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PITAVASTATINA: ALARGAR HORIZONTES

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CONGRESSO PORTUGUÊS

DE CARDIOLOGIA

LISBOA, 9 DE ABRIL 2011

PITAVASTATINA:

ALARGAR

HORIZONTES

(2)

NO ÂMBITO DA MAIS RECENTE EDIÇÃO DO CONGRESSO PORTUGUÊS DE

CARDIOLOGIA, QUE DECORREU EM LISBOA, ENTRE OS PASSADOS DIAS

9 E 12 DE ABRIL, A JABA RECORDATI PROMOVEU UM SIMPÓSIO, NO QUAL

ESTIVERAM EM DEBATE AS PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DE PITAVASTATINA

(LIVAZO

®

), BEM COMO O SEU POTENCIAL LUGAR NO TRATAMENTO DE

DOENTES COM DISLIPIDEMIA. MODERADO PELO DR. JOÃO MORAIS,

CARDIOLOGISTA DO HOSPITAL DE SANTO ANDRÉ, EM LEIRIA, O SIMPÓSIO

CONTOU COM A PARTICIPAÇÃO DO DR. ANÍBAL ALBUQUERQUE, CHEFE

DE SERVIÇO DE CARDIOLOGIA DO CENTRO HOSPITALAR DE VILA NOVA DE

GAIA/ESPINHO, E DO PROF. DOUTOR CLÁUDIO RAPPEZI, DO INSTITUTO DE

CARDIOLOGIA DA UNIVERSIDADE DE BOLONHA, ITÁLIA, QUE ABORDARAM

ASPECTOS RELACIONADOS COM A EFICÁCIA E SEGURANÇA DESTA ESTATINA

DE NOVA GERAÇÃO NO CONTROLO DO COLESTEROL LDL E HDL.

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ESTATINAS: «RECOMENDAÇÕES

SEGURAS, COM BASE EM FORTES

EVIDÊNCIAS»

«Basicamente, aquilo que nós hoje sabemos é que as estatinas e o colesterol são uma das áreas da Medicina mais estudadas no âmbito da saúde cardiovascular», afi rmou o Dr. João Mo-rais, cardiologista do Hospital de Santo André, em Leiria, na abertura deste simpósio.

Segundo o moderador da sessão, esta é uma área em que existe uma grande concen-tração de estudos, com resultados muito con-sistentes, dos quais resultam «recomendações muito sólidas e seguras».

«Se olharmos para os vários cenários da doença vascular em geral, encontramos sem-pre estudos que demonstram a efi cácia das estatinas, seja na doença cerebrovascular, na doença coronária aguda, na doença coronária crónica ou na diabetes», explicou o Dr. João Morais. Por outro lado, mesmo em estudos com desenhos diferentes, testando fármacos diferentes, «os resultados apontam todos para a efi cácia das estatinas na protecção contra os eventos cardiovasculares».

Relativamente à realidade actual no que res-peita ao tratamento das dislipidemias, o Dr. João Morais lembrou que, no contexto da redução do colesterol LDL, está, neste momento a ser dis-cutido o papel do ezetimibe e, para tal, os resul-tados do estudo IMPROVE-IT, ainda em curso, poderão trazer algumas respostas.

Quanto ao controlo do colesterol HDL – cada vez mais considerado como um factor de risco cardiovascular em indivíduos com valores infe-riores a 40 mg/dL –, «estamos a recuperar o áci-do nicotínico, com o sucesso que naturalmente

temos de reconhecer, e estão a ser estudados de forma mais aprofundada os inibidores da CETP», descreveu o cardiologista do Hospital de Santo André. No campo dos triglicerídeos, «continua a haver um total desconhecimento».

O especialista acredita que, no futuro, há ainda lugar para o aparecimento de novas es-tatinas, que permitam corrigir as lacunas tera-pêuticas das actualmente disponíveis, nomea-damente a má adesão à terapêutica e o risco residual de eventos cardiovasculares.

STATUS QUO: DISLIPIDEMIA

E ESTATINAS

Numa apresentação, em que fez uma bre-ve revisão do estado da arte no que respeita à terapêutica farmacológica, nomeadamente com estatinas, para o tratamento da dislipidemia, o Dr. Aníbal Albuquerque, cardiologista do Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia, começou por referir que, apesar da efi cácia sobejamente de-monstrada destes fármacos, continua a haver necessidades não atendidas que representam grandes desafi os para a prática clínica.

