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LISTA DE EXERC´ICIOS 04 – v. 1.0 Assuntos:

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UFPE — MA989 — 2014.1 — PROF. FERNANDO J. O. SOUZA

LISTA DE EXERC´ ICIOS 04 – v. 1.0

Assuntos: Simboliza¸c˜ao na l´ogica de predicados de 1

a

ordem; aplica¸c˜ao sint´atica de equivalˆencias l´ogicas;.

Orienta¸ c˜ ao: Dar solu¸c˜oes leg´ıveis e completas, explicando todos os passos e detalhes, e indicando as propriedades e os resultados utilizados. S´o conferir a solu¸c˜ao de um item ap´os tentar resolvˆe-lo seriamente.

Quest˜ ao 1. Considerem-se os seguintes predicados, onde = indica que o b s´ımbolo `a esquerda denota a express˜ao entre aspas `a direita:

P

1

(x, y) = “x b = y”; P

2

(x, y ) = “x < y”; b P

3

(x, y, z) = “xy b = z”, ou seja, P

3

(x, y, z) = P

1

(m(x, y), z), onde m : R × R −→ R

(x, y) 7−→ m(x, y ) = xy.

Utilizando apenas conectivos, quantifica¸c˜ao

1

no dom´ınio de discurso R , e 0 e 1 como constantes reais

2

(e n˜ ao como constantes l´ogicas) como achar apropri- ado, simbolizar as 15 proposi¸c˜oes S

ı

abaixo como express˜oes bem formadas diretamente a partir dos predicados dados P

dados acima, moldando sua sintaxe convenientemente e, se necess´ario, usando equivalˆencias l´ogicas:

S

1

= “0 n˜ao possui inverso (multiplicativo)”; b

S

2

= “Se um n´ b umero real r n˜ao possui inverso, ent˜ao r tem que ser nulo”;

S

3

= “0 ´e o ´ b unico n´ umero real que pode n˜ao possuir inverso”;

S

4

= “0 ´e o ´ b unico n´ umero real que n˜ao possui inverso”;

S

5

= “Para todo n´ b umero real r, apenas uma das trˆes situa¸c˜oes ocorre: ou r ´e positivo, ou r ´e negativo, ou r ´e nulo”;

S

6

= “O inverso de um n´ b umero real n˜ao-nulo r tem o mesmo sinal que r”;

S

7

= “Todo n´ b umero real n˜ao-negativo r possui uma raiz quadrada”;

S

8

= “Todo n´ b umero real r possui, no m´aximo, uma raiz quadrada”;

S

9

= “A raiz quadrada de um n´ b umero real r, quando existe, ´e ´ unica”;

S

10

= “1 ´e o ´ b unico n´ umero real positivo igual ao seu pr´oprio quadrado”;

S

11

= “0 e 1 s˜ao os ´ b unicos n´ umeros reais iguais aos seus respectivos quadra- dos”;

1Apenas com instˆancias de ∃ e ∀, j´a se combinando vari´aveis quando conveniente.

Ex.: As duas senten¸cas a seguir poderiam ser usadas como partes de uma express˜ao bem formada: “∃z ∈R :” para denotar “existe um n´umero real z tal que”; e “∀x, y ∈R” para denotar “para todo n´umero real x, para todo n´umero real y,”. Observe-se que z ´e uma vari´avel, masz2e 1/zn˜ao o s˜ao.

2Ex.: P1(r,1) denota o predicado “r= 1”, enquantoP1(0,1) denota a proposi¸c˜ao (falsa)

“0 = 1”.

(2)

S

12

= “Se a raiz quadrada de um n´ b umero real r ´e menor que r, ent˜ao r ´e maior que 1”;

S

13

= “Se a raiz quadrada de um n´ b umero real r ´e maior que r , ent˜ao r est´a estritamente entre 0 e 1”;

S

14

= “A fun¸c˜ao quadrado de um n´ b umero ´e crescente nos n´ umeros reais n˜ao- negativos”;

S

15

= “A fun¸c˜ao raiz quadrada ´e crescente nos n´ b umeros reais n˜ao-negativos”.

Coment´ arios:

• Deve-se ter em mente que este ´e um exerc´ıcio de simboliza¸ c˜ ao, e n˜ ao de dedu¸ c˜ ao;

• As proposi¸c˜oes apresentadas podem ser verdadeiras ou falsas;

• Observe-se que um n´ umero real s ser inverso multiplicativo de um n´ u- mero real r traduz-se por “sr = 1 = rs”;

• E interessante a distin¸c˜ao entre “uma” raiz quadrada e “a” raiz quadrada ´ (principal), sendo esta ´ ultima n˜ao-negativa. Ex.: 2 e − 2 s˜ao ra´ızes quadradas de 4, e 2 ´e a raiz quadrada principal de 4;

• A inexistˆ encia de algo ´e a nega¸c˜ao da existˆencia daquilo;

• A unicidade ´e reproduzida matematicamente como: se dois objetos satisfazem a condi¸c˜ao em quest˜ao, ent˜ao eles s˜ao iguais.

