PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO GRANDE DO SUL
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM EDUCAÇÃO EM CIÊNCIAS E MATEMÁTICA
INTERDISCIPLINARIDADE
MESTRANDA: MARISÔNIA PEDERIVA DA BROI
DISCIPLINA: METODOLOGIA DO ENSINO SUPERIOR PROFESSORA: DÉLCIA ENRICONE
INTERDISCIPLINARIDADE UMA NOVA ABORDAGEM
CIENTÍFICA, CULTURAL E EPISTEMOLÓGICA
Marisônia Pederiva Da Broi * Délcia Enricone**
RESUMO
O artigo apresenta a interdisciplinaridade como abordagem metodológica que envolve a todos no processo de ensino e aprendizagem, de forma que professores e alunos de duas ou mais disciplinas trabalhem juntos em busca de um conhecimento comum e desenvolvimento pessoal e de grupo. Traz exemplos, conceitos, princípios e pressupostos que fundamentam as experiências interdisciplinares no Ensino Superior. Considera ainda, a complexidade e as emergências do mundo atual onde cada vez mais exige profissionais que trabalhem em equipe, apontando para necessidade de inovação das universidades a fim de atender a demanda da sociedade e para a própria sustentação enquanto instituição. Esta concepção de continuidade e inovação das universidades se confirma na pesquisa de análise bibliográfica sobre o histórico da organização estrutural da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) quando instituída Universidade e atualmente, sustentando a hipótese de que a interdisciplinaridade é uma necessidade para estruturação do conhecimento científico.
*Mestranda do Curso de Pós-Graduação em Educação em Ciências e Matemática da PUCRS. ** Professora Doutora do programa de Pós-Graduação em Educação da PUCRS.
INTRODUÇÃO
A interdisciplinaridade é uma abordagem conceitual metodológica que permite reunir as teorias e os métodos das diferentes áreas do conhecimento a procura de novos conhecimentos. Sendo adequada no ensino e na pesquisa, por envolver diretamente os sujeitos valorizando o conhecimento específico ao mesmo tempo em que abrange a diversidade em busca de um entendimento comum.
A interdisciplinaridade considerada também uma estratégia de ensino, surgiu a partir de lacunas da prática docente, no processo de ensino e aprendizagem e da fragmentação das disciplinas, dificultando a percepção do todo seja na construção de conhecimentos e ou na resolução de problemas cotidianos da profissão.
O enfoque de interdisciplinaridade aqui apresentado se dará mais especificamente no Ensino Superior, espaço de formação de novos profissionais. No entanto, entende-se que a abordagem pode e deve ocorrer em todos os níveis de educação, desde a educação infantil até a pós-graduação, estendendo-se ao campo profissional. O que muda é o grau do enfoque, este deve adaptar-se ao contexto dos participantes.
O texto inicia com breve histórico, alguns conceitos, pressupostos e princípios referentes à interdisciplinaridade. O segundo enfoque do texto refere-se à interdisciplinaridade na universidade, suas relações, organização, objetivos e barreiras. No terceiro momento, apresenta o resultado da pesquisa no referencial histórico da PUCRS e o relaciona ao caminho percorrido pela interdisciplinaridade.
INTERDISCIPLINARIDADE - PROCESSO QUE ACONTECE NO INDIVÍDUO.
Interdisciplinaridade para muitos é um termo novo, mais um “modismo”, desafio, incerteza. Mas na verdade o termo interdisciplinaridade surgiu na década de 60 entre os teólogos e fenomenólogos e a partir de 1991 nos congressos mundiais promovidos pela UNESCO, com objetivo de buscar um sentido mais humano para a educação.
No Brasil, quem introduziu o conceito de interdisciplinaridade foi Georges gusdorf sob o ângulo da antropologia e depois Piaget pela epistemologia. Anísio Teixeira, no final da década de 60, já apontava, os pressupostos de um novo modelo de universidade.
Em 1971, a interdisciplinaridade teve influência na Lei de Diretrizes e Bases (LDB), fazendo parte desde então da esfera educacional brasileira. Em 1976, Hilton Japiassú foi o 1º teórico brasileiro a escrever a respeito do assunto. Publicou o livro: Interdisciplinaridade e a Patologia do Saber.
Mais recentemente, na reformulação dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) a interdisciplinaridade é colocada como um grande desafio à educação brasileira.
Enquanto educadores temos esse desafio, mais do que proporcionar ao aluno uma aprendizagem significativa, uma aprendizagem que lhe seja útil na vida, no exercício profissional e que possa possibilitar compreensão além dos limites da especialização acadêmica.
Este transcender as disciplinas, os conceitos específicos, as certezas, fazem parte da abordagem interdisciplinar. Os autores colocam ao longo do tempo definições paralelas ao termo.
A interdisciplinaridade, para Coimbra (2000), consiste em um tema, objeto ou abordagem em que duas ou mais disciplinas intencionalmente estabelecem nexos e vínculos entre si para alcançar um conhecimento mais abrangente, ao mesmo tempo diversificado e unificado. A busca de um entendimento comum e o envolvimento direto dos interlocutores In:Teixeira(2007,p.69).
Pressupõe ainda, segundo Paviani (1993) In: Ketzer (2007 p. 91), o estabelecimento de relações internas à disciplina, na maneira de concebê-la e não na relação apenas externa, na justaposição de conhecimentos.
A interdisciplinaridade, definida por (JAPIASSU, 1991, p.136) In: Teixeira (2007 p. 69). É um método de pesquisa e de ensino suscetível de fazer com que duas ou mais disciplinas interajam entre si, esta interação podendo ir da simples comunicação das idéias até a interação mútua dos conceitos, da epistemologia, da terminologia, da metodologia, dos procedimentos, dos dados e da organização da pesquisa.
A interdisciplinaridade é um processo que acontece no indivíduo. O ser interdisciplinar que produz conhecimento é aquele que permite à mente a fecundação de princípios de diferentes disciplinas, a gestação do produto dessa fecundação e o nascimento de um novo conhecimento; portanto, o conhecimento é a exteriorização do trabalho mental de uma pessoa. O essencial é reunir as teorias e os métodos das diferentes áreas do conhecimento a procura de novos conhecimentos. Portanto, interdisciplinaridade, é uma qualidade do ser interdisciplinar. O ser interdisciplinar, no ensino, é aquele que compartilha conhecimentos de outras disciplinas para as soluções científicas de problemas e envolve os alunos no processo. Embora a interdisciplinaridade possa ser realizada por somente uma pessoa, o trabalho interdisciplinar, executor, analítico, criador e que busca unificar conhecimentos, necessita da colaboração de mais de uma pessoa (SPIANDORELLO e FILIPPINI, 2006.p.137).
