PRÓ REITORIA DE PESQUISA E PÓS GRADUAÇÃO
ELIANA DE GOES RESENDE
MEMÓRIAS DA ADMINISTRAÇÃO DA ENFERMAGEM DE UM HOSPITAL DE ENSINO EM FORTALEZA-CE: (RE) CONSTRUÇÃO A PARTIR DA HISTÓRIA ORAL
PRÓ REITORIA DE PESQUISA E PÓS GRADUAÇÃO
ELIANA DE GOES RESENDE
MEMÓRIAS DA ADMINISTRAÇÃO DA ENFERMAGEM DE UM HOSPITAL DE ENSINO EM FORTALEZA-CE: (RE) CONSTRUÇÃO A PARTIR DA HISTÓRIA ORAL
Dissertação apresentada ao Programa de Mestrado Profissional em Políticas Públicas e Gestão da Educação Superior - POLEDUC da Universidade Federal do Ceará, como requisito necessário a obtenção do título de Mestre
Orientadora:Dra. Maria de Fátima de Souza
MEMÓRIAS DA ADMINISTRAÇÃO DA ENFERMAGEM DE UM HOSPITAL DE ENSINO EM FORTALEZA-CE: (RE) CONSTRUÇÃO A PARTIR DA HISTÓRIA ORAL
Dissertação apresentada ao Programa de Mestrado Profissional em Políticas Públicas e Gestão da Educação Superior - POLEDUC da Universidade Federal do Ceará, como requisito necessário a obtenção do título de Mestre.
Orientadora: Dra. Maria de Fátima de Souza
Banca Examinadora:
___________________________ Profa.Dra. Maria de Fátima de Souza
U.F.C. Orientadora
___________________________ Profa.Dra. Ana Maria Vieira Lage
U.F.C
____________________________ Profa. Dra. Elizabeth Mesquita Melo
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação Universidade Federal do Ceará
Biblioteca de Ciências Humanas
________________________________________________________________________ R341m
Resende, Eliana de Goes.
Memórias da administração da enfermagem de um hospital de ensino em Fortaleza- CE: (re) construção a partir da história oral / Eliana de Goes Resende. – 2012.
154 f. : il. color., enc. ; 30 cm.
Dissertação (mestrado) – Universidade Federal do Ceará, Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação, Mestrado Profissional em Políticas Públicas e Gestão da Educação Superior, Fortaleza, 2012.
Área de Concentração: Políticas públicas e gestão do ensino superior Profa. Dra. Maria de Fátima de Souza.
1.Serviços de enfermagem – Fortaleza(CE) – Administração – 1959-2011. 2.Administradores de enfermagem – Fortaleza(CE) – Atitudes – 1959-2011. 3.Hospital Universitário Walter Cantídio.
4.Universidade Federal do Ceará – Servidores públicos. I. Título.
Aos profissionais de enfermagem do Hospital Universitário Walter Cantídio.
À enfermeira, Dra. Lúcia Regina da Silva ( in memoriam).
À Deus, sem Ele nada posso fazer ( de bom )
Aos meus filhos, Matheus, Emmanuelle e Simone, que são humanamente, a razão da minha vida, pela longanimidade dispensada á mim
À professora, Dra. Maria de Fátima de Souza, minha orientadora competente e grande incentivadora, sempre. Por sua paciência, pela segunda vez sendo minha orientadora, a quem faz integralmente jus aos títulos, funções e cargos que tem assumido em sua trajetória profissional.
A todos os professores do POLEDUC, pelo compartilhamento de seus conhecimentos
Aos meus colegas de turma do POLEDUC.
Aos secretários do POLEDUC Fernanda Araújo e Delmiro, pela atenção e gentileza no atendimento, sempre.
A todas as enfermeiras que foram gestoras do serviço de enfermagem durante os cinquenta e dois anos do HUWC, e que gentilmente aceitaram ser entrevistadas para nossa pesquisa. Pela forma atenciosa que me receberam e compartilharam suas experiências do passado. – Dra. Ivanilda Osório, Dra Maria Lobo, Dra. Raimunda Magalhães da Silva, Dra. Naira Jucá , Dra. Suely Gadelha, Dra. Isabel Augusto, Dra. Jocélia Cavalcante, Dra. Maria Dayse Pereira, Dra. Rita Honório Paiva
À Dra Lúcia Regina da Silva, in memórian, enfermeira que faleceu em 12 de setembro de 2011, quando então era diretora de enfermagem. Por sua competência, respeito e incentivo para a construção desta pesquisa.
Aos professores participantes da Banca examinadora na Qualificação, por suas sugestões e aprovação.
queridas.
Às secretarias da diretoria de enfermagem do Hospital Universitário Walter Cantídio Amanda Fávia e Eliana pela contribuição atenciosa de sempre .
O objetivo deste trabalho é compreender a trajetória histórica da administração da enfermagem no Hospital Universitário Walter Cantídio no período de 1959 a 2011, a partir da narrativa de dez enfermeiras que assumiram o cargo de administração maior na Enfermagem do Hospital Universitário desde 1959, ano de sua fundação até o ano de 2011. Trata-se de uma pesquisa histórico-social, de abordagem qualitativa, cujo método predominante é a história oral. A história Oral traz a perspectiva de receber revelações, segredos, detalhes, etc., de forma que algum aspecto que possa parecer subjetivo nos dias atuais venha a ser esclarecido, além de ser um recurso moderno que torna possível o resgate da memória e (re ) construção da história a partir das próprias palavras daqueles que a vivenciaram e que participaram de um determinado período, mediante suas referências e também seu imaginário. Os dados foram por meio de um levantamento dos documentos gerenciais da enfermagem do HUWC que se encontravam no arquivo central e na secretaria da Coordenação de enfermagem, tais como: relatórios, fotografias, comunicações internas, planejamento para os serviços, entre outros e por meio de entrevistas realizadas com as enfermeiras identificadas. As entrevistas foram gravadas, transcritas na sua íntegra e retornadas para as entrevistadas fazerem a verificação da fidedignidade das transcrições, nesse momento houve alguns ajustes, frutos de novas memórias das entrevistadas. Também foram reunidos documentos e fotos gentilmente cedidos pelas enfermeiras entrevistadas. As entrevistas foram analisadas por meio do recurso interpretativo da hermenêutica – dialética. A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Hospital Universitário Walter Cantídio ( CEP/HUWC). O resultado dessa produção histórico - social foi organizado de acordo com a trajetória cronológica vivenciada pelas protagonistas e anuncia alguns assuntos que acompanham a história da administração da enfermagem no HUWC, como a luta pela valorização profissional, a relação do poder, o desejo e a necessidade de conhecimento e de avanços científicos e tecnológicos, a relação multiprofissional, a humanização da equipe enfim, apresenta um ciclo que não denota um processo linear, sequenciado. Na verdade demonstra um processo não linear que se dá por avanços e recuos em deferentes épocas históricas, com diferentes dinâmicas dadas as dIferentes condições históricas e sociais inerentes a cada personalidade entrevistada . Portanto, como toda e qualquer história, essa também não acaba com esta dissertação. Ela apenas abre caminho que deve ser percorrido por outros para que não se percam todos e, como lembrou Le Goff, a história é filha da memória que, merecidamente, precisa ser cuidada.
The objective of this study is to understand the historical trajectory of the administration of nursing at the University Hospital Walter Cantídio the period 1959 to 2011, from the narrative of ten nurses who took the highest position in nursing administration at the University Hospital since 1959, the year of his foundation until the year 2011. It is a social-historical research, a qualitative approach, which is the predominant method of oral history. Oral history brings the prospect of receiving revelations, secrets, details, etc.., So that some subjective aspect that may seem today will be clarified as well as being a modern resort that makes possible the recovery of memory and (re ) construction of history from the very words of those who experienced and participated in a given period, by their references and also his imagination. The data was through a survey of nursing management of documents HUWC who were in the central file and in the office of the office of the Coordination of nursing, such as reports, photographs, internal communications, planning for services, among others and through interviews with the nurses identified. The enterview were recorded, transcribed in full and returned to the interviewees make the verification of the reliability of the transcripts at that time there were some adjustments, fruits of new memories of the interviewees. Were also gathered documents and photos kindly provided bythe nurses interviewed. The interviews were analyzed through the use of interpretive hermeneutics – dialectic. The study was approved by the Ethics Committee in Research of Hospital University Walter Cantídio (CEP/HUWC). The history-social this result production was organized according to chronological history experienced by the protagonists and announces some issues that accompany the story of the administration of nursing HUWC, as the struggle for professional development, the relationship of power, desire and need for knowledge and scientific and technological advances, the relationship multidisciplinary, humanization of the team finally has a cycle that does not denote a linear process sequenced. In fact demonstrates a non-linear process that occurs by advances and retreats in historic times deferent, with different dynamics given the deferential historical and social conditions inherent to each person interviewed. So, like any story, that it does not end with this dissertation. It just opens the way to be traveled by others so that all is not lost and, as Le Goff recalled, the story is the daughter of memory, deservedly, have to be careful.
