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Aluno: José Ronaldo Venâncio dos Santos Orientadora: Maria Teresa de Freitas Cardoso

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CONTRIBUIÇÕES DO PAPA FRANCISCO PARA O DIÁLOGO INTER- RELIGIOSO: UM TÓPICO A APROFUNDAR A PARTIR

DOSDISCURSOS DO PAPA FRANCISCO EM SUAS VIAGENS INTERNACIONAIS – PARTE II

Aluno: José Ronaldo Venâncio dos Santos Orientadora: Maria Teresa de Freitas Cardoso

Introdução

Nesta segunda fase da pesquisa, prosseguiremos com o assunto sobre o diálogo inter- religioso, a partir do pontificado do Papa Francisco, em especial em seus discursos nas suas viagens internacionais. Buscou-se elencar pensamentos e vertentes que exprimissem por meio deste diálogo que poderemos chegar a uma cultura de paz. Ainda tomamos sua exortação apostólica

Evangelii Gaudium como um dos documentos mais importantes do ponto de

partida desta temática.

Este estudo também mostrou que todos são chamados a esse caminho de diálogo inter- religioso para se atingir uma cultura de paz, que por ele todos são irmãos e irmãs. Assim, recorda o Papa Francisco que a responsabilidade do diálogo inter-religioso aponta para uma nova forma de convivência mundial, para o que ele chama de “civilização da paz e do encontro”. Dessa maneira veremos no decorrer desta pesquisa, que o sumo pontífice em suas viagens internacionais aponta que juntos declaramos a sacralidade de cada vida humana contra qualquer forma de violência física, social, educativa ou psicológica.

O Santo Padre em suas viagens – a Moçambique, Madagascar e Maurício – em seu discurso aponta esse caminho através do diálogo-interligioso, assim como nas demais viagens à Bulgária, Macedônia do Norte, Tailândia, Japão e também aos Emirados Árabes Unidos.

Logo, o diálogo inter-religioso não é apenas um elemento a ser praticado à margem da igreja, como algo meio clandestino, e nem se trata de fazer encontros de caráter diplomático, onde cada qual saúda respeitosamente a outra parte e a isto nada mais se segue. Implica o esforço por caminhar juntos, por construir algo junto, mas sim, uma importância muito maior que a de um encontro no qual se diz o que o Papa Francisco acredita.

Contudo, a fé que não nasce de um coração sincero e de um amor autêntico a Deus

Misericordioso. Ela é uma forma de adesão convencional ou social que não liberta o homem

ou que o oprima. Pode ser considerado que, quanto mais se cresce na fé em Deus, com

tamanha intensidade se cresce no amor ao próximo. Por isso, que o Papa irá propor o diálogo

inter-religioso como traço importante de evangelização para Igreja em nosso tempo e para

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uma cultura de paz entre os povos. Esta pesquisa discorre sobre esse tema, tomando como base as referidas viagens e nelas os discursos do Papa, para destacar algumas contribuições do seu pensamento e fazer algumas ponderações pertinentes à pesquisa.

2. Resultados

2.1 O diálogo Inter-religioso como meio de se chegar a uma cultura de paz

Ver o diálogo inter-religioso como um meio para se chegar a uma cultura de paz não é tão simples, pois como já foi mencionado no decorrer da pesquisa, este diálogo deve ser visto como um desafio por depender exatamente de uma disposição real de abertura, apoiada, claro, no respeito e atenção a todos os credos, para desta forma poder romper barreiras de intolerância. No documento da Igreja Diálogo e Missão enfatiza que deva haver

O diálogo, no qual os cristãos encontrem os que seguem outras tradições religiosas para caminhar em conjunto em direção à verdade e colaborar em ações de interesse comum. Há o anúncio e a catequese, quando se proclama a boa notícia do Evangelho e se aprofundam as suas consequências para a vida e para a cultura. Tudo isto se faz parte do conceito amplo de missão. (SECRETARIADO PARA OS NÃO CRISTÃOS, p. 8 nº 13.)