Desde que surgiu na década de 60, nunca houve consenso quanto à definição do termo. Hoje, a interdisciplinaridade é entendida como uma mudança conceitual e teórico-metodológica, uma abordagem, não pode ser considerada uma teoria ou metodologia. O que todos concordam é que ela surge apontando uma crise das disciplinas, devido à fragmentação e desarticulação do conhecimento, da especialização que perde a visão do todo.
Neste momento, segundo vice-reitor da PUCRS, Evilázio Teixeira (2007, p.59) A interdisciplinaridade impõe-se, de um lado, como uma necessidade epistemológica e, de outro lado, como uma necessidade política de organização do conhecimento, de institucionalização da ciência.
Uma imposição dos tempos modernos.
Se em algumas teorias já não existe uma receita, na interdisciplinaridade menos ainda, não existe uma fórmula, um padrão. No entanto, Wallner (2002, p.85-96), destaca
Formação de redes
contradição
Abertura ção
Comunica-E Comunica- mento Solução do problema Auto-organizaçã o Sete Princípios da Interdiscipl inaridade . Diagrama
dos Sete Princípios
da Interdisciplinaridade
1. Auto-organização – este princípio têm três funções: a) função de fundamentação da ciência, no lugar do modelo clássico da ciência, que sempre pressupõe a posse de uma pré-cognição a respeito do objeto a ser descrito, o grupo de cientistas participantes determina o objeto de sua pesquisa e desenvolve os métodos referentes a ele, estes são provisórios e passíveis de revisão a qualquer tempo. [...] Por este comportamento se supera, em termos de objetividade e de método, a questão da impossibilidade de conhecimento prévio ao saber científico(p. 87) b) a função da ética científica, a estrutura de organização do trabalho científico aqui considerada permite, a quem participa de determinadas pesquisas, tornar explícitos, durante os debates com colegas de outros ramos, os problemas éticos, que lhes eram conhecidos apenas
implicitamente. A estrutura auto-organizadora possibilita ao cientista individual, ao ultrapassar os limites prescritos de sua especialidade, verbalizar o nunca debatido campo intelectual de suas práticas. ((87) c) a função da relação da ciência com a sociedade, o modelo de auto-organização impede que a práxis científica seja separada da práxis social. Cuida de resolver a problemática da interdisciplinaridade mediante o aprendizado social. O modelo de auto-organização permite que aspectos sociais sejam relacionados a pesquisas específicas e que a aplicação em vista de carecimentos sociais seja racionalmente debatida. Assim, se resolve a lei das ciências, entretanto, possibilita por em questão cada método, sem impossibilitar por princípio o empreendimento científico(p.88).
2. Solução do problema da interdisciplinaridade por meio da aprendizagem
social - contra o método preestabelecido. Neste sentido, os cientistas que
atuam em determinados grupos têm, perante a sociedade, uma função semelhante à dos representantes nas democracias frente a seus eleitores (p.89). 3. Estranhamento mediante a modificação das condições de argumentação – tirar determinado argumento ou corrente de argumentos de seu contexto,muitas vezes emerge pura irracionalidade. Determinadas estruturas da corrente argumentativa começam a se mostrar sob outra luz, e novos aspectos se dão a conhecer. Poe aí o estranhamento substitui as terefas de fundamentação epistemológica da ciência que se esperava obter(p.89) . 4. Ciência como meio de comunicação em oposição à sua suposta função
solucionadora de problemas ou descobridora da verdade (Comunicação)
– se trata de colocar a multiplicidade das formas de manifestação sociais do saber num contexto de mútuo relacionamento. Os grupos de pesquisa auto-organizados conseguirão isto quando forem forçados, mediante atividades interdisciplinares,, a desembarcar da linguagem específica de sua estreita especialidade. Abandona-se de vez o pressuposto implícito do conceito de verdade, que deve prevalecer do ponto de vista de um saber supra-individual.
E o substituímos pelas visões estabelecidas sob determinadas condições sociais como sendo, em cada caso, como conjuntos considerados relevantes (p.91).
5. Abertura – o trabalho científico deve se colocar posição de cosmovisão, as fronteiras entre as especializações já não podem mais existir, a passagem entre elas é necessidade. Abertura tem duas significações diferentes: abertura frente a outros grupos de pesquisa ou formações sociais, como também abertura no sentido da disponibilidade para refletir sobre os fins da pesquisa respectivamente, sobre as estratégias utilizadas nas mesmas (p.92).
6. Contradição – tem duas unções diferentes: primeira – cooperação científica garante autonomia dos parceiros e dos respectivos campos que participam desta comunicação, ao mesmo tempo assume a responsabilidade plena pelo todo. Segundo – é de conduzir a novos conceitos, se manifesta a posição da contradição como princípio criativo para geração de novas cooperações em pesquisa. A contradição leva a transformações internas de estratégias de pesquisa (93).
7. Formação de redes em vez de unificação – este princípio assume as duas funções da teoria da ciência tradicional, o da legitimação e o da crítica. permite refletir os procedimentos metodológicos e epistemológicos a partir de sua própria ação e questionar a cientificidade do conhecimento, tem ainda a função de tornar possível a avaliação dos resultados científicos (p.95).
A estrutura pedagógica tradicional não consegue mais acompanhar os avanços tecnológicos e científicos através do conhecimento linear de causa e efeito, a ciência tradicional implica a unidade do espírito humano. Esta unidade não é visível, não pode ser determinada. Entende-se ciência como multiplicidade de saberes. Faz-se necessário conhecimento circular de auto-organização, deve-se considerar as novas categorias epistemológicas, a emergência e a complexidade. O conhecimento é gerador do saber, que por
sua vez vai ser decisivo para a ação. Portanto, no comportamento, na prática, no fazer é que se avalia, redefine e reconstrói o conhecimento. (D’AMBROSIO, 2001.p.28).
Mais recentemente, Paviani (2005, p. 40) In: Teixeira (2007, p.65) apresenta outros
três princípios a fim de justificar a epistemologia da interdisciplinaridade, são eles:
Unidade – Multiplicidade – A unidade e multiplicidade pode ser aplicado ao
conhecimento para explicar o fenômeno da interdisciplinaridade (a disciplina como unidade não se basta por si só, porém só o somatório de disciplinas não contempla a interdisciplinaridade).
A interdisciplinaridade exerce um papel de ponte entre o momento identificador de cada unidade básica de conhecimento e o necessário corte diferenciador. Isso significa estar aberto, recriar conceitos, tanto ao mundo do sensível, quanto ao mundo do inteligível de modo não excludentes. Sem esse princípio não seria possível a mediação interdisciplinar.
