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PRODUTOS ESSENCIAIS EM CONTEXTOS DE CRISE:

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PRODUTOS ESSENCIAIS EM CONTEXTOS DE CRISE:

- UMA ABORDAGEM DO DESIGN COM RESPONSABILIDADE SOCIAL.

Isabel Clara Rodrigues Araújo

Orientadora

Professora Doutora Maria João Lopes Guerreiro Félix

Trabalho de Projeto apresentado ao Instituto Politécnico do Cávado e do Ave para obtenção do Grau de Mestre em Design e Desenvolvimento de Produto

Abril, 2019

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PRODUTOS ESSENCIAIS EM CONTEXTOS DE CRISE:

- UMA ABORDAGEM DO DESIGN COM RESPONSABILIDADE SOCIAL.

ISABEL CLARA RODRIGUES ARAÚJO

Orientadora

Professora Doutora Maria João Lopes Guerreiro Félix

Trabalho de Projeto apresentado ao Instituto Politécnico do Cávado e do Ave para obtenção do Grau de Mestre em Design e Desenvolvimento de Produto

Abril, 2019

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DECLARAÇÃO

Nome: Isabel Clara Rodrigues Araújo Endereço: [email protected] Telemóvel.: 934777452

Número do Bilhete de Identidade: 10442676

Título da dissertação / trabalho: “Produtos essenciais em contextos de crise:

- Uma abordagem do design com responsabilidade social.”

Orientadora: Professora Doutora Maria João Lopes Guerreiro Félix Ano de conclusão: 2019

Designação do Curso de Mestrado: Mestrado em Design e Desenvolvimento de Produto

É AUTORIZADA A REPRODUÇÃO INTEGRAL DESTA DISSERTAÇÃO / TRABALHO APENAS PARA EFEITOS DE INVESTIGAÇÃO, MEDIANTE DECLARAÇÃO ESCRITA DO INTERESSADO, QUE A TAL SE COMPROMETE;

Instituto Politécnico do Cávado e do Ave, 12/04/2019 Assinatura: _________________________________

(5)

RESUMO

Devido ao forte impacto das questões sociais nos dias de hoje, identifica-se a necessidade de abor- dar a responsabilidade social de um modo cada vez mais inclusivo, sendo que se entende que o Design for All, que aborda as questões da diversidade humana, da inclusão social e da igualdade, farão parte integrante deste projeto.

O objetivo desta dissertação é o desenvolvimento de produtos essenciais em contextos de crise.

Sendo um desafio criativo e ético para os designers, este tema abrange a questão cultural e social do design para todos, analisando, conscientemente, as necessidades e as aspirações humanas e envolvendo o utilizador final em todas as fases do processo. A par do design com responsabilidade social, que é um dos objetivos a ter em análise, estará sempre presente a questão de uma neces- sidade espontânea, como será descrito mais à frente. Este estudo converge assim, para a criação de produtos essenciais para a sobrevivência, que poderão ser individuais ou coletivos, que transmita sensações de conforto numa situação de necessidade. Consistirá num produto itinerante que poderá contemplar também um conjunto de produtos de emergência, que podem ser utilizados em espaços indefinidos e em contextos específicos.

Como metodologia e numa primeira fase, será realizada uma pesquisa sobre projetos que abordem temas centrados na questão da emergência em contextos de crise. Serão efetuadas pesquisas a várias instituições e organizações, com o objetivo de identificar as reais necessidades. Sucederá uma análise comparativa de alguns casos de estudo similares, abordando a temática envolvente, na procura de respostas para uma melhor materialização do produto, analisando e confrontando com as ideias pré-concebidas. Serão realizadas recolhas de imagens, pesquisa bibliográfica em artigos e publicações que abranjam este tema, de forma a entender qual o problema e a melhor solução para o resolver.

O principal contributo deste projeto será o de melhorar os recursos essenciais para a sobrevivência.

Este produto surge como uma necessidade emergente e têm uma participação positiva no bem- estar físico e psicológico do ser humano.

PALAVRAS-CHAVE

Design de Produto, Responsabilidade Social, Contexto de Crise, Sustentabilidade, Design Inclusivo.

(6)

ABSTRACT

Due to the strong impact social issues have these days, there is the need to approach social respon- sibility in a more and more inclusive way and therefore design for all approaches the issues of human diversity, social inclusion and equality will be part of this project.

The aim of this thesis is the development of essential products in crisis contexts. Being an ethical and creative challenge for designers, this topic reaches social and cultural issues of the design for all, analyzing in a conscious way, the needs and the human aspirations and involving the final user in all steps of the process. Side by side with design with social responsibility, which is one of the topics to be analyzed, the issue of a spontaneous need will always be present, as will be described later. This study thus converges therefore, to the creation of essential products for survival, individ- ually or collectively, that transmits feelings of comfort in a situation of need. It will consist of a (mov- able) product that may also include a group of emergency products that may be used in indefinite places and specific contexts.

As methodology, and in a first phase, a research about projects that are centered in the issue of emergency in contexts of crisis will be done. Research will be carried out to various institutions and organizations, with the objective of identifying the real needs. There will be a comparative analysis of some similar case studies, approaching the involving theme, looking for answers for a better ma- terialization of the product, analyzing them and confronting them with the pre-conceived ideas. Pic- tures, bibliographical research in articles and publications that approach this topic will be gathered so as to understand the problem and find the best solution to solve it.

The main contribution of this thesis is optimizing the essential resources for survival. This product comes up as an emerging need and has a positive participation in the physical and psychological welfare of the human being.

KEYWORDS

Product design, Social responsibility, Crisis Context, Sustainability, Inclusive Design.

(7)

DEDICATÓRIA

Aqueles que ficam sem nada, sem vida ficam...

Este trabalho é para eles.

(8)

AGRADECIMENTOS

A realização deste projeto não teria sido possível sem o contributo de um grupo alargado de pes- soas, as quais contribuíram direta ou indiretamente para que o projeto pudesse evoluir e se tornar uma realidade.

Assim, gostaria de agradecer:

À professora e amiga Maria João Félix, orientadora cooperante, pelo acompanhamento constante, pela preciosa orientação, pela disponibilidade e pelas sugestões sempre pertinentes;

Ao professor e amigo Dimitri Matos, pelas sugestões sempre bem-vindas e pela força para avançar o trabalho;

Aos meus companheiros/as de Mestrado, em especial ao António, pela ajuda e pelo impulso para concluir o trabalho;

Gostaria de agradecer também à Paula e à Susana pela ajuda que me deram no desenho dos moldes e na confeção do protótipo, até à realização do protótipo final. Obrigada pelo saber e pela disponibilidade;

Também agradeço de coração a duas amigas especiais, a Paula e a Xana, que me ajudaram a traduzir e a rever todo o trabalho, corrigindo e dando sugestões quanto à língua portuguesa; também ao Miguel e ao Ricardo, ex-alunos, que me ajudaram nas fotografias e ao Mário, um amigo, pela paciência e disponibilidade no local para trabalhar neste projeto;

Por fim, gostaria de agradecer à minha família. Ao meu marido, Domingos, por partilhar comigo angústias e alegrias e pelo apoio e ânimo prestados durante esta caminhada; pelo estímulo, confi- ança e permanente incentivo. Aos meus filhos, Hugo e Mafalda, pelo apoio, pela paciência e pela ausência sentida, principalmente, nesta última fase do projeto. Também por me terem acompanhado desde o início e por me terem dado mais força e ânimo para aqui chegar. À minha tia Fernanda pela ajuda na confeção do protótipo final. Aos meus queridos pais, José e Conceição, o meu obrigada por tudo o que sempre fizeram por mim, tornando-me um ser humano persistente e lutador no al- cance de grandes objetivos e pela busca da justiça e da igualdade para todos.

