OS DRAGÕES NO RIO GRANDE DO SUL
NA VISÃO DE UM HISTORIADOR
MILITAR
vutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
FRANCISCO DAS NEVES ALVES'
RESUMO
Deoclécio De Paranhos Antunes, militar com pendores de historiador, que atuou nas décadas de 1930 a 1950, dedicou uma de suas obras ao estudo da ação dos dragões no Rio Grande do Sul. Nesse livro, o autor reproduz várias das premissas que o discurso historiográfico tradicional construiu acerca dos dragões, constituindo-se em mais uma das versões que contribuiu para a cristalização da imagem e do símbolo de um "mítico" dragão gaúcho.
PALAVRAS-CHAVE: Revolta dos Dragões, história, historiografia
o
MLKJIHGFEDCBA
p o v o c ria a le g e n d a . Os e s c rito re s re g is tra m ah is tó ria .
P o r m a is in d e p e n d ê n c ia q u e te n h a u m e s c rito r h a v e rá s e m p re u m p o u c o d e p a rc ia lid a d e n a q u ilo q u e ~ c re v e r. Op o v o , s e m id é ia s p re c o n c e b id a s , e n d e D s a a q u e le s q u e o m e re c e m . P o r is s o c re io
n a le g e n d a .
Deoclécio de Paranhos Antunes,
Id é ia s h e te ro g ê n e a s e c o n tra d itó ria s
À
época da gênese da colonização portuguesa no extremo sulbrasileiro - com a expedição do brigadeiro José da Silva Paes,
fundando o Presídio Jesus-Maria-José, origem da localidade do Rio
Grande -, tendo em vista o caráter estratégico-militar daquela região em
litígio, fruto da expansão lusa em direção ao Prata, e as conseqüentes
disputas com os hispano-americanos, a presença de um contingente
militar tornava-se fundamental para a manutenção das fronteiras, e
neste quadro se daria a atuação do regimento de dragões no Rio
Grande do Sul. A ação desse regimento no processo de expansão
colonial nas terras gaúchas se tornaria um elemento recorrente na
• Professor do Dep. de Biblioteconomia e História FURG. Doutor em História do Brasil -PUCRS.
produção historiográfica sul-rio-grandense, mormente junto daqueles
escritores ligados à historiografia tradicional, os quais elevaram os
dragões à categoria de verdadeiros heróis, mitificando-os como os
baluartes-da fundação de um Rio Grande do Sul português.
Neste -sentido, principalmente entre as décadas de trinta e
cinqüenta do século vinte, surgiram vários ensaios, artigos e livros
versando a respeito dos dragões gaúchos que marcariam a visão acerca
desse contingente militar ao longo dos decênios seguintes,
influenciando de modo indelével grande parte da construção
historiográfica rio-grandense sobre o tema. Neste contexto historiográfico
esteve inserida a obra de um militar gaúcho que também atuou como
historiador - Deoclécio De Paranhos Antunes, nascido em Rio Pardo a 4
de julho de 1902 e falecido no Rio de Janeiro a 20 de agosto de 1962.
Foi também poeta, crítico e sociólogo, atuando em várias instituições de
cultura de sua época. Pertencia ao Instituto de História e Geografia
Militar, aos Institutos Históricos do Rio Grande do Sul, Santa Catarina,
Rio Grande do Norte e Petrópolis, às Academias Rio-Grandense de
Letras e Alagoana de Letras, à Federação das Academias de Letras do
Brasil, à Sociedade de Homens de Letras do Brasil, ao Instituto
Genealógico Brasileiro, ao Instituto Heráldico e Genealógico de São
Paulo, à National Geographic Society de Washington, à Confraternité
Universelle Balzacienne e ao Instituto de Colonização Nacional
(cf. Villas-Bôas, 1974, p. 29-31; Antunes, 1946, p. 1-2).
