• Nenhum resultado encontrado

1371 27.3 Interior e Fecho de Conjuntos em Espa¸cos Topol´ogicos

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2022

Share "1371 27.3 Interior e Fecho de Conjuntos em Espa¸cos Topol´ogicos"

Copied!
14
0
0

Texto

(1)

Cap´ıtulo 27

Espa¸cos Topol´ogicos e Espa¸cos Mensur´aveis.

Defini¸oes e Propriedades B´asicas

Conte´udo

27.1 Defini¸oes, Propriedades Elementares e Exemplos . . . 1357

27.2 Algumas Constru¸oes Especiais e Exemplos . . . 1363

27.2.1 Topologias Geradas por Fam´ılias de Conjuntos . . . 1363

27.2.1.1 A Topologia de Sorgenfrey . . . 1364

27.2.2 σ- ´Algebras Geradas por Fam´ılias de Conjuntos . . . 1366

27.2.3 Bases de Espa¸cos Topol´ogicos . . . 1367

27.2.4 Topologias eσ- ´Algebras Induzidas . . . 1369

27.2.5 Topologias eσ- ´Algebras Produto . . . 1371

27.3 Interior e Fecho de Conjuntos em Espa¸cos Topol´ogicos . . . 1371

27.3.1 Fecho de Conjuntos em Espa¸cos M´etricos . . . 1378

27.4 Espa¸cos Topol´ogicos Separ´aveis e Segundo-Cont´aveis . . . 1379

27.4.1 A Segundo-Contabilidade como Propriedade Herdada . . . 1382

Introduziremosneste cap´ıtulo dois conceitos de importˆancia fundamental em Matem´atica, o conceito deEspa¸co Topol´ogicoe o conceito deEspa¸co Mensur´avel. O primeiro conceito ´e uma generaliza¸c˜ao do conceito de Espa¸co M´etrico, introduzido no Cap´ıtulo 24, p´agina 1245, e o segundo ´e moldado de forma a permitir uma defini¸c˜ao consistente do conceito intuitivo de medida (como comprimento, ´area, volume etc.) de um conjunto. De modo muito simplificado, podemos dizer que Topologias desempenham um papel quando se faz necess´ario o emprego de no¸c˜oes como as de convergˆencia e continuidade, enquanto que Espa¸cos Mensur´aveis s˜ao especialmente relevantes na teoria da integra¸c˜ao e na teoria de probabilidades. As no¸c˜oes de Espa¸co Topol´ogico e Espa¸co Mensur´avel penetram ´areas da Matem´atica t˜ao variadas quanto a An´alise, a An´alise Funcional, a Geometria Diferencial, a Teoria das Equa¸c˜oes Diferenciais, a Teoria de Grupos, a Teoria de Probabilidades e outras, atrav´es das quais exercem tamb´em sua influˆencia sobre praticamente toda a F´ısica. Falaremos um pouco mais sobre o significado e sobre a importˆancia de cada conceito adiante. Para um texto dedicado `a hist´oria da Topologia, vide [203].

27.1 Defini¸oes, Propriedades Elementares e Exemplos

Dado um conjuntoX(doravante considerado n˜ao-vazio), denota-se porP(X) a cole¸c˜ao de todos os subconjuntos de X. Assim, em s´ımbolos, podemos expressar o fato de um conjuntoAser um subconjunto deXescrevendoAXou AP(X). ´E natural queXP(X) e convenciona-se que∅ ∈P(X). Como sempre, seAX, denotamos porAco conjuntoX\A, dito o complementar deAemX.

Estamos muitas vezes interessados em estudar propriedades de certas cole¸c˜oes de subconjuntos deX (ou seja de subconjuntos deP(X)) que possuem certas caracter´ısticas de interesse. H´a dois tipos de cole¸c˜oes de subconjuntos que merecem particular aten¸c˜ao: as chamadas topologias e as chamadasσ-´algebras. Vamos `as defini¸c˜oes.

Topologias

Uma cole¸c˜aoτde subconjuntos deX, ou seja,τP(X), ´e dita ser umatopologiaemXse os seguintes requisitos forem satisfeitos:

1.∅ ∈τeXτ.

1357

2. SeAτeBτ, ent˜aoABτ.

3. SeI´e um conjunto arbitr´ario de ´ındices eAλτpara todoλI, ent˜ao [

λ∈I

Aλtamb´em ´e um elemento deτ.

