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Aula 07 Crimes de lavagem de dinheiro (Lei nº 9.613/1998). Prof. Henrique Santillo. Legislação Especial para SEJUSP MG

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Aula 07 – Crimes de lavagem de dinheiro (Lei nº 9.613/1998).

Legislação Especial para SEJUSP MG

(2)

Sumário

LEI Nº 9.613/1998 (LAVAGEM DE DINHEIRO). 3

INTRODUÇÃO 4

DOS CRIMES DE "LAVAGEM" OU OCULTAÇÃO DE BENS,DIREITOS E VALORES 7

Infrações Penais Antecedentes 7

Objeto Material 9

Condutas 10

Consumação e Tentativa 11

Tipos Derivados 14

Elemento Subjetivo 17

Pena e Causas de Aumento de Pena 17

Colaboração (ou Delação) Premiada 19

COMPETÊNCIA 21

EFEITOS DA CONDENAÇÃO 22

ASPECTOS PROCESSUAIS 24

Medidas Assecuratórias 27

Ação Controlada 29

Outras Disposições 30

QUESTÕES COMENTADAS PELO PROFESSOR 46

LISTA DE QUESTÕES COMENTADAS 80

GABARITO 92

RESUMO DIRECIONADO 93

LEI Nº 9.613, DE 3 DE MARÇO DE 1998. 103

(3)

Lei nº 9.613/1998 (Lavagem de Dinheiro).

Olá, aluno! Olá, aluna!

É com muito prazer que inicio este encontro contigo!

Nesta aula de hoje, vamos tratar de um assunto que tem sido destaque nos principais noticiários do país:

“Lavagem” de Dinheiro (Lei nº 9.613/1998)!

Infelizmente, não localizamos muitas questões da banca FGV...

Contudo, considerando o fato de estarmos diante de um concurso da área de tribunais, sugiro que se atente aos seguintes tópicos

Disponibilizei, ao final da aula, a íntegra da Lei de Lavagem de Dinheiro (Lei nº 9.613/98).

É muito importante que você faça a sua leitura após estudar a teoria, tá ok?

Vem comigo?!

TÓPICOS RELEVANTES

→Consumação e Tentativa

→Causas de Aumento de Pena

→Colaboração Premiada

→Infração Penal Antecedente

Ação Controlada e Infiltração de Agentes (Lei Anticrime)

(4)

Introdução

Posso começar a aula de hoje te contando uma história?

Na década de 1920, vigorava nos Estados Unidos a Lei Seca, a qual vedava a fabricação e a comercialização de bebidas “intoxicantes” - incluindo aí as bebidas alcóolicas.

Imagine só a revolta que essa proibição deve ter gerado na população! Já imaginou se nos dias de hoje o ato de tomar umas com os amigos ou até mesmo sozinho em casa fosse considerado um crime?

Contudo, durante esse período, algumas organizações criminosas se dedicavam à fabricação e à venda ilegal das bebidas alcóolicas (sim, o “contrabando de bebidas” era intenso!). Nesse cenário, ganhou destaque um personagem muito conhecido nos dias de hoje: Al Capone, líder criminoso que, além de contrabandear bebidas alcóolicas, cometia extorsões, explorava prostíbulos, dentre uma série de atividades ilegais...

Toda essa atividade criminosa rendeu a Al Capone uma tremenda fortuna. Para poder usufruir de toda essa grana e realizar movimentações financeiras sem ser pego pelas autoridades, o gangster comprou uma cadeia de lavanderias em Chicago que servia de fachada para legalizar dinheiro originário das atividades criminosas. Dessa forma, o dinheiro sujo, fruto dos terríveis crimes, acabava sendo LAVADO para ganhar uma aparência de dinheiro lícito, limpo.

Entendeu a origem do termo “lavagem de dinheiro”? 😉

Nos dias de hoje, infelizmente, a história se repete: inúmeras atividades proibidas e ilegais movimentam valores assustadoramente elevados, como o tráfico de drogas, de armas, de órgãos, exploração de prostituição etc.

Aqui no Brasil, inclusive, foi descoberto pela Operação Lava Jato um grande esquema de lavagem de dinheiro

em que valores astronômicos eram movimentados e que envolveu os setores públicos e privados, políticos e

empresários...

(5)

Qual é o conceito de “lavagem de dinheiro”?

Segundo Pierpaolo Cruz Bottini, docente de Direito Penal da Faculdade de Direito da USP, lavagem de dinheiro

1

é o ato ou a sequência de atos praticados para encobrir a

natureza, localização ou propriedade de bens, direitos ou valores de origem ilícita, com a finalidade de reinseri-los à economia formal com aparência lícita.

De que forma ou formas se dá a lavagem de dinheiro?

Através de inúmeras formas, como movimentações em contas bancárias, compra e venda de joias e obras de arte, abertura de empresas fantasmas, dentre várias outras possibilidades.

Vamos supor que Fulano recebe quinhentos mil reais traficando. Para “lavar” essa grana obtida com o tráfico, ele resolve abrir um restaurante, visando dar uma aparência lícita ao dinheiro ilícito.

A lavagem de dinheiro ocorre através de fases - por meio das fases da colocação, dissimulação (ou

ocultação) e integração:

1 Também denominada “lavagem de capital” ou “branqueamento de capital”.

1ª fase → COLOCAÇÃO

O agente introduz o dinheiro ilícito no sistema financeiro para dificultar a identificação da procedência ilícita dos valores.

Ele pode, por exemplo, comprar títulos negociáveis no mercado financeiro

.

2ª fase → DISSIMULAÇÃO (ou OCULTAÇÃO)

Nessa fase, o "lavador" faz inúmeras transações financeiras com o objetivo de ocultar o dinheiro sujo: transferências de recursos entre contas correntes, transferência de recursos entre empresas, operações

através de “contas fantasma” (conta em nome de pessoas que não existem) e de “laranjas” (pessoas que emprestam o nome para a

realização de operações), além de transferir recursos para paraísos fiscais

3ª fase INTEGRAÇÃO

Já com a aparência lícita, o dinheiro é recolocado na economia, por

exemplo, através da compra de uma empresa já existente, pela aquisição

de empreendimento imobiliário, com o pagamento de serviços de difícil

mensuração etc.

(6)

ATENÇÃO! O Supremo Tribunal Federal (STF) entende que não é necessária a ocorrência das três

fases para que o crime de lavagem de dinheiro se consume.

Assim, basta que ocorra pelo menos uma das fases para que fique configurado o crime de lavagem de dinheiro!

Vamos conferir o julgado?

LAVAGEM DE DINHEIRO E OCULTAÇÃO

O simples depósito, em conta corrente alheia, de valores provenientes de crime praticado contra a administração pública consubstancia, em tese, a figura do inciso I, do § 1º do art. 1º da Lei 9.613/98 - lei da lavagem de dinheiro ("incorre na mesma pena quem, para ocultar ou dissimular a utilização de bens, direitos ou valores provenientes de qualquer dos crimes antecedentes referidos neste artigo: I - os converte em ativos lícitos;"). Com esse entendimento, a Turma negou provimento a recurso ordinário em habeas corpus em que se alegava ausência de justa causa em decorrência da simplicidade da conduta do paciente - sem a complexidade das operações internacionais para reintegrar o produto do crime -, e da pequena quantia envolvida.

RHC 80.816-SP, rel. Min. Sepúlveda Pertence, 10.4.2001.(RHC-80816) – Presente no Informativo nº 223

Uma questão:

(FUNCAB – PC/PA – 2016 – Adaptada) Relativamente à legislação sobre lavagem de capitais (Lei n. 9.613/98), julgue o item abaixo.

A fase de layering, ou dissimulação, na lavagem de dinheiro, é aquela em que se busca dar aos recursos financeiros a aparência de legítimos, à qual se sucede a fase de integração (integration).

