O JORNAL PIBID:FERRAMENTA PARA O ENSINO DE LÍNGUA PORTUGUESA E FORMAÇÃO DOCENTE
Daiany Santos Pereira (PIBID/UENP); Giovanna Moraes Ferreira
(PIBID/UENP),JeniferStelen Domingues (PIBID/UENP)1,Eliana Merlin Deganutti de Barros (PIBID/UENP)2, e-mail: [email protected]. 1Bolsistas de
Iniciação à Docência. 2Bolsista de Coordenação PIBID.
Universidade Estadual do Norte do Paraná/ Campus de Cornélio Procópio/ Centro de Letras, Comunicação e Artes.
Ensino, Subprojeto de Língua Portuguesa.
Palavras-chave: jornal escolar, sequência didática, formação docente.
Introdução
Esse trabalho tem como foco o subprojeto PIBID (Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência) de Língua Portuguesa da Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP), do Campus de Cornélio Procópio, iniciado em 2014, cujo título é “Letramentos na escola: práticas de leitura e produção textual”. Os trabalhos desse subprojeto foram subdivididos em dois eixos: letramento literário(eixo 1), coordenado pela Profa. Dra. Ana Paula Franco N. Brandileone; e gêneros textuais do jornal (eixo 2), coordenado pela Profa. Dra. Eliana Merlin Deganutti de Barros.
O foco deste trabalho é o subprojeto do eixo 2, que tem como finalidade desenvolver capacidades docentes (BARROS, 2017) tanto em alunos de Letras
como em professores da Educação Básica participantes doprojeto para atuarem no processo de transposição didática de gêneros do jornal – objetos do jornal escolar produzido ao final de cada ano, o Jornal PIBID. O subprojeto procura atender, no âmbito da aprendizagem, asDiretrizes Curriculares da Educação Básica do Paraná (DCE – PARANÁ, 2008) e os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN – BRASIL, 1998), que enfatizam a linguagem como fenômeno social que surge da necessidade de interação entre os homens e preveem que os alunos sejam capazes de apropriarem-se das práticas de linguagem que se encontram presentes na sociedade, configuradas em gêneros textuais, conforme supõe Bakhtin (2003).Nessa perspectiva, acreditamos que os alunos assistidos pelo projeto, mediante a produção dos textos propostos, consigam ampliar sua competência comunicativa (BRASIL,
1998), construindo conhecimentos relacionados aos quatro eixos de ensino de Língua Portuguesa pretendidos nos documentos prescritivos: leitura, escrita, oralidade e análise linguística, de modo que permite aos alunosserem inseridos em diversas esferas de comunicação.
porgrupos pibidianos, na rede pública de ensino da Educação Básica. A metodologia das sequências didáticas de gêneros (SDG)foi criada pelos pesquisadores do InteracionismoSociodiscursivo (ISD – BRONCKART, 2003; SCHNEUWLY; DOLZ, 2004) para o ensino da produção textual.Segundo seus preceptores, a finalidade da SDG é ajudar o aluno a se apropriar de determinada prática de linguagem, configurada sempre em um gênero de texto. A SDG “é um conjunto de atividades escolares organizadas, de maneira sistematizada, em torno de um gênero textual oral ou escrito” (DOLZ; NOVERRAZ, SCHNEUWLY, 2004, p. 97).
Para a elaboração das SDG, buscamos didatizar, no projeto, os gêneros textuais do jornal selecionados para cada edição por meio de um processo denominado de transposição didática (cf. MACHADO; CRISTOVÃO, 2006;
BARROS, 2012), em que, primeiramente, são modelizados teórico e didaticamente os gêneros textuais que serão alvos de ensino e aprendizagem e, depois, planificada a SDG, elaboradas suas atividades, com as tarefas para os alunos e dispositivos didáticos.
A partir disso, ao fim do projeto, criamos um jornal escolar, o Jornal PIBID, em que são selecionadas e publicadas produções dos alunos participantes do subprojeto.
