Texto

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Enredo

Carnaval 2015

PRESIDENTE: ANTÔNIO MARCOS TELES (TÊ) FUNDAÇÃO: 02/12/1940

CORES: VERDE E BRANCO

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G.R.E.S.E. IMPÉRIO DA TIJUCA

SINOPSE DO ENREDO

Império nas águas de Oxum!

Carnavalesco: Júnior Pernambucano Pesquisa e texto: Marcos Roza Brilha a nossa coroa!

Em comunhão:

“Olorum, através do Sol, aquece a água dos oceanos;

Oxumarê, com seu arco-íris, leva a água em forma de vapor para as nuvens; Iansã as agrupa com o vento que sopra do balanço de suas saias;

Xangô lança a pedra de raio sobre a terra e

Odudúa prepara seu ventre para receber a chuva – o líquido maravilhoso da vida1”.

“O momento sublime acontece. A chuva cai e com ela toda força do céu. Odudúa absorve todo líquido, em seu ventre, no interior da terra e a água acumulada se enche de

força mineral - axé2”.

Ouvimos os murmúrios das águas... Odudúa abre seu ventre e dá vida à majestosa

Oxum, que brota do solo e desliza sobre seu leito a essência da magia e beleza.

Como imaginávamos que fosse, Com fertilidade a terra se formou. Vinda da sabedoria à procriação, A poesia do tempo nos trouxe:

Oxum, a mãe da água doce.

No caminho sagrado à mitologia iorubá, na terra onde nasceram os orixás, Oxum é rainha das águas. Vive no caudaloso rio que leva o seu nome. Lá, benditas são suas águas, suaves ou corredeiras, dos rios e das cachoeiras ao sentimento incomum de purificação, que banham a cidade de Oxogbô – território que compreende o sudoeste nigeriano e um pequeno trecho do leste do Benin – hoje, um dos principais locais de culto a Oxum, na África.

É no curso das águas

Que sua essência resplandece.

Assim, como diz a lenda do rei Larô sobre a criação do Templo de Oxogbô: Fez, das margens do rio, a sua morada,

Pelas águas de Oxum, sua filha foi levada... Não sei se por encanto ou magia,

A menina é iluminada,

E reaparece, na beira do rio, toda enfeitada.

1ANDRADE, Ricardo. O Segredo de Oxum; 2014.

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Larô agradece no ato.

Entre cânticos e orações, funda seu Templo E celebra um pacto:

Na comemoração do Reino de Oxum, Serei eu, o rei Ataojá,

À frente do cortejo, em homenagem A Oxum no país de Iorubá.

Sua docilidade nos transforma, vai além de suas águas puras e calmas. Seus mitos resignificam o nosso sentimento no corpo e na alma.

É dada a Oxum a missão de salvar a aiê (terra), personificada numa ave encantada, que voa em direção ao sol para suplicar a benção de Olorum. Compadecido da “pobre ave”, ele devolve a chuva à terra. Renascem do solo os alimentos, tudo ganha vida.

Percebemos o quanto é querida...

Sempre discreta, mesmo em seus aspectos mais aguerridos, Seu comportamento doce e sedutor predomina.

Assim, Oxum conquista poder e sabedoria. Aprende no reino de Exu os segredos da magia. Sábia, Oxum o desafia:

Não é a você que pertence o poder da adivinhação? Então, descubra o que trago em minha mão.

Exu, sem perceber, entra numa embaraçosa situação.

Dengosa e de mansinho, Sem demonstrar sua ambição,

Oxum descobre os mistérios dos búzios

E toda a sua tradição. Outro destino lhe é dado.

Os amores de Oxum vão dando conta do recado. Tudo lhe parecia fácil...

Até quando, de repente, seu coração é fisgado. E disputa com Obá,

O amor de Xangô, Por ela tão desejado.

Ogum, Oxossi e Orunmilá

Apaixonaram-se pelos encantos dessa doce iabá. Ao ponto em que os maus tratos de Xangô Levaram até Exu a lhe cortejar.

Conta-nos a lenda que da torre do castelo de Oió, Transformou-se numa “pomba dourada”

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4 Mas, diante dos dados reais da vida, Oxum é rainha de fé. Recebe atributos e poderes no

rito do candomblé. Sua origem é iorubá e sua nação Ijexá: é deusa-mulher que renasce

do ventre de Iemanjá, é deusa-menina filha preferida de Oxalá.

