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Relato de Caso Sobre Linfangioma Axilar

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Academic year: 2022

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1- Monitora do projeto Assistência ao Paciente Ginecológico em ambulatório; Universidade Federal do Cariri, Faculdade de Medicina do Cariri; Barbalha – CE; [email protected] 2- Monitora do projeto Assistência ao Paciente Ginecológico em ambulatório; Universidade

Federal do Cariri, Faculdade de Medicina do Cariri; Barbalha – CE; [email protected] 3- Monitor do projeto Assistência ao Paciente Ginecológico em ambulatório; Universidade Federal

do Cariri, Faculdade de Medicina do Cariri; Barbalha – CE; [email protected]

4- Professora da disciplina de Ginecologia; Universidade Federal do Cariri, Faculdade de Medicina do Cariri; Barbalha – CE; [email protected]

Relato de Caso Sobre Linfangioma Axilar

Sara Pinheiro Paulo1 Natália Parente Alencar2 Clóvis Cardoso de Paiva Neto3 Sheila Ulisses Paiva4

RESUMO: Linfangiomas são alterações de desenvolvimento do sistema linfático. O objetivo deste trabalho é relatar um caso de uma mulher, 40 anos, com massa cística na região axilar esquerda, em que foi feito o diagnóstico desta entidade em uma unidade básica de saúde do município de Crato-CE. Realizado procedimento cirúrgico diagnóstico-terapêutico, foi acompanhada no seguimento sem intercorrências. O laudo histopatológico confirmou o diagnóstico. A maioria dos casos de linfangioma ocorre em crianças com idade abaixo dos dois anos e a axila é um sítio incomum de acometimento da doença.

Palavras–chave: Axila; linfangioma; pesquisa qualitativa.

INTRODUÇÃO

Linfangiomas são alterações de desenvolvimento do sistema linfático, que podem estar presentes no pescoço, na axila e outros sítios, como mediastino, pelve e retroperitôneo (RAVITCH.; RUSH, 1986). Ocorrem mais comumente em crianças, com 50-65% presentes ao nascimento, e mais de 90% dos casos presentes ao segundo ano de vida. São extremamente raros na população adulta (ARUNA.; LEENA.;

RAVINDRA, 2013).

Linfangiomas são classificados nas formas capilar, cavernoso e cística (ROSAI, 2011). Possíveis fatores etiológicos incluem bloqueio dos canais linfáticos com secundária dilatação, fraqueza congênita da parede linfática ou proliferação de vasos linfáticos (COTRAN.; KUMAR.; ROBBINS, 1999).

A ultrassonografia não fornece um diagnóstico específico, sendo aconselhada a citologia aspirativa por agulha fina (KOOK.; KEUM, 1996).

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A escolha de tratamento para linfangioma cístico é a remoção cirúrgica , mas pode haver dificuldade na obtenção de margens de segurança devido a tendência destas lesões a se infiltrarem nos tecidos circundantes. Existe um alto risco de excisão incompleta, e isso pode, eventualmente, levar a uma rápida recorrência (TORCASIO, et al, 2006).

A seguir, relatamos um caso de uma paciente de 41 anos de idade com uma massa cística em região axilar esquerda diagnosticada como linfangioma.

MATERIAIS E MÉTODOS

O estudo foi do tipo relato de caso, que analisa profundamente um fenômeno de forma ampla e detalhada. Esta é uma modalidade de pesquisa amplamente utilizada nas ciências biomédicas e sociais, consistindo no estudo profundo e exaustivo de um ou poucos casos, de maneira que permita seu amplo e detalhado conhecimento (GIL, 2008).

O caso faz parte do registro médico do Posto de Especialidades localizado no município de Crato, Ceará. A Unidade Básica de Saúde (UBS) está localizado na rua José Marrocos 407, onde a paciente foi atendida em 17/11/2013 sendo realizado, posteriormente, o diagnostico de Linfangioma axilar. Anualmente, a mesma é acompanhada por médico especialista no ambulatório de Ginecologia.

