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Revista RN Econômico - Junho de 1972

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(1)

k ' & r ' ** z * i f . y V -S V- ' Vf. ' " • - .!

a meta do

BDRN

e'colocar o estado

, J . .

Ihij-no mesmo ritmo

•f

.. •

V i

.

de progresso do

Brasil

Financiando a

indús-tria, o comércio e a

agro-pecuária, o

Ban-co de

Desenvolvimen-to do Rio Grande do

Norte (BDRN)

traba-lha Dara colocar o

Es-tado nos mesmos

ca-minhos de progresso

do Brasil. Se você acre

dita no futuro do Rio

Grande do Norte,

vo-cê tem um sócio no

BDRN.

banco de desenvolvimento

do rio grande do norte

(2)

ü t U ü M ü l

n j ,

DE CAPA

O sal disputou com

a lagosta a capa deste

número de FN-EOONÔMICO.

A arte determinou a

vitória da lagosta, caro

se vê.

Mas o sal prossegue sendo

um caso sério:

4.330 pessoas vivem a

ameaça do

desemprego em Macau

G e r e n t e - J 0 S £ AMARAL R e d a t o r - C h e f e - JORGE B A T I S T A R e d a t o r e s - ADERSON FRANÇA, A LB I MAR FURTADO, D O M Í C I O ARRUDA CAMARA, EMANOEL N E R I , H É L I O C A V A L C A N T I,J O Ã O B A T I S T A MACHADO, J 0 À 0 GUALBERTO, JOMAR J O S É , L U I Z CORTEZ, P Ú B L I O J O S É , S E B A S T I Ã O CARVALHO F o t o g r a f i a s - G A R C I A DE L U C E N A , DANI CÕPÊR I l u s t r a c ã o - L I N D B E R G D ia q r a m a ç ã o - MOACIR 0E O L I V E I R A A r t e - A Í L T O N P A U L I N O C o n t a t o s C o m e r c i a i s - H I L N E T H CORREIA, N A I D E B E L O , ROBERTO F R E I R E S e r v i ç o d e A s s i n a t u r a s - L I N O GUERRA, MARCIA MARIA DE SA C o l a b o r a d o r e s - ALVAMAR FURTADO, A N T O N I O FLORÊNCIO DE d U E IR Õ Z , B E NIV A L D O A Z E V E D O , CORTEZ P E R E I R A , DALTON M E L O , DOMINGOS GOMES DE L I M A , EDGAR MONTENEGRO, E P I T Á C I O ANDRADE, F A B I A N O V E R A S , FERNANDO P A I V A . C E N Á R I O FONSECA, H É L I O A R A U J O , J O A N I L S O N DE PAULA REGO, JOÃO DE DEUS COSTA, JOÃO WILSON MENDES MELO, JOMAR A L E C R I M , L U I Z CARLOS ABBOTT G A L V Ã O , MANOEL LEÃO F I L H O , MARIO MOACIR PORTO, MOACIR DUARTE, NEY LOPES DE S O U Z A , N I V A L D O MONTE, OTTO DE B R I T O G U E R R A,S E V E R I N O RAMOS DE B R I T O , T Ú L I O FERNANDES F I L H O UB IRATAN GALVÃO RN-ECONOMICQ, r e v i s t a m e n s a l e s p e c i a l _ i _ z a d a em a s s u n t o s e c o n õ m i c o - f i n a n c e I r o s , é d e p r o p r i e d a d e d a E D I T O R A RN-ECONÕM_l_ CO L T D A , CGCMF 0 8 A 2 J 2 7 9 , R u a P r i n c e s a I s a b e l , 6 7 0 , E d i f í c i o B a h i a , C i d a d e AJ_ t a , F o n e 2 6 . 9 0 , N a t a l - R N , i m p r e s s a n ã G R A F I C A OFF S E T , A v . R i o B r a n c o 3 2 5 , N a t a l - R N . P r e ç o d o e x e m p l a r : C r $ 3 , 5 0 . N ú m e r o a t r a z a d o : C r $ l < , 0 0 . A s s i n a t u r a a n ü a l C r S I i O . O O .

Indice

REPORTAGENS

ICM

P r o c u r a - s e uma

saída 6

L A G O S T A

O ato e os fatos..10

M A C A U

V i a g e m a terra

do sal 16

F I N A N C I A M E N T O

A vez do sisal....24

M U N I C I P A L I S M O

M u n i c í p i o s de todo

RN: uni-vos 26

CIMPARN

U m a companhia

p a r a o campo 28

TAXI

Inflaçao em quatro

r o d a s • • • • • • • • • • • • • 3 2

ESPORTE A M A D O R

Um sacrifício

quase inútil

35

SEÇÕES

H O M E N S E E M P R E S A S 4

M E R C A D O DE

C A P I T A I S

15

CARTAS

38

A R T I G O

OSÍRIS P I N H E I R O

E s t a d o e J u s t i ç a

do Trabalho

.73

4

Antenor Madruga é agora

presidente da Companhia

de Implantação de Projetos

Agrários - C I M P A R N .

Esta Companhia estará

m o v i m e n t a n d o 30 m i l h õ e s

de cruzeiros a

fim de criar 12 vilas rurais.

0 atual prefeito de

G o i a n i n h a , Manoel O t o n i ,

foi eleito presidente da

Assoei ação

N o r t e - R i o g r a n d e n s e

de M u n i c í p i o s .

Ele pede:

" M u n i c í p i o s de todo

RN; u n í - v o s . "

' ' ' '

I J

" " i J d . j\j uri

l i

F U N D A Ç Ã O IBGE

"Nao existe guerra

da lagosta; há sim

uma legítima defesa

do que é nosso

e a p l i c a ç ã o da Lei"

-afirma o sr. Ney Lopes

de S o u z a , Secretário

de Governo e Justiça

(3)

• MARIO PORTO

Mário Moacir Porto, diretorpresi -dente da Mineração Tomaz Salustino S/A

(12a. empresa de mineração que mais ex-porta no Brasil) recebeu convite domi-nistro das Minas e Energia para tomar parte numa comissão de estudos que ofe-recerá ao governo federal subsídios pa-ra fixação de uma polftica mais agres-siva de exportação de minérios.

• FÃBRICA DE CIMENTO

Já em pleno funcionamento,em cará-ter experimental, a fábrica de cimento de Mossoró, empreendimento do grupo João Santos.

BFdItora rn-econOmico

0 jornalista Marcos Aurélio de Sá passou a ser o único diretor da Edito-ra RN-ECON0mICO. Ele acaba de adquirir

as quotas dos outros diretores Marcelo Fernandes de Oliveira e Cassiano Arru-da Cimara, ficando com o total domínio da empresa. A Editora RN-ECON0m|CO

man-tém em circulação, há três anos, esta revista. A partir de agora, ingressará também no ramo publicitário e editará outras publicações especializadas, no-tadamente em assuntos econômico-finan-ceiros e educacionais.

^ E R N Â N I SILVEIRA

Ernâni Silveira, ex-prefeito de N£ tal, satisfeito com o resultado das vendas de ações da SITEX S/A (Art.lA) que vêm sendo realizadas em todo país pela KEY CORRETORA. A esta altura, in^ forma Ernâni que a sua corretora ja negociou quase 1,2 milhão de ações da SITEX. Em Natal, a KEY está instalada na galeria do Edifício Barão do Rio Branco.

r

Alonso Bezerra Filho Silvio Mendes

• A. B. CORRETORA

A.B.Corretora de Títulos e Valores Mobiliários já está devidamente auto -rizada pela SUDENE a fazer captação de recursos dos artigos 3^/18.Alonso Be-zerra Filho (foto) anuncia que com es-ta nova área de atuação, surgem novas perspectivas para a sua corretora.

0 cel. Paulo Barreto Viana, um dos diretores do consórcio NORA LAGE ( sa-linas Henrique Lage ), está iniciando a ampliação da sua empresa de pesca -NORDESTE DE PESCA LTDA. - que nos pró-ximos dias será transformada em socie-dade anônima e terá o seu capital ele-vado de Cr$200 mil para 3,5 milhões de cruzeiros. A NORPESA, empresa pioneira de pesca, está situada em Areia Branca e goza de benefícios fiscais, podendo deduzir do seu ICM 60% para investimen-tos, vantagem esta que só terminará dentro de mais três anos.

• PESCA DE CAMARÃO

Entusiasmado com as perspectivas da exploração do camarão, o cel.Paulo Bar-reto Viana planeja aproveitar,em Areia Branca, uma área de 100 hectares de terras próximas ao mar e que não servem para salinas, para construir v i ve i -ros para criação de camarão. Baseado em estudos de um técnico de Santa Ca-tarina, e também em experiência que já teve oportunidade de executar,acre-dita o cel. Paulo Barreto Viana que obterá uma produção de camarão,por hec -tare, ao ano, de 5 toneladas.

