LINGUAGEM ACADÊMICA
Dossiê: Terapia Ocupacional
v. 7, n. 7, jul./dez. 2017
Revista Científica do Claretiano – Centro Universitário
LINGUAGEM ACADÊMICA
Dossiê: Terapia Ocupacional
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Número de páginas: 151 páginas Número de artigos: 9 artigos neste volume Mancha/Formato: 11,3 x 18 cm / 15 x 21 cm
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Ling. Acadêmica Batatais v. 7 n. 7 p. 1-151 jul./dez.
2017
Revista Científica do Claretiano – Centro Universitário
LINGUAGEM ACADÊMICA
Dossiê: Terapia Ocupacional
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615.8515 L727
Linguagem acadêmica: dossiê terapia ocupacional: revista científica do Claretiano - Centro Universitário – v. 7, N.7 (jul./dez. 2017) -. – Batatais, SP: Claretiano, 2017.
151 p.
Semestral.
ISSN: 2237-2318
1. Terapia ocupacional - Periódicos. I. Linguagem acadêmica: revista científica do Claretiano – Centro Universitário.
CDD 615.8515
Editorial / Editor’s note
ARTIGO ORIGINAL / ORIGINAL PAPER
Terapia Ocupacional no tratamento de crianças com paralisia cerebral
Occupational Therapy in the children’s treatment with cerebral paralysis
A atuação do terapeuta ocupacional com crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social: uma revisão da literatura
The work of the occupational therapist with children and adolescents in situations of social vulnerability: a review of the literature
A importância da Terapia Ocupacional no brincar da criança com autismo
The importance of Occupational Therapy in child’s play with autism
Prevenção primária ao uso abusivo de drogas no campo da Terapia Ocupacional: uma revisão bibliográfica sistemática
Primary prevention of abusive drug use in the field of Occupational Therapy: a bibliogr revision
Alterações nos papéis ocupacionais de mulheres após diagnóstico de câncer: uma perspectiva da Terapia Ocupacional
Changes in the occupational roles of women after cancer diagnosis: a perspective
of Occupational Therapy
idosos em seus domicílios: revisão da literatura
Role of occupational therapy in the prevention of falls in the elderly in yours domicilies: literature review
A importância da Terapia Ocupacional na promoção da saúde de idosos para a manutenção da qualidade de vida: uma revisão da literatura
The importance of Occupational Therapy in the promotion of elderly health for the maintenance of quality of life: a review of the literature
A Terapia Ocupacional e as possibilidades de intervenção na Síndrome de Rett
Occupational Therapy and the possibilities of intervention in Rett Syndrome
Terapia Ocupacional na inclusão escolar da criança com deficiência mental: uma revisão da literatura
Occupational Therapy in school inclusion of children with mental disability: a review of literature
Política Editorial / Editorial Policy
Editorial / Editor’s note
Prezado(a) leitor(a),
É com muita satisfação que apresentamos o primeiro Dossiê:
Terapia Ocupacional, publicação veiculada na Revista Lingua- gem Acadêmica do Claretiano – Centro Universitário.
No presente volume, apresentamos 9 artigos, sendo compos- tos por 1 centrado numa pesquisa de campo na área da Oncolo- gia e 8 estudos de revisão da literatura nas diversas especialidades de atuação da Terapia Ocupacional: Campo Social, Saúde Mental, Neurologia Infantil, Gerontologia, Educação Inclusiva.
O objetivo da publicação deste dossiê é contribuir com a lite- ratura científica da Terapia Ocupacional, evidenciando lacunas ain- da existentes, e também compartilhando conhecimentos cultivados no Claretiano – Centro Universitário.
Desejamos que os conhecimentos produzidos nesta edição sejam propulsores da ampliação da cientificidade da Terapia Ocu- pacional.
Desejo uma excelente leitura!
Prof.ª Dra. Camila Maria Severi Martins-Monteverde
Coordenadora dos Cursos de Graduação e Pós-graduação de Terapia
Ocupacional do Claretiano – Centro Universitário
Terapia Ocupacional no tratamento de crianças com paralisia cerebral
Fernanda Camila Alves MUSCARIONE
1Karina Cristiane PIMENTA
2Camila Maria Severi MARTINS-MONTEVERDE
3Aline Cirelli COPPEDE-RIBEIRO
4Resumo: O presente estudo tem como objetivo verificar na literatura quais os tratamentos realizados pelo terapeuta ocupacional em crianças com paralisia cerebral. O método utilizado neste estudo foi uma revisão bibliográfica realizada na Revista de Terapia Ocupacional da Universidade de São Paulo, nos Cadernos de Terapia Ocupacional da UFSCar e na base de dados Scientific Eletronic Library Online (SciELO Brasil). Os critérios de inclusão estabelecidos foram publicações em português dos últimos 14 anos. Foi possível observar a necessidade de artigos na intervenção terapêutica ocupacional em adolescentes e adultos com paralisia cerebral. O estudo possibilitou uma identificação de um grande campo de trabalho com a população infantil, proporcionando um desenvolvimento saudável e uma melhor qualidade de vida, por meio dos recursos terapêuticos.
Palavras-chave: Criança. Paralisia Cerebral. Terapia Ocupacional.
1 Fernanda Camila Alves Muscarione. Bacharel em Terapia Ocupacional pelo Claretiano – Centro
Universitário. E-mail: <[email protected]>.
2 Karina Cristiane Pimenta. Bacharel em Terapia Ocupacional pelo Claretiano – Centro Universitário.
E-mail: <[email protected]>.
3 Camila Maria Severi Martins-Monteverde. Doutora e Mestra em Ciências pela Faculdade
de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRP-USP). Bacharel em Terapia Ocupacional pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Docente e Coordenadora do Curso de Terapia Ocupacional do Claretiano – Centro Universitário.
E-mail: <[email protected]>.
4
Aline Cirelli Coppede-Ribeiro. Doutora em Educação Especial, Mestra em Terapia Ocupacional
e Especialista em Neuropediatria pela Universidade de São Carlos (UFSCar). Bacharel em Terapia
Ocupacional pela Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”. Docente do Curso de
Terapia Ocupacional do Claretiano – Centro Universitário. E-mail: <[email protected]>.
Occupational Therapy in the children’s treatment with cerebral paralysis
Fernanda Camila Alves MUSCARIONE Karina Cristiane PIMENTA Camila Maria Severi MARTINS-MONTEVERDE Aline Cirelli COPPEDE-RIBEIRO
Abstract: The present search has the goal to check in the literature, which treatments should be performed for the Occupational Therapist in children with cerebral palsy. The method used in this search was a literature review in the followings databases: Sao Paulo University magazine of Occupational Therapy, and Sao Carlos University occupational therapy and some nacional data base like Scientific Eletronic Library Online (SciELO Brasil). The roles of the inclusion method were defined in the Portuguese language and literature of the last 14 years. It was observed the need for articles in occupational therapy intervention in adolescents and adults with cerebral palsy. The study enabled identification of a large field of work with the child population, providing a healthy development and a better quality of life, through the therapeutic resources.