Quest˜ ao 2. Considere-se a fun¸c˜ao booleana abaixo, dada em nota¸c˜ao alg´e- brica, onde A , B e C s˜ao vari´aveis proposicionais:

f(A, B, C) = A AB C + B A C + B C

+ A B C.

2.a. Utilizando apenas equivalˆencias l´ogicas j´a estudadas, converter f numa soma minimal de produtos;

2.b. Construir trˆes predicados P

1

(x), P

2

(x, y) e P

3

(y) dependentes das va- ri´aveis reais x e y tais que a proposi¸c˜ao abaixo ´e verdadeira:

∀ x ∈ R, ∀ y ∈ R, f ( P

1

( x ) , P

2

( x, y ) , P

3

( y )).

(3)

resolu¸ c˜ oes

Quest˜ ao 1 – uma solu¸ c˜ ao.

S

1

= ∄s ∈ R : s 0 = 1 = 0 s ∴ S

1

= ¬ ∃ s ∈ R : P

3

( s, 0 , 1) ∧ P

3

(0 , s, 1).

S

3

=

3

S

2

= ∀ r ∈ R, ( ∄s ∈ R : sr = 1 = rs) → r = 0 ∴

S

3

= S

2

= ∀ r ∈ R, ¬ ( ∃ s ∈ R : P

3

( s, r, 1) ∧ P

3

( r, s, 1)) → P

1

( r, 0).

S

4

= S

1

∧ S

2

(inexistˆencia e unicidade, respectivamente). Pode-se tamb´em moldar S

4

como: ∀ r ∈ R, ¬ ( ∃ s ∈ R : P

3

( s, r, 1) ∧ P

3

( r, s, 1)) ↔ P

1

( r, 0).

Para a proposi¸c˜ao S

5

, ´e tentador o uso do conectivo l´ogico “ou exclu- sivo”, aqui denotado por ˙ ∨ . Ele ´e associativo e comutativo, o que pode ser facilmente deduzido a partir de sua tabela l´ogica, ou de express˜oes dele em termos de outros operadores, tais como A ∨ ˙ B = (A ∨ B) ∧ ( ¬ A ∨ ¬ B) = ( A ∨ B ) ∧ ¬ ( A ∧ B ). No entanto, deve-se ter cuidado com o fato de que V ∨ ˙ V ∨ ˙ V = V , expressando algo diferente do que se deseja com S

5

. Esta ´e mais pr´oxima do senso comum a respeito do “ou exclusivo”. Isto pode ser contornado ao se suplementar A ∨ ˙ B ∨ ˙ C com o termo an´alogo `a ´ ultima rees- critura de A ∨ ˙ B acima, a saber, com ¬ (A ∧ B ∧ C). Isto elimina o valor V quando A = B = C = V : (A ∨ ˙ B ∨ ˙ C) ∧ ¬ (A ∧ B ∧ C) ´e verdadeira quando uma e apenas uma das trˆes vari´aveis proposicionais ´e verdadeira

4

. Assim:

S

5

= ∀ r ∈ R, (P

2

(0, r) ˙ ∨ P

2

(r, 0) ˙ ∨ P

1

(r, 0)) ∧ ¬ (P

2

(0, r) ∧ P

2

(r, 0) ∧ P

1

(r, 0)).

A rigor, S

6

deveria ser simbolizada sem que se assumissem outras propo- si¸c˜oes (S

4

, por exemplo) ou algum conhecimento sobre a rela¸c˜ao de ordem, apenas se usando a no¸c˜ao de sinal introduzida imediatamente ap´os S

5

:

S

6

= ∀ r, s ∈ R, ( ¬ P

1

( r, 0) ∧ P

3

( s, r, 1) ∧ P

3

( r, s, 1)) →

[(P

2

(0, s) ↔ P

2

(0, r)) ∧ (P

2

(s, 0) ↔ P

2

(r, 0))].

Obs.: Assumir a tricotomia do sinal leva a:

S

6

↔ ∀ r, s ∈ R, ( ¬ P

1

(r, 0) ∧ P

3

(s, r, 1) ∧ P

3

(r, s, 1)) → (P

2

(0, s) ↔ P

2

(0, r)).