0 camarao é um produto que, como a la-gosta, tem penetração assegurada no mercado externo, a preços compensado -res.

• FUNDO TÊXTIL

0 economista João de Deus Costa, D_i_ retor Industrial do Banco de Desenvol-vimento, está ultimando a regulamenta-ção do Fundo Têxtil do Rio Grande do Norte, que visa dar incentivos concre-tos aos empresários que se decidirem a implantar no Estado empresas voltadas para o setor têxtil. 0 plano inicial , já apresentado ao Ministro Delfim Neto, recebeu sua aprovação integral. Haverá sensível modificaçao no conflitante e discutido problema de isenção do ICM.

• ASPIRADOR GIGANTE

Os postos 1002, 1003 e 1004, depois de lançar com absoluto sucesso o Car-tão de crédito CREDIPOSTO,acabam _ de adquirir modernos aspiradores d e p ó g i -gantes, que em questão de segundos dei-xam limpos os interiores dos veículos dos seus clientes. Os postos associa-dos ao sistema CREDI POSTO trabal ham com os produtos ATLANTIC, de qualidade su-perior.

• SILVIO MENDES

A Indústria de Móveis SILVAN, hoje a maior empresa do ramo no Nordeste^u-mentará nos próximos meses a sua pro-dução de móveis de qualidade, através da ampliação das instalações da sua fá-brica em mais 500 metros quadrados e da compra de novas máquinas. Informa Silvio Mendes que sua indústria não vem podendo atender ao volume de pedidos que recebe diariamente das principais cidades brasileiras. Por outro lado, a

Indústria de Móveis SILVAN tem recebi-do quase torecebi-dos os fins de semana a vi-sita de pessoas procedentes de Natal e de Fortaleza, que vão até Mossoró ver o funcionamento da fábrica, encomendar móveis exclusivos e escolher inclusive as variedades de madeiras p a r a t a i s m ó -veis.

• NEWTON PESSOA DE PAULA

Newton Pessoa de Paula, diretor da NIPPASA - primeiro projeto agro-pecuá-rio a dar lucro no Rio Grande do Norte - foi convidado para presidir a ILNASA (Indústria de Laticínios de Natal),mas não aceitou. Alegou que não pode se au-sentar da direção da sua própria em-presa e disse que se a ILNASA ficar sob a presidência de Vin i c io Ga rei a Frei-re, ficará muito bem. Como se sabe, o Governo do Estado, através do Banco de Desenvolvimento, adquiriu o controle acionário da usina pasteurizadora e pretende solucionar em def ini t i vo o gra-ve problema de abastecimento do leite em Natal.

(4)

• PUMAR EM MAÇAI BA

Está definitivamente acertada a instalação da DUMAR - Indústria Na-cional de Alimentos S/A (carnes de siri, caranguejo e ostra), no muni -cípio de Macaiba. Já foi adquirido o terreno (3 hectares) logo na entrada daquela cidade.

Fernando Paiva

Walter Duarte Pereira • U F L J T F R P F R E I R A - 2 5 A N O S

A organização Walter Pereira S/A que compõe hoje o maior complexo de 1 i -vrarias, papelaria e editoria do Rio Grande do Norte, acaba de comemorar 25 anos de atuação comercial. Para marcar a data, Walter Duarte Pereira, princi-pal acionista da empresa, lançou o ál-bum turístico da cidade de Natal, numa excelente impressão a cores e com tex-to de Newtex-ton Navarro. 0 lançamentex-to o-correu no Hotel dos Reis Magos, com a presença das mais destacadas persona -1 idades do Estado, incluindo o Gover-nador Cortez Pereira.

• POOL SAL I NE I RO

As grandes indústrias salineiras de Macau (HENRIQUE LAGE, CIRNE e MATARAZ-ZO) unirão, dentro em breve, os serviços de comercialização de suas empre -sas, objetivando reduzir os custos de embarque do sal e , ao mesmo tempo, se fortalecer no relacionamento com os grandes compradores do produto no mer-cado interno.

Esse "pool" v a i , inclusive, servir de estrutura para - quando chegar a hora - as indústrias salineiras de Macau ingressarem no mercado externo, para valer.

• nnis MIIHÕEC nF m u l flMFTROS

A frota de veículos da COSERN, no ano de 1971, rodou nada menos do que 2,3 milhões de quilômetros, consumindo 500 mil litros de gasolina e óleo die-sel. Atualmente, a COSERN - maior em-presa do Rio Grande do Norte - tem 75 veículos, dos quais 52 comprados este a n o , incluindo 10 caminhões dotados de equipamento MÜNK (guindaste com capa -cidade de levantar 600 quilogramas).

• VI IAS RURAIS

Ji em fase de implantação as vilas rurais que o governo do Estado,através da CIMPARN, vai colocar em funciona-m e n t o , oferecendo trabalho para duas mil famílias da zona salineira, atin-gidas pelo desemprego que resultou da mecanização das salinas de Macau e A-reia Branca. 0 governador Cortez Pe-reira assistiu o início dos trabalhos de desmatamento da imensa área situada entre as serras do Mel e do Carmo,onde ficarão localizadas as vilas rurais.

» F U S Ã O ATINGIRA AS BOLSAS

Agora se fala em fusão das bolsas de valores brasileiras. 0 Banco Central fez reuniões a semana passada com os novos presidentes das Bolsas de São Paulo e do Rio de Janeiro. Espera-se para esta sema-na a unificação destas duas entidades do mercado de capitais. Acreditam os técni-cos que assim o mercado de capitais, vol-tará ao normal. As baixas veem desde se-tembro do ano passado initerruptamente.

1 3 V I 8: SISTEMÁTICA I RA MUDAR

Comenta-se, com segurança, que o supe-rintendente da Sudene encaminhou ao Pre-sidente da Republica 3 sugestões a fim de mudar a sistemática de captação dos in-centivos fiscais 3 V 1 8 . 0 plano que mais impressionará as autoridades federais é o que estabelece que os incentivos fiscais só poderão ser captados por Corretoras , Distribuidoras e Bancos de Investimentos. Estes encaminharão os recursos ã Sudene. Por sua vez a Sudene determinará ao Banco do Nordeste os cronogramas de execuções de cada empresa. Estas terão os recursos liberados pelo Banco do Nordeste a juros de 1% ao ano. As comissões dos captadores serão pagas diretamente pela Sudene.Vamos ver se assim melhorará...

• FIAT EM NATAL

A Comercial Wandick Lopes conseguiu a representação dos tratores Fiat. Antes ne-gociava com Valmet. Houve demonstração de tratores na Feira dos Municípios recente-mente instalada no pátio da Escola Indus-trial.

• BÄNDERN - 10 MILHÕES

Em Assembléia Geral Extraordiná -ria sob a presidência do Governador CORTEZ PEREIRA, o Banco do Rio Gran-de do Norte aumentou o seu capital de 3 para 10 milhões de cruzeiros. Osmundo Faria, Presidente do BÄNDERN, considera este aumento de capital um dos passos mais importantes para que o Banco oficial se torne um instru -mento poderoso de apoio ã política de desenvolvimento que se implanta no Estado

Cortez visitou vilas rurais

• LUCRO DE SETECENTOS MIL

A APERN encerrou o primeiro se-mestre com um lucro liquido de 700 mil cruzeiros. Fernando Paiva, Admi-nistrado Geral da Associação de Pou-pança e Empréstimo do Rio Grande do Norte considera muito bom esse resul-tado, uma vez que o lucro de todo o exercício de 1971 atingiu apenas 900 m i l . As perspectivas de lucros da A P E R N , para este a n o , são as mais o-timistas. Diz ainda Fernando Paiva que o segundo semestre em curso pos-sibilitará lucros acima de

Cr$l.000.000,00.

• SORIEDEM NA NOVA FABRICA Garibaldi Medeiros,Diretor Presi-dente de SORIEDEM S/A CONFECÇÕES, a-caba de regressar de viagem de negó-cios pela Europa. Em ofício dirigido ã di reção da EDITORA RN-ECONÕMICO LTDA. ele comunicou esta semana que a sua indústria já mudou-se para as novas instalações, situadas ã A v . Salgado Filho.

Essa mudança acarretará aumento de produtividade, a curto prazo.As Con-' fecções SORIEDEM são as mais dispu -tadas no mercado regional e o volume de pedidos recebidos pela fábrica sempre foi maior do que a sua capa-cidade de produção.

• BRENO VENDERA CORRETORA

A Corretora Barros, com instala-ções luxuosas na João Pessoa, está sendo vendida ao Banco Big-Univest. As negociações estão bastante adian-tadas.