RESOLUÇÃO:

Perfeito! A fase de dissimulação é aquela em que ocorrem várias transações financeiras com o objetivo de dar aparência lícita ao dinheiro sujo. A fase que a sucede é a integração, como diz a afirmativa.

Item correto.

Uma questão para você fixar o conteúdo:

(FGV – OAB/II – 2010 – Adaptada) Relativamente à legislação sobre lavagem de capitais (Lei n. 9.613/98), julgue o item abaixo.

O crime de lavagem só ocorre quando os bens, direitos ou valores provenientes, direta ou indiretamente, de um dos crimes antecedentes completam todo o processo de lavagem (ocultação, dissimulação e integração).

RESOLUÇÃO:

Item incorreto, pois basta a ocorrência de uma das fases para que haja a consumação do crime de lavagem de dinheiro.

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Vamos a uma questão?

(FUNDATEC – PC/RS – 2018) A respeito das condutas incriminadas pela Lei nº 9.613/1998, denominada Lei de Lavagem de Dinheiro, julgue o item a seguir:

O crime de lavagem de bens, direitos ou valores é composto por três fases: a colocação (placement), a ocultação (layering) e a integração (integration), devendo todas estarem configuradas para o enquadramento da conduta na figura criminosa.

RESOLUÇÃO:

De fato, o crime de lavagem de dinheiro é composto pelas três fases do enunciado.

Contudo, para o STF, basta que ocorra pelo menos uma das fases para que fique configurado o crime de lavagem de dinheiro!

Item incorreto.

Dos Crimes de "Lavagem" ou Ocultação de Bens, Direitos e Valores

Ao tipificar o crime em questão, o legislador brasileiro optou pelo termo “crimes de lavagem ou ocultação de bens, direitos e valores”, previsto na Lei nº 9.613/98, a qual sofreu recentemente importantes alterações feitas

pela Lei nº 12.683/2012.

Agora, quero que você confira comigo o tipo objetivo do crime de “lavagem de dinheiro”:

Art. 1o Ocultar ou dissimular a natureza, origem, localização, disposição, movimentação ou propriedade de bens, direitos ou valores provenientes, direta ou indiretamente, de infração penal. (Redação dada pela Lei nº 12.683, de 2012)

Pena: reclusão, de 3 (três) a 10 (dez) anos, e multa. (Redação dada pela Lei nº 12.683, de 2012)

Infrações Penais Antecedentes

Como visto na introdução, o crime de Lavagem de Dinheiro é acessório (ou parasitário), pois ele pressupõe uma infração penal antecedente que seja capaz de produzir renda.

Todo e qualquer

CRIME ou CONTRAVENÇÃO PENAL que gere bens ou valores ilícitos pode ser

considerado infração penal antecedente ao delito de lavagem.

Com as alterações promovidas em 2012, pode figurar como infração penal antecedente da lavagem, por ex., o crime de roubo ou até mesmo a contravenção do jogo do bicho!

Não se esqueça: a infração penal deve produzir bens, direitos ou valores passíveis de lavagem!

(8)

Seria possível processar e condenar o sujeito por lavagem de dinheiro antes mesmo do julgamento do crime antecedente?

SIM, caro/a aluno/a!

O processo e o julgamento do crime de lavagem de dinheiro independem do processo e julgamento da infração antecedente!

Isso quer dizer que o juiz não precisa aguardar a sentença penal condenatória transitada em julgado na infração penal antecedente para receber a denúncia do crime de lavagem de dinheiro.

Contudo, são necessários indícios suficientes da prática de infração penal antecedente:

Art. 2º O processo e julgamento dos crimes previstos nesta Lei:

II - INDEPENDEM do processo e julgamento das infrações penais antecedentes, ainda que praticados em outro país, cabendo ao juiz competente para os crimes previstos nesta Lei a decisão sobre a unidade de processo e julgamento;

São exemplos de indícios da prática de infração penal antecedente: comprovação por exame microscópico de presença de cocaína nas cédulas em poder do agente apreendidas; constatação de patrimônio incompatível com a declaração de rendimentos, além de comprovação de envolvimento com tráfico de drogas etc.

Quer ver uma questão sobre o assunto?

Infração Penal Antecedente

Crime

Contravenção

Peço atenção total

neste momento!

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(IBFC – MP/SP – 2013) Nos termos do artigo 1o da “Lei de Lavagem de Dinheiro” (Lei Federal n° 9.613/98), para que se configure o crime de “ocultação de bens, direitos ou valores”, é imprescindível que estes sejam direta ou indiretamente, provenientes de:

a) Tráfico ilícito de substâncias entorpecentes ou drogas afins, exclusivamente.

b) Contrabando, apenas.

c) Qualquer infração penal.

d) Crimes praticados por organização criminosa, somente.

e) Crimes praticados contra o sistema financeiro nacional, somente.

RESOLUÇÃO:

Amigo/a, esta informação é valiosa para a sua prova: todo e qualquer CRIME ou CONTRAVENÇÃO PENAL que gere bens ou valores ilícitos pode ser considerado infração penal antecedente ao delito de lavagem!

Resposta: c)

Vamos a mais uma questão?

(FCC – SEFAZ/PE – 2015) Sobre o crime de lavagem de dinheiro, julgue o item abaixo.

A Lei no 9.613/1998 permitiu o reconhecimento do crime de lavagem de dinheiro, quaisquer que sejam os crimes antecedentes dos quais resultem os ativos.

RESOLUÇÃO:

Todo e qualquer CRIME ou CONTRAVENÇÃO PENAL que gere bens ou valores ilícitos pode ser considerado infração penal antecedente ao delito de lavagem!

Item correto.

Objeto Material

No âmbito do Direito Penal, costumamos dizer que o objeto material do crime é a pessoa ou coisa sobre a qual recai a conduta delituosa.

Em relação aos crimes de lavagem de dinheiro, o objeto material são os bens, direitos ou valores,

provenientes direta ou indiretamente, da infração penal antecedente!

(10)

Condutas

As condutas são

ocultar ou dissimular

determinados dados do objeto material do crime de lavagem de dinheiro (dos bens, dos direitos ou dos valores):

→ Natureza (a sua essência ou seus atributos),

→ Origem (de onde são provenientes),

Localização (o local onde eles se encontram),

Disposição (como foram empregado),

Movimentação (transferência)

Propriedade (a sua titularidade)

E o que significa, exatamente, os verbos ocultar e dissimular?

OCULTAR : esconder; tirar de circulação.

Exemplos: depositar valores em conta no exterior, não declarada; utilização de pessoas interpostas

“para ocultar dinheiro proveniente de crime” – os laranjas.

DISSIMULAR: disfarçar; tornar pouco perceptível.

Exemplo: utilização de empresa de fachada.

ATENÇÃO! Estamos diante de um crime de ação múltipla ou tipo misto alternativo.

A prática de duas condutas descritas no tipo (ocultar e dissimular), no mesmo contexto, não gera concursos de crimes, ou seja, o agente vai responder por apenas um crime.

Se o Fulano oculta a origem do dinheiro obtido pelo tráfico de drogas, colocando em uma conta no exterior e depois dissimula por meio da utilização de uma empresa de fachada, ele cometerá apenas

um crime!

Jurisprudência dos Tribunais Superiores

Bom, vimos que para que o crime de lavagem de dinheiro se configure, é necessário que o agente oculte ou dissimule determinados dados do objeto material.

Dessa forma, o STJ já decidiu que não há lavagem de dinheiro:

Sem ocultação ou dissimulação, como nos casos em que o agente, com o produto do crime, compra

imóvel em seu próprio nome e passa a residir nele, ou deposita a grana “suja” em uma conta de sua

titularidade (STJ, Ação Penal nº 458, Dipp, CE, m., 16/09/2009),

Com o mero proveito econômico do produto do crime,

quando o agente usufrui do dinheiro “sujo”

pagando contas ou gastando em viagens e restaurantes (STJ, Ação Penal nº 458, Dipp, CE, m., 16/09/2009).

