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Comunicação Interpessoal e Assertividade

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Academic year: 2021

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Comunicação Interpessoal

e Assertividade

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Folheto 1.

Insuficiência Renal Crónica Terminal

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Comunicação interpessoal

Comunicar é uma capacidade humana que permite que nos relacionemos com os outros e com o mundo à nossa volta1. Por isso, a comunicação é a base de todo o relacionamento humano, pois permite que transmitamos aos outros os nossos pensamentos, emoções, intenções e desejos2.

Todo o comportamento humano numa situação de interação com outra pessoa, tem o valor de uma mensagem, ou seja, é comunicação. É impossível não comunicar, mesmo que estejamos em silêncio. Todos os nossos gestos, palavras ou silêncios transmitem uma mensagem e influenciam os outros à nossa volta1.

Quando mal utilizada ou interpretada, a comunicação pode ser causadora de mal-estar e de stress. Deste modo, melhorar a forma como comunicamos com os outros é uma estratégia fundamental para que as nossas relações interpessoais sejam fortalecidas e para que o stress relacional seja controlado e prevenido3.

Comunicação e hemodiálise

A comunicação entre os pacientes em hemodiálise e entre o paciente e o profissional de saúde é muito particular, dado o tempo prolongado (por vezes anos) de convívio semanal.

Isto pode traduzir-se numa maior familiaridade e em relacionamentos mais próximos4;

Ou pode também levar a situações onde existem dificuldades de comunicação, stress relacional ou comunicação agressiva5.

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Comunicação assertiva

- Aceita a opinião dos outros;

- Defende os seus direitos e os dos outros;

- Expressa as suas ideias e pensamentos de forma direta e honesta;

- Respeita-se e faz-se respeitar.

Exemplos

- Não sou o melhor, mas também não sou um inútil. Sou um ser humano e, como tal, posso falhar e cometer erros.

- Posso não conseguir o que quero, mas vou dar o meu melhor e tentar.

O impacto da doença na vida da família pode também resultar em dificuldades de comunicação, situações de conspiração de silêncio ou até ruturas relacionais6.

Uma comunicação familiar positiva está relacionada com uma maior coesão da família e uma melhor gestão da doença7.

Uma má comunicação familiar está relacionada com a presença de um maior número de conflitos familiares e criticismo que, por sua vez, dificultam a gestão que a família faz da doença7.

Estilos de comunicaçãointerpessoal

Existem três estilos de comunicação interpessoal: o estilo assertivo, o agressivo e o passivo2,3,8:

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Comunicação passiva

- Tem dificuldade em expressar o seu ponto de vista;

- Não defende os seus direitos, nem exprime as suas ideias;

- Desiste facilmente e tem dificuldade em tomar decisões.

Exemplos

- Ele está certo. Eu é que estou errado.

- Não consigo fazer o que quero. Os outros é que me obrigam a fazer as coisas de determinada forma.

Comunicação agressiva

- Impõe aos outros a sua vontade;

- Não respeita o tempo de comunicação, nem as opiniões ou direitos dos outros;

- Interrompe muitas vezes os outros e julga-se o defensor da sabedoria e da verdade.

Exemplos

- Eu estou certo. Os outros é que estão errados.

- Vou conseguir o que quero! Custe o que custar!

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Qual a melhor forma de comunicar?

A comunicação assertiva é o estilo interpessoal mais recomendado para comunicar com os outros, uma vez que se tem revelado como a melhor forma de exprimirmos as nossas ideias, pensamentos, convicções, desejos e intenções, respeitando sempre as outras pessoas8.

Comunicar de forma assertiva tem sido apontada como uma boa estratégia para resolver conflitos. Se duas pessoas comunicarem de forma assertiva entre si, há uma maior probabilidade de chegarem a um acordo mútuo que seja satisfatório para ambas as partes2.

Ao contrário da comunicação agressiva e da comunicação passiva, a assertividade pode ajudar numa melhor gestão das situações de stress relacional, de conflito familiar ou com os profissionais de saúde.

Comunicar assertivamente ajuda a que estas relações se tornem confortáveis, abertas e seguras para ambas as partes envolvidas3.

Como ser mais assertivo?

A assertividade é uma competência social que pode ser aprendida e treinada ao longo do tempo2,8.

Mantenha o contacto visual enquanto comunica.

Transmita uma postura descontraída através dos gestos e expressões faciais.

Fale e deixe a outra pessoa falar.

Transmita as suas ideias de forma clara e honesta.

Seja o mais direto possível.

Exprima as suas emoções e preferências.

Pode discordar do ponto de vista do outro, mas deve sempre respeitar a opinião dele.

Evite fazer imposições como “deve fazer isto” ou “tem de fazer”.

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Sabemos que, por vezes, existem situações delicadas nas quais é difícil manter-se uma comunicação assertiva.

Por exemplo: Ao comunicar com os profissionais de saúde da sua equipa de diálise, alguns pacientes adotam uma postura de maior passividade e evitam questioná-los com receio de incomodar ou de colocar em causa o seu trabalho.