É a partir desta missão que todos devem aderir ao diálogo inter-religioso. Passa então a ser visto como um desafio, que para acontecer de fato, dependerá de cada um de nós. E não podemos deixar de elencar que esta missão inter-religiosa deverá ser pautada no respeito e atenção de todos os credos, para que assim se possam romper as barreiras da intolerância, solidificadas na maioria das vezes, sobre a falta de conhecimento ao diferente. Assim propõe o Papa Farancisco sobre a vocação de evangelizar para toda a Igreja:

A vossa vocação é evangelizar; a vocação da Igreja é evangelizar; a identidade da Igreja é evangelizar. Não é fazer proselitismo! O proselitismo não é evangelização. O proselitismo não é cristão. A nossa vocação é evangelizar. A identidade da Igreja é evangelizar. E esta nossa irmã representa todos os que saem ao encontro dos seus irmão: tanto os que visitam como Maria, como os que, deixando-se visitar, aceitam de bom grado que o outro os transforme compartilhando a sua cultura, os seus modos de viver a fé e de a exprimir.(FRANCISCO, Discurso, 5 de setembro de 2019).

Essas liturgias de encontros, a prática desse diálogo tenderá a ser concebida como uma

troca de experiência entre indivíduos e comunidades religiosas que estejam abertas ao

conhecimento e à compreensão de diferentes formas de vivência do sagrado. Teixeira, em seu

artigo sobre os fundamentos e possibilidades para um diálogo inter-religioso nos dias atuais,

nos salienta alguns pontos necessários que são os de se ultrapassar fronteiras, com

sensibilidade e humanidade, procurando o entendimento numa perspectiva relacional com o

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mundo e com o outro. Para ele, “o diálogo inter-religioso envolve uma ampliação do olhar, uma capacidade de enxergar com largueza” (2010, p. 159). Nesta mesma linha o Papa Francisco elenca que, para que haja diálogo de fato, é preciso uma disposição fundamental a escuta, prontidão de aprendizado e abertura a outros de experiências religiosas distintas. Desta forma, daremos um passo para acolhermos este mundo tão plural que está perante nós. Com isso, no documento “A Fraternidade humana em Prol da Paz Mundial e da Convivência Comum”, assinado também pelo Pontífice, dirá que

A fé leva o crente a ver no outro um irmão que se deve apoiar e amar. Dá fé em Deus, que criou o universo, as criaturas e todos os seres humanos –iguais pela Sua Misericórdia, o crente é chamado a expressar esta fraternidade humana, salvaguardando a criação e todo o universo e apoiando todas as pessoas, especialmente as mais necessitadas e pobres. (Documento sobre a Fraternidade Humana em prol da paz mundial e da convivência comum por ocasião da Viagem Apostólica do aos Emirados Árabes Unidos 3-5 de Fevereiro de 2019).

E assim, desde a sua função como bispo de Roma, o Papa Francisco tem insistido na expressão “Igreja em Saída”. Este seu convite tem sido acolhido e entendido de diferentes maneiras dentro da nossa Instituição Católica. Há os que entendem ser um convite à ação missionária, de a Igreja reforçar seu anúncio e atuação de pregação e exercício da fé. Há os que entendem que o apelo do Papa Francisco por esta “Igreja em Saída” deva ser mais compreensivo, ser menos estrutura e mais experênciada na vida de fé. Há também os que entendem ser uma Igreja que não fique presa em seu mundo, mas sim, que esta mesma Igreja vá ao encontro das sociedades, de suas esperanças e problemas, para que esta Instituição religiosa tenha coragem de agir não somente no âmbito eclesial, mas também no âmbito das questões humanitárias, econômicas, sociais e de diversidade religiosa. Assim diz o Papa na EG.

Convido todo cristão, em qualquer lugar e situação que se encontre, a renovar hoje mesmo o seu encontro pessoal com Jesus Cristo ou, pelo menos, a tomar a decisão de se deixar encontrar por Ele, de O procurar dia a dia sem cessar. Não há motivo para alguém poder pensar que este convite não lhe diz respeito, já que “da alegria trazida pelo Senhor ninguém é excluído”. Quem arrisca, o Senhor não desilude; e quando alguém dá um pequeno passo em direção a Jesus, descobre que Ele já aguardava de braços abertos a sua chegada. (EG, 2013, n.3).