A amostra da pesquisa foi composta de uma mulher de 40 anos, portadora de linfangioma axilar. A pesquisa contemplou as seguintes variáveis envolvidas no estudo:

idade da paciente, sexo, raça, histórico de saúde, histórico familiar, tempo e método de diagnóstico e tratamento instituído.

Os dados foram coletados no período de março à julho de 2013 e organizados utilizando o software Microsoft Office 2007. Os dados tiveram como fonte de coleta o prontuário médico, sendo analisados e organizados de acordo com a literatura referente ao presente tema em estudo.

RELATO

Paciente M.L.S, feminino, 40 anos, apresentando cisto na região axilar esquerda desde de 2003, quando foi realizada a primeira punção (SIC). Em 2012, realizou um ultrassom mamário no dia 14 de novembro, que revelou dois cistos na axila esquerda medindo 03 e 10 centímetros, respectivamente, e indicou Bi-rads 4 na axila esquerda.

Apresentava uma mamografia do dia 06 de novembro 2012 que relatava a presença de linfonodo com densidade e volume aumentados em axila esquerda e indicava Bi-rads 0.

No interrogatório sistemático não apresentou alterações significativas. A paciente apresentou uma gestação tópica, a termo. Realizou histerectomia. Previamente hígida com hábitos alimentares saudáveis, pratica atividade física rotineiramente. Nega tabagismo e etilismo. O Avô teve linfoma.

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Ao exame físico, encontrava-se com estado geral bom, anictérica, acianótica, afebril, eupnéica, hidratada, normocorada. A ausculta cardiopulmonar estava normal, o abdômen flácido, sem alterações a palpação superficial e profunda e com os ruídos hidroaéreos presentes. Possuía nodularidade difusa na região axilar esquerda.

Como hipótese diagnóstica, foi sugerido cisto simples em região de axila esquerda, sendo solicitado punção guiada por ultrassom. No dia 17/11/2012 foi realizada a punção guiada por ultrassom, em que houve a saída de aproximadamente 10 ml de um líquido claro, citrino, com bom aspecto, e foi coletado material para analise laboratorial, a qual mostrou um quadro citológico compatível com conteúdo de cisto simples, sem indícios morfológicos de malignidade no material examinado.

A paciente,após dois dias do esvaziamento, evoluiu com enchimento linfonodal da região axilar esquerda. Então, foi proposta uma cirurgia para melhor abordar o cisto axilar esquerdo. No dia 16/01/2013, o procedimento cirúrgico foi realizado sem intercorrências, sendo retirado o cisto que estava implantado na entrada da veia axilar no tórax. Foi colhido material cístico hemático para análise histopatológica.

No dia 19/01/2103, o laudo histopatológico confirmou o diagnóstico de Linfangioma, com margens cirúrgicas livres e sem indícios de malignidade.

DISCUSSÃO

Nos linfangiomas, o tecido linfático anormal possui alguma capacidade de proliferação e, como resultado do bloqueio dos vasos linfáticos, eles tendem a aumentar de largura e acumular grande quantidade de linfa, dando aparência de um tumor cístico na região acometida. No entanto, não são neoplasias verdadeiras.

Os linfangiomas apresentam capacidade de agressão local, e existem nas formas capilares, que são vistas na pele, e formas císticas e cavernosas, que ocorrem nos tecidos moles profundos. (ARUNA.; LEENA.; RAVINDRA, 2013). A maioria dos casos acontece em crianças abaixo de dois anos de idade, principalmente na região da cabeça e do pescoço. Outros sítios incomuns são axila, órgãos abdominais, retroperitônio, esqueleto, escroto e,muito raramente, mama (MIN, et al, 2008).

No caso relatado, a paciente apresentava um linfangioma cístico, estando fora da faixa etária padrão dos linfangiomas, o que contribuiu para que esse diagnóstico fosse lembrado apenas após o laudo da biópsia.

O diagnóstico diferencial do linfangioma cístico inclui cisto simples, acúmulo de coleção líquida pós-cirúrgica, hematoma, abscesso e hemangioma. (CHUNG.; OH.;

KIM, 2003).

