o
BRINQUEDO PEDAGÓGICO NA MATEMATICA
DO PRÉ-ESCOLAR
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Glaucenete Barros de Oliveira
1. O QUE SE ENTENDE POR ENSINO?
No livro -
ZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
E n s in o n a e s c o la p r im é r le 'õ ) entende-se oensi-no como um processo de estimular e orientar a aprendizagem.
A aprendizagem é entendldatõ) como uma experiência
alta-mente individual. O objetivo do verdadeiro professor é levar o
aluno a descobrir-se a si mesmo e realizar descobertas.
A concretização destes objetivos exige m u it a q u a lif ic a ç ã o
d o s m e s t r e s , elevado nível intelectual, ampla compreensão do
modo como as crianças aprendem; familiaridade com os
fato-res que facilitam ou dificultam a aprendizagem; dedicação ao
ensino para torná-Io estimulante e efetivo. ~ necessário uma
grande experiência para que a professora possa identificar as
atividades escolares compatíveis com o desenvolvimento das
crianças. Quando a professora tem consciência dos objetivos
que pretende alcançar sabe c r ia r s it u a ç õ e s d e a p r e n d iz a g e m
necessárias
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à consecução destes objetivos. A professora dopré-escolar não deve ser ama-seca cuja única função é vigiar
as crianças enquanto elas brincam. Nazira Abi-Sáber(l) afirma
que o pré-escolar enriquece as experiências da criança e ela
conseqüentemente vai obter mais sucesso na escola.
No ensino as atividades escolares, segundo certos
auto-res(5) devem:
a) ter um objetivo;
b) ter sentido para o educando;
c) contar com a participação do educando;
d) ter continuidade obedecendo índices de dificuldades crescentes;
e) caminhar do familiar para o novo;
f) caminhar do simples para o complexo.
Na aprendizagem a criança utiliza a
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c a p a c id a d e d e d if e r e n-c ia r e c o m p o r , o que a torna capaz de usar aprendizagens
ante-riores e analisar mais adequadamente a situação presente.
P o r e x e m p lo : A criança aprendeu a traçar linhas retas,
curvas e arcos, desenvolveu sua percepção de tamanho e
for-ma e ao traçar números utiliza esta aprendizagem anterior. É
um dos princípios do desenvolvimento: e le
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é p r o g r e s s iv o e c o n-t í n u o . Estruturas anteriores integram-se em estruturas
poste-riores.
2. O PAPEL DO PRÉ-ESCOLAR NA VIDA DA CRIANÇA
A pré-escola no passado era tida como luxo para crianças
ricas ou uma filantropia para os pobres. Hoje, no panorama
edu-cacional, a visão é outra; pré-escola é considerada como um
estágio de riquíssimo potencial educacional, onde as crianças
são estimuladas visando-se a um desenvolvimento que facilite
a aquisição de novos conhecimentos. O pré-escolar é a
arran-cada inicial e decide, como afirma Abi-Sáber,(1) o sucesso ou
o fracasso da criança no primeiro grau. Tem sido comprovado
em pesqulsas G) que é possível favorecer o desenvolvimento
intelectual de crianças pequenas quando lhe oferecemos
estí-mulos adequados. O fato de se negligenciar o desenvolvimento
intelectual de crianças neste período pode, segundo Orly,(4 )
comprometer seriamente aprendizagens futuras. Isto pode ser
comprovado em casos de crianças que, por motivo de doenças,
deixam de freqüentar o pré-escolar. O atraso pedagógico, sem
deficiência intelectual, dificulta o acompanhamento normal da
criança nas outras séries. Não se trata de valorizar um período
mais do que outro e sim dar aos diversos períodos do
desen-volvimento intelectual a mesma importância.
Apesar destas descobertas, é impressionante a falta de
conscientização sobre a importância do pré-escolar entre mães,
que quando interrogadas sobre o motivo que Ihes levou a
ma-tricularem os filhos divergem de pontos de vista, sendo o
s t a t u s sócio-econômico o que parece determinar suas atitudes:
paga-se mais, mas as crianças são melhor atendidas.
Muitas pessoas (mães e professoras) pelo fato de não
per-ceberem a evolução da criança passam a julgar inútil o ensino
pré-escolar. Ou, com a ansiedade de acelerar o
desenvolvimen-154 E d u cação em D eb ate, F o rt. 6 /7 (2 /0 : ju l/d ez. 1 9 8 3 jan /ju n 1 9 1 1 4
to, passam a exigir aprendizagem de noções complicadas antes
que elas estejam amadurecidas para isto. É lamentável que os
verdadeiros objetivos do pré-escolar não sejam ainda do
do-mínio do público. E, mais lamentável, é verificar que as
auto-ridades educacionais não alcançaram ainda esta verdade: "co-meçar mais cedo e melhor a educação da criança" (1, p. 24).
O pré-escolar, como qualquer outro nível de ensino, deve
propiciar a cada criança o mais alto nível de competência que
possa atingir. O pré-escolar deve proporcionar uma base de
experiências significativas para o aluno e que devem refletir
nos resultados da educação primária de modo geral.
É imprescindível que o pré-escolar funcione com situações
de aprendizagens interessantes num ambiente agradável e
esti-mulante. O centro, portanto, de toda a situação de
aprendiza-gem é a professora. Não há nada que substitua a competência
da professora, sua capacidade de controle e liderança; a
pro-fessora d e v e c r ia r s it u a ç õ e s e usar material pedagógico que
promova uma aprendizagem significativa, o desenvolvimento
da capacidade inventiva e criadora da criança. A criança, desde
cedo, deve encontrar soluções para os mais diversos
proble-mas e se habituar a refletir e tomar decisões. O pré-escolar
para atender as características evolutivas da criança deve
apresentar, segundo Carmem Gil,(3) a vida real com suas
difi-culdades e atrativos, vitórias e derrotas. Tudo isso colocado de
forma natural e interessante através de brincadeiras, jogos ou
atividades que despertem o interesse da criança, tão ligada no
brincar. Só assim, de forma vivencial, ela está se preparando
para as etapas que virão depois. A recreação, o jogo, é a a t iv
i-d a i-d e f u n d a m e n t a l e e s p o n t â n e a d a c r ia n ç a , portanto, é esta a
forma que deve ser adotada. É uma fonte de observação natural,
desenvolve, segundo Carmem Gil: (3) a disciplina, a atenção, a
sociabilidade, a iniciativa, a perseverança, ao mesmo tempo
que vai desenvolvendo o senso de autocrítica, disciplina e
con-fiança em si própria. É também para a professora excelente
meio de observar a criança, pois ela está em atitude natural,
sem artificialismo.
A conclusão que podemos tirar é a seguinte: se queremos
métodos ativos, capazes de transformar o ensino numa t a r e f a
d e e s p e c ia lis t a s em e d u c a ç ã o , precisamos de mestres ativos
do ponto de vista prático, crítico e criativo. Os métodos
didá-ticos devem ser ajustados aos dados psicológicos do
desen-volvimento. Para diversos psicólogos (Orly, p. 4), a estimulação
adequada dos primeiros anos de vida é um fator indispensável
para o desenvolvimento intelectual da criança.
3. AÇÃO EDUCA TlVA PIAGETIANA
Piaget, trabalhando com crianças em idade pré-escolar,
observou e provocou o comportamento verbal. Como conclusão,
afirmou: o
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p e n s a m e n t o p r o c e d e d a a ç ã o . As noções não estãopré-formadas na mente da criança, são construídas a partir da
atividade do sujeito sobre o meio, transformadas mediante
novas experiências.
Se a criança não tem uma linguagem desenvolvida, os
pro-blemas devem se basear diretamente nos objetos e não em
for-mas verbais. Devem ser situações que estimulem a criança a
agir, ativando, desta forma, seus esquemas anteriores. Para
assimilar o que lhe é ensinado, a criança tem necessidade de
estruturas, que constrói pela própria atividade. Este processo
não é explicado por acúmulo de informações, mas pela
quali-dade das experiências cognitivas. Ora, se a aprendizagem
im-plica a existência de estruturas anteriores, e estas estruturas
se constróem durante o processo de desenvolvimento, isso
significa que a aprendizagem se processa segundo estas
estru-turas e que, portanto, o ensino tem de ser progressivo e
ade-quado a estas estruturas de pensamento. A tarefa dos
profes-sores é colocar as crianças diante de situações que elas
po-dem
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e têm condições de descobrir.Para assegurar que o ensino pré-escolar d e v e s e r c o n c r e t o
e n ã o c o n c e it u a l, Piaget realizou várias pesquisas e mostrou
que o p e n s a m e n t o s u r g e a n t e s d a lin g u a g e m . A linguagem é
para Piaget um instrumento a serviço da própria inteligência e
não o motor da evolução operacional. A criança mostra
com-portamento intencional antes de conseguir falar, portanto, a
in-tenção pode ser considerada germens de idéias. Neste sentido
só podemos melhorar a expressão verbal da criança
desenvol-vendo sua inteligência. A transmissão verbal não pode ser a
fonte de aquisição inicial de conceitos e não é o único meio
para estimulação do pensamento. A estimulação intelectual
re-quer antes de tudo o b s e r v a ç ã o , e x p lo r a ç ã o e a e x p e r im e n t a ç ã o .
Ao invés de transmitir o conhecimento, sob a forma de
solu-ções prontas, a professora precisa dar condições à criança de
resolver problemas que desafiem sua curiosidade e estimulem
sua reflexão.
É por esta razão que admitimos que a professora precisa
conhecer bem os fundamentos da teoria piagetiana, a fim de
que sejam evitadas incoerências, tão freqüentemente
obser-vadas entre princípios teóricos e prática educativa. Se é a pro-fessora que determina tudo e a criança não tem a menor
inicia-156 E d u cação em D eb ate, F o rt. 6 /7 (2 /1 ): ju l/d ez. 1 9 8 3 jan /ju n J91!/.
tiva, as atividades escolares refletem a estrutura de
pensamen-to da professora e não das crianças. ., . .
Segundo Piaget, acreditamos que os p r m c u n o s g e r a I s para
o ensino elementar, são os seguintes: _., . ~ .
1. A real compreensão de uma noçao Implica na vrvencia
pelo sujeito da própria noção, isto é, o aluno deve compreen~er fazendo pela ação antes de expressar-se verbalmente ( E n s in o
a t iv o ) . d .
2. As noções transmitidas devem correspon er a
capaci-dade de compreensão dos alunos ( E n . . s in o a d e q ~ a d o ) . _
3. A pré-escola realiza sua funçao. na medld~ que propoe
um ambiente rico em atividades e desafios que es.tl!~lUlam to~as as possibilidades da criança, respeitando seus limites ( E n s in o
d iv e r s if ic a d o ) .
4. A formalização deve ser a.diad_apara ~m,.moment~
pos-terior, como exercício de orqarnzaçao das ídéías adquiridas
( E n s in o p r o g r e s s iv o ) . , _
5 . A grande preocupação do profess.or e com a construçao
da inteligência, partindo de problemas simples para problemas
mais complexos ( E n s in o g lo b a liz a d o ) .
4. PROPOSTAS PARA O ENSINO DA MATEMÁTICA
NO PRÉ-ESCOLAR
O pré-escolar compreende uma faixa etári~ en~re 3:6 anos
de idade, aproximadamente. Segundo a !eona p,l~get~ana, a
crianca, neste período, denominado de p r e - o p e r a t o n o , e capaz
de pensar, mas ainda não é capaz de operar, de usar o
pensa-mento lógico-verbal. O trabalho da escola, no que se refere ao
ensino da matemática, será: .
M a t e r n a l - Desenvolver noções de e s p a ç o , t a m a n h o ,
li-q u id o , q u a n t id a d e , c o m p r im e n t o , p o s iç ê o , d ir e ç ã o , t e m p o ,
le-vando a criança à descoberta de SI mesmo e ~o mundo. , .
Estas noções correspondem aos conhecl~~ntos ba~lcos
sobre a matemática. Tudo isto deverá ser adquirido atraves de
a t iv id a d e s e x p e r ie n c ia is ao a r liv r e .
J a r d im I - No Jardim I, a professora deve favorecer a
cons-trução da N o ç ã o d e N ú m e r o , através da S e r ia ç ã o e C la s s f f ~ c a
-c ã o com atividades, dentro e fora da sala de aula. As
ativida-des', dentro da sala de aula, são realizadas com b~inque?Os_ pe-dagógicos e material didático específico que permita seriaçao e
classificação.
J a r d im / I - D e s e n v o lv e r a N o ç ã o d e N ú m e r o
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com o uso de material pedagógico, como: ábaco, dominós "Cuisenaire"blocos lógicos, tabletes. "
~ lf a b ~ t iz a ç ã o - Na alfabetização a professora pode
reali-z~r sltuaçoe~-~roblemas, que exijam a compreensão de
opera-çoes matemáticas fundamentais: s o m a e s u b t r a ç ã o .
Em todas estas séries, o ensino deve ser por atividades,
ensino concreto e as exigências, em termos de abstração,
de-vem ser suavemente exigidas para que a criança aprenda
den-tro de suas reais condições. A a d e q u a ç ã o , p r o g r e s s iv id a d e e
e x p e r ie n c ia ç ã o são requisitos indispensáveis ao ensino
ihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
pré--escolar.
Antes de propor atividades e comentar o uso de
determi-nados brinquedos educativos, é necessário caracterizar o nível operatório a que nos referimos, o p r é - o p e r a t ó r io ou p r é - c o n c e
i-t u a l. Piaget deu este nome porque a criança, nesta idade, é
in c a p a z d e o p e r a r , isto é de relacionar. O pensamento dela é
absoluto, rígido, porque não apresenta mobilidade à relatividade
do pensamento adulto. O adulto sabe que a noção de esquerda
depende da posição do sujeito numa situação que exige a
re-lação entre o sujeito e o meio.
M a t e r n a l - Na vida diária da própria criança, a professora
pode encontrar uma infinidade de situações que podem ser
ex-ploradas ~ara transmitir ~ertas noções. Estas noções:
antes/de-pOIS, maior/menor; muito/pouco: grande/pequeno;
cornprl-do/c~rto; em cim.a/embaixo/?o lado; em frente/atrás; largo/
es~r~l~o; qrosso/fino: alto/baixo; forte/fraco; leve/pesado são o
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t n t c t o d a n u m e r a ç a o e c o n t a g e m .Aprendendo estas noções, através de brincadeiras ao ar
livre, a criança está ao mesmo tempo, desenvolvendo a
lingua-gem e a coordenação motora e descobrindo ela mesma e o
mundo ( E n s in o g lo b a liz a d o in t e g r a / ) .
S u g e s t õ e s - Identificar, pelos sentidos e manipulação,
q u a n t id a d e s d if e r e n t e s :
- trabalhando com conjuntos de enfiagem;
- a p r ó p r ia m e r e n d a e dos coleguinhas (muitas bolachas,
poucas bolachas, muito suco ou quantidades iguais);
- a s b r in c a d e ir a s (muitas brincadeiras, poucas);
- a o p r ó p r io c a n s a ç o (muito cansada, pouco cansada);
- a s e x p e r iê n c ia s (muitas tarefas, poucas tarefas);
- a s a p r e c ia ç õ e s d e t a r e f a s (muito azul, pouco azul);
- a s a p r e c ia ç õ e s d a n a t u r e z a (muita chuva, pouca chuva);
1 5 8 E d u cação em D eb ate, F o rt. 6 /7 (2 /1 ): ju l/d ez. 1 9 8 3 jan /ju n 1 9 8 4
- a s a p r e c ia ç õ e s s o n o r a s (muito barulho, pouco barulho);
- a s a p r e c ia ç õ e s d e b r in q u e d o s (muitas peças, poucas
peças);
- a s a p r e c ia ç õ e s g u s t a t iv a s (muito gostoso, pouco
gos-toso, muito azedo, pouco azedo, muito salgado, pouco salgado). Identificar, pelos sentidos e manipulação, t a m a n h o s d if e -r e n t e s :
., - nas próprias atividades de ordenação (o maior, o
me-nor);
- no manuseio de blocos e peças variadas;
- em brincadeiras (o maior chute, o maior salto, o maior
boneco):
- na apreciação de figuras (o maior caminhão, animal,
casa).
Identificar, pelos sentidos e manipulação, c o m p r im e n t o s d if e r e n t e s :
- no percurso de labirintos (labirinto comprido, curto);
- em caminhadas (caminho curto, caminho longo);
- medindo (comprido/curto);
- comparando rolos de massas (rolo comprido quando
es-tirado, rolo curto);
- comparando vários objetos (blocos de madeira, peças
dos tabletes, peças do Cuisenaire, blocos lógicos).
Identificar pelos sentidos e manipulação d if e r e n t e s p o s i-ç õ e s :
- subindo e descendo escadas (em cima, embaixo);
- colocando-se, em diferentes posições, em brincadeiras
de roda (dentro, fora, do lado);
- arrumar diferentes peças (em cima, embaixo, do lado);
- arremessando objetos (para cima, para baixo, para o
lado);
- correndo (pra frente, pra trás, para o lado);
- pintando (em cima, embaixo, no lado);
- realizando movimentos (braços para cima, para baixo,
sentada, em pé);
- manipulando bonecos articulados (boneco de pé,
sen-tado, com os braços para cima, com os braços para baixo);
- identificando partes do corpo (cabeça em cima, pés
embaixo, braços do lado do corpo).
Identificar pelos sentidos e manipulação e s p e s s u r a s :
- comparando diferentes objetos (livros, blocos,
fazen-das, papel);
- demonstrando, com o movimento dos dedos, as
espes-suras percebidas em certos objetos, de olhos fechados.
Identificar, pelos sentidos e manipulação,
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n o ç ã o d e p e s o :- levantando objetos;
- observando balanças e realizando experiências com
elas.
Identificando pelos sentidos e manipulação a r e s is t ê n c ia d o s o b je t o s :
- rasgando fazendas, papéis;
- apreciando a saúde das pessoas, a resistência para
realizar determinadas tarefas;
- realizando experiências de atrito com vários objetos.
Identificando pelos sentidos e manipulação a la r g u r a d o s
o b je t o s
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e
f o r m a ': ! e le s :- comparando pessoas, blocos e outros objetos;
- analisando atividades (batente larqo, estreito, portão
largo/estreito; buraco largo/estreito).
Identificando pelos sentidos e manipulação o t e m p o :
- observando atividades que foram realizadas antes e
depois;
- identificando os objetos que colocou antes e depois;
- nomeando o nome da coleguinha que está antes dela e
depois
dela.J a r d im I - A construção da noção de número vai
depen-der, nesta série, da noção de s e r ia ç ã o e c la s s if ic a ç ã o . S e r ia ç ã o :
- ordenar as próprias coleguinhas;
- ordenar blocos;
- ordenar atividades cotidianas;
- ordenar as peças de um ábaco;
- ordenar peças dos blocos lógicos;
- ordenar as peças do Cuisenaire;
- ordenar as peças de dominós de números;
- ordenar os próprios objetos da sala de aula;
- ordenar as próprias partes do corpo;
- ordenar os nOs. em lixa depois de encaixá-I os e contor-ná-Ios;
- ordenar as peças de uma estrutura qualquer (pirâmide
multiforme, dôndolo, seis barricas, seis canecas).
C la s s if ic a ç ã o :
- separar os brinquedos de madeira dos brinquedos de
plástico;
- separar os animais ferozes dos animais domésticos;
- separar os animais que voam dos animais que nadam;
160 E ducação em D ebate, F ort. 6 /7 (2/1): jul/dez. 1983 [an/iun 1984
- separar flores de animais;
- separar maçãs de laranjas;
- separar as frutas dos animais;
- separar peças grandes de peças pequenas;
- separar objetos leves de pesados;
- descobrir um critério para separar vários objetos
mis-turados (pelo tamanho, pela espécie, pela resistência, pela cor, pela forma etc.);
- separar latas cheias de vazias;
- separar caixas com figuras dentro e fora;
- unir peças de brinquedos educativos que tenham
.alg_u-ma relação (cadê, dominós de forma, cor, tamanho, associaçao
de idéias). . _
As aprendizagens adquiridas no Maternal e Jardim I sao
importantíssimas e correspondem ao C u r r í c u lo O c u lt o que,
se-gundo Orly(4) é o mundo de experiências vividas.
J a r d im / I - A N o ç ã o d e N ú m e r o pode ser desenvolvida
através da contagem e subtração de peças que devem ser
ma-nipuladas para que a criança, de forma concreta, possa
acre~-centar ou retirar. Desta maneira ela vai percebendo a
reversi-bilidade das operações, há números maiores e menores em
termos de quantidades.
O Cuisenaire e ábacos são extremamente importantes
nes-ta série.
U t iliz a ç ã o d e A b a c o s - O ábaco dá idéia de ordenação
(crescente e decrescente), permite a agregação de peças no
processo da soma; a retirada de peças no processo da
subtra-ção. A professora pode propor:
- coloque uma peça, duas, três assim por diante;
-- indique o pino que contém três etc.;
- quantas peças eu devo colocar no pino anterior ao
dé-cimo, sétimo, quinto? etc.;
- por que o último pino é o maior?
U t iliz a ç ã o d o P in u s
- ordene os pinus;
- compare as diferentes fileiras e verifique quantos pinue têm em cada uma;
- some todos os pinus;
- por que na 1.· fileira os pinus são menores?
- por que na última fileira os pinus são maiores?
U t iliz a ç ã o d e C o n ju n t o s d e E n f ia g e m
- enfiar cinco contas, seis, sete, etc.;
- enfiar sete contas e retirar duas. Contar quantas
fi-caram.
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U t iliz a ç ã o d e D o m in ó s - Fazer as correspondências
en-tre quantidades e a representação numérica. (Dominó já sei
contar; do um ao nove; do um ao 25).
U t iliz a ç ã o d a R é g u a d e C u is e n a ir e - O método de
Cuise-naire, também chamado de números em cores é outro valioso
e atraente recurso que enriquece as experiências sensoriais,
etapa inicial na aquisição dos conceitos. Manipulando as
bar-ras a criança vai percebendo a diferença de tamanho e cor e
vai ordenando-as. Através da ordenação ela vai descobrindo
que elas correspondem a nvs, diferentes e vai associando a
cada cor um
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n.".
Assim:- o
n,?
1 é representado pela barra branca;- o n," 2 representado pela barra vermelha; - o
n."
3 representado pela barra verde-claro; - o n." 4 representado pela barra lilás;- o n,? 5 representado pela barra amarela;
- o n." 6 representado pela barra verde-escuro;
- o n.? 7 representado pela barra preta;
- o n," 8 representado pela barra marrom; - o n," 9 representado pela barra azul;
- o n.o 10 representado pela barra alaranjada.
"O Cuisenaire é um material essencialmente ativo e
atraen-te. Manipulando as barrinhas coloridas as crianças descobrem
conceitos, indispensáveis nas operações matemáticas
funda-mentais, treinando a percepção visual e psicomotricidade". (6,
p. 143).
Elas estruturam de tal forma a percepção que são capazes
de dar respostas imediatas a reunião de peças. Exemplo: dois
vermelhos são quatro.
Um branco e um vermelho são três e assim por diante.
Aprendem a tabuada rapidamente fixando-se por toda vida.
Podem também serem desenvolvidas atividades de
re-creação onde as crianças executam construções com as
bar-rinhas: trenzinhos, casinhas, figuras geométricas, cadeiras,
fo-gueiras, muros, pontes, mosaicos, escadinhas etc.
Enfim no J a r d im / I as crianças devem apenas separar as barrinhas pelas cores; associar a cada cor um
n,":
ordenar asbarrinhas tanto na ordem crescente como decrescente e
apren-162 E d u cação em D eb ate, F o rt. 6 /7 (2 /1 ): ju l/d ez. 1 9 8 3 jan /ju n 1 9 8 4
der a contar reunindo barrinhas. Para fixar a cor do numeral a
professora pode realizar experiências, como esta: levantar uma
barrinha e pedir que a criança mostre uma barrinha maior do
que ela, uma menor e explicar o porque.
N o J a r d im / I o nível motor da criança está bastante
desen-volvido e ela é capaz de representar graficamente os símbolos
numéricos. A professora pode realizar uma série de exercícios
gráficos para aperfeiçoamento da motricidade fina.
N o J a r d im / I a professora deve começar a pedir explicações
das crianças. Por exemplo: pedir às crianças que sobreponham
as barrinhas da mesma cor e perguntar o que elas observam.
Separar as barrinhas da mesma cor e indicar o numeral
correspondente a cada cor, demonstrando com o uso da
barri-nha branca. Assim, a barrinha vermelha corresponde ao
n.?
2porque corresponde a duas barras brancas.
Explorar o vocabulário: antes do; depois do; entre; maior
do que; menor do que.
Levar a criança a estabelecer correspondências entre as
barrinhas e a representação dos numerais. Exemplo: estou
pen-sando em uma barrinha vermelha, em que número estou
pen-sando? Bater no tambor e pedir para a criança mostrar a
barri-nha de acordo com o número de batidas.
A professora pode iniciar também noções de igual = ;
di-ferente
=1=.
B lo c o s ló g ic o s - Os blocos lógicos são especificamente
utilizados para transmitir noções de conjuntos. Vide artigo in
E d u c a ç ã o em D e b a t e , vol. 4/5, n." 2/1 - 1982/1983 de nossa
autoria. A professora pede a criança para classificar os blocos
considerando um elemento ou mais de um elemento.
Separar os blocos considerando uma diferença (forma
-cor - tamanho - espessura).
Usar os blocos para transmitir noções:
- de união (quadrados ou azuis)
- igual =
- diferente
LKJIHGFEDCBA
= F- pertence E
- não pertence
A lf a b e t iz a ç ã o - Na alfabetização a criança já deve ser
capaz de fazer algumas representações numéricas e ter idéia
sobre operações matemáticas ligadas a soma e subtração, e
algumas noções de conjunto. O importante é que ela tenha
compreendido muito bem o que aprendeu manipulando o
con-creto e realizando atividades de caráter prático.
Na alfabetização trabalha-se com mais afinco a
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n o ç ã o d eLKJIHGFEDCBA
n " , inicia-se a noção de d e z e n a , c e n t e n a , de in t e r s e c ç ã o , m a io r
.>,
m e n o rihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
< .
s o m ae
s u b t r a ç ã o . M a t e r ia l p e d a g ó g ic o a d e q u a d o- P r im e ir o s c á lc u lo s - Favorece a percepção de
quanti-dades e a soma. O brinquedo é apresentado em forma de jogo,
podendo ser usados um ou dois dados à medida que a criança
for dominando os cálculos de adição. Consiste em arremessar
o dado ou dados, identificar a quantidade ou soma e colocar em
cada cartela os quadrantes que contêm aquela quantidade ou
soma.
- S e m p r e d o z e - Jogo divertido para exercitar cálculos
de adição.
A
cada momento a situação de combinação, paraformar um total de doze, se modifica.
- T á b u a d e c a lc u la r - Tabuleiro com 35 quadrinhos com
números de 1 a 10. ~ um jogo que deve ser utilizado com a
criança que já conhece o sinal
+.
O tabuleiro deve serapresen-tado vazio, colocar apenas o sinal
+
em sentido horizontal eno sentido vertical nos n.Os de 1 a 5. Efetuar as operações
par-tindo do n.? 1. Desta forma o tabuleiro vai sendo preenchido
com as peças brancas que correspondem ao resultado da
adição.
- D o m in ó P u z z le d o 1a o 25 - Vinte e cinco cartelas em
forma de quebra-cabeça, apresentando figuras e n.Os de 1 a 25.
B lo c o s L ó g ic o s - Com os Blocos Lógicos dar noções,
so-bre:
- União
- Intersecção
- Igual =
- Diferente =,1=
- Maior>
- Menor
<
- Pertence
E
- Não pertence
R é g u a d e C u is e n a ir e - Com o Cuisenaire a Professora
pode realizar uma série de exercícios para f ix a r n o ç ã o d e n " e
a p r e n d iz a g e m d e o p e r a ç õ e s m a t e m á t ic a s f u n d a m e n t a is .
Exemplos:
Pedir a criança que apanhe uma barrinha qualquer, como
por exemplo, uma vermelha, depois pegue outra qualquer, de
cor diferente, por exemplo, a branca. Colocando a barrinha
branca sobre a vermelha, nós precisaremos de outra barrinha
1 6 4 E d u cação em D eb ate, F o rt. 6 /7 (2 /1 ): ju 1 !d ez. 1 9 8 3 jan /ju n 1 9 8 4
para completar a vermelha que é outra barrinha branca (6, p.
143).
Realizar várias experiências como esta descrita acima,
uti-lizando barrinhas de outras cores. .
Demonstrar, com a barrinha alaranjada que uma dezena
vale 10 porque tem 10 unidades.
A
professora pode demonstrar noções de conjuntocompa-rando as barrinhas. A barrinha alaranjada, por exemplo, tem
um elemento a mais que o conjunto de 9 elementos -
bar-rinha azul.
A professora também pode estabelecer relações:
maior que
menor que
igual a vem antes depois entre
um a mais que
um a menos que
Levantar questões, como:
- qual a barrinha que vem antes da lilás? e depois?
- qual a barrinha que está entre a barrinha preta e
ama-rela?
- quais as barrinhas maiores que a azul?
- quais as barrinhas menores do que a amarela?
- qual barrinha é maior, a azul ou a alaranjada?
- qual o numeral que está entre o 7 e o 9?
- que número é um a mais que o 5?
- que número é um a menos que o 9? (6 , p. 143).
Tomar duas barrinhas de tamanhos diferentes, por exemplo:
2 é menor do que 4 ou 2 é diferente de 4. E assim sucessivamente.
Tomar uma barrinha qualquer e pedir que as crianças
reú-nam outras barrinhas formando o mesmo numeral. Exemplo: a
barrinha amarela tem 5 unidades. Como reunir outras barrinhas
para formar o 5.
Resposta: com 5 barrinhas brancas
com 2 vermelhas e 1 branca
com 3 brancas e 1 vermelha
A
ZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
c o m p o s t ç e o d eLKJIHGFEDCBA
b a r r i n h a s pode ser feita de variasma-neiras, dependendo do numeral que terá de ser composto.
A professora pode propor a composição estabelecendo
re-gras. Exemplo:
A barrinha lilás tem 4 unidades.
Compor o numeral 4 usando sempre 2 barrinhas.
Assim: 1 branca e verde-claro
1 verde-claro e 1 branca
2 vermelhas
Substituindo a cor da barrinha pelo número que ela
re-presenta a criança vai fazendo associação da cor com o
nume-ral correspondente. Gradativamente a professora vai registran-do as simbolizações.
Assim: 1
+
3=4ihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
3
+
1 =42+2 = 4
Para s u b t r a ç ã o a professora pede inicialmente para a
crian-ça compor a barrinha 5, por exemplo. Em seguida, pede para
as crianças retirarem todas as barrinhas da direita e
misturá--Ias. A criança deve reconstruir as barrinhas colocando-as nos
seus respectivos lugares.
Demonstrar exemplificando, o que for feito.
Exemplo: Fizemos a composição do 5.
Em seguida retiramos todas as barrinhas da direita.
Assim: do 5 formado tiramos 2 e ficou 3
do 5 formado tiramos 4 e ficou 1 do 5 formado tiramos 3 e ficou 2 do 5 formado tiramos 1 e ficou 4
Simbolizando as operações, demonstrar:
5 -3 =2 5 -4 = 1 5 -3 = 2 5 - 1 = 4
A professora pode criar situações-problemas, como
exem-plifica Edith (6, p. 148).
Toma-se a barrinha 6 (verde-claro). Separa-se todas as
bar-rinhas menores que 6 e inicia-se os problemas.
Exemplo - Barrinha verde-claro 6
166 E d u cação em D eb ate, F o rt. 6 /7 (2 /1 ): ju lld ez. 1 9 8 3 jan /ju n 1 9 8 4
Coloca-se embaixo da barrinha verde-claro a barrinha
ver-melha 2. Então, pergunta-se: Se eu tenho 2, quanto me falta
para 6? (Edith, p. 148).
N o t a : Curso planejado pela Escola Meu Caminho em
colabo-ração com Bloquinhos - Brinquedos Inteligentes.
BIBLIOGRAFIA
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