El objetivo de este trabajo es conocer la trayectoria histórica de la administración de enfermería em el Hospital Walter Cantidio el período de 1959 a 2011, a partir de la narración de cada diez enfermeras que entraron administración de la oficina principal de la Enfermeria en el Hospital Unversitário desde 1959, el año de su fundación hasta el año 2011. Se trata de una investigación histórica y social, el enfoque cualitativo, cuyo método predominante es la historia oral. La Historia Oral trae la perspectiva de recibir revelaciones, secretos, detalles, etc. de modo que algunos de los aspectos que hoy en día puede parecer subjetiva se aclarará, y es un moderno complejo que hace posible la reuperación de la memoria y la (re) construcción de la historia de las palabras de aquellos que viveron y participaron en um período em particular a través de sus referencias y también su imaginación. Los datos fueron recolectados a través de HUWC enfermería de gestión de documentos de los cuales se encontraban en el archivo y en la secretaría central de la Coordinadora de Enferería, tales como informes, fotografías, comunicación interna, planificación de servicios, actas de reuniones y mucho más, ya trav;es de entrevistas con el personal de enfermería identificados. Las entrevistas fueron grabadas, transcritas y regresó a los entrevistados qué la verificación de la fiabilidad de las transcripciones, esta vez hubo algunos ajustes, fruto de nuevos recuerdos de los entrevistados. Fueron tambien los documentos recogidos y fotos amablemente proporcionados por las enfermeras entrevistadas. Los datos fueron analizados a través del uso de la hermenéutica interpretativa-dialéctica. El estudio fue aprobado por el Comité de Ética en Investigación del Hospital Universitário Walter Cantidio (CEP/HUWC). El resultado de esta producción socio-histórico se organizó de acuerdo a la trayectoria cronológica que viven los protagonistas y anuncia algunos problemas que acompañan la historia de la administración de enfermería en HUWC, ya que la lucha por el desarrollo profesional, las relaciones de poder, el deseo y la necesidad de conocimiento y de los avances científicos y tecnológicos, el equipo multiprofesional relación humanización finalmente tiene un ciclo que no denota un proceso lineal secuenciado. De hecho demuestra un proceso no lineal que se produce por los avances y retrocesos en las diferentes épocas históricas, con dinámicas diferentes, debido a las diferentes condiciones históricas y sociales inherentes a cada persona entrevistada. Así que, como cualquier otra historia, ésta no se agora en esta tesis. Ella sólo se abre camino que debe ser seguido por otros que no todo está perdido y así recordó Le Goff, la historia es la hija de la memoria, merecidamente, para ser atendidos.
1 CONSIDERAÇÕES INICIAIS ...19
1.1 OBJETIVO ...22
1.1.1 Objetivo geral ...22
1.1.2 Objetivos específicos ...22
2 REFERENCIAL TEÓRICO METODOLÓGICO ...23
2.1 O HOSPITAL UNIVERSITÁRIO WALTER CANTÍDIO ...23
2.2 A HISTÓRIA DA ADMINISTRAÇÃO ...25
2.3 CULTURA ORGANIZACIONAL ...29
2.4 A ADMINISTRAÇÃO EM ENFERMAGEM ...30
2.5 A ENFERMAGEM NO CEARÁ ...36
2.6 PROCESSO HISTÓRICO ...37
2.7 O MÉTODO DA HISTÓRIA ORAL ...39
2.8 FOTOGRAFIAS COMO MÉTODO HISTÓRICO ...41
3 ABORDAGEM METODOLÓGICA ...43
3.1 TIPO DE PESQUISA ...43
3.2 PROTAGONISTAS DO ESTUDO ...46
3.3 MÉTODO DE COLETA DE DADOS ...46
3.4 MÉTODO DE ANÁLISE DOS DADOS ... 47
3.5 ASPECTOS ÉTICOS DO ESTUDO ... 47
4 TRAJETÓRIA ADMINISTRATIVA DA ENFERMAGEM NO HOSPITAL UNIVERSITÁRIO WALTER CANTÍDIO ...49
4.1 PERÍODO ADMINISTRATIVO DE IVANILDA BRUNO OSÓRIO (1959 – 1975) ...49
4.2 PERÍODO ADMINISTRATIVO DE MARIA COSTA LOBO MARREIRO (1979 - 1983) ...58
4.3 PERÍODO ADMINISTRATIVO DE RAIMUNDA MAGALHÃES DA SILVA (1984 – 1986) ...71
4.4 PERÍODO ADMINISTRATIVO DE JOCÉLIA MARIA CAVALCANTI PAIVA (1986 – 1991) ...88
4.5 PERÍODO ADMINISTRATIVO DE NAIRA MARIA JUCÁ FERREIRA (1991- 1995) ...97
2003) ...114
4.8 PERÍODO ADMINISTRATIVO DE MARIA DAYSE PEREIRA (2003 – 2010) ... 119
4.9 PERÍODO ADMINISTRATIVO DE LUCIA REGINA DA SILVA OLIVEIRA (2010 – 2011) ...128
4.10 PERÍODO ADMINISTRATIVO DE RITA PAIVA PEREIRA HONÓRIO (ATUAL) ...131
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS ...137
REFERÊNCIAS ... 141
ANEXOS ... 150
FIGURA 1-Dra.Ivanilda Bruno Osório durante o Congresso Brasileiro de Enfermagem .... 50
FIGURA 2-Atendimento de enfermagem, nas clínicas médicas em 1959 ... 54
FIGURA 3-Envelope de tecido para luvas ... 55
FIGURA 4-Colchão Perfurado para pacientes submetidos à cirurgia de Abaixamento Endonal ...56
FIGURA 5-Sacos de papel para coletar os detritos e o pó do colchão ...56
FIGURA 6-Saco para descarte de cascos de ampolas, bolas de algodão, serrinhas e outros ...57
FIGURA 7-Dra. Maria Lobo na I Jornada de Enfermagem do HUWC em 1982 ... 58
FIGURA 8-Regimento do Hospital Universitário Walter Cantídio ... 61
FIGURA 9-Primeiro Organograma do HUWC/ 1977 ... 63
FIGURA 10-I Jornada de Enfermagem do HUWC-1982 ... 64
FIGURA 11-Funcionária de enfermagem homenageada na I Jornada de Enfermagem do HUWC-1982 ...65
FIGURA 12-Dra. Ivanilda Osório na I Jornada de Enfermagem do HUWC-1982 ... 65
FIGURA 13-Regimento da Coordenação dos Serviços de Enfermagem-1979 ... .68
FIGURA 14-Comissão Redatora do Regimento Interno da Coordenação de Enfermagem-1979 ... 70
FIGURA 15-Dra. Raimunda Magalhães da Silva em Evento de Enfermagem... ... 71
FIGURA 16-Projeto de Integração docente/assistencial ...72
FIGURA 17-Histórico de Enfermagem -1984 ... 75
FIGURA18-Programa de Treinamento para Enfermeiras de Ensino e Serviço ... 80
FIGURA 19-Equipe organizadora do Encontro Nacional de Enfermagem ... 82
FIGURA 20-Projeto de Integração Docente Assistencial ... 85
FIGURA 21-Dra. Izabel Augusto ... 86
FIGURA 22-Foto da Dra. Jocélia Cavalcante ... 88
FIGURA 23-Recorte de Jornal que traz uma homenagem da enfermagem aos médicos que contribuíram para o desenvolvimento da enfermagem do HUWC ...90
FIGURA 24-Palestra administrada para a equipe de enfermagem ... 92
FIGURA 25-Certificado conferido à Dra. Jocélia ...93
FIGURA 28-Encerramento do Curso de Formação para Auxiliares e Técnicos de
enfermagem,...95
FIGURA 29-Dra. Naira Ferreira Jucá em 1991 ... 97
FIGURA 30-Capa do Estatuto da SAMEAC ... 102
FIGURA 31-Dra. Suely Holanda Gadelha ... 103
FIGURA 32-Saquinhos para esterilização de seringas de vidro ... ...104
FIGURA 33-Impresso de elaboração da escala utilizado no ano de 1989 ... ...105
FIGURA 34-Cartão de aniversário ...111
FIGURA 35-Barracas do São João HUs ...112
FIGURA 36-Equipamentos modernos no Centro de material do HUWC/2001 ... 115
FIGURA 37-Dra. Naira com a presidente do Coren – Ce ...117
FIGURA 38-Sala de Recuperação Pós Anestésica em 2001 ...118
FIGURA 39-Coordenadoras na gestão da Dra. Jocélia Paiva ...118