Um n´ umero real r ser quadrado de um n´ umero real s traduz-se por “s

2

= r” que, neste contexto, simboliza-se como P

3

(s, s, r). s ser raiz quadrada de r tamb´em se traduz assim, embora s ser “ a raiz quadrada (principal)” de r acrescenta a condi¸c˜ao “s ´e n˜ao-negativo” ( ¬ P

2

(s, 0)). Assim, no primeiro

3H´a l´ogicas mais ricas do que a de predicados, como a l´ogica modal, que a estende e inclui as ideias duais denecessidadeepossibilidade. Nela,S2 eS3 seriam distintas.

4Isto tamb´em pode ser facilmente escrito em formal normal disjuntiva ou conjuntiva.

(4)

sentido (“uma”), S

8

´e falsa, enquanto no segundo (“a”), ela ´e verdadeira.

Ambas as vers˜oes ser˜ao consideradas, embora a distin¸c˜ao apare¸ca na solu¸c˜ao abaixo (onde S

8

´e falsa). Da´ı: S

7

= ∀ r ∈ R, ¬ ( r < 0) → ∃ s ∈ R : s

2

= r ∴

S

7

= ∀ r ∈ R, ¬ P

2

(r, 0) → ∃ s ∈ R : P

3

(s, s, r).

S

8

= ∀ r, s, t ∈ R, s

2

= r = t

2

→ s = t ∴

S

8

= ∀ r, s, t ∈ R, (P

3

(s, s, r) ∧ P

3

(t, t, r)) → P

1

(s, t).

A menos de “uma” vs. “a”, S

9

parece-se com S

8

: Matem´aticos costumam expressar unicidade (“dados dois (...), eles s˜ao iguais”) pela implica¸c˜ao “se existe (...), ent˜ao ele ´e ´ unico”, como em S

9

, uma vez que se entende “quando A , (tem-se) B ” como “se A , (ent˜ao) B ”. O(a) leitor(a) pode ter pensado apenas na unicidade, considerando que unicidade sem existˆencia seria in´ util mas, a rigor, unicidade e existˆencia s˜ao proposi¸c˜oes separadas:

S

9

= ∀ r ∈ R, ( ∃ q ∈ R : ¬ (q < 0) ∧ q

2

= r) →

( ∀ s, t ∈ R, ( ¬ (s < 0 ∨ t < 0) ∧ s

2

= r = t

2

) → s = t) ∴ S

9

= ∀ r ∈ R, ( ∃ q ∈ R : ¬ P

2

(q, 0) ∧ P

3

(q, q, r)) →

( ∀ s, t ∈ R, ( ¬ ( P

2

( s, 0) ∨ P

2

( t, 0)) ∧ P

3

( s, s, r ) ∧ P

3

( t, t, r )) → P

1

( s, t )).

S

10

= ∀ r ∈ R, (0 < r ∧ r

2

= r) ↔ r = 1 ∴

S

10

= ∀ r ∈ R, ( P

2

(0 , r ) ∧ P

3

( r, r, r )) ↔ P

1

( r, 1).

S

11

= ∀ r ∈ R, r

2

= r ↔ (r = 0 ∨ r = 1) ∴

S

11

= ∀ r ∈ R, P

3

( r, r, r ) ↔ ( P

1

( r, 0) ∨ P

1

( r, 1)).

O(a) leitor(a) pode ter inclu´ıdo a existˆencia nas duas pr´oximas proposi¸c˜oes acidentalmente: Para S

12

, ∀ r ∈ R, ( ∃ s ∈ R : s

2

= r ∧ ¬ ( s < 0) ∧ s < r ) → 1 < r e, para S

13

, ∀ r ∈ R, ( ∃ s ∈ R : s

2

= r ∧ ¬ ( s < 0) ∧ r < s ) → 0 < r < 1.

Contudo, elas n˜ao fazem referˆencia a quest˜oes existenciais e correspondem a:

S

12

= ∀ r, s ∈ R, ( s

2

= r ∧ ¬ ( s < 0) ∧ s < r ) → 1 < r ∴

S

12

= ∀ r, s ∈ R, ( P

3

( s, s, r ) ∧ ¬ P

2

( s, 0) ∧ P

2

( s, r )) → P

2

(1 , r );

S

13

= ∀ r, s ∈ R, ( s

2

= r ∧ ¬ ( s < 0) ∧ r < s ) → 0 < r < 1 ∴

S

13

= ∀ r, s ∈ R, ( P

3

( s, s, r ) ∧ ¬ P

2

( s, 0) ∧ P

2

( r, s )) → ( P

2

(0 , r ) ∧ P

2

( r, 1)).

