Funções sintáticas: complementos verbais
Objetivos
Reconhecer os efeitos semânticos dos complementos verbais em diferentes contextos da comunicação.
Identificar a classificação dos complementos verbais nas estruturas sintáticas, a fim de respeitar as normas gramaticais de regência.
Curiosidade
A transitividade verbal e os complementos verbais são conteúdos extremamente importantes para o estudo da regência. Inclusive, podemos modificar completamente o sentido de uma frase se mudarmos a transitividade de alguns verbos.
Teoria
Complementos verbais
Os complementos verbais, como o próprio nome já diz, completam o sentido de verbos transitivos na voz ativa.
Tipos de complementos verbais I. Objeto direto (OD)
Complementa, sem preposição obrigatória, o verbo.
Ex.: João comeu o bolo.
Morreu o escritor que Bianca amava.
O noivo a deixou no altar.
Pedro avisou a todos que chegaria mais cedo. (OD oracional)
Obs.: Ainda que seja comum aprendermos que o OD não é preposicionado, existem situações em que, mesmo o verbo não exigindo preposição, empregamos, por motivos gramaticais ou semânticos, o objeto direto preposicionado.
Ex.: Comi o bolo. (= comi o bolo todo) Comi do bolo. (= comi parte do bolo) Encontrou-me. (“me” = OD)
II. Objeto indireto (OI)
Complementa um verbo, obrigatoriamente, por meio de preposição.
Ex.: Respondi à questão.
Gosto de chocolate.
Eu lhe trouxe uma encomenda.
Pedro acredita no amor.
Torço para que todos encontrem a felicidade. (OI oracional)
III. Objeto direto e indireto
É comum vermos, em alguns casos, mais de um complemento (um OD e um OI) para o mesmo verbo.
Veja:
• Enviei a carta à minha mãe. (“a carta” = OD; “à minha mãe” = OI)
• Emprestei o carro para meu pai. (“o carro” = OD; “para meu pai” = OI)
• Agradeci o convite ao meu chefe. (“o convite = OD; “ao meu chefe” = OI)
Importante!
O pronome relativo como complemento verbal
Os pronomes relativos desempenham funções sintáticas. Para compreender melhor isso, é importante que tenhamos em mente o fato de que o antecedente do pronome e o pronome relativo nunca permanecem na mesma oração. Veja:
a) Morreu o escritor / que Maria amava.
“escritor” = sujeito.
“que” = OD do verbo “amar”
b) Morreu o escritor / de que Maria gostava.
“escritor” = sujeito
“de que” = OI do verbo “gostar”
Na modalidade coloquial da língua, há uma tendência de os falantes não empregarem a preposição, transgredindo a norma-padrão. Observe:
• O filme que gosto está passando na TV. (Coloquial)
• O filme do qual gosto está passando na TV. (Correto)
• O time que torço é o favorito do campeonato (Coloquial)
• O time pelo qual torço é o favorito do campeonato. (Correto)
Objeto pleonástico
Em primeiro lugar, é necessário entender o que é pleonasmo: trata-se de uma figura de linguagem que consiste na repetição “desnecessária” de palavras, como recurso enfático.
Na língua portuguesa, o objeto pleonástico tem por objetivo dar ênfase ao objeto (direto ou indireto). Observe:
a) “Eu aprecio a garota.” (“a garota” = OD)
“Eu a aprecio.” (“a” = OD)
“A garota, eu a aprecio.” (“A garota” = OD; “a” = Objeto pleonástico) b) A mim me resta ter fé. (“A mim” = OI; “me” = Objeto pleonástico)
c) Ao professor não lhe obedeço. (“Ao professor” = OI; “lhe” = Objeto pleonástico)
Note que, nos casos em que há objeito pleonástico, observamos dois fatores:
1. O termo que se tornará pleonástico ficará no início da frase.
2. A seguir, repete-se o termo sob forma de pronome pessoal (no objeto direto ou indireto) e sob forma de pronome demonstrativo, se for predicativo do sujeito com verbo de ligação.
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Exercícios de fixação
1.
Assinale a alternativa que contém um complemento verbal pleonástico.a) Assistimos à missa e à festa.
b) As moedas, ele as trazia no fundo do bolso.
c) Deste modo, prejudica-te e a ela.
d) Atentou contra a própria vida e dos passageiros.
e) Técnica e habilidade sobram-lhe aos adversários.
2.
(FCC-Adaptada) […] O maior foco desta demanda são os Estados Unidos, que consomem mais de 46%de toda a gasolina do planeta […].
