Edição 26, volume 1, artigo nº 06, Julho/Setembro 2013
D.O.I: 10.6020/1679-9844/2606
Página 116 de 220
ANÁLISE COMPARATIVA DO PARASITISMO
INTESTINAL DE AMERÍNDIOS DA ETNIA
PANKARARÉ EM TRÊS ALDEIAS NO ESTADO DA
BAHIA, BRASIL
COMPARATIVE ANALYSIS OF INTESTINAL
PARASITISM OF AMERINDIANS ETHNIC
PANKARARÉ IN THREE VILLAGES IN BAHIA STATE,
BRAZIL
Elaine Patrícia de Sousa Oliveira1, Naldo Francisco Xavier2, Antonio Neres Norberg3, Fabiano Guerra Sanches4, Paulo Roberto Blanco
Moreira Norberg5, Nicolau Maués Serra-Freire6
1
Líder indígena. Coordenadora Pedagógica da Secretaria Estadual da Bahia na aldeia Brejo do Burgo, Glória, BA, Brasil.
2
Enfermeiro da Secretaria de Saúde do município de Paulo Afonso, BA, Brasil.
3Docente da Faculdade de Medicina Souza Marques – FTESM, Rio de Janeiro, RJ, Brasil. 4
Oficial médico do quadro efetivo do Exército Brasileiro: Primeira Companhia de Infantaria, Paulo Afonso, BA, Brasil.
5
Pesquisador associado ao Laboratório de Pesquisa em Doenças Parasitárias do Centro Universitário UNIABEU, Belford Roxo, RJ, Brasil.
6Pesquisador da Fundação Instituto Oswaldo Cruz – FIOCRUZ, Rio de Janeiro, RJ, Brasil.
Bolsista de produção científica do CNPq.
Resumo – Ameríndios Pankararé vivem na região do Raso da Catarina, nordeste do estado da Bahia, e mantém contato contínuo com não silvícolas o que influencia sua qualidade de vida, principalmente pela possibilidade de disseminação de parasitos gastrintestinais frequentes em mais da metade da população mundial, principalmente as mais pobres. Nas condições em que os ameríndios vivem se formam ambientes altamente propícios para a disseminação dos helmintos e protozoários parasitários como consequência da introdução de hábitos de cultura diferentes da deles, com infra estrutura inadequada para a nova realidade que estão tentando implantar. Com o objetivo de avaliar a incidência parasitária entre os ameríndios da etnia Pankararé, comparando os níveis em três aldeias, foi realizada investigação com amostra de 134 alíquotas de fezes de unidades de pesquisa da comunidade. De cada ameríndio integrante da amostra era conservada uma alíquota de fezes em solução de Merthiolate-iodo-formol (MIF). Os exames laboratoriais foram realizados pelas técnicas
Página 117 de 220 de Hoffman, Pons e Janer; Willis e Kinyoun no ambulatório da 1ª Companhia. de Infantaria do Exército Brasileiro, no município de Paulo Afonso/BA. Foram identificadas infecções por helmintos nematoides Ancylostomidae, e cestoides da espécie Hymenolepis nana. Também por protozoários: Cryptosporidium spp., Giardia lamblia, Endolimax nana, Entamoeba coli, e Entamoeba histolytica. Das amostras investigadas 37,1% estavam parasitadas; caracterizando infecção com diferença estatisticamente não significativa entre homens e mulheres, em faixa etária de um a 81 anos de idade. O parasitismo monoespecífico foi mais frequente que o com simultaneidade de duas espécies, só ocorrendo um caso com três espécies. Houve diferença na diversidade de espécies entre as Aldeias Baixa do Chico, Brejo do Burgo, e Serrota, e as crianças e jovens estavam mais parasitados que adultos e idosos. Os resultados foram a base para a orientação e intervenção medicamentosa adequada, e revelam a necessidade da implantação de medidas governamentais e socioeducativas para melhorar as condições de vida dos Pankararés.
Palavras-chave:Ameríndios sul-americanos. Estado da Bahia. Saúde indígena.
Abstract – Amerindians Pankararé lives at Raso da Catarina region, northeast of the State of Bahia, and maintains continuous contact with forestry wich influences their quality of life, mainly because of the spread of gut parasites common in more than half of the world’s population, especially the poorest. Under the conditions in which the Amerindians living highly conducive environments form for dissemination of helminth and protozoan parasite as a consequence of the introduction of different cultural habits, with inadequate structure to the new reality that are trying to deploy. In order to evaluate the incidence among aboriginal ethnic parasitic Pankararé, comparing the levels in three villages, this research was conducted with 134 aliquots of community research unit. For each sampled Amerindian was kept a portion of feces in Merthiolate-iodine-formaldehyde (MIF). The laboratory examinations had been carried through by the techniques of Hoffman, Pons and Janer; and Willis and Kinyoun in the First Brazilian Army Infantary, at the municipality of Paulo Afornso-BA. Helminth infections were identified ase Ancylostomidae nematode, and cestode specie Hymenolepis nana. Also by protozoan: Cryptosporidium spp., Giardia lamblia, Entamoeba coli, Endolimax nana, and Entamoeba histolytica. Of samples investigated, above 37.1% were parasitized; featuring infection with no significant statistical difference between men and women, in the age group of one to 81 years of age. The parasitism was most frequent by one specie than by two species, with only one case occurring with three species. There was difference in species diversity between the villages Baixa do Chico, Brejo do Burgo, and Serrota, and children and young people were more parasited than adults and seniors. The results were the basis for the guidance and appropriate drug intervention, and reveal the need for the implementation of educational and government measure to improve the living conditions of Pankararés people.
