1 Guia de Regras
Guia de Regras
2 ÍNDICE: 1. AMBIENTAÇÃO p.3 2. REGRAS GERAIS p.3 2.1 Turnos p.3 2.1.1 Carta de ação p.4
2.1.2 Quem pode usar a carta de ação? p.4
2.1.3 Trabalho da imprensa p.4
2.1.4 - Momento de Pausa p.5
2.2 Dinâmica de discussão em sala p.4
2.2.1 Sala Conselho de Segurança (CS) - Regra de Debate p.5
2.2.1.a Início de Sessão p.5
2.2.1b Moção p.5
2.2.1c Questões p.6
2.1.2 Salas Táticas e de Guerra - (Gabinete dos EUA, Sala Tática Europa e Sala Tática “Vermelha”) - Regras de Debate p.7
2.1.2 a Comunicação p.7
2.1.2b Armageddon p.6
2.1.3 Sala Submarino Nuclear - Regras de debate p.8
3. SALA TÁTICA EUROPA p.8
3.1 Principais funções p.8
3.2 Ambientação e Objetivos p.9
3.3 Modelo de resolução do Conselho de Segurança p.9
3.4 Posição dos países envolvidos no Conselho de Segurança p.13
4. TEXTO DE APOIO p.15
3 O FEP, neste ano, terá como tema a crise na península coreana. Serão seis salas totalmente interligadas, ou seja, as ações de um comitê afetarão os demais em maior ou menor grau, dependendo da situação. As salas são as seguintes:
● Conselho de Segurança (28 - 60 membros); ● Gabinete dos EUA (Inglês) (6 - 12 membros);
● Sala Tática Europa (Reino Unido, França e Alemanha) (6 - 12 membros); ● Sala Tática “Vermelha”: Rússia/China/Coreia do Norte (6-12 membros); ● Submarino (10- 20 membros);
● Sala de imprensa (0-8 membros). 1. AMBIENTAÇÃO
Em 15 de Janeiro de 2018, Um submarino, o GORAE choego jidoja (Líder Supremo), afundou o destróier americano USS Fitzgerald, alegando que este estava em suas águas territoriais, causando 32 mortes e 15 desaparecidos. Tal incidente fez crescer as pressões contra o regime de Kim Jong-un. Horas após o incidente, o governo chinês deslocou o seu porta-aviões “Liaoning” para as águas norte-coreanas, para garantir uma resolução pacífica e evitar o conflito. O Pentágono reagiu à manobra, acusando a China de proteger o governo de Pyongyang. Em sua página no Twitter, Donald Trump chamou o líder norte-coreano de morto-vivo e exigiu uma retratação e a entrega do submarino. Chamou também o líder chinês Xijimping de fraco e otário. No dia 16, um avião chinês, ao fazer um voo rasante perto de uma esquadra americana, foi abatido pelo destróier US Mary, que alegou manobra defensiva e que a aeronave chinesa assumiu clara posição de ameaça. Tal incidente fez a China aumentar as suas tropas na fronteira e no mar das Coreias. O Governo russo declarou apoio à China e ao governo norte-coreano, deslocando suas tropas para a fronteira com a Coreia do Norte, e acusou os EUA de criar uma crise artificial e ameaçar a integridade e a autodeterminação dos povos asiáticos. A Coreia do Sul e o Japão se alinharam aos Estados Unidos. O submarino norte-coreano está desaparecido. Uma reunião do Conselho de Segurança (CS) foi marcada às pressas para tentar resolver o conflito.
2. REGRAS GERAIS
2.1 Turnos
Para realizar uma maior interação entre as salas, serão construídos turnos de aproximadamente 3h reais, que irão representar um dia na simulação. Tal fato é necessário, pois pode haver pequenas distorções de tempo entre as salas e isto irá organizar melhor os movimentos estratégicos de tropas ou as ações táticas. Os
4 participantes deverão apresentar, ao final de cada turno, um documento que será a carta de ação, o qual apontará as ações que serão efetivamente realizadas.
2.1.1 Carta de ação
Carta de ação é a tomada de decisão do grupo que irá afetar os acontecimentos no próximo turno (um dia na simulação). Ela deverá conter todos os detalhes relevantes para a ação e somente o que está escrito será levado em conta. Se algo essencial for esquecido, pode afetar o sucesso da ação.
2.1.2 Quem pode usar a carta de ação?
Uma carta de ação é expedida por cada líder de nação representado, ou seja: EUA, Coreia do Norte, Rússia, China, Inglaterra, França e Alemanha, apenas nas salas táticas e de guerra.
No submarino, a cada turno, os tripulantes devem produzir um “Diário de Bordo”, contendo a rota e os procedimentos a serem tomados. Devido à dinâmica do submarino, a rota pode ser alterada, porém, isto deve ser também posto no diário. Os tripulantes poderão escolher um indivíduo para ser o responsável pela feitura do diário de bordo.
Na sala Conselho de Segurança (CS), os delegados não possuem poderes políticos para fazer ou romper tratados. Devem seguir a política externa do seu país e conseguir o máximo de vantagem diplomática possível. Porém, podem fazer Cartas de Recomendação Diplomática (CRD), que também podem ser produzidas a cada turno. O objetivo da CRD é sugerir tomadas de decisão dos governos que podem ser desde ações diplomáticas, como acordos bilaterais, até movimentação militar. Por serem sugestões, elas deverão ser avaliadas pela mesa, que, ao início da próxima sessão, dirá qual é a resposta oficial do país. Os delegados que representarem as nações cujos líderes possuem participantes reais no FEP, como a China e a Alemanha, não precisam fazer a CRD, pois estarão constantemente em comunicação com os líderes do seu governo através de um sistema de comunicação interno.