FIGURA 40-Dra. Maria Dayse Pereira ...120
FIGURA 41-Capas de documentos das ações implementadas no período de 2003 a 2007 ...126
FIGURA 42-Álbum de fotografias da Gestão por Competência na enfermagem ... 127
FIGURA 43-Álbum de fotografias do Projeto de Residência em enfermagem e Dimensionamento de Pessoal ...127
FIGURA 44-Dra. Dayse com a Dra. Fátima ... 128
FIGURA 45-Dra. Lucia Regina da Silva ...129
FIGURA 46-Coordenadoras de Enfermagem dos Hospitais Universitários (HUWC e MEAC) em 2010 ...131
FIGURA 47-Dra. Rita Paiva ...132
FIGURA 48-Organograma oficializado pela UFC desde 2004 ...133
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS
ABEN Associação Brasileira de Enfermagem
ABTA Associação Brasileira de Técnicos de Administração CEP Comitê de Ética em Pesquisa
CME Central de Material e Esterilização CFE Conselho Federal de Educação
CNS/MS Conselho Nacional de Saúde/Ministério da Saúde CONSUNI Conselho Universitário
COREN Conselho Regional de Enfermagem COFEN Conselho Federal de Enfermagem
DASP Departamento Administrativo do Serviço Público d.C depois de Cristo
DCN Diretrizes Curriculares Nacionais
DCENF Diretrizes Curriculares Nacionais para os Cursos de Graduação em Enfermagem
DNSP Departamento Nacional de Saúde Público DOU Diário Oficial da União
EASP Escola de Administração de São Paulo
FFOE Faculdade de Farmácia, Odontologia e Enfermagem FUNEDUCE Fundação Educacional do Estado do Ceará
HUWC Hospital Universitário Walter Cantídio IAPs Instituto de Aposentadoria e Pensões IDA Integração Docente Assistencial
IDORT Instituto de Organização Racional do Trabalho IES Instituto do Ensino Superior
INPS Instituto Nacional de Previdência Social MEAC Maternidade Escola Assis Chateaubriand MEC Ministério da Educação e Cultura
NHB Necessidade Humana Básica
ONA Organização Nacional de Acreditação
PCOCC Planejar, Comandar, Organizar, Controlar e Coordenar
QT Qualidade Total
REBEN Revista Brasileira de Enfermagem RPH Revista Paulista de Hospitais
SAE Sistematização da Assistência de Enfermagem
SAMEAC Sociedade de Assistência á Maternidade Escola Assis Chateaubriand SENAC Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial
SR Sala de Recuperação ( Pós Anestésica) SUS Sistema Único de Saúde
TCLE Termo de Consentimento Livre e Esclarecido UECE Universidade Estadual do Ceará
UERJ Universidade Estadual do Rio de Janeiro UFC Universidade Federal do Ceará
1 CONSIDERAÇÕES INICIAIS
Durante toda a existência da Enfermagem, a prática profissional está ligada às mais diversas áreas do conhecimento como as ciências biológicas, a educação, as ciências sociais, dentre outras. A ciência da administração contribui com uma importante parcela que se concretiza, principalmente, na condução da equipe de enfermagem.
No bojo do renovado prestígio dos estudos históricos em geral, há um crescente interesse da enfermagem pelos aspectos históricos da profissão. Este interesse é internacional e, mormente na América do Norte já se encontra formalizado e reconhecido como campo de saber, como demonstra a existência de uma Associação Americana de História da Enfermagem e a realização, em junho de 1997, em Vancouver, no Canadá de um Congresso Internacional de História da Enfermagem. Ao contrário, no Brasil, o 1º Encontro Nacional de História da Enfermagem, ocorrido em Belo Horizonte em 1985 com promoção do Centro de Estudos e Pesquisas da Associação Brasileira de Enfermagem, não teve continuidade.
Em decorrência da minha atuação como gestora setorial no Hospital Universitário Walter Cantídio (HUWC) da Universidade Federal do Ceará, tomei por objeto de estudo desta dissertação, os aspectos administrativos da profissão e, em particular, a história desse segmento profissional no referido hospital. Parti em busca de fontes documentárias que pudessem subsidiar a minha pesquisa, com vistas à (re) construir a história da administração da enfermagem no HUWC.
Funcionários responsáveis pelo arquivo da instituição (local pequeno e escuro, que guarda documentos de contabilidade e absenteísmo, alguns datam do ano de 1976 e outros mais recentes) me informaram ser rotina no hospital o descarte de documentos em lixo comum a cada cinco anos. Fui informada, também, que cada setor é orientado a guardar seus documentos de maneira própria, descartando-os quando achar conveniente.
Tomei conhecimento, ainda, que em fevereiro de 2008, devido à falta de espaço no hospital, foi locada uma casa na Rua Francisca Clotilde para servir de ambiente de “arquivo morto” de documentos como Prontuários, Atas, Livros de Ocorrências das Unidades de Internação, Registros das Cirurgias, etc. Porém após cerca de um mês de funcionamento, o local foi invadido e todos os documentos desapareceram. A causa e o autor ou autores do ocorrido não foi descoberto e nem instaurado qualquer processo de investigação até os dias atuais. (Estas informações foram fornecidas pelos responsáveis pelo arquivo).
Em face destas informações e da consequente escassez de fontes documentárias escritas encontrei no método da história oral a possibilidade de realização deste estudo.
articulados entre si como: documentos escritos; documentos fotográficos; recortes de notícias; etc., no registro de narrativas das experiências humanas. Apresenta abrangência multidisciplinar e tem sido sistematicamente utilizado por diversas áreas das ciências. (FREITAS, 2002).
De acordo com Burke (2000), o movimento da história oral vem sendo amplamente difundido, quer ligado às elites, quer ligado aos grupos de pouca visibilidade social, como a enfermagem, ele oferece a possibilidade da criação de acervos para o uso no ensino e na pesquisa, (re) construindo a história com um novo paradigma diferente do tradicional que considera a História uma ciência objetiva, o paradigma novo não crê na possibilidade de uma objetividade total. Tudo que está escrito relata o que foi dito oralmente por alguém e sofre interferências socioculturais e interpretativas de quem a escreveu. A produção do conhecimento é uma prática social e, portanto carregada de valores e também sujeita às injunções que condicionam o trabalho dos historiadores, homens e mulheres de seu tempo e que falam de um determinado lugar social, com determinada visão de mundo.
Nos séculos XII e XVI a enfermagem sofreu exploração deliberada sendo considerada como um serviço doméstico pela queda dos padrões morais que a sustentava. Assim a prática de enfermagem tornou-se indigna e sem atrativos para as mulheres de casta social elevada. Esta fase tempestuosa, que significou uma grave crise para a Enfermagem, permaneceu por muito tempo, e apenas no limiar da revolução capitalista, é que alguns movimentos reformadores, que partiram principalmente de iniciativas religiosas e sociais, tentam melhorar as condições do pessoal a serviço dos hospitais. (COREN-RJ, 2005).