Focando-se exclusivamente no colesterol de baixa densidade (LDL) – considerado um dos principais factores de risco cardiovascu-lar –, o Dr. Aníbal Albuquerque afi rmou que as estatinas representam um grande avanço na história terapêutica deste tipo de dislipidemia. Até ao seu aparecimento, na década de 80, a única intervenção recomendada para a redu-ção do colesterol LDL era a alteraredu-ção do estilo de vida. O problema é que, na maior parte dos casos, a dieta e o exercício físico eram insufi -cientes para reduzir o colesterol para os valo-res desejáveis.

PITAVASTATINA:

ALARGAR

HORIZONTES

DR. JOÃO MORAIS

«SE OLHARMOS PARA OS

VÁRIOS CENÁRIOS DA

DOENÇA VASCULAR EM

GERAL, ENCONTRAMOS

SEMPRE ESTUDOS QUE

DEMONSTRAM A EFICÁCIA

DAS ESTATINAS, SEJA NA

DOENÇA CEREBROVASCULAR,

NA DOENÇA CORONÁRIA

AGUDA, NA DOENÇA

CORONÁRIA CRÓNICA OU NA

DIABETES», EXPLICOU O DR.

JOÃO MORAIS.

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até para doentes com valores de colesterol que hoje em dia são aceites como normais», subli-nhou.

Neste momento, parece haver um consenso em torno das indicações terapêuticas das es-tatinas que sugere a utilização destes fármacos em indivíduos com doença cardiovascular esta-belecida ou com elevado risco de a desenvolve-rem (risco superior a 2% ao ano, por exemplo) e em doentes com diabetes e mais de 40 anos de idade.

RISCO RESIDUAL

A efi cácia das estatinas é, contudo, limitada por um conjunto de factores, entre os quais as elevadas taxas de descontinuação do tratamen-to. O abandono da terapêutica está, segundo o Dr. Aníbal Albuquerque, associado a um agrava-mento do prognóstico, em comparação com os doentes que cumprem e mantêm o tratamento.

Por outro lado, e apesar do elevado nível de protecção cardiovascular conseguido com as estatinas, fi ca sempre um risco residual de eventos. «Este risco pode estar, em grande par-te, relacionado com o não alcance dos alvos te-rapêuticos recomendados e pelo facto de esses alvos não serem os mais adequados para deter-minados doentes», justifi cou o orador. A taxa de doentes medicados com estatinas que conse-gue estar dentro dos valores preconizados varia entre os 47 e os 87%, dependendo da região do mundo onde residem e, portanto, «há uma gran-de proporção gran-de doentes que, mesmo fazendo terapêutica com estatinas, mantém os valores de LDL muito elevados», continuou.

Por outro lado, há também uma elevada taxa de subtratamento que, na perspectiva do Dr. Aníbal Albuquerque, pode dever-se a vários factores, como o subdiagnóstico, a utilização de subdosagens, as falhas de monitorização e de titulação das doses, as interacções farmaco-lógicas, a má adesão e a ocorrência de efeitos adversos.

Perante este cenário, o Dr. Aníbal Albuquer-que acredita Albuquer-que ainda há espaço para optimizar a terapêutica com estatinas, bem como para o aparecimento de novos agentes farmacológicos.

Idealmente, «o que nós desejamos é, em primeiro lugar, uma estatina efi caz no controlo e tratamento do perfi l lipídico, com efeito anti-in-fl amatório e antitrombótico, que tenha um perfi l de segurança adequado, de forma a minimizar a taxa de efeitos adversos e a melhorar a ade-são dos doentes ao tratamento e, por fi m, que Tal como o Dr. João Morais, também o Dr.

Aníbal Albuquerque salientou o facto de, neste momento, as estatinas serem um dos fármacos melhor estudados e com maior volume de evi-dência publicada. «Seja em prevenção primária ou secundária, as estatinas vieram permitir uma melhoria muito signifi cativa do prognóstico dos doentes com elevado risco ou já portadores de doença cardiovascular», frisou o Dr. Aníbal Al-buquerque.

Com base numa metanálise recentemente publicada, envolvendo 90.956 participantes, de 14 ensaios clínicos aleatorizados, que demons-trou que a redução de 1 mmol/L do colesterol LDL está associada a uma diminuição de cerca de 20% da mortalidade por doença coronária e a 12% da mortalidade por todas as causas, o orador salientou que, «de facto, é inegável o be-nefício desta intervenção farmacológica».