2.1.3 Trabalho da imprensa
Ao final de um turno, a imprensa deverá ter composto uma capa e uma matéria sobre o ocorrido no Fórum. O documento deverá estar pronto logo após o “momento de pausa” e deverá ser lida, à exceção da sala submarino, em todas as salas. A Imprensa pode a qualquer momento pedir uma entrevista a qualquer membro do FEP, à exceção dos tripulantes do submarino. A entrada da imprensa na sala Conselho de Segurança (CS) é livre e sem restrições, porém, não pode interferir nas discussões. Nas salas táticas ou de guerra, apenas mediante a autorização dos membros e, no submarino, a visita não é permitida.
5
2.1.4 - Momento de Pausa
Ao final de cada turno, ocorrerá uma pausa de 30 minutos para que as mesas se reúnam para analisar as ações dos participantes e preparar um novo cenário de ação. Ao início de cada turno, um novo cenário de ação será apresentado a todos os presentes em cada comitê.
2.2 Dinâmica de discussão em sala
Cada Sala tem uma dinâmica própria e regras distintas de organização do debate. Em todas as salas, a mesa possui o poder final sobre a orientação e o andamento do debate. A mesa pode alterar as regras, se achar necessário, para manter o andamento da atividade. Não serão permitidas ofensas aos participantes, salvo aquelas que forem pertinentes à simulação. Em casos extremos, um participante pode ser convidado a se retirar da atividade.
2.2.1 Sala Conselho de Segurança (CS) - Regra de Debate
No Conselho de Segurança (CS), existe um ambiente diplomático e, desta maneira, há um conjunto de regras mais rígidas a serem seguidas. Toda a linguagem deve ser diplomática e formal, evitando gírias e comentários de baixo calão. Nesta sala, o debate pode ter três dinâmicas diferentes:
Debate em lista - os delegados serão colocados em uma lista fechada e terão um determinado tempo para discursar. A fala deve seguir rigorosamente a ordem da lista. Este tipo de debate é muito útil no início e na conclusão do trabalho;
Debate Moderado - a cada fala, os delegados serão convidados a levantar suas placas. A mesa escolhe entre as placas levantadas qual terá direito à fala. Este debate é muito útil quando se pretende ter um debate mais fluido;
Debate Não Moderado - nesta forma de debate, os delegados podem sair de seus lugares e conversar livremente durante um período pré-determinado. Este debate é muito útil para se finalizar documentos.
2.2.1.a Início de Sessão
No início de cada sessão, o debate começa obrigatoriamente em lista, dando preferência inicial aos membros permanentes do Conselho de Segurança (EUA, Reino Unido, França, Rússia e China). Após a fala destes, o debate em lista é aberto para novas inscrições de fala. Para se inscrever, basta a delegação levantar sua placa e seu nome será colocado na lista. O debate prossegue até a Mesa Diretora mudar ou haver uma moção.
2.2.1b Moção
Moção é um pedido que pode ser feito a qualquer momento por qualquer delegação e tem por motivo a alteração do fluxo do debate. Pode-se pedir a alteração do
6 modelo do debate (lista, moderado e não moderado), para pedir a leitura de um documento, para apresentar uma proposta ou modificar o tempo limite de fala (no caso de debates moderados e em lista) ou mesmo modificar o tempo de debate não moderado. No caso de debate não moderados o padrão é de 5 (cinco) minutos, porém, este valor pode ser alterado pela mesa ou a pedido dos delegados. Os pedidos de moção possuem regras de precedência, ou seja, vota-se a moção mais radical e, caso ela seja aprovada, não é preciso votar as outras moções.
Moção especial – nesta, os delegados podem fazer um pedido para convocar ou aceitar o pronunciamento de um líder de país representado nas demais salas. Apenas um pronunciamento pode ser feito por sessão e não pode ser superior a 10 minutos. Caso deseje, o Líder de país pode ceder espaço para questões ou dúvidas e este espaço não pode exceder o tempo máximo de 5 (cinco) minutos.
2.2.1c Questões
As questões existem para atender às dúvidas dos delegados e manter o fluxo do debate. Só podem ser direcionadas à Mesa Diretora. Podem ser de três tipos: de Dúvida, de Ordem e de Privilégio Pessoal. A questão de dúvida é utilizada quando um delegado necessita de alguma informação, substantiva e/ou procedimental, pertinente ao andamento do debate. Por exemplo, se um documento é votado por maioria simples ou qualificada ou mesmo a respeito das regras do debate. A questão de ordem pode ser apresentada por qualquer delegado, sem interromper o discurso de outro, quando ele observar algo que seja relativo às regras de procedimento da Reunião que não esteja sendo cumprido ou pedir uma análise mais detalhada do procedimento da mesa. Ela deverá ser imediatamente apreciada pela Mesa Diretora, que poderá desconsiderá-la se o delegado proponente não houver mostrado moderação e decoro no uso desse direito ou se a questão for inapropriada em sua natureza. A questão de privilégio pessoal é a única que pode interromper a discussão e, quando apresentada por um delegado, a Mesa Diretora deverá apreciá-la imediatamente. Ela só deve ser utilizada quando delegado experimentar desconforto pessoal (estar impossibilitado de escutar o discurso de outro delegado, por exemplo), seja esse físico ou psicológico. Novamente, este recurso pode ser negado pela mesa. Em caso de ofensa pessoal ou ataque ao país, pode ser considerado pela Mesa Diretora um direito de resposta imediato com o mesmo tempo de fala do delegado que promoveu a infração em questão.
