajudam a

escola, de certa forma a economizar. Nesse sentido de arquitetura sustentável, é uma das chaves para projetos de alto padrão de desempenho e deve ser explorada como ferramenta de ensino sobre a importância dessa prática para o planeta. Devemos considerar alguns aspectos, como,

 Uma abordagem que minimize os impactos da construção nas características naturais do terreno;

 Os recursos enérgicos da terra;

 Utilizar materiais recicláveis que não causem problemas de saúde pela emissão de vapores tóxicos;

 Minimizar o consumo de água do edifício, capturando e reutilizando água da chuva, reduzindo assim as erosões no terreno (Doris Kowaltowski, 2011, p180).

Tomando alguns desses recursos como prioridades, ou como sugestão, pode-se ter uma escola boa para todos. Como o exemplo que esta instituição nos traz, o uso das lonas para fechar o ambiente nos dias de frio e de chuva. Será que não seria mais eficaz fechar com portas de vidro.

Outro detalhe observado foi com relação às mesas das salas de aula, são de madeiras e redondas, cada sala tem duas – exceto a do berçário II, que

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tem somente uma e a do berçário I que não tem. As cadeiras são de madeira e pintadas coloridas. Algumas deixaram de ser cadeiras, pois perderam o encosto mas continuam lá, só que agora como bancos.

A escola não dispõe que um armário fechado para guardar os materias escolares, nem de balcões nas salas de aula, somente uma estante de alumínio. Esta estante fica sobre carregada de materiais e objetos, pois ela a único recurso disponível para guardar tudo o que precisa. Tem um depósito na escola, mas ele é pequeno e têm muita infiltração, quando chove acaba molhando e muita coisa se perde, então, é preferível deixar na estante da sala mesmo.

No verão dentro das salas de aula é muito quente, e no inverno é muito frio. O telhado de metade da escola é de telha a outra metade é de brasilite. Nos fundo da escola, tem uma varanda, ela só é fechada quando é frio ou quando chove, o fechamento se dá por uma lona azul. Muitas vezes ela não é suficiente para proteger as crianças e professoras do vento. É neste local onde todas as crianças ficam a partir das 17:00 horas da tarde, geralmente assistindo um filme ou sentadas em um lugar em que a professora pediu.

Nesta instituição III, as crianças levam merendas de casa para fazer o lanche na escola. No início do ano letivo, quando foi realizada a reunião pedagógica foi solicitado para uma nutricionista conversar com os pais sobre a questão do lanche. Então, foi estabelecido que cada criança, além da sua garrafa com água, chá, suco, levasse algo gostoso, saboroso e que gostasse para fazer o lanche, bem como os que têm o hábito de comer iogurte, mas que sempre que fosse possível, junto com este lanche seria mandada uma fruta, que durante o lanche a professora iria arrumar em pratos para as crianças comerem no coletivo.

Cada professora dentro da sua sala de aula iria organizar este momento. Também foi acatado um levantamento feito pelos pais de fazer um dia na semana o lanche saudável com frutas, e sanduiche e/ou torrada.

Este estabelecimento de ensino não dispõe de uma sala para o soninho das crianças, de um refeitório, de uma sala para que se possa usar como

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biblioteca, ou sala de vídeo, sala para os professores planejar, de um ambiente que se possa desfrutar nos dias de chuva e de frio – inverno.

Para finalizar, quero trazer um recorte que atenda para os princípios educativos da Educação Infantil, previstos nas Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil, que são:

 “Éticos: da autonomia, da responsabilidade, da solidariedade e do respeito ao bem comum, ao meio ambiente e às diferentes culturas, identidades e singularidades”.

 “Políticos: dos direitos de cidadania, do exercício da criticidade e do respeito à ordem democrática”.

 “Estéticos: da sensibilidade, da criatividade, da ludicidade e da liberdade de expressão nas diferentes manifestações artísticas e culturais”.

(DCNEI, p 13, 2010).

A INSTITUIÇÃO IV é a mais recente de todas, mas mesmo assim não foi construída do zero, apenas foram feitas reformas, alterações no antigo prédio que ali estava. Esta obra obteve a supervisão de um arquiteto, bem como do setor educacional desta empresa. O prédio foi reformado e adaptado para o funcionamento desta escola. Antes era uma pizzaria de dois andares, hoje é uma escola almejada por muitos pais e até mesmos professores.

Quando chega ao pátio de entrada do educandário é encontrado o estacionamento – que não é ocupado como tal - e a pracinha. Ambos são cercados por grades e por portões que somente as professoras e serviçais tem chaves para abrir. Tudo isso, por zelar pela segurança das crianças, pois quando sai do pátio da escola, encontra-se uma avenida muito movimentada de entrada da cidade.

