Arquitectura Popular de Entre-Douro-e-Vouga

Texto

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UNIVERSIDADE DA BEIRA INTERIOR

Engenharia

Arquitectura Popular de Entre-Douro-e-Vouga

Marcela Gonçalves de Almeida

Dissertação para obtenção do Grau de Mestre em

Arquitectura

(ciclo de estudos integrado)

Orientador: Prof. Doutora Ana Maria Tavares Ferreira Martins

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“Entender é sempre limitado. Mas não entender pode não ter fronteiras. Sinto que sou muito mais completa quando não entendo.” 1

Clarice Lispector

1 http://www.citador.pt/textos/sabedoria-e-nao-entender-clarice-lispector (consultado a 17-09-2014;

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Dedicatória

As únicas pessoas a quem eu me sinto na obrigação de dedicar este trabalho: À minha família, de modo particular os meus pais.

Tudo o que hoje sou, faço e ambiciono a eles lhes devo. Sem o amor de uma família, a paciência, os conselhos e ensinamentos, não seria o que hoje sou. Foi no núcleo familiar que nasceu o meu amor pelas artes em geral, crescendo eu entre uma família criativa, repleta de dotes artísticos.

A arquitectura nem sempre foi uma certeza para mim, sendo eu fascinada por tantos outros ramos artísticos que gostaria de desenvolver pessoal e profissionalmente. A escolha foi difícil, mas eles sempre me incentivaram a seguir em frente, em qualquer que fosse a minha escolha. Tenciono concretizar muitos outros objectivos para além deste, pelo qual lutei imenso, e tenho a certeza que serão eles a estar do meu lado, mais uma vez, prontos a lançarem-me nos meus caminhos e aventuras … algures por aí.

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Agradecimentos

Difícil será nomear todos aqueles que, directa ou indirectamente, me ajudaram a percorrer este longo percurso académico.

Não posso assim deixar passar em branco o agradecimento à minha grande e unida família. Pai, mãe, irmão, avós, padrinho, madrinha, tias, tios, primos e primas. Não poderia pedir melhor equipa do que esta.

A todos os amigos e colegas que marcaram positivamente a minha vida académica; cada um deles sabe o quanto foi importante para mim e que já conquistaram um lugar no meu coração. Obrigada por tudo!

À malta jovem de Guisande, os meus amigos da terra, cada um na sua maneira simples de ser, são já a segunda família da minha vida e juventude.

Finalmente um grande obrigada a todos os profissionais que contribuíram para a minha formação e para a transmissão de valores pessoais e profissionais. À professora Ana Maria, incansável desde o primeiro momento, capaz de acalmar qualquer nervoso miudinho com a tranquilidade e simpatia que lhe são características.

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Resumo

O estudo da arquitectura popular de Portugal apenas começou a ganhar relevância quando se procurou descobrir o verdadeiro estilo da casa portuguesa. A sua formalização reflectiria a alma e a história de vida do povo português. No entanto, não se trata somente de uma questão de formato ou imagem, mas sobretudo, a funcionalidade proporcionada pela autenticidade das formas.

Esta temática pretende abordar a matiz arquitectónica de Entre-Douro-e-Vouga, confinada entre estes dois rios e acomodada na transição da região do Minho para as Beiras. No desenrolar de cinco capítulos vive-se uma viagem que, ao partir do esclarecimento do contexto geográfico deste território, recuará até tempos remotos, esmiuçando a origem dos primeiros povoados e sua evolução ao longo dos séculos. Nesta terra que herdou da história povoados castrejos, que assistiu à consequente romanização da traça urbana e da cultura e que, por se encontrar numa posição estratégica, gerou um castelo como sede de um vasto território, que tinha por objectivo controlar a grande via militar romana; estão finalmente lançadas as precedências que o caracteriza actualmente como ele é: um território de forte índole industrial, mas no qual o progresso não quis esconder o reverso da moeda que atesta as suas primícias rurais.

A arquitectura popular de qualquer território, e Entre-Douro-e-Vouga não é excepção, resulta da súmula de factores geográficos, sociais, históricos e económicos. Feita pelo homem, com pleno consentimento do seu meio nativo, ela pretende tornar-se não somente num habitáculo, mas também num instrumento agrícola e de subsistência. São os dois últimos capítulos que ajudarão a descobrir de que características e técnicas se faz prevalecer, o que a distingue das restantes e quais as influências que absorve. O término do trabalho elucida o porquê da importância da salvaguarda deste património, deixando uma janela aberta para a reflexão sobre o valor que se lhe deve a atribuir.

Palavras-chave

Arquitectura; Popular; Entre-Douro-e-Vouga; Habitação; Ruralidade; Vale; Montanha; Minho; Beiras

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Abstract

The study of Portugal’s popular architecture only began to gain relevance when someone was trying to figure out the real style of portuguese house. Its formalization would reflect the soul and the life’s history of the portuguese people. However, it is not only an issue involving the form or the image, but mostly the functionality provided by the authenticity of its forms. This theme aims to approach of Entre-Douro-e-Vouga’s architectural hue, confined between these two rivers and accommodated in the transition from Minho region to Beiras. In the course of five chapters a trip is lived when, going from the territory geographical context’s clarification, it goes back to ancient times scrutinizing the origin of the first villages and their evolution over time. In this land which inherited settlements from history, which witnessed a consequent romanization of the urban traces and people’s culture and, for being in a strategic location, it generated a castle as the seat of a large territory, which aimed to take control over a great roman military road; there are finally released the precedents which characterize it as it currently is: a territory with a strong industrial character, but in which progress wouldn’t want to hide the flip side that attests to their rural first fruits. The popular architecture of any land, and Entre-Douro-e-Vouga is not an exception, results from the summary of geographical, social, historical and economic factors. Being handmade by man, with full consent of his native land, it intends to become not only in housing, but also in a living and agricultural tool. There are the last two chapters that will help us finding out the features and techniques prevailing, what distinguishes it from the others and what influences are absorbed. The last part of the work elucidates the why of safeguarding this heritage as a matter, leaving an open window for reflection on the value that must be given to it.

Keywords

Architecture; Popular; Entre-Douro-e-Vouga; Housing; Rurality; Valley; Mountain; Minho; Beiras

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Índice

Capítulo 1. Fundamentação e Objectivos ... 1

1.1 Introdução ... 2

1.2 Objectivos ... 4

1.3 Metodologia ... 5

1.4 Estado de Arte ... 5

Capítulo 2. Introdução de Entre-Douro-e-Vouga ... 8

2.1 Enquadramento Geográfico ... 9 2.1.1 Território ... 9 2.1.2 Orografia ... 10 2.1.3 Geomorfologia e Litologia ... 11 2.1.4 Hidrografia ... 13 2.1.5 Clima ... 14 2.1.6 Vegetação ... 16 2.2 A História de Entre-Douro-e-Vouga ... 17

2.2.1 Do Neolítico à Ocupação Castreja... 17

2.2.1.1 Neolítico e o Megalitismo ... 17

2.2.1.2 Fase Proto-Histórica ... 19

2.2.1.3 Os Castros e a Arquitectura do Granito ... 20

2.2.1.4 Povos Emergentes ... 22

2.2.2 Romanização ... 23

2.2.3 A Reconquista Cristã e a Fundação das Terras de Santa Maria... 27

2.2.4 Entrada no Condado Portucalense ... 30

2.2.5 A Carta Foral e a Emancipação das Terras de Santa Maria ... 30

2.3 A Actualidade de Entre-Douro-e-Vouga ... 31

2.3.1 Concelhos Integrantes – Síntese ... 31

2.3.1.1 Arouca ... 31

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2.3.1.3 São João da Madeira ... 35

2.3.1.4 Oliveira de Azeméis ... 36

2.3.1.5 Vale de Cambra ... 37

2.3.2 Demografia ... 38

2.3.3 Actividades Económicas ... 40

2.3.4 Agricultura ... 43

2.3.5 Ocupação Humana do Território ... 46

Capítulo 3. A Arquitectura Popular ... 51

3.1 A Casa Elementar ... 52

3.2 A Casa Popular e Suas Variantes Regionais ... 53

3.2.1 Síntese Descritiva dos Tipos de Habitação Popular ... 56

3.2.1.1 Casa Minhota ... 56 3.2.1.2 Casa Serrana ... 58 3.2.1.3 Casa de Madeira ... 60 3.2.1.4 Casa Alpendrada ... 61 3.2.1.5 Casa Saloia ... 63 3.2.1.6 Casa Ribatejana ... 64 3.2.1.7 Monte Alentejano ... 65 3.2.1.8 Casa de Povoado ... 66 3.2.1.9 Casa de Pescadores ... 68 3.2.1.10 Casa Rural ... 69

3.3 Integração da Casa Popular em Entre-Douro-e-Vouga ... 71

Capítulo 4. Arquitectura Popular em Entre-Douro-e-Vouga... 72

4.1 Descrição por Localização Montanha / Vale ... 73

4.1.1 A Casa de Arouca e de Vale de Cambra ... 73

4.1.1.1 O Povoado ... 74

4.1.1.2 Acessibilidades... 75

4.1.1.3 Estrutura ... 76

4.1.1.4 Paredes e Pavimento ... 77

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xv 4.1.1.6 Cobertura ... 83 4.1.1.7 Elementos Decorativos ... 87 4.1.1.8 Interior ... 89 4.1.1.9 Espigueiros e Eiras ... 90 4.1.1.10 Influências ... 94