Em regimes de terapêutica intensiva, com recurso a doses mais elevadas de estatinas, as vantagens são ainda mais evidentes. De acordo com os resultados de uma metanálise que ava-liou os efeitos do controlo intensivo do colesterol LDL em 170.000 participantes, incluídos em 26 estudos, o controlo rigoroso do LDL trouxe be-nefícios adicionais, sobretudo nos doentes com risco cardiovascular mais elevado.

«Essa vantagem não tem um limiar inferior, isto é, não se conseguiu defi nir um valor mínimo do LDL para o qual a intervenção terapêutica seja igual ou inferior à decisão de não tratar», descreveu o especialista. Ainda assim, e de acordo com os dados provenientes do estudo PROVE-IT, realizado em doentes com síndrome coronária aguda, «há vantagens em baixar o co-lesterol LDL para valores inferiores a 40 mg/dl», continuou.

Não há, portanto uma curva J, pois, o bene-fício é contínuo mesmo para valores muito bai-xos, «o que nos faz repensar os valores-alvo que devemos tentar atingir nos nossos doentes», ar-gumentou o Dr. Aníbal Albuquerque.

Todavia, as estatinas não são conhecidas ex-clusivamente pelos seus efeitos hipolipemiantes. Há um vasto conjunto de efeitos pleiotrópicos associados a estes fármacos que potenciam a sua capacidade protectora, mesmo em factores de risco extra-lipídicos. Assim, as estatinas têm um papel antitrombótico, têm efeitos anti-infl a-matórios e melhoram a função endotelial. Por tudo isto, «nos doentes de alto risco, é quase “dispensável” a medição do LDL, pois, a tera-pêutica com uma estatina pode ser justifi cável DR. ANÍBAL ALBUQUERQUE

«SEJA EM PREVENÇÃO

PRIMÁRIA OU SECUNDÁRIA,

AS ESTATINAS VIERAM

PERMITIR UMA MELHORIA

MUITO SIGNIFICATIVA DO

PROGNÓSTICO DOS DOENTES

COM ELEVADO RISCO OU JÁ

PORTADORES DE DOENÇA

CARDIOVASCULAR», FRISOU O

DR. ANÍBAL ALBUQUERQUE.

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possa ser utilizado num número abrangente de doentes», descreveu o orador.

Com características farmacocinéticas par-ticulares e uma metabolização diferente das estatinas mais utilizadas na prática clínica, «a pitavastatina pode corresponder ao perfil que desejamos ver numa estatina», acrescentou o Dr. Aníbal Albuquerque, adiantando que, sobre-tudo nas questões de segurança, esta estatina de nova geração pode trazer vantagens no que respeita à redução de efeitos adversos e, por conseguinte, na melhoria da adesão ao trata-mento.

Relativamente à eficácia, os estudos têm de-monstrado que a pitavastatina é muito compa-rável às estatinas de última geração mais utiliza-das na prática clínica e, por isso, pode ser uma alternativa válida para o doente cardiovascular.

PITAVASTATINA:

QUE CONTRIBUTO PODE DAR

UMA NOVA ESTATINA

A NECESSIDADES NÃO

ATENDIDAS?

«A era das estatinas é uma das mais impor-tantes revoluções não só do ponto de vista da Medicina e da Ciência, mas também ao nível cultural», afirmou o Prof. Doutor Cláudio Rappe-zi, do Instituto de Cardiologia da Universidade de Bolonha, Itália, no início da sua intervenção.

Num breve enquadramento histórico do aparecimento destes fármacos, o especialista recordou que essa era está «para durar» e que durante muitas décadas as estatinas manter-se-ão como a terapêutica padrmanter-se-ão para as dilipide-mias, nomeadamente as que se prendem com a elevação do níveis de colesterol LDL.

Apontando Fredrickson como o grande «descobridor» da dislipidemias enquanto factor de risco para a doença cardiovascular, o Prof. Doutor Cláudio Rappezi sublinhou que, hoje em dia, a dislipidemia é considerada uma doença, com uma caracterização própria e tratamento específico.

«Actualmente, a dislipidemia já não é uma doença complexa, gerida exclusivamente por lipidologistas, porque na realidade o apareci-mento das estatinas veio simplificar o problema e qualquer médico a pode tratar», sublinhou o especialista.