• GUARARAPES AUMENTA

A Indústria Guararapes inicia a construção de mais um galpão. Este para a fabricação, somente, de cal-ças fundamentando o aumento de pro-dução neste setor. A Guararapes além de ser a maior fabricante de camisas do Brasil pretende, dentro em breve, ser uma das maiores em calças também

• ALONSO LANÇA "BANDEIRANTES"

A CONTRAL - empresa construtora do grupo Alonso Bezerra - lançou um novo empreendimento imobiliário: o conjunto residencial BANDEIRANTES, com 17 unidades financiadas pela APERN. 0 lançamento do conjunto BAN-DEIRANTES ocorreu em fins de j u l h o , com presença do alto mundo de nego -cios em Natal. w o o

g>

3 - 5

(5)

TELMO BARRETO:

a

solução de que

precisamos

S para já

PROCURA-SE UMA SAÍDA

I

o

o •H B <o c

o

0 w 1 6

-A extinção da isenção fiscal

concedida pelos governos estaduais

a indústrias implantadas nas

áreas d o m é s t i c a s , cria,

particularmente no Rio Grande do

Norte um problema que afeta em

grandes proporçoes a industrias de

confecções (ver RN-ECONÔMICO n9 3 5 ) .

Sabido que no Rio Grande do

Norte existe hoje um dos mais

importantes parques industriais

de vestuário de todo o P a i s ,

sabido também que foi graças ã

isenção do ICM que as empresas

conseguiram se expandir ( hoje elas

estão em fase de relocalizaçao e

ampliaçao ) , fácil é se concluir

que, com a extinção do incentivo, as

coisas podem desaguar.'

E de pessimismo a situaçao entre

os diretores das chamadas pequenas

indústrias de confecçoes de Natal

( Soriedem, Conte

}

Reis Magos e

Sucar ) q u e , ao contrário da

Guararapes - já seguramente

incluída entre as mais sólidas

empresas do Pais - vêem no fim da

isenção do ICM o início de uma

época de duvidosas possibilidades

de sobrevivência.

0 ICM deixará de ser dado

graciosamente pelos governos

estaduais a empresas industriais

a partir de 19 de janeiro de 1973.

Os meses que nos separam do inicio

de validade dessa determinação

do Ministério da Fazenda - h á

sanções prescritas para os

governos que nao a observarem - é ,

no seu médio p r a z o , tempo

suficiente para que as empresas

se preocupem bastante: todas

estão com projetos aprovados

pela SUDENE, construindo novas

instalações, ampliando capacidade

de produção e investindo m u i t o ,

no fim das contas. A benesse do

imposto que agora terá que ser

desembolsado, vai representar

simplesmente prejuízo,

principalmente por causa dos

compromissos assumidos com os

planos de e x p a n s a o . ^

(6)

DELFIM NETO:

até quando irá perdurar o futuro de incertezas?

O FIM DA ISENÇÃO NO RN

ATINGE DIRETAMENTE AS

INDÚSTRIAS DE CONFECÇÕES.

VÁRIAS PODERÃO FECHAR

No e n t a n t o , essa m e s m a situaçao p o d e r á ser a salvaçao para a Soriedem, a Conte, a Reis Magos e

a Suoar: se por causa dos

compromissos assumidos com a expansao elas nao poderão perder os incentivos - essa seria a hora em que mais deles precisariam - pela m e s m a razao poderão continuar gozando de isenção f i s c a l , dada pelo governo do E s t a d o , sem que seja ferida a determinação do Ministro Delfim N e t o .

Explica-se: extinta a isenção do I C M , os governos estaduais podem continuar concedendo a empresas em implantaçao o abatimento de 60% do t r i b u t o , que seriam depositados em conta especifica de Dedução para I n v e s t i m e n t o . As empresas

nascentes pagariam apenas 40% das taxas devidas sobre as vendas interestaduais.

M a s , a r g u m e n t a - s e , as fábricas natalenses nao estão se implantando, todas já existem e , por isto nao poderão se beneficiar da troca de Compensação Financeira (isenção) pela Dedução para Investimento (recolhimento de 4 0 % ) .

O c o r r e , no entanto q u e , como todas as leis, essa também tem suas sutilezas. E e para este detalhe que os empresários a t e n t a m , chamando a atenção do Governador Cortez

P e r e i r a , a quem cabe por isto

m e s m o a decisão final sobre o

a s s u n t o .

E m documento enviado ao g o v e r n a d o r , os diretores das quatro empresas ponderam que o fato de estarem r e i m p l a n t a d a s , ampliadas e

recolocadas, as suas fábricas podem ser consideradas "empresas em implantaçao", para o fim da consecução da Dedução de Imposto Para Investimento.

A TESE DAS CONFECÇÕES

A situaçao e um tanto ou quanto confusa ou melindrosa e somente a boa vontade do governo do Estado p o d e r á resolvê-la. 0 Secretário da F a z e n d a , s r . Augusto Carlos Viveiros, em recente entrevista a

RN-ECONÔMICO (n9 35-abril/72), dizia que "o governo tem interesse em estudar profundamente o

problema para que as indústrias que hoje gozam da isenção do ICM nao tenham prejuízo com a proibição desse incentivo, mas em

compensaçao também consigam se

engajar na fileira dos contribuintes'.'

0 que a Soriedem, a Conte, a Reis Magos e a Suoar pretendem é justamente isto. A sutileza da lei que permite a Redução Para

Investimento foi transformada

numa realidade crua e num

documento realístico, preparado

pela INDUPLAN e entregue ao governador Cortez P e r e i r a , que o

está e s t u d a n d o . Aceitos os

argumentos do d o c u m e n t o , as fabricas

de confecçoes natalenses começarao

a pagar os tributos dos quais estavam isentas h á tempos e o Estado

começará a ter entre os seus contribuintes algumas pessoas jurídicas que desde que existem

nunca ou muito pouco recolheram tributos aos cofres p ú b l i c o s .

Um muito pouco ou quase nada q u e , até agora nao entregues ao erário e s t a d u a l , só tem dado para cobrir encargos naturais da própria mecanizaçao dos sistemas o p e r a c i o n a i s .

Sabe-se que a proporção do ICM

que as fábricas nao pagam ao g o v e r n o , se escoa no custo do

transporte,na compra de matéria p r i m a , na venda do produto final

(2%) e em encargos financeiros diversos (8%) - ou s e j a , 10% só no preço da venda do p r o d u t o .

É aquela história do lojista do Estado do s u l , gue importa a maior parte da_produçao de confecçoes de N a t a l , nao querer pagar o

transporte da m e r c a d o r i a , porque tem artigos idênticos (em f a t o , talvez não em qualidade) na sua p o r t a . Então o transporte tem sido feito pelas fábricas daqui que não podem deixar de vender

aquilo que p r o d u z e m . PALAVRAS DOS DIRETORES

Para os diretores das chamadas pequenas indústrias natalenses de confecçoes a maior discrepância da aplicaçao da legenda

Dedução para Investimento - redução de 40% do ICM devido - é poder levá-los a uma derrocada p o r q u e , mesmo conseguindo ser colocados no rol das indústrias em

implantação, capazes de gozar dos benefícios da nova l e i , nao têm condiçoes de concorrer com outras que estão se

implantando na área do N o r d e s t e . Para o s r . Antonio José Sucar N e t o , diretor presidente das Confecções Sucar, a sua e as outras pequenas indústrias, que estão ás portas de se transformarem em grandes, por conta dos incentivos da S U D E N E , r e l o c a l i z a j ã o ,

a m p l i a ç a o , e t c . , nao vao poder s o b r e v i v e r , porque o tempo que tiveram entre a

implantaçao inicial e a saída para as atuais m o d i f i c a ç õ e s , foi pouco ou insuficiente

para que criassem uma estrutura ^

capaz de concorrer com as que m

estão se implantando a g o r a . Essas sao geralmente

empresas oriundas de grupos

já fortificados pela atuaçao ° mesmo na área têxtil ou em ^ - 7

o o O) 3

(7)

Venha buscar aqui

aquela estabilidade que v. tanto

procura na vida.

Venha buscar o Fuscão.

E já no primeiro dia de trabalho, e!e

dará a v. uma estabilidade que nem por

decreto alguém vai conseguir tirar de

suas mãos. Esse direito é adquirido

por uma barra estabilizadora na frente,

outra barra compensadora atrás

e bitola mais larga nas rodas traseiras.

Talvez v. nunca precise de toda

a estabilidade que o Fuscão oferece.

Mesmo assim, é bom saber que ela

foi duramente testada pela Volkswagen.

E agora que ela está aqui na

nossa loja, nós vamos dividi-la para

v. em prestações.

Conheça nossos planos.

Ao comprar a sua, v. estará levando

também economia, valor de

revenda, assistência técnica em todo'o

território nacional etc.

MARPAS S/A

AV. T A V A R E S DE LIRA, 159.