Essa iniciativa do Papa Francisco impulsionou muitos indivíduos a buscarem a prática

do diálogo inter-religioso. Essa “Igreja em saída” não deixa de ser também uma Igreja que vai

ao encontro do outro, sendo ela compreensiva, maleável perante a sua realidade e a seus

desafios. E um dos desafios assumidos pelo Santo Padre tem sido o de colocar a humanidade

em foco de suas ações e não tanto a Igreja, ou seja, a ação da Igreja deve ser entendida como

um ato em favor da humanidade de forma humana e humanizadora. Para ilustrar, elencaremos

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alguns feitos do Santo Padre. A criação de lavanderias para moradores de rua, posicionamentos na questão que afetam milhões de pessoas, por exemplo, os refugiados.

Nesse sentido, os meios de comunicações têm mostrado que ele tem tomado iniciativa de ir ao encontro de fiéis de outras tradições. E é impressionante o número de viagens que o Papa Francisco tem feito a países onde a maioria da população segue outra tradição não cristã.

Com isso, o Sumo Pontífice busca um diálogo inter-religioso convicto e harmonioso. Este fato pode ser percebido nitidamente em seus escritos, onde o mesmo pensa em todos e os vê como irmãos criados pelo mesmo Deus. Assim ele escreveu na Laudato Si’;

Louvado sejas, meu Senhor, cantava São Francisco de Assis. Neste gracioso cântico, recordava-nos que a nossa casa comum se pode comparar ora a uma irmã, com quem partilhamos a existência, ora a uma boa mãe, que nos acolhe nos seus braços: “Louvado sejas, meu Senhor, pela nossa irmã, a mãe terra, que nos sustenta e governa e produz variados frutos com flores coloridas e verduras. (LS, n.1)

É nesta busca de colocar a humanidade em foco que o Papa Francisco acredita que criaremos uma cultura de paz. E assim, ele entende que não chegaremos a lugar nenhum senão pela via do diálogo com as tradições religiosas cristãs e não cristãs. Por meio destes feitos visualizamos em suas Exortações e Encíclicas vividas nas suas práxis. E assim, em sua Exortação Apostólica ele afirma que:

Uma atitude de abertura na verdade e no amor deve caracterizar o diálogo como os crentes das religiões não cristãs, apesar dos vários obstáculos e dificuldades, de modo particular os fundamentalismos de ambos os lados. Este diálogo inter-religioso é uma condição necessária para a paz no mundo e, por conseguinte, é um dever para os cristãos e também para outras comunidades religiosas. Este diálogo é, em primeiro lugar, uma conversa sobre a vida humana ou simplesmente – como propõem os Bispos da Índia – “estar aberto a eles, compartilhando as suas alegrias e penas”. Assim aprendemos a aceitar os outros, na sua maneira diferente de ser, de se exprimir. Com este método, poderemos assumir juntos o dever de servir a justiça e a paz, que deverá tornar-se um critério básico de todo o intercâmbio. (EG, n.250).

Nota-se aqui por meio desta citação referida a Exortação Apostólica Evangelii Gaudium - Alegria do Evangelho que, para se chegar a uma cultura de paz e de diálogo-inter- religioso, precisamos trazê-lo e darmos conta de que ele deva ser colocado e abordado numa perspectiva concreta e determinada, em vista de uma função de uma cultura de paz, lembrando que não se devem comparar religiões, menos ainda comparar concepções ou doutrinas religiosas. Logo,

Um diálogo, no qual se procurem paz e justiça social, é em si mesmo, para além do aspecto meramente pragmático, um compromisso ético que cria novas condições sociais. Os esforços à volta de um tema específico podem transformar-se num processo e que, através da escuta do outro, ambas as partes encontram purificação e enriquecimento. Portanto, esses esforços também podem ter o significado de amor à verdade. (EG, n.250).