EM TODOS OS CASOS, A MESA É SOBERANA EM DECIDIR OS PROCEDIMENTOS A SEREM TOMADOS.
7
2.1.2 Salas Táticas e de Guerra - (Gabinete dos EUA, Sala Tática Europa e Sala Tática “Vermelha”) - Regras de Debate
Nestas salas, o modelo de debate padrão é o debate não moderado (ver item 2.2.1). A qualquer momento, este modelo de debate pode ser alterado mediante a apresentação de pedido por parte de qualquer membro da sala à Mesa Diretora. O procedimento de votação é o mesmo do CS. Na sala “Gabinete dos EUA”, quem acata ou não qualquer pedido de alteração do debate é o Presidente Donald Trump, porém, a Mesa tem a última palavra no andamento dos debates. Nas salas “Tática Europa” e “Tática Vermelha”, os membros de um mesmo país podem fazer reuniões sigilosas. Neste caso, eles podem pedir para ir a uma sala reservada e sigilosa, onde possam traçar planos. Para tanto, devem pedir à Mesa Diretora para se ausentarem e apresentarem um tempo máximo que não pode ser superior a 15 minutos. Apenas um pedido de reunião sigilosa pode ser feito por sessão ou turno.
2.1.2 a Comunicação
A comunicação na sala é extremamente controlada. Os participantes não podem interagir durante o FEP com membros de outras salas, salvo em casos específicos que serão detalhados aqui:
Comunicação direta com o delegado correspondente no CS: cada país, nas salas táticas ou de guerra, possui um representante no CS. A comunicação será feita via Skype ou similar, a ser definido no início de FEP. Neste caso, a comunicação é livre;
Convocação para discurso no Conselho de Segurança: um líder de país pode ser convocado para um pronunciamento na CS. Neste caso, apenas o líder do país poderá ir à sala do CS e fazer um pronunciamento. Neste caso, e somente neste caso, a imprensa pode fazer uma transmissão ao vivo para todas as salas (à exceção do submarino);
Comunicação com o submarino nuclear: apenas a Coreia do Norte pode inicialmente se comunicar com o submarino. A comunicação é livre e somente será feita via rádio. Mensagens de texto ou de qualquer outro tipo serão proibidas.
2.1.2b Armageddon
Caso algum país resolva utilizar seu arsenal atômico e atacar com armas nucleares, este deve apresentar a decisão à Mesa Diretora e explicar detalhadamente o ataque, fornecendo hora de lançamento, origem e destino do ataque. Após a
8 aprovação da Mesa, devem se locomover até a sala do juízo final, a ser definida no início do FEP, e apertar o botão. Todos os membros do país devem concordar com a decisão, com exceção da Coreia do Norte, em que apenas o líder Kim Jong-un pode tomar esta decisão. Uma vez acionado o botão, cabe aos membros acatarem as consequências deste ato.
2.1.3 Sala Submarino Nuclear - Regras de debate
Nesta sala, assim como nas salas táticas e de guerra, o modelo de debate padrão é o debate não moderado (ver item 2.2.1). A qualquer momento, este modelo de debate pode ser alterado mediante a apresentação de pedido por parte de qualquer tripulante à Mesa Diretora. O procedimento de votação é o mesmo do CS. Não é permitida a comunicação desta sala com as demais. Celulares ou similares não podem ser conectados à internet. Esta também é a única sala em que a visita da imprensa pode ocorrer (um tanto óbvio!!!). A única comunicação com o mundo exterior será um sistema de rádio ligado diretamente aos líderes da Coreia do Norte. 3. SALA TÁTICA EUROPA
Atualmente, não existem forças armadas da União Europeia, visto a integração europeia não ter desenvolvido muito a área da defesa. No entanto, foram identificadas várias iniciativas de defesa, manutenção da paz e organizações estabelecidas no contexto da União Europeia (UE). A própria defesa da União é do domínio de cada Estado-Membro. Atualmente, o mais próximo do que pode ser chamado de forças armadas da União Europeia é a rápida implantação da força pelos Grupos de Combate da União Europeia. Porém, com a crise crescente, as forças armadas da França, do Reino Unido e da Alemanha se reuniram às pressas em Berlim, no dia 16 de janeiro de 2018, para tomar posições estratégica/militares conjuntas.
3.1 Principais funções
● Construir coletivamente um acordo para resolver o impasse na península coreana;
● Definir posição conjunta para, em caso de guerra, evitar a fragmentação da Europa;
● Evitar que conflitos possam aumentar o fluxo de refugiados pelo mundo;
● Conter os movimentos separatistas que podem se intensificar nos próximos dias;
● Construir um sistema de cooperação regional;
● Programa Nuclear - diminuir a tensão mundial e manter o sistema de defesa.