Continuidade - Descontinuidade - Continuidade é o caráter contínuo dos eventos e
fenômenos e da descontinuidade não quer anular a continuidade deste real. Busca elo de ligação entre ciência da tradição e ciência contemporânea. Discute também a existência de uma ou várias ciências.
Trata-se de saber se a realidade é algo fixo ou imóvel; ou se a realidade é dada como uma totalidade ou de modo fragmentado.
Emergência – Complexidade – A emergência é o significado original do termo:
trabalho articulado com diversas disciplinas, tendo em vista resultados previamente imprevisíveis e impossíveis de serem alcançados isoladamente.
O domínio do diálogo interdisciplinar é aquele das questões epistemológicas: perceber em geral; observar científico; relações entre crenças e cultura.
A complexidade do conhecimento exige flexibilidade, propõe repensar às ciências e as disciplinas. Remete às inter-relações das partes e o todo. O que torna uma atividade interdisciplinar não é o sujeito nem o objeto, mas os aspectos processuais da atividade. A interdisciplinaridade não elimina as ciências e as disciplinas, apenas derruba seus falsos muros (TEIXEIRA, 2007. p.67).
Embora nos dois casos, os princípios estejam separados para melhor compreendê-los, aspiram igualmente “unidade do saber”. De alguma forma, Paviani e Wallner propõem princípios que se correspondem, ambas, caminham com o mesmo objetivo: intensidade da troca entre os especialistas e a integração das disciplinas num mesmo projeto de pesquisa. No entanto, não apenas dos princípios se constitui a interdisciplinaridade, autores como Teixeira, Enricone e Morin, acreditam que para que aconteça a prática interdisciplinar, o sujeito deva ser interdisciplinar.
Atributos como a integração dos sujeitos no ensino e na pesquisa, a flexibilidade de compreensões e ações possibilitando nova aprendizagem, a multidimensionalidade que abrange horizontes impossíveis de serem atingidos na individualidade, a ampliação das áreas do saber e aproximação dos problemas do conhecimento e da pesquisa em diferentes perspectivas aponta para um sujeito interdisciplinar. Assim, segundo Teixeira, (2007, p.77) a interdisciplinaridade decorre mais do encontro entre indivíduos do que entre disciplinas. Os diversos atributos constituem o sujeito interdisciplinar.
INTERDISCIPLINAIDADE
INTEGRAÇÃO FLEXIBILIDADE
MULTIDIMENSIONALIDADE AMPLIAÇÃO DAS ÁREA
DO SABER
APROXIMAÇÃO DOS PROBLEMAS DO
CONHECIMENTO E DA PESQUISA
O grande desafio, como prevê Edgar Morin, inscreve-se na revisão do método utilizado para percorrer a trilha do caminho que leva ao conhecimento.
Enricone,(2007.p.469) acrescenta como pressuposto para que o professor pense interdisciplinarmente; a auto-formação, desconstrução das certezas, reconhecer a contribuição de outras áreas, desafiar-se a buscar mais, questionar, ir além do conceito,
abertura de visão, dinâmica autônoma, pesquisa da própria prática, visão de mundo holística e superar a fragmentação do saber.
Ainda segundo a autora, o professor encontra dificuldades para que este pensar seja possível, e estas dificuldades vêm enraizadas de longas datas, a começar pela formação acadêmica; o temor de perder a autonomia; a aceitação de novos níveis de realidade e até mesmo a falta de clareza nos objetivos dos trabalhos interdisciplinares. Isso tudo vai protelando a inovação e mantendo a estrutura disciplinar.
EMERGÊNCIA DE INOVAÇÃO NA UNIVERSIDADE
Durante o século XX, vimos crescer a largos passos as especializações que se por um lado buscavam aprofundar conhecimentos, por outro, iam aos poucos perdendo a noção do todo e dependendo cada vez mais da cooperação de outras áreas. Assim, foi-se abrindo espaço para a emergência de outras disciplinas ou da integração entre elas a fim de resolver os problemas.
As universidades não têm como negar essa emergência, no entanto precisam obedecer a uma estrutura complexa quanto à organização institucional, organização curricular e as práticas de ensino e de aprendizagem. A organização institucional é horizontal, baseada em cursos, assessorias, departamentos o que acaba dificultando a comunicação entre os diferentes setores, impossibilitando muitas vezes práticas pedagógicas ou investimento a tempo, em determinadas áreas. A disposição curricular organizada em disciplinas fragmenta naturalmente as estruturas do conhecimento, nem mesmo os docentes de um mesmo curso tomam conhecimento o que seu colega trabalha com os alunos. A formação de docentes centrada na especialização mantém as disciplinas; a insegurança dos profissionais e ignorância de conhecimento em outras áreas sustenta o medo dos professores em abrir espaço para o novo.
Deste modo, a interdisciplinaridade não acontece nem na organização institucional e menos ainda na ação docente, tornando-se inadequada para atender as transformações no conhecimento científico e tecnológico.
O surgimento da interdisciplinaridade hoje, não deixa de ser uma crítica à organização escolar, a estrutura e o funcionamento da universidade. As universidades, segundo Mulholland (2007, p.207), pela própria natureza de universidade do conhecimento, são estruturalmente multidisciplinares, mas como sua composição é por somação de
disciplinas, não necessariamente inter-relação, o conhecimento que produzem é de natureza quase exclusivamente disciplinar.
Enfatiza ainda o Reitor da Universidade de Brasília, que o caminho que hoje se coloca para as instituições universitárias é a interdisciplinaridade que dirá respeito à “troca entre disciplinas”, no que diz respeito à sua produção de conhecimento, quanto a seus pressupostos teóricos e metodológicos. Trata-se, portanto, dos processos interacionistas que permitem as ciências, às humanidades, às artes e as tecnologias uma produção compartilhada. Tal é o caso de ciências como a Biofísica, Bioquímica, Biotecnologia, Arte computacional, Engenharia médica, etc. Refletem avanços que se tornaram necessários ao longo do histórico processo de produção mundial do conhecimento que se deparam com os limites da própria disciplina na compreensão dos fenômenos do mundo, da natureza e da humanidade.
O valor da interdisciplinaridade está em superar a fragmentação e desarticulação do processo do conhecimento e articular conhecimento e vivência na prática profissional através de um trabalho coletivo e solidário (ENRICONE, 2007.p.471).
Se a universidade pretende além da própria sobrevivência uma educação que possibilite perspectivas de um mundo melhor, mais justo e humano, precisa repensar os currículos e a prática docente. Deve ainda, incorporar o trabalho em equipe no ensino e na pesquisa para dar conta da realidade cada vez mais complexa e globalizada.