Lançadas comercialmente em 1985, as es-tatinas causaram uma revolução na prevenção e no tratamento do colesterol alto, um dos piores inimigos do coração. Até então, a única arma

efi-caz contra esse problema era a combinação de dieta balanceada com exercícios físicos – uma receita que não funcionava para todos os doen-tes, já que a quantidade de colesterol no orga-nismo tem uma forte componente genética.

Segundo o Prof. Doutor Claudio Rappezi, as estatinas actuam «em várias frentes». Por um lado, inibem a acção de uma enzima essencial à produção de colesterol, que potencia também a libertação de colesterol pelo fígado, o que vai permitir uma redução dos níveis de LDL no san-gue. Por outro lado, actua como anti-inflamató-rio, antitrombótico e anti-aterosclerótico. «Vários estudos demonstraram, inclusivamente, que a terapêutica intensiva com estatinas está asso-ciada a uma regressão da placa ateroscleróti-ca», esclareceu.

O efeito anti-inflamatório das estatinas foi demonstrado na década de 90, quando um gru-po de investigadores percebeu que os níveis de proteína C-reactiva eram menores em doentes com hipercolesterolemia tratados com estati-nas, em comparação com os que não recebiam qualquer tipo de tratamento.

EFICÁCIA EM PREVENÇÃO

PRIMÁRIA E SECUNDÁRIA

«A elevação do colesterol LDL está inti-mamente relacionada com o risco de eventos cardiovasculares. Assim, ao reduzirmos o co-lesterol, estamos também a minimizar esse ris-co, sendo que, se forem alcançados valores de LDL inferiores a 40 mg/dL, é possivel induzir a regressão da aterosclerose coronária», lembrou o Prof. Doutor Claudio Rappezi.

Mas se até há pouco tempo a terapêutica com estatinas era utilizada exclusivamente para a prevenção secundária de eventos recorrentes, em populações com um risco muito elevado, hoje em dia, a sua utilização estende-se a um grupo de doentes muito mais abrangente, pois a investigação clínica tem-se encarregado de de-monstrar que, também em prevenção primária, as estatinas trazem vantagens muito significati-vas.

Essa eficácia em prevenção primária foi re-forçada após a publicação do estudo JUPITER quando, em doentes com colesterol conside-rado normal, mas com outros factores de risco cardiovascular, uma estatina permitiu reduzir «de forma fantástica» (44%) o risco de um evento primário, em comparação com placebo. Estes resultados levantaram algumas dúvidas face ao facto de o benefício dever-se exclusivamente à

«A ERA DAS ESTATINAS É UMA

DAS MAIS IMPORTANTES

REVOLUÇÕES NÃO SÓ DO

PONTO DE VISTA DA MEDICINA

E DA CIÊNCIA, MAS TAMBÉM

AO NÍVEL CULTURAL»,

AFIRMOU O PROF. DOUTOR

CLÁUDIO RAPPEZI.

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redução do LDL só por si, ou eventualmente ao efeito anti-infl amatório das estatinas. «Provavel-mente, deve-se a ambos», frisou o orador.

Mas a verdade é que, em 20 anos, as esta-tinas foram, a pouco e pouco, ganhando novas indicações. Começaram por destinar-se à pre-venção secundária da doença arterial coronária, em indivíduos de meia idade, com colesterol aumentado, no entanto, e como já foi referido, a sua utilização estendeu-se à prevenção pri-mária, à prevenção da doença de Alzheimer, à hipoacúsia sensitiva, à estenose da aorta, à in-sufi ciência cardíaca, à fase de pré-cirurgia não cardíaca, à profi laxia da fi brilhação auricular, ao tratamento após AVC, à síndrome coronária aguda, aos doentes de alto risco, independen-temente dos níveis de colesterol, aos idosos, de uma forma generalizada.

«Obviamente que nem todas estas indica-ções foram bem sucedidas e, actualmente, caiu a indicação para a insufi ciência cardíaca, para a doença de Alzheimer e para a prevenção da estenose da aorta», recordou o Prof. Doutor Claudio Rappezi. Contudo, outras indicações foram incluídas, tais como a esclerose da aorta e o tromboembolismo venoso.