(11)

Confira esta questão:

(FGV – BANESTES – 2018 - Adaptada) Analise as três situações a seguir.

I. Clara, para ocultar a utilização de bens provenientes de infração penal de receptação, os converte em ativos lícitos.

II. Joana, para dissimular a disposição de bens provenientes de crime anterior praticado por terceiro, os adquire e, posteriormente, troca aqueles bens.

III. Paloma oculta a origem de direitos provenientes indiretamente de infração penal de peculato.

De acordo com as previsões do Art. 1º da Lei nº 9.613/98, é correto afirmar que configura(m) crime de “lavagem”

ou ocultação de bens, direitos e valores, a(s) conduta(s) de:

a) Clara, Joana e Paloma;

b) Clara e Joana, apenas;

c) Clara, apenas;

d) Joana, apenas;

e) Paloma, apenas.

RESOLUÇÃO:

As condutas das três criminosas podem ser enquadradas no crime de lavagem de dinheiro:

I. Clara, para ocultar a utilização de bens provenientes de infração penal de receptação, os converte em ativos lícitos.

II. Joana, para dissimular a disposição de bens provenientes de crime anterior praticado por terceiro, os adquire e, posteriormente, troca aqueles bens.

III. Paloma oculta a origem de direitos provenientes indiretamente de infração penal de peculato.

Confere aí o tipo objetivo do crime de lavagem de capitais:

Art. 1o Ocultar ou dissimular a natureza, origem, localização, disposição, movimentação ou propriedade de bens, direitos ou valores provenientes, direta ou indiretamente, de infração penal.

Pena: reclusão, de 3 (três) a 10 (dez) anos e multa.

Consumação e Tentativa

Os delitos de lavagem de dinheiro já se consumam no momento em que o agente pratica uma conduta que envolva ocultar ou dissimular a natureza, origem, localização, disposição, movimentação ou propriedade do bem, direto ou valor.

ATENÇÃO!

Mais uma vez: não é preciso que o agente cumpra todas as etapas da lavagem

(“colocação, ocultação e integração”), para que o crime de lavagem de dinheiro seja consumado.

Como vimos no início da aula, o crime pode se consumar com a mera colocação em instituições

financeiras.

(12)

Dessa forma, a primeira transferência de valores oriundos do tráfico de entorpecentes é conduta que já configura o crime de lavagem de capitais, ainda que o sujeito realize inúmeras outras transações bancárias.

Em tese, é cabível a tentativa nos crimes de lavagem de dinheiro, a qual será punida de acordo com o estabelecido no nosso Código Penal:

Art. 1º, § 3º A tentativa é punida nos termos do parágrafo único do art. 14 do Código Penal.

Código Penal. Art. 14 - Diz-se o crime:

Crime consumado

I - consumado, quando nele se reúnem todos os elementos de sua definição legal;

Tentativa

II - tentado, quando, iniciada a execução, não se consuma por circunstâncias alheias à vontade do agente.

Pena de tentativa

Parágrafo único - Salvo disposição em contrário, pune-se a tentativa com a pena correspondente ao crime consumado, DIMINUÍDA DE UM A DOIS TERÇOS.

Como poderia ocorrer a tentativa nos crimes de lavagem de dinheiro?

Veja só um exemplo:

Joselito, logo após receber R$ 100.000,00 de um resgate resultado de um delito de extorsão

mediante sequestro, é pego em flagrante no momento em que tentava depositar os valores na conta

de Malaquias, o "laranja".

(13)

Veja que o crime não se consumou, pois o ato de ocultar/dissimular os dados do valor nem chegou a se concretizar. Contudo, será punida a tentativa de lavagem de dinheiro com a diminuição de 1/3 a 2/3 da pena correspondente ao crime consumado!

Jurisprudência dos Tribunais Superiores

Para o STF, a lavagem de dinheiro na modalidade ocultar é crime permanente!

Crime permanente é aquele cuja consumação se prolonga no tempo, por vontade do agente.

Por que é importante saber disso?

Para estabelecermos o início da contagem do prazo de prescrição, que só ocorrerá após a cessação da ofensa ao bem jurídico. No caso lavagem na modalidade “ocultar”, a contagem do prazo prescricional só tem começo quando as autoridades tomam conhecimento da conduta do agente, ou seja, quando o objeto material da lavagem não é mais oculto.

Veja só como o STF decidiu:

O delito de lavagem de bens, direitos ou valores (“lavagem de dinheiro”), previsto no art. 1º da Lei nº 9.613/98, quando praticado na modalidade de ocultação, tem natureza de crime permanente. A característica básica dos delitos permanentes está na circunstância de que a execução desses crimes não se dá em um momento definido e específico, mas em um alongar temporal. Quem oculta e mantém oculto algo, prolonga a ação até que o fato se torne conhecido. Assim, o prazo prescricional somente tem início quando as autoridades tomam conhecimento da conduta do agente. STF. 1ª Turma. AP 863/SP, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 23/5/2017 (Info 866).

TENTATIVA

em Lavagem de Dinheiro É POSSÍVEL!

Pena do Crime Consumado +

Diminuição de 1/3 a 2/3

(14)

Vamos a uma questão:

(FGV – BANESTES – 2018 – Adaptada) A Lei nº 9.613, de 3 de março de 1998, que sofreu profundas

alterações com a Lei nº 12.683/12, dispõe sobre os crimes de “lavagem” ou ocultação de bens, direitos

e valores, além da prevenção da utilização do sistema financeiro para os ilícitos previstos nesse mesmo diploma legal. Alguns dos bens jurídicos protegidos pelos ilícitos penais previstos na Lei são Estado, coletividade e, de maneira secundária, eventual particular prejudicado.

Com base nas previsões da legislação penal supramencionada, é correto afirmar que:

O crime de “lavagem” ou ocultação de bens, direitos e valores não é punível na forma tentada, ou seja, quando não se consuma por circunstâncias alheias à vontade do agente.

RESOLUÇÃO:

Os crimes de lavagem de dinheiro podem ser perfeitamente punidos na forma tentada, quando não há a sua consumação por circunstâncias alheias à vontade do agente:

Art. 1º, § 3º A tentativa é punida nos termos do parágrafo único do art. 14 do Código Penal.

Item incorreto.

Tipos Derivados

Os §§ 1º e 2º do art. 1º da Lei de Lavagem de Dinheiro punem algumas ações derivadas da ocultação ou da dissimulação dos bens, direitos ou valores, com a mesma pena de 3 a 10 anos de reclusão + multa:

Art. 1º § 1o Incorre na mesma pena quem, para ocultar ou dissimular a utilização de bens, direitos ou valores provenientes de infração penal: (Redação dada pela Lei nº 12.683, de 2012)

I - os converte em ativos lícitos;

II - os adquire, recebe, troca, negocia, dá ou recebe em garantia, guarda, tem em depósito, movimenta ou transfere;

III - importa ou exporta bens com valores não correspondentes aos verdadeiros.

§ 2o Incorre, ainda, na mesma pena quem: (Redação dada pela Lei nº 12.683, de 2012)

I - utiliza, na atividade econômica ou financeira, bens, direitos ou valores provenientes de infração penal; (Redação dada pela Lei nº 12.683, de 2012)

II - participa de grupo, associação ou escritório tendo conhecimento de que sua atividade principal ou secundária é dirigida à prática de crimes previstos nesta Lei.

(15)

Conversão em Ativos Lícitos (§1º, inciso I)

Aqui, temos a conduta transformar ativos ilícitos em patrimônio legítimo, podendo abranger todo tipo de bens, valores, direitos, créditos e semelhantes que formam o patrimônio de uma pessoa física ou jurídica.