(9)

ÍNDICE

RESUMO ... I

ABSTRACT ... II

DEDICATÓRIA ... III

AGRADECIMENTOS ... IV

ÍNDICE ... V

ÍNDICE DE FIGURAS ... VIII

ÍNDICE DE TABELAS ... XIV

CAPÍTULO 1 ... 1

1. INTRODUÇÃO AO TEMA ... 2

1.1.ENQUADRAMENTOTEMÁTICO ... 2

1.2.MOTIVAÇÃO ... 7

1.3.ESTADODAARTE ... 7

1.4.QUESTÕESDEINVESTIGAÇÃO ... 10

1.5.HIPÓTESE ... 11

1.6.OBJETIVOSESPECIFICOS... 11

1.7.METODOLOGIADETRABALHO ... 12

1.8.ESTRUTURADADISSERTAÇÃO ... 15

CAPÍTULO 2 ... 19

2. CONCEITOS DE DESIGN COM RESPONSABILIDADE SOCIAL E A SUA APLICAÇÃO NO PROCESSO DE DESIGN ... 20

2.1.OSPROCESSOSDEDESIGNCOMSUSTENTABILIDADEERESPONSABILIDADESOCIAL ... 20

2.2.CONCEITOSDESUSTENTABILIDADENOPROCESSODEDESIGN... 31

CAPÍTULO 3 ... 37

3. DESIGN DE PRODUTOS ESSENCIAIS EM CONTEXTOS DE CRISE ... 38

3.1.OSCONTEXTOSDECRISE ... 38

3.1.1. OS DESASTRES NATURAIS ... 38

3.1.2. AS GUERRAS ... 42

3.1.3. AS PERSEGUIÇÕES E OS REFUGIADOS ... 44

3.2.OSPRODUTOSESSENCIAISEMCONTEXTOSDECRISE,QUEGARANTAMASOBREVIVÊNCIA DASPESSOAS ... 45

(10)

3.3.OPAPELDODESIGNNACONCEÇÃODEPRODUTOSDEEMERGÊNCIA ... 47

CAPÍTULO 4 ... 54

4. O DESIGN E O DESENVOLVIMENTO DO PRODUTO ... 55

4.1.ACATEGORIADOSPRODUTOSPARATRANSPORTEDEBENSPESSOAISESSENCIAIS ... 55

4.2.QUAISASPRINCIPAISNECESSIDADESDOUTILIZADOREMCONTEXTODECRISE ... 59

4.2.1. AS REGRAS DO DESIGN NA RESPONSABILIDADE SOCIAL E O SEU CONTRIBUTO PARA A SOCIEDADE ... 60

4.3.APORTABILIDADEEAMOBILIDADE ... 64

4.4.AINTUIÇÃOEAESPONTANEIDADE ... 67

4.5.AINOVAÇÃONOSMATERIAISENAFORMA ... 68

4.6.AMETODOLOGIAPROJETUAL ... 69

4.7.CARACTERIZAÇÃODOPÚBLICO-ALVO/SEGMENTAÇÃO ... 70

4.8.COMPORTAMENTODOCONSUMIDOR,TARGETINGEPOSICIONAMENTO ... 71

4.9.PRODUTOSCONCORRENTESNOMERCADO ... 71

4.10PAINÉISDEINSPIRAÇÃO/MOODBOARD ... 73

4.11.SELEÇÃODOPRODUTO ... 73

4.12.GERAÇÃODEIDEIASESELEÇÃODECONCEITOS ... 74

4.12.1. CONCEITO 1 ... 77

4.12.2. CONCEITO 2 ... 78

4.13.LINHASESTRUTURAIS ... 79

4.14.DESENHOSDEINSPIRAÇÃO ... 80

4.15.SELEÇÃOEDESCRIÇÃODOCONCEITOMAISPROMISSOR ... 82

4.15.1. ANÁLISE ESTRUTURAL ... 86

4.15.2. ANÁLISE FUNCIONAL / PROCEDIMENTOS ... 90

4.15.3. ANÁLISE ERGONÓMICA ... 91

4.16.DESENVOLVIMENTODOPRODUTO ... 93

4.16.1. REPRESENTAÇÕES DE MODELOS VIRTUAIS... 93

4.16.2. PRÉ-PROTÓTIPO ... 94

4.16.3. TESTES DE USABILIDADE E ANÁLISE DOS RESULTADOS ... 97

4.16.4. CONCLUSÃO DOS TESTES DE USABILIDADE ... 98

4.17.PROPOSTADEMELHORIADOPRODUTO ... 98

4.18.REPRESENTAÇÃODAFICHATÉCNICA ... 99

4.18.1. ESPECIFICAÇÕES TÉCNICAS: PROCEDIMENTOS DE EXECUÇÃO DAS PEÇAS ... 100

CAPÍTULO 5 ... 102

(11)

5. CONCLUSÕES ... 103

5.1.CONCLUSÕES ... 103

5.2.PERSPETIVASFUTURAS ... 104

BIBLIOGRAFIA ... 106

(12)

ÍNDICE DE FIGURAS

Figura 1 – adaptado do Jornal Público – Março de 2017 (Já há mais de cinco milhões de refugiados sirios, 2017) (ACNUR, 2017) Fonte: https://www.publico.pt/2017/03/30/mundo/noticia/ha-ja- mais-de-cinco-milhoes-de-refugiados-sirios-1767141 ... 2 Figura 2 - Agência das Nações Unidas para os Refugiados – Junho 2017 (UNCHR, 2017). Fonte:

http://www.unhcr.org/figures-at-a-glance.htm ... 3 Figura 3 - Agência das Nações Unidas para os Refugiados – Junho 2017 (UNCHR, 2017). Fonte:

http://www.unhcr.org/figures-at-a-glance.html ... 4 Figura 4 - US Commitee for Refugees and Immigrants. Fonte: (USCRI, 2017). ... 4 Figura 5 - US Commitee for Refugees and Immigrants. Fonte: (USCRI, 2017). ... 5 Figura 6 - Tendências globais sobre refugiados e outras populações de interesse da ACNUR -

(ACNUR, 2017). ... 6 Figura 7 - retirado do livro Das Coisas Nascem Coisas (Munari, 1981, p. 66). ... 16 Figura 8 - Modelo da planificação do Método de Design de Inês Secca Ruivo (Ruivo, 2010, p. 11).

... 17 Figura 9 - Estrutura Metodológica da tese de Paulo Souza (Souza P. F., 2007, p. 12). ... 18 Figura 10 - Princípios para a educação de jovens socialmente responsáveis, (United Nations, 2016).

Fonte: http://www.un.org/youthenvoy/2016/09/un-global-compact-prme-announce-student- engagement-platform-support-sdgs/ ... 21 Figura 11 - Importância da sustentabilidade e da responsabilidade social no processo de design.

Adaptado de (Demarchi, Fornasier, & Martins, 2011, p. 33). Fonte própria. ... 22 Figura 12 - Retirado do livro Design for the Real World, segundo uma adaptação de Louis Sullivan.