9
3.2 Ambientação e Objetivos
No FEP, a “Sala Tática Europa” terá como objetivo coletivo a construção de uma política conjunta e eficiente, que garanta o máximo possível os interesses
particulares de cada um dos três Estados-Membros. Este é um gabinete de cunho operativo, ou seja, deverá executar ações que afetarão toda a dinâmica do Fórum. Os membros representarão chefes de Estado e suas atitudes terão consequências internacionais e nacionais. Desta maneira, em termos práticos, poderão fazer as seguintes ações:
1. Construir política comum entre as partes. (PCP); 2. Ações Externas Diplomáticas (AED);
3. Ações Externas Econômicas (AEE); 4. Ações Externas Militares (AEM); 5. Ações de Política Interna (API).
3.2.1 Construir política comum entre as partes (PCP)
O PCP é um documento que expressa formalmente a posição coletiva do “Gabinete Vermelho” e é necessariamente levado à apreciação das demais salas do FEP (à exceção do submarino). Devido a sua formalidade, ele exerce notável força na sala do Conselho de Segurança (CS), pois as atitudes dos delegados devem ser norteadas por esses documentos. Eles precisam ser devidamente escritos e assinados pelos três líderes para serem considerados legítimos. Este documento pode conter acordos de cooperação militar e econômica, posicionamento estratégico ou de apreciação ou repúdio a alguma ação externa.
Exemplo
Adotada pela conferência tripartite Reino Unido, Alemanha e França, realizada em 1º de dezembro de 2017
Os presentes Estados abaixo assinados,
10 Reiterando seu firme compromisso com a manutenção da Paz mundial e temendo uma escalada militar nuclear mundial,
Condenando a luta e a violência contra civis e defendendo os direitos humanos universais,
Congratulando os esforços das missões de paz da ONU e os esforços da Anistia Internacional,
Tendo determinado que a escalada nuclear na região é uma ameaça à paz e à segurança mundial,
Atuando de acordo com o Capítulo VII da Carta das Nações Unidas,
1. Solicita a cessação imediata das hostilidades e o estabelecimento de um diálogo imediato;
2. Exige que todas as partes cooperem plenamente no esforço de manutenção da paz;
3. Exige o fim dos programas e testes nucleares na região;
4. Tendo em vista as circunstâncias urgentes da situação, decide, portanto, o envio de três fragatas militares, sendo uma de cada país de força-tarefa conjunta ao sul da Coreia do Norte, ao longo do Paralelo 38º norte, respeitando a área desmilitarizada;
5. O acordo passa a ter validade a partir da data de publicação.
_________________________ ______________________________ ___________________________
11 3.2.2. Ações Externas Diplomáticas (AED)
Atividade muito comum no FEP. Trata-se de tentar construir acordos diplomáticos com outros países que não estão presentes no Gabinete Vermelho. O acordo deve ser escrito em linguagem formal e entregue ao final do turno à Mesa Diretora. No início do próximo turno, o documento será levado para o líder ou delegado do referido país para apreciação. No caso dos líderes, a aprovação, se houver interesse do participante que o representa, é imediata. No caso do delegado, ele deverá, caso aprove, mandar uma carta de recomendação diplomática à Mesa do CS, que irá analisar qual seria a posição do líder nacional em questão. Estes documentos, assim que chegarem aos respectivos líderes, poderão ser respondidos imediatamente e devolvidos sem precisar terminar a sessão.
3.2.3. Ações Externas Econômicas (AEE)
Trata-se de acordos econômicos entre países do “Gabinete Vermelho” com demais países presentes no FEP. Precisam estar escritos em linguagem formal e o mais detalhado possível. Entram em vigor após a ratificação de todos os países envolvidos.
3.2.4. Ações Externas Militares (AEM)
As manobras militares serão feitas em turnos. Na primeira 1h de FEP, os Gabinetes Táticos e de Guerra irão definir o posicionamento inicial de suas tropas pelo globo. No “Gabinete Vermelho” e na “Sala Tática Europa”, as decisões de movimentos de tropas podem ser feitas em conjunto ou em sigilo. Após a primeira hora do turno, serão divulgados a todos os comitês (à exceção do submarino) os posicionamentos iniciais. A partir deste movimento, os turnos de combate seguirão da seguinte maneira:
Início do Turno/Dia
● Ataque (Convencional, Balístico ou Nuclear); ● Movimentação de tropas;
● Contra-ataque ou Resposta de Movimento. 3.2.4.b Ataque
O Ataque pode ser de três modalidades que podem, ou não, ser usadas simultaneamente. O Ataque Convencional envolve tropas físicas, por isso, é necessário possuir tropa em prontidão e preparada para o ataque. Necessariamente, esta tropa precisa estar na região do conflito em condições de ataque. Os Ataques Balísticos (mísseis de longo alcance) e Nucleares (de longo alcance) não precisam estar perto do alvo, mas podem ser interceptados em algumas condições específicas.
12 No caso de um ataque à ordem, o procedimento deve ser detalhado o mais precisamente possível em uma Carta de Ação. Quanto mais detalhado, maiores as condições de sucesso.
3.2.4.c. Movimentação de tropas
A movimentação de tropas é o reposicionamento militar. Ele foi colocado propositalmente após o turno de ataque para poder criar um ambiente mais realista, proporcionando às forças de defesa se realinharem. Como cada turno é um dia, as tropas devem seguir o movimento base real de deslocamento:
● Tanque de Guerra - velocidade máxima - 80km/h estrada e 30km/h terreno acidentado;
● Bombardeio/ Paraquedistas/ Transporte - 1000km/h; ● Caças - 7000km/h;
● Esquadra Marinha de Guerra - 60 Km/h.
Estes valores são aproximados, mas cada equipamento de guerra possui uma velocidade específica.
3.2.4.d Contra-Ataque ou Resposta de Movimento
Logo após a AEM, os demais membros terão as noticias da ação. Neste momento, os Gabinetes de Guerra terão 1h para decidirem se farão resposta militar. Ao final deste período, poderão fazer uma ação de resposta, com os recursos disponíveis, que podem ser de movimento ou ataque. Importante: não há contra-ataque de “contra-ataque”.