O prédio é pintado com cores claras, o branco predomina na maior parte. Algumas salas têm uma ou outra parede pintada com outras cores, neste caso as cores que a identificam e o vermelho, azul, verde e o amarelo.

Além do espaço físico do prédio e pátio escolar, esta escola tem convênio com uma empresa que fica muito perto da escola. Durante muitos anos, funcionava dentro desta empresa tendo seus limites de espaço divididos com outros serviços prestados. Hoje, a escola conta com o espaço externo disponibilizado por esta empresa, as quadras de vôlei, de futsal, de grama sintética, o bosque, as sessões de teatro, de filmes, que sempre quando

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promove algo diferente, a equipe da empresa convida todas as crianças para participarem, sem custo nenhum, apenas o de caminhar até o local.

Nesta escola IV – creche é de turno integral seu funcionamento é das 8:00 da manhã às 17:30 da tarde. As crianças logo quando chegam são recepcionadas pelas professoras em sua sala de aula, e logo vão para o lanche da manhã. Os lanches sempre são acompanhados de frutas da época picada em um prato.

A equipe de professoras em reunião semanal debateu a questão deste lanche, porque têm muitas crianças que tomam café em casa, e não tem fome quando é proposto lanchar. Então, o lanche é optativo, as crianças que desejam fazer a refeição são acompanhadas pelas professoras auxiliares até a cozinha para fazer o lanche da manhã.

No almoço as crianças têm o direito de se servirem sozinhas, lembrando sempre, que as professoras estão acompanhando e supervisionando o que está acontecendo. No início do ano letivo as crianças são servidas pelas professoras e aos poucos são ensinadas a ter autonomia. Isso é um trabalho que demora, dá muita bagunça, mas que é prazeroso. Lilian Pacheco S. Thiago diz que,

“[...] é preciso oferecer espaços com propostas variadas diferenciadas, situações diversificadas, que ampliem as possibilidades de exploração e pesquisa infantis. As crianças realmente ampliaram suas possibilidades de exercitar a autonomia, a liberdade, a iniciativa, a livre escolha, quando o espaço está adequadamente organizado”. (LILIAN PACHECO S. THIAGO,2006 p 60)

Nesta instituição a cozinha é organizada com mesas e bancos retangulares, que caibam 10 crianças em cada uma. No total são quatro mesas, ou seja, duas turmas lancham juntas. São três horários tanto para lanche quanto para almoço, e cada dia é trocado a ordem, pois como tem seis turmas é feito um rodizio nos horários para não ficar sempre a mesma turma por primeiro, ou sempre por último.

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Ao centro tem o bifê, em que vão as comidas, tanto do almoço quanto dos lanches. Tem também um armário só de prateleiras, na altura das crianças, com pratos, copos.

Na mesa, as professoras colocam a disposição o porta talher com garfo, faca, colher grande e colher de sobremesa, a porta guardanapo, a travessa de saladas, e as duas jarras identificadas, uma de suco/chá e uma de água.

 A escolha do horário da alimentação pelo aluno, com almoço oferecido em horários mais flexíveis e pequenas refeições disponíveis durante o horário escolar;

 O fornecimento das refeições em “cafés” menores, mais íntimos do que os grandes refeitórios escolares, ainda que a cozinha posa ser centralizada;

 Refeitórios menores, em lugares mais agradáveis, com áreas externas para uso de acordo com o clima;

 Áreas de refeições com vistas para jardins, com móveis mais descontraídos e variações de mesa, cadeiras e até sofá e mesa de centro;

 Ambientação dos espaços de alimentação escolhida pelos alunos e periodicamente renovada;

 Participação dos alunos na preparação e distribuição da comida, para promover atitudes saudáveis com a alimentação diária;

 Participação dos alunos na preparação do cardápio, com variedade de pratos, para melhor atender aos gostos individuais;

 “cafés” como empreendimentos dos alunos, que planejariam e fiscalizariam, inclusive quanto às questões financeiras, para assim aprenderem administração financeira;

 Áreas de alimentação abertas durante o horário escolar, que poderão também servir como espaço para estudos individuais e em grupos (Doris Kowaltoski, 2011, p 180)

A cozinha é um lugar onde quase tudo acontece... Muitas coisas gostosas marcam este lugar na escola, pois é lá que as crianças tem a experiência de ter as primeiras aulas de culinária. Segunda as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil,

“a criança é um sujeito histórico e de direitos que, nas interações, relações e práticas cotidianas com os conhecimentos que fazem parte do patrimônio cultural, artístico, ambiental, científico e tecnológico, de modo a promover o desenvolvimento integral de crianças de 0 a 5 anos de idade”. (DCNEI, p 15, 2010).

Depois do almoço as crianças são encaminhadas ao soninho. Infelizmente, a sala do soninho nesta escola, ficou uma sala muito pequena, podendo apenas uma turma dormir lá, as outras cinco precisam dormir em

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