Quer exemplos? Compra e venda em bolsas de mercadorias, aquisição de ativos ou de instrumentos monetários, criação de empresas de "fachada", aquisição de joias, pedras, metais preciosos, objetos de arte e antiguidades etc.

Receptação do produto da infração penal antecedente (§1º, inciso II)

Pune-se a figura do receptador de bens, direitos ou valores provenientes de infração penal, que os adquire, recebe, troca, negocia, dá ou recebe em garantia, guarda, tem em depósito, movimenta ou transfere com o objetivo de ocultar ou dissimular sua origem ilícita.

Exemplo: é punido com as mesmas penas o terceiro que recebe o bem e o guarda para conservação em benefício ao agente que cometeu a lavagem.

Superfaturamento ou subfaturamento em importação ou exportação (§1º, inciso III)

Ao superfaturar ou subfaturar a importação/exportação, o agente na verdade quer ocultar a origem do lucro ilícito que veio do crime antecedente, ao mesmo tempo em esses valores são inseridos no sistema financeiro.

Veja só como isso pode ser feito: para lavar o dinheiro, Marquinhos importa de uma empresa da Espanha uma televisão que custa 2.000 euros, mas alega que custou 15.000 euros. Marquinhos está incidindo no

superfaturamento da importação.

Ele pode também subfaturar, dizendo que a mercadoria custou 2.000 euros, quando na realidade ela lhe custou 12.000 euros.

Utilização do produto da lavagem na atividade econômica ou financeira (§2º, inciso I)

Temos aqui o caso do sujeito que aplica em atividade econômica ou financeira bens, direitos ou valores

provenientes de infração penal.

(16)

Associação para fins de lavagem de capitais (§2º, inciso II)

Há também punição da conduta do agente que participa de grupo, associação ou escritório e que sabem que estes, de alguma forma, praticam atos relacionados à lavagem de dinheiro.

Temos, nesse caso, uma forma específica de associação criminosa!

É o caso do advogado de uma empresa que sabe do crime de lavagem de dinheiro cometido pelos diretores

– ele responderá por associação para fins de lavagem de capitais, ainda que não pratique

diretamente nenhuma das condutas desse crime!

Vamos resolver esta questão:

(

FGV – BANESTES – 2018 – Adaptada) A Lei nº 9.613, de 3 de março de 1998, que sofreu profundas alterações com a Lei nº 12.683/12, dispõe sobre os crimes de “lavagem” ou ocultação de bens, direitos e valores, além da prevenção da utilização do sistema financeiro para os ilícitos previstos nesse mesmo diploma legal. Alguns dos bens jurídicos protegidos pelos ilícitos penais previstos na Lei são Estado, coletividade e, de maneira secundária, eventual particular prejudicado.

Com base nas previsões da legislação penal supramencionada, é correto afirmar que:

Aquele que participa de associação em que a atividade apenas secundária é dirigida à prática de crimes previstos na Lei nº 9.613/98, ainda que tenha conhecimento dessa situação, não será responsabilizado com as penas do crime de “lavagem” ou ocultação de bens, direitos e valores.

RESOLUÇÃO:

Item incorreto.

Ainda que o sujeito participe de associação em que a lavagem de dinheiro constitui apenas atividade secundária, sobre ele recairá a responsabilização com as mesmas penas do crime de lavagem ou ocultação de bens, direitos e valores:

Art. 1º (...), § 2º Incorre, ainda, na mesma pena quem:

I - utiliza, na atividade econômica ou financeira, bens, direitos ou valores provenientes de infração penal;

II - participa de grupo, associação ou escritório tendo conhecimento de que sua atividade principal ou secundária é dirigida à prática de crimes previstos nesta Lei.

(17)

Elemento Subjetivo

Existe o crime de lavagem de dinheiro culposo, em que o agente oculta ou dissimula algum dado do objeto material do crime sem a intenção de praticá-lo?

NÂO! O crime de lavagem de capitais só é punido a título de dolo!

Grave isto:

Pena e Causas de Aumento de Pena

Veja qual é a pena em abstrato prevista para o crime de lavagem de dinheiro:

Art. 1º Ocultar ou dissimular a natureza, origem, localização, disposição, movimentação ou propriedade de bens, direitos ou valores provenientes, direta ou indiretamente, de infração penal.

Pena: reclusão, de 3 (três) a 10 (dez) anos, e multa.

Não bastasse isso, a Lei de Lavagem de Dinheiro ainda nos trouxe causas que fazem a pena aumentar de

um a dois terços:

Art. 1º, § 4º A pena será aumentada de um a dois terços, se os crimes definidos nesta Lei forem cometidos de forma reiterada ou por intermédio de organização criminosa.

NÃO existe crime de lavagem de dinheiro

CULPOSO!

Pena

RECLUSÃO

3 a 10 anos

MULTA

(18)

Veja quais são as hipóteses que fazem aumentar a pena:

Crime de lavagem de dinheiro praticado de forma reiterada

Significa dizer que o agente pratica constantemente o delito, que faz da lavagem de capitais a sua profissão (qualquer semelhança com alguns políticos

2

é mera coincidência, rs).

Crime de lavagem de dinheiro praticado por intermédio de organização criminosa

Configura-se a organização criminosa quando o agente se associa a mais 3 pessoas para praticarem, de forma organizada, o crime de lavagem de dinheiro;

Lei 12.850/2013. Art. 1º, §1º Considera-se organização criminosa a associação de 4 (quatro) ou mais pessoas estruturalmente ordenada e caracterizada pela divisão de tarefas, ainda que informalmente, com objetivo de obter, direta ou indiretamente, vantagem de qualquer natureza, mediante a prática de infrações penais cujas penas máximas sejam superiores a 4 (quatro) anos, ou que sejam de caráter transnacional.

Questão para você:

(VUNESP – Prefeitura de Porto Ferreira/SP – 2017 - Adaptada) Sobre os crimes e institutos previstos na Lei de Lavagem de Dinheiro, julgue o item abaixo.

A pena será aumentada de 3/5 até a metade, se os crimes previstos na lei forem cometidos de forma reiterada ou por intermédio de organização criminosa.

RESOLUÇÃO:

2 Não vamos generalizar: existe muita gente boa por aí!

A pena é aumentada de 1/3 a 2/3 se os crimes da

Lei de Lavagem de Dinheiro forem cometidos

De forma

REITERADA

Por intermédio de

ORGANIZAÇÃO

CRIMINOSA

(19)

Bom, de fato haverá o aumento da pena se os crimes previstos na Lei de Lavagem de Dinheiro forem cometidos de forma reiterada ou por intermédio de organização criminosa.

Contudo, o aumento previsto é

de 1/3 a 2/3!

Cuidado!

Art. 1º, § 4º A pena será aumentada de um a dois terços, se os crimes definidos nesta Lei forem cometidos de forma reiterada ou por intermédio de organização criminosa.

Item incorreto.

Vamos a uma questão:

(CESPE – PC/MA – 2018 – Adaptada) Determinada pessoa ocultou a origem de bens provenientes diretamente de infração penal. Provado o crime de ocultação, foi instaurada ação penal contra essa pessoa com fundamento nos dispositivos da Lei n.º 9.613/1998, que dispõe sobre os crimes de lavagem ou ocultação de bens, direitos e valores.

Nessa situação hipotética, conforme a lei nela referida, julgue o item abaixo:

Cumulativamente à penalidade de reclusão, poderá o juiz aplicar multa ao agente, desde que a infração penal tenha sido praticada contra o erário público.

RESOLUÇÃO:

Negativo! A pena de multa será aplicada em conjunto com a pena de reclusão, não havendo a condicionante de que a infração tenha sido praticada contra o erário público.

A banca “viajou” ...