Considerando que o modelo disciplinar, proporciona uma visão fragmentada da realidade, incapaz de acompanhar a complexidade dos conhecimentos, a interdisciplinaridade permite uma percepção diferenciada do mundo, pois diferentes pontos de vista a respeito do mesmo tema permitem ampliar sua compreensão, excluindo algumas certezas e abrindo espaço a idéias divergentes e criativas.
"apercebemos-nos de que esta divisão do conhecimento em disciplinas, que permite o desenvolvimento dos conhecimentos, é uma organização que torna impossível o conhecimento do conhecimento. Por quê? Porque este campo está fragmentado em campos de conhecimento não comunicantes." (Morin, 1986, p.20).
Os estudos sobre currículos universitários afirmam que mesmo os multidisciplinares, necessitam de maior flexibilidade para possibilitar abertura suficiente a novos conhecimentos, mas também salientam a necessidade de formação dos docentes.
A universidade ainda precisa se adequar às novas exigências e prever em seus programas critérios e procedimentos claros e coletivos necessários à aprendizagem, instrumentos que orientem para uma ação pedagógica interdisciplinar.
A prática pedagógica num paradigma emergente requer um movimento circular do conhecimento, como já referenciamos. A conjunção, a interconexão, o inter-relacionamento da teia formada por estas abordagens possibilitam a aproximação de referenciais significativos para a prática pedagógica. A dimensão que essa aliança vai alcançar depende da opção e do aprofundamento teórico-prático que cada docente tiver, incluindo ainda o seu entusiasmo e a ousadia para construir. A concepção de uma proposta pedagógica embasada por estas tendências demanda exploração dos referenciais de cada uma delas, tendo presente que a aproximação destes pressupostos podem formar um todo.
Assim aproveitamos o “anel” desenvolvido na PUCPR, pelo Projeto de Pesquisa PACTO para visualizar a interação entre os pressupostos básicos da prática interdisciplinar.
A prática interdisciplinar depende basicamente do ato de ensinar e de aprender nos procedimentos e nas atividades do professor e do estudante, ou seja, do sujeito interdisciplinar.
O enfoque interdisciplinar considera uma visão mais abrangente da realidade, beneficiando as relações interpessoais e permitindo o compartilhamento entre diversas abordagens, resignificando valores e propiciando outras formas de pensar o mundo, favorece a cooperação e o compartilhamento do conhecimento.
Outro enfoque importante é considerar o aluno, suas necessidades, expectativas quanto à formação e demanda na sociedade. A universidade tem compromisso de propiciar ao educando desenvolvimento e criatividade; compreensão e criticidade da realidade. Embora a organização e estrutura sejam imprescindíveis, não menos importante é a relação entre os sujeitos, o respeito à individualidade, o modo de ser, o caminho de cada um em busca da autonomia para que o projeto interdisciplinar se efetive com clareza e eficácia. Deste modo, docentes e discentes, constroem juntos o caminho do conhecimento, enfrentando as barreiras das relações e rigidez estrutural dos tradicionais espaços do saber – as universidades.
Hoje se percebe mais experiências interdisciplinares nos bancos acadêmicos do que prática interdisciplinar, ela quase sempre acontece a partir de um professor que se percebe (ou não) interdisciplinar; o educador instiga seus alunos a realizarem atividades que demandem: participação efetiva, interdisciplinaridade, interdependência, interconexão, proposição de produção do conhecimento, elaboração própria, autonomia e iniciativa análise crítica e reflexiva, defesa da produção com argumentação e criação; apresenta aos colegas a proposta e juntos desenvolvem um determinado projeto. As experiências interdisciplinares apontam diversas estratégias de ensino. Algumas estratégias usadas nas universidades:
Seminários Estudo de caso
Unidades de Aprendizagem Educar pela Pesquisa Projetos Integradores Centro de Interesses
Embora não abordaremos neste momento cada uma delas, espera-se que essa idéia, mesmo vagarosamente, vá se disseminando e possa um dia até mesmo ultrapassar a prática interdisciplinar e chegar a transdisciplinaridade.
Nesta perspectiva, o fenômeno da interdisciplinaridade do ponto de vista epistemológico e institucional, é um recurso de mediação dialética, entre a análise e a síntese do conhecimento, entre a divisão e a uniformização, entre a tradição e a renovação das organizações Teixeira (2007 p.71).
RESULTADOS DA PESQUISA
A partir do conhecimento da organização institucional, curricular e pedagógica necessária das universidades, a pesquisa de análise bibliográfica sobre o histórico da organização estrutural da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, levanta dados que demonstram o caminho percorrido a fim de adequarem-se as exigências da comunidade em diferentes períodos; em 1948, na sua constituição universitária; de 1948 à 1978 onde ocorreram as mais significativas mudanças; e traz ainda a relação dos cursos oferecidos em 2007 na graduação, para que se possa acompanhar além do crescimento na oferta, as novas constituições de cursos que apontam em direção de interdisciplinaridade . Em período parecido, de 1960 à 2007 a interdisciplinaridade vem aos pouco fazendo parte do ensino brasileiro, especialmente das universidades. Neste enfoque, compreende-se que universidade e interdisciplinaridade fazem parte de um mesmo contexto, a interdisciplinaridade encontra na universidade o seu campo de desenvolvimento (das estratégias metodológicas) e a universidade caminha ao encontro da interdisciplinaridade para dar conta de sua função educativa e formadora de cidadãos autônomos, críticos e agentes de transformação num mundo que se constitui cada vez mais complexo e carente de compreensão na dimensão planetária.
Graças ao irmão Faustino João e ao irmão Elvo Clemente, que registraram em três volumes a História da PUCRS, foi possível desenvolver a presente pesquisa.
Em 1948, a universidade, contava com três faculdades conforme o parecer reconhecido pelo Governo Federal por decreto.
“A Universidade Católica de Porto Alegre, a partir de 23 de agosto de 1948, será constituída inicialmente, dos seguintes estabelecimentos de ensino superior”:
Faculdade Católica de Filosofia de Porto Alegre
Faculdade de Ciências Políticas e Econômicas de Porto alegre Faculdade Católica de Direito de Porto Alegre
A Escola de Serviço Social de Porto Alegre (em estudo para passar a ser Faculdade) João, F. e Clemente E. (1995 Vol. I p.115).
Consta no registro histórico da PUCRS que desde a sua constituição em 1948 até 1978, além do título de Pontifícia, muitas unidades acadêmicas foram surgindo para dar conta da demanda da sociedade.