3.2.4.e Ações de Política Interna
Durante o FEP, ocorrerão crises internas que envolverão respostas dos gabinetes presidenciais. Alguns problemas já estão previstos pela Mesa Diretora e serão expostos a cada país do “Gabinete Vermelho” no início de cada sessão. Porém, outros serão consequência da política adotada pelos participantes. Desta maneira, as ações tomadas pelos dirigentes deverão ser pensadas e repensadas, para não criar um cenário interno que possa levar à instabilidade ou, até mesmo, à queda do governo. Pesquise sobre a realidade interna do seu país no FEP para evitar desagradáveis surpresas.
13
3.4 Posição dos países envolvidos no Gabinete Vermelho
Segue abaixo um pequeno resumo da política externa de cada país. Para um melhor aproveitamento do FEP, é importante que o participante pesquise e colete mais informações sobre o seu país.
França.
A França é a favor de sanções contra a Coreia do Norte, porém, defende uma resolução pacífica. Defende um tom mais forte contra a Coreia e acredita que a China pode ser uma boa intermediadora do conflito.A França é uma república democrática semi-presidencialista. O presidente é eleito por sufrágio direto e universal. Existem duas assembleias eleitas, o Sénat e a Assembleia Nacional. Desde 29 de setembro de 1959, vigora a Quinta República Francesa. O presidente Macron é muito bem aceito pelo mercado financeiro internacional pelo seu posicionamento liberal, mas, enquanto no plano internacional o presidente Emmanuel Macron continua a ter imagem muito positiva, da fronteira para dentro ela começa a se desgastar. Tal fato decorre das atuais políticas públicas francesas que vem corroendo o estado de bem-estar social. Outro grande problema é a migração, em especial de muçulmanos, que vêm sendo alvos de uma crescente islamofobia. O crescimento da extrema direita na França pode ser um fator importante para a desestabilização do governo.
Alemanha
Condena o programa militar norte-coreano, mas critica duramente um posicionamento mais agressivo por parte dos EUA. Defende o aumento das sanções contra o regime coreano como estratégia fundamental. A Alemanha é uma democracia constitucional federal, cujo sistema político foi criado com a constituição de 1949, chamada Grundgesetz (Lei Básica). Tem um sistema parlamentar em que o chefe de governo, o Bundeskanzler (Chanceler), é eleito pelo parlamento. O parlamento, chamado Bundestag, é eleito de quatro em quatro anos por voto popular, usando um complexo sistema que combina o voto direto com a representação proporcional. Os 16 Bundesländer (Estados) estão representados federalmente no Bundesrat (Conselho Federal), que tem palavra no processo legislativo. Nos últimos tempos, tem havido algumas controvérsias sobre o fato de que o Bundestag e o Bundesrat bloquearam decisões um do outro, o que dificulta a ação efetiva do governo. A função do chefe de Estado é do Bundespräsident (Presidente Federal), cujos poderes estão limitados apenas a funções cerimoniais e de representação do Estado. O presidente da Alemanha é eleito pela Bundesversammlung. O braço judicial inclui o Tribunal Constitucional, chamado Bundesverfassungsgericht, que pode bloquear qualquer ato de legislação ou
14 administração se estes forem considerados inconstitucionais.No Parlamento da União Europeia, a Alemanha tem a representação mais numerosa em virtude de ser o país mais populoso da União. Além disso, o alemão Günter Verheugen é, atualmente, um dos vice-presidentes da Comissão Europeia. A presidência alemã do Conselho da União Europeia ocorreu no primeiro semestre de 2007, dentro do sistema de administração rotativa da UE. Como Angela Merkel é a atual primeira-ministra da Alemanha, o ministro das relações exteriores alemão, Frank-Walter Steinmeier, foi o presidente da Alemanha. Recentemente, as eleições na Alemanha enfraqueceram o governo. A ascensão de partidos de extrema direita pode gerar grandes problemas de governabilidade. Assim como na França, a Alemanha também passa por um aumento da islamofobia.