Keywords: Child. Cerebral Palsy. Occupational Therapy.
1. INTRODUÇÃO
A paralisia cerebral (PC) pode ser denominada como ence- falopatia crônica da infância, que ocorre no período pré, peri ou pós-natal, afetando o sistema nervoso central. A PC clinicamente apresenta alterações do movimento, da postura, do equilíbrio e da coordenação, com presença variável de movimentos involuntários.
Essas alterações podem comprometer as funções do desempenho da criança (LEITE; PRADO, 2004).
No Brasil, o número da incidência depende do critério de diagnóstico de cada estudo, mas conclui-se que há uma alta inci- dência devido aos cuidados com as gestantes e das gestantes. Há várias causas da PC e, entre elas, as mais comuns são: desenvolvi- mento congênito anormal do cérebro, particularmente do cerebe- lo; anóxia cerebral perinatal, especialmente quando associada com prematuridade; lesão traumática do cérebro, no nascimento, geral- mente decorrente de trabalho de parto prolongado, ou uso de fór- ceps; eritroblastose por incompatibilidade Rh; e infecções cerebrais (encefalite) na fase inicial do período pós-natal (LEITE; PRADO, 2004).
De acordo com Schwartzman (1993) e Souza e Ferraretto (1998 apud LEITE; PRADO, 2004, p. 42):
[...] a PC pode ser classificada por dois critérios: pelo tipo de disfunção motora presente, ou seja, o quadro clínico re- sultante, que inclui os tipos extrapiramidal ou discinético (atetoide, coreico e distônico), atáxico, misto e espástico; e pela topografia dos prejuízos, ou seja, localização do cor- po afetado, que inclui tetraplegia ou quadriplegia, mono- plegia, paraplegia ou diplegia e hemiplegia.
O melhor tratamento está na prevenção, no diagnóstico pre-
coce e na intervenção na criança por uma equipe multidisciplinar e
pela família, não deixando faltar tratamento medicamentoso e, se
for o caso, cirurgia. É necessário ter sempre um olhar que abrange
não só pai, mãe e filho, mas familiares e comunidade (ROTTA,
2002).
O profissional de Terapia Ocupacional tem como objetivo contribuir para a realização das atividades de vida diária no cotidia- no e facilitar a interação social, independentemente das característi- cas do indivíduo (sejam elas de ordem física, cognitiva ou psicoló- gica). O terapeuta ocupacional avalia e busca tratar os componentes de desempenho, de forma a interferir nas habilidades funcionais, proporcionado melhor qualidade de vida em relação aos deficit apresentados. Assim sendo, é necessário que o profissional de Te- rapia Ocupacional esteja sempre atento às tarefas ou atividades que o paciente venha a desempenhar, uma vez que, sendo ativo, o de- sempenho de tarefas e atividades proporciona qualidade de vida e bem-estar, contribuindo para inserção no contexto da ação humana e nas atividades cotidianas (CAVALCANTI; GALVÃO, 2007 apud MONTEIRO et al., 2012).
A avaliação feita pelo terapeuta ocupacional em crianças com paralisia cerebral é realizada de forma específica e individual, aten- dendo as demandas específicas e respeitando as características do ambiente onde vivem. Mesmo que a condição da PC possa muitas vezes ter alterações previsíveis, cada indivíduo terá suas alterações e dificuldades em diferentes contextos (MANCINI, 2004 apud MONTEIRO et al., 2012).
As limitações que a criança com paralisia cerebral encontra em seu desempenho ocupacional devem ser compreendidas pelo profissional de Terapia Ocupacional, uma vez que essas limitações influenciam o desenvolvimento da criança. Além disso, por meio da avaliação, o terapeuta ocupacional pode instituir um tratamento adequado ao paciente (CHAGAS et al., 2008; MONTEIRO et al., 2012).
Assim sendo, a avaliação torna-se essencial, podendo obter os resultados de análise de desempenho dessa criança, além de possibilitar a descrição e a mensuração de habilidades e limitações apresentadas para a realização de atividades de vida diária (AVD).
Na aplicação da avaliação e na reaplicação, é possível avaliar a
eficácia positiva ou negativa do plano de intervenções realizado
(FONSECA; CORDANI; OLIVEIRA, 2005; MONTEIRO et al.,
2012).
Segundo Fonseca, Cordani e Oliveira (2004), quando se pre- tende avaliar a efetividade das intervenções terapêuticas ocupacio- nais junto à criança com PC, é fundamental a utilização de avalia- ções padronizadas e validadas que permitam traçar um diagnóstico funcional e mensurar a efetividade das intervenções adotadas.
O objetivo desse estudo é verificar na literatura quais os trata- mentos e recursos terapêuticos utilizados por profissionais da Tera- pia Ocupacional em crianças com paralisia cerebral, e a contribui- ção da TO na qualidade de vida, na autonomia e na inserção social dessas crianças.
2. MÉTODO
Trata-se de uma pesquisa bibliográfica com o intuito de buscar na literatura a intervenção da Terapia Ocupacional no tratamento de crianças com paralisia cerebral. Foram utilizados os descritores
“terapia ocupacional” e “paralisia cerebral”. Para dar início à
pesquisa, foi feita uma busca científica em periódicos específicos
da área de Terapia Ocupacional: Revista de Terapia Ocupacional da
Universidade de São Paulo e Cadernos de Terapia Ocupacional da
UFSCar. Recorreu-se também à base de dados Scientific Eletronic
Library Online (SciELO Brasil). Foram selecionados 14 artigos,
dos quais nove foram incluídos na pesquisa. A tabela a seguir
representa a realização das buscas.
Tabela 1. Artigos encontrados, excluídos e incluídos, segundo a base de dados.
BASES DE DADOS ARTIGOS
ENCONTRADOS ARTIGOS
EXCLUÍDOS ARTIGOS INCLUÍDOS
SciELO 3 0 3
Revista do NUFEN 1 1 0
Revista de Terapia Ocupacional da Universidade de São Paulo
2 0 2
Cadernos de Terapia Ocupacional da UFS-
Car 4 0 4
Google 3 3 0
Revista Brasileira de
Fisioterapia 1 1 0
Total 14 5 9
Fonte: elaborado pelas autoras.
3. RESULTADOS
Dos nove artigos, três são da SciELO Brasil, dois da Revista de Terapia Ocupacional da Universidade de São Paulo, quatro dos Cadernos de Terapia Ocupacional da UFSCar.
