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Academic year: 2021

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TÍTULO: PROGRAMA HORTA COMUNITÁRIA: ECONOMIA LOCAL, INCLUSÃO SOCIAL E SUSTENTABILIDADE

TÍTULO:

CATEGORIA: CONCLUÍDO CATEGORIA:

ÁREA: CIÊNCIAS SOCIAIS APLICADAS ÁREA:

SUBÁREA: SERVIÇO SOCIAL SUBÁREA:

INSTITUIÇÃO: FACULDADES INTEGRADAS DE BOTUCATU INSTITUIÇÃO:

AUTOR(ES): NATHALIA RAMOS ZANIN AUTOR(ES):

ORIENTADOR(ES): PRISCILA SALES PICOLI ORIENTADOR(ES):

COLABORADOR(ES): NILZA PINHEIRO DOS SANTOS COLABORADOR(ES):

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RESUMO

Diante das condições políticas, econômicas e sociais do Brasil, programas e projetos direcionados a

expansão e implantação de programas como os de Horta Comunitária, deveria ser prerrogativa

prioritária no desenvolvimento local, regional e nacional, considerando que oportuniza trabalho e renda, habilidades sociais, segurança alimentar, comercialização de alimento a baixo custo e responsabilidade ambiental. Sob estas perspectivas, este trabalho se propõe a apresentar o Programa “Horta Comunitária” do município de médio porte no interior do Estado de São Paulo como estratégia inclusiva, solidária e sustentável. Os pilares essenciais do Programa são a economia por capacitar mão de obra para o trabalho, a inserção social por possibilitar oportunidade de trabalho, e a sustentabilidade por propiciar alimentação saudável a baixo custo as populações do entorno e as famílias que trabalham diretamente com a horta. Nosso estudo objetivou mensurar e apresentar as capacidades de melhora nos aspectos econômicos, sociais e sustentáveis dos participantes das 14 hortas comunitárias existentes nas 05 regiões do município. Assim pudemos verificar que a maioria é da região Norte (39,98%) e Leste (19,98%), são procedentes do próprio município (40,00%), já trabalharam em outras hortas (100,00%), assim como estão satisfeitos (100,00%) com o trabalho, embora deem sugestões para melhoras no programa, sendo melhoras a infraestrutura (23,04%), aumento da comercialização (15,36%) ou adubação (15,36%). Portanto, o programa é reconhecido pelos participantes, pois além de geração de renda, também possibilita melhorias na qualidade de vida, promovendo sua inclusão socioeconômica através da geração de renda e responsabilidade

ambiental.

Palavras-chave: horta comunitária, inclusão, geração de renda

INTRODUÇÃO

Comumente o aumento pelas tecnologias sociais, as quais se portam como alternativa para geração de renda, capacitação profissional, igualdade social e preservação ambiental são alvos prioritários das políticas públicas e organizações não governamentais do país. Projetos e programas são constantemente planejados para que esses pré-requisitos fundamentais se tornem práticas constantes no cotidiano na vida da sociedade e das ações públicas.

Tratando-se do Brasil, a criação e implantação de programas e projetos de finalidades múltiplas, necessitam se expandir como soluções para as problemáticas sociais, econômicas e ambientais que a nação, habitualmente, enfrenta, proporcionando resultados insolúveis na cultura, no trabalho e na sociedade.

Assim, este trabalho se propõe avaliar o potencial do Programa “Horta Comunitária” no município de médio porte no interior de São Paulo, apresentando os objetivos e metodologias de implantação e manutenção do Programa, além analisar os resultados alcançados nas regiões onde as hortas estão inseridas.

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OBJETIVOS

Avaliar o potencial do Programa “Horta Comunitária” no município.

Analisar os resultados alcançados nas regiões onde as hortas estão inseridas. Levantar o grau de satisfação e o perfil dos produtores inseridos no programa.

ASPECTOS METODOLÓGICOS

A pesquisa foi realizada com uma amostra não probabilística, composta das 15 famílias que participam da manutenção das hortas e que representa a 100% do total da amostra.