REVENDEDOR AUTORIZADO

©

(8)

As chamadaa "pequenas" indústrias de confecções do RN não poderão resistir ao corte dos incentivos fiscais

outros ramos i n d u s t r i a i s . 0 que nao o c o r r e u com n e n h u m a das e m p r e s a s n a t a l e n s e s , que

nasceram da simples mudança de ramo das atividades dos seus sócios (RN-EC0NSMIC0 n9 31

- n o v e m b r o / d e z e m b r o de 1971). Ele acha mesmo que uma pequena e m p r e s a , transformada numa m e d i a , a t u a l m e n t e , sem a isenção do ICM nao terá lucros compensadores para s u b s i s t i r , no m í n i m o nos próximos 10 anos de t r a b a l h o .

INCENTIVO D I F E R E N C I A D O 0 s r . Nevaldo R o c h a , diretor presidente das Confecções Guararapes - uma empresa para

quem a isenção do ICM representa m u i t o p o u c o , em termos de problemas i m e d i a t o s , dada justamente a sua boa situaçao no m e r c a d o interno e até externo -tem uma idéia ou uma sugestão para a política f i s c a l , que adotada pelo governo federal poderia solucionar a q u e s t ã o . Para ele (RNECON0MICO n9 35 -a b r i l / 7 2 ) seri-a m-ais lógico o governo partir para o

incentivo diferenciado com

aplicaçao em todo o p a i s . - "Isso se faria partindo do e n t e n d i m e n t o de q u e , quanto m a i s para o interior fosse a i n d ú s t r i a , m e n o r carga tributária lhe

seria a p l i c a d a " .

N a o importando de onde pudesse chegar o incentivo: se de deduções permitidas no I C M , se de deduções autorizadas p e l o IPI - acrescenta e l e .

P R O B L E M A £ A P R Á T I C A

Todos os dirigentes das chamadas

pequenas indústrias de confecções

do Estado r e c o n h e c e m n a sugestão de Nevaldo R o c h a uma exequibilidade "temerária ou i m p o s s í v e l " .

-"É uma boa m e d i d a , ideal para a n o s s a situaçao a t u a l , mas em termos nacionais tanto ou quanto difícil de ser p o s t a em p r á t i c a " .

A opinião é ainda do s r . A n t o n i o José Sucar N e t o , que atenta para o

fato da idéia do s r . Nevaldo Rocha implicar em m o d i f i c a ç a o da p o l í t i c a financeira n a c i o n a l - o que nao e tao fácil de ser conseguido com simples idéias r e g i o n a i s . Do m e s m o ponto-de-vista é o s r . Telmo B a r r e t o , das Confecções Conte:

- "Acho m u i t o certo o que N e v a l d o R o c h a p r o p o e . Um gaís

tao grande como o n o s s o nao p o d e , c e r t a m e n t e , ter taxas iguais

de tributaçao para todas as regiões. Mas essa idéia se torna inexequível quando pensamos que a solução que precisamos é para j á , e algo assim demandaria estudos e m u i t o m a i s tempo para se

i m p l a n t a r " .

PODE S E R 0 F I M DE TUDO

As pequenas fábricas natalenses de confecçoes esperam a redaçao final do documento através

do qual o governo do Estado poderá apresentar uma solução para o p r o b l e m a . E enquanto essa redaçao final nao se c o m p l e t a , todos sao unânimes num ponto de vista:

a isenção deve continuar existindo, agora.

- "0 Rio Grande do Norte não pode se desenvolver sem insençao de impostos" - diz A n t o n i o S u c a r . "Principalmente em virtude da concorrência competitiva das industrias do s u l , que tem tudo ã p o r t a , m a t é r i a p r i m a ,

p r i n c i p a l m e n t e . Em nosso Estado só agora estamos despertando para a realidade i n d u s t r i a l . C r e i o ser j u s t a m e n t e esta a é p o c a de se i n c e n t i v a r " . P a r a Telmo B a r r e t o , "a extinção dos incentivos fiscais - ou da isenção do ICM - representa a extinção da indústria natalense de c o n f e c ç o e s " .

0 m e s m o ponto de vista tem o s r . João Batista N o g u e i r a , diretor administrativo das Confecções Soriedem:

- "A extinção dos benefícios fiscais dados até agora pelo governo do Estado representa realmente o fim de t u d o . É prá se fechar as

fportas. Não temos poder para

concorrer com as empresas do sul e até com algumas da r e g i ã o , já b e m f u n d a m e n t a d a s . A única que pode ficar em p é , no Rio Grande do N o r t e , é a Guararapes".

Ele acentua que a situação é difícil porque "ainda estamos praticamente em i m p l a n t a ç a o . 0 que fizemos até agora foi o começo que estamos tentando c o n t i n u a r . E so conseguimos chegar ao que somos por causa da isenção q u e , conquanto nao representasse m u i t a c o i s a , dava para fazer face aos encargos f i n a n c e i r o s . No caso da Soriedem: todo dinheiro

que dispomos enterramos lã". E M T E M P O DE E X P E C T A T I V A

E assim o assunto fica: deixando na e x p e c t a t i v a as pequenas

industrias de c o n f e c ç o e s , que sao as m a i s atingidas pela quebra da concessão da isenção do I C M . Foram elas as que p a r t i r a m mais d e s a s s o m b r a d a m e n t e para a ampliaçao de suas capacidades i n s t a l a d a s , no afa de dar ao Rio Grande do Norte o título de

maior parque de indústrias de confecções do Pais.

C i n q u e n t a e sete indústrias diversas do nosso Estado gozam da isenção do I C M . M a s apenas as cinco de confecçoes tiveram força suficiente para transformar a questão do fim das isenções n u m p r o b l e m a g r o f u n d o . A l g o d ã o , m á r m o r e , f i a ç a o , c i m e n t o , s i s a l , r e f r i g e r a n t e s , óleos v e g e t a i s , p e s c a d o , e s t r u t u r a s , c o r t u m e , a ç ú c a r , a l i m e n t o s , l e i t e , p a p é i s , p o s t e s , r a ç õ e s , i n s e t i c i d a s , c u t e l a r i a , i m p r e s s o s , sal - uma extensa

agenda de indústrias no Rio

Grande do Norte goza dos benefícios de 50% dos recolhimentos do

Imposto sobre Circulaçao de M e r c a d o r i a , como Compensaçao F i n a n c e i r a .

0 destino das cinquenta e duas desligadas do ramo de confecçoes talvez nao seja tao n e g r o ^

como parece o das Confecções Conte, Soriedem, Reis Magos3 Sucar e

Guararapes - esta, em menor escalai

i m o 0 3 01 3 • 9

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NOYA GUERRA DA LAGOSTA

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o Rio Grande do Norte (oi um submisso, mj ° | rico primo-pobre, vendo vários dos s^ > o w — e aumentar a renda de outro,* =

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O ATOE

OS FATOS

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» quem é?

D

assunto ganhou repercussão n a c i o n a l . Jornais e revistas de todo Brasil abriram para ele m a n c h e t e s de c a i x a - a l t a . E , c o n v e n h a m o s , o tema traz consigo - e m verdade- aquele tempero de n o t í c i a - b o m b a : estaria declarada uma nova guerra da lagosta.

0 detonador de tudo teria sido u m a decisão do governo do R i o Grande do Norte - "um d e c r e t o " , dizem os jornais - cujo conteúdo pode ser colocado n u m a curta expressão:

a lagosta é nossa.

Pois b e m . RN-ECONÔMICO procura agora levantar tudo quanto h á

de fato e de direito sobre a questão,

a fim de esclarecer a realidade desta " g u e r r a " .

E I S O S A N T E C E D E N T E S - Existe uma coisa que as estatísticas oficiais n u n c a revelaram: o Rio Grande do N o r t e é responsável por 92% da produção n a c i o n a l de l a g o s t a , sendo p o r t a n t o o maior exportador do p r o d u t o . Como? - 0 desajuste da e s t a t í s t i c a estava em q u e , até h a p o u c o , toda a n o s s a exportaçao lagosteira era feita através dos portos de F o r t a l e z a , Cabedelo e R e c i f e . A s s i m , esses Estados r e g i s t r a v a m como suas aquelas transações e o R i o Grande do Norte ficava com zero, tanto nas

e s t a t í s t i c a s quanto n a arrecadaçao dos impostos d e v i d o s . T a l situaçao r e c o l o c a v a p o r t a n t o na ordem do

0 6 dia um v e l h o "x": a questão da

1 0 - concorrência entre Estados

0 (O c 0 u w 1 v i z i n h o s .