“que consomem 46% de toda a gasolina do planeta”
O mesmo tipo de complemento exigido pelo verbo grifado acima está na frase:
a) ... o mundo sofre com a falta de capacidade de refino moderno ...
b) ... e outros adjacentes na Bacia de Santos vêm em ótima hora ...
c) Outra oportunidade reside em investimentos maciços em capacidade de refino.
d) ... mas esta é uma tendência que se vem espalhando como fogo em palha.
e) ... para gerar produtos de alto valor ambiental.
3.
(Puc-MG) Considerando que verbo transitivo direto requer complemento verbal chamado objeto direto, assinale a alternativa em que esse termo ocorre:a) O tostão é regateado com cerimônia.
b) Como viverei sem ti, meu bem?
c) Vamos... – disse Jesuíno.
d) Eram todos irmãos, felizmente.
e) E vão fazendo telhados.
4.
(FGV) Em cada uma das alternativas abaixo, está sublinhado um termo iniciado por preposição.Assinale a alternativa em que esse termo não é objeto indireto.
a) O rapaz aludiu às histórias passadas, quando nossa bela Eugênia ainda era praticamente uma criança.
b) Quando voltei da Romênia, o Brasil todo assistia à novela da Globo, todos os dias.
c) Quem disse a Joaquina que as batatas deveriam cozer-se devagar?
d) Com a aterrissagem, o aviador logo transmitiu ao público a melhor das impressões.
e) Foi fiel à lei durante todos os anos que passou nos Açores.
5.
(FEI) Em “Usando do direito que lhe confere a Constituição”, as palavras sublinhadas exercem a função, respectivamente, de:a) objeto direto e objeto direto b) sujeito e objeto indireto c) objeto indireto e sujeito d) sujeito e sujeito
e) objeto direto e objeto indireto
Exercícios de vestibulares
1.
(Puc-Campinas) "Quando amainar a chuva, veremos quantos bois sobreviveram às inundações de janeiro."Na frase acima, os termos grifados exercem a função sintática, respectivamente, de:
a) objeto direto, objeto direto e adjunto adverbial;
b) objeto direto, objeto direto e objeto indireto;
c) objeto direto, sujeito e adjunto adverbial;
d) sujeito, sujeito e objeto direto;
e) sujeito, objeto direto e objeto indireto.
2.
(Puc) "O homem está imerso num mundo ao qual percebe ..." A palavra em negrito é:a) objeto direto preposicionado b) objeto indireto
c) adjunto adverbial d) agente da passiva e) adjunto adnominal.
3.
(OMECE-SP) Assinale o “que” objeto indireto:a) A casa que você viu é minha.
b) O homem que trabalha vence na vida.
c) Que aconteceu com você?
d) O cargo a que aspiras é nobre.
e) O rapaz que chegou é meu conhecido.
4.
(FGV) Assinale a alternativa em que, pelo menos, um verbo esteja sendo usado como transitivo direto.a) Dependeu o coveiro de alguém que rezasse.
b) Oremos, irmãos!
c) Chega o primeiro raio da manhã.
d) Loureiro escolheu-nos como padrinhos.
e) Contava com o auxílio de Marina para cuidar do evento.
5.
(UDESC)A Ilha Grande não merecia ser um presídio. Desde as casas brancas dos pescadores que foram ficando para trás, lá embaixo, no Abraão, até os caminhos sinuosos que vão cortando as montanhas, tudo parece um cenário de liberdade. Olho para baixo e lá está o azul para se mergulhar, aquela faixa molhada da praia onde costumamos caminhar para refrescar os pés, o toque da brisa. Além do mais há mato, vegetação, verde. Tudo aqui é tão selvagem, tão natural, como é que poderiam ter imaginado um presídio nesta Ilha? Teria sido um requinte de crueldade, deixar que os punidos se lembrem diariamente da água, da areia, da brisa e do mato? Quando chegamos, todos os presos que tinham vista para a entrada estavam colados nas grades das celas. Queriam ver as novas caras. A Ilha seria o presídio de muitos anos, o lugar onde ficaríamos, talvez para sempre. Íamos olhando todo aquele cenário curioso, mas também com uma certa calma de quem vai reencontrá-lo muitas vezes.Passamos a guarda na entrada, penetramos no prédio branco, ganhamos uniformes e fomos introduzidos na galeria dos presos políticos.
Gabeira, Fernando. O que é isso, companheiro? Rio de Janeiro: Codecri, 1979, p. 181.
Assinale a alternativa correta em relação à obra “O que é isso, companheiro?”, Fernando Gabeira:
a) Em “os caminhos sinuosos que vão cortando as montanhas” há antítese.
b) No período “Olho para baixo e lá está o azul para se mergulhar”, os verbos destacados, quanto à transitividade, são classificados, na sequência, como verbo transitivo direto e verbo de ligação.
c) Em “Além do mais há mato, vegetação, verde” tem-se uma oração sem sujeito e as palavras destacadas são, sintaticamente, objeto direto.
d) A obra é narrada em 3ª pessoa com interferência do próprio autor, que relata também sua trajetória como militante político, durante o período da ditadura militar no Brasil.
e) No período “Passamos a guarda na entrada, penetramos no prédio branco, ganhamos uniformes e fomos introduzidos na galeria dos presos políticos”, “uniformes” é objeto indireto.