Página 118 de 220
Keywords: South american amerindians. Aboriginal health. State of Bahia.
1. Introdução
Enfocar o entendimento da apropriação do espaço natural ao longo do tempo, dos recursos no ambiente e suas relações com as populações que formam as respectivas biomassas são ferramentas importantes para a compreensão da dinâmica dos processos entre seres humanos e natureza. A maneira como são vistas pelos diferentes grupos humanos a relação entre os recursos bióticos e abióticos do ecossistema são demonstradas nas particularidades do aproveitamento destes recursos[1], nas formas de aprendizado e na estratificação do conhecimento, caracterizando cada um possui natureza única ou particular[2]. O caráter de saber e a característica de cada grupo indica a importância de se realizar estudos sobre diferentes aspectos culturais das diferentes sociedades humanas, urbanizadas ou não[3]. Neste sentido a etnobiologia pode estabelecer uma ligação cultural entre distintas culturas, e oferecer apoio científico para orientar políticas e ações ecológicas socialmente responsáveis[4], com a perspectiva do desenvolvimento de estratégias e mecanismos de regulação de uso dos recursos em reservas extrativistas e equivalentes[5,6], sem aniquilar culturas pré-existentes. Esta também é uma visão de pesquisadores científicos agora aliados ao desenvolvimento sustentado[7], porque cresce o conceito de que todos os grupos humanos, independentemente de sua cultura ou localização geográfica, interagem de alguma forma com os recursos naturais, explorando suas potencialidades, acumulando conhecimentos e desenvolvendo sentimentos em relação aos seres vivos. No nordeste do Brasil a população ameríndia corresponde a cerca de 40.500 pessoas[8] que ocupam espaços geoadministrativos hoje identificados como estado, por grupos reconhecidos como etnias a partir de 1970: na Bahia encontraram dez etnias, Alagoas e Ceará, oito etnias cada, Pernambuco seis etnias, Paraíba e Sergipe, uma etnia cada[9,10,11,12]. Esta ampla diversidade de grupos étnicos no nordeste precisa ser estudada sob o ponto de vista etnobiológico, etnoecológico, e etológico para subsidiar programas de desenvolvimento local e regional adequados aos diferentes grupos no intuito de auxiliar no desenho de políticas de conservação do ambiente, e
Página 119 de 220 culturais do país.
Os ameríndios Pankararé se espalham por 45.600 hectares no nordeste do estado da Bahia na região denominada Raso da Catarina[13], tendo como pontos referenciais as cidades de Glória, Paulo Afonso, Jeremoabo, Canudos e Macururé, onde se encontram as aldeias de Baixa do Chico, Brejo do Burgo e Serrota.
Por muito tempo os Pankararé foram praticamente esquecidos ou renegados pelas autoridades e sociedade brasileira; tempo em que tiveram suas terras consideradas como devolutas sendo apropriadas pelos segmentos regionais, com quem convivem[14]. Restaram aos ameríndios as zonas territoriais mais pobres, utilizadas quase unicamente, para o cultivo de roças. Em 1910 o governo central do Brasil criou o Serviço de Proteção ao Índio – S.P.I., que manteve onze postos indígenas, sendo três deles situados na região do vale do São Francisco, onde remanesciam cerca de 1.500 ameríndios. Entre 1951-1952 foram contados 225 Pankararé e referidos como "um grupozinho de sobreviventes índios sem a jurisdição do S.P.I."[15].
Segundo a Organização Mundial de Saúde mais de 200 milhões de pessoas no mundo são hospedeiros de parasitos no sistema digestivo, mormente nos países em vias de desenvolvimento, e 20% a 30% destes está na América latina, podendo chegar ao redor de 50% a 95% entre alguns grupos de ameríndios[16,17,18,19,20].
Consideradas como doenças de baixa prioridade para a saúde pública internacional[21,22], são doenças desassistidas, dado a reduzida importância atribuída pelos mandatários responsáveis pela saúde coletiva. Em ambiente rural, ou em comunidades descaracterizadas por introdução de costumes diferentes de sua cultura o contato contínuo com o ambiente poluído, propicia a infecção por grande diversidade de parasitos, em torno de 300 espécies de helmintos e cerca de 70 espécies de protozoários, dos quais cerca de 90 espécies de parasitos podem induzir as doenças mais importantes do mundo[22,23,24].
