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Rev. Bras. Psiquiatr. vol.22 número1

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Academic year: 2018

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Rev Bras Psiquiatr 2000;22(1):35-5

Com quase três décadas de atividades em psiquiatria, ocupa-das em grande parte com modelos assistenciais em saúde men-tal, vamos deixar registradas algumas reflexões sobre este mo-mento da reforma psiquiátrica no Brasil.

Existe uma defasagem brasileira em relação ao mundo desen-volvido quanto à assistência psiquiátrica. Isso não é novidade para nenhum psiquiatra, assim como é possível detectar no próprio país descompassos entre Estados e regiões.

Tudo indica que finalmente, neste ano 2000, o Congresso Nacional aprovará o projeto de lei que já tramita há mais de dez anos, ficando ainda a sanção presidencial como última penada. As entidades representativas da psiquiatria brasileira, assim como as universidades e outros conglomerados científicos, precisam se manifestar durante a discussão e aprovação da matéria. Devem subsidiar o máximo possível os parlamentares, sobretudo os da Comissão de Saúde e Seguridade, que envia-rão a dita matéria para votação em plenário por meio do seu relator, um urologista que parece sensível aos problemas da reforma.

Não é exagero subsidiar a Comissão de Saúde e Seguridade sobre a vocação hospitalocêntrica da assistência psiquiátrica em nosso país e desmistificar que ela se deve apenas a ques-tões de mercado. É necessário lembrar que essa vocação foi enraizada como cultura e que tem na caridade e no controle social de área externa suas ramificações principais, além do Tra-tamento moral, proposto por Pinel, e do Princípio do isolamen-to, por Esquirol.

Também defender as unidades de internação psiquiátrica, seja em hospital especializado como em hospital geral, é fundamen-to. No entanto, não devemos nos comprometer com esse

mode-Reforma Psiquiátrica: reflexões

Gabriel Figueiredo

Departamento de Neuropsiquiatria. Faculdade de Ciências Médicas da Pontifícia Universidade Católica de Campinas

carta ao editor

lo, considerando-o central. Ele deve ser a última instância as-sistencial e, naturalmente, um dos espaços acadêmicos de ensi-no da psiquiatria na interface da assistência, ensiensi-no, ética e pesquisa.

Novos modelos assistenciais devem ser estimulados, avalia-dos na sua eficácia e integraavalia-dos numa política de reversão do modelo que tradicionalmente teve no hospital psiquiátrico a sua referência maior.

A reforma precisa ser cautelosa, porém corajosa e progressi-va. Precisa também obedecer a um planejamento que concilie prioridades com recursos disponíveis e com capacidade de li-dar com o imprevisível e o surpreendente.

Evitar radicalizações é uma boa estratégia, sobretudo para os que divergem nos meios, mas concordam com os fins de uma reforma que ofereça aos pacientes e aos profissionais condi-ções de tratamento e trabalho.

Quanto à polêmica da internação compulsória, a questão deve ser resolvida sem perder de vista a necessária conjugação do binômio quadro clínico-cidadania. Isso implica numa exemplar prática psiquiátrica dentro de uma sociedade que privilegia os direitos dos seus cidadãos.

Correspondência: Gabriel Figueiredo

Departamento de Neuropsiquiatria

Faculdade de Ciências Médicas da Pontifícia Universidade Católica de Campinas

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