Com relação ao delineamento dos estudos, foram encontra- dos 14 artigos: oito (57%) de pesquisa de campo; dois (14%) de reflexão ou ensaio; três (22%) de revisão bibliográfica e um (7%) de revisão sistemática.
Nota-se que foram utilizados três instrumentos de avaliação
na pesquisa, sendo eles: Classificação Internacional de Funciona-
lidade (CIF); Inventário de Avaliação Pediátrica de Incapacidade
(PEDI); Physical Characteristics Assessment – Computer Access
for Individuals with Cerebral Palsy (PCA). Há também uma entre-
vista semiestruturada, um questionário filmagem e sete revisões em artigos em periódicos.
Tabela 2. Critérios utilizados no artigo.
MÉTODO UTILIZADO QUANTIDADE INSTRUMENTOS
Instrumento de avaliação 3
Classificação Internacional de Funcionalidade (CIF);
Inventário de Avaliação Pediátrica de Incapacidade (PEDI);
Physical Characteristics Asses- sment – Computer Access for Individuals with Cerebral Palsy (PCA)
Entrevista semiestruturada 1 Perguntas objetivas Questionário e filmagem 1 Perguntas e filmagens
Artigos 7 Artigos em periódicos
Fonte: elaborado pelas autoras.
Foram encontrados 14 artigos tendo como abordagem a inter- venção da Terapia Ocupacional e a criança com paralisia cerebral.
Entre eles, três têm como foco principal a patologia (PC). Nota-se
que 2002 foi o ano com o maior número de publicações – 3 artigos
publicados. Observamos ainda que houve dois artigos publicados
em 2002 e dois em 2008. Em 2005, 2006, 2009, 2013, 2014 e 2015,
houve um artigo publicado por ano. O gráfico a seguir demonstra a
distribuição de artigos publicados de acordo com o ano.
Gráfico 1. Distribuição artigos por ano.
Fonte: elaborado pelas autoras.
Foi observado ainda que, dos 29 autores dos artigos encontra- dos, apenas três – Thelma Simões Matsukura, Ana Cristina de Jesus Alvesa e Marisa Cotta Mancini – tiveram seus nomes apresentados em dois artigos diferentes cada. Os outros 26 publicaram apenas uma vez até o momento da pesquisa.
4. DISCUSSÃO
Tendo analisado todos os artigos referentes ao tema aborda- do neste estudo, foi possível observar a necessidade de avaliar a criança com paralisia cerebral (PC) por meio de instrumentos de avaliação válidos, a partir dos quais seja possível categorizar as demandas ocupacionais do indivíduo e acompanhar sua evolução durante todo o tratamento.
Dessa forma, por meio dos artigos, verificou-se a utilização
de dois instrumentos de avaliação padronizados e validados. Um
deles é a Classificação Internacional de Funcionalidade (CIF), que
tem como função avaliar o desempenho e a capacidade em uma
situação de vida diária, em seu contexto real, e seu nível de funcio-
nalidade e envolvimento de um domínio em determinado momento (FARIAS; BUCHALLA, 2002; LEITE; PRADO, 2004; ALVES;
SPALVIERI, 2007, p. 580). O outro instrumento é a Avaliação Pe- diátrica de Incapacidade (PEDI), que utiliza entrevista estruturada com pais e responsáveis para que seja possível avaliar três áreas do desempenho: autocuidado, mobilidade e função social (ALLE- GRETTI; MANCINI; SCHWARTZMAN, 2004, p. 133).
A partir das leituras, notam-se as dificuldades do profissional de Terapia Ocupacional, uma vez que não encontram uma gama de instrumentos de avaliação brasileiros validados que possam contri- buir na qualidade do tratamento de PC.
Entretanto, são necessárias a escolha e a busca corretas de instrumentos que sejam referenciados, pois cada um possui uma finalidade específica que deve estar de acordo com os objetivos e a intervenção que se pretendem alcançar. A criança com paralisia cerebral deve ser avaliada com instrumentos capazes de mensurar o desenvolvimento, as funções e as evoluções durante o tratamento, proporcionando uma linguagem única entre profissionais e a equi- pe multidisciplinar (PINTO; VILANOVA; VIERA, 1997).
É importante ressaltar que a paralisia cerebral acarreta graves consequências cognitivas, físicas, emocionais e psicológicas, o que contribui para que o sujeito seja excluído dos ambientes social, escolar e familiar. Para que o indivíduo seja reinserido, a Terapia Ocupacional utiliza a tecnologia assistiva, que busca melhorar a qualidade de vida do paciente que está no processo de inserção.
Segundo a definição proposta pelo CAT, Comitê de Ajudas Técnicas (BRASIL, 2009), a tecnologia assistiva é uma área do co- nhecimento com característica interdisciplinar que inclui produtos, recursos, métodos, estratégias, práticas e serviços que têm como objetivo promover a funcionalidade voltada à atividade, buscando autonomia, independência, qualidade de vida e inclusão do indi- víduo com deficiência (BRASIL, 2009; ROCHA; DELIBERATO, 2012, p. 264).
É importante destacar que a Terapia Ocupacional juntamente
com a tecnologia assistiva contribui para a educação especial utili-
zando recursos e estratégias que permitem favorecer o processo de aprendizagem diante das dificuldades.
Tem sido muito discutida no contexto de tecnologia assistiva a inserção do aluno com deficiência nas atividades pedagógicas.
A participação do aluno com deficiência física pode favorecer o desenvolvimento dessa criança no contexto escolar, facilitando, por meio de recursos e aquisição de habilidades, pré-requisitos que são próprios da aquisição da leitura e da escrita (SAMESHIMA, 2011;
ROCHA; DELIBERATO, 2012).
Para uma melhor qualidade de vida e autonomia de crianças com paralisia cerebral, aponta-se a importância da Terapia Ocupa- cional, que assume um papel importante mantendo sua intervenção baseada nas avaliações padronizadas e atendendo a demanda de cada indivíduo. Deve sempre se levar em conta que a população de crianças com paralisia cerebral é bastante vasta e que é exigindo um olhar voltado para o campo da reabilitação, física, social e mental do paciente.
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
A pesquisa realizada sobre a atuação da Terapia Ocupacional
no tratamento de crianças com paralisia cerebral possibilitou iden-
tificar a importância da T.O. nesse contexto de reabilitação, visando
proporcionar funcionalidade e para que o sujeito desempenhe seus
papeis ocupacionais. Para isso, utiliza-se como método avaliações
padronizadas, além de adaptações para a inclusão do indivíduo,
sendo possível, dessa forma, que ele tenha uma melhor qualidade
de vida e autonomia. Por meio das buscas de artigos, nota-se que
houve necessidade de os terapeutas ocupacionais fundamentarem
suas práticas e produzirem artigos científicos, divulgando seus tra-
balhos para o crescimento e reconhecimento da profissão.