σ-´algebras

Uma cole¸c˜aoMde subconjuntos deX, ou seja,MP(X), ´e dita ser umaσ-´algebraemXse os seguintes requisitos forem satisfeitos:

1.∅ ∈MeXM.

2. SeAM, ent˜aoAcX\AM.

3. Se{An, nN}´e uma cole¸c˜ao enumer´avel arbitr´aria de elementos deM, ent˜ao [

n∈N

Antamb´em ´e um elemento de M.

Coment´arios e nomenclatura

Um conjuntoXdotado de uma topologiaτ´e dito ser umespa¸co topol´ogico. De um modo um pouco mais t´ecnico, um espa¸co topol´ogico ´e um par (X, τ) ondeX´e um conjunto n˜ao-vazio eτP(X) ´e uma topologia emX.

Um conjuntoXdotado de umaσ-´algebraM´e dito ser umespa¸co mensur´avel. De um modo um pouco mais t´ecnico, um espa¸co mensur´avel ´e um par (X,M) ondeX´e um conjunto n˜ao-vazio eMP(X) ´e umaσ-´algebra emX.

Ideias relacionadas `a de Topologia j´a habitam a Matem´atica h´a muito, mas foi nas duas primeiras d´ecadas do s´eculo XX que as mesmas come¸caram a ser sistematizadas e abstra´ıdas, como resultado do trabalho de v´arios indiv´ıduos, como Cantor1, Fr´echet2, Riesz3e Hausdorff4. A palavratopologia´e um pouco mais antiga, tendo sido cunhada por Listing5em 1847, o qual tomara contacto com ideias topol´ogicas sob influˆencia de Gauss6. A no¸c˜ao de conjuntos abertos e fechados (na topologia usual da reta real) foi introduzida por Cantor. Fr´echet percebeu sua conex˜ao com a no¸c˜ao de m´etrica (a qual introduziu). A no¸c˜ao moderna de Espa¸co Topol´ogico foi introduzida pela primeira vez por Hausdorff em 1914. Hausdorff tamb´em cunhou a express˜ao “espa¸co m´etrico”, no¸c˜ao criada por Fr´echet em 1906, e foi o primeiro a introduzir a no¸c˜ao demedida, entre outras coisas.

A palavra “´algebra” na designa¸c˜ao “σ-´algebra” tem origem hist´orica em uma analogia observada por Felix Hausdorff entre certas opera¸c˜oes envolvendo conjuntos, tais como uni˜ao e intersec¸c˜ao, e opera¸c˜oes alg´ebricas de soma e multiplica¸c˜ao. Apesar disso o conceito deσ-´algebra n˜ao deve ser confundido de forma alguma com o conceito usual de´algebra(um espa¸co vetorial com um produto entre seus elementos). A analogia a que nos referimos ´e a de que a opera¸c˜ao de uni˜ao de conjuntos disjuntos pode ser entendida como uma “soma” de conjuntos, com o elemento nulo sendo o conjunto vazio (poisA∪ ∅=Apara qualquer conjuntoA). O papel de “multiplica¸c˜ao” entre conjuntos seria exercido pela intersec¸c˜ao, onde novamente o conjunto vazio seria o elemento nulo (pois sempreA∩ ∅=∅).

Note-se tamb´em a validade da propriedade distributivaA∩(BC) = (A∩B)∪(A∩C), outra analogia com somas e produtos num´ericos.

Ainda sobre a nomenclatura, o “σ” do nome “σ-´algebra” ´e usado em fun¸c˜ao da propriedade3da defini¸c˜ao, que se refere ao fato deσ-´algebras serem fechadas em rela¸c˜ao a opera¸c˜oes envolvendo uni˜oes (“σomas”) enumer´aveis de seus conjuntos. Aqui, o ponto importante ´e a enumerabilidade e, por isso, ´e frequente encontrar-se o s´ımbolo σem outros objetos matem´aticos para os quais a enumerabilidade desempenha algum papel (como na topologia chamada deσ-fraca, por exemplo).

1Georg Ferdinand Ludwig Philipp Cantor (1845–1918).

2Maurice Ren´e Fr´echet (1878–1973).

3Frigyes Riesz (1880–1956).

4Felix Hausdorff (1868–1942). Matem´atico de grande originalidade e influˆencia, Hausdorff foi um dos criadores da Topologia e da moderna Teoria dos Conjuntos. Perseguido pelo nacional-socialismo, suicidou-se em 1942 para evitar ser enviado a um campo de concentra¸c˜ao.

