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Academic year: 2021

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CATEGORIA: CONCLUÍDO CATEGORIA:

ÁREA: CIÊNCIAS SOCIAIS E APLICADAS ÁREA:

SUBÁREA: Arquitetura e Urbanismo SUBÁREA:

INSTITUIÇÃO(ÕES): UNIVERSIDADE SÃO FRANCISCO - USF INSTITUIÇÃO(ÕES):

AUTOR(ES): THAINÁ GUARESMA FERNANDES AUTOR(ES):

ORIENTADOR(ES): LAURA REILY DE SOUZA ORIENTADOR(ES):

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TERRITÓRIOS NEGROS: O IMPACTO DO CRESCIMENTO

URBANO DE ITATIBA NAS DINÂMICAS DO QUILOMBO DAS

BROTAS

1. Resumo

O presente estudo faz parte de uma linha de pesquisa cuja finalidade é compreender as dinâmicas presentes dentro do Quilombo Brotas e suas relações com o entorno, trazendo à discussão o processo de crescimento e urbanização da cidade de Itatiba e o quanto ele influenciou na vida das mais de quarenta famílias moradoras daquele espaço. A cidade de Itatiba foi uma das pioneiras no processo de abolição da escravatura, sendo que já servia de refúgio para ex-escravos receosos de possíveis recapturas, ou ainda de escravos fugitivos. Em meio a esse processo, fundou-se o ‘Quilombo Brotas’, num sítio anteriormente afastado dos limites urbanos da cidade, mas que, hoje, encontra-se inserido no perímetro urbano, sendo essa uma de suas principais peculiaridades. A partir de pesquisas preliminares, compreendeu-se que o Quilombo Brotas é o primeiro remanescente quilombola reconhecido pelo ITESP (Instituto de Terras de São Paulo) como ‘quilombo urbano’. Isto é, a urbanização da cidade cresceu de tal forma, que não só atingiu o quilombo como ‘inseriu-o’ dentro da malha urbana. Assim, o quilombo tem uma importância histórico-social riquíssima e traz consigo um resgate da memória da cidade, assim como da memória nacional sobre os anos de escravidão vividos em terras brasileiras. As investigações realizadas embasaram os primeiros passos do estudo da iniciação científica, permitindo compreender que a fundação da cidade de Itatiba está intimamente ligada ao crescimento do Quilombo, mesmo que a população atual da cidade tenha níveis de preconceito racial bastante alarmantes.

Palavras-chave: cidade; escravidão; urbanização.

2. Introdução

Muito se fala sobre racismo e segregação racial no contexto social que se vive atualmente. O preconceito tornou-se uma expressão deveras banalizada e carregada de múltiplas interpretações, cujo foco inicial – que era denotar a existência de um pré-julgamento baseado em um senso estético – se perdeu. No entanto, pouco se percebe que a segregação racial vai muito além de atitudes do dia a dia e acontece à medida que os estudos e pesquisas comprovam que a população favelada e marginalizada é majoritariamente negra ou parda (MEIRELLES E ATHAYDE, 2014). E esse cenário não é novo, muito pelo contrário, foi se criando desde meados de 1800, quando tiveram início os

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primeiros movimentos abolicionistas, que trouxeram à chamada ‘cidade’ uma população fugitiva ou recém-liberta que procurava formas de se inserir na economia local e garantir o próprio sustento. Um negro, nesta época, poderia viver como escravo, como liberto ou ainda como quilombola. Se escravo, o negro vivia sob condições inumanas, o qual era

portador do próprio corpo, mas não proprietário deste. Se liberto, poderia viver dentro da

cidade assumindo funções como a de escravo de ganho (alugado por hora ou dia), carregador de objetos, entre outros. Ou ainda, uma terceira opção – e foco deste estudo – era viver dentro de um quilombo (ROLNIK, 1989).

Os quilombos, também conhecido como ‘mocambos’, eram caracterizados por agrupamentos de negros fugitivos ou alforriados que viviam em comunidade, localizando-se em locais de difícil acesso e extremamente distantes das fazendas e cidades, como forma de evitar uma possível recaptura.