No USG, o linfangioma cístico aparece como uma massa circular rádio-opaca, multiloculada, por isso pode ser confundida com outras patologias mais comuns (KOOK.; KEUM,1996), o que ocorreu com a paciente deste relato. Como o USG não fornece um diagnóstico específico, a punção aspirativa com agulha fina para análise citológica é aconselhada. A avaliação citológica revela fluido proteico com linfocitose e ausência de células malignas (ARUNA.; LEENA.; RAVINDRA, 2013).

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Ampla excisão cirúrgica é o tratamento de escolha. Após uma excisão incompleta, recorrência pode se desenvolver (TORCASIO.; VENEROSO.; AMABILE.; et al, 2006).O linfangioma aparece com uma massa de consistência amolecida, cística, branco acinzentada e lobulada. Praticamente nunca se torna maligno, portanto, a excisão completa apresenta finalidade curativa. São tratados por razoes cosméticas e funcionais.

(WAQAR.; MEKAN.; KAYANI, 2004)

No caso descrito, foi realizada uma cirurgia para melhor avaliar a lesão, em que foi feita a retirada de material para análise histopatológica, que confirmou o diagnóstico de Linfangioma, com margens cirúrgicas livres e sem indícios de malignidade, tendo, assim, finalidade diagnóstica e terapêutica. O histopatológico é o suporte do diagnóstico, em correlação com os achados radiológicos e citológicos. (ARUNA.;

LEENA.; RAVINDRA, 2013)

Percebe-se que, apesar da incidência dessa patologia ser rara na idade adulta, o linfangioma cístico deve ser considerado no diagnóstico diferencial de massas císticas irregulares na região axilar(MIN, et al, 2008).

CONCLUSÕES

Relatamos o caso de uma mulher de 40 anos que apresentava lesão compatível com linfangioma axilar, tratada cirurgicamente. A paciente não apresentou qualquer complicação peri ou pós-operatória, encontrando-se assintomática após seguimento.

AGRADECIMENTOS

Agradecemos à Pró-Reitoria de Pesquisa e Inovação da Universidade Federal do Cariri e à Coordenação do curso de Medicina do Cariri pelo apoio dado à elaboração do presente relato de caso e ao I Encontro Universitário da UFCA. Agradecemos também aos colaboradores que de alguma forma participaram, nos incentivando à

realização desse estudo.

REFERÊNCIAS

1. Aruna T., Leena M.S., Ravindra T. Cystic lymphangioma of the breast: A case report.

Int J Pharm Biomed Sci 2013, 4(2), 88-90.

2. Brown LB, Azizkhan RG. Vascular anomalies: pediatric head and neck lesions.

Pediatr Clin North Am 1998;45:4.

3. Chung SY, Oh KK, Kim DJ. Mammographic and sonographic findings of a breast cystic lymphangioma. J Ultrasound Med 2003; 22:307-9.

4. Cotran RS, Kumar V, Robbins SL. Robbins pathologic basis of disease, 6th ed.

Philadelphia: W. B. Saunders,1999, p. 457.)

5. Kook SH, Keum JS. Mammography, US and MR findings of cystic lymphangiomas of the breast. A Case Report. J Korean Radiol Soc 1996, 35, 279.

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6. Min K-W., Na S-H. J. W., Jun S.M.J.Y.J., et al. Cystic Lymphangioma of the Breast in an Adult Woman. The Korean Journal of Pathology 2008; 42: 244-6

7. Ravitch MM, Rush Jr BF. Cystic hygroma. In: Welch Ki, Randolph JG, Ravitch MM, O’Neill Jr JA, Rowe MI, editors. Paediatric surgery, vol. 1. Chicago: Year Book Medical Publishers Inc.; 1986. p. 536.

8. Rosai J. Soft tissues. In: Rosai Ackerman’s Surgical Pathology, Vol.2, 10th Edn., St Louis, Mosby 2011, pp.2160-2161.

9. Torcasio A, Veneroso S, Amabile MI, et al. Cystic hygroma of the breast:a rare lesion. Tumori 2006; 92: 347-50.

10. Waqar S.N., Khan H., Mekan S.F, et al. Cystic Breast Lymphangioma. Journal Of Pakistan Medical Association 2004.

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