Reino Unido
Condena os testes nucleares norte-coreanos e apoia o governo dos Estados Unidos em sua tentativa de se impor a Kim Jong-un. Em caso de ofensiva militar, tradicionalmente o Reino Unido se posiciona junto com o governo estadunidense.Formalmente, o Reino Unido é uma monarquia constitucional, com o poder legislativo investido em um governo (government) eleito e o poder executivo investido em um conselho de ministros (cabinet), liderado pelo primeiro-ministro, cujo poder, embora levado a cabo em nome do monarca, presta contas ao Parlamento e, através deste, ao eleitorado. É governado a partir da sua capital, Londres. O atual monarca e chefe de Estado do Reino Unido é a rainha Elizabeth II, que subiu ao trono em 1952 e foi coroada em 1953. O Reino Unido é um estado muito centralizado, com o Parlamento de Westminster, em Londres, responsável pela maioria do poder político do país. Mas, em 1999, foram criados o Parlamento da Escócia e uma Assembleia do País de Gales. A Irlanda do Norte também obteve direito ao auto-governo, através da Assembleia da Irlanda do Norte, como parte do Acordo da Sexta-Feira Santa. O Monarca designa o Primeiro-Ministro como chefe do Governo de Sua Majestade no Reino Unido, com o consenso de que este deveria ser igualmente membro da Câmara dos Comuns para, mais facilmente, formar um governo apoiado pela maioria dos parlamentares. Na prática, isto significa que, geralmente, o líder do partido de maioria na Câmara dos Comuns é apontado para o cargo de Primeiro-Ministro. Caso nenhum do partido obtenha a maioria absoluta, o líder do maior partido é convidado a formar uma coligação. O Primeiro-Ministro, então, seleciona outros ministros que constituirão o Governo e atuarão como chefes dos Departamentos de Governo. De acordo com a convenção constitucional, todos os ministros de Governo são membros do Parlamento ou constituem a Câmara dos Lordes. Assim como em grande parte dos sistemas parlamentaristas (especialmente aqueles baseados no Sistema Westminster), o Executivo deriva do Parlamento e presta-lhe contas. Na prática, membros do Parlamento são controlados pelo chamado whip, isto é, um oficial parlamentar cuja função é zelar pela lealdade dos demais parlamentares às ideologias partidárias. O
15 Primeiro-Ministro é o principal ministro no Gabinete, responsável por presidir e coordenar os encontros ministeriais, selecionando os componentes dos ministérios e todos os demais cargos do Executivo. Ao Primeiro-Ministro cabe, também, desenvolver/reportar ao Monarca a sua política de governo. Portanto, o Primeiro-Ministro é, de fato, o líder do Governo britânico. O Brexit (saída do Reino Unido da U.E.) é um tema bem relevante para os britânicos, o que levou à saída do Primeiro-Ministro anterior. A atual Primeira-Ministra, Thereza May, vem perdendo popularidade e vê a oposição trabalhista crescer.
4. TEXTOS DE APOIO
O que uma guerra na Coreia do Norte pode causar na economia
Apesar de o foco (e o medo) global estar no embate verbal entre os dois líderes imprevisíveis, um conflito real provavelmente ficaria restrito entre a Coreia do Norte e a Coreia do Sul. A primeira é uma das menores e mais fechadas economias do planeta e a segunda, é o oposto disso. Em relatório recente assinado por Gareth Leather, economista sênior para a Ásia, a consultoria britânica Capital Economics reflete sobre o que aconteceria com a economia em caso de conflito. A Coreia do Norte não precisaria nem recorrer ao seu arsenal nuclear para afetar sua vizinha, já que seu exército de 700 mil homens seria capaz de fazer um bom estrago sozinho.O alvo privilegiado seria Seul, a capital sul-coreana, que está a apenas 56 quilômetros da fronteira e reúne um quinto da população e da economia do país. A Coreia do Sul é a nona maior economia do mundo e responde por cerca de 2% do PIB global. Ou seja: se seu PIB cair pela metade, o do mundo cai 1% – e este não é um número exagerado. Na Síria, por exemplo, a guerra, que já dura cinco anos, derrubou o PIB em 60%. O mais devastador conflito em termos econômicos desde a Segunda Guerra Mundial foi, justamente, a Guerra da Coreia (1950-1953), que matou 1,2 milhão de pessoas e derrubou o PIB do país em 80%. Desta vez, as repercussões globais seriam maiores porque, desde então, a Coreia do Sul se integrou fortemente com cadeias de valor e de fornecimento globais. Uma comparação possível é com as inundações da Tailândia, em 2011, que causaram uma escassez de meses em fábricas automotivas e eletrônicas de vários países. A Coreia do Sul exporta três vezes mais bens intermediários do que a Tailândia e sedia as três maiores fabricantes de navios do mundo, além de empresas como Samsung e LG. O país também é o maior produtor mundial de telas de cristal líquido, com 40% do mercado, e o segundo maior produtor de semicondutores, com participação de 17%. A previsão da Capital Economics é que as empresas que usam estes produtos, como a Apple, não teriam como substituir fornecedores rapidamente, o que causaria aumento generalizado nos preços de eletrônicos. A incerteza geral também derrubaria os mercados financeiros, o que poderia levar à intervenção de bancos centrais e estimularia a busca por ativos seguros, como o
16 ouro. O Franco Suíço, procurado em tempos de turbulência, teve a sua maior alta em um ano em relação ao euro justamente após a confirmação do último teste e dos comentários explosivos de Trump. Com o tempo, outros países absorveriam a produção perdida na Coreia, com Taiwan e China como “óbvios candidatos”, até que começasse o processo de reconstrução. Uma fábrica de semicondutores demora de dois a quatro anos para ser construída e precisaria ser precedida por toda a infraestrutura comum (água, luz, estradas etc.), potencialmente destruída em um conflito. A previsão oficial do Pentágono é que uma guerra na península coreana seria curta e não tão destrutiva, mas eles já erraram antes. Um exemplo é a guerra do Iraque, que deveria ter custado US$ 60 bilhões e acabou saindo por US$ 1 trilhão. Se a reconstrução sul-coreana precisar ser feita com dinheiro americano, a dívida do país (que já é alta) poderia subir até 30%. Se, por acaso, a guerra culminar na queda do regime de Kim Jong-un e em uma união entre as duas Coreias, há custos e oportunidades, diz o relatório da Capital. A estimativa oficial da Coreia do Sul é que reconstruir a economia da vizinha e evitar uma migração em massa custaria US$ 1 trilhão – duas ou três vezes mais do que custou a reunificação alemã, segundo estimativas. Mas uma Coreia do Sul pacificada também poderia gastar menos em defesa e ter acesso às matérias-primas presentes no Norte, além de contar com uma população de jovens para balancear sua força de trabalho que envelhece rapidamente.