A caracterização das condições de saúde das populações ameríndias brasileiras têm se mostrado um desafio constante tanto para os Conselhos Municipais de Saúde, como para a FUNAI, pesquisadores e prestadores de serviços em saúde. A brusca e violenta modificação do ambiente pela colonização e expansão das fronteiras econômicas têm tido reflexos diretos na saúde das populações que viviam a longo tempo em equilíbrio com a natureza, e no perfil epidemiológico desses processos estão as doenças infecciosas e parasitárias[25,26].
Página 120 de 220 As parasitoses gastrintestinais estão sendo disseminadas entre essas populações ameríndias mormente pelo contato com a sociedade não ameríndia em função das condições socioeconômico-culturais que vivenciam, e que ainda constituem um problema negligenciado de saúde pública[27,28].
Vários pesquisadores já apontaram a precariedade das condições de saneamento frequentes nas áreas ameríndias[25,28,29,30,31] como um dos principais fatores responsáveis pela alta prevalência das parasitoses intestinais nessas comunidades.
O interesse em realizar o inquérito epidemiológico de parasitoses intestinais em ameríndios da etnia Pankararé surgiu em virtude do desconhecimento de relatos sobre a incidência de parasitos em ameríndios estabelecidos em aldeias do município de Glória, interior do estado da Bahia, e também pela localização das aldeias na região do semi-árido nordestino. A população das três aldeias estudadas apresenta qualidade de vida aceitável; residem em casas de alvenaria com instalações sanitárias, esgoto drenado para fossas, fato que dificulta a poluição do ambiente; consumem água de boa qualidade, oriunda de poços artesianos, recebem assistência permanente da Secretaria Especial de Saúde Indígena do Ministério da Saúde quanto à saúde, e educação pela Secretaria de Educação do estado da Bahia. Nesse sentido, o objetivo dessa pesquisa foi realizar um levantamento parasitológico e verificar as possíveis diferenças nos indicadores das parasitoses intestinais entre três aldeias da mesma etnia.
2. Materiais e Métodos
A pesquisa sobre enteroparasitos foi realizada entre ameríndios da etnia Pankararé, das comunidades da Baixa do Chico, Brejo do Burgo e Serrota, no estado da Bahia, para se conhecer a diversidade de espécies, e analisar os indicadores de parasitismo entre as três aldeias, a partir de amostras de 33, 57, e 47 indivíduos correspondentes, respectivamente, às referidas aldeias. A amostragem foi realizada no mês de julho/2013, com alíquotas de fezes de cada ameríndio, que foram obtidas por doação voluntária, e conservadas em solução de Merthiolate-iodo-formol (MIF). Quando totalizaram as alíquotas das unidades amostrais, elas foram levadas ao
Página 121 de 220 Ambulatório da Primeira Companhia de Infantaria do Exército Brasileiro, no município de Paulo Afonso/BA, onde se processou o exame parasitológico das fezes pelas técnicas de Hoffman, Pons e Janer; Willis e Kinyoun[32]. Os resultados dos exames laboratoriais foram trabalhados por estatística descritiva e analítica com cálculo de indicadores de saúde[33], com uso da análise de variância, teste de Tukey, teste “z” entre proporções, e teste do qui quadrado com nível de significância arbitrado em 5%.
3. Resultados
Considerando a amostra total dos Pankararé, o coeficiente de prevalência foi de CP = 37,1%; mas houve diferença significativa entre as aldeias. Em Brejo do Burgo (CP = 21,3%) significativamente menor (p<0,05) do que em Serrota (CP = 38,3%), que foi significativamente menor que em Baixa do Chico (CP = 54,5%).
A diversidade parasitária encontrada foi de sete espécies, sendo duas de helmintos, uma de nematoide e outra de cestoide, e cinco de protozoários, uma de esporozoário, outra de flagelado e três e sarcodina (Fig. 1).
0 5 10 15 20
Anc. H.n. E.c. E.h. E.n. G.l. Cry
Figura 1. Número de casos de infecções por espécies de enteroparasitas em 46 ameríndios da etnia Pankararé, dentre os 137 examinados, sediados no estado da Bahia, Brasil,
diagnosticados por exame parasitológico das fezes em 2013.