4.1.2 A Casa de Santa Maria da Feira, São João da Madeira e Oliveira de Azeméis ... 97

4.1.2.1 O Povoado ... 98 4.1.2.2 Acessibilidades ... 99 4.1.2.3 Estrutura ... 101 4.1.2.4 Paredes e Pavimento ... 102 4.1.2.5 Portas e Janelas ... 104 4.1.2.6 Cobertura ... 107 4.1.2.7 Elementos Decorativos ... 109 4.1.2.8 Interior ... 112 4.1.2.9 Espigueiros e Eiras ... 113 4.1.2.10 Influências ... 115

4.2. Identidade de Entre-Douro-e-Vouga, Cômputo Geral ... 119

4.2.1 Elo Entre as Casas Serranas e as Casas de Vale ... 119

4.2.2 A Conservação das Formas ... 121

Capítulo 5. Conclusão ... 126

Bibliografia ... 130

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Lista de Figuras

Figura 1 - Sub-região de Entre-Douro-e-Vouga ... 10 Fonte: (adaptado de) http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/3/31/

LocalNUTS3EntreDouroEVouga.svg/250px-LocalNUTS3EntreDouroEVouga.svg.png (consultado a 19-03-14, às 11:18h)

Figura 2 - Concelhos de Entre-Douro-e-Vouga ... 10 Fonte: (adaptado de) http://www.cm-arouca.pt/portal/images/stories/distritoaveirop.jpg (consultado a 19-03-14, às 12:23h)

Figura 3 - Mapa da orografia, em zona 1 ... 11 Fonte: (adaptado de) MOUTINHO, Mário; A Arquitectura Popular Portuguesa; Editorial

Estampa; Lisboa; 1995; p.17

Figura 4 - Mapa geológico, em zona 1, segundo o inquérito à Arquitectura Popular em

Portugal ... 12 Fonte: (adaptado de) AA.VV.; Arquitectura Popular em Portugal; volume 1; Edição Sindicato Nacional dos Arquitectos/Ordem dos Arquitectos Portugueses; Lisboa; 1961; p.7

Figura 5 - Mapa geológico, em zona 1, segundo Mário Moutinho ... 12 Fonte: (adaptado de) MOUTINHO, Mário; A Arquitectura Popular Portuguesa; Editorial

Estampa; Lisboa; 1995; p.15

Figura 6 - Mapa hidrográfico, em zona 1 ... 14 Fonte: (adaptado de)

http://hyperscola.files.wordpress.com/2012/03/afluentes-e-subafluentes-rios-portugal-001.jpeg (consultado a 20-03-2014, às 15:36h)

Figura 7 - Mapa de pluviosidade anual, em zona 1 ... 16 Fonte: (adaptado de) MOUTINHO, Mário; A Arquitectura Popular Portuguesa; Editorial Estampa; Lisboa; 1995; p.19

Figura 8 - Castanheiros em Santa Maria da Feira ... 17 Fonte: fotografia da autora

Figura 9 - Manto vegetal rasteiro da Serra da Freita, Arouca ... 17 Fonte: fotografia da autora

Figura 10 - Mamoa da Portela da Anta, vista do interior ... 19 Fonte: http://pt.wikiloc.com/wikiloc/imgServer.do?id=251300 (consultado a 09-04-2014; às 17:05h)

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xviii Figura 11 - Mamoa da Portela da Anta, vista de cima ... 19 Fonte: SILVA, António Manuel S.P.; Memórias da Terra. Património Arqueológico do Concelho

de Arouca; Câmara Municipal de Arouca; Arouca; 2004; p.71

Figura 12 - Castro de Romariz ... 20 Fonte: http://www.theperfecttourist.com/wp-content/uploads/2014/03/IMG_4770.jpg (consultado a 12-04-2014; às 10:16h)

Figura 13 - Exemplo de casa castreja ... 21 Fonte: http://www.osmeustrilhos.pt/2007/09/18/castro-de-santa-trega-galiza-espanha/ (consultado a 12-04-2014; às 15:41h)

Figura 14 - Castro de Romariz, vista aérea... 25 Fonte: https://www.cm-feira.pt/portal/site/cm-feira/template.MAXIMIZE/recursos-turisticos/?javax.portlet.tpst=6e3fbee686baa2a31dd762d990af8a0c_ws_MX&javax.portlet.prp _6e3fbee686baa2a31dd762d990af8a0c_viewID=detail_view&javax.portlet.prp_6e3fbee686baa 2a31dd762d990af8a0c_thematicContentPath=%2FThematic%20Navigation%2FTurismo%2FRecur sos%20Tur%C3%ADsticos%2FCastro%20de%20Romariz%2F&javax.portlet.begCacheTok=com.vign ette.cachetoken&javax.portlet.endCacheTok=com.vignette.cachetoken (consultado a 12-04-2014; às 16:23h)

Figura 15 - Planta do castro de Romariz ... 25 Fonte: retirada de panfleto turístico

Figura 16 - Maqueta da Domus do castro de Romariz ... 26 Fonte: fotografia da autora

Figura 17 - Cartibulum do castro de Romariz... 26 Fonte: fotografia da autora

Figura 18 - Mapa de antigas vias romanas, em zona 1 ... 28 Fonte: (adaptado de) AA.VV.; Arquitectura Popular em Portugal; volume 1; Edição Sindicato Nacional dos Arquitectos/Ordem dos Arquitectos Portugueses; Lisboa; 1961; p.9

Figura 19 - Via romana em Santa Maria da Feira ... 28 Fonte: https://www.cm-feira.pt/portal/binary/com.epicentric.contentmanagement.servlet. ContentDeliveryServlet/Thematic%2520Navigation/Urbanismo/Atlas/Atlas%2520de%2520Santa %2520Maria%2520da%2520Feira/ficheiros/Atlas%2520de%2520Santa%2520Maria%2520da%2520F eira%2520-%2520Vers%25C3%25A3o%2520Digital/Parte%25203%2520-%2520Conhecimento%2520 Humano.pdf; p.10 (consultado a 19-04-2014; às 10:21h)

Figura 20 - Castelo de Santa Maria da Feira ... 29 Fonte: http://www.panoramio.com/photo/4832884 (consultado a 23-04-2014; às 11:58h)

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xix Figura 21 - Vista aérea sobre Arouca ... 32 Fonte: http://www.google.pt/imgres?imgurl=http://aminhaagenda.aroucaonline.com/wp-content/uploads/2009/09/IMG_3304.JPG&imgrefurl=http://aminhaagenda.aroucaonline.com /2009/09/04/4-de-setembro-de-2009-arouca-vista-de-cima/&h=683&w=1024&tbnid=rOqggcV DKkDiaM:&zoom=1&docid=1w173cs25tqAPM&ei=vR4XVNPfKo_oaM3ZgugG&tbm=isch

(consultado a 24-04-2014; às 09:36h)

Figura 22 - Mosteiro de Arouca ... 32 Fonte: http://pedestrianismo.blogspot.pt/2009/10/ciclo-de-caminhadas-pelo-caminhos-do.html (consultado a 24-04-2014; às 11:08h)

Figura 23 - Vista panorâmica sobre Santa Maria da Feira através do castelo ... 34 Fonte: http://www.panoramio.com/photo/5661910 (consultado a 24-04-2014; às 16:27h) Figura 24 - Vista aérea sobre S. João da Madeira ... 35 Fonte: http://portugalfotografiaaerea.blogspot.pt/2013/06/sao-joao-da-madeira.html (consultado a 24-04-2014; às 19:32h)

Figura 25 - Marco da milha XII ... 37 Fonte: http://www.cm-oaz.pt/oliveira_de_azemeis.1/freguesias.42/oliveira_de_azemeis. 54/marco_miliario_.a3129.html (consultado a 25-04-2014; às 10:45h)

Figura 26 - Paisagem de Vale de Cambra ... 38 Fonte: http://www.panoramio.com/photo/17588365?source=wapi&referrer=kh.google.com (consultado a 25-04-2014; às 14:59h)

Figura 27 - Mapa de indivíduos por concelho em Portugal Continental, Censos 2011 ... 39 Fonte: (adaptado de) http://www.pordata.pt/Municipios/Populacao+residente+segundo+os+ Censos+total+e+por+grandes+grupos+etarios-22 (consultado a 29-04-2014; às 21:05h)

Figura 28 - Monumento ao Sapateiro, em S. João da Madeira ... 42 Fonte: http://www.panoramio.com/photo/40583789?source=wapi&referrer=kh.google.com (consultado a 24-04-2014; às 20:02h)

Figura 29 - Museu do Papel e antiga fábrica, em Santa Maria da Feira ... 42 Fonte: http://www.timetogo.com/index.php?option=com_pti&view=pti&id=435&lang=pt (consultado a 25-04-2014; às 15:24h)

