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Série da BBC teve ajuda de tecnologia portuguesa

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(1)

Série da

BBC

teve

ajuda

de tecnologia

portuguesa

Equipa de investigadores

do

CeiiA participou

na

construção

de

uma

câmara

subaquática

não invasiva.

Documentário

sobre

vida

animal estreia-se hoje

P26/27

(2)

Mergulhar

com tubarões

e

jamantas

sem

sair do

sofá

Equipa portuguesa

do

centro

de

engenharia aeronáutica

do

CeiiA

participou

na construção

de

uma câmara

subaquática

não invasiva que

andou

à

boleia

de

tubarões

e

jamantas

nos Açores. Este

"mergulho"

é

um

dos

episódios

de

um

documentário

da

BBC

que

se

estreia

hoje

Vida

submarina

Andrea

Cunha

Freitas

Uma equipa de investigadores do centro de engenharia aeronáutica do CeiiA (Centro de Excelência para a

Inovação da Indústria Automóvel), em Matosinhos, tornou possível a experiência de passar várias horas lado alado com tubarões ejamantas.

Basta enlaçar uma câmara

subaquá-tica no seu dorso eesperar que as

imagens gravadas, com oque viram

efizeram, venham àsuperfície. Hoje,

às20h, aBBC One apresenta o

episó-dio que nos leva àboleia de tubarões

ejamantas dos Açores.

Éum dispositivo não invasivo que permite mergulhar com grandes

ani-mais marinhos eespreitar o seu mun-do sem interferências. Opequeno

torpedo vermelho

-

recheado com

uma câmara defilmar na ponta de um cabo que é enlaçado no dorso

dos animais

-

não só parece não os

incomodar como também

dispen-saaintrusiva presença humana que

pode alterar oseu comportamento.

Trata-se de um equipamento que o grupo de engenheiros da área de mar eespaço do CeiiA, liderado por Tiago Rebelo, ajudou adesenvolver para biólogos eoutros investigadores do Instituto do Mar (Imar), nos

Aço-res. Essa eraamissão original destes

dispositivos. Porém, o projecto foi

temporariamente desviado para um documentário sobre avida animal da cadeia de televisão BBC que juntou

realizadores ecientistas.

O programa chama-se Animais

(3)

perspectiva única do mundo de vários animais, "quase" pelos seus

olhos. Colocaram câmaras, como chapéus, no topo da cabeça de chi-tas na Namíbia, pequenos dispo-sitivos nas costas de pinguins na

Argentina e

introduziram

assuas câmaras no equipamento subaquá-tico desenvolvido por portugueses

erebocado por tubarões eraias dos

Açores para obter imagens únicas.

uma espécie de torpedo epode pesar entre 800gramas e dois quilos, sempre com flutuabilidade positiva,

oque significa que vai sempre acima do animal e érebocado, dependen-do dotamanho do animal edotipo

de filmagem que sepretende", ex-plica Tiago Rebelo apontando para

omodelo que está em cima de uma mesa nasala que reúne dezenas de

engenheiros atrabalhar num espaço aberto do edifício que desenharam em Matosinhos. Otal "torpedo" em exibição, que parece imitar uma mi-niatura deum tubarão que engoliu uma câmara, tem algumas marcas de "guerra". "Este foi oque foi mordido por outro tubarão que, por alguma razão, implicou com isto", explica o

coordenador da equipa do centro de engenharia aeronáutica.

Os sinais de agressão no equipa-mento provam queosanimais notam

a suapresença, mas Tiago Rebelo

as-segura que uma das prioridades do projecto éprecisamente não causar

qualquer tipo de desconforto ao

animal. Assim, acolocação do dis-positivo éfeita através de umcabo à

volta do dorso com isolamento que impede omínimo arranhão na pele e

que depois seestende para longe do

seu corpo, como uma antena, com a

câmara na ponta, areboque. No caso dajamanta éexigido um

mergulhador dentro deágua para

en-laçar oanimal. Nocaso do tubarão, a

colocação do dispositivo faz-se

usan-do um isco que ochama para junto

daborda do barco, para depois pro-curar osucesso na pontaria fazendo com que entre no meio do arco do cabo. "Nas imagens parece mais ou menos fácil, mas foi preciso fazer

al-gumas tentativas até conseguirmos",

lembra Jorge Fontes, biólogo mari-nho doImar que acompanhou a

pro-dução televisiva. Obiólogo, que vai

continuar ausarestas câmaras enota

que, apesar de existirem outros

dis-positivos para filmar estes animais,

oequipamento do CeiiA tem várias inovações como o facto de não ser invasivo, serrebocado eser reutilizá-vel. "Além disso, asimagens obtidas

são óptimas", refere, adiantando que

ométodo foi validado com a publi-cação de um artigo numa revista in-ternacional que conclui que não foi registada qualquer reacção adversa no comportamento dos animais.