5Johann Benedict Listing (1808–1882).

6Johann Carl Friedrich Gauss (1777–1855).

(2)

Os subconjuntosAXque s˜ao membros de uma topologiaτs˜ao chamados deconjuntos abertos(em rela¸c˜ao `a topologiaτ), ou conjuntosτ-abertos. Se um subconjuntoFX´e tal queFcτ, ent˜aoF´e dito ser umconjunto fechado, ouτ-fechado. Note que h´a conjuntos que podem ser simultaneamente abertos e fechados em rela¸c˜ao `a mesma topologia. Por exemplo,eXs˜ao ao mesmo tempo abertos e fechados (por quˆe?). Al´em destes conjuntos pode haver outros tamb´em. Veremos exemplos.

O estudante deve ser advertido que um conjunto pode ser aberto em rela¸c˜ao a uma topologia, mas n˜ao em rela¸c˜ao a outra. O mesmo coment´ario vale para conjuntos fechados.

Os subconjuntosAX que s˜ao membros de umaσ-´algebraMs˜ao chamados deconjuntos mensur´aveis(em rela¸c˜ao `aσ-´algebraM), ou conjuntosM-mensur´aveis. Ser´a para conjuntos mensur´aveis que se definir´a o conceito de medida.

O estudante deve ser advertido que um conjunto pode ser mensur´avel em rela¸c˜ao a umaσ-´algebra, mas n˜ao em rela¸c˜ao a outra.

Note que, pela defini¸c˜ao, seA1, . . . , An´e uma cole¸c˜ao denconjuntos abertos de uma topologiaτ, ent˜aoA1∩· · ·∩An

´e tamb´em um conjunto aberto (por quˆe?).

Note que, no item 3 da defini¸c˜ao de topologia, nenhuma restri¸c˜ao ´e feita em rela¸c˜ao ao conjunto de ´ındicesI, podendo o mesmo ser at´e um conjunto n˜ao-cont´avel.

Note que seA1, . . . , An´e uma cole¸c˜ao (finita) denelementos de umaσ-´algebraM, ent˜aoA1∪ · · · ∪An´e tamb´em um elemento deM. Para ver isso note que, se defin´ıssemosAm = para todo m > nter´ıamos claramente A1∪ · · · ∪An=[

a∈N

Aaque ´e um elemento deMpelo item 3 da defini¸c˜ao deσ-´algebra.

SeM´e umaσ-´algebra emXeA, BM, ent˜aoABM. Isso ´e f´acil de ver, poisAB= (AcBc)c. Pelo item 2 da defini¸c˜ao deσ-´algebra,AceBcs˜ao tamb´em elementos deM. Pela observa¸c˜ao acima, sua uni˜aoAcBc tamb´em o ´e. Por fim, o complemento deAcBcpertence aM, novamente pelo item 2 da defini¸c˜ao deσ-´algebra.

A ´ultima afirma¸c˜ao estende-se facilmente para intersec¸c˜oes cont´aveis de conjuntos mensur´aveis: seM´e umaσ-

´algebra emXeAnM,nN, ent˜aoT

n∈NAnM. Isso segue facilmente de

\

n∈N

An = [

n∈N

(An)c

!c

e dos itens 2 e 3 da defini¸c˜ao deσ-´algebra.

Vizinhan¸cas

SejaXum conjunto n˜ao-vazio eτuma topologia emX. SexX, um conjuntoVX´e dito ser umavizinhan¸cade x(segundoτ) seVcont´emxe se contiver um aberto que tamb´em cont´emx, ou seja, se existirAτtal quexAV.

A no¸c˜ao de vizinhan¸ca ´e frequentemente empregada no estudo de espa¸cos topol´ogicos.

Exemplos b´asicos de topologias e mais alguns coment´arios SejaXum conjunto n˜ao-vazio.

Considereτo conjunto, formado por apenas dois elementos, dado porτ={∅, X}. Ent˜ao,τ´e uma topologia em X(verifique!). ´E chamada detopologia indiscretaoutopologia triviale ´e a menor topologia que se pode formar em X.

Sejaτ a cole¸c˜ao de todos os subconjuntos deX: τ =P(X). Ent˜ao,τ´e uma topologia emX (verifique!). ´E chamada detopologia discretae ´e a maior topologia que se pode formar emX.