Figura 30 - Zona industrial de Santa Maria da Feira ... 42 Fonte: https://www.cm-feira.pt/portal/binary/com.epicentric.contentmanagement.servlet. ContentDeliveryServlet/Thematic%2520Navigation/Urbanismo/Atlas/Atlas%2520de%2520Santa %2520Maria%2520da%2520Feira/ficheiros/Atlas%2520de%2520Santa%2520Maria%2520da%2520F

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xx Figura 31 - Mapa da utilização dos solos, em zona 1 ... 43 Fonte: (adaptado de) AA.VV.; Arquitectura Popular em Portugal; volume 1; Edição Sindicato Nacional dos Arquitectos/Ordem dos Arquitectos Portugueses; Lisboa; 1961; p.22

Figura 32 - Cultivo minifudiário em socalcos, Vale de Cambra ... 44 Fonte: fotografia da autora

Figura 33 - Boi de raça Arouquesa pastando na Serra da Freita ... 46 Fonte: fotografia da autora

Figura 34 - Mapa dos tipos de povoamento, em zona 1 ... 47 Fonte: (adaptado de) AA.VV.; Arquitectura Popular em Portugal; volume 1; Edição Sindicato Nacional dos Arquitectos/Ordem dos Arquitectos Portugueses; 1961; p.23

Figura 35 - Povoamento aglomerado, Albergaria-da-Serra (Arouca) ... 50 Fonte: Google Earth

Figura 36 - Povoamento disseminado organizado em pequenos núcleos, Cesar (Oliveira de Azeméis) ... 50 Fonte: Google Earth

Figura 37 - Casa elementar em Albergaria-da-Serra (Arouca) ... 52 Fonte: fotografia da autora

Figura 38 - Casario de Rio de Frades (Arouca) ... 53 Fonte: fotografia da autora

Figura 39 - Desenho de uma casa-pátio, elaborado por Ernesto Veiga de Oliveira (2000) ... 54 Fonte: OLIVEIRA, Ernesto Veiga de, e Fernando Galhano; Arquitectura Tradicional

Portuguesa; Publicações Dom Quixote; Lisboa; 2000; p.21

Figura 40 - Desenho de uma casa-bloco, elaborado por Ernesto Veiga de Oliveira (2000) .... 55 Fonte: OLIVEIRA, Ernesto Veiga de, e Fernando Galhano; Arquitectura Tradicional

Portuguesa; Publicações Dom Quixote; Lisboa; 2000; p.21

Figura 41 - Mapa dos tipos de arquitectura por região ... 56 Fonte: (adaptado de) MOUTINHO, Mário; A Arquitectura Popular Portuguesa; Editorial Estampa; Lisboa; 1995; p.39

Figura 42 - Entrada para o pátio de uma casa-bloco minhota ... 58 Fonte: TEIXEIRA, Manuel C.; Arquitecturas do Granito, Arquitectura Popular; Município de Arcos de Valdevez; 2013; p.50

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xxi Figura 43 - Casa-bloco minhota com as suas duas varandas... 58 Fonte: OLIVEIRA, Ernesto Veiga de, e Fernando Galhano; Arquitectura Tradicional

Portuguesa; Publicações Dom Quixote; Lisboa; 2000

Figura 44 - A simplicidade de uma casa serrana ... 59 Fonte: OLIVEIRA, Ernesto Veiga de, e Fernando Galhano; Arquitectura Tradicional

Portuguesa; Publicações Dom Quixote; Lisboa; 2000

Figura 45 - Casa de três pisos, Paúl ... 59 Fonte: OLIVEIRA, Ernesto Veiga de, e Fernando Galhano; Arquitectura Tradicional

Portuguesa; Publicações Dom Quixote; Lisboa; 2000

Figura 46 - Ortogonalidade urbanística de Espinho ... 60 Fonte: http://retratosdeportugal.blogspot.pt/2013/05/espinho-vista-aerea-do-centro-da-cidade.html (consultado a 15-05-2014; às 10:14h)

Figura 47 - Casas típicas da Costa Nova... 61 Fonte: http://ab-imagensincriveis.blogspot.pt/2011_11_01_archive.html (consultado a 15-05-2014; às 11:05h)

Figura 48 - Palheiro de Esmoriz ... 61 Fonte: http://fotos.sapo.pt/damasofaria/fotos/?uid=306lsJLkuUvDzPZBLZhh (consultado a 15-05-2014; às 11:16h)

Figura 49 - Casa alpendrada da Murtosa ... 63 Fonte: OLIVEIRA, Ernesto Veiga de, e Fernando Galhano; Arquitectura Tradicional

Portuguesa; Publicações Dom Quixote; Lisboa; 2000

Figura 50 - Casa ribatejana ... 64 Fonte: MOUTINHO, Mário; A Arquitectura Popular Portuguesa; Editorial Estampa; Lisboa; 1995; p.106

Figura 51 - Casa de monte alentejano ... 65 Fonte: MOUTINHO, Mário; A Arquitectura Popular Portuguesa; Editorial Estampa; Lisboa; 1995; p.119

Figura 52 - Casas em povoado alentejano à face a rua ... 66 Fonte: OLIVEIRA, Ernesto Veiga de, e Fernando Galhano; Arquitectura Tradicional

Portuguesa; Publicações Dom Quixote; Lisboa; 2000

Figura 53 - Fachada frontal de casa de povoado alentejano ... 67 Fonte: OLIVEIRA, Ernesto Veiga de, e Fernando Galhano; Arquitectura Tradicional

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xxii Figura 54 - Casas de pescadores do Algarve... 69 Fonte: MOUTINHO, Mário; A Arquitectura Popular Portuguesa; Editorial Estampa; Lisboa; 1995; p.144

Figura 55 - Casa rural do Algarve ... 70 Fonte: OLIVEIRA, Ernesto Veiga de, e Fernando Galhano; Arquitectura Tradicional

Portuguesa; Publicações Dom Quixote; Lisboa; 2000

Figura 56 - Localização dos locais em análise ... 73 Fonte: (adaptado de) http://www.cm-arouca.pt/portal/images/stories/distritoaveirop.jpg (consultado a 19-03-14, às 12:23h)

Figura 57 - Aldeia da Lomba ... 74 Fonte: fotografia da autora

Figura 58 - Casa com um pequeno pátio (Covêlo de Paivô) ... 75 Fonte: fotografia da autora

Figura 59 - Caminho estreito e escadeada entre casas (Lomba) ... 75 Fonte: fotografia da autora

Figura 60 - Casa com cobertura de colmo (Cabaços) ... 76 Fonte: fotografia da autora

Figura 61 - Casa com passadiço sobre o caminho (Rio de Frades) ... 77 Fonte: fotografia da autora

Figura 62 - Implantação da casa sobre a rocha natural (Lomba) ... 77 Fonte: fotografia da autora

Figura 63 - Parede de xisto onde os blocos maiores reforçam os cunhais (Rio de Frades) ... 79 Fonte: fotografia da autora

Figura 64 - Junção de xisto e granito numa parede (Covêlo de Paivô) ... 79 Fonte: fotografia da autora

Figura 65 - Chão de curral em terra batida, revestido a palha e excrementos (Cabaços) ... 79 Fonte: fotografia da autora

Figura 66 - Estrutura do pavimento em piso sobradado (Rio de Frades) ... 79 Fonte: fotografia da autora

Figura 67 - As portas de casa, de acordo com a sua função (Covêlo de Paivô) ... 81 Fonte: fotografia da autora

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xxiii Figura 68 - Porta emoldurada em madeira (Rio de Frades) ... 81 Fonte: fotografia da autora

Figura 69 - Arco de descarga em porta de curral (Covêlo de Paivô) ... 81 Fonte: fotografia da autora

Figura 70 - Janela adjacente ao beiral da cobertura (Covêlo de Paivô) ... 82 Fonte: fotografia da autora

Figura 71 - Presença de uma janela centrada na empena da casa (Covêlo de Paivô) ... 82 Fonte: fotografia da autora

Figura 72 - Janela com portadas de madeira (Cabaços) ... 83 Fonte: fotografia da autora

Figura 73 -Laje do peitoril sob a janela (Rio de Frades) ... 83 Fonte: fotografia da autora

Figura 74 - Cobertura de colmo (Cabaços) ... 84 Fonte: fotografia da autora

Figura 75 - Cobertura em lajes de lousa (Albergaria-da-Serra) ... 85 Fonte: fotografia da autora

Figura 76 - Sobreposição da telha sobre a lousa (Covêlo de Paivô) ... 85 Fonte: fotografia da autora

Figura 77 - Grampos de madeira unindo a lajes de lousa na cumeeira (Lomba) ... 85 Fonte: fotografia da autora

Figura 78 - Estrutura simples de cobertura em lousa (Cabreiros) ... 86 Fonte: fotografia da autora

Figura 79 - Telha vã (Covêlo de Paivô) ... 87 Fonte: fotografia da autora

Figura 80 - Chaminé rectangular (Covêlo de Paivô) ... 87 Fonte: fotografia da autora

Figura 81 - Inscrição ‘A 1894’ gravada em lintel de granito (Covêlo de Paivô) ... 87 Fonte: fotografia da autora