REFERÊNCIAS
ALLEGRETTI, A. L. C.; MANCINI, M. C.; SCHWARTZMAN, J. S. Estudo do desempenho funcional de crianças com paralisia cerebral diparética espática utilizando o Pediatric Evaluation of Disability Inventory (PEDI). Arquivos Brasileiros de Paralisia Cerebral, v. 1, n. 1, p. 35-40, 2004.
ALVES, F. D.; SPALVIERI, D. F. Fisioterapia aquática aplicada à pediatria. In:
SACCHELLE, T.; ACCACIO, L. M. P.; RADL, A. L. M. Fisioterapia aquática.
São Paulo: Manole, 2007. p. 588-598.
BRASIL. Subsecretaria Nacional de Promoção dos Direitos da Pessoa com Deficiência. Comitê de Ajudas Técnicas. Tecnologia Assistiva. Brasília:
CORDE, 2009. Disponível em: <http://www.pessoacomdeficiencia.gov.br/app/
sites/default/files/publicacoes/livro-tecnologia-assistiva.pdf>. Acesso em: 18 de ago. 2017.
CHAGAS, P. S. C. et al. Classificação da função motora e do desempenho funcional de crianças com paralisia cerebral. Revista Brasileira de Fisioterapia, v. 12, n. 5, p. 409-416, 2008. Disponível em: <http://dx.doi.org/10.1590/ S1413- 35552008000500011>. Acesso em: 18 de ago. 2017.
DORNELAS, L. F. et al. Aplicabilidade da Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF) para a avaliação de crianças com paralisia cerebral: uma revisão sistemática. Cadernos de Terapia Ocupacional da UFSCar, São Carlos, v. 22, n. 3, p. 579-590, 2014. Disponível em: <http://doi.
editoracubo.com.br/10.4322/cto.2014.080>. Acesso em: 18 ago. 2017.
FARIAS, N.; BUCHALLA, M. C. A Classificação internacional de funcionalidade, incapacidade e saúde da Organização Mundial da Saúde: conceitos, usos e perspectivas. Rev Bras Epidemiol, Genebra, v. 8, n. 2, 187-193, 2002. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/rbepid/v8n2/11.pdf>. Acesso em: 28 ago. 2017.
FONSECA, J. O.; CORDANI, L. K.; OLIVEIRA, M. C. Aplicação do inventário de avaliação pediátrica de incapacidade (PEDI) com crianças portadoras de paralisia cerebral tetraparesia espástica. Revista de Terapia Ocupacional da Universidade de São Paulo, v. 16, n. 2, p. 67-74, maio/ago., 2005. Disponível em: <http://dx.doi.org/10.11606/issn.2238-6149.v16i2p67-74>. Acesso em:
18 ago. 2017.
LEITE, J. M. R. S.; PRADO, G. F. Paralisia cerebral: aspectos fisioterapêuticos e clínicos. Neurociências, v. 12, n. 1, p. 41-45, 2004. Disponível em: <http://
pesquisa.bvsalud.org/unifesp/resources/prod-183345>. Acesso em: 18 ago.
2017.
LORENÇO, G. F; MENDES, E. G. Adaptação transcultural de um instrumento para avaliar a acessibilidade de alunos com paralisia cerebral ao computador.
Cadernos de Terapia Ocupacional da UFSCar, São Carlos, v. 23, n. 1, p. 85- 100, 2015. Disponível em: <http://www.cadernosdeterapiaocupacional.ufscar.
br/index.php/cadernos/article/viewFile/934/587>. Acesso em: 18 ago. 2017.
MANCINI, M. C et al. Comparação do desempenho de atividades funcionais em crianças com desenvolvimento normal e crianças com paralisia cerebral.
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<http://www.scielo.br/pdf/anp/v60n2B/10210.pdf>. Acesso em: 18 ago. 2017.
MONTEIRO, J. A. et al. Avaliação do nível de independência nas atividades de vida diária da criança com paralisia cerebral: um estudo de caso. Cadernos de Terapia Ocupacional da UFSCar, São Carlos, v. 20, n. 1, p. 129-141, 2012.
Disponível em: <http://dx.doi.org/10.4322/cto.2012.014>. Acesso em: 18 ago.
2017.
PINTO, E. B.; VILANOVA, L. C. P.; VIEIRA, R. M. O desenvolvimento do comportamento da criança no primeiro ano de vida. São Paulo: Casa do Psicólogo: FAPESP, 1997.
ROCHA, A. N. D. C.; DELIBERATO, D. Atuação do terapeuta ocupacional no contexto escolar: o uso da tecnologia assistiva para o aluno com paralisia cerebral na educação infantil. Revista de Terapia Ocupacional da Universidade de São Paulo, v. 23, n. 3, p. 263-273, set./dez. 2012. Disponível em: <https://
www.revistas.usp.br/rto/article/view/55642>. Acesso em: 18 ago. 2017.
ROTTA, N. T. Paralisia cerebral, novas perspectivas terapêuticas. Jornal de Pediatria, Rio de Janeiro, v. 78, supl. 1, p. 49-54, 2002. Disponível em: <https://
www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/54628/000335650.pdf>. Acesso em: 18 ago. 2017.
SAMESHIMA, F. S. Capacitação de professores no contexto de sistemas de comunicação suplementar e alternativa. Marília, 2011. 173f. Tese (Doutorado em Educação) – Faculdade de Filosofia e Ciências, Universidade Estadual Paulista (Unesp), Marília, 2011. Disponível em: <https://www.marilia.unesp.
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Acesso em: 18 de ago. 2017.
VOLPINO, M. et al. Mobilidade sobre rodas: a percepção de pais de crianças com paralisia cerebral. Cadernos de Terapia Ocupacional da UFSCar, São Carlos, v. 21, n. 3, p. 471-478, 2013. Disponível em: <http://doi.editoracubo.
com.br/10.4322/cto.2013.049>. Acesso em: 18 ago. 2017.
A atuação do terapeuta ocupacional com crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social: uma revisão da literatura
Jean Euripedes da Silva FERREIRA
1Lais de Carvalho SOUZA
2Roselilian da Cunha Pereira Alves RODRIGUES
3Camila Maria Severi MARTINS-MONTEVERDE
4Resumo: A atuação do terapeuta ocupacional com crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social e violência se dá por meio de atividades lú- dicas, expressivas e artísticas, possibilitando a exteriorização de sentimentos. O presente estudo tem como objetivo verificar na literatura quais são as abordagens realizadas pelos terapeutas ocupacionais. O método utilizado neste estudo foi uma revisão bibliográfica nas bases de dados: SciELO e LILACS. Além disso, fez-se busca manual em revistas de terapia ocupacional. Os critérios de inclusão estabelecidos foram de publicações no idioma português dos últimos 10 anos.
