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Naturell Indústria e Comércio Ltda.

Av. Dom Pedro I, número 957 Vila Conceição CEP: 09991 000 - Diadema – SP

Nome Científico: Aloe vera (L.) Burm.f.

Sinônimos Científicos: Aloe barbadensis Mill., Aloe barbadensis var. chinensis

Haw., Aloe perfoliata var. vera L.. Aloe chinensis (Haw.) Baker, Aloe vera var. chinensis (Haw.) A. Berger.

Nomes Populares: Aloé, aloe vera, Babosa, Babosa-grande, Babosa-medicinal,

Erva-de-azebre, Caraguatá, Caraguatá-de-jardim, erva-babosa, aloé-do-cabo.

Família Botânica: Asphodelaceae Parte Utilizada: Resina

Descrição:

Planta herbácea, suculenta, de até 1m de altura, de origem provavelmente africana. Tem folhas grossas, carnosas e suculentas, dispostas em rosetas e presas a um caule muito curto, que quando cortadas deixam escoar um suco viscoso, amarelado e muito amargo. Além de cultivada para fins medicinais e cosméticos, cresce de forma subespontânea em toda a região Nordeste. Prefere solo arenoso e não exige muita água. Multiplica-se bem por separação de brotos laterais. Ela também é conhecida como Aloe barbadenses, por crescer, espontânea e abundantemente, na ilha de Barbados.

O interior de suas folhas é constituído de um tecido parenquimático rico em polissacarídeos (mucilagem), que lhe confere uma consistência viscosa (baba), de onde surgiu o nome de babosa.

Constituintes Químicos Principais: atraquinonas, aloinas, mucilagens,

aloeferon, polissacarídeos – polimananas, acemanana, glicoproteínas, aloctina, caboxipeptidases, esteróis, saponinas, taninos, ácidos orgânicos, vitaminas e minerais, ácido salicílico, lignina e esteroides.

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Indicação e Usos:

Esta é uma das plantas de uso tradicional mais antigo que se conhece, inclusive pelos judeus que costumavam envolver os mortos em lençol embebido no sumo de aloé vera, para retardar a putrefação e extrato de mirra, para encobrir o cheiro da morte, como ocorreu com Jesus Cristo ao ser retirado da cruz. Na medicina popular ocidental seu uso mais comum é feito pelas mulheres para o trato dos cabelos. A análise fitoquímica de suas folhas revelou a presença de compostos de natureza atraquinonica, as aloinas, mucilagens constituídas de polissacarídeo de natureza complexa, o aloeferon, semelhante a arabinogalactana. O sumo mucilaginoso de suas folhas possui atividade fortemente cicatrizante que é devida ao polissacarídeo e uma boa ação antimicrobiana sobre bactérias e fungos, resultante do complexo fitoterápico formado pelo aloeferon e as antraquinonas. É indicada como cicatrizante nos casos: de queimaduras e ferimentos superficiais da pele, pela aplicação local do sumo fresco, diretamente ou cortando-se uma folhas, depois de bem limpa, de modo a deixar o gel exposto para servir como um delicado pincel; no caso de hemorroidas inflamadas, são usados pedaços, cortados de maneira apropriada, como supositórios. Estes pedaços podem ser facilmente preparados com auxílio de um aplicador vaginal ou de uma seringa descartável cortada; nas contusões, entorses e dores reumáticas: emprega-se a alcoolatura preparada pela mistura de álcool e água e passada através de um pano. Esta mistura pode ser aplicada na forma de compressas e massagens nas partes doloridas. Os compostos antraquinônicos são tóxicos quando ingeridos em dose alta. Assim, lambedores, xaropes e outros remédios preparados com esta planta, podem causar grave crise de nefrite aguda quando tomados em doses mais altas que as recomendadas, provocando, especialmente em crianças, intensa retenção de água no corpo, que pode ser fatal. Além do uso tradicional descrito, a mucilagem obtida das folhas cortadas e deixadas escoar por 1 a 2 dias, encontra duas aplicações: é aproveitada pela indústria de cosméticos ou é posta a secar ao sol ou ao fogo até a perda quase total da água, a fim de formar a resina (aloés) que é a forma mais usada pela indústria farmacêutica de fitoterápicos, e apresenta propriedade laxante.