Art. 1º Ocultar ou dissimular a natureza, origem, localização, disposição, movimentação ou propriedade de bens, direitos ou valores provenientes, direta ou indiretamente, de infração penal.

Pena: reclusão, de 3 (três) a 10 (dez) anos, E multa.

Item incorreto.

Colaboração (ou Delação) Premiada

A Lei de Lavagem de Capitais confere alguns benefícios àquele que contribui de forma positivamente com a investigação e com o processo criminal, incluindo aí a delação de outros autores, revelando que recebeu ajudas de outras pessoas para a prática do crime:

Art. 1º, § 5º A pena poderá ser reduzida de um a dois terços e ser cumprida em regime aberto ou semiaberto, facultando-se ao juiz deixar de aplicá-la ou substituí-la, A QUALQUER TEMPO, por pena restritiva de direitos, se o autor, coautor ou partícipe colaborar espontaneamente com as autoridades, prestando esclarecimentos que conduzam à apuração das infrações penais, à identificação dos autores, coautores e partícipes, ou à localização dos bens, direitos ou valores objeto do crime.

(20)

Assim, se o agente colaborar prestando esclarecimentos que conduzam à apuração das infrações penais, à identificação dos autores, coautores e partícipes, ou à localização dos bens, direitos ou valores objeto do crime, ele poderá ser beneficiado com a/o:

Redução de 1/3 a 2/3 da pena + cumprimento em regime aberto ou semiaberto

Perdão judicial

Ou seja, o juiz vai deixar de aplicar a pena e se extingue a punibilidade do agente. Obviamente é o benefício que todos esperam, rsrs.

Substituição da pena privativa de liberdade por pena restritiva de direitos (a qualquer tempo)

ATENÇÃO!

A colaboração poderá ocorrer inclusive na execução da pena, já que a lei permite a substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos a qualquer tempo.

Dessa forma, Marcolino poderá colaborar com as autoridades, quando já estiver cumprindo sua pena privativa de liberdade, identificando os outros autores do crime de lavagem de dinheiro, tendo como consequência a substituição de sua estadia na penitenciária por uma pena restritiva de direitos, como a prestação de serviços à comunidade.

Veja:

(CESPE – TCE/ES – 2012) Com base no que dispõe o Código Penal (CP) e na interpretação doutrinária da legislação penal, julgue o item seguinte.

Considere que Jonas, servidor público, tenha dissimulado a natureza, a origem e a propriedade de bens oriundos de infração penal e que, descoberto, tenha manifestado interesse em exercer a colaboração criminal premiada.

Nesse caso, as práticas mencionadas caracterizam crime de lavagem de dinheiro, podendo a colaboração premiada ser exercida a qualquer tempo.

RESOLUÇÃO:

Primeiramente, é interessante dizer que a conduta de Jonas consistente em dissimular a natureza, a origem e a propriedade de bens oriundos de infração penal já configura o crime de lavagem de dinheiro.

Além disso, a colaboração de Jonas poderá ser exercida a qualquer tempo, inclusive na fase de cumprimento de pena:

Art. 1º, § 5º A pena poderá ser reduzida de um a dois terços e ser cumprida em regime aberto ou semiaberto, facultando-se ao juiz deixar de aplicá-la ou substituí-la, A QUALQUER TEMPO, por pena restritiva de direitos, se o autor, coautor ou partícipe colaborar espontaneamente com as autoridades, prestando esclarecimentos que conduzam à apuração das infrações penais, à identificação dos autores, coautores e partícipes, ou à localização dos bens, direitos ou valores objeto do crime.

Item correto.

(21)

Mais uma questão para você:

(VUNESP – Prefeitura de Porto Ferreira/SP – 2017 – Adaptada) Sobre os crimes e institutos previstos na Lei de Lavagem de Dinheiro, assinale a alternativa correta.

Não há possibilidade de redução de pena ou fixação de regime menos gravoso se o autor, coautor ou partícipe colaborar espontaneamente com as autoridades, prestando esclarecimentos que conduzam à apuração das infrações penais, à identificação dos autores, coautores e partícipes, ou à localização dos bens, direitos ou valores objeto do crime.

RESOLUÇÃO:

Epa! Acabamos de ver que o agente que colaborar espontaneamente com as autoridades poderá receber como benefício a redução da pena ou a fixação de regime menos gravoso:

Art. 1º, § 5º A pena poderá ser reduzida de um a dois terços e ser cumprida em regime aberto ou semiaberto, facultando-se ao juiz deixar de aplicá-la ou substituí-la, a qualquer tempo, por pena restritiva de direitos, se o autor, coautor ou partícipe colaborar espontaneamente com as autoridades, prestando esclarecimentos que conduzam à apuração das infrações penais, à identificação dos autores, coautores e partícipes, ou à localização dos bens, direitos ou valores objeto do crime.

Item incorreto.

Competência

Qual o juízo competente para julgar os crimes de lavagem de dinheiro?

Art. 2º O processo e julgamento dos crimes previstos nesta Lei:

III – são da competência da Justiça Federal:

a) Quando praticados contra o sistema financeiro e a ordem econômico-financeira, ou em detrimento de bens, serviços ou interesses da União, ou de suas entidades autárquicas ou empresas públicas;

b) Quando a infração penal antecedente for de competência da Justiça Federal.

Com a leitura do artigo podemos tirar uma importante conclusão:

Em regra, a competência para julgar o crime de lavagem de capitais é da Justiça Estadual Excepcionalmente, a competência é da Justiça Federal quando:

→ A lavagem for praticada contra o sistema financeiro nacional e a ordem econômico- financeira

→ A lavagem for praticada em detrimento de bens, serviços ou interesses da União, ou de suas entidades autárquicas ou empresas públicas;

→ A infração penal antecedente for de competência da Justiça Federal.

(22)

Veja uma questão:

(CESPE – DPF – 2013) No que se refere aos crimes de lavagem de dinheiro, julgue o item subsecutivo com base no direito processual penal.

Compete à justiça federal processar e julgar os acusados da prática de crimes de lavagem de dinheiro, uma vez que a repressão a esses crimes é imposta por tratado internacional.

RESOLUÇÃO:

Item incorreto! Em regra, o crime de lavagem de dinheiro será processado e julgado pela justiça comum estadual, sendo determinada a competência da Justiça Federal em casos específicos:

III – são da competência da Justiça Federal:

a) Quando praticados contra o sistema financeiro e a ordem econômico-financeira, ou em detrimento de bens, serviços ou interesses da União, ou de suas entidades autárquicas ou empresas públicas;

b) Quando a infração penal antecedente for de competência da Justiça Federal.

Efeitos da Condenação

Além dos efeitos da condenação já estabelecidos pelo Código Penal, a Lei de Lavagem de Capitais nos trouxe alguns efeitos específicos resultantes da condenação daquele que cometeu crime de lavagem de dinheiro:

Art. 7º São efeitos da condenação, além dos previstos no Código Penal:

I - a perda, em favor da União - e dos Estados, nos casos de competência da Justiça Estadual -, de todos os bens, direitos e valores relacionados, direta ou indiretamente, à prática dos crimes previstos nesta Lei, inclusive aqueles utilizados para prestar a fiança, ressalvado o direito do lesado ou de terceiro de boa-fé; (Redação dada pela Lei nº 12.683, de 2012;

II - a interdição do exercício de cargo ou função pública de qualquer natureza e de diretor, de membro de conselho de administração ou de gerência das pessoas jurídicas referidas no art. 9º, pelo dobro do tempo da pena privativa de liberdade aplicada.