Figura 82 - Janela ladeado por mísulas (Covêlo de Paivô) ... 88 Fonte: fotografia da autora

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xxiv Figura 83 - Bancos em casa, junto à porta do curral (Albergaria-da-Serra) ... 88 Fonte: fotografia da autora

Figura 84 - Forno embutido na parede no interior de uma cozinha (Espinheiro) ... 90 Fonte: fotografia da autora

Figura 85 - Parede divisória de tabique com porta para alcova (Espinheiro) ... 90 Fonte: fotografia da autora

Figura 86 - Espigueiros comunitários com mais de 3,5 m de comprimento (Rio de Frades) ... 92 Fonte: fotografia da autora

Figura 87 - Espigueiros concentrados próximos á capela (Lomba) ... 93 Fonte: fotografia da autora

Figura 88 - Alinhamento dos espigueiros em fileiras paralelas (Lomba) ... 93 Fonte: fotografia da autora

Figura 89 - Palheira de xisto próxima dos espigueiros (Rio de Frades) ... 94 Fonte: fotografia da autora

Figura 90 - Palheiros/Currais agrupados (Lomba) ... 94 Fonte: fotografia da autora

Figura 91 - Parede arredondada (Covêlo de Paivô) ... 96 Fonte: fotografia da autora

Figura 92 - Mesa/masseira encontrada numa cozinha (Espinheiro) ... 96 Fonte: fotografia da autora

Figura 93 - Localização dos locais em análise ... 97 Fonte: (adaptado de) http://www.cm-arouca.pt/portal/images/stories/distritoaveirop.jpg (consultado a 19-03-14, às 12:23h)

Figura 94 - Disposição do casario entre campos e incultos (Guisande) ... 99 Fonte: fotografia da autora

Figura 95 - Acesso ao quinteiro pela porta carral transpondo um coberto (Fajões) ... 100 Fonte: fotografia da autora

Figura 96 - Porta carral encimada por telheiro (Carregosa) ... 100 Fonte: fotografia da autora

Figura 97 - Escadas acedidas por quinteiro (Carregosa) ... 100 Fonte: fotografia da autora

(25)

xxv Figura 98 - Escadas na empena do casa (Carregosa) ... 100 Fonte: fotografia da autora

Figura 99 - Dependências da casa em redor do quinteiro (Guisande) ... 101 Fonte: fotografia da autora

Figura 100 - Hortas que servem a casa contíguas ao quinteiro (Romariz) ... 102 Fonte: fotografia da autora

Figura 101 - Paredes em pedra tosca à vista (Fajões) ... 103 Fonte: fotografia da autora

Figura 102 - Paredes rebocadas com pintura (Romariz) ... 103 Fonte: fotografia da autora

Figura 103 - Pavimento com laje de pedra (Guisande) ... 104 Fonte: fotografia da autora

Figura 104 - Estrutura de pavimento assoalhado, visto de uma adega (Guisande) ... 104 Fonte: fotografia da autora

Figura 105 - Piso da adega em terra batida (Guisande) ... 104 Fonte: fotografia da autora

Figura 106 - Portas com acesso a lojas na fachada frontal da casa (Carregosa) ... 105 Fonte: fotografia da autora

Figura 107 - Porta com moldura granítica sobressaindo em parede rebocada (Carregosa) .. 106 Fonte: fotografia da autora

Figura 108 - Moldura em blocos de pedra irregular, encimada por arco (Carregosa) ... 106 Fonte: fotografia da autora

Figura 109 - Janela com moldura imitando peitoril (Fajões) ... 106 Fonte: fotografia da autora

Figura 110 - Molduras revestidas em cerâmica (Guisande) ... 106 Fonte: fotografia da autora

Figura 111 - Alinhamento regular e simétrico de janelas e postigos (Carregosa) ... 107 Fonte: fotografia da autora

Figura 112 - Cobertura em telha de canudo (Romariz) ... 108 Fonte: fotografia da autora

(26)

xxvi Figura 113 - Cobertura de telha de marselha com beirais de telha de canudo (Fajões) ... 108 Fonte: fotografia da autora

Figura 114 - Chaminé afunilada (Fajões) ... 109 Fonte: fotografia da autora

Figura 115 - Chaminé afunilada (Louredo) ... 109 Fonte: fotografia da autora

Figura 116 - Casa de rodapé pintado sobre parede caiada (Carregosa) ... 110 Fonte: fotografia da autora

Figura 117 - Casa com pinturas padronizadas sobre reboco (Covêlo de Paivô) ... 110 Fonte: fotografia da autora

Figura 118 - Friso de cornija na esquina de casa (Fajões) ... 110 Fonte: fotografia da autora

Figura 119 - Porta carral com motivos floreados esculpidos em granito (Guisande) ... 110 Fonte: fotografia da autora

Figura 120 - Pináculos em telhado (Guisande) ... 111 Fonte: fotografia da autora

Figura 121 - Detalhes pintados nas telhas do beiral (Fajões) ... 111 Fonte: fotografia da autora

Figura 122 - Varanda de sacada em casa de lavoura abastada (Guisande) ... 111 Fonte: fotografia da autora

Figura 123 - Cubículo de casa-de-banho no exterior, inserido no quinteiro junto às lojas (Guisande) ... 113 Fonte: fotografia da autora

Figura 124 - Caixa em madeira que faz de sanita ... 113 Fonte: fotografia da autora

Figura 125 - Espigueiro rectangular sobre caixa de pedra (Fajões) ... 114 Fonte: fotografia da autora

Figura 126 - Espigueiro quadrangular sobre pilares de granito (Guisande) ... 114 Fonte: fotografia da autora

Figura 127 - Eira particular complementada com espigueiro (Louredo) ... 115 Fonte: fotografia da autora

(27)

xxvii Figura 128 - Demarcação a negrito sobre Entre-Douro-e-Vouga, denominada por Arouca, Jornal Expresso ... 116 Fonte: http://expresso.sapo.pt/casas_tradicionais_portuguesas=f501518 (consultado a 24-07-2014; às 10:19h)

Figura 129 - Grafismo da Casa de lavoura, Jornal Expresso ... 116 Fonte: http://expresso.sapo.pt/casas_tradicionais_portuguesas=f501518 (consultado a 24-07-2014; às 10:19h)

Figura 130 - Exemplo de Casa de lavoura em Entre-Douro-e-Vouga (Romariz), este caso bastante similar ao grafismo apresentado pelo Jornal Expresso ... 118 Fonte: fotografia da autora

Figura 131 - A simplicidade e rudeza de uma casa serrana (Albergaria-da-Serra) ... 118 Fonte: fotografia da autora

Figura 132 - Casa erudita actualmente abandonada (Carregosa) ... 118 Fonte: fotografia da autora

Figura 133 - Aldeia de Drave (Arouca) ... 123 Fonte: http://oscoronas.blogspot.pt/2010/11/drave.html (consultado a 28-07-2014; às 15:12h)

Figura 134 - Fachada revestida a ripado de madeira ... 124 Fonte: fotografia da autora

Figura 135 - As portas adoptadas com janela de portadas ... 124 Fonte: fotografia da autora

Figura 136 - Preservação da traça natural dos edifícios ... 124 Fonte: fotografia da autora

Figura 137 - Interior com vista para a janela ... 124 Fonte: fotografia da autora

Figura 138 - Pormenor das divisórias em tabuado vertical de madeira, imitando tabique ... 125 Fonte: fotografia da autora

Figura 139 - Pormenor de entrada complementada com candeeiro ... 125 Fonte: fotografia da autora

(28)

xxviii

(29)

1

Capítulo 1.

(30)

2

1.1 Introdução

Falar de arquitectura popular vai muito mais além do que um mero relato construtivo, onde se apresentam as várias características que distinguem as construções dos diversos povoados entre si. Falar de arquitectura popular é, primordialmente, partir à descoberta da génese de um povo. Abre-se um processo de investigação onde o Homem, e a sua relação com o meio, é o epicentro de todos os acontecimentos. Comprometer-se-ia um estudo isento caso não se considerassem diversas condicionantes nesta relação: geográficos, económicos, sociais, históricos e culturais.2 Já o diria Almeida Garrett, no seu livro Romanceiro:

“Nenhuma coisa pode ser nacional se não é popular.”3

A arquitectura popular vai-se desenvolvendo de diferentes formas, conformada a cada região do país em aliança com o meio natural; existe portanto uma humanização da paisagem.4

Desde os tempos primitivos, o homem extraía da natureza os materiais locais para modelar o seu habitáculo. Iniciou com barro e materiais vegetais, posteriormente, incluiu a pedra no seu quadro construtivo, quando surgiu a necessidade de edificar construções mais duradouras e perenes, aquando da sedentarização do homem. Trabalhados ou simplesmente usados no seu estado natural, estes materiais e as suas potencialidades atendiam à necessidade de conforto e protecção do homem.5 No entanto, com a inclusão do trabalho da terra na vida dos povos “para certos autores, a casa popular, e sobretudo a casa rural, é mesmo concebida não apenas como um abrigo, mas sobretudo como um verdadeiro instrumento agrícola que é preciso adaptar às necessidades de exploração da terra.”6 Pode-se então pensar que conhecer

essas necessidades é um passo vital para a compreensão da teoria do habitar do homem do campo. Na verdade, é um grande progresso, contudo não se devem desvalorizar as restantes condicionantes acima citadas.