(Papanek V. J., 1963/71, p. 5) ... 24 Figura 13 - Vetores da Responsabilidade Social das empresas (Ashley, 2005). Fonte: in

Sustentabilidade e Responsabilidade Social no Design de Produto (Souza P. F., 2007, p. 70) ... 26 Figura 14 - Áreas de atuação do Design Socialmente Responsável (Cooper, 2005). Fonte: in

Sustentabilidade e Responsabilidade Social no Design de Produto (Souza P. F., 2007, p. 86).

... 30 Figura 15 - Os desastres naturais são cada vez mais frequentes, 1995-2015. Fonte: in UNISDR –

United Nations Office for Disaster Risk Reduction (United Nations , 2000). ... 40 Figura 16 - O Estado da Paz. Fonte: Institute for Economics and Peace - Global Peace Index 2016

(Jornal Público, 2016) ... 44

(13)

Figura 17 - Kit Familiar de Sobrevivência da Cruz Vermelha Portuguesa. Fonte:

https://www.cruzvermelha.pt/component/k2/item/2399-donativo-de-artigos-em-situação-de-

emergência.html (CVP, 2017) ... 47

Figura 18 - E se fosse eu? Fazer a mochila e partir. (PAR, 2016). Fonte: http://www.refugiados.pt/7792-2/ ... 50

Figura 19 - Mochila da Cruz Vermelha Portuguesa (CVP, s.d.). Fonte: https://www.cruzvermelha.pt/socorro-e-emergência/situações-de-excepção/fundo-de- emergência.html ... 50

Figura 20 - Mochila de salvamento transportável (Huimin, et al., THE HUMAN AMBULANCE BAG, 2015). Fonte: http://www.yankodesign.com/2016/08/19/the-human-ambulance-bag/ ... 51

Figura 21 - Mochila de Emergência (Reliefpod, s.d.). Fonte: http://shop.reliefpod.com/store/p/26- Emergency-Backpack.aspx... 51

Figura 22 - Dumpling Bag (Ji-Young, 2010). Fonte: http://www.yankodesign.com/2010/03/17/dumpling-inspired-backpack/ ... 52

Figura 23 - Produtos essenciais para sobreviver. Fonte própria. ... 57

Figura 24 – Mochila Deuter Futura PRO 36. Fonte: http://www.deuter.com.br/mochilas/hiking/futura- pro-36 ... 57

Figura 25 - Mochila especifica de máquina fotográfica - DSLR Pro Camera. Fonte: https://store.canon.pt ... 58

Figura 26 - Mochila sem armação - Herschel Heritage. Fonte: https://herschel.com ... 58

Figura 27 - Mochila militar (modelo inglês). Fonte: http://www.militaria.pt/shop2/ ... 58

Figura 28 - Mochila de viagem Kanken (modelo masculino). Fonte: https://www.fjallraven.com/shop/fjallraven-kanken-no-2-laptop-15-black-F23568- black/?sku=7323450260361 ... 59

Figura 29 - Mochila com armação externa. Fonte: https://www.mochileiros.com/topic/29-mochila- qual-comprar/?page=91 ... 59

Figura 30 - Imagens retiradas do vídeo What They Took With Them (UNHCR, 2016). Fonte: http://www.unhcr.org/news/videos/2016/9/57e56cc84/what-they-took-with ... 60

Figura 31 - O papel do design para com o utilizador. Fonte própria... 62

Figura 32 - Simbologia para descrever a mochila e a faixa etária do utilizador. Fonte própria. ... 63

Figura 33 - Número de utilizadores por produto e suas variantes. Fonte própria. ... 63

Figura 34 - O esqueleto humano (Másculo & Vidal, 2011, p. 169) ... 65

Figura 35 - A coluna vertebral (Másculo & Vidal, 2011, p. 171) ... 66

(14)

Figura 36 - Características da mochila de transporte escolar, num total de 182 inquiridos (Araújo,

2011, p. 56). ... 67

Figura 37 – As quatro funções psíquicas do cérebro humano. (Senna & Fialho, 2016) ... 68

Figura 38 - Alçado principal ... 69

Figura 39 – Alçado Lateral ... 69

Figura 40 - Pormenor das linhas curvas. ... 69

Figura 41 - As três lentes do HCD (Human-Centered Design) (IDEO, IDE, Heifer International, e ICRW, p. 7)... 70

Figura 42 - Mochila de sobrevivência regular para 1 pessoa. ... 72

Figura 43 - Mochila de sobrevivência familiar para 2 pessoas. ... 72

Figura 44 - Mochila de emergência. Fonte: https://larepublica.pe/sociedad/782996-sismo-en- lima-los-articulos-que-no-pueden-faltan-en-tu-mochila-de-emergencia ... 72

Figura 45 - Avalanche Emergency Backpack. Fonte: http://www.tuvie.com/skadi-abs-avalanche- backpack-for-ski-patrollers/ ... 72

Figura 46 – Moodboard. Fonte própria. ... 73

Figura 47 - Desenhos analíticos estruturais de uma mochila. Análise de pormenores. Fonte própria. ... 74

Figura 48 - Think Global (TL do autor) – Pensar Globalmente. Fonte própria. ... 75

Figura 49 - Desenho analítico. Traços simples. Desenho de uma mochila com caráter conceptual. Fonte própria. ... 75

Figura 50 - Estudos de uma mochila. Desenhos de organização mental – Mind-Map. Fonte própria. ... 76

Figura 51 - Estudos de uma mochila. Desenhos de organização mental – Mind-Map. Fonte própria. ... 77

Figura 52 e Figura 53 - Mochila envelope com compartimentos. Fonte própria. ... 78

Figura 54 e Figura 55 - Mochila com linhas minimalistas de estrutura diferente do habitual. Fonte própria. ... 78

Figura 56 - Mochila com linhas minimalistas de estrutura diferente do habitual. Fonte própria. ... 79

Figura 57 e Figura 58 - Desenhos de estudo das linhas que constituem a estrutura da mochila. Fonte própria. ... 79

Figura 59 e Figura 60 - Mochila de inspiração. Fonte própria. ... 80

Figura 61 - Estudos da forma ideal. Fonte própria... 81

Figura 62 e Figura 63 - Estudos da forma ideal. Fonte própria. ... 81

(15)

Figura 64 – Estudos da forma ideal. Fonte própria ... 82

Figura 65 - Esboço da mochila de base. Fonte própria. ... 83

Figura 66 e Figura 67 - Desenhos do produto final com 2 diferentes formas de acoplar. Fonte própria. ... 83

Figura 68 – Desenho do produto final. Fonte própria. ... 84

Figura 69 – Desenhos finais. Fonte própria. ... 84

Figura 70 – Desenhos finais dos diferentes compartimentos. Fonte própria. ... 85

Figura 71 - Análise das medidas. Fonte própria. ... 85

Figura 72 - Três diferentes sacos que se acoplam numa só mochila. Fonte: Fotografia do autor. . 86

Figura 73 - Mochila principal e três sacos para os diferentes kits. Fonte: Fotografia do autor. ... 86

Figura 74 - Mochila pequena com os sacos para artigos de bebé. Fonte: Fotografia do autor. ... 87

Figura 75 - saco cilíndrico para o kit de primeiros socorros. Fonte: Fotografia do autor. ... 87