Faculdade de Ciências Políticas e Econômicas Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras.
Faculdade de Educação (1968) (1942 como Fac.de Ed., Ciências e Letras.) Instituto de Filosofia e Ciências Humanas
Instituto de Letras e Artes Faculdade de Ciências (1961) Instituto de Biociências (1961 / 70) Instituto de Matemática (1961 / 70) Instituto de Física (1961/ 70) Instituto de Química (1961/70) Instituto de Geociências (1961/70) Instituto de Psicologia Faculdade de Direito
Faculdade de Serviço Social Faculdade de Odontologia
Faculdade de Meios de Comunicação Social Escola Politécnica
Instituto de Teologia e Ciências Religiosas Faculdade de Medicina
Hospital São Lucas (1972) Instituto de Geriatria Instituto de Informática Faculdade de Zootecnia
Na década de 60, quando ainda surgiam as primeiras definições para o termo interdisciplinaridade, a PUCRS ampliava sua unidades acadêmicas. Porém na década de 70, pode-se perceber a influência social exigindo reorganização dos cursos. Foi quando implementou-se vinte e duas unidades de ensino superior, já com abordagem de diferentes áreas na mesma faculdade.
E de lá para cá várias mudanças foram necessárias, como cursos passando de uma unidade para outra, a incorporação de novas áreas de conhecimento ou mesmo interação entre outras. Em 2007, as unidades universitárias que constituem a universidade são vinte e duas faculdades com oferta de quarenta e quatro cursos, além dos institutos.
Como ocorreu com a interdisciplinaridade, a PUCRS também modificou suas estruturas curriculares, adequando-se as necessidades da sociedade. Hoje além dos 44 cursos de graduação, entre eles, muitos multidisciplinares, a Pós-graduação ao nível de mestrado e de doutorado vêm se destacando tanto na oferta como na procura. Além é claro de uma infinidade de especializações, em torno de 75 cursos oferecidos. Consta no anexo I, quadro com cursos nos diferentes níveis.
As disciplinas clássicas tomaram novos caminhos científicos como se pode perceber, interagindo com outras áreas do conhecimento. Não há intenção de eliminar áreas de conhecimento, mas de modificá-las evolutivamente para produção de conhecimentos mais atuais e formação de profissionais mais capazes de responder aos novos desafios. Assim o desafio é conseguir integrar as disciplinas (interdisciplinaridade), partindo de sua base mono e multidisciplinar, na direção da transdisciplinaridade.
Então a pergunta seguinte foi: De que maneira a PUCRS vivencia hoje a interdisciplinaridade? A contribuição que trazemos refere-se ao ano de 2007. Primeiro um evento de significado para a academia; segundo, grupos interdisciplinares de pesquisa são carro chefe da universidade; terceiro experiência de um curso de mestrado da universidade pela visão de uma mestranda.
ALGUMAS CONTRIBUIÇÕES DA PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO GRANDE DO SUL
Em 2007, a Editora EDIPUC–RS lançou o livro Inovação e Interdisciplinaridade na Universidade que traz experiências interdisciplinares desenvolvidas no Brasil, Canadá, Estados Unidos e Inglaterra. Da PUCRS participaram professores do
Direito, Letras, Ciências Aeronáuticas, Medicina, Química, Filosofia e Educação além
de Coordenadores e Pró-Reitor de Pesquisa e Pós-Graduação, Irmão Marista e o
Vice-Reitor da PUCRS. Os autores contribuíram com conceitos, caso e experiências
desenvolvidas na universidade dando ênfase ao sucesso que vêem alcançando quanto ao conhecimento e a publicações científicas construídas nas parcerias interdisciplinares.
Armando Bortolini, irmão marista, destacou durante o II Seminário Inovação e Interdisciplinaridade na Universidade, promovido pela PUCRS (2007) os três grupos de pesquisa interdisciplinar; Instituto do Cérebro (INCER), Tecnologias para Mitigação de Impactos Ambientais e Grupo de Estudos PAZ – GEPAZ; como exemplos de comprometimento e serviço que conquistam adeptos e espaço devido às diversas contribuições para com a comunidade.
Instituto do Cérebro (INCER)
Dr. Ivan Antônio Izquierdo – FAMED Dr. JadersonCosta da Costa – IPB
O grupo está ligado ao Instituto de Pesquisas Biomédicas da PUCRS, recebe contribuições de outras instituições e organismos nacionais e internacionais. Com proposta inovadora, multidisciplinar e consolidado a mais de vinte anos, conta com Físicos, Engenheiros, Médicos e Biólogos; multinstitucional,desenvolvendo e aplicando tecnologias de fronteira para o prosseguimento em estudos do cérebro e assistência neurológica.
Tecnologias para Mitigação de Impactos Ambientais Drª Sandra Maria O. Einloft – FAQUI
Conta com profissionais em Química, Engenharia, Filosofia e Ciências Humanas e do Instituto do Meio-Ambiente. Conta também, com alunos de Pós-graduação em Engenharia e Tecnologias dos Materiais. Vem atuando de diferentes maneiras, podendo destacar a orientação conjunta de alunos de mestrado e doutorado,disciplinas ministradas em conjunto, estudos e busca de recursos – PETROBRAS no TECNOPUC,visando o Centro de Excelência em Pesquisa sobre Armanezamento de Carbono.
Grupo de Estudos PAZ – GEPAZ Dr. Pergentino S. Pivatto – PGED
Vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Educação, conta atualmente com cerca de trinta profissionais de diversas proveniências da PUCRS, de outras IES e de uma ONG. A contribuição do GEPAZ, no momento, é a inserção do tema paz nas atividades acadêmicas e nas disciplinas da Universidade.
Como mestranda do Curso de Pós-Graduação Multidisciplinar em Educação em Ciências e Matemática, não poderia deixar de relatar as experiências interdisciplinares que vivenciamos. Há um esforço comum entre os docentes deste programa em atender as diversas áreas a que pertencem os alunos – Matemática, Física, Química, Biologia, Pedagogia, Geografia e Informática.
Assim, alguns professores desenvolvem estratégias de ensino e pesquisa envolvendo mestrandos de áreas diversificas o que têm proporcionado a todos um crescimento imensurável, incapaz de se atingir com colegas da mesma disciplina.
Alguns exemplos: Pesquisa sobre as diversas dimensões da prática pedagógica, usando ferramenta moodle, resultando na interação de professores do Ensino Fundamental, Médio e Universitário em torno do mesmo assunto; Construção de Unidades de Aprendizagem abordando o tema Nanotecnologia, envolveu-se na pesquisa profissionais da saúde, educação, meio-ambiente; Grupos de estudo e seminário para discussão abordando temas atuais e que integram professores em projetos.