O povo, uma classe de poucos privilégios e ainda assim bastante numerosa, que subsiste do trabalho da terra e também do mar, foi criando a sua própria linha arquitectónica. Com o avanço do tempo, as várias gerações foram adquirindo conhecimento e aperfeiçoando as suas práticas, no entanto, a casa rural queria-se funcional, prática e económica, o que se traduziu numa permanência das formas ao longo do tempo.7 A arquitectura popular, portanto, “é uma

2 OLIVEIRA, Ernesto Veiga de, e Fernando Galhano; Arquitectura Tradicional Portuguesa; Publicações

Dom Quixote; Lisboa; 2000; p.13

3 TEIXEIRA, Manuel C.; Arquitecturas do Granito, Arquitectura Popular; Município de Arcos de Valdevez;

2013

4 OLIVEIRA, Ernesto Veiga de, e Fernando Galhano; Arquitectura Tradicional Portuguesa; Publicações

Dom Quixote; Lisboa; 2000; p.13

5 TEIXEIRA, Manuel C.; Arquitecturas do Granito, Arquitectura Popular; Município de Arcos de Valdevez;

2013; p.28

6 OLIVEIRA, Ernesto Veiga de, e Fernando Galhano; Arquitectura Tradicional Portuguesa; Publicações

Dom Quixote; 2000; Lisboa; p.13

7 TEIXEIRA, Manuel C.; Arquitecturas do Granito, Arquitectura Popular; Município de Arcos de Valdevez;

(31)

3

arquitectura do senso comum, em que prevalece a austeridade, a harmonia e a adaptação ao meio.”8

A arquitectura popular pode desdobrar-se ainda numa arquitectura erudita9, onde se

encontram os solares rurais, contudo estes não serão objecto de estudo, visto que as habitações de lavradores e/ou pescadores de poucas posses são as mais elementares e delas deriva a constituição de uma habitação solarenga.

De norte a sul denota-se uma diversidade de expressões nos povoados que pintam o país, passando pelas tradições, pela psicologia, pela cultura e economia das populações que neles habitam. Essa expressão recai inclusive sobre a casa popular, que também entra neste leque de multiplicidade, como resultante de tudo o resto.10 O livro do inquérito à Arquitectura

Popular em Portugal11, realiza uma divisão do país em seis zonas, caracterizadas

unitariamente por uma certa homogeneidade ou conformidade da expressão popular em termos construtivos, sociais, geográficos, culturais e económicos.12 As diferentes zonas consolidam toda a diversidade que Portugal encerra nas suas fronteiras. Já segundo Mário Moutinho13, estas unidades podem dividir-se em cinco, sendo que este dá preferência à

coerência do factor habitação.

A arquitectura popular transporta padrões advindos de estruturas ancestrais, identificados nos abrigos primitivos e nas vilas castrejas. A partir destes elementos, o habitáculo vai-se moldando em conformidade com o meio e sua população.14 Com esse tipo de padrões, e num

país de pequena dimensão como Portugal, é frequente que várias regiões se influenciem entre si, optando por soluções similares. Nota-se que é sempre complicado definir limites concretos entre as zonas.15

Os motivos que impulsionaram esta investigação, advêm da vontade de desmistificar esta incerteza, promovendo uma observação mais detalhada na sub-região de Entre-Douro-e-Vouga. O desejo de confirmar, ou não, a existência de um modelo habitacional que se tivesse adequado à identidade e natureza do local, é reforçado pela escassez de estudos cingidos àquela zona em concreto. A sub-região de Entre-Douro-e-Vouga, está compreendida entre os rios Douro, a norte, e o Vouga, a sul, e envolve cinco concelhos que estabelecem uma forte ligação com os seus contíguos: são eles Santa Maria da Feira, S. João da Madeira, Oliveira de

8 TEIXEIRA, Manuel C.; Arquitecturas do Granito, Arquitectura Popular; Município de Arcos de Valdevez;

2003; p.9

9 TEIXEIRA, Manuel C.; Op. cit.; p.106

10 OLIVEIRA, Ernesto Veiga de, e Fernando Galhano; Arquitectura Tradicional Portuguesa; Publicações

Dom Quixote; Lisboa; 2000; pp.17-18

11 AA.VV.; Arquitectura Popular em Portugal; volume 1; Edição Sindicato Nacional dos

Arquitectos/Ordem dos Arquitectos Portugueses; Lisboa; 1961; p. XXIV

12 AA.VV.; Op. cit.; p. XXIII

13 MOUTINHO, Mário; A Arquitectura Popular Portuguesa; Editorial Estampa; Lisboa; 1995; p.37

14 TEIXEIRA, Manuel C.; Arquitecturas do Granito, Arquitectura Popular; Município de Arcos de

Valdevez; 2003; pp.36-37

15 AA.VV.; Arquitectura Popular em Portugal; volume 1; Edição Sindicato Nacional dos

(32)

4

Azeméis, Arouca e Vale de Cambra. Apesar desta demarcação, de acordo com alguns autores, parte da sub-região enquadra-se no domínio do Douro Litoral

16, enquanto a restante pertence à Beira Litoral.17 Ainda em Arquitectura Popular em

Portugal, mencionando Zona 118, onde se situa a sub-região alvo de estudo, o autor repara

que destacou mais as casas a norte do Douro, em detrimento das casas a sul do rio. Para Mário Moutinho, a sub-região Entre-Douro-e-Vouga encerra-se numa só região: Norte, dividida entre Litoral e Interior e que é estendida quer a norte, quer a sul do Douro19. Nota-se, portanto, que este local carece de uma identidade concreta dentro dos limites regionais do nosso país. Além do mais, torna-se uma aliciante para este estudo a própria dicotomia que a sub-região oferece entre o forte contraste dos concelhos serranos e os concelhos próximos do litoral. Num primeiro olhar, toda ela, consta de uma diversidade de acepções, fica agora no ar saber como se manifesta a forma de povoamento que ela abarca.

1.2 Objectivos

Muito mais do que expor os materiais de construção, os estilos e as formas que proporcionam ao habitar, trata-se acima de tudo de conhecer o processo evolutivo de uma população e as razões que orientam os seus movimentos, a fim de catalisarem na sua casa, tudo aquilo que são e possuem. Para chegar à conclusão da existência de um fio condutor arquitectónico para a sub-região de Entre-Douro-e-Vouga deverão ser tidos em conta uma série de objectivos sumários para uma correcta execução:

- Definir o enquadramento histórico e geográfico da região. - Entender o motivo da fixação de populações no local.

- Entender as potencialidades do mesmo e de que modo estas eram aproveitadas. - Descrever como as diferentes povoações se foram influenciando ao longo do tempo. - Compreender as funcionalidades construtivas pelas quais essas povoações optavam. - Eleger o modo mais adequado delas serem exploradas.

- Saber discernir desde a arquitectura de uma pequena habitação, até uma habitação solarenga de latifúndio, ou quinta.

- Conhecer os elementos construtivos destas arquitecturas.

- Saber a importância de outros elementos intrínsecos ao núcleo habitacional. - Definir a ligação entre espaço interior e exterior.

- Promover a preservação do património arquitectónico tradicional.

16 HENRIQUES, Ana Mendes, Nuno Xavier Casimiro; Descubra Portugal. Douro Litoral; Ediclube; Madrid;

1997; p.36

17 NOGUEIRA, José Couto; Descubra Portugal. Beira Litoral; Ediclube; Madrid; 1997; p.40

18 AA.VV.;Arquitectura Popular em Portugal; volume 1; Edição Sindicato Nacional dos

Arquitectos/Ordem dos Arquitectos Portugueses; Lisboa; 1961; p.3

(33)

5

1.3 Metodologia

A metodologia de trabalho proposta para alcançar os objectivos passa por algumas etapas, tais como a pesquisa bibliográfica extensível que conduz à contextualização histórica, social e cultural da região em estudo, tal como a estudos de outros autores acerca da arquitectura tradicional portuguesa de diferentes zonas do país.

A referenciação de algumas aldeias com casario típico da região é fundamental para a concretização do levantamento fotográfico, in situ, em cada concelho. Estes visa registar os edifícios de maior relevo tradicional de modo a proceder a uma avaliação do género arquitectónico. Para melhor compreender o estudo manteve-se o contacto com os municípios envolvidos, a fim destes facultarem material de apoio e informação útil para a elaboração da dissertação.

O contacto com o local é a base para um trabalho produtivo e muitas vezes descobrem-se particularidades que de outro modo seria impossível. Recorrendo à entrevista de moradores locais, esclarece-se até que ponto a arquitectura tradicional conseguia envolver as suas rotinas laborais e sociais.

Por último, e não menos importante, interessa denotar edifícios tradicionais que se encontram reabilitados, como prova de sucesso da sua conservação e como modelo a seguir no futuro da arquitectura rural.