Fonte: EXAME 14/08/2017
O conflito com a Ucrânia, os EUA/OTAN e a anexação da Crimeia
Deste o colapso da União Soviética e o fim da Guerra Fria, a Ucrânia, pelo seu significado histórico e posição peculiar na antiga e nova configuração geopolítica, tornou-se alvo prioritário ou território pivô nesse novo ambiente de fricções entre a OTAN expandida em direção ao leste e a movimentação da Rússia nos últimos anos para restaurar seu poder na região. A singularidade histórica da Ucrânia para os russos é indiscutível, já que estes consideram seu território como parte do hard
core do nascimento e da evolução da Rússia moderna desde o século XIII. Além
disso, é conhecida a importância do país pela sua destacada produção agrícola e o desenvolvimento industrial, sobretudo, na sua porção oriental (as áreas fronteiriças com a Rússia), ao lado da sua posição estratégica para o escoamento do gás da Sibéria em direção à Europa Ocidental pela rede de pipelines que atravessam o país. Essa sua posição de área pivô também se expressou no imediato pós-Guerra Fria, por ocasião da implementação dos acordos com os EUA visando à
17 nuclear no âmbito do antigo Pacto de Varsóvia. Esse jogo de influências EUA/Rússia também teve impactos diretos na política interna do país, pressionando seu governo especialmente nas questões internacionais e polarizando-o fortemente na ação dos partidos e do parlamento e nas preferências eleitorais da população. O presidente Viktor Yanukovich, eleito em 2010, era claramente aliado de Moscou e, por isso, enfrentava forte oposição interna e hostilidades externas da parte dos governos ocidentais. O auge da crise política foi em novembro de 2013, quando o presidente se recusou a assinar um acordo com a União Europeia, envolvendo pacote de ajuda financeira em torno de US$ 15 bilhões, e preferiu firmar acordo semelhante com a Rússia, que incluiu substancial redução no preço do gás importado. Essa decisão deflagrou forte oposição no parlamento e uma onda de protestos da população, que culminaram em violentas manifestações tomando as ruas e praças de Kiev. Após semanas de confrontos, em que o governo mobilizou tropas e forças paramilitares para reprimir a multidão, finalmente, o presidente acabou sendo destituído pelo parlamento em 23 de fevereiro de 2014. Como consequência do que qualifica de Golpe de Estado, Moscou estimulou seus aliados ucranianos, especialmente os do sul e do leste do país onde vivem por volta de sete milhões de russófonos, para deflagrar forte movimento de contestação ao novo governo. Ainda em fevereiro, o governo russo fez aprovar no Parlamento lei específica que o autorizou a adotar medidas destinadas a dar proteção aos “cidadãos russos” da Ucrânia, incluindo eventual intervenção militar. O conflito se agravou com a mobilização de milhares de manifestantes combatentes organizados em brigadas paramilitares fortemente armadas e apoiadas pela Rússia. Nessa escalada dos conflitos, o primeiro episódio de destaque é a derrubada do prefeito de Sebastopol, na Crimeia, e, em seguida, a tomada da capital da província, Simferopol, cuja população é majoritariamente pró-Rússia. O rumo dos acontecimentos indicava que estava em curso um forte movimento separatista visando, na prática, a proclamação da independência da Crimeia, para posteriormente integrá-la à Rússia. Em 27 de fevereiro, grupos paramilitares ocuparam a presidência e o parlamento da província, hasteando em ambos os edifícios a bandeira russa; escolheram seu novo “primeiro ministro” e decidiram pela convocação de um referendo “nacional” sobre o futuro político da região tornada independente. Do ponto de vista do Ocidente, tratava-se pura e simplesmente de um processo de anexação de parte do território ucraniano pela potência vizinha, um flagrante atentado à integridade territorial e à soberania ucraniana e grave violação do direito internacional. O novo governo ucraniano e seus aliados europeus apelaram ao Conselho de Segurança da ONU para denunciar a ofensiva russa e de seus grupos rebeldes aliados. Ao mesmo tempo, a Rússia promoveu forte mobilização das suas tropas terrestres ao longo das fronteiras com o país e há inúmeras denúncias da parte ucraniana acusando as forças armadas rivais de promoverem, além do fornecimento de armamentos, a sistemática incursão de grupos militares ao seu território. Como previsto, em 10 de março, o novo
18 parlamento da Crimeia aprovou a declaração de independência da província e a sua integração à Federação Russa. No dia 16 desse mês, foi realizado um referendo junto à população da província, no qual 96,8% dos votos foram favoráveis à independência e à adesão à Rússia. Ainda nesse mês, o parlamento russo formalizou, mediante lei específica, a integração formal da Crimeia. Novamente no terreno do simbólico, o marketing político do governo de Vladimir Putin soube explorar ao máximo o fato de que, há exatos 250 anos, o Império Russo, sob o comando de Catarina, a Grande, havia conquistado a Crimeia na sua expansão em direção ao Oeste. Ademais, a reconquista representa um troféu para a velha/nova geopolítica russa, pois lhe assegura, agora, o controle absoluto da sua estratégica base naval de Sebastopol, que lhe franquia passagem para as “águas quentes” do Mar Negro e, através de Dardanelos e do Estreito de Bósforo, para o Mediterrâneo.