A comparação do parasitismo entre as aldeias revelou diferença na diversidade de espécies, pois foram cinco em Baixa do Chico (Cryptosporidium spp.,
Legenda: Anc. = Ancylostomidae H. n. = Hymenolepis nana E. c. = Entamoeba coli E. h. = Entamoeba histolytica E. n. = Endolimax nana G. l. = Giardia lamblia Cry = Cryptosporidium spp. = Homens = Mulheres Espécies No
Página 122 de 220
E. nana, E. coli, G. lamblia, e Ancylostomidae); em Brejo do Burgo foram seis
(Cryptosporidium spp., E. nana, E. coli, E. histolytica, G. lamblia, e Ancylostomidae), enquanto em Serrota foram sete (Cryptosporidium spp., E. nana, E. coli, E.
histolytica, G. lamblia, Ancylostomidae e H. nana). Não foram diagnosticados casos
de infecção por Cryptosporidium spp. em ameríndias do grupo estudado, assim como não se encontrou casos de H. nana nos ameríndios da população examinada, e quando foi avaliada a possibilidade do sexo do hospedeiro estar influenciando o parasitismo, a análise estatística mostrou diferença não significativa (p>0,05), tanto na amostra total como nas de cada aldeia.
A avaliação sobre a infecção por só uma espécie de enteroparasita, e por simultaneidade de espécies no mesmo hospedeiro (Fig. 2) teve diferença não significativa (p>0,05).
Figura 2. Frequência de parasitismo de ameríndios da etnia Pankararé, no estado da Bahia, Brasil, por uma ou mais espécies de enteroparasitos, dentre os 46 infectados dos 134
investigados por exames parasitológicos das fezes em 2013.
Dos 137 indivíduos amostrados para o estudo, três não entregaram a amostra das fezes correspondendo a 2,2% do total de alíquotas esperadas, e embora tenham sido todos da Aldeia Serrota, a que teve maior diversidade de parasitos, não houve perda de fidedignidade no estudo.
Houve um caso de parasitismo simultâneo por três espécies: Ancylostomidae,
Cryptosporidium spp., e E. coli, mas encontramos nesse estudo cinco tipos de
associações: Ancylostomidae + E. coli = dois casos; um caso para cada uma das outras associações = Ancylostomidae + E. nana, Ancylostomidae + G. lamblia, E.
coli + G. lamblia, E. coli + Cryptosporidium spp. Parasitismo monoespecífico
aconteceu em faixa etária bem maior na Aldeia Brejo do Burgo – de um a 78 anos,
Mais de uma espécie = 21,7%
Página 123 de 220 do que na Aldeia Serrota – de um a 71 anos, e na Aldeia Baixa do Chico – de um a 50 anos, sendo a espécie incidente dominante E. coli (21/46 ameríndios parasitados), seguida de Ancylostomidae (16/46 ameríndios parasitados).
Entre os ameríndios amostrados a idade variou de um a 81 anos, que foram divididos em 12 classes de faixa de idade, com intervalo de classe de sete anos, que foram analisadas quanto a diversidade de parasitos nos 46 Pankararé encontrados parasitados (Fig 3). Não foram encontrados casos de parasitismo em sete classes de idade na Aldeia Baixa do Chico, em cinco da Aldeia Serrota, e em quatro da Aldeia Brejo do Burgo (Fig 3).
0 0.5 1 1.5 2 2.5 3 3.5 4 4.5 5
Baixa do Chico Brejo do Burgo Serrota
1 a 7 8 a 14 15 a 21 22 a 28 29 a 35 36 a 42 43 a 49 50 a 56 57 a 63 64 a 70 71 a 77 78 a 84
Figura 3. Frequência da diversidade de parasitismo de ameríndios da etnia Pankararé, no estado da Bahia, Brasil, por faixa de idade dos hospedeiros, dentre os 46 infectados dos 137
investigados por exames parasitológicos das fezes em 2013.
4. Discussão e Conclusões
A diversidade de espécies, e os níveis dos coeficientes de prevalência das espécies evidenciam que esses ameríndios Pankararé na Bahia podem ser considerados com níveis de agravo à saúde por parasitoses intestinais diferentes entre os habitantes das distintas aldeias.
O estudo das parasitoses em etnias ameríndias[34] na década de 70 com levantamento de dados epidemiológicos com mais de 900 Kayapós que vivia na periferia da bacia amazônica evidenciaram que as tribos isoladas do grupo
Aldeia Frequência (no)
Página 124 de 220 culturalmente dominante da população brasileira, e que permaneciam hostis e dependentes de ferramentas de pedra até a década de 1960, tinham menos doenças parasitárias. Os resultados destacaram que a prevalência de anticorpos para enterovírus aumentava gradualmente com a idade dos ameríndios, e foi interpretado como infecção endêmica; anticorpos anti-Toxoplasma gondii tinham prevalência elevada nos Kayapós, sem sinais de patogenias, sugerindo coabitação equilibrada entre humanos e o protozoário[34].
A diversidade de enteroparasitos nos ameríndios Yanomâmi do estado de Roraima, Brasil, caracterizou[35] que o contato com populações não silvícolas induziram o coeficiente de prevalência, calculado em 67%, com diversidade de espécies de prevalência variada: T. trichiura (CP = 43,3%), E. histolytica (CP = 40,0%), Ancylostomidae (CP = 30,0%), E. vermicularis (CP = 13,3%); também houve dois casos de infecção por A. lumbricoides, outros dois por Capillaria spp., um caso por S. stercoralis, e outro por G. lamblia. Resultados semelhantes foram encontrados[36] em população de ameríndios Kayapós no Brasil.