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Sendo assim, se faz importante averiguar até que ponto e que medida as diferentes religiões com suas práticas, ritos, símbolos e valores, contribuem para um diálogo inter- religioso que agregue para uma reflexão entre fé e razão. Mas sabe-se que infelizmente esta reflexão se mostra como algo que é vítima de preconceito no meio cristão. À vista disso, é grande o trabalho dos teólogos e teólogas para trazer esse diálogo para o meio da sociedade. O Papa Francisco por intermédio de uma visita feita ao líder mundial do islã sunita Al-Azhar, mostra-nos para os cristãos que esta é a maneira que todas as religiões devem buscar para que juntos se possa alcançar a promoção da paz na sociedade contemporânea. É nesta ótica que a

Evangelii Gaudium aponta que:

Como crentes, sentimo-nos próximo também de todos aqueles que, não se reconhecendo parte de qualquer tradição religiosa, buscam sinceramente a verdade, a bondade e a beleza, que, para nós, têm a sua máxima expressão e a sua fonte em Deus. (EG, n.257).

Somente a partir do reconhecimento de que as outras religiões há algo de belo e também bondade, que teremos a consciência de que elas não são nossas inimigas. E sim que elas podem cooperar para que o mundo seja um lugar melhor de se viver. Por isso precisamos

Senti-los como preciosos aliados no compromisso pela defesa da dignidade humana, na construção de uma convivência pacífica entre os povos e na guarda da criação. Um espaço peculiar é o dos chamados novos Areópagos, como o “Átrio dos Gentios”, onde crentes e não crentes podem dialogar sobre os temas fundamentais da ética, da arte e da ciência, e sobre a busca da transcendência. Também este é um caminho de paz para o nosso mundo ferido. (EG, n.250).

Vejamos que o Papa Francisco nos convida a não nos desanimarmos perante as falhas ou escassos resultados, porque a fecundidade muitas vezes é invisível, indescritível, não pode ser contabilizada e sim vivenciada.

3.1

Cultura de paz e diálogo Inter – religioso

Não podemos negar que as religiões, e concretamente o cristianismo, estão em crise, numa grave dificuldade que afunda suas raízes num processo já de séculos. No mundo contemporâneo problemas parece ter explodido, e se fez mais ostensiva e mais evidente do que nunca. Este desequilíbrio não esta ligado somente ao sujeito, mas também está atrelado às instituições. Podemos apontar como consequência desta falta do diálogo Inter-religioso, pois, neste mundo tão plural muitas vezes não se é respeitada a individualidade nas crenças do outro. Por isso,

As nossas diferenças são necessárias. Vós juntos – assim como estais – sois o palpitar deste povo, onde cada qual desempenha umpapel fundamental, num único projeto criador, para escrever uma nova página da história, uma página cheia de esperança, cheia de paz, cheia de reconciliação. .(FRANCISCO, Discurso, 5 de setembro de 2019).

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Quando se criar uma consciência de que todas as crenças dos demais merecem respeito, daremos um passo para sairmos desta crise que as religiões vêm passando e se o mundo é tão plural deveremos nesta pluralidade mundana dialogar para que juntos se possamos construir uma cultura de paz. Assim o Papa se dirige aos Jovens dizendo:

A paz é um processo que também vós sois chamados a fazer avançar, estendendo sempre as vossas mãos especialmente àqueles que estão a passar momentos difíceis. Grande é o poder da mão estendida e da amizade que joga no concreto! Penso no sofrimento daqueles jovens que chegaram cheios de sonhos à procura de trabalho na cidade, e hoje estão sem teto, sem família e sem encontrar uma mão amiga. Como é importante aprendermos a ser uma mão amiga e estendida! Este gesto, o gesto da mão estendida. Todos juntos! .(FRANCISCO, Discurso, 5 de setembro de 2019).

