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E N S IN O D E H IS T Ó R IA N A S E S C O L A SM U N IC IP A L E E S T A D U A L D E R IO G R A N D E : U M A A V A L lA Ç Ã O +
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sONIA MARIA RANINCHESKI*
ADRIANA SENNA**
JUSSEMAR WEISS-*
RESUMO
Este artigo éum relato de depoimentos de professores que atuam na área de história no município de Rio Grande, sobre sua prática em sala de aula. Os
dados foram coletados em uma pesquisa com a utilização da técnica
qualitativa denominada "grupos de percepção". Com base nos debates ocorridos entre os professores que compareceram aos grupos, foi possível levantar dimensões relacionadas com a função da Universidade na formação docente. Foi verificado, entre outros aspectos, um grande distanciamento entre a Universidade enquanto instituição. e o cotidiano dos professores de 1.0e2.0
graus em sala de aula. Constataram-se, ainda em referência à Universidade, outras dimensões, tais como abandono, ceticismo e decepção.
1 - IN T R O D U Ç Ã O
A questão do ensino de história e a percepção dos professores dessa disciplina quanto ao seu papel na escola e na sociedade, neste fim de século, deve ser tratada não apenas como um problema relacionado aos arranjos de currículos específicos, mas como possibilidade de construção de entendimento de sua realidade social e, portanto, da comunidade escolar em que ele - professor - e seus alunos fazem parte. Nesse sentido, o papel do
+ O presente artigo éum relato de uma pesquisa desenvolvida na FURG no primeiro semestre de 1996, cuja preocupação esteve centrada no ensino de história nas escolas de 1.° e2.°graus da rede municipal e estadual. O projeto original consistia em dois momentos: no
primeiro, a realização de grupos de percepção com alguns professores da área para um
debate mais profundo sobre o tema em questão. O segundo momento consistiria no
desenvolvimento da pesquisa quantitativa. Entretanto, somente a primeira parte pôde ser executada.
*Professora e pesquisadora do Dep. de Biblioteconomia e História - FURG,
mestranda em Ciência Política - UFRGS.
H.Istória - FURG.** Professora do Dep. de Biblioteconomia• e História e coordenadora do curso de
A.nllga. *** Professor do Dep. de Biblioteconomia e História - FURG. Especialista em História
professor passa a ser um elemento chave, na medida em que, teoricamente ele possui formação de historiador para elaborar explicações da realidad~ histórica, seja atual ou passada, e também possui a instrumentação necessária para transmitir e criar com o aluno esse conhecimento.'
Essa busca de realização do ensino de história como um instrumento para a identificação do contexto sócio-político e virtual intervenção no espaço social, durante a década de 70 e meados de 80 foi ponto central de debates nas esferas acadêmicas e em alguns setores da sociedade civil". No entanto verifica-se que esses objetivos explicitados parecem ter se tornado lugar~ comum e perdido a potencial idade de alguma eficácia. O que teria ocorrido para que, do discurso progressista, presenciemos uma retórica vazia ou sentimentos de impotência dos professores de história? Quais as razões para que os professores de um modo geral e professores de história, de forma específica, demonstrem uma certa ausência de compreensão do seu papel social como educador e do seu papel como sujeito de um meio social?
A fim de responder essas perguntas, foi desenvolvido um trabalho de pesquisa, procurando questionar junto ao professor qual seria a sua percepção de sua função como educador, de maneira mais ampla, e da sua disciplina, a história, num universo mais restrito. O objetivo da pesquisa estava centrado na investigação acerca da situação do ensino em história no
1.0
e 2.0
graus da rede municipal e estadual na cidade de Rio Grande, localizada na parte meridional do Brasil, tendo como fonte de dados os depoimentos de uma amostra de professores da área de história desta cidade, no estado do Rio Grande do Sul.3Na primeira fase da pesquisa, foi utilizada a técnica qualitativa, pouco tradicional em história, denominada "Grupos de Percepção". A dinâmica da pesquisa consistiu em reunir professores de história, aleatoriamente, num total de 20% de professores da rede municipal e estadual, em cinco grupos distintos, de acordo com a rede de ensino a que estavam vinculados."