Mesmo em sua carreia militar, Antunes esteve ligado a atividades
de ensino e pesquisa, atuando como professor na Escola de Intendência
do Exército, como consultor Técnico do Conselho Nacional de Geografia
e Instrutor na Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais, além do que
publicou uma grande variedade de obras entre poesias, ensaios,
biografias, discursos e teses. Em sua carreira como escritor, o militar
dedicou especial atenção à história regional em trabalhos como "História
de Cachoeira" (1930), "História de Rio Pardo" (1933), "Antonio Vicente da Fontoura" (1935), "Episódios e perfis de 1835" (1935), "O combate
do Rio Pardo" (1936), "Os partidos políticos no Rio Grande do Sul de
1822 a 1889" (1936), "Os Sete Povos das Missões" (1937), "Origens
dos primeiros núcleos urbanos" (1937), "Notas para a história do
charque" (1937), "A indústria da lã no Rio Grande do Sul" (1937), "Porto Alegre no século XVIII" (1940), "Itinerários mentais da Pampa Brasileira" (1940), "Limites e povoamento do Brasil Meridional" (1937), "Osório -perfil de um herói" (1941), "Andrade Neves, o Vanguardeiro" (1943), "Os prateiros do Rio Grande do Sul" (1949), "Ofícios do Barão de Caxias"
(1950) e "Conde de Porto Alegre" (1952) Villas-Boas, 1974, p. 29-31;
Antunes, 1946, p. 1-2).
40 Biblos, Rio Grande, 14: 39-46, 2002.
De Paranhos Antunes conviveu com a atmosfera intelectual
gaúcha dos anos trinta a cinqüenta, interagindo com alguns dos mais
importantes representantes da historiografia tradicional
sul-rio-grandense e recebendo significativa influência desses autores. Sobre
esse ambiente cultural, o próprio autor afirmava: "conta o Rio Grande do
Sul, atualmente", com "uma plêiade brilhante de intelectuais",
qualificando-os como "espíritos claros, inteligências robustas que
elevam o Rio Grande". Ao referir-se aos historiadores, o militar
referenciava alguns daqueles que grande influência exerceriam na sua
obra como Souza Docca, Aurélio Porto e Walter Spalding, que, entre
outros, segundo ele, "vieram reforçar a ala dos que estão fazendo a
verdadeira história rio-grandense". Já a respeito das instituições de
cultura no Rio Grande do Sul de então, Antunes declarava que "o
movimento intelectual rio-grandense, atualmente, é intenso,
intensíssimo mesmo", destacando o "elevado número de sociedades
literárias e culturais em todo o Estado", que "congregam os nossos
melhores intelectuais"; fazia também referência ao grupo de estudiosos
que se reunia em torno da Livraria do Globo, adjetivada como "uma
casa que honra o Brasil, eleva o Rio Grande e serve de um
extraordinário estímulo aos seus intelectuais (Antunes, 1937, p. 7-10).
A obra na qual De Paranhos Antunes historia a atuação dos
dragões no Rio Grande do Sul foi
MLKJIHGFEDCBA
D ra g õ e s d e R io P a rd o , publicada em1952, quando o militar era tenente-coronel e atuava na Comissão
Diretora de Publicações da Blblioteca do Exército, instituição
responsável pela edição do referido livro. Um dos principais objetivos do
autor em D ra g õ e s d e R io P a rd o , reflexo de sua própria formação
profissional, foi destacar o papel militar deste grupamento, como se
pode observar na própria denominação de vários dos capítulos do livro,
como "Fundação do Rio Grande e organização dos Dragões",
"Fundação de Rio Pardo e transferência dos Dragões para ali",
"Os Dragões na Batalha de Caibaté", "A desforra do Rio Grande depois da invasão espanhola de 1763", "Conquista do Forte de Santa Tecla", "A expulsão dos intrusos", "A conquista dos Sete Povos das Missões",
"Campanha contra Artigas", "O 5º Regimento de Cavalaria na Batalha
do Passo do Rosário" e "Comandantes do Regimento de Dragões",
constituindo-se em verdadeiro itinerário cronológico da ação militar dos
dragões ao longo da história gaúcha. Além disto, o escritor também
dedicou espaço para o papel desempenhado pelos dragões na
formação humana do Rio Grande do Sul, dedicando atenção à
"Influência social dos dragões". Em sua obra, Antunes amparou-se nos
escritos de alguns dos exponenciais da historiografia tradicional gaúcha,
como Borges Fortes, Aurélio Porto e Walter Spalding, referenciando-os,
Biblos, Rio Grande, 14: 39-46,2002.
citando-os indireta ou literalmente e reproduzindo alguns dos principais
conceitos e convicções destes autores a respeito do conjunto da
formação histórica gaúcha e, particularmente, acerca da criação do mito
do dragão gaúcho (ver: Porto, 1928, p. 3; Borges Fortes, 1930, p. 2, e
Spalding, 1936, p. 219-236).