Estes paradigmas históricos parecem interferir marcadamente no íntimo da profissão de forma que, no mundo moderno, as práticas de saúde analisam as ações de saúde em especial as ações de Enfermagem, sob a ótica do sistema político-econômico da sociedade capitalista, ressaltando o surgimento da Enfermagem como atividade profissional institucionalizada. Esta análise inicia-se com a Revolução Industrial no século XVIII e culmina com o surgimento da Enfermagem moderna na Inglaterra, no século XIX. (COREN-RJ, 2005).
Toda profissão é sujeito e consumidor da sua própria história e a história assume caráter particular em cada organização que a desenvolve, como parte da chamada Cultura Organizacional. O que se vê hoje é que cada momento da gestão pública é retrato da política vigente, visto que a escolha dos gestores institucionais recai sobre a confiança de gestores maiores. Este mecanismo de escolha é reproduzido pelos gestores institucionais que, ao montarem suas equipes, também o fazem sob a mesma ótica. Nesse sentido, grande parte do que é realizado em uma gestão não sofre solução de continuidade.
foi uma experiência bem sucedida no passado não apresenta possibilidades de reprodução, bem como há repetição de erros que poderiam ter sido evitados a partir da verificação de uma experiência anterior. Desconhece-se a afirmativa de que a memória das vivências do passado influencia o fazer no presente e faz projetar realizações futuras.
A importância e os desafios de estudos de natureza histórica são mencionados por Lynaugh e Reverby (1987, p.4) para as quais “fazer um trabalho histórico é estar disposto a viver em permanente luta com ambiguidades conceituais, evidências perdidas e opiniões conflitantes”, cabendo ao pesquisador a tarefa de encontrar e avaliar as evidências e os dados encontrados, e então analisá-los e interpretá-los.
A atuação como gestora em uma das unidades de internação do referido hospital, bem como fato de ter, algumas vezes, respondido pela administração maior da enfermagem, foi determinante para a escolha do enfoque a ser dado ao estudo. Estava então definido que a (re) construção da história da enfermagem no HUWC se voltaria para as memórias da administração e teria como protagonistas as enfermeiras que desempenharam a função de administradoras da enfermagem junto à diretoria desta instituição.
Algumas questões interligadas surgem quanto à problemática do resgate da história da administração da enfermagem no hospital Walter Cantídio. Como compreender o contexto das ações profissionais da enfermagem sem conhecer sua trajetória? Como (re) construir a história diante da escassez de dados? Como analisar a evolução histórica da natureza do trabalho desenvolvido pelas enfermeiras?
1.1 OBJETIVOS: 1.1.1 Geral:
Compreender a trajetória histórica da administração em enfermagem no Hospital Universitário Walter Cantídio no período de 1959 a 2011.
1.1.2 Específicos:
Conhecer o método de escolha para a função de Administradora da Enfermagem no HUWC. Identificar os processos de trabalho e o modo de administrar de cada gestora.
2 REFERENCIAL TEÓRICO METODOLÓGICO
2.1 O HOSPITAL UNIVERSITÁRIO WALTER CANTÍDIO
O Hospital Universitário Walter Cantídio é o hospital da Universidade Federal do Ceará, localizado na cidade de Fortaleza e inaugurado em 1959, pelo então presidente da República Juscelino Kubitschek de Oliveira. Naquela época ficou conhecido como Hospital das Clínicas.
Segundo Girão (1994), a história começou quando em meados de 1939, o professor Antônio Austragésilo, destacado nome da medicina nacional, em visita ao seu antigo aluno e colega doutor Jurandir Morais Picanço, falou-lhe da necessidade e conveniência da implantação de uma faculdade de medicina em Fortaleza. Porém, somente em 1947, com incentivos legados do I Congresso de Médicos Católicos realizado em Fortaleza, foi fundada a Sociedade Promotora da Faculdade de medicina do Ceará tendo como presidente o doutor Jurandir Morais Picanço e como presidente de honra o doutor César Cals de Oliveira. A então Sociedade Promotora da Faculdade de Medicina do Ceará foi transformada em Instituto de Ensino Médico, que se tornou o órgão com os encargos jurídicos de manutenção da Faculdade.
Ainda em 1947, o Instituto de Ensino Médico organizou e montou a Faculdade de Medicina, que inicialmente funcionou na Praça José de Alencar, em prédio doado pelo Estado, apoiado pela sociedade cearense, e pela iniciativa do próprio Instituto de Ensino Médico. Mas somente em 13 de abril de 1948, o então Presidente da Republica, Eurico Gaspar Dutra, autorizou o funcionamento da faculdade de medicina no Ceará.
Uma das principais metas da Faculdade de Medicina era ter o seu Hospital das Clínicas e, como desde 1944 o Governo do Estado iniciara a construção do “Hospital Carneiro de Mendonça” no bairro de Porangabussu, hoje Rodolfo Teófilo, interrompendo suas obras por mais de uma vez por falta de verbas, o Instituto de Ensino Médico negociou com o governo do Estado (Faustino de Albuquerque) a construção da obra que teve ajuda da União, defendida pelo deputado Paulo Sarasate, bem como outros auxílios federais. O Estado doaria o prédio em construção e recursos financeiros para sua conclusão e, em contrapartida, o Instituto de Ensino Médico instalaria um serviço de isolamento para doenças infecto-contagiosas. Em 1952, inaugurou parte do edifício, a qual voltada evidentemente, a este tipo de doentes, sob a manutenção do Estado.
Saúde. No entanto, foi em 1954 que ocorreu a federalização da Faculdade, com a criação da Universidade Federal do Ceará. A Faculdade de medicina crescia, e concomitantemente surgiam as chances do Hospital das Clínicas, desta faculdade. Enquanto as metas do Instituto de Ensino Médico percorriam caminhos lentos para sua concretização, a Santa Casa de Misericórdia de Fortaleza sediava algumas cadeiras de clínica médica e cirúrgica da Faculdade de Medicina. As atitudes planejadas realizadas neste momento seriam luz para os primeiros anos de funcionamento do Hospital das Clínicas que teve suas obras retomadas no final de 1956 e conduzidas daí por diante, com vigor e determinação traçado e já em junho de 1957 se tornava possível a transferência da Faculdade de medicina para o Hospital.
A faculdade apresentava como um dos grandes dificultadores na qualidade de formação, a deficiência de equipamentos da Santa Casa, desde as caóticas condições do laboratório até a escassa condição de funcionamento dos serviços complementares, como por exemplo, o de diagnóstico. Enquanto isso, o Hospital das Clínicas era construído a passos lentos, por pressão do Instituto de Ensino Médico e da própria faculdade de Medicina, embora alguns professores apresentassem tendência a lutar pelo melhoramento da Santa Casa, ao invés de influir na conclusão das obras do Hospital das Clínicas. O motivo? A localização, Porangabussu era considerado um bairro muito distante e o espaço pouco povoado naquela época.
Em 1950 iniciaram os trabalhos de mudança para o Porangabussu, com a inauguração do Centro de cardiologia. Porém, além da distância e do isolamento provenientes da localização, as dificuldades financeiras extremas não davam oportunidades a aquisição de equipamentos nem a valorização dos trabalhos pioneiros, causando desmotivação e desesperança nos médicos envolvidos naquele projeto.
Enfim em 1957, ano em que se desligou totalmente do casarão da Praça José de Alencar, o Hospital das Clínicas recebeu a Faculdade de Medicina. A primeira enfermaria de clinica médica da instituição foi inaugurada em 1959, com 25 leitos. Paulatinamente, foram criados outros leitos e serviços, porque cada vez mais professores e médicos recorriam ao Porangabussu para compor a equipe.
Em 1967, com a transferência da Faculdade de Medicina para um prédio próximo ao local, o hospital teve a estrutura administrativa mais bem definida, contudo, hierarquicamente subordinado a Faculdade de Medicina.
Em 1974 a Universidade Federal do Ceará assina um contrato com a Sociedade de Assistência á Maternidade Escola Assis Chateaubriand – SAMEAC, que passa a assumir a responsabilidade da administração do Hospital. A SAMEAC é uma sociedade criada por transformação da anterior sociedade Pró-construção da Maternidade Popular de Fortaleza, como pessoa jurídica de direito privado, de caráter não lucrativo, com sede em Fortaleza-Ceará. Em 1980 passou a ser chamado Hospital Universitário Walter Cantídio, em homenagem ao professor Walter de Moura Cantídio, um de seus fundadores.