MEDOS ANCESTRAIS

«Poderão os níveis de colesterol descer de-masiado a ponto de representar um perigo para os doentes?», questionou o Prof. Doutor Claudio Rappezi. Este é, de facto um dos vários receios associados à terapêutica com estatinas, toda-via, «não tem qualquer fundamento», frisou o especialista. Na verdade, continuou, basta pen-sar nos níveis baixíssimos do colesterol LDL dos primatas, dos mamíferos selvagens ou até das populações humanas que viveram nos nossos antepassados. «Nestes exemplos, os níveis de colesterol são cerca de um terço do que a média dos humanos tem hoje em dia», sublinhou.

Por outro lado, acrescentou, «na fase mais perigosa das nossas vidas, a fetal, os níveis mé-dios de colesterol são de 65 mg/dL», actualmen-te, nas populações rurais da China, o colesterol total é, em média, de 135 mg/dL, na população urbana é de 175 mg/dL e na Itália, por exemplo, é de 205 mg/dL. Perante tais argumentos, «não há qualquer receio do colesterol descer a ponto de causar um perigo».

No entanto, há outros mitos relacionados com as estatinas. O aumento do risco de cancro é um deles. Mas também aqui a resposta é não, «não há um risco acrescido de desenvolvimento

de doença oncológica associada à terapêutica com estatinas», garantiu o especialista. «Todas as metanálises recentes vieram confi rmar que esse mito teve origem num mal-entendido cria-do a determinada altura, sem qualquer funda-mento», adiantou.

O mesmo não se pode dizer em relação ao risco de rabdomiólise, que, de facto, está asso-ciado a algumas estatinas. Está ainda por es-clarecer se esse risco se prende com a rápida descida do LDL, ou se é um efeito adverso des-sas estatinas. Na opinião do orador, a segunda possibilidade parece ser a mais válida.

A alteração das enzimas hepáticas é tam-bém uma realidade relacionada com as estati-nas, que pode ser superada com «a prescrição de doses prudentes destes fármacos».

No que respeita às alterações do metabolis-mo dos glícidos, sabe-se também que «algumas estatinas podem aumentar as concentrações da glicose em jejum, aumentando, desta forma, o risco de desenvolvimento de diabetes, ainda que de forma pouco signifi cativa (cerca de 8% a cada três anos de tratamento com estatinas)», adiantou.

NOVAS ESTRATÉGIAS

TERAPÊUTICAS

Como por várias vezes foi referido ao lon-go deste simpósio, um dos grandes obstácu-los à efi cácia das estatinas é a má adesão ao tratamento e as elevadas taxas de abandono. A chamada regra dos 50% – segundo a qual, apenas metade dos doentes com indicação para tratamento com estatinas está realmente medicada e apenas 50% destes têm os valores do colesterol LDL dentro dos alvos terapêuticos desejados – ajuda a compreender o facto de ha-ver espaço para a optimização da terapêutica hipolipemiante.

Por outro lado, o risco residual que perma-nece, mesmo nos doentes tratados e controla-dos adequadamente com estatinas e que, de acordo com os vários estudos realizados com estes fármacos, pode variar entre os 37% (estu-do CARDS) e os 15% (estu(estu-do PROSPER), leva a que se acredite que há ainda um longo caminho a percorrer.

«É que, mesmo nos regimes intensivos, ape-sar do acréscimo de protecção cardiovascular, esse risco mantém-se devido, em grande parte, aos factores de risco não modifi cáveis, como a idade, o género e a história familiar», justifi cou o Prof. Doutor Claudio Rappezi.

DR. CLÁUDIO RAPPEZI

«NÃO HÁ UM RISCO

ACRESCIDO DE

DESENVOLVIMENTO DE

DOENÇA ONCOLÓGICA

ASSOCIADA À TERAPÊUTICA

COM ESTATINAS», GARANTIU

O ESPECIALISTA.

Produção JAS Farma

® para Jaba Recordati (Maio 201

1). www

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Outro grande problema do tratamento das dislipidemias são os triglicerídeos que funcio-nam, «infelizmente, como uma fonte de aumen-to do risco» e que tão difi ceis são de controlar. Relativamente à relação entre o colesterol LDL e o HDL e o risco cardiovascular, é do co-nhecimento geral que a redução de 1% do LDL resulta na diminuição de 1% do risco de doença coronária, mas que o aumento de 1% do HDL está associado a uma redução de 3% do risco de doença coronária. «A questão é, como po-demos manipular o colesterol HDL, sabendo, à partida, do seu enorme poder predictivo?», su-blinhou o orador.