SejaXum espa¸co m´etrico com uma m´etricade sejaτda cole¸c˜ao de todos os seus subconjuntos abertos em rela¸c˜ao ad. Um subconjuntoAdeX´e dito seraberto(em rela¸c˜ao `a m´etricad) se tiver a seguinte propriedade: para todo xApodemos achar um n´umero realδ(x)>0 (eventualmente dependente dex) tal que para todoxXcom a

propriedade qued(x, x)< δ(x) (ou seja, que dista dexmenos queδ(x)) vale quextamb´em ´e um elemento deA.

Ent˜ao, conforme j´a vimos na Se¸c˜ao 24.2, p´agina 1265,τd´e, de fato, uma topologia, chamada detopologia induzida pela m´etricad.

Uma topologiaτemX´e dita ser umatopologia m´etricase existir uma m´etricademXtal queτ=τd.

Pelo Exerc´ıcio E. 24.32, p´agina 1265,P(X) ´e uma topologia m´etrica.

Nem todas as topologias s˜ao m´etricas. Condi¸c˜oes que garantam que uma topologia seja m´etrica s˜ao denominadas condi¸c˜oes de metrizabilidade.

SejaAX. Ent˜ao,{∅, A, X}´e uma topologia emX(verifique!), a menor a conterA(justifique!).

SejamA, BX. Ent˜ao,{∅, A, B, AB, AB, X}´e uma topologia emX(verifique!), a menor a conterAe B(justifique!).

No caso do conjunto dos reais, podemos introduzir a topologia m´etrica definida pela m´etricad(x, y) =|xy|.

Essa topologia ´e denominada detopologia usual da retae para design´a-la usaremos aqui o s´ımboloτR. Esse nome ´e autoexplicativo: quase toda a An´alise Real ´e feita com o uso dessa topologia. Conforme o costume de toda a literatura, sempre que falarmos de uma topologia nos reais pensaremos nessa topologia usual, salvo men¸c˜ao expl´ıcita em contr´ario.

Fique claro por´em que sobre os n´umeros reais podem ser definidas outras topologias al´emτR(e da topologia trivial e da topologia discreta). Exemplos ser˜ao vistos adiante.

E. 27.1Exerc´ıcio. Mostre, seguindo as defini¸c˜oes de conjuntos abertos e fechados em espa¸cos m´etricos, que todo intervalo(a, b) coma < bR´e um elemento deτRe que todo intervalo[a, b]comab´e um conjunto fechado em rela¸c˜ao aτR. 6

E. 27.2Exerc´ıcio. SejamA, B, CX. Determine a menor topologia a conterA,BeC. 6

E. 27.3Exerc´ıcio. A topologia de um conjunto particular. SejaXao-vazio e sejaBX. Mostre que a cole¸c˜ao de conjuntos{∅} ∪ {AX|AB}´e uma topologia, denominadatopologia do conjunto particularB. Denotaremos essa topologia por τcp(B). .

Mostre queFX´e um conjunto fechado na topologiaτcp(B)se e somente seFBcouF=X. 6

E. 27.4Exerc´ıcio. SejaNo conjunto dos n´umeros naturais positivos. Mostre que a cole¸c˜ao de subconjuntos deNcomposta por

∅, porNe por todo conjunto da forma{1, . . . , n}, comnN, comp˜oe uma topologia emN. 6

E. 27.5Exerc´ıcio. SejaX= [0,∞), o conjunto dos n´umeros reais n˜ao-negativos. Mostre que a cole¸c˜ao de subconjuntos deX composta por∅, porXe por todos os conjunto da forma[0, a), coma >0, comp˜oe uma topologia emX. 6

E. 27.6Exerc´ıcio. SejaX= [0,∞), o conjunto dos n´umeros reais n˜ao-negativos. Mostre que a cole¸c˜ao de subconjuntos deX composta por∅, porXe por todos os conjunto da forma[0, a], coma >0,aocomp˜oe uma topologia emX. 6

Exemplos b´asicos deσ-´algebras SejaXum conjunto n˜ao-vazio.

ConsidereMo conjunto, formado por apenas dois elementos, dado porM={∅, X}. Ent˜ao,M´e umaσ-´algebra (verifique!) e ´e a menorσ-´algebra que se pode formar emX. Essaσ-´algebra ´e chamada deσ-´algebra indiscretaou σ-´algebra trivial.

SejaMa cole¸c˜ao de todos os subconjuntos deX:M=P(X). Ent˜ao,M´e umaσ-´algebra (verifique!) e ´e a maior σ-´algebra que se pode formar emX. Essaσ-´algebra ´e chamada deσ-´algebra discreta.