Contudo, por onde começar? Afinal, o que seria esta paz? Poderíamos dizer que o conceito de paz é ambíguo, complexo e exige como cultura, maiores esclarecimentos e precisões. Mas também não é nada evidente o que seja a paz como se dá na sua construção histórica, logo, a paz não teórica, ela deve ser vivenciada cotidianamente. A Gaudium Et Spes nos trará algumas definições no que se refere a natureza da paz,

A paz não é simplesmente ausência da guerra; nem se reduz ao estabelecimento do equilíbrio entre as forças adversas ou resulta de dominação despótica. Com toda a exatidão e propriedade ela é chamada “obra de justiça”(Is 32,7). É fruto da ordem que o divino Criador estabeleceu para sociedade humana, e que deve ser realizada pelos homens, sempre anelantes por justiça mais perfeita. [...]. A paz terrena, nascida do amor do próximo, é imagem e efeito da paz de Cristo, vinda do Pai. (GS, n. 78).

De certa forma vimos o que seria a paz, e com o esclarecimento trazido pela Gaudium

Et Spes, podemos dizer com afinco que esta mesma pacificação deve começar dentro de cada

um de nós, para que deste modo se possa criar uma cultura que abranja todos os aspectos e todas as dimensões da vida humana, e para conseguirmos criá-la é preciso estarmos abertos ao diálogo e mais convictos que há áarias maneiras de olhar o horizonte. Assim é considerado pelo Papa Francisco, que:

Como vos disse, há muitas maneiras de olhar o horizonte, o mundo, de olhar o presente e o futuro. Há muitos modos. Mas é preciso acautelar-se de duas atitudes que matam os sonhos e a esperança. Quais são? A resignação e a ansiedade. Duas atitudes que matam os sonhos e a esperança. São Grandes inimigas da vida, porque normalmente nos impelem por um caminho fácil, mas de derrota; e a portagem que pedem para passar é muito cara; é muito cara.

(FRANCISCO, Discurso, 5 de setembro de 2019).

Ao termos esta consciência de que não somos detentores da verdade, daremos um

significante passo para falar de uma cultura de paz de um modo que juntos possamos

organizar e dinamizar a vida, garantindo assim as condições materiais e espirituais da

existência humana, tanto individual quanto coletivamente, tendo e vendo no outro a maior

expressão de Deus realizada neste mundo que é nossa casa comum. Nesta ótica a Santa Igreja

Católica está bem atenta para melhor caminhar nesta realidade multiétnica e multirreligiosa,

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por isso o tema de diálogo inter-religioso não foi esquecido neste Sínodo Amazônico, e o mesmo aborda este tema citando que,

A realidade multiétnica, multicultural e multirreligiosa da Amazônia exige uma atitude de diálogo aberto, reconhecendo também a multiplicidade dos interlocutores: povos indígenas, ribeirinhos, camponeses e afrodescendentes, outras igrejas e denominações religiosas cristãs, organização de sociedade civil, os movimentos sociais populares, o Estado, enfim, todas as pessoas de boa vontade que buscam a defesa da vida, a integridade da criação, a paz, o bem comum. (Sínodo Amazônico – Final do documento do Sínodo dei Vescovi ao Santo Padre Francesco 26 de outubro de 2019. Nº 23).

Percebe-se então que a expressão diálogo inter-religioso é um ponto fulcral para se chegar a uma cultura onde haja paz e maturidade diante de tantos pensamentos e crenças diversas. Quando elencamos este Sínodo Pan Amazônico para se referir a esta temática é no intuito de tenta mostrar que a Igreja não esta omissa para um tema de tal relevância e que o Santo Padre o Papa Francisco não trata deste tema como relativo, mas, como um ponto importante para que realmente a nossa Igreja seja uma Igreja de coração aberto. E é através deste coração aberto que ele nos convocar-nos a perceber que o diálogo ecumênico, inter- religioso e intercultural devem ser assumidos:

O diálogo ecumênico, inter-religioso e intercultural deve ser assumido como um caminho indispensável de evangelização na Amazônia (cf. DAp 227). A Amazônia é um amálgama de credos, principalmente cristãos. Diante dessa realidade, caminhos reais de comunhão se abrem para nós: “As manifestações de bons sentimentos não são suficientes são necessários gestos concretos que penetram nos espíritos e sacudam as consciências, levando cada um à conversão interior, que é a base de todo progresso no caminho do ecumenismo” (Bento XVI, Mensagem aos Cardeais na Capela Sistina, 20)./04/2005). A centralidade da Palavra de Deus na vida de nossa comunidade é um fator de união e diálogo.(Sínodo Amazônico – Final do documento do Sínodo dei Vescovi ao Santo Padre Francesco 26 de outubro de 2019. Nº 24).