2.2 HISTÓRIA DA ADMINISTRAÇÃO
Desde os tempos primórdios, nas mais simples formas de sociedade, encontram-se sinais de organização, de planejamento, de administração, que foram evoluindo, e sendo embasadas por teorias que se tornaram conhecidas no mundo, direcionando comunidades, empresas, escolas, instituições, pessoas e assim o é até os dias atuais. Ptolomeu dimensionou um sistema econômico planejado, que não poderia ter sido operacionalizado sem uma administração pública sistemática e organizada. Na China, Confúcio surgiu na tentativa de definir regras, instituições, pessoas. Estes estão entre outros exemplos que são apresentados na história dos povos.
Na evolução histórica da administração, duas instituições se destacaram: a igreja Católica Romana e as Organizações Militares. A Igreja Católica Romana pode ser considerada a organização formal mais eficiente da civilização ocidental. Através dos séculos vem mostrando e provando a força de atração de seus objetivos, a eficácia de suas técnicas organizacionais e administrativas, espalhando-se por todo mundo e exercendo influência, inclusive sobre o comportamento das pessoas, seus fiéis. (SOUSA, 2008).
Ainda segundo Souza, 2008, as organizações militares evoluiram das displicentes ordens dos cavaleiros medievais e dos exércitos mercenários dos séculos XVII e XVIII até os tempos modernos com uma hierarquia de poder rígida e adoção de princípios e práticas administrativas comuns a todas empresas da atualidade. Quanto a atividade produtiva, esta era artesanal e manual.
Geralmente os artesãos trabalhavam em grupos organizados para melhorar e aumentar a produtividade. Com o passar das décadas, os artesãos perderam o controle do processo produtivo, pois agora passaram a ter um patrão. Os lucros passam a ser do dono.
máquinas. O processo tornou-se conhecido como manufaturado. As novas oportunidades de trabalho provocam a migração e consequente urbanizaçao ao redor dos centros industriais. Esse momento marca o ponto culminante do avanço tecnológico economico e social. Havia já uma revolução no meio dos transportes e comunicação, enfim o inicio do capitalismo. (SOUSA, 2008).
O desenvolvimento da indústria e a crescente separação entre propriedade e administração levaram ao aparecimento da figura do administrador. Este passou a discutir suas funções, verbalizar e teorizar sobre suas responsabilidades, começando a elaborar um pensamento administrativo. Porém, é possível lembrar que décadas anteriores alguns economistas já discutiam alguns conceitos, como por exemplo, que o bom administrador devia cultivar a “ordem, a economia e a atenção”. (SOUSA, 2008).
Os séculos XVIII ao XX vieram marcados por um fenômeno que ficou conhecido como revolução industrial, trazendo um desenvolvimento notável para as organizações, conceitos foram sendo criados e utilizados em diversas áreas, sendo adaptados às realidades de cada grupo. No final, o mundo já não era mais o mesmo.
A revolução industrial teve início na Inglaterra, com a invenção da máquina a vapor por James Watt. A utilização da máquina no setor da produção resultou em uma disseminação da industrialização em alguns lugares do mundo. Segundo Karl Marx, a revolução Industrial integrou o conjunto das Revoluções Burguesas do séc. XVIII, responsável pelo Antigo Regime, na passagem do capitalismo comercial para o industrial.
Conforme Chiavenato (1979), a revolução industrial focava na maior quantidade, qualidade e menor custo em detrimento da gestão de pessoal. Como consequências apresenta um crescimento acelerado e desorganizado das empresas que passaram a exigir uma administração científica capaz de substituir o empirismo e a improvisação além da necessidade de maior eficiência e produtividade das empresas, para fazer face à intensa concorrência e competição no mercado.
Surge no século XX o precursor da Teoria da Administração Científica, Frederick W.Taylor, engenheiro americano, que preconizava a prática do trabalho, enfatizando tempos e métodos a fim de assegurar seus objetivos “de máxima produção a mínimo custo”, seguindo os princípios da seleção científica do trabalhador, do tempo padrão, do trabalho em conjunto, da supervisão e da ênfase na eficiência. (GOMES, 2005).
Planejamento, padronização, especialização, controle e remuneração, foram as propostas de Taylor, que básicamente, trouxeram alienação aos trabalhadores, e consequentemente dos grupos de produção, porém não se pode negar que provocou um grande avanço no processo de produção em massa.
propostas, onde as etapas principais da administração são o conhecido PCOCC, planejar,comandar, organizar, controlar e coordenar. A teoria de Fayol enfatiza a manipulação e exploração dos trabalhadores. (GOMES, 2005).
A teoria das relações humanas, desenvolvida por Elton George Mayo, vem neste momento, para valorizar as pessoas e se opor á teoria clássica da administração.
A abordagem da estrutura de sistema relaciona a estrutura (organização) com o meio que lhe dá suporte e afirma que a maneira de manter a organização é fortalecer os seus recursos humanos que é a fonte motivadora da mesma. A palavra sistema está intimamente ligada com a palavra ambiente. O sistema necessita de constantes informações vindas do ambiente, para ser analisado o desempenho de produção a fim de atingir os seus objetivos. (ARAÚJO, 2007).
Em 1950, surge a Teoria Estruturalista, que procura integrar todas as teorias anteriores, que teve como base a Teoria da Burocracia de Max Weber, criada em 1940, que se baseia na adequação dos meios aos objetivos, para se obter o máximo de eficiência. (WEBER, 1979).
Encontra-se ainda a Teoria dos Sistemas de 1970, que vê a empresa como um sistema aberto interagindo com o ambiente que o rodeia. E a Teoria da Contingência, onde a empresa é dependente do ambiente externo, ou seja , a medida que o ambiente muda a empresa também tem mudanças na sua organização, corrente mais recente e que parte do principio de que a administração é relativa e situacional, isto é, depende de circunstâncias ambientais e tecnológicas da organização. São muitas as contribuições que as teorias da administração desenvolvidas ao longo das décadas apresentam. Houve a melhoria das condições de trabalho; Incentivo salarial e beneficios; Autorealização profissional do trabalhador, possibilidades para especializações; Disciplina; Definição e estabelecimentos de cargos e tarefas, Padronização de métodos e equipamentos;Supervisão funcional. E atualmente encontram-se alguns administradores voltando suas atenções para as pessoas que trabalham nas empresas, buscando a eficiência e a eficácia para todos. (CHIAVENATO, 1979).
No Brasil, Keinert ( 2001), traz um quadro interessante para guiar os períodos da gestão pública, nos anos entre 1900 a 1929 o Brasil estava sob uma administração com uma forte característica legalista, ainda com muitos traços do Patrimonialismo. A partir de 1930 a 1979 a administração se apresenta como ciência administrativa, com características de racionalização, desenvolvimentismo e racionalidades e competências técnicas, e a partir de 1980 surge a democratização, conflito de interesses e recursos escassos. Já em 1990 há uma redefinição do papel do Estado e agora se encontra uma capacidade política aliada a competência técnica.
neoconservadora ou neoliberal de atribuir ao mercado toda a coordenação da economia e reduzir o Estado ao mínimo não era realista, não correspondendo nem aos anseios da sociedade nem às necessidades das economias nacionais, a questão da reconstrução do Estado e da reforma de seu serviço civil tornou-se central.
Muitos trabalhos mostram o final do século passado como um novo marco teórico e uma nova prática para a administração pública com uma nova abordagem gerencial, que substitui a perspectiva burocrática anterior. Para BRESSER (1998), a abordagem gerencial, também conhecida como nova administração pública, parte do reconhecimento de que os Estados democráticos contemporâneos não são simples instrumentos para garantir a propriedade e os contratos, mas formulam e implementam políticas estratégicas para suas respectivas sociedades tanto na área social quanto na científica e tecnológica. E para isso é necessário que o Estado utilize práticas gerenciais modernas, sem perder de vista sua função eminentemente pública.