Neste caso citado, a segregação foi uma escolha deste povo, que por medo ou qualquer outro fator relevante, preferiu se instalar bem longe dos agrupamentos sociais da época. Entretanto, alguns povoados remanescentes quilombolas não só se mantiveram firmes dentro de seus espaços, como foram ‘atingidos’ pela globalização e crescimento das cidades. É o caso do ‘Quilombo Brotas’, localizado em Itatiba (SP), cuja localidade insere-se dentro da cidade; todavia, as relações com insere-seu entorno são deveras peculiares, o que traz a necessidade do estudo.

A partir das pesquisas preliminares, identificou-se a existência de ‘falhas’ no plano diretor municipal, no tocante à preservação do remanescente quilombola, estando este último incluso em zona de ‘outorga onerosa do direito de construir’, o que vai contra qualquer princípio de tombamento e preservação – já reconhecido pelo Instituto de Terras de São Paulo.

O Quilombo Brotas também tem grande importância na formação histórica de Itatiba, visto que abrigava fugitivos de demais cidades vizinhas como Campinas e Vinhedo. A dificuldade de acesso ao quilombo para a recaptura dos escravos aumentava as tensões e dava subsídio às ideias abolicionistas, já cogitadas pelos fazendeiros da época. Dessa

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forma, em abril de 1888 (um mês antes da abolição da escravatura em todo o território brasileiro), na cidade de Itatiba haviam-se registros de somente oito escravos.

A partir dessas questões a pesquisa segue em direção a um estudo mais profundo da urbanização da cidade e do crescimento do próprio quilombo e até onde ambos os acontecimentos estão atrelados.

3. Objetivos

Este estudo procurou compreender o impacto das dinâmicas urbanas e o crescimento da cidade de Itatiba na segregação sócio espacial do Quilombo Brotas, a partir da:

a) Análise do crescimento da cidade, compreendendo a maneira como a urbanização e a expansão de Itatiba aconteceram e de que forma isso influenciou nas dinâmicas e relações do Quilombo Brotas;

b) Análise dos vetores de crescimento e os perfis sociais e morfológicos dessa urbanização, ou seja, identificando os fatores que influenciaram no crescimento da cidade e compreender quais são os perfis presentes dentro deste contexto, tanto no quilombo quanto dentro do espaço urbano;

c) Identificação dos conflitos na relação do quilombo com seu entorno, sendo essa relação analisada a partir do viés de um quilombo como território e em seguida, como espaço social.

4. Metodologia

A etapa inicial do estudo envolveu uma revisão bibliográfica que inclui um estudo aprofundado do plano diretor da cidade de Itatiba, a leitura do relatório de tombamento do Quilombo Brotas, expedido pelo ITESP, assim como uma investigação da história da formação dessa comunidade quilombola e do município consonantemente.

Num segundo momento foram realizadas pesquisas de arquivos cartográficos da cidade, o que contribuiu para entender a sua formação e os seus vetores de crescimento, e também a história da aprovação de loteamentos próximos ao quilombo e como isso afetou a dinâmica interna deste último. A partir disso, foi feita uma análise quantitativa e qualitativa do crescimento da cidade, determinando mais uma vez seus vetores e agentes agravantes da

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problemática segregativa já existente, dados que puderam ser analisados com a produção de um mapa.

Por fim, uma última pesquisa sobre a história do tombamento e reconhecimento do Quilombo Brotas, permitiu uma conclusão concreta sobre a maneira como este se relaciona com o entorno, qual o impacto da cidade dentro do Quilombo e vice-versa.

As pesquisas foram feitas majoritariamente através de dados bibliográficos, livros e arquivos públicos, como forma de enriquecer e sustentar os dados do estudo.

5. Desenvolvimento

O relatório de tombamento do ITESP (Instituto de Terras de São Paulo) – primeiro documento a ser lido para esta pesquisa – confirma as heranças históricas do quilombo como remanescentes do período da escravatura, afirmando a resistência da comunidade por mais de dois séculos no local. Segundo o próprio Itesp, o pedido do tombamento se deu pelos próprios moradores da cidade, membros da O.N.G Fórum Pró Cidadania, cuja preocupação envolve não só a preservação da identidade cultural dos moradores, mas também a própria região do quilombo que é rica em mananciais e pode ser seriamente prejudicada com o crescimento desordenado da cidade, que avança pelos limites do terreno quilombola. Inicialmente, o termo ‘quilombo’ sofreu um processo de ressemantização, até ser definido como: “grupos étnicos, predominantemente constituídos pela população negra rural ou urbana e que se auto definem como tal a partir das relações com a terra, o parentesco, o território, a ancestralidade, as tradições e práticas culturais próprias” (ITESP, 2004 p.14). O documento também traz a teoria de que a formação da cidade de Itatiba – conhecida por ter se dado através de criminosos fugitivos – aconteceu também através de quilombos. Segundo o relatório, a presença de negros aquilombados é relatada nas proximidades de Itatiba desde o século XVIII. Não obstante, escravos que fugiam de seus senhores eram tratados como criminosos comuns, portanto, há grandes chances de os criminosos que deram início à fundação da cidade de Itatiba serem negros, ex-escravos. E ainda questiona:

Um município que foi o segundo maior do Estado em número de escravos negros. O que teria acontecido com esses negros? Eles não

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desapareceram, vivem em guetos ou bairros afastados do centro da cidade com um acesso precário aos serviços públicos. Ignorados pela maioria da população itatibense e pelo poder público. (ITESP/R.T.C – QUILOMBO BROTAS, 2004 p.33.)

O relatório também explana a maneira que o grupo utiliza a terra enquanto sistema de posse comunal, como o uso dos recursos e de tudo o que compreende o terreno de forma ‘conjunta’ e organizada, visando também uma defesa perante a sociedade.

A religiosidade também foi tida em consideração, visto que a Umbanda também representa parte da herança étnica desta comunidade. O ‘Terreiro de Umbanda da Tia Lula’ foi fundado por volta de 1950, quando Maria Emilia Barbosa Gomes, montou uma tenda próxima à casa de sua mãe e seus trabalhos fizeram com que sua fama se difundisse.

Com a morte da mãe, Maria Emilia tornou-se a matriarca do quilombo e todas as decisões a respeito do território passavam por ela.

Estivemos durante meses fazendo uma pesquisa de campo e documental que possibilitaram a reconstrução da história deste grupo, bem como, de sua identidade étnica, essa última fundamentada pelas redes de sociabilidade calcadas no parentesco, nas relações de trabalho e simbólicas que o grupo mantém com a área que ocupa. Constatamos que a Comunidade Brotas é realmente constituída por descendentes de escravos, que compraram um sítio há aproximadamente 120 anos e onde seus descendentes constituíram um território quilombola. Assim, com base no estudo técnico-científico desse grupo considero que os trabalhos antropológicos não deixam dúvidas sobre a origem quilombola da mesma. (ITESP, 2004 p.53)

conclui o relatório, reconhecendo os direitos dos moradores da comunidade quilombola de gozar dos direitos que lhes são assegurados constitucionalmente. A partir dessa análise bastante apurada do documento, partiu-se para uma pesquisa dentro do plano diretor da cidade de Itatiba. No que se refere ao Quilombo Brotas, o plano diretor possui um parágrafo único, que aqui se transcreve:

Art. 120. O Poder Executivo deverá, no prazo de 120 (cento e vinte dias), regulamentar por meio lei específica o Plano Diretor Participativo do Quilombo Brotas, cuja área integra a Zona de Patrimônio Histórico, Cultural, Ambiental, Artístico e Turístico

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(ZPHCAAT) a que alude a Lei de Uso e Ocupação do Solo deste Município”. (ITATIBA, 2011 p. 42)

Não só não foram encontradas menções à regulamentação de um suposto Plano Diretor Participativo, quanto também não se encontram informações de preservação dos mananciais presentes no terreno do quilombo, ou de qualquer intenção de incentivo a não ocupação desenfreada dos ambientes naturais da cidade. Encontramos a região pertencente ao Quilombo Brotas, inclusa numa área pertencente à Zona de Outorga Onerosa do Direito de Construir, que permite exceder o limite máximo de pavimentos construídos mediante a prévio pagamento para a prefeitura.