Até o presente momento, publicamos três edições do Jornal: a primeira edição em 2014, a segunda, em 2015, a terceira, em 2016. No ano de 2017, pretende-se publicar a quarta edição.
Materiais e métodos
Atualmente, o subprojeto de Língua Portuguesa, eixo 2, realiza seus trabalhos com a parceria de duas escolas estaduais do município de Cornélio Procópio: o Colégio Estadual André Seugling e a Escola Estadual Padre Manuel da Nóbrega. Cada escola recebe dois grupos de pibidianos. No Colégio Estadual André Seugling, trabalhamos com uma turma do 1º ano e outra do 3º ano do Ensino Médio. Já na Escola Estadual Padre Manual da Nóbrega, o trabalho é realizado com um 7º ano e um 8º ano do Ensino Fundamental. No atual ano de 2017, os trabalhos estão sendo desenvolvidos por duas professoras supervisoras, dez alunos bolsistas, e uma aluna voluntária.
O jornal Folha de Londrina é o suporte de estudos dos gêneros
escolhidos e serve de referência para o trabalho com a elaboração da SDG. A escolha desse jornal se justifica pelo seu fácil acesso em nossa região, já que o município de Londrina está localizado próximo ao município de Cornélio Procópio, onde são realizadas as intervenções didáticas. Desse modo, os assuntos abordados no jornal são, geralmente, próximos à realidade de nossos alunos.
1. Leituras teóricas e metodológicas, e atividades de pré-intervenção no ambiente escolar, de modo a observar o contexto em que as SDG serão desenvolvidas.
2. Seleção dos gêneros para compor o jornal escolar, levando em consideração o contexto de intervenção.
3. Estudo e modelização dos gêneros selecionados.
4. Planejamento das SDG, com ajuda da professora coordenadora e docentes supervisoras – elaboração de sinopses.
5. Elaboração das atividades das oficinas das SDG.
6. Intervenção didática no contexto de ensino, com acompanhamento das professoras supervisoras.
7. Planificação de todo o material didático usado nas intervenções. Elaboração de um caderno pedagógico: a) caderno do professor, com instruções para o desenvolvimento das atividades; b) caderno do aluno, com as atividades didáticas.
8. Reflexão sobre a prática de ensino.
Resultados e Discussão
O projeto PIBID está sendo desenvolvido desde 2012, na Universidade Estadual Do Norte do Paraná (UENP), porém o subprojeto de Língua Portuguesa em questão iniciou-se em 2014. Nesse referido ano, os trabalhos foram realizados nos Colégios Estaduais Monteiro Lobato e Wiliam Madi, com duas turmas do oitavo ano, em que foram trabalhados os gêneros: Carta ao leitor, Reportagem temática, Anúncio publicitário, Carta do leitor argumentativa, Horóscopo, Sinopse de filme, Agendamento, Classificados, Enquetes, Artigo de opinião e Crônica humorística. As melhores produções dos alunos foram publicadas na primeira edição do Jornal PIBID.
No ano seguinte, as intervenções foram realizadas nos mesmos colégios, mas em dois nonos anos, um sétimo e um projeto com alunos de um sexto ano. Os gêneros trabalhados foram: Reportagem, Carta do leitor, Artigo de Opinião, Charge, Tirinha, História em quadrinhos e Sinopse de filme. As produções resultaram na segunda edição do Jornal PIBID.
No ano de 2016, os trabalhos se deram nos Colégios Estaduais Monteiro Lobato e André Seugling, com turmas de nono ano, projeto com alunos de sétimo e oitavo, e no segundo colégio, com uma turma de terceiro ano do ensino médio. Os gêneros trabalhados foram: Carta do leitor, Resenha de filmes, Reportagem, Entrevista, Charge e Artigo de opinião. As melhores produções se constituíram na terceira edição do Jornal PIBID.
primeiro ano do Ensino Médio (com o gênero “Carta do leitor” – carta-resposta e carta-denúncia). Na Escola Estadual Padre Manuel da Nóbrega, o trabalho é desenvolvido por uma professora supervisora e seis alunos bolsistas, sendo realizadas atividades em uma turma de sétimo ano e outra de oitavo ano do Ensino Fundamental. Os gêneros trabalhados nesta escola são: Reportagem temática, Horóscopo e Sinopse de filme.