A coleta de dados foi realizada com a aplicação de um formulário contendo perguntas abertas e fechadas, através de entrevistas previamente agendadas com as famílias responsáveis pela horta e beneficiadas diretamente com a renda gerada. Os participantes da pesquisa receberam o termo de consentimento livre e esclarecido, quando foi explicado a finalidade e objetivo da pesquisa.

DESENVOLVIMENTO

As Hortas Urbanas detém potencial para desenvolvimento socioeconômico e socioambiental dentro do sistema mercantil urbano que, prioriza o comércio de produtos industrializados em sistemas de hipermercados e megalojas, os quais são inacessíveis as comunidades mais vulneráveis e distantes da dinâmica social dos centros urbanos.

O Brasil esta no topo da lista em desigualdade social na América Latina,

revelando um quadro de baixa empregabilidade, fome e pobreza,

subdesenvolvimento social, insustentabilidade e alimentação inadequada à saúde humana tornando ainda mais difícil o progresso e desenvolvimento da nação.

Em última análise, esta situação de desajustamento econômico e social foi consequência da inaptidão do Estado Político para servir de poder equilibrante entre os interesses privados e o interesse coletivo. Ou mesmo pior, entre os interesses nacionais e os dos monopólios estrangeiros

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alienígenas que predominaram, orientando a nossa economia para a exploração primária da terra e para a exportação das matérias-primas assim obtidas. (CASTRO, 1984, p. 267-268)

A UNESCO tem investido forças em planos de intervenção a favor da inclusão social e erradicação da fome, solicitando apoio nas causas emergenciais que acometem, principalmente, países subdesenvolvidos.

Para Irina Bokova, diretora-geral da UNESCO:

Ninguém pode ser deixado para trás e ninguém pode ser excluído. Esse é o motivo pelo qual a UNESCO está trabalhando ao redor do mundo para promover uma transformação social positiva para a erradicação da pobreza. A UNESCO promove educação de qualidade e aprendizado ao longo da vida para empoderar mulheres e homens, para melhorar a saúde de mães e crianças, para o benefício de toda a sociedade. A UNESCO aproveita o poder das ciências para aprimorar a agricultura, a assistência à saúde, a segurança alimentar e a energia. A UNESCO apoia a comunicação e a liberdade de expressão, para fortalecer o Estado de direito e a boa governança. A UNESCO protege e promove a diversidade e o patrimônio cultural como condutores da inclusão social e fontes de emprego e renda, contribuindo para o sentimento de pertencimento e a coesão social. (Bokova, 2014)

No Brasil, os mecanismos de tecnologia social são extremamente importantes para o avanço na qualidade de vida da sociedade em situação de pobreza ou extrema pobreza.

Para Di Nardo e Cataneo (2009):

“Com a implantação de horta comunitária todos ganham, desde os produtores até o município ou a comunidade existente nas proximidades onde é localizada, os produtos terão maior qualidade por serem naturais e o meio ambiente estará protegido. Todos esses aspectos tornam os projetos de hortas comunitárias sustentáveis nos aspectos econômicos, sociais, culturais

e ambientais.”(DI NARDO, CATANEO, 2009, p. 3)

O programa “Horta Comunitária” se caracteriza como um programa de desenvolvimento econômico, social e ambiental por se tratar de uma ação de melhoria das condições de vida dos sujeitos envolvidos, uma vez que atende famílias diretamente através do trabalho e geração de renda, autonomia e inserção social, responsabilidade ambiental e saúde. As hortas atingem centenas de consumidores proporcionando acesso a alimentação saudável e o crescimento da economia local.

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. Os gestores responsáveis pelo Programa “Horta Comunitária” são a

Subsecretaria de Agricultura, a Secretaria Municipal de Assistência Social e o Conselho Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional do município como parceiro. O Programa já beneficiou mais de vinte famílias, melhorando a qualidade de vida e promovendo sua inclusão socioeconômica através da geração de renda e responsabilidade ambiental.