Figura 76 - Kit de primeiros socorros. Fonte: Fotografia do autor. ... 87

Figura 77 - Interior da mochila principal. Fonte: Fotografia do autor. ... 88

Figura 78 - Kit de sobrevivência. Fonte: Fotografia do autor. ... 88

Figura 79 - Kit de higiene. Fonte: Fotografia do autor. ... 89

Figura 80 - Pack de alimentação. Fonte: Fotografia do autor. ... 89

Figura 81 - Sacos individuais com os artigos de bebé, que se encontram dentro da mochila pequena. Fonte: Fotografia do autor... 90

Figura 82, Figura 83 e Figura 84 - Três Imagens da mochila principal a abrir. Fonte: Fotografias do autor. ... 90

Figura 85 - Mochila principal com os sacos dentro. Fonte: Fotografias do autor. ... 90

Figura 86, Figura 87 e Figura 88 – Mochila pequena com o seu interior e sacos. Fonte: Fotografias do autor. ... 91

Figura 89, Figura 90, Figura 91 e Figura 92 - Imagens da separação das duas mochilas. Fonte: Fotografias do autor. ... 91

Figura 93, Figura 94 e Figura 95 - Imagens da separação do saco cilíndrico. Fonte: Fotografias do autor. ... 91

Figura 96 - Medidas da mochila. Fonte: Fotografia do autor. ... 92

Figura 97 - Medidas das alças. Fonte: Fotografia do autor. ... 92

Figura 98, Figura 99 e Figura 100 - Imagens da mochila principal. Vista Frontal e Posterior. Fonte: Fotografias do autor. ... 92

(16)

Figura 101 - Imagens da mochila completa. Fonte: Fotografias do autor. ... 93

Figura 102 - Pormenor da mochila mais pequena. Fonte: Fotografias do autor. ... 93

Figura 103 – Painel de apresentação do produto. Fonte própria. ... 93

Figura 104 - Molde da mochila principal. Fonte: Fotografia do autor. ... 94

Figura 105 - Molde da mochila pequena. Fonte: Fotografia do autor. ... 94

Figura 106 - Molde do saco cilíndrico. Fonte: Fotografia do autor. ... 95

Figura 107 e Figura 108 - Desenho e construção dos moldes. Fonte: Fotografias do autor. ... 95

Figura 109 - Pré-protótipo - Vista de frente. Fonte: Fotografias do autor. ... 96

Figura 110 - Pré-protótipo - Vista lateral. Fonte: Fotografia do autor. ... 96

Figura 111 - Pré-protótipo - Vista acoplada lateral. Fonte: Fotografias do autor ... 96

Figura 112 - Pré-protótipo - Vista acoplada frontal. Fonte: Fotografias do autor. ... 96

Figura 113 e Figura 114 - Construção do pré-protótipo. Fonte: Fotografias do autor. ... 97

Figura 115 e Figura 116 - Imagens do pré-protótipo. Fonte: Fotografias do autor. ... 97

Figura 117 e Figura 118 - Imagens da análise ergonómica. Fonte: Fotografias do autor. ... 98

Figura 119 – Ficha técnica. Fonte própria ... 99

Figura 120, Figura 121, Figura 122, Figura 123, Figura 124, Figura 125, Figura 126 e Figura 127 - Corte dos tecidos. Fonte: Fotografias do autor... 100

Figura 128, Figura 129, Figura 130, Figura 131, Figura 132 e Figura 133 - Confeção das mochilas. Fonte: Fotografias do autor. ... 101

Figura 134, Figura 135, Figura 136, Figura 137, Figura 138 e Figura 139 – Refletores. Fonte: Fotografias do autor. ... 101

Figura 140 - Pessoas deslocadas da seita minoritária Yazidi (Tharoor, 2014). Fonte: https://www.washingtonpost.com/news/worldviews/wp/2014/08/11/a-u-s-designated-terrorist- group-is-saving-yazidis-and-battling-the-islamic- state/?noredirect=on&utm_term=.447328d9b7b7. ... 103

Figura 141 - Rasto de devastação provocado pelos incêndios na Grécia (Marques, 2018). Fonte: http://pt.euronews.com/2018/07/25/balanco-do-inferno-grego-aproxima-se-da-centena-de- mortos. ... 103

Figura 142 - Falta de água potável e infraestruturas de saneamento para os refugiados do campo do Chad (We Are Water, 2011). Fonte: https://www.wearewater.org/es/agua-para-los-campos- de-refugiados-del-este-del-chad_253281. ... 103

(17)

Figura 143 – A vida dos refugiados pelos olhos das crianças (Rádio Renascença, 2015). Fonte:

http://rr.sapo.pt/noticia/36496/um-sonho-de-humanidade-a-vida-de-refugiados-pelos-olhos- das-criancas. ... 103

(18)

ÍNDICE DE TABELAS

Tabela 1 - Exemplos de kits de sobrevivência. ... 53 Tabela 2 - Os Pressupostos do Design Universal. ... 56

(19)

1

CAPÍTULO 1

(20)

1. INTRODUÇÃO AO TEMA

1.1. ENQUADRAMENTO TEMÁTICO

Perante cenários de destruição resultantes de catástrofes, guerras, sismos, incêndios, tsunamis, entre outros, verifica-se o aumento do número de refugiados resultantes destes cenários. Torna-se assim, imprescindível abordar a temática do design com responsabilidade social, em particular dos produtos essenciais em contextos de crise.

Nos dias de hoje, e não querendo tornar o assunto vulgar, muitas catástrofes aterrorizam o nosso planeta e é importante estar preparado para o que o futuro nos reserva. Por todo o mundo, milhares de refugiados esperam pela hora de regressar a casa. Como refere Maria João Guimarães no seu artigo de 2017, o número elevado de refugiados equivale a quase um quarto da população do país pré-guerra: a Turquia, o Líbano e a Jordânia são quem mais recebe refugiados (Guimarães, 2017).

Ao analisar a infografia abaixo, figura 1, verifica-se rapidamente que o número de refugiados sírios aumentou em grande escala desde dezembro de 2011 até março de 2017, estando neste momento nos 5,018 milhões. Até outubro de 2016, a Alemanha foi o país com mais pedidos de asilo, à volta de 456 mil pedidos. Portugal ficou-se pelos 448 pedidos.

Figura 1 – adaptado do Jornal Público – Março de 2017 (Já há mais de cinco milhões de refugiados sirios, 2017) (ACNUR, 2017) Fonte: https://www.publico.pt/2017/03/30/mundo/noticia/ha-ja-mais-de-cinco-milhoes- de-refugiados-sirios-1767141

(21)

Relativamente aos refugiados registados, confirma-se também que a Turquia atingiu o número de 2,967 milhões, seguida do Líbano com 1,011 milhões e, por último, seguido da Jordânia com 657 mil refugiados registados. Na totalidade de refugiados Sírios, 51,5% são do sexo masculino e 48,5%

são do sexo feminino, verificando-se que, provavelmente, muitos refugiados são casais e até famí- lias completas.

Ainda analisando a figura 1, acima, e quanto à faixa etária, comprova-se que estes refugiados sírios têm em média entre os 18 e 59 anos, seguido do grupo de 5 a 11 anos e depois de 0 a 4 anos. Os jovens entre os 12 e os 17 anos são em pequeno número e só 3% é que se encontram com mais de 60 anos.

Como refere Maria João Guimarães, a maior parte dos refugiados são sírios.

“uma grande parte dos 62 mil refugiados na Grécia é síria (Grécia e Itália têm um total de 176 mil refu- giados em centros temporários), mas muitos não querem pedir asilo naquele país, que está em profunda crise económica. Na Europa, a grande maioria dos pedidos de asilo de sírios concentrou-se na Alema- nha e Suécia.”