1.4 Estado de Arte

Nem sempre a arquitectura popular foi compreendida como um tema que merecesse aval e preocupação por parte dos arquitectos. No entanto, dos finais do século XIX até à metade do século XX, gerou-se o movimento da Casa Portuguesa, encabeçado por Raúl Lino. Este movimento, que contava com outras personalidades

20, aludia à procura e à afirmação do tipo português de habitação. Aqui catalisavam-se uma

série de características pitorescas e regionais num só conceito, a chamada Casa Portuguesa que deveria caracterizar o país e proliferar em todo o território.21 Este movimento não

arrancou boas reacções da parte de todos aqueles que reconheciam e defendiam a diversidade da arquitectura popular nacional.

20 Além de Raúl Lino, também integravam o movimento da Casa Portuguesa, Henrique das Neves

(militar), Rocha Peixoto (antropólogo), Joaquim Vasconcelos e João Barreira (historiadores), Abel Botelho (ensaísta), Guilherme Gomes, José Teixeira Lopes, Jorge Segurado, Vasco Regaleira, Carlos Ramos e Crsitino da Silva (arquitectos).

(34)

6

Em 1945, Fernando Távora escreve O Problema da Casa Portuguesa,22 um manifesto cujo

objectivo seria combater a tentativa de institucionalização de um protótipo de Casa Portuguesa, explicando a multiplicidade de regionalismos existentes no país e a importância da sua salvaguarda. Em 1947, Keil do Amaral redige Uma Iniciativa Necessária,23 apoiando a

linha de pensamento de Távora.

Neste tempo cronológico distinguem-se, de um lado, um grupo de arquitectos conservadores, fechados à introdução do modernismo em Portugal, e do outro lado, uma nova geração de arquitectos que lutavam pela afirmação do modernismo no nosso país, tendo em conta que Portugal não acompanhava a evolução da restante Europa.24

Para toda a nova geração de arquitectos, da qual Fernando Távora e Keil do Amaral faziam parte, a arquitectura popular era em muito semelhante à arquitectura moderna, pois ambas detinham princípios de funcionalidade simples, prontos a servir o homem de acordo com as suas necessidades, e de fusão com o meio envolvente.25 Estava assim lançado o mote para um

daqueles que, até agora, é um dos livros senão o mais representativo da arquitectura popular em Portugal. O Sindicato Nacional dos Arquitectos, dos anos 50 para os 60, promoveu a realização do Inquérito à Arquitectura Popular em Portugal,26 colocando Távora, Keil do

Amaral e outros da sua geração na senda de um exaustivo levantamento da arquitectura popular. Com isto a diversidade do país seria sublinhada e explicada em dois volumes, que até então têm vindo a ser constantemente reeditados. Este livro foi contra a Casa Portuguesa e o seu sucesso tem vindo a ser enorme. Estes foram dois momentos preponderantes na elevação da temática da arquitectura popular. Desde então alguns estudos vêm sendo elaborados com forte base no Inquérito à Arquitectura Popular em Portugal.

Já na década de 30, o Instituto Superior de Agronomia havia realizado o Inquérito à Habitação

Rural,27 este porém, com um teor mais inquisitivo, onde a principal preocupação era saber as

condições de vivência das famílias nas habitações rurais, expondo problemas e possíveis soluções de 80 casos minuciosamente estudados. Junto com o Inquérito à Arquitectura

Popular em Portugal, pode-se dizer que o Inquérito à Habitação Rural seria um complemento.

Entre as décadas de 50 e 70 alguns antropólogos também se mostram interessados na temática e, mais tarde, Ernesto Veiga de Oliveira e Fernando Galhano lançam um manual da

22https://estudogeral.sib.uc.pt/bitstream/10316/24401/1/FERNANDO%20T%C3%81VORA%20De%20O%20P roblema%20da%20Casa%20Portuguesa%20ao%20Da%20Organiza%C3%A7%C3%A3o%20do%20Espa%C3%A7o..p df; p.35 (consultado a 13-09-2014; às 10:46h) 23http://fims.up.pt/ficheiros/LivroFinalConferencias.pdf; pp.5-6 (consultado a 13-09-2014; às 11:15h) 24 https://estudogeral.sib.uc.pt/bitstream/10316/24401/1/FERNANDO%20T%C3%81VORA%20De%20º %20Problema%20da%20Casa%20Portuguesa%20ao%20Da%20Organiza%C3%A7%C3%A3o%20do%20Espa%C3%A 7o..pdf; p.15 (consultado a 13 -09-2014; às 10:46h) 25 Idem; p.25 26 https://sapientia.ualg.pt/bitstream/10400.1/2084/1/Surveys_VR_JA_MRC_portug.pdf; pp.2-3 (consultado em 13-09-2014; às 11:28h) 27 http://fims.up.pt/ficheiros/LivroFinalConferencias.pdf; pp.9-10 (consultado a 13-09-2014; às 11:15h)

(35)

7

Arquitectura Tradicional Portuguesa,28 em 1992, compilando a descrição da arquitectura

popular existente como fundamento de um estudo etnográfico e antropológico. Muitas outras obras que compilam exemplos de arquitectura popular, abordando o cariz etnográfico, geográfico, antropológico ou meramente descritivo, têm sido realizadas, tal como Mário Moutinho e a Arquitectura Popular Portuguesa; Portugal, Arquitectura e Sociedade de Carlos de Almeida, entre outras. A maioria das obras debruçam-se no país como um todo, não indo detalhadamente às regiões e abordando as suas cambiantes entre fronteiras.29

O tema escolhido para esta dissertação, expondo a Arquitectura Popular de Entre-Douro-e-Vouga, não teve ainda qualquer tipo de tratamento em específico. Mesmo falando de uma pequena sub-região do país, o que diminui as chances de incidência de um estudo particular, nota-se que as abordagens ao território do Douro Litoral e da Beira Litoral são muito parcas. Recentemente, no ano de 2013, foi realizado o Colóquio Internacional de Arquitectura Popular, em Arcos de Valdevez. Neste colóquio, apenas uma sessão dirigida por José Francisco Ferreira Queiroz, abordou de leve modo alguma da arquitectura que podemos encontrar nas proximidades de Entre-Douro-e-Vouga. O tema era “Villas”, Quintãs e Casais;

Aldeias, Lavouras e Montados: Diacronia e Sincronia na Organização Territorial do Douro Litoral.30 Embora se pudessem recolher alguns dados de referência, por intermédio desta

informação, o colóquio não expôs nenhum tratamento sobre a arquitectura deste local em concreto.

Sendo este um tema novo, no sentido literal, continua não sendo uma novidade, pois bebe de diversas fontes da arquitectura popular portuguesa. Como a informação sobre arquitectura popular não abunda, apesar de já ser notória a relevância do assunto para a contemporaneidade, as recolhas de informação advêm dos casos que já foram anteriormente mencionados e que, tal como o frisado, continuam a ser imensamente respeitados e seguidos por todos os estudiosos. Quiçá, ‘Bíblias’ da arquitectura popular de Portugal.

28 http://fims.up.pt/ficheiros/LivroFinalConferencias.pdf; pp.9-10 (consultado a 13-09-2014; às 11:15h); pp.11-12 29 http://www.arquitecturadouro.blogspot.pt/2007/12 (consultado a 14-09-2014; às 13:33h) 30 https://www.sites.google.com/site/coloquioarquitecturapopular/ (consultado a 14-09-2014; às 13:41h)

(36)

8

Capítulo 2.

(37)

9

2.1 Enquadramento Geográfico

2.1.1 Território

A sub-região Entre-Douro-e-Vouga situa-se no noroeste de Portugal, pertencente às NUTS III (figura 1), ou seja, Nomenclaturas de Unidades Territoriais – para fins estatísticos.31 Desde os

tempos do Rei D. Afonso III de Leão esta área era conhecida como Terras de Santa Maria32,

ainda hoje assim denominada por alguns.

Fazem parte do seu núcleo cinco concelhos.33 São eles: Santa Maria da Feira, Arouca

(integrantes na região do Douro Litoral)34, São João da Madeira, Oliveira de Azeméis, e Vale

de Cambra (integrantes na região da Beira Litoral)35. Contudo, as Terras de Santa Maria

podem ter um domínio bem mais abrangente:

“Além de Santa Maria da Feira, as Terras de Santa Maria integram também os concelhos de Albergaria-a-Velha, Arouca, Castelo de Paiva, Espinho, Estarreja, Gondomar, Murtosa, Oliveira de Azeméis, Ovar, Ovar, S. João da Madeira, Sever do Vouga, Vale de Cambra e Vila Nova de Gaia.” 36

Todos os cinco concelhos que integram Entre Douro-e-Vouga (figura 2), incluem-se no norte do distrito de Aveiro. A sub-região é abraçada a oeste pelos concelhos costeiros de Espinho e Ovar; a Norte por Vila Nova de Gaia, Gondomar e Castelo de Paiva; a leste confinam-lhe os maciços serranos da Gralheira, já pertencentes ao distrito de Viseu e, finalmente a Sul, está comarcada pelos concelhos da sub-região do Baixo Vouga: Estarreja, Albergaria-a-Velha e Sever de Vouga.