O gel da aloe vera é utilizado topicamente para auxiliar na cicatrização de cortes e queimaduras, incluindo queimaduras solares, e é utilizado em vários produtos cosméticos como hidratantes. Tem sido descrito que ele apresenta propriedades

anti-inflamatórias, antitumorais, imunomoduladoras e antibacterianas.

Internamente, acredita-se que o gel da aloe vera tenha propriedades imunoestimuladoras e que possua moderado efeito analgésico, antioxidante e hipoglicemiante.

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Toxicidade: Os compostos antraquinônicos são tóxicos quando ingeridos em dose

alta.

Efeitos Colaterais: A babosa tem forte ação purgante, laxativa, e pode provocar a

menstruação em doses elevadas. Pode ainda provocar nefrite se consumida internamente.

Contraindicações: Contra indicada internamente para mulheres grávidas, durante

os períodos menstruais, e por aquelas que sofrem de inflamações uterinas ou ovarianas. Contra indicada também por quem sofre de hemorróidas e cálculos da bexiga.

Revisão de Interação:

O gel da aloe contém somente traços de glicosídeos de antraquinonas, e portanto, não se esperaria nenhuma das interações relatadas para o látex da aloe, ou medicamento fitoterápicos similares, que ocorrem, ou é previsto que ocorrem, como resultado de seus conteúdos antraquinônicos.

O gel da aloe pode apresentar propriedades hipoglicemiantes e pode, portanto, ser esperado que ele interaja com medicamentos convencionais que provoquem o mesmo efeito. Ele poderia aumentar a absorção de algumas vitaminas, mas a importância clínica desses dados ainda não é clara.

a) Aloe Vera + Alimentos

Nenhuma interação foi encontrada.

b) Aloe Vera + Hipoglicemiantes

O suco da aloe reduz os níveis séricos de glicose em pacientes diabéticos que fazem uso da glibenclamida.

Evidências clínicas: Em estudos clínicos controlados por placebo, uma colher de sopa de suco de babosa (80%) foi administrada 2 vezes ao dia durante 42 dias, e foi observada redução da glicemia sérica em pacientes com diabetes, quando tratados com glibenclamida, ou quando não tratados com medicamentos hipoglicemiantes orais. Entretanto, no estudo em pacientes tratados com glibenclamida, não houve, inesperadamente, nenhuma resposta ao tratamento com glibenclamida. Nesses estudos, o suco da aloe vera foi preparado com o gel, com adição de flavorizantes e conservantes. Evidências experimentais: existe uma extensa literatura sobre o possível efeito redutor da glicemia sérica de vários extratos de aloe em modelos de diabetes em animais, com alguns estudos demonstrado efeito e outros não. Mecanismo: Desconhecido.

Importância e conduta: Parece possível que algumas preparações orais de aloe apresentem um efeito hipoglicemiante clinicamente importante. Além disso, ela tem sido utilizada tradicionalmente para tratar diabetes. Entretanto, seria prudente aumentar a frequência do monitoramento da

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glicemia sérica se o paciente tratado com medicação hipoglicêmica desejar utilizar preparações orais com aloe.

c) Aloe Vera + Medicamento Fitoterápico

Nenhuma interação foi encontrada.

d) Aloe Vera + Sevoflurano

Em um caso isolado, tentou-se atribuir o aumento do sangramento cirúrgico ao uso concomitante de aloe e sevoflurano.

Evidências clínicas: Uma mulher de 35 anos, que ingeriu quatro comprimidos de aloe diariamente por 2 semanas, antes de ser submetida a um procedimento para remover um hemagioma da coxa esquerda, perdeu mais que o dobro da quantidade de sangue estimada na cirurgia. A anestesia geral foi induzida com propofol, fentanil e rocurônio, seguida por intubação traqueal. Sevoflurano foi utilizado para manter a anestesia com óxido nitroso em oxigênio, complementada com rocurônio e morfina. Os autores sugeriram que uma possível interação entre sevoflurano e aloe teria contribuído para o sangramento excessivo.