O inquérito copro parasitológico sobre parasitoses intestinais entre 409 amostras analisadas dos ameríndios Maxakali, no estado de Minas Gerais, Brasil[28], encontrou 90,3% positivas, sendo as espécies prevalentes: Entamoeba histolytica (48,9%), Ancilostomideos (37,9%), Giardia lamblia (32%), Schistosoma mansoni (23,7%), Hymenolepis nana (18,6%), Strongyloides stercoralis (5,4%), Ascaris
lumbricoides (4,9%) e Trichuris trichiura (0,5%). Embora os coeficientes de
prevalência encontrados nos Maxakali, e nos Kayapós tenham sido similares, e a diversidade de espécies esteja numericamente próximas, as frequências das espécies foram muito desiguais. Foi destacado[28] que a prevalência de parasitismo com dois ou mais parasitos foi elevada (56%, 229/409), sem diferenças significativas quanto ao sexo e idade, também entre os Kayapós no Pará[36], como foi agora observado entre os Pankararé.
Aspectos epidemiológicos do parasitismo intestinal na tribo Parakanã, no sudeste do estado do Pará foi estudada[37] com CP = 82,2% entre 126 amostras, com pelo menos um enteroparasito. Os coeficientes de prevalências para helmintos nos Parakanãs foram: Ancilostomídeos CP = 33,3%, A. lumbricoides CP = 42,8%, T.
trichiura CP = 0,8%, e S. stercoralis CP = 5,6%; em relação aos protozoários, E. histolytica CP = 65%, e G. lamblia CP = 46,8%. Semelhantes resultados
Página 125 de 220
trichiura entre os Kayapós, não comprovado entre os Pakararé na Bahia.
O pesquisador Garda, citado por Gilio[30], apontou que no ano de 2001 no Brasil foram registrados 88 mil casos de infecções intestinais e 87 mil de parasitoses entre os 374 mil ameríndios brasileiros autodenominados naquela época, com taxa de mortalidade infantil nas três mil aldeias do Brasil de 56 óbitos a cada mil nascimentos, muito acima da média brasileira que é de 29 por mil. Este registro não foi obtido para os Pankararé.
O parasitismo simultâneo por mais de uma espécie (Fig 2) aconteceu em cerca de um quarto dos Pankararé infectados. Da diversidade de espécies foi mínima a frequência com três espécies, e não foi confirmado o parasitismo por A.
lumbricoides, espécie comum entre os Kayapós[21]. A simultaneidade de infecção por
duas espécies foi de baixa frequência diferindo de outros achados em ameríndios no Brasil, e em silvícolas em outros países do mundo[38], mesmo sem evidenciar alterações no estado nutricional dos hospedeiros[39]. Não se encontrou uma explicação clara para a pouca frequência de parasitismo por nematoides (Fig. 1), tampouco para a diferença significativa entre os resultados das aldeias.
Estudo realizado sobre as características histórico-sociais dos ameríndios da aldeia Jaraguá-Ytu no estado de São Paulo[40], em relação a tradições, costumes, hábitos de higiene, e com a ausência de um trabalho de educação sanitária continuada, relatou que os ameríndios viviam em precárias condições de moradia e higiene, fatores que se associam à transmissão de agentes parasitários. Por coproscopia de 55 ameríndios encontrou 41,8% de positividade para um ou mais parasitos, sendo G. lamblia a mais incidente (56,5%), seguido de E. coli (52,1%), H.
nana (39,1%), E. nana (34,75) e A. lumbricoides (4,3%). O autor concluiu que a alta
incidência do parasitismo por G. lamblia e E. coli decorria da ingestão de água poluída. Pode ser aceito este raciocínio uma vez que os Pankararé apresentaram níveis de parasitismo bem mais baixo e com menor diversidade, possível consequência da assistência educacional e sanitária que recebem continuamente.
Pesquisa na etnia Xavante[41], em população estabelecida no município de Pimentel Barbosa, Mato Grosso, Brasil, com 196 amostras fecais, mostrou parasitismo por A. lumbricoides (23,5%), H. nana (20,4%), E. coli (31,6%) e E.
histolytica (7,7%), situação caracterizada como de endemismo. Nesta mesma linha
pode ser admitido que no município de Glória, estado da Bahia, mesmo com a assistência à saúde indígena, o parasitismo intestinal por helmintos e protozoários
Página 126 de 220 também pode ser determinado como de caráter endêmico.
Agradecimentos
Registramos nossos sinceros agradecimentos ao capitão Antonio Luis dos Santos Filho, digníssimo comandante da 1a Companhia de Infantaria pelo apoio prestado, disponibilizando a equipe de saúde e as dependências de sua instituição para a realização da pesquisa laboratorial.