Exaltando vaidade e beleza, Oxum é pássaro, é peixe, é a força da natureza e o poder

feminino na sua mais profunda realeza.

Ela, quando manifestada, apresenta-se vistosa, perfumada, enfeitada, admirando-se em seu

abebê (leque-espelho). Seu gesto, sua dança, assim como a inocência de uma criança,

reforçam nosso elo... Ora ieiê ô! Saudamo-la banhando-se, num ato singelo, vestida de

branco e amarelo.

É num sábado de lua crescente o melhor dia para lhe oferecer presentes. No balaio de

Oxum vão pulseiras, perfumes, espelhos e até pentes... Mas não nos esqueçamos de

bebidas, mel, flores, doces, frutas e do omolocum – um tipo de iguaria, também do agrado de Oxum.

Associada a elementos de aspectos maternos e angelicais, “Oxum é a divindade mãe de muitos filhos e ligada miticamente à cabeça, símbolo do útero e do poder feminino de

gestação3”. Rege o ventre, o parto e cuida das crianças recém-nascidas nos primeiros

passos de sua evolução.

No culto de origem africana, Oxum é mãe de Logunedé – rei das matas e das águas doces. No âmbito dos terreiros, seus filhos e filhas alcançam destaques em vários “cargos” (funções rituais). São Odu Oxê, ialorixás, ogãs, iabassê, iátebexê...

São muitas as ialorixás de Oxum e numerosas as que se destacaram no panorama das religiões afro-brasileiras.

Suas ialorixás São sua memória,

Preservam seu fundamento e sua história. Mãe Menininha do Gantois,

É uma que, no culto aos orixás, Seguiu sua trajetória.

Aqui, o sincretismo religioso enreda-se pela maternidade e mistérios como seu tema.

Oxum fertiliza-o e apresenta-nos como um poema:

Sou Oxum!

Mãe, deusa da boa hora. Façam de um samba, A minha oração.

Como a doçura de uma aurora Dou-lhes minha benção: Sou Oxum! Vossa Padroeira,

Sou Oxum! Nossa Senhora da Conceição. Carnavalesco: Júnior Pernambucano Pesquisa e texto: Marcos Roza

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5 Glossário:

Olorum é o Senhor Supremo. Oxumarê é deus do arco-íris. Iansã é a deusa do vento.

Xangô é o senhor da justiça e dono dos raios.

Oxum é a nossa homenageada: a mãe da água doce. Odudúa significa o nascimento dos iorubás.

Axé representa a força e a energia do orixá. Iorubá representa a origem dos orixás.

Orixás são deuses africanos que correspondem a pontos de força da Natureza. Oxogbô é o nome da cidade, na Nigéria, onde fica o “Templo de Oxum” e onde, anualmente, acontece o Festival de Òsún nas margens do rio do mesmo nome. Larô é o nome do rei que protagoniza a lenda de criação do “Templo de Oxum” em Oxogbô.

Ataojá é nome recebido pelo rei Larô após o pacto com o rio. Ele conduz o cortejo em homenagem Òsún no país de Iorubá – durante as comemorações à mãe d’água.

Aiê significa Terra.

Exu é deus-orixá do caminho e mensageiro dos orixás.

Jogo de búzios é uma das artes divinatórias das religiões de tradição africana. Obá é uma das esposas de Xangô.

Ogum é deus da guerra e do ferro. Oxossi é rei das matas.

Orunmilá é o deus da adivinhação. Iabá representa os orixás femininos. Oió é o reino de Xangô.

Ijexá é o nome da nação e do ritmo preferido de Oxum.

Abebê é o leque-espelho de Oxum.

Ora ieiê ô é uma saudação a Oxum. Significa “ore” (bondade), “ieiê” (mãe ou mamãe) e “ô” interjeição exclamativa.

Balaio de Oxum é uma cesta de presente destinada a Oxum.

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6 Logunedé é filho de Oxum com Oxossi, é rei das matas e das águas doces.

Odu Oxê é o zelador da casa de santo. Ialorixá é a zeladora espiritual.

Ogãs têm a função de tocar os atabaques e demais instrumentos da orquestra ritual. Iabassê é responsável pela cozinha da casa de santo.

Iátebexê é quem tira as cantigas dos orixás no momento das festas.

Mãe Menininha do Gantois era filha de Oxum e uma das sacerdotisas mais respeitadas do culto afro-brasileiro da Bahia.

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Referências

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