Esses caminhos nos levarão a várias formas de culturas e nos proporcionará a uma cultura gradativamente de paz no cotidiano da vida daqueles que a Igreja, por meio de sua missão se fizer presente respeitando assim, a diversidade e a individualidade de cada um que ali encontrar. E quando se fala de cultura de paz não tem como não falar de cultura e enculturação. Sendo assim, cabe a nós, Igreja, perceber que na Amazônia, por exemplo, as tradições merecem ser conhecidas:

O diálogo inter-religioso ocorre especialmente com as religiões indígenas e cultos afrodescendentes. Essas tradições merecem ser conhecidas, entendidas em suas próprias expressões e em seu relacionamento com a floresta e a mãe terra. Juntamente com eles, os cristãos, baseados em sua fé na Palavra de Deus, dialogam, compartilham suas vidas, preocupações, lutas e experiências de Deus, para aprofundar a fé um do outro e agir juntos em defesa da casa comum. Para isso, é necessário que as igrejas da Amazônia desenvolvam iniciativas de encontro, estudo e diálogo com os seguidores dessas religiões. O diálogo sincero e respeitoso é a ponte para a construção do „bem viver. Na troca de dons, o Espírito leva cada vez mais à verdade e ao bem (EG, n. 250).

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Nota-se aqui que o diálogo inter-religioso foi abordado numa perspectiva concreta e determinado, isto é, em vista ou em função de uma cultura de paz. Logo, não se trata, porém, de comparar religiões ou menos ainda, de comparar concepções ou doutrinas religiosas.

Sequer, trata-se de dialogar por dialogar.

Neste diálogo, sempre amável e cordial, nunca se deve descuidar o vínculo essencial entre diálogo e anúncio, que leva a Igreja a manter e intensificar as relações com os não cristãos.

Um sincretismo conciliador seria, no fundo, um totalitarismo dos que pretendem e dos quais são donos. A verdadeira abertura implica conserva-se firme nas próprias convicções mais profundas, com uma identidade clara e feliz, mas “disponível” para compreender as do outro e

“sabendo que o diálogo pode enriquecer a ambos”. FRANCISCO, PP. Exortação Apostólica:

Evangelii Gaudium – A Alegria do Evangelho (EG, n. 251).

Por isso, a relação entre as demais religiões podem ser de fato, um fermento de uma cultura de paz. Todavia, tudo isso mostra que a problemática do “diálogo” inter-religioso adquire uma importância cada vez maior em nossa sociedade, tornando-a, como nos aponta o Papa Francisco, uma necessidade e uma urgência social, ou seja, uma articulação plural da vida de todos e uma necessidade religiosa que possa os levar a um projeto salvífico- humanizador das tradições religiosas existentes. E ele pede aos jovens da Bulgária e Macedônia do Norte;

Queridos jovens não tenham medo de vos tornar artesões de sonhos e artesões de esperança.

Estais de acordo? Certamente nós, membros da Igreja, não precisamos de aparecer como sujeitos estranhos. Todos nos devem sentir irmãos e vizinhos, como os Apóstolos que “tinham a simpatia de todo povo” (At 2,47; cf.4,21. 33;5,13). Ao mesmo tempo, porém, devemos ter a coragem de ser diferente, mostrar outros sonhos que este mundo não oferece testemunhar a beleza da generosidade, do serviço, da pureza, da fortaleza, do perdão, da fidelidade à vocação, da oração, da luta pela justiça e o bem comum, do amor aos pobres, da amizade social. (FRANISCO, Discurso. 7 de maio de 2019).