Obtidos esses dados, a pesquisa correu em direção à produção de um mapa que permitisse mensurar a dimensão do crescimento da cidade em direção ao Quilombo. Inicialmente houve muita dificuldade para encontrar esses dados, principalmente pela falta de informações relevantes na prefeitura e ausência de livros que trouxessem as informações para fundamentar a pesquisa. Os dados encontrados no Museu Padre Lima, remontavam o início da colonização da cidade, como previsto, desde sempre com a presença de negros e escravos, fugidos de outras fazendas próximas ou adquiridos para trabalhar aqui. Esses mesmos dados apontam que “em 1832 a Freguesia de Nossa Senhora do Belém já possuía cerca de 2090 habitantes, sendo que 551 eram escravos dos quais 195 haviam sido trazidos diretamente do continente africano e os demais, 356, de outras províncias” (BARBOSA, José Roberto, p.10. Arquivo Exclusivo Museu Pe. Lima) Os arquivos também relatam uma ‘classificação’ dentre os quilombos, em que a expressão ‘quilombo urbano’ já existe eram definidos da seguinte forma:

“Ficavam localizados em locais, também ermos, porém não muito distantes dos municípios. Pois era característica dos seus habitantes manterem contato constante com a cidade. Misturando se a aos negros livres ou escravos driblavam as autoridades e ganhavam dinheiro trabalhando na cidade e fazendas ou vendendo animais e produtos agrícolas”. (BARBOSA, p.10)

Desta forma, descobriu-se a existência de uma série de reportagens sobre o surgimento dos bairros da cidade, feita pelo antigo ‘Nosso Jornal’, da cidade de Itatiba, na

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década de 90. Esses jornais ficam à disposição da população – que pouco sabe sobre a existência deles – no Arquivo Público da cidade e foram de crucial importância para a produção do mapa que dimensiona o crescimento urbano direcionado ao quilombo.

Como toda cidade brasileira metropolitana de São Paulo, Itatiba teve seu ápice de crescimento no final do século XIX e início do XX, período em que a Revolução Industrial atingiu as cidades brasileiras com mais afinco. Entretanto, as primeiras ocupações datam de muito antes dessa época, quando as doze famílias pioneiras se instalaram próximas ao Ribeirão Jacaré, afluente do Rio Atibaia. A partir disso, a região central de Itatiba foi se consolidando, até que no início do século vinte, a população itatibense se espalhara atingindo pela primeira vez os fundos do espaço quilombola. Os bairros localizados nessa área são o Jardim Nova Itatiba e o Jardim Santa Filomena, ambos exclusivamente residenciais, de médio a alto padrão, cuja população atualmente se relaciona melhor com os quilombolas, mas durante esse período de estabelecimento do primeiro contato entre culturas, as relações eram mais tensas e propensas a desentendimentos.

Até o fim do século, o quilombo já se encontra cercado por condomínios residenciais e bairros de médio a alto padrão, que inicialmente pouco se relacionavam entre si, mas atualmente, essas relações existem e são de certa forma, prejudiciais.

Há uma série de problemáticas que atingem o remanescente quilombola, dentre elas, a presença de pessoas não pertencentes às famílias originais representadas pelo Conselho – algo que inevitavelmente acabaria acontecendo através de casamentos, por exemplo. Essas pessoas não necessariamente compreendem a importância das manifestações culturais existentes ali dentro, como a Tenda da Tia Lula, que sofreu com uma tentativa de destruição por parte de intolerantes e fundamentalistas religiosos. Outro problema encontrado é o aluguel ou abandono das casas dentro do quilombo, por parte dos descendentes das famílias que moravam lá desde o seu surgimento.

6. Resultados

A produção dos mapas permite uma análise bastante consistente sobre o crescimento da cidade e a apatia dos órgãos públicos responsáveis quanto ao crescimento

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desordenado do centro em direção ao quilombo, que não só é tombado como Patrimônio Histórico, mas também é uma Zona de Proteção Ambiental com diversidade de nascentes e animais silvestres.

MAPA 01: Primeiras ocupações do território hoje conhecido como o centro da cidade de Itatiba. Essas ocupações datam da primeira metade do séc XIX, até sua segunda metade, incluindo território quilombola. Dados do jornal “Nosso Jornal”, Itatiba, 1996-1997.

MAPA 02: Ocupações no início do sec. XX – momento de grande crescimento das cidades metropolitanas de São Paulo. Nota-se o avanço em direção à rodovia e aos limites do quilombo. Dados

do jornal “Nosso Jornal”, Itatiba, 1996-1997.

MAPA 03: Ocupações no final do século XX, avançando em todas as direções e de certa forma, contribuindo para o isolamento do quilombo. Dados

do jornal “Nosso Jornal”, Itatiba, 1996-1997.

MAPA 04: Ocupações no inicio do século XXI, até os dias atuais, em que se vê o quilombo cercado por loteamentos e isolado do convívio urbano. Dados do

jornal “Nosso Jornal”, Itatiba, 1996-1997.