1 LUKÀCS, Georg.
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H is t ó r ia e c o n s c iê n c ia d e c la s s e . Rio de Janeiro Elfos, 1989. PESAVENTO, Sandra. A H is t ó r ia d o f im d o s é c u lo em b u s c a d a e s c o la . Porto Alegre: Dep História/UFRGS, 1995 (mimeo).2 Essa preocupação com o ensino de um modo geral e em particular com a área de
ciências humanas verificou-se atê mesmo entre os órgãos de fomento àpesquisa, traduzindo-se em apoio a publicações sobre o tema. Ver: NEVES, Maria Aparecida Mamede. E n s in a n d o e
a p r e n d e n d o h is t ó r ia . São Paulo: EPU, 1985.
3 Entende-se que, sendo este um estudo de caso, há a possibilidade de, embora tendo
um espaço social específico, ampliar o debate para outras realidades sociais igualmente de exclusão social e crise econômica.
4 A escolha de tal técnica está relacionada com o entendimento explicitado por De
Grazia, quando afirma que, em se tratando de questões metodológicas, as ciências sociais (aqui incluídas a história) estão misturadas, como uma f a m í lia b r ig o n a , na qual nenhum membro está certo de seu local na família ou mesmo seu futuro como Ciência. Ninguém tem
98
BIBLOS. Rio Grande, 9: 97·104. 1997.A primeira fase da pesquisa se constituiu, portanto, no levantamento de dados qualitativos, através da realização dos grupos de percepção, As diSCUssões ocorreram livremente, sem a manifestação do pesquisador no sentido de dialogar com os professores, A intervenção do pesquisado se deu em poucos momentos, basicamente na formulação de algumas perguntas que serviriam como orientadoras no debate."
A partir dos depoimentos dos professores, apesar de se constituírem de falas de experiências dos professores aleatoriamente escolhidos para fazer parte da amostra, foi possível identificar pontos comuns entre as diferentes realidades, e assim, para sistematizar o estudo, criaram-se algumaS dimensões como categorias de análise."
2 - AS DIMENSÕES ENCONTRADAS
2.1-ldentidade do profissional de história
Os professores entrevistados apresentaram uma identidade genérica. Ou seja, são professores, independente da área. Essa identidade mais genérica parece se alicerçar mais nas condições péssimas das escolas - falta giz, faltam livros, falta professor, falta segurança - na medida em que retratam dificuldades relacionadas com as condições gerais da educação, sem determinar mais especificamente as dificuldades encon-tradas no ensino da história, Em um determinado grupo foi perguntado:
" ( , . . ) m a s , e a h is t ó r ia n is t o t u d o ? " , e eles responderam "...m a s is t o é
h is t ó r ia ? "
Verificou-se também que esse sentimento genenco estaria ocasionando uma sensação de que os professores entrevistados poderiam ser professores de qualquer outra área, É como relata uma professora de
1.0
grau de uma escola de centro: " E u s o u p r o f e s s o r a d e h is t ó r ia e d e p r é -e s c o la , à t a r d e , f o i p a r a a ju d a r u m a a m ig a " . Além disso, uma grande parteseu quarto privativo. Todas são interdependentes, sendo diferenciadas pelo objeto, não pelo método.
S As duas técnicas qualitativas e quantitatívas se complementam, como coloca
Shapiro na sua análise sobre o papel dos s u r v e y s em pesquisas na área das ciências sociais. Ver: SHAPIRO, Gilberto & VIDICH, Arthur J. A comparison of participant observation and Survey data. In: A m e r ic a n S o c io lo g ic a l R e v ie w , v. 20, n. 1, p. 28-33, 1995. Como foi mencionado no início deste artigo, a segunda fase da pesquisa - quantitativa - não foi possível desenvolver. Ver também: THOMPSON, Paul. A v o z d o p a s s a d o : história oral. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1992.
6 Os dados encontram-se à disposição de pesquisadores no Laboratório de História
Oral do Núcleo de História Oral do Centro de Documentação do Dep. de Biblioteconomía e História da FURG.
de professores dessa área em Rio Grande são formados pelo curso de Estudos Sociais - licenciatura curta - e por isso se sentem professores de geografia e história, e alguns inclusive dão aulas de religião.
Se, um por um lado, essa situação poderia significar uma possibilidade de trabalho interdisciplinar, ou seja, englobando aulas de história, geografia e outras, não é o que parece acontecer. Os professores entrevistados demonstraram uma certa dificuldade de pensar mais abstratamente o seu cotidiano. Pode-se perceber essa dissociação entre as matérias quando atribuem aos professores de português as dificuldades dos alunos para
compreensão de textos históricos. Como falou determinado professor:
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" A u lad e h is t ó r ia
é
d e h is t ó r ia ; a u la d e p o r t u g u ê sé
c o m a p r o f e s s o r a d ep o r t u g u ê s " . "Op r o b le m a e s t á n a s s é r ie s d e 1.a a 4.a s é r ie . Oa lu n o t r a z d e I ' "a .
Os professores que participaram dos grupos, tanto de 1.0 quanto de 2.o graus das redes municipal e estadual, declararam, também, que há um certo
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d e s p re s tíg io por parte dos alunos com relação á matéria história e ao professor de história. Comentam que há um processo de valorização das disciplinas de português, matemática, em detrimento de disciplinas como história e geografia. Essa situação, segundo o depoimento dos professores entrevistados, estaria ocorrendo entre os professores colegas de outras disciplinas, entre os alunos e até mesmo entre professores que lecionam história. Como aparece nas seguintes falas:1. De um professor de
2.0
grau: " O s a lu n o s q u e v ê m d o 1.0 g r a ut r a z e m a q u e la c o is a d e q u e h is t ó r ia
e
g e o g r a f ia a in d a n ã o r o d a " ;2. De um professor de
1.0
grau da rede municipal: " E s t e a n o v ie r a m liv r o s d e p o r t u g u ê s , m a t e m á t ic a , m a s d e h is t ó r iae
g e o g r a f ia n ã ov ie r a m . E n t ã o a p r ó p r ia in s t it u iç ã o f e d e r a l d e ix a a s d is c ip lin a s
m a r g in a liz a d a s " ;
3. De um professor de
1.0
grau da rede municipal: " E u já v i m u it o sp r o f e s s o r e s n a á r e a d e E s t u d o s S o c ia is f a la r t ip o a s s im : 'n a m in h a
d is c ip lin a n in g u é m r o d a ' . . . " ;
4. De um professor de 1.o grau da rede municipal: " O s a lu n o s n o t a m q u e d if ic ilm e n t e e le s u s a m a h is t ó r ia n o d ia - a - d ia , e n t ã o , p o r m a is
q u e a h is t ó r ia a t u e p a r a
a
r e f le x ã o ,a
u t ilid a d e n u n c aé
c o m o d am a t e m á t ic a " .
2 .2 - C o n c e p ç ã o d e h is tó ria
Perguntados sobre o que seria a história, os professores, na sua grande maioria, responderam que história é estudar o passado, para compreender o presente e modificar o futuro. Fica evidente que para aqueles professores OS fenômenos sociais são repetitivos e a história seria a área de conhecimento
100 BIBlOS, Rio Grande, 9: 97-104, 1997.
a demonstrar essa repetição". É o que se verifica no depoimento seguinte: 1. "(..)
a
h is t ó r ia e s t á r e la c io n a d a a o s f a t o s p a s s a d o s c o mo
p r e s e n t ec o m o e u v o u in t e r p r e t a r " , " E la s e r e p e t e
né,
s e e n t e n d e p o r q u e q u e t á a c o n t e c e n d o " (professora municipal de1.0
grau).2. "(..) e u e n c a r o d e s s a f o r m a , p o r q u e a g e n t e t e m q u e v e r
a
m e lh o rm a n e ir a
né,
d e e n s in a r p r a e le s , d e m o s t r a r a r e a lid a d e d o m u n d o , d e v e r if ic a ro
q u e f o i f e it o n o p a s s a d o e h o je c o n t in u a m f a z e n d o a sm e s m a s c o is a s ( . . .) "
Esse quase senso comum era verificado a todo instante, quando os professores eram levados a definir a sua área de conhecimento. Verificou-se que os professores tinham dificuldade de aprofundar o conceito de história. Os professores de 1.0grau demonstraram mais disposição ao debate da sua realidade mais concreta, sem mais abstrações ou mesmo generalizações. Muitos ficaram no limite de relatar sua aula do dia anterior. Aqueles que tentaram aprofundar o conceito demonstraram incerteza, como se verifica na seguinte fala: " P o s s o d iz e r a t é a q u ilo q u e d ig o p a r a os a lu n o s : q u e ah is t ó r ia é u m a c iê n c ia h u m a n a . T r a t a - s e d a r e la ç ã o h u m a n a em v á r io s a s p e c t o s , p o lí t ic o s , e s t u d a
a
s o c ie d a d e , ( . . ) . M a is o u m e n o s is s o , t r a t a d o s e r h u m a n o " .A concepção de história na visão da maioria dos professores entrevistados foi, também, muito associada à idéia de valor. Ou seja, história
é importante, é tudo. E quando questionados sobre esse grau de importância, as respostas foram circulares: é importante porque é importante. Foi o caso de um dos grupos de professores de
1.0
grau, em que, dos sete participantes, somente um discordou dessa visão: " N ã o c o n s ig ov e r a h is t ó r ia r e la c io n a d a c o m t u d o " . Os demais professores esboçaram
uma reação de contrariedade, mas não levaram a polêmica adiante.
2 .3 - A fu n ç ã o s o c ia l d a h is tó ria
Pelos discursos produzidos pelos professores durante as entrevistas, não foi possível perceber uma função social mais precisa da história. A visão se restringe ao conteúdo e a objetivos mais genéricos, como desenvolver o senso crítico do aluno ou mostrar sua realidade.
No entanto, quando alguns desses professores se colocaram diante das dificuldades do ensino, eles pareceram não fazer parte de nenhuma realidade, ao menos da escola: tudo parece estar fora deles. Esses prOfessores solicitaram que as coordenações fizessem alguma coisa e falaram abertamente que estão procurando resolver seus problemas individual-mente. Há o caso de um professor que disse o seguinte: u•.. v o u me c a s a r e n ã o p o s s o le v a r t r a b a lh o p a r a c a s a . A n o q u e v e m v o u a d o t a r p r o v a s o r a is " .
7!>.. esse respeito, ver: CARR; E.H. Oq u e éH is t ó r ia ? Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1982.
2.4 - A universidade na formação dos professores de 1.° e 2.° graus
A Universidade foi questionada na sua tarefa de preparação de profissionais de história. O sentimento geral com relação à Universidade é
de abandono, decepção, ceticismo, distanciamento.
Abandono - Para os professores entrevistados, a Universidade Os esquece a partir do momento em que se formam. A Universidade estaria, a partir do momento em que libera o aluno para o mercado de trabalho, omitindo-se de um possível acompanhamento desse professor. Esse sentimento de abandono pode-se verificar no seguinte depoimento de um
professor de
2.0
grau da rede estadual: "(...) ÉZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
u m a d a s c o is a s q u e e u t e n h o s e m p r e c r it ic a d o n e s s a s e n t r e v is t a s , ( . . . ) s e m p r e q u a n d o é p o s s í v e l, éo
a b a n d o n o q u e a g e n t e f ic a , se f o r m o u , t c h a u , n ã o t e m c u r s o d e e s p e c ia liz a ç ã o , n ã o t e m c u r s o , q u a n d o t e m ,
é
n u m h o r á r io q u e t u t át r a b a lh a n d o , q u e r d iz e r , n ã o d á p r a ir . ( . . . ) " . Esses professores solicitaram que houvesse uma maior interação da Universidade com o 1.° e 2.° graus.
Decepção - Os professores declararam que a Universidade não os preparou para a realidade em que se encontram. É o caso de um professor que diz: " A U n iv e r s id a d e n o s e n s in o u a d a r a u la p a r a a lu n o s b e m
-a r r u m -a d o s , e d u c a d o s e d e b o m n í v e l s o c ia l, n ã o n o s e n s in o u a d a r a u la p a r a ap e r if e r ia m is e r á v e l" . De um professor de
1.0
grau: " E u só f u i d e s c o b r ir e s s a im p o r t â n c ia q u a n d o f u i t r a b a lh a r . N a f a c u ld a d e e u n ã o p e r c e b i esses la d o s d a h is t ó r ia , só v ia of a t u a l, a p e s a r d e t e r t id o b o n s p r o f e s s o r e s " .Ceticismo - Ao mesmo tempo em que os professores solicitaram ajuda por parte da Universidade, também mostraram dúvidas de que essa ajuda pudesse ser efetivada, e se algum projeto eventualmente iniciado teria continuidade.
Distanciamento - Verificou-se também um certo sentimento de não-utilidade da formação acadêmica, haja vista que, na compreensão desses professores, a Universidade se mostra muito distante da realidade em que eles vivem. Assim, como fala um professor: " P r e q u e U n iv e r s id a d e ? N a p r á t ic a
a
g e n t e r e s o lv e " .De uma forma geral os professores entrevistados demonstraram que não há essa relação entre o magistério de
1.0
e 2.° grau e o magistério de 3°grau. A Universidade é estranha e distante, e às vezes sem utilidade.
2.5 - Outros apontamentos
Os professores relataram ainda uma realidade da cidade de Rio Grande caracterizada por:
U m a e x c e s s i v a c a r g a h o r á r i a em s a l a d e a u l a - Por exemplo, quem
tem 40 horas, tem 32 horas em sala de aula; quem tem 20 horas, tem 18
102 BIBLOS. Rio Grande. 9: 97-104. 1997.
horas/aula. Essa realidade de excesso de carga horária foi apontada pelos professores entrevistados como uma das razões pelas quais, além de o momento de preparo e atualização do conteúdo muitas vezes ser o mesmo, a própria noção de atualização está restrita ao uso e consulta do livro didático.
O
t e m p o d a c a r g a h o r á r i aé
e x e r c i d o em e s c o l a s d i f e r e n t e s , c o mc o n t e ú d o s d i f e r e n c i a d o s
e
c o m u m n ú m e r o e x c e s s i v o d e a l u n o s p o rt u r m a - No limite, um professor relatou ter no total cerca de 500 alunos, já
que sua realidade era de uma grande escola do estado. E um outro tinha cerca de 250 alunos.
E x c e s s i v a h i e r a r q u i z a ç ã o b u r o c r á t i c a , d e t e r m i n a n d o
o
c o t i d i a n oe s c o l a r n o q u e t a n g e às p r á t i c a s p e d a g ó g i c a s - Foi salientado por alguns
professores que há uma expectativa por parte deles de que haja mais coordenação prática da parte da SMEC ou DE. Esses órgãos de ensino, para os professores entrevistados, estão desacreditados em função do seu distanciamento com a realidade do ensino em Rio Grande.
N ã o h á o p o r t u n i d a d e d e e n c o n t r o s e n t r e os p r o f e s s o r e s d a m e s m a á r e a p a r a r e l a t a r e m as s u a s e x p e r i ê n c i a s - E as reuniões que se
realizam para tal função, muitas vezes promovidas pelos órgãos de ensino estadual ou municipal, são repetitivas e sem prosseguimento das atividades.
E s c o l a s a p r e s e n t a n d o p é s s i m o s c o n d i ç õ e s d e i n f r a - e s t r u t u r a ,
s i t u a d a s em b a i r r o s p o b r e s d a c i d a d e s u j e i t o s
à
v i o l ê n c i a c o t i d i a n a - A violência é relatada pelos professores como uma manifestação já corriqueira, em que os protagonistas são desde os alunos - destruindo a escola - até marginais que invadem as salas de aulas, ou mesmo a própria policia.A l g u n s p r o f e s s o r e s r e l a t a r a m
a
f a l t a d e u m a p o l í t i c a e d u c a c i o n a l ,d e p r o j e t o s m a i s a m p l o s d a e d u c a ç ã o - Entretanto, essa necessidade é vista pelos professores entrevistados com base na sua realidade individual, sem demonstrar uma visão mais geral de cidade. Essa crítica está associada também à falta, para os professores entrevistados, de um maior assessoramento quanto a novas técnicas de dar aula. Nota-se que para esses professores a metodologia é entendida como a maneira de manter o aluno dentro da sala de aula.
3 -
À
GUISA DE CONCLUSÃOA preocupação inicial desta pesquisa foi iniciar um estudo com vistas ~ Contribuir para o. entendimento sobre quais as razões dessa falta de Identidade do professor como um todo, como um sujeito social. No entanto,
BIBLOS. RIOGrande. 9: 97-104. 1997
como fazer pesquisa é muitas vezes constatar o óbvio, neste trabalho a obviedade não só foi constatada como foi-se além. Alguns questionamentos que não faziam parte do início da pesquisa foram incorporados, revelando que há muito para se pesquisar e estudar. Um desses questionamentos diz respeito à Universidade, seu papel, sua função e sua posição com relação ao ensino e educação.
Procurou-se neste trabalho mais do que conclusões, mas o levantamento de aspectos que possam contribuir para a compreensão das razões desse desestímulo em dar aulas de história e desse senso comum quanto à tarefa do professor de história.
Verificamos, num primeiro momento, que um dos pontos urgentes a serem repensados
é
a Universidade, na medida em que o desencanto esboçado pelos professores entrevistados demonstrou que ela seria a última alternativa a que eles recorreriam para solucionar seus problemas. Por que os professores não procuram a Universidade? Ou por outra, por que a Universidade não procura os professores que formou? Essas perguntas fazem parte da lista de uma série de dúvidas levantadas a partir dos dados da pesquisa dos grupos de percepção e servirão de fio condutor para o prosseguimento da pesquisa.ONMLKJIHGFEDCBA
B IB L IO G R A F IA
CARR, E.H.
°
ZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
q u e éH is t ó r ia ? Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1982. GRAZIA, Alfred de. P o lit ic a l B e h a v io r . New York: Collier Books, 1962. v. I.LOURO, Guacira Lopes. Que História estamos ensinando? In:R e v is t a E d u c a ç ã o e R e a lid a d e . Porto Alegre: UFRGS, 8(2): 79:81, maio/ago, 1983.
NEVES, Maria Aparecida Mamede. " E n s in a n d o e a p r e n d e n d o h is t ó r ia " . São Paulo: EPU, 1985. LUKÁCS, Georg. História e consciência de classe. Rio de Janeiro: Elfos, 1989.
PESAVENTO, Sandra. A H is t ó r ia d o f im d o s é c u lo e m b u s c a d a e s c o la . Porto Alegre: Dep. História/UFRGS, 1995, (mimeo).
SHAPIRO, Gilbert & VIDICH, Arthur J. A comparison of participant observation and survey data. In: American Sociological Review. Vol. 20, n01, 1955.
THOMPSON, Paul. A v o z d o p a s s a d o : história oral. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1992.
104 BIBLOS, Rio Grande. 9: 97-104. 1997.