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ProPosições vol.26 número1

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Academic year: 2018

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PRO-POSIÇÕES | V. 26, N. 1 (76) | P. 237-238 | JAN./ABR. 2015

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sta edição da Pro-Posições traz uma entrevista inédita e exclusi-va com o filósofo francês Michel Serres. Membro da Academia France-sa, é hoje um dos intelectuais mais prestigiados daquele país, autor de mais de cinquenta livros sobre varia-dos temas, alguns deles traduzivaria-dos no Brasil.

Serres é um outsider na filosofia francesa contemporânea, razão pela qual sua carreira acadêmica foi cons-truída em universidades norte-ameri-canas, sendo a Stanford University a última em que ensinou. Sua formação foi transversal: graduou-se em Ma-temática na Escola Naval e serviu na Marinha Francesa; graduou-se em Filo-sofia na Escola Normal Superior, onde também realizou estudos literários. Fez seu doutorado sob a orientação de Gaston Bachelard, dedicando-se à epistemologia da matemática. Sua produção também é transversal: de sua tese, transformada em livro,

tra-tando da filosofia da matemática em Leibniz, ao seu último livro, publicado em 2014, Yeux (Olhos), vemos desfilar uma multiplicidade de temas: história e filosofia da ciência, o problema da guerra, educação, ecologia, literatu-ra, música, o corpo, os sentidos... E o estilo do filósofo é também inconfun-dível: um forte tom literário e metafó-rico, para enfrentar temas de densida-de filosófica. Michel Serres é autor densida-de belos livros, que se leem com prazer e encantamento pelo uso da língua, mas que também provocam o pensamento com intensidade.

Em meio à multiplicidade de assun-tos abordados por Serres com suas ferra-mentas conceituais transversais, encon-tramos a preocupação com a educação.

Le tiers-instruit (O terceiro-instruído), de 1991, publicado no Brasil em 1993 com o título Filosofia mestiça, é o principal deles. A partir da alegoria em torno dos personagens Arlequim e Pierrô, defen-de a idefen-deia defen-de educação como travessia,

* Faculdade de Educação,

Universidade Estadual de Campinas – Unicamp, Campinas, SP, Brasil. [email protected]

Apresentação

Sílvio Gallo *

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como atravessamento, como percurso. A bela metáfora: aprender é lançar-se ao rio, buscando, a nado, atravessar de uma margem a outra. Mas o que importa é lançar-se ao movimento, partir, iniciar o processo. É a travessia que conta, mui-to mais do que a chegada. E essa traves-sia é mistura, é mestiçagem, encontro fundamental com o outro, mas especial-mente o processo de misturar-se com ele, confundir-se com ele. Ensinar e aprender não consiste em airmar identi-dades, mas em perder identiidenti-dades, pro-duzir misturas e mestiçagens, lançar-se à aventura do desconhecido para, dela, surgir renovado. Um encontro com as di-ferenças, portanto.

Ainda que em várias obras a proble-mática educativa transpareça, foi em 2012 que Serres voltou diretamente ao tema. A partir de uma conferência que fez na Academia Francesa, publicou Pe-tite Poucette (no Brasil, Polegarzinha, 2013), livro curto, mas muito potente, em que problematiza o contemporâ-neo. Polegarzinha é a personagem que sintetiza a nova geração de crianças e jovens que, com os polegares, per-correm as telas de seus tablets,

smart-phones e outros equipamentos eletrô-nicos. Como estamos educando essas novas gerações? Quais as transforma-ções das escolas, dos professores, dos formadores, para enfrentar esse mun-do completamente novo? A proposta de Serres é clara: apenas um projeto de colaboração entre as gerações pode tornar viável a utopia da reinvenção da forma de viver em comunidade.

Esses dois livros são a tônica em torno da qual se realizou a entrevista que segue. Trata-se da edição de uma entrevista bastante longa, que, além da educação, focou também outros elementos do pensamento de Serres, realizada em duas sessões, em Paris, em janeiro de 2014. A entrevista foi realizada por Maria Emanuela Esteves dos Santos, doutoranda na Faculdade de Educação da Unicamp, que realiza uma tese sobre Michel Serres, em re-gime de cotutela com a Université de Rouen, na França. A doutoranda trans-creveu, editou e traduziu o trabalho que apresentamos aos leitores de

Pro--Posições.

Referências

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