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Cad. Saúde Pública vol.2 número2

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Academic year: 2018

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Alice Tibiriçá (09.01.1886 / 08.06.1950)

Feliz a Nação que tem, em seus fastos, personagens que conquistaram notoriedade pela sua dedicação à sociedade, ao saber, à fé, as artes e outros campos nobres de atividade humana.

Alice de Toledo Ribas, pelo casamento Tibiriçá, proje-tou-se, sobremaneira, na galeria de patrícios notáveis, pela sua vida dedicada às lutas em favor das grandes causas polí-tico-sociais e da saúde pública. No campo da hanseníase e da tuberculose, o mérito de sua obra pioneira, esclarecida e determinada mereceu especial realce da Associação Brasi-leira de Leprologia:

"A obra de Dona Alice Tibiriçá em prol da profilaxia da lepra em nosso país jamais poderá ser olvidada, pois repre-sentou o marco inicial da moderna campanha sanitária contra essa enfermidade".

Alice Tibiriçá, "uma santa leiga" segundo Austregésilo de Athayde, encontrou tempo e forças para empenhar-se em outras lutas, como a dos direitos da mulher, em com-panhia de Bertha Lutz. Até sua morte, Alice Tibiriçá foi Presidente da Federação de Mulheres do Brasil, a qual exer-ceu plenamente e com toda a dignidade. Organizou movi-mentos contra a carestia, chegando, em São Paulo, até a ser presa. Indicada para representar a mulher brasileira no Conselho da Federação Democrática Internacional de Mu-lheres, que se reuniu em Moscou no ano de 1949, não pôde comparecer, pois o passaporte não lhe foi concedido tem-pestivamente, vindo a obtê-lo, depois, graças à intervenção da justiça.

Mesmo enferma participou, com grande descortino e fir-meza, da luta em defesa dos recursos naturais e do petróleo, fazendo conferências e comícios em muitos estados da Fede-ração e bairros do Rio de Janeiro. Ela que assumira a Vice-Presidência do Centro de Estudos e Defesa do Petróleo e da Economia Nacional e "dessa luta vitoriosa resultou a PETROBRÁS, viria a afirmar: "sinto que perdi mais de 20 anos em lutas parciais. Enquanto nosso País não se eman-cipar economicamente, não poderá solucionar seus proble-mas médico-sociais".

A Escola Nacional de Saúde Pública, da FIOCRUZ, soli-dariza-se com a família de Alice Tibiriçá, participando do Ato público comemorativo ao centenário de seu nascimento, ao qual compareceu seu Diretor, Prof. Frederico Simões Barbosa, representando também o Presidente da FIOCRUZ, o Prof. Sérgio Arouca. A cerimônia realizou-se a 09 de Janeiro no Auditório do Sindicato dos Médicos do Rio de Janeiro, sob o patrocínio de instituições das mais

represen-NOTA:

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tativas da sociedade brasileira, tais como ABI, AMERJ, CREMERJ, Sociedade de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro, Centro de Estudos e Defesa do Petróleo e da Eco-nomia Nacional, CUT, Instituição Alice Tibiriçá de Civismo e Solidariedade (S.P.), Movimento Feminino pela Anistia e Liberdade Democrática, Núcleo de Estudos sobre a Mulher, da PUC-RJ, OAB - Seção do Estado do Rio de Janeiro, Movimento de Reintegração do Hanseniano e outros. Dos Sindicatos, destacam-se o dos Médicos, dos Bancários, dos Jornalistas Profissionais e dos Professores do Rio de Janeiro.

Referências

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