(Guimarães, 2017)

Na figura 2, na análise de algumas imagens do panorama mundial, comprova-se que 65,6 milhões de pessoas por todo o mundo são forçadas a deixar as suas casas. Existem 22,5 milhões de refu- giados, 10 milhões de pessoas apátridas e, aproximadamente, 189 mil de refugiados reassentados, segundo dados de 2016.

Figura 2 - Agência das Nações Unidas para os Refugiados – Junho 2017 (UNCHR, 2017). Fonte:

http://www.unhcr.org/figures-at-a-glance.htm

Ao analisar outros infográficos, como por exemplo a figura 3, observa-se que África é o continente onde grande parte dos refugiados estão acolhidos. Mais de metade dos que estão espalhados pelo mundo, 56% estão acolhidos em África, Norte de África e Médio Oriente. Os restantes são acolhidos na Europa, 17%; Américas, 16% e Ásia, 11%. Há três principais países de origem: Síria 5,5 milhões;

Afeganistão 2,5 milhões e o Sul do Sudão 1,4 milhões.

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Figura 3 - Agência das Nações Unidas para os Refugiados – Junho 2017 (UNCHR, 2017). Fonte:

http://www.unhcr.org/figures-at-a-glance.html

Como também já tínhamos verificado na figura 1, e que agora comprovamos na figura 3, com mais destaque, a Turquia é o país que acolhe mais refugiados, 2,9 milhões, seguida do Paquistão com 1,4 milhões.

A figura 4, abaixo, examina detalhadamente esta crise migratória, o número de refugiados por país de origem e por país de acolhimento. Especifica ainda, em cada país, o número de pessoas em acampamentos, em zonas rurais e em zonas urbanas. A Síria e o Afeganistão são os países com um maior número de pessoas deslocadas e a Turquia e o Paquistão são os principais países de asilo. Concluindo, o número de refugiados aumentou desde os primeiros dados de 2012 e estão, neste momento, espalhados por muitos países em todo o mundo. No total prevê-se que sejam 22,5 milhões, mas este número tende a aumentar, uma vez que, por dia, 28,3 mil pessoas são forçadas a deixar as suas casas (UNCHR, 2017).

Na União Europeia, o número de refugiados e requerentes de asilo entre 2014 e 2015 aumentou 44%, a população é de mais de 722 milhões. Algo de muito urgente tem de ser feito porque este número aumentou em larga escala. Em Portugal, e como se pode verificar na figura 4, o número de pessoas acolhidas é de 4,7 mil, mas Bruxelas quer que Portugal receba até 5 mil refugiados. Na imagem, facilmente percebemos que a Alemanha é, atualmente, o país com um maior número de pessoas acolhidas.

Figura 4 - US Commitee for Refugees and Immigrants. Fonte: (USCRI, 2017).

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Analisando ainda a figura 5, verificam-se quais os motivos da saída, por parte deste número gigan- tesco de refugiados, dos principais países, espalhados pelo mundo fora.

Figura 5 - US Commitee for Refugees and Immigrants. Fonte: (USCRI, 2017).

Assim, começando pelo continente Africano, os habitantes da Somália são amedrontados diaria- mente pelo terrorismo e pela falta de alimentos que origina disputas; no Sudão, desde os anos 50, com o genocídio, vive-se um estado de sofrimento e na República Democrática do Congo, que de- vido à guerra e ao genocídio, que se prolonga há décadas, força a sua fuga inesperada. No conti- nente asiático, donde provem um maior número de refugiados; na Síria vive-se sem proteção numa guerra civil sem fim sob o domínio do estado islâmico; o Iraque é abandonado por questões políticas e transtornos causados pela violência; no Irão, predomina um ambiente de medo e de execuções contra as minorias; o Afeganistão, desde 1989, que é destruído devido a lutas entre diversas fações;

no Butão, muitos são perseguidos por diferenças étnicas e na Birmânia existe um clima de guerra civil intensa com uma limpeza religiosa e étnica. Na Europa, só um país é assolado por estas ques- tões, a Ucrânia, onde os seus habitantes se veem sem emprego e com fome, devido ao facto do país não ter infraestruturas suficientes para suportar este desgaste económico. Nas Américas, Cuba, como sabemos, ainda vive um clima de ditadura política, com diversas perseguições, e a Colômbia que é um campo de guerra entre vários grupos, guerrilhas do poder da droga.

Concluindo, e como demonstrado na figura 6, uma em cada 113 pessoas no planeta é solicitante de refúgio, deslocada interna ou refugiada.

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Figura 6 - Tendências globais sobre refugiados e outras populações de interesse da ACNUR - (ACNUR, 2017).

“Os refugiados são pais, artistas, crianças, estudantes, doutores, empresários, seres humanos resilien- tes (...) As suas vidas foram interrompidas, perderam tudo que conheciam e precisam de sobreviver e de prosperar.”

(USCRI, 2017)

Como refere a ACNUR, no seu site sobre as Tendências Globais dos Refugiados e outra População de Interesse, aquando da elaboração do relatório Tendências Globais, no final de 2016 havia cerca de 65,6 milhões de pessoas.

“(...) revela que ao final de 2016 havia cerca de 65,6 milhões de pessoas forçadas a deixar seus locais de origem por diferentes tipos de conflitos – mais de 300 mil em relação ao ano anterior. Esse total representa um vasto número de pessoas que precisam de proteção no mundo inteiro.”

(ACNUR, 2017)

Infelizmente, o número de crianças também é imenso e estas são as maiores vítimas porque são mais indefesas, carregando um fardo desproporcional de sofrimento.

“(...) as crianças, que representam a metade dos refugiados de todo o mundo, continuam carregando um fardo desproporcional de sofrimento, principalmente devido à sua elevada vulnerabilidade. Tragica- mente, 75 mil solicitações de refúgio foram feitas por crianças que viajavam sozinhas ou separadas de seus pais. O relatório aponta que possivelmente este número subestime a real situação.”

(ACNUR, 2017)

O que se pretende conceber é um produto essencial para utilização em contextos de crise, que deverá ser de dimensões consideráveis e facilmente transportável. Pretende-se desenvolver um

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produto itinerante que poderá contemplar também um conjunto de produtos de emergência, que podem ser utilizados em espaços indefinidos e em contextos específicos.

1.2. MOTIVAÇÃO

A principal razão na escolha do tema deste trabalho, centrou-se na vontade de abordar questões de responsabilidade social no design. São questões muito importantes para a atualidade e o design tem o dever de as enquadrar no seu processo. Por um lado, sabe-se que é intrínseco ao design obedecer a regras de responsabilidade social, mas por outro lado, nem sempre isso acontece. O facto de a autora deste projeto ser voluntária, em algumas associações nacionais humanitárias, despertou para o interesse nestes assuntos. Como refere Ricardo Santos, no seu trabalho Refugi- ados: Altura de um Novo Paradigma:

“A inovação não é algo novo no que se refere aos refugiados, pois quer os refugiados, quer aqueles que os tentam assistir e proteger, sempre tiveram novas ideias. O que hoje é considerado normal nas infra- estruturas das instituições, das organizações e dos governos foi em tempos considerado novidade.”

(Santos, 2014, p. 38)

Referindo o mesmo autor, “Inovar não significa necessariamente inventar nem criar algo novo (...)”