Contudo, convém relembrar que o critério e a medida de uma cultura de paz, neste trabalho, indicado como opção preferencial pelos pobres, os oprimidos, os excluídos e os fracos a eles constituem a medida de autenticidade de todas as tradições religiosas. Por isso Papa Francisco traz o exemplo de Madre Teresa;

Pensai em Madre Teresa! Quando morava aqui, não podia imaginar como haveria de ser sua vida, mas não cessou de sonhar e esforçar-se sempre por procurar descobrir o rosto de seu grande amor, que era Jesus: descobri-Lo em todos aqueles que estavam a beira da estrada.

Sonhou em grande e, por isso, também amou em grande. Tinha os pés bem firmes aqui, na terra, mas não estava ociosa. Queria ser m lápis nas mãos de Deus. Tal era o seu sonho artesanal. Ofereceu-o a Deus, acreditou nele, sofreu por ele, nunca desistiu dele. E, com aquele lápis, Deus começou a escrever páginas inéditas e estupendas. Uma jovem do vosso povo, uma mulher do vosso povo, sonhando, escreveu coisas grandes. Foi Deus que as escreveu, mas ela sonhou e deixou-se guiar por Deus. (FRANCISCO, Discurso. 7 de maio de 2019).

E continua o Papa Francisco a reflexão desta abertura ao diálogo inter-religioso,

dizendo que cada um é chamado a trabalhar com as próprias mãos:

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Cada um de nós, como Madre Teresa, é chamado a trabalhar com as próprias mãos, a tomar a vida a sério, para fazer dela algo de bom. Não permitamos que nos roubem os sonhos. Não permitais; estai atentos! Não nos privemos da novidade que o Senhor nos quer dar.

Encontrareis muitos imprevistos, muitos..., mas é importante que os possais enfrentar e procurar criativamente o modo de os transformar em oportunidades. Mas nunca sozinhos;

ninguém pode combater sozinho. Como nos testemunharam Dragan e Marija: a nossa comunhão dá-nos a força para enfrentar os desafios da sociedade atual. (FRANCISCO, Discurso. 7 de maio de 2019).

Por isso, concluímos a segunda fase desta pesquisa, que foi este segundo projeto (ou projeto renovado) de PIBIC, apontando que a história das religiões é um aspecto a mais da evolução mais ampla das formas históricas que marcaram a vivência humana na imensidão espiritual no encontro com o sagrado. Por isso, no cuidado da defesa da vida dos pobres, oprimidos, excluídos e fracos que as religiões e a interação/diálogo entre elas, ao mesmo tempo contribui-se sim por uma cultura de paz, assim porque não dizer que o todo é mais que a parte, sendo também mais do que a simples soma deles.

Conclusão

Como bem supracitado, procuramos tratar nesta pesquisa o tema Diálogo Inter- religioso como um dos meios para se chegar a cultura de paz, mostrando algumas reflexões que trazem noções básicas sobre o tema estudado, mas trazendo a figura do Papa Francisco que muito contribui para o aprofundamento da temática. As reflexões do Santo Padre, o Papa Francisco, como chefe da Igreja católica e mostrando que o mesmo aborda o tema: Diálogo Inter-religioso como condição necessária para a paz no mundo, e cabe a nós por meio de seus discursos e homilias trazer para nossas práxis evangelizadoras a condição de uma Igreja em saída. Tal Igreja está para além das estruturas físicas e repousa em cada um de nós que somos e fazemos parte de seus membros, tendo o Cristo como a Cabeça.

Por isso, o Papa Francisco em suas viagens internacionais nos pede um diálogo determinado, paciente, convicto e inteligente, pois hoje mais do que nunca, temos que conviver, respeitar e dialogar com o diferente, ao passo que o universo cultural em que vivemos é plural.

Assim sendo, é hora de saber projetar, numa cultura que privilegie o diálogo como

forma de encontro, a busca de consenso e de acordos, mas sem a separar da preocupação por

uma sociedade justa, capaz de memória e sem exclusões. Nestas viagens também foram vistas

e pontuadas pelo Papa, que a Igreja proclama a “Boa-Nova da paz” (Ef 6,15) e está aberta à

colaboração com todas as autoridades nacionais e internacionais para cuidar do bem universal

que deve ser a construção de um mundo de paz.