Os professores propõem o tema e juntos construímos o processo de estudo, as estratégias de pesquisa e validação do trabalho. A avaliação segue critérios claros e definidos pelo grupo desde o início, fazendo parte a auto-avaliação.
É evidente que tudo isto só é possível com coragem e inovação de docentes comprometidos e atualizados, atentos às emergências do cotidiano.
O depoimento destes professores é que a cada semestre conseguem resultados mais significativos e sentem-se cada vez mais seguros e confiantes na metodologia escolhida. O que não deixa mentir é a adesão de novos colegas professores com o trabalho interdisciplinar, devido ao desafio dos próprios discentes em trabalhar na interação de saberes.
Quero concluir dizendo que a trajetória docente construímos nas interações e exemplos dos bons professores, aqueles a quem admiramos, questionamos, confiamos, mas que, além disso, nos enxergam e nos avalizam enquanto seres humanos, enquanto profissionais.
REFLEXÃO TEIA DE ARANHA
Qual teia de aranha, composta por muitos raios concêntricos, unidos por círculos harmônicos, permitem resultados animadores, porque atuam conjugados e resistem embalados as presas. Isoladamente são fracos, porém,muito fortes quando associados. Na figura da teia, construída pelo engenho caprichoso das aranhas, em formatos diversos e, cuja arquitetura o homem ainda desconhece, bem como, a qualidade do fio e sua composição dotada de tenacidade, resistência e elasticidade que intriga os cientistas, está o desafio comparativo. Mais fina que um fio de cabelo, mais leve que o algodão e mais forte que o aço, a teia “atormenta” os que querem copiar sua propriedade. Com características próprias existe cerca de quarenta mil espécies e cada uma constrói seu tipo de teia para conseguir subsistência.
A interdisciplinaridade assemelha-se às teias das aranhas como engenhosa composição, de múltiplas faces das ciências, visando um bem comum maior. Há também, a “teia família” com múltiplos setores que conjugam esforços, dando cada participante sua melhor contribuição. É a superação numa prática de alteridade necessária ao verdadeiro espírito científico. As aranhas disponibilizam suas teias para conseguir aprisionar insetos, sendo fonte de alimentação e reprodução. Sabe-se que a vida das aranhas está nas teias, embora de
forma geral, sejam consideradas repugnantes. Algo semelhante, somente semelhante, na prática, se passa na academia com a interdisciplinaridade, parecendo uma tarântula. Numa abrangência maior a interdisciplinaridade é mediação e participação. Ambas podem ser aprendidas e aperfeiçoadas com paciente e engenhosa construção pedagógica. Uma filosofia que norteia a inter, multi e trans para alcançar a interação que possibilita abrir caminhos em horizontes que, individualmente, são complexos e quase insuperáveis.
Finalmente, o caminho da interdisciplinaridade, como prática psicopedagógica passa pela superação do personalismo atingindo o centro da perquirição e convivência humana, onde o cérebro/inteligência, o meio ambiente, pacificamente, contribuem para melhoria da qualidade do “homo sapiens”. Armando Bortolini (2007 p.484).
CONCIDERAÇÕES FINAIS
A interdisciplinaridade é colocada para a educação, para as instituições,
especificamente para as universidades, como desafio do século, a suprir a fragmentação e integrar os conhecimentos.
Penso que nós educadores somos os principais responsáveis na agilização deste processo, embora a organização institucional e curricular são as responsáveis pela implementação de mudanças, depende dos docentes a prática pedagógica, a atitude interdisciplinar que não necessita aguardar normas, proliferando pelas universidades estratégias de ensino que envolvam pesquisa, aceitam as divergências e reformulem suas hipóteses na interação com outros saberes.
Refletir e pesquisar a própria prática pode ser muito mais intrigante do que se suponha. Desacomoda, provoca e cobra uma nova atitude de educador ampliado em seus conceitos e situado historicamente com visão do real.
A abordagem interdisciplinar vem para a educação como proposta de integração de disciplinas, capazes de ultrapassarem a multidisciplinaridade. Durante a prática, o planejamento, a execução e a avaliação necessitam acontecer de forma que todos os envolvidos no processo participem, o objetivo é o crescimento pessoal e do grupo, em busca de um único conhecimento.
A interdisciplinaridade nos dias de hoje, vem posta como condição básica para a formação profissional adequada para o exercício de qualquer profissão, assim, compreendo
que o tema interdisciplinaridade é pertinente e atual as diversificadas áreas do saber que compõe a turma de pós-graduandos na disciplina Metodologia do Ensino Superior. Aceitá-la como desafio metodológico é nosso dever enquanto co-responsáveis na formação de novos profissionais.
A partir de leituras, conceitos, princípios e pressupostos da interdisciplinaridade foram colocados para reflexão e análise da sua importância no Ensino Superior. Enfoque que perpassa pelo sujeito interdisciplinar, suas concepções, teorias e atividades, que não sejam apenas de conteúdos e competências, mas de alguém que se assuma como profissional aberto a novas questões da era das incertezas e de descobertas que já não comportam mais o restrito, o acabado, o conceito único e fechado.
Compreende-se que não é algo fácil, uma proposta interdisciplinar, implica sempre um certo medo de expor-se quanto às próprias limitações. Porém é possível. É o que aponta a pesquisa feita no campus da PUCRS.
Merecem destaque em 2007, quem inovou e acreditou no trabalho coletivo, quem procurou ter visão do todo em prol da maioria. Essa interação só pode acrescentar à todos, professores, alunos, instituição e especialmente a sociedade.
Interdisciplinaridade é um tema cada vez mais utilizado na academia. É uma nova abordagem científica, cultural e epistemológica.
REFERÊNCIAS
AUDY, J.L.N. e MOROSINI, M. C. (org.) Inovação e Interdisciplinaridade na
Universidade. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2007.
BORTOLINI, A. L. Interdisciplinaridade na PUCRS. In: AUDY, J.L.N. e MOROSINI, M. C. (org.) Inovação e Interdisciplinaridade na Universidade. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2007. p.481-484.
ENRICONE, D. Ações interdisciplinares: autoria e características. (p.469-476). In: AUDY, J.L.N. e MOROSINI, M. C. (org.) Inovação e Interdisciplinaridade na Universidade. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2007. p. 469-476.
FAZENDA, I.C. Interdisciplinaridade: história, teoria e pesquisa. Campinas: Papirus, 2005.
GONZÁLES J. F. et al. (1999). Como hacer Unidades Didácticas innovadoras? Sevilha: Diada.