A história do serviço administrativo teve inicio em 1931 com o IDORT (Instituto de Organização do Trabalho) em seguida nasceu o DASP (Departamento Administrativo do Serviço Público), este departamento enviava técnicos para os Estados Unidos para cursos de aperfeiçoamento e defesa de teses. Estes voltavam com conhecimento para investir na administração pública do país. Em 1944 foi criada a Fundação Getulio Vargas, mantenedora da EASP (Escola de Administração de São Paulo). (GOMES, 2010).
O profissional preparado na área administrativa era conhecido como técnico naadministração. Só em 1985, o profissional é reconhecido como Administrador. Sentia-se a necessidade de institucionalizar com urgência a profissão do Administrador, como forma de preservar o mercado de trabalho para os que já atuavam na Administração pública e para os egressos daquelas escolas, bem como defender a sociedade de pessoas inabilitadas e na maioria das vezes despreparadas. (GOMES, 2010).
O autor citado acima enfatiza que a institucionalização de uma profissão não era tarefa fácil e a estratégia adotada deveria consistir na fundação da ABTA (Associação Brasileira de Técnicos de Administração). Para a implantação dessa Lei, o Ministério do Trabalho nomeou uma Junta Federal, aliada à ABTA, que forneceu sua estrutura e seus recursos materiais e humanos, implantando alguns Conselhos Regionais. Após dois anos ela foi regulamentada através do Decreto 61.934/22.09.1967.
Só em 1985, pela lei federal de n°. 735/ foi mudada a denominação de Técnico de administração para Administrador. Iniciou-se um tempo de desenvolvimento e aperfeiçoamento que vem crescendo e mostrando que administrar é necessário e fundamental em qualquer área, contexto ou situação nas empresas, entidades ou vida das pessoas. (GOMES, 2010).
organização, seja ela lucrativa ou não lucrativa e a responsabiliza quanto ao planejamento, a organização, a direção e o controle de todas as atividades diferenciadas pela divisão de trabalho que ocorram dentro de uma organização a fim de alcançar objetivos. Assim, a administração é imprescindível para a existência, sobrevivência e sucesso das organizações e revela-se como uma das áreas do conhecimento humano, mais impregnada de complexidade e de desafios. O profissional que utiliza a administração como meio de vida pode trabalhar, nos mais variados níveis de uma organização.
2.3 CULTURA ORGANIZACIONAL
Dentro de toda organização formal de cargos prescritos e relações estruturais, encontra-se uma organização informal de regras, procedimentos e interligações não oficiais. Essa organização informal surge quando os funcionários realizam mudanças espontâneas, não autorizadas, no modo de fazer as coisas. Ao discutir as características emergentes do papel e o desenvolvimento dos grupos, já se começa a discutir ajustes cotidianos que ocorrem nas organizações. À medida que esses ajustes moldam e alternam a maneira formal de proceder, surge uma cultura de atitudes enoções que passa a ser compartilhada entre colegas de trabalho. Essa cultura é um padrão de suposições básicas que funcionaram com eficácia suficiente para serem consideradas válidas e, em seguida, ensinadas aos novos membros como a maneira correta de perceber, pensar e sentir problemas. (WAGNER, HOLLENBECK, 2000).
As empresas são organismos vivos, compostos de pessoas, que nelas misturam emoções, sentimentos, ansiedades e alegrias. Também como as pessoas, cada empresa desenvolve sua personalidade própria, fruto de sua história, das crises pelas quais passou em sua vida, do estilo gerencial de cada líder que teve. Parece que do conjunto de características e episódios forma-se a cultura organizacional, código não escrito que estabelece o certo e o errado, os valores, a ética e assim por diante. A cultura organizacional das pequenas e médias empresas se estabelece, muito fortemente, a partir da personalidade do seu dono ou dos sócios, que a marcam indelevelmente. Nas grandes empresas, a cultura se molda mais a partir de eventos e episódios históricos do que a partir de pessoas e suas características. (LUZ,1995).
2.4 A ADMINISTRAÇÃO EM ENFERMAGEM
ao paciente com uma qualidade cada vez mais elevada, redução de custos e satisfação da equipe de enfermagem.
A história administrativa de enfermagem teve inicio com a enfermeira Florence Nigthingale, que é reconhecida como protagonista de um projeto social da saúde, que se fez necessário no âmbito das transformações sociais na segunda metade do século XIX, na Inglaterra. A administração de hospitais, a formação de enfermeiros e a educação em serviço foram, para Florence, a preocupação primordial de todo o seu empreendimento na Enfermagem, de acordo com a sua mais difundida obra, o livro “Notas Sobre Enfermagem: o que é e o que não é”, escrita em 1859 e só traduzida para o português em 1989. (FORMIGA, 2005).
Em outubro de 1854, período da guerra na Criméia, os soldados feridos eram atendidos com o mínimo de cuidados necessários. Foi então que Florence organizou a infraestrutura dos hospitais e introduziu uma enfermagem não só para cuidados diretos ao doente, mas de organização do ambiente, e de serviços diversos como: limpeza, lavanderia, cozinha entre outros, controlando-os através da supervisão rigorosa, e mais, organizou a hierarquia do serviço, com atenção à postura da enfermagem. Demonstrou a necessidade de aplicação das funções administrativas, como o planejamento, direção e supervisão nos hospitais, e isto a levou ser reconhecida como a primeira administradora hospitalar. (TREVISAN, 1993).
Quando retornou da Guerra da Criméia (1856), península da Ucrania, Florence publicou, em 1858, um livro, “Notas sobre questões que afetam a saúde, eficiência e administração hospitalar do exército britânico”. Nele, é possível identificar todo o seu conhecimento acerca da administração na enfermagem. (TREVISAN, 1993).
Ainda, conforme Trevisan (1993) entre os anos de 1873 e 1875, o sistema Nightingale chegou aos Estados Unidos, por iniciativa de um grupo de senhoras que atuavam como voluntárias durante a Guerra Civil americana.
A partir da década de 20, a estrutura sanitária americana passa a influenciar a estrutura sanitária brasileira, através da Fundação Rockfeller, que prestava assistência técnica e financeira ao Departamento Nacional de Saúde Pública (DNSP), órgão responsável pela criação da primeira escola de Enfermagem no Brasil, em 1923. Na realidade no Brasil, até o início do século XX, a Enfermagem brasileira era praticada por religiosas, vindas geralmente da Europa para se ocupar dos doentes e preparar pessoal para exercer essa arte no país. O paradigma da Enfermagem cristã enfatizava no desempenho profissional valores relacionados a amor, abnegação e desprendimento, não valorizando a luta por remuneração digna, condições ambientais de trabalho adequadas e inserção na vida social e política. (LIMA, 1993).
predominância do modelo médico/hospitalar no ensino de graduação. A legislação sobre o ensino de enfermagem desde a criação da Escola Anna Nery, compreendendo os currículos de 1923, 1949, 1962 e 1972, revelam que a formação do enfermeiro era centrada no pólo indivíduo/doença/cura e na assistência hospitalar, seguindo o mercado de trabalho específico de cada época. (ITO, 2006).
As Diretrizes Curriculares definem ainda que a formação do enfermeiro tem por objetivo dotar o profissional dos conhecimentos requeridos para o exercício das seguintes competências e habilidades gerais: atenção à saúde, tomada de decisões, comunicação, liderança, administração e gerenciamento e educação permanente. (ITO, 2006).
As Diretrizes Curriculares Nacionais para os Cursos de Graduação em Enfermagem (DCENF) tiveram uma materialidade concretizada a partir de propostas que emergiram da mobilização das(os) enfermeiras(os), através da sua associação de classe, de entidades educacionais e de setores da sociedade civil interessados em defender as mudanças da formação na área da saúde. Elas expressam os conceitos originários dos movimentos por mudanças na educação em enfermagem, explicitando a necessidade do compromisso com princípios da Reforma Sanitária Brasileira e do Sistema Único de Saúde (SUS). (FERNANDES, 2005).
O grande desafio na formação do enfermeiro é transpor o que é determinado pela nova Lei de Diretrizes e Bases e pelas Novas Diretrizes Curriculares ao formar profissionais que superem o domínio teórico-prático exigido pelo mercado de trabalho, enquanto agentes inovadores e transformadores da realidade, inseridos e valorizados no mundo do trabalho. (ITO, 2006).