Segundo Tiago Rebelo, para

já,

existem três modelos diferentes des-tesequipamentos. Um mais pequeno que não tem uma câmara incorpo-rada eserve "apenas" para

monito-rizar o comportamento do animal, um médio com câmara, eoutro um

pouco maior (com dois focos de luz) que éusado quando sepretende

ima-gens doescuro fundo do mar que

es-tes animais vão visitando ao longo do seu dia-a-dia. "O desafio daBBC acelerou aintrodução decâmaras neste equipamento", explica Tiago Rebelo, que reforça: "Nunca tinha sido feito isto deforma não invasiva, sem que fosse preciso estar um robô

dentro de água, espetar ou prender um equipamento na barbatana do

animal ou colocar outra coisa no ecossistema. Permitiu imagens nun-ca antes vistas."

"Extraordinários

mergulhos"

Jorge Fontes confirma que a

"inten-saegratificante" experiência trouxe ainda alguns dados importantes para o estudo destes animais. "Percebe-mos, por exemplo, que asjamantas

-

que normalmente associamos a

águas quentes, abertas ejunto à

su-perfície

-

conseguem dar mergulhos

extraordinários, chegando a1800

metros de profundidade, com uma

imensa pressão ecom temperaturas de quatro graus Celsius", conta.

O projecto com aBBC envolveu cerca de três semanas de filmagens numa colaboração entre aequipa da

cadeia de televisão eos cientistas do

Imar

edo CeiiA. No entanto, estes

dispositivos vão continuar aser usa-dos pelo Imar nasvárias campanhas científicas que realizam em várias alturas do ano. Aliás, a colaboração com os investigadores dos Açores já vem desde 2015 ecomeçou com o

Medusa Deep Sea, um robô

subma-rino para exploração do fundo do mar desenvolvido, entre outros, pe-lo Instituto Superior Técnico, eque tem cerca de três metros de

com-primento e

300

quilos. Umgrande intruso, portanto.

Além de pouco invasivas, os três

"torpedos" tem várias coisas em

comum euma delas éofacto de se

"soltarem" dos animais, sem que seja preciso qualquer intervenção humana. Isto éconseguido com a

colocação de uns sensores no cabo que está em volta do dorso do

ani-mal etambém no cabo suspenso

onde a câmara está presa. Depois

de umperíodo pré-programado (os

cientistas definem qual otempo que precisam), ocabo parte-se e a

câma-ravem àsuperfície.

As câmaras foram concebidas e

testadas para funcionar até 24 horas seguidas, mas, segundo Tiago

Rebe-**

Conseguiram

obter

imagens que

eles

dizem

estar

lindíssimas

da

cria

de

uma raia

a

dar

pontapés no

ventre

da mãe.

E

foi

a

primeira

vez que

conseguiram

ver

isto a

1500

metros

de

profundidade.

Foi algo

único

Tiago Rebelo Investigador

10,será possível criar as condições para que filmem durante vários dias ou semanas. Uma vez posicionado,

oequipamento regista nos seus sen-sores dados em tempo real sobre a profundidade, alocalização, a ve-locidade etemperatura. O posicio-namento do equipamento que fica distante do corpo do animal permite também uma visão com alguma am-plitude evisualizar, por exemplo, o

(4)

Melhorar

a

luz

e

a

cor

Apesar do sucesso destas

experi-ências feitas em colaboração com

aBBC e que acabaram por acelerar este projecto, fazendo com que os

dispositivos pensados para o

Imar

fossem estreados num documentário de televisão, ainda há espaço para

melhorias. Talvez se deva mudar a cor do torpedo, sugere Tiago Rebelo, recordando o"ataque" de um tuba-rão numa das filmagens. Por outro lado, asfilmagens amaior profundi-dade também podem sermelhoradas com outro tipo de luz menos intrusi-va(talvez amarela ou intermitente) para os animais que, em algumas ocasiões, terão manifestado algu-mas alterações decomportamento

quando osfocos iluminaram oque

naturalmente éescuro como breu. Além dos três modelos já

concebi-dos ea funcionar, aequipa de enge-nheiros do CeiiA vai agora construir

mais três modelos para oImar e estão

também atentar desenvolver as

su-as próprias câmaras para conseguir

ter um "produto" no mercado. "Os

dados recolhidos têm sido de uma

qualidade extrema", confirma o in-vestigador. E, para chegar até aqui, foi preciso encontrar respostas para complexos problemas de engenharia

que tinham de ter em conta as dife-renças no comportamento dos ani-mais. Por exemplo: aque distância deve ser colocado odispositivo para um animal de tamanho X que se mo-vimenta auma velocidade Y?

No futuro, querem ter soluções para oferecer para osinvestigadores que queiram vigiar varias espécies. "O tamanho éuma limitação, não

podem ser muito pequenos. Tudo

oque seja do atum para cima deve

ser possível", refere Tiago Rebelo.

Depois cada animal oferece o seu desafio, seoatum érápido edifícil de "laçar", os saltos de um golfinho podem ser uma ameaça à integrida-dedo equipamento.

No entanto, oprojecto com tuba-rões ejamantas mostrou que o re-sultado, obviamente, compensa o

esforço. "No documentário da BBC

conseguiram obter imagens que eles dizem estar lindíssimas da cria de

uma raia adar pontapés no ventre

damãe. Efoi aprimeira vez que con-seguiram ver isto a 1500 metros de profundidade. Foi algo único." Único

e,provavelmente, só possível de ver quando estamos lado alado com

es-tesanimais num mergulho profundo. Alguém alinha num mergulho com tubarões ejamantas hoje às20h?

[email protected]

Jamanta com o

"torpedo"

atrás desi,

dentro

do qual segue

uma câmara para

filmar

o

mundo visto por estes animais;

à

direita,

esse dispositivo

desenvolvido

por um

centro

de

investigação

em Matosinhos

Submarinos

e

satélites,

do

céu

ao

fundo

do

mar

0

trabalho do grupo da área de mar e

espaço do CeiiA (Centro de Excelên-cia para aInovação daIndústria Au-tomóvel), liderado por Tiago Rebelo, vai muito além do desenvolvimento de câmaras subaquáticas que servem para documentários de televisão. Vai do fundo do mar até ao espaço. En-tre outros planos, oscerca de 30 en-genheiros também estão envolvidos na construção do primeiro micros-satélite "100% português" baptizado de Infante enum projecto chamado OceanTech, que visa aprodução de veículos esistemas de gestão para a

exploração do mar profundo.

Osdois alvos têm alguns pontos

co-muns, apesar dos destinos opostos.

Sãoconsórcios apoiados em

colabo-rações entre empresas, institutos, universidades eentidades públicas como o Instituto Português do Mar

eda Atmosfera. Nos dois casos,

es-tamos afalar de planos com um

in-vestimento estimado de dez milhões de euros (cada), ambos contam com financiamento do programa Portugal 2020etambém têm omesmo "prazo de execução", entre 2017e2020.

Otrabalho do grupo de mar e

es-paço do CeiiA atinge várias camadas com instrumentos diferentes e com-plementares, explica Tiago Rebelo. Háacamada do mar profundo, com

acriação de robôs eoutros veículos

edispositivos. Háainda a

componen-teaérea onde investem em veículos (drones) remotamente operados e

autónomos que permitem recolher informação à superfície do oceano. "Temos duas aeronaves destas aser operadas com aForça Aérea

Portu-guesa", adianta, explicando que são

"um par de olhos que está por cima" dos oceanos.

Depois há ainda acamada espacial.

Entre outros projectos nesta área, o

mais conhecido será oInfante, que

começou recentemente, tendo co-mo objectivo aconstrução de um

microssatélite português de raiz, do princípio ao fim. "Estamos afalar de

um satélite com cerca de

40

centí-metros que deverá servir de ponto de comunicação entre os veículos robóticos com aTerra e,por outro lado, o próprio satélite terá

(5)

cama-ras que vão

permitir

aobservação oceânica." Segundo oinvestigador, este microssatélite deve ser lançado em2020 mas o objectivo éque seja

apenas oprimeiro de uma constela-ção que vai povoar océu com 12a16

satélites numa orbita baixa, acerca de

300

a500 quilómetros de altitu-de. "Todos na mesma órbita mas em pontos diferentes. Oobjectivo é

con-seguir mapear quase toda asuperfície terrestre com aconstelação."

Todos estes instrumentos vão gerar

dados quepodem ser usados para fins científicos oucomerciais. Tiago Rebe-lo admite ainda quesãoprojectos que

podem integrar oCentro Internacio-nal de Investigação doAtlântico (AIR Centre), que foi lançado pelo ministro

da Ciência eTecnologia português, Manuel Heitor, eque pretende unir

forças anível internacional para

ex-plorar einvestigar oAtlântico, através dos oceanos, atmosfera, clima,

ener-gias renováveis eespaço. OInfante,

por exemplo, que vai começar por

cobrir o Atlântico, poderá até ser lan-çado dos Açores seoprojecto de uma

base de lançamentos para pequenos satélites avançar.

Tudo isto sem esquecer que oCeiiA começou há dez anos em terra, com projectos orientados para a mobilida-de urbana, mobilida-desenvolvimento de

veí-culos eléctricos, entre outros. Depois veio aaeronáutica, depois omar eo

espaço. Andrea Cunha Freitas

Referências

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