(Santos, 2014), considera-se também que a inovação pode estar em algo diferente, contextuali- zando com o meio envolvente e alterando o produto e o seu processo mediante fatores de respon- sabilidade civil, seja para com os refugiados, seja para com a melhoria do meio ambiente, a susten- tabilidade. A sociedade vive variados problemas de adaptação e de integração e é da competência de todos fazer escolhas corretas, pensar socialmente, sem ideologias partidárias, religiosas, etc. A questão dos refugiados tem, política e socialmente, uma grande notabilidade. Contudo, este produto não será só para uso exclusivo dos refugiados, termo utilizado unicamente pela opinião pública como provindos de países em guerra, pois pode ser adquirido por todos aqueles que sintam neces- sidade de o ter. A preocupação da autora centra-se na questão humanitária, na fome, nos sismos, nos tsunamis, nas guerras, entre outros, contextos que a afetam como ser humano que é e que sabe não viver só num mundo onde todos podem ajudar.

Neste sentido, depois de analisar o que o mercado oferece, é intenção deste projeto desenvolver uma mochila que contenha bens essenciais, um kit que será utilizado em contextos de crise, desde os mais pequenos até aos mais velhos.

1.3. ESTADO DA ARTE

Quando deparados com catástrofes naturais ou cenários de guerra que coloquem o ser humano numa situação desfavorecida, sem água, luz, teto, vendo a sua vida destruída, devem ser utilizados todos os meios para minimizar esse estado. É urgente observar, investigar e ponderar sobre o que já está no limite da compreensão humana. Nos dias de hoje, com a informação acessível que nos

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entra pela casa dentro, é impensável imaginar-se o que se está a passar no mundo que nos rodeia.

A temática dos refugiados é urgente, é urgente ajudar.

Uma das organizações com forte relevância para o desenvolvimento desta investigação é a agência do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR Lisboa, 2016), que é man- datado pelas Nações Unidas para liderar e coordenar a ação internacional para a proteção mundial e a resolução dos problemas dos refugiados. É hoje em dia uma organização crucial para o auxílio e a resolução deste grave problema da humanidade.

Ao centrar este estudo na questão dos refugiados, é importante, também, perceber qual o signifi- cado do que é ser um refugiado. Assim e segundo a ACNUR Lisboa:

“(...) um refugiado é uma pessoa que devido a receio fundado de perseguição em virtude da sua raça, religião, nacionalidade, pertença a um certo grupo social ou das suas opiniões políticas, fugiu ou se encontra fora do seu país de origem e não possa ou, devido a esse receio, não queira regressar.”

(ACNUR Lisboa, 2016)

Para além desta organização não governamental, existem três outras que também operam em Por- tugal e que se tornam importantes para a temática desta dissertação: a Plataforma de Apoio aos Refugiados (PAR, 2016); a Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC) e o Conselho Português para os Refugiados (CPR), que é um parceiro da ACNUR. Todas estas organizações convergem num só objetivo, minimizar as causas que emergem de contextos de crise, sejam estes cenários de guerra, terramotos, exclusões sociais, entre outros. Neste sentido, as organizações governamentais são um forte pilar que diariamente investem na colaboração com outras associações, reunindo es- forços para minimizar um dos principais problemas atuais.

Serão igualmente objeto de análise, entre outros, a Organização Mundial de Saúde (OMS), a Cruz Vermelha Portuguesa (CVP) e a Organização das Nações Unidas (ONU). Contextualizando este trabalho no âmbito do design, é importante salientar que existe uma organização não governamental que se dedica desde 2001 à “investigação, desenvolvimento do conhecimento, promoção, aplicação e difusão do Design for All1 em empresas, organizações públicas, privadas e educativas, designers ou consumidores, para alcançar uma sociedade mais equitativa e mais coesa”. A organização De- sign for All pretende, deste modo, promover a colaboração e o intercâmbio de experiências locais e internacionais.

“(...) a colaboração e o intercâmbio de experiências locais e internacionais a qualquer nível; disseminar boas práticas; promover o envolvimento dos cidadãos em todos os aspetos relacionados com a digni- dade, qualidade de vida e sustentabilidade, desenvolver projetos inovadores visando: tolerância, quali- dade de vida, oportunidades iguais, solidariedade, emprego, dignidade, resiliência e sustentabilidade.”

(Design For All Europe, s.d.)

1 TL (tradução livre do autor): Design para Todos

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A EIDD - Design for All Europe - é uma plataforma internacional única para diferentes organizações com um objetivo comum, uma Europa mais inclusiva para todos (Design For All Europe, s.d.). Esta organização articula esforços e meios para apoiar e unir organizações europeias, contando com 31 membros de 20 países. Portugal está representado pelo Museu Português do Design (MDP), uma entidade privada, com sede no Porto, que tem como objetivo “classificar o Design Português e apre- sentá-lo ao mundo. Exposições, análises científicas e publicações sobre o Design Português são uma prioridade. Tem o papel de informar sobre a importância e a evolução do design no nosso país, protegendo o design português e os designers portugueses” (EIDD, s.d.). Em 2004, foi concretizada, na Assembleia Geral Ordinária do Instituto Europeu para o Design Inclusivo em Estocolmo, uma declaração: “Good design enables, bad design disables”2 (Ordin, 2004). A sua principal premissa era a de “Melhorar a qualidade de vida através do design para Todos” (Ordin, 2004). Sabe-se que o Design Inclusivo foi, num primeiro período, refletido nos anos 50/60 com o aparecimento do fun- cionalismo escandinavo, dando origem a uma sociedade para todos. Surge então, a necessidade de pensar o design num contexto universal. Nesse sentido, será pertinente investigar projetos ante- riores que se integrem neste tema, analisar estudos que foquem estes assuntos de um ponto de vista mais específico e procurar soluções e ideias já ponderadas que possam responder às pergun- tas mais relevantes desta dissertação. Ao dar sentido à vida do ser humano em contextos de crise e utilizando o design como fio condutor para a criação de produtos, é imperativo agregar a este trabalho uma forte componente de responsabilidade social.

Segundo Paulo Souza, na sua tese de doutoramento de 2007, o produto de design deve ser simul- taneamente sustentável na forma e socialmente responsável no seu conteúdo.

“(...) o design industrial, e, sobretudo, o projeto de design que possa ser considerado simultaneamente sustentável e socialmente responsável, assume um papel decisivo na busca por modelos de produção mais adequados à lógica da proteção ambiental e da melhoria da qualidade de vida das populações, considerando sistematicamente o processo de desenvolvimento de produtos, levando em conta os im- pactos de todo o seu ciclo de vida.”

(Souza P. F., 2007, p. 2)

Este é o principal objetivo, aliado à preocupação constante da procura de quais os bens essenciais para sobreviver em situações de extrema necessidade. Assim, convém investigar como os desig- ners ultrapassam estas questões. Num artigo de 2015, da revista Architectural Digest, Tim Mckeough refere que “um grande número de designers estão a ajudar a conceber abrigos de emer- gência para os milhões de povos refugiados da guerra e dos desastres naturais” (Mckeough, 2015).