Evidências experimentais: Os extratos do gel de aloe inibiram a síntese in vitro de prostaglandinas e podem, portanto, apresentar atividade antiplaquetárias.

Mecanismo: O sevoflurano pode inibir a agregação plaquetária por inibição do tromboxano A2, e a aloe afeta a síntese de prostaglandinas, logo, pode

também reduzir a agregação das plaquetas. Sendo assim, é possível que um efeito antiplaquetário aditivo tenha contribuído para o sangramento excessivo.

Importância e conduta: A interação entre aloe e sevoflurano foi baseada em um único relato de caso, e não é de forma alguma comprovada, especialmente levando-se em consideração que a aPTT e a INR da paciente não foram avaliadas no pré-operatório e que os autores declararam que a vascularização e o tamanho do hemangioma foram os fatores mais importantes na perda de sangue. Em função das informações limitadas, a American Society of Anesthesiologists recomenda a interrupção do tratamento com quaisquer medicamentos fitoterápicos duas semanas antes de cirurgias e, se existir dúvida sobre a segurança do medicamento, esta seria uma precaução prudente.

e) Aloe Vera + Vitaminas

A aloe pode retardar e aumentar a absorção da vitamina C e da vitamina E. Evidências clínicas:

a) Vitamina C: Em um estudo randomizado de dose única, realizado com oito indivíduos saudáveis, a utilização do extrato do gel de aloe pareceu aumentar a absorção de vitamina C. A ASC do ascorbato foi aumentada em aproximadamente três vezes. Entretanto, essa diferença não foi estatisticamente significativa, tendo sido atribuída à grande diferença entre os indivíduos. Houve um segundo pico plasmático máximo de

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ascorbato em 8 horas com o gel, e o ascorbato plasmático ainda foi detectado após 24 horas, sugerindo que o gel da aloe pode retardar assim como aumentar, a absorção de vitamina C. Similarmente, a ingestão do extrato da folha inteira de aloe não apresentou efeito significativo na absorção dessa vitamina.

b) Vitamina E: Em estudo randomizado de dose única, realizado com 10 indivíduos saudáveis, a utilização do extrato do gel de aloe aumentou a ASC de 420mg de vitamina e em aproximadamente 3,7 vezes. A utilização de extrato da folha inteira de aloe aumentou a ASC em duas vezes. Entretanto, a única diferença estatisticamente significativa foi o aumento do tocoferol no plasma no tempo de 8 horas, que ocorreu com ambos os extratos. O tempo do pico máximo foi retardado de 4 horas para 8 horas com a utilização do gel, e para 6 horas com o extrato das folhas, sugerindo que a aloe tanto pode retardar como aumentar a absorção da vitamina E.

Mecanismo: Os autores sugerem que as vitaminas podem ser protegidas da degradação no intestino pelos flavonoides antioxidantes presentes nos extratos da aloe e pelos polissacaídeos que podem se ligar ás vitaminas, retardando e aumentando sua absorção.

Importância: Se confirmada, esta parece ser uma interação benéfica, pois a aloe tem potencial para ser usada como coadjuvante no tratamento dos pacientes que necessitam de suplementação com vitamina C e/ou E.

Referências Bibliográficas:

1. LORENZI, Harri; ABREU MATOS, F.J. Plantas Medicinais no Brasil

Nativas e Exóticas. Instituto Plantarum, 2ª Edição, Nova Odessa – SP -

Brasil, 2008.

2. WILLIAMSON, E.; DRIVER, S.; BAXTER, K. Interações

Medicamentosas de Stockley: Plantas Medicinais e Medicamentos Fitoterápicos. Editora Artemed, Porto Alegre – RS, 2012.

3. BACH, D.B.; LOPES, M.A.. Estudo da viabilidade econômica do

cultivo da babosa (Aloe vera L.). Ciência Agroténica, Lavras, v.31,

n.4, 2007.

4. ALOE VERA. Disponível em:

<http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/babosa/babosa-2.php> 5. ARAUJO, P.S.A.; SILVA, J.M.O.; et al.. Micropropaçação de babosa

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