Faculdade de Engenharia - Licenciatura em Engenharia Civil
AULA 21
Materiais de Construção I
Capítulo Aula 21
IV – Fabrico do Betão Transporte e colocação do betão em obra:
— O transporte:
1) Transporte em camiões-betoneira; 2) Transporte por bombagem.
— Colocação do betão em obra.
1.1 Transporte e colocação do betão em obra
Consideradas que foram as etapas da composição e amassadura ou fabrico do betão, cabe-nos agora ver as fases subsequentes que conduzem à aplicação e utilização em obra deste material.
Este conjunto de fases do ciclo de produção e aplicação do betão será aquele em que a aleatoriedade de procedimentos por parte dos seus responsáveis implica cada vez mais a necessidade de um maior controle e normalização processual, já que tem originado muitos insucessos em obra.
O sistema de transporte do betão, desde que é descarregado da betoneira até ao local da sua colocação, depende do tipo da obra e impõe muitas vezes a trabalhabilidade com que deve ser utilizado.
Se estiver bem estudado (granulometria e dosagem), suporta as condições normais de transporte sem segregação, que é o fenómeno de separação entre os inertes grossos ou mais pesados e a argamassa ou mesmo a perda desta.
Se o betão se desagregar durante o transporte (por causa da trepidação), há que rever a granulometria e ver se há água a mais. A segregação deve no entanto, procurar ser impedida em vez de ser corrigida!
Ao realizar a transferência de um meio de transporte para outro é conveniente utilizar tremonhas, e quedas curtas através de um tubo para o centro do continente receptor.
O tipo de transporte a escolher depende essencialmente de:
Volume de betão a aplicar;
Distância a percorrer entre a central de fabrico e o local de aplicação;
Dimensões das peças e seu posicionamento;
Condicionalismos dos moldes e tipos de armaduras.
Os sistemas de transporte mais importantes e correntes são os seguintes:
Carros de mão;
Baldes de diferentes volumes;
Calhas e caleiras;
Carros basculantes ou “Dumpers”; Tapetes rolantes;
Camiões betoneiras e agitadoras (auto-betoneiras);
Tubos de queda livre;
Bombas contínuas ou pneumáticas.
Duma maneira geral existe um lote básico de cuidados a ter:
1) Durante a betonagem de grandes áreas (lajes, ensoleiramentos, etc.) deve-se assegurar uma boa cura de modo a evitar a libertação extemporânea da água; 2) Evitar vibrações durante o transporte (especialmente em casos de transporte
descontínuo);
3) As faces do equipamento de transporte onde o betão encosta devem ser impermeáveis, ser lavadas sempre após a sua utilização, e de preferência serem pintadas com caldas de cimento ou então humedecidas;
4) As caleiras ou calhas devem ser arredondadas e com inclinações menores que 1:2.
No entanto, duas metodologias específicas dominam hoje a indústria da Construção Civil: o betão Pronto transportado em auto-betoneiras e o transportado por bombagem.
— Transporte em camiões-betoneira
É a solução mais prática para fornecimento de betão a obras com algum significado em termo de volume da betonagem e da qualidade do betão requerido.
O betão distribuído a partir de Centrais, e pronto a ser aplicado, pode ser amassado por qualquer dos três modos a seguir indicados:
1º) Completamente amassado na Central: por uma betoneira misturadora, donde passa para um camião transportador que mantém o betão em agitação mediante um tambor rotativo provido de pás, a fim de evitar a segregação (função agitador).
2º) Completamente amassado na Camião: a amassadura é feita no percurso para o estaleiro da obra ou à chegada a este, mediante 70 a 100 rotações de tambor a uma velocidade de amassadura específica, que é obviamente superior a velocidade de rotação do trabalho de agitação (função misturadora).
Depois de dado o número de rotações na velocidade de amassadura, e se o betão tiver de permanecer no camião, então deverá voltar-se à velocidade de agitação.