6.
(UEL) Marte é o FuturoO pouso na Lua não foi só o ápice da corrida espacial. Foi também o passo inicial do turbocapitalismo que dominaria as três décadas seguintes. Dependente, porém, de matérias-primas do século 19: aço, carvão, óleo. Lançar-se ao espaço implicava algum reconhecimento dos limites da Terra. Ela era azul, mas finita. Com o império da tecnociência, ascendeu também sua nêmese, o movimento ambiental.
Fixar Marte como objetivo para dentro de 20 ou 30 anos, hoje, parece tão louco quanto chegar à Lua em dez, como determinou John F. Kennedy. Não há um imperialismo visionário como ele à vista, e isso é bom. A ISS (estação espacial internacional) representa a prova viva de que certas metas só podem ser alcançadas pela humanidade como um todo, não por nações forjadas no tempo das caravelas.
Marte é o futuro da humanidade. Ele nos fornecerá a experiência vívida e a imagem perturbadora de um planeta devastado, inabitável. Destino certo da Terra em vários milhões de anos. Ou, mais provável, em poucas décadas, se prosseguir o saque a descoberto da energia fóssil pelo hipercapitalismo globalizado, inflando a bolha ambiental.
Adaptado de: LEITE, M. Caderno Mais!. Folha de São Paulo. São Paulo, domingo, 26 jul. 2009. p. 3.
Quanto à predicação verbal, é correto afirmar:
a) Em “Lançar-se ao espaço implicava algum reconhecimento” (linha 3), o verbo implicar, nesse contexto, é um verbo transitivo direto, por isso seu complemento não exige preposição.
b) Em “Não há um imperialismo visionário como ele à vista” (linha 6), o verbo haver é considerado um verbo de ligação, pois estabelece relação entre sujeito e seu predicativo.
c) Em “A ISS (estação espacial internacional) representa a prova viva” (linhas 6 e 7), o verbo representar é intransitivo, portanto, não necessita complemento.
d) Em “Marte é o futuro da humanidade” (linha 8), o verbo ser é classificado como verbo transitivo direto e indireto, ou seja, possui um complemento precedido de preposição e outro não.
e) Em “Ele nos fornecerá a experiência vívida e a imagem” (linhas 8 e 9), o verbo fornecer é classificado como verbo defectivo, pois não apresenta a conjugação completa.
7.
(UNIFESP) Quando se quer chamar atenção para o Objeto Direto que precede o verbo, costuma-se repeti-lo. É o que se chama Objeto Direto Pleonástico, em cuja constituição entra sempre um pronome pessoal átono.(Celso Cunha e Lindley Cintra. Nova gramática do português contemporâneo, 2000.) Verifica-se a ocorrência de objeto direto pleonástico em:
a) “As que o viveram ou são, como eu, os mortos-vivos, ou – apenas – os desencantados”
b) “Esses dez anos esvoaram-se-me como dez meses.”
c) “Por tudo isso, independentemente do belo discurso de defesa, o júri concedeu-me circunstâncias atenuantes.”
d) “Simplesmente, este momento culminante raras são as criaturas que o vivem.”
e) “Atingido o sofrimento máximo, nada já nos faz sofrer.”
8.
(Espcex) Assinale a oração em que o termo ou expressão grifados exerce a função de objeto indireto.a) Cumprimentei-as respeitosamente.
b) Perderam-na para sempre.
c) Amava mais a ele que aos outros.
d) Eu culpo a tudo e a todos.
e) Obedeceu-lhe prontamente.
9.
(UEA) Servidores da Funai morreram ao tentar contato com índios isolados na AmazôniaA imensidão do Brasil revela que existem regiões que não foram desbravadas e que mantêm até hoje povos que habitavam o solo nacional antes da chegada das caravelas de Pedro Alvares Cabral. Na Terra Indígena Vale do Javari, na fronteira do Brasil com o Peru e Colômbia, por exemplo, existem entre 2 mil e 3 mil índios que nunca tiveram contato com homens de outras etnias. O vale tem o maior mosaico visual de referências indígenas isoladas do mundo. (...)