SejaXum conjunto eAX. Ent˜ao, a cole¸c˜aoM={∅, A, Ac, X}´e umaσ-´algebra (verifique!), a menor a conter A(justifique!)

(3)

Outros exemplos menos triviais deσ-´algebras ser˜ao vistos adiante. Exemplos realmente interessantes deσ-´algebras requerem constru¸c˜oes elaboradas, como a daσ-´algebra de Lebesgue7, a qual trataremos com certo detalhe no Cap´ıtulo 29.

E. 27.7Exerc´ıcio. Sejamα,βeγtrˆes objetos distintos (por exemplo, trˆes letras distintas do alfabeto grego). Mostre que M =

∅,{α, β},{γ},{α, β, γ}

´e umaσ-´algebra emX={α, β, γ}. 6

E. 27.8Exerc´ıcio. Sejamα,βeγtrˆes objetos distintos (por exemplo, trˆes letras distintas do alfabeto grego). Mostre que M=

∅,{α},{β},{γ},{α, β},{α, γ},{β, γ},{α, β, γ}

´e umaσ-´algebra emX={α, β, γ}. 6

Abertos e fechados

SejamXum conjunto eτuma topologia emX. Denotemos porF(τ) a cole¸c˜ao de todos os conjuntos fechados deX em rela¸c˜ao `aτ, ou seja, a cole¸c˜ao de todos os conjuntosFdeXtais queFc´e um aberto, ou seja, um elemento deτ.

E muito importante o estudante notar que´ F(τ) pode conter elementos queaos˜ao elementos deτ. Por´emF(τ) eτnunca s˜ao conjuntos disjuntos, pois ambos sempre tˆem elementos em comum. Sempre se tem, por exemplo, que {∅, X} ⊂F(τ)τ.

E. 27.9Exerc´ıcio. Mostre que seF)τ, ent˜aoF(τ) =τ. 6

E. 27.10Exerc´ıcio. Mostre que seτF(τ), ent˜aoτ=F). 6 Exemplos de topologias ondeτ=F(τ) s˜ao a topologia trivial e a topologia discreta (por quˆe?). H´a, por´em, muitos outros exemplos, como mostra o pr´oximo exerc´ıcio.

E. 27.11Exerc´ıcio. Seja a reta real eXo seguinte subconjunto deR:X= (0,1)∪(1,2). Mostre que a cole¸c˜aoτde subconjuntos deXdada porτ={∅,(0,1),(1,2), X}´e uma topologia emXe queF) =τ. Note queτao ´e nem a topologia trivial nem a

discreta deX. 6

A cole¸c˜aoF(τ) de todos os conjuntos fechados em rela¸c˜ao a uma topologiaτemXpossui uma s´erie de propriedades especiais:

1.∅ ∈F(τ) eXF(τ).

2. SeFF(τ) eGF(τ), ent˜aoFGF(τ).

3. SeI´e um conjunto arbitr´ario de ´ındices eFλF(τ) para todoλI, ent˜ao \

λ∈I

Fλtamb´em ´e um elemento de F(τ).

E. 27.12Exerc´ıcio muito importante. Justifique as afirmativas acima. 6

E. 27.13Exerc´ıcio. Sejam as seguintes cole¸c˜oes de conjuntos fechados na reta real (na topologia usual):{Fn= [−1/n,1+1/n], n N}e{Gn= [1/n,11/n], nN, n >1}. Mostre explicitamente que \

n∈N

Fn´e um conjunto fechado mas que [

n∈N, n>1

Gn´e um conjunto aberto. Note que [

n∈N, n>1

Gnao ´e uma uni˜ao finita! 6

7Henri L´eon Lebesgue (1875–1941).

Seja agora (reciprocamente) uma cole¸c˜aoFde subconjuntos de um conjuntoXtal que as seguintes condi¸c˜oes (que chamaremos de “axiomas de conjuntos fechados”) s˜ao verdadeiras:

1.∅ ∈FeXF.

2. SeFFeGF, ent˜aoFGF.

3. SeI´e um conjunto arbitr´ario de ´ındices eFλFpara todoλI, ent˜ao \

λ∈I

Fλtamb´em ´e um elemento deF.

Ent˜ao, a cole¸c˜aoτ(F) ={AX,tais queAcF}´e uma topologia emX.