Quando procurados para informar sobre o histórico de aprovação dos bairros margeados pelo quilombo, os representantes da Prefeitura de Itatiba pouco souberam responder sobre o remanescente quilombola e tampouco pareceram preocupados em tomar providências quanto aos problemas anteriormente citados sobre aluguel de casas dentro da

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zona de proteção, falta de prestação de contas quanto ao dinheiro recebido pelo governo para a preservação do patrimônio histórico e também o abandono dessas casas por parte das famílias, quando estas mudam-se para outro endereço. Aí também se encontra um problema de difícil resolução. O que fazer com as casas que existem no quilombo quando as famílias se mudam de residência? A locação dessas casas é judicialmente legal?

7. Conclusões

A partir dos estudos realizados, com o apoio da coordenadora geral dos projetos relacionados ao Quilombo, Laura Reily, e também da aluna Débora Ferreira, autora de um dos projetos, as conclusões quanto à pesquisa sobre o impacto do crescimento da cidade nas dinâmicas internas do Quilombo das Brotas, apontam para uma evolução nas relações interpessoais entre os moradores do remanescente quilombola e os cidadãos dos bairros periféricos. Ou seja, o pré-conceito de marginalização e o estranhamento de ambas as partes não é algo tão evidente ou tão prejudicial. A maior sequela do crescimento desordenado da cidade está presente no desleixo com o patrimônio histórico e com a área de preservação ambiental. A falta de interesse dos órgãos públicos também representa uma das mazelas relativas ao quilombo e pode ser uma das causas do abandono de algumas casas por parte das famílias.

8. Referências

BARBOSA, José Roberto. SOBRE A ESCRAVIDÃO, A QUILOMBAGEM E O

ABOLICIONISMO NA CIDADE DE ITATIBA, Arquivo Exclusivo do Museu Padre Lima, Itatiba.

GABUARDI, Lucimara R. Itatiba na História: 1804-1959. 1. ed. Campinas, SP: Bobst Group, 2004.

MEIRELLES, R.; ATHAYDE, C. Um País Chamado Favela. A Maior Pesquisa Já Feita Sobre a Favela Brasileira. Edição: 1a ed. São Paulo, SP: Gente, 2014.

SANTOS, P. S. Dos. RELATÓRIO TÉCNICO-CIENTÍFICO SOBRE OS

REMANESCENTES DA COMUNIDADE DE QUILOMBO BROTAS/ITATIBA-SP. ITESP. Disponível em: <http://www.itesp.sp.gov.br/br/info/acoes/rtc/RTC_Brotas.pdf>. Acesso em: 15 maio 2017.

PREFEITURA DO MUNICÍPIO DE ITATIBA. LEI No 4.649, DE 26 DE MAIO DE 2014.

Regulamenta a outorga onerosa do direito de construir e altera, acresce e revoga dispositivos da Lei Municipal no 4.325, de 20 de janeiro de 2011, e da Lei Municipal no 4.443, de 1o de fevereiro de 2012, e dá outras providências. . 26 maio 2014.

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ROLNIK, R. Territórios Negros. Blog da Raquel Rolnik, [S.l.], 16 set. 1989. pessoal. Disponível em: <https://raquelrolnik.wordpress.com/1989/09/16/territorios-negros-nas-cidades-brasileiras-2/>. Acesso em: 15 maio 2017.

SOUZA, L. R. De. Projeto de Pesquisa Requalificação Urbana do Quilombo Brotas. USF Itatiba. Ano de 2017/2018.

http://www.saopaulo.sp.gov.br/eventos/justica-itesp-reconhece-primeiro-quilombo-urbano-do-brasil/. Acesso em 12/05/2017 http://www.itatiba.sp.gov.br/templates/midia/Juridico/Leis/plano_diretor/anexo_i_pd_-_perimetro_urbano-model.pdf. Acesso em 12/05/2017 http://www.itatiba.sp.gov.br/templates/midia/Juridico/Leis/plano_diretor/anexo_vi_pd-outorga_onerosa_alteracao_do_uso_do_solo-2014-model.pdf. Acesso em 12/05/2017 http://www.itatiba.sp.gov.br/templates/midia/Juridico/Leis/plano_diretor/anexo_iv_-_lei_de_zoneamento.pdf. Acesso em 12/05/2017

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