Tendo em conta que o metabolismo do co-lesterol HDL é «muito mais complexo» do que o do LDL, o especialista lembrou que a inibição da proteina CETP é sempre uma alternativa tera-pêutica, no entanto, há estatinas que, para além de permitirem a redução do colesterol LDL, têm também capacidade para aumentar o HDL. «É o caso da pitavastatina», sublinhou o Prof. Doutor Claudio Rappezi.

Esta estatina de nova geração inibe a reduc-tase do HMG-CoA de forma mais potente que a simvastatina ou a pravastatina e é metabolizada principalmente via CYP2C9 e, portanto, é com-pletamente diferente das outras estatinas, pois, dada esta característica, apresenta um perfi l de segurança mais favorável.

A pitavastatina está neste momento a ser estudada num grande número de ensaios clí-nicos, dos quais se pode concluir, em primeiro lugar, «que não afecta o metabolismo glucídico e tem efeitos positivos sobre o colesterol HDL». Na mudança de uma outra estatina para a pi-tavastatina, verifi ca-se um aumento do coleste-rol HDL, que pode variar entre os 15 e os 19%, consoante o fármaco utilizado de início.

Por ser bastante potente, a pitavastatina ga-rante uma efi cácia comparável à das estatinas

mais utilizadas na prática clínica, mas em do-ses mais baixas, o que vai permitir uma taxa de eventos secundários mais reduzida.

No estudo LIVES (LIValo Effectiveness and

Safety Study), a pitavastatina revelou um perfi l de segurança favorável, com uma incidência de efeitos adversos (4,1%) signifi cativamente infe-rior à de rosuvastatina (11,1%) e atorvastatina (12,4%).

Ao contrário de outras estatinas, a pitavas-tatina não provoca alterações do metabolismo glucídico, ou seja, não produz um aumento dos níveis de glicemia em jejum.

Voltando aos efeitos de pitavastatina sobre o colesterol HDL, o especialista referiu que, no es-tudo LIVES, a pitavastatina esteve associada a um aumento signifi cativo do colesterol bom em doentes que tinham valores inferiores a 40 mg/ dL. Também aqui, nos doentes que passaram de outra estatina para a pitavastatina, verifi cou-se um aumento entre os 11 e os 21% com este novo agente, consoante o fármaco administrado anteriormente.

Na conclusão da sua intervenção, o Prof. Doutor Cláudio Rapezzi lembrou que há ainda muitas necessidades por satisfazer, no que toca à abordagem das dislipidemias. A redução efi -caz do LDL, o aumento do HDL, o tempo para o alcance dos alvos terapêuticos, a capacidade de redução do risco residual, a relação custo-efi cá-cia, a actividade anti-infl amatória, a minimização dos efeitos adversos, a redução dos trigliceríde-os, a redução da aterosclerose, o tratamento da síndrome metabólica, o aumento da adesão à terapêutica e a neutralização dos efeitos sobre a metabolização da glicose são, na opinião do especialista, alguns dos factores a considerar no momento da decisão terapêutica. Confi ante nas novas ferramentas farmacológicas, o Prof. Dou-tor Cláudio Rappezi afi rmou que as novas estati-nas podem ajudar a colmatar estas lacuestati-nas.

«QUANTO MAIS BAIXO E MAIS CEDO MELHOR»

Como referiu o Dr. Aníbal Albuquerque, não há um limite inferior de benefício para a redução do co-lesterol LDL, por isso, «quanto mais baixo, melhor», acrescentou o Prof. Doutor Claudio Rappezi. No entanto, o especialista italiano deixou uma segunda mensagem: «Quanto mais cedo melhor», ou seja, quanto mais precocemente, no continuum cardiovascular, for introduzida a terapêutica com estatinas para o alcance de valores mais baixos de colesterol, maiores serão as vantagens. Os diferentes ensaios realizados com estatinas nas mais diversas etapas do continuum cardio-vascular revelam que os benefícios da utilização destes fármacos podem ser muito mais rele-vantes se o tratamento for iniciado numa fase precoce, ou seja, quando surgem os primeiros factores de risco, como fi cou bem demonstrado no estudo JÚPITER.

A PITAVASTATINA NÃO

AFECTA O METABOLISMO

GLUCÍDICO E TEM EFEITOS

POSITIVOS SOBRE

O COLESTEROL HDL».

Produção JAS Farma

® para Jaba Recordati (Maio 201

1). www

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