SOEBRAS – ASSOCIAÇÃO EDUCATIVA DO BRASIL
NÚCLEO ANÁPOLIS
PILARES CERÂMICOS
AURÉLIO OLIVIERI PASSOS
AURÉLIO OLIVIERI PASSOS
PILARES CERÂMICOS
AURÉLIO OLIVIERI PASSOS
Monografia
apresentada
ao
Programa de Especialização em
Implantodontia
do
ICS
–
FUNORTE/SOEBRÁS
NÚCLEO
ANÁPOLIS,
como
parte
dos
requisitos para obtenção do titulo de
Especialista.
Orientador: Diego Garcia Ribeiro
AURÉLIO OLIVIERI PASSOS
PILATES CERÂMICOS
Monografia apresentada como exigência para obtenção do título de especialista.
Aprovada em___/___/___
DEDICATÓRIA
Dedico este trabalho primeiramente a Deus, pois sem Ele, nada seria possível e não estaríamos aqui reunidos, desfrutando, juntos, destes momentos que nos são tão importantes.
Aos meus pais Paulo e Regina; pelo esforço, dedicação e compreensão, em todos os momentos desta e de outras caminhadas.
AGRADECIMENTOS
Meus sinceros agradecimentos ao professor Márcio Oliveira Santos, pelos ensinamentos transmitidos, pelo companheirismo, pela lealdade e principalmente por nos mostrar o quanto é importante nós sermos simples e humanos.
“Se vi mais longe é porque estava apoiado em ombro de gigantes”. Albert Einstein
SUMÁRIO RESUMO ... 8 ABSTRACT ... 9 INTRODUÇÃO ... 10 REVISÃO DE LITERATURA ... 12 DISCUSSÃO ... 20 CONCLUSÃO ... 24 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICA ... 25
RESUMO
Os pilares cerâmicos surgiram com a função de solucionar os problemas estéticos ocasionados pelos pilares de titânio em algumas situações. Suas principais indicações são para implantes mal posicionados, áreas onde existe pouca quantidade de tecido mole, áreas que recebem pouca carga mastigatória e quando a estética é primordial. Dentre os tipos disponíveis temos os de Alumina, Alumina e Zircônia, e os de Zircônia sendo estes últimos, os de maiores resistência mecânica e tenacidade à fratura. Esta revisão teve como finalidade descrever as principais características dos pilares cerâmicos, dando ênfase ao pilar de Zircônia, que vem sendo mais utilizado atualmente, pois apresenta propriedades mais favoráveis para reabilitações sobre implantes em áreas estéticas.
ABSTRACT
The ceramic pillars emerged with the task of solving the aesthetic problems caused by the pillars of titanium in some situations. Its main indications for implants are badly positioned, areas where there is little soft tissue, areas that receive little masticatory load and when the aesthetic is paramount. Among the types we have available in Alumina, Zirconia and Alumina, and Zirconia in the latter, the greater the strength and toughness to fracture. This review was intended to describe the main characteristics of the ceramic pillars, emphasizing the pillar of Zirconia, which is being used more now, because most favorable properties for rehabilitation on implants in aesthetic areas.
INTRODUÇÃO
O sucesso dos implantes osseointegrados é incontestável. Biologicamente, nos dias atuais, é indiscutível a possibilidade de se considerar a colocação de um implante para se repor dentes perdidos. Com o sucesso dos implantes houve uma preocupação muito grande em se solucionar esteticamente o tratamento restaurador. Sempre a problemática era colocada na posição do implante, no pilar ou intermediário, e a sua inclinação (Bottino et al. 2005).
Os componentes que irão fazer a ligação entre a prótese ao implante com a função de absorver parte da força gerada durante a mastigação e também solucionar problemas ou limitações ocorridas durante o processo cirúrgico, são conhecidos como pilares protéticos, intermediários, conexões ou conectores, abutments e também transmucoso (Cardoso et al. 2007).
Alguns fatores, relacionados a Implantodontia estética, estão intimamente ligados aos pilares, que ao longo do tempo, sofreram grandes transformações, buscando soluções estéticas adequadas. A introdução dos pilares totalmente cerâmicos proporcionou a obtenção da estética semelhante à do dente natural, bem como a personalização que permite a realização do perfil de emergência (Bottino et al. 2005).
A excelência em estética é um requisito necessário aos trabalhos protéticos aumentando a necessidade e o desejo por restaurações sem metal inclusive nas próteses confeccionadas sobre fixações de implante. A necessidade de se obter cor, forma e simetria gengival semelhantes ao dente adjacente levaram ao desenvolvimento de pilares mais estéticos e ao mesmo tempo resistentes, como alternativa de tratamento (Kina et al. 2005).
Atualmente, o mercado dispõe de alguns pilares totalmente cerâmicos pré-fabricados industrialmente, altamente resistentes e com excelentes propriedades mecânicas e ópticas; podendo ser a base Óxido de Alumínio (Ceradapt ®; Procera Alumina personalizado®) e de Óxido de Zircônio (Procera Zircônia personalizada®; Pilar Zircônia®; Ankylos Cercon Balance®; Friadent CeraBase®; ZiReal®). A introdução desses pilares cerâmicos proporcionou a obtenção da estética semelhante a do dente natural, bem como a personalização que permite a realização do desenho do perfil de emergência (Yildirim et al. 2003/ ; Boudrias et al. 2001).
O objetivo deste trabalho foi de ressaltar a importância e a possibilidade da utilização dos pilares cerâmicos em reabilitações bucais, enfatizando as suas características principais, indicações, contra-indicações, vantagens, desvantagens e as principais diferenças entre eles (Alumina e Zircônia).
REVISÃO DA LITERATURA
Francischone e Vasconcelos (1998) afirmaram que o pilar CerAdapt é constituído por Alumina densamente sinterizada e pode ser indicado em situações especiais, principalmente onde os pilares de conexão não permitem resultados estéticos satisfatórios para a prótese. Segundo os autores, existem duas opções que servem como alternativa protética para o pilar CerAdapt: aplicação direta de porcelana sobre ele, porém, esta opção só é possível se o implante estiver um pouco lingualizado, pois, há necessidade de parafusamento para fixação do mesmo; preparo do pilar para núcleo e confecção da coroa de porcelana a ser cimentada sobre ele. Esta é a melhor opção restauradora, uma vez que, além de poder corrigir pequenas variações de posicionamento do implante quando presente torna independente o pilar e respectivo parafuso da coroa protética. Ainda consideraram que a utilização deste pilar permite, durante o seu preparo, que a linha de terminação cervical seja sinuosa acompanhando o tecido gengival. Com isso pode-se determinar a extensão subgengival do preparo como se realiza em um dente natural. Por motivo de manutenção de suas propriedades mecânico-físicas ele deverá, após ser desgastado, ter medidas mínimas remanescentes e o desgaste deve ser o suficiente para não provocar um sobre contorno na coroa. Estas dimensões são: 7 milímetros de altura oclusal ou incisal; diâmetro não inferior a 4 milímetros; e espessuras das paredes axiais em relação à perfuração central de 0,7 milímetros. Além disso, o pilar não deve ter mais que 30º de angulação em relação ao longo eixo do implante.
Winckler et al (2000) apresentaram diferentes opções de pilares de conexão sobre implantes para elementos unitários e múltiplos como CeraOne, CerAdapt, EsthetiCone, MirusCone, UCLA dentre outros, referindo-se a indicações e contra-indicações onde salientaram que quando se objetiva a seleção de conexão ideal é necessário conhecer todas as peculiaridades relacionadas ao caso clínico em questão, para, que através desta análise determinar o intermediário mais adequado atendendo com plenitude as expectativas do profissional e do paciente.
Barreto et al (2001) demonstraram em casos clínicos a utilização de próteses cimentadas sobre implantes mal posicionados. Apresentaram que a prótese aparafusada tem como principal vantagem a reversibilidade e a conseqüente facilidade de remoção para reparos e higienização. No entanto, as desvantagens estão associadas ao prejuízo estético da presença do orifício de, acesso ao parafuso de ouro, dificuldade de ajuste oclusal pela redução da área efetiva da mesa oclusal, dificuldade no assentamento passivo de peças extensas e a disponibilidade de intermediários para implantes que não estão numa posição protética ideal . Neste ultimo ponto, a possibilidade de personalizar abutments e a realização uma prótese cimentada constitui uma ótima abordagem para resolução protética em casos onde o posicionamento ideal dos implantes não foi obtido. Isso se justifica pelo fato de cada pilar poder ter sua forma precisamente ajustada as necessidades determinadas pela posição do implante, corrigindo problemas como profundidade de sulco periimplantar reduzida, e principalmente, variações no posicionamento vestibulo-lingual.
Boudrias et al (2001) concluíram que um pilar cerâmico utilizado com uma coroa totalmente cerâmica contribui para a otimização do resultado estético. Este pode ser indicado para restaurações de incisivos e pré-molares, quando as forças oclusais forem leves ou moderadas, com mínimo trespasse e pouca ou nenhuma guia incisiva e canino. O pilar cerâmico é especialmente vantajoso quando o complexo muco gengival é fino e transparente. O risco da luminosidade diminuída e uma sombra acinzentada na gengiva é, então, eliminado.
Soares et al (2002) analisaram algumas etapas clínico-laboratoriais e características do sistema cerâmico aluminizado Procera para pilares personalizados diretamente sobre o implante. Avaliaram que a tecnologia CAD/CAM possibilitou a construção de pilares personalizados em cerâmica aluminizada densamente sinterizada (Sistema Procera-99,9% alumina). Notaram que no item personalização, o sistema Procera apresenta uma vantagem importante em relação à técnica da coifa de cerâmica aluminizada, que pode ser empregada sobre o pilar e pilares cerâmicos pré-fabricados onde será instalado diretamente sobre o implante, que é a possibilidade de enceramento do pilar, contemplando a características individuais do perfil de emergência, da morfologia interna da mucosa periimplantar e do arco côncavo gengival antes dado pelo provisório.
Dinato et al (2002) apresentaram diferentes opções de tratamento a fim de se buscar resultados estéticos e funcionais utilizando pilares pré-fabricados do tipo Multi-unit e Ceraone, assim como personalizados Procera. Observaram, então, que os pilares pré-fabricados possuem uma adaptação precisa e resolvem satisfatoriamente os requisitos estéticos e funcionais enquanto os personalizados (CAD/CAM) simulam melhor a manipulação feita pelo provisório dos tecidos periimplantares tendo uma influência significativa no resultado estético final das próteses sobre implantes.
Samira et al (2003) relataram um caso clínico onde o paciente possuía quatro implantes mal posicionados localizados superficialmente na região dos dentes 12, 11, 21 e 22, onde foram, então, utilizados pilares personalizados Procera, confeccionados em alumina a fim de se corrigir a angulação dos implantes nesta área de bastante envolvimento estético, suprindo assim as deficiências de pilares pré-fabricados que não alcançariam resultados satisfatórios.
Pastor et al (2003) relataram as vantagens, indicações e protocolo de trabalho de um pilar cerâmico de zircônia (ZiRealPost-Implant Innovations) passível de preparo, apresentando uma interface de cilindro de titânio que se encaixa sobre o hexágono do implante e com corpo em zircônia utilizado na região do dente 21 com torque de 32N e sobre este pilar uma coroa All-Ceram, permitindo uma natural transmissão de luz atingindo resultados estéticos em regiões anteriores adjacentes a dentes naturais.
Yildirim et al (2003) realizaram um estudo comparando a resistência à fratura entre pilares cerâmicos (zircônia e alumina) e titânio. Foram utilizados 48 implantes hexágono externo com diâmetro regular. Sendo estes divididos em três grupos A, B e C contendo em cada grupo 16 implantes. No grupo A utilizaram pilares de zircônia, no B de alumina e no C de titânio. Em todos os grupos, esses pilares foram fixados com parafusos em liga de ouro com torque de 32Ncm. Todas as amostras foram expostas a 1,2 milhões de ciclos mastigatórios em um simulador. Estas receberiam carga até que um de seus dispositivos fraturasse. Através dos resultados obtidos, os autores concluíram que os pilares de zircônia fixados aos implantes possuem resistências semelhantes aos de titânio e podem ser recomendados, então, como alternativa estética e funcional para restaurações de implantes unitários na região anterior, quando comparados aos de alumina.
Amaral et al (2005) objetivaram seu trabalho em demonstrar o uso do pilar de zircônia. Enquanto os pilares metálicos necessitam de quantidade e qualidade de gengiva inserida para obter uma boa relação do contorno gengival, notaram que os pilares de zircônia unem resistência e estética além de biocompatibilidade com os tecidos periimplantares, permitindo também a aplicação direta da porcelana quando a indicação recair em uma prótese aparafusada, oferecendo uma excelente opção para estética em implantodontia e quando associados à uma coroa livre de metal oferecem translucidez e contornos gengivais naturais.
Bottino et al (2005) relataram que muitos problemas estéticos, relacionados à reabilitação da região anterior com implantes, têm sido solucionados por meio da utilização de pilares cerâmicos. Apresentaram estudos e avaliações, de diferentes autores, das propriedades mecânicas destes pilares, no qual enfatizam que os pilares de Alumina são passiveis de desgaste, porém, apresentam baixa resistência e podem ser enfraquecidos se sofrerem uma redução excessiva para corrigir sua angulação. Já os pilares de Zircônia permitem a confecção de restaurações mais estéticas, pois, exibem maior tenacidade à fratura e resistência quando comparados aos pilares de Alumina. Estes pilares de Zircônia, também possuem como vantagem o fato de apresentarem um baixo potencial de colonização bacteriana. Porém, o custo destes podem ser um impeditivo. Os autores consideraram que os pilares cerâmicos são indicados para região anterior, especificamente para incisivos e pré-molares, onde as forças oclusais são menores, e a estética é predominante. Ainda consideraram que a tonalidade (matiz) da Alumina é muito próxima a do dente natural, por isso estes proporcionam vantagens estéticas comparadas com o pilar de Zircônia onde a cor é muito próxima do branco. Por outro lado, os pilares de Zircônia possuem valores muito maiores de resistência a fraturas proporcionando, assim, uma maior segurança às forças mastigatórias. Pode-se dizer que apresentam resistência semelhante aos de titânio, suprindo a estética e funcionalidade dos elementos dentários perdidos.
Kina (2005) conclui que as restaurações cerâmicas livres de metal podem ser utilizadas em quase todas as situações clínicas referentes a reconstruções dentárias fixas, nos diversos segmentos do arco, desde que sejam respeitadas as suas indicações e contra-indicações, baseadas principalmente na resistência dos sistemas ao estresse oclusal. Os sistemas cerâmicos livres de metal favorecem em muito, a confecção de próteses mais estéticas, com resoluções ópticas muito semelhantes às das estruturas dentais, principalmente no quesito translucidez/luminosidade. Para tanto, devem ser considerados alguns fatores críticos para a escolha do melhor sistema restaurador como, por exemplo, a cor do substrato, que irá determinar o grau de opacidade necessária para realização estética e o tipo de sistema a ser utilizado; o espaço de trabalho para a confecção da restauração protética que deve ser adequado para a confecção da infaestrutura e estratificação da porcelana de cobertura, dentro dos padrões de rigidez estrutural, e de acordo com a relação “cor do substrato x grau de translucidez/opacidade do sistema”; o grau de translucidez dos sistemas, no qual, existem sistemas com alta translucidez como, por exemplo, o IPS Empress 2 e outros menos translúcidos como por exemplo o In –Ceram Alumina ou Procera; e por último a combinação harmônica entre o dentista e o técnico em prótese dentaria associando técnicas para manejo dos materiais e conhecimento da forma e função dos componentes dentários.
Carli et al (2006) esporam os diversos sistemas cerâmicos atuais livres de metal, principalmente aqueles baseados em óxidos de zircônio, enfatizaram suas indicações, vantagens e limitações. Constataram que as cerâmicas de óxidos de zircônio possuem propriedades estéticas, físicas e mecânicas interessantes e que, portanto, podem substituir as restaurações metalo-cerâmicas com alguns cuidados, respeitando as limitações do sistema. Ainda puderam observar que os sistemas de zircônio são mais resistentes que quaisquer outros livres de metal disponíveis no mercado tendendo à substituição das estruturas de óxido de alumina.
Mesquita et al (2006) relataram um caso clínico onde a paciente necessitava de reabilitação estética do elemento 12 e concluíram que os pilares cerâmicos (zircônia) oferecem um substrato favorável a confecção de coroas de cerâmica pura (alumina), permitindo alcançar melhores resultados estéticos do que componentes metálicos na região anterior, sendo indicado para áreas com espessura de gengiva insuficiente a mascarar um componente metálico.
Regenio et al (2007) após avaliarem alguns dos pilares pré fabricados sobre implantes mais utilizados comercialmente reconheceu, que existem algumas limitações em seu uso quanto à individualização dos casos, devido a padronização de suas dimensões, porém salientaram alguns pontos positivos a seu favor, como simplicidade de técnica, previsibilidade, grande número de indicações exceto em casos limítrofes (mal posicionamento das fixações e ausência de volume gengival) e baixo custo. Portanto chegaram a conclusão de que é possível que dentro de suas limitações esses pilares conseguem de maneira satisfatória resolver um grande número de casos sem comprometer a função e a estética.
Walterval et al (2007) avaliaram o sistema In-Ceram Zircônia (Vita Zahnfabrik) que foi criado para confecção de infra-estruturas cerâmicas. A partir deste sistema, através de uma metodologia própria, conseguiu-se confeccionar intermediários cerâmicos para implantes. A proposta do trabalho foi avaliar in vitro a resistência à fratura de intermediários experimentais para implantes construídos em In-Ceram Zircônia e restaurado com coroa de In-Ceram Alumina. Simulou-se então um incisivo central superior instalado com 135° de angulação (inclinação entre os incisivos centrais superiores e inferiores) em uma máquina de ensaio que imprimiu carga na região de cíngulo até que se desse a ruptura de algum componente. Dos sete corpos de prova, cinco fraturaram o implante e dois fraturaram a base do intermediário de cerâmica. A média encontrada para as forças de compressão foi de 305,6 N. Constataram, que ao ser aplicado o teste, verificou-se que a força alcançada para fratura das amostras foi estatisticamente superior quando comparada à carga mastigatória fisiológica (aproximadamente 235 N).
Cleuber et al (2007) se propuseram a fazer uma revisão de literatura sobre próteses parafusadas ou cimentadas sobre implantes, tecendo comparações entre elas com ênfase nas restrições, indicações, reversibilidade, além das diferenças no planejamento e execução de cada uma delas. Observaram, então, que uma tênue linha separa os dois tipos de reabilitação protética sobre os implantes e que, de uma maneira ou outra, fatores como preferência pessoal do profissional e relação custo-benefício também têm sido levadas em consideração. Porém, notaram que o bom planejamento na execução dos procedimentos reabilitadores, a começar da seleção e colocação dos implantes, é determinante no resultado final, não importando a filosofia de quem irá executá-lo. E, dentro deste planejamento, um bom assentamento passivo, um bom ajuste oclusal e uma prótese que favoreça a higiene são requisitos fundamentais a longevidade dos implantes osseointegrados.
Romão e Oliveira (2007) fizeram uma revisão dos sistemas cerâmicos e dos desenvolvimentos recentes verificados nos processos de confecção de restaurações de cerâmica livre de metal, por meio da análise das infra-estruturas dos sistemas PROCERA, IN-CERAM, IPS EMPRESS e IPS EMPRESS II. Ressaltaram o bom desempenho biomecânico alcançado por esses sistemas, desde que, aliadas sensibilidade e técnica, possibilitando a restauração de vários segmentos da cavidade bucal com alto padrão estético envolvendo luminosidade e translucidez similar a dos dentes naturais, devolvendo ao paciente uma condição de saúde bucal que resulta na harmonia do seu sorriso.
Cardoso et al (2007) classificaram os pilares protéticos, dividindo – os em 2 grupos, nos quais, têm os para prótese parafusada: Standard, Esteticone, Esteticone angulado, Miruscone- Micruscone, e Multiunit-Microunit e os para prótese cimentada (Metálicos ou cerâmicos), que podem ser pré-fabricados ou passíveis de desgaste.Os pilares cerâmicos personalizáveis por desgaste são extremamente versáteis e que, de forma rápida e simplificada, podem ser adequados a cada situação, sem a necessidade de procedimentos laboratoriais elaborados. Destacam-se pela estética insuperável. A região que entra em contato com o implante não sofre nenhuma forma de manipulação, o que assegura a perfeita adaptação desses componentes. A desvantagem está na sensibilidade desse pilares à técnica de desgaste, pois reduções incorretas podem determinar o comprometimento desses a médio ou longo prazo. É necessário seguir as recomendações do fabricante no que diz respeito às dimensões finais que tais conexões necessitam ter para que mantenham sua rigidez estrutural e não comprometam a longevidade do tratamento. Alguns exemplos desses pilares: Pilar Ceradapt (Nobel), Pilar ZiReal Post (3I) e Pilar de Zircônia (Conexão). Existem também, sistemas computadorizados, que são baseados na tecnologia CAD-CAM para a produção industrial de pilares com as dimensões determinadas pelo protesista. Estes poderão ser confeccionados em titânio ou cerâmica com praticamente qualquer inclinação, terminação marginal, altura, largura e forma de corte transversal, criando o perfil de emergência natural do dente e satisfazendo as necessidades de cada caso.
DISCUSSÃO
O sucesso dos tratamentos de pacientes desdentados totais com próteses sobre implantes osseointegrados levou a uma revolução na Odontologia em relação aos planejamentos e as reabilitações protéticas. Posteriormente, veio o desejo de ampliar a mesma tecnologia para pacientes parcialmente desdentados. Assim, novos componentes e modificações nos procedimentos cirúrgicos e protéticos foram necessários para superar alguns dos problemas característicos de pacientes parcialmente desdentados. Um dos grandes desafios foi o de atingir uma restauração unitária anterior sobre implante com estética desejável (LEWIS, 1995).
A estética em implantes na região anterior é um grande desafio, e influenciado por um conjunto de fatores que se inicia no planejamento dos casos clínicos com previsibilidade mais controlada. As estruturas que estão em íntimo relacionamento com a mucosa periimplantar, posição do implante, tipo de sorriso, topografia óssea do espaço edêntulo, dentes remanescentes adjacentes, antagonista, antecipado conhecimento do tipo de restauração, acima de tudo a saúde das estruturas que circundam o dente que será reposto sobre o implante são fatores de extrema importância para o sucesso das restaurações protéticas (Bahat, Daftary1, 1995).
O desenvolvimento de componentes protéticos para implantes tem contribuído muito para construção de coroas estéticas. A seleção do componente protético depende diretamente do tipo de implante ao qual está conectado, se com hexágono externo, interno ou sistema Cone Morse. Temos a possibilidade de escolhermos componentes que acompanham o perfil de emergência criado pelos cicatrizadores ou pelas coroas temporárias ou ainda utilizarmos pilares angulados e personalizados que corrijam as inclinações podendo ser de titânio, alumina ou zircônia. ( FRANCISCHONE et. al ).
Os intermediários cerâmicos podem receber a aplicação de porcelana aluminizada para a confecção da coroa que se fixará ao implante através de um parafuso de ouro. Podem ser preparados diretamente na boca ou em um modelo de transferência, pelo técnico de laboratório (PRESTIPINO et al). Sobre este pilar preparado poderá ser confeccionada uma coroa totalmente cerâmica que posteriormente será cimentada ou parafusada. Como exemplo de pilares cerâmicos temos no mercado o pilar Tiadapt (Nobel Biocare), o Preptite post (3i implants innovations), Celay (Vita), Pilar em titânio (Conexão), Procera personalizado em cerâmicas, In-Ceram Alumina (Wilcos), pilar em zircônio (Conexão), entre outros.
Intermediários totalmente cerâmicos podem ser utilizados quando o implante não é colocado com a profundidade mínima necessária (2 mm abaixo do contorno gengival) ou quando o implante não está colocado com a angulação correta melhorando a estética. Este componente permite que se prepare intra-sulcularmente, de modo a conseguir-se um melhor perfil de emergência quando o titânio transparece através do colo gengival delgado. Neste caso, a utilização destes intermediários permite mascarar a coloração escura do metal e adaptar-se de acordo com o nível tecidual, podendo ser preparado, preferencialmente, no modelo de trabalho no laboratório (PRESTIPINO et al).
Embora permitam a individualização do arco côncavo gengival, através de seu preparo no modelo de trabalho e clinicamente, não reproduzem com fidelidade a morfologia interna da mucosa periimplantar, uma vez que apresentam uma forma pré-determinada ANDERSSON et al (2001). Então com o propósito de atenuar o potencial de fratura da cobertura de cerâmica compensatória e permitir individualização da morfologia gengival, uma nova técnica tem sido desenvolvida para a construção de pilares e infra-estruturas empregando o processo de fabricação e desenho computadorizados (CAD/CAM), o qual o trasmucoso personalizado em cera é escaneado proporcionando uma geometria mais confiável à sustentação mecânica.
Em odontologia a alumina tem sido utilizada por aumentar consideravelmente a resistência flexural e estética em próteses fixas desde 1965 (McLEAN et al) sendo que os primeiros abutments confeccionados em alumina foram introduzidos em 1993 (PRESTIPINO et al) para serem usados em restaurações de implantes unitários e representaram, na ocasião, um avanço considerável em relação à estética quando combinados com coroas confeccionadas em cerâmica, produzindo melhor translucidez e significante harmonia na transição entre a restauração e os tecidos gengivais periimplantares.
Seguindo a mesma linha de pesquisas para desenvolver materiais utilizados na confecção de abutments transmucosos, visando a conseguir excelência em estética, chegamos, recentemente, nos abutments de zircônia ( ZrO2) introduzidos pela primeira vez em 1997 (WOHLWEND et al), um mecanismo de transformação enrigecedor em sua microestrutura que não é encontrada em outras cerâmicas. Essa exclusiva característica provê numerosas vantagens desse material em muitas aplicações. Zircônia é significativamente mais forte que outras cerâmicas refletindo em menores complicações pós tratamento.
A zircônia apresenta uma coloração esbranquiçada enquanto a alumina mostra-se com uma coloração amarelada, com pequenas diferenças em relação a sua opacidade. A resistência flexural da zircônia é de 950 MPa e do óxido de alumínio de 687MPa, tornando-se uma boa indicação para áreas estéticas e que requeiram resistência (WAGNER et al).
Existem vários estudos clínicos favoráveis de longo prazo sobre fraturas na utilização da zircônia em diversos tipos de próteses (GLAUZER et al). Alguns estudos (RIMONDINI et al) demonstram também que os abutments de cerâmica podem ser excelentes para manufatura porque apresentam um potencial de colonização bacteriana extremamente baixo. O alto grau de polimento da cerâmica de zircônia parece oferecer resistência à colonização bacteriana, o que representa um baixo grau de complicações inflamatórias em relação aos tecidos periimplantares (ICHIKAWA et al).
Outra característica extremamente importante é a sua radiopacidade (ICHIKAWA et al) o que possibilita constatar através de simples exames radiográficos o perfeito assentamento do abutment sob o implante, o que não era possível em relação aos abutments de alumina. Em função de todas estas características expostas, o abutment de zircônia representa um alto grau de vantagem sobre os abutments tradicionais de titânio e também de alumina.
Indicações
FRANCISCHONE & VASCONCELOS, 1998 Ressaltaram que suas principais indicações são: para correção de pequenas alterações no posicionamento do implante; áreas de gengiva muito delgada onde há risco de transparência do titânio; necessidade da junção pilar-coroa ser colocada subgengivalmente.
Quando o implante foi posicionado muito superficialmente em relação ao tecido mole (BRANEMARK SYSTEM, 1997; FRANCISCHONE & VASCONCELOS, 1998; PRESTIPINO & INGBER, 1996).
Quando as margem pilar-coroa localizar-se ao nível do tecido mole (BRANEMARK SYSTEM, 1997; FRANCISCHONE & VASCONCELOS, 1998; PRESTIPINO & INGBER, 1996).
Quando houver pouco tecido mole contornando a fixação ou quando o tecido mole é delgado, possibilitando visualizar uma área
acinzentada do metal por transparência (BRANEMARK SYSTEM, 1997; FRANCISCHONE & VASCONCELOS, 1998; PRESTIPINO & INGBER, 1996).
Quando a fixação apresentar uma angulação desfavorável, não muito acentuada (máximo de 30 graus) (BRANEMARK SYSTEM, 1997; FRANCISCHONE & VASCONCELOS, 1998; PRESTIPINO & INGBER, 1996).
Contra-Indicações
Pacientes com hábitos parafuncionais.
Região de molares.
Quando a inclinação axial for superior a 30 graus em relação ao longo eixo da fixação (BRANEMARK SYSTEM, 1997).
Quando outro intermediário satisfaz as exigências estéticas do caso.
Vantagens
Obtenção de estética para regiões em que os intermediários de titânio não correspondem às expectativas atuais.
Durante o preparo, possibilitando o contorno da área de papilas, diminuindo o sulco gengival nesta região quando comparados aos de titânio (FRANCISCHONE & VASCONCELOS, 1998).
Permite um melhor perfil de emergência por ser mais largo na porção cervical (FRANCISCHONE & VASCONCELOS, 1998).
Desvantagens
Estes pilares são entregues sem serem esterilizados, devendo-se faze-lo em autoclave antes de sua utilização intra-oral (BRANEMARK SYSTEM, 1997).
Maior risco de fratura em relação aos pilares em titânio, devendo ser manuseados com toda a precaução.
CONCLUSÃO
Considerando o que foi apresentando sobre as principais características dos pilares cerâmicos, pode-se concluir que estes estão indicados para implantes mal posicionados onde fixação tem uma angulação desfavorável; áreas de menor força oclusal, principalmente, incisivos e pré-molares, onde a estética é um fator fundamental; e áreas estéticas, onde o tecido gengival é fino e pode aparecer uma sombra acinzentada do metal. São contra-indicados para região de molares; quando a inclinação axial for muito devorável, geralmente maior que 30º, pois há o risco de enfraquecimento estrutural durante o preparo e possível fratura do mesmo.
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