Figura 4 – As Províncias Russófonas da Ucrânia
Agrandir Original (png, 130k)
19 Da sua parte, os EUA e a União Europeia decidiram adotar uma série de retaliações sob a forma de sanções econômicas e políticas à Rússia, tais como a sua expulsão do G8, a proibição da entrada em seus países para diversos dirigentes russos e a retenção de ativos financeiros depositados nas suas redes bancárias. Na sequência desses conflitos e, certamente, encorajados pelos seus companheiros da Crimeia, outros grupos pró-Rússia deflagraram fortes movimentos separatistas nas províncias orientais da Ucrânia, notadamente em Donetsk e Lugansk, nas quais os rebelados também já as declararam “independentes” em referendos realizados em maio e, em seguida, proclamaram as respectivas “repúblicas”. Segundo o governo ucraniano e o comando da OTAN, esses combatentes receberiam não apenas armamento de todo tipo e apoio logístico, como também apoio ostensivo da Rússia com tropas e equipamentos pesados posicionados nas fronteiras, isto é, um quadro próximo a uma intervenção militar estrangeira de fato. O agravamento do conflito nessas províncias orientais, envolvendo intensos combates entre tropas ucranianas e milícias separatistas, e o aumento da movimentação das tropas russas na fronteira passou a envolver, de fato, o risco de conflito militar de grandes proporções, visto que os EUA e a OTAN também decidiram movimentar-se militarmente, deslocando tropas e a aviação de caça para a fronteira ocidental da Ucrânia e reforçando seus dispositivos em países vizinhos, como a Turquia, a Romênia, a Polônia e as Repúblicas Bálticas.
O episódio mais destacado desses conflitos entre combatentes separatistas das províncias orientais e tropas ucranianas foi a trágica derrubada do avião da Malaysian Airlines, com 298 passageiros, próximo à fronteira entre os dois países. Segundo a maioria dos observadores ocidentais, essa aeronave teria sido alvo do disparo por combatentes separatistas de sofisticado míssil terra-ar de fabricação russa. Esse evento provocou grande comoção e repúdio da opinião pública internacional pela perda de vidas de civis inocentes. Com isso, os EUA e a União Europeia recrudesceram a ofensiva, visando ao agravamento das retaliações à Rússia, sob a forma de sanções adicionais, e a adoção de medidas efetivas visando ao apoio político e financeiro ao novo governo pró-Ocidente da Ucrânia. A intensa movimentação diplomática em torno de uma saída pacífica para o conflito contribuiu para que o governo aceitasse sentar-se à mesa de negociações com os EUA/União Europeia e a Ucrânia, que resultou na assinatura de Acordo de Cessar-Fogo em 05 de setembro de 2014.
Pelo rumo das negociações em curso, tudo indica que, neste momento, encontram-se congeladas as posições da Ucrânia com relação à sua integridade territorial formal após a perda da Crimeia, ainda que seu governo tenha pela frente o duríssimo desafio de assegurar o máximo de coesão territorial-nacional face à inescapável providência de ceder parcelas consideráveis de poder para suas províncias separatistas que clamam por independência e que demonstraram cabalmente sua disposição de empregar a luta armada para atingir seus objetivos.
20 Por outro lado, Moscou e seus aliados dessas províncias orientais sabem que as condições da conjuntura atual não lhes são hoje tão favoráveis como em meados de 2014, no auge do movimento, quando detinham a vantagem da iniciativa e, de fato, infligiram seguidas derrotas políticas e militares às forças nacionais ucranianas. A reorganização da sua política interna (incluindo a nova eleição presidencial), a intensificação da ofensiva militar no combate às milícias rebeldes e o decisivo apoio dos aliados ocidentais permitiu-lhe recuperar parcela importante da capacidade de atuação e de protagonismo nas iniciativas e negociações, visando à superação da crise.
Tudo indica que, à medida que ganha força a mobilização diplomática e a pressão da comunidade internacional por uma solução negociada para o conflito, a tendência é que os combates sejam drasticamente reduzidos. Essa tendência atual de arrefecimento do conflito é ilustrada pelos acordos de cessar-fogo e as negociações de paz (com o aval de Moscou) entre o governo ucraniano e os rebeldes separatistas, no início de setembro de 2014, que prevê, dentre outros pontos, anistia aos combatentes e troca de prisioneiros. Outras iniciativas concretas importantes na direção de um acordo duradouro foram a aprovação, nesse mesmo mês, pelo parlamento ucraniano, de projeto de lei do Executivo, e da Emenda à Constituição do país, em agosto de 2015, que estabelecem regime especial de autonomia jurídico-política para as províncias orientais de “maiorias russas”.
Finalmente, e malgrado não dispormos ainda de avaliações e estudos circunstanciados a respeito, pode-se preliminarmente concluir que, da perspectiva dos EUA e de seus aliados europeus, foi obtida vitória política (e geopolítica) significativa para a sua estratégia de largo espectro. Afinal, mantiveram a Ucrânia na órbita ocidental e, ao mesmo tempo, com o pacote de sanções em vigor, promovem o isolamento diplomático de Moscou em fóruns internacionais relevantes, quadro desfavorável que é agravado pela grave crise econômica do país decorrente da acentuada queda das cotações dos preços do petróleo e do gás.
Da parte da Rússia, em contrapartida, o congelamento do atual quadro lhe é francamente favorável do ponto de vista da sua particular estratégia inspirada na ancestral geopolítica do poder terrestre. Afinal, e ainda que seja compelida a renunciar por ora às províncias orientais da Ucrânia, pode comemorar a conquista (ou a reconquista) da estratégica Crimeia e, de sobra, dá a clara demonstração ao Ocidente (como em 2008, na Geórgia) de que não está disposta a baixar a guarda na defesa dos seus interesses nas áreas de influência, que considera seu tradicional Entorno Regional Estratégico.
21
4.1 Mapas