A principal preocupação a ponderar nesta opção de transporte é evitar a possível perda de trabalhabilidade entre o início da amassadura e o momento da colocação, o que deve ser conseguido por meios que não alterem o factor A/C, e que evitem o início prematuro do endurecimento.
Isto é conseguido através de composições cuidadosamente doseadas e incorporação de adjuvantes específicos e que não prejudiquem os níveis de resistência, permitindo a conservação da consistência e propriedades do betão, por vezes durante viagens superiores a 2 horas.
De qualquer modo, no momento da descarga deverá ser controlada a trabalhabilidade por meio do Cone de Abrams.
O volume da amassadura não deve exceder 70% em média do volume da misturadora (tambor) do camião.
— Transporte por bombagem
Representa nos dias de hoje uma técnica corrente e eficaz, especialmente em áreas difíceis de alcançar como grandes alturas e congestionadas por tráfego, não obstante ser mais dispendioso que outros sistemas habituais.
Com este sistema de transporte e colocação do betão, que já permite atingir 300 metros na horizontal e cerca de 80 metros na vertical, utilizam-se normalmente diâmetros de tubagem com 15 cm, recorrendo-se a bombas e tubos flexíveis com braços articulados montados em camiões gruas, comandados à distância.
As condições fundamentais para o transporte do betão por bombagem baseiam-se no atrito entre o betão e as paredes internas da tubagem.
Relação entre o atrito e a dosagem de água na tubagem de bombagem
coeficiente diminui bruscamente, até quase se anular, a partir do momento em que todos os vazios do agregado sólido estão cheios de água.
Portanto, a dosagem de água de um betão bombável é limitada, devendo ultrapassar no mínimo a dosagem crítica, pois um betão pouco molhado impõe grande atrito à canalização e, um excesso de água, sob pressão, tende a escapar-se do esqueleto e a tornar o betão menos molhado.
Há no entanto um conjunto de factores básicos que afectam um transporte por bombagem:
1) Factores inerentes a tipologia da obra e composição do betão: o Definição das várias fases de bombagem.
o Definição do traçado da tubagem e do local da implantação da bomba.
o Natureza dos inertes e sua granulometria. o Dosagem de água e de cimento.
o Selecção de uma trabalhabilidade do betão, e respectivo controle.
2) Factores externos:
o Tipo e estado do equipamento de bombagem.
o Distância e altura de bombagem.
o Diâmetro do tubo e número de curvas. o Frequência e duração da interrupções.
— Colocação do betão em obra
Mesmo que o betão tenha sido correctamente dosificado, amassado e transportado, não se deve negligenciar o modo de colocação deste material, sendo uma das operações mais importantes durante o processo de execução de obras.
Todo o processo de colocação do betão deve evitar a segregação e a desagregação dos componentes, e lograr encher perfeitamente todos os espaços dos moldes, envolvendo convenientemente as armaduras.
Para garantir o cumprimento destes requisitos deverão observar-se os seguintes pontos:
1. Deve-se evitar um excesso de compactação da massa, para que o inerte grosso não se deposite no fundo do molde.
2. Deve-se evitar uma compactação deficiente de forma que não surjam vazios ou “chochos” na massa e na superfície das peças em contacto com o molde.
3. Deve-se efectuar a betonagem tanto quanto possível por uma só vez em camadas contínuas com altura máxima de 30 cm, para que a compactação subsequente possa ser eficaz e não haja segregação, nem desagregação.
4. Antes da betonagem, as cofragens e armaduras ou as superfícies de encontro as quais se vai betonar devem ser limpas.
5. As cofragens a utilizar devem ser suficientemente estanques para não permitirem fugas de calda de cimento.
altura), cuja superfície de contacto deverá ser rugosa, com inertes grossos à vista, para colar bem o betão a colocar posteriormente.
7. Não se betonar com temperaturas elevadas (>35 oC) ou demasiado baixas (<5 oC). 8. Não se deve esperar muito tempo entre betonagens sucessivas (prejudica a