Shigeru Ban, arquiteto, tem focado o seu trabalho neste problema: “eu acho que os arquitetos devem

2 TL (tradução livre do autor): O bom design habilita, o mau inativa as capacidades

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usar as suas capacidades em interesse do bem da sociedade” (Ban, 2016). Muitos outros arquitetos e designers exploraram diversas possibilidades na construção de um abrigo para refugiados; Scott Austin Key e Sam Brisendine, abrigo Emergency Floor; Michael McDaniel com o seu Reaction Exo Shelter; Matthew Malone, Amanda Goldberg, Jennifer Metcalf e Grant Meecham idealizaram o Abrigo Acordeão Recuperável; Nic Gonsalves e Nic Martoo conceberam para uma exposição em Melbourne um abrigo; Ivan Juarez projetou o Cactaceae, um abrigo colocado no deserto Trópico de Cáncer, no México; Ohhyon Kwon, causou mais impacto com a ideia da conceção do produto Jigae, que transportava o essencial num só objeto.

Victor Papanek, designer e forte defensor do design social e ecologicamente responsável de produ- tos, ferramentas e infraestruturas comunitárias, refere que “A única coisa importante sobre o design é como ele se relaciona com as pessoas” (Papanek V. J., 1963/71). Percebe-se, então, que este processo já tem vindo a ser considerado por muitos designers. Leonor Magalhães, na sua disserta- ção de tese com o título Artefactos Nómadas, Corpo e Espaço, idealizou um abrigo móvel num contexto urbano (Magalhães, 2013). Miguel Albuquerque refere, igualmente, que “o design vive de e para as pessoas. Vivendo para as pessoas, vive para a sociedade e com ela partilha princípios comuns” (Albuquerque, 2011). Quando se investiga a questão dos refugiados e tudo o que lhes é essencial para sobreviver, procura-se quase sempre solução nos abrigos. De facto, uma análise nesse produto é indispensável, mas não deve ser restrita. Há outros bens essenciais que são im- prescindíveis, que cabem numa mochila e que podem ser utilizados numa situação urgente. É imi- nente a criação de um produto que seja espontâneo e que, de um modo muito rápido, auxilie o ser humano num momento de crise. Como refere Bruno Munari3, no seu livro Das Coisas Nascem Coi- sas4, “Projetar é fácil quando se sabe o que fazer. Se se aprender a enfrentar pequenos problemas pode-se pensar também em resolver problemas maiores” (Munari, 1981, p. 12).

1.4. QUESTÕES DE INVESTIGAÇÃO

Deste modo, identifica-se, à partida, quatro questões de investigação:

Q1 - Reconhece-se quais os produtos essenciais em contextos de crise para garan- tir a sobrevivência?

Q2 - Como conceber um produto que possa abrigar ou conter outros produtos, res- pondendo às necessidades do utilizador e tendo em consideração a responsabilidade social do de- signer e o seu contributo para a sociedade, que seja portável, que garanta a mobilidade, que seja intuitivo e espontâneo?

3 Bruno Munari, foi um artista e designer italiano, que contribuiu com base em diferentes áreas das artes visuais (pintura, escultura, cinema, design industrial, gráfico, etc.) e também com outros tipos de arte (literatura, poesia, didática), com a investigação sobre o tema do jogo, a infância e a criatividade.

4 A intenção do pré livro Das Coisas Nascem as Coisas é a de incentivar as crianças a experimentarem-no de forma diferente, ampliando sua conceção sensorial e desconstruindo o conceito do objeto livro.

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Q3 - De que modo se poderá desenvolver um produto ou gama de produtos que possam responder a todas estas questões e obedeçam aos objetivos propostos, sendo ainda ino- vador ao nível da aplicação de novos materiais, da qualidade formal e estética e da sustentabili- dade?

Q4 - De que forma o design inclusivo poderá contribuir para o desenvolvimento de produtos com estas características?

1.5. HIPÓTESE

Relativamente às hipóteses de investigação, é intenção desta dissertação o desenvolvimento de um produto que consiga responder a todas estas questões de um modo simples e intuitivo. Simples porque deverá responder a regras de generalização associadas ao design e intuitivo porque deve permitir a sua fácil utilização e usabilidade. O produto deverá ser acessível e, por essa razão, haverá uma preocupação maior na escolha dos materiais que se deverão adaptar a diversos modos de encaixe, de modularidade, de desmontagem e de facilidade de arrumação. Muitas vezes, como re- fere Paulo Souza no seu trabalho sobre o tema Sustentabilidade e Responsabilidade Social no De- sign de Produto, “só existe preocupação estético-funcional e não há cuidado com o final do ciclo de vida de um produto” (Souza P. F., 2007), portanto esta hipótese também se irá desenvolver segundo princípios que obedeçam a questões sustentáveis. Ainda referindo o mesmo autor, relativamente aos modelos de produção industrial com sustentabilidade e responsabilidade social, considerando a otimização dos recursos e das matérias-primas:

“O design sustentável e socialmente responsável aos modelos de produção industrial, considerando a ótica da sustentabilidade e, sobretudo, a otimização do (re) uso de matérias-primas in natura ou repro- cessadas, por exemplo, a redução de fluxos mássicos e energéticos na cadeia produtiva, implementa- ção de processos de reciclagem, reutilização de matéria-prima e redesign do produto com foco na ex- tensão de seu ciclo de vida.”

(Souza P. F., 2007, p. 4)

Assim, como hipótese deste trabalho, considera-se que será concebido / desenvolvido um produto de design que seja contentor de outros produtos, que se arrume e desarrume facilmente, que seja dobrável e facilmente transportável e que distinga quais os produtos necessários para a sobrevivên- cia humana, dando resposta às questões do design sustentável.

1.6. OBJETIVOS ESPECIFICOS

Neste trabalho, serão considerados dois importantes contributos:

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1. Um contributo teórico, através da investigação realizada, já que se verifica em Portugal, por exemplo, que muito pouco tem sido feito quanto à questão dos refugiados, tanto ao nível de apoio prático como ao nível da resolução de problemas.

Assim, com esta investigação, e de um ponto de vista teórico, pretende-se abordar, mais detalha- damente, todas estas questões. O que se propõe fazer não é em nada diferente do que noutros países já se faz há algum tempo. Esses exemplos servirão de guia para o desenvolvimento deste trabalho. Atualmente necessita-se urgentemente de intervenientes na área do design que respon- dam às questões propostas na criação de produtos essenciais com a premissa da responsabilização social.

2. Como contributo prático sabe-se que, em Portugal, existem poucos designers interessados em abordar esta temática, obedecendo à metodologia projetual. É importante aplicar os indicadores de produção atempadamente e nunca no final da produção. Um dos pontos no desenvolvimento de um produto é o custo inerente à sua produção. Assim, esta investigação poderá ser, de um ponto de vista prático, importante para os designers repensarem estas questões, adequando produtos antes de seguirem para o mercado, trazendo benefícios para o processo de produção industrial.

Deste modo, pretende-se demonstrar que o design focado na intuição é um tópico pouco desenvol- vido em Portugal, mas que revela uma carência cada vez mais iminente e propagada, devido ao aumento dos desastres naturais e dos cenários de guerra.

Em síntese, são objetivos deste projeto:

1º_ Desenvolvimento de um contributo teórico, através da investigação realizada, que solu- cione a questão dos refugiados em Portugal, tanto ao nível de apoio prático, como ao nível da reso- lução de problemas e que contribua para:

. Apelar à necessidade de intervenientes na área do design que respondam a questões de responsabilidade social, no processo de desenvolvimento de produtos.