DAf A DECISÃO - E n t ã o , depois de suspense e de d e b a t e s , deu-se a

oficialização de um ato concreto: o Rio Grande do Norte resolveu aplicar mecanismos f i s c a i s , visando garantir que a lagosta capturada em suas águas seja uma fonte de receita para o próprio E s t a d o , e não uma carreadora de rigueza para v i z i n h o s . A deliberaçao n o r t e - r i o g r a n d e n s e encontra-se na Instrução 02/72, da Secretaria

da Fazenda do R N , que dispõe sobre a cobrança do I C M , e que e s t á e m vigência desde 14 de j u n h o ú l t i m o . Tal Instrução oferece " e s c l a r e c i m e n t o aos interessados e especialmente aos senhores funcionários fiscais e arrecadadores do Estado sobre aspectos da incidência do Imposto de C i r c u l a ç ã o de Mercadorias quanto ã l a g o s t a " . D a í por d i a n t e , toda lagosta in natura que sair do Estado recebe

a incidência de 14% de I C M , sendo considerada m a r c a d o r i a pura e simples - posto que nao passa aqui por n e n h u m p r o c e s s o de i n d u s t r i a l i z a ç a o . Em outros t e r m o s , agora a isenção do imposto somente se d a r á quando o produto houver recebido no E s t a d o , p e l o m e n o s , "processo constante de

congelamento ( v i t r i f i c a ç a o ) , extirpaçao da cabeça e das v í c e r a s , e quando j á entre acondicionada em embalagem p a r a e x p o r t a ç a o " . F A L A 0 G O V E R N A D O R - A f i r m a o governador C o r t e z Pereira que "nossa posição ê irredutível e toda lagosta que sair do Rio Grande do

Norte terá que fazer o câmbio através da C A C E X , na agência do Banco do B r a s i l , em N a t a l . Temos uma costa p r i v i l e g i a d a e u m p o r t o em condiçoes de receber grandes navios para conduzir n o s s o

produtos de exportaçao; depois que foi feita a dragagem e que

aportamos o H o p e , não se pode mais duvidar dessas c o n d i ç õ e s " . FALA A J U S T I Ç A - E o secretário de Governo e Justiça do R N , s r . N e y Lopes de S o u z a , apresenta sua tese: 0 governador C o r t e z P e r e i r a , enfrentando o p r o b l e m a da l a g o s t a , quebra tabus incrustados nos hábitos comerciais do pequeno R i o Grande do Norte e m o s t r a ao Brasil até quanto ê possível um Estado pobre lutar pelos seus i n t e r ê s s e s , sem e m o c i o n a l i s m o , m a s antes com argumentos jurídicos irreversíveis e consentâneos com o direito p o s i t i v o .

Nao h á "guerra d a l a g o s t a " , m a s sim o Rio Grande do Norte exerce o seu direito de legítima d e f e s a " . FALA A F I S C A L I Z A Ç Ã Q " De outro lado o diretor do D e p a r t a m e n t o de F i s c a l i z a ç a o do E s t a d o , s r . P a u l o S a r a i v a , explica: "Nosso setor j á esta suficientemente a p a r e l h a d o , e estamos nos aparelhando ainda mais p a r a fazer uma fiscalizaçao mais

técnica e mais r a c i o n a l . Temos realizado inúmeros estudos de n o s s a realidade tributária: este

problema m e s m o da lagosta e os prejuízos que ele antes

acarretava gara o E s t a d o , s u r g i u de observaçoes do D e p a r t a m e n t o . . . Estamos desenvolvendo uma

(10)

uma fiscalizaçao eficaz, tanto no caso da lagosta quanto no de outros produtos".

Esta a realidade: e por conta da Instrução 02/72 calcula-se que o Rio Grande do Norte terá sua arrecadaçao aumentada em 200 mil anuais - valor este antes evadido para outros Estados. ONDE AS REAÇÕES? - Jornais de Recife divulgaram que a Associaçao Brasileira de Exportadores de Lagosta (ASBEL) estaria se rebelando ante a m e d i d a , inclusive prometendo impetrar mandado de segurança e enviar memorial a Delfim

Neto contra o governo do Rio Grande do Norte". E foram além os jornais: disseram que também os governadores Ernâni Sátiro, da Paraíba, e

Eraldo Gueiros, de Pernambuco, teriam se manifestado indignados com o governo potiguar.

Mas onde fica a verdade?

- Quanto ã reaçao da A S B E L , quem depois veio a público esclarecer a coisa foi o sr. Luiz Brito Passos, presidente da entidade, que em nota oficial desmentiu a "notícia publicada por um jornal de Recife, pois nunca autorizamos tal

declaração". E sobre a hipotética "indignaçao" dos governadores da Paraíba e Pernambuco, foi o

proprio governador Cortez Pereira, do Rio Grande do N o r t e , quem tranquilizou:"...nao haverá problemas nesse sentido, porque conheço de perto o procedimento destes governantes, e sei que compreenderão nossa atitude". ANTES PELO CONTRÁRIO - Estas e outras posiçoes oficiais,

portanto, parecem situar a questão da lagosta num plano diferente daquele talvez pressentido - e temido - por muitos. Tudo indica que o ato do governador norte-riograndense nao servirá de nenhum estopim para o que se poderia chamar de uma nova guerra da lagosta - desta feita uma guerra entre vizinhos .

Antes pelo contrário: passando as coisas a limpo, o que se

verifica nesses primeiros dois meses de vigência da Instrução 02j~ÍL é que o governo cada vez mais vê fortalecido seu a t o , pois as adesões surgem uma atras da outra.

José Fernandes, presidente da Associaçao Comercial do R N , considera que "a medida deve ser tomada nao só para a lagosta, mas também gara outros produtos de exportaçao".

0 presidente da Federação das Indústrias - FIERN - , sr. Expedito A m o r i m , acha "a providência

acertadíssima e bastante

necessária ao E s t a d o , mesmo sem entrar no mérito jurídico da questão'.' 0 gerente do Banco do Brasil em N a t a l , sr. Otávio Ribeiro D a n t a s , disse estar "vivamente impressionado com a atuação do governo e julga

serem as medidas relativas ã lagosta nao só do interesse da economia do Estado, como dos próprios

exportadores do Rio Grande do Norte". Também a Capitania dos Portos do R N , por intermédio de seu comandante, sr. Humberto Bertola de A l m e i d a , assegura que "nesse caso, como sempre vem usando, a Capitania colocará em prática o seu poder moderador no sentido de fazer com que seja cumprida a

decisão do governo. Nossa função - acrescenta - é

defender os interesses do Rio Grande do N o r t e , fazendo com que os exportadores, no caso os lagosteiros, cumpram a determinação baixada". Confirma ainda o diretor do Departamento de Fiscalizaçao da Fazenda Estadual: "Foram realizadas duas reuniões, convocadas pelo professor Augusto C a r l o s , às quais compareceram os lagosteiros norte-riograndenses e todos apoiaram os termos da Instrução 02/72"

A LEI GARANTE - 0 aspecto jurídico parece garantir a validade da

expressão potiguar: "A lagosta é nossa". Com efeito, o sr. Ney L o p e s , secretário de Governo e Justiça do R N , argumenta: "0 Governo do RGN nao declarou guerra fiscal a ninguém. Apenas mandou cumprir o decreto 5 7 3 5 , de

12 de abril de 1972, que regulamenta a Lei 4 0 3 5 , de 15 de dezembro de 1971. A Instrução n9 02/72 esclarece aspectos pertinentes ã incidência do ICM nas transações de lagosta. A base jurídica incontestável é a seguinte: o decreto lei 4 0 6 , de 31 de dezembro de 1968, no art. 19 define como fato gerador do ICM " a saída de mercadorias do estabelecimento comercial, industrial ou produtor". Estabelece a nao incidência nss saidas de produtos industrializados destinados ao exterior e outras hipóteses. A legislaçao estadual corrobora a regra federal, ampliando a nao incidência nas remessas às empresas comerciais que operem no comércio de exportação e armazéns alfandegados e entrepostos aduaneiros (art. 14, inciso I , letras b e c do decreto 5735)".

EM LEGITIMA DEFESA - Prosseguindo na sua tese, o sr. Ney Lopes

esclarece a onda da chamada "guerra da lagosta": "Não há guerra. Sim "legitima defesa" do que é nosso e aplicaçao da lei já existente. Nao saiu nada de novo para regular a matéria, ao contrário do que se noticia. Apenas o corpo de leis em vigor está sendo aplicado. Pretende-se conduzir o raciocinio jurídico para o campo de que o governo do Estado estaria

interferindo em área que nao é de sua competência, isto é , deter o desaparecimento da lagosta. J J NEY LOPES

-NAO EXISTE

GUERRA.