A sede de Entre-Douro-e-Vouga é desde longos anos atribuída a Santa Maria da Feira37, a qual

dista de cerca 34 Km38 do Porto e 48 Km39 de Aveiro. Esta é uma sub-região com uma

31 http://terrasdeportugal.wikidot.com/geo:nuts (consultado a 18-03-2014, às 10:33h)

32 SILVA, João Belmiro Pinto da, e Catarina Sofia Gomes; Feira. Terras de Santa Maria; Anégia Editores;

2000; p.26

33 ASSOCIAÇÃO INDUSTRIAL PORTUGUESA; Carta Regional de Competitividade: Entre Douro e Vouga;

2011; p.134

34 HENRIQUES, Ana Mendes, Nuno Xavier Casimiro; Descubra Portugal. Douro Litoral; Ediclube; Madrid;

1997; pp.190-198

35 NOGUEIRA, José Couto; Descubra Portugal. Beira Litoral; Ediclube; Madrid; 1997; pp.229-237

36 SILVA, João Belmiro Pinto da, e Catarina Sofia Gomes; Feira. Terras de Santa Maria; Anégia Editores;

2000; p.7

37 SILVA, João Belmiro Pinto da, e Catarina Sofia Gomes; Op. cit.; p.7

38 http://pt.distanciacidades.com/calcular?from=Santa+Maria+Da+Feira%2C+Portugal&to=porto

(consultado a 19-03-14, às 11:14h)

39http://pt.distanciacidades.com/calcular?from=Santa+Maria+Da+Feira%2C+Portugal&to=aveiro

(consultado a 19-03-14, às 11:18h)

4 SILVA, João Belmiro Pinto da, e Catarina Sofia Gomes; Feira. Terras de Santa Maria; Anégia Editores;

(38)

10

localização privilegiada, pois contém a confluência dos eixos norte-sul e litoral-beira interior.40

Dentro dos seus limites analisa-se uma dualidade que contrapõe os concelhos da faixa ocidental (Santa Maria da Feira, São João da Madeira e Oliveira de Azeméis), mais desenvolvidos e povoados e também com uma componente industrial mais forte, aos restantes concelhos que ainda conservam uma subsistência maioritariamente advinda do sector primário, ou seja, a agricultura. Neste caso, alude-se aos concelhos das serranias, Arouca e Vale de Cambra.41

Fig.1 – Sub-região de Entre-Douro-e-Vouga

Fig. 2 – Concelhos de Entre-Douro-e-Vouga

2.1.2 Orografia

Esta região cambia em diferentes patamares de altitudes, que se desenvolvem a partir da orla mais ocidental dos concelhos de Santa Maria da Feira e Oliveira de Azeméis, a partir dos 100 metros, e vão alteando a sua cota até atingirem o leste da região, já mais acidentada. (figura 3) A sub-região de Entre-Douro-e-Vouga é envolvida a nascente pelo maciço da Gralheira, constituído pelas serras da Freita, Arestal e Arada. Arouca e Vale de Cambra ostentam boa parte do maciço da Gralheira na sua paisagem natural.42 Este facto confirma a subida de

altitude para um expoente compreendido entre os 800 e os 1100 metros.43 Mais

1 SILVA, João Belmiro Pinto da, e Catarina Sofia Gomes; Feira. Terras de Santa Maria; Anégia Editores;

2000; p.26

41 ASSOCIAÇÃO INDUSTRIAL PORTUGUESA; Carta Regional de Competitividade: Entre Douro e Vouga;

2011; p.135

42 MASSADA, Jorge; Ao Encontro de Aveiro; Edição do Governo Civil de Aveiro; Aveiro; 2002; p.132 43 SILVA, António Manuel S. P.; Aspectos Territoriais na Ocupação Castreja na Região do Entre Douro e

(39)

11

concretamente 1085 metros é a altitude do ponto mais alto da serra da Freita, na freguesia de Albergaria da Serra, pertencente a Arouca.44

No geral, trata-se de uma região definida por uma plataforma de altitudes médias, entre os 200 e os 300 metros45, obtida da transição entre um território muito próximo da costa

marítima e que se alonga para leste, subindo progressivamente, até confrontar uma espécie de anfiteatro formado pelo surgimento das serras.

Fig. 3 – Mapa da orografia, em zona 1

2.1.3 Geomorfologia e Litologia

De acordo com a informação que é fornecida pelo inquérito à Arquitectura Popular em

Portugal, a Zona 1, denominada por Minho46, onde se situa a área de estudo, geologicamente

é dominada por duas faixas de granito e de xisto, que se desenrolam obliquamente à costa numa linha que segue de noroeste para sudeste. (figura 4) Incidindo com mais precisão na área de Entre-Douro-e-Vouga verifica-se que, basicamente a sua constituição se resume a uma faixa no sector leste, de complexo xisto-grauváquico, e no sector litoral a chamada orla meso-cenozóica, composta de sedimentos recentes.47 Na região predominam as gnaisses,

micaxistos e xistos. Existem ainda areias e arenitos, mais próximos da costa. Mário Moutinho também apresenta características similares no seu estudo48. (figura 5) Mostra-nos uma região

marcada pela presença de xistos pouco ou nada cristalinos, areias e grés e vestígios de rochas cristalinas. No entanto, no caso de Mário Moutinho, a presença da areia estende-se mais para

44 http://geoserradafreita.blogspot.pt/ (consultado a 20-03-2014; às 16:07h)

45 Plano Regional de Ordenamento Florestal da Área Metropolitana do Porto e Entre Douro e Vouga;

Fase 2 – Proposta de Plano; Lisboa; 2006; p.29

46 AA.VV.;Arquitectura Popular em Portugal; volume 1; Edição Sindicato Nacional dos

Arquitectos/Ordem dos Arquitectos Portugueses; Lisboa; 1961; p.7

47 SILVA, João Belmiro Pinto da, e Catarina Sofia Gomes; Feira. Terras de Santa Maria; Anégia Editores;

2000; p.11

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o interior da região. Em diversas circunstâncias, ao fazer um deslocamento para a costa começam a evidenciar-se terrenos baixos de constituição arenosa, começando geralmente em Espinho e prolongando-se na costa pelo sul. Estes solos arenosos recordam a retirada do Atlântico destas terras, há longos anos.49 De tal modo, e de acordo com o livro Feira. Terras

de Santa Maria, é consistente afirmar que “o território, é na sua maioria, constituído por um

complexo xisto-grauváquico ante-ordovícico e por séries metamórficas que delas derivam. Este complexo atesta a existência de um antigo mar onde se depositaram sedimentos que, por acção das forças tectónicas se foram deslocando e dobrando.”50

Os diferentes tipos de rocha também influenciam o relevo em que se inserem, além de determinarem tipos de arquitectura distintos. Por exemplo, os solos graníticos, por se arenizarem com mais facilidade dão origem a uma topografia mais acentuada e rectilínea. Já os xistos, como é caso, originam formas menos definidas, com maior concentração de vales e cimos arredondados.51

A composição geológica de um território é por norma, bastante complexa e além destes elementos aqui presentes, encontram-se também trilhas de granitos porfiróides de grão grosseiro e médio e granitos não porfiróides de grão médio de duas micas, conhecidos como os granitos do Porto.52 Recorrendo novamente ao inquérito à Arquitectura Popular em

49 AA.VV.;Arquitectura Popular em Portugal; volume 1; Edição Sindicato Nacional dos

Arquitectos/Ordem dos Arquitectos Portugueses; Lisboa; 1961; p.7

50 SILVA, Dr. João Belmiro Pinto da, e Dra. Catarina Sofia Gomes; Feira. Terras de Santa Maria; Anégia

Editores; 2000; p.11

51 MOUTINHO, Mário; A Arquitectura Popular Portuguesa; Editorial Estampa; Lisboa; 1995; p.13

52 SILVA, João Belmiro Pinto da, e Catarina Sofia Gomes; Feira. Terras de Santa Maria; Anégia Editores;

2000; p.11

Fig. 4 – Mapa geológico, em zona 1, segundo o inquérito à Arquitectura

Popular em Portugal

Fig. 5 – Mapa geológico, em zona 1, segundo Mário Moutinho

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Portugal confere-se que existe uma formação de granito vinda do Porto53, acima do Douro,

que se vai desvanecendo até atingir os domínios de Santa Maria da Feira. Porém, atentando na imagem da carta geológica, a presença de granitos puros só começa a destacar-se com maior evidência para lá do oriente de Entre-Douro-e-Vouga, ao chegar ao distrito de Viseu, e estendendo-se pelas beiras alta e baixa. O maciço da Gralheira, ainda dentro do limite regional, é também composto essencialmente por xistos e arenitos. Pelos casos acima mencionados, crê-se que entre o litoral e a montanha, conforme descrito acima, sendo uma zona intermédia de médios declives, os xistos e as areias coabitam preponderantemente. É frequente encontrar ao longo de diversos cursos de água, depósitos de praias antigas e terraços fluviais. Com efeito a presença de granito ainda não se assume em plena força. 54