Agradecemos também ao cacique Afonso, líder da aldeia Pankararé, pelo suporte logístico e pela mobilização da comunidade e agentes de saúde, fundamentais para que o sucesso da pesquisa fosse concretizado.
Referências
1) Albuquerque, U.P.; Andrade, L.H.C. Uso de Recursos vegetais da caatinga: O caso do agreste do estado de Pernambuco (nordeste do Brasil). Rev Interciência 2002; 7:336-346.
2) Silva, V.A. Etnobotânica dos ìndios Fulni-ô (Pernambuco, Nordeste do Brasil). Tese de Doutorado em Biología Vegetal – Universidade Federal de Pernambuco, Recife 2003, 132 p.
3) Casas, A.; Viveiros, J.L.; Caballero, J.; Cortés, L.; Dávila, P.; Lira, R.; Rodriguez, I. Plant Resources of Tehuacán-Cuicatlán Valley, México. Economic Botany 2001; 55(1):129-166.
4) Posey, D.A.; Etnobiologia: Teoria e Prática. Suma etnológica brasileira. Edição atualizada do Handbook of South American Indians. Coordenadora Berta G. Ribeiro, Editora Universitária, Belém 1997; 1:1-15.
5) Phillips, O.; Gentry, A.H.; Reynel, C.; Wilkin, P.; Galves-Durand, C. Quantitative ethnobotany and Amazoniam conservation. Conservation Biology 1994; 8(1):225-248.
6) Lawrence, A.; Phillips, O.L.; Ismodes, R.A.; Lopez, M.; Rose, S.; Wood, D.; Farfan, J.A. Local values for harvested forest plants in Madre de Dios, Peru: towards a more contextualized interpretation of quantitative ethnobotanical data. Biodiversity and Conservation. Kluwer Academic Publishers, Netherlands 2005; 14(1):45-79.
Página 127 de 220 7) Vlaenderen, H.V. Local knowledge: what is it, and why and how do we capture
it? In KAUSENI (Ed.). Local Knowledge for food security: selected papers on experiences from Tanzânia. Gender Biodiversity and Local Knowledge systems (Lynks) nº 3. to Strengthen agricultural and rural development (GCP/RAF/338/Nor) 2000.
8) Dantas, B.G.; Sampaio, J.A.L.; Carvalho, M.R.G. Os Povos Indígenas do Nordeste Brasileiro – Um esboço histórico. História dos índios do Brasil. Organização Manuela Carneiro da Cunha. – São Paulo: Companhia das Letras: Secretaria Municipal de Cultura; FAPESB 1992.
9) Hoffnagel, J.C. A situação das comunidades indígenas de Pernambuco. Boletim do Núcleo de Estudos Indigenistas 1984; 3:6-13.
10) Silva, V.A. Etnobotânica dos índios Xucuru com ênfase às espécies do brejo da Serra do Ororobá (Pesqueira –Pe). Dissertação de Mestrado – Universidade Federal de Pernambuco, Recife 1997; 134p
11) .Socioambiental; 2001. www.socioambiental.org.br
12) Reesink, E. Raízes históricas: a jurema, enteógeno e ritual na história dos povos indígenas do Nordeste, p.61-96. In: Mota CN, Albuquerque UP. (ed.) As muitas faces da jurema de espécie botânica à divindade afro-indígena. Ed. Bagaço, Recife 2002.
13) Brasil, Ministério das Minas e Energia. “Secretaria Geral. – Projeto “RADAMBRASIL”. Aracaju/ Recife: geologia, geomorfologia, pedologia, vegetação e uso potencial da terra, Rio de Janeiro 856 p. il. 7 mapas; 1983 (Levantamento de Recursos Naturais, 30: 24-25).
14) Maia, S.M. Os Pankararé do Brejo do Burgo Campesinato e etnicidade. Salvador. Monografia de Bacharelado em Antropologia. Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da UFBA 1992, 109 p.
15) Hohenthal, Jr.W.D. As Tribos Indígenas do Médio e Baixo São Francisco. Rev. Museu Paulista 1960; Nova Série, vol. XII.
16) WHO. Report of the third global meeting of the partners for parasite control. Geneva: Strategy Development and Monitoring for Parasitic Diseases and Vector Control, Communicable Diseases control. Prevention and Erradication. Communicable Diseases; 2005.
17) PAHO. First session of the subcommitee on program budget and administration of the executive commitee. Washington: Pan American Health Organization World Health Organization; 2007.
18) Santos, R.V.; Coimbra Jr., C.E.A. Cenários e tendências da saúde e da epidemiologia dos povos indígenas no Brasil. In: Coimbra Jr., CEA, Santos RV, Escobar AL. (Orgs.) Epidemiologia e Saúde dos Povos Indígenas no Brasil. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz, Abrasco, 2003.
Página 128 de 220 19) Marucci, M.F.N. Os povos indígenas e a construção das políticas de saúde no
Brasil[resenha].Cad Saude Publica 2004; 20(3):871-872.
20) Toledo, M.J.O.; Palludetto, A.W.; Moura, F.T.; Nascimento, E.S.; Chaves, M.; Araújo, S.M.; Mota, L.T. Avaliação de atividades de controle para enteroparasitos em uma aldeia Kaingáng do Paraná. Rev Saúde Pública 2009; 43(6): 981-990.
21) Holveck, J.C.; Ehrenberg, J.P.; Ault, S.K.; Rojas, R.; Vasquez, J.; Cerqueira, M.T. Prevention, control, and elimination of neglected diseases in the Americas: Pathways to integrated, inter-programatic, inter-sectorial action for health and development. BMC Public Health 2007; 7(6): 1-21.
22) Luna-Monrroy, S.; Gimenez, S.; Lopes, R.; Soto, M.; Benefice, E. Prevalencia de parasitismo intestinal en niños y mujeres de comunidades indígenas del río Beni. Visión Científica 2007; 37(2): 37-46.
23) Chacin-Bonilla, L.; Sanchez-Chavez, Y. Intestinal parasitic infections with a special emphasis on cryptosporidiosis, in amerindians from western Venezuela. An J Trop Med Hyg 2000; 62(3): 347-352.
24) Bórguez, C.; Lobato, I.; Montalvo, M.T.; Marchant, P.; Martinez, P. Enterparasitosis in school children of Lluta Valley, Arica, Chile. Parasitol Latinoam 2004; 59: 176-178.
25) Bóia, M.N.; Carvalho-Costa, F.A.; Sodré, F.C.; Porras-Pedroza, B,E.; Faria, E.C.; Magalhães, C.A.P et al. Tuberculose e parasitismo intestinal em população indígena da amazônia brasileira. Rev Saúde Pública 2009; 43(1): 176-178.
26) Escobar-Pardo, M.L.; Godoy, A.P.O.G.; Machado, R.S.; Rodrigues, D.; Fagundes-Neto, U.; Kawakami, E. Prevalência de parasitoses intestinais em crianças do parque indígena do Xingu. J Pediatr 2010; 86:493-496.
27) Santos, R.V.; Coimbra-Jr., C.E.A.; Ott, A.M.T. Estudos epidemiológicos entre grupos indígenas de Rondônia. Parasitoses intestinais nas populações dos vales dos rios Guaporé e Mamoré. Cad Saúde Pública 1985; 1:467-477.
28) Assis, E.M.; Oliveria, R.C.; Moreira, L.E.; Pena, J.L.; Rodrigues, L.C.; Machado-Coelho, G.L.L. Prevalência de parasitos intestinais na comunidade indígena Maxakali, Minas Gerais, Brasil. Cad Saúde Pública 2013; 29(4): 681-690.
29) Coimbra-Jr., C.E.A.; Santos, R.V. Parasitismo intestinal entre o grupo indígena Zoró, estado de Mato Grosso, Brasil. Cad Saúde Pública 1991; 7: 100-103. 30) Gilio, J.; Mioranza, S.L.; Takizawa, M.G.M.H. Parasitismo intestinal em índios
da reserva indígena Rio das Cobras, Cascavel, Paraná. RBAC 2006; 38: 193-195.
Página 129 de 220 31) Rios, L.; Cutolo, A.S.; Giatti, I.L.; Castro, M.; Rocha, A.A.; Toledo, R.F.
Prevalência de parasitos intestinais e aspectos socioambientais em comunidade indígena no distrito de Iauaretê, município de São Gabriel da Cachoeira, Brasil. Rev Saúde Soc 2007; 16: 76-86.
32) Neves, D.P.; Melo, A.L.; Linardi, P.M.; Vitor, R.W.A. Parasitologia Humana. Ed Atheneu, Rio de Janeiro 2010, p. 457-458.
33) Serra-Freire, N.M. Planejamento e Análise de Pesquisa Parasitológica. EdUFF, Niterói 2002, 195p.
34) Black, F.L.; Hierholzer, W.J.; Pinheiro, F.D.K.P.; Evans, A.S.; Woodalla, J.P.; Opton, E.M. et al. Evidence for persistence of infectious agents in isolated human populations. Am J Epidemiol 1974; 100: 230-250.
35) Confalonieri, U.E.C.; Araújo, A.J.; Ferreira, L.F. Enteroparasitos em índios Yanomâmi. Mem. Inst. Oswaldo Cruz 1989; 84(4):111-113.
36) Andrade, R.C.R.; Norberg, N.A.; Serra-Freire, N.M.; Madeira-de-Oliveira, J.T.; Sanches, F.G.; Santa-Helena, A.A.; Norberg, P.R.B. Prevalência de parasitos intestinais em ameríndios Kayapós do estado do Pará. Rev. Uniabeu 2013, (no prelo).
37) Miranda, R.A.; Xavier, F.B.; Menezes, R.C. Parasitismo intestinal em uma aldeia indígena Parakanã, sudeste do estado do Pará, Brasil. Cad Saúde Pública 1998; 14(3): 507-511.
38) Lawrence, D.N.; Neel, J.V.; Abadie, S.H.; Moore, L.L.; Adams, L.J.; Healy, G.R.; Kagan, I.G. Epidemiologic studies among Amerindian populations of Amazônia. III. Intestinal parasitoses in newly contacted and acculturating villages. Am. J. Trop. Med. Hyg. 1989; 29:530-537.
39) Holmes, R. Non-dietary modifiers of nutritional status in tropical forest populations of Venezuela. Interciencia 1984; 9:386-391
40) Ribeiro, N.F. Estudo das características culturais e sócio-econômicas da aldeia indígena Jaraguá-Ytu, São Paulo, Brasil, correlacionando-os com a prevalência de parasitos. [Tese de mestrado]. Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo 2010.
41) Vieira-Silva, G.M. Parasitos intestinais na comunidade indígena Xavante de Pimentel Barbosa, Mato Grosso, Brasil. [Tese de mestrado]. Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca 2010.
Sobre os autores
Página 130 de 220 da Bahia, Campus VIII, Paulo Afonso (2009). Atualmente é coordenadora pedagógica da Escola Estadual Indígena Ângelo Pereira Xavier. Como pedagoga, tem experiência na área de Educação Indígena.
Antonio Neres Norberg - Graduado em Medicina pela Fundação Educacional Serra
dos Órgãos (1978); especialização em Patologia Clínica pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (1984); especialização em Saúde Pública pela Escola Nacional de Saúde Pública (1978); especialização em Medicina do Trabalho pela Fundação Educacional Serra dos Órgãos (1979); especialização em Parasitologia pela Universidade Severino Sombra (1981); especialização em Didática do Ensino Superior pela Universidade Severino Sombra (1980); especialização em Imunopatologia pela UNIGRANRIO (1983); especialização em Microbiologia pela Universidade Severino Sombra (1982); especialização em Análises Clínicas pela Universidade Severino Sombra (1983); especialização em Patologia Clínica pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (1984); especialização em Patologia Animal pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (1984); aperfeiçoamento em Patologia Clínica pelo Instituto de Biologia do Exército (1978); mestrado em Patologia Clínica pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (1986); doutorado em Parasitologia pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (1992). Atualmente é professor titular da disciplina Patógeno-Hospedeiro-Interação (PHI) da Faculdade de Medicina Souza Marques. Professor titular de Clínica Médica no curso de Fisioterapia, Microbiologia no curso de Enfermagem, Introdução à Semiologia Médica e Análises Clínicas do curso de Farmácia do Centro Universitário UNIABEU. Tem experiência na área de Microbiologia, Parasitologia, Imunologia, Patologia Clínica, Clínica Médica, Infectologia, Saúde Pública e Diagnóstico Laboratorial . Coordenador e docente dos cursos de mestrado e doutorado em Ciências Biológicas com ênfase em Doenças Parasitárias da Universidad Autónoma de Asunción, Paraguay. Membro titular da Academia Brasileira de Medicina Militar.
Fabiano Guerra Sanches - Possui graduação em Medicina pela Universidade Iguaçu (2011, em Farmácia pela Universidade do Grande Rio (2004) e em Ciências Biológicas pela Universidade do Grande Rio (2003). Atua principalmente nos seguintes temas: listeriose, listeria monocytogenes, enteroparasitos e
Página 131 de 220 staphylococcus aureus.
Nicolau Maués Serra-Freire - Graduado em Medicina Veterinária pela Universidade
Federal Rural do Rio de Janeiro (1970), mestrado em Medicina Veterinária pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (1976), doutorado em Medicina Veterinária Parasitologia Veterinária pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (1979) e Pós-Doutorado em Ciências Veterinária pela University of Edinburgh (1982) . Atualmente é Bolsista de Pesquisa nível 1B do CNPq, integrando o estafe de pesquisadores do Laboratório de Ixodides - Referência Nacional para Vetores das Riquétsias, Referência Estadual do Rio de Janeiro para Acari, e Serviço de Referência para Carrapatos na Fundação Oswaldo Cruz, estando lotado no Instituto Oswaldo Cruz. Tem experiência na área de Medicina Veterinária, com ênfase em Parasitologia, Acarologia e Epizootiologia, atuando principalmente nos seguintes temas: carrapatos Argasidae, Ixodidae, Amblyomminae; Acari; fasciolose hepática; doenças que tem carrapatos como vetores, identificação de sanguessugas e estudo da patogênese destas. No final do século passado, e ao longo dos anos 2000 vem investigando mais a relação entre humanos e carrapatos no Brasil.