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Concluiremos este trabalho apontando que cada religião tem sua história e por isso todas devem ser respeitadas, pois, por trás delas existem pessoas com suas vivências humanas na dimensão espiritual no encontro com o sagrado. Logo, ao termos a consciência de que não somos detentores da verdade, daremos um significante passo para falar de uma cultura de paz, de um modo que juntos possamos organizar e dinamizar a vida, garantindo assim as condições materiais e espirituais da vida humana, tanto individual como coletiva.

Contudo, durante este tempo de pesquisa proporcionado pelo PIBIC e sob orientação da professora Dra Maria Teresa de Freitas Cardoso, pretendo aprofundar este tema do Diálogo Inter-religioso como meio para se construir uma cultura de Paz brevemente em um curso de mestrado.

Referências Bibliográficas

1- FRANCISCO, PP.

Carta Encíclica Laudato Si’.

Disponível em: <

http://www.vatican.va/content/francesco/pt/encyclicals/documents/papa- francesco_20150524_enciclica-laudato-si.html> . Acesso em: 01 set 2020.

2- FRANCISCO, PP. Exortação Apostólica

Evangelii Gaudium – A Alegria do Evangelho. Brasília: CNBB, 2013.

3- CONCÍLIO VATICANO II. Constituição Pastoral Gaudium et Spes. In COMPÊNDIO DO VATICANO II. Ed. 31. Petrópolis: Vozes, 2015.

4- CONCÍLIO VATICANO II. Declaração Nostra Aetate. In COMPÊNDIO DO VATICANO II. Ed. 31. Petrópolis: Vozes, 2015.

5-

SECRETARIADO PARA OS NÃO CRISTÃOS. A Igreja e as Outras Religiões – Diálogo e Missão. 2002.

6-

VATICANO. Encontro com os Bispos, os sacerdotes, religiosos e catequistas. Discurso do Santo Padre na Catedral da Imaculada Conceição, Maputo, quinta-feira, 5 de setembro de 2019 . Acesso em: 11/03/2020VATICANO. Viagem Apostólica do Papa Francisco a Moçambique, Madagascar e Maurício. Encontro com os Bispos, os sacerdotes, religiosos ecatequistas. Disponível em:

http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/travels/2019/outside/documents/papa-

francesco-mozambico-madagascar-maurizio-2019.html

7-

VATICANO. Viagem Apostólica do Papa Francisco a Moçambique, Madagascar e Maurício.

Encontro Inter-religioso com os Jovens.

Disponível em:

http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/travels/2019/outside/documents/papa-francesco- mozambico-madagascar-maurizio-2019.html. Acesso em: 11/05/2020

8- VATICANO. Viagem Apostólica do Papa Francisco à Tailândia e Japão. Encontro da em prol da paz. Mensagem do Santo Padre. Disponível em:

http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/events/event.dir.html/content/vaticanevents/pt/

2019/11/24/messaggio-incontropace-hiroshima.html

9- VATICANO. Viagem Apostólica do Papa Francisco à Bulgária e Macedônia do Norte.

Encontro Ecumênico e Inter-religioso com os Jovens. Disponível em:

http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/events/event.dir.html/content/vaticanevents/pt/

2019/5/7/giovani-macedoniadelnord.html. Acesso em: 26/04/2020.

10- VATICANO. Viagem Apostólica do Papa Francisco aos Emirados Árabes Unidos.

Documento sobre a Fraternidade humana. Disponível em:

http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/travels/2019/outside/documents/papa-

francesco_20190204_documento-fratellanza-umana.html. Acesso em: 10/11/2019

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11-

VATICANO. Discurso do Santo Padre no Encontro Ecumênico e Inter-religioso com os Jovens Centro Pastoral (Skopje), a Bulgária e Macedônia do Norte terça-feira, 7 de maio de 2019.

12- VATICANO. Viagem Apostólica do Papa Francisco aos Emirados Árabes Unidos.

Encontro Inter-religioso. Discurso do Santo Padre. Fauder‟s memorial (Abu Dhabi)

Disponível em:

http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/events/event.dir.html/content/vaticanevents/pt/

2019/2/4/incontro-interreligioso.html. Acesso em: 10/11/2019

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