(www.acritica.uol.com. Adaptado)
Uma das funções da partícula “que” é a de conjunção integrante, podendo, por exemplo, introduzir uma oração com valor de objeto direto. Das cinco ocorrências do “que”, no parágrafo, a única que tem essa característica é a do trecho:
a) “que não foram desbravadas”.
b) “que existem regiões”.
c) “que mantêm até hoje povos”.
d) “que nunca tiveram contato”.
e) “que habitavam o solo nacional”.
10.
(UFMS) Leia o fragmento do poema “Canção do vento e da minha vida”, de Manuel Bandeira, e responda à questão a seguir.O vento varria as folhas, O vento varria os frutos, O vento varria as flores...
E a minha vida ficava Cada vez mais cheia
De frutos, de flores, de folhas.
Tanto o verbo varrer quanto o adjetivo cheia regem complementos. Observe a presença ou a ausência de preposição nesses dois casos e responda:
a) Varrer é um verbo transitivo indireto, o que pressupõe uma ação indireta do eu lírico sobre as coisas que o circundam.
b) o termo “vento” é sujeito de “varrer”, que se liga diretamente aos seus complementos.
c) o valor semântico da preposição “de” em “cheia de” é o de qualidade, caráter.
d) os complementos do adjetivo “cheia” (“frutos, flores, folhas”), devido à preposição, exercem a função sintática de objeto indireto.
e) A função sintática dos complementos do verbo varrer é a de objeto indireto.
Gabaritos
Exercícios de fixação:
1. B
Em “As moedas, ele as trazia no fundo do bolso”, há um objeto direto pleonástico, pois tanto “as moedas”
quanto “as” desempenham a mesma função, a de objeto direto.
2. E
“Consomem” é transitivo direto, assim como “gerar”.
“Sofre” é intransitivo.
“Vem” é intransitivo.
“Reside” é transitivo indireto.
“É” é verbo de ligação.
3. E
O verbo “fazer” exige um complemento direto – sem preposição.
O tostão é regateado com cerimônia. (verbo auxiliar do verbo principal regateado) Como viverei sem ti, meu bem? (verbo intransitivo)
Vamos... – disse Jesuíno. (verbo intransitivo) Eram todos irmãos, felizmente. (verbo de ligação)
4. E
Na letra E, “à lei” está completando o sentido do adjetivo “fiel”, e não de um verbo. Portanto, trata-se de um complemento nominal.
5. E
que – é objeto direto.
lhe – o pronome oblíquo "que" funciona como objeto indireto.
Exercícios de vestibulares
1. E
“Chuva” é sujeito de “amainar”, que significa “estiar”, “acalmar”.
“Quantos bois” é objeto direto do verbo transitivo direto “ver”.
“às inundações” é objeto indireto de “sobreviveram”.
2. A
Não existe necessidade de preposição entre o verbo e o seu objeto, pois quem percebe, percebe algo.
Devemos entender que há duas orações nesse período: 1 – o cargo é nobre.; 2 – Tu aspiras ao cargo. O pronome relativo “que” foi utilizado para evitar a repetição de “cargo”, mas, como percebemos, a preposição se faz necessária. Desse modo, temos um “que”, objeto indireto, na alternativa D.
4. D
“Escolheu-nos” é VTD (“nos” é o OD)
Dependeu o coveiro de alguém que rezasse. (verbo transitivo indireto) Oremos, irmãos! (verbo intransitivo)
Chega o primeiro raio da manhã. (verbo intransitivo)
Contava com o auxílio de Marina para cuidar do evento. (verbos transitivos indiretos)
5. C
Tem-se uma oração sem sujeito, pois o verbo “haver” está em terceira pessoa, com sentido de “existir”.
As palavras destacadas são objetos diretos.
6. A
As opções B, C, D e E são incorretas, pois, nas frases citadas, o verbo “haver” é impessoal, no sentido de existir; o verbo “representar” é transitivo, com “prova viva” como seu objeto direto; o verbo “ser” é verbo de ligação entre o sujeito “Marte” e o seu predicativo “o futuro da humanidade”; e o verbo “fornecer” é um verbo regular, apresentando conjugação completa. É correta a opção A, pois o verbo implicar, no contexto, é um verbo transitivo com objeto direto, “algum reconhecimento”, por isso sem preposição.
7. D
“Este momento culminante” é OD do verbo “viver”, assim como o pronome oblíquo “o”, que é objeto pleonástico.
8. E
O verbo “obedecer” é transitivo indireto, assim como o pronome “lhe” cumpre a função de OI. Ainda que haja objetos preposicionados em outras alternativas, trata-se de objetos diretos preposicionados, e não de objetos indiretos.
9. B
“Que existem regiões” é objeto direto do verbo “revelar”.
10. B
“Varrer” é transitivo direto. Por isso, a letra B está correta, e as letras A e E estão incorretas. Além disso, os complementos do adjetivo “cheia” são complementos nominais.