E. 27.14Exerc´ıcio muito importante. Justifique essa ´ultima afirmativa. 6

Mais exemplos de topologias: a topologia co-cont´avel e a co-finita

Vamos ilustrar o que acabamos de ver com dois exemplos (importantes, pois deles se extraem alguns exemplos e contraexemplos de propriedades de topologias, como veremos adiante).

SejaXum conjunto eCca cole¸c˜ao de todos os conjuntos cont´aveis deX. Ent˜ao, vamos mostrar que a cole¸c˜ao C={∅, X} ∪Ccsatisfaz os axiomas de conjuntos fechados.

As propriedades que∅ ∈CeXCs˜ao ´obvias por defini¸c˜ao. SeF eGs˜ao elementos deC, ent˜aoFGtamb´em ´e um elemento deC, basicamente pois a uni˜ao de dois conjuntos cont´aveis ´e tamb´em um conjunto cont´avel. Finalmente a intersec¸c˜ao arbitr´aria de conjuntos cont´aveis ´e tamb´em um conjunto cont´avel (pois, como vimos acima, qualquer subconjunto de um conjunto cont´avel tamb´em ´e cont´avel) e, com isso, fica tamb´em verificado o axioma 3.

Com isso, e com o que dissemos anteriormente, vemos que a cole¸c˜aoτ(C) ´e uma topologia emX. Todo elemento de τ(C) ´e, ent˜ao,∅,Xou da formaX\C, ondeC´e um conjunto cont´avel. Chamaremos a topologiaτccτ(C) detopologia co-cont´aveldeX.

E. 27.15Exerc´ıcio. SejaXum conjunto eτcfa cole¸c˜ao τcf=n

AX, A=X\UondeUX´e um conjunto finitoo

.

Mostre queτcf´e uma topologia emX(chamada detopologia co-finitadeX). Como s˜ao os conjuntos fechados em rela¸c˜ao aτcf? 6

E. 27.16Exerc´ıcio. Verifique que para todoXao-vazio tem-seτcfτcc. Para que tipo de conjuntoXpodemos terτcf=τcc? 6

A topologia co-cont´avel tem a seguinte propriedade digna de nota. SejamAeBdois abertos n˜ao-vazios quaisquer da topologia co-cont´avel de um conjuntoXe suponha queXn˜ao seja um conjunto cont´avel. Ent˜ao,ABsempre ´e um conjunto n˜ao-vazio. Para provar isso, notemos que, pelas hip´oteses,A=X\C1eB=X\C2, para dois subconjuntos cont´aveisC1eC2deX. Da´ı,AB= (X\C1)∩(X\C2) =C1cC2c= (C1C2)c. Agora, comoC1C2´e tamb´em um conjunto cont´avel, seu complemento ´e n˜ao-vazio poisXn˜ao ´e cont´avel.

Assim, provamos que dois abertos n˜ao-vazios quaisquer da topologia co-cont´avel de um conjunto n˜ao-cont´avel (como, por exemplo, o conjunto dos reais) sempre se intersectam. Como veremos, isso significa que tais espa¸cos topol´ogicos n˜ao s˜ao do tipo Hausdorff (a defini¸c˜ao de espa¸co Hausdorff vir´a `a p´agina 1435).

E. 27.17Exerc´ıcio. SejamAeBdois abertos n˜ao-vazios quaisquer da topologia co-finita de um conjuntoXe suponha queX ao seja um conjunto finito. Mostre, ent˜ao, queABsempre ´e um conjunto n˜ao-vazio. 6

E. 27.18Exerc´ıcio. Sejamτcf(R)eτcc(R)as topologias co-finita e co-cont´avel deR, respectivamente. Mostre que todo conjunto τcf(R)-fechado ´e tamb´emτR-fechado e conclua queτcf(R)τR. Pelo Exerc´ıcioE. 27.16, tem-se tamb´emτcf(R)τcc(R). Por´em, τcc(R)6⊂τR, pois o conjunto dos irracionais ´eτcc(R)-aberto, mas n˜ao ´eτRaberto. Justifique essa afirmativa.

Claramente,τcf(R)τcc(R)τR. Por´em, a topologiaτcc(R)τR´e maior queτcf(R): verifique queR\Zτcc(R)τRmas

R\Z6∈τcf(R). 6

(4)

27.2 Algumas Constru¸oes Especiais e Exemplos

27.2.1 Topologias Geradas por Fam´ılias de Conjuntos

A no¸ao de topologia gerada

Vamos agora discutir um m´etodo importante de gerar topologias eσ-´algebras.