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JOÃO, F e CLEMENTE, E. História da PUCRS. Porto Alegre: EDIPUCRS, vol. I. 1995. JOÃO, F e CLEMENTE, E. História da PUCRS. Porto Alegre: EDIPUCRS, vol. II, 1997. KETZER, S. M. Ensinar e aprender: no jogo da interdisciplinaridade. In: AUDY, J.L.N. e MOROSINI, M. C. (org.) Inovação e Interdisciplinaridade na Universidade. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2007. p.91-100.
MORIN, E. Os sete saberes necessários à educação do futuro. 11.ed. – São Paulo: Cortez; Brasília, DF: UNESCO, 2006.
______. (1986). O problema epistemológico da complexidade. Lisboa: Publicações Europa-América.
MULHOLLAND, T. Multi, inter e transdisciplinaridade na concepção acadêmica das
universidades brasileiras. In: AUDY, J.L.N. e MOROSINI, M. C. (org.) Inovação e Interdisciplinaridade na Universidade. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2007. p.205-220.
SPIANDORELLO, W. P. e FILIPPINI, L. Z. (org.). A interdisciplinaridade e o Grupo Interdisciplinar Antitabagismo (GIAT). Revista Educação. Porto Alegre, ano XXIX, n. 1 (58), p. 136 – 144, 2006.
TEIXEIRA, E. F. B. Emergência da inter e da transdisciplinaridade na universidade. In: AUDY, J.L.N. e MOROSINI, M. C. (org.) Inovação e Interdisciplinaridade na
Universidade. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2007. p.58-80.
Acesso on-line: http://www3.pucrs.br/portal/page/portal/pucrs/Capa/Graduação. Disponível em 19/11/2007.
Acesso on-line: http://www.ricesu.com.br/.../n2/artigos/n_2/id03p8.htm. Disponível em 22/11/2007.
PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO GRANDE DO SUL
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM EDUCAÇÃO EM CIÊNCIAS E MATEMÁTICA
ANEXO 1
Unidades Universitárias
Faculdades
o Faculdade de Administração, Contabilidade e Economia o Faculdade de Arquitetura e Urbanismo
o Faculdade de Biociências
o Faculdade de Ciências Aeronáuticas o Faculdade de Comunicação Social o Faculdade de Direito
o Faculdade de Educação
o Faculdade de Educação Física e Ciências do Desporto o Faculdade de Enfermagem, Fisioterapia e Nutrição o Faculdade de Engenharia
o Faculdade de Farmácia
o Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas o Faculdade de Física o Faculdade de Informática o Faculdade de Letras o Faculdade de Matemática o Faculdade de Medicina o Faculdade de Odontologia o Faculdade de Psicologia o Faculdade de Química o Faculdade de Serviço Social o Faculdade de Teologia
Cursos de Graduação
o Administração de Empresas
o Administração - Empreendedorismo e Sucessão o Administração - Gestão de Tecnologia da Informação o Administração - Marketing
o Arquitetura
o Ciência da Computação o Ciências Aeronáuticas o Ciências Biológicas
o Ciências Contábeis - Controladoria e Finanças o Ciências Econômicas
o Ciências Sociais
o Comunicação Social - Jornalismo
o Comunicação Social - Publicidade e Propaganda o Comunicação Social - Relações Públicas
o Direito - Ciências Jurídicas e Sociais o Educação Física
o Enfermagem o Engenharia Civil
o Engenharia de Computação
o Engenharia de Controle e Automação o Engenharia Elétrica o Engenharia Mecânica o Engenharia de Produção o Engenharia Química o Farmácia o Filosofia
o Física - Licenciatura Plena / Bacharelado o Fisioterapia
o Geografia o História o Hotelaria
o Letras - Licenciatura Plena o Matemática
o Medicina o Nutrição o Odontologia o Pedagogia
o Produção Audiovisual / Cinema e Vídeo o Psicologia
o Quimica - Licenciatura Plena / Químico o Serviço Social
o Sistemas de Informação o Teologia
Mestrado
o Administração e Negócios (MAN)
Área de Concentração: Administração Estratégica o Biologia Celular e Molecular
Área de Concentração: Biologia Celular e Molecular o Ciências Criminais
Área de Concentração: Sistema Penal e Violência
o Ciência da Computação
Área de Concentração: Ciência da Computação o Ciências Sociais
Área de Concentração: Organizações e Sociedade
o Comunicação Social
Área de Concentração: Comunicação, Cultura e Tecnologia
o Direito
Áreas de Concentração: Fundamentos Constitucionais do Direito Público e do Direito Privado (Instituições de Direito do Estado); Teoria Geral da Jurisdição (Direito Processual Civil)
o Economia do Desenvolvimento
Áreas de Concentração: Desenvolvimento Econômico; Economia Regional
o Educação
Área de Concentração: Educação
o Educação em Ciências e Matemática
Área de Concentração: Educação Científica o Engenharia Elétrica
Áreas de Concentração: Sistemas de Energia; Tecnologia da Informação o Engenharia e Tecnologia de Materiais
Áreas de Concentração: Engenharia e Tecnologia de Materiais o Filosofia
Área de Concentração: Ética e Filosofia Política; Filosofia do Conhecimento e da Linguagem; Filosofia Medieval o Gerontologia Biomédica
Área de Concentração: Gerontologia Biomédica
o História
Área de Concentração: História das Sociedades Ibéricas e Americanas
o Letras
Áreas de Concentração: Lingüística Aplicada; Teoria da Literatura o Medicina e Ciências da Saúde
Áreas de Concentração: Clínica Médica; Geriatria; Nefrologia; Neurociências e Clínica Cirúrgica
o Odontologia
Áreas de Concentração: Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial; Dentística; Materiais Dentários; Ortodontia e Ortopedia Facial; Prótese Dentária o Pediatria e Saúde da Criança
o Psicologia
Áreas de Concentração: Psicologia Social e da Personalidade; Psicologia Clínica o Serviço Social
Área de Concentração: Serviço Social, Políticas e Processos Sociais
o Teologia
Área de Concentração: Teologia Sistemática
o Zoologia
Área de Concentração: Zoologia
Doutorado
o Biologia Celular e Molecular
Área de Concentração: Biologia Celular e Molecular
o Ciência da Computação
Área de Concentração: Ciência da Computação
o Comunicação Social
Área de Concentração: Comunicação, Cultura e Tecnologia
o Direito