A escola brasileira sob influência da precursora Florence seguiu com o ensino sobre técnicas, administração e disciplina. O saber de administração, presente na formação do enfermeiro, sempre procurava conciliar o princípio de Administração Científica (Taylor) e da Teoria Clássica da Administração (Fayol), haja vista que esta última apresentava-se como necessária à organização hospitalar no Brasil.(TREVISAN, 1993).
A Enfermagem incorpora esse conhecimento através de dois fatores essenciais: a ampliação do quantitativo dos agentes da Enfermagem (enfermeiro, auxiliar e atendente), que levou os enfermeiros a assumirem o gerenciamento do trabalho nos moldes do processo de divisão social e técnica do trabalho, e a complexidade das organizações hospitalares.
A partir do movimento de renovação dos hospitais, o campo da Enfermagem hospitalar passou a constituir novo mercado de trabalho para as diplomadas, estimulando a criação de inúmeras escolas de Enfermagem, como uma das formas de solucionar o problema da deficiência numérica de profissionais, em face das crescentes exigências das instituições hospitalares. Dada à inexistência de enfermeiras experientes disponíveis, as recém-diplomadas tiveram de desempenhar funções administrativas, de ensino e supervisão dos atendentes, constituídas por pessoas admitidas nos estabelecimentos hospitalares sem o preparo técnico necessários para a execução das tarefas que lhes eram atribuídas.
A legislação que regulamenta a prática de enfermagem no Brasil (Lei no. 7498/86, art. 11 e Decreto no. 94406/87) do Conselho Federal de Enfermagem, prescreve:
O enfermeiro exerce todas as atividades de enfermagem, cabendo-lhe: I- Privativamente:
a) direção do órgão de enfermagem integrante da estrutura básica da instituição de saúde pública ou privada, e chefia de serviço e de unidade de Enfermagem. (COREN-Ce, 2007. p.22).
Segundo Trevisan (2005), a palavra liderar vem do verbo inglês to lead e significa conduzir, dirigir, guiar, comandar, persuadir, encaminhar. O primeiro registro dessa palavra foi no ano 825 d.C. Os diversos conceitos relacionados a ele estão ligados ao latim, ducere, que no português significa conduzir. Entre as décadas de 30 e 40 a palavra lead foi adaptada ao português significando líder, liderança, liderar.
A liderança é fator capaz de harmonizar a exigência das organizações com a necessidade das equipes. É um processo que abrange todos os departamentos da vida, sejam eles familiares, acadêmicos, trabalhistas, sociais e muitos outros mais. A liderança é manifestada todas as vezes que é aplicada a influência sobre outras pessoas a fim de se realizar algum objetivo. (KOTTER, 2000).
Trevisan, 1998, enfatiza:
Acreditamos que o enfermeiro deverá desempenhar uma gerência voltada para as transformações, ou seja, inovadora, tendo como eixo norteador a melhoria da qualidade da assistência de enfermagem e ainda buscar estratégias que possibilitem maior satisfação para a equipe de enfermagem no seu dia a dia de trabalho. No nosso entender, a liderança consiste em um recurso fundamental para implementar as mudanças requeridas na forma atual de gerenciar do enfermeiro. (TREVISAN 1998, p.302).
do líder é voltada para o objetivo inicial, inspirando as pessoas a traçar seus objetivos.
Lodi (1998) cita o economista clássico Samuel P. Newman, escrevendo sobre um empreendedor.
Ele deve possuir uma incomum quantidade de previsão e cálculo, para que seus planos sejam bem fundados. Ele deve mostrar perseverança e constância de propósitos ao levar seus planos para a execução. Frequentemente ele será chamado para superintender e dirigir os esforços dos outros, e, para bem exercer este oficio necessitará de discrição e decisão de caráter. Para conduzir alguns ramos da produção com sucesso ele ainda deverá ter muito conhecimento[...] (LODI, 1998 p.13).
A enfermagem busca na administração uma ciência capaz de tornar a profissão operacionalmente racional, tendo em vista que a administração é defendida como um instrumento de qualquer organização e que pode ser aplicada em qualquer área. (SOUZA; SOARES, 2006).
Durante o processo de construção das Diretrizes Curriculares Nacionais, foram envolvidas diversas entidades nacionais, tanto no âmbito do ensino quanto dos serviços, na busca de um perfil profissional com competências, habilidades e conhecimentos para atuar no SUS (Sistema Único de Saúde). (BRASIL, 2001),
Segundo Almeida, (2003), as competências gerais citadas nas DCNs, para a formação do enfermeiro em se tratando de funções gerenciais são: Atenção á Saúde, Tomada de Decisão, Liderança, Educação Permanente e Comunicação.
Em um mundo globalizado, administrar um serviço responsável pela assistência ao individuo enfermo, implica em aspectos éticos, de conhecimento tecnológico e tratamentos disponíveis. É implementar projetos das políticas públicas, contando com a participação de recursos não apenas materiais, mas humanos, dentro do contexto e condições possíveis. É necessário competência e, portanto avaliação e atualização de quem gerencia bem como de quem é gerenciado. Cada profissional deve ser capaz de pensar criticamente, de analisar os problemas da sociedade e de procurar soluções para eles. Deve buscar o mais alto padrão de qualidade em todos os sentidos, buscando a resolução do problema de saúde. Aqui o trabalho administrativo do enfermeiro envolverá o planejamento, a organização, a coordenação e o controle.
necessário que o enfermeiro tenha conhecimento e competência para gerenciar recursos humanos e materiais para excelência no atendimento ao público. Devem ter ainda, conhecimentos sobre as teorias da administração, processos de trabalho, ética, conhecimentos sobre cultura e poder organizacional, noções de leis trabalhistas, dimensionamento de pessoal, entre outros.
É importante ressaltar que o modo como o administrador do serviço de enfermagem organiza o trabalho da equipe, tem implicações diretas para os clientes, no que se refere ao sofrimento que pode e necessita ser tratado pela equipe de enfermagem, além das implicações éticas do serviço de enfermagem. Se existe claro entendimento por parte da equipe de trabalho da enfermagem, como o seu trabalho é conduzido, a prática do dia-a-dia para si e para o cliente é otimizada e a qualidade dos resultados é visível.
Ainda existe a questão do poder nas relações do dia-a-dia, entre os profissionais da enfermagem e de outras profissões. Chambliss (1996) assinala que, a frustração e o desapontamento vivenciados por muitas enfermeiras independem de sua fonte, na maioria das vezes são percebidos em sua dimensão moral, pois não há como ser uma enfermeira ética em ambientes nos quais outros poderosos bloqueiam o que as enfermeiras reconhecem como suas obrigações morais. É possível compreender que os problemas de enfermagem, no que tange as questões éticas, podem estar vinculados às relações de poder existentes na instituição.
Impressiona a contradição existente quanto ao desgaste do trabalho que é inerente ao profissional, o enfrentamento com o sofrimento, a morte e o quanto é prazeroso quando é possível dentro das condições favoráveis, cuidar, atender e muitas vezes ver o cliente voltar ao convívio social com sua saúde melhorada, senão curada.
Conhecer a missão da instituição, saber sobre as necessidades do usuário, e trazer a equipe para um trabalho é competência de liderança. Segundo Gardner (1990): liderança é um processo pelo qual um grupo é induzido a dedicar-se aos objetivos defendidos pelo líder ou partilhado pelo líder e seus seguidores.
Propostas de gestão têm surgido nas várias áreas empresariais tanto nas organizações privadas quanto nas públicas. Para obter excelência na qualidade, organizações mundiais têm buscado os programas de qualidade a fim de obter avaliação e reconhecimento de sua gestão. (FOWLER apud MIGUEL, 2008).
fortaleçam e melhores seu desempenho em beneficio do cidadão.
Estudos mostram que a prática profissional da enfermagem pode ser explicada segundo diversos enfoques. Por ser considerada ciência e arte, está sempre ligada aos mais diversos ramos do conhecimento, dentre eles, a ciência da administração, que contribui com uma parcela que se concretiza, principalmente, na administração do pessoal de enfermagem. Isto também envolve ética, que é ponto fundamental na gestão de pessoas dentro de uma instituição. O enfermeiro, no gerenciamento, deve se preocupar com a promoção da justiça entre a equipe, a empresa e consigo mesmo, e assim deverá existir uma reflexão constante entre a prática das ações cotidianas e a teoria imposta. Refletir sobre o comportamento de pessoas e planejar ações para orientá-las no sentido da postura profissional em relacionamentos com outros componentes da equipe, além do paciente, são tarefa árdua.