§ 1o A União e os Estados, no âmbito de suas competências, regulamentarão a forma de destinação dos bens, direitos e valores cuja perda houver sido declarada, assegurada, quanto aos processos de competência da Justiça Federal, a sua utilização pelos órgãos federais encarregados da prevenção, do combate, da ação penal e do julgamento dos crimes previstos nesta Lei, e, quanto aos processos de competência da Justiça Estadual, a preferência dos órgãos locais com idêntica função. (Incluído pela Lei nº 12.683, de 2012)

§ 2o Os instrumentos do crime sem valor econômico cuja perda em favor da União ou do Estado for decretada serão INUTILIZADOS ou DOADOS a museu criminal ou a entidade pública, se houver interesse na sua conservação.

(23)

Podemos esquematizar da seguinte maneira:

Resolva esta questão:

(CESPE – BACEN – 2013) No que se refere à aplicação do direito penal no tempo e no espaço aos diversos crimes previstos em leis extravagantes, julgue o item subsecutivo.

Consoante a Lei nº 9.613/1998, que dispõe sobre os crimes de lavagem e ocultação de bens, direitos e valores, deverá ser decretada, em favor da União, a perda dos bens, direitos e valores objeto de crime de lavagem e ocultação de bens, sem qualquer ressalva.

RESOLUÇÃO:

Item incorreto. A lei ressalva expressamente o direito do lesado e o de terceiros de boa-fé:

Art. 7º São efeitos da condenação, além dos previstos no Código Penal:

I - a perda, em favor da União - e dos Estados, nos casos de competência da Justiça Estadual -, de todos os bens, direitos e valores relacionados, direta ou indiretamente, à prática dos crimes previstos nesta Lei, inclusive aqueles utilizados para prestar a fiança, ressalvado o direito do lesado ou de terceiro de boa-fé;

Quer ver uma questão?

(VUNESP – PGM de Cerquilho/SP – 2019 – Adaptada) Julgue o item abaixo.

Nos crimes de lavagem ou ocultação de bens, direito e valores, é efeito da condenação, por dois terços do tempo da pena privativa de liberdade aplicada, a interdição do exercício de cargo ou função pública de qualquer natureza e de diretor das pessoas jurídicas que tenham, em caráter permanente, como atividade principal a captação, intermediação e aplicação de recursos financeiros de terceiros, em moeda nacional ou estrangeira.

RESOLUÇÃO:

Lavag em de Di nhei ro - EF EI T O S DA CONDENA ÇÃ O

Perda em favor da União (ou dos Estados), ressalvado direito de

terceiros de boa-fé

dos

INSTRUMENTOS do crime

se sem valor econômico

INUTILIZADOSou DOADOSa museu criminal ou entidade

pública

do PRODUTO ou PROVEITO do crime

Interdição para exercício do cargo ou função pública(atingindo alguns cargos e funções na iniciativa privada)

pelo DOBRO da pena

aplicada

(24)

Na realidade, o período de interdição corresponderá ao dobro da pena privativa de liberdade aplicada.

Art. 7º São efeitos da condenação, além dos previstos no Código Penal:

I - a perda, em favor da União - e dos Estados, nos casos de competência da Justiça Estadual -, de todos os bens, direitos e valores relacionados, direta ou indiretamente, à prática dos crimes previstos nesta Lei, inclusive aqueles utilizados para prestar a fiança, ressalvado o direito do lesado ou de terceiro de boa-fé;

II - a interdição do exercício de cargo ou função pública de qualquer natureza e de diretor, de membro de conselho de administração ou de gerência das pessoas jurídicas referidas no art. 9º, pelo dobro do tempo da pena privativa de liberdade aplicada.

Item incorreto.

Aspectos Processuais

A Lei de Lavagem de Dinheiro determina que o processo relativo ao crime de lavagem de capitais seguirá procedimento comum dos crimes punidos com reclusão, da competência do juiz singular:

Art. 2º O processo e julgamento dos crimes previstos nesta Lei:

I – obedecem às disposições relativas ao procedimento comum dos crimes punidos com reclusão, da competência do juiz singular;

Vamos relembrar o rito do procedimento comum ordinário?

O Ministério Público oferece a denúncia

Juiz analisa se recebe ou rejeita a denúncia

se receber a denúncia, ele determina a citação do acusado para responder à acusação, por escrito, no prazo de 10 dias

a citação do acusado é feita, em regra, pessoalmente através de um mandado de citação cumprido pelo Oficial de Justiça.

E se o réu não for encontrado para ser citado pessoalmente, tendo se esgotado todos os meios disponíveis para encontrá-lo? Nesse cenário, o réu será citado por edital, com o prazo de 15 dias e, se o acusado não comparece, nem constitui advogado, suspende-se o processo e o curso do prazo prescricional:

CÓDIGO DE PROCESSO PENAL. Art. 366. Se o acusado, citado por edital, não comparecer, nem constituir advogado, ficarão suspensos o processo e o curso do prazo prescricional, podendo o juiz determinar a produção antecipada das provas consideradas urgentes e, se for o caso, decretar prisão preventiva, nos termos do disposto no art. 312).

Contudo, a situação é outra nos casos de crime de lavagem de dinheiro:

Nos casos de citação por edital, quando o acusado não comparecer ou não constituir advogado, o processo relativo a crime de lavagem de dinheiro

NÃO SERÁ SUSPENSO

e

prosseguirá normalmente até o julgamento, com nomeação de um defensor dativo para fazer a defesa técnica.

É isso aí! Não se aplica a suspensão do processo nos crimes de lavagem de dinheiro! Perceba que o réu é

tratado de forma mais rigorosa, pois o processo correrá contra ele e o juiz nomeará um defensor para fazer a sua

defesa técnica.

(25)

Confere comigo:

Art. 2º, § 2º No processo por crime previsto nesta Lei, não se aplica o disposto no art. 366 do Decreto-Lei nº 3.689, de 3 de outubro de 1941 (Código de Processo Penal), devendo o acusado que não comparecer nem constituir advogado ser citado por edital, prosseguindo o feito até o julgamento, com a nomeação de defensor dativo.

Não se exige que haja a condenação pela infração antecedente para que o sujeito seja processado pelo

crime de lavagem de dinheiro.

Art. 2º O processo e julgamento dos crimes previstos nesta Lei:

II - INDEPENDEM do processo e julgamento das infrações penais antecedentes, ainda que praticados em outro país, cabendo ao juiz competente para os crimes previstos nesta Lei a decisão sobre a unidade de processo e julgamento;

Essa informação foi vista bem no comecinho da aula.

A denúncia oferecida em face do crime de lavagem de capitais deve conter o lastro probatório mínimo da infração penal antecedente.

Art. 2º, § 1o A denúncia será instruída com indícios suficientes da existência da infração penal antecedente, sendo puníveis os fatos previstos nesta Lei, ainda que desconhecido ou isento de pena o autor, ou extinta a punibilidade da infração penal antecedente.

São exemplos de indícios da prática de infração penal antecedente: comprovação por exame microscópico de presença de cocaína nas cédulas em poder do agente apreendidas; constatação de patrimônio incompatível com a declaração de rendimentos, além de comprovação de envolvimento com tráfico de drogas etc.

Vamos a uma questão:

(CESPE – Polícia Federal – 2021) Em relação ao disposto na Lei n.º 9.613/1998, que se refere à lavagem de dinheiro, julgue o item a seguir.

Ficarão suspensos o processo e o curso do prazo prescricional do acusado citado por edital que não comparecer nem constituir advogado.

RESOLUÇÃO:

Opa! É exatamente isso, “só que do contrário”, rsrs.

Em bom português, nos casos de julgamento de crime de lavagem de dinheiro em que o acusado seja citado por edital, se ele não comparecer ou não constituir advogado, o processo NÃO SERÁ SUSPENSO e prosseguirá normalmente até o julgamento, com nomeação de um defensor dativo para fazer a defesa técnica.

Art. 2º, § 2º No processo por crime previsto nesta Lei, não se aplica o disposto no art. 366 do Decreto-Lei nº 3.689, de 3 de outubro de 1941 (Código de Processo Penal), devendo o acusado que não comparecer nem constituir advogado ser citado por edital, prosseguindo o feito até o julgamento, com a nomeação de defensor dativo.