SejaX um conjunto n˜ao-vazio e sejaλ, λI}uma cole¸c˜ao de topologias emX(cada uma indexada por um elementoλde um conjunto de ´ındicesIarbitr´ario). Como cada topologia ´e por si um subconjunto deP(X), podemos considerar uni˜oes e intersec¸c˜oes de topologias.

Em particular para uma cole¸c˜ao gen´erica de topologias comoλ, λI}, temos o seguinte resultado importante:

Proposi¸ao 27.1O subconjuntoτIdeP(X)dado porτI=\

λ∈I

τλ´e tamb´em uma topologia emX. 2

Prova.Em primeiro lugar ´e claro pelas defini¸c˜oes que∅ ∈τIe queXτI.

Vamos agora mostrar que seAeBs˜ao elementos deτI, ent˜aoABtamb´em o ´e. Para tal, note que seAeBs˜ao elementos deτI, ent˜aoAeBs˜ao elementos de toda topologiaτλcomλI. Assim, como para cadaλparticular tem-se AeBτλ, segue queABτλ(poisτλ´e uma topologia). Assim, mostramos queABpertence a toda topologiaτλ

comλIe, portanto,ABτI.

Por fim, temos que provar que se{Aµ, µJ}´e uma cole¸c˜ao de elementos deτI(ondeJ´e uma cole¸c˜ao arbitr´aria de ´ındices), ent˜ao segue que [

µ∈J

Aµ´e tamb´em um elemento deτI. Para tal, note-se que se{Aµ, µJ}´e uma cole¸c˜ao de elementos deτI, ent˜ao cadaAµ´e um elemento de cadaτλ. Da´ı, para cadaλparticular segue que [

µ∈J

Aµ´e tamb´em um elemento deτλ(poisτλ´e uma topologia). Como isso vale para todoλI, segue que [

µ∈J

AµτI, como quer´ıamos provar.

Este resultado tem um uso de grande importˆancia: fornecer um m´etodo de gerar topologias. SejaAuma cole¸c˜ao qualquer de subconjuntos deX. Considere a cole¸c˜ao de todas as topologias que cont´emAcomo um subconjunto. Como vimos, a intersec¸c˜ao de todas essas topologias ´e tamb´em uma topologia que denotaremos porτ[A]. A topologiaτ[A] ´e chamada detopologia gerada porA.

Assim, cada cole¸c˜aoAde subconjuntos de um conjuntoXtem automaticamente uma topologia associada a si: a topologia gerada pela cole¸c˜ao. Muitas topologias podem ser produzidas dessa forma, como sendo geradas por uma cole¸c˜ao conveniente de subconjuntos deX.

E. 27.19Exerc´ıcio. Mostre queAτ[A]e queτ[A]´e a menor topologia que cont´emAcomo subconjunto, ou seja, se houver

uma topologiaττ[A]que cont´emA, ent˜aoτ=τ[A]. 6

E. 27.20Exerc´ıcio. Mostre que seA´e uma topologia, ent˜aoτ[A] =A. 6

E. 27.21Exerc´ıcio. SejaXum conjunto n˜ao-vazio eAX. Mostre queτ {A}

={∅, A, X}. 6

E. 27.22Exerc´ıcio. SejaXum conjunto n˜ao-vazio eA=

{x}, xX a cole¸c˜ao de subconjuntos deXformada apenas por todos os conjuntos de um elemento deX. Mostre, ent˜ao, queτ[A]´e a topologia discreta deX. Sugest˜ao: use o item 3 da defini¸c˜ao

de topologia para mostrar que todo subconjunto deX´e um elemento deτ[A]. 6

E. 27.23Exerc´ıcio. SejaXum conjunto n˜ao-vazio eA=

{x, y}, x, yXex6=y a cole¸c˜ao de subconjuntos deXformada por todos os conjuntos de dois elementos distintos deX. Mostre que seXpossui ao menos trˆes elementos, ent˜aoτ[A]´e a topologia discreta deX. O que ocorre seXpossuir apenas um elemento? E seXpossuir apenas dois elementos? 6

O m´etodo de gerar topologias descrito acima ´e muito usado e ser´a reencontrado adiante em outros exemplos.