A escolha dos gêneros textuais para cada turma e seu grau de complexidade com a linguagem no modelo didático são feitas mediante o nível de escolaridade dos alunos. E por meio da análise dos resultados e reflexões acerca das edições anteriores do projeto, foi-se aprimorando o processo de intervenção didática.
A seleção, por exemplo, do Artigo de Opinião para o Ensino Médio se deu em virtude de esse ser um gênero apropriado para esse nível de escolaridade, já que os alunos são bastante solicitados a produzirem textos argumentativos, seja em exames vestibulares, seja no Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM).
Conclusões
Esperamos sempre, ao final de cada ano, a elaboração e publicação de um jornal escolar, o Jornal PIBID, produto final em que é possível observar o resultado obtido a partir de nosso trabalho com as sequências didáticas. Além disso, todo ano há o debate de experiências entre os grupos de pibidianos e as professoras supervisoras, para que possamos sempre melhorar a nossa prática.
Acreditamos que a prática com todo o processo de transposição didática de gêneros, com fins de ensino-aprendizagem da produção de textos,fornece, aos futuros docentes, subsídios primordiais para a atuação como professores de Língua Portuguesa. Por outro lado, o trabalho didático desenvolvido na educação Básica tem contribuído para a aprendizagem de muitos alunos assistidos pelo subprojeto, não só na disciplina de Língua Portuguesa, mas em todas as outras, pelo fato de que o ato de escrever, fazer uso dos diversos gêneros textuais, se posicionar criticamente e compreender textos está presente em todas as outras disciplinas.
Agradecimentos
Agradecemos à CAPES pela oportunidade e fomento financeiro e a todas as escolas parceiras, pois sem elas o desenvolvimento de nosso projeto não seria possível.
Referências
BAKHTIN, Mikhail.Gêneros do discurso. In: ____. Estética da criação verbal.
BARROS, Eliana Merlin D. de.Transposição didática externa: a modelização do
gênero na pesquisa colaborativa. Raido, (UFGD), Dourados-MS, v.6, n.11,
2012, p.11-35.
____. Capacidades e papel do professor de língua portuguesa: a formação docente sob o ponto de vista da transposição didática externa de gêneros textuais. In: MAGALHÃES, Tânia; GARCIA-REIS, Andreia; FERREIEA, Helena (Org.). Concepção discursiva de linguagem: ensino e formação docente.
Campinas: Pontes, 2017. p. 233-253.
BRASIL. Ministério da Educação. Parâmetros Curriculares Nacionais: terceiro e quarto ciclos do Ensino Fundamental – Língua Portuguesa. Volume:
Linguagens, códigos e suas tecnologias. Brasília: MEC/SEB, 1998.
BRONCKART, Jean-Paul. 2003. Atividade de linguagem, textos e discursos: por um interacionismosócio-discursivo. Trad. Anna Rachel Machado e Péricles
Cunha. 2. reimpressão. São Paulo: EDUC.
DOLZ, Joaquim; NOVERRAZ, Michèle; SCHNEUWLY, Bernard. 2004. Seqüências didáticas para o oral e a escrita: apresentação de um procedimento. In: SCHNEUWLY. Bernard; DOLZ, Joaquim (org.). Gêneros orais e escritos na escola. Trad. de Roxane Rojo e Glaís Sales Cordeiro.
Campinas: Mercado de Letras, 2004, p. 95-128.
MACHADO, Anna Raquel; CRISTOVÃO, Vera Lúcia. A construção de modelos didáticos de gêneros: aportes e questionamentos para o ensino de gêneros.
Linguagem em (Dis)curso, Tubarão/SC, v.6, n.3, p.547-573, set./dez. 2006.
PARANÁ. Secretaria de Estado da Educação Básica. Diretrizes Curriculares da Educação Básica– Língua Portuguesa. Paraná: SEED, 2008.