Item incorreto.

(26)

Veja que interessante esta questão:

(CESPE – DPU – 2017) Em assalto a uma agência bancária, Lúcio conseguiu alta monta financeira. Com parte do dinheiro, ele comprou imóvel em nome próprio, tendo declarado na escritura de compra e venda valor inferior ao que foi efetivamente pago pelo imóvel. Em seguida, Lúcio vendeu o bem pelo valor de mercado, o que tornou lícito o proveito econômico do crime praticado.

Acerca dessa situação hipotética, julgue o item seguinte à luz da legislação e da doutrina pertinentes à lavagem de dinheiro e à extinção de punibilidade.

Conforme a legislação específica, para que Lúcio seja condenado pelo crime de lavagem de dinheiro, é necessário que haja condenação, ao menos em primeiro grau, pelo crime de roubo à agência bancária.

RESOLUÇÃO:

Negativo! A apuração do crime de lavagem de dinheiro é autônoma e independe do processamento da ação penal e da condenação em crime antecedente.

Contudo, a denúncia relativa ao crime de lavagem de dinheiro deve conter indícios suficientes da existência do crime de roubo à agência bancária.

Art. 2º O processo e julgamento dos crimes previstos nesta Lei:

II - independem do processo e julgamento das infrações penais antecedentes, ainda que praticados em outro país, cabendo ao juiz competente para os crimes previstos nesta Lei a decisão sobre a unidade de processo e julgamento;

§ 1o A denúncia será instruída com indícios suficientes da existência da infração penal antecedente, sendo puníveis os fatos previstos nesta Lei, ainda que desconhecido ou isento de pena o autor, ou extinta a punibilidade da infração penal antecedente.

Item incorreto.

Mais uma:

(CESPE – TJ/SC – 2019 – Adaptada) Relativamente aos crimes de lavagem de dinheiro, julgue o item abaixo.

Ao receber ação penal para o processamento de crime de lavagem de valores, de acordo com a legislação especial que trata do assunto, o juiz de direito substituto atuará corretamente no caso de suspender o processo, mas determinar a produção antecipada de provas, caso o réu, citado por edital, não compareça aos autos nem constitua advogado.

RESOLUÇÃO:

De uma vez por todas: o processo NÃO SERÁ SUSPENSO pelo juiz caso o réu, citado por EDITAL, não compareça aos autos nem constitua advogado.

O que o juiz deve fazer?

Ele vai nomear um defensor dativo ao réu e o processo prosseguirá normalmente!

Art. 2º, § 2º No processo por crime previsto nesta Lei, não se aplica o disposto no art. 366 do Decreto-Lei nº 3.689, de 3 de outubro de 1941 (Código de Processo Penal), devendo o acusado que não comparecer nem constituir advogado ser citado por edital, prosseguindo o feito até o julgamento, com a nomeação de defensor dativo.

Item incorreto.

(27)

Olha esta questão:

(FUNCAB – PC/PA – 2016) Sobre a Lavagem de Capitais, julgue o item abaixo.

Somente responde por lavagem de dinheiro quem também foi autor do crime antecedente.

RESOLUÇÃO:

Item incorreto. Não se exige que haja a condenação pela infração antecedente para que o sujeito seja processado pelo crime de lavagem de dinheiro.

Art. 2º O processo e julgamento dos crimes previstos nesta Lei:

II - INDEPENDEM do processo e julgamento das infrações penais antecedentes, ainda que praticados em outro país, cabendo ao juiz competente para os crimes previstos nesta Lei a decisão sobre a unidade de processo e julgamento;

A última do tópico:

(FGV – OAB/II – 2010 – Adaptada) Relativamente à legislação sobre lavagem de capitais (Lei n. 9.613/98), julgue o item abaixo.

O processo e julgamento dos crimes previstos na Lei n. 9613/98 dependem do processo e julgamento dos crimes antecedentes.

RESOLUÇÃO:

Item incorreto, pois você já está careca de saber que essa relação é de independência!

Medidas Assecuratórias

Antes de avançarmos, quero que você entenda que medidas assecuratórias são medidas de natureza cautelar que são deferidas pelo juiz com o objetivo de preservar o patrimônio do agente que cometeu o crime para que ele possa suportar os efeitos da condenação, como a obrigação de reparar o dano causado e indenizar a vítima, por exemplo.

Temos como exemplo de medida assecuratória o sequestro, que é a apreensão do bem comprado com o dinheiro que é fruto de infração penal.

A nossa Lei de Lavagem de Dinheiro possibilita que o juiz decrete medidas assecuratórias de bens, direitos ou valores que que também estejam em nome de interpostas pessoas, como são conhecidos os “laranjas”, utilizados pelo verdadeiro autor do crime para despistar as investigações das autoridades:

Art. 4o O juiz, de ofício, a requerimento do Ministério Público ou mediante representação do delegado de polícia, ouvido o Ministério Público em 24 (vinte e quatro) horas, havendo indícios suficientes de infração penal, poderá decretar medidas assecuratórias de bens, direitos ou valores do investigado ou acusado, ou existentes em nome de interpostas pessoas, que sejam instrumento, produto ou proveito dos crimes previstos nesta Lei ou das infrações penais antecedentes.

(28)

§ 1o Proceder-se-á à alienação antecipada para preservação do valor dos bens sempre que estiverem sujeitos a qualquer grau de deterioração ou depreciação, ou quando houver dificuldade para sua manutenção.

§ 2o O juiz determinará a liberação total ou parcial dos bens, direitos e valores quando comprovada a licitude de sua origem, mantendo-se a constrição dos bens, direitos e valores necessários e suficientes à reparação dos danos e ao pagamento de prestações pecuniárias, multas e custas decorrentes da infração penal.

§ 3o Nenhum pedido de liberação será conhecido sem o comparecimento pessoal do acusado ou de interposta pessoa a que se refere o caput deste artigo, podendo o juiz determinar a prática de atos necessários à conservação de bens, direitos ou valores, sem prejuízo do disposto no § 1o.

§ 4o Poderão ser decretadas medidas assecuratórias sobre bens, direitos ou valores para reparação do dano decorrente da infração penal antecedente ou da prevista nesta Lei ou para pagamento de prestação pecuniária, multa e custas.

Os bens que foram “tomados” do autor ou do “laranja” poderão ser liberados se ele conseguir demonstrar

que os adquiriu de forma lícita.

O pedido de liberação do bem objeto de medida assecuratória deve ser feito pessoalmente pelo acusado ou pela pessoa interposta (“laranja”).

Assim, podemos dizer que o comparecimento pessoal é uma condição de liberação dos bens!

Além da preocupação em responsabilizar os autores do crime, a Lei de Lavagem de Dinheiro também se preocupa em recuperar o dinheiro desviado para fins ilícitos, como é o caso da tão famosa Operação Lava Jato.

Para isso, também é permitida a alienação antecipada dos bens que tiverem sido objeto da medida assecuratória:

Art. 4º-A. A alienação antecipada para preservação de valor de bens sob constrição será decretada pelo juiz, de ofício, a requerimento do Ministério Público ou por solicitação da parte interessada, mediante petição autônoma, que será autuada em apartado e cujos autos terão tramitação em separado em relação ao processo principal. (Incluído pela Lei nº 12.683, de 2012)

Em muitos casos, após a sua apreensão, o bem ficava guardado e acabava se deteriorando, diminuindo o seu valor. Com a alienação antecipada, o bem é vendido e o valor ficará guardado em uma conta!

Vamos a uma questão:

(CESPE – PC/MT – 2017 – Adaptada) A respeito do crime de lavagem de dinheiro praticado ao se adquirir bens com o produto de crime antecedente, perpetrado por organização criminosa de que o agente seja integrante, julgue o item abaixo.