Tenha em atenção a sua linguagem corporal e o seu comportamento não-verbal2,8:

Mantenha-se calmo durante a comunicação;

Proponha soluções e procure, em conjunto, a melhor solução para ambos;

Seja um bom ouvinte;

Seja empático com as necessidades e preferências do outro.

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Existe uma técnica designada por DESC que pode ser utilizada para treinar a sua assertividade em 4 passos: Descrever, Expressar, Sugerir e Concluir2.

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Exemplo de uma situação:

O Sr. Filipe encontra-se deitado no seu cadeirão e está na sua segunda sessão de hemodiálise. Hoje, está a ser um dia complicado… Lá fora estava muito calor e agora está a sentir frio e algumas tonturas. De repente, no ecrã da máquina de hemodiálise, aparece uma luz vermelha e a máquina começa a fazer uma série de sons que se ouvem pela sala toda. O Sr. Filipe não sabe o que fazer. Estará algo fora do normal? Será por isso que se sente tonto?

Passado um minuto (que ao Sr. Filipe pareceu uma eternidade), o enfermeiro Adelino aproxima-se, vira o ecrã, mexe em alguns botões e a máquina deixa de fazer barulho. O que terá ele feito? O Sr. Filipe quer perguntar, quer saber se está relacionado com as tonturas que sente ou o que aconteceu para a máquina ter começado a fazer barulho, mas tem vergonha e não quer incomodar. Por isso, não pergunta nada e vai para casa preocupado, com receio de que tenha feito alguma coisa de errado e com medo que volte a acontecer.

1. Descrever a situação:

Descrever a situação ao outro de forma clara e objetiva.

2. Expressar sentimentos:

Afirmar o que sentiu com a situação.

3. Sugerir uma ação:

Propor uma alternativa à situação.

4. Concluir:

Tentar motivar o outro para a alternativa proposta, indicando os seus benefícios.

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Na próxima sessão de hemodiálise, o senhor Filipe pode aplicar a técnica DESC para falar com o enfermeiro.

1. DESCREVER os factos Enfermeiro Adelino, na sessão de hemodiálise anterior não percebi muito bem o que se passou quando a máquina começou a apitar com a luz vermelha. Sentia-me tonto e com frio e, de repente, a máquina começou a apitar. Não compreendi muito bem o que aconteceu ou o que posso fazer para que isso não se repita.

2. EXPRESSAR sentimentos Senti-me preocupado e ansioso. Até fui para casa a pensar nisto e hoje venho com receio que volte a acontecer, porque não percebo o que se passou, nem sei se fiz algo de errado ou se era porque me estava a sentir mal.

3. SUGERIR uma ação Eu gostava que o enfermeiro me explicasse melhor o que se passou e o que acontece para que a luz vermelha acenda.

4. CONCLUIR Isso seria importante para mim, porque tornar-me-ia mais capaz de lidar com a minha ansiedade quando venho para o tratamento de hemodiálise. Assim, também compreenderia melhor o funcionamento da máquina. Isso seria melhor para si também, porque se eu perceber o porquê de isto acontecer, talvez o possa evitar e o enfermeiro não precisa de vir cá tantas vezes desligar o alarme.

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Referências bibliográficas

1. Pereira, A., (2008). Comunicação. Formasau: Formação e Saúde Lda

2. Marques, A., Figueiredo, D., Jácome, C., Cruz, J. (2016). Doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC). E agora? Loures: LUSODiDacta

3. Ramos, M. (2008). Crescer em stresse: Usar o stresse para envelhecer com sucesso. Lisboa: Ambar 4. Yokoyama, Y., Suzukamo, Y., Hotta, O., Yamazaki, S., Kawaguchi, T., Hasegawa, T., Chiba, S., Moriya, T., Abe, E., Sasaki, S., Haga, M., & Fukuhara, S. (2009). Dialysis staff encouragement and fluid control adherence in patients on hemodialysis. Nephrology nursing journal: journal of the American Nephrology Nurses' Association, 36(3), 289–297.

5. Bennett, P. N., Bonner, A., Andrew, J., Nandkumar, J., & Au, C. (2013). Using images to communicate the hidden struggles of life on dialysis. Journal of Communication in Healthcare, 6(1), 12–21. https://doi.org/10.1179/1753807613y.0000000031

6. Rosland, A. M., Heisler, M., & Piette, J. D. (2012). The impact of family behaviors and communication patterns on chronic illness outcomes: A systematic review. Journal of Behavioral Medicine, 35(2), 221–239. https://doi.org/10.1007/s10865-011-9354-4

7. Martire, L., & Helgeson, V. (2017). Close relationships and the management of chronic illness:

Associations and interventions. American Psychologist Journal, 72(6), 601–612. https://doi.org/10.1037/amp0000066

8. Bower, S.A., Bower, G.H. (1976). Asserting yourself: A practical guide for positive change. Reading, MA: Addison Wesley Publishing

Referências

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