Localizando a origem do regimento de dragões na expedição que
levou à ocupação portuguesa no Rio Grande, Antunes descreveu a
campanha de Silva Paes como verdadeira epopéia que, após
malogrados os intentos no Prata, levaria à fixação lusa nas terras
rio-grandenses. Neste sentido, demarcando a importância do indivíduo
como motor da história, em geral personificado pelo "líder" e/ou pelo
"herói", o autor destacava que "o benemérito fundador do Rio Grande"
deixara "no Presídio o embrião do futuro Regimento de Dragões", de
modo que foi "à tenacidade do brigadeiro Silva Paes que se deve a
formação do Regimento de Dragões do Rio Grande de São Pedro, no
mesmo ano da fundação da primeira capital rio-grandense, poucos
meses depois, em agosto de 1737". Ainda destacando a atuação dos
comandantes militares no Rio Grande do Sul, o escritor explicava que o
terceiro comandante fora o consolidador da obra inicial de Silva Paes,
afirmando que "quem organizou, realmente, o glorioso Regimento dos
Dragões foi o coronel Diogo Osório Cardoso, tronco da família no Rio
Grande do Sul" (Antunes, 1954, p. 11-14 e 18).
As amplas dificuldades de fixação humana na região escolhida
para a ocupação do Rio Grande, impostas pelas intempéries e
principalmente pelos grandes obstáculos ao abastecimento, levaram os
primeiros habitantes a uma sobrevivência penosa, a qual foi também
compartilhada pelos soldados. Da crescente insatisfação para com as
autoridades metropolitanas, que praticamente largavam os novos
colonos à sua própria sorte, adviria uma rebelião dos militares, apoiados
pelo conjunto da população, também submetida à falta de assistência.
Assim, a Revolta dos Dragões, ocorrida em 1742, se caracterizou como
um movimento de cunho social, fruto das reivindicações populares e que
contou com os dragões como seus principais elementos motores.
A historiografia tradicional (ver Alves, 1999a, p. 54-57; Alves, 1999b,
p. 19-24) buscou apontar esta revolta como essencialmente militar, ou
seja, procurou evitar qualquer conotação que levasse a possíveis
identificações como uma insurreição popular, reduzindo o movimento a
uma manifestação única e exclusivamente oriunda da caserna.
Além disso, segundo essa tendência historiográfica, os revoltosos
tinham em si uma fé patriótica, só se rebelando devido às dificuldades
em que viviam, mas, assim mesmo, jamais teriam abandonado a defesa
da bandeira lusa. Nesta linha, esses autores muitas vezes silenciaram
42 Biblos, Rio Grande, 14: 39·46, 2002.
diante da possibilidade, inclusive aventada por alguns rebeldes, de
bandearem-se para os lados da Coroa Espanhola. A agitação no Rio
Grande levaria até mesmo Silva Paes a retornar às terras gaúchas
visando acalmar os ânimos. Na concepção da historiografia tradicional,
a presença de Silva Paes significou o encerramento do movimento, com
o posterior perdão concedido aos revoltosos. De acordo com esta visão,
vários destes historiadores simplesmente negligenciam o tato de que,
mesmo após a chegada do brigadeiro, a comoção permaneceu e as
incertezas quanto aos destinos do novo povoado ainda se fariam sentir
até a vinda de parte dos soldos, víveres e fardamentos devidos, e ainda
assim com relutância de parte de alguns dos rebelados, que acabariam
por aceitar o retorno à normalidade diante das promessas das
autoridades de saldar as dívidas e ratificar o perdão.
Bebendo destas fontes, De Paranhos Antunes repetiu em sua
obra várias destas asseverações. Ao referir-se à revolta, o autor
centrou sua narração na descrição das dificuldades enfrentadas pelos
militares, deixando de destacar que os mesmos males atingiam o
conjunto da população do jovem povoado. De acordo com o escritor,
"cinco anos havia que Silva Paes fundara aquele presídio militar na
barra do Rio Grande de São Pedro", e os mesmos "cinco anos fazia
que os primeiros dragões ali aportados sofriam barbaramente,
comendo o pão que o diabo amassou". Destacou ele as péssimas
condições de sobrevivência dos soldados - "aqueles verdadeiros
heróis do presídio" - ligadas principalmente à falta de fardamentos, de
mantimentos e de soldos, além do~ maus tratos sofridos de parte de
alguns dos oficiais superiores. Antunes explicava que "tudo parecia
conspirar contra eles, esses pobres homens que tudo haviam
abandonado pela pátria que tão maios recompensava" (Antunes,
1954, p. 19-20).