Foram identificados 12 estudos sobre o tema. Foi possível observar a necessida- de de estratégias terapêuticas eficazes, objetivando a diminuição dos prejuízos e a prevenção da vulnerabilidade social e violência com crianças e adolescentes.
O estudo possibilitou identificação de um grande campo de trabalho com essa população, exposta a desigualdade social e confrontos culturais, proporcionando um desenvolvimento saudável por meio de recursos terapêuticos.
Palavras-chave: Criança. Adolescente. Violência. Vulnerabilidade Social. Tera- pia Ocupacional.
1 Jean Euripedes da Silva Ferreira. Bacharel em Terapia Ocupacional pelo Claretiano – Centro
Universitário. E-mail: <[email protected]>.
0
Lais de Carvalho Souza. Bacharel em Terapia Ocupacional pelo Claretiano – Centro Universitário.
E-mail: <[email protected]>.
3
Roselilian da Cunha Pereira Alves Rodrigues. Mestra em Ciências Médicas pelo Programa de Ginecologia e Obstetrícia da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (USP). Bacharel em Terapia Ocupacional pelo Claretiano – Centro Universitário. Docente do Curso de Terapia Ocupacional do Claretiano – Centro Universitário. E-mail: <[email protected]>.
4 Camila Maria Severi Martins-Monteverde. Doutora e Mestra em Ciências pela Faculdade
de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRP-USP). Bacharel em Terapia Ocupacional pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Docente e Coordenadora do Curso de Terapia Ocupacional do Claretiano – Centro Universitário.
E-mail: <[email protected]>.
The work of the occupational therapist with children and adolescents in situations of social vulnerability: a review of the literature
Jean Euripedes da Silva FERREIRA Lais de Carvalho SOUZA Roselilian da Cunha Pereira Alves RODRIGUES Camila Maria Severi MARTINS-MONTEVERDE
Abstract: The work of the occupational therapist with children and adolescents in situations of social vulnerability and violence occurs through playful, expressive and artistic activities, allowing the externalization of feelings. The present study aims to verify in the literature which are the approaches performed by occupational therapists. The method used in this study was a bibliographical review, in the databases: Scielo and Lilacs. In addition, manual search was conducted in occupational therapy journals. The inclusion criteria established were in the Portuguese language and publications of the last 10 years. Twelve studies on this topic were identified. It was possible to observe the need for effective therapeutic strategies, with a view to reducing harm and preventing social vulnerability and violence with children and adolescents. The study allowed the identification of a large field of work with this population, exposed to social inequality and cultural confrontations, providing a healthy development through the therapeutic resources.
Keywords: Child. Teenager. Violence. Social Vulnerability. Occupational
Therapy.
1. INTRODUÇÃO
Vulnerabilidade social
A vulnerabilidade social é marcada pela fragilidade de víncu- los sociais e pela inserção precária no mundo do trabalho. A desi- gualdade social marca o cotidiano de várias famílias brasileiras que vivenciam situações de violência, desemprego, uso de drogas, entre outras, e, junto à condição de pobreza extrema, limita a garantia de sobrevivência e proteção de crianças e adolescentes dando origem à vulnerabilidade social (LOPES, 2006).
Embora a condição de crianças e adolescentes seja produto- ra de vulnerabilidades, de maior ou menor intensidade, a situação social dos grupos de crianças e adolescentes pobres se destaca pela precariedade das ações a eles destinadas, pela defasagem de acesso a seus direitos civis e sociais e de exercício desses direitos, assim como pelas construções sociais negativas que lhes são impostas.
Isso os coloca em desvantagem social em relação aos grupos de crianças e adolescentes que detêm poder aquisitivo mais elevado, tornando-os alvos prioritários de situações de vulnerabilidade so- cial (PEREIRA; BARDI; MALFITANO, 2014).
Violência na infância e adolescência
As violências vivenciadas por crianças e adolescentes são um fenômeno global que atinge diversas classes sociais e culturais, cau- sando impacto sobre a qualidade de vida do indivíduo e se configu- rando como um grande problema de saúde (CÔRTES; CONTIJO;
ALVES, 2011). Ao longo do processo de desenvolvimento vital,
podem ser identificados fatores traumáticos intensos, associados a
condições socioeconômicas adversas, como o trabalho infantil, a
baixa renda, a desnutrição, a limitação dos recursos relacionados
à escolaridade (muitas vezes, de má qualidade), a violência intra
e extrafamiliar, o alcoolismo, entre outras adversidades que fazem
com que o indivíduo geneticamente saudável possa apresentar al- terações no desenvolvimento biopsicossocial (ZAVASCHI, 2009).
Os fatores de violência mais comuns vivenciados por crian- ças e adolescentes são violência física, emocional ou psicológica, abuso sexual e negligência (AZEVEDO; GUERRA, 2007).
• Violência física corresponde ao ato de aplicar força física contra a criança ou adolescente no processo disciplinador.
A ação física pode ser um eventual tapa e até mesmo um espancamento que pode ser fatal (AZEVEDO; GUERRA, 2007).
• Violência emocional ou psicológica é toda interferência negativa do adulto sobre a criança ou adolescente que a exponha a humilhações, chantagem, queixas, palavrões, por meio de gritos e comparações. Essas ações podem prejudicar a autoconfiança e autoestima (AZEVEDO;
GUERRA, 2007).
• Abuso sexual é todo jogo ou ato sexual entre uma pessoa adulta e uma criança ou adolescente, tendo por finalidade estimulá-la sexualmente, ou utilizá-la para obter prazer ou satisfação sexual (AZEVEDO; GUERRA, 2007).
• Negligência emocional caracteriza-se pela falha do cuida- dor ao fornecer as necessidades básicas emocionais e psi- cológicas, como amor, motivação e suporte (BERNSTEIN et al., 2003).
• Negligência física é quando os pais ou responsáveis fa- lham em termos de fornecer alimentação, vestuário ade- quado, entre outras necessidades básicas, como moradia, segurança, supervisão e saúde (BERNSTEIN et al., 2003).
Além de todos os fatores citados anteriormente, estudos in-
dicam que outros tipos de violência são vivenciados na infância e
adolescência, atingindo não somente as classes menos favorecidas,
mas outros níveis sociais e culturais, que podem afetar o desen-
volvimento saudável da criança ou adolescente. Essas situações po-
dem, por exemplo, ser a separação ou divórcio dos pais e(ou) lares
monoparentais, que ocorrem quando apenas um dos pais arca com
as responsabilidades de criar ou educar o(s) filho(s). Tal fenômeno ocorre, por exemplo, quando o pai não reconhece a paternidade do filho e abandona a mãe, ou quando há perdas precoces de pais ou familiares, gravidez ou uso de drogas na adolescência, ou pela rotina agitada dos pais e carga horária de trabalho excessiva. Neste último caso, o(s) filho(s) pode(m) ficar em creches ou aos cuida- dos de terceiros, o que pode não possibilitar a formação de vínculo estável com o cuidador, que pode estar ligado à alta rotatividade dos profissionais que oferecem e trabalham nesse tipo de serviço.