2º _ Desenvolvimento de um contributo prático que apresente indicadores aplicáveis de res- ponsabilidade social e de sustentabilidade no processo de produção industrial, que permita:

. Pensar e conceber soluções adequadas de um produto acessível, durante o processo da metodologia projetual;

. Valorizar a intuição de forma a conceber um produto de fácil compreensão perante con- textos de crise.

1.7. METODOLOGIA DE TRABALHO

Como metodologia cientifica será aplicada, numa primeira fase, uma abordagem teórica realizada através da recolha e análise de dados, que permitirá, posteriormente, efetuar uma pesquisa exaus- tiva de autores e de estudos de caso, cujas ideias apoiadas nas premissas e conclusões, nos orien- tarão para o desenvolvimento do produto que se pretende materializar. Para enquadrar a metodo- logia de investigação que será aplicada nesta dissertação, foram tidas em consideração as premis- sas de Medard Gabel, que referem que o “Design Science 3 procura construir capacidades e não

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desempenha unicamente um papel de resolução de problemas” (Gabel, Medard; Design Science/Global Solutions Lab, 2010). Os autores referem ainda, que quando a solução vai ser im- plementada, deve ser com uma estratégia de design bem definida. Este design de antecipação tem, no mínimo, uma visão mais alargada dos problemas no mundo, porque funciona como uma meto- dologia de pesquisa para resolvê-los.

Ainda segundo Medard Gabel, o design, “Quando aplicado a problemas atuais, pode levar a perce- ções e soluções surpreendentemente novas” (Gabel, Medard; Design Science/Global Solutions Lab, 2010).

Como já referido, a metodologia de pesquisa de investigação constituirá a primeira fase do trabalho.

Deverá ser dividida em 4 campos com pertinência fundamental para o desenvolvimento desta dis- sertação: 1º contextos de crise, 2º design inclusivo, 3º organizações e 4º design.

Assim, no primeiro campo de ação, Contextos de Crise, onde se abordará os cenários de guerra e os desastres naturais, estão incluídos autores como Nuno Lemos Pires, no seu artigo Portugal, os Estados Unidos da América e as Guerras do Século XXI, para a revista Nação e Defesa; José Ma- nuel Félix Ribeiro, na sua publicação para a revista Janus, com o título A UE, a NATO e as “zonas de turbulência” no leste e sudeste europeu; Carla Gomes no estudo das catástrofes naturais, no seu livro A Gestão do Risco de Catástrofe Natural.

No segundo campo de ação, Design Inclusivo, encontra-se Lígia Lopes no domínio do Design Inclu- sivo; Cláudia Nunes, com o artigo para a revista Convergências, com o título O Design como Pro- cesso; Sara Davies na afirmação em termos legais, da responsabilidade de proteger.

No terceiro campo de ação, Organizações (governamentais, não governamentais, institucionais e associações), encontra-se Alexander Betts, que refere a importância do trabalho em conjunto com os refugiados, quebrando barreiras pré-estabelecidas e outras instituições que são convictas na partilha de informação sobre a pesquisa de design inclusivo, tais como, Inclusive Design Research5 na Universidade de Brunel, Londres; Cambridge Engineering Design Centre6; Centro de Arquitetura, Urbanismo e design (CIAUD), na Faculdade de Arquitetura de Lisboa; Centro de Pesquisa em De- sign na Dinamarca e Centro de Design Helen Hamlyn em Londres. Quanto a organizações, serão investigadas as mais importantes, como a agência do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), a Organização das Nações Unidas (ONU), a Organização Mundial de Sa- úde (OMS), a Cruz Vermelha Portuguesa (CVP), o Conselho Português para os Refugiados (CPR), a Plataforma de Apoio aos Refugiados (PAR, 2016), o Programa operacional de Inclusão Social e Emprego (POISE) e a associação Design for All.

Por último, no campo de ação do Design, são incluídos na bibliografia autores como, Nigel Cross7, que pensa e pesquisa sobre o design, o design science e o design thinking; Gabel, referido acima, que afirma que a estratégia do design é mais importante que a busca por si só de uma solução;

5 TL (tradução livre do autor): Pesquisa design inclusivo.

6 TL (tradução livre do autor): Centro de Design e de Engenharia de Cambridge

7 Nigel Cross é um acadêmico britânico, pesquisador de design e educador, professor emérito de estudos de Design da Open University, Reino Unido, e editor-chefe da revista Design Studies. É uma das figuras principais da pesquisa em design e importante membro da Design Research Society.

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Bruno Munari, que é o orientador da metodologia projetual; Victor Papanek, pela sua convicção na responsabilidade social e sustentabilidade dos produtos; Gui Bonsiepe, pela estratégia de inovação nos produtos de design; Donald Norman porque demostra como se pode observar o design no dia- a-dia; Ezio Manzini, na matéria da invenção; Victor Margolin, Peter Domer e Jean Braudillard com a preocupação do design de objetos e na sistematização e significados do design moderno e a sua situação mundial e, por último, Ana Demarchi pelo reforço na gestão do design.

Embora na pesquisa de dados primários já tenham sido realizados alguns estudos de caso, será objeto de análise, novamente, o artigo de Ana Demarchi, Cleuza Fornasier e Rosane Martins que abordam aspetos históricos da gestão do design, diferenciando o design operacional do design es- tratégico. Na segunda fase, será abordada a metodologia do design, respondendo às questões es- senciais propostas anteriormente. O design thinking de Ana Demarchi, Cleuza Fornasier e Rosane Martins foca muito as suas ideias no modo de aplicação dos métodos de design em diferentes situ- ações da vida.

“Este pensamento captura e provoca diferentes maneiras de ver coisas e modular situações. Design thinking é adicionar mais criatividade, não para aumentá-la, mas para clarificar e focalizar as tomadas de decisões criativas nos processos sistêmicos associados aos designers. O design thinking difere de outras maneiras de pensar, pois tem uma abordagem mais arriscada e experimental, permitindo que os indivíduos modelem livremente as ideias.”

(Demarchi, Fornasier, & Martins, 2011, p. 30)

De certo modo, este modelo de metodologia permite desenvolver a criatividade, fator necessário no design atual que segue raciocínios específicos de inovação.

Dentro do campo do design quando se inicia um projeto de investigação, está inerente a conceção de um produto. Este é o objetivo. A metodologia utilizada vai determinar a concretização desse fim, diagnosticando desde cedo os principais problemas, as hipóteses encontradas e as soluções finais.

Se, por um lado, as citações e transcrições são um apoio como fontes primárias, por outro lado, as imagens materializam visualmente uma pesquisa mais ambígua e juntamente com desenhos e pa- lavras, destacam-se na metodologia.

Serão analisados e interpretados casos de determinadas situações mais sérias relacionadas com a arquitetura de abrigo, o design de produto e o design biónico. A filosofia, a psicologia e a sociologia, inseridas no campo da educação e das ciências sociais, auxiliarão, igualmente, a abordagem mais teórica deste trabalho, cruzando-se com o design.

Resumindo, neste processo metodológico, o principal ponto de partida são as referências bibliográ- ficas e webliográficas, que assumem um papel de fio condutor para o arranque e desenvolvimento desta investigação, clarificando os temas e os conceitos dos diversos autores, na tentativa de mini- mizar erros e credibilizar ao máximo o trabalho.

Concluindo, após a fase 1, metodologia de pesquisa e de investigação, onde se fundamentam dados e se analisam estudos de caso, segue-se a fase 2, onde se aplica a metodologia de design, que se refere ao projeto de design industrial e ao entendimento de novas perspetivas de todo o processo

Referências

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