O juiz não poderá determinar, por iniciativa própria, a alienação antecipada de bens constritos, sob a alegação de preservação do valor desses bens.

(29)

RESOLUÇÃO:

No julgamento dos crimes de lavagem de dinheiro, é possível a alienação antecipada, ou seja, a venda antecipada de bens (móveis ou imóveis), direitos ou valores constritos em razão de medida cautelar patrimonial ou que tenham sido apreendidos, desde que haja risco de perda do valor econômico pelo decurso do tempo.

Quem são os legitimados para requerer a alienação antecipada?

→ Juiz (de ofício, por sua própria iniciativa) – o que torna a afirmativa incorreta.

→ Ministério Público,

→ Parte interessada (pode ser o próprio acusado, o terceiro interessado, o assistente de acusação)

Art. 4º-A. A alienação antecipada para preservação de valor de bens sob constrição será decretada pelo juiz, de ofício, a requerimento do Ministério Público ou por solicitação da parte interessada, mediante petição autônoma, que será autuada em apartado e cujos autos terão tramitação em separado em relação ao processo principal. (Incluído pela Lei nº 12.683, de 2012) Item incorreto.

Ação Controlada

De modo geral, quando a autoridade se depara com alguma infração penal em curso, ela deverá tomar todas

as medidas necessárias, como efetuar a prisão do agente “pego com a boca na botija”, ou seja, que se encontre

em flagrante delito.

Contudo, nem sempre é interessante que a autoridade efetue a prisão do agente que esteja praticando o delito.

Por quê?

Em alguns casos, a autoridade poderá esperar só mais um pouquinho e retardar o flagrante, aguardando o momento mais propício para a intervenção e prisão dos criminosos, pois ela pode descobrir outras pessoas envolvidas com o crime, pode reunir mais provas para incriminar o agente, para descobrir bens ilicitamente ocultos etc.

Com o intuito de não atrapalhar as investigações, a Lei de Lavagem de Dinheiro autoriza que o juiz suspenda, após a oitiva do MP:

→ Ordem de Prisão de Pessoas

→ Medidas Assecuratórias de Bens

Art. 4º-B. A ordem de prisão de pessoas ou as medidas assecuratórias de bens, direitos ou valores poderão ser suspensas pelo juiz, ouvido o Ministério Público, quando a sua execução imediata puder comprometer as investigações.

(30)

IMPORTANTE!

Em sua redação original, a Lei de Lavagem de Dinheiro não mencionava de forma expressa o uso da ação controlada, muito embora a doutrina e a jurisprudência já reconhecessem tal possibilidade pela interpretação do art. 4º-B, acima transcrito.

Agora é que vem a parte interessante:

A Lei Anticrime (Lei nº 13.964/2019) acrescentou o §6º ao art. 1º da Lei nº 9.613/98 de modo a viabilizar a utilização tanto da ação controlada quanto da infiltração de agentes no âmbito da investigação dos crimes da Lei de Lavagem de Dinheiro. Confere comigo:

Art. 1o Ocultar ou dissimular a natureza, origem, localização, disposição, movimentação ou propriedade de bens, direitos ou valores provenientes, direta ou indiretamente, de infração penal.

(...) § 6º Para a apuração do crime de que trata este artigo, admite-se a utilização da ação controlada e da infiltração de agentes. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)

Outras Disposições

A Lei nº 9.613/98 estabeleceu, por fim, outras disposições relacionadas ao crime de lavagem de capitais.

A mais importante, sem dúvidas, é a possibilidade de afastamento cautelar de servidor público INDICIADO pela prática de crime previsto na Lei de Lavagem de Dinheiro,

sem prejuízo de sua remuneração,

que continuará sendo paga durante o período em que estiver afastado de suas funções.

Art. 17-A. Aplicam-se, subsidiariamente, as disposições do Decreto-Lei nº 3.689, de 3 de outubro de 1941 (Código de Processo Penal), no que não forem incompatíveis com esta Lei.

Art. 17-B. A autoridade policial e o Ministério Público terão acesso, exclusivamente, aos dados cadastrais do investigado que informam qualificação pessoal, filiação e endereço, independentemente de autorização judicial, mantidos pela Justiça Eleitoral, pelas empresas telefônicas, pelas instituições financeiras, pelos provedores de internet e pelas administradoras de cartão de crédito.

Art. 17-C. Os encaminhamentos das instituições financeiras e tributárias em resposta às ordens judiciais de quebra ou transferência de sigilo deverão ser, sempre que determinado, em meio informático, e apresentados em arquivos que possibilitem a migração de informações para os autos do processo sem redigitação.

Art. 17-E. A Secretaria da Receita Federal do Brasil conservará os dados fiscais dos contribuintes pelo prazo mínimo de 5 (cinco) anos, contado a partir do início do exercício seguinte ao da declaração de renda respectiva ou ao do pagamento do tributo.

Art. 18. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

(31)

Uma questãozinha para revisarmos o conteúdo visto nesta aula:

(FCC – TRF3 – 2019) Sobre as questões processuais previstas na Lei no 9.613/1998, que dispõe sobre os crimes de lavagem de dinheiro, é correto afirmar:

a) Decretadas medidas assecuratórias de bens do investigado provenientes dos crimes de lavagem de dinheiro, pelo magistrado competente, se eles estiverem sujeitos a qualquer grau de deterioração ou depreciação, proceder-se-á à alienação antecipada para preservação do valor dos bens.

b) O juiz, jamais de ofício, mas mediante requerimento do Ministério Público ou da parte interessada, poderá decretar a alienação antecipada de bens sob constrição, provenientes de crimes de lavagem de dinheiro, que foram objeto de medidas assecuratórias.

c) O processo e julgamento dos crimes previstos nesta lei dependem do processo e julgamento das infrações penais antecedentes, ainda que praticadas em outro país.

d) O processo e julgamento dos crimes previstos na Lei no 9.613/1998 são regidos por procedimento especial orientado pelo referido diploma legal, aplicando-se apenas subsidiariamente o rito comum dos crimes punidos com reclusão, previsto no Código de Processo Penal, da competência do juiz singular.

e) O juiz não poderá manter a constrição de bens, direitos e valores de origem lícita comprovada, ainda que destinados ao pagamento de reparação dos danos, prestações pecuniárias e multas, decorrentes da infração penal.

RESOLUÇÃO:

a) CORRETA. Além da preocupação em responsabilizar os autores do crime, a Lei de Lavagem de Dinheiro também se preocupa em recuperar o dinheiro desviado para fins ilícitos, como é o caso da tão famosa Operação Lava Jato.

Para isso, também é permitida a alienação antecipada dos bens que tiverem sido objeto da medida assecuratória, com a finalidade de preservar o respectivo valor.

Art. 4º-A. A alienação antecipada para preservação de valor de bens sob constrição será decretada pelo juiz, de ofício, a requerimento do Ministério Público ou por solicitação da parte interessada, mediante petição autônoma, que será autuada em apartado e cujos autos terão tramitação em separado em relação ao processo principal.

(Incluído pela Lei nº 12.683, de 2012)

b) INCORRETA. A medida também poderá ser tomada de ofício pelo magistrado.

c) INCORRETA. O processo e o julgamento do crime de lavagem de dinheiro independem do processo e julgamento da infração penal antecedente!

Art. 2º O processo e julgamento dos crimes previstos nesta Lei:

II – INDEPENDEM do processo e julgamento das infrações penais antecedentes, ainda que praticados em outro país, cabendo ao juiz competente para os crimes previstos nesta Lei a decisão sobre a unidade de processo e julgamento;

d) INCORRETA. A Lei de Lavagem de Dinheiro determina que o processo relativo ao crime de lavagem

de capitais obedecerá ao procedimento comum dos crimes punidos com reclusão, da competência

do juiz singular.

Referências

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