TRATA-SE DE

UMA LEGÍTIMA

DEFESA

BASEADA NA LEI

LAGOSTA

»

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E v i d e n t e m e n t e , q u e a l e g i s l a ç a o s o b r e ê s s e a s s u n t o é d e competência e x c l u s i v a d a U n i ã o ( a r t . 8 9 , i n c i s o X V I I , l e t r a h , d a C o n s t i t u i ç ã o F e d e r a l ) . N a e s p é c i e , n a o h o u v e , c o m o f o i d i t o , n e n h u m a lei o u d e c r e t o do g o v e r n a d o r C o r t e z P e r e i r a , e s p e c í f i c o s o b r e l a g o s t a . Sua E x c e l ê n c i a m a n d o u c u m p r i r a lei f i s c a l q u e n a o a g a s a l h a i s e n ç ã o p a r a t r a n s a ç õ e s de l a g o s t a e n t r e os E s t a d o s , d e f i n i n d o , tao s o m e n t e a n a o i n c i d ê n c i a do I C M n a s e x p o r t a ç õ e s d e p r o d u t o s i n d u s t r i a l i z a d o s . Q u e m d e s e j a r b e n e f i c i a r - s e d e v e e n t ã o e x p o r t a r p e l o R i o G r a n d e do N o r t e " . S O B R E 0 F A T O G E R A D O R - Q u a n t o a uma d e c l a r a ç a o p u b l i c a d a p e l a r e v i s t a " V e j a " , s e g u n d o a q u a l a l a g o s t a n a o p o d e s e r b a t i z a d a d e r i o - g r a n d e n s e , p o r q u e " e l a é m i g r a t ó r i a " , o S e c r e t á r i o faz a s e g u i n t e r e t i f i c a ç a o : " N a o se t r a t a d e b a t i z a r a l a g o s t a d e n o r t e -r i o g -r a n d e n s e , m a s s i m de e s c l a -r e c e -r

fato gerador de I m p o s t o sobre

O p e r a ç õ e s r e l a t i v a s ã C i r c u l a ç a o d e M e r c a d o r i a s ( I C M ) . N a o se t r a t a d e d e t e r o d e s a p a r e c i m e n t o d a l a g o s t a , d e s c a b e n d o , p o r t a n t o , a i n d a g a ç a o j u r í d i c a s o b r e q u e m s e r i a c o m p e t e n t e (se o E s t a d o o u a U n i ã o ) .

0 fato qerador e a q u e l e que d á

o r i g e m a o b r i g a ç a o t r i b u t á r i a ( a r t s . 1 1 4 - 1 1 8 do C ó d i g o T r i b u t á r i o N a c i o n a l ) . A lei t r i b u t á r i a , i n d i c a n d o u m a d e t e r m i n a d a s i t u a ç a o e c o n o m i c o - s o c i a l c o m o t í p i c a , d a r l u g a r ao n a s c i m e n t o d a o b r i g a ç a o t r i b u t a r i a c a r a c t e r i z a n d o a n a t u r e z a j u r í d i c a d o t r i b u t o ( a r t . 49 d o C . T . N . ) . F I S C A L I Z A Ç Ã O A T E N T A - " 0 no_sso D e p a r t a m e n t o de F i s c a l i z a ç a o a c h a - s e a t e n t o e d i s p õ e j á d e u m a a p a r e l h a g e m - a q u a l e s t á s e n d o e s p e c i a l i z a d a a i n d a m a i s - , a f i m d e c u m p r i r s u a s f u n ç õ e s g e r a i s e e n f r e n t a r q u e s t õ e s p a r t i c u l a r m e n t e e x i g e n t e s , c o m o e s t a do f i s c o s o b r e a l a g o s t a " - q u e m a s s e g u r a é o s r . P a u l o S a r a i v a , d i r e t o r d o ó r g ã o . P a u l o S a r a i v a , 33 a n o s , b a c h a r e l e m D i r e i t o , t o m o u p o s s e n a q u e l e D e p a r t a m e n t o em rnarjo p a s s a d o . S u a p r i n c i p a l p r e o c u p a ç a o a t u a l : " D e s e n v o l v e r a o r g a n i z a ç a o e os m é t o d o s d a f i s c a l i z a ç a o n o R i o G r a n d e do N o r t e , g a r a n t i n d o ao E s t a d o u m a m e l h o r r e l a ç a o c o m os c o n t r i b u i n t e s e , a f i n a l de contas, u m a m e l h o r a r r e c a d a ç a o " . D I V I D I R P A R A A D M I N I S T R A R — N e s s e s e n t i d o , d e s d e a b r i l - p e l o m e n o s - as m o d i f i c a ç õ e s c o m e ç a r a n a s e r i n t r o d u z i d a s n o s e t o r sob a c h e f i a de P a u l o S a r a i v a , s e n d o q u e a n o v a m e n t a l i d a d e a d m i n i s t r a t i v a a n u n c i o u - s e c o m a P o r t a r i a n 9 1 4 , d e 2 6 . 4 . 7 2 . E s t a P o r t a r i a traz a l g u n s considerandos que a i n d a c o n t i n u a m d e pê: - " C o n s i d e r a n d o a n e c e s s i d a d e d e i m p l e m e n t a r m e d i d a s a d m i n i s t r a t i v a s d e c a r á t e r p r o v i s ó r i o e q u e p o s s i b i l i t e m a c u r t o p r a z o u m a m a i o r d i n a m i z a ç a o no t r a b a l h o d e f i s c a l i z a ç a o ; - " C o n s i d e r a n d o q u e a f i s c a l i z a ç ã o d a C a p i t a l n e c e s s i t a u r g e n t e m e n t e d e u m a n o v a e s t r u t u r a ç ã o q u e v e n h a f a c i l i t a r a m o b i l i z a ç ã o do p e s s o a l d e n t r o de u m e s q u e m a de a t r i b u i ç õ e s e d e s l o c a m e n t o r a c i o n a i s ; - " C o n s i d e r a n d o q u e a m o b i l i z a ç ã o t e m p o r e s c o p o a g l u t i n a r a a ç ã o f i s c a l i z a d o r a de m o d o a q u e se d i m i n u a a e v a s a o t r i b u t a r i a , p o s s i b i l i t a n d o c o m e s t a s m e d i d a s c o n t r i b u i r p a r a u m a m e l h o r a ç a o a r r e c a d a d o r a ; - " C o n s i d e r a n d o q u e d e t e r m i n a d a s m e d i d a s , t e n d o e m v i s t a a o r g a n i z a ç a o d a f i s c a l i z a ç a o n a C a p i t a l , s e r ã o i m p r e s c i n d í v e i s p a r a q u e t o d a a ç a o d e f i s c a l i z a ç a o n a o s e j a f e i t a sob a f o r m a d e i m p r o v i s a ç ã o , a c a r r e t a n d o os p r o b l e m a s o r i u n d o s de u m a a ç a o n a o p l a n e j a d a racionalmente'.' A p a r t i r d e s s e s p o n t o s P a u l o S a r a i v a , p e r f e i t a m e n t e e n t r o s a d o c o m o S e c r e t á r i o A u g u s t o C a r l o s ( - " E n t e n d o - m e o t i m a m e n t e c o m o p r o f e s s o r , c o m q u e m , a l i á s , t r a b a l h o h á s e t e a n o s " ) , d i v i d i u a c i d a d e de N a t a l e m q u a t r o z o n a s f i s c a i s , c a d a u m a d e l a s s u b d i v i d i d a s e m d e z s u b d i s t r i t o s , t u d o " t e n d o e m v i s t a a m a i o r e f i c á c i a o p e r a c i o n a l do D e p a r t a m e n t o " . F I S C A L § C O N T R I B U I N T E — E x i s t e a i n d a u m p o n t o q u e , m e s m o n a o c o n s t a n d o d a c i t a d a P o r t a r i a , é a p r e s e n t a d o p e l o D i r e t o r do D e p a r t a m e n t o de F i s c a l i z a ç a o c o m g r a n d e ê n f a s e : - " Q u e r e m o s as m e l h o r e s r e l a ç õ e s p o s s í v e i s e n t r e os f i s c a i s e os c o n t r i b u i n t e s . H o j e , o f i s c a l n ã o p o d e m a i s ser e n t e n d i d o c o m o procurador do rei. 0 f i s c a l m o d e r n o é u m a m i g o d o c o n t r i b u i n t e , q u e lhe leva c o n t r i b u i ç ã o e o r i e n t a ç a o . D e o u t r o l a d o , os i m p o s t o s d e v e m ser e e s t ã o s e n d o c o m p r e e n d i d o s c o m o u m a obrigação social, e n a o c o m o u m a u s u r p a ç a o s e m s e n t i d o do E s t a d o " . A s s i m a g i n d o , o d i r e t o r P a u l o S a r a i v a a f i r m a q u e o s i s t e m a de f i s c a l i z a ç a o do E s t a d o " e s t á a p t o p a r a c u m p r i r seu p a p e l , t a m b é m q u a n t o ao c a s o d a l a g o s t a , c u j a t a x a ç a o d e v e r á t r a z e r p a r a os c o f r e s do RN c e r c a d e m a i s 2 0 0 . 0 0 0 c r u z e i r o s a n u a i s " . E m sua p r u d ê n c i a , P a u l o d i s c o r d a e n t ã o do q u e v e m s e n d o d i v u l g a d o q u a n t o ao c á l c u l o do a u m e n t o d a r e c e i t a : "A i m p r e n s a f a l o u e m 3 0 0 . 0 0 0 c r u z e i r o s , m a s p r e f i r o f i c a r n o s 2 0 0 . 0 0 0 ; e n ã o p o d e m o s p o r e n q u a n t o a n u n c i a r q u a l o í n d i c e p e r c e n t u a l d e s t e a u m e n t o e m r e l a ç a o ao t o t a l d a a r r e c a d a ç a o do E s t a d o , p o i s e s t e t o t a l , e x a t a m e n t e , só i r e m o s c o n h e c e r ao f i m do e x e r c í c i o " . J J

TANTO A JUSTIÇA

QUANTO A

FISCALIZAÇÃO

GARANTEM:

- A LAGOSTA

E NOSSA

LAGOSTA

pi o o a o> 3 H. O O 13 PAULO SARAIVA

(13)

LAGOSTA

ANTES DO ATO, A LUTA E (AFINAL) A VITORIA DE UMA EMPRESA PIONEIRA

(Esta parte final da reportagem foi escrita antes da Instrução 0 2 / 7 2 . Texto:Jomar José) Quando no dia 4 de maio passado, no porto do Recife, 4 mil libras de cauda de lagosta do Rio Grande do Norte eram embarcadas num navio frigorífico para os Estados U n i d o s , em nome da F r i n a p e , sorrisos irônicos e algumas piadas foram ouvidos pelo diretor da empresa natalense de seus colegas pernambucanos e paraibanos. Naquele mesmo d i a , no mesmo n a v i o , empresas lagosteiras desses Estados (muitas atuantes no RN) exportavam de 50 m i l a 130 mil libras do produto. E os extremos verificados entre as exportaçoes dessas empresas e a da recém-criada o indústria

B natalense bem que e se tornaram motivos 0 para desdéns. 1 Mas para o jovem 2 diretor da 14 . Frigorífico Natal I'esca L t d a . , Eider Correia de P a i v a , acima de tudo estava o sabor de uma vitória, a marca de um pioneirismo. Naquele d i a , a Frinape se tornava a primeira empresa potiguar a beneficiar e exportar a lagosta capturada no litoral norte-riograndense. E m b o r a , para isso, tenha se desviado um pouco de

seu plano inicial, inclusive se desfazendo do seu frigorífico -que nao chegou a funcionar - para cobrir despesas inesperadas, para as quais os financiamentos de órgãos de crédito nao chegaram, por falta de garantias. No dia 12 de junho a exportaçao teve continuidade, com o envio de mais 3 500 libras para Nova Iorque. A Frinape, então, passou a anunciar nos jornais: "agora a lagosta no Rio Grande do Norte está sendo exportada por empresa do Kio Grande do Norte". DEPOIS DA PRESSÃO Em setembro do ano passado -época em que a Frigorífico Natal Pcsca Ltda., estava se formando e lutava por um financiamento do Bandern - o seu idealizador e fundador, Abelardo Bezerra de Melo (delegado Fiscal do Estado),disse ao número 29 de RN-ECONÔMICO : "As principais indústrias de Estados vizinhos, que operam em Natal deixam patentes as suas capacidades financeiras e o domínio completo que exercem sobre a nossa lagosta". E a afirmaçao -reforçada por alguns fatos como, por exemplo, a repreensão do empresário a pequenos lagosteiros do RN que pensarem e m , por conta própria, beneficiar e exportar a lagosta e o baixo p r e ç o , de $14,00 o quilo, pelo qual era adquirido o produto para sor vendido ao exterior por $45,00 - causou pânico nos escritórios das empresas de fora aqui sediadas. Do Recife vieram diretores para se entender com o sr. Abelardo de M e l o . Foram feitas contestações publicas às declarações do delegado fiscal (apesar da ausência de dados nas contestações) e até o repórter de .RN-ECONÕMICO foi tratado com indiferença no escritório da Norte-Pesca, que comandou a reaçao das demais empresas lagos te i ras. Prometendo ao repórter um desmentido escrito, empresários pernambucanos logo desistiram da idéia. Mas acusaram o Governo do Estado de nao recebe-los b e m , reinvidicando o direito de contar com todas as concessoes porque "também somos brasilei ros". Falou-se ainda em pressionar a Frinape q u e , há oito m e s e s , iniciava os contatos com o exterior visando exportaçoes. Se as pressões vieram ou n a o , o s r . Bezerra de Melo nao quis confirmar ou desmentir. Agora,porem, pelo menos no lado que nao c oculto, ha apenas sarcasmo e

descrença que nao tem chegado a causar desânimo.

OS CONTATOS Sem poder atender as exigências das entidades de crédito, oficiais e particulares, o idealizador da Frinape resolveu apelar para algum grupo estrangeiro que pudesse lhe emprestar 25 mil dólares. Chamou um intérprete e , pelo telefone falou com os diretores da "Empress", a firma que hoje esta importando a lagosta da Frinape• A ligaçao custou $186,00, mas valeu um empréstimo de 25 mil dólares, sem avalista e - diz Abelardo - "sem eles nunca me terem visto". Em menos de 15 dias o dinheiro foi recebido en Natal e a Empresa passou a exportar. Atualmente a Frinape recebe por cada libra (450 gramas) de cauda de lagosta, na hora do embarque, 2 dólares. Isso porque, sendo a lagosta uma mercadoria perecível, so depois de feita a liquidaçao pela "Empress" - que armazena e distribui o produto em Nova Iorque - e que se pode ter certeza da lucratividade.Isso num prazo de 90 dias. No mercado internacional o preço da lagosta é considerado excelente. Nos Estado U n i d o s , um quilo esta custando em torno de $48,00. E , ponderando sobre essa oportunidade do m e r c a d o , os diretores da Natal Fri gorlfico reclamam contra a captura indisciplinada que, segundo e l e s . continua sendo feita no litoral do Rio Grande do N o r t e , apesar das providências anunciadas pela Sudepe. ABRINDO PORTAS No ano passado, Pernambuco exportou 1 milhão e 700 mil libras de lagosta, e o C e a r á , 4 milhões e 300 mil libras. Nesse período, o Rio Grande do Norte teve 90% das exportaçoes feitas pelo porto do Recife e 30% das exportaçoes feitas pelo porto de Fortaleza. Contudo, o RN nao figurou nas estatísticas como Estado exportador, pois a sua produção foi exportadas através de empresas de Estados vizinhos. A Frinape, mesmo sendo a primeira empresa norte-riograndense do ramo, continua exportando pelo porto do Recife. Motivo : os navios frigoríficos nao vêm até Natal. Mas a exportaçao de lagosta por indústrias potiguares vem abrir muitas portas antes fechadas e , por isso, os diretores da Frinape estão pretendendo solicitar a intervenção do Governo do Estado, no sentido de trazer, com regularidade, ao porto de N a t a l , navios frigoríficos. Esses navios sao mistos e poderão le';ar para os Estados Unidos outros produtos do Estado, inclusive algodao e s a l , enquanto reduzirão os custos da exportaçao de lagosta, aumentados com os fretes do transporte rodoviário Natal-Recife/ Entretanto, enquanto a medida nao é adotada, a Frinape vai continuar atuando com os seus 15 barcos m é d i o s , na praia de C a i ç a r a ^ , Vv

f

econômico

HW

. *

«ÉÉ^flfli AhF.LAHDo oL'Zb'HRA

(14)

COMO

ENTENDER

A

CRISE *

S E B A S T I Ã O C A R V A L H O A s i t u a ç a o do M e r c a d o de C a p i t a i s e s t á , nos ú l t i m o s d i a s , s o f r e n d o i n f l u e n c i a de s £ tores e x t r a - m e r c a d o q u e atuam n e g a t i v a m e n t e nas c o t a ç o e s , a p a v o r a n d o em p a r t i c u l a r -os p e q u e n o s i n v e s t i d o r e s g e r a l m e n t e m a l in f o r m a d o s q u a n t o as n u a n c e s do s i s t e m a . T a l s i t u a ç a o o c a s i o n o u , em fins de j u n h o , a q u £ da de c o t a ç ã o dos p r i n c i p a i s p a p é i s brasjL l e i r o s , os c h a m a d o s b l u e c h i p s , como os da C i a . V a l e do R i o D o c e , do B a n c o do NordejS t e , d a P e t r o b r á s F N , do B a n c o do B r a s i l ou da B e l g o - M i n e i r a . N a q u e l a é p o c a , a s u s p e n s ã o das a s s e m b l é i a s destas cinco g r a n d e s e m p r e s a s a u m e n tou o n e r v o s i s m o e o c l i m a de i n c e r t e z a to m o u conta de t o d o s , p a r e c e n d o ate q u e o p r o p r i o g o v e r n o e s t a v a h e s i t a n d o q u a n t o a uma tomada de p o s i ç ã o f r e n t e ao M e r c a d o . M a s a lógica e o b o m s e n s o dos h o m e n s i n t i m a m e n t e ligados ao s i s t e m a d e t e r m i n a m q u e o a c o n s e l h á v e l em casos d e s t a n a t u r e z a (embora a q u e l e p e r í o d o tenha sido o m a i s nj2 g a t i v o , n o c o r r e n t e ano) é a " m a n u t e n ç a o das p o s i ç o e s a t u a i s " . C o n c o m i t a n t e m e n t e , n a o se d e v e dar o u v i d o s aos e s p e c u l a d o r e s , que g £ r a l m e n t e a p e n a s se u t i l i z a m da f r a g i l i d a d e e m o c i o n a l dos p e q u e n o s i n v e s t i d o r e s , e s p a lhando b o a t o s q u e tomam c o r p o . A P Ô S A Q U E D A , A A S C E N S Ã O 0 c o r r e t o r M a n o e l M a c e d o , da S e r v e c r e d - C o r r e t o r a de V a l o r e s M o b i l i á r i o s e C a m b i o de N a t a l a c h a q u e o " m o m e n t o é m a i s do que n u n c a p a r a se c o n f i a r e a g u a r d a r " . L e m b r a ele q u e "as e m p r e s a s q u e n a o p u b l i c a r a m b a l a n ç o , m e s m o as n a o o f i c i a i s , e s t ã o c o m re servas de b o n i f i c a j a o as m e l h o r e s p o s s í v e i s . E essas r e s e r v a s n a o irao p a r a n i n g u é m , a n a o ser q u e os que n e l a i n v e s t i r e m " . E n t e n d e M a n o e l M a c e d o q u e "se h o j e p a p e i s de g r a n d e s e m p r e s a s e s t ã o e m b a i x a , e e s t ã o b a r a t o s , isto e s i n a l de q u e vao su b i r b r e v e m e n t e . So p o d e m chegar a v a l e r m a i s , p r i n c i p a l m e n t e p o r q u e h o j e c u s t a m p o u c o . Se e s t i v e s s e m c a r o , a t e n d ê n c i a era b a T x a r e n a o subir de p r e ç o " . D o q u e e l e con cluiu: " A é p o c a p a r a se c o m p r a r é j u s t a m e n te e s t a . Q u e m c o n f i a no M e r c a d o e e n t e n d e seu m e c a n i s m o , v a i g a n h a r d i n h e i r o " . É B O M T R A B A L H A R E M S I L Ê N C I O P a r a os e n t e n d e d o r e s das m u t a ç õ e s do M e r c a d o de C a p i t a i s os m o m e n t o s de b a i x a s b r u s c a s o u v a r i a ç õ e s i n o p i n a d a s sao oportii n i d a d e s p a r a se s i l e n c i a r . N a o se d e v e fa lar m u i t o , p o r q u e q u a l q u e r p a l a v r a p o d e fe^ rir m a i s a i n d a a s i t u a ç a o . 0 p r e s i d e n t e d a B o l s a de V a l o r e s do R i o G r a n d e do N o r t e , c o r r e t o r B r e n o F e r n a n d e s B a r r o s , a p r e s e n t a o p i n i ã o i d ê n t i c a : - " N a o h á razao p a r a se t e m e r . 0 lógico é a g u a r d a r . 0 q u e e s t á h a v e n d o , s e m p r e h o u v e e s e m p r e h a v e r á . 0 M e r c a d o de C a p i t a i s é um s i s t e m a q u e v i v e j u s t a m e n t e de o s c i l a ç o e s de p r e ç o s , p a r a p o d e r m a n t e r a m e r c a d o r i a e m e v i d e n c i a . A s g r a n d e s e m p r e s a s q u e d i £ t r i b u e m b o n i f i c a ç õ e s e / o u f i l h o t e s após seus b a l a n ç o s n a o sao a ú n i c a e s p e r a n ç a do M e r c a d o r e a g i r . P r i n c i p l a m e n t e p o r q u e acho que e s t á tudo n o r m a l e n a o e x i s t e n a d a q u e p o s s a v i r c o n t u r b a r o s i s t e m a . H o j e o i n v e ^ t i d o r se acha p s i c o l o g i c a m e n t e a f e t a d o de m a n e i r a n e g a t i v a , m a s d e n t r o em b r e v e p o d e h a v e r o r e p i q u e e a i n f l u e n c i a p s i c o l o g i c a v o l t a r á a ser p o s i t i v a " . H Ã M A I S D I N H E I R O D O Q U E P A P É I S S e m p r e se c o n s i d e r o u p o n t o p a c i f i c o , n o M e r c a d o de C a p i t a i s n o B r a s i l , q u e e n t r e nós h á m a i s d i n h e i r o p a r a a p l i c a r do q u e p a p é i s p a r a c o m p r a r . E s s a v e r d a d e foi t o r n a d a m a i s p a l p á v e l nas a n á l i s e s q u e se em j u n h o de 1 9 7 0 , q u a n d o se s e n t i u q u e o p r o b l e m a b á s i c o das B o l s a s de V a l o r e s era a e s t r e i t e za de p a p é i s . D o q u e , l o g i c a m e n t e , s u r g i a a s u p e r v a l o r i z a ç a o d e d e t e r m i n a d a s a ç õ e s , em d e t r i m e n t o d a q u e d a v e r t i g i n o s a dos p r £ ços de o u t r a s . E m 1971 j á h a v i a u m a lista o f i c i a l de p a p e i s m u i t o m a i s v o l u m o s a e s o b r e t u d o as g r a n d e s B o l s a s (Rio e Sao P a u l o ) j á p o d i a m o f e r e c e r a l g u m a s d e z e n a s de títulos aos iii v e s t i d o r e s . M a n o e l M a c e d o c o n c o r d a p l e n a m e n t e c o m e s s a v e r d a d e : - " P o s s o g a r a n t i r q u e , p e l o m e n o s n a m i n h a c o r r e t o r a , o m e l h o r m o m e n t o p a r a c o m p r a r p ^ péis é a q u e l e em que se v e r i f i c a a q u e d a de p r e ç o s . P o r q u e s e m p r e incuti n a m e n t e dos m e u s c l i e n t e s q u e e n e s s a s o c a s i o e s q u e se deve i n v e s t i r " .

M a s ele não d e i x a de lembrar q u e "o q u e d á s e m p r e m a i o r r e n t a b i l i d a d e sao r e a l m e n t e as ações de l i q u i d e z t r a n q u i l a . 0 M e r c a d o P r i m á r i o , e s t e e s t á a t r a v e s s a n d o um p e r í o d o de v a c a s m a g r a s . A s s i m como os F u n d o s Mii t u o s . M a s isto é o u t r o a s s u n t o " . L U C R O P O D E D E M 3 R A R , M A S V E M Se q u i s e r m o s tomar o ano c i v i l de 19 de j a n e i r o a 31 de d e z e m b r o de 1971 como u m e £ p a ç o de tempo p a r a c o l o c a r o m o v i m e n t o d a B o l s a e m p o n t o de ser a n a l i s a d o , v e r e m o s q u e foi n e s s a é p o c a q u e o s i s t e m a m a i s movi^ m e n t o u d i n h e i r o no B r a s i l . A s B o l s a s do R i o e Sao P a u l o , j u n t a s , m o v i m e n t a r a m n a q u e l e p e r í o d o C r $ 2 5 , 5 b i lhoes - isto é , m a i s do q u e 5 b i l h õ e s de d £ l a r e s . C a d a uma das duas Bolsas t i v e r a m , n e ^ se p e r í o d o , m o v i m e n t o seis v e z e s m a i o r do q u e n o ano a n t e r i o r q u e , p o r sua v e z , jã t_i_ n h a sido c o n s i d e r a d o u m ano e x c e l e n t e .

- " C o n s i d e r a n d o - s e coisas a s s i m , e saberi d o - s e do e m p e n h o do p r o p r i o g o v e r n o em m a n ter o s i s t e m a das B o l s a s como um dos supo_r tes d a n o s s a r o t a t i v i d a d e m o n e t á r i a , n a o p £ demos a c r e d i t a r e m p o s s i b i l i d a d e s n e g a t i v a s p a r a o s i s t e m a " - d i z M a n o e l M a c e d o . "0 q u e se d e v e fazer é p o r um f r e i o n a s especulji ç o e s , a fim de q u e todos e n t e n d a m de u m a v e z por todas q u e n o M e r c a d o d e C a p i t a i s o lucro v e m , m a s a m é d i o e longo p r a z o . E s s a h i s t o r i a de c o m p r a r açao h o j e e amanha e £ tar c o m l u c r o d o b r a d o , h á m u i t o q u e acabou',' f i n a l i z a •

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