Outra adversidade infantil à qual crianças e adolescentes podem es- tar expostos é a ocorrência de transtornos psiquiátricos nos pais ou familiares, já que essa situação pode gerar carência afetiva, falta de cuidados e suporte, entre outros, colocando-os em vulnerabilidade social (ZAVASCHI, 2009).
2. TERAPIA OCUPACIONAL
A Terapia Ocupacional é uma profissão que aplica valores essenciais, conhecimentos e habilidades para auxiliar pessoas, or- ganizações e populações a se envolverem em atividades cotidianas ou ocupações que queiram e necessitem fazer de maneira a apoiar a saúde e a participação (CARLETO et al., 2010 apud AOTA, 2008).
A Terapia Ocupacional possui denominações diversas, e o espaço de intervenção pode ser na saúde, na educação, em progra- mas sociais, hospitais, escolas, centros comunitários, no ambiente de trabalho e doméstico. O público-alvo varia de bebês a idosos. A intervenção terapêutica ocupacional inicia-se a partir da avaliação de demandas ocupacionais, a fim de estabelecer metas e resultados que desejam ser alcançados pelo paciente, os quais podem ser: me- lhorar o desempenho ocupacional, ampliar a autonomia, garantir a inserção na comunidade, ou superar traumas e deficit sensoriais, cognitivos e funcionais (SOARES, 2007).
A Terapia Ocupacional na área social surge no Brasil no final
da década de 70 e ganha força a partir da década de 80. Durante
o regime militar, os terapeutas ocupacionais foram inseridos nas
instituições totais, como os presídios, a antiga FEBEM (Fundação
Estadual do Bem-Estar do Menor) – atualmente chamada de Fun- dação Casa –, e programas comunitários com perspectivas e deba- tes sobre a responsabilidade dos técnicos na formação de valores sociais, e para realizar questionamentos acerca do saber médico- -psicólogico sobre as formas reducionistas e a compreensão do pro- cesso de saúde e doença. A Terapia Ocupacional no campo social vem contribuir para superar a questão contraditória das sociedades, marcada pela desigualdade, dissolução de vínculos, precarização do trabalho e vulnerabilização das redes sociais (BARROS; LO- PES; GALHEIGO, 2007).
A atuação do terapeuta ocupacional com crianças e adoles- centes que vivem em situação de vulnerabilidade social e violên- cia, principalmente as que sofrem violência ou abuso sexual, está levando a uma ótica nova por parte dos profissionais não só de Te- rapia Ocupacional, mas também de outros que trabalham com essa população. A Terapia Ocupacional na prática com crianças e ado- lescentes muitas vezes foca e objetiva os aspectos motores e cogni- tivos, o neurodensenvolvimento, entre outros. Assim, o profissional não se dá conta de que muitas vezes vários desses aspectos fazem parte, direta ou indiretamente, de sinais clínicos exteriorizados por crianças e adolescentes que estão em situação de vulnerabilidade social ou violência, seja esta física, emocional, sexual ou por negli- gência (ARAUJO, 2005).
Entretanto, sabe-se da falta de publicações e as dificulda- des em manter um acervo bibliográfico específico sobre a Terapia Ocupacional no campo social, tornando assim difícil a precisão das ideias, termos ou conceitos nesse campo de atuação. Nesse sentido, o objetivo do presente estudo foi verificar na literatura quais são as abordagens realizadas pelos terapeutas ocupacionais com crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social e violência.
3. MÉTODO
O método utilizado para realização deste estudo foi a revi-
são da literatura no que diz respeito a artigos científicos na área da
Terapia Ocupacional social. Os critérios de inclusão estabelecidos
para este trabalho foram de publicações em língua portuguesa dos últimos 10 anos, nas bases de dados SciELO e LILACS. A Tabela 1 representa o percurso metodológico realizado pelos autores.
Tabela 1. Artigos encontrados segundo base de dados e palavras- chave.
Base de
dados Palavras-chave Artigos encontrados
Artigos excluídos
(motivo)
Artigos incluídos SciELO
“terapia ocupacional”
AND “vulnerabilidade social” AND “violência”
AND “criança” OR
“adolescente”
N= 0 N= 0 N= 0
SciELO
“terapia ocupacional”
AND “violência”
AND “criança” OR
“adolescente”
N= 3 N=1
(por não ser em português) N=2
LILACS
“terapia ocupacional”
AND “vulnerabilidade social” AND “violência”
AND “criança” OR
“adolescente”
N=2 N=0 N=2
TOTAL N=5 N=1 N=4
Fonte: elaborado pelos autores.
Devido à escassez de artigos nas bases de dados SciELO e LILACS, procedeu-se a busca manual de artigos científicos na Re- vista de Terapia Ocupacional da USP e nos Cadernos de Terapia Ocupacional da UFSCar. Foram encontrados oito artigos condi- zentes com o tema investigado.
4. RESULTADOS/DISCUSSÃO
Após a revisão sistemática da literatura sobre o tema, foram
encontrados 12 artigos de quatro tipos diferentes: (N=3) artigo de
reflexão, (N=3) artigo original, (N=3) estudo de caso e (N=3) re-
lato de experiência. A tabela a seguir mostra a distribuição sobre a
caracterização dos artigos.
Tabela 2. Distribuição sobre a caracterização dos artigos.
Caracterização dos artigos Número de artigos Frequência (%)
Artigo de reflexão 3 25
Artigo original 3 25
Estudo de caso 3 25
Relato de experiência 3 25
Fonte: elaborado pelos autores.
Foram encontrados 12 estudos sobre as abordagens reali- zadas pelos terapeutas ocupacionais com crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social e violência. Nota-se que os anos de maior publicação foram 2006, 2009, 2011 e 2014, com dois artigos em cada ano. Os anos de 2005, 2007, 2010 e 2013 têm um artigo cada. Observamos ainda que, nos anos de 2008, 2012 e 2015 (até o presente momento), não foram encontradas publicações sobre a intervenção da terapia ocupacional com crianças e adoles- centes em situação de vulnerabilidade social e violência. O gráfico a seguir demonstra a distribuição de artigos publicados de acordo com o ano.
Gráfico 1. Distribuição artigos por ano.
Fonte: elaborado pelos autores.
A metade dos artigos selecionados para a presente revisão fo- ram publicados no periódico Cadernos de Terapia Ocupacional da UFSCar. Há dois artigos que foram publicados na Revista de Tera- pia Ocupacional da USP. Os demais (N=3) artigos) foram publica- dos em periódicos diversos. A tabela a seguir mostra a distribuição de artigos de acordo com os periódicos.