Através do caráter socioeconômico e ambiental das hortas comunitárias, muitos benefícios têm sido alcançados pelas comunidades que apoiam essa iniciativa, tais como, habilidades sociais, o desenvolvimento de técnicas de cultivo agroecológico, permacultura e conhecimento de novas espécies de alimentos e plantas. Além disso, os processos de cotidianos fortalecem as relações sociais na comunidade, e o aporte econômico como geração de renda e o baixo custo de compra.

RESULTADOS

Apresentamos uma análise dos resultados obtidos a partir do presente estudo que estão demonstrados através de gráficos, e que facilitam a visualização dos resultados coletados que apontam quanto ao potencial do Programa, os resultados alcançados, assim como, o grau de satisfação e o perfil dos produtores inseridos no programa.

Gráfico I - Dados referentes a Região, Procedência, Número de Membros, Faixa Etária.

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FONTE: pesquisa realizada junto as famílias participantes do programa hortas comunitárias do município, no período de junho/julho de 2017.

Podemos observar que 39,98% das hortas comunitárias visitadas fazem parte da região Sul e 19,98% da região Leste; 40% dos agricultores são naturais do próprio município e 33,30% são de outros Estados; 37,80% das famílias é composta de 3 a 4 membros e 49,25% de 5 membros ou mais; 18,90% dos membros tem de 50 a 65 anos e 47,25% não souberam informar.

Quanto as características dos agricultores entrevistados, ressaltamos que mais de um terço é natural de outros Estados, são famílias composta como a média nacional, ou seja, característica da sociedade atual e residem em regiões do município de maior vulnerabilidade e risco social.

Gráfico II – Dados referentes a Renda, Ocupação, Tipo de Construção, Situação Habitacional, Número de Cômodos, Valor do Aluguel.

39,98% 19,98% 40% 33,30% 37,80% 49,14% 18,90% 47,25%

Norte Leste Próprio

Município Outros estados 3 a 4 =>5 50 a 65 Não soube informar Região Procedência Nº de Membros Faixa Etária

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FONTE: pesquisa realizada junto as famílias participantes do programa hortas comunitárias do município, no período de junho/julho de 2017.

Verificamos que 37,18% das famílias possuem renda menor ou igual a um mil reais, destes, 25,74% são produtores nas hortas comunitárias; 37,18% não souberam a renda dos membros da familiar, destes, 8,58% são produtores na horta; 53,33% possuem casas de alvenaria com 5 ou mais cômodos; 33,33% residem em casa própria e 13,33% em casa cedida; 50% dos que pagam aluguel, valor de 350,00 reais a 450,00 ou 700,00 ou mais, respectivamente.

Podemos constatar que se trata de família de baixo poder aquisitivo, considerado que sua fonte de renda na sua maioria é a produção da horta comunitária na qual está inserido, com residência em alvenaria e tamanho adequado ao número de membros, e dos que pagam aluguel, embora situação da minoria, o valor compromete a renda da família, pois esta é baixa.

37,18% 25,74% 37,18% 8,58% 53,33% 33,33% 13,33% 53,33% 50% 50% <= 1 .0 0 0 Pr o d u to r (a) (H o rt a C o mu n it ár ia) N ão s o u b e in fo rmar Pr o d u to r (a) (H o rt a C o mu n it ár ia) Al ven ar ia 5 o u mai s Pr ó p ri a C ed id a 3 5 0 ,0 0 4 5 0 ,0 0 7 0 0 ,0 0 o u mai s

Renda Ocupação Tipo de Construção

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Dificuldades, Comercialização, Produção Suficiente, Excedente, Objetivos da horta e se os tais são Alcançados.

FONTE: pesquisa realizada junto as famílias participantes do programa hortas comunitárias do município, no período de junho/julho de 2017.

Verificamos foram objeto de estudo 100% do número de horta do município; 100% dos produtores já trabalharam em outras hortas, 59,94% não encontram dificuldades no desenvolvimento do trabalho na horta; 66,70% apontam que a comercialização esta ruim; 93,30% dos produtores afirmam que a produção dos alimentos é suficiente para suprir a demanda local; 53,30% diz não haver excedente; 78,78% não souberam informar se os objetivos estão sendo alcançados; e quanto aos objetivos da horta, 27,27% afirmaram que é a alimentação saudável e 24,24% que é a geração de renda.