Áreas de Concentração: Fundamentos Constitucionais do Direito Público e do Direito Privado; Teoria Geral da Jurisdição e Processo
o Educação
Área de Concentração: Educação
o Engenharia e Tecnologia de Materiais
Áreas de Concentração: Engenharia e Tecnologia de Materiais o Filosofia
Área de Concentração: Ética e Filosofia Política; Filosofia do Conhecimento e da Linguagem; Filosofia Medieval
o Gerontologia Biomédica
Área de Concentração: Gerontologia Biomédica o História
Área de Concentração: História das Sociedades Ibéricas e Americanas
o Letras
Áreas de Concentração: Lingüística Aplicada; Teoria da Literatura o Medicina e Ciências da Saúde
Áreas de Concentração: Clínica Médica; Nefrologia; Neurociências e Clínica Cirúrgica
o Odontologia
Áreas de Concentração: Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial; Dentística; Estomatologia Clínica; Materiais Dentários; Prótese Dentária
o Pediatria e Saúde da Criança
Área de Concentração: Pediatria o Psicologia
Áreas de Concentração: Psicologia Social; Psicologia Clínica; Cognição Humana o Serviço Social
o Zoologia
Área de Concentração: Zoologia
Especialização
o ADMINISTRAÇÃO E ECONOMIA Auditoria e Perícia
Faculdade de Administração, Contabilidade e Economia – FACE
Controladoria e Finanças
Faculdade de Administração, Contabilidade e Economia – FACE
Gestão da Qualidade para o Meio Ambiente
Instituto do Meio Ambiente - IMA
Gestão e Inteligência Competitiva
Faculdade de Administração, Contabilidade e Economia – FACE Gestão Estratégica de TI
Faculdade de Administração, Contabilidade e Economia - FACE
Gestão Estratégica de Pessoas
Faculdade de Administração, Contabilidade e Economia - FACE
Marketing Estratégico
Faculdade de Administração, Contabilidade e Economia - FACE
Gestão Econômica e Ambiental
Faculdade de Administração, Contabilidade e Economia - FACE
o CIÊNCIAS BIOLÓGICAS Biologia e Genética Forense
Convênio com o Instituto Geral de Perícias/RS Faculdade de Biociências - FABIO
o CIÊNCIAS DA SAÚDE Acupuntura
Instituto de Geriatria e Gerontologia – IGG
Atividade Física e Saúde em Populações Especiais
Faculdade de Educação Física e Ciências do Desporto - FEFID
Ciências da Saúde e do Desporto
Faculdade de Educação Física e Ciências do Desporto – FEFID Cinesioterapia Avançada
Faculdade de Enfermagem, Nutrição e Fisioterapia – FAENFI Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial
Faculdade de Odontologia - FO
Dança
Faculdade de Educação Física e Ciências do Desporto – FEFID Desportos Coletivos
Faculdade de Educação Física e Ciências do Desporto – FEFID
Endodontia
Faculdade de Odontologia - FO
Geriatria e Gerontologia - Extensivo
Geriatria e Gerontologia - Intensivo
Instituto de Geriatria e Gerontologia – IGG
Implantodontia Faculdade de Odontologia – FO Odontopediatria Faculdade de Odontologia - FO Ortodontia Faculdade de Odontologia - FO Prótese Dentária Faculdade de Odontologia - FO Psicomotricidade
Faculdade de Educação Física e Ciências do Desporto – FEFID
Psiquiatria
Faculdade de Medicina – FAMED
Recreação, Lazer e Jogos Cooperativo
Faculdade de Educação Física e Ciências do Desporto – FEFID
Residência Multiprofissional em Saúde - PREMUS
Faculdade de Enfermagem, Nutrição e Fisioterapia – FAENFI
Saúde do Trabalhador
Faculdade de Serviço Social - FSS
Técnico Desportivo em Futebol e Futsl
Faculdade de Educação Física e Ciências do Desporto – FEFID
Terapia Nutricional Parenteral e Enteral
Faculdade de Enfermagem, Nutrição e Fisioterapia - FAENFI
o COMUNICAÇÃO Imagem Publicitária
Faculdade de Comunicação Social – FAMECOS
o DIREITO Ciências Penais
Faculdade de Direito - FADIR
Direito Ambiental
Faculdade de Direito - FADIR
Direito de Família Faculdade de Direito - FADIR
Direito do Trabalho e Direito Processual do Trabalho
Faculdade de Direito – FADIR
Direito Empresarial
Faculdade de Direito - FADIR
Direitos Fundamentais e a Constitucionalização do Direito
Faculdade de Direito - FADIR
Direito Penal Empresarial
Faculdade de Direito - FADIR
Direito Processual Civil
Faculdade de Direito – FADIR
Direito Público
Direito Tributário
Faculdade de Direito – FADIR
o EDUCAÇÃO
Alfabetização: o Jogo da Leitura e da Escrita
Faculdade de Educação – FACED
Educação Inclusiva
Faculdade de Educação - FACED
Educação Infantil: gestão e docência
Faculdade de Educação - FACED
Educação para a paz e não-violência
Faculdade de Educação - FACED
Psicopedagogia
Faculdade de Educação - FACED
o ENGENHARIA E ARQUITETURA Arquitetura e Pré-Fabricação
Faculdade de Arquitetura e Urbanismo – FAU
Arquitetura e Paisagística
Faculdade de Arquitetura e Urbanismo – FAU
Arquitetura e Patrimônio Arquitetônico
Faculdade de Arquitetura e Urbanismo – FAU
Engenharia de Manutenção
Faculdade de Engenharia - FENG
Expressão Gráfica
Faculdade de Arquitetura e Urbanismo - FAU
Perícias e Avaliação de Bens
Faculdade de Engenharia - FENG
o FARMÁCIA Toxicologia Aplicada
Instituto de Toxicologia Aplicada - INTOX
o FILOSOFIA Sociologia
Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas – FFCH
Filosofia e o Ensino da Filosofia
Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas – FFCH
o GEOGRAFIA
Espaço Urbano: Geografia e Interdisciplinaridade
Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas – FFCH
Fazendo Geografia para o Terceiro Milênio
Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas - FFCH
Informática na Educação
Faculdade de Informática - FACIN
o LÍNGUAS E LITERATURA Consultoria e Assessoria Lingüística
Faculdade de Letras – FALE
Ensino de Língua e Literatura Espanhola
Faculdade de Letras – FALE
Ensino de Língua Portuguesa: Estudos Lingüísticos Aplicados
Faculdade de Letras - FALE
Língua Inglesa
Faculdade de Letras - FALE
Literatura Infanto Juvenil
Faculdade de Letras - FALE
o TEOLOGIA E RELIGIÃO Ensino Religioso
Faculdade de Teologia
Espaço Litúrgico e Arte Sacra