Sub-base de uma topologia

Seτ´e uma topologia em um conjunto n˜ao-vazioX, dizemos que uma cole¸c˜aoAde elementos deτ´e umasub-basedeτ seτ=τ[A], ou seja, seτfor a menor topologia que cont´emA. Mais adiante, na Se¸c˜ao 27.2.3, p´agina 1367, introduziremos a no¸c˜ao debasede uma topologia e advertimos o leitor antecipadamente que os dois conceitos n˜ao coincidem, mas s˜ao relacionados. Vide discuss˜ao da Se¸c˜ao 27.2.3.

Estrutura de reticulado em topologias

SejaXum conjunto n˜ao-vazio. A cole¸c˜ao de todas as topologias emXdefine um reticulado (para a defini¸c˜ao, vide Se¸c˜ao 2.1.2, p´agina 83) com as opera¸c˜oeses˜ao definidas da seguinte forma. Seτ1eτ2s˜ao topologias emX, definimos:

τ1τ2:=τ1τ2eτ1τ2:=τ τ1τ2

(a topologia gerada porτ1eτ2).

E. 27.24Exerc´ıcio. Prove que a cole¸c˜ao de todas as topologias emXcom as opera¸c˜oesedefinidas acima ´e, de fato, um reticulado, satisfazendo as propriedades de idempotˆencia, comutatividade, associatividade e absorvˆencia descritas na defini¸c˜ao de reticulado da Se¸c˜ao 2.1.2.

Prove que se trata de um reticulado limitado, com o m´ınino sendo a topologia trivial{∅, X}e o m´aximo sendo a topologia discreta P(X).

Prove que se trata de um reticulado completo: todo subconjunto n˜ao-vazio possui um supremo e um ´ınfimo. 6

Mais sobre a topologia usual deR

J´a definimos a topologia usual da reta como sendo a topologia induzida pela m´etricad(x, y) =|y−x|. Vamos mostrar aqui que h´a uma outra caracteriza¸c˜ao da mesma topologia.

SejaAa cole¸c˜ao de todos os intervalos abertos (a, b) deRcoma < b. Vamos provar queτR=τ[A], ou seja, que a topologia usual ´e idˆentica `a topologia gerada pela cole¸c˜ao de todos os intervalos abertos deR.

J´a sabemos queAτR, pois todo intervalo do tipo (a, b),a < b, ´e aberto deτR. Como por defini¸c˜aoτ[A] ´e amenor topologia que cont´emA, tem-se queτ[A]τR. Tudo o que precisamos fazer, ent˜ao, ´e provar queτRτ[A].

Sejaτuma topologia qualquer que contenhaA. Isso significa que uni˜oes arbitr´arias de elementos deAs˜ao tamb´em elementos deτ(poisτ´e uma topologia e pelo item 3 da defini¸c˜ao de topologia). SeB´e um elemento deτRisso significa que para cadaxBexisteδ(x)>0 tal queyBdesde que|yx|< δ(x). N˜ao ´e dif´ıcil ver que isso significa que podemos escrever

B = [

x∈B

xδ(x), x+δ(x) .

Como todo intervalo do tipo (x−δ(x), x+δ(x)) ´e um elemento deA, segue queBτ. Como isso vale para todoBτR

isso significa queτRτ. Esse ´ultimo fato vale, por´em, para qualquer que seja a topologiaτ, desde que contenha a cole¸c˜aoA. Portanto, conclu´ı-se queτRτ[A], como quer´ıamos mostrar.

27.2.1.1 A Topologia de Sorgenfrey

A topologia de Sorgenfrey deR

SejaSa cole¸c˜ao de todos os intervalos semiabertos deRdo tipo [a, b) com−∞< a < b <∞,a,bR. A topologia τ[S] ´e denominadatopologia de Sorgenfrey8dos reais. O espa¸co topol´ogico (R, τ[S]) ´e por vezes denominadoreta de Sorgenfreye ´e frequentemente denotado porRl.

E. 27.25Exerc´ıcio. Se ao inv´es dos intervalos semiabertos do tipo[a, b)utilizarmos intervalos semiabertos do tipo(a, b]obtemos uma topologia distinta da topologiaτ[S]. O correspondente espa¸co topol´ogico ´e denotado porRr. Mostre, por´em, que a aplica¸c˜ao Rx7→ −xR´e um homeomorfirmo entre esses dois espa¸cos topol´ogicos. 6

8Robert Henry Sorgenfrey (1915–1996). Para o trabalho original de Sorgenfrey, vide [366].

Referências

Documentos relacionados