Pudemos observar que foram entrevistados todos os produtores e todas as hortas comunitárias do município, que todos participantes já foram inseridos em

outras, não encontrando nenhuma dificuldade, embora aponte que a

comercialização está ruim, a produção é suficiente. O que nos chama atenção é os produtores não saberem se os objetivos do programa foram atingidos, mas apontam como objetivos a alimentação saudável e a geração de renda.

100% 100% 59,94% 66,70% 93,30% 53,30% 78,78% 27,27% 24,24% Número de hortas Trabalhou em outra horta Dificuldades Comercialização Produção Suficiente Excedente Objetivos alcançados Objetivos

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Gráfico IV – Dados referentes ao Relacionamento, Tempo de Horta, Permanência, Reserva Financeira, Satisfação, Sugestão de Melhoria.

FONTE: pesquisa realizada junto as famílias participantes do programa hortas comunitárias do município, no período de junho/julho de 2017.

Constatamos 53,34% dos entrevistados tem bom relacionamento com outros participantes do programa; 40% trabalham 4 anos ou mais nas hortas; 53,33% tem ciência do tempo máximo de permanência na horta; 100% dos agricultores estão satisfeitos com o programa; 23,04% sugerem que o fornecimento de adubo precisa aumentar, 15,36% opinam por investimento em estrutura e 15,36% recomendam o aumento da comercialização.

As hortas comunitárias devem proporcionar capacitação para geração de renda, é um projeto social que inclui os excluídos do mercado de trabalho e renda, e tem cumprido sua finalidade, pois todos estão satisfeitos com o programa, tem bom relacionamento com os demais produtores, e estão na horta há mais de 4 anos. Mas em relação a sugestões, indicam o fornecimento de adubo, melhorias na infraestrutura, assim como estratégia para melhoria da comercialização.

CONSIDERAÇÕES FINAIS 53,34% 40% 53,33% 40,00% 100,00% 23,04% 15,36% 15,36% Relacionamento Tempo de horta

Sabe da permanência máxima Reserva Financeira

Satisfação

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as prerrogativas essenciais dos aspectos econômicos e sociais tem cumprido o seu objetivo, que foi o de atender as demandas sociais dos beneficiários além de possibilitar a promoção do desenvolvimento social e sustentável, porém entende-se que há necessidade de ampliar o investimento em melhorias para aumentar a abrangência do programa a fim favorecer mais pessoas.

Atualmente o município conta com 14 hortas comunitárias e que beneficiam 15 famílias diretamente, e indiretamente a população circunvizinhas das cinco regiões do município, e muito embora haja satisfação por parte dos participantes, observa-se a necessidade de maior acompanhamento e investimento no programa, pois o prazo de permanência no programa não tem sido cumprido, considerando que há famílias inseridas no programa há quatro anos ou mais, o que pode significar ausência de novas possibilidades de inserção profissional destes.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

PIRES, B. “Brasil despenca 19 posições em ranking de desigualdade social da

ONU”. Disponível em: https://brasil.elpais.com/brasil/2017/03/21/ politica/ 1490112229_963711.html/. Acesso em: 30 ago 2017.

FERNANDES, ROSA MARIA CASTILHOS; MACIEL, Ana Lúcia Suárez. Tecnologias sociais: interface com as políticas públicas e o serviço social. Serviço Social & Sociedade, 2011.

CASTRO, J. et al. Geografia da fome; o dilema brasileiro: pão ou aço. 1965. Bokava, I. Dia Internacional para Erradicação da Pobreza, 2014. Disponível em:< http://www.unesco.org/new/pt/brasilia/about-this-office/singleview/news/unescos_ message_f or_international_day_for_the_eradication_o/>. Acesso em: 30 ago 2017. DI NARDO, S. A.; CATANEO, A. A Sustentabilidade na horta comunitária:

qualidade de vida e geração de renda. ETIC-ENCONTRO DE INICIAÇÃO

Referências

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