Diante deste quadro, o historiador militar argumentava que a
revolta fora a única alternativa viável aos dragões em busca de
melhores condições de vida, afirmando que "os dragões, apesar de toda
a sua boa vontade e fidelidade ao juramento prestado, não podiam
continuar suportando aquele estado de coisas", resolvendo, por isso
destituir seus comandantes, instalando um estado insurrecional. Para o
autor, tendo em vista a "impossibilidade de mandar para o Rio Grande
novos soldados" e por tratar-se de uma região em litígio, as autoridades
metropolitanas buscaram agir de modo a pacificar os ânimos.
Reproduzindo as convicções de vários de seus "mestres", Antunes
também demarcou o final da revolta na chegada de Silva Paes ao Rio
Grande, silenciando quanto aos fatos que se seguiram à vinda do
brigadeiro. Citando Borges Fortes, o autor concluía sua narração a
Biblos. Rio Grande, 14: 39·46, 2002.
respeito da Revolta dos Dragões: "Raiou para os revoltosos uma aurora
de justiça. A lei exigia-Ihes muito, prometia-Ihes tudo - o governo
faltava-Ihes também com tudo e por seus instrumentos ainda os
maltratava, aviltava e sacrificava"; daí a justeza deste movimento que,
acima de tudo, não teria ferido o projeto de um Rio Grande do Sul
essencialmente português (Antunes, 1954, p. 21-25).
Após a sua atuação na primeira povoação lusa no Rio Grande
do Sul, os dragões seriam deslocados para Rio Pardo e daí
espraiaram-se pelo território gaúcho, participando de vários dos
conflitos bélicos dos quais adviria a formação da fronteira
sul-rio-grandense. A historiografia tradicional, neste sentido, elegeria os dragões
como um dos membros eméritos a ocupar o panteão dos segmentos
fundadores do Rio Grande do Sul, colocando-os como homens adiante
do seu tempo que, em nome de um patriotismo, teriam se batido pela
edificação e povoamento de um território, tudo como uma atitude
altruística e não como iniciativas de interesse individual, na busca de
melhores condições de vida e/ou de ascensão social. Criou-se, assim,
um verdadeiro mito do dragão gaúcho, ao plasmar nele a identidade
de um herói, quase uma lenda viva que, mais do que contribuir, levou
adiante a missão de construir o Rio Grande.
De Paranhos Antunes auxilia na construção deste mito ao
apresentar uma visão heróica dos dragões. Neste sentido, a simples
descrição destes, segundo a concepção do autor - que por sua vez
repetia a de alguns de seus antecessores - já alicerçava aquela visão,
sendo apresentados os dragões como "altos, vistosos, fortes, cheios de
resolução e de audácia, acostumados às lides guerreiras, de uma
gentileza encantadora, principalmente com as damas". A versão
romantizada a respeito das dragões sustentava o processo de
mitificação, como ao assim descrevê-Ios: "sempre prontos como os
cavaleiros da Idade Média a combater, a morrer, pelo seu Deus e sua
Dama, eram os dragões, para as moças casadoiras, ótimo partido". A
descrição era deste modo concluída: "dentro de sua farda azul marinho
com debruns de ouro, calção até aos joelhos, botas de polimento,
espadim ao lado, e um capacete com penacho azul e outro do qual saía
o cabelo comprido, amarrado por uma fita -, o dragão aliava ao prestígio
pessoal o encanto da farda" (Antunes, 1954, p. 146).
A respeito do papel dos dragões na formação humana gaúcha, o
historiador militar destacava que "sua influência foi definitiva na
constituição da sociedade rio-grandense", uma vez que "insulados
quase, num reduto de fronteira, vivendo vida à parte da comunhão do
continente, ali se caldeava essa raça forte, tenaz e paciente, valente e
nobre", a qual "se irradia depois da conquista feita, palmo a palmo, do
44 Biblos. Rio Grande, 14: 39·46, 2002.
vasto interlande rio-grandense, por toda parte, numa expansão
admirável, depositando as sementes que floriram mais tarde em
caráteres robustos". Na mesma linha, o autor explicava que a atuação
dos dragões extrapolara a ação militar, ligando-se também à fixação
humana ao solo, pois, "soldados e povoadores, essa semente
germinava quer nos fogões gaúchos das estâncias, quer nos núcleos
outros de povoamento a que ia dando origem", representados por várias
"cidades espalhadas pela vasta campanha rio-grandense" (Antunes,
1954, p. 147).