Roehrs (2009) escreve que o trabalho deve, evidentemente, ser ético. O ser humano se exprime mediante o seu trabalho; o que tem de ser feito, deve ser bem feito. Esta virtude se traduz no conceito de trabalho de qualidade, sendo uma das razões para que a instituição busque a gestão ética. O resultado desta política para o enfermeiro gestor é a garantia para se obter a qualidade no processo de trabalho.
2.5 A ENFERMAGEM NO CEARÁ
A História da enfermagem no Ceará começa com a escola São Vicente de Paula, fundada em 1943, a primeira para o ensino de Enfermagem no Estado com um curso de enfermeiras de emergência, reconhecida pelo Decreto – Lei no. 21.885 de 26 de setembro de 1946. Neste ano, após visita do Ministério da Educação e Saúde, a escola foi reconhecida como estando dentro dos padrões da Escola Anna Nery, referência para a enfermagem profissional. (FRAZÃO, 1973).
A escola São Vicente de Paula era dirigida por Irmãs de Caridade, que ministravam cursos de socorros devido ao momento da segunda guerra mundial. A guerra era o cenário maior e o motivo patriótico de inserção da mulher na sociedade e de sua contribuição oficial, no esforço para amenizar seus horrores. Mulheres dos oficiais do Exército vão à escola para se preparar e servirem (termo militar), como enfermeiras de emergência.
posteriormente homologado pelo Exmo. Ministro da Educação e Saúde, em 21 de janeiro de 1956. Com a agregação a UFC, a Escola se dinamizou, ampliou suas atividades, melhorou seu acervo bibliográfico, e seguiu sua missão formando enfermeiras e enfermeiros. Mais tarde a Escola atravessou grandes dificuldades financeiras culminando com a crise em 1968. Em 14 de março de 1975, a Escola São Vicente de Paula foi absorvida pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), na época Fundação Educacional do Estado do Ceará (FUNEDUCE), por meio do parecer nº. 764/77 do Conselho Federal de Educação (CFE).
A criação do Curso de Enfermagem da UFC data de 1970, na administração do Reitor Fernando Leite, por iniciativa do então diretor da Faculdade de Medicina – Professor Walter de Moura Cantídio. O Curso na realidade iniciou o seu funcionamento apenas em 1976. A enfermeira Profa. Maria Graziela Teixeira Barroso, recebeu o convite do Reitor para organizar o Curso de Enfermagem, sob as orientações iniciais da enfermeira consultora Teresa de Jesus Sena, professora da Escola Ana Neri da Universidade Federal do Rio de Janeiro. (BARROSO et al 1992).
Com o passar dos anos várias escolas para auxiliares e técnicos de enfermagem surgiram no Ceará, além das Faculdades particulares com Cursos de Enfermagem.
2.6 O PROCESSO HISTÓRICO
Conforme Le Goff (1994), foram os gregos antigos quem fizeram da Memória uma deusa, de nome Mnemosine. Ela era a mãe das nove musas procriadas no curso de nove noites passadas com Zeus. Mnemosine lembrava aos homens a recordação dos heróis e dos seus grandes feitos, preside a poesia lírica. Deste modo, o poeta era um homem possuído pela memória, um adivinho do passado, a testemunha inspirada nos “tempos antigos”, da idade heroica e, por isso, da idade das origens. Portanto, na mitologia grega, as musas dominavam a ciência universal e inspiravam as chamadas artes liberais. As nove filhas de Mnemosine eram: Clio (história), Euterpe (música), Talia (comédia), Melpômene (tragédia), Terpsícore (dança), Erato (elegia), Polínia (poesia lírica), Urânia (astronomia) e Calíope (eloquência). Assim, de acordo com essa construção mítica, a história é filha da memória. Entretanto, os cerca de vinte e cinco séculos de existência da historiografia demonstram uma relação ambígua e tensa entre Mnemosine e Clio.
(BURKE, 2000).
O processo histórico é representado por acontecimentos, cada fato é a sequencia ou sucessão, do que já ocorreu. O processo histórico se transforma, deixa de ser equilibrado, com as mudanças qualitativas. É um período de transição onde as transformações acontecem rapidamente, mudando o caráter. (BURKE, 2000).
A Memória, no sentido primeiro da expressão, é a presença do passado. A memória é uma construção psíquica e intelectual que acarreta de fato uma representação seletiva do passado, que nunca é somente aquela do indivíduo, mas de um indivíduo inserido num contexto familiar, social, nacional. Na perspectiva de Halbwachs (1990) toda memória é “coletiva”. Ou ainda, conforme Henry Rousso (1998).
Seu atributo mais imediato é garantir a continuidade do tempo e permitir resistir à alteridade, ao ‘tempo que muda’, as rupturas que são o destino de toda vida humana; em suma, ela constitui – se uma banalidade – um elemento essencial da identidade, da percepção de si e dos outros. (ROUSSO, 1998, pp.94-95).
É importante ressaltar a importância da relação entre história e historiador. Segundo Berge (1999), a nossa palavra portuguesa, história, é proveniente do grego, que significa originalmente busca, averiguação, informação, inquirição, investigação, narração, pesquisa, O verbo store, significa: narrar, aprender por inquirição, interrogar, buscar, descrever. História é derivada de sábio e conhecedor.
Segundo Le Golf (1994) o historiador é testemunha no sentido daquele que vê e também daquele que sabe. História significa, pois, procurar. O autor ressalta ainda que, desde a antiguidade, a ciência histórica, reunindo documentos escritos e fazendo deles testemunhos, superou o limite do meio século ou do século abrangido pelos historiadores que deles foram testemunhas oculares ou auriculares. Com a evolução do conhecimento e das técnicas a constituição das bibliotecas e arquivos forneceu assim os materiais da história.
História é uma ciência que busca conhecer os diversos aspectos do passado da humanidade e examina as realizações do homem através dos tempos, para que através da reflexão histórica, aumente a capacidade do homem de entender o presente e criar bases para ampliara visão sobre o futuro. (HOUAISS, 2007).
sociedade; de revoluções e insurreições de um conjunto de pessoas contra outro, com consequentes reinos e Estados dotados de seus vários níveis; das diferentes atividades e ocupações dos homens, seja para ganharem seu sustento ou nas várias ciências e artes; e, em geral, de todas as transformações sofridas pela sociedade em razão de sua própria natureza. Há entre os historiadores certo censo comum de que a história consiste num corpo de fatos verificados. Entretanto, deve-se salientar que os fatos não falam por si.
Stencel (2006) evidencia que a tarefa precípua do historiador deve orbitar em torno do estudo do ser humano e seu meio ambiente, dos efeitos dele sobre o seu ambiente e vice- versa. Tal análise ampliará a compreensão que o ser humano tem de seu meio, visando seu melhor domínio.Tal exercício se transforma numa desafiadora tarefa, quando se volve o olhar para o ser humano.
2.7 O MÉTODO DA HISTÓRIA ORAL
A história oral é uma metodologia de pesquisa que consiste em realizar entrevistas gravadas com pessoas que podem testemunhar sobre acontecimentos, conjunturas, instituições, modos de vida ou outros aspectos da história contemporânea. Começou a ser utilizada em meados do século XX nos anos 1950, após a invenção do gravador e fita, nos Estados Unidos, na Europa e no México, e desde então se difundiu bastante. (ALBERT, 2005).
Apesar de existirem divergências entre os autores, há um ponto em comum sobre a história oral, que pressupõe um projeto e que o uso da entrevista vai além do registro documental. A história oral é um conhecimento que vai além da técnica de captação de entrevistas. A pesquisa é um encontro com o novo e a história oral prepara o pesquisador para este encontro. (CORRÊA, 2003).
Segundo Meihy (2010), a história oral tem como objetivo relacionar memória e identidade para possibilitar um estudo que inicia do tempo presente de pessoas vivas que testemunharam fatos e possam relatar as trajetórias do passado. Para o autor: