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ALVES HEYE 2008 TamanhoeDocumento OBrasileoequilibriodepodernaAmericadoSul

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Análise de Conj untura OPSA

 

 

| n.08, ago. 2008 | 

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ht t p: / / observat orio.iuperj .br

Ta m a n ho é D ocu m e n t o?

O Br a sil e o Equ ilíbr io de Pode r n a Am é r ica do Su l

Análise de Conj untura ( n.08, ago. 2008) I SSN 1809- 8924

Vá gn e r Ca m ilo Alve s1

Th om a s H e ye2

1 . I n t r oduçã o

No século XVI I , em m eio ao processo de em ergência do sistem a internacional m oderno, o conceito de equilíbrio de poder passou por um a transform ação que o m antém im portante até os dias de hoj e: houve o deslocam ento do foco da Grécia de Tucídides e das cidades-estado de Guicciardini para os Est ados- Nações.

I nicialm ent e, os europeus concent raram - se em m anter a França de Luís XI V em guarda. Nos séculos XVI I I e XI X, o equilíbrio de poder foi o obj etivo declarado da polít ica ext erna inglesa e caract erizou o sist em a int ernacional após as guerras napoleônicas até a eclosão da 1ª Guerra Mundial ( Sheehan, 1996, p. vii) . Durante a Guerra Fria, as análises de equilíbrio de poder concentraram - se nos arsenais nucleares das superpotências e em suas respectivas alianças, a OTAN e o Pacto de Varsóvia. No Pós- Guerra Fria, o cenário passou por rápidas m udanças. I nicialm ent e, a hegem onia m ilit ar e econôm ica norte- am ericana apresentava- se de m aneira inconteste e avassaladora. Todavia, com os reiterados fracassos m ilitares, diplom át icos e econôm icos do governo George W. Bush, som ados à em ergência de novos atores com o a China, a Í ndia e o Brasil, a necessidade de incorporar novos países, regiões e fatores em análises sobre equilíbrio de poder torna- se evidente.

O obj etivo aqui é apresentar um a análise do equilíbrio de poder da Am érica do Sul cont em porânea. Equilíbrio de poder é um conceit o polít ico realist a t radicional e pode ser definido com o o esforço, por parte de Estados, em evitar a predom inância de um Estado sobre os dem ais. Desta form a, análises de equilíbrio de poder têm

1 Professor de Ciência Polít ica da UFF e pesquisador da área de “ Est rat égia” da ECEME

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com o prem issa a questão nem sem pre claram ente enunciada, m as sem pre subj acente, de qual país ou aliança tem a m aior capacidade de prevalecer em um conflito arm ado, ou sej a, num a guerra ( Geller & Singer, 1998) . Com o desdobram ento político, um a guerra representa a possibilidade de alteração violent a no st at us quo m undial ou regional ( Gilpin, 1981) .

Em sum a, procurarem os verificar, pela análise do com portam ento dos gastos m ilitares e da avaliação da efetiva capacidade operacional das forças arm adas dos países da Am érica do Sul, em que m edida as aquisições recentes de equipam ento bélico pela Venezuela e o im pacto do bolivarianism o3 na região afetam o equilíbrio

de poder e, principalm ente, se representam um a am eaça m ilitar para o Brasil. As razões para tanto são decorrentes do crescente aum ento de reportagens e artigos nos principais periódicos brasileiros e int ernacionais acerca de um a supost a am eaça representada pela Venezuela de Chávez.4

2 . Ga st os M ilit a r e s

A figura abaixo apresenta a percentagem de cada país no total de gastos m ilitares da Am érica do Sul no período entre 1990 a 2006. As exceções são a Guiana e o Surinam e, devido à ausência de dados, e a Guina Francesa, por ser o últim o resquício do colonialism o europeu na região5.

3 Esse fenôm eno polít ico possui origem na Venezuela a partir da ascensão à presidência de Hugo Chávez ( 1999) e foi replicado posteriorm ente na Bolívia com a eleição de Evo Morales ( 2006) , no Equador, com Rafael Correa ( 2007) , e na Nicarágua, com Daniel Ort ega ( 2007) . O candidato apoiado por Chávez no Peru, Ollanta Hum ala, perdeu por um a m argem pequena de votos, em 2007, para Alan García.

4 Jornal O Globo, 27/ 7/ 2008: “ Chávez com pra US$ 2 bilhões em arm as da Rússia” ; Revista Vej a, 12/ 3/ 2008: “ Por que Chávez quer a guerra” ; Jornal The Washington Tim es, 3/ 3/ 2008: “ S. Am erica on Brink of War; Venezuela, Ecuador am ass t roops on Colom bian border” ; Revista Vej a, 28/ 11/ 2007: “ Em que os m ilitares m iram ” ; Revist a Época, 29/ 10/ 2007: ” O Brasil deve ter m edo dele? Porque o crescent e poderio bélico de Chávez é um a am eaça à liderança brasileira” .

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Figur a 1 : D ist r ibu içã o dos Ga st os M ilit a r e s n a Am é r ica do Su l ( 1 9 9 0 - 2 0 0 6 )

Font e: SI PRI , 2008

O prim eiro aspecto que se destaca é o m ontant e de gast os m ilit ares invest idos pelo Brasil em relação aos dem ais países. Com 71% do t ot al dos gast os sul- am ericanos, o Brasil faz j us à sua tradição de figurar entre os 15 países que m ais investem em defesa. No ano de 2007, por exem plo, o Brasil encontrava- se na 12ª colocação, atrás da Coréia do Sul e à frente do Canadá, da Austrália e da Espanha ( Stálenhein, Perdom o & Sköns, 2008) . No ano corrent e, o President e Luiz I nácio Lula da Silva propôs um orçam ento de defesa 53% m aior do que o de 20076. Com gast os, nos

últim os 15 anos, 10 vezes m aior do que o segundo colocado, a Colôm bia, o Brasil não cont a com rival na região nesse quesit o.

I nfelizm ente, a figura anterior não é capaz de apreender as im portantes transform ações ocorridas no com portam ento dos gastos m ilitares nos últim os dois

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anos. O SI PRI ainda não disponibilizou as estim ativas dos gastos m ilitares de 2007 e 2008. Verifica- se na região nesses anos aum ento dos gastos e a tendência para os próxim os é de que cheguem a patam ares m ais elevados. De acordo com o

I nt ernat ional I nst it ut e for Strategic Studies – I I SS, o aum ento dos gastos m ilitares

deve- se ao fato de que os países sul- am ericanos continuam m odernizando as suas forças arm adas em m eio a am eaças difusas. Os países exportadores de arm as acreditam que, com as econom ias em crescim ento e a obsolescência dos seus sistem as de arm as, a Am érica do Sul representa um excelente m ercado para novos equipam ent os m ilit ares ( I I SS, 2008) .

De fat o, os países sul- am ericanos beneficiaram - se do aum ento de preços do petróleo, soj a, cobre e outras com m odities, e est ão invest indo m ais em equipam ento bélico. Nos anos 1990, a Am érica do Sul acom panhou a tendência m undial de declínio dos gast os m ilit ares. At ualm ente, diversos países da região estão atualizando os seus sistem as de arm as e investindo m ais em suas forças arm adas. Em outras palavras, verifica- se um a forte correlação entre o aum ento de preços de m at érias- prim as no m ercado int ernacional e os invest im ent os bélicos na área.

O prim eiro país a tom ar a iniciativa foi a Venezuela, em 2005, com a ordem de com pra de US$ 1,3 bilhão em aeronaves m ilitares e 100 m il fuzis de assalto. Em 2006, Chávez assinou acordos no valor de US$ 3,1 bilhões em arm as avançadas, incluindo 24 m oderníssim os caças Sukhoi Su- 30 e 38 helicópteros de com bate e t ransport e7. Os gastos m ilitares venezuelanos, país dotado das m aiores reservas de

petróleo e de gás da região, acom panharam os aum entos de preço dessa com m odity. Em fevereiro de 1999, quando Chávez foi eleito para a presidência, o barril de petróleo custava cerca de US$ 12,30. Atualm ente o preço do barril est á em torno de US$ 1408.

A Colôm bia está com prando 24 caças israelenses Kfir e desde 2000 recebeu m ais de US$ 5 bilhões em aj uda m ilitar dos EUA, incluindo 47 helicópteros BlackHawk. Tam bém é o único país da região a contar, desde 2002, com um im posto de guerra9.

O Brasil, o m aior PI B da região, anunciou recent em ent e a int enção de finalm ent e concluir o seu proj eto de subm arino nuclear. Preços recordes obtidos pela soj a aj udaram o país a com prar US$ 1,1 bilhão em arm as em 2006, incluindo 30

7Washington Tim es, 04/ 03/ 2008.

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Washington Tim es, 04/ 03/ 2008.

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helicópteros russos de com bate e transporte MI - 35 e m ais 270 tanques Leopard 1 alem ães ( I I SS, 2008) . Em 07 de setem bro de 2008, espera- se a divulgação da nova polít ica de defesa nacional, que prom et e int roduzir m udanças significat ivas para a defesa do país. Para dezem bro deste ano, aguarda- se a assinatura de um acordo com a França para a t ransferência de t ecnologia que auxiliará a const rução no Brasil de aeronaves de com bate, helicópteros e subm arinos10.

O Equador aum ent ou em 19% seus gast os m ilitares para este ano de acordo com o SI PRI . O presidente Rafael Correa vai investir US$ 920 m ilhões, principalm ente no aum ento de salários e na transferência de part e significat iva de suas forças arm adas para a fronteira ao norte, com a Colôm bia11.

Os gast os m ilit ares do Chile, o m aior produt or m undial de cobre, aum ent aram graças a um a lei de 1987 que direciona 10% da renda obtida com as exportações desse m etal para as forças arm adas. Dado que o preço do cobre praticam ente quadruplicou nos últim os 5 anos, o Chile com prou, desde 2006, 18 j atos F- 16 usados e 10 m ísseis antinavio Harpoon12.

Em sum a, os gast os m ilit ares da região aum ent aram 55% nos últ im os quat ro anos. Todavia, nem todos os países sul- am ericanos estão aum entando os seus orçam entos m ilitares. Os gastos do Uruguai estão em declínio desde 1999, enquanto os do Peru flutuam entre US$ 800 m ilhões e US$ 1,1 bilhão desde 1993, de acordo com o SI PRI .

O com portam ento dos gastos m ilitares na Am érica do Sul está acom panhando a tendência de aum ento m undial. Entre 2006 e 2007 os gastos m ilitares m undiais aum entaram 6% em term os reais e, em relação a 1998, 45% . Os Estados Unidos apresentaram os m aiores gastos m ilitares desde a I I Guerra Mundial, sendo responsáveis por 45% do total dos gastos globais ( Stálenhein, Perdom o & Sköns, 2008) .

Em sua obra m onum ent al, Quincy Wright propôs que quando

orçam entos m ilitares, a tropa e a aquisição de m aterial estão aum entando aceleradam ente, pode- se inferir que tensões internacionais estão aum entando e que Estados estão m oralm ent e e m at erialm ent e arm ando- se. Corridas arm am entistas evidenciadas por est atísticas constituem um a form a de relação internacional focada na guerra e freqüentem ente acaba em guerra ( Wright, 1942: vol.. 2, 813) .

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Washington Tim es, 04/ 03/ 2008.

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Washington Tim es, 04/ 03/ 2008.

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Todavia, o conceit o de corrida arm am ent ist a, apesar de int uit ivo, revelou- se em piricam ent e inconsistent e ( Etcheson, 1989, p.04) . Em relação ao equilíbrio de poder na Am érica do Sul, o com portam ento dos gast os m ilitares apresenta um a m udança im port ante nos últim os dois anos. Países da região est ão invest indo m ais em equipam ent os bélicos. Contudo, tal com portam ento está diretam ent e relacionado à variação dos preços de m atérias- prim as no m ercado internacional e não em conseqüência de um a corrida arm am entista encabeçada pela Venezuela de Chávez.

3 . A ca pa cida de m ilit a r in st a la da13

O Brasil é, sem dúvida, o m ais poderoso Est ado do continente. Tanto em term os de área com o em term os populacionais, o país corresponde a aproxim adam ente m etade da Am érica do Sul. Trata- se, além disso, da econom ia m ais puj ante e diversificada da área, com setor industrial fort e, atuante inclusive na área da indúst ria m ilit ar, m esm o que est a t enha decrescido quando com parada ao que era nos anos 1980. Levando- se em consideração o PI B de 2007, o Brasil produziu, em dólares oficias, cerca de US$ 1,3 trilhão, quase 60% de toda riqueza sul- am ericana daquele ano. Em um hipotético conflito com qualquer vizinho, a distância das fronteiras vis- à- vis os centros populacionais e produtivos garante ao país tem po suficiente para transform ar a riqueza nacional potencial em poder m ilitar real. Em um a guerra de atrito de longa duração, o Brasil provavelm ente venceria qualquer adversário ou m esm o coalizão de adversários na região.

Seguem o Brasil, m uito distantes, no que concerne à riqueza nacional, em ordem decrescent e, Argent ina, Venezuela, Colôm bia, Chile e Peru, com Produt o I nt erno Bruto ( PI B) entre US$ 250 e 100 bilhões. Levando- se em consideração tam bém aspectos geográficos e populacionais, podem os dizer que há, na área, entre esses países, certa paridade no que concerne às possíveis díades estatais antagônicas, com o Argent ina x Chile, Chile x Peru ou Colôm bia x Venezuela.

Ocorre que conflitos de m assa, generalizados, longos, levando à m obilização nacional dos contendores, caíram m uito em incidência desde o fim da Segunda Guerra Mundial. O últ im o ocorrido nas Am éricas foi a Guerra do Chaco ( 1932-1935) , entre Bolívia e Paraguai, os países m ais pobres da Am érica do Sul. No

13 Os dados referent es ao invent ário das forças regionais foram ext raídos de Balance Militar de Am erica

del Sur ( 2004) , disponível em htt p: / / www.nuevam ayoria.com / ES/ BI BLI OTECA/ ?file= resenas/ 041116.ht m l ; e Milit ary Periscope.com –

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m undo, a Guerra I rã x I raque ( 1980- 1988) é vista por alguns, com certo otim ism o, possivelm ente com o a últim a guerra dessa natureza ( Mueller, 1989, pp. 256- 257) . As razões para o fenecim ento do fenôm eno são m uitas e escapam do escopo dessa análise.

Os conflit os m ilit ares pot enciais, port anto, serão rápidos, lutados por questões lim itadas, e decididos pela capacidade bélica instalada e em prontidão. Para m ensurarm os com o anda o equilíbrio m ilitar na Am érica do Sul quanto a essa quest ão, é preciso, prim eiro, cont abilizar o invent ário m ilit ar operacional de cada país, sua quantidade e qualidade relat ivas. Vej am os e com parem os o poder m ilitar m aterial deles, no m ar, no ar e em terra:

a) O equilíbrio no m ar - A m aior m arinha de guerra em term os de efetivo é a brasileira. As seguint es, do Peru, Colôm bia, Chile, Argent ina e Venezuela, são algo m enores, m as não m uito. As esquadras dos Estados m ais fortes possuem com o espinha dorsal em barcações de porte m édio, com deslocam ento entre 1.500 t e 4.000 t, oriundas de proj etos dos anos 1960- 70. Trata- se de belonaves próprias à função anti- subm arino e antinavio, com pouca capacidade antiaérea. Em term os num éricos, a esquadra brasileira tam bém é a m aior, com 16 navios capitais. Segue- se a ela a esquadra argentina, com 13 em barcações.

O Brasil é o único país do continente dotado de um navio aeródrom o, o A- 12 São Paulo, com prado dos franceses ( classe Clem enceau) . Juntam ente com seu com plem ent o de aeronaves, inclusive caças- bom bardeiros Skyhawk. Esta em barcação faz da esquadra brasileira a única capaz de proj etar poder aeronaval no alto m ar.

Em term os aeronavais gerais, a Arm ada brasileira é tam bém a m aior, com aviões de at aque, de pat rulha e helicópt eros lança- m ísseis. Os argent inos t êm um a força m enor, m as bem diversificada, ainda que careçam de um porta-aviões.

Com relação à frota de subm ergíveis, há certa paridade entre os grandes países. Quase todos têm subm arinos alem ães ( o tipo 209 é o m ais com um ) , variando entre seis ( Peru) e três ( Argentina) unidades, ficando em posição interm ediária o Brasil, o Chile e a Colôm bia.

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de apoio aeronaval. A m ais poderosa e bem equipada unidade de fuzileiros é a do Brasil, com efetivo de quase 15 m il com batentes. A despeito de a Colôm bia ter um efetivo sim ilar, sua capacidade anfíbia está m uito aquém da brasileira, sendo unidade pouco diferenciada das existentes em seu exército.

b) O equilíbrio no ar – Em t erm os de pessoal e núm ero de aeronaves de todos os tipos, o Brasil detém a m aior força aérea do continente. Com cerca de 60 m il m ilit ares e m ais de 600 aeronaves em serviço, ela é, de longe, a m aior da região. A Força Aérea Peruana, a segunda em term os de pessoal, tem um quarto do tam anho da brasileira. Em núm ero de aeronaves, a diferença com relação às dem ais não é tanta, m as, ainda assim , a FAB conta com vantagem na ordem de centenas de aparelhos. O quadro m odifica- se quando os dados são desagregados e com param os apenas j atos interceptadores e caças- bom bardeiros. Há, nesse quesit o, cert a paridade num érica ent re Brasil, Peru e Argent ina, seguidos m uit o de perto por Chile e Venezuela. Destaque- se que Peru, Chile e Venezuela são os únicos equipados com j atos de proj eto m ais avançado – F- 16, Mirage 2000 e MI G- 29 – estando o Brasil, ainda de m odo incipiente, adquirindo equipam ento de igual nível.

A Força Aérea Colom biana é a segunda m aior da região em term os de quantidade de aeronaves, não detendo, entretanto, j atos ofensivos m odernos em núm ero. Sua frota é quase exclusivam ente constituída por aviões de ataque leve, de transporte e helicópteros de todos os tipos. A Colôm bia tem a m aior frota de helicópteros das forças aéreas da região, com m uitos aparelhos de procedência norte- am ericana – Blackhawk UH- 60, I roquis UH- 1 e Huey I I – conseqüência do auxílio m ilit ar dado pelos Est ados Unidos ao país. É um a Força Aérea direcionada basicam ente ao com bate da guerrilha e narcotráfico, aspecto único entre os aparatos m ilitares regionais.

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m issões precípuas a presença em todo o im enso e, em m uitas áreas, despovoado, território nacional. Quanto à Colôm bia, seu superdim ensionam ento deve- se a aspecto j á com entado, qual sej a, o de ser o único exército, de fato, em pregado constantem ente em com bate, em um a guerra contra- insurrecional que dura décadas.

A capacidade ofensiva dos exércitos, entretanto, está m enos no seu núm ero de soldados e m ais na sua capacidade de efetuar agressivas operações conj ugando poder de fogo e m obilidade. Em term os m ateriais, um a form a de se averiguar essa capacidade é analisando a frota de blindados das forças regionais. A prim eira coisa a conhecer são os países equipados com MBTs – acrônim o inglês para Main Bat t le Tank –, carros blindados pesados dotados de esteira. Há, nessa área, certa paridade regional entre Argent ina, Brasil, Chile e Peru, levando- se em consideração o núm ero e a qualidade dos veículos existentes. Os MBTs em uso são carros proj etados nos anos 1960 e produzidos nos anos 1970, m aj oritariam ente com prados de “ segunda m ão” nos anos 1990, rescaldo do fim da Guerra Fria – os TAMs argentinos são exceção a essa regra. Não há no continente carros de com bate de 1ª geração, com o o M- 1 Abram s am ericano, o Leopard 2 alem ão ou o israelense Merkava.

Quando levam os em consideração o t ot al geral de veículos blindados, com put ando, além dos MBTs, os t ransportes de tropa e os veículos de reconhecim ento sobre rodas, os exércitos do Brasil e do Chile são os m aiores, com m ais de 1.500 blindados cada, seguidos pelo argentino e, bem abaixo, o peruano.

Com relação à força de helicópt eros, o m ais aquinhoado exércit o é o colom biano, pelas razões j á discutidas anteriorm ente. O exército brasileiro é o segundo nesse aspecto, próxim o ao da Colôm bia. Os dem ais est ão dist ant es em t erm os num éricos.

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habilidade t écnica são alguns elem entos que afetam diretam ente o poder m ilitar real de um país ( Pollack, 2004, pp. 04- 10). Stephen Biddle resum e no conceito de “ em prego da força” aos elem entos hum anos que afetam de m odo m ais conseqüente a eficiência m ilitar ( Biddle, 2004) .

O im pact o de um corret o “ em prego da força” na eficiência é t ant o m aior quant o m enos dependente de tecnologia for o m eio em que se processa o com bate. Assim , o espaço aéreo e a superfície dos m ares são m uito m ais governados pela m atéria ( quantidade e qualidade) do que o com bat e em terra, especialm ente quando ele se realiza em terreno fechado, com o cidades e florestas.

Com base nisso, devem os volt ar aos dados m ateriais anteriores, buscando conj um iná- los com o aspecto hum ano envolvido. Tal ponto será tratado de m odo im pressionist a, vist o a inexist ência de t rabalhos que tratam sobre tal questão na região, algo que em parte advém da pequena experiência em com bat e convencional da m aioria das forças arm adas sul- am ericanas.

Podem os dizer que a qualidade do m aterial hum ano é superior na parte m eridional do continente vis- à- vis os países set ent rionais, em razão da m aior indust rialização relat iva da região e conseqüente m elhor preparo técnico da m ão- de- obra, o que inclui os m ilit ares. Em t erm os de habilidade e engenhosidade t écnica, port anto, parece razoável considerar as forças arm adas do Brasil, Argentina e Chile superiores às dem ais do continente.

A eficiência m ilit ar em t erm os hum anos, entretanto, não se resum e a esse aspecto, especialm ente quando nos referim os à guerra em terra. Muitos exércitos de países pobres, pouco industrializados, com o o do Vietnã do Norte nos anos 1960 e 1970, conseguiram atingir um a destacada m aestria no “ em prego da força” ( Biddle, 2004, p. 03) .

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forças arm adas, foi o m aior exercício de guerra convencional da Am érica Latina

(Verde- Oliva, 2008) . Esse é um aspecto a se destacar, m esm o que

im pressionist icam ent e, quanto à m aest ria no “ em prego da força” na região.

Levando- se em consideração aspectos m ateriais e im ateriais, parece inegável que o Brasil detém o m ais poderoso aparato m ilitar do continente. Ele sofre concorrência e é m esm o inferior em certos quesitos – capacidade anti- navio argentina, blindados chilenos, caças de interceptação a j ato chilenos e venezuelanos – especialm ente se levarm os em conta as últim as com pras efetuadas na área. No todo, o país é, ainda, relat ivam ente à guerra convencional, nitidam ente o núm ero um do cont inente. Seguem - se a ele o Chile e a Argentina. Peru e Venezuela disputam a quarta colocação. As forças arm adas colom bianas, ainda que num erosas, estão aprestadas basicam ente para guerra antiguerrilha e com bate na selva.

4 . Con clu sã o

Diferente do alardeado pela im prensa, não existe um a corrida arm am entista na Am érica do Sul. Houve, de fato, crescim ent o nos gastos m ilitares, m as ele t em com o obj etivo prim ordial a substituição de m aterial bélico antigo, próxim o ao fim de sua vida útil. Os gastos estão lastreados no crescim ento econôm ico regional dos últim os anos, fruto prim ordialm ent e da alta de preços das com m odities exportadas pelos países da área.

Levando- se em consideração os gastos m ilit ares e a capacidade bélica instalada, não encontram os base para j ulgar o bolivarianism o e, m ais especificam ente, a Venezuela de Chávez, fortes candidatos à alteração do equilíbrio de poder m ilitar regional, com o tam bém alardeia parte da grande im prensa.

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A condição de predom inância brasileira e segurança regional m uda quando com param os os gastos e a capacidade m ilitar sul- am ericana com o restante do m undo e, em especial, com as grandes potências. Há um fosso bem largo separando- os. Enquanto o poder m ilitar brasileiro é forte no continente, com parado ao poder das grandes potências de além - m ar, ele é débil. Tal constatação se reveste da m aior im portância, visto que desde 1870, ano em que findou a Guerra do Paraguai, o Brasil não sofreu qualquer ataque de m onta por países vizinhos, nem em pregou suas forças m ilitares contra eles. Em com pensação, agressões a navios m ercantes nacionais por pot ências alhures levaram ao envolvim ent o diret o do Brasil nas duas guerras m undiais, em 1917 e 1942, respectivam ente. Se, conform e at esta a política de defesa nacional, o poder m ilitar brasileiro visa à defesa e à dissuasão, ele cum pre bem sua função com relação ao entorno, a despeito dos alertas espetaculares da m ídia. O m esm o não podem os dizer com relação a possíveis ações de potências do além - m ar. Neste cenário, tam anho não é docum ento.

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La Argentina de Kirchner: el retorno del Estado en el siglo XXI y sus im plicaciones en la polít ica ext erna.

Javier Vadell

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Com petição e Desperdício Eleitoral: dois novos índices Wanderley Guilherm e dos Santos

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Luchas sociales, gobierno y Estado durante la presidencia de Néstor Kirchner Gabriela Delam at a

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Gobiernos Progresistas, Agenda neodesarrollista y capacidades estatales: la experiencia reciente en Argentina, Brasil y Chile

Renato Boschi e Flavio Gaitán

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Gobiernos de izquierda en Am érica Latina: entre el populism o y la social dem ocracia – Una tipología para avanzar en el análisis com parado

Jorge Lanzaro

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Novos rum os, velhos problem as – as t ort uosas vias da negociação e da conciliação no segundo m andato de Alan García

Adem ar Seabra da Cruz Jr.

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A política externa venezuelana de Chávez para a Am érica do Sul: entre a ideologização das identidades e as necessidades do pragm atism o

Rafael Villa

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A Evolução polít ica sul- am ericana na perspectiva estadunidense: a interlocução entre t hink t anks e o Departam ento de Estado

Luis Fernando Ayerbe

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Adalberto Cardoso

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Balance del m edio ciclo de gobierno de izquierda en Uruguay ( 2005- 2007)

Const anza Moreira

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A I ntervenção Sul- Am ericana no Haiti

Monica Hirst

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As Reform as Bolivianas e o Cont ext o Sul- Am ericano At ual

Cesar Guim arães e José Maurício Dom ingues

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A Polít ica Sul- Am ericana do Brasil: Razões e percalços do “ inst it ucionalism o da sem iperiferia”

Carlos Aurélio Pim enta de Faria

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A Polít ica Ext erna Brasileira: Novos Dilem as Geopolít icos e a sua Falt a de Condicionam ent os Dom ést icos

Octavio Am orim Neto

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A China nos Fluxos Com erciais dos Países Sul- Am ericanos

Lia Valls Pereira

Os m ovim entos sociais latino- am ericanos: característ icas e pot encialidades

José Maurício Dom ingues

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Marcelo Cout inho

A conj untura colom biana nos cem dias de Uribe

I ngrid Sarti

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Carol Proner

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La disputa entre Argentina y Uruguay por la construcción de las procesadoras de celulosa en Fray Bentos

Vicent e Palerm o

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Alexander Zhebit

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Fabiano Santos

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La Marea Rosa

Francisco Panizza

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Francisco Carlos Teixeira da Silva

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Um Panoram a das Desigualdades na Am érica Latina

Carlos Antonio Costa Ribeiro

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Const it uint e Boliviana: Cont inua a era de incert ezas

Luiz Alfredo Salom ão

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Nacionalização Boliviana e Desafios da Am érica do Sul

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Padrões de inserção externa da econom ia brasileira e o papel da integração sul-am ericana

Ricardo Sennes, Alexandre de Freitas Barbosa e Débora Miura Guim arães

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I ntegração Regional e as Eleições Presidenciais de 2006 no Brasil

Fabiano Santos

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I ntegração Moderna

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Bolivia, ent re la crisis y el caos: ¿Exist e una salida negociada?

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O Est ilo K e a Polít ica Argent ina

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Segurança na Am érica do Sul

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Hait í: Una I nt ervención Equivocada

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