Tabela 3. Distribuição de artigos de acordo com os periódicos.
Periódico Número de artigos Frequência (%) Cadernos de Terapia Ocupacional da
UFSCar 6 50
Revista de Terapia Ocupacional da USP 3 25
O Mundo da Saúde 1 8,33
Psicologia: Ciência e Profissão 1 8,33
Psicologia em Estudo 1 8,33
Fonte: elaborado pelos autores.
Foi observado ainda que, dos (N=20) autores dos artigos en- contrados nesta revisão sistemática da literatura sobre o tema, ape- nas (N=5) – Ana Paula Serrata Malfitano, Daniela Tavares Gontijo, Heliana Castro Alves, Lucivaldo da Silva Araújo e Roseli Esquerdo Lopes – tiveram seus nomes apresentados em três (N=3) artigos diferentes. Adelma do Socorro Gonçalves Pimentel e Patrícia Leme de Oliveira Borba tiveram seus nomes apresentados em dois (N=2) artigos diferentes. Os demais (N=13) autores publicaram apenas uma vez (até o presente momento) artigos relacionados sobre o tema. A tabela a seguir mostra a distribuição de autores e números de publicações.
Tabela 4. Distribuição de autores e números de publicações.
Autor Número de artigos Frequência (%)
Ana Paula Serrata Malfitano 3 9,37
Daniela Tavares Gontijo 3 9,37
Heliana Castro Alves 3 9,37
Lucivaldo da Silva Araújo 3 9,37
Roseli Esquerdo Lopes 3 9,37
Adelma do Socorro Gonçalves Pimentel 2 6,25
Patrícia Leme de Oliveira Borba 2 6,25
Carla Regina Silva 1 3,12
Carolina Cortes 1 3,12
Daniel Gustavo de Sousa Carleto 1 3,12
Elizabeth M. f. Araújo Lima 1 3,12
Erika Alves Inforsato 1 3,12
Giovanna Bardi 1 3,12
Iara Faleiros Braga 1 3,12
Izabela Alves 1 3,12
Karina Gonçalves da Silva 1 3,12
Mayra Cappellaro 1 3,12
Natalia Guimarães Mota 1 3,12
Paulo Estevão Pereira 1 3,12
Renata Monteiro Buelau 1 3,12
Fonte: elaborado pelos autores.
A partir dos periódicos encontrados, é possível observar que o assunto tem sido abordado por autores como um problema de saúde mental. Observa-se também a necessidade de estratégias te- rapêuticas eficazes, objetivando a prevenção do fenômeno da vul- nerabilidade social e da violência contra crianças e adolescentes em situação de risco, bem como a diminuição dos prejuízos no desen- volvimento da criança e do adolescente que vivenciaram diversos tipos de violências.
A violência, em suas múltiplas formas, se apresenta de for-
ma cada vez mais preocupante. Devido à grande exposição desse
assunto na mídia, ele tem se banalizado e tornado corriqueiro em
rodas de conversas, de crianças até idosos. Isso, por sua vez, nos
traz duas perspectivas sobre o assunto. A primeira corresponde ao
fato de a sociedade encarar cada caso novo como “só mais um caso
de violência”. A segunda diz respeito à perda da empatia e da per-
plexidade da sociedade diante do assunto violência, de qualquer
gênero. As notícias estão espalhadas pelas redes sociais, jornais im-
pressos e eletrônicos e são entregues aos leitores com uma veloci-
dade estrondosa, por conta da evolução da informática e da internet (PIMENTEL; ARAUJO, 2009).
A violência contra crianças e adolescentes pode gerar trans- tornos no desenvolvimento e desencadear graves patologias de- correntes de diversos tipos de traumas negativos, que podem ser constatados precocemente. A maioria das consequências, porém, não deixa marcas físicas aparentes, como o transtorno emocional e o estresse pós-traumático. Às vezes, as consequências aparecem ao longo dos anos, como surgimento de doenças físicas, baixo rendi- mento escolar, aumento da criminalidade, uso de drogas, gravidez precoce, dificuldade de relacionamentos, queixas somáticas, entre tantas outras (ZAVASCHI, 2009). Devido aos traumas vivenciados, tais como trabalho infantil, negligência, exposição a território hos- til, abuso sexual, entre outros, essas crianças e adolescentes acabam por perder a oportunidade única de ser criança, não somente pelo sentido biológico, mas principalmente por não poderem experi- mentar o aprender, intervir, evoluir, concluir, agir, além do brincar, que faz parte da aprendizagem como um todo quando se trata, prin- cipalmente, de uma criança (PIMENTEL; ARAUJO, 2007).
É importante ressaltar que as consequências imediatas do trauma vivido na infância e adolescência são os riscos de proble- mas comportamentais, incluindo comportamentos internos, que se refletem por meio de sintomas de ansiedade, depressão, queixas somáticas e inibição, e comportamentos externos, que se referem a alterações comportamentais, tais como aumento da agressividade e delinquência. Problemas relacionados a comportamentos sexuais se incluem também neste domínio (BAES; MARTINS; JURUE- NA, 2014).
O Terapeuta Ocupacional cria espaço de aprendizagem e ex-
perimentação para que crianças e adolescentes em situação de vul-
nerabilidade social e violência desenvolvam ativamente o processo
de construção da subjetividade. As oficinas oferecidas por terapeu-
tas ocupacionais podem ser compreendidas de diversas formas e
aplicadas com distintos propósitos, tais como focando recursos, o
uso e a produção de materiais, o trânsito pelos setores da cultura,
arte, esporte e lazer, trabalho e outros, conforme temáticas e objeti-
vos preestabelecidos. Assim, pode-se implementar debates sobre o cotidiano, trocas de informações a respeito do mundo de trabalho, perspectivas de vida, processos educativos sobre os deveres e di- reitos e a proteção da infância e adolescência em sua cidade entre outros temas (LOPES et al., 2014).
As oficinas de atividades nos apresentam diversas situações nas quais a criação do vínculo se torna fundamental para que se proponha uma reflexão das possibilidades de construção de novas formas de relacionamento. A estratégia pode ser elaborada em for- ma de contrato e realização de trocas para acordos estabelecidos no grupo, escutando-se as demandas e as possibilidades de participa- ção nas atividades propostas (MALFITANO et al., 2006).
A violência sofrida na infância e adolescência tem se tornado banalizada, principalmente nas classes sociais desfavorecidas. Esse público vivencia em seu cotidiano práticas de violências, o que gera estigma relacionando essa população à periculosidade. Por meio de jogos teatrais e dramatizações de cenas vividas são expressos os contextos de vida dos jovens e suas condições sociais, podendo abordar aspectos relacionados com a facilidade ao acesso a drogas e vivências cotidianas como os diversos tipos de violência, devido à vulnerabilidade social (ALVES; CONTIJO; ALVES, 2013).