No sentido da heroificar os dragões, Antunes não deixou de
lembrar que "sucessivamente foram passando pelo Regimento vultos
que se tornaram históricos pelas façanhas e pela bravura lendária".
Assim, segundo o autor, "a influência social dos dragões em todo o Rio
Grande do Sul foi enorme", de modo que "o regimento tornou-se desde
os primeiros tempos uma unidade de elite na terra gaúcha e era uma
honra servir em suas fileiras", tanto que "alguns dos maiores generais
do Brasil formaram-se naquela tarimba de heróis". Neste sentido, o
escritor citou várias das famílias oriundas dos dragões, destacando
diversos "personagens da história gaúcha", entre "outros, tantíssimos
outros, troncos e rebentos admiráveis dessa raça de grandes servidores
da pátria". Tendo em vista este caráter "heróico" dos dragões foi
que o historiador militar gaúcho dedicou-se a sobre eles escrever, para,
desta maneira, traçar "o valor e o renome de várias gerações de
soldados formados nas fileiras dç"s bravos dragões" (Antunes, 1954,
p.145,14ge151). t:
Assim, Deoclécio De Paranhos Antunes, ao descrever a atuação
do Regimento de Dragões no Rio Grande do Sul, refletiu suas
concepções acerca da história, centrando sua narração nos atos
militares praticados pelos dragões nas terras gaúchas, Segundo o autor,
aquele regimento garantiu a edificação das fronteiras
sul-rio-grandenses, defendendo e promovendo a povoação do território
gaúcho. Através de seus escritos, Antunes contribuiu para a construção
de uma visão mitificada acerca dos dragões que cristalizou a imagem de
herói ou personagem lendário que, através de seus atos altruísticos e
patrióticos, levou à formação da terra gaúcha.
O
trabalho do historiadormilitar refletia os conceitos e as formas de pensar inerentes à conjuntura
histórica e historiográfica na qual atuou] auxiliando, deste modo, na
construção de um discurso historiográfico que visava cristalizar a figura
do dragão como um dos principais componentes na formulação de um
Rio Grande do Sul exclusivamente português e brasileiro. Neste sentido,
De Paranhos Antunes, por meio de sua obra sobre os dragões, reforçou
várias das teses legitimadoras daquele discurso, muitas das quais, ao
longo do tempo, pela constante recorrência, acabariam por se tornar
"verdades" incontestáveis a respeito da formação histórica
rio-grandense-do-sul.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ALVES, Francisco das Neves. A Revolta dos Dragões: versões & historiografia. In:
ALVES, F. N.; TORRES, L. H.
MLKJIHGFEDCBA
T ra je tó ria s d a h is to rio g ra fia . Rio Grande: FURG, 1999a. p. 53-8.---o A Revolta dos Dragões: uma perspectiva historiográfica. In: ---o (org.). P o r
u m a h is tó ria m u ltid is c ip lin a r d o R io G ra n d e .Rio Grande: FURG, 1999b. p. 19-24.
ANTUNES, Deoclécio De Paranhos. Id é ia s h e te ro g ê n e a s e c o n tra d itó ria s . Porto Alegre: Globo, 1932.
---o Itin e rá rio s m e n ta is d a P a m p a B ra s ile ira .Porto Alegre: Globo, 1937.
---o P a s s a d o e p re s e n te d a e c o n o m ia b ra s ile ira . Rio de Janeiro: Biblioteca Militar -Ministério da Guerra, 1946.
---o D ra g õ e s d e R io P a rd o . Rio de Janeiro: Biblioteca do Exército - Ministério da Guerra, 1954.
FORTES, João Borges. O levante dos Dragões do Rio Grande em 1742. C o rre io d a
M a n h ã .Rio de Janeiro, 18 novo 1930. p. 2.
PORTO, Aurélio. Os Dragões de Rio Pardo.A F e d e ra ç ã o .Porto Alegre, 26 jul. 1928. p. 3. SPALDING, Walter. Os dragões do Rio Grande do Sul. R e v is ta d o In s titu to H is tó ric o e G e o g rá fic o d o R io G ra n d e d o S u l.Porto Alegre: Globo, ano XVI. p. 219-236, 3. trim. 1936 VILLAS-BÔAS, Pedro.N o ta s d e b ib lio g ra fia s u l-rio -g ra n d e n s e . Porto Alegre: IEL:A N a ç ã o ,
1974.
~