Observe-se a falta da palavra “estritamente” antes de “crescente” nas duas

´

ultimas proposi¸c˜oes. a ≤ b ´e obtido como (a < b ∨ a = b) ou, alternativa-

mente, ¬ (b < a): ambas as express˜oes modelam a ≤ b corretamente para

a descri¸c˜ao do crescimento das fun¸c˜oes. Deseja-se simbolizar (j´a se usando

uma das leis de De Morgan) ∀ q, r ∈ R, ¬ (q < 0 ∨ r < 0 ∨ r < q) → A, onde

(5)

A = b ¬ (r

2

< q

2

) para S

14

, e A = b ¬ ( √

r < √ q) para S

15

. Os quadrados s˜ao f´a- ceis de representar fielmente: introduzem-se s´ımbolos s e t iguais aos seus res- pectivos valores. J´a a fun¸c˜ao raiz quadrada ´e a raiz principal (n˜ao-negativa), for¸cando a combina¸c˜ao de condi¸c˜oes ¬ (s < 0 ∨ t < 0) ∧ s

2

= q ∧ t

2

= r:

S

14

= ∀ q, r, s, t ∈ R,

( ¬ [ P

2

( q, 0) ∨ P

2

( r, 0) ∨ P

2

( r, q )] ∧ P

3

( q, q, s ) ∧ P

3

( r, r, t )) → ¬ P

2

( t, s );

S

15

= ∀ q, r, s, t ∈ R,

¬ [ P

2

(q, 0) ∨ P

2

(r, 0) ∨ P

2

(s, 0) ∨ P

2

(t, 0) ∨ P

2

(r, q)]

∧ P

3

(s, s, q) ∧ P

3

(t, t, r)

→ ¬ P

2

(t, s).

2.a. Uma poss´ıvel sequˆencia ´e dada abaixo, onde instˆancias de associativi- dade s˜ao usadas livre e implicitamente (os estudantes devem observar onde elas ocorrem): f (A, B, C) =

A AB C + B ( A C + B C ) + A B C = (DeMorgan)

A (A + B) C + B (A C + B C) + A B C = (distributividade) (A A) C + A B C + B A C + (B B) C + A B C = (complemento)

0 C + A B C + B A C + 0 C + A B C = (limita¸c˜ao)

0 + A B C + B A C + 0 + A B C = (neutralidade)

A B C + B A C + A B C = (comutatividade)

A B C + A B C + A B C = (distributividade)

A B (C + C) + A B C = (complemento)

A B 1 + A B C = (neutralidade)

A B + A B C .

2.b – uma solu¸ c˜ ao: Apenas neste item, para que 0 e 1 denotem os res- pectivos n´ umeros reais, a nota¸c˜ao l´ogica utilizada ser´a ∧ , ∨ , ¬ , F e V . Considerando-se a resposta do Item 2.a, desejam-se predicados P

1

(x), P

2

(x, y) e P

3

(y) em vari´aveis reais x e y tais que ´e verdadeira a seguinte proposi¸c˜ao:

∀ x ∈ R, ∀ y ∈ R, [P

1

(x) ∧ ¬ P

2

(x, y)] ∨ [ ¬ P

1

(x) ∧ P

2

(x, y) ∧ P

3

(y)]

Observe-se que P

1

( x ) e P

3

( y ) s˜ao restri¸c˜oes sobre os n´ umeros reais x e y, respectivamente. Para sua veracidade, as primeira e segunda conjun¸c˜oes exigem, respectivamente, P

1

( x ) = V e P

1

( x ) = F e, portanto, a disjun¸c˜ao s´o

´e verdadeira de forma exclusiva. Al´em disto, o valor l´ogico de P

2

( x, y ) deve ser complementar ao de P

1

(x), e, caso P

1

(x) = F , deve-se ter P

3

(y) = V . Uma escolha para os dois primeiros predicados seria P

1

(x) = “x b = 0” e P

2

( x, y ) = “ b x ( y

2

+ 1) 6 = 0”. De fato, x ( y

2

+ 1) ≥ 1 > 0, de modo que x(y

2

+ 1) 6 = 0 ⇐⇒ x 6 = 0, isto ´e, P

2

(x, y) ⇐⇒ ¬ P

1

(x). J´a o predicado P

3

(y) poderia ser, simplesmente, verdadeiro para todo real y, satisfazendo a restri-

¸c˜ao imposta pela segunda conjun¸c˜ao. Ex.: P

3

(y) = “y b

2

≥ 0”.

Referências

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