2.1.4 Hidrografia

O inquérito à Arquitectura Popular em Portugal, mostra que a Zona 1 é fortemente irrigada por vários cursos de água naturais. Eles dispõem-se em intervalos curtos e regulares, perpendicularmente à linha da costa.55 Este cenário justifica-se pelos seguintes factores:

“A permeabilidade do solo granítico, o denso revestimento vegetal e a alimentação regular das grandes precipitações atmosféricas são as causas desse fenómeno.”56

Entre-Douro-e-Vouga, inserida nessa zona povoada por tantos rios e seus afluentes, conta também com a presença de alguns cursos de água notáveis, dentro dos seus limites e na sua proximidade. (figura 6) A norte destaca-se o rio Douro, com um grande caudal de água, “que tem constituído desde sempre, uma das principais fontes de riqueza da região, e contribuiu, em grande medida, para a fixação de populações e para o desenvolvimento das terras que o ladeiam.”57 A sul corre o rio Vouga, mais manso, e que desagua na ria de Aveiro. As terras

desta região são ricas em água, mas nem sempre muito férteis.58 Douro e Vouga são os

principais catalisadores de outros cursos afluentes de menor dimensão, tais como os rios Paiva, Arda, Uíma, Caima, Antuã, entre outros.59 O rio Paiva possui um comprimento de 111

Km, cruza a serra da Freita, em Arouca, e desemboca no concelho de Castelo de Paiva. Já foi considerado o rio mais limpo da Europa. O Arda também percorre os mesmos concelhos, no

53 AA.VV.;Arquitectura Popular em Portugal; volume 1; Edição Sindicato Nacional dos

Arquitectos/Ordem dos Arquitectos Portugueses; Lisboa; 1961; p.7

54 SILVA, João Belmiro Pinto da, e Catarina Sofia Gomes; Feira. Terras de Santa Maria; Anégia Editores;

2000; p.11

55 AA.VV.;Arquitectura Popular em Portugal; volume 1; Edição Sindicato Nacional dos

Arquitectos/Ordem dos Arquitectos Portugueses; Lisboa; 1961; p.6

56 AA.VV.; Op. cit., p.6

57 HENRIQUES, Ana Mendes, Nuno Xavier Casimiro; Descubra Portugal. Douro Litoral; Ediclube; Madrid;

1997; p.11

58 NOGUEIRA, José Couto; Descubra Portugal. Beira Litoral; Ediclube; Madrid; 1997; pp.15-16

59 SILVA, António Manuel S. P.; Aspectos Territoriais na Ocupação Castreja na Região do Entre Douro e

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entanto possui uma extensão mais reduzida de 30 Km de comprimento. O rio Uíma atravessa Santa Maria da Feira até Vila Nova de Gaia. Estes três rios desaguam para o Douro. O rio Caima, tem nascente em Arouca, corre por Vale de Cambra, Oliveira de Azeméis, até chegar a Albergaria-a-Velha, onde se espraia no rio Vouga. O Antuã nasce em Santa Maria da Feira, atravessa Oliveira de Azeméis e Estarreja, afluindo por conseguinte num dos braços da ria de Aveiro.60 Além destes rios, podem ser encontrados muitos mais de menor dimensão, mas como

tal, é possível constatar a riqueza de cursos que alimentam estas terras.

2.1.5 Clima

Portugal situa-se no cruzamento de dois mares, o Atlântico e o Mediterrâneo. O Atlântico domina sobretudo o noroeste português, enquanto a acção do Mediterrâneo faz-se notar sobretudo no sul do país.61 O Atlântico é um oceano que é o regulador da atmosfera, através da acção dos seus ventos, existe uma oscilação moderada entre a temperatura média dos meses mais frios e dos mais quentes. O céu tende a estar frequentemente nublado, com uma forte quantidade de humidade na atmosfera e, consequentemente, queda de chuvas regulares. Do Atlântico deslocam-se massas de ar húmido que, por vezes atingem o país, causando um tempo instável, húmido e ao mesmo tempo morno. Quando estas massas se deparam, de inverno, com as regiões montanhosas, originam uma precipitação prolongada sobre a forma de neve. O clima do Mediterrâneo é contrastante com o Atlântico. Os verões são secos e quentes, os invernos temperados, as chuvas escasseiam e o céu possui uma forte luminosidade.62

60 http://www.campoaberto.pt/wp-content/uploads/2010/12/Retrato_da_biodiversidade_na_AMP.pdf;

pp.13-15 (consultado a 20-03-2014, às 16:37h)

61 OLIVEIRA, Ernesto Veiga de, e Fernando Galhano; Arquitectura Tradicional Portuguesa; Publicações

Dom Quixote; Lisboa; 2000; p.16

62 RIBEIRO, Orlando; Portugal. O Mediterrâneo e o Atlântico; Edições João Sá da Costa; Lisboa; 1993;

p.121

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O noroeste é a zona do país mais influenciada pelo clima Atlântico. O nordeste, devido ao seu relevo acentuado, encontra-se mais protegido das suas influências. Acaba por adoptar o clima da Meseta Ibérica que se traduz em verões muito quentes e secos e invernos muito rigorosos.63

Portanto, Entre-Douro-e-Vouga situa-se numa área ainda bastante Atlântica. O seu clima é húmido e regular. As suas serras orientadas para o oceano, têm um grande índice de pluviosidade.64 (figura 7) Segundo Mário de Araújo Ribeiro:

“O clima do Maciço é condicionado pela altitude e pelo facto de esta ser a primeira cadeia montanhosa que os ventos marítimos dominantes encontram, provocando uma pluviosidade relativamente intensa.”65

Os seus invernos são rigorosos e húmidos. O verão é quente, mas moderado, comparado com outras cadeias montanhosas do país.66 Descendo o maciço em direcção à costa de Aveiro, a

pluviosidade decresce para uns 800 mm anuais e a temperatura média ronda entre os 10º e os 12ºC.67 Já para o Douro Litoral, a precipitação aumenta substancialmente para um valor de

1750 mm68 e a sua temperatura média ronda os 10,8ºC69. Visto que Entre-Douro-e-Vouga se

encaixa entre estes dois pólos, estima-se uma temperatura média similar e uma pluviosidade à volta dos 1000 mm70, já que esta é medida média estimada de pluviosidade para as regiões

litorais, sobretudo no noroeste português. É importante mencionar que a região do Douro Litoral, estendendo-se ainda a Entre-Douro-e-Vouga, possui bastantes similitudes com o Minho, quer em termos de clima, como mesmo de orografia.71 O autor António Manuel Silva descreve esta região como:

“Uma zona litoral e intermédia de altitudes médias, mais a Norte, corredor tradicional de circulação, pontuada por colinas e vales húmidos e férteis propícios tanto à agricultura como à criação de gado, no que constitui porventura o facies mais minhoto desta região.”72

63 OLIVEIRA, Ernesto Veiga de, e Fernando Galhano; Arquitectura Tradicional Portuguesa; Publicações

Dom Quixote; Lisboa; 2000; p.16

64 AA.VV.;Arquitectura Popular em Portugal; volume 1; Edição Sindicato Nacional dos

Arquitectos/Ordem dos Arquitectos Portugueses; Lisboa; 1961; p.7

65 RIBEIRO, Mário de Araújo; O Maciço da Gralheira. Da Freita ao S. Macário. Um guia com algumas

crónicas; Câmara Municipal de Arouca; Arouca; 1999; p.21

66 RIBEIRO, Mário de Araújo; Op. cit.; p.21

67 NOGUEIRA, José Couto; Descubra Portugal. Beira Litoral; Ediclube; Madrid; 1997; p.18

68 HENRIQUES, Ana Mendes, Nuno Xavier Casimiro; Descubra Portugal. Douro Litoral; Ediclube; Madrid;

1997; p.12

69 RIBEIRO, Orlando; Portugal. O Mediterrâneo e o Atlântico; Edições João Sá da Costa; Lisboa; 1993;

p.121

70 RIBEIRO, Orlando; Op. cit.; p.121

71 HENRIQUES, Ana Mendes, Nuno Xavier Casimiro; Descubra Portugal. Douro Litoral; Ediclube; Madrid;

1997; p.12

72 SILVA, António Manuel S. P.; Aspectos Territoriais na Ocupação Castreja na Região do Entre Douro e

Imagem

Fig. 2 – Concelhos de Entre-Douro-e-Vouga
Fig. 2 – Concelhos de Entre-Douro-e-Vouga p.38
Fig. 3 – Mapa da orografia, em zona 1
Fig. 3 – Mapa da orografia, em zona 1 p.39
Fig.  4  –  Mapa  geológico,  em  zona  1,  segundo  o  inquérito  à  Arquitectura  Popular em Portugal
Fig. 4 – Mapa geológico, em zona 1, segundo o inquérito à Arquitectura Popular em Portugal p.40
Fig. 7 – Mapa de pluviosidade anual, em zona 1
Fig. 7 – Mapa de pluviosidade anual, em zona 1 p.44
Fig. 105 – Piso da adega em terra batida (Guisande)
Fig. 105 – Piso da adega em terra batida (Guisande) p.132