A situação de vulnerabilidade social e violência contra crian- ças e adolescentes pode ser um impulso inicial para uma inter- venção da Terapia Ocupacional. O profissional, entretanto, deve também considerar como foco de intervenção as preocupações dos pais, familiares e órgãos de saúde (CARLETO; ALVES; CONTI- JO, 2010).
Dessa forma, a Terapia Ocupacional tem muito a oferecer a essa população, tendo em vista que, dentro da prática da Terapia Ocupacional, cria-se o campo de experimentação e escolha ao indi- víduo, um espaço para ele exercer a sua autonomia e independên- cia, e onde pode ter um enfrentamento de determinada situação.
Esse espaço oferecido pela Terapia Ocupacional se torna funda-
mental para a criação de novos territórios existenciais e, conse-
quentemente, para produção de vida dessas crianças e adolescentes
(BUELAU; INFORSATO; LIMA, 2009).
Além disso, o trabalho da Terapia Ocupacional na comunida- de escolar com crianças e adolescentes pode proporcionar a cons- trução de estratégias e programas com objetivo de possibilitar a realização de ações focadas na reflexão da personalidade. Entende- -se, assim, esses sujeitos como cidadãos inseridos no contexto so- cial e permeáveis, portanto, aos conflitos e valores evidenciados na sociedade por fenômenos como a violência, que interfere na forma de desempenhar seus papéis sociais no futuro (CÔRTES; CONTI- JO; ALVES, 2011). Para o fortalecimento das redes sociais, aponta- -se a necessidade de ações da Terapia Ocupacional junto às famílias de origem ou substitutas, à escola e a instituições de acolhimento.
Oferecem-se, dessa forma, oportunidades e condições necessárias de saúde e bem-estar, considerando que um único ambiente pode apresentar fatores que ampliam ou limitam o desempenho ocupa- cional (CARLETO; ALVES; CONTIJO, 2010).
Após todas essas reflexões realizadas sobre a Terapia Ocupa- cional com essa população em situação de vulnerabilidade social e violência, nota-se o quanto é importante a questão do vínculo terapêutico, do paciente com toda a equipe, mas principalmente com os profissionais da Terapia Ocupacional. Isso porque cria-se um espaço para a revisão de suas posturas, para o enfrentamento e para estratégias que visem acabar com as situações vivenciadas rotineiramente por essas crianças e adolescentes ou ao menos ame- nizá-las, sem tanto medo e sem tantos preconceitos. Deve-se men- cionar também as orientações realizadas junto ao núcleo familiar.
Esse processo conta com a colaboração fundamental da família, que deve estar presente no período de vinculação e proporcionar possibilidades de uma melhor apreensão e de esclarecimentos em torno das questões vividas pelas crianças e adolescentes e todas as decorrências desse aspecto em sua vida (LOPES; BORBA; CA- PELLARO, 2011).
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
A pesquisa realizada sobre a atuação da Terapia Ocupacional
com crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade e vio-
lência possibilitou a identificação de um grande campo de trabalho
com essa população, imposta a desigualdades, contradições sociais e confrontos culturais. Através dos recursos terapêuticos utilizados de acordo com a necessidade do contexto, pretende-se proporcionar um desenvolvimento saudável a esses indivíduos. Portanto, é funda- mental que o profissional conheça as diferentes formas de violência para que se possibilite diminuir as consequências no desenvolvi- mento da criança ou adolescente, considerando que a problemática pode ter origem em contextos sociais, ambientais, culturais e po- líticos, exigindo uma abordagem multissetorial do profissional. O terapeuta ocupacional pode contribuir para o desenvolvimento de propostas de promoção e manutenção da saúde.
Por fim, é fundamental para o crescimento e fortalecimento da profissão que os terapeutas ocupacionais produzam e divulguem trabalhos científicos.
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Crianças e adolescentes vulneráveis: o atendimento interdisciplinar nos centros
de atenção psicossocial. Porto Alegre: Artmed, 2009. p. 23-42.
A importância da Terapia Ocupacional no brincar da criança com autismo
Priscilla Metidieri CORRÊA
1Aline Cristina PALMEIRAS
2Ana Carolina da Silva PEREIRA
3Camila Maria Severi MARTINS-MONTEVERDE
4Camila de ALMEIDA
5Resumo: O autismo é um transtorno do desenvolvimento que se caracteriza por deficit nas áreas de comunicação e de interação social e por comportamentos repetitivos e estereotipados. Nesse contexto, o terapeuta ocupacional tem por objetivo intervir em crianças, por meio do brincar, melhorando o desempenho em suas áreas de ocupação. O presente estudo tem como objetivo revisar a lite- ratura sobre os deficits decorrentes do Transtorno Autista em crianças e o papel da Terapia Ocupacional quanto à intervenção por meio do brincar. Os critérios de inclusão foram artigos em português do período entre 2000 e 2016 que abor- davam o brincar, o autismo infantil e a Terapia Ocupacional. Assim, foram sele- cionados nove estudos que mostraram que a Terapia Ocupacional, atuando em crianças autistas por meio do brincar e da integração sensorial, contribui para um melhor desenvolvimento nas áreas físicas, sociais e cognitivas, sendo o terapeuta ocupacional um profissional capacitado para intervir nas ocupações deficitárias de crianças autistas.
Palavras-chave: Autismo. Brincar. Terapia Ocupacional. Desenvolvimento.
1Pricilla Metidieri Corrêa. Bacharelanda em Terapia Ocupacional pelo Claretiano – Centro
Universitário. E-mail: <[email protected]>.
2Aline Cristina Palmeiras. Bacharelanda em Terapia Ocupacional pelo Claretiano – Centro
Universitário. E-mail: <[email protected]>.
3Ana Carolina da Silva Pereira. Bacharelanda em Terapia Ocupacional pelo Claretiano – Centro
Universitário. E-mail: <[email protected]>.
4 Camila Maria Severi Martins-Monteverde. Doutora e Mestra em Ciências pela Faculdade
de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRP-USP). Bacharel em Terapia Ocupacional pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Docente e Coordenadora do Curso de Terapia Ocupacional do Claretiano – Centro Universitário.
E-mail: <[email protected]>.
5 Camila Almeida. Mestra em Ciências de Saúde Aplicada ao Aparelho Locomotor pela Faculdade
de Medicina de Ribeirão Preto (USP). Especialista em Fisioterapia Aquática pela Universidade Cidade de São Paulo (UNICID). Graduada em Fisioterapia pelo Centro Universitário Barão de Mauá.
E-mail: <[email protected]>.